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[Música] Olá, começa agora o Questão de Ordem, que hoje vai debater o mês abril verde. campanha voltada à prevenção de acidentes e de doenças no ambiente de trabalho, já que o dia 28 de abril é o dia mundial da segurança e da saúde no trabalho e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de acidentes e doenças do trabalho. Para se ter uma ideia, em 2024, segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais. como ansiedade e depressão. Esse dado indica um aumento preocupante de 68% em comparação ao ano anterior, o que reflete a crescente preocupação com a saúde mental no ambiente de trabalho. Ultimamente se fala muito em inteligência artificial, novas práticas de trabalho, sejam procedimentos e formas de organização do trabalho ou recursos, como, por exemplo, a automação de tarefas. Será que a IA pode revolucionar a segurança e a saúde no trabalho? Bom, para discutir todos esses assuntos, eu recebo aqui no estúdio a vereadora Mariana Conte. Ela que é a presidente da Frente Parlamentar de Enfrentamento às Violências relacionadas ao trabalho. Recebo também a Marina de Siqueira Ferreira Erbinat, que é juíza da terceira vara do TRT 15 de Campinas, gestora do Comitê Seguro e Trabalho, atua no subcomitê de combate ao assédio, no subcomitê também de equidade e combate à discriminação. e também a Kátia Carlini, que é vice-diretora regional da Associação Brasileira de Recursos Humanos. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Mariana Conte, começo com a senhora. Muito se fala, né, sobre a rotina alucinante que a gente vive neste século XX, passando horas no trabalho, horas no trânsito, fazendo muitas vezes jornada dupla, tripla. Como é que enxerga a importância deste tema, né? saúde e segurança no trabalho. Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Quero cumprimentar os colegas também. É um prazer ter a possibilidade de conversar sobre esse tema, que é um tema que não é novo, é um tema que nós discutimos enquanto sociedade há muito tempo, mas é claro que ele precisa ser atualizado. Como você bem disse, nós temos aí todo um acúmulo da área da saúde do trabalhador que em grande medida teve muito relacionado às doenças físicas, né, lerdort, eh ruído, eh substâncias que contaminadas e a gente teve ao longo do da nossa história categorias de trabalhadores que acumularam uma série de experiências, que acumularam regramentos, que acumularam, enfim, né, que a gente tem um acúmulo. Contudo, nós estamos vivendo uma mudança no mundo do trabalho. Isso precisa ser atualizado, como você bem disse, a questão do adoecimento mental, né? Eu falava aqui, a gente pode falar de uma epidemia de adoecimento mental, porque as pessoas estão adoecidas. Isso diz respeito à rotina, à jornada, diz respeito aos métodos gerenciais que têm sido aplicados sobre a questão do trabalho e diz respeito sobre o assédio moral, a violência que acontece no mundo do trabalho. Por isso que nós criamos a Frente Parlamentar de Combate às violências relacionadas ao trabalho. Foi uma proposta do Instituto Valterer, que é uma fundação ligada à escola de sociologia e política de São Paulo, junto com a Funda Centro. Nós temos desenvolvido um trabalho também junto ao Sereste, ao Centro de Referência da Saúde do Trabalhador, que tem um trabalho muito interessante da Rede Nacional de Saúde do Trabalhador. E nós vemos, temos discutido alguns elementos, né? Primeiro, a gente criou por uma solicitação nossa à prefeitura municipal um campo num 56 para que a gente pudesse receber denúncias relacionadas ao trabalho. Isso eh foi um passo importante, eh mas que nós também temos estamos lidando com esses dados, porque na verdade a gente vê que eh não basta ter o canal para receber, mas a gente tem visto também que existe uma questão de divulgação, mas existe também uma questão de medo. Parece que as pessoas estão com medo de relatar tanto adoecimentos, estão com medo de relatar problemas que acontecem no mundo do trabalho. E o que eu entendo que a gente tem caminhado para compreender primeiro, né, a questão dos dados. A gente tem muito pouca quantificação de dados sobre isso, né? Nós estamos numa fase inicial. Eh, comentava que antes de começar a gente uma dos elementos que apareceu eh eh esse tema eh que ganhou para nós, para mim chamou atenção, eu sou presidenta da Comissão da Mulher e nós temos publicação anual do SIS9, que é o sistema de notificação de violência contra a mulher. E o último SIS9 apontou que a suicídio, o suicídio entre mulheres jovens, a notificação de suicídios ultrapassou a notificação de violência doméstica. física. Então assim, isso é claro, existe uma subnotificação, tem muita coisa que não aparece nesses dados, mas é um indício, é um alerta ali, né? Um um é um red flag, né? Quer dizer, um sinal vermelho que nós precisamos eh estar atentos. Então, eh essa coisa, essa questão, né, de trazer esses dados, elementos que estão subterrâneos, eles precisam, são necessários, mas o que me parece que existe muito medo também, né? Então, nós estamos caminhando para entender que, eh, o adoecimento mental e o assédio, ele tá muito mais ligado a um sistema gerencial de assédio e de e de violências que nós precisamos tratar. E esse isso é uma coisa importante, porque a gente tem visto tanto da questão do trabalho em plataformas, em aplicativos, que muitas vezes não tem a reconhecimento da relação de trabalho. Temos visto aqui como nós lidamos mais diretamente no serviço público, entre servidores, nas empresas que são contratadas e a gente vê quanto quanto mais frágil a contratação como empresas terceirizadas, mais eh são recorrentes as relatos nossos sobre questões de denúncias e tudo mais, adoecimento e mais amedrontado ficam as trabalhadoras e os trabalhadores para relatar. Então é um problema de muito complexo, mas eu acho que assim, a gente precisa abrir essa caixa de Pandora, né? Nós precisamos abrir, trazer à tona para que isso se torne um tema público, um debate público. E por isso também é tão importante a presença aqui. Esse tema quero agradecer e parabenizar a TV Câmara para que a gente possa ter oportunidade de debater esse assunto, né? é a nossa função e espero que a gente consiga contribuir com quem está nos acompanhando. Marina de Siqueira Ferreira Zerbinates, juíza da terceira vara do TRT de Campinas. De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, nós tivemos um aumento no número de ações envolvendo acidentes de trabalho. Em 2023 foram 11.571 e em 2024 13.30, 306, quase 15% de aumento. Na análise das 12 varas de Campinas, 2023 nós tivemos 886 processos diante de 956 em 2024, ou seja, 70 ações a mais. É uma situação que preocupa ou é encarada como normal? Tá dentro ali do que é aceitável? Seja bem-vinda mais uma vez ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada. Obrigada pelo convite. É o segundo ano que eu tenho o prazer de estar aqui com vocês. Cumprimento os minhas colegas, vereadora Mariana, Cátia, Ktia também da Associação Brasileira de Recursos Humanos. Eh, preocupa sim, eh, fazendo só um apanhado, o programa Trabalho Seguro que tem essa campanha do abril verde, por isso que estamos aqui, é um mês que a gente coloca o holofote sobre o tema saúde e segurança do trabalho. E muito nos preocupa porque falar de saúde e segurança do trabalho e esse programa especificamente que existe desde 2012, ele é um dos maiores que tá trata de tema transversal a todas as áreas do direito, que é a dignidade da pessoa humana. Uhum. Então, quando a gente fala de um ambiente de trabalho seguro e saudável, a gente prevê todas as as esferas da pessoa humana, desde a equidade, do meio ambiente saudável em termos de saúde mental, né, a parte econômica. E esse aumento ele decorre de alguns fatores. Isso é o que o nosso eh senso comum e de prática. E esses anos de magistratura, tô indo para 29 anos, né, de magistratura. Eh, primeiro, as formas precarizadas de trabalho, como bem lembrado pela vereadora, acabam atraindo maiores eh acidentes, maiores números de doença, né? Então tem muitas formas de trabalho que estão se converizando e ficando com um liame muito tênue com o empregador. Isso gera desde a questão do pertencimento da pessoa àquela empresa, como a sindicalização e a força da categoria de poder reivindicar os direitos dela. Outras questões são eh temas latentes no judiciário, na cúpula, eh a qual a gente se curva, né, com os precedentes vinculantes, que são temas da nossa competência material, da justiça do trabalho. São temas assim muito recentes de ontem, né, especificamente. Par disso tem as novas formas de trabalho. A questão da inteligência artificial e dos dos novos meios de trabalho também deixam aquele liame tênue entre o que é lazer e o que é trabalho. Os grupos de WhatsApp que servem de lazer servem também de trabalho, podem servir de cobrança. O assédio, ele pode ser nos meios digitais, então há a sociedade que ela fica sem fronteiras para tudo. Então, o que pode acontecer numa fábrica, num chão de fábrica, pode acontecer na sala da casa do trabalhador, ele num grupo de WhatsApp de trabalho ou no computador, numa videoconferência. Então isso e mais esses programas de esclarecimento à sociedade toda, veja que tem no legislativo, né, tem nas associações e faz parte do programa esse diálogo com todas as instituições. Isso coloca uma luz que é necessária mesmo sobre esses temas. E aí também gera eh a ciência daquele trabalhador e dos advogados de que tem algo a ser feito até um tempo atrás. Bom, a emenda constitucional 45 é que trouxe essa competência definitiva paraa justiça do trabalho apreciar as ações decorrentes de acidente e doença. E ao longo dos anos foram eh apresentados novos novos tipos de adoecimento, né? Mas basicamente para introduzir o assunto preocupa sim. E o programa tem várias eh várias ações para tentar minimizar e prevenir, que é sempre a melhor solução. Já já. Então tem mais questionamentos para fazer diante da sua resposta e a Mariana também para eu não esquecer. Participa do Questão de Ordem a Cátia Carlini, que é vice-diretora regional da Associação Brasileira de Recursos Humanos. Quando nós falamos em acidente de trabalho, né, eu acho que vem a cabeça das pessoas aquele físico, né? Então, a máquina que pressionou a mão do funcionário, a perda de um dedo, uma queda brusca, né? Enfim, de fato, estes casos são os que mais preocupam. Existem muitos outros tipos de acidentes. A gente citou já a questão da saúde mental também. Como é que a senhora enxerga e estes assuntos? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada. Obrigada, Gabriel, pelo convite. Obrigada. Uma uma a gratidão tá aqui com vocês também, viu? Um prazer. Então, a gente da BRH tem trabalhado eh fortemente para apoiar as empresas e levar conhecimento, ampliando esses temas e trazendo assim o como lidar, então, trazendo as questões e trazendo, apoiando muito em como lidar com esses temas. A gente já tem há muitos anos toda a questão da saúde física, o que é muito fácil de perceber. Porque quando você fica doente, você tem febre, você tem dor, você quebra um dedo, você se acidenta. E ali fica muito explícito para você lidar. E eu até fico me perguntando, será que os casos de saúde mental aumentaram ou as pessoas estão ficando mais à vontade para procurar ajuda ou o assunto tem vindo mais à tona e o conhecimento de que o que a pessoa tá sentindo pode não ser comportamento, pode ser sintoma. tá fazendo com que ela procure ajuda. Porque é muito simples, a pessoa que não tá bem emocionalmente, ela automaticamente não produz bem no trabalho dela. Uhum. Ela ela fica mais suscetível a erros, ela fica mais suscetível a não ter bons relacionamentos na na equipe. Se ela ocupa uma cadeira de liderança, muito provável que ela vai est ali com uma dificuldade de se comunicar com o time e isso vai trazendo com ela, vai tendo uma avaliação ruim dentro da empresa e aí isso fica como talvez uma incompetência dela. E isso pode ser que não seja incompetência, pode ser realmente algum transtorno, transtorno de ansiedade, alguma coisa que pode ser tratada e isso pode ser revertido. Então o que a gente tem falado muito, tem a NR1 agora, que é o tema da vez, ela foi adiada até na BRH agora no dia 24. A gente vai ter na FACAMP um evento de manhã para falar sobre a NR1 e a gente vai manter este evento porque a NR1 tá aí pra gente minimizar os problemas com saúde mental. Então o foco não é NR, o foco é a saúde do trabalhador. Então vamos manter pra gente ver o que que a gente pode fazer nas empresas, o que que a gente pode deixar de fazer nas empresas para melhorar o clima, o ambiente, porque uma saúde eh mental deficitária, ela cai à produtividade da empresa eh eh prejudica os resultados da empresa. Então é ruim pra empresa. Então a gente vai fazer isso eh focando sempre no desenvolvimento. E aí é uma crença minha, eu acho que muito do trabalho com a liderança tem eh apoia isso na saúde mental das pessoas, porque muitas vezes pode não ser o excesso de trabalho, mas pode ser a forma de comunicação, o excesso. Eu brinco que é o excesso de entulho, né? muita reunião, é muito e-mail, é muito WhatsApp, é muito muita coisa. E o trabalho mesmo, 30% do tempo a pessoa tá executando, o resto ela tá atendendo esse entre aspas, esses entulhos que surgem. Então o que que a gente pode fazer com a liderança para dar uma separada, tirar um pouco desses entulhos, a forma de se comunicar que pode denotar assédio. Muitas vezes o líder não tem consciência de que do impacto negativo da forma como ele se comunica tem. Então, uma comunicação mais consciente do líder de como o que ele faz, o que ele se comunica, o que ele deixa de fazer, pode trazer um impacto negativo na saúde mental do do trabalhador. Então, o que a gente tem trazido é esses temas à tona, trazendo teorias, cases, enfim, informação para que os profissionais das empresas possam atuar melhor. Ótimo. Para não deixar passar na abertura, Mariana, você falou sobre a questão do medo, né? Você enxerga este medo como algo externo de como as pessoas vão reagir se eu falar que eu tô com ansiedade, que eu preciso de um psicólogo? Ou você entende que é um medo de meu chefe vai encarar como uma fraqueza, eu vou ser demitida porque vai encarar como eu tô fraca, então vou me substituir por alguém melhor. Eu acho que na verdade eu tento sempre entender um aspecto mais coletivo, né? Porque o essa é uma questão importante quando a gente pensa no trabalho. Ninguém trabalha sozinha, né? O trabalho ele é sempre coletivo. Você sempre trabalha com outras pessoas e você produz coletivamente. Então, o que me parece é que estão tendo procedimentos que muitas vezes eh a gente quando a gente conversa com os trabalhadores, estão vários trabalhadores no coletivo sentindo as mesmas questões, as mesmas tensões, as mesmas pressões, eh o mesmo estado emocional, o mesmo estado psíquico, mas que muitas vezes eles têm medo de relatar internamente para como por exemplo de recorrer ao judiciário, de recorrer a um processo de de enfim, porque eu acho que tem um elemento que a Marina, a Dra. Marina colocou eh que é o elemento eh a gente tá numa momento de fragilidade das categorias, né? Então, e essa é uma fragilidade tanto em termos de uma de uma certa fragmentação das categorias, quanto no termo da própria contratação, né? Então, quem se responsabiliza pelo contrato, vou dar um exemplo que nós estamos lhe dando aqui, nós temos aí a luta das cuidadoras de crianças com deficiência no município. Elas estiveram aqui na Câmara Municipal. É um contrato terceirizado de uma empresa que com que a prefeitura presta serviço paraa prefeitura. Elas estão relatando que elas recebem menos que o salário mínimo. Elas estão eh se elas se ausentam mesmo com atestado médico, elas perdem o vale alimentação. Elas cuidam de crianças com necessidades muito específicas, por exemplo, criança com traqueostomia. Uhum. E elas estão sendo impedidas de conversar com a família. Elas colocam, elas relatam que a atenção delas é como é que eu vou exercer um trabalho com uma criança que é traqueostomizada, que exige uma série de cuidados e eu não posso conversar com a família. Então ela tem, ela carrega a responsabilidade de prestar um cuidado e ela não pode nem dialogar com a família para saber quais são as necessidades específicas daquela criança. Então é esse tipo de tensão no trabalho que elas estão carregando. E elas vieram aqui, relataram, fizeram um processo de denúncia pública e tudo mais. Como que foi a resposta? A resposta foi que a empresa convocou as principais lideranças para comparecer no RH. E aí tem uma questão também de como as empresas lidam com isso e enfim, a assediou, assediou porque elas elas tornaram público o que elas estão passando. Então, é um é um é uma por isso que eu eu acho que nós estamos caminhando numa questão que existe aí uma uma um sistema gerencial que é uma método gerencial das relações de trabalho, que é na base da coação e na base dessa dessa, digamos assim, porque eu acho que tem um equívoco, porque se tenta a todo modo tirar do trabalhador autonomia sobre seu trabalho, tá? E a autonomia sobre o trabalho é um elemento fundamental, gente, porque o o a o o trabalho humano ele é capaz de criar. E aí eu acho que tem uma uma eu acho que é assim é um equívoco tão grande, mas assim porque você desconfia do trabalhador como se o trabalhador tivesse sempre querendo ter uma uma certa desconfiança que o trabalhador tá querendo sempre folgar, sabe? Tirar vantagem. Tirar vantagem. Mas assim, o trabalho é parte fundamental da nossa vida. Todo mundo quer exercer um trabalho que tenha eh reconhecimento, quer exercer um trabalho que tenha sentido, que tem um trabalho que você tenha satisfação, bom ambiente, um bom ambiente. Então assim, é um equívoco tão grande, porque eu entendo que os serviços poderiam, inclusive no caso desse caso concreto das cuidadoras, o serviço delas poderia ser muito melhor, muito melhor se elas tivessem autonomia para conversar com a família, para ver quais são as necessidades, para elaborar, né? Então agora o problema é isso, é um caso de terceirização. E elas estão recebendo um salário de fome abaixo do salário. E é um ciclo, né, Mariana? Porque, por exemplo, quando você não dá autonomia, por que que você não dá? Porque você não confia. Por que que você não confia? Porque você não capacitou. Aí você tira a autonomia porque você então é um ciclo vicioso. Então, se você capacita de forma que você consiga confiar naquele profissional, que você consegue dar autonomia para ele, porque a falta de autonomia é um dos fatores da da saúde mental, da do do da falta da saúde mental, porque ainda mais um um trabalhador que é do tipo resolutivo, ele quer fazer o trabalho dele, ele fica de mão amarrada, não consegue entregar o melhor e aí a saúde mental dele vai começando a ficar desestabilizada. Então é um é um ciclo, né, que as pessoas ah, vou eu tiro autonomia porque é muito mais simples, poxa, muito mais simples é você capacitar, comunicar e e deixa que a pessoa seja autônoma, né? E eu acho que tem um elemento que a gente tá falando sobre a questão do adoecimento mental, mas também tem uma uma questão do do acidente físico, que é um que eu tenho ouvido muito eh e que eu acho que é é uma questão contemporânea também, que são os trabalhadores entregadores de aplicativo, porque assim, eu participei de alguns eventos, teve o break dos apps, eu estive lá para conversar com esses trabalhadores e e que foi eles estão se organizando em vários cidades. E aqui teve uma manifestação lá na Praça da Concórdia, no Campo Grande. E o relato que eles colocaram é isso, assim, eles saem de casa, não sabe se voltam, porque é, né, muito é o, né, saem de eh fal eles falam que são vida louca, os motocas são vida louca, né? E é isso, né? Mas o que eles colocaram, o não reconhecimento do vínculo trabalhista. Sim. coloca que se um trabalhador é acidentado e eles estavam com uma camiseta com um trabalhador, um entregador que tinha morrido em fazendo entrega no acidente de trânsito. Sim. Eh, se aquele trabalhador, como no caso daquele daquele rapaz, eh, morre, eles fizeram uma vaquinha entre os motoca para eh para conseguir prestar auxílio paraa família por conta do enterro, por conta de todo o processo, porque não existe reconhecimento do vínculo trabalhista. E aí entra também a questão dos aplicativos. O Gabriel mencionou a questão da inteligência artificial. Eu acho que a tecnologia ela poderia, não acho que nós não temos ser anti tecnologia, a tecnologia poderia nos auxiliar. Agora, o uso que se faz da tecnologia, aí é uma questão que extrapola a tecnologia, aí é uma questão social e política, né? Então, o uso da do emprego por plataformas, ele vai exige também, e aí eu acho que é um é um passo que nós temos que dar enquanto jurisprudência e tudo mais, do reconhecimento, né, e da própria remuneração. Porque um elemento, por que que aqueles trabalhadores estão muito sujeitos ao acidente de trabalho? Porque eles ficam, eles andam que nem, né? Mas por quê? Porque tem aceler tem o acelerar ganha, ganha por entrega. E a e quanto mais e assim a remuneração é muito baixa para fazer valer a pena num dia, você tem que fazer tantas entregas. Aí tem a questão, né, do do do da e e da e das notas, porque assim, você a pessoa, ele é você que pediu a entrega ali, você tem que dar uma nota e aí dependendo daqui, você tem várias formas de cancelamento dos entregadores. O próprio aplicativo cancela, então você fica refém. Nesse caso também não tem autonomia porque você fica refém do controle de um aplicativo. E aí no e é e é e eu fico imaginando como é que é inclusive pro recursos humanos, porque nesse caso não tem nem recursos humanos. Quer dizer, deve ter, né? O iFood tem as seus recursos humanos lá. Mas assim, no caso eh o controle sobre aqueles trabalhadores é um controle da feito pela inteligência artificial. Então, é um é um cenário que é muito eh muito sério. Eu acho que tem os indícios que estão aí. Nós estamos aprendendo a lidar com isso. O que eu acho que é preciso, a gente precisa levar a sério e dar voz para essas categorias, para que essas categorias também apresentem qual é a realidade e como que a gente pensa mudanças legislativas, mudanças organizacionais, mudanças para que a gente possa ter o fortalecimento de si enquanto categoria e adaptação para garantir direitos e garantir um trabalho seguro, sem adoecimento e sem acidentes, né? Marina, dois questionamentos. deste medo que a Mariana Conte citou, o tribunal tem essa imagem de subnotificações que muitos casos acabam não chegando ao tribunal? Provavelmente sim. O que a gente tem a dizer a respeito do medo e na prática do diálogo com as empresas, o trabalho seguro promoveu algumas visitas, né? As que eu me lembro da época que eu tava na gestão, Azul, Companhia Aéra, Hyundai. E essas grandes empresas têm programas como se fosse uma ouvidoria. A azul tem, esqueci o nome do programa, mas que a pessoa faz uma aferição do grau de estafa e tudo isso. Isso é importantíssimo. É gestão de fadiga. É gestão de fadiga, porque o empregador e e quando chega no judiciário a gente vai verificar o cumprimento dos deveres, né, do contrato da Constituição. Então o empregador é dele o dever deixar tudo conforme, desde a saúde mental econômica e tudo. E quando a gente se depara no judiciário com o acidente já ocorrido ou a doença, a gente vai pra questão reparatória. Mas o que a gente busca nesse programa é a prevenção. E aí é uma oportunidade também do juiz sair da postura eh inerte dele, que é típico do juiz, que ele só recebe ação, ele não tem o poder de investigar, mas no programa Trabalho Seguro ele vai, ele sai do gabinete e se coloca à disposição da sociedade para levar esses conceitos, para chamar. Então, todos os seminários, a partir de dezembro de 23 para cá, a gente trouxe a questão dos motoboys. Veio um ortopedista de São Paulo que diz que eh 90 e tantos por dos casos das urgências são de acidentes com motocicleta. Eh, em abril do ano passado teve sobre agrotóxico, que tem a ver com a agenda 2030, com a questão climática e o meio ambiente de trabalho, né, e todas as repercussões. Também falamos de questões de propostas do legislativo pro trabalho por aplicativo, né, desde Uber, iFood. E esse ano, agora, dia 4, a gente falou do serviço de cuidados com a professora Regina Estela Vieira e falamos também da NR, dos das novas formas de trabalho, o desembargador Homero. Isso tudo traz à tona, por exemplo, esse serviço de cuidados, ele é invisível, é uma definição, houve até um seminário no TST em 23, eh, ver o invisível. Então, ele tem um recorte de gênero, que ele é predominantemente executado por mulheres e de raça, mulheres negras. E ele muitas vezes é sem o registro, então ele é sem qualquer reconhecimento dos direitos que poderiam preservar uma dignidade mínima. E também é um ambiente propício para assédio. Tanto que na no combate ao trabalho infantil, ele tá na lista, o trabalho doméstico é catalogado como das piores formas de trabalho, né? Então a gente entra em várias faces, né? E essa questão do medo de fato aparece. Tem a questão do estigma, do transtorno mental. Uhum. E eu acho que com o tempo, até porque tem aumentado as demandas, eh, as coisas vão tirando esse peso, pelo menos as pessoas têm falado mais, os próprios peritos têm se especializado mais, porque é uma perícia diferenciada, a perícia eh de cunho psiquiátrico, porque é uma entrevista mais demorada, ele tem que levar em conta todos os fatores extralaborais, porque quase 100% dos casos são de com causa. é uma causa eh externa ao trabalho que vem com agravamento do trabalho. Isso não retira a responsabilidade do empregador, mas tem que ter uma investigação mais apurada do período. Segundo questionamento, eh, na sua primeira resposta, quando você falou sobre a questão dos trabalhadores que estavam pedindo os vínculos, na minha cabeça veio exatamente a resposta da Mariana Conte sobre os trabalhadores por aplicativo, iFood. Eh, é plausível dizer que este aumento que nós tivemos de 2023 por 2024 é uma conscientização dos trabalhadores que estão judicializando e buscando este vínculo? Eu não tenho como fazer essa ligação, mas que de fato há muitas ações, nem sempre elas abordam acidente, doença, mas pedem o vínculo. E no momento nós não temos uma coisa eh de repercussão eh geral, vinculante, especificamente sobre isso. Há um processo afetado no Supremo Tribunal Federal, mas ele ainda não foi julgado pelo plenário. que há são algumas decisões que eles eh que há interpretações, visões distintas em que levam para tudo leva paraa incompetência da justiça do trabalho. O a própria justiça estadual já aprecia algumas ações de trabalhadores por aplicativos no caso de bloqueio. Eu sei porque a gente, né, tem contato com as pessoas do TJ, por exemplo, tem desembargadores que relatam que já julgam como se parceiros ou prestadores de serviços autônomos fossem. O próprio trabalhador opta por ajuizar na justiça comum. Então, até que sobrevenante ou um projeto de lei que esteja valendo, porque ainda não há há alguns, né, na na Câmara. Eh, nós e cada um tem uma visão. Entendi. Eh, eu particularmente prefiro olhar a prova dos autos e alguns conceitos que independem da prova oral, por exemplo, subordinação por algoritmo, subordinação estrutural, que é uma o o ministro Cláudio eh Brandão, ele tem uma frase que ele falou num podcast que é para população em geral, mas é muito simples de entender. A Uber, por exemplo, ou iFood não existiria sem o trabalho humano que é feito para eles. Sim. De outro lado, o trabalhador, se não tivesse a plataforma da Uber, não poderia ser Uber com o carro dele fazendo as corridas pelo aplicativo. Então é intrinsecamente ligado um ao outro. Não há uma autonomia que um possa ser Uber sem a Uber e a Uber não existe sem ele. Sim. Então, muito da assim da minha visão parte desse pressuposto e aí o caso a caso vai dizer a prova. Isso até que venha alguma coisa eh vinculante. Aí como boa política eh judiciária, a gente se curva. Ktia, essa é uma dificuldade pro RH trabalhar com as empresas que não entendem este vínculo com os funcionários. O RH ele é é a área que cuida dos vínculos. Então não, se é uma empresa que não tem os vínculos, não tem por ter um RH. Então vou dizer que uma empresa por aplicativo eles têm o RH para cuidar de quem é da empresa, é contratado. Então o pessoal do marketing, o pessoal do comercial, do que do desenvolvedor de produtos, mas eles não cuidam dos motoristas parceiros, por exemplo, os os entregadores parceiros. Então, o que a gente tem visto hoje, o que a gente tem eh estudado muito, é o que fala, é o futuro do trabalho e as novas formas de trabalho, os novos modelos de trabalho. Então, como que a gente, como que as empresas estão lidando para conseguir se adaptar e ter eh e a legislação eh acontecendo, mas com novos modelos que estão sendo demandados até pelo próprio trabalhador. Então, é isso hoje que é o que a gente tá estudando muito. como é que vai ser no futuro, quais profissões que a gente tem hoje que não vão existir mais, quais profissões que não existem hoje que vão existir no futuro e como que essas pessoas vão querer ter o vínculo com a empresa. Então, muita é muito assim, teve um teve um movimento há uns dois anos atrás dos profissionais de tecnologia não quererem ser contratados eh no no regime CLT, porque eles gostariam de trabalhar em várias empresas, eles atendiam empresas até na Europa, enfim, nos Estados Unidos. Então eles preferiram, não queriam ser contratados no modelo CLT. Mas como é que você faz isso para atender a necessidade desse profissional que era na no momento um profissional escasso no mercado? Então a gente tava meio que eh refém das necessidades dele para poder ter o profissional trabalhando na empresa e atendendo a legislação. Então assim, foi um desafio. Hoje já eh eh melhorou um pouco isso. A gente já não tá mais com tanta escassez, muitas muitos profissionais se formaram, enfim. Então hoje a gente tá melhor, mas o os novos modelos de trabalho estão aí. A gente vai precisar ver como é que vai se adaptar a isso. Tema muito atual. Se você digitar no Google agora, Marina, pejotização tá parado no STF também nessa questão. Chega muito no TRT também. Esse tipo chega é todos os dias. E a decisão de ontem ainda não foi oficialmente eh publicada e não chegou a a nós até o momento. Hoje houve uma sessão Uhum. E e a gente debateu antes de iniciar, né, a votação e por hora nós mantivemos porque ainda não chegou uma comunicação oficial. Tudo que se tem, que eu tive pelo menos foi notícia de de imprensa, Instagram, né? Sim. Mas eu acredito que depois do feriado já deva chegar, né? E a se for isso mesmo, a gente vai suspender tudo até que seja julgado, né, o tema proposto, né, cujo relator é o ministro Gilmar Mendes. Mas chega muito, chega muito porque são as novas formas de trabalho de formas novos nomes, talvez de formas antigas de trabalho, né? Eh, desde que eu comecei a estudar pro concurso paraa Justiça do Trabalho, uma das coisas mais importantes era o contrato de emprego, o vínculo empregatício. E faz parte da, assim, eh, o básico do básico, o juiz eh entender o que é o contrato realidade, porque são contratos mais assim informais. A justiça do trabalho, ela é oral, ela faz as provas por testemunha, ela dificilmente vai ter tudo muito documentado, né? Então a gente era muito normal a apreciar esse tipo de de demanda. Aquela pessoa que trabalhou sem registro e quer ser quer ver reconhecido o vínculo, nem sempre isso era deferido, né? Depende sempre das provas. E tinham aquelas categorias em que eh ficava aquela diferença também pequena. os representantes comerciais autônomos, os corretores de imóveis e esses são os que são eh pejotizados, né? Houve realmente essa época, eu tava ainda mais à frente no primeiro grau, que agora eu atuo como convocada dos trabalhadores de TI que tinha eram escassos e eles mesmos preferiam porque tinham participação nos lucros ou algumas coisas serem PJ, mas é era raridade, né? a maioria acabava concordando, porque no momento da contratação eh a pessoa tá precisando do trabalho, ela ela aceita as condições que vêm, né? É natural. Por isso que havia os princípios que nós utilizávamos, né? Eh, o princípio da realidade, a questão do empregado seruficiente, assim como no na questão do consumidor, não há uma igualdade substancial das partes, né? Uhum. O empregador, ele tá numa posição pouco diferente da do empregado, principalmente individualmente. Aí por que algumas coisas são permitidas para a categoria com o sindicato no coletivo, o empregado ele ganha força, mas enfim, as coisas vão mudando, são visões de mundo, né, do judiciário e a gente vai aguardar para ver o que decide o Supremo Tribunal Federal a respeito desse novo tema. Eu tava aqui ouvindo vocês falarem, a Cátia Marina falarem e eu me lembrei de uma disciplina que eu fiz na faculdade da sociologia do trabalho com o professor Ricardo Antunes. Ah, ótimo. E o professor fala muito sobre essa questão da modernização das relações, mas que no limite ela é uma modernização que repõe as relações antigas de trabalho. São novos nomes, né? nova roupagem, nova roupagem que ela quase atualiza velhas questões. Sim. E e me parece que é muito isso, assim, nós estamos passando por esse processo, né, de de mudanças, de tecnologia, enfim, tudo mais, mas assim, no limite, no limite mantém umas relações que são as relações hierárquicas. Nós estamos falando de relações hierárquicas de trabalho, né, e relações em que eh pós a forma trabalhista foi feita, né, essa coisa da do do negociado sobre o legislado e tudo mais, mas assim, e essa ideia de que estamos em patamares equivalentes, né, e e isso assim é uma eh digamos assim, para mim isso é uma ideologia, né, na verdade, porque a gente tá falando de no concreto, no concreto, é claro, trabalhador que tá tá precisando trabalhar, eh, e ele aceita, não é uma liberdade de escolha, não é uma liberdade. E mesmo a ideia, porque às vezes tem essa a ideia da flexibilidade, às vezes é encantadora, né? O pessoal do Uber, né? Já já tive pessoas ouvi de Uber, ah, porque assim, eu tenho flexibilidade de trabalho, posso levar minha filha na escola, posso fazer uma série de coisas, posso, né? Tenho, mas assim, o vínculo, o vínculo não, eu penso que assim, você poderia num num num trabalho por aplicativo reconhecer o vínculo, jornada, tudo mais, né? Os direitos trabalhistas com flexibilidade de trabalho, porque o a a o aplicativo ele sabe quanto que o trabalhador trabalhou, né? Ele teve ali, foi, ele logou, a vida tá marcada ali, ele logou, né? Então assim, eh não necessariamente eh uma coisa está anteposta a outra, né? Então, eh, e, e o que eu vejo hoje é que assim, na verdade, nós, a gente precisa atualizar, é claro, atualizar a legislação e tudo mais para contemplar essa essa essas novas demandas, mas existe uma elemento fundamental que eu acho que é o reconhecimento coletivo das relações de trabalho e e reconhecimento coletivo das relações de trabalho com que a necessidade de que os trabalhadores tenham condições dignas. redução da jornada. A gente tem visto aí a demanda da fim da escala 61, né? A gente, isso tem um menor impacto, né? A gente vê a juventude que é empregada no setor de serviços. Eh, a, assim, eu eu fiz um trabalho de ir no centro da cidade conversar e a gente fez algumas entrevistas com jovens que estavam ali no centro da cidade sobre a questão da escala 6x1. O que que você acha da escala 6x1? Relatos, né? Quer dizer, não, não dá, eu não tenho tempo de estudar, eu não tenho tempo de ficar com a minha família. Mulheres, né, que t filhos, como é que eu fico com a minha família no como eh como é que eu faço? Ela falava, elas relatavam, né? Quer dizer, eh o momento que era para eu descansar, eu tô fazendo o trabalho doméstico. Relataram, não tenho tempo de ir na igreja, não tenho tempo da vida familiar, né? Então, a redução da jornada de trabalho, trazer esses elementos não como um ingessamento, porque muitas vezes se se constrói isso, né? A ingessado, não com engessamento, mas com uma forma de ter um patamar mínimo coletivo de dignidade, de direitos, para que inclusive possa desenvolver autonomia, para que as pessoas tenham tempo de lazer, né? Final assim, a gente não vi, a gente não não vive para trabalhar, né? A gente deve deve trabalhar para viver. O trabalho é meio, é que digo, trabalho é meio para ter óssecio, óscio criativo, gente, sabe? Então eu acho que assim, boa parte desse processo de adoecimento é porque as pessoas não têm óssecio, né? Não a gente fica. E e eu digo assim como como até como um relato pessoal, porque a gente fica ali conectado, né? Tanta coisa acontecendo, a gente aqui como tem na política, a gente tem que dar resposta sobre um monte de coisa. E aí, eh, eu comecei a ter uma estratégia pessoal de que tem dias, dia de folga, eu vou ouvir música e eu gosto de ouvir música, eu gosto de parar e ouvir música. Só que qual o tempo que a gente tem para desligar de WhatsApp, desligar de notícias e só ouvir música? E isso é fundamental. É fundamental para que a gente tenha sanidade, senão a gente não consegue. Nós somos seres humanos. O reconhecimento que nós somos seres humanos, eu acho que é uma coisa que é o ponto de partida, né? Então, eu acho que que nós precisamos caminhar muito nesse sentido e e me preocupa decisões como decisões que não atribuem à justiça do trabalho eh relações relações de trabalho, né? Porque eh na verdade é o quase como de antemão não reconhecer como vínculo trabalhista, né? É o que eu acho que une, só um, me permite uma parte, eh, o que a Mariana falou e a Cátia falou também, é a questão da dignidade da pessoa humana. Tudo isso poderia até não ter o vínculo, mas deveria ter um patamar mínimo civilizatório de preservar um trabalho decente para esses aplicadores. Então, caso seja a opção por não reconhecer o vínculo com efeito vinculante, que haja uma legislação que preveja pelo menos questão de segurança, né, de acidente, afastamento, para que o trabalhador também não fique sem o mínimo do mínimo, né, para ele subsistir, né? E tem muitas reclamações, né, de acesso à água, acesso a banheiro, local para descanso. Agora, qual a emergência climática? calor. É, você pensa assim, a gente tá vivendo um cenário de emergência climática, uma parcela desses trabalhadores trabalham na rua. Uma coisa que nós apresentamos, eu aqui apresentei um projeto de lei para criação dos espaços de climatização para bebedouro, enfim, porque assim tem ambulantes, carteiros, trabalhadores de aplicativo trabalho fora, né? Trabalha fora. Os trabalhadores de aplicativo falam que passam fome, né? Até teve aquele vídeo que viral visou na época da pandemia, né, que o o rapaz falava, né, você não você não sabe o que é tá tá entregando você com fome e tá nas costas a comida, você sentindo o cheiro da comida. É, então assim, como é que você faz? Você precisa ter espaços. Isso também é uma questão que a gente precisa ter responsabilidade pública. E aí é uma responsabilidade pública e urbanística, né? Nós estamos vivendo, por exemplo, questão da onda de calor nas escolas. chega relatos de professoras, estudantes, cozinheiras, as cozinhas, porque é muito quente, as escolas não estão adaptadas, elas estão adaptadas em termos de arborização, de prédio, de ventilação, então tem relatos prêmio de cozinheiras que desmaiaram em escola por conta do calor. Então, é uma série de coisas com a com o momento, eu participei, né, na na no Ministério Público do Trabalho de uma palestra sobre a questão da emergência climática e essa questão do calor foi muito tratada. né? Mas acho que assim, a questão do calor é uma delas, né? Mas tem outros elementos da emergência climática, né? O questão do sol, recebemos muito relatos, por exemplo, de carteiros, por exemplo, carteiros, eles têm muito problema com questão de de câncer de pele, com pneumonia, porque fica submetido a a a variação. Tem uma demanda antiga dos carteiros que é eles fazerem a triagem eh à tarde e entrega de manhã. Uhum. só inverter o sistema já já preservaria, porque gente, você sai no no sol da tarde, meio dia, você você frita. Sim. A verdade é essa. Hoje não tem mais condição, porque é esse esse é o cenário que nós estamos vivendo. Ou mesmo questão, né, de de das mulheres, especificidades das mulheres também, né? Quer dizer, nesse cenário de emergência, de com acúmulo do cuidado, né? Sala de amamentação. Sala de amamentação. Tem tem várias questões que atendem a agenda 2030, né? Tanto da inclusão como essa essas questões climáticas. Tem um dado, eu não vou saber ao certo, mas parece que 13.000 trabalhadores morrem em fase do calor excessivo. Depois eu confirmo esse dados que foi quando eu fiz uma pesquisa o ano passado para falar sobre os efeitos. o tema do biênio do GErm nacional, que é um grupo de trabalho interinstitucional, é mudanças climáticas e efeitos nas relações de trabalho. E o tema do biênio do trabalho seguro em geral é saúde e segurança universalização para todos, que é justamente para esses precarizados, serviços de cuidados. o ano passado era democracia e inclusão. Então, eh, esses temas eles dão um mote às aos assuntos que a sociedade vem debatendo para trazer toda essa questão da prevenção. É um é um programa bem assim, eu fico entantado com ele, gosto muito de fazer parte porque ele abraça várias outras frentes, né, como os outros comitês, né, do de combate ao assédio, de equidade, não discriminação, exato. A questão que eu não sei se foi a Cátia que falou do gestor, eh, a gente enfrenta muito a questão dos protocolos de julgamento em perspectiva, por exemplo, de raça e gênero. Tem uma decisão que ficou para mim muito marcada. era uma professora de escola municipal e num tom de aconselhamento o superior hierárquico dela chama atenção sobre dizendo que ela era muito severa para ela tomar cuidado, porque sendo mulher e com a cor que ela tinha, ela só ia conseguir ser babá. Putz. E isso, óbvio, que o município foi condenado, independentemente da intenção do agente, é racismo. Assim como outras questões têm aparecido, já houve dois casos na Câmara, um eu fui relator, o outro eu estava compondo do racismo recreativo, aquela coisa da brincadeira. Eh, o empregador, no caso que eu julguei, mandou embora por justa causa o empregado que fez brincadeira racista com o colega e o empregado mandado embora por justa causa entrou na justiça querendo reverter essa justa causa, dizendo que foi uma penalidade excessiva, que não foi um ato grave. E eu mantive a justa causa, porque também é um conceito que não importa que brincadeira tem que ser combatido. E aí a gente invoca tanto o protocolo quanto as convenções internacionais. Programa bom, programa com muitas informações. Eu já encer meu tempo, já recebi aqui, mas eu vou fazer só mais uma pergunta só eh pra Ktia e depois eu já pego as considerações finais e aí vocês podem também falar sobre este assunto, porque muito tem se falado, a gente tá falando sobre essas atualizações, né, sobre a pejatização, enfim, mas tem falado também sobre conflitos de gerações. A chamada geração Z tá entrando no mercado de trabalho agora, os nascidos a partir de 95 ou 97, com os millennials, com a geração Yos nascidos a partir da década de 80 e até com gerações anteriores, tudo isso no mercado de trabalho e que os jovens estão com outras expectativas no mundo corporativo. Então, de um lado, eles estão sendo taxados aí de mimos, descompromissados. Do outro lado, a justificativa é que eles têm os seus propósitos, buscam empresas ligadas à sustentabilidade, a diversidade. Quero saber qual que é a sua análise, Cátia, se sempre tivemos conflitos de gerações ou agora está mais evidente. Por isso, muitas pessoas também acabam ficando doentes, não se enquadram aí neste mercado de trabalho, são afastadas do trabalho ou mesmo acabam saindo do emprego. Gabriel, esse tema é lindo porque eu acho que é a primeira vez que nós temos tantas gerações eh coesistindo no mercado de trabalho. Então, nós temos os baby boomers ainda ali trabalhando. Muita geração X, eu sou X, muita geração Ya, os geração Y Millenials, né? E agora a geração Z entrando no mercado de trabalho. E é tão interessante porque assim, a eu brinco que a geração Y sofreu bullying porque foi na época que a gente começou a estudar essa questão geracional e a geração Y tava entrando no mercado ai com foco na carreira, crescimento rápido, queria ser líder, queria, né? E era uma geração muito acelerada. E agora a gente tá repetindo o bullying com a geração Z. Então, o que nós temos feito hoje é muito entender as prioridades e o perfil de cada um. Por quê? Porque você, se você é um gestor ou se você é um colega, você tem que coexistir com pessoas diferentes, que valorizam coisas diferentes e que tem motivações diferentes. Então, e eu acho que é essa a beleza, porque a gente tá tá ouvindo dizer muito assim: "Ah, porque a geração Z não quer trabalhar, eles não querem nada". Eu não concordo com isso. Eu de verdade eu não concordo. Eles não querem é ser liderados da forma como os líderes que estão hoje trabalhando lideram. Porque a geração Z não aceita a falta de autonomia. A geração Z não entende o que é hierarquia. Eles não aprenderam isso na escola. A gente cantava o hino, a gente levantava pro professor entrar, não sei vocês, levantava, né? Porque a gente entendia aquela questão da, a gente aprendeu o que era hierarquia. A geração Zen não para eles não importa. Eu trabalhava na companhia aérea e era interessante porque eh tem uma questão de hierarquia muito forte na companhia aérea, o o comandante, depois o chefe de cabine e tal, e aí você contratava comissárias novas e elas não entendiam porque que algumas algumas coisas eram como eram, por quê? Por causa da hierarquia que existia. Então hoje a geração Z não entende isso. E aí eles entendem. No outro dia eu tava conversando com uma pessoa que era do meu time e ela falou, ela tava saindo para ir se train numa outra empresa e ela falou, se despediu, né, falou assim: "Se eu posso deixar alguma coisa da minha geração para vocês, é tratem o trabalho como trabalho. O trabalho não é a vida de vocês. O trabalho é um trabalho, é um meio." E aí a gente vem daquela questão, não, porque tem que vestir a camisa? Eu gosto disso, a gente ama. E a geração Z veste a camisa da empresa desde que a camisa que ela veste por baixo, que é a dela, combine com a da empresa. É isso. Então, a gente vai ter que aprender a liderar diferente a geração Z. Eles são nativos digitais, eles vão ensinar muito a gente, eles já sabem mexer com IA desde o colégio, então a gente vai aprender muito com eles. E a gente que veio de uma geração que eu vi o CD, que eu vi o Fita Cassete, que não tinha internet. Sim. Então eu acho que a gente também tem muito que aprender com eles e muito o que ensinar. Eu acho que é essa é essa é a lindeza desse tema, assim, é a diversidade. Eu acho que aí sim é a diversidade na prática, é a diversidade cognitiva que assusta, mas é libertadora ao mesmo tempo. E que eu vou ter que fazer uma segunda parte deste programa, porque tem muitos assuntos ainda para poder abordar. Mariana Conte, muito obrigado novamente pela disponibilidade do seu tempo, ter participado do questão de ordem. Já faço um novo convite, então, para você retornar para falar sobre esse e outros assuntos e fica aberto aí paraas suas considerações finais. Olha, até puxando o gancho, né? Quer dizer, eu acho que existe essa questão, as coisas elas mudam, né? Nós estamos, o processo muda. Muitas vezes as mudanças elas são subterrâneas, não aparecem de imediato, mas elas têm processos em mudança. E eu acho que eh muitas vezes existe um discurso de um apego com o passado, que o passado era melhor, que isso é o a armadilha do conservadorismo, né? E eu sempre falo assim, eu quero, eu fico sempre bem atenta e de ouvido aberto para o que as novas gerações estão falando, porque a gente precisa aprender para que a gente não fique apegado com o passado. E eu tenho visto isso, por exemplo, quer dizer, gerações que não aceitam o racismo, não aceitam o machismo. e até trazendo aqui, porque eu nosso trabalho aqui enquanto parlamentar feminista de esquerda, né, numa câmara majoritariamente masculina, nós aqui às vezes às vezes eu falo assim, nós, a gente aqui parece patinho fora d'água, né? Porque o que a gente tá falando aí é é briga, é treta, é assim, mas aí você sai na rua e eu essas pessoas eu vejo meninas vem me abraçar, obrigada pelo que você está fazendo, estamos junta. Então assim, quer dizer, queramos ou não, nós estamos representando o anseio de tanta gente que não tá que que quer combater o machismo, que combater o racismo, que quer quer combater a LGBT fobia, que quer estar atento para as questões das do mundo do trabalho, que que é garantia de direitos, que que é debate, um debate mais robusto sobre emergência climática, sobre tantos temas, né? Então eu vejo assim que existe aí uma eu acho que a gente a gente tá num momento meio que de uma transição, sabe? Uma transição. E eu acho que o novo sempre vem. Uhum. E eu e é isso que eu aposto, é isso que que que nos coloca assim. Eu acordo tudo de falar assim: "Vamos lá, vale a pena, vamos que vamos, porque as coisas elas podem mudar e devem devem mudar". Então eu eu queria deixar essa mensagem de esperança que o novo sempre vem. Dra. Marina de Siqueira Ferreira Erbinat, juiz da terceira vara do TRT de Campinas. Também muito obrigado por novamente ter aceito convite, ter vindo no nosso estúdio. Já faço um novo convite pra senhora retornar até aqui e fica aberta aí paraas suas considerações. Primeiro agradecer pela oportunidade. Eu também fico com uma esperança e boas motivações para continuar. Eu tenho muito prazer e muito orgulho de pertencer ao judiciário brasileiro, especificamente ao Tribunal aqui de Campinas. segundo maior do Brasil, né, e é o único que é fora da capital. O nosso tribunal, ele sempre levou muito a sério esses programas de prevenção e ele dá muitas oportunidades. Veja, tô em várias frentes e ele mistura eh já tem um espaço cultural há muitos anos e eu herdei a curadoria, agora divido com colegas embarador. É uma galeria de arte. Isso é só um detalhe que eu tô desde 2015. Só que com essa participação em novos programas, a gente começou a fazer uma interseção. Então, a saúde mental de setembro passado, nós trouxemos uma psicanalista, artista plástica, que vai expor agora a Sônia Novais, Rezende, que falou sobre o sofrimento em em fri da cal para tratar da prevenção ao suicídio. Tem um projeto da escola que discute filmes e livros. A gente falou, "Ainda estou aqui". E o colega que vai falar sobre o livro é Solitário, que é um livro de uma brasileira, fala do serviço de cuidados. Então assim, é um universo em que a gente pode realmente tentar fazer justiça para que um dia as pessoas tenham de fato um trabalho digno, decente e que elas sintam satisfação com o trabalho que elas desempenham. Ótimo. Kátia Carlini, vice-diretora regional da Associação Brasileira de Recursos Humanos, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo ter vindo aqui nos nossos estúdios. Tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador já faça um novo convite para retornar e fica aberto aí para as considerações finais. Um prazer, um prazer tá aqui. Muito obrigada ouvindo elas aqui, mulheres incríveis que tem muito conteúdo para trazer. Eh, e para mim é um prazer, porque eu trabalho em prol do desenvolvimento humano. Eu acho que eh eu é eu é a minha missão trabalhar para o desenvolvimento humano e organizacional e vim num programa que coloca as pessoas no centro da discussão. Então, a gente tava aqui para discutir as pessoas em em diversos âmbitos. E e quando eu falo assim de, por exemplo, quando eu falo em diversidade, eu vou, faço palestra sobre diversidade, sobre inclusão, eu falo que quando eu trago este tema é que para no futuro a gente não tem que falar dele mais, que ele simplesmente esteja ali como o céu tá existindo ali, né? É a mesma coisa o cuidado com as pessoas, o cuidado com a saúde, que para que isso no futuro deixe de ser um tema, é só algo que está ali existindo, é uma informação, não é mais um tema que traga discussão. Então é muito, muito bom estar aqui discutindo isso com vocês e colocando sempre assim as pessoas no centro. Obrigada pelo convite. Eu que agradeço e agradeço você aí de casa também pela sua companhia, pela sua audiência. Tivemos uma aula hoje aqui no programa Questão de Ordem. Quero agradecer novamente a participação eh das três. Faço convite você aí de casa para divulgar este programa também, porque ele tem muitas informações e, acima de tudo, conscientização. Continue na nossa programação e até a próxima semana. Ciao. Ciao. [Música]