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Música Bom, é o quadro de Olho na Educação e olha só pessoal que assunto importante, a gente vai abordar a seguinte questão Como receber nas escolas os alunos autistas? Bom, por isso eu estou aqui com a Elize Helena Batista Moura, não é? Que é a coordenadora pedagógica aqui do Núcleo de Educação Especial da Sébia De mais nada, Elis, muito obrigado por atender a gente. Seja bem-vinda aqui ao quadro de Olho na Educação. Obrigada pela oportunidade também para a gente conversar um pouquinho mais sobre esse assunto tão importante. Não, com certeza, super importante. Bom, então a primeira pergunta já é justamente o tema do nosso quadro. Como receber nas escolas os alunos autistas que muitas vezes sofrem discriminação e tudo mais? Certo, nós sabemos que nos últimos anos o número de alunos público-alvo da educação especial com TEA tem aumentado Tem sido um grande desafio, porque a gente quer receber com qualidade O objetivo da educação especial é que esses alunos não apenas acessem a escola, mas que eles tenham a participação plena, efetiva E para isso, o primeiro ponto que a escola deve estar realizando é uma conversa com a família esse acolhimento para a família se sentir segura então a equipe escolar que ela é composta pelo professor do aluno pelo professor de educação especial pela equipe gestora da escola também eles devem chamar essa família e ter todo esse diálogo para conhecer um pouquinho mais dessa história de vida dessa criança quais as necessidades, quais as especificidades já que uma criança é diferente da outra então a partir desse conhecimento essa criança vem para a escola, e nesse contexto escolar essa equipe vai estar também avaliando e pensando o que é necessário naquele contexto para essa criança realmente participar dessa forma plena, junto aos demais colegas, incluindo-os no ensino comum, que esse é o grande objetivo, a perspectiva da educação inclusiva. Elisa, você tocou num assunto super importante, porque cada caso é um caso, então tem que ter esse olhar também. Exatamente, a gente sabe que cada criança já é diferente E quando a gente fala de TEA, ainda mais, é um espectro Então tem várias diferenças, precisa ser olhado individualmente Pensar no planejamento para aquela criança, os recursos Atualmente, a gente já tem algumas práticas formativas, inclusive pensadas para esse ano Com os profissionais da rede, abordando TEA A gente sabe que a formação é uma ação contínua e muito importante para a gente qualificar cada vez mais os nossos profissionais. Outra área que a gente também está investindo bastante na formação esse ano é em relação à comunicação alternativa, que muitos desses alunos precisam de outras estratégias para poderem se comunicar, porque muitas vezes a dificuldade das crianças com TEA é justamente falar o que elas estão sentindo, e quando elas não conseguem se expressar, elas podem entrar em crises. Então a gente está fazendo também esse trabalho formativo, proposto para esse ano, Principalmente com os professores de salas de recursos, para trabalhar a comunicação alternativa. E isso, claro, desdobrando lá na sala de aula, onde é o grande objetivo, que eles tenham mais autonomia e participação no cotidiano escolar. Bom, vou pegar de novo o gancho da sua resposta. Você falou aí de qualificação, né? Como que é feita a qualificação dos profissionais que lidam com essas crianças? Nós temos momentos formativos, né? Principalmente com os professores de educação especial, que são esses profissionais da área, que realizam lá todo o trabalho de articulação da educação inclusiva na escola, né? Como a gente tem os serviços da educação especial, a gente precisa desse profissional que articule os serviços, que faça os diálogos com a família, com a equipe gestora, com o professor e até os diálogos intersetoriais. Então, esse professor de educação especial, nós nos reunimos com eles mensalmente, ao menos uma vez por mês, com as pautas das reuniões, articulando o trabalho da rede. Além disso, nós temos grupos de formação que são oferecidos também pelos nossos profissionais. Esses grupos de formação são lá da Coordenadoria Setorial de Formação, mas sempre articulado conosco, da Educação Especial. Temos os grupos de formação que são semanais, temos essas reuniões, temos as outras propostas formativas, como eu já tinha dito, dito, que vão acontecendo no decorrer do ano, por meio de palestras, encontros, inclusive a gente sabe que o professor de educação especial é muito importante nesse processo, né? Entretanto, a gente precisa levar formação também para o gestor da escola, orientador pedagógico, para o professor da sala, então a gente tem várias ações para a gente conseguir chegar nesses públicos diversos que atendem o nosso aluno. Boa, super esclarecedora aqui a entrevista com a Elize. Bom, certamente o pessoal que está em casa está curioso para saber como é feita essa integração dos alunos que têm autismo com as outras crianças. Como é feito esse trabalho? Enfim, conta para a gente, porque certamente tem muitos pais acompanhando a gente aqui no quadro de Olho na Educação E tem, evidentemente, bastante interesse no assunto, de entender como funciona, até porque muitas vezes vivencia na prática, né, Elisa? Exatamente. Eu sempre falo, né, que eu acredito muito que essa geração de crianças que está convivendo com essas diferenças desde pequenos, eles serão muito diferentes de nós, né? Com certeza. Porque nós praticamente não tivemos esse contato. Era muito separado, né? Parecia que era um outro mundo, um mundo à parte, né, Elisa? essas pessoas ficavam ali nas instituições, sempre apartados mesmo, ou mesmo nas suas casas, sem o acesso mesmo pleno à sociedade. Então, para as crianças que estão na escola, elas conseguem lidar com isso de uma maneira mais fácil, mais tranquila, porque elas já estão crescendo. É lógico que acontecem desafios, mas os professores trabalham, como eu disse, a questão da educação inclusiva como um todo na escola. E isso demanda o que também? Você trabalhar com o aluno a questão do respeito, das diferenças, como essa criança Téa, ela tem umas especificidades que precisam ser respeitadas, porque é a condição dela, não é uma doença, mas é a condição dela, uma maneira de ver o mundo. Então ela tem essas especificidades e nesse cotidiano escolar, a escola de várias maneiras vai criando estratégias para que essa criança realmente participe junto com os outros. Que tipos de estratégias? Ah, por exemplo, propostas coletivas, nas aulas, nas aulas em geral. Olha, numa aula de educação física, como que a gente pode pensar pra essa criança, ela conseguir participar plenamente com todos os outros, e como os colegas podem ajudar ele, né? Pode ajudar? Ela entrou em crise? Como que a gente pode ajudar esse colega que entrou em crise a se acalmar e participar? Olha aí, pessoal. e outras estratégias mesmo, que os próprios colegas, muitas vezes, eles pegam isso com muito prazer para ajudar aquela criança, quando eles já passam a entender que é uma diferença. Vem aí uma nova geração, tomara, né Elisa? Sim, exato. Olha, passou rapidinho a conversa, já a gente vai ouvir uma professora para falar também como funciona essa situação. Bom, quais são suas considerações finais, então? É, como eu disse, o grande desafio é grande, entretanto, assim, a gente tem trabalhado muito, né, a gente sabe das ações, tem os outros serviços da educação especial, depois a Vanessa pode falar um pouquinho, tudo isso tem contribuído para a gente avançar, né, e é isso, assim, é cada vez a gente caminhar mesmo numa sociedade mais justa, em que as pessoas tenham o direito de estar nos espaços, né, As pessoas que têm essa, seja qual for a diferença, mas elas têm o direito e somos nós que precisamos pensar o que os espaços e os contextos precisam mudar para que essas pessoas estejam conosco de uma forma, como eu disse, efetiva, né, de participação. Nós temos que ter esse olhar, né, o que precisamos mudar. Essa consciência, com certeza. Muito obrigado, viu, Elisa, pela sua entrevista aqui. Ah, obrigada. Bom, e para a gente dar sequência na conversa, olha só Estou aqui com a professora Vanessa Rocha Que é justamente professora de referência de educação especial Para a gente entender na prática como funciona Tudo bem, Vanessa? Tudo bem Prazer em tê-la conosco aqui no quadro de União na Educação Prazer, tudo bem, eu agradeço Como que é isso? Conta para a gente na prática como funciona receber essas crianças Bom, os públicos alvos, as crianças com TEA É a nossa maior clientela na rede e a gente sempre tem um cuidado bem especial para poder recebê-los. E o acolhimento é a primeira etapa. Então a gente faz o acolhimento tanto da criança quanto da família e faz essa articulação junto com a professora da turma e com os demais alunos ou as demais pessoas da escola. Então no primeiro momento a gente conversa com a família, entende quem é essa criança, vai fazendo a avaliação dela no contexto da escola, porque cada criança com TEA é uma e cada uma vai se apresentar de diferentes maneiras nesse contexto novo. Seja numa sala de educação infantil ou ensino fundamental, ela sempre vai se apresentar de diferentes maneiras. Então, a partir do momento que a gente acolhe todas essas demandas, a gente vai listando e vai avaliando em quais os serviços ela poderia ser beneficiada em relação à escola. Hoje, na rede, a gente tem tanto serviço de cuidador como apoio pedagógico, que são serviços que estão disponíveis e que precisam dessa avaliação nesse contexto da escola para que a gente possa estar acionando. E é bem potente quando a gente tem esses serviços em funcionamento também. Você citou aí a família. Qual o papel da família nisso tudo? Certamente tem um papel fundamental também, né? Gostaria que você falasse um pouco sobre isso. Com certeza. A família precisa ser muito parceira. Eles precisam acreditar no trabalho da escola, eles precisam ter segurança, porque uma vez que elas têm essa segurança, elas conseguem passar isso de forma até indireta para os seus filhos. E quando a gente tem essa segurança, a gente consegue estruturar um trabalho com maior qualidade, porque vai ter momentos em que essa família vai precisar ser acionada, vai precisar conversar com outros profissionais que atendem essa criança em outros contextos, então a gente precisa dela enquanto parceira da escola. Caso isso não aconteça de maneira tão efetiva, haverá prejuízos no desenvolvimento dessa criança no ambiente escolar. Olha só que importante, pessoal, porque certamente o papel da família é fundamental. Como ela disse agora, que pode, dependendo de como agir a família, prejudicar a criança. Prejudicar a criança no sentido também de se enturmar com outros alunos, o aprendizado e tudo mais. Sim, quando a gente pensa na questão da família em si, não é só no sentido dela procurar os direitos, porque hoje a gente sempre ouve, ele tem direito porque ele tem o autismo e tal, mas não só isso, a pessoa enquanto mãe, enquanto pai, precisam estar ali junto da escola, entendendo quais são os processos que aquela escola está desenvolvendo, qual é o plano para que a gente possa garantir não só o acesso da criança à escola, Mas a participação dela plena em todos os ambientes, em todas as atividades Em tudo que ela vai fazer ali com a turma Ou seja, dentro da escola ou em atividades externas Então a família precisa ser participativa nesse sentido De entender quais são essas relações E saber, olha, aqui se acontecer tal coisa, vamos pensar aqui no plano Tem os prós e tem os contras Se acontecer o plano A, a gente tem um plano B, se não der certo O que a gente faz? Mas isso bem conversado Então, a família é um papel fundamental mesmo nesse processo. É super importante isso que você está falando, né? É super importante porque tem muita gente, como eu estava dizendo, que está acompanhando aqui ao quadro de Olho na Educação, assistindo ao quadro de Olho na Educação, e certamente isso faz toda a diferença. Deixa eu te fazer uma pergunta. Você que tem já experiência, professor, como hoje os estudantes estão lidando com essa situação? Como tem sido a relação entre as crianças que têm autismo e as crianças que não têm? As que não têm, têm recebido como? Como está essa relação hoje em dia? Bom, quanto mais cedo se tem contato com a diferença, mais natural fica. Então, fica melhor. Então, quando a gente tem uma demanda muito grande de matrículas de alunos T, principalmente na educação infantil, A gente percebe que o acolhimento das crianças é grande, que elas não se escandalizam ou ficam nervosas, ansiosas em ver uma criança diferente dela e até reagindo. Não se impressionam mais. Não se impressionam mais em ver assim. E quando isso vai acontecendo no fundamental e depois no fundamental 2, que já são os adolescentes, isso vai ficando natural. Então a gente percebe que a empatia é trabalhada, esse espírito de equipe, de olhar um pelo outro. E isso é construído nas relações, nos coletivos Então quanto mais a gente tem desses alunos na escola Mais a escola se modifica, mais ela se ajusta e mais ela se adapta a essas questões E acaba ficando algo realmente natural Você citou a empatia e quanto antes melhor Porque a empatia vai sendo trabalhada de uma maneira natural Exatamente, não é nada forçado Então a gente não coloca a criança lá e faz com que os outros a aceitem Porque apesar de ter o autismo, são crianças E aí o ser criança vem na frente, então o ser criança brinca, o ser criança corre, o ser criança se alimenta, o ser criança cai, o ser criança sobe, nos gira-gira e todas as outras fazem as mesmas atividades. Que bom né Vanessa, estamos evoluindo né? Com certeza. Vanessa, para a gente finalizar então, mande um recado aí para os pais que estão nos acompanhando, assistindo aqui ao quadro de Olho na Educação, o que você pode falar para o pessoal que está em casa? Bom, primeiro sejam parceiros da escola, estejam lá conversando, entendendo os processos, não só cobrem, mas tentem ser parceiros mesmo, para que todas as estratégias que sejam usadas com os seus filhos possam efetivamente surtir efeito, porque só ele tem a ganhar com isso. Quando a gente se exime da nossa responsabilidade, ou só deixa a responsabilidade para a escola, ou a escola só deixa a responsabilidade para os pais, A gente sempre vai ter buracos, mas quando isso é compartilhado e quando todo mundo sabe o seu papel no processo, os alunos com TEA com certeza ganham com isso. Muito bom, só mais uma. O que os pais podem fazer em casa? Olha, para ajudar, primeiramente acho que é pensar em uma estrutura de rotina. É algo simples, mas ter a hora de acordar, a hora de dormir, a hora de comer, isso faz diferença para qualquer criança. E as crianças com TEA realmente precisam dessa estrutura, de algo mais estruturado. Não é por conta de ter TEA que podem fazer tudo o que querem. Às vezes isso soa até um pouco estranho. Mas são crianças e elas precisam de limites tanto quanto as outras. Tem que ter a disciplina, a rotina. Tem que ter a disciplina, tem que ter a rotina. Tem que saber até onde eu posso ceder, até onde eu posso ser mais firme. Não é porque teve um desentendimento, a criança entrou numa crise, e que eu vou ceder aquilo que ela quer, se eu enquanto adulto da relação acho que não é o momento, que não é a hora, e ela vai entendendo, ela vai compreendendo. E aí nessa possibilidade dentro de casa, isso vai fazendo com que ela também entenda que ainda que ela tente essa estratégia de outro ambiente, se a família for ali pontual, firme, aquela possibilidade não vai existir mais, porque ela vai entender que até ali ela pode. É um processo? É. Sempre vai dar certo? Não. Mas a gente continua. Sempre, sempre. Tem que tentar sempre, né? Sim. É isso aí. Muito obrigado, viu, Vanessa? Imagina que isso, eu que agradeço. Bom, pessoal, eu sou o André Aranha e você, claro que já sabe, né? Estou sempre de olho na educação. Tchau!