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[Música] começando Olá começa agora o programa questão de ordem no próximo dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra para homenagear o zumbi o líder do Colombo de Palmares que morreu neste dia em 95 de lá para cá tivemos a abolição da escravatura aqui no país em 1914 surgiu em Campinas a primeira organização sindical dedicada à causa dos negros com papel expressiva e determinante de mulheres negras 1934 a conquista do direito ao voto posteriormente a lei de cotas garantindo o acesso da população negra às vagas das Universidades públicas transformação do racismo em crime entre outras conquistas Mas será que é suficiente se de acordo com o último senso realizado em 2022 56% da população se considera Negra porque na Câmara dos Deputados a representação é de 26% o atlas da violência 2024 que traz os dados de mortes por homicídio no país em 2022 revelou 46.49 pessoas foram assassinadas no Brasil desse Total 76,5 tiveram como vítima pessoas pretas e pardas dos mais de 850.000 presos no país 470.000 são negros o que corresponde a 70% O que quer dizer essas estatísticas bom para debater este assunto recebo aqui no estúdio a vereadora Paola Miguel presidente da Comissão permanente de direitos humanos e cidadania e Adriana de Moraes que é presidente da Comissão de igualdade racial da OAB Campinas Lembrando que o debate vai acontecer Fi as interrupções Apenas quando o necessário vereadora Paula Miguel começo pela senhora como é que tem sido o trabalho da comissão lembro que vocês já abordaram sobre as pessoas em situação de rua a nova lei do bullying protocolos antiracista anti lgbtfóbicos nas escolas seja bem-vinda ao programa questão de ordem Muitíssimo obrigada Gabriel é uma grande honra est aqui juntamente com a Dra Adriana eh a comissão de direitos humanos quando eu assumo né Ela já tem um papel de discutir a Consciência Negra né a gente precisa lembrar também né do ex-vereador Carlão que foi que sempre trazia essa temática com bastante e intensidade pra Câmara Municipal de Campinas então a gente dá continuidade a esse trabalho acolhendo muitas vezes denúncias né a gente já colheu denúncia eh de racismo dentro de mercado eh com violação de pessoas situação de rua onde a grande maioria também é negra a gente tem discutido muito sobre o racismo na infância Inclusive a gente tem um PL sobre isso né o racismo sem eh infância sem racismo que tá querendo discutir um pouco esse bullying racializado que acontece dentro do ambiente escolar que as próprias crianças relatam muitas vezes elas não têm a noção né de que isso é um crime né tratam como sendo Bullying é única e exclusivamente que se tornou um crime somente esse ano né no começo desse ano eh mas elas entendem que o fato delas serem crianças negras elas sofrem um tipo de violência que ela é diferente e também quando a gente pensa né na juventude a gente pensa no acesso ao mercado de trabalho na universidade e a gente também precisa lembrar dessa juventude que já tem feito a diferença nos movimentos negros então a gente também tem o prêmio Juventude Negra notável que a gente vai realizar inclusive no dia 21 de novembro aqui na Câmara Municipal de Campinas pra gente lembrar dessa geração que tá chegando né que já tem se demonstrado muito necessária no combate ao racismo no enfrentamento essas violências tem discutido isso através do grafite da arte eh da própria do próprio direito né E tem ali se mostrado também tão necessária e efetiva para que a gente consiga cada vez vez mais fazer com que esse crime ele tenha consequências porque a gente recebe muitas denúncias pessoas vão no centro de referência de combate a rismo tolerancia religiosa fazem o boletim de ocorrência mas não existe nenhuma consequência nenhuma e muitas vezes as pessoas que cometeram crimes contra contra elas nem são condenadas pelo crime de racismo isso eh faz com que a certeza da impunidade Tragam muitas pessoas para não denunciar não falarem e a aceitarem isso e essa é uma das coisas que a gente tá tentando mudar com a comissão de direitos humanos e também pensando políticas públicas juntamente com a população com o ob e diversos outros setores participa do programa questão de ordem a Adriana de Moraes presidente da Comissão de igualdade racial da OAB Campinas primeiramente muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo ter aceito o convite para vir até os nossos estúdios participar e do programa e qual que é o trabalho da comissão de igualdade acial Qual que é o objetivo o que tem sido feito seja bem-vindo ao questão de ordem muito obrigada agradeço a o convite para estar aqui Principalmente ao lado da vereadora Paola que é uma representatividade importante na nossa cidade então é sempre uma satisfação estar ao lado dela em discussões tão importantes e obrigada também a TV Câmara por permitir que a gente faça esse debate fundamental na nossa cidade Bom Comissão da Igualdade racial ela tem por fundamento tratar de pautas racializadas no âmbito da advocacia e no âmbito da OAB eh para Além disso nós também conseguimos dialogar com outras esferas institucionais tanto da cidade quanto do Estado sobretudo para nós fomentar ajudarmos a fomentar políticas né públicas paraa promoção da Igualdade racial não só no acompanhamento a vereadora comentou sobre alguns casos de racismo que nós temos eh que nós temos que acompanhar alguns casos de racismo que muitas vezes não chegam à punição do autor do crime e mas a gente faz esse acompanhamento para que em algum em dado momento haja uma sensibilidade uma sensibilização das instituições então Eh seja no no poder judiciário seja na polícia administrativa para a análise dessas questões porque Um dos problemas maiores para que esse crime não chegue a ser a para que o autor do crime não chegue a ser condenado é falta de provas falta de vontade política mesmo para buscar as provas que estão pendentes muitas pessoas que vivem que vivenciam ou que presenciam o crime acontecendo não fazem a não fazem questão de serem testemunhas no primeiro momento posso pode contar comigo que eu que estarei lá para para testemunhar no momento em que são cham adas né para prestar o seu depoimento Muitas delas recuam Isso dificulta demais a punição dificulta demais a continuidade do inquérito policial muitas vezes eu dialogando eh principalmente com ministério público e alguns Delegados eh eles falam Doutora o problema maior é que nós sabemos que o de fato o crime aconteceu porém a ausência de provas impede que eu dê seguimento ao inquérito E aí que vem o trabalho da comissão em conjunto com as demais instituições como que a gente faz para que essas denúncias elas não não parem apenas no âmbito da da polícia né não parem no inquérito policial ou não como não chegam a ser inquérito né Eh não dá não D idade fica apenas uma denúncia então a gente precisa fazer um trabalho coletivo então no caso de uma de uma denúncia que ocorreu na escola por conta de um racismo ocorrido na escola Qual que é o papel da OAB nesse caso a gente acompanhar o que está sendo feito na escola então vamos dialogar com o prefeito com com a prefeitura vamos dialogar com a escola vamos dialogar com a direção da escola para que entendam a importância de fazer um trabalho interno nessas instituições de combate ao racismo porque o racismo ele só vai as pessoas só vão entender que racismo é crime e que a necessidade do combate Se houver uma educação antiracista que começa da base então isso tudo a OAB acompanha ajuda a acompanhar e a gente promove eh os nossos congressos anualmente para fazermos um debate mais profundo sobre várias questões raciais que norteiam eh Dire a questões do trabalho questões da educação questões políticas então a gente faz um um congresso e ao longo do ano também debatemos eh temas que estão mais em voga ou questões que envolvem eh o racismo mesmo uma um acontecimento é mais mais forte na cidade a gente busca dialogar e e conversar eh no momento em que isso acontece então a gente busca fazer esse debate com a com as pessoas envolvidas e importantes para o combate ao racismo e promoção também da Igualdade racial Ô Adriana na sua resposta agora você citou a questão da impunidade e a Paola Miguel também falou e a gente percebe Não é um movimento recente mas fica muito Evidente em estádios de futebol principalmente muitos casos têm sido relatado E aí a presença dos torcedores com os seus celulares tem dado voz tem mostrado o que tem acontecido em rede social internet muitos xingamentos a certeza da impunidade é o principal problema que se encontra Porque daí a justificativa ah não mas eu não tava fazendo para ele eu tava fazendo a justificativa sempre tem uma resposta e essa impunidade é o principal problema para poder enquadrar como um crime sim a impunidade a certeza de que primeiro para além da impunidade vamos vamos colocar num ponto eh sobre uma das formas de proliferação do racismo que no caso dos ambientes de futebolísticos é o racismo Recreativo então V só só o chamei de macaco naquele momento do do jogo pera aí você o chamou de macaco fundament em que a partir de que de que premissa que você está chamando de macaco então a gente precisa entender e as formas de de cometimento desse crime então a pessoa que comete um crime como esse que fala que profere essas palavras naquele ambiente ela primeiro entende que não há o racismo que aquilo que ele que ele fez não é racismo então o primeiro ponto não entende aquilo como crime eh não entendendo que aquilo é crime ele vai ter certeza da impunidade uhum ah todo mundo faz meu avô faz falava meu pai falava eu vou continuar falando também uma questão cultural para ele é uma questão estrutural tá uma questão estrutural e como a punição sobretudo de outras formas de racismo eh passaram a ter a sua a a sua previsão a partir de 2023 então além de da questão do racismo Recreativo nós temos o racismo religioso que que faz constar na 7716 de89 com as alterações que nós tivemos emos eh o ano passado Então hoje a gente consegue eh chegar para esse indivíduo e falar olha o que você fez sim é um crime de racismo Ah mas eu só chamei de macaco você não só chamou de macaco essa palavra que você preferiu dessa maneira É racismo é na sua formatação de racismo Recreativo então aí também nós tivemos esse avanço legislativo para que certas falas Não progridam então Ah não eu não não cometi racismo Ah não foi intencional Então se você proferiu aquela palavra e qual era a sua intenção se não foi intencional por você proferiu então sempre eh ter essa análise né então hoje eu vejo que embora haja uma impunidade no âmbito eh do des esportivo a gente tem um avanço porque nós temos as imagens então não há como o indivíduo negar o cometimento do crime a autoria do crime como você não chamou chamei sim chamou sim tem aqui a prova que é o que nós comentávamos anteriormente sobre a impossibilidade de ter provas para dar continuidade é não sei a quantas andam esses processos judiciais eh de punição nesse nos ambientes desportivos mas acredito que para esses fatos não há ausência de provas as provas são ali cabais então para esses casos tem tem que ter inquérito instaurado tem que ser levado até o fim e tem que ter a punição eh por racismo né porque nesse caso principalmente estou está vendo a ofensa à coletividade então a gente que é necessariamente a prisão ou não nós temos a prisão é um dos uma das formas de de punição mas também nós temos o pagamento de multa pecuniária e também há eh a possibilidade eh de de um diálogo ali entre ministério público na hora de fazer a a de proferir a punição de de apresentar a denúncia eh podendo então ter ter um ataque eh uma eh uma uma ppp que é a desculpa eu não lembrei não lembro o nome eh para que haja uma também uma efetiva eh que essa punição também surta efeito para a vítima porque vamos supor que eu ch chega até ao final dessa punição eh chega a sentença essa sentença um ano de prisão porque aí você tem que analisar a primariedade você tem que analisar Qual foi o ambiente a forma como foi foi feita Então tudo isso influencia na quantidade no quantitativo de pena e de repente esse quantitativo de pena para a vítima não vai ah ficou 1 ano e se meses ah mas esse 1 ano se meses me permite uma transação penal pra vítima is surtiu efeito não de repente uma outra forma de punição também É cabível para que esse autor sinta de fato que há uma que há uma a para além da punição n para além da prisão ou da da da da da perspectiva penal também há uma perspectiva pecuniária e que isso vai surtir efeito não só no âmbito da liberdade e da da ausência de alguns direitos da redução de seus direitos mas também na questão eh financeira né que a questão financeira também influencia muito né paraa continuidade ou não ou pra gente ter uma efetiva a efetividade dessa pena para tanto para o autor quanto para a vítima Sem dúvida eh eu acho que uma coisa importante que muitas vezes uma uma coisa que a gente tem buscado muito aqui no legislativo É para quando isso acontece por exemplo por empresas né que isso seja muitas vezes não tem uma pessoa ser punida al um indivíduo né porque é uma questão estrutural de uma empresa né então a gente faz e essa empresa muitas vezes ela é eh multada e a gente quer que essas multas elas sejam colocadas num fundo de Formação né de reparação histórica para que a população negra tenha acesso de modo geral não somente as vítimas que passaram por aquilo né por aquele crime mas toda a sociedade e até mesmo de Formação eh pra sociedade civil para que e esse tipo de coisa a gente tem o entendimento porque que uma palavra né que é proferida muitas vezes no jogo de futebol né que é esse racismo eh Recreativo né Por que que isso impacta tanto nas pessoas e por que que isso é um crime de racismo as pessoas precisam entender isso né a gente precisa ter uma um fundo para que a gente consiga formar eh muitas vezes nossos servidores públicos professoras professores né pra gente poder garantir Inclusive a execução da lei 10600 39 né que é uma das coisas que a gente tem dificuldade de ter hoje implementada que é contar a história eh de África dentro do ambiente escolar né mas não só no meio da consciência negra né a gente precisa trabalhar isso durante o ano inteiro a gente precisa trazer Quais são as nossas heroínas negras né quem são os nossos historiadores negros a gente PR ter literatura negra sendo apresentada durante o ano inteiro e muitas vezes esses profissionais não tiveram isso no ambiente da faculdade no ambiente ali né da sua própria formação e quando chegam também na rede pública não tem da onde buscar e de onde tem informação ou até mesmo aqueles que tiveram mas acham que isso é uma questão de opinião e querem impor para uma criança a forma com que ela deve apresentar o cabelo né muitas vezes deslocam a criança ali é das primeiras carteiras e colocam para pras últimas dizendo que o cabelo atrapalha a visão né ou então Eh sobre não ser bonito né de você não ter um cabelo eh bonito né t diendo a questão do cabelo que eu acho que é a coisa mais nítida que a gente consegue perceber já ali nos primeiros anos né logo no primeiro ano ou até mesmo antes a gente já tem questões sobre isso eh e até mesmo quando a gente fala do ambiente da creche tem um relato né das próprias trabalhadoras que dizem que crianças eh negras tem menos cuidado porque se ela chega na escola né muitas vezes com eh sent tá com cabelo né com penteado as crianças brancas podem ter esse direito ali das próprias monitoras de sentarem com ela arrumarem o cabelo e muitas vezes crianças negras não Então essa relação com a criança do afeto do Cuidado que começa na na na na creche ali né e depois vai passando pelo fundamental até o ensino médio a gente consegue perceber um distanciamento também desses profissionais então é importante que todas essas multas sejam revertidas num fundo de Formação paraa sociedade civil paraos nossos servidores para que a gente consiga de fato modificar a relação da cidade de Campinas com o racismo é só um apontamento sobre esse fundo que a Paula comentou eh a nós da juntamente com a Comissão da Verdade que é presidida pelo Dr Ademir eh nós já iniciamos alguns diálogos junto à justiça do trabalho ao TRT aqui de Campinas para nós observarmos a possibilidade então de dessa quando houver punição de empresas principalmente por racismo eh fazer fazer essa alocação desses Fundos né do Judiciário para a formação seja também dos dos próprios servidores públicos do TRT ou então para a manutenção de de quaisquer políticas possíveis de combate às discriminações de combate ao racismo Então esse diálogo a gente já começou aqui no âmbito do TRT né a gente espera expandir esse essa esse diálogo eh junto ao TJ junto ao TRF Porque é importante para que mesmo que os casos de racismo eles não sejam não não sofram de de fato a punição criminal porque não é só no âmbito criminal que você tem uma reparação né que você pode ter essa reparação também no âmbito Cívil eh que aí é esse âmbito essa questão pecuniária então a gente po tem esse diálogo deve ter esse diálogo com todos os tribunais todos os âmbitos da Justiça então isso esse diálogo a gente já já vem fazendo lembrei porque a Paula mencionou sobre a necessidade de manutenção desse fundo e a gente já vem fazendo esse diálogo que é importantíssimo eh dentro do Judiciário agora Adriana e Paola a gente tem então eh uma questão de a dificuldade de Se provar E aí a pessoa ela fica eh ali totalmente fragilizada porque sofreu o racismo muitas vezes não tem como provar e muitas vezes ele acontece mas a punição às vezes acaba não sendo e de prisão ou aquela que é necessária o que que falta pra gente poder mudar essa situação faltam leis falt cumprimento de leis precisa ser criada precisa ser aplicadas que já existem como é que a gente muda isso para acabar esse sentimento de impunidade que a gente tá comentando aqui bom eh as leis elas exem existem e nós precisamos dar efetivo cumprimento a elas quando chega uma denúncia em qualquer âmbito é importante que a o órgão responsável por fazer essa apuração ele não demore para fazer Então esse é um ponto eh algumas legislações não não parar na legislação apenas no âmbito criminal nós precisamos de legislações mais efetivas e aí conversando diretamente eh com paol eh de combate dentro das escolas e não só nas escolas públicas mas que também obriguem as as escolas particulares eh a terem essa essa efetivação de políticas internas de combate ao racismo dentro das escolas Porque a partir da educação Paula relatava aqui sobre as crianças negras na creche isso é um fato as crianças negras elas não tem eh esse direito a esse cuidado tá parece que as crianças negras elas elas podem ser descuidadas isso é um pensamento Colonial a gente sabe que é uma manutenção de estrutura a criança negra não precisa de cuidado Ah não sei a a velha história não sei cuidar desse tipo de cabelo é não você não importa o tipo de cabelo Você tá cuidando de uma criança e assim que ela tem que ser eh identificada e assim que ela tem que ser tratada Então a gente tem essa questão não só não pensar no racismo só no âmbito criminal mas pensar no na na estrutura toda então falando de racismo estrutural Então a gente tem que pensar numa estrutura toda eh e racismo institucional que parte que é o racismo que Parte dessas instituições como que a gente eh faz para que essa base ela seja transformada que essa estrutura seja transformada porque não adianta eu tenho uma lei que vá punir o racismo no âmbito penal no âmbito criminal que vá aplicar uma pena mas se aqui a base a gente não transforma a gente precisa ter uma educação antirracista a gente precisa que em todas as em todas as as fases de formação escolar eu tenho debate sobre racismo eh eu falo muito sobre Direito Constitucional a gente precisa falar sobre direito constitucional nas escolas sobretudo eh no ensino ensino médio porque se a o adolescente ele recebe o direito ao voto com 16 anos ele precisa entender o que ele vai fazer com aquele voto e eu menciono o voto porque hoje nós temos a nossa cotização eh para a presença de candidatos negros e essa presença de candidatos não reverbera no número de votos e tudo isso é por falta de debate dentro desses ambientes sobretudo nesses ambientes escolares porque a a o adolescente ele ele sabendo o que ele vai fazer com aquele voto ele entendendo a importância da da transformação que ele pode realizar através do voto ele vai se empenhar fala Poxa então deixa eu começar a conhecer esses candidatos né e pensar por que que eu não tenho essa representatividade de pessoas negras dentro da Câmara Municipal por que que eu tenho só do dois três vereadores negros n não é falta de represent porque essa falta de representatividade é falta de ausência de candidatos Não não é ausência de candidatos mas é ausência de fomento também dos próprios partidos no momento da campanha para que eles apareçam e para que eles tenham condições de serem eleitos uhum né então é Tod você pode observar que é toda uma cadeia então eu comecei a falar sobre instituição comecei a falar sobre escola e aí eu já chego dentro desse ambiente escolar o como essa educação vai vai reverberar na sociedade então essa estrutura que ela precisa aos poucos ser transformada esse movimento de conscientização formação de professores eh formação dos gestores também para que eles consigam entender a importância do debate e da representatividade então quando eu discuto com os gestores E aí eu trago a questão das escolas particulares sobretudo eh aonde estão esses professores negros aonde estão você quando a gente chega na Rede Pública até determinado determinado grau escolar a gente consegue ver algumas professoras negras mas conforme a gente vai alcançando outros níveis a gente já começa mesmo na nas escolas públicas a gente já começa a ver que essas professoras negras começam a desaparecer no âmbito do nível superior elas simplesmente não existem né a gente vê e eu falo que não existem porque a o quantitativo percentual de professoras negras universitárias é muito baixo a ponto da gente identificar e conseguir pontuar quantas professoras negras tem em cada instituição isso é muito grave eu não deveria ter que como identif claro né então é um problema que ela que ele vai se arrastando E por que que isso acontece porque eu entendo que quando eu tenho que formar a identidade quando eu tenho que formar a opinião desse indivíduo eu começo a retirar do espaço de formação do do espaço de conhecimento essas pessoas que eu não quero que sejam representadas que vejam sejam representadas nesses ambientes de poder então é muito importante a gente fazer essa análise da base uhum a partir da base o que que falta né falta falta muita coisa se a gente olhar as eleições desse ano né de como se for foram compost for composto o legislativo e de e a manutenção do próprio executivo e das secretarias do do executivo a gente observa a ausência de de pessoas negras e sobretudo de mulheres negras né que é sempre importante a gente fazer esse recorte eh interseccional que as mulheres negras é que sofrem mais com essas ausências e essa e esse racismo estrutural Paula quero ouvi-la também precisamos de mais leis aplicá-las as que já existem fazer alguma alteração não depois falar depois a Dra Adriana também eh faz a gente eu acho que é isso assim eu vou vou reforçar muita coisa né então a gente precisa pensar na cadeia como um todo a formação das nossas crianças ambiente escolar que passa pelos servidores que estão ali também inseridos né pelas servidoras então a no fundamental a gente precisa trabalhar também esse reconhecimento essa valorização muitas vezes a gente vê a população negra somente inserida em contextos de violência então a gente lembra da população negra o ano inteiro na televisão mas a gente lembra no contexto de violência infelizmente a gente vê eh ou sendo vítima de uma uma bola perdida ou então sendo representado como sendo eh o criminoso o bandido né como aquele ser que não teve oportunidade e acho que com relação a próprio eh racismo Recreativo a gente vê isso sendo reproduzido na grande mídia né nas novelas Então eu acho que logo ali no ensino fundamental a gente precisa entender né como o Por que essa ideia né ainda colonial e é apresentada na grande mídia né então eu acho que ali começa o desenvolvimento do nosso eh senso crítico e a gente precisa começar a ter um olhar mais apurado Por que que a população negra quando é representado numa novela ela num contexto de ser eh a empregada doméstica o motorista eh o segurança a pessoa que tá querendo dar o golpe né E esse pensamento crítico muitas vezes ele só é desenvolvido quando você chega na universidade mas a gente vê né que a população negra ela tá tendo mais no pós-pandemia ela tá tendo dificuldade de concluir o ensino médio né pelo pelo processo de empobrecimento né Eh e até mesmo das das violências que estão chegando aos corpos novamente o enobrecimento da população e até mesmo o endividamento da população ela tem Ela tá no momento ali que ela cresceu e a gente tá tentando segurar né com a geração de emprego de renda que também tá diretamente relacionada então a política pública na cidade de Campinas a gente precisa pensar em como que a gente vai punir da direito à justiça acessa Justiça população negra como que a gente vai formar os nossos servidores para que as nossas crianças tenham mudança de pensamento como que a gente vai gerar emprego e renda direcionado pra população negra então paraas mães solos pros adolescentes para que eles consigam ali né muitas vezes terminar o Ensino eh o ensino médio ter a perspectiva de acesso à universidade né quando chegar na universidade a gente precisa discutir uma política de permanência na universidade também para que a gente consiga de fato ter essa mudança de quadros né Eh e a gente precisa também valorizar onde a população negra tá inserida então através da Cultura né a gente precisa a gente acabou de de votar o conselho do hip-hop né que é importantíssima uma população negra a gente precisa cada vez mais ter a discussão sobre como o grafite ele é uma expressão né de uma população periférica que muitas vezes não tem voz encontra através do grafite desse movimento cultural né a possibilidade de também de reivindicar as sua os seus valores como a dança Pode ser sim uma alternativa né assim como a mús e valorizar isso reconhecer isso e a gente precisa ir aonde a população e negra tá inserida e não esperar que ela venha até nós né para que a gente consiga a partir disso pensar e discutir a cidade né e pensar né que esse é um processo de que a gente passou por eh quase 400 anos de um processo on a população negra escravizado e menos de 100 anos que a gente tem direitos plenos né sobre o nosso ir vir né sobre se a gente for pegar o próprio direito ao voto né da população negra ela tem menos de 100 anos então di que é um processo muito recente negar a existência do racismo não faz ele desaparecer Deixar de existir e ser menos dolorido só faz com que a gente tenha menos capacidade de pensar a partir disso em como que a gente vai mudar a nossa sociedade então é fundamental também estimular discussões de como que a gente pode construir uma sociedade antiracista com todas as pessoas com quem tá e na periferia quem tá no centro quem tá nas classes mais altas porque assim a gente consegue identificar Quais são os problemas e pensar a partir disso agora Adriana a parcela da população brasileira que se autodeclara de cor ou raça preta passou de 14,5 milhões no Censo populacional de 2010 para 20,7 milhões em 22 é um crescimento de 42,3 por segundo o IBGE a que se deve este aumento é um avanço da valorização da negritude na sociedade ou não eh eu entendo que para além do avanço da valorização é a conscientização de quem eu sou hoje com os debates sendo intensificados sobretudo nos meios de comunicação nos meios televisivos você conseguir ificar a sua Negritude foi o primeiro ponto foi o primeiro passo porque quantas mulheres negras homens e mulheres negros e que ficavam no Limbo né que é o quando nós falamos de pessoas negras são são falando de pretos e pardos e pessoas que quando eram faladas que eram se identificavam enquanto pessoas negras você não é negro você é moreno tá Ah não você tem a pele muito clara para ser para ser negro não sua pele é muito bonita para ser para ser negra você é muito bonito para ser uma pessoa negra Então a partir do momento que eu começo a me identificar e descobrir quem eu sou Nesse contexto social eh que é a tal da consciência de classe e de raça eu consigo a entender que eu sou uma me identificar enquanto pessoa negra se eu me identifico enquanto pessoa negra eu passo a me autodeclarar e me valorizar enquanto pessoa negra e com essa identificação estava valorização vem também a valorização cultural vem o entendimento das das da nossa beleza Eh dentro das nossas das da do nosso padrão uhum eh das nossas referências e não do do padrão euroc centrado porque também muitas vezes essa identificação enquanto pessoa negra eh você se identifica é você dizer que você é uma pessoa ruim antigamente dizer que você é uma pessoa eh tendente à marginalização eh uma uma pessoa que se você diz que você é uma pessoa negra você é uma pessoa e que não é dotada de oportunidades você é aliada da sociedade então vem a você se identificar como negro vem carreado de uma de um montante de situações Então a partir momento que eu tenho essa transformação no identitário de como você vê essa pessoa negra e de quem são essas pessoas negras eh de como as pessoas negras participam e participaram do processo de construção não só da cidade de Campinas mais o país como um todo eh Quando você vê pessoas como laudelina quando você vê pessoas como o próprio Carlos Gomes que embora ele esteja lá no busto embranquecido ele é homem negro eh como quando você vê pessoas como irmãos Rebolsas aparecendo eh lélia Gonzales aparecendo como pessoas formadoras e pessoas importantes da sua época construíram Luiz Gama eh então isso faz com que a população negra entendo Poxa Olha quem são quem são os meus ancestrais uhum Olha quem são essas pessoas negras Olha a importância que elas têm na formação do país Então a partir desse momento eu entendo que poxa é bacana ser negro então sim vou me identificar enquanto pessoa negra eu sou uma pessoa negra Meu cabelo é crespo eu tenho ali meus traços negris minha pele pode não ser tão escura mas poxa tudo que me tudo que me norteia tudo que me cerca me traz pra Negritude Então sou uma pessoa Negra então el A minha cultura está toda envolta eh na Negritude Então como que eu não sou uma pessoa negra então é importante e mais ainda né Eh na parte na que aí é o aspecto negativo de como a gente se identifica enquanto pessoa negra toda vez que a gente vai para para centro da cidade em algumas lojas em alguns espaços em que nós somos perseguidos né então isso também faz com que a partir do momento que a gente começa a Expor essas situações com com mais intensidade E dizer sim isso que acontece nas lojas é o racismo quando a gente intensifica e dá mais luz à violência policial contra a população negra que aí atinge sim pessoas retintas e pessoas pardas aí você começa aí é esse indivíduo começa a entender Poxa eu sou uma pessoa negra é uhum Paula quero ouvi-la também 6 milhões de pessoas de de 2010 para este último senso Vê com otimismo e o que fazer com este dado não eu vejo com bastante otimismo porque é isso que a Dra Adriana trouxe é você conseguir se identificar é você conseguir se reconhecer é você entender que você pode sim ser uma pessoa negra ser uma pessoa bonita ser é uma pessoa negra ser uma pessoa formada se é uma pessoa negra ser uma pessoa bem-sucedida que você pode fugir desse desse estereótipo que foi criado né eh através de muitos anos com relação à imagem de que você tem que ser subserviente a uma parte da população né que muitas vezes não divide eh nem a mesma classe e nem raça que você então eu acho que esse dado ele demonstra como essa consciência negra mais do que ela tá se formando ela tá se consolidando a nível de Brasil e como muitas vezes eh mesmo o discurso né sendo deslocado né mesmo com a negação do racismo as pessoas hoje têm o entendimento de que elas são sim pessoas negras né e de que isso não é um problema ser uma pessoa negra porque eh a o dado que a gente tem né Se a gente for olhar a quantidade de pessoas negras que foram trazidas pro Brasil que foram escravizadas eh a população de escravizados determinad no momento né em 1000 ali em meados de 1887 né antes da da da abolição da escravatura ela já era de mais né de 50% a população escravizada no Brasil antes de 88 de 1888 já era maior do que de pessoas Livres por isso que foi inevitável naquele momento com que a gente tivesse também esse processo né E essa correlação de forças né ela não se modificou o que a aconteceu ao longo desse período foi que a partir do momento que as pessoas né tiveram acesso a uma falsa Liberdade porque elas não tinham direito nenhum Elas entenderam que era necessário negar sua identidade né esconder os seus os seus a sua cultura esconder né a religião a cultura as roupas a forma de falar né os espaços onde moravam porque só assim elas conseguiriam garantir a sua sobrevivência enquanto sociedade e agora né nesse momento a gente consegue perceber que essa negação não faz a gente ser mais sobrevivente né mais resistente que pra gente conseguir eh lutar sobreviver e ter a garantia dos nossos direitos a gente primeiro precisa se reconhecer Então eu acho que esse dado traz isso né esse reconhecimento para que a gente tenha garantia de luta e que a gente ainda seja resistência e assim com que a gente sobreviva a uma sociedade que infelizmente tem tentado nos assassinar diariamente outro assunto que eu quero trazer aqui é que todos os anos quando chega esta época da consciência negra se discute em redes sociais aparecem vídeos de pessoas falando sobre consciência humana e a justificativa é que se englobaria tudo né Adriana e depois Paula Miguel é justo falar em Consciência Humana ou é um desserviço a luta contra o racismo e a favor da Igualdade racial para quem está nos acompanhando porque certamente dia 20 de novembro este assunto nós vamos acompanhar nas redes sociais e vai ter post de gente falando sobre consciência humana e gente falando sobre consciência negra Qual que é a visão que você tem deste assunto é o nosso mês da paciência Negra nosso mês se que a gente sempre a gente brinca que aparece o Morgan Freeman a gente já começa a ficar arrepiado exatamente é uma é um verdadeiro absurdo porque quando a gente fala em consciência negra é a gente eh sedimentar e fomentar no âmbito da sociedade essa importância e a valorização cultural essa importância da do nosso existir aqui em sociedade rememorar de como os nossos ancestrais foram trazidos para cá então o dia da consciência negra é para isso a consciência humana é se se serve para alguma coisa essa eh essa tradução de inconsciência humana é para vocês entenderem a forma como nós pessoas negras somos desumanizados ao longo de de 400 anos então se é que é há uma consciência humana é para vocês entenderem a desumanização e a partir dessa desumanização Sim nós vamos falar sempre em Consciência Negra Porque a partir dessa conscientização dessa valorização que nós vamos poder promover esse debate e esse debate de consciência negra que não é para surgir no mês de novembro né E aí nesse mês de novembro nesse dia da consciência negra a gente vem reforçando isso olha esse debate ele é para a vida enquanto nós ainda estivermos eh observando as as nossas ausências é direcionamentos violentos para determinada camada da população para determinado grupo social nós vamos continuar falando em Consciência Negra porque são essas pessoas é esse grupo social que é afetado eh seja com ausência de Educação de qualidade ausência de saúde de acesso à saúde de qualidade eh essa população que sofre maior violência sistêmica né a violência institucional é essa população que recebe os menores salários que tem acesso a ao não tem acesso ao emprego né de a grandes cargos eh não tem Projeção de acensão dentro das suas empresas quando trabalham estão sempre nas nas eh em trabalhos subservientes Então essa essa consciência negra que a gente tem que ter e também nesse contraponto valorizar aquilo que nós já construímos até hoje então a Paola estar aqui enquanto vereadora numa cidade racista como Campinas já é um indício de que em algum momento a gente tá conseguindo furar bolha exemplo da Guida exemplo do Carlão que foi mencionado aqui também então a gente é pouco pouquíssimo porque a gente sabe eh O que a Paula sofre dentro dessa câmara e a gente sabe que o que ela ela sofre É racismo então sim a gente vai falar ao longo do mês de novembro que muitas das falas que são proferidas e muitas das violências sistêmicas que são direcionadas a Paola fazem parte dessa falta de conscientização de quem são as pessoas negras de qual e quais locais ess as pessoas negras podem ocupar éé e que ela pode que elas podem estar poder de ter poder de decisão é porque estar na câmara na Câmara de Vereadores É sim ter a possibilidade de decidir e mudar as características de uma cidade como um todo então a gente vai continuar falando de consciência negra né a consciência humana ela pode existir lá lá no âmbito da discussão da sociedade como um todo mas para sem se a gente não fizer um recorte de raça a gente não vai estar nem falando sobre consciência humana se a gente não fizer recortes interseccionais nas nossas análises no âmbito eh da Consciência Humana a gente não vai est nem discut a gente nem vai chegar a discutir essa Consciência Humana então por isso que é uma sempre que falarem sobre consciência humana no mês da consciência negra digo sim que é uma outra forma de de racismo tá a não mas eu não sou racista está sendo racista nesse momento porque você tá tentando deslegitimar algo que está sendo construído para uma população específica que sofre as mazelas de um período total que foi retirado totalmente todosos seus direitos e o direito de existência humana inclusive porque H um a na época da escravização eh a população negra era comparada ao que nós chamamos de ser moventes no direito quem são os semoventes os animais Então os mesmos os mesmos direitos que um ser movente tinha eram os direitos que a população negra tinha ou seja eram comparados a animais então eh não dá pra gente e simplesmente ignorar esse processo histórico que a população negra sofreu para dizer que é o mesmo processo para quando você fala na Conciência humana você está colocando negros e brancos na mesma condição Histórica de historicidade e a gente sabe que não é isso que aconteceu e não é isso que acontece até hoje Paula quero ouvi-la também se você vha na rede social esse tipo de mensagem não eu acho que a d Adriana falou falou tudo falou muito bem o processo que acontece com aul negra é um processo de desumanização né E quando a gente fala quando aparece isso né de Consciência Humana eu fico pensando assim gente mas aonde que tão né quando as crianças negras são assassinadas quando elas são abandonadas elevadores e vem a morte quando a gente não consegue Justiça né pros nossos Paes quando a gente vê um processo de alimentação precarizado de forma sistêmica quando a gente vê onde até o velório né dessa criança é violado porque porque ela é intimidada pela polícia a família muitas vezes eh essa ausência de políticas públicas que chegam mulheres negras elas eh relatam que no parto né Elas recebem menos anestesia quando a gente tá no ponto no posto de saúde com alguma dor a nossa dor é minimizada então esse processo de nós né de ser de nós negros Temos visto como humanos né da mesma maneira que a população não Negra ela ainda felizmente não acontece Então se a gente tivesse né uma sociedade igualitária onde todo mundo tivesse os mesmos direitos os mesmo acessos né a gente até poderia eh ir para um debate mas a gente precisa lembrar que o 20 de novembro a gente tá lembrando da do assassinato brutal de zumbi que foi uma liderança negra que lutou para que hoje estivesse aqui então a consciência ela é negra né a consciência humana né D dessa perspectiva ela acontece infelizmente diariamente quando a gente lembra né na nome das ruas os escravocratas os torturadores os ditadores né Isso já tá acontecendo isso é trazido né e muitas vezes né a gente tem bairros inteiros que lembram esses nomes aqui na cidade de Campinas e isso não é discutido como sendo um problema a gente não discute Por que a 13 de Maio tem esse nome né a gente não discute Porque que a igreja né Eh dos dos homens negros ela foi destruída na cidade de Campinas a gente não fala porque que um túmulo né do do que é hoje uma referência religiosa ele é depredado diariamente mas quando a gente chega no mês de novembro que é um mês pra gente lembrar da onde a gente vem dos nossos antepassados né dos nossos ancestrais a nossa cultura da nossa religião que a gente pode trazer esse debate à tona muitas vezes porque a gente é limitado a isso até conseguir extrapolar da população negra né e chegar num num número maior de pessoas é quando novamente tem uma tentativa de que isso não seja debatido nesses termos e que a gente lembre também né que o grande salvador branco é que foi necessário pra gente est ali então para mim né a gente discutia essa consciência humana é ignorar tudo aquilo que acontece com os nossos corpos com as nossas violações de direitos e que muitas vezes é isso que tira a nossa oportunidade e o local de fala então é consciência negra sim o 20 de novembro é pra gente lembrar dos nossos ancestrais é para lembrar zumbi Dandara Teresa de Benguela diversos outros negros que foram apagados da história né que foram eh muitas vezes eh assassinados execut dados eh os livros foram Queimados né e a gente e pra gente também conseguir discutir amplamente né Para Além da população negra como que os nossos direitos ainda são deficitários mesmo constando na Constituição Adriana na resposta anterior que você deu você disse que a cidade de Campinas era racista você coloca dentro de um contexto de um município que tá no nosso país dessa questão ural ou tem algo especificamente aqui no nosso município nós temos a questão estrutural e a gente tem que considerar que Campinas foi a última cidade a acabar com a buição Então isso é importante sempre que o campineiro tem em mente que quando eu falo quando afirmo que Campinas ela racista porque ela esconde até esse histórico Ah é que a gente partindo de de uma pesquisa e de Pesquisas no eh que permearam o interior paulista inteiro eh descobrimos que a cidade de Campinas foi a última a acabar com a molição E aí a gente vê isso reverberado e reproduzido pela cidade inteira né a ausência da população negra eh nos no nos espaços de poder porque se assim não fosse eh nós estaríamos numa cidade melhor estruturada em termos de representatividade eh nós vemos que muitas vezes os eventos alusivos à população negra eh eles pendem de uma divulgação eh uma boa divulgação digamos assim na cidade nome da cidade muitas vezes a as verbas que tem que ser aí eu já não estou falando só na cidade de Campinas estou falando na região e verbas para eventos alusivos a valorização da cultura Negra elas sofrem Elas têm um corte de orçamento o orçamento que que serviria para trazer determinado segmento cultural x eh nós temos duas vezes mais e a gente observa pela estrutura que é montada pela estrutura eh que é trazida não são pensados também eh eh Quando você pensa em trazer artistas para a população de uma forma geral eh pr pra cidade não se pensam artistas negros que contemplem a população negra que está nessa cidade né então não a gente não pensa eh a periferia como deveria ser pensada e como deveria ser valorizada eh aqui na cidade então é um contexto é um contexto como um todo e eu falo da cidade de Campinas porque eu sou sou Campineira E aí eu costumo dizer que eu sou Campineira desde essa insala porque nunca saí de Campinas minha família toda de Campinas né tive avô que participou em determinado momento da frente negra brasileira então a nós est eu tô falando de um de um espaço de um lugar que as práticas e as as falas e as histórias elas vão se repetindo desde a geração do meu avô e eles elas se Rep elas se repetem comigo né E se assim não fosse nós não estaríamos também aqui falando né a gente não precisaria que discutir então eu falo de Campinas porque eu estou em Campinas sou enquanto Campineira e eu observo né o como a gente não tem eh a políticas adequadas a gente não tem o tratamento adequado para a população negra Paola falava sobre a questão da violência obstétrica em relação às mulheres negras eh eu não sei se nos hospitais municipais nós temos a formação dos profissionais da gestão para analisar essas questões para prestar atenção nessa questão né a os postos de saúde tem que ter atenção porque senão a gente continua sendo tratado da mesma forma como aconteceu antigamente a ideia de que nós somos apenas semoventes e hoje a os mas tem um tratamento diferenciado e especial também porque a gente tem um outro olhar para eles a gente vê que a população negra essa análise especial não é feita se não somos nós pessoas negras corremos atrás dessas políticas dessa legislação de de projetos de lei eh voltados pra questão da população negra isso não iria acontecer então eu só vou parar de falar que Campinas é racista quando eu tiver outras pessoas aliadas não negras aliadas de fato para combater o racismo né E principalmente identificar e e reconhecer o teu privilégio dentro dessa cidade que o seu privilégio é enquanto pessoa branca é uma enquanto pessoa não Negra e que outra pessoa negra poderia estar ocupando seu esse seu lugar uma outra pessoa negra capacitada e não está porque é uma cidade racista n o país é o Brasil é um país racista mas eu trago Campinas porque tem esse histórico e esse histórico tem que ser relembrado essa história eh de Campinas ela tem que ser relembrada você tem um busto de Carlos Gomes embranquecido daquela forma a ponto de pessoas que não são de Campinas não não sabia que Carlos Gomes era um homem negro não Você não tem como saber primeiro que isso é escondido da história e você olha o busto do Carlos Gomes Ele é o homem embranquecido u Então e e vários e vários outros pontos eh essa busca por nós eh eh identificarmos as ruas eh com outras com os com os nossos heróis Campineiros negros Campineiros também é uma dificuldade sim n então né a Paula vai saber F falar melhor do que eu nesse aspecto eh da de como nós somos apagados da cidade porque nós deveríamos ter eh aqui um museu museus eh mais adequados O que as as movimentações culturais nesse aspecto elas existem e de preservação de memória elas existem praticamente no âmbito particular no âmbito privado porque uma política pública efetiva de que mantenha essa memória viva essa memória estruturada se nós temos ela é muito precária Uhum Ela é muito precária Paula quero ouvi-la também sobre essa percepção sobre essa imagem que você tem eh a d Adriana trouxe né a cidade de Campinas foi a última do mundo a libertar o povo escravizado a gente pode considerar a última do do ocidente né o Brasil foi o último país a cidade de Campinas foi a última no Brasil mas acho que tem um ponto muito simbólico que a cidade de Campinas era onde a população negra ela era torturada né então Aqui é onde tinha o histórico das fazendas que eram mais agressivas aos negros que ali apresentavam uma revolta dentro de si né que muitas vezes tentavam fugir eh das fazendas que não concordavam com o trabalho né que queriam ali buscar sua liberdade eh e essa e esse processo né fez com que a cidade de Campinas hoje valorizasse inclusive os nossos torturadores a gente tem eh um bairro né que chama Barão Geraldo né que é para lembrar dessa Fazenda inclusive que era uma das fazendas né que era eh que torturava a população negra e dizem que não era uma das que mais torturavam né ainda por cima a gente tem por exemplo a fazenda rozeira né que também tá inserida dentro de um contexto né hoje abandonada pela prefeitura de Campinas quando a gente pensa de repasse de construção a gente lutou muito para que ela fosse reconhecida e valorizada nesse mandato né como sendo espaço cultural mas é um espaço que tá se não fosse né o João dito Ribeiro estaria abandonado sucateado né depredado ele teve ali diversos processos de roubos né de fio que fez inclusive que o a própria valorização da cultura tivesse dificuldade de avançar né então eh e diversos outros territórios né Costa e Silva Castelo Branco né E esses territórios negros eles não são reconhecidos eles não são lembrados e muitas vezes a população negra que tá inserida ali ela é expulsa não da mesma maneira que eram antes né ali de você chegar né com a polícia você tá fora daqui mas com um processo que passa até pela burocracia então a especulação imobiliária os altos valor de você terar da do servo e a permanência nos locais muitas famílias que moram né Por exemplo na Vila Costa Silva relatam Qual é a dificuldade de permanecerem naquele território depois que chegou ali ao redor bairros né de alto padrão e o shopping Dom Pedro e que as pessoas que trabalham ali não são as pessoas do bairro Então precisamos buscar fora daquele aquele território o transporte público que não funciona e acaba sendo excludente então para você ir e vir e chegar na universidade acaba gerando uma grande dificuldade então eh a cidade de Campinas que hoje né tem essa memória né infelizmente de ser uma uma cidade agressiva torturadora violenta não consegue responder na mesma medida em políticas públicas para que a gente consiga ter a valorização o reconhecimento e a memória do nosso povo garantida e assegurada programa Bom é programa com muitas informações Infelizmente o nosso tempo ele já está se encerrando mas só mais um assunto que eu queria abordar aqui com vocês é que o presidente Lula sancionou em 2023 e E com isso pela primeira vez a Consciência Negra é feriado nacional é importante todos os municípios aderirem a data é uma representação chama atenção para um debate ou é só um dia para descansar a maioria da população vai só aproveitar o que que vocês pensam feriado nacional na consciência negra Adriana bom que a maior parte da população vai descansar Isso não é um fato porque isso é um problema do brasileiro os fatos históricos importantes os feriados históricos do brasileiro não tem o hábito de entender o por que é 15 de novembro é feriado Porque 20 de novembro é feriado a gente tem esse ma hábito de não entender porque os feriados históricos o que aconteceu nessa data para que esse dia fosse feriado Isso já é um problema eh de uma forma geral Mas sendo 20 de novembro eu acho que é importante que ele seja um feriado nacional primeiro para sair dessa dessa questão facultativa do tipo a discussão racial no Brasil ela é um debate facultativo não é um debate facultativo é um debate obrigatório então ele é um obrigatório para o país como um todo então não ah Campinas é feriado jund Jaí não é ah Jaguariuna Não és na região metropolitana quase nenhuma cidade Era sim e aí a gente tem E aí a gente consegue entender o contexto dessa região o Por que essa região não quis aderir a gente sabe que a história nos conta o porquê né a gente tem aqui a maior região do café a maior região escravista do do Estado né aqui região jundí nimir então toda essa todas essas cidades Elas têm digamos o tal culpa no caritó por isso que rememorar essa história trazer assem uma obrigação a esse a esses municípios de reparação Uhum Então por que que eu vou rememorar algo que vai me trazer a necessidade real vai apontar olha cidade de Campinas olha cidade de Jundiaí olha cidade de Limeira eu preciso que vocês façam essa reparação americana já estou citando algumas não não tenho não é não são específicas mas todas elas todas elas aonde nós tivemos plantação de café e qualquer tipo de plantil e que utilizou a a mão de obra escravizada nesses ambientes sim tem obrigação de reparar e tem obrigação sim de relembrar essa data já que era facultativo e nessa tentativa de conscientização não forçada não aconteceu é importante que esse feriado seja Nacional sim para que se para quem não quer discutir seja obrigado a ouvir então é compulsoriamente vai ter que ouvir vai ter que entender ah que dia que é hoje ah ah feriado é feriado Qual feriada a Conciência Negra Por que que Consciência Negra porque alguém vai questionar o por que consciência negra e aí vem aquelas outras falas Por que que não dia da consciência branca e aí e aí começa mas é importante mas é importante que a gente tenha esse debate nesses lugares também para que eu fou Pera aí eu vou te explicar por que é consciência negra sabe aqui na sua cidade o que aconteceu e aí você vai contar história porque sem história né a gente não sem saber o que aconteceu no passado a gente não avança para um futuro melhor e a gente não trabalha o presente as mudanças no presente então Eh é importantíssima foi importantíssima essa que a que o feriado da Conciência Negra se tornasse um feriado nacional para que a gente possa sedimentar e fortalecer esse debate Paula também quero ouvi-la pela primeira vez feriado nacional Não eu acho que a a a d Elina trouxe um um ponto muito significativo né enquanto o feriado ele era facultativo a discussão também era facultativa e diversas regiões né e cidades ao entorno por exemplo Valinhos tentaram revogar o feriado da Consciência Negra dizendo que o racismo não existia então assim eh isso e foi proposto inclusive por alguém não negro né então eu acho que isso faz com que a gente tenha uma unifica com relação ao debate o entendimento da importância da gente ter um dia para lembrar os nossos heróis e também com que a gente consiga eh pensar em como que né a d Adriana trouxe aqui né como a gente tava aqui no cinturão no café como que aqui a gente tem eh situações específicas de combate ao racismo diferente de outras regiões se a gente for olhar pra Bahia por exemplo é uma outra conjuntura né uma outra forma apesar eles nunca se conseguirem ter eleger né Nenhum prefeito de Salvador negro apesar da população ser de 75% né a gente percebe que lá são outras demandas se a gente for olhar pro Maranhão onde a população negra é ainda maior as dificuldades são outras né Se a gente for olhar para para para Pernambuco e se a gente for olhar aqui pra nossa região a gente tem que lembrar que a gente lembra de diversos colonizadores né italiano né espanhóis portugueses a gente tem datas oficiais no calendário festas comemorativas que são lembradas que são revisitadas né E que você tem ali toda a comunidade organizada a partir disso e por que que a gente não pode ter a consciência negra também nessa mesma perspectiva Por que que a gente não pode lembrar eh de criar uma comunidade por exemplo para discutir o dia da migração eh haitiana né que a maioria da população é negra ou então pensando dos eh da própria população africana que tem chegado ainda né na cidade de Campinas através da Universidade de outros meios isso não tem isso é muitas vezes podado e isso acaba sendo discutido como fosse uma coisa menos importante do que a gente discutir esse processo de colonização europeia não negra que chegou até a cidade de Campinas então isso já demonstra como são dois pesos Duas Medidas quando a gente tá falando daqueles que escrevem os livros que ditaram as histórias que colocaram as regras da sua visão até agora não é um problema a gente lembrar historicamente deles o problema é quando a gente vai lembrar né E a gente vai trazer através daquelas pessoas que até aquele momento foram foram subjulgar foram colocados como menores para servir essa visão que as pessoas não querem que a gente tenha a gente não quer trazer através do Olhar do escravizado né O que foi esse processo de Brasil até agora a gente quer trazer pelo colonizador e a gente quer negar aquilo que o escravizado tá trazendo e o que os seus descendentes também estão trazendo porque para porque para uma parte da população né que quer inclusive dia da consciência branca é mais importante você disputar a narrativa né do que a realidade e a história tá aí para para provar né como a população negra a ainda infelizmente não consegue ter sua voz lembrada Adriana de Moraes presidente da Comissão de igualdade racial da ob Campinas Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo todas as informações que foram passadas aqui tenho certeza que De grande valia para nossa população que saiu muito bem informado do programa já faço um convite para você retornar aos nossos estúdios para falar sobre esse mas também sobre outros assuntos ó Eu que agradeço a oportunidade mais uma vez est aqui na TV Câmara e ressalto a importância de estar aqui ao lado da Paola que é uma representatividade importantíssima eh na nossa cidade então eu que agradeço mais uma vez por estar aqui e com certeza retornarei eh para falar sobre esse e outros assuntos né porque como a gente fala no dia no mês da consciência negra nós falamos sobre racismo mas também nós temos as nossas atividades para além né sua advogada a vereança da Paula também é para a população como um todo então tem políticas públicas importantes sendo aí propostas para a população como um todo e assim como as as minhas áreas de atuação dentro do direito então agradeço mais uma vez o convite nós aqui agradecemos vereadora Paula Miguel presidente da Comissão de Direitos Humanos e cidadania Muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo as informações que foram passadas aqui importante também pro nosso telespectador o trabalho que é realizado na comissão e faço convite para uma nova oportunidade para poder retornar aos nossos estúdios Muitíssimo obrigada Gabriel quero agradecer a doutora Adriana aqui toda a equipe da TV Câmara dizer que na M uma grande honra est aqui nesse mês tão importante pra gente discutir conscientizar dialogar e também queria deixar uma dica aqui de Podcast acabou de virar livro que é o Projeto Querino que traz a história do Brasil através dos movimentos negros das lutas do povo negro pra gente conseguir também ter esse outro ponto eh outra visão né do que realmente aconteceu então para mim é uma grande honra estar aqui me convide sempre que vocês quiserem puderem sigo à disposição e eu agradeço você aí de casa também pela sua companhia pela sua audiência espero que a gente tenha contribuído que você tenha compreendido a importância da consciência negra deste feriado nacional pela primeira vez e que converse com o seu vizinho no seu bairro em grupo de WhatsApp sobre a importância pra gente poder combater o racismo que infelizmente ainda existe na nossa cidade e no nosso país questão de ordem fica por aqui até uma próxima oportunidade tchau tchau [Música] 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