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[Música] Olá, começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai debater o Maio Laranja, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. De acordo com o Fórum Nacional de Segurança Pública, a cada 6 minutos acontece um estupro no Brasil e em mais de 80% dos casos as vítimas são meninas, a maioria negra. Quase 65% dos estupros de vulneráveis estão dentro de casa e 86, dos agressores são familiares ou conhecidos. Aqui em Campinas, de acordo com o CIS9, o sistema de notificação de violência de Campinas, no período de 2019 a 2023, as notificações de violência contra crianças foram 2.672 e adolescentes 1996 casos. A negligência/ra abandono representa a forma mais comum de violência e a violência sexual foi o segundo tipo mais comum. Então, como mudar esta realidade? É preciso aumentar a condenação aos pedófilos? Mas e a prevenção? Como o poder público atua? Qual que é o papel do legislativo neste combate? Bom, para discutir o assunto, eu recebo aqui no estúdio o vereador Roberto Alves, que é o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude e também presidente da Frente Parlamentar contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. A vereadora Débora Palermo, que é presidente da Frente Parlamentar de Políticas Públicas para crianças e adolescentes. E recebo também a Clébia Alves, que é secretária municipal adjunta de desenvolvimento e assistência social. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Roberto Alves, começo com o senhor. Qual que é o tamanho da preocupação quando escuta esta realidade, né? No nosso país, a cada 6 minutos, um estupro e claro que a cidade de Campinas, infelizmente, está inserida neste contexto. Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Primeiramente quero agradecer Gabriel pelo convite. Quero cumprimentar aqui a nossa vereadora Débora Palermo, também a nossa secretária adjunta, a Clébia. Eh, é assustador. Você já acabou de falar aqui os números aqui de Campinas. Campinas é uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes e com certeza temos muitos abusos, muita exploração sexual de criança e adolescente. Esses dados que você acabou de falar e a vereador pode falar com mais propriedade, eh, é o que foi denunciado, o que foi fizeram denúncia. Agora você imaginou aquele que a mãe tem vergonha de falar que vai expor o filho ou vai expor o pai, vai expor um familiar que é o próprio abusador que durante esse programa nós vamos estar falando mais isso? Então eu acredito que o número é muito maior. Vereadora Débora Palermo. 18º Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O cenário é este. As vítimas são basicamente meninas negras de no máximo 13 anos que são destopradas por familiares ou conhecidos dentro das próprias residências. Como que a senhora enxerga esta situação? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Quero cumprimentar, agradecer o convite, cumprimentar o nosso vereador Roberto Alves, nossa secretária de junta Clébia e dizer esses números eh esses são os números notificados. Bom, primeiro a gente salientar isso, mas o número de subnotificações, que são os casos que deixam de chegar, né, deixam de chegar a denúncia, são devem ser muito maiores, né? Então, porque lembrando, Gabriel, a criança, isso eu gosto sempre de enfatizar, a criança que sofre o a violência sexual, ela só vai contar, ela só vai falar com com as pessoas que ela tem um um afeto e um vínculo muito grande. Por isso eu sempre chamo a atenção das mães, de todos, dos tios, dos irmãos, dos primos, das professoras, de toda a sociedade para investir tempo ouvindo nossas crianças, né? ouvindo, dando chance delas falarem, conversarem para construir esse vínculo para que elas possam falar. Esses números eh são de o o dura a idade, né? 1 a 4 anos ou 10 a 14. Então são crianças realmente não, né? Poucos adolescentes, a maioria as margadoras maioria são crianças, né? E muitas dentro da primeira infância que é zero a zero a 6 anos, né? Então, eh, a responsabilidade do cuidado de não deixar os filhos sem a supervisão de um adulto, sem de não tá confiando os filhos a qualquer um, né? Uhum. E realmente a questão da da maioria ser eh meninas negras, né? É, é uma realidade. Eu trabalhei no Conselho Tutelar 12 anos, a gente viu isso, mas eu gosto, Gabriel, de de chamar atenção também, porque a maioria das pessoas ou uma grande maioria das pessoas pensam que só meninas sofrem abuso sexual, OK? Mas nós temos muitos meninos que sofrem abuso sexual. Uhum. Ontem, após a palestra que nós fizemos do dia 18 de maio com esse tema, uma mãe me procurou para dizer do filho. OK. A mãe, para você ter uma ideia, o filho sofreu abuso sexual na quarta-feira passada e quando ele contou pra mãe, o trauma da dessa mãe foi tão grande que ela ficou surda de um ouvido. Então, ela chorava que nem criança ontem, porque ela ela se sentia insegura em fazer um boletim de ocorrência. OK? Eh, porque como eu falo, as pessoas têm que ter segurança de que ela vão ter uma retaguarda, né? E o filho desde quarta-feira tá trancado dentro do quarto. Uhum. Não come, não vai pra escola devido ao trauma que esse menino sofreu. Então a gente já arrumou um atendimento psicológico e já estamos dando todo o apoio para essa mãe. Mas como esse são inúmeros casos de meninas e meninos. Então as pessoas às vezes pensam: "Ah, minha filha e deixa o menino ir no futebol sozinho". E e às vezes é onde o o abusador ele tá onde você menos espera, às vezes é a pessoa que você mais confia. Então a gente tem que todo cuidado é pouco, como você muito bem disse. Eh 70% aproximadamente dos casos são dentro da família, né? Então é uma um uma estatística alta, né? Uma estatística alta e um fenômeno que a gente fala, eu não gosto de chamar disso, né? Mas dentro daca, né? a gente fala fenômeno porque eh eh o trata é o termo, mas que é muito difícil de você conseguir fazer com que a criança fale para alguém do que ela tem sofrido. Clébia, como é que é o trabalho da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social em relação eh a essa proteção à criança? É um trabalho que eu imagino extenso e diante dessa negligência que já foi estado aqui no programa. Boa tarde, Gabriel. Prazer estar aqui. Já trago aqui um abraço da secretária Vanda Cléia. Quero cumprimentar o nosso vereador Roberto Alves, a vereadora Débora, eh, e falar um pouco sobre o trabalho que a secretaria desenvolve. Há 4 anos, na gestão do nosso prefeito Dário, nós temos intensificado a prevenção e também trabalhamos muito fortemente no cuidado das vítimas que já sofreram a violência. são aquelas adolescentes que estão hoje nos nossos abrigos, seja numa rede pública de gestão direta da secretaria, seja numa rede parceira. Então, dentro de Campinas, nós temos um terceiro setor muito bem estruturado, que faz o acolhimento e que trabalha também na prevenção. No âmbito da assistência, nós trabalhamos sempre a proteção social básica e a proteção social especial. E a gente, qual é a diferença de uma para outra? A proteção social básica, ela vai trabalhar na prevenção, ela vai identificar no âmbito da família, no no no círculo familiar, se há algum risco de violência, vai trabalhar na conscientização, vai trabalhar no encaminhamento pra rede de serviço público, normalmente através dos CRAS, que são as unidades de assistência social que estão nos territórios. Então são palestras, são rodas de conversas nesse nessa tentativa de cuidado e de prevenção. Já a proteção social especial, a gente já trabalha quando identifica algum tipo de violência, seja uma violência que ainda a gente consegue remediar mediante o acompanhamento familiar, que é um trabalho realizado pelos CRÉ, pela média complexidade na na proteção social especial ou através do acolhimento. E aí o acolhimento pode ser institucional ou pode ser um acolhimento familiar, que é quando a gente já identifica uma situação de violência, de abuso, de negligência, que é necessário levar inclusive ao conhecimento do poder judiciário para que aí haja a retirada daquela criança, daquele seio familiar que está sendo abusador, que tá sendo violador de direitos e possa levar essa criança para uma rede de abrigo institucional ou familiar. E esse é sempre o último caso. O que a assistência sempre procura é trabalhar na recuperação do vínculo familiar, na conscientização da família, para que a gente não chegue a essa situação de desacolhimento por um por uma situação de violência, de negligência, de violação de direito ou de abuso sexual, que é o tema que a gente tem tratado mais ativamente agora no mês de maio por ter a lei do maio laranja. Uhum. Então, eh, a gente percebe aí um aumento de notificações, o que nos leva também a a entender que pode ser resultado de uma efetividade de uma campanha institucional que envolve o poder público, que envolve o legislativo, envolve a sociedade civil, porque essa essa esse trabalho de combate ao abuso é um trabalho de todos nós, não é só do executivo, não é só da assistência, é um trabalho intersetorial e que merece, né, todo o nosso comprometimento com essa causa. Ô, Clébia, o Roberto Alves e a Débora Palermo citaram essa questão eh do abusador tá dentro de casa ou ser um conhecido. Isso de alguma maneira dificulta o trabalho do poder executivo. Você falou desse trabalho de prevenção, é através de uma entrevista. Como que você chega a isso nesse trabalho de prevenção para impedir que o crime aconteça? O trabalho de prevenção, ele precisa acontecer levando a consciência do que é violência num primeiro momento. E essa mensagem do que é violência, ela precisa chegar até a própria criança, não só ao pai, a a quem vive ali no ciclo familiar. E aí a gente tem, como a vereadora muito bem colocou, a questão de que pode ser um menino ou uma menina vítima de violência. Então, não só precisamos falar com os adultos, mas precisamos falar na linguagem que cabe no entendimento da criança também, do adolescente, o que é abuso. Que tipo de toque é um toque saudável e que tipo de toque é um toque que já pode levantar um alerta de um possível abuso para que a própria criança consiga eh falar sobre isso? Sim. Que tipo de segredo é interessante guardar? Porque é um segredo bom, como uma surpresa de aniversário para um coleguinha. E que tipo de segredo é um segredo que é ruim, que ela vai guardar porque alguém ameaçou. Se você falar pro seu pai, pra sua mãe, né, vai acontecer algo pior. Então essa consciência a gente precisa trabalhar nas escolas, precisa trabalhar nas unidades de saúde, nos espaços de convivência com as crianças, com os adolescentes e também com a família, com os adultos, né? Então, eh, é preciso, eh, envolver todos nessa causa. Vereador Roberto Alves, de que maneira a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude também a Frente Parlamentar que o senhor eh preside, debate o assunto e consegue contribuir com a sociedade diante desta temática? Eh, eu estava prestando atenção aqui na na Clébia falando do o quanto é importante que o poder público junto com a sociedade cheg trabalharem de mãos dadas. Quando eu fui deputado federal lá em Brasília, eu lancei a frente parlamentar contra o abuso e a exploração sexual de criança e adolescente. Então, nós fazíamos eh audiências públicas. Uhum. Audiências públicas em várias em vários municípios. em alguns estados. Então, sabe que São Paulo é o é muito forte quando se fala em abuso e exploração sexual, que São Paulo, ah, a São Paulo é o primeiro e não é o Nordeste, as crianças, as meninas, meninos são muito abusados, são muito abusadas. Eu te e infelizmente isso é uma coisa que a gente fala com tristeza. A gente fala com tristeza de você ver o pai levar a própria filha para ser abusada sexualmente a troca de óleo diesel para poder colocar no barco sair para pescar. Você vê aqui em Campinas, eu estou falando que eu nós fazendo uma fazendo uma uma um evento lá, levando a frente lá em Barão Geraldo, uma senhora perguntar para mim como é que ela fazia para denunciar o o abusador que era o o o gerro. Nossa. Então você veja, é muito triste. E eu vejo que nós temos sim que se aproximar da sociedade. Uhum. o poder público, quando eu falo nós todos, eh, a aproximar da sociedade, porque a pessoa quando ela ela tá dentro da casa dela um problema desse, ela tem vergonha de se abrir. Claro, por mais que vocês queiram ajudar, tá aqui uma conselheira tutelar que foi conselheira, é vereadora, já alguns mandatos, foi conselheira, sabe dizer melhor do que do que eu nunca fui conselheiro. O meu trabalho sempre foi em combater esse crime bárbaro. Isso aí é um crime bárbaro. E uma coisa, Gabriel, e elas podem falar melhor ainda, o abusador, a pena dele é muito fraca, é muito leve. A pena de um cara é muito leve. Em em troca, a criança que foi abusada, ela carrega uma prisão perpétua resto da ela vai carregar a prisão perpétua. Nós lá em Brasília a gente entrevistava artistas, eh, jogadores que foram abusados. Então, e quantas pessoas aí, rapaz, humilde que tão aí sofrendo e muit das vezes o o abusador é ele que mantém a casa, é ele que paga o aluguel, é ele que coloca a comida dentro de casa. Então a mãe ela tem vergonha, ela tem medo de denunciar, só que quem tá sofrendo é a criança, quem tá carregando a a prisão é a criança. Por isso que nós, como como vereadores, como poder público, nós temos que fazer que leis sejam feitas na principalmente na nossa cidade, para que possamos ajudar e principalmente combater combater esse crime. Isso é um crime bárbaro. É um crime que, infelizmente, quem carrega a prisão é a criança que foi abusada. é a criança, a frente parlamentar, essa frente que nós fizemos em Brasília, claro que quando a gente chega no município é é diferente, é, ela se torna uma frente menor, mas vai combater do mesmo jeito. Nós queremos levar ela para os bairros da cidade de Campinas. Eu tinha, quando eu lancei, quando nós lançamos a frente, nós lançamos o Giibi, que é Robertinho e sua turma. Esse gibi, nós distribuímos gratuitamente para as crianças. para elas como como se defender, o que fazer e também um folheto explicativo nós dávamos para os pais. Isso é muito importante, porque você veja uma senhora chegar em mim e saber e perguntar como é que ela poderia fazer para denunciar o o o gerro, porque ela não sabia. Outros quantos que chegou aqui para ela pedindo ajuda, ó, meu filho foi abusado e agora eu não sei que eu faço, que que eu tenho que fazer, que que eu posso, como que eu vou fazer. Então é muito importante que nós possamos dar as mãos. Nós não estamos aqui para dizer se é o partido A ou partido B ou partido C. Não. Nós temos que unir as nossas forças em defesa das nossas crianças, que hoje são crianças, mas amanhã vão ser adultos. Nós fizemos, Débora, um aqui na na no largo na na 13. Nós colocamos, a gente levava um balão que nós temos um balão. E aí um menino trabalhava comigo, falou assim: "Por que que o senhor não coloca uma urna, uma urninha de papelão para as pessoas votar? Que que elas acham?" E nós come falei: "Tã bom, vai lá, faz isso e eu eu vou voltar a fazer". Aí dava o foletinho, a pessoa olhava lá assim: "Pena de morte, 10 anos tantos anos." Todos pena de morte, não. Pena de morte. e e outros que eles eles pediam, posso entrevistar? Eu tenho as gravações. Hoje são pai, mãe e diziam que foram abusados na infância. Sim. São aqui dentro da nossa cidade. Então nós temos que trabalhar sim em pró das nossas crianças. Infelizmente é um crime bárbaro e que tem que ser combatido. Nós não podemos desistir. E nós sabemos que por que depois de trás de tudo isso há muito dinheiro, há uma máfia muito grande, muito grande por detrás de de tudo isso daí. Uma foto de uma criancinha sendo abusada vale muito dinheiro. É, Débora, quero ouvi-la também sobre o papel do legislativo agora que você tem uma frente parlamentar também. O nosso papel é informar, sensibilizar e criar leis, né, que inibam e que que proíb Infelizmente, Gabriel, eu falo que em nível municipal nós não podemos eh aumentar a pena, OK? Né? Eu não tenho essa essa prerrogativa aqui. E não temos esse poder, porque um dos grandes problemas, como o o vereador Roberto trouxe, é esse. Nos 12 anos, para você ter uma ideia, nos 12 anos que eu estive conselheira tutelar, apenas dois abusadores foram presos. Dois em 12 anos. Nossa, você viu os números aí? Você imagina o número de pessoas, de crianças e adolescentes que eu atendi vítimas de abuso. E apenas dois. Dois. Por quê? Porque o o os abusados que fizeram os relatos eram adolescentes já com uma uma idade que já tinha uma uma fala, um uma depoimento forte, que não deixava dúvidas, porque quando é criança pequena ou bebê, você não consegue. É muito difícil, porque a criança ela vai na escola e aí eu quero falar sobre a importância da excusa especializada, que a criança vai falar num local só, tá? A criança fala na escola, a criança fala no Conselho Tutelar e a criança fala na delegacia. Ela vai uma uma palavra, uma forma diferente que ela falou em um desses locais, o advogado vai entrar ali naquele motivo e falar: "Ela caiu em contradição". Olha aqui, não, não dá para confiar no que ela falou. Entendi. E eles se safam. E aí a impunidade impera. Aí a impunidade impera e os abusos continuam. Aí a porque o abusador ele vai ele vai continuar, ele precisa também nós precisamos trabalhar com o autor da violência. Uhum. Ele precisa ser atendido. Nós temos no CMDCA um projeto aprovado para atendimento do autor da da violência, que é contra essa violência, que esses homens e essas mulheres que também nós precisamos ter essa atenção, não é só são não são só homens que abusam, viu Gabriel? Homens, mulheres também. Mulheres também abusam. OK? Então, às vezes a gente precisa trazer essa essa essas informações que eu falo, informação é tudo, né? É tudo para que as pessoas estejam atentas. Outra outra informação que eu acho muito importante a gente eh deixar paraa população é assim: "Ah, mas aí se eu denunciar eu vou ter que sair da minha casa com meus filhos e porque não, o Estatuto da Criança Adolescente garante que o afastamento do agressor do lar, tá? Então, não é a mãe que tem que sair com os filhos do lar, não é a criança que tem que ser acolhida, é entrar com o pedido via judicial para que o agressor seja retirado do lar, tá? Aí se a mãe mesmo assim tem medo de sofrer eh algum tipo de represalha ou risco de morte, nós temos o abrigo Saraem, tá? Que é o abrigo de mãe com filhos. A a a Clébia pode falar com mais propriedade sobre isso, que a mãe pode ser acolhida junto com seus filhos até que até um período que ela pode se reestruturar ou ir para outra cidade, pedir ajuda junto a uma família extensa para que saia dessa situação de violência, não só da violência do abuso sexual, mas outras violências, todas as violências. Então o que que a sociedade tem que entender? Que eles não estão sozinhos. Essas mães e esses filhos não estão sozinhos. Esses pais e essas crianças não estão sozinhos. Então, a gente precisa tá sempre informando e dizendo: "Procure ajuda, procure ajuda, né? Não tenha medo, porque as a maior parte das denúncias, Gabriel, eh não são feitas por medo, como o o vereador falou, a mãe às vezes depende daquele homem, ele sustenta a casa". Sim. Em muitos casos. Então para ela fazer essa denúncia é muito pesado, é muito custoso. Então ela tem que entender que a assistência existe, foi criada para dar assistência aos necessitados. E a assistência faz isso. Ela vai est abraçando e vai tá cuidando dessa família até que ela se reestruture, até se se reorganize para seguir a vida da melhor forma possível. Clébia, eh, tanto o Roberto Alves quanto a Débora Palermo citaram pessoas que chegaram até eles e não sabiam como denunciar. Para quem está nos acompanhando, conhece um caso, às vezes do vizinho ou às vezes até familiar mesmo, como que procede? Ou mesmo que tá em dúvida? Olha, eu acho que tá acontecendo alguma coisa. Como que a pessoa faz denúncia? ela pode fazer essa denúncia seja de forma online e aí ela não precisa se identificar, como já foi relatado aqui, a importância da preservação do anonimato. Às vezes é um vizinho que percebe o a violência, né, um do outro. Então, como que ela pode fazer? A sal diz que sem fazer essa denúncia ou até mesmo através do 156, tá? E também ela pode procurar o serviço municipal ao qual ela já é referenciada e não necessariamente apenas um serviço de assistência. Ela pode informar que ela viu, presenciou algum tipo de violência ou que ela é vítima de violência nas na escola para professora, no posto de saúde para quem o atende, dentro de um serviço de assistência social no CRAS, ela pode ir até o Conselho Tutelar, ou seja, são muitas eh os locais, os serviços que a prefeitura possui e que são estão todos de porta aberta para acolherem essa situação e fazer o encaminhamento necessário. Débora e Roberto, é o que o que eu quero complementar, né, a fala da Clébia, é que a pessoa não precisa ter certeza, viu, Gabriel? O Estatuto da Criança, da Adolescente, no artigo 13 fala que em casos de suspeita ou confirmação de maus tratos eh contra crianças e adolescentes, obrigatoriamente o Conselho Tutelar deverá ser notificado. Então toda a sociedade, porque o estatuto também fala isso, é dever de todos zelar e velar pela proteção integral de nossas crianças. Então, não é só do conselho, não é só da assistência, não é só da vereadora, mas todos tem o tem o dever de zelar e velar pelo direito da criança. E não precisa ter certeza se a pessoa tem eh alguma desconfiança que algo errado tá acontecendo, ela pode fazer essa denúncia anônima ou ela pode ir fazer essa denúncia presencialmente e pedir anonimato e será garantido o anonimato e fazer a denúncia. E mesmo que depois de apurado pelo pela pelo conselho, pela rede de proteção, né, nós temos uma rede de proteção que a Clébia falou aqui para nós, os CRAS, os CRAS, a a saúde, a educação faz, todos fazem parte dessa rede. Se depois feita toda a a o atendimento, não não constatou, não acontece nada ao denunciante. Melhor ainda, né? É melhor ainda, graças a Deus que é isso. Então, as pessoas não precisam ter medo de denunciar, porque não vai acontecer nada com o denunciante se não for a verdade. E como o senhor disse, graças a Deus que não era. E se for essa família, essa criança, esse adolescente, vai ter a o atendimento, vai ser aplicada todas as medidas protetivas que ele necessitar para que vi essa sessão de de violação de direito cesse. Porque a denúncia, ô Gabriel, a denúncia é muito importante. É. Ah, mas não é, eu não quero me meter na vida de ninguém, eu não quero. E só que esse negócio de eu não quero me meter na vida de ninguém, aquela criança tá sofrendo. Exato. Ela sofre. E e às vezes o próprio os pais também, ah, eu tenho medo de denunciar, eu tenho medo disso ou medo daquilo. Ah, eu não tenho certeza se meu filho eh está falando a verdade. Mas a criança, se ela não falar, se ela fechar a boquinha dela de medo que pode acontecer isso, ela fecha a boquinha dela e fica com medo, mas o corpo dela não para. O corpo dela vai dar sinal que ela está sendo abusada. Ela já não é mais aquela criança alegre. Ela já começa muita das vezes fazer xixi na na cama que não fazia. Muda, tem mudança de hábito. Não, ela já começa a mudança do hábito. Nós cansamos de ver isso, rapaz. E falando no em em em denunciar, nós temos o disque 100, nós temos também a Guarda Municipal, nós temos Polícia Militar. O importante, o Conselho Tutelar que faz um ótimo trabalho, semca, só tem que denunciar como como aqui a Débora falou. E e a e a creb, pô, se não não se não não não foi, como se diz, foi um alarme falso, graças a Deus, mas a denúncia ela foi feita. Falando um pouquinho no Dis 100. Sim, o diz que 100 é um é um telefone que ele ajuda o Brasil todo, não e não só na denúncia da criança do abuso de exploração sexual, mas o o disque 100. Nós recebíamos muita eh reclamação que o disque 100 não funcionava, que o disque 100 não funcionava. Falei: "Mas não pode ser que o disque não funciona. Esse disque sem tem que funcionar". E na época a ministra era da Maris Alves e nós fomos falar com ela. Ministra, nós temos um problema. A gente quer ajudar vocês. A gente quer ajudar, mas vocês não deixa a gente ajudar vocês, porque o disque sem não funciona. Ela mandou um técnico, o disquiss antigamente ele era na Bahia, a central dele era na Bahia. Ela mandou um técnico lá dentro. Esse técnico dela, ele fez dentro da central do disc 10 ligações. Nenhuma dela eu fui atendido. Nenhuma. Então ela ela ela pôde conferir que realmente é não não tava não tava não tava funcionando. Talvez vocês você tenha pode falar até melhor do que eu. O que que nós fizemos? Nós cobramos. A gente cobrou. Vocês querem que a gente faça o trabalho? Então, dê ferramenta, dê condições para que nós possamos trabalhar. Que que ela fez? Ela detectou o problema, ela tirou a central de lá, trouxe para Brasil. Hoje funciona bem. Mas por quê? Porque alguém falou. Então, se a pessoa sabe que uma criança tá tá sendo abusada ou ela, vamos dizer que ela imaginou que possa estar acontecendo, mas é o filho do vizinho, vai falar lá, denuncia, procure o Conselho Tutelar, procure Conselho Tutelar, procure os órgãos que pode ajudar não só a criança, mas vai ajudar a família toda. Isso é muito importante. A denúncia é fundamental. Nós não podemos ficar naquela, será que vai acontecer ou não vai? Não. Vamos denunciar. Sobre isso, Cléber, eu já deixo até você complementar isso que o Roberto Alves citou. Cidade de Campinas tem estrutura nessa questão. Ele falou de nacional, né? Olha, ligava, ninguém atendia. Aqui na cidade de Campinas, eh, a gente tem um números suficientes para poder apurar o número de denúncias. Precisaria de mais profissionais? Qual que é a realidade que nós temos hoje? Eh, nós temos hoje no âmbito do Conselho Tutelar, que é quem mais recebe. Então, quando a gente identifica essa situação de violação do ponto de vista de abuso sexual, na maioria dos casos, a gente faz um atendimento integrado, rede de assistência com o Conselho Tutelar, tá? E nós tivemos na a gestão do prefeito da área a ampliação inclusive do número de conselhos tutelares. Nós tínhamos cinco conselhos, agora nós temos seis conselhos. Então, hoje a gente atende eh essa demanda. O disque 100 ele é nacional, mas as demandas que são relacionadas a Campinas são direcionadas para Campinas. E aqui a gente averigua aquela denúncia, né? Acho que a vereadora quer quer complementar. Sim. Eh, eu quero aproveitar, né? Eh, eu fui testemunha ocular dessa história, viu, Roberto? Realmente não funcionava, foi o caos. Mas a senadora Damares, olha, eu aliás eu tenho que falar dela assim, eu nunca, nós nunca tivemos uma pessoa que fez tanto pela criança, pelo adolescente, como ela enquanto ministra. Eu assim, eu tenho uma admiração muito grande porque eu eu era conselheira e eu vi o quanto ela se dedicou e quanto ela se dedica, né, para pela defesa da criança adolescente. É uma, eu falo que na política é é, eu sou fã da da Maris, eu gosto demais dela, porque ela faz ela faz um trabalho assim em defesa da criança muito sério. Mas eu queria falar sobre a denúncia, né? E ela corrigiu e realmente passou a funcionar e tava funcionando muito bem até quando eu saí de lá, não sei hoje, mas deve est funcionando muito bem. funciona e não só e não só para para o abuso e exploração sexual de crianças, mas para denúncias do idoso também, todo tipo todo tipo de violência direito, animais, tudo, né? É um é um canal excelente. Mas nós tínhamos, Gabriel, o 326 3040, que era municipal, tá? E que era muito bom. Eu tava até falando com a com a secretária, né, pra gente poder conversar para ver se a gente consegue retomar, porque o disc ele funciona muito bem, ele chega para nós. Mas o que que acontece? O a pessoa que tá lá em Brasília e recebe, ela não conhece o bairro, ela não conhece o município de Campinas. Então, muitas denúncias chegam e a gente não conseguia encontrar o o endereço. Era muito geral. Era muito geral. Agora o 326, a pessoa chegava falar assim, tem um pé de abacate em frente à casa, é, na esquerda. Ela dava muito, então era praticamente 100% das denúncias eram a gente encontrava, né? Então o disc é um um mecanismo assim essencial, maravilhoso, mas Campinas por ter 1.200.000 habitantes caberia muito um municipal. E eu fico muito feliz. Eu já tava conversando aqui para Cléber se a gente consegue reativar. Eu queria só na na seguir aqui a fala da da vereadora nesse mesmo sentido, porque ah, eu disse que sim, disse que sim, você vai o reclamo aqui vai bater lá em Brasília para Brasília. Só que e quantas ligações eles recebem ao mesmo tempo, um atrás do outro. Ah, é de Goiás, é de é de do Mato Grosso, de vári de vários lugares. Quando a gente tem um aqui, aqui, como se diz, nosso aqui na nossa cidade, muito melhor. Eu acho eu acho que vai facilitar e muito, mas contanto, não basta somente ter esse número, não basta só ter o número. Esse número ele tem que ser divulgado. Sim. Ele tem que ser vocês que vocês que fazem parte da imprensa da cidade, vocês têm que em todos os programas, principalmente a televisão, os canais de televisão que tem aqui, tem que falar, tem que bater para que as pessoas possam anotar, ó, anota esse número aí. Sim, porque senão vai ser só mais um número. É, e hoje em dia você e outra, hoje em dia nós temos, agora é tudo é zap, né? É rapidinho, cara. cara denunciou no WhatsApp aqui, já chega na na guarda municipal ou chega no órgão competente que vai tomar providência. diz que denúncia municipal, inclusive, Roberto, era em todos os os para-choques traseiros dos ônibus tinha disse que denúncia, então ele andava na cidade inteira o dia todo. E era assim, como eu falei, era um canal assim de praticamente 100% com um custo muito pequeno. era uma era mantido por um grupo de empresários que depois não conseguiu mais manter, mas era um custo baixo para um trabalho de extrema relevância, importância na na nas denúncias, que também não era só contra criança, adolescente, era todo tipo de denúncia. Eu acho que eh, quando se vai investir em trabalhos que vai beneficiar a criança, não pode, como se diz, não pode ser muita mão fechada. É, você vê, nós fizemos um projeto de lei, Débora, eh, para que os caminhões, vamos dizer, o caminhão ele anda no Brasil todo, cara, para que os caminhões levassemse, levasse nele, no, nos baús a foto de crianças desaparecida, não só de criança, tá, mas do adulto. O caminhoneiro, ele ele não ia ele não ia cobrar nada para ele fazer isso e simplesmente ele ia ter um desconto. vou comprar um pneu, eu tenho um desconto porque eu também faço parte desse projeto. É um projeto, um projeto que nós podemos fazer aqui em Campinas, um projeto que tem condições de virar aqui dentro da nossa cidade em defesa das nossas crianças, aliás, em defesa da sociedade, independente se ela é criança ou se ela é um idoso. Então, temos condições de ajudar, mas nós precisamos unir as nossas forças e o poder público investir, né, Cléber? Eh, a gente é importante essa união de esforços também porque cada pessoa tem o seu olhar e aí cada órgão tem a sua estrutura e a sua capacidade de colaborar para que a gente fortaleça essa rede de proteção. E a gente fala muito sobre esse tema no mês de maio, mas é importante destacar que é um uma trabalho que precisa ser feito todos os dias, né? Nós temos o dia 18 de maio, que é o dia nacional de enfrentamento ao abuso e a exploração sexual, é decorrente de um caso de vitória no Espírito Santo da menina Aracelei, que foi vítima brutalmente, né, do abuso sexual. Mas eu costumo, tenho dito bastante nas ações as quais a secretaria está envolvida que todo dia 18 de maio, essa causa eh a gente precisa fortalecer a nossa rede, envolver sim o o Conselho dos Direitos da Criança, do Adolescente a nível municipal, estadual, nacional e e assim aproveitar essas boas ideias que a gente sabe que a Câmara a gente tem um uma rede muito forte, tem 33 vereadores muito atuantes, né, que tem isso como pauta também. E aqui o o vereador Roberto Alves e a Débora como referência, que trazem aqui excelentes ideias para que a gente consiga melhorar ainda mais a nossa oferta na cidade. Ela falou da menina Aracélia lá de Vitória do Espírito Santo. Você vê essa menina era uma menina pobre? Sim. Se eu não me engano, acho que era negra, não, branca. branca, mas uma menina pobre que ela foi sequestrada, abusada e morta. Até hoje não se acharam quem fez isso. Por que que não achou? Porque uma é uma menina pobre. Se fosse a filha de um coronel lá, se fosse a filha de um deputado lá, se fosse a filha de um governador, tinha passado em branco, não passava em branco. Então, independente da cor da criança, independente da religião da criança, é criança. Uhum. E ela tem que ser levada a sério. Tem que ser. E e quem abusou, independente quem for, tem que ser punido. Eu sou meio bravo com essa com essa conversa aí. O cara tem que ser punido, tem que ajudar a família, tem que que ajudar, talvez o abusador também tem que ajudar, mas tem que a punição não pode passar em branco. Roberto e Débora. Na análise das notificações por tipo de violência contra adolescentes, os mais notificados foram tentativa de suicídio, 25%. Violência física 20,7 e aexual 20,2. São dados alarmantes nessa população de crianças, de jovens que são vulneráveis e que muitas vezes têm transtornos psiquiátricos, mas também sofrendo bullying e até outros fatores, né? Um índice muito grande de tentativa de suicídio, né? Eu fiquei assustada com esses números, né? o segundo número de denúncias a a ideiação suicida, tanto que a próxima eh reunião da Frente Parlamentar nós vamos discutir sobre isso. Vem um especialista em nessa questão do do do de suicídio, né, para est conversando com a gente. E eh, Gabriel, a gente sabe que a questão do abuso sexual leva muito a ideiação suicida. Uhum. Então, eh, ela tá muito relacionada, né, a uma coisa à outra. também temos eh um um aumento muito considerável de problemas de saúde mental pós pandemia, né? As pessoas estão adoecendo depois da pandemia. Foi uma coisa assustadora o número de de pessoas com depressão, com ideiação suicídia suicida, com tentativa de suicídio e suicídio. Aumentou a nível mundial, né? Isso. Bom, a gente precisa pensar muito o caso do bebê reborn que tá aí, que é uma questão de saúde mental. É claro que é e nunca houve antes um caso como esse que tá assustando toda a sociedade, né? E e a gente traz, mas no no abuso sexual essa questão da do autom, não? Que é na verdade a criança quando ela tá se mutilando, ela tá se coisando, é um pedido de socorro, né? É um pedido de socorro. As pessoas às vezes não dão a devida atenção, mas ela tá ali pedindo socorro e precisa ser atendida, precisa ser acompanhada com um psicólogo, psiquiatra, medicado, às vezes, para ela conseguir superar e identificar o que tá trazendo eh esses traumas, esse esse dano a essa criança. E a questão do suicídio também eh entre porque o suicídio a gente não vê nas notícias porque não devem realmente ser divulgado, mas os números estão alarmantes e nós temos que a sociedade de forma geral também tem que tá ah atenta a isso, identificando o que tá causando isso para as nossas crianças e adolescentes. Roberto, é um assunto delicado, mas que precisa ser tratado, né? Com certeza. Eh, a Débora tá falando aqui agora. Eu estou pensando no assunto desse menino que ela falou que o menino tá preso dentro do quarto. O que que passa na cabecinha dele? Eu vou na escola, todo mundo vai saber que eu fui abusado. É um garoto. Ele é a a menina, então nem se fala, o garoto, ele se sente até culpado. Aí ele se sente que ele é o culpado. Que que passa na cabecinha dele? Eu vou tirar a minha vida. Eu vou cometer um suicídio. Eu vou cometer um suicídio. E o e isso e esse esse caso eles estão crescendo. Tão crescendo. Uma coisa que nós temos que chamar muito a atenção e agora nós queremos falar com os pais. Com os pais, eu tenho certeza que é é é a mesma o mesmo posicionamento da da vereadora Débora e da e da secretária CRB. A criança antigamente, a Cléberia não é mãe, mas ela é mãe, ela sabe quando tinha um neném que nós tínhamos, eu tive, eu tenho um casal de filhos, a gente ficava na expectativa que que vai falar primeiro, mamãe ou papai? Hoje não. A criança que começa a falar já fala assim: "Quero um celular". Toda criança tem um celular. Gente, o abusador não pensa você que ele vai se mostrar, não. Ele entra através das redes sociais e começa a a ter relações e fazer amizade com uma outra criança através do celular, né? Então, o papai, a senha do celular de uma criança tem que ser papai ou mamãe. Não pode ter senha. A criança não pode ficar muito tempo fechada dentro de um quarto. Por quê? Porque ele entra através de uma telinha de um celular se passando por uma outra criança. Sim. E eles começam a trocar informações até que chega o ponto que ele começa a pedir para que ela tire a roupa, faça uma fotografia dela nua ou ele achando que a conversa é com uma outra criança. Exato. Então quando vai ficar sabendo a foto dessa criança já está rodando para tudo quanto é canto aí. Então é muito importante que os pais fiquem atento com celular nas mãos das crianças. Cléber, há essa preocupação do poder executivo com este avanço da internet até na pandemia, né? Eh, muitas pessoas estudando de maneira online, se relacionando com outras de maneira online. Isso vem se perpetuando, né? vem aumentando eh essa questão do acesso à internet, como que o poder executivo ele entende e tenta ajudar a proteger essa criança e o adolescente? É, nós vivemos uma realidade totalmente diferente hoje, que é uma era digital, uma era do de que tudo acontece no mundo virtual. Uhum. e que possibilita e propicia o abuso através das redes sociais, principalmente. Eh, na minha época, eu lembro que hoje a gente usa a gerbera, a flor gerbera laranja, simbolizando a sensibilidade e a vulnerabilidade da criança e a cor laranja como sinal de alerta para falar do mês maio laranja. Eu lembro que na minha época esse tipo de flor era a que existia no quintal da casa da minha avó e a gente tinha o hábito de no final da tarde sentar, arrancar as flores lá do quintal da minha avó e ficar tirando pétala por pétala, porque era a nossa brincadeira com os meus colegas, com os meus irmãos. Hoje a brincadeira é o joguinho no celular. Sim. Então, a gente vive uma outra realidade e a gente percebe um distanciamento muito grande do cuidado dos pais. E aí eu não falo a falta do alimento na mesa, nem a falta do cuidado com a saúde ou da colocar na melhor escola, porque o abuso sexual ele acontece naquele lar vulnerável, mas também acontece naquele lar que tem toda uma estrutura financeira. Então a gente percebe um distanciamento da mãe muit das vezes e do pai, da criança, tá? daquele dever de cuidado mesmo, de proteção. E isso às vezes o poder público não vai conseguir entrar na casa da pessoa, vai depender de uma consciência, de um de uma educação que acontece dentro de casa. E essa a nossa maior dificuldade. Então, nós precisamos eh mostrar que a internet ela é um mecanismo sim muito bom para determinadas coisas, mas não é um instrumento que deve estar de fácil acesso a uma criança que não tem discernimento, que vai estar cada vez mais vulnerável. exposta a esse ambiente virtual, onde a gente percebe os crimes cibernéticos, né, que é aí um desafio hoje ainda para nós do sistema judiciário. Eu falo que sou advogada também e durante a militância na advocacia a gente via muito a dificuldade de encontrar o violador, o abusador que se usa da internet para propagar a imagem da sexualidade infantil. Esse é um dos crimes mais difícis da gente conseguir punir, porque o abusador consegue se esconder por trás das telas, né? Então isso eh nos acende um alerta enquanto poder público de tratar sobre isso, de conscientizar, fazer campanha, mas também do pai e da mãe de ter o cuidado de como tem educado o seu filho, né? Não se distanciar a ponto de deixar com que o perigo esteja dentro da própria casa e isso seja normal, seja natural. Ô Débora, essa ausência dos pais podem acontecer mesmo com eles presentes, né? Podem estar dentro de casa, mas se a criança tá com o celular, se muitas vezes não tem o diálogo, não tem a comunicação, cada um no seu celular, eles são ausentes e tão perto um do outro, né? E é a realidade, né, que a gente tem visto. Eu tava esses dias num restaurante e chegou um casal com duas crianças, né? E eu, o meu amor para as crianças, eu não aguento, eu fico olhando, né? Onde eu tô, tô sempre mirando eles. Sentou o casal, sentou as duas crianças, cada um pegou seu celular, as crianças pegaram o celular, os pais pegaram o celular, ninguém conversou. Eu achei mais estranho foi o que os pais perguntaram pra criança assim: "O que que vocês querem comer?" E a gente não espera ver isso, Gabriel, porque a criança ela precisa, para crescer com autoestima boa e segura, ela precisa que a gente mande nelas. Elas precisam de regras e limites. A criança, ela testa os pais, ela testa o responsável o tempo todo, porque ela quer saber se você tá cuidando dela, se você tá mandando. Aquele aquele comando que você tem sobre ela faz com que ela cresça com autoestima boa e segura. Quando você joga pra criança escolher as coisas, deixar ela comandar, ela se sente insegura, ela se sente com autoestima baixa. Depois disso vem a depressão, vem a automutilação e vem outros problemas. A criança hoje em dia ela tá muito a merced dela mesma, cheia de de cheia de vontades. Isso não é bom. Os pais precisam retomar o comando da família. Os pais precisam retomar autoridade sobre os filhos. Isso é fundamental para pra sociedade. Então hoje a gente vê isso. Os filhos eles entram pequenininho. O que o que há na cabeça de um de um para que que uma criança pequena precisa de um celular? Para que que ela precisa de um celular? Principalmente se não for para tá o tempo todo vendo o que ela tá assistindo, o que ela tá vendo naquele celular, não dê um celular, porque é isso que o vereador Roberto Cléberia falou ali. O celular é um instrumento ótimo se você souber usar ele pro bem. Mas ali você tem o mundo nas tuas mãos. Sim. Você tem tudo nas tuas mãos. Você acessa o que você quiser. Sim. E ali os crimes cibernéticos estão aumentando de forma absurda. Nós tivemos agora semana passada quatro apreensões de abusadores eh cibernéticos na região de Campinas. Sim. Então, não pense que o crime tá longe da gente. Então, a Polícia Federal tem agido, tem ido, tem conseguido eh encontrar esses abusadores, mas os pais, o principal papel é dos responsáveis, é dos pais, é vigiar ali o computador, o aparelho celular, o que os seus filhos estão acessando, porque como o vereador Roberto falou, eles entram como se fosse um amiguinho, como se fosse e a criança, ela é totalmente vulnerável, ela acredita, ela ela embarca nessa viagem e a hora que Você vai ver ontem a Sônia veio na fazer a palestra aqui, né, que ela dá capacitação no país inteiro e ela falou de um conselheiro, acho que no Pará, que foi chamado, foi atender uma uma questão de de crimes que começou por essa questão cibernética e levaram esse conselheiro num cemitério de crianças ocas, nossa, que eram acessadas via internet. eram depois eh raptadas para tráfico de órgãos, onde eram médicos e porque esses órgãos não são retirados por qualquer pessoa. Sim. Uhum. Então não é o abuso sexual. Então senhores pais, pelo amor de Deus, sabe? É um é um é um eu peço pelo amor de Deus que tenham cuidados com os filhos. Essas crianças estavam sem os órgãos. Conversem, se comuniquem, vejam que eles estão olhando você estuda tal, a hora que o seu filho tá totalmente, todas as informações estão ali dadas. Então nós temos que essa responsabilidade é nossa, né? Enquanto parlamentares, enquanto eh uma TV que leva comunicação, eu acho que todos têm que estar embuídos e levar essa informação, que eu saibo que falo, informação é tudo para que despertar a sociedade a cuidar melhor de nossas crianças. esses números que t aumentado eh de violência eh muito eh por conta dessa disseminação de informação, as pessoas estão sentindo mais segurança em denunciar, tão vendo os canais de denúncia, mas também nós precisamos que diminua esse número de violência contra nossas crianças, que a gente sabe que ainda é muito alto. Programa bom, é programa com muitas informações. Estamos na reta final aí nos últimos 5 minutos. Cléber, para não deixar passar, você citou o Dia Nacional, né, o 18 de maio de combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Mas nós estamos num mês especial, né, do Maio Laranja. Quais ações estão sendo realizadas aqui na cidade de Campinas? Nós temos muitas ações sendo realizadas diariamente, rodas de conversas nos territórios com pais, com mães, famílias que precisam entender tudo isso que nós falamos aqui. como identificar a denúncia, como denunciar e como eh você pode proteger a sua criança, a mudança que tem que acontecer dentro de casa, o que existe na rede municipal de oferta em diversas secretarias, né, no âmbito da assistência e de muitas outras. Nós temos um envolvimento com a sociedade civil. Então, as OSCs, as organizações da sociedade civil estão ativamente conosco nessa campanha, fazendo palestras, abrindo e cedendo seus espaços para que nossas equipes vá até o local e possa promover também esses encontros educativos, caminhadas, eh várias entrevistas, assim como eh hoje estou participando desse programa, eh levando essa conscientização através do Conselho Tutelar, que tá muito envolvido nesse trabalho, o Conselho Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente, que é o CMDCA. Então, a nossa rede eh tem trabalhado de forma integrada, de forma intersetorial e em diversas pautas e nesse mês de maio mais intensamente em combate ao abuso sexual infantil. Roberto Alves e depois Débora Palerma. Acho que é muito importante, né, ações descentralizadas por toda a cidade em relação a este tema para poder chamar atenção. A gente sabe que muitas vezes são famílias que já passaram por situações, mas eu acho que é muito importante furar a bolha também, né? Conversar com as famílias que muitas vezes fala: "Ah, aqui em casa isso nunca vai acontecer, com meu filho isso nunca vai acontecer". a gente espera que nunca aconteça, mas que essa informação ela consiga conversar com o vizinho no grupo de WhatsApp, eh, na comunidade, enfim, para disseminar essa informação. Acho que isso é muito importante, né? Isso é muito importante, que haja conversa, haja diálogo. Nós falamos aqui eh sobre a importância do que os pais têm que ter, por às vezes nós, poder público, somos muitos cobrados. Uhum. Ah, porque o vereador não faz isso? Ah, porque o prefeito não fez aquilo. Ah, porque a secretária de assistente social, a secretária de saúde, às vezes é muito fácil você colocar a culpa em alguém, mas tem que assumir o erro. Então, os pais eles têm que estar atento com seus filhos. Eh, eu quero aproveitar aqui e falar dos números porque são alarmantes. Ela já fez, falou, eh, nós estamos falando agora. Era muito bom se os canais de televisão que chega em todos os lares, principalmente nos horários nobres, como se dizem, falasse isso daqui. Era tão simples. Você sabia como tá aqui, ó. Ó, segundo os dados do anuário de segurança pública de 2024, o Gabriel, vereadora eh Débora e e a secretária eh eh denúncia de abuso sexual em 2024, 36.802 denúncia, um aumento de 95.6 é muita coisa. Então isso daqui que chegou, chegou alguém foi lá e denunciou e as que não foi que que não foi denunciado. Então quando se fala aqui que as denúncias de abuso sexual entre meninas e meninos chega a 36.802, já passou de 50.000. Já passou de 50.000. Quando chega aqui que a denúncia de exploração sexual em 2024, 18.826 é o que foi denunciado. Mas isso já é só que o número é muito maior. O número é muito maior. Quantas crianças a esta hora agora que nós estamos aqui neste programa estão sendo abusad agora, nesse momento. As crianças estão sendo abusad. O poder público pode ter a sua culpa, pode, mas precisamos estar unidos e trabalhar em prol das nossas crianças. É muito importante. Vamos cobrar o poder público, vamos cobrar, mas também a sociedade tem que fazer a sua parte. Cléber, diante de todas essas ações que estão sendo realizadas em Campinas, tem alguma região que preocupa mais? Aqui em Campinas, a região mais vulnerável relacionada a abuso? Eh, não não digo abuso sexual, mas violação de direitos mesmo é sempre a região sul. Tanto é que nós, na gestão do nosso prefeito Dário, eh, decidimos ampliar o Conselho Tutelar 6, justamente para atender essa demanda que, eh, nós percebemos esse aumento na região sul. E aí tem uma questão interessante que tem relação até com que eu falei da questão do distanciamento da família da que tem da criança. Por quê? Nós percebemos esse aumento de notificação eh nesses últimos 4 anos e nós tivemos há pouco tempo, nesse mesmo período, a pandemia, o que levou as pessoas a ficarem casa e a perceber essas situações de violência, coisa que no dia a dia, na nossa rotina, talvez a gente não notasse e aí estando dentro de casa, escancara, escancara, você vê dentro da família, você vê na no vizinho e aí você vai e denuncia porque você se identificou, tá? Então, acredito que às vezes uma sub uma subnotificação ocorra justamente porque todo mundo tá na sua rotina, na sua agitação, no seu interesse e aí não se atenta a isso, que qualquer criança ali ao seu redor pode estar sofrendo algum tipo de violação e se isso acontecer você precisa denunciar. Ótimo, Roberto Alves, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. As informações que foram trazidas aqui, tenho de grande certeza que foi de valia pro nosso telespectador. Já faço um novo convite pro senhor retornar até os nossos estúdios para falar sobre este cenário que seja melhor, mas também sobre outros assuntos e fica aberto aí paraas suas considerações finais. Gabriel, eu eu que agradeço, agrade noss a nossa vereadora, a nossa secretária e dizer que nós estamos muito preocupado com as nossas crianças e o que tiver no nosso alcance, eu tenho certeza que nós vamos unir nossas forças aqui na Câmara Municipal junto com o nosso prefeito Dário Saad, junto com os nossos secretários, porque eu vejo que não é uma secretaria, mas tem secretaria de segurança pública, tem todas elas. Eu tenho certeza que se a gente unir força, nós vamos poder fazer e muito pelas nossas crianças. Mais uma vez, muito obrigado, vereadora Débora Palermo. Também muito obrigado por ter aceito o convite, pela disponibilidade do seu tempo mais uma vez com a nossa equipe. Já faço um novo convite pra senhora retornar até os nossos estúdios. Quero agradecer as informações, a experiência que foi trazida aqui no nosso programa e fica aberto aí para suas considerações finais. Gabriel, eu que agradeço, né? Mas eu quero deixar lembrando aqui que crianças e adolescentes deve ser prioridade absoluta, né, na destinação de recurso, nas políticas públicas. Então é obrigação do poder público, né, e também de todos nós. De todos nós. Então o estatuto fala que é dever de todos a proteção e o cuidado com nossas crianças e adolescente. Deixar de denunciar por medo ou porque não quer colocar colher. que não se mete. É uma tremenda covardia. É uma tremenda covardia. Eu não posso usar outro termo a não ser esse. Então, eu acho que quando um adulto vê uma criança sofrendo qualquer tipo de violência, qualquer tipo de abuso e não faz a denúncia, não procura ajuda para essa criança e adolescente, é inadmissível. Então, o pedido que eu faço é que as pessoas estejam atentas, estejam olhando, investindo tempo, né, no cuidado das nossas crianças, vigiando o que acontece na vida delas para que esses números abaixem, deixem de existir. O sonho nosso é que um dia a gente não tenha mais violência, nenhum tipo de violência contra nossas crianças e adolescentes. Agradeço muito o convite, agradeço a parceria aqui do vereador Roberto Alfes, nossa querida Clébia, sempre no cuidado das nossas crianças adolescentes. Eh, antes da Clébia dar eh a fala dela, eh, só num gancho aqui da secretária, da da vereadora e por que não, secretária? Tem competência para isso. Eh, é muito importante que as pessoas denunciem Conselho Tutelar, sim. Polícia Militar, Guarda Municipal, denuncie, faça denúncia, porque se fizer a denúncia, aquela criança pode ser salva. Ela é importantíssima, né? Clébia Alves, secretária municipal adjunta de desenvolvimento e assistência social, também muito obrigado por ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa. de grande valia as informações que foram trazidas pelo que está sendo feito pelo poder executivo. Já faço um novo convite pra senhora retornar até os nossos estúdios para falar sobre esse e outros assuntos e fica aberto aí as considerações finais. Gabriel, eu que agradeço a você, toda a equipe da TV Câmara que tá sempre muito próximo da secretaria e tem nos possibilitado chegar a população campineira com informação do que existe para que ela esteja sempre bem formada e tenha acesso aos serviços públicos. Agradeço aqui esse bate-papo e esse aprendizado, essa troca de experiências com o vereador Roberto Alves, com a vereadora Débora Palermo. Eu costumo dizer que toda criança precisa de um herói. Esse herói pode ser, pode ser eu, pode ser você, pode ser qualquer um que tá nos assistindo. Só que você só vai conseguir chegar e salvar aquela criança de qualquer negligência se você conhecer o direito dela. Então, é preciso conhecer para proteger. Se hoje eu tivesse que indicar uma coisa para você ler, eu diria: "Leia o artigo 227 da Constituição Federal, leia o artigo quto do Estatuto do Direito da Criança e Adolescente. Lá disse: "Criança é um dire eh merece a nossa proteção absoluta. Ela é responsabilidade do pai, da mãe, da sociedade, do poder público, de todos nós." Então, vamos nos unir nessa causa, não só no dia 18 de maio, não só no mês de maio, mas todos os dias. Todo dia é 18 de maio. E eu agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído pra gente poder ultrapassar, né, o medo, a vergonha, denunciar pra gente diminuir os casos aqui na cidade de Campinas e quem sabe em todo o nosso país. Programa Questão de Orden fica por aqui. Até uma próxima. Ciao. Ciao. [Música] เ