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Questão de Ordem | Partos normal x cesárias
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Questão de Ordem | Partos normal x cesárias

61 views Publicado 03/05/2025 HD · 1:14:52

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🔍 Cesáreas em Alta: O Que Está Por Trás dos Números Alarmantes em Campinas? | Questão de Ordem ✅ DESCRIÇÃO LONGA: A cada ano, cresce a preocupação com o número de cesáreas realizadas no Brasil — e Campinas segue essa tendência com um dado chocante: em 2024, 65% dos nascimentos na cidade foram cesarianas, mais que o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica o ideal de apenas 15% para gestantes de risco habitual. Mas o que realmente está por trás desses números? Neste episódio especial do Questão de Ordem, o jornalista Gabriel Castro conduz um debate revelador com a vereadora Fernanda Solto, membra da Comissão Permanente de Política Social e Saúde da Câmara Municipal de Campinas, e com a professora titular de obstetrícia da Unicamp, Dra. Eliana Martorano Amaral. Com dados, ciência e sensibilidade, elas discutem: Por que o Brasil é um dos campeões mundiais de cesáreas? Qual o papel do medo, da desinformação e da remuneração médica nessa escolha? Quais os riscos e complicações de uma cesárea desnecessária para mães e bebês? Como combater a romantização ou a pressão sobre o "parto ideal" nas redes sociais? E o mais importante: como garantir um parto humanizado, centrado na segurança, informação e autonomia da mulher? Prepare-se para uma conversa profunda, informativa e transformadora. Assista, reflita e compartilhe. O parto não deve ser uma guerra entre cesariana e parto normal, mas sim uma escolha consciente, segura e respeitosa. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 📌 Dados do vídeo: 🔗 https://youtu.be/xMrkzE2y09U 🎤 Tema: Alto número de cesáreas em Campinas e os desafios do parto humanizado ✅ HASHTAGS (corpo da descrição): #PartoHumanizado #CesáreaNoBrasil #SaúdeDaMulher #GestaçãoConsciente #PartoNormal #Obstetrícia #Campinas #TVcamaracampinas #QuestãoDeOrdem

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[Música] Olá, começa agora o programa Questão de Ordem. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, apenas 15% dos nascimentos deveriam ser por cesárea, os não naturais. Isso, claro, voltada especificamente para mulheres com gestação de risco habitual ou baixo risco, quando a mãe e bebê não apresentam condições ou fatores que aumentem significativamente a probabilidade de complicações. Aqui em Campinas, em 2024, nós tivemos 11.209 partos. De forma natural foram 3.856. Já de cesárea foram 7.351, quase o dobro. O que explica o alto número de partos não naturais? É desinformação? É medo? Ou baixa remuneração da equipe médica que acompanha um parto, já que de forma natural pode levar muitas horas e a cesárea minutos. Bom, para discutir o assunto, eu recebo aqui no estúdio a vereadora Fernanda Solto, que é membra da Comissão Permanente de Política Social e Saúde aqui da Câmara, e de maneira online a professora titular de obstetrícia pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, Eliana Martorano Amaral. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Fernanda Solto. Começo com a senhora que é da área da saúde, não é da obstetrícia, né? Mas de que maneira que acompanha essa questão do parto natural versus as cesáreas. Seja bem-vinda mais uma vez ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada, Gabriel. Quero saudar a todos que estão nos acompanhando aqui pela TV Câmara e também a presença da professora Eliana. Eh, realmente são são números que nos assustam. Em Campinas, em 2024, mais de 60% dos nascimentos ocorreram através de partes cesáreas, um número muito diferente daquele que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde. E essa nós que temos feito um debate importante sobre a questão da promoção e garantia de direito das mulheres, considerando que a gestação é uma parte importante da vida de grande parcela das mulheres, esse é um tema muito importante pra gente trazer para aqui pra Câmara Municipal de Campinas e para fazer o debate, uma reflexão. Acho que eh dos das questões que você trouxe, esse número reflete um pouco de cada uma delas. Nós, infelizmente no Brasil demorou muito para que a gente pudesse de fato ter uma política nacional de atenção integral às mulheres. Essa ainda é uma questão muito recente. Então você ter o desenvolvimento de políticas públicas que garantam de fato toda a promoção e direito das mulheres na área da saúde leva tempo, especialmente num país de dimensões eh continentais como o nosso. Então, há muito no que se avançar na na questão eh da elaboração das políticas e na aplicação das políticas. Eh, mas existe também uma dificuldade de acesso. Isso é importante que se diga. No país que nós temos, no momento que nós temos enfrentado um sucateamento crônico do SUS, subfinanciamento, muitas mulheres elas que, né, se descobrem gestante, inclusive elas chegam a ter eh, acesso ao pré-natal de forma tardia. muitas vezes já com complicações que poderiam ter sido evitadas durante a gestação ou até mesmo antes da gestação, condições que poderiam ter sido controladas. Muitas dessas mulheres, elas chegam para iniciar o pré-natal quando descobrem a gestação já no momento avançado. E aí de fato a chance de ter complicações em decorrência da gestação e necessitar de uma de uma cesariana é alta essa chance. Eh, existe uma outra questão que também é a falta de informação, a falta de qualificação muitas vezes dos serviços de saúde para eh de fato ah compreender, identificar exatamente os fatores de risco e a necessidade de intervenção na da nas gestantes no momento do parto. Então, quando você tem essa dificuldade de identificação correta, você acaba tendo um aumento do número de procedimentos desnecessários. Então, eu compreendo que são um conjunto de fatores que precisam ser eh lidados eh de forma separada, mas tendo uma compreensão eh geral sobre esse tema. Eh, nós precisamos avançar muito ainda, porque os números mostram, refletem, que nós estamos muito a quem da política recomendada não só pela Organização Mundial de Saúde, mas também pelo Ministério da Saúde aqui em nosso país. Eliana Martorano Amaral, professora titular de obstetrícia pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, de 65%, né, aqui em Campinas, para o recomendado pela OMS de 15% a um longo caminho, né? É uma situação que preocupa, que precisa ser revista ou é encarado dentro de uma normalidade? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem e quero agradecer desde já a disponibilidade do seu tempo, que eu sei que a senhora tem uma viagem, mas reservou aí uma horinha para poder participar aqui do Questão de Ordem. Achei um cantinho aqui para participar sem muita sem muita interferência. Então, boa tarde. Boa tarde, vereador Fernanda, e boa tarde, Gabriel, e a todos que nos assistem. E, acima de tudo, acho que é muito interessante trazer isso neste programa. Bom, então o 65, na verdade, o Brasil anda mesmo para casa acima dos 60. Então, eh, este não é um, entre aspas, privilégio de Campinas, mas o Brasil há muitas décadas tem se mostrado um dos campeões mundiais de cesárea. E essa é uma questão que sempre preocupou e várias políticas públicas já foram implantadas no passado na tentativa de e reduzir a aceleração do crescimento da cesárea de uma forma que se tem quase que a cesárea como normalizada, uma forma natural de nascer. A partir do momento que você tem quase 2/3 dos partes acontecendo por cesáre 1/3 dos partes acontecendo e por via vaginal, a própria experiência dentro de um grupo, qualquer grupo de pessoas mais jovens, poucos nasceram. Eu faço até essa experiência todo dia. Fiz ontem com os alunos aqui dando aula sobre pré-natal pros alunos do quarto ano da Unicamp. Eu pergunto: "Quem aqui nasceu de cesárea? Levanta a mão." E aí a gente tem uma meia dúzia de mãos. num grupo de 30 ou 40 alunos. Então veja, há muitas décadas isso tá subindo no eh em Campinas, está subindo no Brasil e está subindo no mundo. E é isso que eu queria também chamar atenção. A elevação da taxa de cesárea é uma pandemia, é um problema de saúde pública mundial hoje pelo lado da política em si e preocupa pelo lado de quem tá tá eh vislumbrando as possíveis complicações associadas a isso. Então eu depois tiro um tempo aí paraa gente conversar um pouco sobre as complicações que há complicações. normalização da cesárea é falta de de se compreender as dificuldades que podem vir após a realização de uma cesárea e durante esta cesárea. Então, voltando à sua a sua questão básica, essa taxa é elevada sim, mas ela é a taxa que tá acontecendo no Brasil e a própria Organização Mundial de Saúde, na verdade, alguns trabalhos mais recentes mostram que está estamos mais perto entre o 21 e o 25, pensando no mundo como um todo, com a expectativa de que a taxa geral global no mundo em 2030 chegue a 30%. De qualquer modo, veja bem, nós já estamos o dobro de 2030. É, ô, eu vou pedir pr pra senhora explicar já pra gente, porque às vezes para quem está nos assistindo pode estar pensando, tá, mas qual que é o problema de tantas cesáreas? O importante não é a saúde da mãe, não é a saúde do bebê. Então, tem problema este número tão alto de cesáreas? Isso. Então, a cesárea, vamos começar e chegando num acordo de que lembrando que a cesárea é um procedimento cirúrgico e um procedimento cirúrgico traz por si só série de potenciais complicações. Por exemplo, é muito mais eh frequente a infecção após uma cesárea. É natural. você faz antisepsia, limpa a pele, mas existem bactérias que fazem parte da pele, existem bactérias que fazem parte da flora vaginal, que a gente diz, né, que podem eventualmente complicar um pós cesárea com muito mais frequência que um pós-parto. OK? Então essa é uma coisa básica, a complicação da infecção pósesárea. Mas não é só isso. Você tá tendo que fazer um outro tipo de anestesia que poderá ter complicações. É um procedimento que eu vou entrar dentro do abdômen da mãe e isso tem riscos cirúrgicos associados imediatos eh que podem acontecer. E o mais complexo, sabe? A, eu tenho a primeira cesárea. Se eu fizer a segunda, a partir daí será sempre cesárea e essas complicações vão ser mais eh frequentes. Então, mas não é só isso, não são só as complicações imediatas, existem as complicações tardias paraa mãe. Uma complicação tardia pra mãe que tem sido muito comum e o caísmo tem atendido muitos casos bastante graves, é que depois de uma cesárea, uma chance da placenta, que é aquele órgão cheio de vasos que, vamos dizer assim, por onde a criança respira, se coloca à frente da criança no colo do na frente, quero dizer, né, pensando na saída pelo pela via vaginal, fica à frente da criança, próximo ao colo da mãe e essa placenta penetra mais profundamente e gruda e Não só, às vezes ela ultrapassa o úter. O que que isso quer dizer? Isso quer dizer que na hora do parto, não será um parto vaginal obrigatório, será uma cesárea, uma alta chance de grandes complicações, inclusive acometendo, como eu falei, outros órgãos, não só o útero onde onde a placenta está, mas a bexiga que tá ao seu lado. Então é um procedimento de alto risco de vida, na verdade. Então essa é uma preocupação. Então eu falei de duas de de algumas questões que são imediatas e tadias pra mãe, mas vamos falar um pouquinho do nenê também. Uhum. Então, existe uma percepção de que sempre será mais saudável e sempre será mais seguro paraa criança na sede de cesárea. Não. A gente tem critérios, né? acompanhado por profissionais treinados, a gente tem bastante critério para saber quando existe um risco e a necessidade de fazer uma cesárea em função da criança, assim como eventualmente pode ter em função da mãe. Mas falando sobre a criança, eh, a gente sabe o momento em que isso deve ser indicado por por uma razão de eh não colocar a criança em risco. Por outro lado, temse descoberto benefícios tardios da cesárea. Claro, a cesárea feita precocemente, logo quando a mãe chega no que falam do termo da gravidez e esse termo começa com 37 semanas, ainda nessa época, uma cesárea feita fora do trabalho de parto, a chance da criança ter insuficiência respiratória, precisar ir paraa UTI nãoal é grande, tá? Então é muito maior do que se deixasse evoluir. Mas tem uma coisa tardia interessante que tá sendo descoberta mais recentemente. As crianças que passam pela via vaginal, elas são ã inoculadas, né? Elas recebem a flora vaginal da mãe, as bactérias, o microbioma, que a gente chama. E ao receber isso e ser colonizada por isso, isso tem-se feito uma associação entre nascer de parto vaginal e menos doenças imunológicas. e menos doenças metabólicas como hipertensão, diabetes, lá na frente, na vida mais à frente. Então, veja que coisa interessante que muitas vezes as pessoas não têm conhecimento e não pensam a respeito. Olha só quantas informações importantes nós tivemos sobre os riscos então de uma cesárea, porque é uma cirurgia, é um processo que acaba acontecendo, mas por já ter normalizado, como Eliana disse, né, se mais de 60% acontece, o normal agora vira cesárea, porque vira a maioria. Eh, e os benefícios também eh do parto vaginal de forma eh natural, que a gente diz, Fernanda, como é que essas informações você enxerga, elas não chegam tanto na população? É algo que você entende que é complexo? É uma linguagem que fica muito difícil pra pessoa entender por que tantos benefícios nós temos de um lado, algumas complicações do outro, mas isso acaba não chegando ali no fator final. Eh, a gente percebe que de fato existe um pouco investimento nessa disseminação de informações de em larga escala, né? As pessoas elas de fato não não chega até as pessoas essas informações, as os potenciais riscos relacionados a uma cesárea indicada incorretamente, porque é importante lembrar a cesariana, né? Essa cirurgia, ela é uma cirurgia importante para salvar vidas das mulheres e das crianças quando bem indicada. E existem indicações formais muito bem descritas pela literatura médica, né, de longo tempo já de estudo sobre o tema. Claro que as tecnologias elas vão mudando e a gente vai adquirindo novas informações e qualificando cada vez mais o nosso conhecimento, mas nas situações já bem delimitadas, bem indicadas, era um procedimento que salva vidas. Inclusive, gostaria de reforçar, a discussão do parto humanizado não é uma discussão de parto normal, vaginal versus cesariana. A cesariana, ela está dentro também do conceito de parto humanizado quando eh num contexto de eh de promoção dos direitos das mulheres, de garantia do do protagonismo dessa mulher durante o momento do parto, da condução do parto, porém também da do fornecimento das tecnologias e dos procedimentos necessários, quando bem indicados no momento que essa mulher ou a criança apresentem algum tipo de risco que é, exijam a realização de uma cirurgia para que elas tenham a sua vida, as suas vidas preservadas. Então, todas essas informações, os riscos eh pré durante e pós cirúrgicos, eles são muitas vezes difíceis de se traduzir para uma linguagem que possa chegar até as pessoas, mas acho que também tem um pouco eh da dificuldade de se priorizar isso enquanto poder público mesmo para garantir essa disseminação, de fornecer as alternativas, de ter essa priorização. É, existe também uma cultura que nós muitas vezes, é, profissionais de saúde já aprendemos dentro da nossa formação, eh, voltada para uma determinada forma de exercer a profissão. Isso toma tempo, é difícil de você, eh, vencer barreiras de eh enfim, de de de costume, de práticas, de de de reprodução, né, de um de uma determinada forma de trabalhar. Isso também leva tempo. Então, muitos profissionais de saúde também tão a discutir, a, enfim, mudar a sua a sua prática e trazer para dentro da sua prática novas formas de se conduzir, né, uma uma gestação e um parto. Isso também é um ponto importante, ter um olhar para a formação dos profissionais de saúde. E de fato, eh, pensando nesse número das das cesarianas, a gente vê que grande parte é realizada dentro dos serviços privados. Então, essa é um dado que nós não podemos ignorar. A maior parte é realizada pelos serviços privados. Então, nós precisamos ter um olhar para dentro desses serviços, identificar quais são a as razões que levam a ter uma discrepância tão grande entre a realização desse procedimento nos serviços privados e nos serviços públicos. para então a gente poder atuar de forma direcionada se resolver esse problema. Então são eh são diversas dificuldades. Acho que ainda existe uma dificuldade com relação à comunicação e esse vai ser um desafio grande pra gente tentar mudar, reverter um pouco esses números. Eliana, é, queria reforçar algumas coisas que a Fernanda falou e e talvez agregar aí alguma coisa nesse raciocínio. A primeira questão é essa. Não se trata de condenar a cesárea e sim de colocá-la no seu devido lugar. Eh, quando a gente falou em taxas, por exemplo, na UMS, sabemos que países que têm menos que 10% de cesárea, há muita morte materna associada a não existência da cesárea, a falta de acesso à cesárea ou a distância para se atingir um um serviço onde é possível fazer uma cesárea. Então, não se trata de condenar, trata-se de tentar colocar no seu devido lugar e o seu devido lugar é o lugar da indicação quando existe necessidade pra mãe ou para criança. Entretanto, com esse aumento, com essa, vamos dizer assim, eh, com essa, não vou chamar ainda de popularização, com o uso da cesárea, que nas décadas passadas ela era considerada quase que um bem de consumo, onde a diferença entre o privado e o público era ainda mais acentuada, porque tinha direito e acesso, entre aspas, a cesárea, quem era do serviço privado, que agendava suas cesáreas. por razões diversas que não podem ser discutidas depois. Versos pacientes do serviço público, mulheres gestantes dos serviços públicos que não tinham acesso à analgesia. Há um parto que se chama de humanizado, mas que é um parto respeitoso, que é o termo que a gente usa mais pela Organização Mundial da Saúde hoje. Então, esta diferença de tratamento fez com que a cesárea se tornasse um quase um objetivo atingir como um bem de consumo. Então isso está também atrelado a esse crescimento da da percepção agora mais disseminada de que a cesárea é mais confortável, segura, tranquila e isso se associa sim com o que nós temos hoje no estado de São Paulo, uma lei estadual que dá a mulher o direito, como disse a Fernanda, bem falou a Fernanda, ela tem o direito de dizer: "Olha, eu não adianta, eu eu quero tem uma cesárea. Então, o que a gente chama de cesárea pedido, vamos lembrar que a cesárea pedido ela deve ela ela é a pedido quando, assim, classicamente na lei é quando justamente não tem uma indicação médica e deve ser feita a partir das 39 semanas. Por que isso? para eu garantir que não tá sendo feita uma cesárea muito precoce, em que vai acabará resultando numa criança na UTIAL por dificuldade respiratória. Então, eh, eu queria chamar a atenção para para a existência de de vários fatores, vamos dizer assim, eh, tem os fatores clínicos, tem os fatores sociais, tem os fatores socioeconômicos e educacionais. É clara a relação entre nível socioeconômico mais elevado e taxa de cesárea. Isso é clássico, não é só no Brasil, fora do Brasil também, mas essa conscientização ela é necessária para toda a população. E nós temos um movimento aí, um pequeno movimento acontecendo, que é um pouco tá se tornando bem, vamos dizer, bem de consumo, um parto bem organizado com uma equipe multiprofissional. Eh, e isso, isso é uma questão no Brasil complexa. Nós temos pouca formação de enfermeiras obstétricas, pouca disponibilidade e pouca prática no Brasil da assistência ao parto em equipe, porque de verdade é a a vamos dizer assim, a disponibilidade do profissional é de longa duração, mas não é só a questão da disponibilidade do custo, é uma questão do do cuidado, da maneira. É muito bom quando uma gestante está com a pessoa que ela escolhe para estar com ela no trabalho de parto e ela tem o direito de estar com alguém o tempo todo no trabalho de parto dentro da sala da cesárea, inclusive, né? Então, que isso fique bem claro, mas é importante que ela esteja acompanhada por alguém, que seja uma pessoa que traga tranquilidade, que tenha formação técnica suficiente para compreender quando tá passando. E aí eu queria te deixar isso muito claro, passando do limite da do da tentativa de um parto vaginal que se mostra impossível. Então, temos que tomar cuidado porque também eh muitas vezes a gente tem a própria paciente convicta de que ela quer um parto vaginal, eh ela insiste numa situação que é difícil e eu dou plantão e isso aconteceu no último plantão, mas quando você tem uma boa relação com a paciente, ela vai entender isso, ela vai entender a necessidade aí sim de fazer uma cesárea, por exemplo, para alguém como eu, que realmente me esforça ao máximo para eh formar as pessoas. E a Fernanda falou da formação, né? Eu acho que aí nós temos um outro problema que tem que o pacote é complexo e não tem solução simples, tá? Tem tem bala de prata, gente. Não tem mesmo. Não tem. É trabalhoso, é complexo. Por que que eu tô dizendo isso? Porque nós também temos uma queda da fertilidade muito grande. Que quer dizer isso? as pessoas estão tendo menos filhos, só tem um parto. Então, quando você vai conversar com alguém a respeito, por exemplo, dos riscos de uma cesárea em função de uma próxima gestação, não é incomum ela dizer: "Mas eu não vou ter mais filho". como se fosse uma justificativa que já foi um anteparo no na na nossa possibilidade de dialogar sobre isso, mas não é só nessa situação. Então, ao ter menos partos, também a experiência dos profissionais tá sendo modificada. Então, a exposição do aluno ou do residente ou da enfermeira obstétrica em formação, tudo isso tá sendo reduzido. Então, a gente precisa ter os treinamentos, cada vez são mais frequentes, os treinamentos em simulação que não resolvem tudo. Simulação é uma etapa prévia. Após a simulação, é preciso também se formar sob super supervisão nas situações reais. Então, eh, essa esse conjunto de boa formação é que faz com que o profissional esteja seguro depois para acompanhar esse trabalho de parto, para tranquilizar essa gestante e os acompanhantes dela. Então, esse conjunto de coisas é que precisa ser recuperado, porque não será uma única medida. E aí vamos falar, já que estamos aqui na TV Câmara, vamos falar do papel da mídia. Uhum. Quando o papel da míia, quando a mídia mostra um parto vaginal dramático, dolorido, sofrido e uma cesárea, como se fosse um passeio no parque de diversões, lindo, colorido, bonito, isto está obviamente criando já essa imagem de diferenciação. Então, uma das coisas, pensando em políticas públicas, eu até conversei um pouco com a Miriam, que é nossa ex-residente e coordena hoje aí o serviço na prefeitura, né, na tá à frente aí da questão da saúde da mulher, que é um um começar uma uma, vamos dizer assim, um movimento importante. Aí eu não sei se a Fernanda tá envolvida nisso ou tá tá sabendo, né, da questão do acesso à analgesia, porque a dor, a imagem da dor do parto, do trabalho de parto, mesmo para quem ainda não sentiu, quer dizer, ah, minha minha irmã disse, minha prima, minha mãe então a gente ouve, nós fizemos uma tese sobre isso e e essa tese eh mostra muito claramente como muito da opinião da gestante, não é, na verdade a opinião da gestante. É tudo o que ela ouviu e a responsabilidade que ela assume é a hora que ela diz: "Não, mas eu gostaria que fosse mesmo um parto vaginal". Porque ela ouve tanta coisa, não, não vai dar certo, minha família, sua família não é assim, sua mãe não deu a luz assim. Enfim, enfim, esse tipo de de, né, de conversa que acontece muito para as gestantes. Então, a a renaturalização do parto vaginal, nós vamos renaturalizar porque afinal de contas nós naturalizamos as cesáreas. Agora nós temos que voltar para trás e aí vale pras novelas, vale pras propagandas, vale pras conversas. Eu falo que a gente tem que fazer conversa da frutaria, do açogue, do supermercado. É nossa responsabilidade esse assunto de uma forma, é de uma forma natural, entendeu? E aí, e aí quem viveu isso de forma natural pode acreditar que é natural. Quem nunca viveu fica difícil, né? Então, de novo, se eu tenho 70% de taxa de cesárea, a chance de alguém na família ter vivenciado, ter sido legal e falou: "Nossa, olha que legal, como deu certo, como foi bonito, como a pessoa saiu andando no dia seguinte, como ela ela se sentiu eh protagonista desse parto. Precisa viver isso. Se não viveu, é difícil, fica o meu discurso aqui. Mas aí eu sempre falo que eu posso fazer o discurso porque eu tive de parto vaginal. Fora que é a cena mais linda que eu já vi na minha vida aqui. Dou o meu depoimento. Vou dar o depoimento já já aqui, que foi da minha esposa recentemente, que foi de parto normal e é belíssimo. Antes, Fernanda, acho que a professora e colocou muito bem, né? São problemas muito complexos e não existe saída fácil para problemas complexos. Eh, esse é um mal da do momento que a gente vive na política, no na sociedade, a necessidade da resposta simples para problemas muito grandes, né? Eu acho que a professora trouxe isso assim de forma muito brilhante, os eh os problemas que a gente tem, os desafios. E aí eu queria pontuar que nessa questão da das informações, a disseminação das informações, as redes sociais elas cumprem um papel importante para o bem e para o mal. poderiam auxiliar muito, mas a gente sabe que também eh existe uma um ponto muito negativo que é a disseminação de desinformação ou então até o uso mercadológico, né, da das redes eh para um determinado fim. E na questão da gestação e do parto, isso também tem acontecido. muitos perfis ou influenciadores que fazem eh algum tipo de discussão sobre esse assunto nas redes também às vezes muitas vezes contribuem para uma desinformação e você começa a criar a ideia de que existe um tipo correto eh de parto, um tipo ideal de parto, quando na verdade o tipo correto, o ideal é para aquela mulher, para aquela criança naquelas determinadas condições, naquele determinado momento. Ou seja, é uma questão individual, não se pode ter eh um modelo que sirva para todo mundo e você acaba criando uma pressão sobre as mulheres. E isso a gente tem visto crescente nas redes, que a mulher para ela eh ser mãe de verdade, se ela é mulher de verdade, ela precisa passar por um determinado tipo de experiência no parto. Eh, ou então que eh para elas ter a realização completa daquele do daquele momento do do que é um dos do momentos mais importante, né, da um dos momentos mais importantes da vida daquela mulher, ela precisa passar por uma determinada forma de experiência, ter um determinado tipo de sentimento. E quando é por alguma questão as mulheres elas não podem ter o parto por via vaginal, parto normal, elas se sentem frustradas também porque foi vendido para elas aquela aquela imagem, aquela ideia eh muitas vezes idealizada do que é esse momento. E então eu acho que é a questão da disseminação das informações até para esse contraponto, ah, ao aumento do número das cesáreas, nós também precisamos ter essa crítica, porque muitas vezes é vendido um plano, um projeto, inclusive é preciso que se diga, tem pessoas que ganham dinheiro na rede social para falar sobre o tema, eh, né, para a naturalização do tema, mas também que começa a se impor padrões pras mulheres, que é muito difícil. eh de de se de de assim de de que as mulheres sigam aquele padrão sem ter algum tipo de de frustração. E a gente vê que isso é tão presente na vida das mulheres, em todos os aspectos. E é triste que isso também esteja relacionado a esse momento. É uma pressão a mais nesse momento que já é delicado, que muitas vezes ela já tá em dúvida e com medo, né, do que vai acontecer. Exatamente. Uma pressão a mais. E muitas vezes eh você tem a a associação de que existe um ambiente ideal para aquele parto que precisa ter X, Y, Z. E muitas vezes para aquela mulher, para aquela criança naquele momento, naquela situação, a necessidade é outra, né? A, o que vai, o que vai trazer conforto para aquela mulher ou que vai trazer segurança para pro nascimento dessa criança, são outras questões, né? não necessariamente aquele modelo é idealizado, vendido eh por alguma influencer na rede social. Então, é importante deixar as mulheres tranquilas com relação a isso, né? Não existe uma situação 100% eh que seja 100% ideal para todas. As mulheres são diferentes, as gestações são diferentes, as famílias são diferentes, os profissionais de saúde são diferentes, os serviços são diferentes, então as experiências serão diferentes. Então é importante a gente tirar mais essa carga de cima da mulher que não que vai trazer frustração e muitas vezes pode complicar inclusive o momento do parto. No final da resposta da Eliana, ela tava falando sobre dor. Então, quero trazer este assunto aqui pra gente poder debater primeiro com a Fernanda, depois com a Eliana. Eu tenho um filho de 7 meses, né? Então, parte teórica eu tô craque aqui porque durante a a gestação eu li livro, eu li muitos artigos na internet e na questão da dor do parto, né? Você encontra textos falando que é a maior dor do mundo, que equivale a 20 ossos quebrados todos de uma vez. Então, tem muito conteúdo que é duvidoso, né? para não dizer outra coisa na internet. E isso, claro, assusta principalmente a mulher. Eu discutia isso com a minha esposa, né? E obviamente a gente é bem informado. Falou: "Pô, tudo bem, vai, pode ser que doa, tem mulher fala que não dói, porque a minha mãe, por exemplo, falou: "Ó, Gabriel, você escapou, foi rapidinho, mas tem mulher que fala: "Nossa, realmente doeu muito". Então, é o que a Fernanda acabou de dizer agora, são casos que vão acontecer e são eh e tudo é individualizado, mas quando você começa a ler que é a maior dor do mundo, que equivale ao osso quebrado, você se questiona, a mulher se questiona principalmente, será que eu vou aguentar? E aí, muito provavelmente ela fica com medo e acaba indo pro que é mais rápido, como a Eliana disse, teoricamente confortável ali, Fernando. E depois, Eliana, como é que enxerga essa cultura da dor que existe no nosso país? Acho que isso vem um pouco do que eu estava comentando, a questão das experiências que são individuais. E a dor, ela é um sentimento muito próprio de cada ser humano e tá é multifatorial, envolvida e em questões biológicas, mas também questões sociais. E existem pessoas que têm uma tolerância maior a a um determinado grau de dor, pessoas que têm menos. Acho que isso é normal e isso a gente encontra em qualquer situação, não só relacionada ao parto. Agora, eh, importante também a gente trazer a questão da analgesia que a professora tava comentando, porque isso de fato ainda é não é acessível a todas as mulheres do ponto de vista do sequer do conhecimento da mulher, né? A gente tem a possibilidade durante o parto normal ter o acesso à analgesia do parto sem precisar fazer uma anestesia. como da cesárea. Mas eh isso tem melhorado, isso tem avançado, mas até pouco tempo era difícil encontrar profissionais que fizessem esse procedimento durante o momento do da da ali do trabalho de parto ou até mesmo as mulheres eh saberem, né, dessa dessa possibilidade. Então, assim, a questão da dor em si, ela é muito individual, muito própria de cada um. De fato, quando a gente eh se a gente vai olhar muito, procurar muito, você vai ver relatos aterrorizantes. Eh, mas é importante dizer que isso são questões muito individuais e também tá relacionado, por exemplo, se a mulher teve outras gestações ou não, ou outros partos ou não, isso também entra nessa percepção da da dor. É, e reforçar, né, a questão da analgesia do parto é muito importante essa informação que hoje já existe essa possibilidade, é muito importante para que as mulheres possam ter mais segurança na hora de, né, de com relação à questão da do conforto da dor, ter mais essa essa esse procedimento, essa tecnologia para auxiliar. A gente sabe que ainda é difícil, é, não é para todos, né? Professora Eliana, existe essa cultura da dor, alguns mitos em torno do parto normal, da mãe não conseguir aguentar ou de demorar a criar risco pro bebê e aí acaba forçando para essa cesárea? É, falando um pouquinho sobre a dor, vamos lembrar que além da analgesia mesmo, né, que é o que a gente chama de analgesia e que é feita então nas costas, né, é um tipo de procedimento anestésico que se faz nas costas. Eh, existem muitos, hoje sabemos que muitas intervenções de que não são medicamentosas também contribuem para reduzir essa dor. Por exemplo, água quente nas costas. Eu sou uma usuária, meu trabalho de parto foi longo, com dores bastante intensas e eu sou pessoalmente posso dizer como funciona a água quente nas costas. Então a gente orienta os alunos, a nossa equipe de enfermagem no caísme. Então as pacientes recebem massagem, a gente, quem tá acompanha como acompanhante, a gente ensina inclusive a fazer massagem a na parte dorsal, que isso ajuda. Ter aquela bola onde a paciente fica sentada e fica se mobilizando, ajuda o trabalho de parto. A gente também faz isso. vai até o chuveiro, toma a chuveirada quente, decide em que posição a a dor é mais confortável e se chegar a um ponto da dor e não tá sendo suportável, existem maneiras de contornar essa dor, que pode ser analgesia, mas pode ser até outro tipo de medicamento. Então, a cada fase tem as suas possibilidades. Mas eu vou salientar que a presença de uma equipe de confiança e de um acompanhante por escolha da mulher é uma grande parte do controle dessa dor. Então vamos falar da cultura da dor, né? Nós somos latinos, nós nós somos de reações emocionais e de sentimentos intensos. Então é diferente se você pegar uma cultura que tem outra postura em relação à dor, até isso é bastante diferente do que isso, do que acontece na nossa situação. Então há uma individualidade em relação a sentir ou não sentir a dor. Fernanda se referiu a um primeiro parto é diferente do segundo, mas também não é porque no primeiro parto meu foi assim, que o segundo será será exatamente assim também. É muito comum que sejam experiências completamente diferentes, porque depende da posição da criança, porque depende de como vão ser as contrações. São tantos elementos fisiológicos mesmo que não dá para prever dessa forma. De qualquer maneira, eu acho que o que precisa é sempre entender que sim, pode haver dor, nós não vamos negar a a existência, né? é uma contração no útero e toda a contração de órgão occo que a gente fala dá uma sensação de cólica. É uma sensação de cólica intensa, mas que vai se intensificando e no na no momento em que ela tá bastante intensa, provavelmente tá chegando perto a hora de nascer. Então isso é é um sinal de que eh tá evoluindo bem e a gente tem que manter o controle aí das condições do nenê, do da da mãe e vai tomando a decisão durante o processo, se continua tranquilo, se continua seguro ou se eventualmente no meio do caminho a gente vai precisar realmente indicar uma cesárea, o que é possível. Aí, como disse a Fernanda, você faz toda uma preparação, só ouve informações de que tudo é lindo, de que tudo é maravilhoso e aí não dá certo. Não dá certo e não dá certo. Quer dizer, não dá certo aquela imagem ideal, né? A criança nasce bem, a mãe fica ótima, então isso é super certo. Mas como a Vilma é outra imagem, não é não só uma frustração, mas o que para mim é mais grave é quem eh compreende, fica uma impressão de que eu vou ser, vamos dizer assim, eu não consegui cumprir o meu papel como mulher. Isso não é só com o parto, com a amamentação também. Uhum. Amamentação tem a mesma sobrecarga emocional. Então, a o excesso de expectativa sobre a mãe em relação ao parto ou em relação à amamentação, eh, são não contribuem. Quer dizer, as pessoas que estão ao redor, elas têm que dar apoio buscando não ser uma pressão a mais sobre ela, porque ela mesma já está se cobrando, ela mesma já está pensando o que ela deveria ou não fazer. E aí ela, como eu disse, houve muitas opiniões e muitas vezes eh isso eh torna ainda mais difícil a experiência e acaba não sand sendo então parto como uma experiência positiva, que é uma outra expressão que a Organização Mundial tem usado, que eu acho muito muito adequada, porque é isso, gente, o parto é o parto e nascimento da criança e o parto, qualquer parto, nascer, o nascimento ter, ter uma criança, é um momento mágico, é um momento lindo. É um momento que marca a vida da família, dos amigos, de quem assistiu, de quem tava junto, do profissional. Tudo isso tem que ser essa coisa bonita e positiva. Claro, eventualmente há complicações e para isso a gente tem que estar treinado para lidar com elas, buscando o maior sucesso possível. Mas eh precisa tirar essa carga pesada que transforma numa num tudo ou nada, né? Um flaflu, né? Parece que tá uma guerra de uma coisa contra outra e nunca nunca é isso. Não é isso não. Isso é fundamental porque claro, né, as famílias, as mães idealizam uma situação, mas também não dá para romantizar e também até as últimas consequências. Não, eu quero parto normal de qualquer jeito. Tem que escutar sempre os médicos, porque muitas vezes há um risco pra mãe e pro bebê e ao longo do caminho isso tem que ser e adaptado. E por outro lado também, né, do lado da cesárea, tomar muito cuidado com o que se lê na internet nessa questão, é da dor exacerbada, pode doer, pode, mas tem nauseia, quando foi dito aí, tem outros caminhos para poder amenizar e essa dor e da mulher. Um outro assunto além da dor que eu queria tratar aqui no nosso questão de ordem que tá rendendo muito bem. Na minha abertura, eu citei, Fernanda, um possível motivo para tantas cesárias, que é o da baixa remuneração. A gente encontrou algumas reportagens e este médico que acompanha o paciente durante o parto vaginal, ele precisa dedicar um tempo considerável, que geralmente de 8 a 12 horas ele acompanha ali eh até que o trabalho seja concluído. quanto uma cesariana consome cerca 1 hora, acho que 2 horas no máximo. A política de remuneração, a gente pode dizer que é pouco favorável pro parto vaginal? É, eu acho que do quando a gente fala do Sistema Único de Saúde, que é a nossa nossa principal bandeira de defesa no país enquanto política de saúde, de o que é urgente necessário é a ampliação do investimento. A gente tem discutido bastante isso aqui em Campinas e aí não é só com relação à questão do atendimento ao parto ou a gestante, é no geral. Nós estamos vivendo uma verdadeira crise da saúde pública, uma dificuldade de acesso por parte dos usuários e também uma sobrecarga muito grande dos trabalhadores. Isso eh muitas vezes quando a gente fala da questão da crise, a gente eh evidencia muito a questão do usuário, porque de fato as filas são muito longas, a dificuldade e de acesso aos serviços, aos procedimentos, elas são inúmeras, mas os trabalhadores também estão muito sobrecarregados, os trabalhadores também estão muito adoecidos. Isso tem uma relação direta com a questão do financiamento da saúde pública e a gestão da saúde pública. Em Campinas, nos últimos 4 anos, nós tivemos uma redução do investimento na saúde em mais de 20% para cada cadastrado no Sistema Único de Saúde, cada usuário cadastrado no Sistema Único de Saúde. Esse foi um dado que nós levantamos pelo nosso mandato. Nós temos feito um debate com a prefeitura sobre essa questão. Isso vai impactar de maneiras eh profundas a qualidade da da assistência. Uhum. Então, quando a gente fala do Sistema Único de Saúde, eh, a gente tem debatido muito essa questão da necessidade da ampliação do investimento, mas também da reversão das terceirizações e das privatizações. Muitos trabalhadores eles fazem uma carga horária em diversos serviços para conseguir complementar e a sua renda e eh devido à redução da da remuneração geral dos serviços, quando você tem uma terceirização, diminuição de direitos trabalhistas, diminuição de direitos previdenciários, enfim, umas um aumento da jornada de trabalho também associado às terceirizações. Isso tudo vai ter impacto sobre a qualidade do do atendimento prestado. Por um outro lado, quando a gente também se desresponsabiliza, o Estado e o poder público se desresponsabilizam da oferta eh daquele serviço e transfere pra iniciativa privada, a gente tem um outro problema que é o acompanhamento desse serviço. Será que de fato os serviços estão eh sendo estão caminhando com rela assim em conjunto com as diretrizes do SUS, né, eh que é a política de saúde. Então essas eh a fiscalização desses serviços, né, a gente tem uma dificuldade maior. Nós defendemos muito o controle social, que é a participação dos usuários e dos trabalhadores na elaboração da política pública, do acompanhamento da fiscalização. Quando você tem a terceirização e a privatização, isso é dificultado. O controle social, ele tem dificuldades de fazer eh de cumprir o seu papel. Então, tudo isso eu entendo que vai ter eh impactos profundos sobre a sobre a qualidade do serviço prestado. E aí não entrando na questão do juízo de valor, da ética profissional, assim, isso é muito, né, cada profissional eh precisa eh cumprir a sua tarefa com com ética, com respeito, ah, garantindo eh que esse serviço seja prestado baseado nas melhores evidências científicas, nas nas melhores práticas recomendadas pelas autoridades, pelas sociedades, eh, eh, daquela área, daquele tema. Então, eh, e quando se evidencia um uma um afastamento desse, desse trabalho, né, da dos preceitos éticos, existem os órgãos de regulação das profissões que precisam ser acionados, precisam acompanhar, verificar, fiscalizar para que isso, essa medida não continue, eh, essa eventual prática não continue e prejudique os pacientes ou os usuários, né? Então, eh, a gente tem esse conjunto de questões que precisam ser debatidas quando se trata desse desse assunto. Eliana, além de demandar um grande comprometimento de tempo, né, por parte do médico, ele muitas vezes precisa abrir mão da agenda de consultas, né? É preciso ter um incentivo financeiro por parte de governo. E aí eu falo municipal, estadual, até federal para esses profissionais. como é que você enxerga aí uma possível baixa remuneração eh nessa questão de parto normal e de cesáreo e do tempo que leva cada um? É, eu acho que primeiro a gente tem que entender que o modelo, esse esse modelo que se que se foca na atenção exclusiva do médico em que ele tá disputando, entre aspas, o tempo dele de consultório versus o acompanhamento do trabalho de parto, é isso que precisa mudar. Essa é uma cultura que precisa mudar. Então, para quem tá sendo atendido no sistema conveniado e privado, cada vez mais já se já se criam equipes em que existe uma equipe de atendimento e essa equipe de atendimento poderá ter um outro médico que a paciente já conhece, a enfermeira obstética que a paciente já conhece, eh pessoas então que já fazem parte do acompanhamento. Isso tranquiliza para ela aceitar, entre aspas, a presença de outros profissionais que acompanham durante esse trabalho de parto, no caso, né, de ser um trabalho de parto que dura muitas horas. Então isso isso eh sabidamente é um dos componentes que tem mudado na atenção inclusive conveniada e privada. E aí eu fico feliz de ver que muitos dos nossos ex-residentes, a gente faz o máximo no caísmo para treiná-los, para ter essa visão eh de trabalho em equipe, essa visão de humanização e de uso científico, né, dos procedimentos, como tá dizendo a Fernanda, que precisa cumprir os protocolos. E eu tenho visto que isso tá se tornando muito mais frequente, muito mais acessível para esses profissionais mais jovens entrando no mercado. Mas se a gente falar então da atenção dada pelo Sistema Único de Saúde nos dentro dos hospitais que atendem pacientes dentro como usuárias SUS, né, que não estão entrando como conveniadas ou privadas, eh as as instituições que fazem, né, esse essa atividade de maternidade que cada vez são menos numerosas, porque fazer parto não é o problema. O problema é a recepção de um recém-nascido eventualmente prematuro. Uhum. Então, muitos hospitais têm deixado de fazer, o que torna, então, a disputa pela pelo pela vaga eh importante, mas os hospitais que atendem SUS precisam ter equipes preparadas para dar conta disso, 24 horas, com toda a segurança e necessidade de apoio nesse mesmo nível, incluindo anestesista, tá? Então essa essa é uma outra questão que é uma questão diferente, né? Eh, a gente precisa entender que equipe de parto não é mais o médico. Assim, pensar que parto é o médico é negar a história da obstetrícia, é negar o que acontece no mundo inteiro. Então, o médico faz parte, ele vai ter que intervir em situações especiais, mas é preciso tenha uma equipe e uma equipe que ter segurança para paciente. Então, por isso a gente também, uma das intervenções é paciente durante o pré-natal, não importa que ela é, se ela é de que, de que convênio ela é, se ela é suja ou se ela é um convênio privado, ela deve visitar a maternidade, ela deve conhecer o espaço, ela deve saber quem é a equipe. Tudo isso contribui paraa segurança e para o parto como uma como uma experiência positiva. Então, usando aí esse esse mote, porque eu acho que isso eh eu acho forte esse mote pra gente entender qual é a expectativa. Então, a questão da remuneração se colocou, já se mudou no Brasil no passado, paga mais, paga igual, mas a questão não é essa, a cesárea continua subindo. É verdade, Fernando. Então, enfermeiras obstétricas ou até doulas muitas vezes, que é uma discussão que já aconteceu muitas vezes aqui na Câmara de Campinas, né? vereadora Mariana Conte também, eh, companheira de Só, posso posso fazer só uma intervenção? Eh, eu queria só fazer uma intervenção sobre isso especificamente. Eh, de uma maneira de uma maneira geral, existe uma confusão das pessoas acerca do papel da doula, tá? O papel da doula é exclusivo de apoio e ele, a doula, vamos dizer assim, na sua origem, ela é alguém que teve a experiência de parto e justamente ela vem trazer, ela vem contribuir com essa tranquilidade para passar pelo processo. Há muita confusão achando que Doula é a enfermeira obstétrica. Não, a Doula não é enfermeira obstétrica. ela não tem, quando ela cumpre esse papel, a função do que ela tá fazendo é é exclusivamente essa. Se a função for além disso, avaliar o trabalho de parto, eh contribuir na discussão com o médico a respeito do que precisa ou não ser feito, isso não é papel de doula, isso é papel de enfermeira obstética que tem um treinamento diferenciado, que precisa ter um treinamento. Então a gente precisa diferenciar um pouco esse papel e essa é uma discussão internacional, tá? a gente tá, eu faço parte, né, da Federação Internacional de Ginecologia e e esse essa é uma discussão internacional que nós estamos tendo eh inclusive com com a com a enfermagem, né, eh, juntando a enfermagem obstétrica e os obstetras a respeito de como é que como é que fica essa definição de papéis para que não haja essa confusão e e às vezes com uma formação eh muito curta pessoas cumprindo papéis que não estão compatíveis com sua formação. Não, explicação importante. E recentemente, né, como a minha esposa passou por parto, realmente a enfermeira obstétrica, ela tem um papel que é fundamental. Então assim, a partir do momento que ela tava internada, que estourou a bolsa, ela foi pro quarto e todo o período a enfermeira obstétrica ficou lá, ela que comandou tudo, lógico, a médica entrava no quarto de vez em quando, mas ela conversava: "Ó, tá com dilatação de tanto". falava os termos, utilizava os aparelhos para saber se estava tudo bem e tal, mas durante todo o período ela e ela falou: "Não, eu vou coordenar, pode deixar que assim que tiver pronto eu chamo a médica". Então ela tem esse papel e na minha cabeça era médica. falei: "Não, é, a médica vai fazer o parto e nada disso, como a Eliana tá falando, é uma equipe muito grande, foram duas médicas mais essa enfermeira obstétrica que acompanhou todo o parto." Então, realmente é fundamental este papel e tem este auxílio da doula também neste momento que muitas mulheres optam, né, por que a enfermagem é é e lembrando que a que a enfermeira obstétrica ela tem ela é uma ela tem uma formação que é um curso de graduação de enfermagem mais uma especialização em obstetrícia. Então, a a esse título ele deve ser reservado para pessoas que têm esse preparo e essa é uma diferença. Então, ela ela justamente é o que você disse, eu pensei que fosse médica, sim, porque ela tem um nível de conhecimento bastante bastante elevado e ela é capaz de discutir se realmente com o médico, olha, tá saindo da normalidade, isso tá passando, não dá mais, que você acha, não acha que tá na hora de fazer alguma coisa? Então, é uma equipe discutindo o caso. O cuidado sempre é melhor quando tem uma equipe de pessoas bem treinadas discutindo o caso. Qualquer tipo de cuidado. E um mês antes teve um curso teórico durante 2 horas que ela conversou sobre dúvidas, o que poderia acontecer, então que é normal, a gente vai tentar normal até quando você e o bebê tiverem bem, senão vai partir para cesárea. Então essa informação importante e justamente sobre isso, Fernanda, sobre a importância dessa enfermeira obstétrica ou deste auxílio que uma doula pode dar neste momento que a mulher queira é optar. Como que a gente faz para essa informação chegar até as pessoas e elas entenderem este papel do quanto importante isso pode auxiliar? Eu acho que a gente precisa trazer as pessoas que eh estudam, que debatem esse tema justamente para auxiliar nessa divulgação, nessa informação. Professora trouxe questões aqui muito importantes, né? A gente sabe que isso uma discussão que tá sendo feita não só no Brasil, mas no mundo todo. Então, eh, e não é simples você agregar eh estudos, guidelines, protocolos, mudanças de legislação e cada país é um funciona de uma forma. Não é simples você agregar tudo isso e transmitir para um para 220 milhões de brasileiros. Então eu acho que no primeiro eh primeiro momento é necessário promover espaços em que as pessoas que estão mais à frente dessa discussão, tão fazendo pesquisa, que estão produzindo conhecimento sobre esse tema, tem oportunidade de falar sobre o assunto. Eu acho que a Câmara Municipal, eh, as, os eventos oficiais pela prefeitura são importantes, por exemplo, aqui na cidade, inclusive para trazer os profissionais de saúde pro debate, porque eventualmente existem divergências de eh de avaliações, existem e que essas divergências elas possam ser colocadas, possam ser debatidas e, no fim caminhar para um um um uma determinação em conjunto. Então, eu acho que em primeiro lugar é essa questão de você promover esses espaços, que as pessoas possam expor as opiniões, os estudos, as pesquisas, eh as informações tanto para os profissionais de saúde também, quanto para a população. Eu acho que é fundamental que a gente tenha isso. E esse é um papel importante da Câmara Municipal, como o Gabriel já trouxe esse esses debates, eles eh de forma recorrente a gente traz através seja das audiências acerca de algum projeto de lei, sejam dos debates públicos por algum, por exemplo, mês de conscientização de algum tema, a gente acaba aproveitando esse o mote da campanha para trazer pra Câmara Municipal a discussão. Então acho que isso é um primeiro ponto que é importante ressaltar a responsabilidade do poder público em promover essas discussões. Reta final do nosso questão de ordem. Programa bom é programa assim, ó, que passa rápido e com muitas informações. Eliana, eu sei que a gente já tá quase esgotando o tempo que eu tinha combinado, mas se der tempo, eu quero só trazer dois temas aqui rapidinho com você. O primeiro é numa resposta sua, você falou eh sobre uma relação entre as desigualdades sociais e o alto número de cesáreas. Eu queria só que você explicasse essa situação. Conforme a classe social, eh, A, B, o número de cesáreas ele é maior? É isso? Sim, sim. Eh, sabidamente as taxas de cesárea, isso é uma tendência antiga no Brasil, volto a dizer, e também fora do Brasil, eh em que nas classes sociais mais eh elevadas ou mais abastadas, eh, a taxa de cesárea é maior e isso se alinha muito com esse conceito, né, de da da cesárea como bem de consumo, né, que é um conceito que a gente usava bastante, eh, principalmente no passado. Então, sim, existe essa relação, entretanto, com essa tendência em se trazer esse parto, às vezes até idealizado, como a Fernanda disse, transformá-lo neste bem de consumo também. Se você pegar as taxas, eh, que eu fiz isso, né? peguei as taxas dos últimos anos aqui eh de Campinas e vi e há uma redução. As elevadas taxas em pacientes de convênios e privadas, elas estão pouquinho menos elevadas, talvez já por impacto desse tipo de movimento. Então é como se esse movimento tivesse agora dizendo o contrário, né? quer dizer, o o bom bem de o bem de consumo passa a ser um parto eh com toda essa infraestrutura que então eh nós devemos oferecer a todos e não a só uma parcela eh que tenha acesso da população, porque é capaz eh de de pagar para além do que o Sistema Único oferece. Então, precisa est disponível para todas. E o último assunto que eu quero trazer aqui, eh, Eliana, é que Campinas, a gente sabe, é uma cidade rica, tá num estado rico. Os hospitais eles estão preparados para possíveis complicações em parto. Então eu quero dizer, desde disponibilidade de sangue, derivados em questão de equipe, que a gente já citou aqui no programa, condições suficientes para poder cuidar desta paciente, fazer o transporte para encaminhar até outros hospitais, ter os medicamentos adequados, tudo isso explica uma alta da cesárea ou uma cidade como Campinas. Essa não são questões que preocupam, Eliana. E depois quero saber da Fernanda também. Eu diria que são questões que preocupam um pouco menos, mas não quer dizer que nós estamos na ilha da fantasia, tá? Então existe sim retardo ainda, às vezes por falta de condição institucional, às vezes por falta de experiência do professor. Porque veja uma coisa, vou dar um exemplo que todo mundo sabe, né, assim, pressão alta na gravidez pode ter convulsão, certo? Então isso é um conhecimento meio genérico. A pressão alta na gravidez que chega até a convulsão habitualmente tá dando sinais antes. Então a gente falou muito aqui da maternidade, do hospital, mas o pré-natal tem um papel importantíssimo. Então no pré-natal eu vou vendo que a paciente tá ganhando peso, tá ficando inchada, a pressão ainda não tá alterada, mas já mudou. Então, essa sensibilidade clínica, essa percepção clínica e tomar as medidas na hora correta é o que evita as complicações graves, tá? Então, a gente precisa pensar assim, a gente usa na pensando em prevenção, prevenção primária, secundária e terciária. Primária é quando você evita a doença de existir. A secundária é quando você evita que aquela doença fique grave. A terciária é quando você evita que morra, tá? Então, que é isso? A gente tem hoje medidas para prevenção primária de hipertensão. A gente dá certos remédios durante a gravidez para algumas mulheres para evitar. Se ela ficar hipertensa, eu preciso acompanhar para evitar que ela fique grave, prevenção secundária. Mas se ela ficar grave, aí a prevenção terciária dentro do hospital, eu preciso de ação. Mas se ela começar a ter sintoma lá no posto de saúde da pressão alta, com dor de cabeça, dor de estômago, são eh alguns dos sinais, para dar um exemplo, ã, as unidades têm que estar preparadas e com disponibilidade do medicamento que chama sulfato de magnésio para fazer o que a gente chama de dose de ataque. Então, a gente tem trabalhado muito em treinamento de protocolos de emergência que podem ser fora da maternidade, mas que muitas vezes é na maternidade. Por exemplo, aconteceu um parto, essa mulher tá tendo um sangramento acima do esperado, eu preciso tomar medidas nos próximos 30 minutos. Então, sim, a maternidade, qualquer maternidade, maternidade usada como termo genérico, qualquer maternidade precisa ter alguém que saiba como atuar, como fazer um balão para colocar dentro do útero, que é uma coisa que a gente faz. Então, há uma série de procedimentos de emergência que a gente tem feito treinamentos repetidos. A sociedade de ginecologia faz muito isso, mas essa paciente, se ela chegar com anemia no parto e ela sangrar, ela tem mais chance de complicação. Então o pré-natal tem lá uma responsabilidade enorme, sim, de que ela seja bem cuidada até chegar esse momento, que se acontecer um sangramento, ela já não tava com anemia para começar. E isso aumenta muito a chance dela. Eu falei da placenta Creta no começo, lembra da placenta que tá fora do lugar. Então, se eu sei que é um parto ou uma cesárea de alguém que eu sei que tem a placenta prévia, quer dizer na frente do nenê, a creta, quer dizer grudada no útero, eu tenho que mandar esse caso para ser atendido por quem sabe lidar com um caso desse nível de complexidade. E aí é o que você falou, eu preciso de banco de sangue do lado, eu preciso anestesista treinado para lidar com isso. Então, organizar a assistência obstetrista não se faz individualmente por serviço, se faz em rede. Uhum. E a rede inclui do pré-natal até o pós-natal. O que eu também tenho que orientar, por exemplo, uma pessoa que tenha uma doença grave, eu tenho que orientar sobre a gravidez. Você vai querer engravidar? Vamos organizar essa gravidez. Vamos prepará-la para isso. Ou a sua situação é grave, eu recomendo que você não engravide. Então, a contracepção faz parte do pré-natal, né? Ótimo. Exatamente. Fernanda, como é que enxerga essa questão aqui numa cidade como Campinas, né? Dá toda essa estrutura pra mulher? É fundamental, né? a gente tá numa cidade que precisa ser referência, precisa eh ser exemplo paraas outras para outras cidades. Somos uma das das maiores cidades do país, um dos maiores orçamentos do país. Então, acho que Campinas tem uma responsabilidade muito grande. Nós temos aqui instituições que formam profissionais altamente qualificados, capacitados, que produzem pesquisa e conhecimento eh na área da saúde e que tem condições de exportar todo esse conhecimento para outras cidades, mas também agregar eh conhecimentos que venham de outros outras outras localidades. Eu entendo que a gente precisa ampliar sim o investimento na área da saúde. que a professora trouxe uma questão que é muito importante a nossa luta, que o parto humanizado ele seja garantido como um direito para todas as gestantes e que essa eh questão da humanização, ela não seja restrita a uma determinada imagem que se tem da nas redes sociais, na disseminação das informações do que é o parto eh ideal. a gente precisa garantir primeiro lugar a o acesso dessa dessa mulher, se possível, antes mesmo de engravidar a um serviço de saúde, a profissionais de saúde qualificados e um acompanhamento em saúde para que ela possa identificar fatores de risco de doenças, tratar doenças pré-existentes, até mesmo decidir se quer ou não eh engravidar, porque a gente sabe e o semicamp na Unicamp é um um é um centro de pesquisa que fica ali dentro da Unicamp produz bastante pesquisa com relação aos direitos reprodutivos das mulheres. Eles divulgaram uma pesquisa, mas de 60% das gestações são não são planejadas. Isso vai ter impacto direto na assistência pré-natal, no acompanhamento. Então essa inclusive é uma questão, né? A contracepção precisa ser também um direito das mulheres. Mas voltando à questão da da das gestantes, essa mulher que engravida, que descobre uma gestação, ela precisa ter acesso ao início do pré-natal no tempo oportuno, com profissionais que estejam capacitados, qualificados. Para isso precisa ter uma rede que consiga eh acolher essas mulheres. Então, a gente precisa ter uma ampliação dos profissionais de saúde aqui do nosso município, da rede de saúde da mulher. E eh a ideia da humanização do parto, ela tá relacionada à garantia primeiro da dos direitos dessa mulher, desde o momento que ela chega para ter o parto até o momento que ela sai com o seu bebê da da maternidade. Isso significa sim considerar a o histórico dessa mulher, as suas decisões, eh, as suas dúvidas ali no momento, mas também a garantia de estrutura para que esse momento seja o mais seguro possível, tanto pra mulher quanto pro bebê. E aí isso pode envolver um parto cesáreo ou um parto normal, pode envolver a necessidade de um outro procedimento durante o trabalho de parto, pode envolver eh a participação de outros profissionais da saúde com cada um com a sua eh função ali, o seu conhecimento sendo aplicado. Então, e essa mulher, ela precisa ter direito e acesso a essa estrutura para que ela tenha segurança, tranquilidade e conforto também nesse momento. Apesar de toda a dor, todas as questões que podem envolver eh o o momento do parto, é importante que ela tenha o máximo de conforto e acesso às técnicas medicamentosas ou não, que possam possibilitar esse conforto e posteriormente ao parto, o cuidado com o recém-nascido, as orientações para que é nesse momento que a mulher já está muito preocupada, muito ansiosa, se cobrando e e enfim vivendo um turbilhão de emoções, ela tem o máximo de tranqu tranquilidade possível para viver o os melhores momentos dessa experiência. Então, garantir toda essa estrutura não é simples e se envolve um comprometimento político, inclusive de longo prazo, mas precisa ser planejado para que seja garantido. Então, a nossa luta aqui na Câmara é fazer essa discussão e incluir no orçamento do município a a garantia desses direitos para as mulheres e e entendo que essa é uma função dos nossos mandatos. Ótimo. Eliana Martorano Amaral, professora titular de obstetrícia pela Unicamp. Eh, eu vou abrir pra senhora. Só quero agradecer desde já a sua participação, a disponibilidade do seu tempo aqui com a nossa equipe, participando de maneira online do programa Questão de Ordem. Já faço um novo convite pra senhora retornar, seja de maneira online ou conhecendo aqui a nossa estrutura. e já fica aberto aí para as considerações finais e e contribuindo aí com a resposta da Fernanda. É, eu vou eu vou só trazer um assunto que a gente tocou só de de beiradinha aqui na conversa, que é nós estamos falando de modo geral das gestações de risco habitual ou de baixo risco, né, que é a maneira de falar, mas vamos lembrar que as pessoas hoje têm postergado a gravidez. Sim. Eh, e hoje a gente recebe uma taxa bastante elevada de mulheres que são classificadas em listas clássicas como de alto risco, por idade, inclusive a lista clássica de alto risco é acima de 35 anos, por exemplo. E hoje muita gente tá deixando para engravidar depois dos 35 anos. Então, eh, muito mais gestantes com diabetes, com hipertensão, gestantes com uma idade mais avançada, gestantes que já tem outras complicações clínicas, eh gestantes que já se sentem mais tranquilas para engravidar, apesar das suas complicações clínicas previamente diagnosticadas. Então, existe uma complexificação, quer dizer, tá ficando mais complexo o atendimento em obstetrícia, menos partos e em situações complexas. e Campinas é uma referência para uma grande região. Então eu queria deixar aqui uma questão que eu toquei de leve, que é de uma forma geral, a gente acaba dando conta do atendimento obstétrico, mas o atendimento neonatal tem um grande gargalo. atender a crianças prematuras, a crianças cardiopatas, a crianças com malformações congênitas, situações múltiplas. Campinas recebe um grande afluxo. O caísme é a referência para 5 milhões de habitantes para esse tipo de coisa, mais ou menos. Então, o que acontece, acho que essa é uma questão muito importante, porque nós obstetras que cuidamos de casos de alto risco na lá na Unicamp, eh muitas vezes eh nós temos que tomar a decisão, entre aspas, né, que é a escolha de Sofia, dizendo assim: "Essa mãe tem que vir para cá mesmo que eu não tenha vaga, porque é uma questão de vida ou morte e eu preciso que ela assim, entendendo o cuidado, a complexidade do cuidado, ela precisa vir para cá e às vezes não tem a vaga do neném. Então isso é uma coisa muito angustiante paraas equipes de neonatologia de obstetrícia e muito mais angustiante paraas famílias. Vocês imaginam o que é paraa família dizer: "Olha, você tem uma situação que precisa de cuidado, mas não tem leito". E como eu disse, as maternidades foram fechando seus leitos, porque o custo do leito neonatal, e aí sim é um custo que faz diferença, é um custo altíssimo, que é uma terapia intensiva. E então os hospitais se desinteressaram por correr o risco de precisar ter uma natal aberta. E isso, mais uma vez, não é só um fenômeno de Campinas, é um fenômeno mundial, mas significa que as instituições que fazem isso eh precisa ter, o poder público precisa acompanhar muito de perto quanto precisa disso, se tá dando conta do recado, como dividir isso com a região, quer dizer, como é que a gente trabalha no na organização regional da saúde, porque assistência obstétrica ou perinatal, que a gente diz, né, durante o parto Imediatamente após o parto que inclui a criança, a assistência perinatal não é de um município, ela é de uma região. E aí eu acho que cada vez mais é importante esse e e aí esse trabalho da da Câmara, né, da da classe política, ajudando a fazer essa integração para que o serviço possa ser da melhor qualidade possível. Muito obrigado, viu, professor? Até uma próxima oportunidade. Com certeza. ao vivo a cores. Estamos, mas o ao vivo então com certeza. Um prazer vocês. Prazer, prazer, Fernanda. Prazer, Gabriel. Até mais. Prazer a todo nosso. Vereadora Fernanda Solto. Muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo. As informações que foram trazidas aqui, tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador. E fica aberto aí também paraas suas considerações finais. Eu gostaria de agradecer o convite, Gabriel, a TV Câmara, agradecer a presença da professora. Acho que eh eu vim da Unicamp, então tive oportunidade de conhecer todo esse trabalho que é feito lá no CAISM e realmente assim é um um serviço de excelência que nos ensina muito sobre a questão eh do respeito às mulheres, aos direitos das mulheres, das crianças nesse tema com relação à questão do dos do do parto, o acompanhamento da gestação. Então, durante a minha formação, tive a oportunidade na residência médica de conhecer o trabalho e é uma instituição que tem muito a nos ensinar aqui, a contribuir com o nosso trabalho também na Câmara Municipal de Campinas e todo o conhecimento desses profissionais que fazem eh que estudam, que pesquisam, que elaboram conhecimento. E a gente precisa aproveitar o máximo essas oportunidades pra gente trazer isso para dentro da nossa elaboração política, porque afinal de contas é daqui que vão sair as propostas, as iniciativas. E elas não podem ser eh iniciativas que eh respondam apenas a um anseio político individual, elas precisam dar resposta pra sociedade. Então, por isso que isso precisa ser um um conjunto eh precisa ser construído conjuntamente. Então, eu vim hoje também para aprender, né? É, eu sou infectologista, não sou eh ginecologista nem obstetra, mas esse é um tema que toca muito profundamente a questão dos direitos das mulheres e essa é uma prioridade pro nosso mandato. Então esse momento que a gente também vem para ouvir, para aprender, contribui muito para que a gente possa caminhar no sentido de garantia mesmo de mais direitos para as mulheres aqui no município de Campinas. E os desafios são muitos, como a gente viu. E espero que a gente tenha contribuído com você aí de casa. não é rivalizando, né, o parto normal com a cesárea, mas entender sobre o impacto que tem este alto número de cesáreas, bem diferente do que diz a Organização Mundial da Saúde e também o Ministério da Saúde do nosso país. Continue na nossa programação. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Até a próxima. Tchau. Tchau. Até logo então, gente. Prazer. Valeu. Até mais. [Música] [Música] [Música] Olá, começa agora o programa Questão de Ordem. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, apenas 15% dos nascimentos deveriam ser por cesárea, os não naturais. Isso, claro, voltada especificamente para mulheres com gestação de risco habitual ou baixo risco, quando a mãe e bebê não apresentam condições ou fatores que aumentem significativamente a probabilidade de complicações. Aqui em Campinas, em 2024, nós tivemos 11.209 partos. De forma natural foram 3.856. Já de cesárea foram 7.351, quase o dobro. O que explica o alto número de partos não naturais? É desinformação? É medo? Ou baixa remuneração da equipe médica que acompanha um parto, já que de forma natural pode levar muitas horas e a cesárea minutos. Bom, para discutir o assunto, eu recebo aqui no estúdio a vereadora Fernanda Solto, que é membra da Comissão Permanente de Política Social e Saúde aqui da Câmara, e de maneira online a professora titular de obstetrícia pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, Eliana Martorano Amaral. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Fernanda Solto. Começo com a senhora que é da área da saúde, não é da obstetrícia, né? Mas de que maneira que acompanha essa questão do parto natural versus as cesáreas. Seja bem-vinda mais uma vez ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada, Gabriel. Quero saudar a todos que estão nos acompanhando aqui pela TV Câmara e também a presença da professora Eliana. Eh, realmente são são números que nos assustam. Em Campinas, em 2024, mais de 60% dos nascimentos ocorreram através de partes cesáreas, um número muito diferente daquele que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde. E essa nós que temos feito um debate importante sobre a questão da promoção e garantia de direito das mulheres, considerando que a gestação é uma parte importante da vida de grande parcela das mulheres, esse é um tema muito importante pra gente trazer para aqui pra Câmara Municipal de Campinas e para fazer o debate, uma reflexão. Acho que eh dos das questões que você trouxe, esse número reflete um pouco de cada uma delas. Nós, infelizmente no Brasil demorou muito para que a gente pudesse de fato ter uma política nacional de atenção integral às mulheres. Essa ainda é uma questão muito recente. Então você ter o desenvolvimento de políticas públicas que garantam de fato toda a promoção e direito das mulheres na área da saúde leva tempo, especialmente num país de dimensões eh continentais como o nosso. Então, há muito no que se avançar na na questão eh da elaboração das políticas e na aplicação das políticas. Eh, mas existe também uma dificuldade de acesso. Isso é importante que se diga. No país que nós temos, no momento que nós temos enfrentado um sucateamento crônico do SUS, subfinanciamento, muitas mulheres elas que, né, se descobrem gestante, inclusive elas chegam a ter eh, acesso ao pré-natal de forma tardia. muitas vezes já com complicações que poderiam ter sido evitadas durante a gestação ou até mesmo antes da gestação, condições que poderiam ter sido controladas. Muitas dessas mulheres, elas chegam para iniciar o pré-natal quando descobrem a gestação já no momento avançado. E aí de fato a chance de ter complicações em decorrência da gestação e necessitar de uma de uma cesariana é alta essa chance. Eh, existe uma outra questão que também é a falta de informação, a falta de qualificação muitas vezes dos serviços de saúde para eh de fato ah compreender, identificar exatamente os fatores de risco e a necessidade de intervenção na da nas gestantes no momento do parto. Então, quando você tem essa dificuldade de identificação correta, você acaba tendo um aumento do número de procedimentos desnecessários. Então, eu compreendo que são um conjunto de fatores que precisam ser eh lidados eh de forma separada, mas tendo uma compreensão eh geral sobre esse tema. Eh, nós precisamos avançar muito ainda, porque os números mostram, refletem, que nós estamos muito a quem da política recomendada não só pela Organização Mundial de Saúde, mas também pelo Ministério da Saúde aqui em nosso país. Eliana Martorano Amaral, professora titular de obstetrícia pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, de 65%, né, aqui em Campinas, para o recomendado pela OMS de 15% a um longo caminho, né? É uma situação que preocupa, que precisa ser revista ou é encarado dentro de uma normalidade? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem e quero agradecer desde já a disponibilidade do seu tempo, que eu sei que a senhora tem uma viagem, mas reservou aí uma horinha para poder participar aqui do Questão de Ordem. Achei um cantinho aqui para participar sem muita sem muita interferência. Então, boa tarde. Boa tarde, vereador Fernanda, e boa tarde, Gabriel, e a todos que nos assistem. E, acima de tudo, acho que é muito interessante trazer isso neste programa. Bom, então o 65, na verdade, o Brasil anda mesmo para casa acima dos 60. Então, eh, este não é um, entre aspas, privilégio de Campinas, mas o Brasil há muitas décadas tem se mostrado um dos campeões mundiais de cesárea. E essa é uma questão que sempre preocupou e várias políticas públicas já foram implantadas no passado na tentativa de e reduzir a aceleração do crescimento da cesárea de uma forma que se tem quase que a cesárea como normalizada, uma forma natural de nascer. A partir do momento que você tem quase 2/3 dos partes acontecendo por cesáre 1/3 dos partes acontecendo e por via vaginal, a própria experiência dentro de um grupo, qualquer grupo de pessoas mais jovens, poucos nasceram. Eu faço até essa experiência todo dia. Fiz ontem com os alunos aqui dando aula sobre pré-natal pros alunos do quarto ano da Unicamp. Eu pergunto: "Quem aqui nasceu de cesárea? Levanta a mão." E aí a gente tem uma meia dúzia de mãos. num grupo de 30 ou 40 alunos. Então veja, há muitas décadas isso tá subindo no eh em Campinas, está subindo no Brasil e está subindo no mundo. E é isso que eu queria também chamar atenção. A elevação da taxa de cesárea é uma pandemia, é um problema de saúde pública mundial hoje pelo lado da política em si e preocupa pelo lado de quem tá tá eh vislumbrando as possíveis complicações associadas a isso. Então eu depois tiro um tempo aí paraa gente conversar um pouco sobre as complicações que há complicações. normalização da cesárea é falta de de se compreender as dificuldades que podem vir após a realização de uma cesárea e durante esta cesárea. Então, voltando à sua a sua questão básica, essa taxa é elevada sim, mas ela é a taxa que tá acontecendo no Brasil e a própria Organização Mundial de Saúde, na verdade, alguns trabalhos mais recentes mostram que está estamos mais perto entre o 21 e o 25, pensando no mundo como um todo, com a expectativa de que a taxa geral global no mundo em 2030 chegue a 30%. De qualquer modo, veja bem, nós já estamos o dobro de 2030. É, ô, eu vou pedir pr pra senhora explicar já pra gente, porque às vezes para quem está nos assistindo pode estar pensando, tá, mas qual que é o problema de tantas cesáreas? O importante não é a saúde da mãe, não é a saúde do bebê. Então, tem problema este número tão alto de cesáreas? Isso. Então, a cesárea, vamos começar e chegando num acordo de que lembrando que a cesárea é um procedimento cirúrgico e um procedimento cirúrgico traz por si só série de potenciais complicações. Por exemplo, é muito mais eh frequente a infecção após uma cesárea. É natural. você faz antisepsia, limpa a pele, mas existem bactérias que fazem parte da pele, existem bactérias que fazem parte da flora vaginal, que a gente diz, né, que podem eventualmente complicar um pós cesárea com muito mais frequência que um pós-parto. OK? Então essa é uma coisa básica, a complicação da infecção pósesárea. Mas não é só isso. Você tá tendo que fazer um outro tipo de anestesia que poderá ter complicações. É um procedimento que eu vou entrar dentro do abdômen da mãe e isso tem riscos cirúrgicos associados imediatos eh que podem acontecer. E o mais complexo, sabe? A, eu tenho a primeira cesárea. Se eu fizer a segunda, a partir daí será sempre cesárea e essas complicações vão ser mais eh frequentes. Então, mas não é só isso, não são só as complicações imediatas, existem as complicações tardias paraa mãe. Uma complicação tardia pra mãe que tem sido muito comum e o caísmo tem atendido muitos casos bastante graves, é que depois de uma cesárea, uma chance da placenta, que é aquele órgão cheio de vasos que, vamos dizer assim, por onde a criança respira, se coloca à frente da criança no colo do na frente, quero dizer, né, pensando na saída pelo pela via vaginal, fica à frente da criança, próximo ao colo da mãe e essa placenta penetra mais profundamente e gruda e Não só, às vezes ela ultrapassa o úter. O que que isso quer dizer? Isso quer dizer que na hora do parto, não será um parto vaginal obrigatório, será uma cesárea, uma alta chance de grandes complicações, inclusive acometendo, como eu falei, outros órgãos, não só o útero onde onde a placenta está, mas a bexiga que tá ao seu lado. Então é um procedimento de alto risco de vida, na verdade. Então essa é uma preocupação. Então eu falei de duas de de algumas questões que são imediatas e tadias pra mãe, mas vamos falar um pouquinho do nenê também. Uhum. Então, existe uma percepção de que sempre será mais saudável e sempre será mais seguro paraa criança na sede de cesárea. Não. A gente tem critérios, né? acompanhado por profissionais treinados, a gente tem bastante critério para saber quando existe um risco e a necessidade de fazer uma cesárea em função da criança, assim como eventualmente pode ter em função da mãe. Mas falando sobre a criança, eh, a gente sabe o momento em que isso deve ser indicado por por uma razão de eh não colocar a criança em risco. Por outro lado, temse descoberto benefícios tardios da cesárea. Claro, a cesárea feita precocemente, logo quando a mãe chega no que falam do termo da gravidez e esse termo começa com 37 semanas, ainda nessa época, uma cesárea feita fora do trabalho de parto, a chance da criança ter insuficiência respiratória, precisar ir paraa UTI nãoal é grande, tá? Então é muito maior do que se deixasse evoluir. Mas tem uma coisa tardia interessante que tá sendo descoberta mais recentemente. As crianças que passam pela via vaginal, elas são ã inoculadas, né? Elas recebem a flora vaginal da mãe, as bactérias, o microbioma, que a gente chama. E ao receber isso e ser colonizada por isso, isso tem-se feito uma associação entre nascer de parto vaginal e menos doenças imunológicas. e menos doenças metabólicas como hipertensão, diabetes, lá na frente, na vida mais à frente. Então, veja que coisa interessante que muitas vezes as pessoas não têm conhecimento e não pensam a respeito. Olha só quantas informações importantes nós tivemos sobre os riscos então de uma cesárea, porque é uma cirurgia, é um processo que acaba acontecendo, mas por já ter normalizado, como Eliana disse, né, se mais de 60% acontece, o normal agora vira cesárea, porque vira a maioria. Eh, e os benefícios também eh do parto vaginal de forma eh natural, que a gente diz, Fernanda, como é que essas informações você enxerga, elas não chegam tanto na população? É algo que você entende que é complexo? É uma linguagem que fica muito difícil pra pessoa entender por que tantos benefícios nós temos de um lado, algumas complicações do outro, mas isso acaba não chegando ali no fator final. Eh, a gente percebe que de fato existe um pouco investimento nessa disseminação de informações de em larga escala, né? As pessoas elas de fato não não chega até as pessoas essas informações, as os potenciais riscos relacionados a uma cesárea indicada incorretamente, porque é importante lembrar a cesariana, né? Essa cirurgia, ela é uma cirurgia importante para salvar vidas das mulheres e das crianças quando bem indicada. E existem indicações formais muito bem descritas pela literatura médica, né, de longo tempo já de estudo sobre o tema. Claro que as tecnologias elas vão mudando e a gente vai adquirindo novas informações e qualificando cada vez mais o nosso conhecimento, mas nas situações já bem delimitadas, bem indicadas, era um procedimento que salva vidas. Inclusive, gostaria de reforçar, a discussão do parto humanizado não é uma discussão de parto normal, vaginal versus cesariana. A cesariana, ela está dentro também do conceito de parto humanizado quando eh num contexto de eh de promoção dos direitos das mulheres, de garantia do do protagonismo dessa mulher durante o momento do parto, da condução do parto, porém também da do fornecimento das tecnologias e dos procedimentos necessários, quando bem indicados no momento que essa mulher ou a criança apresentem algum tipo de risco que é, exijam a realização de uma cirurgia para que elas tenham a sua vida, as suas vidas preservadas. Então, todas essas informações, os riscos eh pré durante e pós cirúrgicos, eles são muitas vezes difíceis de se traduzir para uma linguagem que possa chegar até as pessoas, mas acho que também tem um pouco eh da dificuldade de se priorizar isso enquanto poder público mesmo para garantir essa disseminação, de fornecer as alternativas, de ter essa priorização. É, existe também uma cultura que nós muitas vezes, é, profissionais de saúde já aprendemos dentro da nossa formação, eh, voltada para uma determinada forma de exercer a profissão. Isso toma tempo, é difícil de você, eh, vencer barreiras de eh enfim, de de de costume, de práticas, de de de reprodução, né, de um de uma determinada forma de trabalhar. Isso também leva tempo. Então, muitos profissionais de saúde também tão a discutir, a, enfim, mudar a sua a sua prática e trazer para dentro da sua prática novas formas de se conduzir, né, uma uma gestação e um parto. Isso também é um ponto importante, ter um olhar para a formação dos profissionais de saúde. E de fato, eh, pensando nesse número das das cesarianas, a gente vê que grande parte é realizada dentro dos serviços privados. Então, essa é um dado que nós não podemos ignorar. A maior parte é realizada pelos serviços privados. Então, nós precisamos ter um olhar para dentro desses serviços, identificar quais são a as razões que levam a ter uma discrepância tão grande entre a realização desse procedimento nos serviços privados e nos serviços públicos. para então a gente poder atuar de forma direcionada se resolver esse problema. Então são eh são diversas dificuldades. Acho que ainda existe uma dificuldade com relação à comunicação e esse vai ser um desafio grande pra gente tentar mudar, reverter um pouco esses números. Eliana, é, queria reforçar algumas coisas que a Fernanda falou e e talvez agregar aí alguma coisa nesse raciocínio. A primeira questão é essa. Não se trata de condenar a cesárea e sim de colocá-la no seu devido lugar. Eh, quando a gente falou em taxas, por exemplo, na UMS, sabemos que países que têm menos que 10% de cesárea, há muita morte materna associada a não existência da cesárea, a falta de acesso à cesárea ou a distância para se atingir um um serviço onde é possível fazer uma cesárea. Então, não se trata de condenar, trata-se de tentar colocar no seu devido lugar e o seu devido lugar é o lugar da indicação quando existe necessidade pra mãe ou para criança. Entretanto, com esse aumento, com essa, vamos dizer assim, eh, com essa, não vou chamar ainda de popularização, com o uso da cesárea, que nas décadas passadas ela era considerada quase que um bem de consumo, onde a diferença entre o privado e o público era ainda mais acentuada, porque tinha direito e acesso, entre aspas, a cesárea, quem era do serviço privado, que agendava suas cesáreas. por razões diversas que não podem ser discutidas depois. Versos pacientes do serviço público, mulheres gestantes dos serviços públicos que não tinham acesso à analgesia. Há um parto que se chama de humanizado, mas que é um parto respeitoso, que é o termo que a gente usa mais pela Organização Mundial da Saúde hoje. Então, esta diferença de tratamento fez com que a cesárea se tornasse um quase um objetivo atingir como um bem de consumo. Então isso está também atrelado a esse crescimento da da percepção agora mais disseminada de que a cesárea é mais confortável, segura, tranquila e isso se associa sim com o que nós temos hoje no estado de São Paulo, uma lei estadual que dá a mulher o direito, como disse a Fernanda, bem falou a Fernanda, ela tem o direito de dizer: "Olha, eu não adianta, eu eu quero tem uma cesárea. Então, o que a gente chama de cesárea pedido, vamos lembrar que a cesárea pedido ela deve ela ela é a pedido quando, assim, classicamente na lei é quando justamente não tem uma indicação médica e deve ser feita a partir das 39 semanas. Por que isso? para eu garantir que não tá sendo feita uma cesárea muito precoce, em que vai acabará resultando numa criança na UTIAL por dificuldade respiratória. Então, eh, eu queria chamar a atenção para para a existência de de vários fatores, vamos dizer assim, eh, tem os fatores clínicos, tem os fatores sociais, tem os fatores socioeconômicos e educacionais. É clara a relação entre nível socioeconômico mais elevado e taxa de cesárea. Isso é clássico, não é só no Brasil, fora do Brasil também, mas essa conscientização ela é necessária para toda a população. E nós temos um movimento aí, um pequeno movimento acontecendo, que é um pouco tá se tornando bem, vamos dizer, bem de consumo, um parto bem organizado com uma equipe multiprofissional. Eh, e isso, isso é uma questão no Brasil complexa. Nós temos pouca formação de enfermeiras obstétricas, pouca disponibilidade e pouca prática no Brasil da assistência ao parto em equipe, porque de verdade é a a vamos dizer assim, a disponibilidade do profissional é de longa duração, mas não é só a questão da disponibilidade do custo, é uma questão do do cuidado, da maneira. É muito bom quando uma gestante está com a pessoa que ela escolhe para estar com ela no trabalho de parto e ela tem o direito de estar com alguém o tempo todo no trabalho de parto dentro da sala da cesárea, inclusive, né? Então, que isso fique bem claro, mas é importante que ela esteja acompanhada por alguém, que seja uma pessoa que traga tranquilidade, que tenha formação técnica suficiente para compreender quando tá passando. E aí eu queria te deixar isso muito claro, passando do limite da do da tentativa de um parto vaginal que se mostra impossível. Então, temos que tomar cuidado porque também eh muitas vezes a gente tem a própria paciente convicta de que ela quer um parto vaginal, eh ela insiste numa situação que é difícil e eu dou plantão e isso aconteceu no último plantão, mas quando você tem uma boa relação com a paciente, ela vai entender isso, ela vai entender a necessidade aí sim de fazer uma cesárea, por exemplo, para alguém como eu, que realmente me esforça ao máximo para eh formar as pessoas. E a Fernanda falou da formação, né? Eu acho que aí nós temos um outro problema que tem que o pacote é complexo e não tem solução simples, tá? Tem tem bala de prata, gente. Não tem mesmo. Não tem. É trabalhoso, é complexo. Por que que eu tô dizendo isso? Porque nós também temos uma queda da fertilidade muito grande. Que quer dizer isso? as pessoas estão tendo menos filhos, só tem um parto. Então, quando você vai conversar com alguém a respeito, por exemplo, dos riscos de uma cesárea em função de uma próxima gestação, não é incomum ela dizer: "Mas eu não vou ter mais filho". como se fosse uma justificativa que já foi um anteparo no na na nossa possibilidade de dialogar sobre isso, mas não é só nessa situação. Então, ao ter menos partos, também a experiência dos profissionais tá sendo modificada. Então, a exposição do aluno ou do residente ou da enfermeira obstétrica em formação, tudo isso tá sendo reduzido. Então, a gente precisa ter os treinamentos, cada vez são mais frequentes, os treinamentos em simulação que não resolvem tudo. Simulação é uma etapa prévia. Após a simulação, é preciso também se formar sob super supervisão nas situações reais. Então, eh, essa esse conjunto de boa formação é que faz com que o profissional esteja seguro depois para acompanhar esse trabalho de parto, para tranquilizar essa gestante e os acompanhantes dela. Então, esse conjunto de coisas é que precisa ser recuperado, porque não será uma única medida. E aí vamos falar, já que estamos aqui na TV Câmara, vamos falar do papel da mídia. Uhum. Quando o papel da míia, quando a mídia mostra um parto vaginal dramático, dolorido, sofrido e uma cesárea, como se fosse um passeio no parque de diversões, lindo, colorido, bonito, isto está obviamente criando já essa imagem de diferenciação. Então, uma das coisas, pensando em políticas públicas, eu até conversei um pouco com a Miriam, que é nossa ex-residente e coordena hoje aí o serviço na prefeitura, né, na tá à frente aí da questão da saúde da mulher, que é um um começar uma uma, vamos dizer assim, um movimento importante. Aí eu não sei se a Fernanda tá envolvida nisso ou tá tá sabendo, né, da questão do acesso à analgesia, porque a dor, a imagem da dor do parto, do trabalho de parto, mesmo para quem ainda não sentiu, quer dizer, ah, minha minha irmã disse, minha prima, minha mãe então a gente ouve, nós fizemos uma tese sobre isso e e essa tese eh mostra muito claramente como muito da opinião da gestante, não é, na verdade a opinião da gestante. É tudo o que ela ouviu e a responsabilidade que ela assume é a hora que ela diz: "Não, mas eu gostaria que fosse mesmo um parto vaginal". Porque ela ouve tanta coisa, não, não vai dar certo, minha família, sua família não é assim, sua mãe não deu a luz assim. Enfim, enfim, esse tipo de de, né, de conversa que acontece muito para as gestantes. Então, a a renaturalização do parto vaginal, nós vamos renaturalizar porque afinal de contas nós naturalizamos as cesáreas. Agora nós temos que voltar para trás e aí vale pras novelas, vale pras propagandas, vale pras conversas. Eu falo que a gente tem que fazer conversa da frutaria, do açogue, do supermercado. É nossa responsabilidade esse assunto de uma forma, é de uma forma natural, entendeu? E aí, e aí quem viveu isso de forma natural pode acreditar que é natural. Quem nunca viveu fica difícil, né? Então, de novo, se eu tenho 70% de taxa de cesárea, a chance de alguém na família ter vivenciado, ter sido legal e falou: "Nossa, olha que legal, como deu certo, como foi bonito, como a pessoa saiu andando no dia seguinte, como ela ela se sentiu eh protagonista desse parto. Precisa viver isso. Se não viveu, é difícil, fica o meu discurso aqui. Mas aí eu sempre falo que eu posso fazer o discurso porque eu tive de parto vaginal. Fora que é a cena mais linda que eu já vi na minha vida aqui. Dou o meu depoimento. Vou dar o depoimento já já aqui, que foi da minha esposa recentemente, que foi de parto normal e é belíssimo. Antes, Fernanda, acho que a professora e colocou muito bem, né? São problemas muito complexos e não existe saída fácil para problemas complexos. Eh, esse é um mal da do momento que a gente vive na política, no na sociedade, a necessidade da resposta simples para problemas muito grandes, né? Eu acho que a professora trouxe isso assim de forma muito brilhante, os eh os problemas que a gente tem, os desafios. E aí eu queria pontuar que nessa questão da das informações, a disseminação das informações, as redes sociais elas cumprem um papel importante para o bem e para o mal. poderiam auxiliar muito, mas a gente sabe que também eh existe uma um ponto muito negativo que é a disseminação de desinformação ou então até o uso mercadológico, né, da das redes eh para um determinado fim. E na questão da gestação e do parto, isso também tem acontecido. muitos perfis ou influenciadores que fazem eh algum tipo de discussão sobre esse assunto nas redes também às vezes muitas vezes contribuem para uma desinformação e você começa a criar a ideia de que existe um tipo correto eh de parto, um tipo ideal de parto, quando na verdade o tipo correto, o ideal é para aquela mulher, para aquela criança naquelas determinadas condições, naquele determinado momento. Ou seja, é uma questão individual, não se pode ter eh um modelo que sirva para todo mundo e você acaba criando uma pressão sobre as mulheres. E isso a gente tem visto crescente nas redes, que a mulher para ela eh ser mãe de verdade, se ela é mulher de verdade, ela precisa passar por um determinado tipo de experiência no parto. Eh, ou então que eh para elas ter a realização completa daquele do daquele momento do do que é um dos do momentos mais importante, né, da um dos momentos mais importantes da vida daquela mulher, ela precisa passar por uma determinada forma de experiência, ter um determinado tipo de sentimento. E quando é por alguma questão as mulheres elas não podem ter o parto por via vaginal, parto normal, elas se sentem frustradas também porque foi vendido para elas aquela aquela imagem, aquela ideia eh muitas vezes idealizada do que é esse momento. E então eu acho que é a questão da disseminação das informações até para esse contraponto, ah, ao aumento do número das cesáreas, nós também precisamos ter essa crítica, porque muitas vezes é vendido um plano, um projeto, inclusive é preciso que se diga, tem pessoas que ganham dinheiro na rede social para falar sobre o tema, eh, né, para a naturalização do tema, mas também que começa a se impor padrões pras mulheres, que é muito difícil. eh de de se de de assim de de que as mulheres sigam aquele padrão sem ter algum tipo de de frustração. E a gente vê que isso é tão presente na vida das mulheres, em todos os aspectos. E é triste que isso também esteja relacionado a esse momento. É uma pressão a mais nesse momento que já é delicado, que muitas vezes ela já tá em dúvida e com medo, né, do que vai acontecer. Exatamente. Uma pressão a mais. E muitas vezes eh você tem a a associação de que existe um ambiente ideal para aquele parto que precisa ter X, Y, Z. E muitas vezes para aquela mulher, para aquela criança naquele momento, naquela situação, a necessidade é outra, né? A, o que vai, o que vai trazer conforto para aquela mulher ou que vai trazer segurança para pro nascimento dessa criança, são outras questões, né? não necessariamente aquele modelo é idealizado, vendido eh por alguma influencer na rede social. Então, é importante deixar as mulheres tranquilas com relação a isso, né? Não existe uma situação 100% eh que seja 100% ideal para todas. As mulheres são diferentes, as gestações são diferentes, as famílias são diferentes, os profissionais de saúde são diferentes, os serviços são diferentes, então as experiências serão diferentes. Então é importante a gente tirar mais essa carga de cima da mulher que não que vai trazer frustração e muitas vezes pode complicar inclusive o momento do parto. No final da resposta da Eliana, ela tava falando sobre dor. Então, quero trazer este assunto aqui pra gente poder debater primeiro com a Fernanda, depois com a Eliana. Eu tenho um filho de 7 meses, né? Então, parte teórica eu tô craque aqui porque durante a a gestação eu li livro, eu li muitos artigos na internet e na questão da dor do parto, né? Você encontra textos falando que é a maior dor do mundo, que equivale a 20 ossos quebrados todos de uma vez. Então, tem muito conteúdo que é duvidoso, né? para não dizer outra coisa na internet. E isso, claro, assusta principalmente a mulher. Eu discutia isso com a minha esposa, né? E obviamente a gente é bem informado. Falou: "Pô, tudo bem, vai, pode ser que doa, tem mulher fala que não dói, porque a minha mãe, por exemplo, falou: "Ó, Gabriel, você escapou, foi rapidinho, mas tem mulher que fala: "Nossa, realmente doeu muito". Então, é o que a Fernanda acabou de dizer agora, são casos que vão acontecer e são eh e tudo é individualizado, mas quando você começa a ler que é a maior dor do mundo, que equivale ao osso quebrado, você se questiona, a mulher se questiona principalmente, será que eu vou aguentar? E aí, muito provavelmente ela fica com medo e acaba indo pro que é mais rápido, como a Eliana disse, teoricamente confortável ali, Fernando. E depois, Eliana, como é que enxerga essa cultura da dor que existe no nosso país? Acho que isso vem um pouco do que eu estava comentando, a questão das experiências que são individuais. E a dor, ela é um sentimento muito próprio de cada ser humano e tá é multifatorial, envolvida e em questões biológicas, mas também questões sociais. E existem pessoas que têm uma tolerância maior a a um determinado grau de dor, pessoas que têm menos. Acho que isso é normal e isso a gente encontra em qualquer situação, não só relacionada ao parto. Agora, eh, importante também a gente trazer a questão da analgesia que a professora tava comentando, porque isso de fato ainda é não é acessível a todas as mulheres do ponto de vista do sequer do conhecimento da mulher, né? A gente tem a possibilidade durante o parto normal ter o acesso à analgesia do parto sem precisar fazer uma anestesia. como da cesárea. Mas eh isso tem melhorado, isso tem avançado, mas até pouco tempo era difícil encontrar profissionais que fizessem esse procedimento durante o momento do da da ali do trabalho de parto ou até mesmo as mulheres eh saberem, né, dessa dessa possibilidade. Então, assim, a questão da dor em si, ela é muito individual, muito própria de cada um. De fato, quando a gente eh se a gente vai olhar muito, procurar muito, você vai ver relatos aterrorizantes. Eh, mas é importante dizer que isso são questões muito individuais e também tá relacionado, por exemplo, se a mulher teve outras gestações ou não, ou outros partos ou não, isso também entra nessa percepção da da dor. É, e reforçar, né, a questão da analgesia do parto é muito importante essa informação que hoje já existe essa possibilidade, é muito importante para que as mulheres possam ter mais segurança na hora de, né, de com relação à questão da do conforto da dor, ter mais essa essa esse procedimento, essa tecnologia para auxiliar. A gente sabe que ainda é difícil, é, não é para todos, né? Professora Eliana, existe essa cultura da dor, alguns mitos em torno do parto normal, da mãe não conseguir aguentar ou de demorar a criar risco pro bebê e aí acaba forçando para essa cesárea? É, falando um pouquinho sobre a dor, vamos lembrar que além da analgesia mesmo, né, que é o que a gente chama de analgesia e que é feita então nas costas, né, é um tipo de procedimento anestésico que se faz nas costas. Eh, existem muitos, hoje sabemos que muitas intervenções de que não são medicamentosas também contribuem para reduzir essa dor. Por exemplo, água quente nas costas. Eu sou uma usuária, meu trabalho de parto foi longo, com dores bastante intensas e eu sou pessoalmente posso dizer como funciona a água quente nas costas. Então a gente orienta os alunos, a nossa equipe de enfermagem no caísme. Então as pacientes recebem massagem, a gente, quem tá acompanha como acompanhante, a gente ensina inclusive a fazer massagem a na parte dorsal, que isso ajuda. Ter aquela bola onde a paciente fica sentada e fica se mobilizando, ajuda o trabalho de parto. A gente também faz isso. vai até o chuveiro, toma a chuveirada quente, decide em que posição a a dor é mais confortável e se chegar a um ponto da dor e não tá sendo suportável, existem maneiras de contornar essa dor, que pode ser analgesia, mas pode ser até outro tipo de medicamento. Então, a cada fase tem as suas possibilidades. Mas eu vou salientar que a presença de uma equipe de confiança e de um acompanhante por escolha da mulher é uma grande parte do controle dessa dor. Então vamos falar da cultura da dor, né? Nós somos latinos, nós nós somos de reações emocionais e de sentimentos intensos. Então é diferente se você pegar uma cultura que tem outra postura em relação à dor, até isso é bastante diferente do que isso, do que acontece na nossa situação. Então há uma individualidade em relação a sentir ou não sentir a dor. Fernanda se referiu a um primeiro parto é diferente do segundo, mas também não é porque no primeiro parto meu foi assim, que o segundo será será exatamente assim também. É muito comum que sejam experiências completamente diferentes, porque depende da posição da criança, porque depende de como vão ser as contrações. São tantos elementos fisiológicos mesmo que não dá para prever dessa forma. De qualquer maneira, eu acho que o que precisa é sempre entender que sim, pode haver dor, nós não vamos negar a a existência, né? é uma contração no útero e toda a contração de órgão occo que a gente fala dá uma sensação de cólica. É uma sensação de cólica intensa, mas que vai se intensificando e no na no momento em que ela tá bastante intensa, provavelmente tá chegando perto a hora de nascer. Então isso é é um sinal de que eh tá evoluindo bem e a gente tem que manter o controle aí das condições do nenê, do da da mãe e vai tomando a decisão durante o processo, se continua tranquilo, se continua seguro ou se eventualmente no meio do caminho a gente vai precisar realmente indicar uma cesárea, o que é possível. Aí, como disse a Fernanda, você faz toda uma preparação, só ouve informações de que tudo é lindo, de que tudo é maravilhoso e aí não dá certo. Não dá certo e não dá certo. Quer dizer, não dá certo aquela imagem ideal, né? A criança nasce bem, a mãe fica ótima, então isso é super certo. Mas como a Vilma é outra imagem, não é não só uma frustração, mas o que para mim é mais grave é quem eh compreende, fica uma impressão de que eu vou ser, vamos dizer assim, eu não consegui cumprir o meu papel como mulher. Isso não é só com o parto, com a amamentação também. Uhum. Amamentação tem a mesma sobrecarga emocional. Então, a o excesso de expectativa sobre a mãe em relação ao parto ou em relação à amamentação, eh, são não contribuem. Quer dizer, as pessoas que estão ao redor, elas têm que dar apoio buscando não ser uma pressão a mais sobre ela, porque ela mesma já está se cobrando, ela mesma já está pensando o que ela deveria ou não fazer. E aí ela, como eu disse, houve muitas opiniões e muitas vezes eh isso eh torna ainda mais difícil a experiência e acaba não sand sendo então parto como uma experiência positiva, que é uma outra expressão que a Organização Mundial tem usado, que eu acho muito muito adequada, porque é isso, gente, o parto é o parto e nascimento da criança e o parto, qualquer parto, nascer, o nascimento ter, ter uma criança, é um momento mágico, é um momento lindo. É um momento que marca a vida da família, dos amigos, de quem assistiu, de quem tava junto, do profissional. Tudo isso tem que ser essa coisa bonita e positiva. Claro, eventualmente há complicações e para isso a gente tem que estar treinado para lidar com elas, buscando o maior sucesso possível. Mas eh precisa tirar essa carga pesada que transforma numa num tudo ou nada, né? Um flaflu, né? Parece que tá uma guerra de uma coisa contra outra e nunca nunca é isso. Não é isso não. Isso é fundamental porque claro, né, as famílias, as mães idealizam uma situação, mas também não dá para romantizar e também até as últimas consequências. Não, eu quero parto normal de qualquer jeito. Tem que escutar sempre os médicos, porque muitas vezes há um risco pra mãe e pro bebê e ao longo do caminho isso tem que ser e adaptado. E por outro lado também, né, do lado da cesárea, tomar muito cuidado com o que se lê na internet nessa questão, é da dor exacerbada, pode doer, pode, mas tem nauseia, quando foi dito aí, tem outros caminhos para poder amenizar e essa dor e da mulher. Um outro assunto além da dor que eu queria tratar aqui no nosso questão de ordem que tá rendendo muito bem. Na minha abertura, eu citei, Fernanda, um possível motivo para tantas cesárias, que é o da baixa remuneração. A gente encontrou algumas reportagens e este médico que acompanha o paciente durante o parto vaginal, ele precisa dedicar um tempo considerável, que geralmente de 8 a 12 horas ele acompanha ali eh até que o trabalho seja concluído. quanto uma cesariana consome cerca 1 hora, acho que 2 horas no máximo. A política de remuneração, a gente pode dizer que é pouco favorável pro parto vaginal? É, eu acho que do quando a gente fala do Sistema Único de Saúde, que é a nossa nossa principal bandeira de defesa no país enquanto política de saúde, de o que é urgente necessário é a ampliação do investimento. A gente tem discutido bastante isso aqui em Campinas e aí não é só com relação à questão do atendimento ao parto ou a gestante, é no geral. Nós estamos vivendo uma verdadeira crise da saúde pública, uma dificuldade de acesso por parte dos usuários e também uma sobrecarga muito grande dos trabalhadores. Isso eh muitas vezes quando a gente fala da questão da crise, a gente eh evidencia muito a questão do usuário, porque de fato as filas são muito longas, a dificuldade e de acesso aos serviços, aos procedimentos, elas são inúmeras, mas os trabalhadores também estão muito sobrecarregados, os trabalhadores também estão muito adoecidos. Isso tem uma relação direta com a questão do financiamento da saúde pública e a gestão da saúde pública. Em Campinas, nos últimos 4 anos, nós tivemos uma redução do investimento na saúde em mais de 20% para cada cadastrado no Sistema Único de Saúde, cada usuário cadastrado no Sistema Único de Saúde. Esse foi um dado que nós levantamos pelo nosso mandato. Nós temos feito um debate com a prefeitura sobre essa questão. Isso vai impactar de maneiras eh profundas a qualidade da da assistência. Uhum. Então, quando a gente fala do Sistema Único de Saúde, eh, a gente tem debatido muito essa questão da necessidade da ampliação do investimento, mas também da reversão das terceirizações e das privatizações. Muitos trabalhadores eles fazem uma carga horária em diversos serviços para conseguir complementar e a sua renda e eh devido à redução da da remuneração geral dos serviços, quando você tem uma terceirização, diminuição de direitos trabalhistas, diminuição de direitos previdenciários, enfim, umas um aumento da jornada de trabalho também associado às terceirizações. Isso tudo vai ter impacto sobre a qualidade do do atendimento prestado. Por um outro lado, quando a gente também se desresponsabiliza, o Estado e o poder público se desresponsabilizam da oferta eh daquele serviço e transfere pra iniciativa privada, a gente tem um outro problema que é o acompanhamento desse serviço. Será que de fato os serviços estão eh sendo estão caminhando com rela assim em conjunto com as diretrizes do SUS, né, eh que é a política de saúde. Então essas eh a fiscalização desses serviços, né, a gente tem uma dificuldade maior. Nós defendemos muito o controle social, que é a participação dos usuários e dos trabalhadores na elaboração da política pública, do acompanhamento da fiscalização. Quando você tem a terceirização e a privatização, isso é dificultado. O controle social, ele tem dificuldades de fazer eh de cumprir o seu papel. Então, tudo isso eu entendo que vai ter eh impactos profundos sobre a sobre a qualidade do serviço prestado. E aí não entrando na questão do juízo de valor, da ética profissional, assim, isso é muito, né, cada profissional eh precisa eh cumprir a sua tarefa com com ética, com respeito, ah, garantindo eh que esse serviço seja prestado baseado nas melhores evidências científicas, nas nas melhores práticas recomendadas pelas autoridades, pelas sociedades, eh, eh, daquela área, daquele tema. Então, eh, e quando se evidencia um uma um afastamento desse, desse trabalho, né, da dos preceitos éticos, existem os órgãos de regulação das profissões que precisam ser acionados, precisam acompanhar, verificar, fiscalizar para que isso, essa medida não continue, eh, essa eventual prática não continue e prejudique os pacientes ou os usuários, né? Então, eh, a gente tem esse conjunto de questões que precisam ser debatidas quando se trata desse desse assunto. Eliana, além de demandar um grande comprometimento de tempo, né, por parte do médico, ele muitas vezes precisa abrir mão da agenda de consultas, né? É preciso ter um incentivo financeiro por parte de governo. E aí eu falo municipal, estadual, até federal para esses profissionais. como é que você enxerga aí uma possível baixa remuneração eh nessa questão de parto normal e de cesáreo e do tempo que leva cada um? É, eu acho que primeiro a gente tem que entender que o modelo, esse esse modelo que se que se foca na atenção exclusiva do médico em que ele tá disputando, entre aspas, o tempo dele de consultório versus o acompanhamento do trabalho de parto, é isso que precisa mudar. Essa é uma cultura que precisa mudar. Então, para quem tá sendo atendido no sistema conveniado e privado, cada vez mais já se já se criam equipes em que existe uma equipe de atendimento e essa equipe de atendimento poderá ter um outro médico que a paciente já conhece, a enfermeira obstética que a paciente já conhece, eh pessoas então que já fazem parte do acompanhamento. Isso tranquiliza para ela aceitar, entre aspas, a presença de outros profissionais que acompanham durante esse trabalho de parto, no caso, né, de ser um trabalho de parto que dura muitas horas. Então isso isso eh sabidamente é um dos componentes que tem mudado na atenção inclusive conveniada e privada. E aí eu fico feliz de ver que muitos dos nossos ex-residentes, a gente faz o máximo no caísmo para treiná-los, para ter essa visão eh de trabalho em equipe, essa visão de humanização e de uso científico, né, dos procedimentos, como tá dizendo a Fernanda, que precisa cumprir os protocolos. E eu tenho visto que isso tá se tornando muito mais frequente, muito mais acessível para esses profissionais mais jovens entrando no mercado. Mas se a gente falar então da atenção dada pelo Sistema Único de Saúde nos dentro dos hospitais que atendem pacientes dentro como usuárias SUS, né, que não estão entrando como conveniadas ou privadas, eh as as instituições que fazem, né, esse essa atividade de maternidade que cada vez são menos numerosas, porque fazer parto não é o problema. O problema é a recepção de um recém-nascido eventualmente prematuro. Uhum. Então, muitos hospitais têm deixado de fazer, o que torna, então, a disputa pela pelo pela vaga eh importante, mas os hospitais que atendem SUS precisam ter equipes preparadas para dar conta disso, 24 horas, com toda a segurança e necessidade de apoio nesse mesmo nível, incluindo anestesista, tá? Então essa essa é uma outra questão que é uma questão diferente, né? Eh, a gente precisa entender que equipe de parto não é mais o médico. Assim, pensar que parto é o médico é negar a história da obstetrícia, é negar o que acontece no mundo inteiro. Então, o médico faz parte, ele vai ter que intervir em situações especiais, mas é preciso tenha uma equipe e uma equipe que ter segurança para paciente. Então, por isso a gente também, uma das intervenções é paciente durante o pré-natal, não importa que ela é, se ela é de que, de que convênio ela é, se ela é suja ou se ela é um convênio privado, ela deve visitar a maternidade, ela deve conhecer o espaço, ela deve saber quem é a equipe. Tudo isso contribui paraa segurança e para o parto como uma como uma experiência positiva. Então, usando aí esse esse mote, porque eu acho que isso eh eu acho forte esse mote pra gente entender qual é a expectativa. Então, a questão da remuneração se colocou, já se mudou no Brasil no passado, paga mais, paga igual, mas a questão não é essa, a cesárea continua subindo. É verdade, Fernando. Então, enfermeiras obstétricas ou até doulas muitas vezes, que é uma discussão que já aconteceu muitas vezes aqui na Câmara de Campinas, né? vereadora Mariana Conte também, eh, companheira de Só, posso posso fazer só uma intervenção? Eh, eu queria só fazer uma intervenção sobre isso especificamente. Eh, de uma maneira de uma maneira geral, existe uma confusão das pessoas acerca do papel da doula, tá? O papel da doula é exclusivo de apoio e ele, a doula, vamos dizer assim, na sua origem, ela é alguém que teve a experiência de parto e justamente ela vem trazer, ela vem contribuir com essa tranquilidade para passar pelo processo. Há muita confusão achando que Doula é a enfermeira obstétrica. Não, a Doula não é enfermeira obstétrica. ela não tem, quando ela cumpre esse papel, a função do que ela tá fazendo é é exclusivamente essa. Se a função for além disso, avaliar o trabalho de parto, eh contribuir na discussão com o médico a respeito do que precisa ou não ser feito, isso não é papel de doula, isso é papel de enfermeira obstética que tem um treinamento diferenciado, que precisa ter um treinamento. Então a gente precisa diferenciar um pouco esse papel e essa é uma discussão internacional, tá? a gente tá, eu faço parte, né, da Federação Internacional de Ginecologia e e esse essa é uma discussão internacional que nós estamos tendo eh inclusive com com a com a enfermagem, né, eh, juntando a enfermagem obstétrica e os obstetras a respeito de como é que como é que fica essa definição de papéis para que não haja essa confusão e e às vezes com uma formação eh muito curta pessoas cumprindo papéis que não estão compatíveis com sua formação. Não, explicação importante. E recentemente, né, como a minha esposa passou por parto, realmente a enfermeira obstétrica, ela tem um papel que é fundamental. Então assim, a partir do momento que ela tava internada, que estourou a bolsa, ela foi pro quarto e todo o período a enfermeira obstétrica ficou lá, ela que comandou tudo, lógico, a médica entrava no quarto de vez em quando, mas ela conversava: "Ó, tá com dilatação de tanto". falava os termos, utilizava os aparelhos para saber se estava tudo bem e tal, mas durante todo o período ela e ela falou: "Não, eu vou coordenar, pode deixar que assim que tiver pronto eu chamo a médica". Então ela tem esse papel e na minha cabeça era médica. falei: "Não, é, a médica vai fazer o parto e nada disso, como a Eliana tá falando, é uma equipe muito grande, foram duas médicas mais essa enfermeira obstétrica que acompanhou todo o parto." Então, realmente é fundamental este papel e tem este auxílio da doula também neste momento que muitas mulheres optam, né, por que a enfermagem é é e lembrando que a que a enfermeira obstétrica ela tem ela é uma ela tem uma formação que é um curso de graduação de enfermagem mais uma especialização em obstetrícia. Então, a a esse título ele deve ser reservado para pessoas que têm esse preparo e essa é uma diferença. Então, ela ela justamente é o que você disse, eu pensei que fosse médica, sim, porque ela tem um nível de conhecimento bastante bastante elevado e ela é capaz de discutir se realmente com o médico, olha, tá saindo da normalidade, isso tá passando, não dá mais, que você acha, não acha que tá na hora de fazer alguma coisa? Então, é uma equipe discutindo o caso. O cuidado sempre é melhor quando tem uma equipe de pessoas bem treinadas discutindo o caso. Qualquer tipo de cuidado. E um mês antes teve um curso teórico durante 2 horas que ela conversou sobre dúvidas, o que poderia acontecer, então que é normal, a gente vai tentar normal até quando você e o bebê tiverem bem, senão vai partir para cesárea. Então essa informação importante e justamente sobre isso, Fernanda, sobre a importância dessa enfermeira obstétrica ou deste auxílio que uma doula pode dar neste momento que a mulher queira é optar. Como que a gente faz para essa informação chegar até as pessoas e elas entenderem este papel do quanto importante isso pode auxiliar? Eu acho que a gente precisa trazer as pessoas que eh estudam, que debatem esse tema justamente para auxiliar nessa divulgação, nessa informação. Professora trouxe questões aqui muito importantes, né? A gente sabe que isso uma discussão que tá sendo feita não só no Brasil, mas no mundo todo. Então, eh, e não é simples você agregar eh estudos, guidelines, protocolos, mudanças de legislação e cada país é um funciona de uma forma. Não é simples você agregar tudo isso e transmitir para um para 220 milhões de brasileiros. Então eu acho que no primeiro eh primeiro momento é necessário promover espaços em que as pessoas que estão mais à frente dessa discussão, tão fazendo pesquisa, que estão produzindo conhecimento sobre esse tema, tem oportunidade de falar sobre o assunto. Eu acho que a Câmara Municipal, eh, as, os eventos oficiais pela prefeitura são importantes, por exemplo, aqui na cidade, inclusive para trazer os profissionais de saúde pro debate, porque eventualmente existem divergências de eh de avaliações, existem e que essas divergências elas possam ser colocadas, possam ser debatidas e, no fim caminhar para um um um uma determinação em conjunto. Então, eu acho que em primeiro lugar é essa questão de você promover esses espaços, que as pessoas possam expor as opiniões, os estudos, as pesquisas, eh as informações tanto para os profissionais de saúde também, quanto para a população. Eu acho que é fundamental que a gente tenha isso. E esse é um papel importante da Câmara Municipal, como o Gabriel já trouxe esse esses debates, eles eh de forma recorrente a gente traz através seja das audiências acerca de algum projeto de lei, sejam dos debates públicos por algum, por exemplo, mês de conscientização de algum tema, a gente acaba aproveitando esse o mote da campanha para trazer pra Câmara Municipal a discussão. Então acho que isso é um primeiro ponto que é importante ressaltar a responsabilidade do poder público em promover essas discussões. Reta final do nosso questão de ordem. Programa bom é programa assim, ó, que passa rápido e com muitas informações. Eliana, eu sei que a gente já tá quase esgotando o tempo que eu tinha combinado, mas se der tempo, eu quero só trazer dois temas aqui rapidinho com você. O primeiro é numa resposta sua, você falou eh sobre uma relação entre as desigualdades sociais e o alto número de cesáreas. Eu queria só que você explicasse essa situação. Conforme a classe social, eh, A, B, o número de cesáreas ele é maior? É isso? Sim, sim. Eh, sabidamente as taxas de cesárea, isso é uma tendência antiga no Brasil, volto a dizer, e também fora do Brasil, eh em que nas classes sociais mais eh elevadas ou mais abastadas, eh, a taxa de cesárea é maior e isso se alinha muito com esse conceito, né, de da da cesárea como bem de consumo, né, que é um conceito que a gente usava bastante, eh, principalmente no passado. Então, sim, existe essa relação, entretanto, com essa tendência em se trazer esse parto, às vezes até idealizado, como a Fernanda disse, transformá-lo neste bem de consumo também. Se você pegar as taxas, eh, que eu fiz isso, né? peguei as taxas dos últimos anos aqui eh de Campinas e vi e há uma redução. As elevadas taxas em pacientes de convênios e privadas, elas estão pouquinho menos elevadas, talvez já por impacto desse tipo de movimento. Então é como se esse movimento tivesse agora dizendo o contrário, né? quer dizer, o o bom bem de o bem de consumo passa a ser um parto eh com toda essa infraestrutura que então eh nós devemos oferecer a todos e não a só uma parcela eh que tenha acesso da população, porque é capaz eh de de pagar para além do que o Sistema Único oferece. Então, precisa est disponível para todas. E o último assunto que eu quero trazer aqui, eh, Eliana, é que Campinas, a gente sabe, é uma cidade rica, tá num estado rico. Os hospitais eles estão preparados para possíveis complicações em parto. Então eu quero dizer, desde disponibilidade de sangue, derivados em questão de equipe, que a gente já citou aqui no programa, condições suficientes para poder cuidar desta paciente, fazer o transporte para encaminhar até outros hospitais, ter os medicamentos adequados, tudo isso explica uma alta da cesárea ou uma cidade como Campinas. Essa não são questões que preocupam, Eliana. E depois quero saber da Fernanda também. Eu diria que são questões que preocupam um pouco menos, mas não quer dizer que nós estamos na ilha da fantasia, tá? Então existe sim retardo ainda, às vezes por falta de condição institucional, às vezes por falta de experiência do professor. Porque veja uma coisa, vou dar um exemplo que todo mundo sabe, né, assim, pressão alta na gravidez pode ter convulsão, certo? Então isso é um conhecimento meio genérico. A pressão alta na gravidez que chega até a convulsão habitualmente tá dando sinais antes. Então a gente falou muito aqui da maternidade, do hospital, mas o pré-natal tem um papel importantíssimo. Então no pré-natal eu vou vendo que a paciente tá ganhando peso, tá ficando inchada, a pressão ainda não tá alterada, mas já mudou. Então, essa sensibilidade clínica, essa percepção clínica e tomar as medidas na hora correta é o que evita as complicações graves, tá? Então, a gente precisa pensar assim, a gente usa na pensando em prevenção, prevenção primária, secundária e terciária. Primária é quando você evita a doença de existir. A secundária é quando você evita que aquela doença fique grave. A terciária é quando você evita que morra, tá? Então, que é isso? A gente tem hoje medidas para prevenção primária de hipertensão. A gente dá certos remédios durante a gravidez para algumas mulheres para evitar. Se ela ficar hipertensa, eu preciso acompanhar para evitar que ela fique grave, prevenção secundária. Mas se ela ficar grave, aí a prevenção terciária dentro do hospital, eu preciso de ação. Mas se ela começar a ter sintoma lá no posto de saúde da pressão alta, com dor de cabeça, dor de estômago, são eh alguns dos sinais, para dar um exemplo, ã, as unidades têm que estar preparadas e com disponibilidade do medicamento que chama sulfato de magnésio para fazer o que a gente chama de dose de ataque. Então, a gente tem trabalhado muito em treinamento de protocolos de emergência que podem ser fora da maternidade, mas que muitas vezes é na maternidade. Por exemplo, aconteceu um parto, essa mulher tá tendo um sangramento acima do esperado, eu preciso tomar medidas nos próximos 30 minutos. Então, sim, a maternidade, qualquer maternidade, maternidade usada como termo genérico, qualquer maternidade precisa ter alguém que saiba como atuar, como fazer um balão para colocar dentro do útero, que é uma coisa que a gente faz. Então, há uma série de procedimentos de emergência que a gente tem feito treinamentos repetidos. A sociedade de ginecologia faz muito isso, mas essa paciente, se ela chegar com anemia no parto e ela sangrar, ela tem mais chance de complicação. Então o pré-natal tem lá uma responsabilidade enorme, sim, de que ela seja bem cuidada até chegar esse momento, que se acontecer um sangramento, ela já não tava com anemia para começar. E isso aumenta muito a chance dela. Eu falei da placenta Creta no começo, lembra da placenta que tá fora do lugar. Então, se eu sei que é um parto ou uma cesárea de alguém que eu sei que tem a placenta prévia, quer dizer na frente do nenê, a creta, quer dizer grudada no útero, eu tenho que mandar esse caso para ser atendido por quem sabe lidar com um caso desse nível de complexidade. E aí é o que você falou, eu preciso de banco de sangue do lado, eu preciso anestesista treinado para lidar com isso. Então, organizar a assistência obstetrista não se faz individualmente por serviço, se faz em rede. Uhum. E a rede inclui do pré-natal até o pós-natal. O que eu também tenho que orientar, por exemplo, uma pessoa que tenha uma doença grave, eu tenho que orientar sobre a gravidez. Você vai querer engravidar? Vamos organizar essa gravidez. Vamos prepará-la para isso. Ou a sua situação é grave, eu recomendo que você não engravide. Então, a contracepção faz parte do pré-natal, né? Ótimo. Exatamente. Fernanda, como é que enxerga essa questão aqui numa cidade como Campinas, né? Dá toda essa estrutura pra mulher? É fundamental, né? a gente tá numa cidade que precisa ser referência, precisa eh ser exemplo paraas outras para outras cidades. Somos uma das das maiores cidades do país, um dos maiores orçamentos do país. Então, acho que Campinas tem uma responsabilidade muito grande. Nós temos aqui instituições que formam profissionais altamente qualificados, capacitados, que produzem pesquisa e conhecimento eh na área da saúde e que tem condições de exportar todo esse conhecimento para outras cidades, mas também agregar eh conhecimentos que venham de outros outras outras localidades. Eu entendo que a gente precisa ampliar sim o investimento na área da saúde. que a professora trouxe uma questão que é muito importante a nossa luta, que o parto humanizado ele seja garantido como um direito para todas as gestantes e que essa eh questão da humanização, ela não seja restrita a uma determinada imagem que se tem da nas redes sociais, na disseminação das informações do que é o parto eh ideal. a gente precisa garantir primeiro lugar a o acesso dessa dessa mulher, se possível, antes mesmo de engravidar a um serviço de saúde, a profissionais de saúde qualificados e um acompanhamento em saúde para que ela possa identificar fatores de risco de doenças, tratar doenças pré-existentes, até mesmo decidir se quer ou não eh engravidar, porque a gente sabe e o semicamp na Unicamp é um um é um centro de pesquisa que fica ali dentro da Unicamp produz bastante pesquisa com relação aos direitos reprodutivos das mulheres. Eles divulgaram uma pesquisa, mas de 60% das gestações são não são planejadas. Isso vai ter impacto direto na assistência pré-natal, no acompanhamento. Então essa inclusive é uma questão, né? A contracepção precisa ser também um direito das mulheres. Mas voltando à questão da da das gestantes, essa mulher que engravida, que descobre uma gestação, ela precisa ter acesso ao início do pré-natal no tempo oportuno, com profissionais que estejam capacitados, qualificados. Para isso precisa ter uma rede que consiga eh acolher essas mulheres. Então, a gente precisa ter uma ampliação dos profissionais de saúde aqui do nosso município, da rede de saúde da mulher. E eh a ideia da humanização do parto, ela tá relacionada à garantia primeiro da dos direitos dessa mulher, desde o momento que ela chega para ter o parto até o momento que ela sai com o seu bebê da da maternidade. Isso significa sim considerar a o histórico dessa mulher, as suas decisões, eh, as suas dúvidas ali no momento, mas também a garantia de estrutura para que esse momento seja o mais seguro possível, tanto pra mulher quanto pro bebê. E aí isso pode envolver um parto cesáreo ou um parto normal, pode envolver a necessidade de um outro procedimento durante o trabalho de parto, pode envolver eh a participação de outros profissionais da saúde com cada um com a sua eh função ali, o seu conhecimento sendo aplicado. Então, e essa mulher, ela precisa ter direito e acesso a essa estrutura para que ela tenha segurança, tranquilidade e conforto também nesse momento. Apesar de toda a dor, todas as questões que podem envolver eh o o momento do parto, é importante que ela tenha o máximo de conforto e acesso às técnicas medicamentosas ou não, que possam possibilitar esse conforto e posteriormente ao parto, o cuidado com o recém-nascido, as orientações para que é nesse momento que a mulher já está muito preocupada, muito ansiosa, se cobrando e e enfim vivendo um turbilhão de emoções, ela tem o máximo de tranqu tranquilidade possível para viver o os melhores momentos dessa experiência. Então, garantir toda essa estrutura não é simples e se envolve um comprometimento político, inclusive de longo prazo, mas precisa ser planejado para que seja garantido. Então, a nossa luta aqui na Câmara é fazer essa discussão e incluir no orçamento do município a a garantia desses direitos para as mulheres e e entendo que essa é uma função dos nossos mandatos. Ótimo. Eliana Martorano Amaral, professora titular de obstetrícia pela Unicamp. Eh, eu vou abrir pra senhora. Só quero agradecer desde já a sua participação, a disponibilidade do seu tempo aqui com a nossa equipe, participando de maneira online do programa Questão de Ordem. Já faço um novo convite pra senhora retornar, seja de maneira online ou conhecendo aqui a nossa estrutura. e já fica aberto aí para as considerações finais e e contribuindo aí com a resposta da Fernanda. É, eu vou eu vou só trazer um assunto que a gente tocou só de de beiradinha aqui na conversa, que é nós estamos falando de modo geral das gestações de risco habitual ou de baixo risco, né, que é a maneira de falar, mas vamos lembrar que as pessoas hoje têm postergado a gravidez. Sim. Eh, e hoje a gente recebe uma taxa bastante elevada de mulheres que são classificadas em listas clássicas como de alto risco, por idade, inclusive a lista clássica de alto risco é acima de 35 anos, por exemplo. E hoje muita gente tá deixando para engravidar depois dos 35 anos. Então, eh, muito mais gestantes com diabetes, com hipertensão, gestantes com uma idade mais avançada, gestantes que já tem outras complicações clínicas, eh gestantes que já se sentem mais tranquilas para engravidar, apesar das suas complicações clínicas previamente diagnosticadas. Então, existe uma complexificação, quer dizer, tá ficando mais complexo o atendimento em obstetrícia, menos partos e em situações complexas. e Campinas é uma referência para uma grande região. Então eu queria deixar aqui uma questão que eu toquei de leve, que é de uma forma geral, a gente acaba dando conta do atendimento obstétrico, mas o atendimento neonatal tem um grande gargalo. atender a crianças prematuras, a crianças cardiopatas, a crianças com malformações congênitas, situações múltiplas. Campinas recebe um grande afluxo. O caísme é a referência para 5 milhões de habitantes para esse tipo de coisa, mais ou menos. Então, o que acontece, acho que essa é uma questão muito importante, porque nós obstetras que cuidamos de casos de alto risco na lá na Unicamp, eh muitas vezes eh nós temos que tomar a decisão, entre aspas, né, que é a escolha de Sofia, dizendo assim: "Essa mãe tem que vir para cá mesmo que eu não tenha vaga, porque é uma questão de vida ou morte e eu preciso que ela assim, entendendo o cuidado, a complexidade do cuidado, ela precisa vir para cá e às vezes não tem a vaga do neném. Então isso é uma coisa muito angustiante paraas equipes de neonatologia de obstetrícia e muito mais angustiante paraas famílias. Vocês imaginam o que é paraa família dizer: "Olha, você tem uma situação que precisa de cuidado, mas não tem leito". E como eu disse, as maternidades foram fechando seus leitos, porque o custo do leito neonatal, e aí sim é um custo que faz diferença, é um custo altíssimo, que é uma terapia intensiva. E então os hospitais se desinteressaram por correr o risco de precisar ter uma natal aberta. E isso, mais uma vez, não é só um fenômeno de Campinas, é um fenômeno mundial, mas significa que as instituições que fazem isso eh precisa ter, o poder público precisa acompanhar muito de perto quanto precisa disso, se tá dando conta do recado, como dividir isso com a região, quer dizer, como é que a gente trabalha no na organização regional da saúde, porque assistência obstétrica ou perinatal, que a gente diz, né, durante o parto Imediatamente após o parto que inclui a criança, a assistência perinatal não é de um município, ela é de uma região. E aí eu acho que cada vez mais é importante esse e e aí esse trabalho da da Câmara, né, da da classe política, ajudando a fazer essa integração para que o serviço possa ser da melhor qualidade possível. Muito obrigado, viu, professor? Até uma próxima oportunidade. Com certeza. ao vivo a cores. Estamos, mas o ao vivo então com certeza. Um prazer vocês. Prazer, prazer, Fernanda. Prazer, Gabriel. Até mais. Prazer a todo nosso. Vereadora Fernanda Solto. Muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo. As informações que foram trazidas aqui, tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador. E fica aberto aí também paraas suas considerações finais. Eu gostaria de agradecer o convite, Gabriel, a TV Câmara, agradecer a presença da professora. Acho que eh eu vim da Unicamp, então tive oportunidade de conhecer todo esse trabalho que é feito lá no CAISM e realmente assim é um um serviço de excelência que nos ensina muito sobre a questão eh do respeito às mulheres, aos direitos das mulheres, das crianças nesse tema com relação à questão do dos do do parto, o acompanhamento da gestação. Então, durante a minha formação, tive a oportunidade na residência médica de conhecer o trabalho e é uma instituição que tem muito a nos ensinar aqui, a contribuir com o nosso trabalho também na Câmara Municipal de Campinas e todo o conhecimento desses profissionais que fazem eh que estudam, que pesquisam, que elaboram conhecimento. E a gente precisa aproveitar o máximo essas oportunidades pra gente trazer isso para dentro da nossa elaboração política, porque afinal de contas é daqui que vão sair as propostas, as iniciativas. E elas não podem ser eh iniciativas que eh respondam apenas a um anseio político individual, elas precisam dar resposta pra sociedade. Então, por isso que isso precisa ser um um conjunto eh precisa ser construído conjuntamente. Então, eu vim hoje também para aprender, né? É, eu sou infectologista, não sou eh ginecologista nem obstetra, mas esse é um tema que toca muito profundamente a questão dos direitos das mulheres e essa é uma prioridade pro nosso mandato. Então esse momento que a gente também vem para ouvir, para aprender, contribui muito para que a gente possa caminhar no sentido de garantia mesmo de mais direitos para as mulheres aqui no município de Campinas. E os desafios são muitos, como a gente viu. E espero que a gente tenha contribuído com você aí de casa. não é rivalizando, né, o parto normal com a cesárea, mas entender sobre o impacto que tem este alto número de cesáreas, bem diferente do que diz a Organização Mundial da Saúde e também o Ministério da Saúde do nosso país. Continue na nossa programação. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Até a próxima. Tchau. Tchau. Até logo então, gente. Prazer. Valeu. Até mais. [Música] [Música]
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