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Olá, [música] está começando o Gênios 3.0, o programa que fala de tecnologia, informação e inteligência artificial, mas sempre mostrando como tudo isso impacta a nossa vida. E claro, eu não estou sozinho. Quem está comigo nessa jornada é ele, meu parceiro digital, o Samuel. E aí, Samuel, pronto para mais uma? Sempre pronto, Felipe. E hoje a inteligência artificial vai aparecer em dois contextos bem diferentes. Primeiro, a gente vai mostrar como a tecnologia pode devolver autonomia e voz para uma médica que perdeu os movimentos do corpo por causa da esclerose lateral amiotrófica. E depois vamos falar de um assunto que pede muita atenção num ano eleitoral, o uso indevido da IA para criar deep fakes e espalhar fake news. Como identificar um conteúdo manipulado e o que fazer quando a gente esbarra numa informação suspeita. E no terceiro bloco tem as nossas dicas de tecnologia e mais um tutorial prático para você aproveitar melhor a IA no dia a dia. [música] Calma aí, Samuel. Não conta o programa inteiro para o pessoal ficar com a gente até o final. Mas já que você deu spoiler, bora lá. A nossa primeira história mostra um dos lados mais transformadores da inteligência artificial. A tecnologia sendo usada para ampliar a autonomia de uma pessoa. A médica e professora D. Maria Inês Quintana foi diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica a ela, uma doença neurodegenerativa que provoca a perda progressiva dos movimentos. Mesmo com o comprometimento físico, o conhecimento e a capacidade intelectual da professora continuaram intactos. E foi aí que a tecnologia entrou em cena. Por meio do projeto Extencia, um avatar digital alimentado por inteligência artificial, foi desenvolvido para reproduzir a voz, a forma de comunicação e o conhecimento da professora. A nossa equipe foi mostrar como essa tecnologia funciona e conhecer de perto essa história. Você confere tudo a partir de agora com a nossa repórter Cassiane Alves. Cassi, conta tudo que você descobriu aí. Olá, Felipe. É isso mesmo. Olha só, estamos aqui na Unimed Campinas. Vamos conhecer agora o projeto Estência, né? Uma tecnologia que devolve aí a voz a Dra. Maria Inês, né, que foi diagnosticada com esclerose múltipla. Isso acontece por meio então de um avatar que é alimentado por inteligência artificial e é treinado, né, para reproduzir a voz, movimentos. Mas isso tudo quem vai explicar pra gente então é o Eduardo Barros. Ele que é o CEO da work, vai explicar um pouquinho pra gente como que funciona tudo isso. Seja muito bem-vindo, obrigado pela sua participação aqui no programa. Conta pra gente como que foi pensada, né, nessa proposta então super importante aqui pra Unimed Campinas, que pode se expandir aí para outros locais também. Legal, legal. Bom, vamos lá. O projeto extência ele consiste em três extensões da Dra. Marines Quintana, feitas através de inteligência artificial. Então, a primeira extensão é o avatar palestrante, que ela possa voltar a dar aulas, ministrar palestras. Isso já foi entregue inclusive. Então, ela tem um sistema que com os olhos ela consegue digitar letra a letra e ela consegue gerar áudios, áudios clonados da voz dela clonada, consegue gerar vídeos desse avatar, dessa imagem dela que a gente construiu tudo isso a partir de uma série de imagens que ela enviou pra gente do passado, uma série de vídeos e e e áudios que ela enviou pra gente. Então, a gente treinou esse avatar e entregou para ela esse sistema para que ela pudesse voltar a se comunicar, né, com os olhos ali. E a segunda extensão, né, que é o grande desafio de pesquisa, é o agente clínico assistivo. Então esse avatar que hoje ele é assíncrono, né, então ele é um vídeo, ele vai se transformar em um avatar síncrono. Então ele vai responder em tempo real as pessoas, ele vai ser treinado com várias informações e conhecimentos sobre psiquiatria para que ele possa representar a Inês, mas sempre a Inês controlando tudo isso, né, mediando toda essa comunicação. Então a Inê ela vai est sempre presente, né, guiando e direcionando esse avatar dela. E o terceiro, a terceira extensão é são são vários, várias inteligências artificiais integradas ao sistema da Faculdade Unimed para que ela possa voltar a exercer o papel dela e de coordenadora de saúde mental da Faculdade Unimed. Então essa é a terceira extensão. Então é uma união dessas três extensões. O projeto e por isso que ele chama extência, extência e a são três extensões de inteligência artificial. E falando um pouquinho então sobre esse planejamento, né, pode falar com detalhes como que foi também esse talvez o maior desafio para vocês, né? Justamente agora tem um próximo passo de fazer toda essa reprodução em tempo real. Isso realmente foi o mais difícil assim para vocês? Tem outros desafios também que foram nesse longo processo? Passamos por vários desafios, mas a Inês, ela é maravilhosa, ela tem uma energia incrível e ela sempre participou ativamente desse projeto, né, desde o início, não é, a abrindo sua casa para nós, né, tipo, abrindo todas as informações necessárias que a gente precisava para executar e esse projeto. Então a gente teve desafios nessa primeira, né, nessa primeira extensão, mas com certeza a gente vai ter novos desafios nessa segunda extensão, tá? Essa segunda extensão que é o agente clínico assistivo, é uma tecnologia disruptiva. Eu eu costumo fazer o comparativo, né? A gente tem tecnologias, inovações incrementais e a gente tem inovações disruptivas. A segunda fase, a segunda extensão, ela é uma tecnologia disruptiva. Então, com certeza, a gente vai eh passar por obstáculos que reúne tanto a sincronicidade, essa resposta em tempo real, essa latência, essa tecnologia para tudo isso eh ser fluído, ser bacana, mas também todo esse treinamento dessas inteligências artificiais sobre psiquiatria, né? É um tema muito sensível, um tema muito delicado, que exige muita, muito teste, muita homologação para que a gente consiga chegar nessa alta performance. Então, com certeza a gente vai precisar, né, ter essa convergência dessas duas coisas, né, o real time com todo esse treinamento psiquiátrico, eh, para fazer essa tecnologia disruptiva que não tem no mercado hoje ser de fato homologada. Qual que é as próximas, quais são, né, as próximas etapas agora falando um pouquinho sobre a atividade, né, dela mesmo em palestras, em aulas, né, isso vai se estender aí para outros lugares também? Qual que é a projeção de vocês? Legal. A Ines, ela já deu algumas palestras esse ano, mas ela já tem uma agenda cheia. [risadas] Ela tem uma agenda cheia. Inclusive algumas das palestras e eu eu também vou palestrar junto com ela, o Dr. Fábio Gastal também vai palestrar junto com ela. Então ela já tem uma agenda aí de mais ou menos aí tipo uma, duas por mês até o final do ano. Mas agora a gente inicia, né, agosto, setembro a gente inicia e de fato oficialmente a a extensão número dois, que é essa extensão de suprbera que eu tava dizendo. Então, a gente concluiu hoje nesse evento a extensão número um e a gente inicia a extensão número dois. E é bom, a gente sempre fala, né, a gente ressalta também dessa, desse papel importante da inteligência artificial, né, que vem para muitas áreas, muitos nichos que podem realmente utilizar ela, né, como um benefício aí não só pessoal, mas também para uma comunidade toda, né, principalmente na área da saúde. Com certeza. Essa tecnologia ela tem inúmeras aplicações, eh, não só aplicações para as mesmas pessoas que t o mesmo tipo de doença, a mesma comorbidade que a Dra. Marinez Quintana, mas outras também, né, alguns desafios motoros severos, né, tipo de movimento. Essa tecnologia ela pode ser replicada sim, com certeza, para outras pessoas nessa mesma situação crítica eh motora, mas ela também pode ser aplicada para vários outros setores, mercados, né, como triagem de paciente, não só toda essa questão tecnológica, mas a gente também vai conseguir preservar o conhecimento da Dra. Marinês Quintana. É, isso é muito importante. Ela é a uma das principais pesquisadoras sobre transtorno de personalidade no Brasil. E a gente sabe que o Brasil ele é carente de profissionais especialistas nesse setor. Então isso também, esse projeto ele também é uma preservação desse conhecimento, né, para dar continuidade em toda a pesquisa de clínica e científica ela já tava e fazendo no dia a dia. Tá certo? Muito obrigada, Eduardo, pelas suas explicações. Parabéns pelo trabalho incrível. Bom, Felipe, a gente também conversou com o presidente da Unimed Campinas, o Dr. Gerson, que vai explicar um pouquinho pra gente também, Gerson Muraro Laurito, que também traz informações e fala um pouquinho sobre essa parceria incrível. Na prática, a comunicação do avatar recria as expressões faciais e movimentos de forma natural. Eu sou a Dra. Inês Quintana. Como vocês podem ver, meu corpo decidiu seguir um ritmo diferente do meu cérebro. Isso não é silêncio, é adaptação. Mas graças à tecnologia que vocês testemunham agora, minha voz e minha mente nunca estiveram tão presentes. Tem sido uma experiência incrível e muito emocionante poder passar todo o meu conhecimento científico para o meu avatar e por meio dele continuar dando aulas, compartilhando aquilo que construí ao longo de tantos anos é algo que para mim tem um significado enorme, que tem sido muito muito importante e muito emocionante, tá certo, Dr. Gerson? Muito obrigada pela sua participação. Tá aí, então, Felipe, você pode acompanhar um pouquinho então do funcionamento, né, do avatar da Dra. A Maria Inês, a tecnologia indo para vários nichos, principalmente na área da saúde. Eu volto aí com você no estúdio. É uma história que faz a gente pensar, Samuel, que quando a gente fala em inteligência artificial, não está falando apenas de chatbots, imagens ou ferramentas para facilitar o trabalho. Existem aplicações que podem ter um impacto direto na autonomia e na qualidade de vida das pessoas, não é mesmo, Samuel? Com certeza, Felipe. E nesse caso tem uma questão muito importante. A tecnologia não devolveu os movimentos que a doença tirou da professora, mas criou uma nova forma para ela se expressar. Isso muda toda a relação entre a limitação física e a participação social. Porque o corpo pode estar impedido de fazer certas coisas, mas o conhecimento e a capacidade de decidir continuam ali intactos. Muito interessante, Samuel. E talvez essa seja uma das grandes discussões sobre o futuro da inteligência artificial. Não se trata apenas do que a tecnologia consegue fazer, mas de como ela pode ser desenvolvida para ampliar as possibilidades humanas. E essa mesma capacidade de reproduzir vozes, imagens e formas de comunicação também traz responsabilidades. Porque se a tecnologia consegue criar uma representação digital tão convincente de uma pessoa, ela também pode ser usada para fazer alguém parecer dizer ou fazer algo que nunca disse ou nunca fez. Exatamente, Samuel. E é justamente esse outro lado que a gente vai discutir no próximo bloco. A gente vai falar sobre o uso indevido da inteligência artificial nas eleições, os deep fakes e os riscos da desinformação. Como identificar um conteúdo manipulado e como evitar que um fake news se espalhe. Mas você fica aí porque você vai descobrir tudo isso no próximo bloco. Volto já. E a gente está de volta com Gênios 3.0. E se no primeiro bloco a gente mostrou como a inteligência artificial pode ser uma aliada para ampliar a autonomia de uma pessoa, agora vamos falar de um uso que pode trazer riscos para toda a sociedade. Em um ano eleitoral, a capacidade de criar imagens, vídeos e áudios cada vez mais realistas levanta uma preocupação. Como diferenciar o que é verdade do que foi criado ou manipulado por inteligência artificial? Mas para entender como o eleitor, os candidatos e até a imprensa pode lidar com esse desafio, a gente conversa a partir de agora com Fernando Aguiar, ele que é professor do curso de Ciências de Dados e Inteligência Artificial da PUC Campinas. Fernando, seja muito bem-vindo ao Gênios 3.0. Opa, tudo bem? E para começar a nossa entrevista, por que as eleições são um ambiente tão sensível para o uso indevido da inteligência artificial? Não só para o uso indevido, mas para o uso geral da inteligência artificial? É, para um uso devido, né? Pra gente coetar esse cara que é um pouco mais fácil, é lógico, porque agiliza processos, né? né? Então, dá para eu fazer às vezes uma uma campanha, usar uma um gráfico, alguma coisa ali. Então, a gente tem uma agilidade muito maior, né? Então, para um uso ético adequado, já tem muita muito benefício. Agora, paraa parte antiética também existe uma certa motivação para um uso inadequado, porque principalmente nesse momento que a gente tem vivido aí na na última década, existe uma grande polarização. Então, os dois lados estão mais preocupados em levantar alguma história, levantar um podre, né, do do oponente ali, do opositor. Então, é um cenário muito rico, né? Se a gente pega e faz uma imagem de um determinado político numa situação errada ali, numa situação comprometedora, até a gente chegar e notar que aquilo não é verdade, reespalhar essa informação, muito estrago já foi feito, né, do ponto de vista ali da democracia, né? Então a gente tem realmente uma um cenário muito fértil para esse mau uso e é uma preocupação que vai ficar cada vez mais relevante, né? Como você falou, a técnica tá cada vez melhor e tá cada vez mais difícil diferenciar o que que é real e o que que não é. Então a gente vai precisar ter cada vez mais estratégias maisfinadas para detectar isso, né? Ô Fernando, e nós estamos falando a partir deste momento do início das campanhas eleitorais. já é possível identificar algum movimento que está sendo realizado por meio das tecnologias e das inteligências artificiais, eh, que já dá para dar um norte de como será esse período de campanha eleitoral ou ainda é muito cedo para notar um padrão? Bom, aí eu não posso dizer que eu tô acompanhando de forma tão tão acirrada, né, para poder dar uma uma resposta mais precisa, mas não duvido, tá, que já tenham aplicado alguma coisa de no uso adequado mesmo, né, para fazer uma filtragem de perfil de candidatos, perfis de eleitores para guiar, né, uma um discurso. Então, olha, a gente tem um entendimento de que o a nossa base aqui eleitoral segue dessa forma, então puxa o teu discurso um pouco mais apelando para isso ou para aquilo. Então, coisas ali que são processos naturais da política e do processo democrático, correto, né? Estão sendo acelerados por inteligência artificial. Isso a gente não tem dúvida, né? E não tá incorreto, né? É uma questão de que a gente tem um volume de dados cada vez maior e cada vez mais acessível e a gente tá agora com ferramentas que podem lidar com isso, né? Quanto ao uso mais inadequado, aí vira e mexe, a gente vê uma coisinha ou outra, mas acaba que eu acho que não convém aqui às vezes ficar pontuando, né, uma ou outra relação nesse sentido. Ô Fernando, e já não é mais discussão, já é fato de que a inteligência artificial, ela tá cada vez mais aprimorada na gestão e e de na geração de seus arquivos. Hoje em dia, o que é mais difícil de identificar? Uma imagem, um vídeo ou um áudio gerado por inteligência artificial? Qual desses produtos são os mais complicados assim de se identificar? Olha, eu acredito que pra gente tá acaba sendo o áudio, porque a gente é muito visual, né? Então, para uma imagem ser gerada por por inteligência artificial é um problema, mas eventualmente a gente acaba notando um problema ali, o fundo é meio desfocado ou não tem muito detalhe, tem alguma coisa ali, um pássaro que tá meio estranho, um animal que tá com dois rabos. Dificilmente a consegue gerar um cenário muito complexo, principalmente quando tem um fundo, né? Então você pegar uma imagem gerada de uma praia ou essa praia vai est vazia, a pessoa vai est olhando pro horizonte, geralmente o fundo tende a ter pouco detalhe, porque é difícil para ir a gerar algo realista nesse sentido. Então a imagem pode ter um tratamento ali, a pessoa pode ter um cuidado para trabalhar nela e gerar algo que é um pouco mais realista na imagem estática. No vídeo já começa a ficar um pouco mais difícil, porque a gente tem dois grandes problemas atualmente para paraa geração de vídeo. Um é o que eu comentei, vão ter alguns detalhes ali que às vezes vão ser gerados de uma forma meio esquisita, né? Quem nunca viu vídeo que às vezes um copo flutuando, uma mão com um dedo a mais e de repente ajeita uma movimentação estranha, isso vai acabar acontecendo. E outro ponto também é a inconsistência. Então, por exemplo, se a minha imagem aqui fosse feita com IA, né, a gente veria que talvez depois de um corte entre um bloco e outro, talvez o meu cabelo ficasse um pouco mais curto, talvez minha barba mudasse um pouco, talvez um pequeno detalhe. vocês ainda veriam, né, uma pessoa mais ou menos com a minha idade, minhas feições, meu tom de pele, meu tipo de cabelo, mas às vezes minha cor da camiseta muda, às vezes a textura da camiseta muda, às vezes eu ganho um brinco, às vezes o meu fone troca de lado, né? Então, esses essas pequenas inconsistências geralmente entregam um vídeo de longo prazo. Então, se teve corte de câmera, o cara que tava naquela posição muitas vezes tem alguma alguma mudança. Isso é um conforto momentâneo, né? Provavelmente as técnicas vão acabar evoluindo a ponto de evitar isso. Agora, o áudio é muito difícil da gente perceber uma mudança de de tom, né? E, por exemplo, quantos imitadores a gente não tem, né? E a gente ouve ali o cara falando, imitando a voz de do Faustão, vamos jogar um exemplo mais neutro, né? Jogando a voz aí de um de um apresentador e confunde a gente, né? Visualmente, se alguém se maqueia como aquele apresentador, a gente ainda olha e fala: "Poxa, não tem um pouco, tá um pouco estranho, não se mexe do jeito". Agora na fala a gente tem pouca percepção para conseguir diferenciar. Então acho que realmente o áudio é o mais sério assim, um pouco mais difícil da gente perceber, né? Então, aproveitando um pouco o gancho dessa sua resposta, o áudio é então uma coisa, uma das coisas mais difíceis de se identificar. Mas tem alguma coisa no discurso do que está sendo dito no áudio que eu consigo algum às vezes algum deslize do que está sendo lido no áudio que eu consigo identificar se aquele conteúdo está sendo eh manipulado ou gerado por inteligência artificial, tá? É, a rigor meio que não, né? Tanto que a gente tem algumas coisas aí, vocês devem talvez ter visto músicas geradas por inteligência artificial, né? E elas têm vocal, então a gente tem um certo controle aí para criar e falar: "Olha, aumenta um grave aqui, deixa uma entonação mais assim". E cabe naquilo que eu comentei com vocês antes, né? Eu posso retrabalhar nesse áudio. Então, o que que era um problema há um certo tempo atrás? Mas o áudio fica um pouco monótono, né? Ele não troca entonação, ele tá sempre do mesmo jeito. Isso a gente já tem aí. Qualquer um que usa um GPT, um cloud, alguma coisa que tem a versão que fala com a gente, a gente já nota que a entonação tá um pouco mais natural, né? Então acho que nesse sentido a gente tem que voltar pro padrão, né? Pro nosso feijão com arroz para detectar informações erradas. Aquele áudio, ele é muito extraordinário, ele tá tentando apelar paraa tua emoção, ele tá tentando te deixar aflito ou com raiva. Geralmente a gente é legal a gente dar uma pisada no freio, procurar por fontes, né? A nossa melhor segurança é verificar o veículo que tá divulgando aquilo. É um veículo que tem um certo conflito de interesse, né? Eu falo de quem eu não gosto. Aí, lógico, né, que tudo que eu mandar de áudio vai ser corroborando com essa ideia. Mas eu falo: "Olha, viu lá que aconteceu tal coisa?" Poxa, deixa eu ver, né? Será que algum jornal lançou, né? E houve um áudio, né? Professor Fernando da PUC chutou um cachorro na frente da, né? Tem aqui o áudio dele chutando cachorro. Você fala: "Putz, que edo, né? Já fica inflamado". Aí a gente para para pensar, poxa, será que se um professor chutasse com o cachorro na frente de uma universidade católica, não ia ter um veículo, né, divulgando isso, um Campinas agora, um jornal local que não ia tá aproveitando disso. Então a gente tem que se resguardar e procurar por informação em várias fontes e se apoiar num jornalismo sério, né? Então, se eu sei que tem veículos sérios de jornalismo, seja, né, com viés para um lado ou pro outro, que às vezes a gente concorde ou não, a gente espera pelo menos o profissionalismo desses meios, né, de averiguar se o fato foi feito daquela maneira, se aquela imagem é real, se aquela fonte é adequada, acaba sendo o método mais tranquilo e pequenas mudanças, né? Aí para quem tem um ouvido muito bom, às vezes começa a notar: "Poxa, fulano não pigarra desse jeito ou fulano não tem esse que uma coisa para para exemplo contragolpes, né? Ó, poxa, minha mãe tá me pedindo um Pix, mas minha mãe não chama, não me chama desse jeito, né? Ela costuma me tratar por outro nome. Então, a gente pode usar um pouco desses artifícios, mas é muito difícil, né? Além das características visuais que a gente tem acesso quando a gente está vendo esse tipo de conteúdo, seja ele áudio, vídeo, foto eh montagem, o que a gente tem que prestar atenção mesmo, então realmente é no conteúdo, porque a partir do conteúdo que está sendo disponibilizado pra gente, é que a gente consegue ter um discernimento se aquilo é é realizado com inteligência artificial e se a gente consegue às vezes identificar algum tipo de desinformação. Certo? É o mesmo, acaba sendo o mesmo problema de qualquer forja, né? Então eu vejo ali pelo próprio conteúdo e tento entender se aquilo é forjado ou não, se aquilo tem uma intenção de me manipular ou não, né? Porque cada vez mais essas forjas vão ficar realistas e se a gente não tiver nenhum mecanismo de assinatura, né, vai ser muito difícil da gente diferenciar o que que foi feito artificialmente, que não foi. Tá certo, Fernando, nós estamos encaminhando para o final da nossa entrevista e como de costume aqui no Gênios 3.0, A última pergunta eu deixo sempre para o meu companheiro digital, o Samuel. Então, Samuel, hoje qual é a sua pergunta para o Fernando? Fernando, para encerrar, existe o risco de a evolução da IA tornar tão difícil separar o real do falso que o eleitor comece a desconfiar até de um conteúdo que é verdadeiro? Sem dúvida, né? Eu acho que a gente tem esse problema desde sempre, né? Alguns filósofos aí há muito tempo atrás já discutem realidade líquida, né? Sobre a gente começar a perder a capacidade de diferenciar o que é real do que não é, né? Se você pegar, não lembro se é exatamente Jorgeel ou um outro, sempre tem uma dualidade. Tinha uma ideia de, olha, não é que quem controla você vai esconder o que tá errado, vai deixar aparente, mas vai soterrar num monte de outras coisas que aquilo vai passar desapercebido, que você não vai querer se preocupar com essa realidade, né? Então isso é uma preocupação que não é de hoje e sem dúvida a gente precisa sempre se atentar, né? Porque de fato e se vocês procurarem por exemplo por um, tem um site que é dispersion does not exist, vocês podem encontrar facilmente. Aí ele mostra rostos de pessoas vocês vão ver que é uma realidade bem bem factível, né? É bem, mas o fundo é todo estranho. O fundo é meio embaçado, mas a gente nota a marca de suor, poro, brilho no olho, reflexo de alguma coisa, reflexo de câmera. Aí é no detalhezinho, às vezes um brinco tá meio estranho, tem uma sombra de óculos, com o passar do tempo, a gente não vai conseguir notar esses detalhes, né? Então, é importante que a gente tenha realmente uma um senso crítico cada vez mais consolidado, né, de entender o que que é real e o que que pode não ser e a gente conseguir saber diferenciar essas duas coisas. Isso é uma capacidade que vem sendo cada vez mais importante, cada vez mais fundamental pra gente enquanto sociedade, né? Certo? Tá certo. Então, Fernando, muito obrigado e obrigado pela disponibilidade de tirar um tempo para falar com a gente sobre um tema tão atual que agora está cada vez mais no cotidiano da população e um momento tão importante para decidir o futuro do país. Sim, sim, sem dúvida, né? Eu que agradeço aí o convite. Espero ter contribuído, né? Certo? Então, Samuel, olha, eu acho que uma das principais lições dessa conversa é que a tecnologia está evoluindo mais rápido do que a nossa capacidade de identificar o que é falso. E isso muda completamente a forma como a gente precisa consumir a informação. Com certeza, Felipe. Durante muito tempo, a gente aprendeu a desconfiar de textos com erros, títulos exagerados ou imagens fora de contexto. Agora a gente precisa acrescentar uma nova camada de verificação. Um vídeo com boa qualidade ou uma voz igualzinha a de uma pessoa já não são garantia de que aquilo é autêntico. E tem uma questão que me parece fundamental. O deep fake não precisa ser perfeito para causar dano. Se um vídeo falso conseguir gerar uma reação forte e for compartilhado milhares de vezes, ele já pode ter influenciado a opinião de muitas pessoas, mesmo depois que a informação for desmentida, não é mesmo, Samuel? Exatamente. E é por isso que a velocidade da resposta é tão importante. Os eleitores precisam evitar aquele compartilhamento impulsivo. As campanhas precisam ficar de olho no uso indevido das suas imagens e vozes. E a imprensa precisa investigar de onde veio o material antes de transformar aquilo em notícia. E é isso mesmo, Samuel. E no próximo bloco a gente vai sair um pouco dessa discussão sobre os riscos da inteligência artificial para mostrar ferramentas que podem facilitar a nossa rotina, organizar ideias, automatizar tarefas e até ajudar a não perder nenhuma informação importante de uma reunião. Tem dicas, aplicativos, mais um tutorial prático, mas você fica aí porque o Genius 3.0 volta já. Estamos de volta com Gênios 3.0 agora no último bloco. E depois de falar sobre deep fakes, desinformação e os riscos da inteligência artificial nas eleições, agora vamos para um universo um pouco mais tranquilo. Aqui a tecnologia não vai tentar enganar ninguém, pelo contrário, ela vai ajudar a gente a organizar a vida, resolver pequenas tarefas e até economizar um bom tempo. E vamos começar com uma ferramenta que já está no nosso celular e no celular de muita gente. A meta AI está dentro do WhatsApp. Sabe quando você está conversando com alguém, surge aquela dúvida do tipo: "Como eu faço isso? O que eu posso cozinhar com que eu tenho na minha geladeira?" ou me ajuda a escrever uma mensagem sem parecer um robô. É só chamar a Meta AI e ela responde perguntas, dá ideias, cria imagens e também pode ser usada em grupos. É quase como ter um pequeno C3PO dentro do seu WhatsApp. Só espero que ele não comece a dar opinião sobre a nossa programação, não é mesmo, Samuel? Aí eu já não garanto, Felipe, mas a ideia é exatamente essa, ter um assistente à mão para aquelas tarefas rápidas. E o fato de ele estar dentro do WhatsApp deixa tudo mais prático, porque você não precisa ficar pulando de um aplicativo pro outro. Agora, se o seu problema não é falta de ideia, mas falta de organização, o Google Keep pode ser um bom aliado. Ele serve para criar notas, listas, lembretes, gravações de áudios e até listas de compras compartilhadas. Imagina só a cena. Você está no mercado, recebe uma mensagem e a pessoa diz: "Ah, e compra mais uma coisa". Em vez de confiar na memória, o que convenhamos é um caminho meio perigoso, é só colocar na lista e todo mundo que tem acesso pode acompanhar. Que que você achou dessa dica, Samuel? E o melhor é que ele não tenta complicar. Você pode ter uma lista pro mercado, outra pro trabalho, outra para uma viagem e até uma lista daquelas coisas que a gente sempre diz que vai fazer amanhã. Ela fica sincronizada e você acessa de vários dispositivos. E para quem quer deixar o teclado um pouco de lado, tem mais uma ferramenta bem prática, o voice in. É uma extensão do Google Chrome que transforma a sua voz em texto diretamente do seu computador. Você pode usar em e-mails, formulários, caixas de comentários em vários outros sites. Na prática, é só ativar a extensão, começar a falar e deixar a ferramenta fazer a transcrição. É uma boa alternativa para quem precisa escrever rápido ou passar muito tempo digitando, não é mesmo, Samuel? Exatamente. E o mais interessante é que o Voicein não fica preso a um aplicativo específico. Dá para usar em vários campos de texto, direto pelo navegador. Para quem tem muito texto para produzir durante o dia, pode ser um jeito simples de ganhar tempo e deixar a digitação bem mais prática. E essa foi a nossa dose de tecnologia da semana. Entre uma IA no WhatsApp, uma lista de compras, um aplicativo que se aposentou e um microfone que pode poupar os nossos dedos, a gente percebe que a tecnologia não precisa ser algo distante ou complicado. Muitas vezes ela já está na nossa mão. A gente só precisa descobrir como usar, não é mesmo, Samuel? Felipe, depois de tudo que a gente viu hoje, fica uma reflexão importante. A inteligência artificial pode transformar a nossa rotina, a democracia e até a forma como as pessoas se comunicam. Mas ao mesmo tempo que essa tecnologia abre novas possibilidades, ela também exige mais responsabilidade. No fim das contas, não é só sobre o que a IA consegue fazer, é sobre como a gente escolhe usar tudo isso. É isso. Então, Samuel, a tecnologia continua avançando e o nosso papel é acompanhar essa evolução com curiosidade, mas também com senso crítico, principalmente quando a inteligência artificial começa a fazer parte de decisões que afetam a nossa vida, a nossa informação e a nossa sociedade. E é assim que o Gênios 3.0 vai ficando por aqui. Eu agradeço a sua audiência, mas te espero para uma próxima. Até mais. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]