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Olá, [Música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje debate o Agosto Lilás de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. A escolha deste mês é por conta da sanção da Lei Maria da Penha assinada em 7 de agosto de 2006, referência no enfrentamento da violência doméstica no Brasil. Em Campinas, de acordo com a Secretaria de Assistência Social, no ano passado, 90 mulheres, 79 crianças e seis adolescentes foram abrigadas pelo serviço de proteção da cidade, um aumento de 12,5 em relação a 2023. E preste atenção neste dado nacional. No ano passado foram quatro feminicídios por dia, o maior número da história do Brasil. Uma situação que preocupa muito. Então, para falarmos sobre políticas públicas, leis existentes e cumprimento e fiscalização dessas leis, saber identificar situações de violência, canais de denúncias, impactos na saúde mental, eu recebo aqui no estúdio a vereadora Guida Calisto, a vereadora Paula Miguel e a Thaí Cremasco, que é advogada, cofundadora do coletivo Mulheres pela Justiça de Campinas. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Guida Calisto, começo com a senhora. Uma situação preocupante, né? Porque os casos eles continuam acontecendo. O que que pode ser feito a pequeno, a médio, a longo prazo diante de um assunto que é tão complexo e que parece distante de ser resolvido? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Bom, agradeço mais uma vez, Gabriel, a oportunidade saudar também aqui vereadora Paula Miguel e a advogada do Dra. Thaí e todo mundo que tá fazendo todo o suporte aqui, né, para que a gente possa realizar esse momento de debate. Eh, eu eu quando a gente olha os dados, a gente fica muito preocupados, né, porque a gente fala assim: "Nossa, ainda tá acontecendo tanta violência, tanto tanto feminicídio, né? Mas eu avalio que eh isso tudo só tá acontecendo porque realmente nos tempos de hoje acontece um verdadeiro levante das mulheres, principalmente de um setor das mulheres, para denunciar essa violência. Então, obviamente que os números são grandes, são sim, são números muito ruins para nós, mas a gente precisa lembrar e pensar que há 19 anos atrás, antes da Lei Maria da Penha, sequer nós tínhamos um instrumento legal, especificado, específico, né, para poder fazer esse tipo de acompanhamento, de abordagem, de julgamento, né? Então, sequer nós tínhamos uma lei como é é a lei a lei Maria da Penha. Eu avalio que a lei Maria da Penha é um dos melhores instrumentos jurídicos de proteção à vida das mulheres, né? Mas a gente vem de uma cultura, Gabriel, em que as mulheres passou por muito tempo achando que eh era normal sofrer esse tipo as violências, né? Porque a própria Maria da Penha, a doutora, acho que vai falar isso melhor que eu, eh fala muito sobre as várias violências, né, que tem a violência física, a violência patrimonial, a violência psicológica e quando a gente chega no ápice dela, que é o feminicídio, com certeza a mulher passou pelas várias outras violências. E isso foi muito normalizado, naturalizado, né, que as mulheres tinham que aceitar isso. A gente tem um dado hoje que diz que 70% dos feminicídios resultam de subnotificação de alguma violência, ou seja, são mulheres que sofreram alguma violência, que na maioria das vezes são violências físicas, né? Sim. E que nunca eh denunciaram. Então, a gente vem dessa cultura, de uma cultura de não denunciar. Então, com certeza os números são altos, mas também eu vejo que tem um um levante das mulheres que tem sido muito importante. E também vejo que os números são altos porque também existe uma reação do lado de lá, né? Eu falo do lado de lá eh do próprio machismo, né? do machista ou dos machistas que não suportam ver o seu poder questionado. Então, é uma luta que a gente ainda tem que enfrentar e políticas públicas, com certeza, elas são extremamente necessárias. Eu eu, vereadora Paula Miguel, temos algumas propostas aqui já apresentadas nessa casa. Pena que não caminho, né, vereadora, num caminho, porque talvez, né, não seja de interesse, né, mas eh é do interesse de nós mulheres apresentar e fazer discussões de políticas públicas necessárias para resguardar a vida de todas nós. E três dessas propostas a gente vai citar aqui no programa Questão de Ordem. Vereadora Paula Miguel, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelaram que em 2024 o país o país registrou 1492 feminicídios, um número que equivale a esta média de quatro mortes por dia. De acordo com a publicação, essa é a maior taxa desde 2015, quando a legislação brasileira passou a tipificar o crime com a lei 13104. mesmo com tantas leis, um trabalho para que essa informação chegue em todos os cantos. Temos recordes de mortes, de casos de violência. Você liga a TV, você vai encontrar um caso. Onde que nós estamos errando ou estamos acertando? E o caminho é que é longo mesmo. Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Muitíssimo obrigada, Gabriel. Para mim é uma honra estar aqui ao lado da vereadora Guida Calice, da Dra. Taí Camasco pra gente poder discutir sobre esse tema tão importante. Eu acho que o caminho é muito longo ainda, mas eu acho que a gente tem errado, principalmente nisso que a vereadora Guida Calisto trouxe. Há um processo de naturalização da violência. Então, muitas vezes o que a gente entende, né, identificava como seu namoro, era aquela demonstração excessiva dos ciúmes, a demonstração, inclusive excessiva da posse sobre os nossos corpos, a demonstração do controle sobre as nossas roupas, sobre o batom que nós usamos, sobre o corte de cabelo. E a gente ainda vê isso sendo reproduzido na nossa sociedade. E mesmo agora que a gente tem um processo de conscientização, a gente tem também um processo que é uma organização inclusive, né, que aí acho que a doutora vai falar inclusive bem melhor do que eu, que é sobre os incéus, né, sobre esse ódio às mulheres. Então, conforme as políticas públicas de enfrentamento à violência foram crescendo ao redor do mundo e conscientizando, né, sobre o direito dos nossos corpos, sobre os direitos da nossa vida, sobre o direito de que a gente tem de falar sobre de falar não, sobre o direito que a gente tem de não ser posse de alguém, há uma, na contramão de tudo isso, há um crescimento de em céus e também da desse ódio às mulheres. E a gente vê isso expresso principalmente hoje em dia, né, eh, nas redes sociais, né, os redills. E a gente também tem uma série, né, da Netflix que traz essa justamente esse ponto, né, desse de pregar o ódio sobre as mulheres, de como as mulheres, na verdade, elas estariam, né, eh, dentro dessa parte dessa lógica, sendo culpadas por esse sentimento de ódio contra nós. Então, eh, esse caminho ainda é muito longo. A gente precisa entender que quando a gente tá falando da do enfrentamento à violência contra a mulher, a gente tá falando da proteção de toda a sociedade, da proteção das crianças, da proteção dos adolescentes, da proteção inclusive dos próprios homens, de uma sociedade que reproduz a violência e com isso reproduz discurso de ódio e acaba protegendo outras populações que também são marginalizadas, como a população negra, população LGBTQ PN+. Então, a partir do recorte do que é a violência contra a mulher, a gente consegue perceber que há um processo de adoecimento na sociedade. E também aqui para para concluir e passar de volta para você, eu acho que tem um sentimento do que é a ideologia, né? E quando essa ideologia, inclusive, essa ideologia passa pela religião, passa pelos costumes, passa pela moral e como e como que isso muitas vezes influencia no debate também da violência contra a mulher, no processo, muitas eh muitas vertentes religiosas pregam que as mulheres têm que ser submissa ao casamento, né, aos seus companheiros, né, ao seu as suas companheiras, aquela relação que ela estabeleceu. E muitas vezes essa submissão passa também por aceitar a violência que muitas vezes não é física, é patrimonial, né? A violência que passa ali pelo financeira, né? Pela por essa violência que essa esse silêncio, né? Por esse controle não dito. Eh, e, né, o feminicídio acaba sendo o resultado disso. Eh, a região de Campinas, se eu não tô enganada, ela tem um um número de feminicídios que ela é superior que a média nacional. Então, ainda assim, na nossa região, a gente tem um desafio muito grande de conscientizar, fazer diálogos e, principalmente, fazer com que as mulheres que hoje sofrem com isso tenham a coragem de denunciar, porque depois da pandemia a gente ainda não conseguiu voltar no número de denúncias anterior à pandemia. A gente tá voltando agora, né? E a pandemia foi ali em 2020. Então a gente consegue perceber como que a pandemia também foi muito influente para que as mulheres denunciassem menos e ter uma crescente também de feminicídios. Tá Cremasco diante deste cenário, né, exposto a pouco de centenas de mulheres em abrigos em Campinas, de mortes por todo o país. O Brasil é um país violento paraa mulher viver. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigado por ter aceito o convite novamente. Obrigada. Obrigada pelo convite. Boa tarde a todas as pessoas. as minhas colegas. É um prazer estar aqui com vocês. O Brasil vive uma guerra não declarada contra as mulheres. Parece chocante, parece exagero, mas um país que a cada quatro, que a cada 6 horas mata uma mulher, está vivendo numa situação de guerra. E a guerra historicamente mais longa, porque é uma história de violência contra as mulheres, nunca houve um período na história onde não se matasse mulher por masticismo e misogenia. É uma guerra que violenta gerações, porque uma mulher que é estuprada, ela vai levar esse trauma, essa dor paraas próximas gerações, vai mudar a própria estrutura de vida daquela mulher, ela vai ter descendentes dos quais ela de repente não desejava. Então, falar que nós vivemos em guerra contra as mulheres pode ser forte, mas é a verdade da realidade hoje das mulheres no nosso país. O lugar mais perigoso para uma mulher estar é dentro da sua própria casa. E a pessoa mais perigosa para aquela mulher conviver é o seu próprio parceiro. Se isso não é uma guerra silenciosa, eu não consigo achar um nome melhor para definir o terror que é ser mulher no nosso país. E se a gente for sair um pouco das relações pessoais e olhar pra mulher no ambiente de trabalho, nós veremos que fazemos a mesma coisa e ganhamos menos, uma violência. Veremos que mulheres que estão na política, se elas não forem assassinadas, né, como foi a nossa Mariele, ela vai ser assediada, ela vai ser desrespeitada, ela vai ter a palavra ca, a credibilidade colocada em cheque, ela vai ser ridicularizada para que a gente não pertença a esses passos, né? Porque uma mulher com voz, uma mulher com poder, é uma mulher que incomoda, porque só quem sabe o que é viver sem uma proteção e sem uma lei é capaz de lutar com a sua própria vida por ela. Então, nós vivemos nesse cenário de guerra contra os nossos corpos, contra a nossa existência e vem um poder judiciário, uma legislação, políticas públicas para tentar corrigir essa esse desastre que é essa mulher dentro do nosso país. Quando sai uma pesquisa e fala que uma mulher é estuprada a cada 6 minutos e a gente percebe que esse crime é altamente subnotificado e a gente encontra pesquisas dizendo: "Se for pegar mesmo as subnotificações, vai ser uma mulher por minuto". A gente tá tendo ceifado o nosso direito de existir com liberdade. E tem uma coisa muito interessante nessa questão do que eu chamo dessa guerra contra nós mulheres, que é um movimento de contra-ataque, de backlash. Todas as vezes que a mulher, a pauta feminista avança, vem uma onda de retrocesso justamente para tentar nos silenciar. Então, há dezenas de anos, mulheres tinham o direito, por exemplo, de fazer o aborto legal. Uma mulher estuprada, indiscutivelmente, teria o direito de abortar. voltamos em 2024 a discutir essa pauta. Se isso não é uma forma de nos silenciar e de nos tentar de alguma forma fazer com que as mulheres voltem para um lugar de submissão, isso é uma estratégia organizada pro silenciamento da mulher. Então, infelizmente, a gente percebe que muito embora tenhamos inúmeros avanços legais de políticas públicas, de debates, o retrocesso sempre tá batendo a porta das mulheres para tentar nos lembrar que essa guerra silenciosa está sempre a nossa espreita. Então, dizer que é muito importante a gente lembrar, né, que a Lei Maria da Penha traz a proteção integral paraa vida da mulher, não só física, sexual, psicológica, moral e financeira, mas não é simplesmente termos leis, porque nós mulheres estamos tão acostumada com essa guerra que o machismo faz contra as nossas existências, que a gente tem muita dificuldade de reconhecer quando a gente é vítima de uma violência, como se aquilo aquilo já fizesse parte da nossa própria existência. Sobre esse costume, sobre saber reconhecer, Thaís, depois quero saber da Guida e da Paola sobre saber identificar a violência, porque quando ela é física, ela é visível ali, é o tipo mais comum, a mulher sabe. Mas e por exemplo, no ambiente de trabalho, quais são os tipos de assédio e a questão também da falta de apoio para essa mulher? Bom, eh, eu acho que a mulher tem um um poder, né? Dizem que somos netas das bruxas que não conseguiram matar. As mulheres têm um poder de sentir quando algo está errado com os nossos corpos. Então, nós mulheres, a gente entende naquele ambiente que tem algo que não que não tá certo, mas muitas vezes a gente não sabe nomear o que é aquela violência dentro do ambiente laboral. Muitas vezes, por exemplo, no ambiente laboral, a mulher vai dizer: "Olha, isso foi um elogio, uma brincadeira do colega". Nós mulheres, a gente não trabalha para ser elogiada por um homem, nem por um colega. Nós trabalhamos para ganhar o nosso salário, realizar a nossa transformação no mundo. E a gente não quer um homem comentando sobre a nossa aparência. Então, o que antes, até pouco tempo, era visto como: "Ah, é uma brincadeira, é um elogio". Não, isso não é um elogio, isso é assédio. É assédio sexual no ambiente de trabalho. Todas aquelas regras antigas de dizer: "Ai, o assediador tem que te oferecer uma troca". Isso não existe mais, né? Uma mulher que tem a aparência dela questionada, que ela é eh de alguma forma eh assim exposta no ambiente laboral, ela pode sim procurar a justiça para dizer que ela tá sendo assediada moralmente ou sexualmente a depender do tipo de comentário, né? a mulher que recebe um salário menor que o homem, né? Sendo que eu penso que todas nós, na verdade, recebemos. Quando a gente desconsidera o trabalho doméstico como trabalho remunerado, nós mulheres estamos trabalhando dobro para ganhar menos. Então, eu acho que são muitas formas de violência e eu acho que a percepção ela tem um tem essa essa essa coisa interna de muitas vezes a mulher sentir que está que tem alguma coisa que não está certa. E é por isso que é tão importante que a gente saiba não naturalizar condutas de ciúmes, não naturalizar uma brincadeira, isso não é brincadeira, isso é assédio, aquela piada machista, aquele comentário. Nós mulheres, a gente precisa começar a não aceitar mais esse tipo de violência como algo normal, né? mostrar pra sociedade que a gente não quer mais ter esse tipo de brincadeira, ter esse tipo de comentário. E eu falo seguramente, a violência começa nos pequenos atos, nas microviolências. Guida e Paola, há inúmeros prejuízos, né, quando isso acontece do lado humano, do lado mental, do lado psicológico, do lado financeiro, as empresas precisam ter um protocolo claro. Existe também a omissão dos colegas que muitas vezes ficam com medo de denunciar. Essa é uma questão que acho que precisa ser muito debatido, né, dentro das empresas. Sim, acho que precisa ser debatido, precisa ser enfrentado. Eh, a gente fala, por exemplo, acho que eu e a Paola podemos falar um pouco mais sobre a vivência, né, do que essa é uma parlamentar mulher. Hum. Num parlamento que majoritariamente é composto por homens, né, por homens brancos inclusive. E nós duas somos duas mulheres negras, né, Paulo? E e isso é colocado assim. Então eu eu percebo se isso acontece com uma autoridade com uma somos nós, né? Se nós somos duas autoridades, duas vereadoras parlamentares, quando a gente eh é só qualquer um assistir a TV Câmara, né? Uma sessão. Todas as vezes que a gente vai debater um projeto, principalmente se o projeto for polêmico, né? se for um projeto polêmico, um projeto que tem uma posição antagônica, né, muito bem marcada, eh, vem logo como argumento, principalmente dos colegas homens, parlamentares homens, eles vêm na linha, olha, a vereadora não leu o projeto, nossa ou então a vereadora eh não entendeu o projeto ou a vereadora eh eu eu lembro que uma vez a gente fez um questionamento, né, na tribuna sobre um assunto que eu nem lembro mais qual era. Olha, aqui não é espaço de fazer isso, né? A vereadora pode usar o instrumento do recurso de requerimento de informação. Veja, eu eu eu sei quais são os recursos que eu tenho em mãos e eu utilizo eles na hora que eu entendo que devam ser utilizados, né? Agora, o meu posicionamento, eu fui eleita para isso. A população espera o meu meu posicionamento, né? meu o meu posicionamento público e eu não tenho medo de colocar os meus posicionamentos. Então, a gente vê que sempre, né, essa questão de de e eu garanto para vocês, para todo mundo, eu desafio qualquer um que essa fala não ocorre com os vereadores parlamentares homens, né? não ocorre com eles. Então, e muitas vezes, eh, Gabriel, isso acontece, mas se a gente não tem essa formação, como a gente costuma dizer, o letramento disson, isso passa. Uhum. Isso, isso vai passar. Então, isso com certeza ocorre nas fábricas. Olha, você não entendeu, você não leu, você não sabe, o fulano sabe o, né? Às vezes a gente fala a mesma coisa que o fulano falou. Aliás, a gente falou primeiro, a gente aí o fulano vai se utiliza do da da nossa argumentação, mas o que o fulano falou é brilhante o que você falou. Então assim, e e isso tem gente que vai falar assim: "Ah, mas isso é bobagem", né? É que nem o racismo, né? Ah, isso é bobagem, porque você não passa por aquilo, você não sente na pele aquilo. Então, é uma invalidação o tempo inteiro, o tempo inteiro, o tempo inteiro. Isso constitui uma sociedade machista, uma sociedade que na sua formação naturaliza esse esse tipo de violência. Então são essas pequenas violências, né, como a doutora falou, essas microviolênolências que vão acontecendo a todo momento, que vão moldando a consciência social. Sim. E aí quando você vai falar de algo mais eh macro, as pessoas não conseguem não, mas não, mas tava ali, tava ali o tempo inteiro, estava ali o tempo inteiro, só que não teve ninguém para falar: "Olha, isso não deve ser feito". Então, com certeza, precisamos ter eh mais protocolos sobre isso, precisamos ter instituições, entidades que debatam, que que discutam e principalmente que a gente precisa ter eh para além de de formações, que a gente até tem projetos que debatem sobre isso, a gente precisa ter uma rede fortalecida para amparar essas mulheres, porque muitas vezes essa naturalização da violência é tão forte, né? Ela é tão, ela é tão, ela é tão orgânica, ela é tão assim enraizada, enraizada que, eh, as mulheres acham que isso é normal acontecer, não é normal isso. É, eu lembro que uma vez num determinado ano, nem lembro qual foi o ano, foi eu e a Dra. Thaís, a gente foi numa delegacia da mulher aqui em Campinas. Uhum. Que a delegacia da mulher, ela tinha uma prática de ter uma um serviço lá de uma capelã. E essa senhora, que era uma senhora religiosa, ela ficava lá justamente para na hora que as mulheres vítimas de violência chegassem lá para fazer a denúncia, né, contra quem a quem quem fez a violência com elas, né, o contra a pessoa que a violentou, essa capelã entrava em cena, ou seja, entrava, colhia. Você imagina, né, Gabriel, você sofreu uma violência, você tá quebrada, né? Eu eu lembro da figura terrível que aconteceu semana passada, né, da moça que levou levou 61 socos, né, do namorado dentro do do elevador. Então você vê essa pessoa chegando lá, detonada, destruída, a sua moral, a sua, enfim, seu corpo, seu rosto, a sua identidade, tudo detonado, tudo, tudo, tudo, tudo, né? Aí essa mulher chega, é, vai até essa capelã, essa capelã faz esse acolhimento a ela, né? E aí essa campelã vem com a sua formação religiosa. Qual é a sua formação religiosa? Sua formação religiosa diz que a gente a gente tem que perdoar. E aí coloca em cena, coloca, né, ali na mesa como oferta a essa pessoa que tá nessas nessa condição frágil, frágil, vulnerável totalmente, que ela tem que perdoar. Então você imagina só. Então, eh, são muitas instituições que a gente tem que enfrentar. A gente tem que enfrentar a escola, a gente tem que enfrentar as a religião, muitas vezes a gente tem que enfrentar os espaços, né, de formação, de opinião, a própria mídia, os os espaços de informações, a gente tem que enfrentar porque essa é uma questão seríssima, principalmente para fortalecer essa rede que precisa acolher essas mulheres. É inadmissível o espaço de uma delegacia ter a figura de uma pessoa como essa, né? Eh, não que ela não deva ser uma pessoa que vai acolher, lógico, mas interferir na decisão dessa pessoa que está vulnerável naquela situação, que ouviu a vida inteira, que a gente tem que perdoar, ou aquela palavrinha chave, né? Ai, a mulher é o esteio da casa, né? Como diz várias, ou seja, a culpa é tudo minha, nossa, né? Ou seja, se a casa vai bem, né? Tudo bem. Se a casa vai mal, a culpa é minha. Então, assim, eh, isso é muito ruim. a gente não pode aceitar eh interferências desse tipo, porque isso não ajuda, isso faz permanecer, perpetuar toda essa esse esse histórico de violência que as mulheres têm enfrentado. Paula, quero ouvi-la também. Eh, eu acho que a doutora eh, Thaís e a a vereadora Calisto trouxeram ótimos exemplos, mas eu queria lembrar que a violência muitas vezes começa dentro de casa, começa com aquele tio que você encontra na festa de família e quer dar um abraço mais forte, que você fica sentando no colo dele e as pessoas acham aquilo bonitinho, mas a própria criança já sente, já não quer ir, né? Quando a gente vê uma criança não querendo, né, trocar afeto com a pessoa adulta, já é uma uma referência que a gente tem que ter. Eh, depois isso vai vai crescendo, né? Muitas crianças ali têm dificuldade muitas vezes de visitar primos por conta dessa figura, né, desse tio, do padrasto, né, daquele amigo de família. quando chega na escola, esse processo já tá naturalizado. Então, ela chega na escola já com esse processo de naturalização. Aí, muitas vezes, de novo, chega uma outra figura masculina que tenta ali se aproximar. quando chega no ambiente de trabalho, ela já passou por tantas violências que ela naturalizou na vida, que aquele colega de trabalho que chega, né, e que vai ali, né, eh, passar a mão nas costas, que vai dar aquele abraço mais longo. A gente nunca vê homem se cumprimentando com beijinho, mas quando chega uma mulher, ele quer dar um beijo no rosto dessa mulher, né? e o e o mais próximo da boca possível, muitas vezes. E a gente vai de novo naturalizando. Doutora eh Thís Carmasco trouxe aqui, né, a questão do elogio. Ah, mas é um elogio, gente. Eh, a gente não tá no trabalho para ter o nosso corpo elogiado. Se for para ser um elogio, é por conta da qualidade do nosso trabalho. É para um reconhecimento através de uma promoção. É pelo reconhecimento de você receber igual um colega de trabalho que tem uma formação muitas vezes menor do que a sua, né? e no ambiente político, essas coisas não são diferentes. Então, os comentários que nós ouvimos, né, e até mesmo o burburinho na sessão enquanto nós falamos, né, essa ausência de atenção, eles sobem para para trazer o mesmo argumento ou para trazer um argumento que não tá rebatendo aquilo que a gente falou, porque ele nem conseguiu ouvir o que a gente falou, né? Eh, e a gente vê também como que muitas vezes essa essa lógica machista da sociedade faz com que quando a gente vai denunciar, seja na delegacia, seja numa ouvidoria, seja eh no âmbito que for, a gente as pessoas falam assim: "Ah, mas será que foi isso mesmo? Será que você não entendeu errado? Será que ele não tava sendo só gentil?" Então nós somos colocadas, né, como se a gente tivesse levando aquela situação como um excesso. Quando a gente sabe, a doutora e tá escremasco torce muito bem, a gente sente o que a gente tá passando, o que a gente tá vivendo, né? E essas violências quando elas não são físicas, né, a dificuldade de você não é de você identificar, né, mas muitas vezes é de você convencer a instituição que vai te proteger, aquilo que tá acontecendo, que você sofre com uma violência patrimonial, que você tá sof sofrendo assédio no local de trabalho. Muitas mulheres não denunciam porque elas perdem o emprego, porque quem faz esse esse assédio muitas vezes são quem que tá num num espaço de poder, é o chefe, né, que é o aquele que tá acima dela, né, no âmbito escolar, a mesma coisa, né, quando a gente tá falando principalmente dessa desse desse poder, né, da aluna com o professor, com o diretor. É alguém que tá acima dela, para quem que ela vai reclamar? Para quem que ela vai denunciar, aonde ela busca? Dentro da Câmara a gente fala bastante sobre violência política de gênero, mas muitas vezes aquilo que nós sofremos é tido como um abre aspas mimimi, é colocado como assim: "Ah, não, isso foi só uma discussão de tribuna". Tiveram episódios na Câmara de que nós fomos eh que que um vereador falou do corpo de uma deputada, né? Quantas vezes, né? A gente a gente ouve isso e a gente novamente naturaliza. Eh, acho que a Isalene, né, inclusive, que foi a única prefeita mulher da cidade de Campinas, sofreu muito com isso num tempo onde a misogenia, o machismo, não tinham esses nomes. Mas as pessoas falavam que o problema do quarto andar é porque tinha uma pessoa que usava saia. Isso é nítido. Quando a gente falava da Dilma, por exemplo, a forma com que ela quem era o o primeiro damo, as roupas que ela vestia, a forma com que ela era ridicularizada, aquela aquele adesivo no tanque do carro, né? Tudo isso demonstra que era muito mais importante como ela se apresentava do que o que ela falava, de como o país tava, de como a política andava ou porque ela era dura demais, né? Que não pode ser dura, né? Não, as mulheres nervosas. Calma, tem que ser, tem que ser dócil. A gente o tempo todo é colocada dentro dessa caixinha, né? Eh, nós temos que ser bela, recatada e do lar o tempo todo. E a nossa roupa, o nosso batom, a forma com que a gente se coloca, muitas vezes é colocado acima até mesmo das violências que nós sofremos. E nós somos responsabilizadas pelo estupro. Ah, mas você tava usando uma saia muito curta, mas você foi provocativa. Você tava andando, saiu à noite, é, bebeu. Quem não lembra da do caso da Ângela Diniz, por exemplo, que foi que assassinada e as pessoas ainda inocentaram porque ele tava, o Doc Street tava defendendo o a legítima defesa da honra, né? Ou então vários inúmeros inúmeros casos com jogadores de futebol que foram lá pagar a pensão, que são os exemplos pros nossos jovens, para nossas crianças. mas que não são responsabilizados, não são, não recebem nenhum tipo de punição definitiva para aquilo que eles fazem. Muitas vezes, como é o caso do goleiro Bruno, eles são recontratados, né? Recebem salários milionários e viram ídolos de futebol. Então existem, não sei, não sei nem se são dois pesos, duas medidas, porque se você for uma mulher eh negra, periférica, se for uma mulher trans, se for uma mulher eh que mãe solo, se for uma mulher jovem que você sai à noite, a forma que a sociedade te olha já é como se você fosse responsável pela violência que você sofreu. Não, achei muito interessante a fala da da vereadora no sentido de falar pra gente onde vem essa violência que a gente se acostumou, né? De onde vem esse machismo que nós mulheres quando a gente cresce eh a gente talvez muitas vezes nem perceba o que tá acontecendo, não saiba reconhecer, não saiba lutar. Eu achei muito interessante quando ela trouxe essa questão da casa como o primeiro lugar onde a a mulher vivencia as violências, porque os dados da Secretaria de Segurança demonstraram que mais 70% dos estupros foram destinados a crianças vulneráveis, a mulheres vulneráveis, ou seja, mulheres abaixo de 14 anos. Esse dado é muito importante, muito violento por dois pontos. Primeiro, porque mostra, né, que um percentual muito grande dos estupros foi destinado a meninas menores de 14 anos. E também mostra como a gente ainda subnotifica, porque as mulheres adultas muitas vezes preferem não denunciar para não ter que passar pelo calvário de provar que nenhuma mulher acorda e fala: "Hum, acho que eu vou inventar um estupro hoje". Ninguém vai na delegacia e fala: "Ah, roubaram o meu carro, mas não tinha carro, né?" Então, assim, nenhuma mulher acorda e inventa um estupro. Então, muitas mulheres elas se silenciam, mulheres adultas e a criança, ou por est sendo cuidada pel própria escola, ela acaba sendo eh auxiliada por um adulto para fazer a denúncia do estupro de vulnerável. Mas essa essas violências existem e elas começam na família. E daí eu repito esse conceito da microviolência, de pequenas violências que as famílias às vezes vão reproduzindo por amor, para educar dentro de um conceito que é misógeno e violento para as mulheres. Por exemplo, uma coisa que a sociedade entende como absolutamente normal, o pai se referir à filha como namoradinha, sabe? O pai questionar a sexualidade daquela menina: "Minha filha não vai namorar homem nenhum, o homem da casa sou eu, tá? Então você se refere a sua filha como uma namorada? Então assim, e a sociedade vai passando pano para esse tipo de loucura, né, que vai levantando cada vez mais possibilidades de que os homens sigam estuprando meninas, crianças. Então, eu, eu gostei muito dessa reflexão da Paola no sentido de qual é o primeiro, e eu acho que toda mulher tinha que fazer essa reflexão, sabe? Aonde que a violência se instaurou na minha vida, quem foi o meu primeiro violencador? Eu gosto muito de pensar nisso. Eu falo pras pessoas brancas que eu acho que a gente tem que primeiro, enquanto pessoa branca descobrir, e foi o Manuel Soares que escreveu isso no livro e eu achei sensacional. Quem foi o seu primeiro amor negro? Quem foi a primeira pessoa negra que você amou verdadeiramente? O meu foi uma mulher negra e eu gosto de lembrar dela e lembrar desse amor que a gente vivenciava. Eu criança, ela adulta e esse amor louco. Quem foi a primeira pessoa preta que você amou? Pra gente desconstruir do racismo? E a violência contra a mulher, eu acho que é um pouco parecido nesse sentido. Quem foi o meu primeiro abusador? Quem foi o primeiro homem que me silenciou, que abusou de mim, que não me credibilizou? Porque muitas vezes o lar, que é o lugar onde a mulher encontra o amor, é o mesmo lugar onde ela vai encontrar o ódio. Então eu acho que foi uma reflexão muito interessante que o pessoal que tá assistindo poderia refletir sobre isso, né? como começou, como que de alguma forma eh a violência se instaurou na minha vida, no meu corpo. E até para ratificar, né, com os dados dos 1492 feminicídios, 79,8% mortas por companheiros ou ex-companheiros, 64, mortas em residência, mais da metade, e 70,5% tinham entre 18 e 44 anos. Sim. Então são jovens, são adultas e por companheiros ou não dentro de casa, né? Então isso é realmente é algo muito preocupante. Guida e Paola, lembro que em 2021, ainda na pandemia, vocês protocolaram dois projetos de lei em conjunto. Um chamado programa Mulher Viva, destinado ao apoio às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. E o segundo, o programa Maria da Penha na escola a ser desenvolvido nos estabelecimentos da rede pública para promover o ensino de noções básicas sobre a lei federal 11.340 de 2006, que é a Lei Maria da Penha. Poderiam ajudar a mudar o panorama da nossa cidade. Uhum. Com certeza, né, Paula? Eu entendo que enfrentar esses números passa por eh apostar na educação, principalmente eh de quem sofre a violência, né? Sim, porque obviamente que a gente não vai de forma alguma negar, fazer formação com com quem pode ser o futuro violentador, né? n é isso, mas com certeza a gente precisa fazer formação, capacitação, letramento com quem tá sofrendo, com quem tá no olho do do furacão mesmo, né, que são as mulheres, as meninas. Eu acho que o eh para complementar, né, a Lei Maria da Penha nas Escolas, ele é um projeto que tenta conscientizar do que que é Lembra da Penha, né? Muitas vezes, acho que é uma das leis que mais pegou, né, eh, esse título, mas a gente precisa trabalhar a partir da escola. Porque ali a gente vê as reproduções do que são as famílias. Então a gente vê eh logo na primeira infância como os meninos acabam apresentando brincadeiras inclusive que são mais violentas de empurrar, de morder, né, de de de ato de perseguir, né, de correr um atrás do outro. E as meninas brincadeiras que são mais sentadas no campo do cuidado, é a bonequinha, né? Então, quando a gente tá falando da Lei Maria das Pen nas escolas, é da gente entender em cada uma das idades o que pode ser conversado e dito sobre isso e apresentar também eh muitas vezes é para aqueles que já estão chegando um pouco mais o final do fundamental dois, né, que é o que a rede municipal cuida, de até mesmo conseguir identificar se aquilo que eles estão vendo dentro de casa pode ser uma violência ou não. às vezes são as próprias crianças, adolescentes que acabam denunciando e fazendo com que as mães, né, as mães, as tias, as irmãs, né, consigam sair de um relacionamento violento. E e só, só uma coisa, Paulo, desculpa de de te cortar, mas dentro dessa dinâmica familiar, muitas mulheres não querem sair do relacionamento para não perder a família. Então, um filho que sabe que aquilo é errado, fala: "Mãe, isso não pode, aprende na escola que tá errado". essa mulher às vezes se fortalece em tomar atitude, né? Exatamente. E o e o Mulher Viva, né, ele é um projeto de integração, né, nos serviços que hoje existem aqui no município. Então, a Guarda Municipal tem o o programa Guarda Amigo da Mulher, a gente tem o SEAMO, que é o Centro de Referência de de Enfrentamento à Violência contra a mulher e a gente tem a delegacia da mulher, mas que são três espaços diferentes. Então, a mulher que sofre violência, ela precisa ir na delegacia pegar a medida protetiva, ir no SEAMO para ela então buscar, né, quais seriam as alternativas para sair dessa violência e ir na Guarda Municipal. A nossa proposta é que a partir do momento que ela tá na delegacia e tem medida protetiva, esses outros dois órgãos sejam acionados e eles consigam buscar essa mulher, que eles vão fazer a busca dessa mulher para entender, para que ela inclusive não seja eh não tenha que contar novamente a sua história, a sua violência, né? Aí para que ela não tenha que reviver aquele trauma. Outro projeto em conjunto é a criação da Procuradoria Especial da Mulher aqui na Câmara. O objetivo era ou é, né, fortalecer a atuação legislativa feminina e promover ações efetivas de combate à violência, à discriminação contra mulheres. Sim. E e esse projeto é um projeto que a gente tem visto cada vez mais a necessidade, né, de ser de ser aprovado, de ser debatido, de ser de fato de pegar, né, de se consolidar aqui no município e no parlamento. Mas tem uma coisa que você tava falando, Gabriel, e que a gente tava aqui também refletindo com relação aos números. Eh, eu me incomoda muito, às vezes já faz um tempinho que a gente vem aqui nesse espaço dialogar sobre essa temática, falar sobre os números. Com certeza você tem aí os dados do SIS9, né? Sim. Que é um sistema da notificação da violência aqui na cidade de Campinas e em todas as categorias e a violência contra a mulher ganha de disparado, em todas as faixa etárias, né? Eh, inclusive na autoviolência, né, que é a tentativa de suicídio, quando uma mulher ela eh o suicídio ele é muito mais resolutivo nos homens. Os homens quando vão praticar o suicídio, eles resolvem logo, né, o a situação ali. As mulheres têm uma pouco mais de dificuldade da prática porque ela é mais emotiva, ela tem, enfim, né? Tem várias circunstâncias. Só que quando uma mulher eh ela é notificada pelo SIS9, é porque ela passou por várias vezes nesse processo. Ou seja, ela tá vindo de um processo histórico de de muito adoecimento, de muito sofrimento e a gente não consegue resolver. Isso daí que tá me que me incomoda bastante, sabe? Então, quando chega o agosto lilás que a gente vai debater sobre essa pauta, a gente vê o quanto ainda o poder público não prioriza a vida das mulheres. Isso tem eh me preocupado demais com relação a isso. Então, hoje a gente vê cada vez mais o poder público investindo em políticas públicas necessárias, mesmo que vereadoras como nós apresentemos projetos como esse, importantes como esse, que podem fazer a diferença na vida das mulheres, na vida de um município, é debater, levantar a situação. Então, isso é uma coisa que me incomoda. Guida, posso te perguntar sobre isso? Que eu tenho uma dúvida pessoal? Eh, em relação os projetos não caminham. Essa é a questão que você fala. Sim. Ou então eh recebe pareceres, né, que são e vocês não conseguem concretizar. É isso. Sim. É, não tem encaminhamento aqui, não é? Ou parem uma comissão ou ele é rejeitado dentro da comissão. Por exemplo, o o projeto da promotoria. Então, assim, tem questões como o Maria da P nas escolas. a gente sabe que tem uma questão da liberdade cátria, da da questão que é uma questão mais e específica da educação, que a gente respeita também, mas poderia então o poder, o poder executivo tomar para si, falar: "Não, isso vai fazer parte da discussão político-pedagógica de cada escola, né? Ou vai fazer parte da própria secretaria. A gestão central da secretaria vai encaminhar isso como uma prioridade", mas não tem isso. Então, quer dizer, o nosso não encaminha, né? É barrado com essas justificativas. porque pode dar vício de iniciativa, mas também o poder público não não coloca algo que é tão tão necessário, tão importante, que é a formação, que é um dos elementos do enfrentamento da violência, que é que é na fase da educação. Mas como que a sociedade poderia ajudar? Como que as mulheres que gostariam de ver esses projetos encaminhando, como que a gente poderia fazer para tentar fomentar isso? Não, sim, com certeza. eh a gente fazer pressão mesmo junto ao ao legislativo, ao executivo, enfim. Então esse é um elemento, né? O outro elemento que também eh me incomoda bastante é a gente não dar nome às coisas, né? Costumo dizer nome aos bois. A gente precisa dizer que debater sobre esse tema incomoda um setor da sociedade, incomoda um setor que tem um posicionamento de classe, incomoda um setor que tem um posicionamento político ideológico, né? Porque quando você vai debater sobre esse tema na escola, por exemplo, foi como a as companheiras aqui que estão sentados disseram muito bem, você vai capacitar, você vai formar, você vai dar instrumentos para que uma menina que sofre violência, ela possa se defender, ela possa reagir, ela possa denunciar, né? Então quer dizer, esse segmento político ideológico que já tá um tempo perseguido, então eles viram e falam assim: "Ai, vocês querem fazer eh discussão eh como que é ideologia de gênero. Como o que que é ideologia de gênero? O que que é isso, né? Sabe assim, ou seja, a gente quer dizer paraas meninas que o corpo é dela e que ela só pode deixar tocar naquele corpo quem elas autorizarem, né? Não as meninas, mas as mulheres, né? as adolescentes, meninas não, que meninas não podem de de forma alguma eh ninguém mexer no corpo delas. Então, assim, a gente vai tá eh fazendo um serviço de proteção essas meninas, a gente é inviabilizada, né? E aí usam todo tipo, né, de desqualificação, todo tipo eh de agressão, de senso comum para deturpar as nossas posições, sabe? Eh, e aí vem todo aquele tipo de de violência que a gente tem tem sofrido. Então, assim, se por um lado a gente vê o poder público, né, quem tá com com os recursos na mão, com a chave na mão, com, né, com a caneta na mão, não encaminhar as políticas públicas necessárias para que a gente possa enfrentar esse tipo de violência, esse tipo de de situação. Mas a gente vê também que esse poder público muitas vezes é conduzido por esse posicionamento que não quer fazer enfrentamento a esses setores, né? Enquanto isso, as mulheres estão morrendo, as meninas estão sendo estupradas, né? As nossas crianças estão sofrendo violência psicológica, que isso pode marcar a vida inteira, inteira. E tem como a gente tanto tem como a gente chegar nesses casos? Tanto tem que nove tá aí. A a a saúde chega, a saúde sabe de casa aqui na cidade de Campinas em que famílias são formadas. Eh, o pai engravidar a filha e tem filhos. a gente sabe, né, a a saúde do município, os profissionais do nosso município t conhecimento disso e a gente não enfrenta. Então, e isso é um é um é um desabafo que eu que eu faço aqui, porque me incomoda muito a gente chegar mais uma vez no agosto lilás e a gente ainda somar, acumular número tão alto ainda de de violência quanto as mulheres. Thaíse e Paula, achei não, achei muito interessante. Aprendi uma coisa muito importante com a Guida hoje, porque eu costumo dizer que não adianta a gente seguir, até falava com você, Gabriel, antes do programa, né? Não adianta a gente seguir sempre na narrativa, no sentido de contar a história de que faltam políticas públicas. Por quê? Porque eu tinha uma visão muito clara que as mulheres que estão morrendo jamais acessaram nenhum tipo de de ajuda, não tinham boletim de ocorrência, nunca fizeram um BO. No último no último relatório do da Secretaria de Segurança Pública, 3% das mulheres apenas tinham medida protetiva das que morreram. Então, eu tinha um pensamento antes de aprender o que eu acabei de aprender com a Guida, que é assim, bom, temos muitas, muitos programas funcionando e é verdade que nós temos, mas esses programas eles são muito focados só no resultado. Então, ah, depois que morreu, depois que apanhou, depois que Só que esses essas esses fomentos que a Guida traz dessas políticas públicas seriam justamente onde falta, que é na capacidade das mulheres reconhecerem a misogenia, o machismo, a violência antes de que isso vire uma epidemia, como é hoje, uma prevenção, né? Exato. Então, de repente, eu tinha muito esse pensamento, nós nós temos tantas coisas acontecendo, ai tem a Casa da Mulher Campineira, tem o o no estado de São Paulo, né? Tem as câmeras de segurança no carnaval. A gente vê que que as políticas vem no sentido de tentar proteger as mulheres, mas nunca na questão que não seja que não seja no final. É sempre preventivo, não tem quase nada preventivo. Como se a gente precisava se morrer ou ser estuprada para ser vista. Uhum. Isso. E daí isso, essa sua fala para mim foi muito interessante porque me deu essa coisa. Por que que a gente ainda não investe na educação de base no sentido de fazer com que as pessoas reconheçam a violência desde o início? Era isso que eu queria falar. Paola. Não, eu acho que tem um ponto muito significativo, é que a gente trata, né, eh, quando que a gente imagina que uma menina se tornou mulher? Tem um momento muito específico na vida dessas dessas meninas, que é quando a menstruação e a menstruação acontece a partir de ali de entreve, né, e até até um pouco mais tardinho, mas assim, a partir dos 8, 9 anos. E a partir daquele momento a gente trata aquela menina que ainda era uma menina como se não mulher. Só que no caso dos meninos isso não acontece. Menino Nei, o menino Nei tá aí com 30 anos, né? é tratado com o menino como sendo alguém que não pode ser responsabilizado por aquilo que acontece com ele. E acho isso muito simbólico porque esse esses casos que a Guida traz são muito tristes, né? A saúde sabe exatamente quem é o pai daquela criança. Ele sabe exatamente se aquela criança que tá tendo um bebê, né, como aconteceu com uma criança no Nordeste, que ela tava no abrigo e tava com 11 anos estava gradando segundo filho, né, já e foi dado e foi nomeado um advogado pro feto porque queriam que ela não abortasse. Mas esse essa gravidez inclusive oferecia risco para ela ou o causa da menina que teve o seu local de da realização do aborto exposto. Ou então no caso da menina que a juíza conversou com ela para que ela levasse a gravidez até o final, né? Para que pr para aquela menina, né? F, mas você consegue levar até o final, né? Mesmo a gente tendo a política pública que garante o direito, né? quando há um risco paraa mãe, isso não tá sendo cumprido. Então, assim, eh isso que a doutora eh traz, né, do fato assim as mulheres não terem acesso à política pública, muitas vezes elas chegaram na delegacia antes de chegar a violência física, elas foram na delegacia, mas elas foram desincentivadas a realizar o boletim de ocorrência. antes, né, mesmo quando elas chegam violentadas, agredidas, sangrando, e muitas mulheres relatam isso, ela falou assim: "Eu tentei fazer boltin de ocorrência duas, três vezes e só aceitaram no dia que eu cheguei lá com o olho roxo com o braço quebrado, porque antes disso me desincentivam a fazer blush de ocorrência, né? Muitas vezes a gente vê isso sendo reproduzido nas músicas, eh, nos filmes, nas novelas, no dia a dia. Esse processo de naturalização dessa violência, ela é tão grande, ele tá tão, tão envolto na nossa sociedade que a gente fala para uma criança de 9 anos que a partir do momento que ela menstruar, ela virou mulher e a gente garante para um homem de 24 que ele é um menino, né? Então assim, e isso demonstra como a gente não consegue fazer um processo de política pública efetiva de conscientização na prevenção, né, nesse nessa de você de fato impedir a violência, porque o nosso estado ele é conivente com a violência contra as mulheres. E aí eu volto só para reforçar o que que a a Dra. Taí trouxe que a guerra, a vida das mulheres, ela acontece é aqui, acontece há mais tempo. Infelizmente, a gente tá muito longe de vencê-la, porque cada vez mais há um processo ideológico que garante que aquilo que acontece conosco é nossa responsabilidade independente da idade que nós temos, se ainda somos meninas ou se já somos de fato mulheres com mais de 18 anos. Programa bom, é programa com muitas informações, restando 9 minutos. ainda tem teriamos três temas, mas eu vou colocar dois temas pra gente ainda debater. O primeiro, aqui em Campinas nós temos o Gama, que é o programa que foi criado para fiscalizar e acompanhar o cumprimento das medidas protetivas de urgência concedidas pelo poder judiciário às mulheres vítimas de violência domésticas. Nós temos o Saraem, é um equipamento da Prefeitura Municipal de Campinas de caráter sigiloso, que acolhe, por um tempo determinado mulheres vítimas de violência doméstica de gênero no ambiente doméstico, os filhos também, Casa da Mulher Campineira, né, o SEAMO, que hoje é o setor do centro de referência e apoio à Mulher. que avaliação vocês fazem dos serviços que são oferecidos aqui na cidade de Campinas e também sobre a importância da capacitação desses profissionais que estão lidando com essas mulheres, com essas crianças que chegam até lá. É suficiente ou ainda carece de mais serviços na cidade? São serviços importantes, a gente não pode de forma alguma negar isso, mas são insuficientes de fato. Se não fosse insuficientes, a gente não teria esse número tão tão gigantesco. Olha só, eu há pouco tempo a gente a gente acabou tendo um trabalho com uma entidade aqui em Campinas, o Kcrami, que faz abordagem sobre a violência sexual contra crianças, né? violência sexual doméstica, né, dentro da casa, principalmente contra as crianças. E aí, eh, a gente acabou fazendo um trabalho solicitando ao CRAM, né, a partir da da discussão de indicações de emendas para que fizesse formação nas escolas, porque eu sou monitora de educação infantil, né? E eu sei que na educação infantil a gente acaba recebendo muitas crianças ali que são vítimas, né, de violência física, tal, e também violência sexual. E aí a gente falou: "Olha, dá para fazer uma formação tal". E o o Cramio foi fazer essa formação. Muito bacana, muito bacana. E sabe o que que eu descobri? Hum, que a ampla maioria e das nossas escolas, né, dos nossos profissionais, não sabem sequer o telefone para denunciar a violência. Então, o qual telefone que tem é o telefone da polícia, o telefone, né? Mas a gente sabe que não são serviços especializados para atender as mulheres vítimas de violência. Então, quando a gente fala que muitas vezes o o serviço não está preparado para atender essa mulher, porque você imagine a a seguinte situação, você vai numa delegacia, né, principalmente que aconteceu isso no período da pandemia, porque eu presenciei, porque também a lei de monitor de de de creche, eu sou advogada, eu presenciei muitas vezes eh situações em que a mulher ia relatar, né, a violência sofrida por conta da pandemia, tinha que ter um distanciamento e a mulher tinha que ficar ficar gritando, né, em alto som, como que aconteceu, como que ele pegou, como que ele abordou, onde ela tá, olha só a situação, olha só a exposição dessa pessoa. Então, assim, nós temos eh serviços públicos que são necessários, que são fundamentais, mas que ainda são insuficiente. A gente precisa divulgar massivamente quais são serviços que essas mulheres têm, em que situações que elas estão sofrendo, que elas podem procurar esse serviço. Nós precisamos ampliar a capacitação dos nossos profissionais. Na educação, por exemplo, a educação muitas vezes vive uma situação porque a gente precisa, né, defender o nosso legado muitas vezes e muitas vezes a gente acaba esquecendo que tem outras abordagens necessária a serem feitas, como essa questão da violência. Então, a gente precisa informar que existe números que podem acolher ali as denúncias 180, número 100, enfim, que são números necessários, né, de contatos necessários. Não precisa se identificar, ninguém vai ser identificado e a e a e o e o serviço público vai ser obrigado a chegar naquele ponto onde tá acontecendo essa violência. Então, eh, você falou de vários serviços aí, mas que a gente precisa continuar a fiscalização, obviamente, mas precisa, acima de tudo ampliar, porque se os esses números, né, eh, se esses serviços fossem de fato e mais eficazes, com certeza a gente tinha o esse número numa situação muito melhor. O número que Campinas enfrenta hoje é um absurdo. uma cidade como a nossa, uma cidade que é que nós temos vários institutos, vários vários espaços de pesquisa, vários espaços, né, de muita pujância a gente ainda ter mulheres morrendo por conta da violência, porque a gente não consegue atender nessa necessidade mais do que necessário. Então, eu acho, eu acho isso, são serviços importantes, mas ainda que estão engatinhando para atender essa necessidade das mulheres. Em 2025, nós já tivemos dois casos de feminicídios em Campinas e oito na região metropolitana, Paola e depois Taís. Sobre esse serviços, quero dizer que o que a gente precisa fazer primeiro é a capacitação dos profissionais em todos os âmbitos. Todos os nossos servidores, eles têm que tá eh capacitados e formados para identificar a violência, porque muitas vezes é na creche que você consegue perceber uma mudança da atitude da criança e também na mãe que você consegue, por isso que a que a pandemia foi tão brutal para nós mulheres, porque não tinha esses espaços. Muitas vezes é no ambiente de trabalho que a gente consegue observar quando há uma mudança de comportamento, quando há uma mudança eh de rotina, né? aquela mulher que era sempre alegre, muitas vezes ela começa a mostrar um comportamento um pouco mais agressivo, mais introspectiva, eh são nos serviços de acolhimento. Então, muitas mulheres reclamam de quando na delegacia, elas precisam falar sempre com homem, né? Não tem uma mulher, né? Eh, como muitas vezes elas não conseguem, elas têm vergonha de relatar aquilo que aconteceu, elas têm vergonha de falar que elas foram estupradas estando casadas, elas têm vergonha de relatar que a violência que ela sofre é de uma pessoa que ela tá casada h 5 anos, há 2 anos, que esse é o amor da vida dela, porque ela sabe, inclusive que ela vai ser desincentivada naquele espaço. a gente precisa capacitar na área da saúde, porque quando as mulheres chegam, né, nos nos postos de saúde, no pronto socorro, quando elas chegam nos hospitais, a gente precisa ter ali já a identificação e conseguir realizar ali também o bolochim de ocorrência, porque são essas mulheres que não podem voltar para o mesmo ambiente que elas foram violentadas, como aconteceu com a Maria da Penha. Porque o resultado da Maria da Penha foi isso. Ela levou um tiro, ficou eh cadeirante, né, por conta do seu companheiro. E quem foi buscá-la no hospital quando ela teve alta foi esse mesmo companheiro para levar para aquele ambiente de mais violência. Então, a capacitação dos nossos servidores, todo mundo que tá dentro do serviço público, quem tá dentro das terceirizadas, eh, e conseguir identificar os sinais. Gente, a gente tem inúmeros sinais de pedido de ajuda, mas as pessoas conseguem identificar que aquela mulher tá pedindo, tá tá pedindo ajuda. A gente só tem um protocolo pras, pros bares. Muitas vezes na balada não foi que a mulher bebeu demais, é porque tem inclusive Boa noite Cinderela que já foi nomeado, né, por diversas eh e foram feitos inúmeros testes também de que quando os homens vem que foi colocado eh alguma substância na bebida, muitas vezes eles se silenciam e elas só são protegidas por outras mulheres, né? outras mulheres precisam chegar e falar assim: "Tá tudo bem, tá acontecendo alguma coisa, você precisa é de ajuda, né?" É, teve até uma cena recente na novela que trouxe isso de uma mulher embriagada que estava sendo levado pro quarto de um homem que uma outra mulher falou assim: "Mas você não lembra de mim? Não quer que calma aqui mais um pouco, não quer conversar?" Então a gente precisa ter esses protocolos e essas formações muito bem implementadas para que a gente consiga vencer uma batalha. Mas a guerra ainda tá muito longe de acabar. E o disque 180. 180 é o disque especializado de atendimento para as mulheres. Taís, quero ouvir lá também sobre as instituições da nossa cidade. Bom, eu vou fazer um contraponto que não exclui aquilo que as minhas colegas falaram antes de mim, mas eu tenho muito medo, Gabriel, de pensar a quem interessa acreditar que o sistema não funciona. Eu escuto muitas mulheres falando: "Doutora, eu não vou denunciar porque eu sei que ele vai sair pela porta da frente, que ele não vai ser preso, que não vai acontecer nada". Então, eu tenho muito medo de, eu concordo com tudo o que as vereadoras falaram, eu tenho certeza que essa realidade é existente, mas o meu contraponto é para que nós mulheres, mesmo com todas as dificuldades que existem, sim no sistema, não é perfeito, não funciona perfeitamente, mas para que a gente acesse esse sistema. Chegou na delegacia, ah, volta outro dia, volta outro dia, por quê? Eu estou aqui, eu tenho o direito de relatar o que aconteceu comigo. Eu sei que é difícil. Eu sei que todas as mulheres deveriam ter o direito de ter uma advogada. Vai na OAB, procura defensoria, só que não para. A gente não pode parar. Então, eu sei que muitas vezes a gente vai olhar e vai entender que o sistema falha, que realmente poderia funcionar muito melhor, mas a gente não pode simplesmente dizer não vai funcionar, então eu não vou denunciar. que essa fala e que todos esses erros que qualquer mulher esteja ouvindo aqui, que é verdade que acontece no sistema, não seja suficiente para que a gente se cale. Porque tudo que os agressores precisam é que a gente acredite que nada vai funcionar. Hoje um boletim de ocorrência, ele pode ser feito online. A mulher às vezes não tem condição, não sabe utilizar, não tem problema. Mas o fato é que hoje temos ferramentas onde a mulher pode fazer o boletim de ocorrência online em 24 horas. Acreditem, em Campinas nunca, eu nunca fiz, eu faço toda semana pelo menos três, quatro BOs, nunca demorou mais que 48 horas pro juiz deferir uma protetiva. Então, a gente precisa, ainda que o sistema fale, continuar pisando, lutando para que o nosso direito e a nossa voz seja ouvida, enquanto não melhorar, enquanto a gente não tiver um sistema que realmente acolha as nossas dores, que a gente siga lutando, porque tudo que nós mulheres conseguimos até hoje foi através da nossa luta e não da luta que os homens entregou pra gente. Nossa, vocês estão morrendo demais, vamos ajudar. Não fomos nós que construímos a saída e a gente precisa continuar construindo juntas. Último tema aqui no nosso questão de ordem. Qual que é a importância e os desafios que a secretária municipal de políticas para as mulheres comada pela Alessandra Herman, vai ter? Guida Paolitais? Que pergunta capiciosa, porque foi um tema debatido aqui na Câmara também, a aprovação dessa secretaria da mulher. Acho que a a aprovação das dessa secretaria, como a gente tem falado aqui, foi uma reivindicação das mulheres, né? A gente lutou muito para ter porque a gente achou que foi um erro, porque nós tínhamos aqui na época do governo da prefeita Zalene, nós tínhamos uma coordenadoria da mulher que tinha status de secretaria, né? Eh, então a gente tinha uma pasta específica que tratava especificamente dessa pauta. Então, quando vieram os outros governos e absorveram tudo na pasta da ciência social, a gente viu que isso foi absolutamente um erro por conta, inclusive de todas essas questões que estão colocadas aqui, que nós debatemos aqui. Então, a gente viu isso com bons olhos. A nossa preocupação, que eu por enquanto ainda continuo com ela, muito alta ainda na caixa alta, vamos se dizer assim, é de isso ser um eh um meramente um espaço para poder atender a a demanda da base aliada do prefeito. Então, essa continua sendo a minha preocupação. Eu não conheço a secretária que assumiu, né? Eh, nunca ouvi falar dela, nunca nunca. Não sei se a vereadora tem, a vereadora Paola Miguel, que tá aqui presente conosco, tem mais informações, mas eu particularmente não tenho. Possa, pode ser um um erro meu, mas eu não tenho mais informações sobre espaços de atuação na defesa das mulheres ou em espaços, né, de discussão mais mais coletiva sobre essa agenda. Não não vi nada no histórico dela com relação a isso. Eu espero que ela possa eh conduzir essa pasta, porque é muito caro para nós, né? Não dá para ser um espaço de uma pessoa, sei lá, aventureira que vem aqui cumprir uma tarefa individual, cumprir aqui, né, um um algo de interesse de um pequeno grupo, né, para nós é uma é uma agenda, é um espaço extremamente importante, extremamente necessário, né? A gente, eu volto a dizer e a reafirmar os espaços que nós temos aqui na cidade de Campinas, instituições, os serviços que nós temos, é extremamente importante que eles estejam atuando e eles estão atuando, mas eles ainda são insuficientes para atender toda a demanda da cidade. Obviamente que a nossa luta, a nossa briga não é para jamais é esfaccelar esses espaços. Pelo contrário, quem defende que esses espaços sejam esfacelados são aqueles que minimizam, né? São aqueles que não colocam essa agenda com a devida importância e nós colocamos. Então, a gente quer cada vez mais esses espaços fortalecidos. E a Secretaria da Mulher a gente precisa porque ela tem uma demanda gigantesca. Além da demanda, né, da da da questão da violência, tem a demanda da desigualdade de gênero, tem a demanda que pauta as mulheres trabalhadoras, tem a demanda que pauta sobre o trabalho, né, do cuidado, principalmente a questão das mulheres que estão em situação de vulnerabilidade e, enfim, são várias questões que passam por essa secretaria e para nós ter ter essa essa secretaria fortalecida é de extrema importância. Então eu espero que ela possa corresponder aí essas necessidades e acima de tudo que ela possa ouvir aqui quem atua na cidade, quem milita nessa agenda, eh que ela possa ouvir, abrir o o o espaço, o debate democrático, principalmente com as mulheres aqui dessa cidade que dão a sua vida por essa causa. Então, enfim, são muitos desafios. Paula, quero ouvi-la também. Eu disse, né, na na audiência pública do projeto da Secretaria da Mulher, na na sessão que foi votado, de que a gente estava ter orçamento. Eu não acredito numa secretaria que ela seja criada eh há se meses que 8 meses, né, que tá tomando posse agora, que não tenha orçamento próprio. Se a gente tá falando de política de enfrentamento à violência, né, e uma política votada para as mulheres, a gente tá falando de investimento nas mulheres. Então, acho que esse é o primeiro ponto. Acho que o segundo desafio é não só a gente conhecê-la, né, como a vereadora Guida do Caristo trouxe, mas ela também se apresentar pra Câmara como sendo a secretária, né, espero que tenha um espaço de diálogo, né, para que a gente consiga criar uma política que não seja somente de de enfrentamento à violência, mas que seja uma secretaria de empoderamento, de conscientização, de saúde pública, uma secretaria que pense sobre segurança pública. voltada para as mulheres. E uma coisa muito importante é a iluminação pública, né? E isso muda drasticamente se a mulher vai conseguir chegar viva em casa ou não. E, então eu acredito, né, pelas últimas declarações que foram dadas, né, que a gente tem o desafio de conhecer a cidade, de conhecer os equipamentos da cidade e principalmente de pensar como a secretaria vai integrar tudo isso para de fato criar uma política de fortalecimento e não só ser essa esse arranjo político, né, para conseguir ali acomodar partidos, mas deixar as mulheres como segundo plano, né, que a gente tem ali um fortalecimento e um cres ccimento dessas políticas públicas, inclusive antes do final do ano, que a gente tem uma data muito simbólica em dezembro, que é o dia dos homens na no enfrentamento à violência contra a mulher, né, que acontece ali no comecinho de dezembro. Então eu espero que até essa data a gente consiga ter de fato uma mudança no governo. E como último, só como um um último detalhe, a gente só tem uma pessoa negra nesse governo como secretária, né, que é Elane Joselane. Eu esperava, inclusive, que a gente tivesse uma possibilidade de ter eh mais pessoas para que a gente tivesse de fato a pluralidade da cidade de Campinãs representada. Tá Cremasco, como viu a criação desta secretaria? Bom, eh, eu tenho um sonho, né, que uma Secretaria da Mulher entenda que a violência contra a mulher, as questões pertinentes à pauta feminista, elas são suprapartidárias, elas estão acima do dos seus interesses e crenças ideológicas, religiosas, partidárias. Quem fala no mundo o que a pauta e o que uma Secretaria da Mulher deve fazer é o próprio movimento feminista. Então, qualquer pessoa que está, né, liderando uma secretaria da mulher, precisa entender e ter compromisso com as pautas feministas, pautas em relação à questão não só de gênero, a questão da mulher no trabalho, a questão do aborto, tudo isso tem que ser tratado como o feminismo sempre tratou, né, olhando pra liberdade, pro direito das mulheres. Então eu tenho sonho, né, que isso seja realmente levado a sério no sentido de entender que essa secretaria tem que ter um olhar feminista e que, na verdade, não exista nenhum tipo de eh a gente sabe que existem jogos políticos, interesses políticos para para que as coisas se arranjem, mas é muito necessário entender que a gente tá falando sobre vida das mulheres e dentro dessa guerra, né, que eu que eu comentava, que eu acredito existir, não dá para estar à frente de uma secretaria dessa sem estar preparada para combater o principal ponto, que é a questão da violência contra a mulher. Então, eu acredito que o estudo, o conhecimento, a estratégia e nunca esquecendo, né, que nós mulheres somos muito plurais. E a questão que a Paula trouxe antes, né, dessa questão dos marcadores de violência que uma mulher sofre, a interseccionalidade de violências precisa ser levado em conta. É lamentável que não existe, que não exista paridade de raça, né, nas secretarias. Eh, não sei de gênero se existe, mas o fato é que as as possibilidades de mulheres devem ser levadas em consideração. Muitas vezes aquela mulher, aquela gestora, aquela secretária ou qualquer pessoa pode, ah, eu não sou uma mulher preta, eu não sou uma mulher trans, mas entender que nós mulheres somos múltiplas e que nessa secretaria haja espaço para todas as mulheres. Thaí Cremasco, advogada cofundadora do coletivo Mulheres pela Justiça de Campinas. Muito obrigado novamente pela aula que você deu aqui pra gente, pela disponibilidade do seu tempo. Tenho certeza que todas as informações de credibilidade para quem está nos acompanhando saiu muito bem informado do início do programa. Já faço um novo convite para você retornar até os nossos estúdios e fica aberto aí paraas suas considerações finais. Muito obrigada. Eu gosto sempre de agradecer as mulheres que lutaram antes que nós para que a gente pudesse ocupar esse espaço e dizer que nós não pararemos de lutar, nós mulheres seguiremos unidas lutando para deixar um mundo melhor para as mulheres que virão depois da gente. Então, agradecer o convite e dizer muito obrigada. É uma honra estar com as vereadoras que eu amo. Então, obrigada. Nós aqui agradecemos, vereadora Paula Miguel também. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa, contribuindo muito com as informações também de grande valia pros nossos telespectadores. Já façam um novo convite para retornar até os nossos estúdios e fica aberto aí paraas suas considerações finais. Quero agradecer mais uma vez o convite, a oportunidade de estar aqui ao lado da Dra. daí Cremasco, da vereadora e companheira de bancada, vereadora Guida Calisto. E já deixo aqui pra gente poder inclusive encaminhar os projetos pra secretária nova, né, para se a responsabilidade do executivo vamos indicar para ele fazer, né, e vamos ver se ela nos recebe para poder dialogar sobre isso. Para mim é uma grande honra estar aqui sempre para falar sobre a violência contra as mulheres, né? É uma uma temática muito sensível que ainda me dói muito da gente estar sempre falando em como que a gente pode proteger as nossas vidas, né? Ao invés da gente pensar em como que a gente tá, como a gente poderia ocupar mais os espaços de poder e ter uma equidade na nossa sociedade. Mas uma honra tá aqui. Se contem comigo sempre que vocês quiserem, puderem. E acho que uma, vou deixar como último recado aqui, o disc mais uma vez, caso você esteja passando por uma sessão de violência, além do telefone da polícia, né, a Guarda Municipal tem o programa Gama, né, que é o guardaigo da mulher também. Então, nunca deixe de denunciar e identificar as violências que te atinjam ou a quem tá a sua volta. Vereadora Guida Calisto, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Tem vindo até o nosso programa contribuir com os nossos telespectadores, com os casos que a senhora já retratou e trabalhou, com as informações que foram passadas também. Já faço um novo convite para retornar até os nossos estúdios, para falar sobre este assunto, que seja num cenário melhor, mas também sobre outros. E fica aberto aí as suas considerações finais. Bom, eu quero agradecer, né? agradecer aqui a equipe da TV Câmara, eh, agradecer a todos os trabalhadores que estão aqui. A gente tá falando aqui, mas tem uma um conjunto de trabalhadores que torna possível, né, esse esse momento. Eh, agradecer as colegas aqui também, tanto a a vereadora Paola como a Thaís, feministas, assim como eu, que tem sempre dedicado parte da sua vida para debater sobre essas questões. Quero deixar também eh sempre que que eu tiver aí a oportunidade de vir aqui, gostaria sim de de estar aqui, mas eu acho que como recado final, eu acho que a gente poderia cobrar mais ainda o poder público eh nesse nesse enfrentamento, né? Principalmente a gente, obviamente que a gente precisa debater, fazer todo esse diagnóstico, mas a gente precisa apresentar de fato políticas públicas estruturantes que de fato possa combater e acabar de vez com essa guerra, né? Como diz a doutora aqui, a Dra. Thaís, então, eh, cobrar o poder público nos projetos de educação, nos projetos de políticas públicas, de atendimento, né, de socorro a essas mulheres, espaços onde elas possam ser acolhidas, cobrar o fortalecimento de uma dessa rede de proteção é extremamente necessário e fundamental. Mas isso só acontece de fato se tiver recursos públicos. Quando você olha um espaço de uma política pública dessa tão importante que você não vê o recurso ali aplicado, isso daí é uma mentira, né? Ou seja, não tem nenhuma viabilidade dessas políticas serem implementadas. Então, eh, lutar para que a gente possa ter mais recursos públicos para poder atingir de fato positivamente essa política pública é uma necessidade. Então, espero que a gente possa voltar aqui mesmo, Gabriel, com números melhores, né? com uma com uma festejando. Por enquanto a gente ainda anda muito muito preocupado, mas com certeza tem muita mulher ainda antes da gente e e e também junto conosco, ao nosso lado, lutando para que a gente possa alcançar cenários aí melhores. Reforçando os canais de denúncia. Central de atendimento à Mulher, Ligue 180. Tem um WhatsApp também, 61 DDD 961080. Tem a Polícia Militar 190. Você que pegou o nosso programa do final, pode voltar no youtube.com/tvcamaracampinas depois, porque ao longo do programa a gente vai passar telefone aqui embaixo, a gente chama de GC, aqui embaixo vai ter os canais também da cidade de Campinas para você também fazer esta denúncia caso o necessário. A você de casa eu quero agradecer a sua companhia, a sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído com este tema que a gente sabe que é delicado, que é difícil, que muitas mulheres sentem medo, mas é preciso fazer esta denúncia pra gente acabar com a violência contra a mulher na cidade de Campinas. E claro, o desejo aí todo o nosso país. Continue na nossa programação. Até uma próxima oportunidade. Tchau tchau. 15 segundinhos, gente. Что? [Música]