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Questão de Ordem | Ensino a Distância x Presencial: impactos na educação
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Questão de Ordem | Ensino a Distância x Presencial: impactos na educação

42 views Publicado 04/10/2025 HD · 58:58

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O ensino a distância (EAD) já supera o número de alunos matriculados no ensino presencial no Brasil, segundo dados da Agência Brasil. Mas o que essa expansão significa para a qualidade do ensino e para o futuro da educação no país? No Questão de Ordem, debatemos esse tema com diferentes olhares: 👩‍🏫 Márcia Malavasi, professora da Unicamp e pesquisadora em avaliação educacional, traz a visão acadêmica sobre os desafios pedagógicos e institucionais. 👨‍💼 Vini Oliveira, vereador de Campinas (Cidadania), analisa os impactos da expansão do EAD para os estudantes e para as políticas públicas de educação. ➡️ Quais são as vantagens e riscos do ensino a distância? ➡️ Como os alunos e famílias têm se adaptado a essa modalidade? ➡️ O que o futuro reserva para o ensino presencial? 📺 Não perca esse debate fundamental sobre os rumos da educação no Brasil. 📱 Redes Sociais da TV Câmara Campinas: Instagram: @tvcamaracampinas Facebook: facebook.com/tvcamaracampinas YouTube: TV Câmara Campinas

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Olá, [Música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai debater a expansão do ensino à distância no Brasil. De acordo com o senso da educação superior 2024, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Anísio Teixeira, o INEP, o Brasil atingiu, pela primeira vez a marca 10.227.000 estudantes no ensino superior, mais da metade, 50,7% inscritos na graduação em educação à distância, o EAD. Então, quais são os benefícios deste modelo de ensino e as desvantagens? Será que todos os cursos podem ser EAD? Bom, para discutir sobre educação, eu recebo aqui no estúdio o vereador Vini Oliveira, que está no primeiro mandato, mas tem projetos para a área da educação, como da criação do programa municipal Jovem Cientista, destinado a fomentar talentos em ciência, tecnologia e inovação em Campinas. e participa aqui do programa Questão de Ordem também, eh, a Márcia Malavasi, ela que é atualmente professora, aposentada e também é docente da Universidade Estadual de Campinas, pesquisadora junto ao laboratório de avaliação da Unicamp, desenvolve pesquisa na área também eh de avaliação institucional, especificamente na relação família, escola. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Vine Oliveira, começo com o senhor, né? Primeiro, de que maneira o senhor analisa este dado, né? O Brasil tem mais alunos em cursos à distância em relação ao presencial? Se compararmos 2023 a 2024 no EAD, nós tivemos um aumento de 5,6%. No mesmo período, nos cursos presenciais, uma diminuição de 05%. Seja bem-vindo ao programa Questão de Hório. Obrigado. Boa tarde. É sempre bom táar presente aqui na nas gravações da TV Câmara. A todos os que nos assistem, professora, uma honra receber a senhora aqui na Câmara Municipal e a todos os servidores aqui dessa casa. Eu acredito que a questão do EAD a gente pode dividir ali em duas vertentes, né? as situações positivas e as situações negativas, né, do EAD, como por exemplo, algo positivo, a gente pode enxergar, acredito que eh a professora pode ter uma opinião parecida com a minha ou eh alguns adiedos na flexibilidade, né? Acredito que aquela pessoa que trabalha, aquela pessoa que precisa cuidar de sua filha, de seu filho ou que tenha uma pessoa acamada em casa, ela não tem tempo, ela não tem eh oportunidade ou possibilidade de fazer um curso presencial, né? Por exemplo, o exemplo da minha da minha irmã que mora numa cidade muito longe daqui e a universidade mais próxima fica a 3 horas de distância. Ela precisa pegar um fretado, ela precisa pegar um transporte. para ir até o curso, ela opta por fazer um EAD. Hum. Ao mesmo tempo que o EAD, se você pegar áreas em situação de vulnerabilidade, pessoas que moram em área de su situação de vulnerabilidade, essas pessoas talvez não tenham a mesma estrutura de estudo, né? Tenham poucos cômodos na casa ou não tem a mesma tecnologia, o computador, celular, não tem um amparo. Como é que essa pessoa vai ter uma estrutura? para uma boa formação, né? Qual a credibilidade que os empregadores vão ter ao contratar essa pessoa? Acredito que o o EAD, dependendo pode tirar até o financiamento de universidade, né? pode tirar o investimento de universidade e o empregador na hora que for contratar, por exemplo, essa pessoa que tá fazendo esse curso em ADI, que não tem essa estrutura, como ele vai enxergar isso, essa esse mérito do diploma, se é pela quantidade ou se é pela qualidade? Por isso que eu acredito que nós, como poder público, precisamos investir na educação e na vida dessas pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, pessoas carentes, para que elas tenham essa oportunidade de estudo em boas universidades, fazer bons cursos. Eu enxergo assim, acredito que o EAD tem seus pontos positivos e seus pontos negativos, né? ao mesmo tempo que a gente pega, por exemplo, essa questão da pessoa que não tem eh recurso, que não tem estrutura para estudo, eh o EAD alcança, né? Então, o EAD vai alcançar pessoas mais distantes, vai alcançar pessoas que estão em lugares afastados, vai dar oportunidade a essas pessoas. Então, a gente tem que colocar isso tudo na balança, entender se o EAB faz, se o EAD faz eh traz mais benefícios à população ou se é mais prejudicial. a educação dos nossos adolescentes, a educação dos nossos jovens e até dos nossos adultos. Aí, professora Márcia Malavase, porque no Brasil nós temos este aumento, né? Tem a ver com este acesso à tecnologia, nossa rotina louca de trabalho, de afazeres, o EAD dá essa certa mobilidade, tem a questão financeira. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Eh, boa tarde. Eh, obrigada pelo convite. É um prazer conversar com vocês, especialmente de um tema tão atual, tão contraditório e tão importante ao mesmo tempo. Eh, eu penso que o vereador Vini já abordou dois aspectos bastante importantes, que são sim contraditórios, como eu já disse, mas que precisam ser levados em conta quando nós tratamos do tema de EAD. Eh, me parece não há como nós não voltarmos um pouco em outros níveis de ensino. Me parece que o Brasil conseguiu democratizar o seu ensino, eh, zerar o analfabetismo, colocar todos na escola, na educação básica. Evidentemente que nós não estamos falando da qualidade, mas nós estamos falando da entrada de todas as crianças e jovens na escola. Isso é um ganho nacional. Agora, quando nós falamos do ensino superior e já olhamos um ensino superior que supera o ensino presencial, nós estamos diante de uma temeridade. Parece que em um país tão empobrecido como como nós ao mesmo tempo com tantas potencialidades como nosso. Investir tanto, autorizar tanto, não a abrir outras frentes presenciais, ah, é muito perigoso. Por quê? Se por um lado nós falamos do EAD, que ele alcança longas distâncias, pessoas que não podem vir a determinados centros ou polos, por outro, nós podemos dizer que isso é uma democratização do ensino. Por outro lado, nós temos que dizer também que é uma discriminação do ensino, por você tem pessoas que vão fazer um curso em AD eh no seu celular, não no computador. Eles vão fazer com uma rede muito ruim. Portanto, do 100% da do curso ou da aula do dia, ele vai conseguir ouvir 10%. Isso discrimina, porque alguém está no presencial e ele só está tendo oportunidade de ouvir 10% da aula do dia. Ou seja, se nós democratizamos também discriminamos. Então, de novo, as classes menos favorecidas, a pobreza nacional vai sendo deixada de lado no campo educacional. Isso é muito ruim. Então, o que nós precisaríamos? precisaríamos de um investimento em massa, eh, e que fosse com uma gestão de qualidade, tanto no âmbito municipal, como no estadual, como no federal, para que as pessoas tivessem acesso ao ensino presencial de qualidade na a nas graduações. Evidentemente que nós temos algumas ações que foram tomadas recentemente pelo MEC, eh, com indução dos dados fornecidos pelo INEP e que a ajudaram em parte alguns cursos. Então, nós temos hoje um impedimento de novos cursos na área de saúde, serem eh por EAD ou alguns precisam ter 20% da sua carga obrigatoriamente presencial. Enfim, são pequenas ações que mostram uma ligeira melhora. Agora, imaginarmos que o ensino de graduação tenha mais da metade do seu público de graduação eh matriculado em EAD, é um temor. E não é difícil nós pensarmos numa comparação. Nós não temos que ter medo da comparação. Qualquer país desenvolvido do mundo que tenha uma alta pro eficiência no aprendizado, não tem esse índice de educação à distância. no nível de graduação, nós não estamos falando em pós-graduação, que aí é um outro departamento onde o EAD se aplica muito bem. Olha só, então, muitas informações pra gente poder abordar aqui, inclusive da nova política de EAD que a professora citou, foi assinado em maio pelo presidente Lula e já já nós vamos repercutir também porque exclui alguns cursos deste AD 100% online. Vereador Vine, comparando os dois modelos, né, tanto presencial quanto do EAD, de um mesmo curso, então de jornalismo, por exemplo, na PUC Campinas, instituição que eu cursei, nós tínhamos lá as salas de aula com os seus equipamentos, tinha uma lousa, tinha tela para exibição de documentários, de filmes, tinha laboratório de fotografia, máquinas fotográficas à disposição dos alunos, estúdio para programa de rádio. nós imprimimos um jornal impresso na nossa disciplina e no EAD fica um pouco comprometido essa parte prática, né? Como é que o senhor enxerga? Pode haver uma disparidade entre, comparando sempre, né, os mesmos cursos, entre os alunos que estão lá fazendo o jornalismo, que foi no meu exemplo no presencial, e um aluno que está no EAD sem essa parte prática? Tenho certeza. Você não tem o mesmo aprendizado, você não tem o mesmo desenvolvimento e você não vai ter a mesma entrega lá no futuro. É a mesma coisa, por exemplo, para um curso para medicina veterinária. Você vai levar seu pet, seu cachorro, seu gato para fazer uma cirurgia eh em com alguém que se formou em medicina veterinária por EAD. É complicado. Aí a gente tem que fazer uma avaliação, né? Será qual é esse curso? Qual foi o desenvolvimento desse curso? Isso é um curso sério, porque hoje, infelizmente, isso e tá muito generalizado, né? Isso se pulverizou muito. Então, infelizmente nós temos, claro, nós temos aqueles cursos que são cursos sérios, cursos competentes, que na minha opinião mesmo assim não tem aquela mesma eficiência do curso presencial. E, infelizmente, nós temos os cursos que não são sérios, os cursos que a gente não sabe nem de onde eles saem. E uma pessoa humilde de um bairro humilde, de uma família humilde, com aquela vontade de aprender, com aquela vontade de entregar, aquela vontade de ter um diploma, vai acabar fazendo esse curso que não tem credibilidade alguma, que não tem desenvolvimento algum e que no final das contas não vai ensinar o que precisa ser ensinado, né? A pessoa não vai aprender o que ela tem que aprender para poder entregar pra população no futuro, né? Então, acredito sim. que tem uma diferença, entre uma diferença alta, né? E quando a professora fala dessa questão ali de você ter oportunidade, é algo muito importante, ainda mais para essas pessoas em situação de vulnerabilidade. O EAD é importante para casos extremos, na minha opinião, para casos extremos, pessoas que não têm realmente uma oportunidade. Mas como eu falei aqui, é contraditório, né, professora, porque muitos cursos a gente não sabe nem de onde ele eles estão vindo. e uma pessoa humilde vai acabar querendo ter esse diploma, aprender e no final das contas ela tá sendo ou enganada ou não aprendendo nada. Tem aqueles cursos que são sérios sim, só que eles não têm a mesma entrega. Professora Márcia, como fica essa questão, né? Analisando o mesmo curso, mas tudo que eles oferecem, né? Essa discussão, ela é importante, pode existir ou existe uma disparidade quando nós falamos de estrutura, de atividades na prática? Uhum. Sem dúvida. Eh, há uma diferença muito grande quando, e vocês que são tão jovens podem testemunhar isso. Quando o jovem vai para um ensino superior, ele tem 18, 19 anos e ele vai ficar na sala de aula com um relacionamento social, interpessoal, com os seus professores, com o grupo de colegas e de amigos. eh, e ele vai se envolvendo com aquele conteúdo, com as disciplinas. Então, a possibilidade de aproveitamento daquele curso é muito maior do que aquele mesmo menino de 19 anos que trabalhou o dia todo, foi paraa sua casa e se ele tiver muito cansado, ele não vai conseguir abrir aquele computador. Mas suponhamos que assim mesmo ele consiga. Eh, ele começa a assistir a aula, a rede cai, ele religa, a rede volta. ele está solitariamente naquele naquela aula que ele pode ou não estar com um professor e um grupo, porque nós temos dentro da EAD diferentes modalidades. Nós temos o EAD que o estudante vai, ele tem aquele curso modular esperando por ele a para ser acionado online e ele faz quando ele puder ou quiser. E temos aqueles outros grupos que hoje eh se aplicam muito ao ensino na pós-graduação, onde as aulas são online e na presença do professor e do grupo da sala de aula. Então elas têm um horário para começar, um horário para terminar, grupos de estudo, são divididas as turmas para fazerem trabalhos, são marcados os dias de prova e o professor está presente online. Eh, e então eles são modalidades diferentes. Agora voltando, imagine aquele menino que vai paraa sua casa e ele tem que se deparar com todas essas dificuldades. Ele não tem nenhuma atividade prática concreta onde ele encontre o professor, onde ele encontre os seus colegas. Sim, há cursos de EAD que há são semipresenciais. Ótimo, ele vai ter uma oportunidade, mas eles são em menor proporção do que a parte online desses cursos. Então, o que nós temos que avaliar como um todo, exatamente o que o vereador Vini colocou, eh, qual é a possibilidade de aproveitamento e quem são as classes mais favorecidas com esse modelo? Eu diria que não são os estudantes, são os donos dos cursos, os grandes empresários da educação, que tem um interesse gigante em vender esses cursos, porque eles são para eles, muito baratos, por outro lado, muito lucrativos e eles são eh bastante interessantes, porque eles dão a ideia para aquele trabalhador brasileiro que é o trabalhador dos seus 20 e poucos anos, que ele tá conseguindo fazer um bom curso de ensino superior e normalmente ele não está. Então, eh, não é o estudante que ganha, não é o menino trabalhador, o estudante que ganha, ele e ah, temos que levar em conta que ele deve estar fazendo, via de regra, ele está fazendo um grande sacrifício para pagar aquele curso, porque todos disseram para ele, é preciso num país emergente como o Brasil que você tenha um ensino superior. Agora, se não lhe é ofertado um ensino superior de qualidade, onde ele tem a possibilidade de ingresso, um curso gratuito, ele vai procurar o possível. E o possível é muito pouco diante do que ele merece. Nós sabemos que as classes que menos têm são as que mais precisam, então são elas que precisariam muito mais de um investimento sédio nacional para que esse menino possa ir para para pro ensino superior, frequentar, eh, ter os melhores professores, os maiores recursos, porque ele é que precisa mais. Quem tem mais, economicamente falando, ele consegue dar jeito naquilo, ele consegue dar conta, ele vai pro exterior e faz um curso lá. Agora, os que mais precisam no nosso país são os que menos têm. Então, o EAD não contribui paraa mudança desse cenário, não contribui pra mudança desse perfil. Por isso que nós temos tantos meninos e meninas que terminam um curso em EAD, eles têm um diploma, mas o diploma pode até capacitá-los para um ingresso num determinado mercado de trabalho, mas não para permanência, porque quando eles vão competir, quando eles vão estar lado ao lado com outro que teve a oportunidade de um excelente curso presencial, ele perde. não é porque ele é menos capaz, é porque ele teve menos possibilidade de conhecimento, foi dado a ele menos do que ele merecia, então ele perde. E aí nós temos os tantos desempregados eh injustamente no país. No final, ela aprendeu 10%, né? Então a gente tem a prova viva na própria pandemia, quando todos os cursos estavam EAD, né? Pessoas que têm dificuldade de aprendizado, pessoas que têm déficit de atenção, tiveram notas muito abaixo do que o costume, né, presencial, do que elas tinham quando faziam o curso presencial. Tiveram uma nota muito melhor em queda livre. Então, a pessoa que faz um curso até gratuito, professora, ela acaba, maioria das vezes sendo influenciada a comprar no final desse curso alguns outros cursos. Então, no final das contas, ela prende 10% do que o necessário e aí entra no mercado de trabalho sem saber não vai ter permanência e vai se frustrar. Então isso faz mal até pra saúde dessa pessoa que consequentemente ela pode ter uma crise, entrar na depressão, porque ela acha que aprendeu, mas o final das contas ela não aprendeu. Nós costumamos dizer, V que esse é o momento onde a autoestima do estudante do do agora do jovem trabalhador vai no pro pé. Ou seja, ele acha que ele não é capaz, ele acha que ele está em desigualdade de condição ou porque ele não se esforçou. ou porque ele não é capaz, ou porque ele não investiu eh como devia e que o outro é melhor que ele, quando na verdade não é isso. As condições que foram dadas a ele é que são desiguais. Uhum. Né? E sim, e temos claro o outro caso que são os estudantes que optam por um ensino à distância e que tem uma imaturidade emocional para que ele, é por isso que eu volto a dizer da diferença desse modelo para a pós-graduação, que hoje se aplica muito bem, mas na graduação nós ainda temos temos problemas muito sérios a enfrentar e e eu não sei se nós chegaremos à conclusão que há possibilidade do EAD na graduação. Por quê? Porque eu olho para nosso país, um país que precisa de forças produtivas muito bem treinadas, qualificadas, formadas, um país emergente, como eu já disse, um país que precisa eh se solidificar enquanto nação diante de outros países, eh, e que tem como pilar, isso é mundial, que a educação é que prepara seu povo para esse passo além, a educação de distância não contribui Debate importantíssimo, com muitas informações. Não sai daí. A gente vai fazer um rápido intervalo e tem muito mais. [Música] Voltamos com o programa Questão de Ordem. Hoje falando sobre a expansão do EAD. Professora Márcia, qual que é a infraestrutura mínima exigida para os polos de EAD? Que que precisa ter? Uma sala de coordenação, um ambiente para estudantes? Como é que a gente chega neste modelo que está se popularizando no nosso país, mas que precisa ter um mínimo para em alguns momentos também receber esses alunos? Uhum. Eh, esse modelo eh, se ele recebe os alunos, ele é um modelo híbrido. Uhum. ele tem uma parte presencial e essa parte presencial nós conhecemos bem uma sala de aula, um professor, eh laboratórios, etc. E tem a parte eh a distância online. Essa parte a distância preciso que se esclareça muito bem. Se ela vai existir, é preciso que ela parta de um eh sistema muito bem estruturado, onde você possa através eh desse sistema, desse programa, melhor dizendo, eh saber quais são os alunos que estão, o que cada um dos alunos conseguiu eh estudar, ler, eh qual é o a qualificação do professor que vai estar nessa aula eh online com os alunos. qual o tipo de conteúdo que será abordado com eles, qual o currículo que esse curso de IAD, então não é simplesmente eu vou dar um conteúdo em EAD, é preciso toda uma estrutura que justifique eh e que eh garanta o aprendizado desse estudante, né? Eh, e claro, a tecnologia ela é uma aliada, mas ela não resolve tudo. Se você não tiver um bom programa, um bom eh currículo, bom, um uma boa eh infraestrutura, melhor dizendo, e você citou muito bem, um coordenador pedagógico, um orientador educacional, nós não conseguimos minimamente nenhum resultado. E há, claro, outro que é integralmente o outro modelo integralmente à distância. E aí o aluno recebe, entre aspas, um pacote e ele vai, o dia que ele puder, quiser, ele vai a acionar aquilo, a olhar, ler e ele vai provavelmente fazer uma prova e tem uma data para entrega. Só que não há nenhum acompanhamento. Esse tipo de curso que existe em grande quantidade, infelizmente, ele é absolutamente desnecessário e ele não contribui com o aprendizado do dos estudantes. Vine, uma alternativa pode ser esse semipresencial, até para você ter uma relação mais entre aluno com aluno e aluno com o professor diante dessa estrutura mínima exigida? Eu acredito que sim, mas a professora ela falou tudo nessa parte eh que você vai fazer o curso em casa, né? Você vai fazer como funciona isso? Você vai fazer pelo celular, eh vai ter um vídeo gravado de qualquer como que funciona isso, essa estrutura, essa influência, como que é isso? Como que funciona? Porque hoje, infelizmente, o EAD tem a maior taxa de evasão, né? Tem uma taxa de desistência muito maior do que cursos presenciais. e o aluno, por si só, ele já perde essa experiência, essa vivência acadêmica e universitária. Então, ele precisa de um ambiente totalmente eh contundente, eficiente, para que ele possa cursar de forma objetiva. Então, a professora diz tudo, a gente precisa de uma estrutura qualificada para que esse aluno, mesmo que ali à distância, ele possa prender de casa e de forma presencial ele vai ter essa estrutura. Só que longe dali, como é que funciona isso? Será que isso vai ser prejudicial? Será que isso vai fazer a diferença? Será que faz a diferença? Ao meu ver, faz. Uhum. Professora Márcia, lembro que em maio deste ano, o Ministério da Educação, junto com o presidente da República, eles assinaram o decreto da nova política de educação à distância. As graduações de medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia deverão ser ofertadas exclusivamente no formato presencial. Como é que enxergou esta decisão? Muito melhor do que o que nós tínhamos antes. Eh, custávamos acreditar que pudéssemos ter curso na área de saúde totalmente à distância, não é? Então, claro, o os alunos que já estão matriculados, eles têm o direito garantido, eles irão terminar os seus cursos no mesmo modelo que ingressaram. Então, nós temos aí algumas turmas que ainda vão 4 a 5 anos nesse modelo, né, porque eles têm direito garantido do do seu ingresso. Agora, evidentemente que nós não estamos no ideal, que é todo a todos os cursos presenciais. eh, preferencialmente públicos para que as pessoas tenham acesso a ele. Mas essa a deliberação de maio, ela já contribui muito, ou seja, há cursos que não tem a menor chance e quem sabe a partir da experiência com essa tomada de decisão, nós possamos ter outros cursos que também necessitam serem presenciais. que também possam vir a ser. Então, há aí uma esperança, né? Eh, eu imagino que um curso, por exemplo, eh, o próprio curso de formação de professores, como é que você trabalha um um estudante no primeiro ano de graduação, eh, ou segundo ano de graduação, sem que ele vá para uma escola, sem que ele vá olhar o que é um agrupamento de crianças, sem que ele veja o que é um ambiente de uma educação infantil, por exemplo. Como sai esse professor que fez um curso exclusivamente em EAD como ele entra numa sala de aula? Uhum. Completamente despreparado. Por quê? a não ser que ele tenha tido outras oportunidades familiares, eh ele não vai eh ter a segurança suficiente para que ele possa ser um professor que vá formar um sujeito para todas as profissões. Então, quando nós olhamos para trás e imaginamos que todas as profissões precisam de um professor, nós dizemos: "Como é que o curso que forma um professor, seja pra educação infantil, pra pós-graduação, pro ensino médio, pro fundamental, como este sujeito vai ser formado em EAD, se é ele que precisa de uma qualificação gigante para formar todos os demais profissionais. Eu posso falar até da minha formação, né? Eu sou publicitário e na época da pandemia eu fiz o o EAD e antes eu não fazia o EAD, eu fazia o curso presencial. E é uma diferença gigantesca, né? você na publicidade, você tem vários caminhos e você tem vários eh é muito complexo. Então, você vai, por exemplo, fazer uma uma arte gráfica, né, um design gráfico. Você fazendo isso de forma presencial, você tem acompanhamento do professor, você consegue apresentar isso de forma imediata ao professor, você consegue notar a diferença, você tem entrega agora de casa, você não tem o mesmo acompanhamento do professor para vocêar aquilo para você ser criativo na sua ideia. no seu desenvolvimento, não é a mesma coisa. Em várias outras áreas ali da própria publicidade, da minha própria formação. Agora você pega medicina, por exemplo, que agora é obrigatório o curso presencial da medicina, eu falo por mim e aí eu devolvo essa pergunta paraa população. Eu não tenho confiança alguma em fazer, por exemplo, uma cirurgia cardiovascular com alguém que se formou em EAD. Eu não consigo, né? É, é a minha é a minha posição. Agora eu devolvo essa pergunta pra população, se a população teria essa tranquilidade, esse conforto e fazer uma cirurgia com alguém que se formou em AD para mexer no seu coração, né? Um órgão tão sensível. Então eu não tenho essa confiança. Eu acredito que tem cursos que são mais tranquilos. Eu acredito que tenham cursos que são mais eh tranquilos de você levar, né, no EAD, ainda mais pessoas, por exemplo, que moram, como eu falei no começo, em áreas de situação de vulnerabilidade. A gente precisa trabalhar isso e bem como eu conversei com a professora, entregar estrutura, estruturar tudo isso, poder público, fazer a diferença na vida dessa pessoa para que ela tenha aprendizado de verdade, para ela que ela consiga um curso eficiente, um curso bom e de forma presencial para que ela consiga no futuro fazer diferença também na vida de outras pessoas. Porque, infelizmente, do jeito que tá, ela acha que aprendeu no final das contas não aprendeu nada. Ô, Márcia, título de curiosidade na sua resposta, né, quando você tava falando do professor, né, que tá nesse ambiente da teoria e quando vai paraa prática é muito diferente, né, eh, me veio um questionamento diferente, mas numa linha até similar assim, muda a formação do professor que vai dar aula EAD e daquele professor que prepara a aula presencial. é diferente para o professor. São duas aulas diferentes. São duas aulas diferentes. Eh, o professor em AD, ele tem que ser um sujeito muito motivado e ele tem que ter técnicas e experiências de motivação muito grandes. Por quê? Porque é muito fácil desligar uma câmera e sair da sala, não é? Então, claro que na sala presencial você também tem isso, o estudante que levanta e sai da sala, mas é muito mais fácil se desligar do conteúdo do momento quando ele é em EAD do que o presencial. Então, o professor precisa ser muito motivador, ele precisa ou o estudante tem que ter eh links motivacionais, particulares, pessoais, para poder resistir a todo o seu cansaço ou a toda a sua desmotivação. E eu gostaria de abordar uma outra questão aqui que me parece muito importante, que o vereador Vini passou por ela e acho que nós temos que recuperar. Nós estamos falando até agora de conteúdos, mas o conhecimento ele vai além do conteúdo. O conhecimento ele é adquirido no ambiente, ele é adquirido nas relações interpessoais, ele é adquirido quando o estudante vai até a biblioteca, quando ele conversa com um colega que tá sentado na mesa da biblioteca e indica para ele um livro bom para ajudar determinada disciplina. Ele é, o conhecimento é adquirido quando ele vai lá no no camp ou eh no pátio da faculdade assistir um jograu, uma peça de teatro, um conserto, quando ele vai e encontra o professor na cantina da escola. Todas essa, todos esses ambientes, eles são de aquisição de conhecimento. É por isso que nós falamos da importância da universidade, que é a universalização do ensino, que sai só daquele conteúdo específico que é importante também, mas ele não é único. Então, quando nós falamos em EAD, nós estamos subtraindo, retirando do cidadão o direito a uma forma de aprendizado extremamente importante, extremamente forte para consolidá-lo como profissional no futuro. Professor, essa questão da biblioteca, se a gente puxar essa questão da biblioteca, eh, com a diminuição da procura, com a diminuição do curso presencial, será que essa biblioteca, por exemplo, vai ter a mesma estrutura, vai ter o mesmo investimento ou ou não, né? Então, eu acredito que não. Acredito que essa biblioteca não tem o mesmo investimento, o financiamento com essa diminuição, né? Então, a gente perde, as universidades perdem com isso, né? Exato. E imagine que um curso de ED ele vai atender muitos estudantes que não têm a possibilidade de se deslocarem, então eles vão fazer no seu espaço. Eh, esse mesmo estudante, se ele não tem possibilidade de ir pro local da aula, ele não tem possibilidade para pra biblioteca, né? Então, o primeiro lugar que ele abandona é a biblioteca. Será que esse aluno vai estar motivado, né, professora? Porque por mais que ele procure esse curso, será que ele não vai acordar 5, 6 horas da manhã para fazer o curso e já ir direto no no no celular só para não perder a hora do curso? Será que ele vai estar motivado mesmo? por mais que ele queira esse curso eh EAD, às vezes ele quer esse curso EAD pro próprio mercado de trabalho, realmente, mas ele não tem que querer o curso só pro mercado de trabalho, ele tem que querer o curso pro futuro dele, pro futuro do mundo, para querer fazer realmente a diferença na vida das pessoas e na vida dele, né? Para ter uma trajetória, para ter um currículo. E ele só vai conseguir isso fazendo um curso de qualidade. Uhum. Esse é o problema, né? a facilidade que ele tem para ir para outros caminhos, porque a distância vai ser o impeditivo. Nem o caminho mais fácil, nem sempre o caminho mais fácil ou melhor, né? Exatamente. Ô vereador Vini, sobre o rendimento dos alunos agora, né? O ENAD, que é o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, mostrou que em determinados cursos havia um impacto negativo no desempenho dos estudantes de EAD e até cursos com notas baixas na avaliação do MEC. Essa é uma preocupação do IAD facilitar o surgimento de instituições e aí consequentemente fica difícil de realizar vistorias e um acompanhamento. Não é uma preocupação fortíssima, né? Como eu disse aqui, alunos que têm dificuldade do aprendizado, né? alunos que têm esse déficit de atenção, alunos que não conseguem aprender como outros alunos por conta dessa dificuldade, eles vão, obviamente e naturalmente ter notas menores. E outros alunos que têm maior facilidade, só que mesmo assim não possuem a estrutura adequada ou a motivação adequada, vão ter suas notas também despencando. entram em um curso EAD, achando que vão ter um desenvolvimento melhor, achando que vão eh ter esse alavanque eh de forma proposital em suas vidas, querendo entrar num curso à distância, mas no final das contas teriam muito mais retorno e muito mais resultado num curso presencial. Agora é que eu falei aqui, muitas das vezes a pessoa mora muito longe, a pessoa não tem essa oportunidade e acaba optando por um curso à distância. Mas será que essa pessoa, se ela não começasse um curso presencial, tivesse uma atividade acadêmica, né, essa vivência acadêmica, será que ela não iria preferir, né, o curso presencial, acostumando com esse curso presencial e vendo na prática que esse curso presencial é realmente melhor? Será que ela não teria esse conhecimento? Eu acredito que vai ter sim esse conhecimento, mas para isso o poder público precisa entregar isso para essa pessoa. Essa pessoa não vai ter isso caindo do céu. O poder público precisa entregar, poder público precisa fazer a parte dele para realmente fazer a diferença na vida dessa pessoa. Uhum. Professora, menos de 1% dos cursos de EAD, eles alcançaram a nota máxima no ENAD. Apenas nove das 623 graduações em AD alcançaram a nota máxima. mais da metade obteve o conceito um e dois, que é considerado insatisfatório pelo MEC, que é avaliação que dá para fazer. A que nós temos dito desde o início dessa nossa conversa, o EAD é bastante temerário num país como o nosso e olhando EAD na graduação, mais temerário ainda. Nós podemos falar, por exemplo, rapidamente da pós-graduação, onde as pessoas que frequentam, elas têm uma média de idade de 40, 45 anos, elas têm cursos específicos, né? Eu conheço, por exemplo, alguém na minha família que hoje faz um curso em pós-graduação em EAD de inteligência artificial aplicada ao poder judiciário. Extremamente interessante. E tem lá o grupo, cada um de um lugar do Brasil, horário de início, um os professores muito bons, horário de término, horário de intervalo, data dos trabalhos em grupos, salas divididas em grupos para apresentação dos trabalhos. Ou seja, tanto o curso se propõe a ensinar de verdade, quanto esse estudante com essa maturidade, com toda a experiência da educação básica, do ensino superior, ele vai fazer uma pós-graduação para complementar o que ele teve presencialmente. Então isso dá muito certo e é esse é um modelo que pode ser tranquilamente aplicado ao Brasil. Agora, quando eu trago todo esse perfil do estudante para a graduação, ele se modifica. Não é um sujeito com 45 anos, com toda aquela vivência, ele vai fazer um ensino de graduação, muitas vezes dizendo, será que eu vou gostar na pressão social, né? Chegar 18, 19 anos. E aí, que que eu faço da vida? Exatamente. Então você vê que é um público completamente diferente eh nas suas características e emocionais de personalidade. Então, a na voltando, o EAD na graduação, ele não tem se mostrado um modelo eh importante para o conhecimento dessa população. E o que eu acho importante a gente dizer que o aluno eh quando ele se matricula num curso em EAD, ele tem o direito, quase que o dever com ele mesmo de saber o que vai ser oferecido para ele, porque de alguma forma ele vai estar investindo financeiramente. Será que hoje é passado para esse aluno, né? Exatamente. Quantos módulos, quais são os conteúdos, qual o projeto pedagógico desse curso de AD, porque ele precisa ter tal qual o presencial, qual é o currículo desse curso, quem serão os professores e qual a formação dos professores que estarão com ele eh online. Então, o aluno ele tem o direito de saber tudo isso e de decidir. Agora, eu entendo também que nós temos o outro lado. Muitas vezes ele vai se sujeitar a um curso questionável porque ele não tem outra opção. Então o feedback, aonde estão os alunos hoje que fizeram esse curso, aonde eles estão, quais empresas, né, em quais multinacionais, aonde eles estão trabalhando hoje, os alunos que fizeram esse curso. A gente pode pegar, professor, o projeto aqui, eh, que foi apresentado da feira de ciências, né, nas escolas. você são cursos, são conteúdos que obrigatoriamente, na minha opinião, deviam ser no mínimo semipresenciais presencial e hoje, infelizmente, são feitos e a puro. Como a pessoa vai fazer um experimento científico em casa. Uhum. Como essa pessoa vai fazer um experimento científico em casa? É impossível. Não tem como, queria muito entender hoje como funciona isso, né? Então, a professora foi totalmente certeira nas palavras da Uhum. Nós já estamos nos encaminhando aí para pra reta final do nosso programa, que programa bom é assim, programa com muitas informações, mas passa rápido também. Eh, Márcia e Vine, mas então como que a gente, não sei se muda essa situação, mas como que a gente melhora, porque eu acho que tá imposto isso aí, né? O EAD provavelmente veio para ficar. Talvez seja uma questão como o Vini Oliveira disse que na pandemia isso se intensificou porque era um modelo que precisava ser adotado. A gente não tinha mais o presencial. optamos pelo online e aí às vezes, da mesma maneira que as empresas optaram pelo eh trabalho à distância e hoje em dia permanecem, algumas instituições viram no modelo de negócio, como você disse também, Márci, a oportunidade de ganhar dinheiro e de oferecer o ensino, de oferecer a educação. que a gente tá questionando aqui é essa qualidade, não, que é perigoso porque hoje eh existem cursos que são eh entregues por instituições duvidosas que não são universidades, né, que são eh como eu posso dizer, entregues por pessoas duvidosas, né? Será que as pessoas, na verdade, que entregam esses cursos querem realmente ensinar, querem educar, querem levar os alunos pro mercado de trabalho, entregar um projeto de futuro para esses alunos? pro brasileiro geral ou será que eles só querem enriquecer nas custas desses alunos, na inocência desses alunos, das pessoas mais humildes, né? Fica o questionamento. Mas daí entra também a responsabilização, porque como que a gente melhora essa situação? Vai caber a quem melhorar a qualidade deste ensino? é do MEC, a responsabilidade é dele de fazer uma análise, de entender quais são essas instituições e aumentar o crio, o obstáculo para essas empresas alcançarem isso. Eh, melhorar esse acesso à informação dos alunos para poder procurar uma instituição que tenha um selo de qualidade. Como é que a gente melhora essa questão? Porque hoje tá aqui 50,7%, a maioria está em EAD. Como que a gente melhora este ensino no Brasil? Eh, eu acho que há várias ações que podem ser implantadas. A primeira delas, eh, já se discutiu intensamente que o curso em AD completamente, eh, sem nenhuma assessoria para esse estudante, ele tem chances muito pequenas. Nós temos o híbrido e quando nós temos o híbrido, minimamente o estudante vai ter acesso a uma parte do cenário do presencial. Então, se hoje nós não temos outra saída, que seja algo em que o estudante não esteja completamente abandonado e que ele tenha uma assessoria presencial, eh, eu tive uma experiência muitos anos atrás, na década de 90, de fazer algumas avaliações em loco e ir por esse Brasil afora, pegar a bolé de caminhão e ir pro sertão, ir lá embaixo naquele em regiões muito inóspitas e que você via lá uma uma escolinha pequena, o professor, os alunos eram ensino superior, sempre ensino superior. Mas o que nós tínhamos, via de regra, um polo instalado com eh no máximo 2 horas de distância do estudante. Alguns iam de carrocinha, sim, mas chegavam, tá? Então o que eles faziam aos sábados eles tinham aquele polo como referência. uma vez por mês, eles tinham uma atividade importantíssima no sábado e no domingo. Então, eh é uma um uma possibilidade muito importante. É uma possibilidade que pode ser implantada no curso híbrido, ou seja, o estudante vai ter um polo a quem ele possa recorrer e que não seja a 8 horas de distância. Quando o vereador fala dessas populações, eu me lembro muito das populações ribeirinhas que pegam barcos e andam 10, 12 eh horas para chegar num centro eh para poder ter acesso à alimentação, etc. Então o que nós temos que ter é o compromisso. Isso cabe à gestão pública. É o E e eu volto a dizer as três esferas da gestão pública, federal, estadual e municipal, cada uma precisa ter o seu grau de responsabilização e responsabilidade em cumprir o que foi acordado. E o essa é uma saída, os polos que podem ser implantados próximos a 2 horas. de cada uma dessas localidades. Eh, essa é uma alternativa. A outra alternativa é que os estudantes tenham mais informações para saber quando eles estão ou não sendo enganados. E isso cabe a todos nós. É preciso um grande esforço, porque nós temos o lado contrário dos vendedores dos cursos que não querem eh fornecer esses dados. Terceiro ponto, eh, quando você diz cabe ao MEC, cabe, cabe ao MEC iluminado pelos dados que o INEP trabalha, fazendo todas essas avaliações, essas planilhas e eh mostrando esses dados tão importantes e que ações partam do MEC depois desse fornecimento dos dados. Então, é preciso cobrar do poder público. E e eu diria, o nosso país é muito rico. Falta coragem para investir em educação, entendendo que não é submetendo um povo, dominando um povo, retirando dele a educação que lhe é de direito, é que você fará um país melhor. É o oposto. países mais desenvolvidos e bonitos do mundo sob o ponto de vista humano de nação, investiram fortemente em educação. É aquele que tem o seu povo conhecedor, esclarecido, eh um povo com projeto de humanidade. Então, esse medo de investir em educação pra população ficar esclarecida, que lamentavelmente as gestões têm, precisa ser desmontado, porque senão nós vamos ter sempre pequenas ações retirando do povo seu direito de saber. E o saber é uma coisa maravilhosa. O saber é algo que ninguém tira de nós. Saber é uma coisa muito boa, não é? E você precisa dar ao povo esse saber. Eu já quero saber do Vini também, mas antes a gente tá muito distante deste ideal, professora, dessa sua resposta. Depende da vontade política. Quando eu falo política, está no projeto de nação que nós temos e que eh está nas mãos do poder legislativo, executivo e até mesmo do judiciário de concretizar esse projeto de nação. Se nós tivermos vontade política para construir uma nação que parta da educação como seu pilar, nós não estamos falando só de ideal, nós estamos falando de uma realidade possível que não demorará muito. Será que o oposto é verdade. Será que a política olha pro futuro dos nossos jovens na educação, né? Então, quando a professora Márcia fala da importância da das três esferas visarem esse tipo de situação, ela tá certíssima. Ela tá certíssima. Eu fico até sem palavra. Ela fez um apanhado geral, mas por parte do MEC, a fiscalização, por parte do governo federal, os recursos, a sanção, igual aqui com o prefeito junto com os decretos e por parte do poder legislativo, tanto os deputados federais, deputados estaduais, eh vereadores, de propor leis, de votar leis que são importantes paraa população no quesito educação, educação dos nossos jovens. educação do também dos nossos adultos que hoje fazem, né, os cursos à distância, que hoje querem aprender, que hoje tem essa vontade de aprender, idosos que querem aprender toda a população. A gente precisa olhar paraa educação. Antigamente, né, professora, a gente falava muito da educação e achava que só se tratava de criança, só se tratava dos jovens. Uhum. Se trata sim, mas também do adulto. Uhum. Né, do idoso hoje que também quer aprender. Por que não? Todo mundo tem o direito de saber, né, professora? Como você falou, do direito de saber, todo mundo tem esse direito. É bonito, sim. Então a gente precisa sim fomentar tudo isso, investir na educação de qualidade. Infelizmente, na minha opinião, do jeito que tá, o curso à distância precisa ser melhorado muito. A gente precisa mudar muita coisa nisso aí, porque o futuro da nossa educação tá nisso aí, tá no novo. Só que será que o novo, do jeito que tá, vai fazer a diferença na vida desses jovens ou será que a gente precisa mudar muita coisa dentro disso? Existe hoje uma plataforma do governo que mostra, que apresenta, que entrega e esses cursos que são confiáveis, esses cursos que dão resultado, esses cursos que são bem direcionados, esses cursos que têm um feedback positivo, que mostram onde os alunos estão hoje. Existe essa plataforma hoje? que hoje o que me parece é uma bagunça. Qualquer um hoje pode pegar e criar um curso à distância e começar a vender este curso a distância como se fosse totalmente eh como se tivesse total credibilidade, ao contrário de uma universidade que tem curso de credibilidade que precisa do amparo do poder público. Será que a gente tem isso hoje? Não tem. A gente precisa ter um olhar muito atento a isso. Ô Vine, essa parte mais difícil quando envolve política, exercer a comunicação, governo federal, governo estadual, governo municipal para que chegue até a população? Falta vontade. Eu enxergo que falta a vontade, eu concordo com a professora. Falta a vontade de muita gente, né? Eu acredito que construindo esse laço, né? Então o vereador, por exemplo, hoje é o primeiro contato da população com o poder público, só que a gente tá aqui, acima da gente tem o prefeito, acima da gente tem deputado estadual, deputado federal, né, os ministérios, presidente. Então, eh, em conjunto, todos eles, dependente do lado, dependente de ideologia, olhando paraa educação, acredito que a gente vai ter um futuro melhor pra nossa população. Professora Márcia Malavzi, professora de educação, atualmente docente da Universidade Estadual de Campinas, pesquisadora junto ao laboratório de avaliação da Unicamp, desenvolve pesquisa na área de avaliação institucional, mais especificamente sobre a relação família à escola, professora aposentada, convidada. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir até o nosso estúdio falar sobre este tema, sobre a expansão do EAD. Tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador, para quem está nos acompanhando, já faça um novo convite paraa senhora retornar aos nossos estúdios e fica aberto as suas considerações finais. Eh, eu agradeço. O convite é sempre muito bom e me parece que nós precisamos ser incansáveis, né? Nós precisamos persistir, precisamos falar, informar, contar, sugerir. Eh, nós não podemos desistir. O nós o nosso país é um país de muito futuro, é um país com potencial gigantesco. Então, é e uma população eh com muita vontade. Então, eh, eu vejo que nós precisamos cobrar, inclusive do poder público que essas ações sejam feitas, porque há alternativas e essas alternativas são possíveis. Eh, eh, eu vejo que falar sobre isso e sobre outros assuntos que estão ligados à educação é sempre muito importante. E quanto mais nós fomos avançando nesse sentido, mais alternativas e mais possibilidades vão surgindo. E é importante que a população saiba que ela precisa interagir com esse poder público, ela precisa cobrar, ela precisa falar, ela precisa denunciar cursos ou ah questões, né, da por quê? Porque é assim que nós vamos avançando. Nós não podemos ficar parados esperando que naturalmente as coisas mudam, elas não mudarão. É preciso que a população se envolva. E hoje nós estamos vendo cada vez mais isso. Quando a população se mobiliza por determinadas causas, eh muita os resultados costumam ser eh efetivos, né? E hoje, como o vereador também disse, nós precisamos, lamentavelmente, vivemos um momento muito delicado nacional e até mundial, mas nós precisamos olhar onde estão as possibilidades de transformação para melhor e elas não estão nessa disputa, nessa ideologização, eh nessa elas estão na no investimento que se fará no povo para ele se transformar. numa nação. O que é uma nação? É um povo que tem um projeto de país para ele e pro seu grupo. Então é isso que nós precisamos. Eu agradeço novamente e gostaria, me coloco à disposição sempre, claro, e gostaria muito que esse assunto sempre estivesse em pauta para nós podermos acompanhar o que será feito a partir dessa ação eh dessa decisão de maio. Uhum. como ficarão esses cursos e os outros como é que eles estarão? Compromisso firmado. Este assunto retornará aqui na TV Câmara Campinas pelo programa Questão de Ordem. Vereador Vine Oliveira, muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo. Sei que você tem outras reuniões também, mas agradeço o tempo que você destinou aqui ao programa Questão de Ordem. Tenho certeza que de grande valia também pro nosso telespectador os exemplos que você deu, as informações que foram passadas aqui, já faço um novo convite pro senhor também retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Eu que agradeço. Muito feliz de estar ao seu lado, viu, professora? Muito feliz aqui de ser recebido sempre pela TV Câmara, pelos servidores aqui da casa. E a gente, acredito que a gente conseguiu aqui fazer um um debate muito produtivo, um ampanhado geral aqui, né? uma avaliação, uma pequena avaliação de caso das coisas que são importantes pro estudo, paraa educação e fica firmado o nosso compromisso com a população, principalmente por parte da professora, que fez, tenho certeza, a diferença na vida de muitos jovens e de muitos alunos, que sirva de exemplo e estamos à disposição de todo mundo aí. Espero que a gente tenha feito a diferença também aí para você, que você saia diferente, que a gente tenha te provocado para você ir atrás e procurar mais sobre o assunto e estudar. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Até semana que vem. Ciao. Ciao. [Música] Olá, [Música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai debater a expansão do ensino à distância no Brasil. De acordo com o senso da educação superior 2024, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Anísio Teixeira, o INEP, o Brasil atingiu, pela primeira vez a marca 10.227.000 estudantes no ensino superior, mais da metade, 50,7% inscritos na graduação em educação à distância, o EAD. Então, quais são os benefícios deste modelo de ensino e as desvantagens? Será que todos os cursos podem ser EAD? Bom, para discutir sobre educação, eu recebo aqui no estúdio o vereador Vini Oliveira, que está no primeiro mandato, mas tem projetos para a área da educação, como da criação do programa municipal Jovem Cientista, destinado a fomentar talentos em ciência, tecnologia e inovação em Campinas. e participa aqui do programa Questão de Ordem também, eh, a Márcia Malavasi, ela que é atualmente professora, aposentada e também é docente da Universidade Estadual de Campinas, pesquisadora junto ao laboratório de avaliação da Unicamp, desenvolve pesquisa na área também eh de avaliação institucional, especificamente na relação família, escola. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Vine Oliveira, começo com o senhor, né? Primeiro, de que maneira o senhor analisa este dado, né? O Brasil tem mais alunos em cursos à distância em relação ao presencial? Se compararmos 2023 a 2024 no EAD, nós tivemos um aumento de 5,6%. No mesmo período, nos cursos presenciais, uma diminuição de 05%. Seja bem-vindo ao programa Questão de Hório. Obrigado. Boa tarde. É sempre bom táar presente aqui na nas gravações da TV Câmara. A todos os que nos assistem, professora, uma honra receber a senhora aqui na Câmara Municipal e a todos os servidores aqui dessa casa. Eu acredito que a questão do EAD a gente pode dividir ali em duas vertentes, né? as situações positivas e as situações negativas, né, do EAD, como por exemplo, algo positivo, a gente pode enxergar, acredito que eh a professora pode ter uma opinião parecida com a minha ou eh alguns adiedos na flexibilidade, né? Acredito que aquela pessoa que trabalha, aquela pessoa que precisa cuidar de sua filha, de seu filho ou que tenha uma pessoa acamada em casa, ela não tem tempo, ela não tem eh oportunidade ou possibilidade de fazer um curso presencial, né? Por exemplo, o exemplo da minha da minha irmã que mora numa cidade muito longe daqui e a universidade mais próxima fica a 3 horas de distância. Ela precisa pegar um fretado, ela precisa pegar um transporte. para ir até o curso, ela opta por fazer um EAD. Hum. Ao mesmo tempo que o EAD, se você pegar áreas em situação de vulnerabilidade, pessoas que moram em área de su situação de vulnerabilidade, essas pessoas talvez não tenham a mesma estrutura de estudo, né? Tenham poucos cômodos na casa ou não tem a mesma tecnologia, o computador, celular, não tem um amparo. Como é que essa pessoa vai ter uma estrutura? para uma boa formação, né? Qual a credibilidade que os empregadores vão ter ao contratar essa pessoa? Acredito que o o EAD, dependendo pode tirar até o financiamento de universidade, né? pode tirar o investimento de universidade e o empregador na hora que for contratar, por exemplo, essa pessoa que tá fazendo esse curso em ADI, que não tem essa estrutura, como ele vai enxergar isso, essa esse mérito do diploma, se é pela quantidade ou se é pela qualidade? Por isso que eu acredito que nós, como poder público, precisamos investir na educação e na vida dessas pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, pessoas carentes, para que elas tenham essa oportunidade de estudo em boas universidades, fazer bons cursos. Eu enxergo assim, acredito que o EAD tem seus pontos positivos e seus pontos negativos, né? ao mesmo tempo que a gente pega, por exemplo, essa questão da pessoa que não tem eh recurso, que não tem estrutura para estudo, eh o EAD alcança, né? Então, o EAD vai alcançar pessoas mais distantes, vai alcançar pessoas que estão em lugares afastados, vai dar oportunidade a essas pessoas. Então, a gente tem que colocar isso tudo na balança, entender se o EAB faz, se o EAD faz eh traz mais benefícios à população ou se é mais prejudicial. a educação dos nossos adolescentes, a educação dos nossos jovens e até dos nossos adultos. Aí, professora Márcia Malavase, porque no Brasil nós temos este aumento, né? Tem a ver com este acesso à tecnologia, nossa rotina louca de trabalho, de afazeres, o EAD dá essa certa mobilidade, tem a questão financeira. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Eh, boa tarde. Eh, obrigada pelo convite. É um prazer conversar com vocês, especialmente de um tema tão atual, tão contraditório e tão importante ao mesmo tempo. Eh, eu penso que o vereador Vini já abordou dois aspectos bastante importantes, que são sim contraditórios, como eu já disse, mas que precisam ser levados em conta quando nós tratamos do tema de EAD. Eh, me parece não há como nós não voltarmos um pouco em outros níveis de ensino. Me parece que o Brasil conseguiu democratizar o seu ensino, eh, zerar o analfabetismo, colocar todos na escola, na educação básica. Evidentemente que nós não estamos falando da qualidade, mas nós estamos falando da entrada de todas as crianças e jovens na escola. Isso é um ganho nacional. Agora, quando nós falamos do ensino superior e já olhamos um ensino superior que supera o ensino presencial, nós estamos diante de uma temeridade. Parece que em um país tão empobrecido como como nós ao mesmo tempo com tantas potencialidades como nosso. Investir tanto, autorizar tanto, não a abrir outras frentes presenciais, ah, é muito perigoso. Por quê? Se por um lado nós falamos do EAD, que ele alcança longas distâncias, pessoas que não podem vir a determinados centros ou polos, por outro, nós podemos dizer que isso é uma democratização do ensino. Por outro lado, nós temos que dizer também que é uma discriminação do ensino, por você tem pessoas que vão fazer um curso em AD eh no seu celular, não no computador. Eles vão fazer com uma rede muito ruim. Portanto, do 100% da do curso ou da aula do dia, ele vai conseguir ouvir 10%. Isso discrimina, porque alguém está no presencial e ele só está tendo oportunidade de ouvir 10% da aula do dia. Ou seja, se nós democratizamos também discriminamos. Então, de novo, as classes menos favorecidas, a pobreza nacional vai sendo deixada de lado no campo educacional. Isso é muito ruim. Então, o que nós precisaríamos? precisaríamos de um investimento em massa, eh, e que fosse com uma gestão de qualidade, tanto no âmbito municipal, como no estadual, como no federal, para que as pessoas tivessem acesso ao ensino presencial de qualidade na a nas graduações. Evidentemente que nós temos algumas ações que foram tomadas recentemente pelo MEC, eh, com indução dos dados fornecidos pelo INEP e que a ajudaram em parte alguns cursos. Então, nós temos hoje um impedimento de novos cursos na área de saúde, serem eh por EAD ou alguns precisam ter 20% da sua carga obrigatoriamente presencial. Enfim, são pequenas ações que mostram uma ligeira melhora. Agora, imaginarmos que o ensino de graduação tenha mais da metade do seu público de graduação eh matriculado em EAD, é um temor. E não é difícil nós pensarmos numa comparação. Nós não temos que ter medo da comparação. Qualquer país desenvolvido do mundo que tenha uma alta pro eficiência no aprendizado, não tem esse índice de educação à distância. no nível de graduação, nós não estamos falando em pós-graduação, que aí é um outro departamento onde o EAD se aplica muito bem. Olha só, então, muitas informações pra gente poder abordar aqui, inclusive da nova política de EAD que a professora citou, foi assinado em maio pelo presidente Lula e já já nós vamos repercutir também porque exclui alguns cursos deste AD 100% online. Vereador Vine, comparando os dois modelos, né, tanto presencial quanto do EAD, de um mesmo curso, então de jornalismo, por exemplo, na PUC Campinas, instituição que eu cursei, nós tínhamos lá as salas de aula com os seus equipamentos, tinha uma lousa, tinha tela para exibição de documentários, de filmes, tinha laboratório de fotografia, máquinas fotográficas à disposição dos alunos, estúdio para programa de rádio. nós imprimimos um jornal impresso na nossa disciplina e no EAD fica um pouco comprometido essa parte prática, né? Como é que o senhor enxerga? Pode haver uma disparidade entre, comparando sempre, né, os mesmos cursos, entre os alunos que estão lá fazendo o jornalismo, que foi no meu exemplo no presencial, e um aluno que está no EAD sem essa parte prática? Tenho certeza. Você não tem o mesmo aprendizado, você não tem o mesmo desenvolvimento e você não vai ter a mesma entrega lá no futuro. É a mesma coisa, por exemplo, para um curso para medicina veterinária. Você vai levar seu pet, seu cachorro, seu gato para fazer uma cirurgia eh em com alguém que se formou em medicina veterinária por EAD. É complicado. Aí a gente tem que fazer uma avaliação, né? Será qual é esse curso? Qual foi o desenvolvimento desse curso? Isso é um curso sério, porque hoje, infelizmente, isso e tá muito generalizado, né? Isso se pulverizou muito. Então, infelizmente nós temos, claro, nós temos aqueles cursos que são cursos sérios, cursos competentes, que na minha opinião mesmo assim não tem aquela mesma eficiência do curso presencial. E, infelizmente, nós temos os cursos que não são sérios, os cursos que a gente não sabe nem de onde eles saem. E uma pessoa humilde de um bairro humilde, de uma família humilde, com aquela vontade de aprender, com aquela vontade de entregar, aquela vontade de ter um diploma, vai acabar fazendo esse curso que não tem credibilidade alguma, que não tem desenvolvimento algum e que no final das contas não vai ensinar o que precisa ser ensinado, né? A pessoa não vai aprender o que ela tem que aprender para poder entregar pra população no futuro, né? Então, acredito sim. que tem uma diferença, entre uma diferença alta, né? E quando a professora fala dessa questão ali de você ter oportunidade, é algo muito importante, ainda mais para essas pessoas em situação de vulnerabilidade. O EAD é importante para casos extremos, na minha opinião, para casos extremos, pessoas que não têm realmente uma oportunidade. Mas como eu falei aqui, é contraditório, né, professora, porque muitos cursos a gente não sabe nem de onde ele eles estão vindo. e uma pessoa humilde vai acabar querendo ter esse diploma, aprender e no final das contas ela tá sendo ou enganada ou não aprendendo nada. Tem aqueles cursos que são sérios sim, só que eles não têm a mesma entrega. Professora Márcia, como fica essa questão, né? Analisando o mesmo curso, mas tudo que eles oferecem, né? Essa discussão, ela é importante, pode existir ou existe uma disparidade quando nós falamos de estrutura, de atividades na prática? Uhum. Sem dúvida. Eh, há uma diferença muito grande quando, e vocês que são tão jovens podem testemunhar isso. Quando o jovem vai para um ensino superior, ele tem 18, 19 anos e ele vai ficar na sala de aula com um relacionamento social, interpessoal, com os seus professores, com o grupo de colegas e de amigos. eh, e ele vai se envolvendo com aquele conteúdo, com as disciplinas. Então, a possibilidade de aproveitamento daquele curso é muito maior do que aquele mesmo menino de 19 anos que trabalhou o dia todo, foi paraa sua casa e se ele tiver muito cansado, ele não vai conseguir abrir aquele computador. Mas suponhamos que assim mesmo ele consiga. Eh, ele começa a assistir a aula, a rede cai, ele religa, a rede volta. ele está solitariamente naquele naquela aula que ele pode ou não estar com um professor e um grupo, porque nós temos dentro da EAD diferentes modalidades. Nós temos o EAD que o estudante vai, ele tem aquele curso modular esperando por ele a para ser acionado online e ele faz quando ele puder ou quiser. E temos aqueles outros grupos que hoje eh se aplicam muito ao ensino na pós-graduação, onde as aulas são online e na presença do professor e do grupo da sala de aula. Então elas têm um horário para começar, um horário para terminar, grupos de estudo, são divididas as turmas para fazerem trabalhos, são marcados os dias de prova e o professor está presente online. Eh, e então eles são modalidades diferentes. Agora voltando, imagine aquele menino que vai paraa sua casa e ele tem que se deparar com todas essas dificuldades. Ele não tem nenhuma atividade prática concreta onde ele encontre o professor, onde ele encontre os seus colegas. Sim, há cursos de EAD que há são semipresenciais. Ótimo, ele vai ter uma oportunidade, mas eles são em menor proporção do que a parte online desses cursos. Então, o que nós temos que avaliar como um todo, exatamente o que o vereador Vini colocou, eh, qual é a possibilidade de aproveitamento e quem são as classes mais favorecidas com esse modelo? Eu diria que não são os estudantes, são os donos dos cursos, os grandes empresários da educação, que tem um interesse gigante em vender esses cursos, porque eles são para eles, muito baratos, por outro lado, muito lucrativos e eles são eh bastante interessantes, porque eles dão a ideia para aquele trabalhador brasileiro que é o trabalhador dos seus 20 e poucos anos, que ele tá conseguindo fazer um bom curso de ensino superior e normalmente ele não está. Então, eh, não é o estudante que ganha, não é o menino trabalhador, o estudante que ganha, ele e ah, temos que levar em conta que ele deve estar fazendo, via de regra, ele está fazendo um grande sacrifício para pagar aquele curso, porque todos disseram para ele, é preciso num país emergente como o Brasil que você tenha um ensino superior. Agora, se não lhe é ofertado um ensino superior de qualidade, onde ele tem a possibilidade de ingresso, um curso gratuito, ele vai procurar o possível. E o possível é muito pouco diante do que ele merece. Nós sabemos que as classes que menos têm são as que mais precisam, então são elas que precisariam muito mais de um investimento sédio nacional para que esse menino possa ir para para pro ensino superior, frequentar, eh, ter os melhores professores, os maiores recursos, porque ele é que precisa mais. Quem tem mais, economicamente falando, ele consegue dar jeito naquilo, ele consegue dar conta, ele vai pro exterior e faz um curso lá. Agora, os que mais precisam no nosso país são os que menos têm. Então, o EAD não contribui paraa mudança desse cenário, não contribui pra mudança desse perfil. Por isso que nós temos tantos meninos e meninas que terminam um curso em EAD, eles têm um diploma, mas o diploma pode até capacitá-los para um ingresso num determinado mercado de trabalho, mas não para permanência, porque quando eles vão competir, quando eles vão estar lado ao lado com outro que teve a oportunidade de um excelente curso presencial, ele perde. não é porque ele é menos capaz, é porque ele teve menos possibilidade de conhecimento, foi dado a ele menos do que ele merecia, então ele perde. E aí nós temos os tantos desempregados eh injustamente no país. No final, ela aprendeu 10%, né? Então a gente tem a prova viva na própria pandemia, quando todos os cursos estavam EAD, né? Pessoas que têm dificuldade de aprendizado, pessoas que têm déficit de atenção, tiveram notas muito abaixo do que o costume, né, presencial, do que elas tinham quando faziam o curso presencial. Tiveram uma nota muito melhor em queda livre. Então, a pessoa que faz um curso até gratuito, professora, ela acaba, maioria das vezes sendo influenciada a comprar no final desse curso alguns outros cursos. Então, no final das contas, ela prende 10% do que o necessário e aí entra no mercado de trabalho sem saber não vai ter permanência e vai se frustrar. Então isso faz mal até pra saúde dessa pessoa que consequentemente ela pode ter uma crise, entrar na depressão, porque ela acha que aprendeu, mas o final das contas ela não aprendeu. Nós costumamos dizer, V que esse é o momento onde a autoestima do estudante do do agora do jovem trabalhador vai no pro pé. Ou seja, ele acha que ele não é capaz, ele acha que ele está em desigualdade de condição ou porque ele não se esforçou. ou porque ele não é capaz, ou porque ele não investiu eh como devia e que o outro é melhor que ele, quando na verdade não é isso. As condições que foram dadas a ele é que são desiguais. Uhum. Né? E sim, e temos claro o outro caso que são os estudantes que optam por um ensino à distância e que tem uma imaturidade emocional para que ele, é por isso que eu volto a dizer da diferença desse modelo para a pós-graduação, que hoje se aplica muito bem, mas na graduação nós ainda temos temos problemas muito sérios a enfrentar e e eu não sei se nós chegaremos à conclusão que há possibilidade do EAD na graduação. Por quê? Porque eu olho para nosso país, um país que precisa de forças produtivas muito bem treinadas, qualificadas, formadas, um país emergente, como eu já disse, um país que precisa eh se solidificar enquanto nação diante de outros países, eh, e que tem como pilar, isso é mundial, que a educação é que prepara seu povo para esse passo além, a educação de distância não contribui Debate importantíssimo, com muitas informações. Não sai daí. A gente vai fazer um rápido intervalo e tem muito mais. [Música] Voltamos com o programa Questão de Ordem. Hoje falando sobre a expansão do EAD. Professora Márcia, qual que é a infraestrutura mínima exigida para os polos de EAD? Que que precisa ter? Uma sala de coordenação, um ambiente para estudantes? Como é que a gente chega neste modelo que está se popularizando no nosso país, mas que precisa ter um mínimo para em alguns momentos também receber esses alunos? Uhum. Eh, esse modelo eh, se ele recebe os alunos, ele é um modelo híbrido. Uhum. ele tem uma parte presencial e essa parte presencial nós conhecemos bem uma sala de aula, um professor, eh laboratórios, etc. E tem a parte eh a distância online. Essa parte a distância preciso que se esclareça muito bem. Se ela vai existir, é preciso que ela parta de um eh sistema muito bem estruturado, onde você possa através eh desse sistema, desse programa, melhor dizendo, eh saber quais são os alunos que estão, o que cada um dos alunos conseguiu eh estudar, ler, eh qual é o a qualificação do professor que vai estar nessa aula eh online com os alunos. qual o tipo de conteúdo que será abordado com eles, qual o currículo que esse curso de IAD, então não é simplesmente eu vou dar um conteúdo em EAD, é preciso toda uma estrutura que justifique eh e que eh garanta o aprendizado desse estudante, né? Eh, e claro, a tecnologia ela é uma aliada, mas ela não resolve tudo. Se você não tiver um bom programa, um bom eh currículo, bom, um uma boa eh infraestrutura, melhor dizendo, e você citou muito bem, um coordenador pedagógico, um orientador educacional, nós não conseguimos minimamente nenhum resultado. E há, claro, outro que é integralmente o outro modelo integralmente à distância. E aí o aluno recebe, entre aspas, um pacote e ele vai, o dia que ele puder, quiser, ele vai a acionar aquilo, a olhar, ler e ele vai provavelmente fazer uma prova e tem uma data para entrega. Só que não há nenhum acompanhamento. Esse tipo de curso que existe em grande quantidade, infelizmente, ele é absolutamente desnecessário e ele não contribui com o aprendizado do dos estudantes. Vine, uma alternativa pode ser esse semipresencial, até para você ter uma relação mais entre aluno com aluno e aluno com o professor diante dessa estrutura mínima exigida? Eu acredito que sim, mas a professora ela falou tudo nessa parte eh que você vai fazer o curso em casa, né? Você vai fazer como funciona isso? Você vai fazer pelo celular, eh vai ter um vídeo gravado de qualquer como que funciona isso, essa estrutura, essa influência, como que é isso? Como que funciona? Porque hoje, infelizmente, o EAD tem a maior taxa de evasão, né? Tem uma taxa de desistência muito maior do que cursos presenciais. e o aluno, por si só, ele já perde essa experiência, essa vivência acadêmica e universitária. Então, ele precisa de um ambiente totalmente eh contundente, eficiente, para que ele possa cursar de forma objetiva. Então, a professora diz tudo, a gente precisa de uma estrutura qualificada para que esse aluno, mesmo que ali à distância, ele possa prender de casa e de forma presencial ele vai ter essa estrutura. Só que longe dali, como é que funciona isso? Será que isso vai ser prejudicial? Será que isso vai fazer a diferença? Será que faz a diferença? Ao meu ver, faz. Uhum. Professora Márcia, lembro que em maio deste ano, o Ministério da Educação, junto com o presidente da República, eles assinaram o decreto da nova política de educação à distância. As graduações de medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia deverão ser ofertadas exclusivamente no formato presencial. Como é que enxergou esta decisão? Muito melhor do que o que nós tínhamos antes. Eh, custávamos acreditar que pudéssemos ter curso na área de saúde totalmente à distância, não é? Então, claro, o os alunos que já estão matriculados, eles têm o direito garantido, eles irão terminar os seus cursos no mesmo modelo que ingressaram. Então, nós temos aí algumas turmas que ainda vão 4 a 5 anos nesse modelo, né, porque eles têm direito garantido do do seu ingresso. Agora, evidentemente que nós não estamos no ideal, que é todo a todos os cursos presenciais. eh, preferencialmente públicos para que as pessoas tenham acesso a ele. Mas essa a deliberação de maio, ela já contribui muito, ou seja, há cursos que não tem a menor chance e quem sabe a partir da experiência com essa tomada de decisão, nós possamos ter outros cursos que também necessitam serem presenciais. que também possam vir a ser. Então, há aí uma esperança, né? Eh, eu imagino que um curso, por exemplo, eh, o próprio curso de formação de professores, como é que você trabalha um um estudante no primeiro ano de graduação, eh, ou segundo ano de graduação, sem que ele vá para uma escola, sem que ele vá olhar o que é um agrupamento de crianças, sem que ele veja o que é um ambiente de uma educação infantil, por exemplo. Como sai esse professor que fez um curso exclusivamente em EAD como ele entra numa sala de aula? Uhum. Completamente despreparado. Por quê? a não ser que ele tenha tido outras oportunidades familiares, eh ele não vai eh ter a segurança suficiente para que ele possa ser um professor que vá formar um sujeito para todas as profissões. Então, quando nós olhamos para trás e imaginamos que todas as profissões precisam de um professor, nós dizemos: "Como é que o curso que forma um professor, seja pra educação infantil, pra pós-graduação, pro ensino médio, pro fundamental, como este sujeito vai ser formado em EAD, se é ele que precisa de uma qualificação gigante para formar todos os demais profissionais. Eu posso falar até da minha formação, né? Eu sou publicitário e na época da pandemia eu fiz o o EAD e antes eu não fazia o EAD, eu fazia o curso presencial. E é uma diferença gigantesca, né? você na publicidade, você tem vários caminhos e você tem vários eh é muito complexo. Então, você vai, por exemplo, fazer uma uma arte gráfica, né, um design gráfico. Você fazendo isso de forma presencial, você tem acompanhamento do professor, você consegue apresentar isso de forma imediata ao professor, você consegue notar a diferença, você tem entrega agora de casa, você não tem o mesmo acompanhamento do professor para vocêar aquilo para você ser criativo na sua ideia. no seu desenvolvimento, não é a mesma coisa. Em várias outras áreas ali da própria publicidade, da minha própria formação. Agora você pega medicina, por exemplo, que agora é obrigatório o curso presencial da medicina, eu falo por mim e aí eu devolvo essa pergunta paraa população. Eu não tenho confiança alguma em fazer, por exemplo, uma cirurgia cardiovascular com alguém que se formou em EAD. Eu não consigo, né? É, é a minha é a minha posição. Agora eu devolvo essa pergunta pra população, se a população teria essa tranquilidade, esse conforto e fazer uma cirurgia com alguém que se formou em AD para mexer no seu coração, né? Um órgão tão sensível. Então eu não tenho essa confiança. Eu acredito que tem cursos que são mais tranquilos. Eu acredito que tenham cursos que são mais eh tranquilos de você levar, né, no EAD, ainda mais pessoas, por exemplo, que moram, como eu falei no começo, em áreas de situação de vulnerabilidade. A gente precisa trabalhar isso e bem como eu conversei com a professora, entregar estrutura, estruturar tudo isso, poder público, fazer a diferença na vida dessa pessoa para que ela tenha aprendizado de verdade, para ela que ela consiga um curso eficiente, um curso bom e de forma presencial para que ela consiga no futuro fazer diferença também na vida de outras pessoas. Porque, infelizmente, do jeito que tá, ela acha que aprendeu no final das contas não aprendeu nada. Ô, Márcia, título de curiosidade na sua resposta, né, quando você tava falando do professor, né, que tá nesse ambiente da teoria e quando vai paraa prática é muito diferente, né, eh, me veio um questionamento diferente, mas numa linha até similar assim, muda a formação do professor que vai dar aula EAD e daquele professor que prepara a aula presencial. é diferente para o professor. São duas aulas diferentes. São duas aulas diferentes. Eh, o professor em AD, ele tem que ser um sujeito muito motivado e ele tem que ter técnicas e experiências de motivação muito grandes. Por quê? Porque é muito fácil desligar uma câmera e sair da sala, não é? Então, claro que na sala presencial você também tem isso, o estudante que levanta e sai da sala, mas é muito mais fácil se desligar do conteúdo do momento quando ele é em EAD do que o presencial. Então, o professor precisa ser muito motivador, ele precisa ou o estudante tem que ter eh links motivacionais, particulares, pessoais, para poder resistir a todo o seu cansaço ou a toda a sua desmotivação. E eu gostaria de abordar uma outra questão aqui que me parece muito importante, que o vereador Vini passou por ela e acho que nós temos que recuperar. Nós estamos falando até agora de conteúdos, mas o conhecimento ele vai além do conteúdo. O conhecimento ele é adquirido no ambiente, ele é adquirido nas relações interpessoais, ele é adquirido quando o estudante vai até a biblioteca, quando ele conversa com um colega que tá sentado na mesa da biblioteca e indica para ele um livro bom para ajudar determinada disciplina. Ele é, o conhecimento é adquirido quando ele vai lá no no camp ou eh no pátio da faculdade assistir um jograu, uma peça de teatro, um conserto, quando ele vai e encontra o professor na cantina da escola. Todas essa, todos esses ambientes, eles são de aquisição de conhecimento. É por isso que nós falamos da importância da universidade, que é a universalização do ensino, que sai só daquele conteúdo específico que é importante também, mas ele não é único. Então, quando nós falamos em EAD, nós estamos subtraindo, retirando do cidadão o direito a uma forma de aprendizado extremamente importante, extremamente forte para consolidá-lo como profissional no futuro. Professor, essa questão da biblioteca, se a gente puxar essa questão da biblioteca, eh, com a diminuição da procura, com a diminuição do curso presencial, será que essa biblioteca, por exemplo, vai ter a mesma estrutura, vai ter o mesmo investimento ou ou não, né? Então, eu acredito que não. Acredito que essa biblioteca não tem o mesmo investimento, o financiamento com essa diminuição, né? Então, a gente perde, as universidades perdem com isso, né? Exato. E imagine que um curso de ED ele vai atender muitos estudantes que não têm a possibilidade de se deslocarem, então eles vão fazer no seu espaço. Eh, esse mesmo estudante, se ele não tem possibilidade de ir pro local da aula, ele não tem possibilidade para pra biblioteca, né? Então, o primeiro lugar que ele abandona é a biblioteca. Será que esse aluno vai estar motivado, né, professora? Porque por mais que ele procure esse curso, será que ele não vai acordar 5, 6 horas da manhã para fazer o curso e já ir direto no no no celular só para não perder a hora do curso? Será que ele vai estar motivado mesmo? por mais que ele queira esse curso eh EAD, às vezes ele quer esse curso EAD pro próprio mercado de trabalho, realmente, mas ele não tem que querer o curso só pro mercado de trabalho, ele tem que querer o curso pro futuro dele, pro futuro do mundo, para querer fazer realmente a diferença na vida das pessoas e na vida dele, né? Para ter uma trajetória, para ter um currículo. E ele só vai conseguir isso fazendo um curso de qualidade. Uhum. Esse é o problema, né? a facilidade que ele tem para ir para outros caminhos, porque a distância vai ser o impeditivo. Nem o caminho mais fácil, nem sempre o caminho mais fácil ou melhor, né? Exatamente. Ô vereador Vini, sobre o rendimento dos alunos agora, né? O ENAD, que é o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, mostrou que em determinados cursos havia um impacto negativo no desempenho dos estudantes de EAD e até cursos com notas baixas na avaliação do MEC. Essa é uma preocupação do IAD facilitar o surgimento de instituições e aí consequentemente fica difícil de realizar vistorias e um acompanhamento. Não é uma preocupação fortíssima, né? Como eu disse aqui, alunos que têm dificuldade do aprendizado, né? alunos que têm esse déficit de atenção, alunos que não conseguem aprender como outros alunos por conta dessa dificuldade, eles vão, obviamente e naturalmente ter notas menores. E outros alunos que têm maior facilidade, só que mesmo assim não possuem a estrutura adequada ou a motivação adequada, vão ter suas notas também despencando. entram em um curso EAD, achando que vão ter um desenvolvimento melhor, achando que vão eh ter esse alavanque eh de forma proposital em suas vidas, querendo entrar num curso à distância, mas no final das contas teriam muito mais retorno e muito mais resultado num curso presencial. Agora é que eu falei aqui, muitas das vezes a pessoa mora muito longe, a pessoa não tem essa oportunidade e acaba optando por um curso à distância. Mas será que essa pessoa, se ela não começasse um curso presencial, tivesse uma atividade acadêmica, né, essa vivência acadêmica, será que ela não iria preferir, né, o curso presencial, acostumando com esse curso presencial e vendo na prática que esse curso presencial é realmente melhor? Será que ela não teria esse conhecimento? Eu acredito que vai ter sim esse conhecimento, mas para isso o poder público precisa entregar isso para essa pessoa. Essa pessoa não vai ter isso caindo do céu. O poder público precisa entregar, poder público precisa fazer a parte dele para realmente fazer a diferença na vida dessa pessoa. Uhum. Professora, menos de 1% dos cursos de EAD, eles alcançaram a nota máxima no ENAD. Apenas nove das 623 graduações em AD alcançaram a nota máxima. mais da metade obteve o conceito um e dois, que é considerado insatisfatório pelo MEC, que é avaliação que dá para fazer. A que nós temos dito desde o início dessa nossa conversa, o EAD é bastante temerário num país como o nosso e olhando EAD na graduação, mais temerário ainda. Nós podemos falar, por exemplo, rapidamente da pós-graduação, onde as pessoas que frequentam, elas têm uma média de idade de 40, 45 anos, elas têm cursos específicos, né? Eu conheço, por exemplo, alguém na minha família que hoje faz um curso em pós-graduação em EAD de inteligência artificial aplicada ao poder judiciário. Extremamente interessante. E tem lá o grupo, cada um de um lugar do Brasil, horário de início, um os professores muito bons, horário de término, horário de intervalo, data dos trabalhos em grupos, salas divididas em grupos para apresentação dos trabalhos. Ou seja, tanto o curso se propõe a ensinar de verdade, quanto esse estudante com essa maturidade, com toda a experiência da educação básica, do ensino superior, ele vai fazer uma pós-graduação para complementar o que ele teve presencialmente. Então isso dá muito certo e é esse é um modelo que pode ser tranquilamente aplicado ao Brasil. Agora, quando eu trago todo esse perfil do estudante para a graduação, ele se modifica. Não é um sujeito com 45 anos, com toda aquela vivência, ele vai fazer um ensino de graduação, muitas vezes dizendo, será que eu vou gostar na pressão social, né? Chegar 18, 19 anos. E aí, que que eu faço da vida? Exatamente. Então você vê que é um público completamente diferente eh nas suas características e emocionais de personalidade. Então, a na voltando, o EAD na graduação, ele não tem se mostrado um modelo eh importante para o conhecimento dessa população. E o que eu acho importante a gente dizer que o aluno eh quando ele se matricula num curso em EAD, ele tem o direito, quase que o dever com ele mesmo de saber o que vai ser oferecido para ele, porque de alguma forma ele vai estar investindo financeiramente. Será que hoje é passado para esse aluno, né? Exatamente. Quantos módulos, quais são os conteúdos, qual o projeto pedagógico desse curso de AD, porque ele precisa ter tal qual o presencial, qual é o currículo desse curso, quem serão os professores e qual a formação dos professores que estarão com ele eh online. Então, o aluno ele tem o direito de saber tudo isso e de decidir. Agora, eu entendo também que nós temos o outro lado. Muitas vezes ele vai se sujeitar a um curso questionável porque ele não tem outra opção. Então o feedback, aonde estão os alunos hoje que fizeram esse curso, aonde eles estão, quais empresas, né, em quais multinacionais, aonde eles estão trabalhando hoje, os alunos que fizeram esse curso. A gente pode pegar, professor, o projeto aqui, eh, que foi apresentado da feira de ciências, né, nas escolas. você são cursos, são conteúdos que obrigatoriamente, na minha opinião, deviam ser no mínimo semipresenciais presencial e hoje, infelizmente, são feitos e a puro. Como a pessoa vai fazer um experimento científico em casa. Uhum. Como essa pessoa vai fazer um experimento científico em casa? É impossível. Não tem como, queria muito entender hoje como funciona isso, né? Então, a professora foi totalmente certeira nas palavras da Uhum. Nós já estamos nos encaminhando aí para pra reta final do nosso programa, que programa bom é assim, programa com muitas informações, mas passa rápido também. Eh, Márcia e Vine, mas então como que a gente, não sei se muda essa situação, mas como que a gente melhora, porque eu acho que tá imposto isso aí, né? O EAD provavelmente veio para ficar. Talvez seja uma questão como o Vini Oliveira disse que na pandemia isso se intensificou porque era um modelo que precisava ser adotado. A gente não tinha mais o presencial. optamos pelo online e aí às vezes, da mesma maneira que as empresas optaram pelo eh trabalho à distância e hoje em dia permanecem, algumas instituições viram no modelo de negócio, como você disse também, Márci, a oportunidade de ganhar dinheiro e de oferecer o ensino, de oferecer a educação. que a gente tá questionando aqui é essa qualidade, não, que é perigoso porque hoje eh existem cursos que são eh entregues por instituições duvidosas que não são universidades, né, que são eh como eu posso dizer, entregues por pessoas duvidosas, né? Será que as pessoas, na verdade, que entregam esses cursos querem realmente ensinar, querem educar, querem levar os alunos pro mercado de trabalho, entregar um projeto de futuro para esses alunos? pro brasileiro geral ou será que eles só querem enriquecer nas custas desses alunos, na inocência desses alunos, das pessoas mais humildes, né? Fica o questionamento. Mas daí entra também a responsabilização, porque como que a gente melhora essa situação? Vai caber a quem melhorar a qualidade deste ensino? é do MEC, a responsabilidade é dele de fazer uma análise, de entender quais são essas instituições e aumentar o crio, o obstáculo para essas empresas alcançarem isso. Eh, melhorar esse acesso à informação dos alunos para poder procurar uma instituição que tenha um selo de qualidade. Como é que a gente melhora essa questão? Porque hoje tá aqui 50,7%, a maioria está em EAD. Como que a gente melhora este ensino no Brasil? Eh, eu acho que há várias ações que podem ser implantadas. A primeira delas, eh, já se discutiu intensamente que o curso em AD completamente, eh, sem nenhuma assessoria para esse estudante, ele tem chances muito pequenas. Nós temos o híbrido e quando nós temos o híbrido, minimamente o estudante vai ter acesso a uma parte do cenário do presencial. Então, se hoje nós não temos outra saída, que seja algo em que o estudante não esteja completamente abandonado e que ele tenha uma assessoria presencial, eh, eu tive uma experiência muitos anos atrás, na década de 90, de fazer algumas avaliações em loco e ir por esse Brasil afora, pegar a bolé de caminhão e ir pro sertão, ir lá embaixo naquele em regiões muito inóspitas e que você via lá uma uma escolinha pequena, o professor, os alunos eram ensino superior, sempre ensino superior. Mas o que nós tínhamos, via de regra, um polo instalado com eh no máximo 2 horas de distância do estudante. Alguns iam de carrocinha, sim, mas chegavam, tá? Então o que eles faziam aos sábados eles tinham aquele polo como referência. uma vez por mês, eles tinham uma atividade importantíssima no sábado e no domingo. Então, eh é uma um uma possibilidade muito importante. É uma possibilidade que pode ser implantada no curso híbrido, ou seja, o estudante vai ter um polo a quem ele possa recorrer e que não seja a 8 horas de distância. Quando o vereador fala dessas populações, eu me lembro muito das populações ribeirinhas que pegam barcos e andam 10, 12 eh horas para chegar num centro eh para poder ter acesso à alimentação, etc. Então o que nós temos que ter é o compromisso. Isso cabe à gestão pública. É o E e eu volto a dizer as três esferas da gestão pública, federal, estadual e municipal, cada uma precisa ter o seu grau de responsabilização e responsabilidade em cumprir o que foi acordado. E o essa é uma saída, os polos que podem ser implantados próximos a 2 horas. de cada uma dessas localidades. Eh, essa é uma alternativa. A outra alternativa é que os estudantes tenham mais informações para saber quando eles estão ou não sendo enganados. E isso cabe a todos nós. É preciso um grande esforço, porque nós temos o lado contrário dos vendedores dos cursos que não querem eh fornecer esses dados. Terceiro ponto, eh, quando você diz cabe ao MEC, cabe, cabe ao MEC iluminado pelos dados que o INEP trabalha, fazendo todas essas avaliações, essas planilhas e eh mostrando esses dados tão importantes e que ações partam do MEC depois desse fornecimento dos dados. Então, é preciso cobrar do poder público. E e eu diria, o nosso país é muito rico. Falta coragem para investir em educação, entendendo que não é submetendo um povo, dominando um povo, retirando dele a educação que lhe é de direito, é que você fará um país melhor. É o oposto. países mais desenvolvidos e bonitos do mundo sob o ponto de vista humano de nação, investiram fortemente em educação. É aquele que tem o seu povo conhecedor, esclarecido, eh um povo com projeto de humanidade. Então, esse medo de investir em educação pra população ficar esclarecida, que lamentavelmente as gestões têm, precisa ser desmontado, porque senão nós vamos ter sempre pequenas ações retirando do povo seu direito de saber. E o saber é uma coisa maravilhosa. O saber é algo que ninguém tira de nós. Saber é uma coisa muito boa, não é? E você precisa dar ao povo esse saber. Eu já quero saber do Vini também, mas antes a gente tá muito distante deste ideal, professora, dessa sua resposta. Depende da vontade política. Quando eu falo política, está no projeto de nação que nós temos e que eh está nas mãos do poder legislativo, executivo e até mesmo do judiciário de concretizar esse projeto de nação. Se nós tivermos vontade política para construir uma nação que parta da educação como seu pilar, nós não estamos falando só de ideal, nós estamos falando de uma realidade possível que não demorará muito. Será que o oposto é verdade. Será que a política olha pro futuro dos nossos jovens na educação, né? Então, quando a professora Márcia fala da importância da das três esferas visarem esse tipo de situação, ela tá certíssima. Ela tá certíssima. Eu fico até sem palavra. Ela fez um apanhado geral, mas por parte do MEC, a fiscalização, por parte do governo federal, os recursos, a sanção, igual aqui com o prefeito junto com os decretos e por parte do poder legislativo, tanto os deputados federais, deputados estaduais, eh vereadores, de propor leis, de votar leis que são importantes paraa população no quesito educação, educação dos nossos jovens. educação do também dos nossos adultos que hoje fazem, né, os cursos à distância, que hoje querem aprender, que hoje tem essa vontade de aprender, idosos que querem aprender toda a população. A gente precisa olhar paraa educação. Antigamente, né, professora, a gente falava muito da educação e achava que só se tratava de criança, só se tratava dos jovens. Uhum. Se trata sim, mas também do adulto. Uhum. Né, do idoso hoje que também quer aprender. Por que não? Todo mundo tem o direito de saber, né, professora? Como você falou, do direito de saber, todo mundo tem esse direito. É bonito, sim. Então a gente precisa sim fomentar tudo isso, investir na educação de qualidade. Infelizmente, na minha opinião, do jeito que tá, o curso à distância precisa ser melhorado muito. A gente precisa mudar muita coisa nisso aí, porque o futuro da nossa educação tá nisso aí, tá no novo. Só que será que o novo, do jeito que tá, vai fazer a diferença na vida desses jovens ou será que a gente precisa mudar muita coisa dentro disso? Existe hoje uma plataforma do governo que mostra, que apresenta, que entrega e esses cursos que são confiáveis, esses cursos que dão resultado, esses cursos que são bem direcionados, esses cursos que têm um feedback positivo, que mostram onde os alunos estão hoje. Existe essa plataforma hoje? que hoje o que me parece é uma bagunça. Qualquer um hoje pode pegar e criar um curso à distância e começar a vender este curso a distância como se fosse totalmente eh como se tivesse total credibilidade, ao contrário de uma universidade que tem curso de credibilidade que precisa do amparo do poder público. Será que a gente tem isso hoje? Não tem. A gente precisa ter um olhar muito atento a isso. Ô Vine, essa parte mais difícil quando envolve política, exercer a comunicação, governo federal, governo estadual, governo municipal para que chegue até a população? Falta vontade. Eu enxergo que falta a vontade, eu concordo com a professora. Falta a vontade de muita gente, né? Eu acredito que construindo esse laço, né? Então o vereador, por exemplo, hoje é o primeiro contato da população com o poder público, só que a gente tá aqui, acima da gente tem o prefeito, acima da gente tem deputado estadual, deputado federal, né, os ministérios, presidente. Então, eh, em conjunto, todos eles, dependente do lado, dependente de ideologia, olhando paraa educação, acredito que a gente vai ter um futuro melhor pra nossa população. Professora Márcia Malavzi, professora de educação, atualmente docente da Universidade Estadual de Campinas, pesquisadora junto ao laboratório de avaliação da Unicamp, desenvolve pesquisa na área de avaliação institucional, mais especificamente sobre a relação família à escola, professora aposentada, convidada. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir até o nosso estúdio falar sobre este tema, sobre a expansão do EAD. Tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador, para quem está nos acompanhando, já faça um novo convite paraa senhora retornar aos nossos estúdios e fica aberto as suas considerações finais. Eh, eu agradeço. O convite é sempre muito bom e me parece que nós precisamos ser incansáveis, né? Nós precisamos persistir, precisamos falar, informar, contar, sugerir. Eh, nós não podemos desistir. O nós o nosso país é um país de muito futuro, é um país com potencial gigantesco. Então, é e uma população eh com muita vontade. Então, eh, eu vejo que nós precisamos cobrar, inclusive do poder público que essas ações sejam feitas, porque há alternativas e essas alternativas são possíveis. Eh, eh, eu vejo que falar sobre isso e sobre outros assuntos que estão ligados à educação é sempre muito importante. E quanto mais nós fomos avançando nesse sentido, mais alternativas e mais possibilidades vão surgindo. E é importante que a população saiba que ela precisa interagir com esse poder público, ela precisa cobrar, ela precisa falar, ela precisa denunciar cursos ou ah questões, né, da por quê? Porque é assim que nós vamos avançando. Nós não podemos ficar parados esperando que naturalmente as coisas mudam, elas não mudarão. É preciso que a população se envolva. E hoje nós estamos vendo cada vez mais isso. Quando a população se mobiliza por determinadas causas, eh muita os resultados costumam ser eh efetivos, né? E hoje, como o vereador também disse, nós precisamos, lamentavelmente, vivemos um momento muito delicado nacional e até mundial, mas nós precisamos olhar onde estão as possibilidades de transformação para melhor e elas não estão nessa disputa, nessa ideologização, eh nessa elas estão na no investimento que se fará no povo para ele se transformar. numa nação. O que é uma nação? É um povo que tem um projeto de país para ele e pro seu grupo. Então é isso que nós precisamos. Eu agradeço novamente e gostaria, me coloco à disposição sempre, claro, e gostaria muito que esse assunto sempre estivesse em pauta para nós podermos acompanhar o que será feito a partir dessa ação eh dessa decisão de maio. Uhum. como ficarão esses cursos e os outros como é que eles estarão? Compromisso firmado. Este assunto retornará aqui na TV Câmara Campinas pelo programa Questão de Ordem. Vereador Vine Oliveira, muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo. Sei que você tem outras reuniões também, mas agradeço o tempo que você destinou aqui ao programa Questão de Ordem. Tenho certeza que de grande valia também pro nosso telespectador os exemplos que você deu, as informações que foram passadas aqui, já faço um novo convite pro senhor também retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Eu que agradeço. Muito feliz de estar ao seu lado, viu, professora? Muito feliz aqui de ser recebido sempre pela TV Câmara, pelos servidores aqui da casa. E a gente, acredito que a gente conseguiu aqui fazer um um debate muito produtivo, um ampanhado geral aqui, né? uma avaliação, uma pequena avaliação de caso das coisas que são importantes pro estudo, paraa educação e fica firmado o nosso compromisso com a população, principalmente por parte da professora, que fez, tenho certeza, a diferença na vida de muitos jovens e de muitos alunos, que sirva de exemplo e estamos à disposição de todo mundo aí. Espero que a gente tenha feito a diferença também aí para você, que você saia diferente, que a gente tenha te provocado para você ir atrás e procurar mais sobre o assunto e estudar. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Até semana que vem. Ciao. Ciao. [Música]
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