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Olá, [Música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje aborda o Junho Branco. É um mês de conscientização e prevenção do uso de drogas. Aqui em Campinas existe o programa Recomeço que tem o objetivo de acolher e realizar a reintegração social de pessoas com dependência química. É um serviço realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social. E neste ano os dados revelam um aumento na procura por atendimento por parte de mulheres fora da população em situação de rua. Nos cinco primeiros meses, a média mensal de mulheres atendidas foi de cinco, enquanto nos anos de 2023 e 2024 essa média era de três. Em 2023 e 2024 as mulheres correspondiam a aproximadamente 6% dos atendimentos. Essa proporção subiu para 11,3% em 2025. É um problema de saúde pública. Como combater e ajudar essas pessoas? Qual trabalho de prevenção é realizado na cidade? Bom, para discutir essas muitas questões, eu recebo aqui no estúdio o presidente da Câmara Municipal de Campinas, o vereador Luís Rossini, e a Marilda Martins, que é coordenadora da Coordenadoria de Prevenção ao Uso de Drogas da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Presidente Luiz Rossini, começo com o senhor que está no sétimo mandato. E aí eu fui dar uma estudada, né, ao longo dos anos o senhor sempre se mostrou muito preocupado em relação ao consumo de drogas aqui na cidade. Em 2012, por exemplo, o senhor criou a Comissão Especial de Estudos sobre o consumo de drogas. Em 2015, assumiu a presidência do Conselho Estadual de Política sobre Drogas de São Paulo. Em 2016, o senhor ministrou uma palestra sobre prevenção às drogas e combate à violência na Elecamp, que lotou aqui o plenário da Câmara Municipal de Campinas. Enfim, eh, quais são as mudanças que nós tivemos ao longo dos anos? As drogas mudaram? A propaganda está mais sofisticada? Qual que é o cenário que o senhor entende que nós temos hoje? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Legal. Primeiro cumprimentar você, Gabriel, que conduz aqui esse programa. Cumprimentar a Marilda, que é a coordenadora da Coordenadoria de Prevenção às Drogas município de Campinas. Sim, eu tenho um histórico aí até antes de 2012, viu? Ah, eu acho que a minha primeira iniciativa assim mais concreta, foi quando apresentei o projeto de lei que criou o Conselho Municipal hoje de política sobre drogas, né? Eh, ainda lá na década de 90, Uhum. Havia uma realidade diferente de hoje, mas as drogas já eram um problema. Uhum. E você falou uma coisa que eu acho muito interessante. Eu lembro que uma das primeiras discussões que a gente teve dentro do conselho na época era o Comém, Conselho Municipal de Entorpescentes, tá? Porque a gente tava sob a égede da lei 6398, que era a lei de entorpecentes, né? Então era a terminologia usada, depois a nomenclatura mudou. Uhum. Mas no âmbito do Comé, Maria, a discussão era como cuidar dos menores em situação de rua com uso de cola de sapateiro. Uhum. Era uma grande problemática da cidade. Essas crianças ficavam no centro, próximo ao fórum, né? Então, obviamente, esse problema já foi superado. Felizmente a gente já não vê na cidade de Campinas mais crianças, adolescentes em situação de rua, muito menos fazendo uso eh desse tipo de droga. Hoje, né, 30 anos depois, a gente vê uma evolução muito grande, né? Eh, maconha já ficou até ficando para trás. Aí entrou o craque, craque, óx, cocaína, agora as drogas cá, né? Uhum. E ultimamente uma preocupação muito grande com relação aos cigarros eletrônicos. Então essa evolução demonstra primeiro que há cada vez uma procura maior das pessoas por algum tipo de droga, né? E por várias razões. E como você perguntou no começo, é sim um problema de saúde pública, né? Porque seja qual for a droga, seja qual for o efeito que ela cause, uma das consequências é o comprometimento da da saúde, né? A pessoa pode se tornar dependente. E aí, além da dependência em si, que é um problema sério, as doenças provocadas pelo excesso, pelo uso, abuso, seja, inclusive das drogas lícitas, o álcool é o maior exemplo. Só o alcoolismo responde por mais de 350 tipos de doenças físicas, psicológicas. O tabagismo nem se fala, principalmente os cânceres, né? Então a gente tem que, a sociedade tem que estar atenta, alerta e adotando medidas e as políticas públicas elas têm que se tem que evoluir, né, para acompanhar também essas mudanças. É um desafio que continua presente aí na sociedade, sem dúvida. Participa do Questão de Ordem a Marilda Martins, que é a coordenadora da Prevenção Uso de Drogas da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. Marilda, primeiro para quem está nos assistindo, né, qual que é o trabalho realizado pela coordenadoria, os desafios, as dificuldades. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigado. Agradeço o convite de estar aqui, né, falando desse tema tão importante, né? Cumprimento o vereador Rossini, que sempre é parceiro da gente na coordenadoria, nas ações. É um tema bem com bastante desafio, né? Uhum. H, a Coordenadoria de Prevenção às Drogas, a gente tem prestado serviço à população em geral de prevenção, levando informações, orientação, eh, a população em geral, mas principalmente eu tenho buscado as escolas, porque além de orientar os alunos, eu entendo que eles são os grandes multiplicadores dessas informações. eles podem, né, fazer essas informações se multiplicar entre colegas, amigos, mesmo família, né? Então, eh, desde o ano de 2023, eu tenho buscado muito estar dentro das escolas para levar essas orientações, eh, junto aos jovens, né? e tem sido bem bem recebidas. as escolas têm procurado bastante, eh, tem interesse deles, tem havido interesse deles, eh, principalmente com esse tema sobre os cigarros eletrônicos, né, que é uma novidade, entre aspas, e, e os jovens têm buscado bastante, tem usado bastante as escolas, direção de escola, eh, tem se preocupado muito com relação a a ao uso dos cigarros eletrônicos, porque nós sabemos os malefícios que causa, a gente tem visto na nas redes sociais, né, muitos jovens internados morrendo e e nem a tão longo prazo, né? A gente fala muito do eh eh dos efeitos a longo prazo. Hoje ainda eu estive numa escola particular no Cambuí e tava falando sobre isso. Eh, os cigarros convencionais, a gente falava muito dos efeitos a longo prazo, né? 10, 15 anos. os cigarros eletrônicos têm trazido esses efeitos muito mais rápido, né? Os malefícios muito mais rápido. Eh, o os desafios é a gente atender a todo mundo, né? Tá em todos esses lugares, porque tem muito, muito lugar pra gente levar essas informações, dividir essas informações, essas orientações. Eu falo que tem muita informação na internet, mas é nem todas são eh confiáveis, né? tem muita matéria paga de acordo com o interesse da indústria, né? Eh, então, onde buscar essas informações confiáveis? Então, eu divido muito essas informações com os alunos, com as escolas, orientando de onde eles podem buscar essas essas informações. A Marilda levantou aqui muitos temas importantes, a questão dos jovens, eh, da escola, da conversa com os pais. Eu vou abordar tudo isso daqui a pouco. Só antes, Marilda. Nós estamos num mês especial, né, do Junho Branco, muitas ações aqui na cidade de Campinas. Quero saber se está existindo rodas de conversas, palestras com escolas que você citou, mas também com ONGs, com empresas, grupos de autoajuda, enfim, o que que tá acontecendo na cidade de Campinas nesse mês de junho? Bom, a gente começou bem antes do mês de nós começamos em maio. Desde maio tá bem intensificado as ações, as empresas têm procurado, grupos de autoajuda t procurado, as escolas desde o início de maio intensificaram essa busca de de orientação, de rodas de conversas, oficinas, eh, e vai se estender a, eu falo que até agosto, acho que a gente não para, tá bem bem bem intenso mesmo nos nossos nossos serviços, na coordenadoria, eh, eh, quase todos os dias com rodas de conversa, palestra nas escolas públicas, nas escolas particulares. Então, tá vendo bastante procura, as pessoas têm tem demonstrado bastante interesse sobre o tema e ajudar eh a as pessoas em geral, a população em geral, porque eu vejo que mesmo os professores, né, os orientadores têm muita dúvida com relação a algumas drogas, mesmo os adultos. Eh, o pessoal acha que cigarro, muitas vezes cigarro e álcool não traz malefício, droga lista, só pensa na droga. Então eu tenho que lembrar que cigarro e álcool também é droga ilícita e traz muitos malefícios paraa saúde, né? igual o tabagismo é a terceira causa de morte evitável no mundo. No mundo a terceira causa. 8 milhões de mortes por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde. Exato. Então é muito, o número é muito grande, né? Então a gente tem que levar essas informações. Aliás, se me permite, Marilda, a gente fez na Câmara ainda no final de maio, né, por conta do 31 de maio, que é o dia mundial de combate ao tabaco, né? Dia mundial sem tabaco, que ele chama. E nósemos especialistas, a Marilda convidou, na verdade, para falar desse tema. E eu lembro uma das falas do Paulo Martelli, que é coordenador do Freeemind, que vai fazer um evento lá em Brasília agora no final do ano, e ele tava dizendo os desafios, né, colocados, eh, porque ele falou, ó, existe o mercado consumidor. Por que que a gente direciona muita informação, campanha, orientação pros jovens, né? Eh, porque o mercado produtor de droga, seja lícita ou ilícita, quer cada vez mais aumentar o mercado de consumo. Sim, né? Então, eh, as ações de prevenção é tentar evitar que esses nove que nunca fizeram experimentação entre nesse mercado de consumo. E a indústria do tabaco, ela acaba sendo assim estimulando a questão do cigarro eletrônico. No Brasil é proibido, né? Existe uma resolução da Anvisa de 2024 que proíbe a produção, comercialização, distribuição, armazenamento. Não poderia ter cigarro eletrônico circulando por aí. Cada cigarro eletrônico que você vê por aí é de produto de contrabando, né? A Receita Federal, inclusive tá fazendo uma campanha grande de combate, enfrentamento ao contrabando de cigarro eletrônico, que traz um risco a mais porque a pessoa nem sabe o que tá ali porque aquilo esse esse é o grande problema. E aí nas redes sociais, usando até pessoas, personalidades, muitas, ah, é só vapor, né? Entendeu? E não é verdade, porque naquele vapor contém fumaça e as substâncias presentes, que como não é controlado, não é licenciado, você não sabe o tipo de substância que tem ali. Mas todos eles carregam uma quantidade, uma concentração grande de nicotina e a nicotina tem um grande poder viciante, né? Então, até muitos ador, não, tô usando esse que faz menos mal que o cigarro normal e não é verdade então assim, esse é um dos faz parte do marketing, né? Não, tô usando uma coisa que é mais inofensiva, mais e o pessoal acha que tem menos nicotina. Esse da quar que eles falam quarta geração que é o Jules, eles estão chamando de super nicotina, né? Que ele tem assim o dobro de nicotina até três vezes mais nicotina do que o cigarro comum. Então ele é altamente viciante. Eh, dos 81 eh componentes, substâncias que tem no cigarro eletrônico, 43 são cancerígenos, pode causar câncer. É, né? E isso não é divulgado. Isso não é, mas ninguém vai divulgar, né? Como a ideia é vender a ideia de que é inofensivo, a gente tem que tomar muito cuidado. E é duro hoje, Gabriel, eh, assim, a gente enfrentar as redes sociais, né? Como a Marilda falou, tem muita informação que rola aí nas redes, na internet, mas muitas que não tem base, pelo contrário, tenta desmistificar a questão do perigo, do risco, né, para tornar aquilo mais prazeroso. E o duro que o formato dos veículos, né, vapor, pen drive, não sei o quê, eles acabam criando situações. E o Dr. Como é que di Paulo não martell não, Paulo Paulo é ele trouxe uma apresentação mostrando como é que isso começa nos Estados Unidos inclusive uma associação feita a indústria de cigarro eletrônica acompanhando a questão da evolução da do dos telefones da Apple, né? Então, sai o modelinho da Apple, imediatamente sai um um vape, que ele chama, tentar atrelar, uma coisa maluca. cria uma conexão, é uma uma estratégia de marketing poderosa. Resultado disso, cada vez mais jovens com idade menor, iniciando o consumo, certamente, mais precocemente vão adquirir a dependência, vão ter problemas de saúde, vão sobrecorregar o Sistema Único de Saúde e o pior que isso, né, vidas ceifadas, projetos de vida interrompidos. E para combater isso que você tá dizendo, passa pelas ações que estão sendo realizadas, é roda de conversa, é passar essa informação com credibilidade, é chegar em escola, em ONG, empresa. É este o caminho? Eu acho que sim. Eu acho que a assim, como é que você conversa com a juventude, né? Tem que ser numa linguagem deles, né? Aquela técnica antes do terror, porque isso mata bá. Não, porque existe uma característica do adolescência que assim, eu acho que comigo não vai acontecer, né, ela então não, eu sou mais esperto, é, então a gente tem que fazer com que eles passam a discutir. A gente viu, a Mari no ano passado retrasado, algumas escolas desenvolveram projetos até paraa criação de vídeos, de filme sobre o tema, né? É legal como eles levam esse assunto para dentro das escolas e aí os próprios alunos discutindo, pesquisando, debatendo, eles encontram uma forma de comunicar entre eles, né? Eu acho que a roda de conversa é uma coisa legal, porque você coloca o assunto, cada um fala o que pensa, etc e tal, e você vai fazendo filtro e passando informação confiável para eles. Mas não é uma coisa simples fazer prevenção. O ideal sempre é a prevenção, né? Mas a prevenção não é algo tão simples de fazer, porque em tese eh não basta só levar informação, né? E eu lembro, só para fazer uma correlação, quando lá na década de 80 Aides eclodiu no Brasil, fazia muita campanha de prevenção, né? Mas só a informação às vezes não fazia a pessoa mudar, não tinha um apelo suficiente seu comportamento. Então a gente tem que ter estratégias que tem informação e alguma forma de sensibilizar, conscientizar, né? Aí pais t responsabilidade, né? A gente fala de drogas de uma forma geral, mas ainda o álcool é a pior das drogas. É a pior porque é lícita, é legal. E no caso do Brasil tá em assim, tá inserido na cultura do Brasil. A gente relacionado para alegri para tristeza, né? É, meu time ganhou, vamos comemorar. Meu time perdeu, vamos focar, tá calor, vamos tomar uma para refrescar, tá frio, né? É para esquentar. É, ah, tô, trabalhei demais, tô estressado. Então, a gente associa tudo isso a uso álcool e muitos acham que o álcool é uma droga inofensiva e não é. Ela é viciante, causa problemas de saúde, muitas das consequências sociais, violência no trânsito, criminalidade, enfim, é uma realidade que tá aí, que a gente tem que saber como lidar e como enfrentar, né? Ô, Marilda, após o Junho Branco, tem algum impacto? Os anos anteriores mostram que a procura aumenta no segundo semestre, mais pessoas estão procurando os serviços da cidade. Como que é o pós junho branco pós as ações que são realizadas neste mês? É ótima pergunta. Aumenta, aumenta a procura. Toda vez que a gente faz uma campanha mais intensa, aumenta bastante a procura pelo serviço. Eh, não só de moradores em situação de rua, mas da população em geral, aumenta significativamente o o a procura por por tratamento. Ô Rossine, a Organização Mundial da Saúde designou o dia 26 de junho como dia internacional do combate às drogas para tentar sensibilizar a população dos problemas que são desencadeados pelo consumo de drogas com o objetivo de potencializar alertas à sociedade sobre os danos e risco do uso de substâncias psicoativas. O senhor entende que ainda é preciso quebrar paradigmas, tabus sociais, encorajando as pessoas a conversarem abertamente sobre o assunto? Muitas vezes esse assunto droga fala: "Ah, aqui na minha casa não, aqui na minha família não precisa, meu filho não vai usar, os amigos do meu filho não." Ainda tem um tabu sobre este assunto? Ah, existe, existe tabu, preconceito. Por exemplo, na maconha parece que já acabou, né? Eu há muito tempo atrás, quando chamava alguém de maconheiro, era pejorativo, né? É. Hoje, hoje parece que já relativizou, não. Uso recreacional não faz mal, é natural, né? Agora existe ainda assim algum preconceito, existe medo, receio de enfrentar o problema. E às vezes as pessoas, por não conhecer, não saberem como agir, preferem evitar. Eh, ah, não, isso é passageiro, né? Uhum. Vai acontecer, não é uma fase, etc e tal, mas eu acho que pais têm responsabilidade sim, né, na educação dos filhos. Eu acho que o processo de educação dos filhos também passa por um processo de evolução, né? Uhum. A educação que eu recebi dos meus pais não é a mesma que eu passo pros meus filhos hoje. Sim. A sociedade mudou, as a forma de se comunicar. Hoje as crianças t muito mais informação, sabe muito mais do assunto do que os próprios pais. Sem dúvida. Eh, é, é que eu acho que tá faltando, Gabriel. Eh, eu sou da Pastoral da Sobriedade também, né? É claro que na Pastoral da Sobriedade a gente acaba abordando esse tema também dentro de um contexto de espiritualidade, achando que se a pessoa ela tem uma espiritualidade desenvolvida, ela tem um sentido para sua vida, né? ela consegue se proteger mais, né? Então, parece que as pessoas vão buscar nas drogas quando ela tem um vazio existencial, às vezes para fugir de alguma dor, de algum problema, para preencher, para ter um prazer, né? Isso tudo é coisa ilusória, né? Efêmera. Então, eu acho desde pequeno, junto com família, escola, a gente precisa ajudar as pessoas a construírem seus projetos de vida, né? tem um objetivo, uma meta. E quando você quer chegar em algum lugar, eu acho que isso é fortalece, opa, não quero nada que atrapalhe meu projeto de vida. Eh, mas não é uma coisa tão simples. A gente percebe entidades importantes, inclusive internacionais, pesquisando cada vez mais sobre o tema. A o Freeemind anualmente faz esses congressos internacionais e traz experiências exitosas de vários países, né? sempre buscando como fazer prevenção naquilo que ele chama com base em evidência científica, né? Quais as ações que dão mais resultado no geral, né? Elas acabam são formas diferentes de buscar o mesmo objetivo. Mas quando a pessoa tem eh autoestima fortalecida, tô bem do jeito que eu sou, né? Uhum. Elas t uma vida se integra na família, na comunidade, né? Ela tem informação sobre os riscos que a droga pode causar e tem projeto de vida, então são mais resistentes ao uso de droga, né? Mas construir isso não é uma coisa simples. Você tem que envolver todo mundo, igreja, sociedade, escola, família, os órgãos públicos, né? E a gente tá perseguindo isso. A coordenadoria de drogas, de políticas de prevenção às drogas junto com o Conselho Municipal tem se debruçado sobre isso aqui em Campinas também. Iniciativas têm sido feitas, né? Não sei se na proporção que a gente precisa, mas que tá acontecendo. Marido, eu quero ouvi-la também sobre essa quebra de tabu, se ainda existe, os casos que chegam até vocês. É, eu eu vejo que existe muito ainda, muito. As pessoas têm muita dificuldade de falar nisso, principalmente quando tem algum caso na família. OK. Eh, eu percebo que eles têm vergonha de falar sobre isso. Quando a gente faz eh alguma campanha na rua, né, a gente da coordenadoria itinerante que a gente vai pro centro da cidade, locais que tem grande circulação de pessoas que a gente às vezes aborda para entregar o o o panfleto a ou eles chegam até a gente para pegar o, né, o folder de informação, a hora que a gente fala sobre o que que é, eles falam: "Não, não, não, eu não, não tenho, eu não uso, não quer nem saber a informação que tá ali." Não quer. Aí, né, a gente vai com jeito, a gente explica, não, talvez o senhor conheça alguém que precisa, o senhor não usa, mas talvez tenha um amigo, um familiar. Importante senhor saber para repassar as informações, saber onde procura ajuda. Nós temos tratamento gratuito, né, ajuda gratuita que o município oferece. É importante você saber isso para ajudar, né, alguém que precise. Aí sim, aí eles, mas a primeira tem que tirar da frente dele, né? É, amigo, familiar, para ele ele é. E a procura também que tem na coordenadoria, dificilmente é a pessoa que vai procurar, a não ser os os moradores em situação de rua, tá? Tá. Mas é quando não é, é a mãe, a irmã, é a esposa, entendeu? Nunca a pessoa, o papel da família é o papel da família, entendeu? E e você vê que eles falam eh com reserva. Por isso que eu falo que a coordenadoria não pode ficar num lugar onde eh que fica eh exposto, porque as pessoas ainda tabu, elas têm vergonha ainda de expor o problema, a doença. A maioria das pessoas vê como é uma um criminoso, não vê como uma pessoa doente ainda. Então, e com a sua experiência, com o trabalho que é realizado, independe classe social. Totalmente independe de classe social. A gente tem todas as profissões e as mais inimagináveis procuram o nosso serviço. Uhum. É. Não tem classe social, não tem credo, não tem cor, não tem raça. A droga tá em todo lugar, né? Em todo lugar. E é duro, Gabriel. Eu sempre falo assim, acho que a sociedade é hipócrita, né? Por exemplo, ela estimula as pessoas a beber. Beber é glamor, né? quando você vai, né? Mas não tolera o bêbado, não suporta aquele que se tornou dependente, né? Aí é problema dele, é falta de vergonha na cara, a pessoa é fraca, né? E aí você não consegue acolher e socorrer essas pessoas. E aí isso, esse estigma cria, né, a pessoa até o próprio dependente, todos os programas de autoajuda, seja do AA, NA, Alanon, Alcoólicos Anônimos, Amores de Gente, Pastoral da Sobriedade, todos eles tem um programa de 12 passos, né, para auxiliar a pessoa que quer deixar de usar drogas. Eh, e o primeiro passo é o mais difícil, é o admitir, tá, né? O admitir significa a pessoa tomar consciência, admitir. Eu tenho um problema, né? Eu não, eu a droga, o álcool, o cigarro é mais forte do que eu, do que a minha vontade. Sozinho eu não consigo, eu preciso de ajuda. E esse a dificuldade de admitir passa assim pelo orgulho, né? O cara fala: "Poxa, meu, como é que eu vou admitir, né? Passa pela preocupação de como o outro vai me ver, né? Pô, que eu sou um dependente. Então, nos grupos de autoajuda, há técnicas, né? E a e quando você coloca as pessoas em círculo, que elas colocam o seu problema, expressam que já passou, vira espelho, né? as pessoas começam a se identificar na fala do outro. Isso vai encorajando, ela vai até ajudando a tomar consciência da sua própria realidade. Eu acho que assim, os grupos de autoajuda ou muto ajuda, eles são uma ferramenta importantíssima, tem ajudado muito as pessoas e funcionam de forma voluntária, espalhadas pelo mundo inteiro, mas ali as pessoas também têm que querer, né, chegar até o grupo. na hora que chega, ela vai ter um padrinho e tal, inicia assim uma trajetória de recuperação. Às vezes tem recaída, infelizmente é isso. Mas a maior dificuldade é você fazer a pessoa admitir ela própria que tem problema ou até alguém que tem alguém em casa que tem problema, né? Marilda, nós falamos numa resposta anterior sobre os jovens, né? Vamos tocar no assunto das escolas, então, porque é um capítulo à parte, né? que eu gostaria de discutir aqui. A adolescência, a gente sabe que é uma fase de transição, né, marcado por mudanças físicas, emocionais, sociais. É um momento de descobertas, de desafios, de conflitos. E sabendo disso, as indústrias elas produzem produtos com apelo direcionado para este público. E hoje em dia, né, pesquisando sobre este assunto, tá tudo saborizado, né? Os energéticos têm sabor, as bebidas alcoólicas, o cigarro eletrônico, as drogas sintéticas, todas elas têm algum sabor. Qual que é o perigo dessa relação da indústria tentando captar esse jovem que tá tentando descobrir o mundo e que tá tentando se inserir em um grupo social para poder conviver com os amigos? É, é realmente é é um chamativo para pros nossos jovens, né? Hoje na na roda de conversa ainda falei sobre isso, que a indústria tabagista focou neles, né? Porque os cigarros eletrônicos é bonitinho, é colorido, tem sabor, é saborizado, né? Eh, o aroma é diferente, é bom, ao contrário dos cigarros convencionais, né? Então, é tudo para atrair os jovens, né? foi os cigarros eletrônicos foi desenvolvido pensando em trazer os jovens as os as indústrias tinha perdido muito, né, adeptos aos cigarros comuns, né, depois da campanha que teve em 80, 90 contra os cigarros, perderam muito. E o que eles fizeram para recuperar isso é focar no nossos jovens com a promessa de do cigarro eletrônico, eh, que não causa dependência, não traz malefício, né? e foram eh melhorando, entre aspas, né, o formato, a cor, né, igual o vereador Rusini falou, o eh cada lançamento eles, né, eh vinculam um modelo com um um telefone celular, né? Aí vem o sabor, tem sabor de tutifru, tem sabor de hortelã, tem saborcia do mau cheiro que tinha do cheiro, que e as pessoas esquecem ou não sabem, muitos não sabem, que mesmo o cigarro eletrônico, as pessoas são que não fumam são fumantes passivos. Uhum. Né? Assim como nos os cigarros convencionais, né? faz tanto mal ou mais mal para aquele que tá do lado do que o fumante, né? Então, a a indústria tabagista, ela tem apostado muito pesado, né, em tudo isso, eh, em saborizar no nos cheiros para atrair os nossos jovens, né? Por isso a importância de tá divulgando, tá junto, levando conscientização, né, para que eles possam fazer a escolha correta, né, né? Eu falo, eu não tô lá para dizer que eles devem ou não usar, eu tô lá para levar as informações, as orientações para eles. E aí eles vão fazer a escolha que é melhor para eles. E lógico, escolher a saúde, sabendo todo o malefício que causa, é muito mais fácil você evitar, né? Eu quero ouvi-lo também porque o adolescente ele busca, né, este pertencimento, a aceitação dentro do grupo e aí se o consum estimulado pelo meio, ele vai ter uma dificuldade em recusar. É um problema social para esses jovens. É, sem dúvida. É, quando você pega assim as causas que levam a pessoa a usar drogas, uma delas é as que a gente chama e pressão do grupo. Uhum. Né? Então para ele se sentir integrado, se ele tá num grupo que todo mundo usa, fuma, bebe, né, ele não vai ficar fora, ele vai querer também participar do grupo. Então, então tem aquela coisa do, pô, usa aí, participa, vem com a gente, né? Então, assim, é um problema social, né? É claro que às vezes os pais podem saber com quem que você tá andando, né, meu filho, quem são os amigos do seu filho, né? E tentar eh onde que você vai, não quero que você fumae, eu quero que você vai. Então, tem algumas coisas que você, o moleque vai falar, vai, pô, pai, para de encher meu saco e tal, a gente já foi adolescente, sabe como é. Mas sim, tem a pressão do grupo como um dos fatores. Eu lembro que na minha adolescência a minha mãe era que nem perdigueiro. Assim, eu cheguei a experimentar cigarro porque na época o usar cigarro era tipo um rito de passagem, né? Tô tô me tô virando adulto, né? Sim. Mas a minha mãe, ela pegava no pé. Você chegava em casa, ela cheirava roupa, cabelo e não sei o quê. Eu e meus irmãos nenhum fumamos, né? Graças a essa preocupação, esse controle que a minha mãe fazia assim, era até exagerado, mas eu agradeço a ela por fazer isso. Claro. E é claro que se você tem uma orientação, uma educação em casa, isso vira fator de proteção, porque na hora que você tiver fora de casa, eu falo assim: "Eu não vou fazer isso porque eu vou contrariar minha mãe, né? Vou deixar ela chateada". me ajudava, foi fator de proteção. Hoje na prevenção a gente fala em fator de risco e fator de proteção, né? Quais são os fatores de risco no ambiente, etc. Você identificando os fatores de risco, você pode desenvolver ações para diminuir os fatores de risco, né, para uso de drogas. Por exemplo, um fator de risco é a facilidade de acesso. Então, se você diminuir a oferta, então diminui o fator de risco, né? Se você sabe que, por exemplo, às vezes o primeiro contato com droga lícita, a pessoa vai ter dentro de casa nas festinhas a bebida alcoólica. Então, se numa festa você não deixar que criança na festa familiar use, abuse, você diminui o fator de risco, que é aquela frase, ah, prefiro dentro de casa do que fora, mas se ela é menor de idade, é. Então, e fator de proteção é você oferecer alguma coisa que seja a a informação, orientação e alternativa, né? Assim, se você der alternativa de prazer, coisa que seja prazerosa, atividade cultural, esportiva, música, teatro, dança, né, passeio, fazer coisa onde as crianças se sintam e adolescentes sintam bem. Então isso é fator de proteção. O diálogo com os pais é fator de proteção, né? a programas na escola para debater esse assunto das mais formas variadas formas com com filme e debate depois com roda de conversa, você vai criando e fortalecendo o que a gente chama fator de proteção. Mas é um processo, eu acho que a gente não vai falar, não existe sociedade sem droga, né? Infelizmente, até porque os medicamentos são drogas, né? Sim. E você tem também muitas vezes pessoas se tornando dependente de medicamentos. Exato. Os anciolíticos, né? Calmantes, remédio para dormir, os as anfetaminas para emagrecer, né? Uhum. É, é assim. Então é um desafio que tá colocado. E aí no caso, Gabi, até vou aproveitar, a gente tá falando de cigarro eletrônico aqui, né? Eh, eu apresentei um projeto de lei que tá tramitando na Câmara, proibindo a comercialização, distribuição, armas, repetindo o que a resolução do CONAMA faz pro município do da Anvisa, né? Porque pelo menos ter o caráter pedagógico. Pô, por que que ele tá fazendo isso? Apresentando um projeto de lei? Porque todo lugar que você vá, você vai ver adolescentes com o cigarro eletrônico e a livremente, né? como se é que é e assim as pessoas não têm consciência, até acham, ó, é melhor o cigarro eletrônico que o e lê engano, né? Então o projeto tá aí, a gente deve fazer uma mais uma audiência pública, debater, aprofundar, dar visibilidade para isso, né? Para alguém perguntar: "Mas por que que você tá fazendo isso, Rossine?" Por todas essas razões aqui, né? A gente tá tentando criar medidas de proteção à saúde dos nossos jovens. Já que você citou este assunto, eh, o poder legislativo, eh, o poder executivo, a prefeitura entende que precisa agir com mais rigor ou não é uma questão de mais leis, porque o cigarro ele é proibido e a gente continua encontrando as pessoas. Você acha que faltam leis, falta cumprir as leis? É uma questão que o poder executivo precisa fiscalizar e aí falta funcionários para poder ir nos bares, ir no estádio, onde esse cigarro ele tá? Você acha que passa por uma discussão aqui da Câmara ou não? Só não acho que a gente tem que discutir. Acho que legislação tem, né? Tá. Eh, falta fiscalizar, mas mais do que isso, falta as pessoas tomarem consciência do por que a lei, por exemplo, o Estatuto da Criança Adolescente no artigo 243 diz que é crime você oferecer, ainda que gratuitamente, vender, ofertar, qualquer substância que possa causar dependência a menor de 18 anos. O álcool e o cigarro estão dentro disso. Mas pais oferecem, estimulam os seus filhos. Eles estão praticando um crime, mas eles não têm consciência disso, né? Então a gente precisa, é claro que se começar a cumprir a lei a partir de algumas ações, opa, isso vai acabar eh mostrando pras pessoas que isso pode ter consequência, né? Mas é mais é conscientização mesmo, viu? Eu acho que a Câmara cumpra esse papel de debater essa questão de ordem, mais um canal pra gente levar informação para as pessoas, eh, mostrando que a Câmara tá preocupada também com esse tema. Marilda tem essa visão também? Sim. Eh, só retomando o projeto de lei que o vereador Rossini apresentou eh sobre os cigarros eletrônicos do tabagismo, eh, acrescentou de acordo com a resolução da da Anvisa 855/224, que é a proibição eh de fazer uso dos cigarros eletrônicos em lugares fechados, em, eh, lugares públicos, né, que a as pessoas ainda continuam um fazendo, né, principalmente lugares públicos. E a gente esquece novamente eh do fumante passivo que traz mais malefício. Então, achei muito importante eh esse acrescer isso na lei, né, pensando nos fumantes, nos malefícios dos fumantes passivos. Então, eh eh eu acho muito importante eh efetivar isso, tenha mais fiscalização para que as pessoas se conscientizem mais, né? Porque às vezes eh só levar a orientação, lógico que é importante, a gente tem feito muito isso, buscado fazer muito isso, mas a fiscalização acho que agrega muito. Marilda, dia 23 de junho acontece a apresentação do projeto de ações de prevenção às drogas na adolescência. Estudantes da Escola Estadual Carlos Gomes. Exatamente. Na segunda-feira, dia 23/06, às 9 horas, no salão vermelho da Prefeitura, eh um grupo de alunos do ensino médio vai apresentar eh um projeto que foi a a coordenadoria idealizou, acompanhou, supervisionou para que eles fizessem a pesquisa. A ideia é que eles pesquisassem eh junto com toda a escola, né, sobre os malefícios das drogas, né, porque nada melhor do que eles buscarem essas informações. Dei, passei para eles as fontes onde eles poderiam buscar essas informações validadas para que não corresse algum risco de ter informações, né, falsas, verídicas. Então eles vão fazer essa apresentação no salão vermelho no dia 23 e logo em seguida nós vamos ter uma palestra com o Dr. Marcelo Bergo do juiz da infância e juventude. E a semana se estende com várias ações em escola também. Cine? Acho que é muito fundamental esse trabalho com as crianças, com os adolescentes. Aqui na Câmara de Campinas a gente tem muitos projetos junto com a ELCAMP, a escola do legislativo, que leva, e aí neste caso que eu tô citando, o papel da Câmara de Campinas, saber diferenciar da prefeitura. E a gente vê muitas vezes a curiosidade dos jovens que não sabem a diferença de poder legislativo, poder executivo e aí eles assistem vídeo, aí eles vêm aqui no estúdio que a gente tá, como é que funciona uma televisão, passa por isso também este assunto com os jovens em relação às drogas, fazer apresentar um projeto e pesquisar e conversar com os amigos para reforçar essa questão da informação. Ah, sem dúvida. Eu acho que toda a oportunidade que a gente tem de conversar com os jovens sobre vários temas, e esse é um tema importante, eu acho que é necessário. Eh, nós temos às vezes feito palestras com jovens, com, por exemplo, a Elecampe, né, o pessoal que estão no programa de aprendizagem, estágio, integração da escola, né? É, é uma oportunidade rica. Eh, quando essas crianças vêm aqui, é claro que num primeiro momento o programa Câmara Educa tem por objetivo mostrar como é que funciona a Câmara, o papel do legislativo, né? Estimular o exercício de cidadania. Mas a gente tem feito encontro sim também sobre essa temática e eu acho que a Câmara tem que cumprir também esse papel, né, de levar informações de utilidade pública, né, para ajudar, né, nesse processo de formação do cidadão, do futuro cidadão, né? Eh, mas parece que, por mais que a gente faça ainda é pouco. A gente tem feito muita coisa. A nossa equipe da Elecamp, nós temos pedagogas, né? Elas são muito assim, eh, ativas nisso, experientes, tem contribuído muito. A gente tem procurado da nossa contribuição, né? A gente não consegue acessar todo mundo. Sim. Mas o que eu acho, a gente, as crianças jovens, eles têm que se sentir felizes sem drogas, né? e saber que o uso de drogas é uma opção de cada um, mas você não precisa dela para construir, para ser feliz e ter seu sucesso. E você colocou uma questão que também é um dos fatores é que faz as pessoas buscar droga, é a curiosidade, é, é, deixa eu ver que gosto tem, que sabor que tem, deixa eu ver que efeito que dá, né? Então, por curiosidade, com a pressão de grupo, às vezes facilita as pessoas as a entrarem, né? Mas eh a gente tem que ter estratégias para enfrentar isso, né? Como é que você supera essa curiosidade e aí a informação ajuda. Olha, cuidado, né? Você pode, a decisão é sua, mas cuidado basta uma vez utilizar aqui. É, pode ter problema. Marilda, para quem está nos acompanhando, seja jovem, adulto, seja idoso, tá se vendo num papel ou a própria pessoa ou conhece algum amigo, algum familiar, como é que é o acesso ao serviço, aos tratamentos aqui na cidade de Campinas? Eh, a coordenadoria fica na rua Barreto Leme, 1550, bem atrás da prefeitura, tá? ou pelo telefone 37337431, a gente passa as informações. Repete o telefone, por gentileza. 37337431. A gente eh a coordenadoria funciona de segunda à sexta, das 9 às 12 e das 13 às 17 horas. A gente orienta toda a população de uma forma geral. Quem precisar de ajuda, a gente tá à disposição. Cine, para quem está nos acompanhando, como é que o senhor enxerga esta relação de acolher este jovem ou este adulto que quer deixar as drogas? E ao mesmo tempo, uma discussão que acontece é a questão das forças policiais combaterem o crime, a proliferação de drogas, principalmente as de baixo custo, né, que é de fácil comercialização. São ações que caminham juntas, mas em frente separadas. precisa esta pessoa, mas daí tem uma ação policial que quer saber quem que tá colocando essa droga eh no município de Campinas ou em outros lugares. É, é, eu acho assim, a a repressão e a tentativa de redução da oferta, né, disponibilização de drogas é necessária, né? A ação policial é para combater o tráfico, né, ilícito de drogas. Eu acho que tem que continuar existindo, OK? Porque aquele que tá vendendo droga, ele é um, em tese, um potencial assassino, porque ele vai matar alguém, né? Sem colocar a mão, sem apertar o e sem preocupar o dedo do G. E ele quer o lucro no Então, ação de repressão tem que ter. Uhum. Agora a legislação agora sofreu até uma alteração, mas ela já dá dentro da lei uma possibilidade de você tratar o usuário dependente, não como traficante, né? Então, a legislação permite, inclusive encaminhar esse pessoal para tratamento. Então, a lei já prevê isso. Às vezes é difícil cumprir a lei na íntegra, mas quem se tornou um dependente é uma pessoa que tá com uma doença, então ele precisa ser tratado e aí o governo, o estado teria que oferecer opções de tratamento para todas essas pessoas, né? É claro que existe uma grande discussão. Aí você tem vários modelos de atenção e cuidado. Você tem as comunidades terapêuticas que é um modelo exitoso no mundo inteiro, mas que sofre às vezes resistência por alguns setores, né, que é favorável ao modelo de redução de danos. Porque a comunidade terapêutica, assim, você quer é voluntário, eu vou te oferecer uma coisa, se você quiser, eu vou te ajudar a você se livrar do problema. Mas chegou aqui a abstinência total. A partir de hoje zero droga, né? Isso por causa da síndrome de abstinência, às vezes tem que ter um cuidado maior, não é tão simples e fácil, mas as comunidades terapêuticas oferecem um método e modelo que consegue superar isso. E você tem uma outra corrente que é redução de danos. Uhum. Que ela fala assim: "Eu não vou interromper o uso de uma vez, é muito violento, então vou tentar e aos pou reduzindo os danos, né?" OK? Então são correntes diferentes, funciona para algumas uma, para outras outras, mas assim, a gente não tem ainda um modelo 100% exitoso que você fala: "Isso aqui resolve o problema". Não tem uma vacina que resolva o problema, né? Mas a gente deveria somar esforços, né? cada um com seu ponto de vista, com o seu método, mas oferecer a possibilidade para todo mundo. Hoje vou falar, mais de 80% dos atendimentos, dos acolhimentos, são feitos por entidades, principalmente movimento de comunidade terapêutica e os grupos de autoajuda. Hoje, as políticas públicas não conseguem atender mais que 10% da demanda da população que é dependente. O estado não consegue, agora tem que socorrer na sociedade. Eh, e nós precisamos ampliar o cuidado também. É uma ação de prevenção, né? Quando a gente fala em prevenção, você tem a prevenção primária, que é chegar na pessoa antes da droga. Sim. evitar que ela faça o primeiro uso. A secundária é quando a pessoa já faz algum tipo de uso, então você vai fazer a intervenção para tentar fazer com que ela abandone ou cesse aquele potencial de crescimento do uso. E a terciária é essa, quando a pessoa já já é dependente e você tem que prevenir ela do pior, que é a morte, uma doença mais grave, né? Então você tem ações, estratégias para as três frentes de prevenção. Eh, o duro, o duro é aplicar. E o dependente, como eu falei, a primeira dificuldade ele admitir que é dependente, que é doente, né? Quando a pessoa tá com câncer, que ele admite, ele não nega socorro, ajuda, ele vai querer buscar se tratar. Quando você fala, "Você tá dependente do álcool, do cigarro, da droga". às vezes ele resiste Uhum. a buscar ajuda e aceitar ajuda, né? Mas eh ele também precisa, obviamente ter ser acolhido, tem que ter um processo de convencimento, tem que ter a assim, eu sou da Pastoral da Sobriedade, né? Tem os grupos de auto, a gente chama autoajuda da Pastoral da Sobriedade. É no mesmo modelo da Marilda. Normalmente quem procura primeiro não é o dependente em si, a família, é a mãe, o pai, a irmã, o namorado, a esposa, né? Mas ela participando, esses essas pessoas participando do grupo, entendendo, compreendendo o que é a doença da dependência, quais as ações que podem dar certo, ela também vai se instrumentalizar, vai se potencializar e vai conseguir agir com maior eficácia ou eficiência com as pessoas da família. Então, de sempre algum benefício a pessoa tem participando desses grupos. A recomendação é, se você tem problema ou tem alguém na tua família com problema, busque ajuda. Pode ser na coordenadoria que ela vai te orientar, pode ser nos vários grupos de autoajuda espalhados pela cidade, né? Sempre vai aparecer uma coisa que, opa, isso eu consigo fazer. Eh, o Rossine falando do do das comunidades terapêuticas, eh, só para relembrar a através do programa Recomeço que é a Coordenadoria Intermideia, a gente tem oferece à população 100 vagas eh para tratamento em comunidade terapêutica, para vagas masculinas e 21 vagas femininas através do governo federal. Hoje a gente, a coordenadoria tá com quase todas as vagas preenchidas e por incrível que pareça, Rossine, as vagas das mulheres femininas tão preenchida hoje, que normalmente sobra vagas eh para mulheres, mas hoje a gente tá com todas as vagas preenchidas. Então, pra comunidade terapêutica, nós temos 101 121 vagas hoje através do governo estadual e do governo federal. E eu falo, eh, mesmo depois que procura a o tratamento em comunidade terapêutica, é importante quando sai fazer um acompanhamento, dá uma continuidade, seja em grupo de autoajuda, seja eh eh nos postos de saúde através de eh eh de terapia, é muito important porque a chance de recaída é muito grande. saber o que dá gatilho pra pessoa, para entender não só os dependentes, mas os familiares também, para saber como lidar com ele quando ele retorna para casa, né, para reforçar o vínculo da família. Então é muito importante esse acompanhamento após a saída do tratamento. Eu li o livro do Casagrande, né, atacante que foi do Corinthians, da seleção brasileira, e fala muito sobre isso, né, sobre o período que ele utilizou drogas e o pós que ele não consegue ir para bar, ele não consegue pra balada. tem muitos ambientes que era onde ele utilizava. Ele fala: "Eu não posso mais ir nesse lugar hoje porque me dá gatilho." Então ele tá limpo há décadas, há muitos anos, mas mesmo assim é um trabalho de continuidade. Então corrobora com isso que você tá falando, da continuidade, faz o tratamento, fica limpo determinado momento e você vai carregar isso pra sua vida, sabendo das suas limitações, do que te dá gatilho, de onde você pode ir, de onde você não pode ir. Com certeza. E aí assim tem essa frase só por hoje, né, os grupos de Olimpo, só por hoje, porque assim, a droga ela tem um processo de evolução dentro do organismo, da experimentação, uso contínuo até a dependência. E à medida que a pessoa vá usando droga, o organismo vai se adaptando e vai criando tolerância, né? Então, às vezes, para você sentir o mesmo efeito, você tem que aumentar a quantidade. É isso que vai e fica registrado uma memória, né, daquela sensação. Então, quando o camarada parou de usar, às vezes se ele vai, se ele experimenta de novo, dispara esse gatilho que você falou, é como se o organismo dele pegasse, opa, eu quero a partir daqui, né? não vai começar do zero de novo. Então, o risco de recaída é muito grande e as pessoas têm que tendo consciência disso, elas se conhecendo, sabendo aquilo que pode despertar nela esse desejo, ela procura evitar. O exemplo do Casagrande é um. E esses programas de prevenção a recaída que as entidades eh trabalham e entregam é exatamente isso, né? Falou: "Olha, a partir de hoje evita um boteco." Uhum. Você joga, gosta de jogar truco bilhar, mas não naquele ambiente, né? Porque tudo isso pode ser gatilho mesmo para recair, até mesma amizade, né? Até meso amizade, sim, sem dúvida. Programa bom é programa com muitas informações. Os últimos 5 minutos quero lidar só com mais um tema, já que nós estamos falando sobre é o Junho Branco, sobre drogas, porque certamente quem está nos acompanhando associa muitas vezes, né, este assunto com drogas com a cracolândia em São Paulo, que surgiu na década de 90. É um símbolo, né, de exclusão social, de problema de saúde pública, de insegurança sempre na região onde ela está. E aqui em Campinas é comum e até aqui na Câmara de Campinas essa discussão sobre uma possível concentração de usuários em áreas centrais, em alguns casos chegando aos bairros. Eh, presidente Rossine, há esta preocupação? Você entende que a gente tá muito longe ainda de uma possível cracolândia ou este assunto vira e mexe a gente precisa discutir aqui na Câmara de Campinas para saber por que acontece essa concentração, como é que tá sendo este uso, fazer um acompanhamento, como é que você enxerga a questão de Campinas nesta concentração? É, eu acho que essa preocupação existe, né? Existe sim, eh, com moradores em situação de rua, locais que eles se concentram e fazem uso de drogas. É claro que não é na proporção de São Paulo, obviamente pela dimensão da cidade, né? Mas esse é um outro eh assim outra coisa cruel de quem está na rua, né? Porque às vezes a pessoa vai buscar no álcool, no craque, na droga, a fuga para preencher um vazio que ele não tem, não tem outra coisa que fazer, né? Então, desde os corotinho, né? Sim. que é o pessoal bebe álcool de posto de gasolina, né? É, eu lembro essa discussão que foi feito, entendeu? Alguns morreram na região aqui eh por uso de metanol, né? Foi até uma primeira parte de uma reunião ordinária que o senhor fez, se lembória para casos que de contaminação por metanol, né? Temos lá proibição de venda. É, então assim, é uma preocupação sim, a gente tem que estar permanentemente alenta, até al alerta com relação a isso. As políticas da Secretaria de Assistência de Saúde voltada paraa população de rua, procura desenvolver ações, identificar, obviamente que sempre tentando cuidar daquela pessoa que tá ali, né? Mas sim, a gente percebe em alguns locais que acabam virando pontos de concentração. Às vezes exige uma ação não da Guarda Municipal, mas da do governo de uma forma geral, limpando, iluminando, eliminando. Aí assim eles mudam, vão migrando, né? Mas a gente tem que estar atento a um fenômeno difícil de ser lidado, mas é preciso ser enfrentado. Marilda, há este mapeamento por parte do poder executivo, este cuidado de saber onde estão essas pessoas, o que fazer nestes casos? Tem, existe sim um mapeamento pelo poder executivo. Eh, e tem sido feito várias ações nesses nesses pontos, né? a aqui no centro é o pessoal se concentra aqui mais no centro pela facilidade de conseguir ajuda, alimentação, tá perto da prefeitura para buscar ajuda, então concentra mais aqui na região central. Eu acredito que por isso, mas tem sido feito muitas ações eh nesses locais para buscar ajudar essas pessoas de que fazem uso de substâncias psicoativas. para encerrar como presidente do Parlamento Metropolitano, essa é uma pauta em comum. Opa. Inclusive, nós tivemos no mês passado, começo do mês, na verdade, a presença do secretário e secretária adjunto de habitação, Police Júnior, que ele veio fazer uma proposta para fazer um projeto piloto na região metropolitana da criação do que ele chama Housing First, que é voltado pra população em situação de rua, assim, ó, moradia em primeiro lugar, é ter espaços onde essas pessoas na fase final de recuperação de autonomia possam ter é um lugar onde morar, assim, meio que definitivamente, né? Não é passageiro, um, dois dias, tal. Então ele acha que a região de Campinas pode ser um campo de estudo importante. Eles vão testar essa essa alternativa, essa proposta que já existe em outros lugares do mundo. Não é uma invenção aqui, mas obviamente isso foi falado com o conjunto dos prefeitos e a gente deve na próxima reunião do parlamento colocar esse assunto também. a gente tá fazendo um convite para que ele possa também para falar com os vereadores, mas esse problema é um problema que afeta todas as cidades, as cidades menores numa proporção menor, mas o fenômeno de população de rua, de uso de droga nas ruas por essas pessoas é comum a todas as cidades. A gente tá discutindo isso de uma forma regional e é um diálogo que precisa acontecer, né, Mari com outros municípios, porque vira e mexe tem essa discussão. Vem muita pessoa de fora de Campinas para cá e aí acaba virando um problema da cidade. É, acaba é e Campinas e é um pessoal muito generoso, né? O pessoal ajuda e e aí acaba atraindo mais gente pra nossa cidade, né? E a gente ajuda com da forma que a gente tem, o poder executivo tem atuado bastante, oferecido muitas ações para poder auxiliar e ver onde que tá ocorrendo o problema, pra gente estar mais perto e ajudar essas pessoas. Marilda Martins, coordenadora da Coordenadoria de Prevenção Uso de Drogas da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa. Já faço um novo convite paraa senhora retornar até aqui ao nosso estúdio, que seja num cenário melhor do que nós temos hoje, mas fica aberto aí para suas considerações finais. Eu agradeço o convite. Eu acho que esse tema a gente tem que tá discutindo sempre, né? Eh, levando as informações para pra sociedade, paraa nossa população, eh, informando eh as onde nós temos eh tratamentos, onde buscar ajuda, né? Eu acho muito importante isso, atingir toda a população. E a Coordenadoria de Prevenção, Uso de Drogas, ela não só encaminha paraa comunidade terapêutica, mas a gente oferece o serviço de acordo com a necessidade de cada um. Então, eh, quem precisar de ajuda, conhecer alguém que tem necessidade, procure a Coordenadoria de Prevenção às Drogas na rua Barreto Leme 1550 e vai receber todas as orientações necessárias para que possa obter a ajuda necessária. Obrigada pelo convite. Ótimo. Nós que agradecemos, presidente Luiz Rossini. Muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo. Mais uma vez está aceito o convite para participar aqui do Questão de Ordem. já faço um novo convite pro senhor retornar até aos nossos estúdios para falar sobre esse, mas também outros assuntos e fica aberto à suas considerações finais. Primeiro, Gabriel, mais uma vez parabéns por essa iniciativa, Marilda, também por ter aceito o convite. Eu acho que a gente precisa quebrar os tabus, né? Eu acho que esse assunto precisa ser discutido, debatido, eh, de frente, né? entender o fenômeno que tá aí, a realidade que tá colocada e fazer isso com muita honestidade, né, sem sabendo as diferenças que tem de opinião, os interesses contrários que muitas vezes se apresentam, mas nós não podemos deixar de debater, discutir e procurar conscientizar a nossa população. Eu acho que tudo isso a gente faz para proteger a nossa infância, a juventude, cuidar da saúde da população. eh que às vezes não tem a noção de que tá se colocando em situação de risco e prejudicando a sua própria integridade física, intelectual, né? Por isso que programas como esse ajudam a romper com esse tabu. Nós precisamos discutir esse tema cada vez mais. É isso. E eu agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído, né, levado a você uma informação de qualidade, com credibilidade, falando sobre o papel importante da escola, dos pais desde o início, né, os jovens, pelo lado social e depois o trabalho que é realizado na cidade de Campinas de tratamento para essas pessoas. Agradeço a sua companhia, a sua audiência. Continue na programação da TV Câmara Campinas e até a próxima. Ciao. Ciao. [Música]