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Conexão Cultural | Feverestival
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Conexão Cultural | Feverestival

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O Conexão Cultural mostra o “Feverestival”, que acontece em Campinas há mais de 20 anos.

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[música] Bom, é isso aí, pessoal. Conexão cultural. Pois é, mais um assunto super legal. A gente vai falar sobre o Festival Internacional de Teatro de Campinas, conhecido aí como Feverestival. conosco. O Dudu vai bater um papo com a gente, é gestor cultural, o Dudu Ferraz, que eu já tive oportunidade de entrevistar também, é o nosso convidado aqui nesse primeiro bloco do Conexão Cultural. Antes de mais nada, tudo bem? Beleza, Dudu, tudo em ordem? Tudo bem, tudo bem. Obrigado pelo convite. Olá aí, todo mundo aí de Campinas que acompanha TV Câmara. Boa, boa. Bora falar um pouquinho sobre arte, sobre cultura e sobre esse festival que tá bem bacana, tá na 19ª edição. É isso. Tem desde 2003. É isso. Feverival começou em 2003 e esse ano a gente fez agora a 19ª edição. Ano que vem rumo à 20ª edição. Bom, o ano que vem então é uma edição super especial, né? É super especial. Pois é. Antes da gente falar sobre a desse ano, eu já vou até aproveitar, evidentemente, o embalo aqui. Vai vai se preparar do algo ainda mais especial para ser a 20ª edição. Ah, com certeza. A gente já tá começando a pensar algumas coisas. Enfim, acho que a gente tem que ver 20 anos acho que vale a pena revisitar tudo aquilo que o festival já viveu. Um festival que já passou muita gente por aqui, então tem muita história para contar, mas ainda estamos no processo criativo aí de qual que vai ser a o nosso guia, né? né? Quais são os caminhos que a gente vai seguir para uma edição? Porque todo ano a gente, cada edição a gente pensa uma temática, uma palavra-chave, alguma coisa que nos ajuda e nos orienta nas escolhas de produção, né? Então, pro ano que vem tem 20 anos, que já dá alguma sugestão, mas ainda a gente precisa ter um processo criativo e e bater esse martelo. Boa, boa. Como que foi a desse ano? Esse ano, 2019, foi muito interessante. A gente teve um tema que foi a palavra que nos guiou, foi partilha. Então, a gente estava interessados, interessada em partilhar aquilo que nos é comum, ã, histórias, recontar histórias que são nossas e que às vezes a gente não conhece ou só conhece um lado da história e tudo mais. Então, a gente teve uma programação super interessante. Acho que uma das coisas interessantes dessa 19ª edição foi que quem partilha é quem já quem tem experiência, né? Quem viveu, quem pode partilhar alguma coisa é porque já viveu algo. Então a gente teve uma edição que a gente teve bastante ator e atrizes com mais de 60 anos no palco. Então, a gente teve a Ana Correa do Peru, do grupo Yashcani com 72 anos, fazendo duas dois duas sessões do solo dela, que chama Confessões, que ela conta a todos os personagens que ela montou no grupo de teatro, 55 anos de grupo de teatro e dando os contextos políticos e sociais do Peru. A gente teve o Léo Bassi, que é um ator italiano que mora na Espanha há muito tempo, que ele tem 74 anos e fez o Jo Mussolini no Centro de Convivência também. Tivemos o Carlos do Babauzeiro, que é da carroça de Mamulengos, que também tem mais de 70 anos e que apresentou o seu espetáculo e aí sua neta também apresentou. Então acho que isso foi interessante e a gente teve muita coisa de vários lugares, né, diferente. Então a gente pode trazer Manaus, pode trazer Alter do Chão, que é Pará, Juazeiro do Norte. E fazia muito tempo que a gente não tinha quatro, eh, espetáculos internacionais. E aí a gente conseguiu esse ano ter quatro espetáculos internacionais graças ao apoio de uma de um programa da Iberoamérica, que é o Iberecena, que é um programa que ajuda e apoia ações culturais para país de todos os países da América do Sul e Espanha e Portugal também, né, que é o Iberecena. Então a gente teve esse apoio internacional pra gente trazer essas quatro obras que foi Chile, Peru, Colômbia e Espanha. Puxa, que bacana, hein? O festival, pessoal, é um dos maiores eventos e teatro do interior do estado de São Paulo. Foi criado em 2003, como eu disse, né, e organizado inicialmente por artistas independentes, também por coletivos teatrais locais, surgindo como resultado da demanda artística. É muito legal. Normalmente era no mês de fevereiro, né? Por isso o nome, mas já faz 3 anos, né? Que que não tem acontecido em fevereiro. Por que, Dudu? Desde depois da pandemia, né? O o festival ele nasce quando fala da demanda. Fevereiro é um mês um pouco frio na agenda dos artistas de teatro. C do carnaval, nada a ver. É, começo de ano, as agendas ainda não tem tanta coisa. Então aqui em Campinas tem uma cultura que muitos cursos eram dados por grupos de teatro em fevereiro. Então vinha a gente do Brasil todo, até fora do país, fazer cursos aqui em fevereiro com os com alguns grupos de teatro aqui da cidade. Nisso juntava um monte de artistas de vários lugares diferente. E aí nasce a ideia de se fazer tipo um festival, porque vim a gente da Bahia, do Pernambuco, do México, todos aqui, por que que a gente não faz tipo um festival, cada um mostra o seu trabalho enquanto tá aqui? E nisso nasce o Veverival, isso em Barão Geraldo, em 2003. Depois do festival, ele começa a vir mais pro centro, começa a ter uma parceria com Sesc, com a Prefeitura de Campinas e aí o festival começa a ser visto e começa a se apresentar também, não sei qual que é a ordem melhor, eh, como um festival de teatro da cidade. E aí depois na pandemia a gente tinha um festival para realizar e aí aquela gestão sobre pandemia muito desorganizada no Brasil, aquela época que abre e fecha, abre e fecha. Então, a gente teve um período muito longo de de de fe de de de pandemia e e principalmente em segurança pra gente que trabalha com evento e cultura. Então, quando a gente achava que a pandemia tinha ido um pouquinho, a gente ia poder fazer o festival, fechava. E aí nisso a gente acabou fazendo um mês de junho. E aí a gente foi no mês de junho. E aí foi interessante porque no em fevereiro a gente concorre com carnaval, com outras coisas e os calendários culturais. Então, quando a gente tem um edital que ganha, por exemplo, da prefeitura, do estado de São Paulo ou uma própria lei Ronê, tudo gira no começo do ano e para fazer um festival em fevereiro, você tem que estar com tudo pronto no outubro, novembro. Então, depois que a gente foi para junho, a gente não conseguiu voltar para fevereiro, porque o calendário cultural também dificulta muito. Então, o ano passado a gente até fez a nossa programação, ano retrasado de 24 a gente fez a programação com a temática fevereiro o ano inteiro, como uma forma de explicar, é, porque tá no nome, né? Então é é legal mesmo. Fez uma brincadeira. fevereiro o ano inteiro foi bastante peça com tinha banda de carnaval tocando, a gente chamou os grupos de carnaval para tocar. Aqui no Castro Mendes mesmo a gente terminou uma peça do Alto da Compadecida e quando o público saiu na praça na frente do no do Castro Mendes aqui no centro a gente tinha um grupo de maracatu, maracatucá, que é um grupo referência do teatro do carnaval campineiro, tava esperando o público na praça com Maracatu. Foi, a gente brincou com a alegoria do carnaval durante toda a edição. Boa pro pessoal em casa entender eh o pessoal que que queira conhecer mais sobre o festival e tudo mais, fale um pouquinho como é, como funciona, onde é, é quantas peças, quem pode participar, como funciona tudo isso, Dudu? Bom, Feverival e a gente a gente faz ações em vários lugares da cidade. Faz muitos anos que a gente tem bastante ação nos teatros municipais. nas ruas, praças, centro culturais também, eh, independentes, pontos de cultura. Cada ano a gente se dá liberdade um pouco de ir para alguns territórios, outros não, mas normalmente a gente traz, tem sempre peças internacionais que vem, a gente também sempre tem uma amostra nacional que a gente tenta trazer pelo menos três ou quatro regiões do Brasil para cá. A gente tem espetáculos daqui também, oficinas, enfim. Então a gente, o Sesc é um grande apoiador, então a gente, cada edição tem vai no mínimo 12 espetáculos por aí e as edições que às vezes são um pouco maiores, vão para 20 espetáculos, 20 e pouco, sempre dura uns 10 dias. Bom, estamos entrevistando Dudu Ferraz, que é formado em Ciências Sociais pela Unicamp, atua na vida como artista interdisciplinar e gestor cultural. teve, portanto, aí eh uma passagem pelo grupo Matula Teatro com trabalhos de composição. Também é trilha sonora, é gestor do ponto de cultura quintalujá, que realiza, como a gente tava falando aqui, diversas práticas, tanto dentro do ponto de cultura quanto no seu entorno. Qual a importância de incentivos de políticas públicas para fomentar cada vez mais a arte? cultura em Campinas e em todo o Brasil. É muito importante, né? A gente principalmente para garantir que a população tenha acesso e também possa ter espaços de expressão, né? Então, quando a gente pensa em políticas públicas, a gente tem que tá olhando para quem para quem vai se beneficiar com isso, né? Então, as políticas públicas, por exemplo, com Feverival, a gente consegue trazer muitas coisas de fora, como também iluminar a própria cena daqui da cidade, eh, para circular em outros lugares, porque a gente sempre traz outros festivais para participar aqui, programadoras, gestores, curadores que vem para cá. Então, mas é muito importante, né? Eu acho que tanto para fomentar o trabalho artístico e pra gente garantir esse direito à cidade, né? Porque a gente eh a população pode usufruir de tudo que a própria população está criando dentro dos territórios. Então, Campinas tem uma riqueza muito grande, uma diversidade muito grande e que é isso, infelizmente só o mercado não dá conta de valorizar todas as expressões culturais do nosso povo. Então eu acho que a importância das políticas públicas, ela vem também pra gente garantir que continuem fazendo aquilo que é feito em todos os bairros, nos cantos, e que a gente consiga valorizar todos esses todas essas expressões culturais, porque é isso, o mercado tá aí, a gente dialoga com o mercado, a gente vende nossas peças, mas nem todas as expressões culturais são bem vistas pelo mercado, mas não é por isso que elas deixam deixar de existir. Então, as políticas públicas vem pra gente cultivar aquilo que aquilo que explica, né, o que é a gente, né, aquilo que a gente se identifica. Então, para que é isso, que as expressões culturais continuem, que tenha essa diversidade dentro do território. A gente tava falando, Dudu, por que que não teve no ano passado? Ano passado não teve justamente porque a gente estava sem recursos para fazer, sem a previsão de recursos para fazer. Eh, a gente não conseguiu entrar em alguns editais, a gente também, algumas pessoas da da gestão, eu também fazendo outras coisas, então a gente resolveu não fazer ano passado para fazer esse ano e foi uma medida acertada. Tem uma hora que a gente fala, a gente tem que fazer porque o festival não pode deixar de acontecer. Então, a gente conseguiu produzir com mais calma. a gente conseguiu o recurso internacional que eu comentei que é o Ibercena, mas é isso. A gente fez esse ano sem ter recursos, ã, por exemplo, de edital para conseguir fazer. Então, a gente fez com muitas parcerias. Então, o Sesc foi um grande parceiro, o SESI entrou com uma parceria, o Sebrai, a gente deu um curso de produção cultural junto com o Sebrai também e a gente também fez uma rodada de negócios que a gente chamou de feira do rolo teatral. que a gente chamou artistas da cidade para vender seus espetáculos para programadores e curadores de instituições e de e de festivais por aí. E a gente também teve apoio eh da Secretaria de Cultura de Campinas eh e também de algumas vereadores e vereadores com emendas parlamentares, né, como a Mariana Conte, a Fernanda Solto, a Paula Miguel e o Gustavo Peta, que colaboraram com a gente eh aí porque é isso, hoje o recurso público está passando pelas câmaras de vereadores e deputados, o que é uma anomalia não sei o quanto tempo a gente precisa ficar se acostumando com isso. Eh, mas a gente conseguiu dialogar também com isso pra gente ter esse recurso, pensando que o Fever estival ele é um festival da cidade para a cidade, porque senão a gente tá até num projeto fazer uma campanha aqui. Posso? Opa. De na 20ª edição do Fevere estival ele ser reconhecido como patrimônio material da cidade. Olha aí, em primeira mão, hein? Porque é um festival que já passou de geração em geração, né? E e eu perguntei até para você, Dudu, se de repente vocês estão aí planejando, obviamente, uma edição super especial no ano que vem, por conta justamente da desse aniversário aí de 20 anos. E agora isso que você falou faz todo sentido, né? De repente, se no ano que vem ou até mesmo esse ano já conseguiu alguma coisa, né? Pois é. Fica aqui pros vereadores e vereadoras que assistem a TV Câmara. A gente já conversou com a secretária de cultura até ela achou interessante. Capriol. É porque o festival ele nasce de uma maneira orgânica e eu acho que a gente é a quarta geração. Então quando o festival nasce, eu tinha 10 anos, eu entrei como voluntário no festival em 2017, depois virei produtor, depois fui paraa coordenação de produção. Aí fiquei uns anos na coordenação de produção, morei fora de Campinas um tempo, voltei na coordenação de novo e agora estou como coordenador geral. E a gente, eu e a Bruna, que estamos com o modernador geral, a gente sempre brinca como que a gente vai passar esse bastão, esse abacaxi, enfim, para alguém aí, para uma geração mais nova que tá chegando, porque o festival tem que continuar vivo e ele é da cidade. Eu acho que ele tem que continuar nessa história de não ter um dono e sim ser de uma comunidade, né? É, são 20 edições, né? Não, 20 anos, 20 edições, que acaba também sendo eh 20 anos. Em cima disso, Dudu, pra gente finalizar, porque o nosso tempo está passando e a conversa tá tão boa que a gente nem percebeu aí que que o tempo tá passando rápido. Já já a gente vai para o segundo bloco aqui no Conexão Cultural. Qual o balanço que você faz aí desde 2003 festival? Ah, evoluiu bastante. Acho que sim. Eu acho que ele já caminhou por vários formatos. Hoje é um festival que eu fico muito feliz, que eu acho que o nosso público é muito, é um público muito bom, né? Esse ano agora a gente teve aqui todas as todas as sessões que a gente fez com casa cheia, lotada ou cheia. A gente estava com medo, a gente colocou infantil à tarde durante a semana no Sesc e a gente lotou as duas edições. Talvez tenha ficado até gente para fora do teatro do Sesc, que tem 170 lugares mais ou menos. Mas numa terça-feira à tarde a gente lotou, então acho que a gente tem um alcance legal. A gente sempre faz umas perguntas, quem que é a primeira vez que tá vindo numa ação do Fevere estival? E a gente sempre tem gente, sempre tem gente nova, legal, vai renovando, vai, vai. Então isso é uma coisa que eu acho que é bem importante pro festival sempre tentar expandir, né, os lugares de alcance, de comunicação. E porque Campinas é uma cidade gigante, né? Então o lugar para querer tem, cabe, né? Valeu, Dudu. Obrigado aí pela conversa e parabéns aí pelo trabalho de vocês. Obrigado. Obrigado. Valeu. Valeu pessoal. A gente vai pro intervalo e na sequência tem o segundo bloco aqui no Conexão Cultural. Valeu. Mundo dos encentados. [música] Começo que nunca tem. [música] Ele era que o povo de Canut se reunia. Era [música] embaixo desta maior faveleira que a gente se encontrava para rezar, paraar, para cantar para as primas sagradas, até para estudar era nossa escola [música] [música] enredantes [música] Como prometido, estamos de volta aqui no Conexão Cultural para falar sobre o Feverival. Pois é, vocês acompanharam aí o primeiro bloco, muita coisa bacana, a gente entendeu direitinho como funciona o Fevere Estival. Bom, estou aqui com a Orican, que é historiadora, artista, produtora, arte, educadora, quanta coisa. Ela vai conversar conosco também sobre o festival e claro sobre o espetáculo Marias. Antes de mais nada, tudo bem? Muito obrigado por nos atender. Tudo joia? Muito obrigada, querido. Tudo maravilhoso, né? Estamos aqui numa biblioteca pública, infantil, no meio de um bosque. Tem como tá ruim? Pois é. É, não tem, não tem uma área verde fantástica, né? muito legal e uma biblioteca infantil, que é justamente o que a gente vai falar também sobre o espetáculo Marias. Bom, pro pessoal que tá em casa já um pouquinho curioso e tudo mais, fale um pouquinho pra gente, por favor, sobre esse espetáculo. Claro. Eh, o Marias, ele é um espetáculo de contação de história infantil autoral, né? Eh, eu criei, desenvolvi, óbvio que foram chegando junto de mim, a minha equipe atual, mas ele surgiu de um sonho, né? Eh, durante a pandemia, a gente isolado, sem ninguém, sem poder se comunicar, né? Eh, um dia eu tive um sonho com essa história, pedaços dessa história, com uma criança que caminhava pel uma floresta, pelo um rio e encontrava uma senhora rezadeira e benzedeira que estava desacreditada no ofício dela. E aí essa criança e essa senhora desenvolviam uma amizade. O sonho dessa menina era ser escritora. Olha só. Mas ela não conseguia escrever. Você acredita? Jura? Uhum. Tinha dificuldade. Aham. Porque ela nunca pensava que uma coisa boa ia surgir assim na cabeça, sabe? Lembra que sabe aquele dia que você fala: "Não, eu vou fazer tal coisa, vou fazer, vou fazer, vou fazer". E aí você chega para fazer e trava, trava. Era a história da Maria Flor. Só que ela encontrou a vovó e por conta das memórias da vovó e das coisas que ela ia descobrindo na casa da vovó, ela conseguiu escrever. Olha só. Aham. E tudo isso, obviamente, quando a gente sonha, a gente tá falando, né, de nós e da do nosso externo comundo, né? Eh, esse sonho ele me trouxe de volta memórias que eu tinha de infância com benzadeiros e resedeiras de Marília. Então, antes de eu chegar aqui em Campinas em 2014 para fazer faculdade de história, eu nasci e vivi numa cidade do interior do estado de São Paulo chamado Marília. É pertinho de Bauru ali. Isso. E lá eu fui cuidada por toda a minha vida por dois bezedeiros, seu Everaldo e dona Carmen. Além da minha avó Maria da Conceição, que é uma rezadeira. Ela já é uma rezadeira e que gosta muito de mexer com erva, de fazer chazinho. Ela tem um xarope famoso na família e no bairro que é um xarope de guaco. Aham. E tudo isso para quem conseguiu assistir a peça, né, tanto aqui no fevereiro quanto em outros espaços, eh, aparece dentro da história. Então, o xarope da minha avó tá na história, a menina que vai até a casa da senhora Maria Flor, ela é um pouco de mim, a senhora também é um pouco de mim. Então é isso, né? A gente sempre fala que a arte ela não surge do nada, né? Ela sempre tem sua raiz. E o Marias tem raiz na minha própria história de vida e nessa troca com os mais velhos. É isso. Puxa vida. Então foi foi inspirada então um pouquinho em você. Aham. A partir de um sonho, eu fui escrevendo isso que as imagens que iam vindo, né? E aí depois eu parei falei assim: "Nossa, não é que eu reconheço isso de algum lugar?" Fantástico. É. E é pro público infantil. Pro público infantil. É, é para quantos anos? O Marias, ele tem classificação etária livre, né? Então, eh, a ideia é que uma família, eh, com pessoas de diferentes idades possam assistir ao espetáculo. Porém, a gente usa como uma linguagem a brincadeira, né? Então, quem acaba se divertindo muito assistindo espetáculo são as crianças da primeira infância. Então, de 5 até 10, 11 anos. Do meu filho, meu filho vai fazer 6 anos porque eu fiquei super curioso e com muita vontade de assistir essa peça. É. E aí, os adultos? É engraçado porque a gente faz a peça pras crianças, mas os adultos se identificam muito porque eles também têm memórias com seus mais velhos de lembra da lembra da vida bezedeira, rezadeira. Puxa, que legal, que bacana. E aonde que tem essa peça assim? Ah, a gente porque a gente tá falando aqui do fevereiro estival, né? Teve a peça, né? que foi inclusive aqui isso na biblioteca pública infantil Monteiro Lobato, né, Rica? Isso. E eu fiquei muito feliz, inclusive com quando o Feer Estival entrou em contato, porque é um festival que eu admiro muito na cidade, desde quando eu cheguei aqui em Campinas. E quando eles falaram, a gente tá pensando em colocar o Marias na biblioteca infantil Monteiro Lobato, eu falei assim, gente, eu sempre quis apresentar aí porque é um espaço que conversa muito com K Marias, né? Então [roncando] esse lugar que acolhe, esse lugar cheio de coisa, cheio de livro, cheio de cor. as plantas ao redor, um espaçoar livre. Então, foi uma oportunidade muito grande pra gente tá aqui fazendo o espetáculo na programação do do Fevere estival, mas a gente vem circulado com Marias em outros lugares também. A gente fez eh aqui em Campinas, a gente esteve no estúdio cênico, já estivemos no coletivo Mangueira, a gente circulou duas vezes no Sesc Campinas, olha só, circulamos em outros Sesques da região. Tem uma previsão da próxima sim ou ainda não estamos em negociação. É, mas acho que é, eu tenho, tenho que segurar um pouquinho mais. E onde que o pessoal busca informações no Instagram? Instagram @ori.oc. Tem muita coisa boa pro segundo semestre. Vamos estar de volta também. Francisco lá, viu? Com certeza, meu filho. Bom, o projeto Marias, galerinha, concebido aí pela historiadora, artista, produtora, como eu disse, né, Oricã, eh coloca os temas eh importantes aí da diversidade religiosa, também da relação com diferentes gerações em foco durante o seu desenvolvimento eh e realização em Campinas. É, é essa questão aqui que tá no release, diversidade religiosa, vocês tratam bastante na peça também? Com certeza. O nosso objetivo com eu falo que eu eu sou artista, mas eu também sou historiadora e eu também sou arte educadora. Então, eh eu não tô em cena. A minha equipe não tá em cena só por um prazer interno, né? a gente vai com um objetivo que é educar, ensinar através da arte, mobilizar e essa temática das religiosidades populares, benzimentos, rezadeiras, eh existem várias vertentes da tradição de benzimento. Então você tem benzimentos que são mais relacionados a ao catolicismo e ao cristianismo, né? E aí dentro desses benzimentos cristãos, você tem também vertentes, tipo, [música] por exemplo, italianas, portuguesas, né? E você tem também esses benzimentos numa num lugar também afrodiaspórico, né? Então, afro-brasileiro. E aí é que a gente chama de mironga, sabe? E para mim é muito importante fazer com que as crianças consigam compreender essa diversidade e que tudo isso tem um objetivo comum, que é o bem dizer. Benzimento vem de bem diizer, vem de você desejar coisas boas, de você cuidar. O que que é você benzer? É você cuidar do outro. Então, a ideia é que as crianças assistam ao espetáculo e saiam de lá sabendo o poder que é você bem dizer coisas ao outro, o poder que é você ter no seu quintal um monte de ervas e plantas que podem te ajudar com as questões do dia a dia. Então, como diria a minha avó, nossa fia, minha avó tá com uma dor aqui na barriga, eu acho que eu vou tomar um chá de boldo para melhorar, né? Então, pô, um boldo, a gente acha um boldo em casa, a gente acha um bold da sua avó na peça? Eu faço, eu faço, eu faço vários papéis. Isso, isso que é legal da peça, que é uma brincinha pra gente um pouquinho mais da sua avó aí. Gostei. Ô, meu Deus. Vou conversar com você, tá bom? Ah, será que a gente tem um paninho só para fazer? Vamos, vamos testar aqui. Vamos lá. Estamos aqui no Conexão Cultural. Muito legal, gente. É, o quem sabe faz ao vivo, né? É. Estamos aqui sempre no improviso. Então, vamos lá. Oi, filho. Bom dia. Você tá bem, meu filho? Tudo bem. E você? Eu tô ótima. E você? Tô bem, graças a Deus. Fala aqui pra avó. Você tá sentindo alguma dor ultimamente? Olha, é, ultimamente o meu joelhinho não anda dos melhores, não. O seu joelho, meu filho. É meu joelho esquerdo. Ai, meu Deus. Vamos ter que achar uma ervinha para colocar aí, né? Fazer um banhinho. Você tem feito um aquecedor com as águas? Coloca uma água quente aqui para dar uma melhoradinha. Faço, faço água quente, faço gelo, faço fisioterapia. É isso aí. É isso aí, meu filho. E tem umas plantinhas boas para fazer, sabe o quê? Para desinflamar. Jura? É verdade. Vai, vai um dia lá na casa da avó, no meu quintal, assiste o Marias que você vai saber do que que eu tô falando, viu? Aê. Nossa, você é ótimo, hein? [risadas] Nossa, acho que senti até meu joelho curado aqui. Mas a ideia é brincar, né? A ideia é você brincar e pra gente, né? O que para mim passar mensagem, né? E para mim o que é mais importante é que quem passa essa mensagem no espetáculo são as crianças, né? As crianças constróem junto com a gente essa narrativa. Então, eh, os gêmeos e beas tradições afro-brasileiras são CM Damião, são as crianças curandeiras, são eles que contam a história. Então, a história começa com os ibeges brincando e levando essa criançada para ir até lá o palco ajudar nas intervenções. Então, ai, vamos ajudar a montar o rio, como que vai pra casa da vovó? Então as crianças elas vão ativamente construindo a história com a gente. Sobe no palco, faz. Nossa, que bacana. A gente também tem uma figura aqui. Quanto, qual é a duração do do O espetáculo? Tem 60 minutos. 60 minutos. E a gente tem também uma figura muito importante que as crianças amam, que é a cobrinha pequenina. É. Aham. A cobrinha pequenina, que é uma cobra desse tamanho, que é pequenina não tem nada, não tem nada de pequenina, toda colorida, né? que é interpretada, quem manuseia essa cobra, é o meu o meu irmão Fernando Basílio, né, que também é ator. E essa cobrinha é a sensação. Então, toda vez que ela aparece em cena, as crianças vão à loucura, a cobrinha, cobrinha, cobrinha. [risadas] Porque também nas tradições afro-brasileiras a serpente e também indígenas, viu? A serpente é um elemento também relacionado à transformação e à cura. Então essa serpente dentro da nossa história é quem guia junto das crianças e dos e beijes essa narrativa do encontro da menina com a senhora. Puxa que legal que aula. Nossa, gostei muito. E e assim e normalmente os espetáculos t comprar ingresso, depende do espaço onde a gente tá espaço no nesse agora que a gente é que você falou que foi recentemente num festival, o feverestival é maravilhoso porque é gratuito, é de graça, né? Uhum. Gratuito todos os espetáculos da programação, a maioria, né? Alguns tem os internacionais, às vezes você precisa comprar um ingresso, mas é um valor bem eh menor, simbólico, mas o Marias aqui na biblioteca ele foi gratuito. E aí a gente teve uma presença de uma escola, né? Então a equipe da produção do Fevere Estival conseguiu articular um ônibus, trazer a escola para cá. Foi do lado de fora ali. Foi do lado de fora. Lotou, menina. Que legal. Qual que é a capacidade? Você sabe ou não? João, me ajuda aí. Qual a capacidade? A capacidade dominal são de 80 crianças. Crianças, cabe mais. Cabe mais. Quanto você acha que tinha no dia do Marias? 110. Ó lá, 110 crianças. Foi uma farra, né, João? Aí a gente distribuiu o pirulito. Obrigado ao João que trabalha aqui na biblioteca. [risadas] É isso aí. Obrigado, João. Boa. Boa. E quem quiser tinha não, eu faço questão. Fizemos pipoca, misturamos pipoca, demos pipoca, demos pirulito. E o Marias é isso, né? Ele é, ele é a celebração da infância, né? E eu acho que eu chamo de um projeto de arte e educação justamente porque eu acredito na potência da infância. Puxa, que legal. Eu eu adoro isso porque, nossa, eu tô com filho que vai fazer 6 anos, então eu vejo de você falar, eu vejo quanto é importante também fomentar a arte, a cultura. E é espetáculos assim bacanas que trazem reflexão, que falam sobre diversidade, né? Uhum. Cara, é muito legal. E é justamente essa a mensagem que você pretende aí passar para pra criançada. Sim. E não só, né, pra criançada, como também pros educadores. Então, recentemente, olha aí, legal. A gente tá, a gente fez uma circulação agora em maio por 16 escolas aqui municipais, né, eh, estaduais da de Campinas, através da PENAB, né, escola particular? Não, não, não é, mas importante também, né? É, é, mas esse foi um um auxílio que a gente ganhou da política pública Audir Blan, né? E aí eu previ essa circulação nas escolas públicas, a gente já realizou, previ um álbum da trilha sonora do espetáculo que tá disponível nas plataformas digitais, né? E agora a gente volta às escolas que a gente apresentou para ter uma reunião, bate-papo com as educadoras que assistiram o espetáculo e aí eu vou entregar a elas uma cartilha sobre liberdade religiosa nas infâncias. Que bacana. escrevendo essa cartilha, estamos quase finalizando e aí esse material vai ficar disponível online também. Então a ideia é de fato que a arte ela não fique só no momento do espetáculo, mas que os educadores possam trabalhar. Exatamente. E eu citei aqui, não sei se você concorda comigo ou não, que também é importante em escolas particulares, porque independentemente da da classe social, acho que é importante o o menino, a menina crescer, não é? com essa questão da diversidade religiosa, de tudo, né? Sim, com certeza. Ah, o motivo da gente ainda não ter alcançado as particulares é justamente a dificuldade de comunicação, né? Então, não, óbvio, né? É claro que a gente quer estar lá, mas até agora não houve nenhuma mobilização das escolas, né, para trazer o espetáculo, levar o espetáculo. Então a acho que ainda é um campo que talvez pro ano que vem a gente consiga tatear melhor, né? E aí e também para mim tem muito o o lance de porque eu faço questão de estar no chão da escola pública também, né? pela pela questão da oportunidade, né? Muitas muitas crianças não vão ao teatro, não tem cultura, não, não vão ao teatro. Cultura elas têm, mas elas não têm a oportunidade de ir até um espaço. É, eu digo assim, não tem oportunidade de de vivenciar peça, vivenciar a cultura, vivenciar. Exato. E aí, por isso que a gente sempre gosta de estar lá, né? Porque a gente sabe das dificuldades inclusive da para poder mobilizar um ônibus para levar as crianças até o espaço que vai ser o espetáculo, né? Então, o chão da escola é um é muito importante para mim e também como um disparador de referência, porque quando eu era pequena, eu decidi entrar no ramo da arte por conta da escola, porque vinham pessoas lá apresentar na minha escola, porque a escola mobilizou educadores para fazer oficinas de teatro dentro do horário da das aulas, né? Então é um espaço de formação, né? informação diversa, social, cultural, de cidadania, né? Então é isso. Que legal, que bacana. Nossa, que papo gostoso. A gente até deu uma uma estourada no tempo aqui, uma boa estourada, porque rendeu bastante aqui, né? É o papo falando sobre o fever estival, sobre o espetáculo Marias, conversando com a Uican, historiadora, artista, produtora e arte educadora. Estamos aqui, como nós já dissemos, na biblioteca pública infantil Monteiro Lobato, que, aliás, tá super bonita, né, super organizadinha, tá bem bacana mesmo. Dá da gosto também. Vou trazer o meu filho aqui, viu? Porque eu incentivo à arte, a cultura. Eu acho legal também essa pegada, eu acho importante aí eh pra criançada. E eu acho que o fever também traz isso, né, tipo, né, óbvio que João e a gestão da biblioteca permitiu a gente tá aqui, mas a ideia do festival poder circular em outros espaços que não os tradicionais também é justamente fortalecer esses outros lugares públicos de convivência cultural, sabe? Então é é realmente muito importante pra gente estar aqui na biblioteca. Boa. Rapidinho aí pra gente finalizar sua mensagem final pro pessoal que está nos assistindo, que está assistindo ao Conexão Cultural. Uma mensagem final. Eu acho que o que eu queria dizer para vocês é que o Marias ele nasce dessa relação com os mais velhos. Então, nas tradições afro-brasileiras e indígenas, o respeito aos mais velhos e a escuta aos mais velhos. Puxa, que legal. também escutar a nós mesmos, né? Que legal. Então, sempre que vocês puderem sentar com os seus mais velhos e ouvir as histórias, é uma grande preciosidade que tá acontecendo. Então, esse é o meu recado. Escuta a vovó, viu? Escuta a vovó. É que saudades os meus avós. É isso aí. Valeu, um abraço. Obrigado. Obrigada. Muito legal. Conexão cultural. Até a próxima oportunidade, [música] pessoal. [música] [música] [música]
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