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Olá, está começando o Gênios 3.0, o programa que fala de tecnologia, informação e inteligência artificial, mas sempre mostrando como tudo isso impacta nossa vida. E claro, eu não estou sozinho. Quem está comigo é ele, meu parceiro digital, o Samuel. E aí, Samuel, pronto para mais uma? Sempre pronto, Felipe. E o programa de hoje já começa com uma tecnologia que chega para enfrentar um dos maiores desafios da era da inteligência artificial, os deep fakes. Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um sistema capaz de identificar imagens falsas, mesmo quando elas são criadas por técnicas que a IA nunca viu antes. Depois a gente conversa sobre um tema que está em debate no Congresso Nacional, a regulamentação da inteligência artificial aqui no Brasil. E no terceiro bloco tem, claro, as nossas dicas de tecnologia, aplicativos e mais um tutorial prático para você aproveitar melhor a IA no seu dia a dia. Tá bom, Samuel? Já que você deu spoiler, bora lá. A gente começa o programa na Unicamp, onde pesquisadores desenvolveram uma inteligência artificial capaz de identificar deep fakes criados até mesmo por técnicas desconhecidas. Em um cenário em que golpes, fraudes e desinformação crescem cada vez mais, a tecnologia pode se tornar uma importante aliada para verificar a autenticidade de imagens, vídeos e áudios. E quem mostra essa pesquisa é a nossa repórter Camila Borges. Camila, conta tudo que você descobriu aí. Oi, Felipe. É isso mesmo. Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma inteligência artificial capaz de identificar deep fakes, que são imagens ou vídeos manipulados. E para explicar melhor pra gente sobre essa tecnologia, eu converso agora com o professor Anderson Rocha, que é pesquisador do Instituto de Computação da Unicamp. Professor, seja muito bem-vindo e obrigada. Muito obrigado pelo convite. Para começar, eu queria que você explicasse um pouquinho para quem tá em casa o que é exatamente uma deep fake e por isso está tão preocupante atualmente. Excelente pergunta. Um deep fake nada mais é do que uma falsificação de imagem, de vídeo ou de áudio para imitar alguém. Então, se você recebe, por exemplo, um vídeo no seu WhatsApp de um familiar e aquele familiar, na verdade, nunca te mandou aquele vídeo, foi alguém que fingiu ser o seu familiar, isso é um deep fake. E por que que isso é importante? Porque alguém pode imitar você para pedir dinheiro. Alguém da sua família pode ser imitado pedindo dinheiro para você, pedindo resgate, dando um golpe amoroso ou na política fingindo que um político falou, fez alguma coisa que, na verdade nunca aconteceu. E falando especificamente sobre essa inteligência artificial desenvolvida por vocês aqui, qual o principal diferencial dela para conseguir essa identificação? Bom, a gente já tem uma experiência de mais de 10 anos trabalhando com identificação de falsificações, né? A cada momento a gente tem que aprimorar essas técnicas porque é um jogo de gato e rato. A gente faz uma técnica e alguém vai lá, cria uma falsificação que dá o drible, aproveitando a época de Copa, dá o drible nesse nosso nessa nossa técnica e fica melhor para falsificar. E a gente tem que então melhorar as técnicas para identificar essas novas falsificações, né? Que que a gente fez de diferencial aqui? A gente desenvolve uma maneira de usar múltiplas pistas, tá? iluminação, textura, eh, pixels, tudo isso em conjunto. Além disso, a gente não assume qual foi a técnica que gerou a falsificação. Então, pra gente, se alguém usou um algoritmo eh estrangeiro ou um nacional ou um que é de software aberto ou fechado, não importa, a gente treina de maneira que o que nós estamos desenvolvendo seja eh capaz de identificar pista sem saber quem gerou. Isso é muito importante porque senão eu vou ter que conhecer todos os geradores de falsificações do mundo. Isso não é prático. Então o nosso diferencial é justamente treinar uma técnica que pode ser facilmente adaptável nesse jogo de gato errado. Ah, perfeita. Então nada melhor do que a gente mostrar isso na prática, né? Vamos mostrar pro pessoal que tá em casa com pesquisador de doutorando que tá aqui com a gente. Com certeza. O, a nossa pesquisa vai ser agora mostrada para vocês e a ideia é que isso chegue nas mãos eh de pessoas que trabalham com a identificação de falsificações, peritos, eh parceiros nossos da polícia, da do Ministério Público. É, nós temos feito várias parcerias ao longo dos anos e é importante que as pessoas saibam que tem alguém fazendo pesquisa para identificar isso. Felipe, então, já estou aqui com o Mateus Vicente, que é pesquisador doutorando do Instituto de Computação da Unicamp. Ele vai mostrar pra gente um pouco na prática como que funciona essa tecnologia e mostrar alguns casos, não é isso, Mateus? É isso mesmo. Muito obrigado por me receber. Seja bem-vindo também. Como que funciona? Você vai mostrar pra gente alguns casos que realmente que são reais, que realmente circularam na internet. Isso são casos que a gente recebeu, né, para serem verificados, serem checados. A gente recebeu da de diversas fontes, que são vídeos de mídia social que foram divulgados por aí amplamente e eles queriam saber a veracidade desses vídeos. Então, a gente recebeu esses para fazer a checagem e a partir deles a gente rodou eles nas nossas ferramentas pra gente poder chegar num veredito. Aqui a gente tem um caso famoso do Draus Varela. Foi um caso em de um vídeo em que ele supostamente divulgava remédios e tratamentos, coisa que ele nunca fez. a gente rodou nas nossas ferramentas e, por exemplo, neste caso que a gente pode ver, a gente analisa a imagem, a gente analisa os pixels, cada detalhe dela, porque toda foto, todo vídeo gravado, real, assim como nós estamos aqui, ele gera um padrão. Se eu altero esse padrão, seja com inteligência artificial, seja com alguma cópia, um Photoshop, ele quebra esse padrão. E a nossa ferramenta detecta justo isso. Então, como a gente pode ver na imagem, a gente tem a área azul. Ela é toda uma área verdadeira, então que a ferramenta não pegou inconsistências, mas área vermelha, a ferramenta, ela notou algumas inconsistências, alguns detalhes que não batem com todo o contexto da imagem. Então, se a gente for observar, ela chama atenção pro rosto do Dráusio. Nesse caso, a gente pode observar o quê? que a iluminação seja pode ser uma iluminação de estúdio, seja a iluminação natural do sol, da janela, ela não é muito consistente. A gente consegue ver alguns reflexos, mas mesmo assim existem algumas sombras em lados opostos que não condizem com esse ponto focal original, com essa luz, né? Com essa fonte de luz. Isso a ferramenta ela pega, ela marca como vermelho falando que tem alguma coisa errada que não bate com o contexto geral da imagem. Certo? Você me explicou que tem um chat que explica exatamente os pontos específicos ali da imagem que são que são falsos. Exatamente. A gente conhece, ultimamente a gente tem visto várias ferramentas, né, de conversação que a gente consegue conversar com a inteligência artificial. E a gente tem treinado uma inteligência artificial para ser especializado forense. Ou seja, em vez de eu conversar de coisas do dia a dia, eu posso conversar de coisas específicas de análise e detecção de vídeos ou imagens falsas. Nesse caso, a gente passou essa esse vídeo do Draus Varela e ela chamou atenção para algumas coisas, como a gente pode observar, ela cita seja a orelha do Dráusio, ele fala que ela tá achatada, que ela não tem muita profundidade. Ele fala também da gola da camisa. às vezes é muito pontudo a textura da camisa. Às vezes ela não é real, ela não condiz com a textura real ou que a gente pode observar numa imagem, seja sombra, seja o fundo muito opaco ou chapado, às vezes a inteligência artificial ou essas viagens generativas, elas borram algumas coisas por falta de conhecimento de como seria isso no mundo real. Então a gente passando por essas ferramentas, a gente consegue ter toda essa ideia que a olho nu muitas vezes nós não conseguimos identificar, mas para fica fácil de detectar esses padrões. Perfeito. Muito obrigada pela participação, tanto sua quanto do professor Anderson, por mostrar pra gente essa tecnologia desenvolvida por vocês aqui na Unicamp que é tão importante. Eu agradeço. Muito obrigado. Então eu volto com você aí do estúdio, Felipe Camis, muito obrigado pelas informações. Samuel, o que mais me chamou atenção aqui foi a lógica desse projeto. Em vez de tentar decorar todos os tipos de deep fake que surgem na internet, a IA aprende primeiro como é uma imagem verdadeira. Aí quando encontra alguma coisa e que foge desse padrão, ela consegue identificar a possível fraude. É isso mesmo, Felipe. A maioria dos detectores funciona como um antivírus. Eles precisam conhecer a ameaça para conseguir identificá-la. Esse novo modelo inverte essa lógica. Ele aprende o que é normal e, por isso, consegue perceber alterações, mesmo quando o deep fake foi gerado por uma ferramenta completamente nova. É uma abordagem muito mais preparada pra velocidade com que essas tecnologias evoluem. E isso faz muita diferença, né, Samuel? Porque os deep fakes estão ficando cada vez mais realistas. A gente já viu casos de clonagem de voz, fraudes financeiras, imagens falsas de pessoas públicas e até tentativas de manipular a opinião pública. Ter uma ferramenta que acompanha essa evolução é fundamental para aumentar a confiança no que circula na internet, não é mesmo, Samuel? E talvez essa seja a principal mensagem dessa pesquisa, Felipe. A inteligência artificial é a mesma tecnologia que pode criar um deep fake extremamente convincente, mas também pode ser a melhor ferramenta para revelar que ele é falso. No fim das contas, o desafio não é apenas ter IA, é usá-la para proteger as pessoas e fortalecer a confiança no mundo digital. E no próximo bloco a gente vai falar sobre um tema que está no centro das discussões no Brasil e no mundo, a regulamentação da inteligência artificial. Mas você fica aí porque o Gênios 3.0 volta já. Estamos de volta com Gênios 3.0. E olha só, depois de falarmos sobre o combate aos deep fakes, agora vamos discutir um tema que pode definir o futuro da inteligência artificial no Brasil. Enquanto a tecnologia avança em um ritmo cada vez mais acelerado, o país ainda discute como criar regras para garantir que ela seja usada de forma ética, segura e responsável. O projeto que regulariza a IA no Brasil já foi aprovado pelo Senado e agora está em análise na Câmara dos Deputados. E para entender como está essa discussão e quais são os desafios da regulamentação, a gente conversa agora com a engenheira eletricista e pesquisadora do CTI Renato Archer, Clarissa Loureiro. Seja muito bem-vinda ao Genesis 3.0, Clarissa, obrigada. Obrigada, Felipe. Obrigada, equipe. Obrigada pelo convite. Clarissa, a primeira pergunta que eu vou fazer para você, pedir para você explicar, por que o Brasil precisa regulamentar a inteligência artificial neste momento? Eh, bom, considerando que as pessoas já sabem como funciona, né, a inteligência artificial, pelo menos por enquanto nos grandes modelos que a gente chama de large language models, né, que são multimodais, os MLLMs, eh, que já estão sendo usados, né, como o chatpt, o copilot, o Gemini, eh, e agora o da Antropic, né, o Cloud, as pessoas estão usando como se fosse se eh de uma forma humanizada, né? A gente já teve alguns casos e riscos, por exemplo, de uma pessoa que eh perguntou e consultou, né, o chat EPT como se fosse eh uma psicóloga e aí deu errado, porque é como se a e a, né, inteligência artificial tivesse recomendado que a pessoa tirasse a própria vida e isso realmente aconteceu. Infelizmente o adolescente veio a falecer. Então, esse é um caso extremo que mostra quais são os riscos de de como a população poderia utilizar. A população não tem os mesmos conhecimentos técnicos que a gente. Então, o papel do governo, dos governos federais de do mundo todo, né, é proteger a população. Por isso que é necessário entender quem é que é responsável por esses riscos, por essas coisas drásticas quando elas acontecem. Então, tanto a parte de privacidade e proteção de dados, eh a manipulação social, a desinformação, eh até mesmo essa parte de validação, eh, de riscos também da parte biológica, quem é que é responsabilizado por isso? Então, por isso é uma das coisas, né, que eu te digo, em relação aos riscos que a gente precisa limitar, assim como a gente teve que fazer leis de trânsito quando a gente começou a a eh andar com os carros, né, a ter carros, por exemplo, que na época era uma máquina nova, a gente também precisa regular em relação aí a para que ela não seja uma ferramenta, ao invés de ser usada para o benefício dessa sociedade que seja destrutiva. Ô Clarissa, e o projeto ele já passou pelo Senado, em que etapa está a tramitação e quais são os principais pontos discutidos agora na Câmara? Certo? Eh, ele já passou pelo Senado, realmente. Eh, eu vou falar brevemente o que é que se trata. Esse essa regulamentação no Brasil é um projeto de lei ainda, ela não existe, né? eh se chama PL 2338. Ele já passou pelo Senado, ele é baseado no AI Act, que é artificial intelligent da Europa. A Europa está na vanguarda dessa parte de regulação e eles dizem que eh é para se preocupar com os riscos que isso causa paraa humanidade. Então a gente tem como centro do mundo a a nossa vida, né, normalmente do ser humano, tá no centro eh de tudo isso. Então a tecnologia ela foi desenvolvida por humanos, mas para favorecer humanos e não para destruir. Então essa regulamentação ela é baseada em riscos e desses riscos são cinco grandes áreas de cinco grandes riscos que são entre mais e menos, eh, digamos assim, arriscados para o ser humano. Ô, Clarissa, e hoje quando uma inteligência artificial é utilizada para produzir deep fakes, golpes ou outros crimes, quais são as lacunas da legislação brasileira quando se diz respeito a esses casos? Não existe, então você não tem como responsabilizar ninguém. A gente tem a LGPD, né, que é a a lei de proteção de dados, né? Eh, mas não tem eh outras leis que façam, né, eh esse papel da internet da inteligência artificial como um todo. Então, a gente pode usar outros mecanismos, como também a parte de proteção às crianças e adolescentes que possam ajudar eh a identificar quais são os meios legais para se chegar a um caso. Mas, por exemplo, nas nessas Big Techs, você responsabiliza quem? o dono da BigTech, a empresa como um todo, os desenvolvedores, a gente não tem essa regulação. Por isso a gravidade da situação, por isso a urgência que a gente pede aos deputados e à Câmara, né, para que seja votado para que o Brasil tenha pelo menos o primeiro. A Europa já está atualizando, né, esse ato, mas o Brasil ainda não. O Brasil não encaminhou eh ainda. E aí eh a gente precisa correr com isso aí. Ô, Clarissa, e as BigTechs, elas têm demonstrado uma resistência à aprovação desse marco legal e quais interesses estão por trás dessa pressão? Então, Felipe, infelizmente as bigtecs elas estão interessadas no maior lucro, mesmo que haja perda de vidas, por exemplo, né? Então, elas não estão interessadas em nenhum tipo de regulação. E cabe a nós como sociedade, eh, e como pesquisadores, né? formar a população de alguns riscos. Eh, então tem uma série de de riscos e e de eh assuntos e áreas a debater para que a sociedade entenda que ela não tá falando com eh um ser humano, ela tá falando com máquinas e que isso pode causar danos a ela mesma. Então, cabe aos governos terem um limite, né, para isso, eh, para saber pelo menos quem é que vai ser responsabilizado. O que o lob das bigtecs, eles dizem que a gente tá tentando frear a tecnologia, o desenvolvimento, mas é por isso que é tão necessário falar sobre isso, Felipe. E eu parabenizo até o programa por ter essa preocupação, né, eh, para entender que a gente tem as ferramentas como internet, como a tecnologia de forma geral, a inteligência artificial, ela deve ser usada pro bem da humanidade. E aí a gente precisa como técnico, né, e pessoas de eh que podem influenciar outras também informar, né, que existem riscos e que eles devem ser sanados. E assim como nenhuma pessoa pode eh roubar ou matar, a, entre aspas, a inteligência artificial também não pode ser. E é por isso que a gente tem um conjunto bem leve ainda de riscos nesse PL 2338, que já passou no Senado e agora tá na mão da Câmara. Ô, Clarissa, e como a gente conversou no começo da nossa entrevista, esse tema ele é um tema que ainda é novo no Brasil, no Brasil e no mundo. Se esse projeto for aprovado, entrar em vigor, é esperado que ele seja atualizado conforme o tempo? é esperado que ele seja atualizado conforme o tempo e a gente espera cada dia mais informar a população dessa necessidade para que o Brasil fique com um mínimo, né, de regulação, porque agora a gente tá com nada, né, e aí a Europa já tem eh a gente ainda é muito influenciável, sabe, Felipe? eh em relação ao data center, em relação à computação quântica, eh, que tá vindo pro Brasil agora, né, a gente precisa fazer um letramento digital, um letramento de inteligência artificial, um letramento de todas essas grandes eh construções e infraestruturas como data center, sabe, como eh toda a estrutura que é necessária para que a gente tenha esse desenvolvimento e que a gente não seja continue sendo, né, um país de exploração dos recursos naturais para que as grandes empresas consigam ter um lucro maior do planeta, sem se preocupar com a responsabilidade da vida humana. Ô, Clarissa, e aproveitando um pouco o gancho dessa sua resposta, como que pode ser feito essa questão do letramento digital e porque ele é tão importante pra população? levando em consideração que essa tecnologia ela já está inserida no nosso cotidiano. Então o letramento digital ele deve fazer parte da rotina dos brasileiros daqui paraa frente. Sim, é um é uma coisa meio urgente e uma missão de vida também minha, sabe? eh, de incentivar os jovens adolescentes e também as pessoas adultas, né, que às vezes não têm acesso a uma internet de qualidade e a dispositivos tecnológicos de qualidade. Às vezes elas têm eh um celular, mas nem sempre vai ser com uma certa qualidade que a gente mesmo tem, que que você tem aí, né, que eu tenho aqui. Então, e esse letramento digital é para que a gente não tenha e medo, entre aspas, da máquina, para que a gente tenha essa desenvoltura de entender como fazer um comando, como a gente se fala muito de prompt, né? Mas vamos falar em português, quando você vai dar um comando paraa inteligência artificial, tem que saber como escrever isso. Daí quando você vai dar um comando para procurar um assunto que você quer, quando você vai eh procurar alguma coisa num aplicativo, precisa saber como escrever isso daí. Eh, e aí é uma coisa meio básica paraa gente, mas que eu já tô fazendo alguns projetos sociais nessa área. Eh, principalmente atuo na nas mulheres, né, no incentivo das mulheres nas áreas tecnológicas, mas para o público em geral, tanto para jovens e adolescentes como também adultos, né? Ô Clarissa, e você faz parte da comissão da sociedade civil que contribui para esse projeto. Eh, como que a sociedade, esses diferentes setores da sociedade estão contribuindo para a construção dessa regulamentação? Olha, assim como essa comissão que eu tô inserida, essa é uma grande comissão porque ela também abrange alguns artistas que também estão sendo prejudicados. Por exemplo, hoje em dia, se você pega a voz de uma pessoa e coloca num jingle, por exemplo, eh, é muito difícil de você saber quem você processa, sabe? Porque eles pegam a voz de uma pessoa e usam para um uso indevido. Daqui que você prove, que você entre no sistema, né, na no sistema de justiça para poder você evitar isso, eh, vai um certo tempo. E aí existe um prejuízo para quem tem essas essas vozes, né? Eh, os dubladores também têm um um grande problema, as pessoas públicas, né, que que a para sua própria imagem é usada sem que isso seja cobrado, né? As pessoas que escrevem arte, poesia, livros, quadros, né, elas não estão sendo reconhecidos seus direitos autorais. Simplesmente você pega um quadro, diz: "Modifique, mas faça de acordo com a arte dessa pessoa". Então, antigamente a gente pagava direitos autorais para os artistas. Hoje em dia nem isso, né, eles não estão recebendo. Então, a arte deles acaba sendo, de certa forma, entre aspas, substituída. Mas o que o que é importante hoje em dia é saber que as pessoas não estão conversando com outro ser humano, que ele não tem a responsabilidade que outro ser humano tem das leis, né? e que a gente tá conversando com máquinas que foram feitos, né, algoritmos eh que tão sendo feitos e gerados com os dados que a gente tem hoje em dia. E é um modelo probabilístico. Então, quando você pergunta uma coisa a ela, ela tem a chance de alucinar, né, como a gente já conhece esse termo de alucinação, como ela tem a chance também de acertar. é uma probabilidade igual os matemáticos fazem probabilidades, por exemplo, em relação a quem vai ganhar a Copa do Mundo, né? Então essa probabilidade é o que está sendo feito quando você tá em frente utilizando uma inteligência artificial, que na verdade são os modelos osos grandes modelos de linguagem que eles pegaram conhecimento do mundo todo, colocaram lá. E por causa dessa tecnologia de processamento, eh, é que, eh, foi possível o processamento muito rápido de dados, foi possível chegar onde a gente tá hoje de você achar que aquele processamento rápido de dados é uma inteligência. Clarissa, e para encerrar, finalizar a nossa entrevista, a última pergunta da nossa entrevista vai ser para o meu parceiro digital, Samuel. Samuel, e aí, qual é a sua pergunta para Clarissa? Clarissa, para encerrar, se o Brasil demorar para regulamentar a inteligência artificial, quais podem ser as consequências pra sociedade nos próximos anos? Samuel, que boa pergunta você fez. Parabéns. Eh, a gente não tem a quem recorrer. A gente vai ter que recorrer às alternativas das leis que a gente já tem constitucionais. Mas uma lei específica para inteligência artificial, infelizmente, a gente não tem. Então, o que a gente pode fazer como sociedade é eh pressionar para que essa lei seja eh votada logo a o projeto de lei 2338 que tá na Câmara dos Deputados nesse momento. Então, Clarissa, muito obrigado e obrigado pela disponibilidade de conversar com a gente. Claro, estamos à disposição sempre. Muito bom, obrigada. Parabéns pela área de pesquisa e de informação. Obrigado, Samuel. O que mais me chamou atenção foi perceber que a discussão não é sobre impedir o avanço da inteligência artificial, mas garantir que ela seja usada com responsabilidade. A tecnologia está evoluindo muito rápido e a legislação precisa acompanhar esse movimento. Exatamente, Felipe. E essa responsabilidade não é só das empresas que desenvolvem a IA. Ela passa também pelo governo, pela academia e até por nós usuários. Quanto mais poderosa a tecnologia fica, maior é a necessidade de regras claras e de transparência no seu uso. E tem outro ponto que eu acho fundamental, Samuel, além da regulamentação, a gente também precisa investir em educação digital. As pessoas precisam entender como a IA funciona, quais são os seus limites e, principalmente, como identificar desinformação, golpes e conteúdos manipulados. Uma boa legislação ajuda a definir responsabilidades, mas é o conhecimento que dá às pessoas condições de usar a tecnologia de forma mais crítica e segura. No fim das contas, o objetivo é permitir que a inteligência artificial continue inovando sem nunca deixar de colocar as pessoas no centro dessa evolução. Felipe? É isso mesmo, Samuel. E no próximo bloco a gente vai deixar um pouco a discussão sobre regulamentação para mostrar como a inteligência artificial também pode facilitar a nossa rotina. Tem aplicativos, ferramentas, mais um tutorial prático para você aproveitar essa tecnologia no seu dia a dia. Mas você fica aí porque o Genius 3.0 volta já. Estamos de volta com Gênos 3.0. E se nos dois primeiros blocos a gente falou sobre os desafios e a importância de regulamentar a inteligência artificial, agora é hora de mostrar o lado mais prático dessa tecnologia. Tem ferramentas que ajudam a organizar a rotina, criar apresentações e minutos e até dar voz aos seus projetos. Vamos às dicas da semana. E se você tem a sensação de que passa o dia pulando entre calendário, e-mail, lista de tarefas e aplicativos diferentes, o AKflow pode ser uma ótima solução. Ele reúne tudo em um único lugar e ainda usa a inteligência artificial para ajudar você a organizar o dia. Com ele é possível importar tarefas do Gmail, Notion, Slack e de várias outras plataformas, além de distribuir atividades diretamente no calendário, criando blocos de foco para aumentar a produtividade. Muito prático, não é mesmo, Samuel? O mais legal, Felipe, é que o Akiflow funciona como um verdadeiro assistente pessoal. Em vez de você perder tempo decidindo o que fazer primeiro, a IA organiza a sua agenda, prioriza os compromissos e ainda sugere a melhor forma de distribuir as tarefas ao longo do dia. É uma daquelas ferramentas que reduzem a bagunça e fazem você ganhar tempo de verdade. Quem precisa montar apresentações, relatórios ou até páginas para internet vai gostar de conhecer o gama app. Basta escrever um tema, colar um texto ou importar um documento. E a inteligência artificial faz praticamente todo o trabalho. Ela organiza o conteúdo, escolhe layouts modernos, define cores, insere imagens e entrega uma apresentação com aspecto profissional em poucos minutos. Samuel, eu acho que vou aderir a essa para o meu dia a dia. E isso vai muito além de um simples gerador de slides, Felipe. O gama cria um material interativo com espaço para vídeos, gráficos, links e outros elementos que deixam a apresentação muito mais dinâmica. É uma ferramenta excelente para estudantes, professores, empreendedores e profissionais que precisam apresentar ideias com qualidade, mas nem sempre tem tempo ou experiência em design. Agora, se o assunto é áudio, o 11 Labs continua sendo uma das plataformas mais impressionantes do mercado. Com ela, você pode transformar um texto em uma narração natural, clonar vozes com alta fidelidade, dublar vídeos para outros idiomas e até criar assistentes virtuais que conversam em tempo real. Tudo isso utilizando inteligência artificial. O impacto dessa tecnologia é enorme. Ela já está sendo usada por criadores de conteúdo, empresas, estúdios de dublagem e desenvolvedores de aplicativos, mas ao mesmo tempo, ela reforça a importância de falarmos sobre o uso responsável da IA, porque a mesma tecnologia que facilita a produção de conteúdo também pode ser usada para criar fraudes e deep fakes. Por isso, inovação e responsabilidade precisam caminhar sempre lado a lado. E agora vamos ao nosso tutorial da semana. E o melhor, você não precisa baixar nenhum aplicativo. Se o seu celular tem o app do Google, você já tem acesso ao Google Lens. Basta abrir a barra de pesquisa e tocar no ícone da câmera. Depois é só apontar para um objeto, um livro, um documento ou até um texto em outro idioma. Em seguida, escolhe o que você quer fazer. pesquisar o produto, copiar o texto impresso ou traduzir o conteúdo em tempo real. Em poucos segundos, a inteligência artificial analisa a imagem e entrega o resultado na tela. É uma ferramenta muito útil para descobrir o preço de um produto, digitalizar um texto ou até traduzir uma placa durante uma viagem. Prático, não, Samuel? E tem um detalhe muito interessante, Felipe. O Google Lens não faz só o reconhecimento da imagem. Ele entende o contexto do que está sendo mostrado e transforma uma simples foto em informação útil. É um ótimo exemplo de como a inteligência artificial pode resolver pequenos problemas do dia a dia em questão de segundos. E mais uma vez a gente percebe que a inteligência artificial está cada vez mais presente na nossa rotina. Ela ajuda a organizar o tempo, facilita o trabalho, estimula a criatividade e torna muitas tarefas mais simples. Mas como vimos ao longo do programa de hoje, tão importante quanto aproveitar essas ferramentas é saber usá-las com responsabilidade e espírito crítico. Exatamente, Felipe. A I não substitui o conhecimento, a criatividade e o bom senso das pessoas. Quando usada de forma consciente, ela se torna uma grande aliada para aprender, produzir e resolver problemas. O futuro dessa tecnologia depende não só do que ela é capaz de fazer, mas principalmente da forma como nós escolhemos utilizá-la. E assim eu vou ficando por aqui. Eu agradeço a sua audiência. Espero que você tenha aproveitado as dicas e as reflexões do programa de hoje. No próximo programa tem mais tecnologia, inovação e inteligência artificial explicadas de um jeito simples. O Gênios 3.0 vai ficando por aqui. Até mais.