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Conexão Cultural | Campinas Ainda É Terra Indígena
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Conexão Cultural | Campinas Ainda É Terra Indígena

30 views Publicado 17/08/2026 HD · 35:14
Resumo editorial

Documentário sobre o povo Panará na Amazônia acreana, focando na relação do grupo com o rio Iriri (Nãsêpôtiti) e seu território. Retrata a vida indígena, transformações ambientais e a importância da preservação da região. Apresenta também exposição fotográfica sobre a Amazônia organizada pela SOS Amazônia.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

A relações públicas da SOS Amazônia, Beatriz AOC, apresenta a exposição "Amazônia Acreana, entre corpos, território e floresta", em cartaz no Iguatemi Campinas, parceria com o Mestre das Molduras. Fotos de PH Costa e Maira Santos, acreanos, trazem QR codes com relatos dos autores, e a venda reverte renda a projetos da SOS Amazônia na floresta. Beatriz relembra sua imersão com povos tradicionais no Acre. Edição do quadro cultural da TV Câmara sobre povos indígenas em Campinas traz também o documentário "Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará", da liderança Akââ Panará.

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Conexão Cultural, galerinha. O primeiro bloco. Olha, hoje um assunto super legal, super bacana. Vamos falar sobre Campinas. Ainda é terra indígena. Pois é, a gente vai mostrar as coisas bem legais que tem por aqui. Vamos conversar com a Beatriz AOC, que é relações públicas da SOS Amazônia conosco. Vai falar, evidentemente, a respeito de uma exposição bem interessante que tá tendo aqui no shopping em Guatemite, Campinas. Antes de mais nada, tudo bem, Bia? Beleza. Tudo bem. Prazer falar com você, André. Com prazer é nosso. Bora falar então sobre essa exposição que eu dei uma voltinha aqui, tá bem bonita, né? Modestia parte tá bonita. Fizemos uma boa curadoria. Bom, o que que tem aqui? As pessoas que vierem aqui vão encontrar o quê? Tá aqui a exposição que a SOS Amazônia tá promovendo junto com o Iguatemi Campinas e o Mestre das Molduras, chama Amazônia Creana, entre corpos, território e floresta. Então a gente quis dar uma voz e dar luz à exposição falando especificamente da Amazônia criana. Então, a gente tem alguns registros da floresta, dos povos que ali habitam, das comunidades tradicionais. A gente tem flashes muito interessantes aqui. Então, é importante que as pessoas venham para conhecer, aprofundar um pouco mais no conhecimento amazônico e pra gente ver como que a gente pode apoiar essa causa tão importante, né? Bom, antes do início da nossa gravação, nós estávamos conversando, né, Bia? Você já foi pro Acre, já ficou um tempo lá, né? Sim, sim. Como foi? É, eu trabalhei, como eu trabalho na SOS Amazônia, a gente promove algumas idas, né, para ter uma imersão mesmo. Então eu fiquei lá no Acre um tempo, tendo contato diretamente com os povos tradicionais, vendo como que a vida funciona lá na Amazônia. Primeiro de tudo, muito calor, né, lá. Nossa, impressionante. Eu tava falando para você que eu fui também fazer trabalhar num jogo do Guarani [roncando] contra, acho que é Rio Branco, né, lá na Arena Floresta. Eu fiquei impressionado com o calor é uma coisa realmente que chama muito atenção, né? Não, e é um calor úmido, né? Por conta da floresta mesmo. Então a gente que não tá que tá mais na cidade, no centro urbano, a gente sente muito na pele mesmo, né? Mas é uma é uma experiência muito profunda e transformadora. Eu recomendo para todo mundo. Bom, bora lá, então. Amazônia acriana, entre corpos, território e floresta. também a gente vai contar um pouquinho sobre a história eh para vocês, porque será apresentada muito além, tá sendo aqui no shopping, né, muito além aí das paisagens nessa exposição, né, como que é cada imagem é de um fotógrafo diferente. Você tava me falando que tem o Qcode. Explica pra gente, pro pessoal que tá em casa, acompanhando conexão cultural. Vou explicar um pouquinho. Então, a gente tem fotos de dois fotógrafos que são acreanos mesmo, é o PH Costa e a Maira Santos. A gente fez uma curadoria de fotos que mostram mesmo como que é a vida na Amazônia. Então, tem tanto os povos tradicionais que ali vivem quanto espécies da floresta, né, da da biodiversidade que a gente tem. A gente tem, não posso dar muito spoiler, né, porque o convite fica para você vir aqui ver. Dentro, do lado de cada foto, a gente traz um Qcode que tem uma descrição do próprio fotógrafo e da fotógrafa para contar um pouco mais, talvez uma curiosidade daquela imagem, talvez o como que foi tirar essa foto, o que que o que que o fotógrafo quis retratar nela e também quem não conseguir vir ou quem vir e quiser adquirir uma das obras pode comprar diretamente no site e aí parte da renda é revertida pra SOS Amazônia, pros nossos projetos lá na Floresta. Bom, que legal. Então, a pessoa vem aqui, passeia, curte, prestigia e também pode comprar. Sim, pode comprar e apoio que é um apoio à causa, né? Então, mesmo a gente estando aqui distante, né, da fisicamente da floresta, é uma forma de tá perto de alguma maneira. Bom, tô dando uma olhadinha aqui. A proposta, evidentemente, é ampliar, né, Bia, a biodiversidade amazônica sem desassociá-la da presença humana, né? Eu acho que isso é é o grande X da questão aí, né? É, a gente quis trazer esse olhar que é entre corpos, território e floresta, porque às vezes a gente associa a Amazônia só aos animais, só as espécies, que não é só, mas também a gente tem as comunidades ribeirinhas, as comunidades indígenas que habitam ali e que fazem de tudo para que a floresta se mantém em pé, porque no fim do dia é a casa deles, né? Então é muito importante a gente ter esse olhar atento e cuidadoso para quem vive ali na floresta. Bom, quem vier aqui vai encontrar cenas do cotidiano também registros documentais que revelam vínculos profundos entre pessoas e floresta. Olha só que legal, que coisa impressionante também. bastante interessante aí o conjunto, como disse a Bia de fotografias, convida a refletir, né, sobre o pertencimento, enfim, a responsabilidade coletiva. Isso é legal, né, Bia? Falar sobre responsabilidade coletiva, né? Super. A gente tem um olhar enquanto ONG, né? SOS Amazônia vai fazer 38 anos em setembro e a nossa trajetória ela gira em torno de ampliar também a consciência ambiental. Então, e isso é para todo mundo. Quem tá na floresta, quem não tá na floresta, quem pode apoiar de alguma maneira, tem um lado individual, mas o coletivo ele tem um valor muito grande. Então, a gente tem uma floresta imensa para proteger e a gente sempre quer trazer o olhar que a floresta vale muito mais de pé. Então, bom, e você fala com muito conhecimento de causa, né? Nós estávamos inclusive conversando, você eh abraçou essa causa aí, você defende essa bandeira já faz eh um tempinho. Como que você se interessou? Como que você entrou, né, né, nessa situação? É, há quase 10 anos eu ainda tava na faculdade, eu decidi que eu precisava trabalhar com algum propósito e olhando para alguma causa específica. E aí eu mandei alguns e-mails, né, na época falei com o pessoal de várias ONGs e aí me surgiu a oportunidade de fazer um trabalho voluntário na Amazônia pela SOS Amazônia. Então meu primeiro contato com a floresta foi como voluntária há 10 anos. E aí desde então eu me encantei pela causa. Tudo que eu posso fazer eu faço. E hoje é um dos meus trabalhos para que eu possa realmente colocar deixar um legado, né? Eu falo que a gente tem uma missão e eu sei que uma das minhas missões é ligadas à floresta, né? Pra gente para ver que a minha filha, meus netos, no futuro eles vão ter a floresta aí para poder para poder admirar, para poder viver tudo aquilo que a floresta tende para oferecer. Então, eh, ainda que você, né, não tenha um propósito tão ligado à causa ambiental ou a qualquer outra causa, a gente sempre tem que lembrar que isso permeia a nossa vida alguma hora, né? Então é um é uma trajetória que eu me encantei e que eu sigo nela faz um tempo. Qual o seu principal objetivo dentro da SS Amazônia? É disseminar mesmo essa eh trazer o olhar paraa comunicação, tendo a floresta como centro. Então acho que a gente tem uma trajetória, a minha, né, muito ligada à comunicação e que a gente possa dar voz a isso, dar voz ao povo que mora na floresta, olhar pros animais que estão ali, olhar pras espécies que estão ali com cuidado mesmo, né? Não só quando tá tendo um desastre, não só quando tá tendo alguma coisa muito midiática, né, que a gente sabe que tem uma repercussão nacional, internacional, mas não, né, no dia a dia mesmo, no dia a dia. A floresta tá ali, né, enquanto a gente tá aqui olhando algumas paisagens, a floresta tá sem tá viva ali, não? E olha, gente, a gente tá vendo inclusive as nossas imagens aí do nosso grande Cezinha Rové, né? Tá fazendo as imagens e vocês estão acompanhando. Inclusive aquele quadro lá me chamou muito atenção, né, Bia? Que legal aquilo lá, né? É, essa foto é do PH Costa, o nome é Eu Navegarei. É um meio de transporte muito usado na Amazônia. Então, uma embarcação que talvez não dê para ver no detalhe, mas tem algumas redes dentro e tá levando mercadorias, né? Porque é o meio de transporte, o o transporte fluvial é muito muito usado lá na Amazônia, inclusive a logística amazônica, eu acho que só entende quem vive ela de fato. Bom, pessoal, a exposição tá tão boa que eu e a Bia a gente veio dar uma volta, daqui a pouco a gente já volta para lá para conhecer um pouco mais, ela mostrar pra gente, por exemplo, essa obra, o que é, Bia? Aqui o nome dela é a seringueira chora. E aí, não sei se vocês sabem, mas o que que significa que a seringueira chora? Esse leite que sai da seringueira, de uma árvore muito importante da floresta amazônica, é o que dá origem à borracha. E muitos produtos vem da borracha, então muitos tênis são feitos de borracha, pneus. Então aqui a origem da borracha é de uma árvore. Aqui é uma um retrato um pouco mais fiel do que eu tô falando. Boa. E aqui é da Maira Santos, né? Isso. Vamos lá. Aqui também PH Costa, uma infância de um Igarapê. É aqui é um um menininho que tá usando o seu meio de transporte num barco, numa canoa, num Igarapé, que é um rio pequeno da floresta amazônica. Boa. Bem bacana. Bora dar uma volta. Vamos. Eu achei legal esse aqui, Bia. O que que é esse? O rio que abraça a serra é a serra do divisor. Então, a gente tem uma uma floresta muito abundante e tem um rio que passa em volta dessa serra, que é é o que tá retratado nessa fotografia da Maira Santos também. Nossa, bem legal, hein? Que foto, né, cara? Olha a natureza. É uma coisa impressionante. E se a gente olha mesmo assim, parece que tá dentro da floresta. Nossa, parece que tá dentro mesmo, porque ficou o pedacinho do barco aqui, né? E parece que aqui é a gente dentro do barco. Cara, que coisa impressionante, né? Bom, tem muito mais coisa. Agora a gente vai voltar para lá para encerrar a entrevista com a Bia falando sobre essa exposição aqui no Iguatebi. Bom, é isso aí, Bia. Agora falando um pouquinho mais sobre a SOS Amazônia, a gente já falou a respeito, você já já deu uma palinha, mas queria que falasse um pouco mais pro pessoal de casa entender direitinho, por favor. Legal. Eh, a gente é uma ONG de causa ambiental. Vamos fazer 38 anos no dia 30 de setembro. Eh, a nossa fundação foi em 30 de setembro de 1988 e um dos nossos fundadores foi o líder ativista, o Chico Mendes. Então, a gente tem uma história bastante interessante, eh, há quase 40 anos de luta, né? A gente tem uma defesa muito grande pela floresta. a gente quer trazer esse olhar de que a floresta vale mais de pé, aumentar a consciência ambiental e mostrar que cada pessoa tem responsabilidade dentro desse processo, né? A gente vê as mudanças climáticas com os seus efeitos bem intensos. A gente sente na pele, né, tanto nessa oscilação de temperatura, nos desast des desastres climáticos. E a floresta ela é muito importante nesse processo, né? Então, manter a floresta de pé, manter a biodiversidade ativa e viva, eh, tem uma relevância muito grande. Então, a gente trabalha com esse foco. Os nossos projetos são focados na Amazônia, principalmente na Amazônia Creana, desde restauração florestal, projetos ligados a gênero, projetos ligados à biodiversidade especificamente. Então a gente tem um olhar amplo para que a gente possa de fato trazer a floresta cada vez mais paraa próxima do nosso dia dia e manter ela viva. Bom, legal. Tô dando uma olhadinha aqui, Bia. E as imagens revelam, inclusive, é isso, eu acho fantástico, espiritualidade, né? Como que é isso? Pro pessoal que é leigo e e não não conhece direito. É, espiritualidade é muito individual, mas a floresta tem uma força, né, como a gente chama de mãe natureza, né? tem esse olhar e sensível. Então, acho que os fotógrafos aqui, inclusive na exposição, eles revelam muito dessa sensibilidade que a floresta traz. Eh, é uma espiritualidade que vai, é uma conexão muito forte. Então, só de você ver as imagens que estão aqui, você já pode sentir na pele isso que a gente tá falando, né? Então é, é, a gente tenta fazer uma experiência imersiva, mas é óbvio que isso só se sentiria 100% se a gente tivesse na floresta. Valeu. Vamos dar o servição aqui então, Bia, pra galera que está em casa assistindo ao Conexão Cultural, então de 15 de junho, que já tá colando até 2 de setembro, né? Isso. Até o início de setembro a gente vai estar com a exposição aqui no espaço cultural do Iguatemi Campinas. Eh, as pessoas que não puderem vir por algum motivo e quiserem acessar o site eh, em parceria com os mestres das molduras, a gente tá fazendo a venda desse dessas obras e aí as pessoas podem adquirir do tamanho que achar melhor essas fotografias e ou senão fica o convite para vir aqui e ver com os próprios olhos a exposição. Pode vir, galera, que tá bem bacana. Tem o Instagram de vocês, alguma coisa que as pessoas possam acompanhar, ter mais detalhes e tudo mais. O nosso Instagram é @sosamazonia, então não tem erro, vocês podem seguir lá. A gente faz o posts de toda todo o nosso trabalho, toda a nossa atuação, tudo aquilo que a gente faz no dia a dia. Então eu convido vocês a conhecer mais o trabalho da SOS Amazônia e tá mais próximo à floresta. Bom, vamos lá então os horários, pessoal de funcionamento, não é? aqui no Shopping Guatemí de segunda a sábado, das 10 às 22 horas, também aí aos domingos das 2 da tarde até às 8 horas da noite. Portanto, aí não faltam opções, não é, de horário para vocês acompanharem. A gente tá aqui é no Shopping Guatemi, o Exposição Amazônica Creana, entre corpos, território e floresta. Portanto, aí suas considerações finais aqui no primeiro bloco do Conexão Cultural. Por favor, Bia. Pessoal, muito obrigada por essa oportunidade. Obrigada pelo espaço também em nome da SOS Amazônia. É muito importante a gente dar voz à floresta e trazer mesmo as pessoas para perto da do trabalho, da atuação. A gente faz um trabalho há quase 40 anos, né, pela SOS Amazônia. a gente convida você a vir à exposição, conhecer mais o trabalho e quem sabe se você se interessar também em trabalhar pela causa, apoiar a causa de alguma maneira. Obrigada. E você bateu muito na tecla. Isso eu achei muito legal, bem bacana, bem interessante, que floresta, né? Você fala muito que floresta tem que estar pé. Vale mais de pé. É isso aí. Floresta vale mais de pé. E vale mesmo, né? A gente a gente percebe isso não só pelas fotos, mas por tudo que a gente ouve e percebe no dia a dia. Valeu, muito obrigado e até a próxima oportunidade. É isso aí, galerinha, bora pro intervalo e já já a gente volta aqui no Conexão Cultural. Até já. [música] Conexão Cultural de volta, pessoal. No segundo bloco, a gente segue conversando e agora para falar sobre um assunto bem bacana, o documentário Nanpotite Rio, Terra e Luta Panará. A gente vai conversar com a jornalista Eb Hills para saber exatamente do que se trata o documentário também, como surgiu a ideia, como foi a viagem de vocês. Tudo bem, EB? Tudo bem, André? Obrigada pelo convite. Obrigado. Você que você pode falar? Conte um pouquinho pra gente sobre o documentário, por favor. O documentário Nancipotite terra, rio terra e luta Panará, ele foi concluído, digamos assim, eh, e exibido, né, paraas pessoas, paraa maior parte da comunidade acadêmica externa também no ano passado, mas a gente foi eh fazer a viagem em 2024 pra Terra Indígena Panará, que fica na divisa dos Estados Mato Grosso e Pará. a convite da professora Cassiana Montanher do Instituto de Química. Ela na época tava com um projeto em que ela tava auxiliando como se fosse quase um cor, uma coentação de um doutorado, de uma doutoranda do IG. Essa doutoranda tava fazendo no seu trabalho de pesquisa uma investigação sobre a contaminação das terras e dos rios, principalmente dos recursos hídricos dos Panará, porque eles tiveram vários casos de mortandades de peixes. E a partir dessa investigação que a doutoranda tava fazendo na pesquisa, era preciso ter alguém que fizesse também análise química das águas. E ela então procurou a a professora Cassiana Montanhálise química dentro de um projeto que a associação IAKI, que é uma associação indígena lá dos Panará, que tem uma história muito peculiar na formação, se tiver tempo eu falo sobre ela. Eh, a partir dessa parceria da Unicamp, por meio da professora, por meio da doutoranda Zaira Multinho com a Associação Iaquiô, surgiu o convite para que a gente, né, aqui da SEC documentasse esse processo, não só de análise da água, mas também da história oral, porque o que que acontece? Tudo que eles vivem lá, não existe um registro, por exemplo, de como era a água antes. Hoje você pode fazer um monamento, mas antes você não sabia. Então, tudo se baseia na história oral. e os anciãos e anciãs, né, que podem falar sobre essa história, como era o rio, como eles viviam, a diferença de ontem para hoje. Então elas precisavam documentar isso. Ao invés de documentar simplesmente com o celular ali, elas optaram então por chamar a gente fazendo uma documentação mais profissional, né, em vídeo. E você dirigiu, né? E aí, exatamente, aí caiu no nosso polo aqui. [risadas] Eu costumo dizer que assim, a produção de um documentário, qualquer material audiovisual nunca é individual, ela é coletiva, sem dúvida. É um trabalho em equipe, né? Inclusive, a gente vai conversar com repórter, cinematograf. o que eu falo que é meu filho, porque assim, eu cuidei mais [risadas] tempo dele. Eu cuidei desde o momento do nascimento, aliás, desde o convite da professora que chegou a mim primeiro até a ida lá e a continuidade até a finalização. Então, por isso que eu falo que é meu filho e eu assino a direção, né? Bom, EB, nós estamos aqui, né, batendo um papo no Jardim dos Saberes Ancestrais, que fica na Faculdade de Educação aqui da Unicamp, um lugar bem bem agradável, gostoso, né, que é muito gostoso. Como foi a viagem? Conta pra gente, Eby, quais os grandes desafios aí que vocês enfrentaram pela frente? Olha, e eu não sou documentarista, então já começa por aí, já é um grande desafio, já começa por aí. Então eu fiquei muito assim, né, preocupada. Aqui na SEC também foi, pelo que euo dizer, foi um primeiro trabalho com essa característica, né, de um documentário e tal, eh, com essa complexidade de você sair da região da, né, de de Campinas, ir para um outro lugar. a gente já fez outras incursões em outros lugares e principalmente, por exemplo, na cobertura do vestibular da da Unicamp, na cobertura do caso Brun, que nós saímos aqui, fomos paraa Amazônia. Então, não foi assim a primeira vez, mas foi a primeira vez para fazer um trabalho, né, desse tamanho. Então, eh, foi uma responsabilidade muito grande, a gente meio sem saber o que a gente ia encontrar de fato e trazer de fato. E a gente tinha como norte um pré-roteiro que a Dra. Anda Zaira Moutinho tinha discutido já com eles, com os Panará. E a partir desse pré-roteiro, a gente ia tentar fazer, né, algo que se assemelhasse e colocasse as coisas novas que porventura surgissem. Mas aí o produto final acabou ficando um pouco diferente, porque é lógico, né? você chega lá, você mudando, você você observa as coisas, é, as coisas vão acontecendo. Então, mas assim, tudo com a o consentimento deles. por exemplo, o Passama Panará, que na época era o presidente da associação Iakyô, ele veio eh aqui para Campinas e a aprovação do roteiro, tanto não é que o roteiro é assinado por nós dois, porque ele fez toda todo o acompanhamento do roteiro e tudo que tá no documentário é absolutamente dentro do que ele eh queria e ele tinha representatividade para isso, né? né? Ele não tá, ele não tava aqui por, pela cabeça dele, ele tava representando o povo Panará, né? Então a gente eh foi um desafio grande e no meu caso, particularmente, porque eu sou muito urbanoide, né? [risadas] E ficou nós ficamos uma, eu fiquei uma semana com o repórter Marcos Botelho. Depois o repórter Marcos Botelho voltou, que nós ficamos uma semana em agosto, ele voltou em setembro para fazer a gravação do Timbó. É o homem das imagens. que é um ritual muito importante para eles e que compôs o documentário, né? Só o Timbó daria outro documentário. Enfim, mas aí a Bruna Moer, que é outra repórter aqui na SEC, foi com o Marcos nessa segunda vez. O editor de imagem é o Cléber Casablanca. Na captação de imagem, além do Marcos, a gente teve o Bruno Yugman, que foi contratado pela associação Iakiquiô. A Raíça Azeredo, na época também vinculada a eles, fez muitas fotos que a gente usou não só no doc, mas também no Saber Panará, que foi um um documentário multimídia que a gente colocou no portal da Unicamp antes do lançamento documentário, quando a gente estava em processo de produção documentário. Foi quase como se fosse um diário de campo que a gente transferiu pro portal multimídia, né, com texto, imagens, fotos, vídeos, etc. Além da desses que eu falei nas imagens e do Cléber na edição aqui na SEC, a gente teve todo um corpo assim de pessoas envolvidas, né, na pesquisa. a própria Cassiana e a Zaira, que, né, fundamentaram toda, vamos dizer, todo o conteúdo que a gente mostra, né? E eh lá mesmo na Associação Iquio, a gente teve o Crequy Panará, que é um cinegrafista, porque eles têm essa essa essa eles dão muita importância pra comunicação da cultura ancestral. Então eles já t até uma tradição, eles já gravaram filmes, já gravaram as os cantos deles, eles tinham na época do CD, né, eles tinham vários DVDs dos cantos, então eles já t uma tradição nisso. O Cquô participou também e outras tantas pessoas que estão na ficha técnica. Eu não, eu não, não, eu não vou falar todo mundo, senão eu vou esquecer, vou esquecer alguém, você injusta. Como tá o rio hoje, então, em 2025, que foi, né, ano passado, quando a gente lançou coincidentemente, tristemente, né, que nós lançamos dia 5 de junho, por coincidência, não, não, 5 de junho foi o saber para nará, que é meu aniversário, [risadas] que foi o saber paraará no portal. Mas depois a gente quando lançou o documentário, coincidentemente na época houve uma outra mortandade de peixes lá. Então, quer dizer, eles estão enfrentando isso de uma forma recorrente. E o que que é a análise que a professora concluiu? Porque na verdade essa análise ela tem que ser feita com várias várias em vários momentos do rio. Então eles fizeram na cheia, fizeram na na seca, né? E o ideal seria que tivesse continuidade, mas infelizmente o projeto eh eh terminou, a questão de financiamento foi paralisada, pelo menos por enquanto, porque a conservação eh internacional era parceira, né? Não começou com a conservação, começou com a Iako e o projeto Lira e depois a conservação internacional assumiu. Tinha um grande financiamento, mas ele parou. Enfim, o Rio tem indícios de da presença de agrotóxico já. Eh, não em quantidade, segundo a professora Cassiana, pelo que as análises revelaram, que ofereçam assim risco, por exemplo, de matar as pessoas, mas só a presença deles na frequência, no tipo, né, já é algo preocupante, né? E a grande questão que eles suspeitam aí no caso dos dos das mortandades é a falta de oxigenação provocada pelo despejo em quantidade muito grande de algum tipo de resíduo tóxico, né? Então há uma preocupação, né? Totalmente. Porque o que que acontece? Até quando nós fomos, só três aldeias tinha tinham poços artesianos. As outras três, não, três ou quatro. Quatro não, porque eram são sete, né? Não tinham. Então, quem não tem o posto artesiano bebe água direto do rio. Aí quando houve uma das mortandades, a de 2017, se não me engano, o que que aconteceu? Tiveram que levar cesta básica, tiveram que levar coisas da cidade para eles, porque eles não podiam consumir peixe, não podiam tomar água do rio. Quer dizer, é um contrassenso, né? você tá com uma com uma população que vive da natureza e ela não poder viver da natureza por conta da contaminação, né, de quem não vive diretamente, de de quem tem água tratada em casa, entendeu? Então assim, o rio hoje o risco deles é real mesmo de alimentação, de sobrevivência, não é simplesmente um luxo, sabe? É de vida mesmo. Bom, gente, já nós vamos conversar com o Marcos Botelho, que é o repórter cinematográfico, foi com a EB, eh, e fez esse trabalho bem bacana. Pra gente encerrar, EB, suas considerações finais, alguma coisa que você queira falar? O documentário de fato passou o recado que vocês imaginavam, onde as pessoas podem acompanhar quem tiver interesse. Sim, sim. No canal da TV Unicamp YouTube, no YouTube é TV Unicamp YouTube, tem uma extensa eh programação de vídeos, mas o documentário tá bem lá, bem assim na na home, tá tá em destaque, as pessoas podem assistir. E eu e eu peço que as pessoas assistam para entender um pouquinho a dinâmica. É claro, gente, que assim, se fosse para fazer novamente, muita coisa eu faria diferente. A gente a gente que tudo na vida, né? É, a gente vai olha, vê um defeito outro, quer dizer, enfim. Mas eu acho que por por ser um primeiro trabalho, olhando no aspecto meu assim profissional, eu fiquei satisfeita. Eu acho que eu eh nós não eu, né, nós conseguimos dar voz a uma palavra importante que tá aí gritando, entendeu? Então uma parceria bem legal. Agora, é óbvio, né, que tudo pode sempre ser melhorado. Eu peço que as pessoas assistam e multipliquem essa essa situação que eles estão vivendo, que é uma situação que diretamente os atinge, mas que atinge todos nós. Porque você imagina, a gente que tem toda a coisa de água tratada, etc., a gente já enfrenta uma série de desafios, né? Eles lá não, eles eles são como se fosse um termômetro. Se a situação piora para eles em escala, ela vai piorar muito mais pra gente. Então, se não existe uma consciência cidadã que tenha o egoísmo mesmo de pensar no próprio umbigo e ver que a coisa não pode continuar dessa forma, entendeu? É isso que eu peço. Que bom, parabéns pelo trabalho, viu? Eu que agradeço. E legal que você falou onde foi uma oportunidade, desculpa só, foi um privilégio e oportunidade que eu agradeço a vida. Que legal, bacana. E como você disse, o pessoal tem oportunidade de acompanhar e deve acompanhar, por favor. Tá bom, obrigado. Eu que agradeço. Bom, e agora, como eu disse, o nosso papo é com Marcos Botelho, que é repórter cinematográfico, acompanhou a EB, a equipe e é o homem das imagens aí desse documentário que foi um sucesso. Tudo bem? Beleza, tudo joia? Tudo certo, André. Obrigado. Valeu. Obrigado. Você eh, cara, a gente tava inclusive conversando antes do início da da gravação para você também foi uma baita experiência, né? É um grande desafio. Nossa, cara, foi acho que o maior desafio e a maior experiência que a Unicamp já me proporcionou aqui até hoje. E acho que da carreira toda, assim, da vida mesmo. Foi um baita desafio porque foram duas viagens, né, que a gente teve a oportunidade de conviver ali um tempinho com os Panará e uma grande responsabilidade também de tentar trazer maior quantidade de material possível, o material gravado assim da da melhor forma possível também, né? Porque era uma responsabilidade grande tentar traduzir imagens a história e o contexto daquele povo. Bom, imagino que para cinegrafista, né, deve ter sido de fato assim algo muito bacana, porque eh separar as imagens, escolher as melhores imagens na hora para fazer. A gente conta pro pessoal que tá em casa, Marcos, que não não conhece tão bem assim o trabalho que funciona por trás da da das câmeras, eh, num documentário tão importante como esse. É, na nesse documentário a gente contou também com o apoio de um outro cinegrafista, o Bruno Jungman, que foi essencial também. Ele é de fora da Unicamp, ele fez um trabalho em parceria com a gente por meio da associação Iakyo, que é uma associação que representa o povo Panará. E o que ele contribuiu também foi essencial para pra feitura final ali, pra edição do documentário, né, para chegar onde chegou, que ele também tinha um equipamento muito bom, tava super interessado, comprometido ali também com o projeto, né? E o que foi também um grande desafio era lidar com essa grande quantidade de material assim de diferentes suportes. Então a gente tava com um celular na mão para captar assim o que tivesse o máximo de frescor possível, não ter que pedir para repetir ou esperar para daí fazer que senão ia perder o calor do momento, né? Tinha também câmera profissional e tinha uma outra câmera profissional do Bruno também. Então a gente se dividiu mais ou menos assim, enquanto eu cuidava do arroz e feijão para tentar não deixar nada escapar, o Bruno cuidava ali da da guarnição e da sobremesa para trazer aquelas imagens mais criativo, mais caprichadas ali pra gente. Aí no final a gente costurou tudo na montagem e acho que ficou um resultado bacana. E qual foi a imagem mais legal que você fez lá? Nossa, difícil, hein? Essa eu não tava preparado, [risadas] mas teve um momento que a gente tava fazendo as trocas de presentes com eles, né, que é como se fosse um ritual entre eles ali dessas trocas que chama moitará. E terminando o moitará, teve um momento ali de respiro. Aí eu peguei a câmera, o tripé, saí caminhando até um ponto de margem do rio que ainda não tinha visto e tinham falado que era um lugar bonito ali da aldeia também, né? Aí, nesse momento, as crianças saíram correndo assim pertinho de mim, descendo a o barranco ali que tinha até chegar no rio para tomar banho de rio. Então, foi um flagrante assim que tinha uma menina que chegou pertinho de um ninho onde tinha um monte de borboleta montoada e foi o tempo assim de eu posicionar o tripé e apertar o rec. Ela chegou mais perto das borboletas e as borboletas zoaram assim na frente dela. Poxa, então foi uma imagem assim muito bacana, inesquecível assim e e foi aquela coisa assim de do improviso, de tentar não deixar escapar nada ali mesmo. E o momento mais difícil que você passou como se negra? Olha, difícil ali. Acho que difícil talvez fosse lidar com a com as condições assim climáticas de excesso de calor, de transpiração, de tá no barco com equipamento que você não pode molhar. Então, mes em equipe reduzida, né? A gente tava numa equipe reduzida e é peso para lá, para cá, né? É. o cuidado de não molhar isso, de não estragar aquilo e ao mesmo tempo assim de não perder o registro daquilo que estava acontecendo, né? Ô Marcos, conversei bastante com a EB, mas gostaria também do do seu olhar, da sua opinião sobre a mensagem que vocês passaram. Eh, que que você pode falar sobre isso pra galera que tá em casa assistindo ao Conexão Cultural e certamente eh vai dar uma olhada lá, vai acompanhar o documentário, que que você pode falar, a mensagem de fato foi passada. Eh, vocês eh garantiram aquilo que que queriam fazer? corresponder as expectativas, enfim. Olha, eu acho que eu vendo o filme pronto no final, junto ao material que a gente coletou também para fazer um dossiê de reportagens, fez uma reportagem diária assim também super detalhada. Eu acho que cumprimos a com as expectativas que a gente tinha, fomos surpreendidos lá, tinha muita coisa nova, muita coisa que a gente não previa, mas o mais importante, que acho que era dar voz ao povo e fazer um filme junto com eles, que não fosse só pra gente de fora da aldeia, pros não indígenas, mas também pros indígenas, eu acho que esse foi o grande êxito nessa experiência toda aí. Valeu, cara. Obrigado e parabéns aí. Obrigado pelo trabalho de vocês, muito legal, muito bacana. Opa, obrigado André. Valeu, pessoal. É isso aí, conexão cultural. A gente volta numa próxima oportunidade. Ciao. [música] [música] เฮ [música] [música] [música] [música] He.
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Estreia 1:32:00
Especial · 19h

O Ano em Plenário — Ep 1: Mobilidade

19:00 - 20:30 · Estreia
Ao vivo
Plenário · 20h30

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

20:30 - 23:00 · Ao vivo
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