Escritora de Campinas cria clube para debater violência contra mulher
Clube Capitolinas, fundado em 2024 por Mila Nascimento, reúne leitoras e escritoras de 15 a 89 anos de todo o Brasil.
A escritora Mila Nascimento, criadora do Clube Capitolinas, falou ao programa Conexão Cultural, da TV Câmara Campinas, exibido em 26 de outubro de 2026, sobre a trajetória do coletivo fundado em 2024 para reunir leitoras e escritoras de diferentes regiões do Brasil.
O grupo tem integrantes de 15 a 89 anos e adota o lema ninguém pode parar uma mulher que lê. Entre os membros há moradoras do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Sul do país e do interior de São Paulo. O clube chegou a ter uma integrante morando na Itália, que hoje já está de volta ao Brasil.
Mila contou que a ideia do Clube Capitolinas nasceu de uma experiência pessoal. Sobrevivente de um episódio grave de violência doméstica, que resultou em uma fratura na coluna, ela encontrou na leitura e na escrita um espaço de acolhimento após deixar o relacionamento.
Eu prometi para mim mesma que nenhuma outra mulher ia passar pelo que eu passei. Então eu precisava criar uma estratégia para conversar com mulheres sobre violências, usando a literatura como ferramenta de sensibilização.
Segundo a escritora, a violência raramente começa com um episódio extremo. Pequenas atitudes se acumulam ao longo do tempo antes de culminar em um quadro mais grave, e o objetivo do clube é ajudar as participantes a identificar esses sinais antes que eles se agravem.
Mila é médica e relatou que essa formação abriu portas para o trabalho voluntário em organizações não governamentais, ainda que ela se apresente, antes de tudo, como mulher. A primeira pessoa a quem contou sobre a ideia do clube foi a própria filha, Isabela, que hoje cursa medicina.
De clube do livro a espaço para escritoras
O Clube Capitolinas começou como um encontro para discutir livros e manteve essa atividade como base, mas passou a receber também escritores convidados. Participaram dos encontros a escritora Betânia Pires, vencedora dos prêmios Sesc e Jabuti, e o escritor Francisco Azevedo, autor do best-seller Arroz de Palma.
A proposta do clube não é discutir textos teóricos sobre feminismo, mas usar obras de ficção para gerar identificação. Ao analisar o comportamento de personagens, as participantes conseguem reconhecer situações semelhantes em suas próprias vidas, o que pode levar a mudanças de comportamento.
A entrevista com Mila Nascimento integra uma série de bate-papos culturais com escritoras exibida pelo programa Conexão Cultural, da TV Câmara Campinas.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no CONEXÃO CULTURAL da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Conexão Cultural.
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