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Genius 3.0 | Open ran 6g e IA na guerra: tecnologia e futuro
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Genius 3.0 | Open ran 6g e IA na guerra: tecnologia e futuro

307 views Publicado 22/04/2026 HD · 38:16
Resumo editorial

O Genius 3.0 desta edição traz dois debates que conectam Campinas à fronteira global da tecnologia. O bloco principal visita o CPQD, instituto de pesquisa instalado na cidade, primeiro laboratório do Hemisfério Sul credenciado como centro de testes em integração para redes de rádio abertas no padrão Open RAN. A reportagem mostra como essa tecnologia já faz parte da infraestrutura do 5G e deve ser a base do 6G, com promessa de redes de telefonia mais baratas, flexíveis e independentes de fornecedores únicos, com três pilares fundamentais, abertura de interfaces, interoperabilidade entre fabricantes e inteligência operacional. Em seguida, o programa analisa o uso de inteligência artificial em conflitos no Oriente Médio, com sistemas que processam grandes volumes de dados em tempo real para tomar decisões militares, levantando questões éticas e legais sobre quem responde pelas consequências quando a decisão passa por uma máquina. Conteúdo que combina pesquisa científica feita em Campinas e debate global sobre tecnologia.

Descrição do vídeo

🧠 Genius 3.0 analisa tecnologias que moldam o futuro: Open RAN para redes 5G e 6G e uso de inteligência artificial em conflitos no Oriente Médio. Apresentadores Felipe e Samuel trazem especialistas e testes reais do CPQD. Open RAN no CPQD: Primeiro laboratório Hemisfério Sul credenciado para testes 5G aberto. Eduardo Melo detalha três pilares: abertura para múltiplos fornecedores reduzindo custos, virtualização em software de data centers e inteligência artificial nativa para prever falhas de sinal. Testes incluem telemedicina com ultrassom 5G em tempo real testado nove meses em Miguel Alves no Piauí e compartilhamento de infraestrutura entre operadoras. Tecnologia evolui do 4G para base do 6G com políticas de governo em Estados Unidos e Europa promovendo soberania e inclusão digital. Inteligência Artificial em Conflitos: Alides Peron da Unicamp Relações Internacionais explica sistemas Lavender usado por Israel em Gaza e Líbano e Cloud além de Maven Smart pelos Estados Unidos contra Irã. Ferramentas analisam satélites e inteligência humana para sugerir alvos maximizando impacto político e estratégico. Dilema da responsabilidade divide entre operador, programador e empresa desenvolvedora quando ocorrem erros como ataque a escola infantil no Irã. Aceleração das decisões reduz reflexão moral aumentando risco de escalada e desumanização do campo de batalha. Dicas Práticas 📱: Tyler Morning conecta contas bancárias a planilhas organizando gastos com resumo diário. Google AI Studio personaliza respostas do Gemini para documentos longos, vídeos e áudios. Drama Box entrega episódios curtos estilo TikTok para pausas rápidas na rotina. Debate Central: Open RAN democratiza internet de qualidade para regiões remotas enquanto inteligência artificial na guerra cria zona cinzenta de responsabilidade e acelera conflitos sem controle humano. Tecnologia organiza infraestrutura ou amplia caos estratégico? Repórter Cassi Alves visita CPQD. Entrevista exclusiva com professor da Unicamp. Assista análise técnica completa! Curta 👍, comente sobre IA na guerra 👇, compartilhe 🔗, inscreva 🔔 para mais Genius 3.0! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda. Começa agora o Genius 3.0, zero. Programa que fala de tecnologia, informação, inteligência artificial, mas sempre com olhar sobre como tudo isso impacta a nossa vida. E claro que eu não estou nessa sozinho. Quem está comigo é o meu parceiro de bancada digital, ele mesmo, o Samuel. E aí, Samuel, como que você tá? Tudo certo, Felipe? Sistema atualizado e pronto para hoje, com temas bem relevantes. De um lado, a infraestrutura que vai ajudar a definir o futuro da internet. Do outro, o uso da inteligência artificial em um dos cenários mais sensíveis possíveis. A guerra é a tecnologia em dois extremos, mas com o mesmo impacto. Decisões que afetam a vida de todo mundo. E olha só o que a gente preparou para hoje. A nossa equipe foi até o CPQD para conhecer de perto uma tecnologia que já faz parte do 5G e que deve ser a base do 6G. Por lá, a ideia é tornar as redes de telefonia mais baratas e mais flexíveis. Com aumento das tensões no Oriente Médio, sistemas como inteligência artificial já estão sendo utilizados para analisar informações em tempo real. Quando uma decisão passa por um sistema desses, quem é o responsável? E como de costume, no final do programa tem dicas práticas para você com aplicativos e ferramentas que mostram como a inteligência artificial [música] já está presente no nosso dia a dia. E nós vamos começar o programa com uma pergunta. Você já parou para pensar que a forma como o sinal de internet chega ao seu celular e a sua empresa está mudando a cada dia? A nossa equipe foi até o CPQD para conhecer de perto uma tecnologia que já faz parte do 5G e que deve ser a base do 6G. Quem traz tudo isso pra gente é repórter Cassi Alves. Conta tudo pra gente, C, como foi. Oi, Felipe. Estamos aqui no Centro de Competência em BRAP, em Openhun, que fica aqui no CPQD, o primeiro laboratório do Hemisfério Sul, a ser credenciado aí como um centro de testes em integração para redes de rádio abertas. Então vamos juntos mergulhar, né, nessa nesse universo da tecnologia e quem vai explicar tudo para nós é o Eduardo Melão, ele que é coordenador de pesquisa desenvolvimento em inovação. Tudo bem, Eduardo? Tudo bem? Muito obrigado pela oportunidade. Nós que agradecemos. E olha só, pra gente contextualizar, então, qual que é esse espaço que nós estamos, o que a gente vai ver primeiro. Excelente. Nós estamos no núcleo de evolução tecnológica, que é um laboratório construído aqui na estrutura do prédio 7 do CPQD. E a gente tem uma estrutura que foi eh totalmente construída, orientada à pesquisa nessa tecnologia e em outras tecnologias de conectividade, mas principalmente hoje a gente vai ver o que a gente trabalha aqui com Openham RAM. Então, Eduardo, a primeira pergunta, né, pro pessoal de casa também entender open o que significa, para quem que é direcionado, né, esse serviço? Perfeito. Essa é uma ótima pergunta, né? ORH ele é uma tecnologia nova que surgiu lá na época de 2018, criada por um consórcio de operadoras com a indústria, né, para repensar a forma como se instalam redes de acesso de rádio, que é a sigla da RAM, né? O que são redes de acesso de rádio? São basicamente redes de celular. Então, essas redes que a gente vê nas torres, pelas ruas, aquelas antenas mais verticais assim, as quais a gente conecta o nosso celular, 4G, 3G, agora o 5G, essas são as redes de acesso de rádio. E qual que é uma característica que era bem comum dessas redes, né? Elas eram redes fechadas a fornecedores específicos. Então, as operadoras elas tinham que comprar desses eh três ou quatro fornecedores que forneciam esses equipamentos fechados eh eh no mercado mundial. A, o Openhun, ele vem com esse objetivo de repensar como se faz esse tipo de equipamento, esse equipamento de rede de acesso de rádio, promover uma abertura nesse equipamento. Então, eh, a gente tem três pilares principais que a gente precisa se atentar ao olhar pra tecnologia Open Run. O primeiro pilar é a abertura, né? O Open vem de algum lugar, a abertura dessa arquitetura, dessa caixa preta que se instala junto com uma antena numa torre de celular. Não precisa ser uma caixa preta. Agora, com a evolução dos processadores, a gente consegue quebrar aquela caixa em diferentes elementos de rede, o que a gente chama de desagregação, e abrir eh conexões entre eles e interfaces que vão permitir que a gente use um elemento de um fornecedor e um outro elemento de outro, promovendo um mercado eh mais diverso, promovendo inteira operabilidade e com isso a redução do preço e competitividade, que são coisas interessantes. É, o segundo pilar seria a parte de virtualização. Então, a gente vai fazer uma rede mais baseada em software, ao invés de a gente vender uma caixa fechada que foi feita especificamente para aquele objetivo, nós vamos agora passar a utilizar, desenvolver um software que vai rodar em cima de servidores que já existem em data centers. E a terceiro, o terceiro pilar do Open Ram seria introdução da inteligência artificial na rede. Eh, as interfaces que a gente criou na rede agora, elas vão permitir que a gente acesse dados, métricas e consiga rodar algoritmos para prever eh situações aonde, por exemplo, um usuário tá perdendo o sinal, o usuário tá caminhando de uma torre para outra e tentar atender ele com a melhor qualidade de serviço possível. Então, as vantagens do Openham, elas permeiam basicamente esses três pilares e é muito interessante para as operadoras, tanto as grandes quanto as pequenas, justamente porque a gente consegue colocar todos esses conceitos modernos dentro de uma rede de celular sem se prender à aqueles fornecedores tradicionais e ao roadmap tecnológico deles, que às vezes vai limitar uma uma operadora, por exemplo, a implantar uma rede eh que atenda os usuários de forma mais efetiva. Com a padronização do 5G, a gente precisa entender primeiro que o Open Ram ele não é uma tecnologia diferente do 5G ou do 6G. O open, na verdade, ele vem como um complemento à tecnologia que já existe. É basicamente isso. Então, a gente tem ali a evolução do 5G, que agora tá caminhando para o 6G, principalmente com funcionalidades novas de eh inteligência artificial nativa na rede, eh sensoreamento sendo possibilitado pela rede e conexão de cada vez mais dispositivos a taxas cada vez mais maiores. É, então é basicamente é uma evolução natural para a inteligência artificial, como a gente já tá vendo e todas as outras tecnologias seguindo agora nessa nessa guinada aí dessa década que a gente vive. E basicamente o Openham como um complemento do 5G, ele começou na verdade como complemento do 4G lá em 2018. Então o Openham ele sempre surgia para complementar as normas que já eram escritas para a criação desses elementos. Todas as redes de acesso de rádio, as RANs, né, tanto tradicionais quanto Open Ran, elas seguem uma padronização especificada pelo órgão internacional que é o 3GP. Eh, então elas elas já implementam um conjunto de regras. O open ele vem flexibilizar um pouco como se é implementado este conjunto de regras, mas abrindo interfaces entre elementos desagregados. Então, basicamente, o Openhun ele vem evoluindo junto com o 5G e ele já é cotado para entrar já na padronização do 6G como um complemento ao 6G. Então, eh, o de certa forma já praticamente nativo, porque o 3GP e a Oun Alliance, que é aliança do Open Run, eles já trabalham juntos para que na padrização do 6G seja considerada a parte de Open Run. Perfeito, Eduardo. Aqui nós estamos em uma em um espaço, né, aqui do laboratório, vários monitores. Eh, queria que você falasse um pouquinho sobre uma das atividades, né, que são que é realizado aqui, as atividades que são realizadas aqui em relação aos monitores. Esse aqui a gente vê que é um ultrassom, né? Como que ele funciona? O que é esse sistema? Sim, sim. Eh, bom, esse sistema ele foi criado para eh possibilitar exames de telemedicina de forma remota. Então, nós fizemos uma prova de conceito no CPQD, aonde a gente instalou uma rede 5G com equipamentos que ficam dentro dos prédios, né, equipamentos de rádio indoor, ã, para possibilitar que a gente conseguisse subir uma rede 5G privativa para promover a conectividade com baixa latência dos equipamentos de ultrassom. Então, nesse primeiro monitor, a gente observa que eh tá sendo feito um exame de ultrassom. Ah, enquanto esse laptop ele tá conectado ao celular na rede 5G, eh, observando a imagem de ultrassom em tempo real. Isso aqui é como se fosse um médico eh que tá remotamente analisando as imagens de ultrassom de um lugar mais distante, que não tem lá o acesso a um médico para poder fazer a análise em tempo real, apenas um enfermeiro para fazer o exame. Então, é basicamente eh eh uma prova de conceito de telemedicina que nós fizemos no laboratório. E a gente eh levou essa prova de conceito para Miguel Alves, no Piauí e lá ficou 9 meses funcionando. Então, eh, foi uma prova de conceito bastante bem-sucedida. A gente conseguiu, eh, entregar conectividade com baixa latência. Eh, tem um teste muito interessante que a gente tem feito, que eu gostaria de falar com vocês, que é um teste de compartilhamento de infraestrutura entre operadores. Então, com o leilão do 5G, as operadoras elas assumiram o compromisso de cobrir regiões do Brasil hã com o 5G até determinada data. E isso acaba sendo um pouco caro, dependendo do número de pessoas na região, dependendo de ah quantos clientes eles vão ter ali. Então existe uma estratégia muito interessante que é duas operadoras compartilharem parte da infraestrutura. Elas elas vão usar rádios diferentes, mas vão compartilhar, por exemplo, a o mesmo equipamento de processamento, o mesmo equipamento de transmissão de dados, né? E é isso que a gente simula aqui. E Eduardo, como que, já que você comentou sobre a questão das operadoras, né, como que elas estão enxergando esse cenário, né, dessas novas tecnologias? Ela elas estão se adaptando? Eh, realmente é algo a longo prazo ou não? Como que tá essa chegada aqui no Brasil? No Brasil, especificamente, as operadoras ainda utilizam eh na sua totalidade redes tradicionais de Open com os fornecedores tradicionais. Eh, desculpa, não Openham, são redes tradicionais, de fato. Eh, mas elas têm feito pesquisa, elas têm eh se interessado bastante pelo tema. Ainda sendo uma tecnologia nova, elas não têm confiabilidade suficiente de colocar a rede para funcionar aqui no Brasil especificamente. Mas isso é um cenário apenas brasileiro. Se a gente abrir um pouco a lupa para o mundo, né, a gente vai ver que nos Estados Unidos, na Alemanha, na Europa como um todo, existem políticas de governo para as operadoras começarem a implantar essa rede Openha, porque por ser uma rede mais flexível, acaba não fechando muito o mercado do país a um determinado fornecedor, a um determinado país estrangeiro, né, Eduardo, muito obrigada por mostrar um pouquinho para nós, né, esse universo da tecnologia, só um pouquinho, porque muita coisa, né, Cada dia que vai passando tem novas pesquisas, né, novos testes. Então, qual é a mensagem que fica pra população, para quem utiliza essa tecnologia, né? É algo que realmente vem para somar, né? Sim, é algo que vem para somar, é algo que vem para possibilitar a nós fazermos a inclusão digital no nosso país, que é tão amplo e é algo que vem pra gente defender a nossa soberania tecnológica também, que ah, por muitas vezes nós dependemos de tecnologias estrangeiras, a gente prefere comprar a tecnologia de fora por ser mais barata. E apesar de depender de investimento aqui dentro do CPQD, a gente capacita profissionais da indústria, a gente eh mostra que a tecnologia é viável aqui dentro de casa. Então, a mensagem que fica é que a gente defenda a nossa própria tecnologia. E também é vale a gente ressaltar que eh o acesso ele é para todo mundo, né? Todo mundo pode ter esse acesso à internet, não só às grandes empresas, né, Eduardo? Exato. Exato. Não só as grandes empresas, pequenas e médias empresas. eh tem a uma possibilidade agora de construir uma rede flexível, não tão cara quanto as redes tradicionais, eh dependendo da implantação, do número de usuários. Então, ah, essa flexibilidade permite que a gente olhe a caso e atenda, não só as grandes empresas. Perfeito, Eduardo. Muito obrigada por nos receber aqui no laboratório. Tá aí. Então, Felipe, esse foi um pequeno resumo de tudo que acontece aqui no coração, né, no laboratório aqui do Embrap. Então, espero que vocês tenham gostado. Eu vou ficar por aqui, vou aprender um pouquinho mais. Tchau. Muito obrigado. E muito obrigado pelas informações, Samuel. Uma coisa que chama atenção no VT é justamente essa promessa de reduzir custos e ampliar o acesso. Hoje, muitas regiões ainda ficam fórum das redes de alta qualidade porque a implantação é cara. E o Openhun muda esse cenário de verdade? Muda e muda por um motivo bem prático. Hoje, grande parte das redes depende de equipamentos de um único fornecedor e isso acaba prendendo as operadoras a soluções caras e pouco flexíveis. Com o Open Ren, essa lógica muda. As empresas podem combinar tecnologias de diferentes fornecedores, aumentando a concorrência e reduzindo os custos de implantação. Na prática, isso abre caminho para levar internet de qualidade a regiões onde até hoje o investimento simplesmente não compensava. Ou seja, não é só uma mudança técnica, a gente está falando de acesso mesmo, de quem consegue ou não estar conectado, não é mesmo, Samuel? Exatamente. E tem outro ponto importante. Com redes mais flexíveis, fica muito mais fácil adaptar a tecnologia para diferentes necessidades. Isso impacta, desde uma empresa que depende de conexão estável até um hospital que precisa transmitir exames em tempo real. Ou seja, não é só sobre internet mais rápida, é sobre como essa conexão passa a sustentar serviços essenciais. No fim das contas, uma mudança que começa na infraestrutura, mas que chega direto à vida das pessoas. E olha só, no próximo bloco a gente vai falar sobre o uso da inteligência artificial em cenários de guerra com uma entrevista exclusiva com Alides Peron, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp. Fica aí porque o Genius 3.0 volta já. [música] Estamos de volta com Gênios 3.0 e agora a gente entra em um dos temas mais delicados quando a gente fala de tecnologia. O uso da inteligência artificial em cenários de guerra. Com aumento das tensões no Oriente Médio, regiões estratégicas como Estreito de Ormus, por onde passa uma parte importante do petróleo do mundo, tem sido o palco de ataques e disputas. E o que chama atenção é que cada vez mais esses conflitos também passam pelo uso de sistemas de inteligência artificial que analisam dados em tempo real e ajudam na tomada de decisão. Mas isso levanta uma questão central. Quando uma máquina passa a participar de decisões que envolvem vida e morte, quem é o responsável por tudo isso? E para ajudar a gente a entender esse cenário, a gente conversa agora com Alides Peron, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, especialista em relações internacionais e guerra moderna. Professor, seja muito bem-vindo ao Gênios 3.0. Felipe, é uma honra poder estar aqui com vocês e acompanhar os debates que vem sendo feito nesse tema. Muito obrigado pelo convite. Muito obrigado. E a nossa primeira pergunta é: a gente tem visto uma escalada de tensões em regiões estratégicas como Estreito de Ormus, com ataques a navios e impactos diretos na economia global? De que forma a inteligência artificial já está sendo utilizada nesse tipo de conflito, professor? Perfeitamente. Olha, a gente tem observado, né, uma operação de alto risco, na verdade. Eh, durante muito tempo, os Estados Unidos ameaçavam o Irã e também Israel a partir de bombardeios. No entanto, é uma região extremamente complexa e grande. Planejar um ataque lá não é fácil. Planejar movimentações militares não é fácil. Isso exige que haja grande precisão, seja nos ataques, seja nas movimentações e disposições de tropas. eh sistemas aéreos e sistemas marítimos na região. Então, para tanto, o que a gente tem observado é que eles fizeram um uso massivo de inteligência artificial. E por inteligência artificial, nós não estamos apenas falando de sistemas autônomos, como por exemplo, drones que sobrevoariam a região e coletariam dados ali, mas a gente também está falando do uso da IA generativa para planejar ataques, para planejar alvos, inclusive tendo sugestões de localidades e de a como a gente pode dizer, de efeitos que podem ser gerados a partir desses ataques. Então isso começou a ser amplamente utilizado agora, né, nesse conflito. É bem verdade que também já havia um uso da Iá por parte de Israel, né, durante os seus ataques a Gaza e também no Líbano. A gente conhece, né, esse sistema de inteligência artificial pelo pelo nome de sistema Lavender, que é um sistema que inclusive conseguia identificar alvos e sugerir potenciais suspeitos para ataques, né? Ah, no caso agora que tem sido utilizado pelos Estados Unidos, inicialmente era o sistema Cloud, que pertence a Antropic e foi bastante utilizado como uma forma de sugestão de localidades para ataques. Então, aonde um determinado ataque poderia maximizar efeitos ah políticos e efeitos estratégicos para os Estados Unidos. E tudo isso era feito por operadores que conseguem simplesmente dialogar, né, com o sistema eh de chat, com essa máquina. e, evidentemente visualizar uma série de dados que a máquina consegue agremiar e triar, né? Então, a gente tá falando de dados de satélite, estamos falando de dados de inteligência, estamos falando de relatórios e de uma série de outras informações de a de inteligência humana, né, produzida em campo. Hoje, alguns dos sistemas que têm sido utilizados ali, eh, tem outros nomes, né? São de outras empresas. Um deles é o Maven Smart, que também segue a mesma linha do sistema a Cloud, né, da Antropic. Ô professor, e quando a gente fala de sistemas que analisam dados e sugerem alvos, surge um dilema importante. Se uma decisão que resulta na morte de civis, por exemplo, quem responde por isso? Existe uma definição clara sobre essa responsabilidade hoje em dia? Olha, não existe uma definição clara sobre isso. Isso tem sido objeto de debate em inúmeros foros, né, principalmente também nos na nos foros de direitos humanos das Nações Unidas e tem sido objeto de debate também entre ativistas, acadêmicos, porque isso tumultua bastante a questão da guerra. Olha só, inicialmente nós podemos responsabilizar aqueles que operam sistemas e utilizam os sistemas como uma forma de de emprego de poder. Isso é uma via e evidentemente eles são os primeiros a serem responsabilizados por um ataque que pode culminar na morte de civis, de inocentes, né? No entanto, há uma amplific uma amplificação da responsabilidade quando se trata de sistemas que processam dados e que chegam a conclusões por si próprios. Então isso significa que parte da responsabilidade também está com as empresas desenvolvedoras desses sistemas. Isso porque eh são elas as responsáveis pelo treinamento do sistema, são elas responsáveis muitas vezes pela coleta de dados que vão trabalhar a a as dinâmicas de redes neurais desses sistemas. Então elas também têm uma enorme responsabilidade nesse processo. O que a Guerra Contemporânea vem nos ensinando pelo emprego de sistemas de alta sofisticação tecnológica é que não existe apenas o responsável eh militar ou político, mas existem também todos aqueles que estão munindo o esses sistemas, essas ah esses grupos, né, de sistemas de armas complexos. Então, cabe a eles também maior transparência e maior explicabilidade sobre a sua capacidade de destrutiva desse sistema. Ô, professor, e o senhor acredita que o uso da inteligência artificial pode desumanizar o campo de batalha? Na prática, o que que isso pode significar? A gente pode estar diante de um tipo de conflito em que a decisão de atacar fica cada vez mais distante do julgamento humano. Aproveitando o gancho dessa última resposta. Claro. Claro. Olha, historicamente, quando a gente observa a o que que é a evolução da guerra, ela perpassa pela introdução de várias tecnologias. Isso vem desde suas origens, né? a gente tá falando do estribo que permite o sujeito ter maior a capacidade de controle sobre o cavalo e poder disparar, por exemplo, eh eh um um arco, uma flecha, né, a partir de uma com uma grande precisão. E desde então a gente começa a ter diversas outras evoluções que vão desde uma infantaria, uma infantaria armada e a gente começa a ter a introdução de sistemas que vão progressivamente distanciando a os combatentes do campo de batalha, mas acima de tudo também mediando a visão dos combatentes do campo de batalha. Então quando a gente olha grandes sistemas de armas operados na década de 70 e 80, muitos deles já eram eh mediados por tecnologias visuais do campo de batalha. Um sujeito que está, por exemplo, numa aeronave de caça, ele não consegue visualizar perfeitamente o o lugar onde ele vai fazer algum tipo de disparo. Então, ele precisa dessa mediação técnica. Ocorre que dentro desse novo sistema de armas, não é só uma mediação da visualização, mas uma mediação da interpretação do que é o campo de batalha, do que é o inimigo, eh o suposto inimigo pelo menos. e supostos alvos eh no seu risco, isso na sua periculosidade. Então, isso faz com que a gente comece a ter um enorme dilema em que, ah, quem decide sobre a morte são as máquinas baseados em quais dados e de que maneira que o ser humano tem a responsabilidade de participação ou de averiguação desses dados. Então, boa parte das discussões que têm sido feitas, elas remetem a esse ponto. Até que momento o ser humano precisa avaliar essas decisões e ele precisa estar presente para essa avaliação. A gente vê uma progressiva desumanização a partir do momento que não apenas sistemas de decisão são empregados, mas também sistemas autônomos. E há uma enorme discussão hoje, inúmeras campanhas que têm sido feitas em âmbito internacional para que essa automatização de armas, ela seja freada e haja um banimento de armas eh puramente autônomas, porque esse tipo de decisão precisa passar pelo crio humano, pela sensibilidade humana e, acima de tudo, isso deve ser avaliado com muito cuidado. Veja só, a partir do momento que a gente introduz esses sistemas de armas, há uma aceleração do campo de batalha. O que significa que as decisões não estão sendo refletidas, não há uma reflexão sobre as decisões de ataque, simplesmente porque você não articula com os riscos diretos eh dos resultados relativos a ao uso dessas armas. Então, isso é extremamente perigoso. O tempo de reflexão tá sendo superado por uma celeridade que traz vantagem estratégica pro pros operadores de armas, né? Mas eh até que ponto isso não amplifica uma barbárie e um caos, né? que é justamente a a aquilo que a gente quer evitar, né? Ainda que a guerra seja destruição, existe direito na guerra e existe formas de controle sobre o tipo de armamentos que devem ser utilizados. E isso precisa ser objeto de debate, retornar como objeto de debate. Outro ponto que chama atenção quando se diz respeito a esse assunto é a velocidade dos sistemas baseados em inteligência artificial. Eles conseguem processar informações em segundos. Isso aumenta o risco de uma escalada mais rápida e até fora de controle. Perfeitamente. Como mencionava, a gente tem um problema tremendo que é o seguinte: todo o conflito ele tem um tempo de espera para reflexão e para debate sobre os riscos associados aos tipos de ataque que serão feitos. Então, por exemplo, desde a Segunda Guerra Mundial, alguns ataques eram feitos em campos de batalha, outro em outros em ambientes com uma certa densidade populacional. havia reflexões que passavam por um crio moral, um crio estratégico e, evidentemente, um dimensionamento político desde depois também da Segunda Guerra Mundial. Por quê? Atacar zonas onde há uma presença civil muito grande pode acarretar em riscos de mortes colaterais e isso pode trazer inúmeros riscos para, enfim, a próprio prestígio da nação que faz esse ataque, mas acima de tudo a própria moralidade, né, desse tipo de ataque é questionada. A partir do momento que você lega esse tipo de decisão para um sistema baseado em inteligência artificial, que pode estar profundamente amparado por dados errados, ah, ou dados sem o um devido cuidado, um devido tratamento, isso pode fazer com que a a atrocidades sejam cometidas e a responsabilização nunca chega à aqueles que de fato se devem ser responsabilizados. Então isso é um risco tremendo e que precisa ser trazido à tona e ao debate. Ah, veja só, recentemente houve um ataque a uma escola eh infantil, né, no Irã. E esse ataque foi interpretado pelos Estados Unidos, pois se sabe que o tipo de míssil que foi utilizado era um míssil eh de exclusividade das Forças Armadas norte-americanas. Eh, até que ponto esse ataque foi eh eh sugerido, articulado por uma inteligência artificial? Quando a essa sugestão foi feita, quais tipos de dados essa inteligência artificial se baseou? Quando ela se baseou nesses dados, ela considerava o o fato de que a gente está falando de uma de uma região civil. Eh, por que que não houve uma avaliação disso, uma avaliação humana que poderia facilmente chegar à conclusão de que se tratava de uma região de civis e a fundamentalmente uma região eh escolar, né, com crianças? Então, é exatamente esse tipo de tema que a gente tá trazendo aqui. A aceleração faz com que as deliberações sejam reduzidas em termos de uma vantagem estratégica associada à velocidade. Ô professor, estamos encaminhando para o final da nossa entrevista, mas quem vai fazer a última pergunta é o meu parceiro Samuel. Samuel, qual é a sua pergunta? A Sides, hoje se fala muito sobre a ideia de controle humano nesses sistemas. Na sua avaliação, isso ainda é viável na prática ou a tecnologia já está avançando mais rápido do que a nossa capacidade de regular? Samuel, eu acho que essa pergunta é perfeita. A gente tem um problema muito sério, porque o direito ele sempre reage esses movimentos, né? Então o que acaba acontecendo é que a tecnologia ela tem uma celeridade muito grande. Constantemente estão se desenvolvendo inovações ligadas à inteligência artificial, novas aplicações, novas possibilidades. Regular isso de uma maneira extremamente precisa é muito difícil. Então isso depende de uma forma de regulação que na verdade ela só pode ser feita em âmbito global. Se trata de do que nós chamamos de uma governança da IA. a gente não consegue regular regular os elementos de de precisão, tipos de aplicações específicas, mas com a governança a gente consegue trazer princípios éticos e morais eh acordados com inúmeras nações para que essas tecnologias sejam desenvolvidas dentro das boas práticas eh de inovação, de transparência e de explicabilidade dos algoritmos. Então, é nisso que boa parte dos ativistas, pesquisadores, juristas têm debatido, como criar mecanismos de governança devidamente amplos produzir tecnologias mais éticas e mais alinhadas aos valores humanos. Tá certo, professor? Muito obrigado, obrigado pela disponibilidade de conversar com a gente, participar conosco aqui do Gênios 3.0, trazendo um assunto tão relevante e tão atual pra nossa sociedade. Muito obrigado. Eu que agradeço a oportunidade e uma boa tarde a todos. Obrigado, Samuel. Uma coisa que fica muito clara é essa ideia de vácuo de responsabilidade. Quando uma decisão passa por um sistema, fica difícil apontar quem de fato responde por ela. Exato. E esse é um dos principais problemas hoje. Diferente de um soldado, uma inteligência artificial não pode ser responsabilizada legalmente. Então, a decisão acaba ficando diluída entre quem programou, quem autorizou e quem utilizou o sistema. E na prática isso cria uma zona cinzenta perigosa, principalmente em casos de erro ou violação. E tem um outro ponto que chama atenção, a ideia de que a tecnologia pode tornar a guerra mais fácil. Sim, porque quando você reduz o envolvimento humano direto, também reduz o custo político do conflito. Menos soldados em campo significam menos pressão interna e isso pode fazer com que decisões de entrar em guerra sejam tomadas com mais frequência. A tecnologia que promete precisão também pode aumentar o risco, não é mesmo, Samuel? Exatamente. E existe um agravante, a velocidade. Em um cenário em que sistemas tomam decisões em segundos, o tempo para a intervenção humana diminui muito. Isso torna os conflitos mais imprevisíveis e também mais difíceis de controlar. No fim das contas, a discussão sobre inteligência artificial na guerra não é só tecnológica, é uma discussão sobre limites. E no próximo bloco a gente muda de cenário, vamos sair do campo dos grandes conflitos e olhar para como a tecnologia já está presente no seu dia a dia. Mas você confere tudo no próximo bloco. Não sai daí porque o Genius 3.0 volta já. Estamos de volta com mais um bloco do Gos 3.0. E olha só, tem uma coisa que fica cada vez mais clara é que a tecnologia não está só nos grandes temas, ela está nos detalhes, na forma como você organiza o dinheiro, como trabalha, como consome conteúdo e até na hora de descansar. E é exatamente isso que a gente mostra agora. E vamos começar pelo que mais pega no cotidiano, o dinheiro. O Tyler Morning é uma ferramenta que conecta suas contas bancárias direto com planilhas como Google Sheets ou Excel. Na prática, ele puxa automaticamente os seus gastos, organiza por categoria e ainda te envia um resumo diário. Samuel, isso aqui é quase que um raio X da vida financeira, não é mesmo? é um raio X e mais do que isso, um espelho, porque ele não mostra só os números, ele revela padrões de comportamento. E isso é interessante. Muita gente não tem problema de falta de dinheiro, tem problema de falta de visibilidade. Lembra até aquela virada em Clube da Luta, quando o personagem percebe que a vida que levava não era exatamente o que imaginava. Aqui é a mesma lógica, só que com o extrato bancário. Agora, para quem quer ir além do básico na inteligência artificial, tem um Google AI Studio. Se o Gemini é a inteligência artificial pronta para usar, o AI Studio é onde você consegue ajustar como ela funciona. Dá para analisar documentos longos, vídeos, áudios e até definir o jeito que a inteligência artificial vai responder. Samuel, isso muda o papel de quem usa tecnologia, não muda? Muda completamente, porque até pouco tempo atrás a relação era passiva. Você perguntava e a máquina respondia. Agora você começa a definir como essa resposta vai ser construída. é uma mudança de lógica de consumidor para operador. E isso lembra muito Matrix, quando o personagem deixa de apenas enxergar a realidade e passa a entender como ela funciona. No caso do AI Studio, você começa a entender e ajustar a lógica da inteligência artificial. E olha só, no entretenimento, uma mudança que chama atenção é o formato. E o Drama Box segue uma tendência clara. Episódios curtos de poucos minutos. Conteúdo pensado para caber na rotina, no transporte, na fila, em qualquer intervalo. Samuel, isso muda o fato como a gente se relaciona com a história que a gente consome hoje em dia? Muda e muda o ritmo da experiência. Antes a gente se adaptava ao tempo do conteúdo, agora o conteúdo se adapta ao nosso tempo. Só que existe um detalhe importante. Essa rapidez também muda a forma como a gente se envolve. é mais imediato, mais viciante, mas às vezes menos profundo. Lembra muito a lógica de plataformas como o TikTok, em que o conteúdo precisa te prender rapidamente, senão você passa adiante. Ou seja, não é só uma mudança de formato, é uma mudança de comportamento. Samuel, depois de tudo isso, fica claro que a tecnologia está em tudo, do controle do dinheiro até a forma como a gente pensa, trabalha e descansa. Agora me diz, isso aqui está mais para um futuro organizado ou para um caos digital disfarçado de realidade? Olha, tem um pouco dos dois. Tem hora que parece aquela vida perfeitamente otimizada. Tudo funcionando, tudo no lugar. E tem momentos que lembram um episódio de Black Mirror, em que a tecnologia começa a passar um pouco do ponto. No fim das contas, não é sobre o sistema, é sobre quem está no controle. Ou seja, a tecnologia pode até organizar a nossa vida, mas a responsabilidade continua sendo nossa. O Gênios 3.0 vai ficando por aqui. Eu agradeço sua companhia, mas te espere no próximo episódio pra gente continuar debatendo sobre tecnologia, inteligência artificial e muita informação para você. Até mais. [música] [música] [música] [música]
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