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Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda. Começa agora o Gênios 3.0, zero, programa que fala de tecnologia, informação e inteligência artificial, mas sempre com olhar sobre como tudo isso impacta a nossa vida. E claro que eu não estou nessa sozinho. Quem me acompanha é o meu parceiro de bancada digital, o Samuel. E aí, Samuel, como você tá? Preparado para mais uma? Sempre pronto, Felipe. Sistema atualizado e com um destaque importante hoje. Vamos falar de tecnologia que sai do campo das ideias e ganha corpo, movimento e regras. De um lado, um robô que passa a atuar diretamente em ações de proteção e resposta a emergências. Do outro, a inteligência artificial sendo regulamentada dentro da universidade. Aproveitando o breve spoiler que meu amigo deu, olha só o que a gente preparou para hoje. [música] A nossa equipe foi de perto conhecer o novo reforço tecnológico que passa a integrar as ações da Defesa Civil de Campinas, um robô quadrúpede de última geração. A gente traz ainda uma entrevista especial sobre um tema que começa a ganhar cada vez mais espaço. a regulamentação do uso da inteligência artificial generativa dentro das universidades. E como de costume, no final do programa tem dicas práticas para você, ferramentas e aplicativos que mostram como a inteligência artificial já está presente no seu dia a dia. [música] E vamos começar o programa falando agora sobre um equipamento que parece ter saído de um filme, mas que já faz parte da realidade aqui em Campinas. Um robô quadrúpede de última geração que passa a integrar as ações da Defesa Civil. A proposta é ampliar a segurança em vistorias técnicas e também usar a tecnologia como ferramenta educativa, principalmente com crianças e adolescentes. A gente foi até lá para ver de perto como esse robô funciona, entender como ele pode ajudar em situações de risco. Quem mostra tudo pra gente é a repórter Camila Borges. Cames, me mostra daí como que foi conhecer esse novo integrante da Defesa Civil de Campinas. Olá, Felipe. É isso mesmo. Eu estou aqui na sede da Defesa Civil de Campinas para mostrar esse novo aliado tecnológico que vai auxiliar no dia a dia de trabalho das equipes da Defesa Civil do município. O robô quadrúpede de última geração ou também, como é conhecido, o cão robô. Está aqui ao meu lado para explicar essa novidade da Defesa Civil de Campinas, o agente Vinícius Firete. Vinícius, muito obrigado e seja bem-vindo ao Gênios. Muito obrigado, Camila. Sejam todos bem-vindos à Defesa Civil de Campinas. É um prazer recebê-los aqui. E esse nosso robô, ela é uma aquisição de tecnologia aí, demonstrando como Campinas está alinhada e preocupada, né, na valorização da cidade e demonstrando a preocupação em evoluir na proteção e na defesa civil dos nossos munícipes. Vinícius, para começar, eu queria que você explicasse [música] a importância da Defesa Civil receber esse robô tecnológico, que será uma inovação pro município, né? Perfeito, Camila. Ótima pergunta. Eh, Campinas tem se demonstrado aí, especialmente na Defesa Civil, muito preocupada e alinhada com as inovações tecnológicas, no sentido de trazer cada vez mais a prevenção e a mitigação dos riscos que são presentes aqui na nossa cidade. Nós temos 18 áreas de risco, então é uma ferramenta que com certeza vai nos auxiliar aí eh trazendo mais segurança e mais tecnologia, mais precisão no atendimento das nossas ocorrências, certo? E como ele vai contribuir na prática para esse trabalho de vocês? Perfeito. Esse robô da fabricante Unitri, ele é um modelo Go2 Pro que ele vem equipado com Lidar, que é um sistema laser, né, de monitoramento de ambiente para servir também evitar obstáculos. Ele tem uma inteligência artificial que é incorporada e uma câmera de alta definição que serve para fazer inspeção [música] eh de áreas de risco, por exemplo, ou em uma região de uma construção que esteja comprometida, né? Eh, e como é possível fazer esse monitoramento à distância, isso traz mais segurança na operação de nós agentes de defesa civil, que evita a exposição um risco aí eh desnecessário, né? Então, é uma ferramenta extremamente importante para nós. Sim. Você já citou um pouco sobre a segurança. Então, no caso, o robô, ele vai entrar antes na operação dos agentes para conseguir conferir ali o território. Exatamente, Camila. Ele tem essa [música] essa habilidade por ser um quadrúpede, né? Ele consegue inclusive andar sobre duas pernas, tanto as dianteiras quanto as traseiras, somente consegue subir escadas. Então essa habilidade de andar em ambientes mais complexos e com um tamanho ainda bastante reduzido, ele facilita, né, numa inspeção, eh, por exemplo, numa região que possa ter uma suspeita de produtos perigosos, algum contaminante, eh, prestar esse apoio de ingressar na área com segurança, eh, permitindo uma operação mais tranquila. [música] Sim. Eh, e no caso, em quais ocorrências ele pode ser mais utilizado? Inicialmente, esse cão, ele vai ser utilizado em ações eh educativas, né, em simulados também, eventos, mas pro nosso dia a dia ele deve ingressar em áreas eh comprometidas, como por exemplo, uma estrutura que tenha sido eh [música] ou que teve passou por um desabamento, né, alguma situação que apresente risco de colapso da estrutura, ele poderia ingressar ou mesmo numa situação, como a gente vai simular aqui, com produtos perigosos. Certo? E você já citou um pouco, Fet, que ele tem inteligência artificial? Quais são as principais tecnologias que esse robô compra? Ah, perfeito. Ele tem a possibilidade de tomar decisões, eh, de estar navegando num ambiente e ao encontrar um obstáculo, ele procurar uma solução, que é o que a gente vai simular. Então eu vou forçar [música] ele a caminhar paraa frente. Ele vai perceber que existem obstáculos na frente dele e vai começar a tomar algumas decisões e procurar um caminho, né, justamente utilizando a inteligência artificial. OK. E na prática, eh, no dia a dia de trabalho de vocês ali, [música] ele vai ser um equipamento fácil de manusear, fácil de e levar pras operações? [música] Ótima pergunta, Camila. Ele é um equipamento fácil de operar, assim como nós já temos é diversos drones aqui na Defesa Civil que justamente alinhada essa decisão de tecnologia, ele é muito mais fácil de operar que um drone, por exemplo. Ele é mais seguro, mais tranquilo, né? não é uma aeronave que tá suspensa, ele fica tranquilamente parado. Eh, no quesito de peso, ele tá em torno de 20 kg, então ele é um pouquinho difícil para transportar, mas o manuseio dele é muito fácil, ele tem uma habilidade de andar por caminhos [música] assim com bastante desenvoltura, bastante facilidade. E a interface ela é muito simples pro usuário. Então nós e agentes que já estamos acostumados com os drones, por exemplo, ele é mais fácil de operar ainda. Uhum. E os agentes da Defesa Civil vão receber um treinamento para conseguir operar esse equipamento. Exatamente, né? A gente já tá fazendo um treinamento interno, né? A equipe tá conhecendo essa nova tecnologia. É uma novidade pro Brasil inteiro, né? É, é um prazer receber essa tecnologia, mostra o alinhamento da nossa estratégia da diretoria de trazer cada vez mais o avanço tecnológico para facilitar o trabalho e trazer com mais segurança. Então, as equipes elas já estão começando a ter esse esses primeiros contatos e descobrindo essa nova ferramenta, todas as possibilidades que ela apresenta. Sim. E você falou que a Defesa Civil de Campinas está com esse olhar pra inovação, pra tecnologia. Eh, qual a importância de incrementar, implementar isso também no dia a dia de trabalho de vocês, ter esse aliado, né, essa tecnologia como aliado no trabalho? Ah, perfeito. Eh, a Defesa Civil de Campinas, ela tá sempre muito preocupada em avançar. Eh, eh, nós temos aqui a [música] RMC, que é a região metropolitana de Campinas, e a nossa diretoria, ela tem essa preocupação de integração, inclusive, de suporte às outras cidades. Então, ela vem muito alinhada a passar mais pra inteligência, pra estratégia, né, do monitoramento, pra estratégia da prevenção, da preparação, [música] para diminuir a questão dos dos desastres, né, ou mesmo diminuir o impacto que isso gera. Então, a tecnologia ela vem justamente alinhada nesse sentido de permitir um melhor monitoramento, facilitar a ferramenta, responder com uma velocidade [música] um pouco melhor e principalmente com muito mais segurança. Uhum. Certo. Frete, muito obrigada pela sua participação aqui, por esclarecer essas dúvidas, explicar a funcionalidade e a importância desse cão robô. E agora também a gente vai ensinar como que mostrar como que ele funciona na prática também, né? Como que vai ser a operação dele no dia a dia de trabalho de vocês da defesa civil. Então, nós vamos fazer um simulado ali de uma situação. Eh, eu vou começar mostrando justamente essa questão da inteligência, a inteligência artificial dele, que aqui tem um cenário bastante simplificado, aonde ele vai encontrar um objeto que seria um obstáculo e ele sozinho tá tomando decisão. Veja que eu não fiz o comando para ele desviar, ele não necessita de um comando. É, eu só mantive o comando pra frente para que ele continuasse caminhando. Mas ele mesmo já reconhece os obstáculos. Exatamente. Então aqui novamente eu vou forçar uma situação e olha, ele já percebeu que tem um obstáculo e avançou. Uhum. Então é, essa é a questão da inteligência artificial, porque aqui eu tô perto dele, mas se eu tivesse de uma forma remota, talvez eu não tivesse enxergando essa dificuldade e ele mesmo consegue então ir se adaptando e reconhecendo. E como eu tenho a transmissão em tempo real, eu também consigo verificar tanto pela imagem da câmera quanto pelo pelo Lidar, né, que é o sistema de de laser dele. Ele tá continuamente mapeando aí 360º esse ambiente e ele pode interagir. Então, por exemplo, se eu tivesse num cenário em que eu precisasse sinalizar para outras equipes que ele, por exemplo, encontrou eh alguma situação de risco ou mesmo um [música] produto, eu poderia fazer uma sinalização, como por exemplo, ele sinalizar com a mão. Ah, a isso transmitiria para todas as pessoas ao redor que ali ele encontrou alguma coisa. Eu poderia combinar isso com a equipe falando: "Olha, o momento que ele levantou a patinha é porque ele encontrou um produto químico." Então, de certa forma, ele também consegue comunicar. Exatamente. Ele pode transportar até 10 kg de um suplemento. Então, se eu precisasse transportar um celular, uma água para alguma pessoa que tivesse num local de difícil acesso, teria essa possibilidade também. Eu poderia simular aqui uma situação em que ele fosse ficar sentado se ele tivesse encontrado, por exemplo, uma pessoa desacordada. Uhum. Então, num cenário de resgate, isso serviria para sinalizar aos pessoas [música] que estão ao redor, né, aos resgatistas, por exemplo, de que ali foi encontrada alguma pessoa. Então isso determina uma questão de segurança para toda a operação. Certo. Uhum. E no caso essa situação que você falou de encontrar uma pessoa, por exemplo, uma pessoa que precisa de algo lá dentro, [música] é um local de difícil acesso, vocês não conseguem entrar, ele consegue carregar seria primeiro. Exatamente. Seria esse primeiro contato, trazendo um pouco de tranquilidade pra pessoa que tivesse numa situação de um soterramento ou mesmo com alguma ferida que mobilizasse ela e ela poderia receber um comunicado. Ele transmite, né, algumas mensagens que nós podemos pré-gravar com, por exemplo, olha, permaneça calmo, tranquila, tem essaibade, já tá vindo um resgate, alguma coisa assim. Então, são essas tecnologias que nós estamos ainda eh incorporando. Claro que na situação da Defesa Civil nós atuamos eh [música] em suporte, em apoio eh juntamente com os bombeiros, por exemplo, né? Mas numa questão de monitoramento, ele tem essa habilidade de andar em em situações que seria um terreno bem mais difícil. E Campinas, por possuir aí diversas áreas de risco, né, ou mesmo imóveis, veja como ele tem a possibilidade de avançar mesmo remotamente. Sim. E a gente também tem em ocasiões, por exemplo, alargamentos, ele consegue entrar na água, tem essa possibilidade [música] também. Por ser um equipamento eletrônico, ele é bastante sensível a uma um excesso de exposição à umidade. Então ele tem um pouquinho de de restrição nesse sentido de eh de caminhar aí com uma inundação, por exemplo, não seria muito recomendado, mas ele serviria, como a [música] gente tem destacado, né, a questão de monitoramento, eh, para fazer o acompanhamento de áreas que são sujeitas a inundações ou deslizamentos. Então é uma ferramenta que vai servir, nos auxiliar justamente [música] nessa questão de monitoramento. Até porque, Vinícius, é como ele conta com a inteligência artificial também, ele pode prever esses locais, como você falou, de pontos de alar? Não, na verdade assim, ele vai servir pro pro monitoramento, né? Eh, a questão do radar dele é que serve para auxiliar que a equipe possa tomar as decisões de monitoramento, tá? A questão da inteligência artificial é mais como ele vai se deslocar e achar as soluções para para aquele cenário, para aquele ambiente de dificuldade. Ele vai então é naquele local, ele vai mapear aquele local e encontrar os pontos de maiores dificuldades, né? E Firete, esse é o primeiro aqui em Campinas. Tem expectativa de que possam vir mais equipamentos como esse? Esse é o primeiro equipamento, realmente, eh, a equipe tá testando, vendo as possibilidades. Eh, pode ser que venha aí a ser agregado mais um cão, conforme ele demonstre aí o desempenho eh e a usabilidade no dia a dia, nas nossas rotinas e além do treinamento dos simulados, obviamente. Perfeito. [música] É, Firete, eu agradeço sua participação aqui no programa para esclarecer e também mostrar pra gente na prática como vai funcionar esse é cão robô e também é para tirar todas as dúvidas. É, para quem tá de casa, não conhece essa nova tecnologia que chegou em Campinas e que vai auxiliar a Defesa Civil no trabalho e no dia a dia. Exatamente, Camila. Muito obrigado a todos. Obrigado pela audiência e a Defesa Civil de Campinas está disponível através do 199 para atendê-los. Obrigado. Volto com você aí do estúdio, [música] Felipe. Camila, obrigado pelas informações. Confesso que gostei, hein? Quem sabe eu adoto um desse para ser o meu pet. Samuel, uma coisa que chama atenção é que esse robô não é só um equipamento tecnológico, ele entra diretamente numa área muito sensível, que é a segurança em situações de risco. Na prática, o que muda quando você coloca uma máquina dessas no lugar onde antes só um agente humano podia ir. Muda o principal, Felipe. Muda a relação entre o ser humano e o perigo. Até pouco tempo, a lógica era simples. Para entender um risco, era preciso se expor a ele. Um agente entrava primeiro, observava, avaliava e só depois vinham as decisões. Agora o cenário muda. O primeiro contato com o desconhecido pode ser feito por uma máquina. Na prática, o humano deixa de ser a linha de frente do risco e passa a decidir com base em dados. Isso reduz exposição, preserva vidas e transforma a forma como enfrentamos o perigo. E tem um outro ponto que é interessante, o uso desse robô em ações educativas, porque a gente está falando de uma tecnologia avançada, sendo usada também para conversar com crianças e adolescentes. Isso muda a forma como a tecnologia é percebida? Muda e muda muito porque a tecnologia deixa de ser algo distante e passa a ser uma experiência real. Quando uma criança vê, interage e entende como funciona, ela perde o estranhamento. Mais do que isso, ela passa a associar tecnologia com prevenção, cuidado e segurança. E no longo prazo, isso forma uma geração que não vê inovação apenas como consumo, mas como responsabilidade, ou seja, uma tecnologia que ao mesmo tempo protege e educa. E no próximo bloco a gente vai falar sobre um outro tipo de desafio. Não é mais como usar a tecnologia, mas como regulamentar. Tudo isso você vai conferir no próximo bloco, porque o Gênius 3.0 volta já. Estamos de volta com Gênios 3.0. E olha, se no primeiro bloco a gente viu como a tecnologia avança na prática, agora a gente entra em um outro desafio, como regulamentar esse avanço. A Unicamp acaba de adotar um conjunto de regras e recomendações para disciplinar o uso da inteligência artificial generativa dentro da universidade. Entre os pontos principais estão a necessidade de transparência, deixar claro quando e como a IA foi utilizada e a responsabilização sobre conteúdo gerado. Além disso, a universidade prevê a criação de um portal e até de um observatório para discutir os impactos da inteligência artificial na educação e na sociedade. E para entender o que muda na prática, a gente conversa agora com Leonardo Thomaselli. ele que é coordenador do Centro de Referências em Tecnologias de Inteligência Artificial da Unicamp. Professor, seja muito bem-vindo ao Gênios 3.0. Muito obrigado, Felipe. Uma satisfação estar aqui com vocês. A primeira pergunta, professor, pra gente começar, o que motivou a Unicampar essa regulamentação? Agora essa esse movimento responde a um uso já disseminado da inteligência artificial dentro da universidade? Perfeito, Felipe. Eu acho que esse é o contexto mesmo, né? Acho que todas as áreas, né, a gente tá vendo esse uso intensivo da IA, né? E não é diferente no ensino superior, na educação, né, na pesquisa. Então, a gente precisa, né, dentro das universidades, dentro da unicampa necessidade de dar uma resposta pra comunidade, né, de como orientar da melhor maneira possível essa ferramenta que certamente é fantástica, né, vocês conhecem muito bem aqui, mas também tem os seus problemas, né, como toda a tecnologia, né, que a gente tem que que tomar conta, né? Então, é um pouco nesse contexto. E um dos pontos centrais é a transparência, deixar claro quando um conteúdo foi produzido com apoio da inteligência artificial na prática. Como isso deve funcionar no dia a dia dos alunos e dos professores? Ah, perfeito, Felipe. Eh, eu acho que isso é um ponto central. Eu acho, a gente brinca, né, os professores aqui, as professoras, né, todos, toda a comunidade tá usando, né, e a gente é eh a gente usa e temos que dizer que o que usamos, né? Eu acho que esse que é um ponto importante, né, para para que seja bem transparente, como você disse. E eu acho que na prática assim, né, Felipe, vai ter assim, a gente tem várias maneiras de fazer essa declaração, né, depende muito do contexto, do tipo de produção que a gente tá fazendo. por exemplo, num artigo científico, né, que é uma das nossas frentes aqui de atuação, é importante, né, que a gente sempre esteja atento às recomendações da própria Unicamp e também do da das editoras, né, dos órgãos de fomento a pesquisa, que geralmente eles nos dizem, tem que declarar dessa maneira aqui. Estou usando, por exemplo, tal modelo de linguagem, né, um um desses que a gente tá usando bastante e estou usando para tal eh finalidade, né, correção de texto, eh referenciamento bibliográfico, coisas do tipo, né? Então vai depender muito de cada documento, né, de cada produção que a gente tem aqui, como é que vai ser feita essa declaração. A gente tem estudado algumas eh alguns documentos que são mais específicos e e também vê maneiras de declarar da melhor maneira possível que seja também factível do ponto de vista prático, né? Senão a gente começa a ter que declarar em tudo de uma maneira que pode ficar sobrecarregado, né? Ô professor, e aproveitando o gancho, o a pesquisa, essa nova regulamentação se diz respeito à inteligência artificial generativa. O que é a inteligência artificial generativa e o que difere ela dos outros tipos de inteligência artificial? é a inteligência artificial generativa, né, é o que a gente tem visto mais recentemente, né, eh, como uma inteligência artificial, né, que nos permite fazer síntese de novos de novas informações, novas eh de um novo conteúdo, né, seja ele como texto, seja ele como áudio, imagens, vídeos, né, então é usando as ferramentas de que já são, que já é um campo antigo a IA, né, mas aí a gente teve essa essa grande evolução que a partir desses últimos anos principalmente, né? Já tem, claro, na na ciência já tem bastante tempo que se fala em a generativa, de certo modo, não com esse nome, mas já se faz, mas os últimos eh ano os últimos anos a gente viu essa explosão da EA Generativa, que basicamente é isso, né? Como gerar novo conteúdo a partir da observação de conteúdos existentes, né? E a gente tem tem visto muito essa eh eh essa explosão, né? Ô, professor, e a deliberação também fala em uso ético da tecnologia. Quando a gente traz isso paraa realidade, que tipos de risco ou de desvio essa regra tenta evitar no âmbito acadêmico? Ah, perfeito. Essa é uma essa uma ótima questão, é uma preocupação nossa aqui, né? Existem já bem documentados eh alguns problemas com IA, né? principalmente com relação a eh amplificação de vieses, por exemplo, com relação a grupos populacionais, por exemplo, só para dar um exemplo. Então, imagine lá que tem um um aluno, uma aluna nossa que tá estudando um certo assunto, né, e e interage com modelo de linguagem, né, como esse que a gente tá usa bastante, né? E aí ele pergunta algo e esse modelo, por algum motivo, ele esquece de dar uma resposta relacionada ao certo grupo da população, por exemplo, né? ele concentra sua resposta só em um dos grupos, que é o grupo majoritário eventualmente, né? O grupo que tem mais informação, para o qual tem mais informação. Isso pode criar um certo viés, né, que a gente se preocupa muito, né? Então a gente sempre como usuário, a gente tem que tá sempre, né, com aquela coisa, né, e de ter um olhar crítico, né? Será que essa informação é tudo que eu tenho sobre o assunto? Será que ele não deixou de cobrir alguma coisa importante, né? será que ele não tem eh eh algum algum aspecto da informação que não está presente no modo no na base que ele usou para ser treinado, né? E logo eu tenho que tomar um certo cuidado. Então a gente tenta eh alertar, né? Claro que é difícil fazer esse controle, né? Praticamente impossível, mas na nossa parte o que a gente acredita muito é a comunicação desse problema, né? Então é é meio que dar ferramentas pros usuários aqui da comunidade, né, da Unicamp, é saber que existe esse problema para ficar atento, né? Então, a gente tem feito eventos também, né, sempre mostrando situações e tudo mais na tentativa aí de de eh com objetivo, né, de de fazer com que as pessoas estejam a par desse tipo de problema. Ô, professor, e existe uma preocupação com viés, com desinformação e até com questões relacionadas a direitos humanos. A inteligência artificial pode ampliar esses problemas dentro do ambiente acadêmico? Ah, sem dúvida. Eh, a gente tem alguns exemplos já, Felipe, que são bem interessantes. Por exemplo, às vezes a gente tá numa num campo de estudo, né, vou dar um exemplo aqui fictícies, né, só para que todos possam entender, né? Eu quero fazer uma pesquisa sobre literatura de uma certa região, né? Eu quero saber os autores, né, que escrevem livros daquela região. Talvez possa existir um grupo que é muito interessante, mas que é um grupo bem minoritário ou um grupo que por algum motivo não tem informação, não eh não foi levantada informação para treinamento desses grandes modelos de linguagem. esse grupo simplesmente pode sumir, né, do radar, né, ele pode ser excluído de uma busca, né, da da informação, o que, de certo modo, caracteriza um viés com relação a ele, esse grupo, né, ele vai ser ali, né, eh, numa zona de sombra que a gente fala da dessa pesquisa, né? Então, esse é um exemplo que a gente tem eh alertado bastante no contexto bem específico aqui da pesquisa científica, né? A gente não perder informações que são importantes, né? Eh eh contextos que são ricos, né? Que e por serem minoritários, eventualmente não não vão entrar, né? Na nossa interação com modelo de linguagem, né? Professor, e quando a gente fala em responsabilidade, quem responde pelo conteúdo gerado com inteligência artificial? o usuário, a instituição ou existe ainda uma zona de sombra, como o professor mesmo citou ao longo da sua última resposta? Olha, assim, essa pergunta da responsabilização é muito, ela é complexa, né? As pessoas têm debatido bastante. O que a gente acredita muito aqui, né? E a deliberação de certo modo dá essa esse princípio, é muito importante. Eu acho que são dois papéis, né? O usuário ele é ele é parte importante do uso, então ele é central, né? o usuário, ele deve ser até de responsabilidade dele eh eh tudo que ele gera com aquela informação, né, como a maneira que ele vai utilizar o modelo, né, eh de A. Então ele é uma peça central, né, tanto no, eu acho que o o o o ser humano tem que estar no controle, no comando ali, incluindo paraas suas responsabilidades também, né? E eu acho, mas também isso não quer dizer que a instituição não tenha uma responsabilidade justamente que acho que a gente acredita de de esclarecer, de de eh eh formar, né, as pessoas, capacitar as pessoas para um é o mundo novo, né? Então a gente entende também que surgem muitas dúvidas, né? Exige existe uma certa insegurança do usuário, né? O que é perfeitamente normal. Então a gente vê aqui que sim, tem mais do usuário, o usuário tem que saber o que tá fazendo, né? Como aquela informação, tem que ter uma ideia das suas consequências. Mas a instituição tem também as possibilidade de informar, de fornecer ferramentas seguras, dizer o que que pode, o que que não pode, né, para que também esse usuário tenha um certo apoio, né, em termos de de informação com relação ao uso da IA. Então essa é um pouco isso que é expresso um pouco pela deliberação que a gente apresentou. Professor, eh, falando um pouco ainda sobre a regulamentação, a partir do momento então que tem o interesse de criar essa regulamentação, quanto tempo mais ou menos pode levar para essa regulamentação ficar pronta e pros alunos e professores da Unicampar ela na prática? Aí, a partir disso, onde ela estará disponível e como ela será aplicada no cotidiano? Ah, excelente pergunta, Felipe. Na verdade, ela já está aprovada assim, né, pelo nosso Conselho Universitário, então ela tá em vigor já, né? Eh, então, mas agora, claro que entra um trabalho de divulgação dessa deliberação que é muito importante, né? Eh, então a gente vai tá fazendo um trabalho agora no dia em junho, né? No dia 18 de junho a gente vai ter um evento na Unicamp que vai ser o lançamento do portal de AD da Unicamp paraa comunidade aqui, onde essa deliberação ela já está disponível, né, no site das deliberações da Unicamp, mas ela vai est disponível também nesse portal com uma linguagem eh bem facilitada também, né, junto com instruções de uso mais facilitadas, porque às vezes a deliberação, né, é um conjunto de regras, nem sempre é é é um documento que eh eh que facilita, né, a a o entendimento prático no dia a dia do uso, né? Então, a gente vai fazer esse lançamento desse portal com essa deliberação, eh, e com muitas atividades de de eh eventos, né? vai fazer, tem um calendário de eventos esse ano justamente para divulgar o conteúdo, esclarecer, né, informar a comunidade aqui da Unicamp, eh, os os detalhes, né, os usos práticos, né, as questões que responder também questões que ven a surgir. Então, essa é nossa ideia, mas ela já tá valendo já, né? Ela foi aprovada na nossa última reunião do Conselho Universitário, que é o nosso órgão máximo. Professor, e para fechar a nossa entrevista, quem vai fazer a última pergunta é o Samuel. Samuel, é com você. Qual é a sua pergunta? Professor, hoje vemos a tecnologia avançando em altíssima velocidade, enquanto as tentativas de regulação correm atrás desse movimento. Na sua avaliação, iniciativas como essa conseguem acompanhar o ritmo da inteligência artificial ou corremos o risco de sempre regulamentar aquilo que já ficou para trás? Nossa, excelente pergunta, Samuel. Eh, eu acho que é um ponto central da regulamentação, né, essa essa questão de eh de ficar muito ficar obsoleto muito rápido, né? E de fato a gente tem visto isso em processos que tenta regular detalhadamente, né? Eu, eh, na minha visão, né? Eh, eu acho que tem que é um certo compromisso, né? Eu acho que hoje em dia é de fato é impossível regulamentar eh questões técnicas muito detalhadas porque elas se tornam rapidamente obsoletas, né? Mas eu acredito muito, por outro lado, que é importante ter alguma forma de regulamentação, principalmente baseada em princípios, diretrizes, né, de modo que a gente consiga pelo menos instruir as pessoas, né, com dando a ideia, dando o escopo geral, né, falar: "Olha, gente, é importante usará, é interessante, vai ter muita coisa legal que vai aparecer e aparece mesmo, mas vamos lá, ser humano sempre em primeiro lugar, né? Eu acho que é I é uma ferramenta nossa, transparência, né? Eu acho que responsabilidade no uso com relação a outras pessoas. Então, essas diretrizes, eu acho que são eh importantes estarem expressas em regulações que que sejam elas mais gerais, né? Penso pelo menos para dar os os guias aí para pra comunidade e pra população em geral, né? Que eu acho que isso que tem tem sido feito também. Mas sem sem dúvida é um desafio, né? A gente chega até um ponto que a gente não consegue ou não faz sentido regulamentar porque as tecnologias mamã mudam muito rápido mesmo. Isso é um fato. Tá certo? Então, professor, muito obrigado pela participação e pelas explicações. Obrigado, Felipe. Obrigado pela questão do Samuel. Foi uma grande satisfação participar aqui do programa com vocês, Samuel. Uma coisa que fica muito clara é que a discussão sobre inteligência artificial não é só técnica, ela é cada vez mais uma discussão sobre responsabilidade. Exato, Felipe. Durante muito tempo, a tecnologia foi tratada como uma ferramenta neutra, algo que apenas executa comandos. Mas a inteligência artificial muda esse papel. Ela não só executa, ela participa da criação de conteúdo, da análise e até da tomada de decisões. E aí surge o grande desafio, como manter a responsabilidade humana em processos cada vez mais mediados por sistemas. E talvez por isso a necessidade de criar regras, de tentar organizar esse uso. Mas isso dá conta? Dá conta até certo ponto. A regulamentação cria limites, define princípios e organiza caminhos, mas ela sempre vai correr atrás de uma tecnologia em constante transformação. E existe outro aspecto importante. Quando uma universidade como a Unicamp estabelece regras como essas, ela não está apenas controlando o presente, ela está formando referência para o futuro. mais do que regular, é uma forma de educar o uso da tecnologia, ou seja, a gente está falando de limite, mas também de formação. E no próximo bloco a gente muda de novo o foco, a gente sai do debate regulatório e vai pro dia a dia. Mas você fica aí porque o Genius 3.0 volta já. Estamos de volta com Gênios 3.0. E olha, se tem uma coisa que fica cada vez mais clara, é que a tecnologia não está só nos grandes temas, ela está nos detalhes, na forma como você resolve o problema, como cria e como se expressa. E vamos começar com uma ferramenta que chama atenção pelo posicionamento. O do Nots Pay é um chatbot que usa inteligência artificial para ajudar o consumidor a resolver problemas que muitas vezes acabam parando na burocracia. Ele começou contestando multas de estacionamento, mas hoje vai muito além. Dá para recorrer de taxas bancárias, bloquear ligações indesejadas e até buscar direitos que muita gente nem sabia que tinha. Na prática, é como ter um assistente jurídico digital que organiza informações e te ajuda a enfrentar grandes empresas. E o mais interessante aqui, Felipe, é a mudança de escala. Historicamente, o acesso à defesa jurídica sempre foi limitado, seja por custo, seja por complexidade. Quando uma ferramenta como essa surge, essa distância diminui, mas existe um efeito ainda mais profundo. O usuário deixa de ser passivo diante da burocracia e passa a ter poder de reação. É como entender as regras do sistema para não ser controlado por ele. Agora, para quem trabalha com conteúdo ou precisa criar no dia a dia, o Canva Medic Studio virou uma espécie de central de produção. A lógica mudou. Você não procura mais o modelo, você descreve o que quer e a inteligência artificial cria uma campanha completa com texto, imagem e identidade visual. Além disso, dá para gerar vídeos, editar elementos com um clique e até transformar um posto em uma apresentação inteira. Isso muda o cenário de criação, Samuel. Isso muda completamente o papel de quem cria. Antes existia uma barreira técnica: saber design, edição, formatação. Agora essa barreira diminui e o foco passa a ser a ideia. Mas existe um detalhe importante. Quando a ferramenta aprende o seu estilo, ela também começa a reforçar esse padrão. Ou seja, ao mesmo tempo em que você ganha velocidade, corre o risco de ficar preso na própria linguagem. E para fechar, uma ferramenta que tem chamado muita atenção nas redes sociais, Runaway Tree é uma inteligência artificial que permite criar vídeos com qualidade cinematográfica. A partir de texto ou imagens, ele simula movimentos reais, física, expressões e ainda permite controlar a câmera com um diretor. Dá para pedir um zoom, um plano detalhe ou até transformar um vídeo simples em um cenário completamente diferente. Na prática, é como ter um estúdio de cinema dentro do seu celular. E aqui entramos em um território mais delicado. Se antes a imagem era associada a registro, agora ela passa cada vez mais a ser construção. Essa tecnologia amplia enormemente o potencial criativo, mas também embaralha a fronteira entre o que foi filmado e o que foi gerado. E isso impacta diretamente a forma como confiamos no que vemos. A imagem continua convincente, mesmo sem referência direta da realidade. Samuel, depois de tudo isso, a sensação é que a tecnologia resolve, mas também complica. A gente está ganhando o controle ou só mudando a forma de lidar com ele? Tem um pouco dos dois. A tecnologia traz ferramentas que organizam, facilitam e ampliam capacidades, mas ao mesmo tempo exige mais critério, mais consciência e mais responsabilidade de quem usa. No fim, não se trata apenas do que a tecnologia faz, e sim do quanto nós entendemos o que estamos fazendo com ela. Ou seja, a tecnologia pode até facilitar o caminho, mas a direção continua sendo uma escolha nossa. O Gos 3.0 vai ficando por aqui. Eu agradeço a sua audiência, mas te espero no próximo episódio. Até mais. [música] [música] [música] [música]