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Conexão Cultural e hoje um programa mais do que especial. A gente vai falar sobre arte, educação. Estamos aqui na CIA Santa. Nós estamos para bater um papo com a Bet Bastos, que eu conheço já faz um tempinho, porque eu estive aqui gravando o meu bairro da TV no Parque Santa Bárbara, não é? Falando com a Bet. O tempo passa, né, Bet? Como passa. Nossa, André, que prazer recebê-lo aqui de novo. Depois de 7 anos, né? Depois de 7 anos. Inclusive, é, a gente contou a história aqui do bairro, muito legal, bem bacana. Sim. Bom, Bet, agora para falar sobre eh a peça que tá rolando aqui. Isso, nós estamos com o Pinóquio, né? Você pôde assistir um pedaço do espetáculo. Muito legal, parabéns, viu? Obrigada. Muito obrigada. E nós recebemos os alunos, né, das escolas que nós temos o programa Escola Val Teatro, onde a gente recebe os alunos e hoje você viu, né, a reação deles, eles amam, eles adoram e eles entram, né, dentro do espetáculo que eles eles se conectam conosco que estamos aqui no palco, conversa, interagem. Muito gostoso. Bom, falar um pouquinho sobre a peça. Conta pra gente, Bet, você faz qual papel? Eu faço o fígaro, né, que é o gatinho manhoso, porque é só ele e o pai Gepeto. Quando vem o Pinóquio, né, que o pai Gepeto constrói o boneco, ele fica todo enciumado porque ele quer ser o preferido do pai Gepeto, né? Aí tem toda essa confusão aí que você assistiu, muito legal. E as crianças elas se identificam porque a maioria tem um gatinho, né? Tem um bichinho de estimação. Então eles adoram e eu adoro fazer porque eu amo gato. Adoro. É muito legal, Bet. Conta um pouquinho sobre a história da peça. Eu acho que muita gente, né, conhece eh Pinóquio, é da minha geração. Eu particularmente fiquei vidrado assistindo porque passa de fato um filme na cabeça, né? É um clássico da literatura infantil. É impossível alguém que não não assistiu Pinóquio, né, que não conhece pelo menos a história, que fala ali sobre a mentira também. E a gente trabalha muita questão que o Pinóquio quer brincar e aí a fada fala: "Não, agora é hora de ir pra escola". Porque tudo tem um um momento, né? Você pode ir pra escola, você pode brincar. Então, a gente quer passar essa mensagem também para as crianças, né? Que é importante o estudo, a questão da mentira também, né? Não é legal você mentir. É. E e assim e e a gente faz isso tudo de uma forma lúdica, né? Que é para envolver mesmo divertida. Isso. Exatamente. Eu percebi que a criançada cai na gargalhada, né? Cai, conversa conosco aqui no palco o tempo todo. Não. E eu acho que é bem bacana isso também, você passar de fato essa essa mensagem, né? e do Pinóquio, essa questão da mentira, né, isso, exatamente, porque ele é muito ingênuo o Pinóquio, ele acaba se iludindo, né? Ele acha que a vida é só brincar, né? Ele quer ir lá pra ilha da tentação, lá onde é muito divertido, dizem para ele que é muito divertido, que tem muitos brinquedos e ele quer ir, mas não é bem assim, né? Então, primeiro tem que ter a obrigação, estudar, depois a diversão. E muitas vezes é onde a criança cai, vamos dizer, no famoso golpe, né? Hoje existe aí, né, as questões da internet, que é uma coisa que tá sendo muito trabalhada, né, com crianças, adolescentes, quer ficar muito na questão de jogos, brincando, esquece do estudo e não é legal, né? a gente sabe aí o que tá acontecendo. Então acho que é importante a gente passar essa mensagem para crianças. Legal, que bacana, né? A ideia é justamente essa. E você fazendo um papel aí de alguma coisa que você se identifica bastante, porque você adora gato, né? Eu adoro gato. Nossa, gosto. E eu, como eu tive muitos gatos, né, na nessa minha vida, é assim, eu sempre, eu desde criança eu sempre tive um gatinho, né? Sempre tive. Eu eu tenho tô com quatro gatos em um sítio que é lá ematuba. Eles são bebezinhos ainda, a gente tá cuidando deles, né? Talvez a gente doe uns dois, né? Eu pretendo ficar com dois gatos para mim, porque realmente eu gosto. E eu procurei também eh colocar um pouquinho, sabe, daquela coisa da manha do gatinho. Eh, eles adoram assim ambientes confortáveis, eles gostam de ser o centro das atenções, são muito manhosos e ao mesmo tempo carinhosos. Então, procurei colocar isso no meu personagem. Espero que eu tenha passado. Ô Bet, você citou aí, eu falei também que eu vim aqui a há 7 anos, né? Sim. Bate um papo. Bora ver um trechinho pro pessoal ver como foi. Que legal. Pois é, estamos de volta para falar um pouco mais aqui sobre o Parque Santa Bárbara. E olha, é impossível a gente contar um pouquinho a história do bairro sem falar da companhia CIA Santa, que é uma companhia teatral que tem já faz 46 anos só aqui no Parque Santa Bárbara, desde 1996. Olha que legal, a gente vai bater um papo com a Bet, ela é atriz e também produtora. Tudo bem, Bet? André, seja bem-vinda. Muito obrigado pela recepção. Prazer é todo meu recebê-lo aqui. Então, tá bom. Vamos bater um papo, Bet. Fica à vontade. É isso aí. Que legal aqui, né? Sim, sim. Ah, nós estamos aqui e você sabe que a companhia tem mais de 45 anos, né? 46 anos. E a gente tá aqui mais ou menos desde 96, levando cultura, né, pro pessoal aqui do bairro. Muito legal. E como que funciona? São quantos atores mais ou menos? A gente tem em média 30 atores, né? A gente tem alguns atores fixos, eventuais, a gente conta com muitos parceiros também, né? Que é bem bacana assim. E e também eu gostaria de falar para você, não, porque você falou do bairro, então eu gostaria de falar para você do ponto de cultura, que nós somos ponto de cultura. Então, nós recebemos aqui eh várias pessoas, né, o público aqui do Parque Santa Bárbara próximo dos nossos espetáculos aqui na Cia Santa. E como que faz pro pessoal assistir? Então é divulgado, nós temos o site, então nós fazemos toda a divulgação por esse site, as pessoas vêm, tira, retira, ingresso antes, uma hora antes da apresentação. E nós contamos aí com o repertório em média mais ou menos 10 espetáculos, que são os clássicos da literatura infantil, né? Além dos outros espetáculos que nós trabalhamos também, que são eh peças empresariais. Então, a gente tem uma parceria com muitas empresas, onde a gente faz para eles os espetáculos para CPAT, né, que são peças empresariais, fala sobre segurança de trabalho, qualidade de vida. Bom, bem bacana, né, Bet? Aqui é um local santo que você tem uma identificação muito grande, né? Isso. A gente acolhe muitas pessoas aqui também, né? A gente tem o, como eu já havia falado para você, também tem o curso de férias, a gente dá oficinas de teatro para as crianças e depois no final a gente apresenta a peça, né, tudo que foi trabalhado durante a semana para os pais, os amigos virem assistir. É muito legal como é essa oficina. Muito legal isso. Muito legal. acontece geralmente nas férias, né, janeiro e julho, né, que é o período que as crianças estão de férias e elas podem ter acesso a a essa oficina. E já pintou algum ator, alguma atriz de dessa oficina? Sim, nós temos o nosso Lucas Mateus, que ele começou na oficina aqui, ele era ainda bem menininho, começou conosco, mas ele foi tão assim bom, sabe? Desenvolveu, ele entregou muito dentro dessa oficina. Os diretores ficaram de olho nele. Hum. Quero esse menino para mim. E aí ele começou a frequentar e chamamos ele para fazer uma vivência conosco, conhecer também, porque o teatro não é só aqui palco, né? As pessoas vem tudo lindo, maravilhoso, mas tem todo um trabalho atrás, né? Você montar cenário, eh, questão de figurino e também a convivência. A gente tem que ter uma boa convivência, né, com nossos colegas. E o Lucas, ele foi se identificando e nós também nos identificamos com ele. E aí ele foi convidado para fazer parte do elenco. Hoje ele tá aí conosco, super ator, pessoa maravilhosa, se formou recentemente em jornalismo também, Lucas. E é um, eu eu falo que ele é um exemplo, né? Porque uma referência. Exatamente. Começou dentro de uma oficina. Nós temos também o ator que faz o Gepeto, o Adam, que também começou numa oficina. Começou numa oficina. Você vê um trabalho maravilhoso que ele faz em cena. Começou na oficina. É. E você citou que o teatro não é só o momento da da peça, né? Ah, a Bet tá trabalhando só naquele momento, não é? E é a mesma coisa, gente. Às vezes as pessoas vem uma reportagem de 2 minutos e tudo mais, fala: "Puxa vida, só esse não, mas tem todo a produção, tem o papel eh dos cinegrafistas, depois passa pela gente, volta, deculpa, escreve, passa, vai pr edição." Então assim, é um tempão para fazer aquela matéria de 2, 3 minutos, né? É. E vocês fazem o exercício também antes de de passar a matéria? É. Hum. Opa, eu tô sempre fazendo. Nós temos que fazer antes de entrar em cena pra gente ter uma melhor de dicção, projeção vocal. Então a gente tem que fazer todo esse trabalho, alongamento corporal. Então todo dia a gente faz um pouco de alongamento para você manter o corpo, que é a ferramenta do ator é o quê? A voz e o corpo. Não, sem dúvida alguma. Então a gente tem que tá bem, né? Qual que é o exercício que você mais se sente bem, que é o que mais faz efeito para você? Pode fazer aí pro pessoal que tá em casa, quer fazer teatro, quer fazer jornalismo, já pega uma dica aqui com a Bet Bastos. Ó, tem e tenho esse, esse eu não conhecia. Maravilhoso. Como é que é? Ó, dá, dá um beijo assim. Isso. Aí você dá uma estalada. E, ele é ótimo para articulação. Você pode fazer até 15 vezes. Você sabe que tem exercícios que o homem às vezes consegue fazer mais que a mulher. Aí, aí é a fono que vai direcionar, vai direcionar você. E tem também o esse som de V, ele é excelente para roquidão, porque às vezes você acordou ali rouco, aquela voz, né, pesada, aí você faz o V. Para reverberar, você vai colocar a mão aqui, ó, assim. Você sente reverberar tudo. É ótimo para roquidão, para melhorar a voz, pra voz sair mais limpa. É som de V. V. E tem que colocar a mão aqui. Você pode fazer esse aí, 1 minuto e meio. Tem que colocar a mão. Ele reverbera e volta o para você, ó. Faz para você ver. Você sente tremer os lábios. Sente mesmo. É, é. São algumas dicas aqui com a Bet Bassos. A gente já vai concluir a entrevista porque vai ter outra peça, né, Bet? Isso. Nós vamos ter mais uma sessão agora às 10 horas de Pinóquio e à tarde, às 14 horas, teremos mais uma sessão. Boa. Eh, fala um pouquinho sobre sua carreira, um pouquinho pro pessoal. Ai, André, eu iniciei minha carreira assim muito cedo, faz 30 anos que eu trabalho nessa atividade, né, que eu sou atriz e eu comecei no núcleo de adscênicas da Secretaria de Cultura de Indaiatuba. Eu fiquei 8 anos lá. Aí eu vim paraa CIA Santa para fazer um curso, eh, seria um curso montagem. E depois de dois anos que eu tava nesse curso, meu diretor, que é o Jorge, me convidou para fazer uma um espetáculo que chamava Aniversário de Camento, que até um ele é de de Minas, o Sérgio Bita, um cara maravilhoso. E esse texto é excelente, aniversário de casamento. E eu apresentei na campanha na ocasião em 2003, campanha de popularização do teatro. E daí a partir dessas apresentações que nós fizemos, a companhia, né, o Jorge, o Crispin, me convidaram para ser fixa do elenco e tô aqui até hoje. Nossa, sensacional, Bet. Inclusive, a gente vai no segundo bloco entrevistar o Jorge, uma entrevista bem bacana. Ele vai contar, evidentemente, um pouquinho sobre a história aqui da da CIA Santa, que é bem legal. Bom, a galera já tá prontinha para entrar. Mais um pouquinho de Pinóquio. Então, pra gente concluir, Bet, pro intervalo. Eu vou inclusive chamar algumas entrevistas que eu fiz com as crianças, mas o recado que você deixa aí pra criançada, a importância da arte, da cultura, da educação, pra gente finalizar, por favor, Bet. Pessoal, eu acho assim que a cultura ela é fundamental, então nós temos que dar prioridade à cultura, educação, né? Acho que vem junto, a cultura, a educação tá ali. Incentivar as nossas crianças, né? Eu acho que isso começa onde? Pelos pais. Incentivar a leitura. Que legal. Inclusive, né? Que é muito importante ler, que aí aí você vai formando o conhecimento, né? Conhecimento é o maior tesouro que tem. Importante a partir de quantos anos assim a criança começar a a criança ela já começa ela ela já começa na barriga da mãe, né? na barriga da mãe, né? Você vê criança de 2, 3 anos aí que já quer brincar de casinha, quer, né, se identifica com música. A música ela toca muito nas crianças, então já é um meio também. Livros, livros com figuras, ainda não sabe ler. Ah, é maravilhoso, né? E o conhecimento realmente é um tesouro que ninguém pode tirar da gente, não é verdade? É muito bom, Bet, você é ótima. Parabéns. Muito obrigado por mais uma vez nos receber. Dá um abraço de gatinho. A, boa. Ai, aí sim, hein? Um abraço de gatinho. Coisa linda, espetacular. Amei o abraço. Galerinha, vamos acompanhar umas entrevistas que eu fiz com a criançada. Eu achei muito legal, muito divertido. E é só o que você mais gostou aqui da da peça de teatro do Pinóquio? Eh, eu gostei da parte lá dos macacos lá. Foi legal? Foi. Gostou da peça? Sim. Amei. Por qu? O que que você mais achou legal aqui? A fá da madrinha. É, eu gostei muito da fada da madrinha porque o vestido dela é muito brilhante. que eu gosto de brilho. Conta um pouquinho sobre a história da peça. O Pinó a O Pinóquio ele mentiu e daí ele foi pelo caminho ruim, mas quando ele disse a verdade, ele foi pelo caminho bom. Que que você achou mais legal na peça aí, garotinha? A parte mais engraçada foi a que a que jogou água. Jogou água. Foi legal. Você deu risada? Sim. Não pode ser igual o Pinóquio, né? Nós duas tem que sempre falar a verdade. É, eu gostei da parte onde trancou aí com o pinó que eu tava falando, aí ele começou a chorar, jogar água pro lado. Eu gostei muito. Eu gostei muito do gatinho e da fada. Ah, é? Por que do gatinho da fada? Porque porque a fada fez o desejo do Pinóquio virasse boneco. Jura? E você já conhecia a história do do Pinóquio? Sim. É uma história que você sempre gostou? Sempre achou bacana? Sempre achei. E foi legal? Você já conheceu esse teatro aqui? Não gostou? Gostei. O que você mais gostou da peça? É a fada. Do quê? Da fada. Por que da fada? Porque porque ela fez o minóquio virado um um boneco virar o binóquio. Qual a importância, professora? Eh, dos estudantes, dos alunos. acompanharem uma peça de teatro, fomentando inclusive a cultura, a arte, a educação. Então, porque eu acho que muitas crianças, muitos alunos, eles só têm acesso à cultura muitas vezes através da escola. Às vezes a família não tem essa condição de levar a criança para ver um espetáculo. Eh, não, muitas famílias não têm tempo, não tem acesso. Então, acho que a escola proporcionando esse momento, né, é fundamental para eles. Eles gostam, é um momento de interação, de conhecimento, de cultura. Afinal, cultura é importantíssimo, né, para para qualquer educação, seja escolar ou não, né? Cultura faz parte aí do cotidiano de todo mundo. É muito importante. Ajuda inclusive no desenvolvimento da criança. Ah, com certeza, né? maneira de retomar o que foi apresentado no espetáculo, a oralidade, a compreensão, interpretação, eh, uma criança um pouco maior de da escrita, o que representou essa peça teatral para as crianças. Então, tem vários tipos de trabalho que a gente pode desenvolver com os alunos. Conexão Cultural de volta. Estamos agora no segundo bloco para continuar conversando aqui sobre arte, educação, peça infantil, Cia Santa. Estamos com o Jorge Fantini, que é diretor aqui da CIA Santa para bater um papo conosco, falar eh sobre um pouco da história aqui. Tudo bem? Antes de mais nada, muito obrigado por novamente a gente bater esse papo agora no Conexão Cultural. Beleza, Jorge? Opa, que bom receber vocês, a equipe toda. É muito bom vocês estarem aqui com a gente mais uma vez. Boa. Bora contar um pouquinho sobre a história aqui da CIA Santa, que é super conhecida a Seia Santa em Campinas, fora da cidade também faz um trabalho espetacular. É, o grupo ele nasce de um movimento de teatro amador a que existia há 55, 56 anos atrás, 1900 e final dos anos 60 e início dos anos 70. Desse grupo amador, eh, estávamos juntos. Crispin sempre foi o principal líder, a pessoa que conduzia. E a gente conversava muito, garotos ainda, né? Há 55 anos atrás, eu era bem jovem, tá? Vamos deixar isso bem claro. E a gente conversava muito, como é que a gente consegue fazer um movimento e teatro? Mas profissional, eu quero só fazer isso na vida. Eu não quero fazer outra coisa. Eu não quero ser alguma coisa e fazer teatro, não. Eu quero fazer teatro. Essa é a minha profissão. E começamos trabalhando e pensando nisso e fomos à luta. A gente trabalhava muito com a Fecanta, né, a Federação eh Campineira e Teatro Amador. Aí tivemos que nos afastar um pouco e sair a luta. E daí surgiu uma ideia que a gente vendia ingresso nos eh fazia pedágio, né, principalmente na região do castelo, vendendo ingresso pros paraas pessoas. assistirem teatro. Normalmente a gente fazia eh trabalhos de Martins Pena, então comédias, né? E aí o que acontecia que você vendia quando muito 30, 40, 50. E alguém falou: "Pô, vamos vender para eh ingresso para criança. Criança tem mais, é mais bacana. Vamos tentar. Vamos. Mas naquela época nós estamos na André, era uma situação complicada, era época da ditadura. Então como é que a gente ia entrar dentro de escola? Aí a gente foi e a gente percebeu que professor e diretor de escola não queria saber de proibição, eles queriam mais é ter cultura. E aí começamos o movimento que nós que que o Crispin criou o nome de a escola vai ao teatro. Ele criou esse nome. Aí começamos a rodar o Brasil. Claro, quando você fala rodar o Brasil naquela época para saber como é que se faz esse trabalho voltado à criança, você vai perguntar para quem faz mais tempo, né? Aí você pergunta para um camarada e o camarada te responde: "Ô, como é que é fazer teatro para criança, Guarniere"? Aí o Guarnierei responde: "Vai igualzinho fazer para adulto, só que tem que ser melhor. Como assim melhor?" Fale: "É porque o adulto ele é sempre gentil". Ah, que bacana. Eu vi. A criança é sincera. A criança não. A criança ela levanta fala: "Mamãe, tô com vontade de fazer xixi. Mãe, quero ir embora. Esse agora tá chato. Então, e é assim mesmo, porque eu tenho um filho de 5 anos e meio. É assim mesmo. Verdade. Aí a gente começou, falou: "Bom, então vamos aprender aí correndo para cá, correndo para lá, descobrimos em São Paulo o Alceu Nunes no Teatro de Alícia. Foi fantástico. O Alceu nos atendeu super bem. é um grande ator e um grande dramaturgo e nos deu um monte de dicas. A gente pegou e saiu fazendo que nem doido. E aí uma coisa que a gente fazia em 10 meses levar 500, 600 pessoas para assistir teatro, a gente fazia em um dia. É. Aí mudou. Falou: "Opa, nessa mudou patamar". É. Aí, opa, vamos brincar sério. Aí nós fomos pro Rio de Janeiro, conseguimos um texto chamado As aventuras de um diabinho malandro da Maria Helena Kuner. Eu acho que é isso mesmo. Acho que é da Maria Helena Kuner. E ela nos deu o texto, fizemos naquela época, precisava de fazer a submeter o texto à censura federal, passou e aí fazer uma um ensaio pra censura federal, o que era horroroso, era muito desagradável que uma pessoa do teu lado falando isso pode, isso não pode. Não era muito chato, mas conseguimos aprovar e fizemos aquele espetáculo e muito bem feito, ficou muito bonito. E ali, dali paraa frente nós nunca mais paramos, André. Nunca mais. Isso faz quantos anos já? 53. A gente começou em Campinas, aí aumentou para Sumaré, aumentou para Jundiaí, aumentou para que ano foi isso, 1972, 72 começamos e aí foi a coisa foi embora, foi embora, foi embora. Aumentamos para todo o estado de São Paulo, fomos chamados para fazer um programa de cultura em 62 cidades do estado de São Paulo. Que beleza, hein? fazer, a gente fazer o teatro infantil. Foi lindo, maravilhoso. Foi a primeira grande, o primeiro grande programa que nós fizemos. Aí aumentamos e fomos pelo saímos daqui para Curitiba, para Belo Horizonte, eh, pro Maranhão, fomos pro Mato Grosso, Porto Alegre e fomos embora. O Brasil todo rodando até chegar no momento que saímos do Brasil. Aí aqui na nossa América Latina, né? Ficamos aqui mais no CONI Sul, no Paraguai, era lugar a Argentina. Aí subimos para Colômbia, eh, Venezuela, fomos embora até chegar na América do Norte, onde trabalhamos em Nova York e trabalhamos em Atlanta. Que beleza. Programa de sempre com teatro voltado para criança, porém nós nunca deixamos de fazer o teatro para jovem, para adulto. Boa, Jorge. Com sede própria inaugurada em 1997 aqui na em Campinas, né, o Teatro Escola Cia Santa eh se consolida como um importante espaço de criação artística, educação e convivência cultural. Olha só que coisa bacana, pessoal. O projeto, portanto, promove apresentações teatrais de graça para estudantes da rede pública do Eja, né, que todo mundo sabe, é o ensino de jovens e adultos também eh público espontâneo, além de oficinas eh formativas para professores e ações pedagógicas voltadas à comunidade. Cara, bem legal o trabalho de vocês, bem bacana. tava eh inclusive a gente já conversou e tudo mais, já teve o primeiro bloco, né? Eh, legal essa peça também do Pinóquio. Voltei paraa minha infância, viu, Jorge? Porque é bacana, né? Eh, o o teatro, uma coisa que a gente eh gosta de fazer é escolher bem o conteúdo sobre o que que nós vamos falar. Então, quando apareceu a ideia do Pinóquio, né, a gente sempre coloca isso, né, que a a verdade, André, é melhor, você é um jornalista, vocês são jornalistas, vocês sabem disso. A verdade é sempre o melhor caminho, a melhor coisa do mundo. Por mais ruim que ela seja, por mais difícil que ela seja, a mentira quebra a perna da gente. É, né? A partir do momento em que você tem uma mentira, você fala: "Puxa vida, não sei o que falar, não sei o que fazer, né? Com certeza. Então, levar a ideia de discutir com a criança sobre a mentira é muito bacana. E o Pinóquio, né, eh, do Colode é lindo, vale a pena, como os outros espetáculos que a gente faz, a gente sempre procura realmente algum contexto, algum conteúdo que gera a vontade do falar, que gera a vontade do da de praticar a humanidade. Vamos conversar sobre isso. Vamos ler mais Pinóquio, tem tantos livros sobre. É, entende? Então, a gente gosta disso. E as nossas encenações têm uma característica interessante. A gente gosta de mostrar o que é muito difícil. Então, todos os espetáculos eh nosso tem alguma coisa que pega. Por exemplo, a cena do Pinóquio da baleia, tá tá rolando agora lá embaixo. O que que é a cena da baleia? É a cena que o pai Gepeto sai procurando e na praia chega uma baleia e que tá ali no mar, ele tem que atravessar para ir na ilha da fantasia e a baleia engole ele. Isso a gente conta no teatro, né? Nós não, nós representamos. Então ela tem uma baleia, tem um mar que abre todo o palco, que é a ideia é sempre essa, é mexer com a imaginação da criança também, do professor, né? Bom, tô dando uma olhadinha aqui. A companhia de teatro CIA Santa é uma associação eh dirigida pelo Crispin Júnior e pelo Jorge Fantini, que está aqui conversando conosco, com um quadro social de mais de 30 artistas cooperados, não é? Ao longo de 52 anos de vida, se a Santa produziu mais de 60 espetáculos para todas as idades. Eh, no repertório produzindo, estão obras realmente bem bacanas, bem conhecidas, que vocês inclusive foram premiados já, né? Ah, já ganhamos muitos prêmios. a fizemos muitos trabalhos com o Doziraldo, por exemplo, lá no início da carreira do Ziraldo, a gente fez vários trabalhos dele, ganhamos prêmios. Eh, a gente sempre fazia temporada em São Paulo, no Rio de Janeiro, a gente era muito ligado ao Sesc. Então, a gente ficava inaugurando os teatros do Cesc, alguns teatros em São Paulo, Rio de Janeiro, a parte do teatro infantil, a parte do teatro para criança, eh sempre nós éramos chamados para fazer a parte de inauguração. Então, tinha um espetáculo adulto com Hreat Murin e um espetáculo infantil com a Cia Santa santa. E a gente ficava um mês, dois meses em cartaz. Tudo isso. Teve um momento engraçado que eu acho que é importante comentar. Chegou um momento, a gente vai ficando velhinho, né, gente? Puxa vida, né? Tá com quantos anos, Jorge? 73. Garotão ainda. Ah, um jovem. Aí, de acordo com o meu neto, é 74. Que diz ele que a partir do dia que você fez uma idade, 73, você já não pode mais pensar nela, tem que pensar na próxima. É, meu neto fala isso para mim. Então, vamos lá. 74, né? Eu e a gente começou a pensar numa muita gente começou a fazer teatro infantil no Brasil, todo de muito boa qualidade. Nós temos um teatro paraa infância juventude lindo, maravilhoso. Aqui na nossa região tem vários grupos que tem trabalho que você olha e fala: "Que coisa maravilhosa, como é bem feito", não é? Então isso no Brasil todo ocorre e a gente percebe que o Brasil é um país de quase 6.000 eh municípios, né? São 5774. Se de ontem para hoje não mudou, que muda, né? Vai aumentando. Aí a gente falou: "Pera aí, quantos municípios pequeninos tem?" Aí a gente foi olhar abaixo de 10.000 1000 habitantes, André. Metade, 2700, abaixo de 10.000 habitantes. Opa, pera aí, pera aí. E esse povo, né, que eu me lembro de uma discussão que nós tivemos lá atrás no início da discussão com o professor Juanê, que ele faz uma pergunta, né? Mas o Chico Boarque não é brasileiro? É, ele não pode ter incentivo à cultura só porque ele é famoso. Ele é famoso, ele é maravilhoso, ele é brasileiro, ele também tem direito. Porém, vamos criar uma lei ruani específica para os grandes. E naquela época foi criado, mas essa frase, ele também não é brasileiro, marca muito. Então, por que não a gente ir para essas cidades, mas com toda essa estrutura? por não vamos embora. Vamos embora. E aí aconteceu há 15, 20 anos atrás uma coisa fantástica. Foi o LED, foi a digitalização de tudo. Então, antigamente a gente viajava com aqueles hacks, né, Walter, que tinha que levar aquele negócio enorme para gerar energia. Era tudo muito complicado, as câmeras eram pesadas, que era o diabo, era tudo difícil, agora não, tá tudo leve, tá tudo fácil. E a gente saiu rodando com muita luz, muito som, eh, levando tudo isso paraas pequenas cidades. André, isso é uma coisa tão gostosa. E aí quando a gente veio pro Parque Santa Bárbara, a lógica não seria ir pro Taquaral, pro Castelo, pro Cambuí? Não, vamos para onde realmente a gente é importante. Quando nós chegamos aqui, legal, isto aqui era foi o começo daqui da região. Eu eu inclusive apresentei o meu bairro na TV aqui do Parque Santa Bárbara. A gente veio aqui na CIA Santa, conversou com o pessoal. Eh, bem legal, realmente. Bom, pessoal, eh, a CIA Santa, para se ter uma ideia, mantém em cartaz o repertório com 19 espetáculos, eh, sendo nove de teatro infantil. Olha só que coisa bacana. Nove de teatro infantil, é, seis de teatro corporativo, dois de teatro juvenil adulto, um de Natal e um show infantil. É um verdadeiro festival de teatro para todas as idades e gostos. A CIA Santa também cria, produz, desenvolve, instala projetos eh de ambientação escenográfica para eventos também, claro, cria e produz eh bastante eh peças, não é? Teledramaturgia sobre encomenda, bem bacana, bem legal, é uma referência, certamente, né, Jorge? É, é a a proposta é sempre levar uma coisa que nós acreditamos. É possível. É com organização e disciplina. É, é possível. E o nosso povo adora consumir cultura, o povo brasileiro. Então, se você chega com uma com uma proposta séria, tá aí, você consegue mandar bala e fazer e divertir, se divertir, né? Essa é uma delícia. É o que nós sabemos e gostamos de fazer. Bom, pessoal que e queira vir prestigiar uma peça, como faz? Onde acompanha? Ah, acompanha no É só colocar lá teatro se a Santa Já vai aparecer, aparece data Facebook, eh, Instagram, tem toda a programação e esses projetos que nós escrevemos e e realizamos que sempre são gratuitos, tá? Agora, fora esse eh esses projetos, a gente busca também atender instituições. Claro, sempre que é possível, a gente vai buscar instituições para trazer para cá, né? Então temos também, claro, o ingresso vendendo eh na bilheteria, mas nós estamos sempre abertos e queremos fazer o quanto mais e melhor possível dentro da nossa eh capacidade e fragilidade, vamos dizer. Maravilha, Jorge. Eh, pra gente finalizar aqui o Conexão Cultural, a gente já mostrou no primeiro bloco a peça, não é? eh, do Pinóquio, super legal, super bacana. Eh, para finalizar, que que você espera aí pros próximos anos, eh, da CIA Santa e tudo mais, que você, qual que é a sua expectativa, sua Primeiro, claro, a gente espera que o nosso Ministério da Cultura, que nós lutamos tanto para ter, lutamos muito, queremos que seja sempre para sempre mantido e que a população brasileira compreenda a importância de ter o Ministério da Cultura, tá? Primeiro, segundo, que as leis de incentivo continuem acontecendo e que a gente consiga, não o grupo se santo, não o nosso coletivo, mas os coletivos do Brasil todo, geral, né, geral de música, de dança, eh eh de artes plásticas e todos eles, todos consigam realizar programas e trabalhos que sejam levados a toda a população, sempre considerando dessa forma, não me importa. Tem gente que pode pagar R$ 70, R$ 80 o ingresso, tem gente que não pode. Tem gente que não pode. Então nós não podemos excluir. Nós temos que sempre dar essa continuidade. Então isso é o que a gente quer, para isso é que a gente luta, para isso existe esse espaço físico que eu tô passando por aqui, indo embora, mas o espaço tá aqui, vai continuar, vai continuar e queremos que continue com esse bando de jovem que tá lá em cena lá embaixo, palco, mandando balas, se divertindo, divertindo professores, crianças. É isso que eu espero. Obrigado, Jorge. Mais uma vez. Obrigado vocês. Obrigado, rapaziada. Que bom estar junto com vocês de novo. É isso aí. Valeu, Jorge. Estamos aqui com Walter, com o Valdecer, os nossos repórteres cinematográficos aqui do Conexão Cultural. Tá bom, pessoal? Muito obrigado pela sua audiência. É, esse certamente foi um programa muito especial. Valeu e até a próxima oportunidade. Ciao. เ