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Conexão Cultural | Dona elza: arte, envelhecimento e transformação com verônica fabrini
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Conexão Cultural | Dona elza: arte, envelhecimento e transformação com verônica fabrini

37 views Publicado 24/11/2025 HD · 34:15

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No Conexão Cultural de hoje, mergulhamos no universo sensível, poético e profundamente humano do filme “Dona Elza”, obra gravada inteiramente em Campinas e que celebra a força da arte como agente de transformação. Em nosso segundo bloco, recebemos Verônica Fabrini, atriz, encenadora, pesquisadora e professora da UNICAMP, que interpreta a professora de teatro da personagem Elza — uma figura determinante na jornada de autodescoberta da protagonista. A gravação acontece em um cenário carregado de significado: a Sala dos Toninhos, espaço histórico onde a verdadeira Dona Elza fez suas aulas de teatro e onde Zélia — inspiração real para o filme — deu os primeiros passos para reencontrar seu propósito de vida. Voltar a esse local para ouvir Verônica é revisitar a trilha afetiva da arte que transforma, cura e reconstrói identidades. UM FILME SOBRE RECOMEÇOS “Dona Elza” conta a história de uma professora aposentada (interpretada brilhantemente por Teca Pereira) que, após a morte do marido, se vê sozinha depois de anos dedicados exclusivamente à família e ao lar. Em meio ao luto, Elza decide sair de casa e redescobrir sua própria cidade. O acaso a leva a uma aula de teatro — e esse encontro reacende um antigo sonho: o desejo de ser atriz. O filme, inspirado na história real de Zélia, mostra que a arte é capaz de reacender o que parecia apagado, devolver brilho, ampliar mundos e reconstruir o que a vida, às vezes, desgasta. É uma narrativa sobre liberdade, coragem e reinvenção, especialmente na maturidade — fase tão pouco representada com protagonismo nas telas. A FORÇA DA REGIONALIZAÇÃO Gravado 100% em Campinas, “Dona Elza” é também um marco da produção audiovisual regional. O longa reúne profissionais da cidade e de mais de dez municípios do interior paulista, valorizando talentos locais e reafirmando o compromisso com a diversidade geográfica do cinema brasileiro. Segundo o diretor de produção Bruno Lottelli, a obra representa “um momento chave para fortalecer raízes, inspirar profissionais e mostrar que é possível criar projetos de padrão internacional no interior paulista”. É audiovisual orgulhosamente caipira, pulsante e cheio de identidade. VERÔNICA FABRINI — ARTE, PESQUISA E POTÊNCIA Nossa convidada, Verônica Fabrini, é uma das grandes referências das artes cênicas no Brasil. Professora do Instituto de Artes da UNICAMP desde 1991, atriz, encenadora e pesquisadora, ela transita entre teoria e prática com profundidade rara. Seu currículo inclui: bacharelado, mestrado e doutorado em Artes Cênicas; pós-doutorado em Filosofia pela Universidade de Lisboa; Livre-Docência em Artes do Corpo (UNICAMP); participação em grupos de pesquisa como PINDORAMA e ÍMAM; co-criação dos ENCONTROS ARCANOS, evento acadêmico-artístico sobre imaginário e artes da cena. Em “Dona Elza”, Verônica entrega uma atuação sensível como a professora de teatro que acolhe, inspira e guia a protagonista em seu renascimento artístico. Na entrevista, ela compartilha processos de criação, referências, reflexões sobre envelhecimento na arte, sobre o papel transformador da performance e sobre a importância de humanizar as histórias que contamos — especialmente as que envolvem mulheres maduras, fortes e reais. ARTE COMO REEXISTÊNCIA A presença de Verônica Fabrini no Conexão Cultural reforça a essência do filme: a arte é um território onde todos, em qualquer fase da vida, podem se reinventar. O trabalho dela — aliando pesquisa, prática e afeto — mostra como o teatro é um espaço de encontro, cura e expressão profunda do que somos. Ao assistir a este episódio, você vai entender por que “Dona Elza” emociona plateias e se torna referência para quem busca narrativas sensíveis sobre maturidade, autonomia, memórias e reconexão com o próprio desejo. Este programa é uma celebração da arte feita em Campinas, por artistas que vivem e respiram a cidade — e que agora levam ao público uma história que atravessa gerações. Assista, comente, compartilhe. A arte só existe plenamente quando é vivida em comunidade. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Conexão Cultural. Hoje nós vamos conversar sobre o filme Dona Elsa. Bem bacana. Tem várias coisas interessantes que a gente vai falar. Estou aqui com o Iro, que é o diretor do filme, uma baita de uma responsabilidade. Antes de mais nada, muito obrigado por nos receber aqui. Tudo bem? Tudo bem. Eh, boa tarde, bom dia, no seu horário que vai. Bom dia, boa tarde, boa noite, assim vai [risadas] a hora que o pessoal estiver assistindo. Eh, esse filme foi dirigido por mim e pelo Diego da Costas, né? A gente sou amigo desde infância, né? Então, foi bem legal encarar esse desafio de dirigir esse filme aí. Bom, vamos falar um pouquinho sobre eh do que se trata o filme, né? Sim. Eh, esse filme fala sobre uma mulher, né, que depois que o que o marido falece, ela descobre o mundo da arte, do teatro e começa uma revolução na vida dela, né, tanto pensando o que que ela pode fazer da vida, quanto se turmando mais com a comunidade, né, que a partir da ela começa a fazer teatro e chama os amigos do bairro para ajudar ela a fazer uma peça, né, boa. Então, antes ela levava uma vida e depois que o marido morreu, Sim. Eh, ela realizou um sonho que era justamente o de se tornar atriz. É isso. Isso. Ela é uma professora, né, de é uma professora de ensino fundamental, aposentada e com um marido eh aposentado também, que era militar e que não gostava muito que ela fizesse as coisas, né? Ele podia ir no bar, jogar sin cuca, ficar com os amigos, mas ela tinha que ficar cuidando da casa, né? É outros tempos, né? É, exatamente. Bom, eh aqui eu tô com a, eh, com um resuminho aqui do filme, galerinha, para passar para vocês também que estão conosco aqui assistindo ao Conexão Cultural. Bom, vamos lá. Então, só pro pessoal ter uma noção, eh, após a morte do marido Elsa, que é a Teca Pereira, né, depois você vai falar um pouquinho dela, [roncando] inclusive, é uma professora aposentada, dedicou a vida toda a família, ao lar, não é? Eh, depois ela acabou ficando um pouco sozinha, não é? É um pouco isolada. Aí quando o marido morreu, a partir daí ela redescobriu a cidade e começou uma aula de teatro. Só olha só que interessante esse encontro despertou nela um antigo sonho, como ele tava conversando de se tornar atriz levando a embarcar [música] nessa eh jornada aí de autodescoberta bem legal, uma transformação pessoal. Portanto, inspirado na história de Zélia, o filme Dona Elsa destaca força também a necessidade da arte em nossas vidas, mostrando que em qualquer fase a arte pode ser é um agente transformador. Olha só que legal, pessoal. A dona Elsa é uma celebração da arte também aí da capacidade humana de se reinventar independentemente da idade ou das circunstâncias. É isso, né? É isso. É, inclusive, é legal falar que a gente filmou, né, a grande as aulas de teatro nesse espaço que a gente tá gravando aqui, né? Ô, que maravilha. É que aqui já tem aulas, né, de teatro. É, que é a sala dos toninhos. E exatamente aqui na sala dos Toninhos. E a professora da teca, né, da da Elsa, né, do personagem Elsa, ela também é uma professora de de teatro da Unicamp, recém aposentada. Então, a gente dialogou bastante com essa cultura de teatro que tem na própria cidade de Campinas aqui, né? É bem bacana. Estamos, portanto, na sala dos Toninhos, na Estação Cultura, conversando aqui com o Iro, que é o diretor deste filme. Qual o nome do filme? O nome chama Dona Elsa mesmo. Ah, o filme chama Dona Elsa. Perfeito. É, é um filme longo. Fale um pouquinho mais do filme, tá? Esse filme ele tá dentro de uma política da da Globo nacional de fazer filmes regionais, né, para mostrar as caras do Brasil, né? Eles têm toda uma equipe e eles saíram procurando produtoras do aqui da região, né? e fez uma chamada, né, que a gente chama de pitting, né, todo mundo apresentou seus projetos e o nosso foi selecionado e ele é baseado numa história real mesmo, né, que é a dona Zélia que você comentou que ela foi aluna de um curso parecido no Rio de Janeiro e a gente conhecia a professora e depois pesquisando aqui na cidade de Campinas a gente viu que tem bastante cursos de teatro para pra melhor idade e foi muito legal ver algumas élas aí até foi interess interessante que depois que passou o filme, a galera falou: "Não, eu conheço a dona Elsa". Aí o pessoal começou a É, mas como se ela morasse realmente na vila industrial, né? Que é uma das coisas que a gente quis foi ressaltar aqui o bairro, né? Que a gente tá, a gente filmou inclusive aqui a casa da personagem aqui perto também. Então foi foi bem legal. O o filme foi todo filmado em Campinas. Exatamente. É. Nenhuma cena fora da cidade? Não. Tô todo filmado aqui em Campinas. Bom, a dona Elsa, ela é campineira. A personagem, sim, mas a original é do interior do Rio. Ah, perfeito, perfeito. Não, original, sim, ela é do interior do Rio. Mas quem a atriz é daqui de Campinas? A atriz não. Não é a Verônica? Sim, a Teca Pereira é atriz principal que não, né? Ah, tá perfeito. E a E a Verônica éa professora do Unicamp, então foi muito legal o quanto que ela pode colocar da vida real dela ali na personagem. Inclusive, nós vamos conversar com a Verônica no segundo bloco aqui do Conexão Cultural. Vamos bater um papo. A Verônica Fabrine, que é atriz e fez a professora de teatro da dona Elsa no filme, né? Exatamente. É isso aí. Eh, quais foram os principais desafios assim para dirigir esse filme, cara? a assim, um desafio que a gente se colocou, né, e também a Globo de trabalhar com a equipe local, o elenco local e a gente tentou o máximo fazer isso, né? Só que eh a aqui é muito forte teatro, mas o cinema, apesar de ter dois cursos muito fortes, ainda não temos uma indústria tão forte, né? Então a gente falou, vamos unir forças tem pessoal de Sorocaba, de de socorro que é que é da onde eu vim aqui de Campinas. Então a gente uniu interior que a gente tem uma rede que chama ISine dos Ah, que bacana dos técnicos e cineastos do interior de São Paulo. E foi através desses contatos que a gente conseguiu nir essa equipe bem legal. Por exemplo, tem a Mari Altari, que é a diretora de arte, tem a Gabi, que foi Pelicinoto, que é produtora de elenco, o Figuru Anaqu eh produtora de objeto Marino Nosita, todo mundo aqui de Campinas, né? Então foi bem legal eh trabalhar com a equipe daqui e colocando os detalhes daqui, né? Por exemplo, todos os objetos, os figurinos, foi tudo de pesquisa realizada aqui na cidade, né? Então tem bastante detalhezinhos no filme que você que você vai ver que tem pedaços de Campinas ali, né? Ah, que legal. Quais foram Quais são esses pedaços de Campinas aí? Ó, a gente filmou aqui na Sala dos Toninhos, aqui na Vila Industrial, no Taquaral tem cena também. É, eh, ali em Barão Geralda foi a casa de uma das amigas da dona Elsa. Então, praticamente no centro também a gente filmou bastante. Eh, rapaz, só tem vários pontos aí, né? É, isso foi uma das prerrogativas ali, né, desses telefilmes, mostrar a cidade, né? E a gente ficou bem contente pelo feedback também, né, das pessoas na internet, né, que foram relembrando, né, às vezes pessoa nem mora aqui, mas viu, ó, eu lembrei de quando eu morava na cidade, então foi muito. Ô, Iro, quanto tempo eh demorou a produção? Ah, ela foi, quer ver? O processo eh seletivo começou em julho de 2023, foi até meio que dezembro. Então, a gente teve 2024 inteiro para realizar o filme pra gente conseguir lançar em dezembro e em janeiro, né? Bom, e o pessoal que tá em casa, eh, com certeza absoluta tá perguntando: "Puxa vida, mas eu quero assistir esse filme, me identifiquei com a história. Eh, onde eu assisto esse filme?" Eh, por enquanto ela tá passando na Globo, né? Eh, eles passam ali nos nos horários alios. Acho que ele já passou umas quatro, cinco vezes, né? Em rede nacional, inclusive. E agora ele vai entrar num streaming gratuito. Qual que é? que é a SPCINPL, que ainda a gente tá fazendo os últimos detalhes, ajustes, mas acho que acredito até o final do ano esteja aí no ar, vai ficar um ano disponível para todo mundo ver gratuitamente no Brasil inteiro, né? Então fica aí o convite pra galera assistir que tá muito emocionante, ótimas atuações e a cidade de um jeito diferente aí para vocês. Bom, e a gente já falou isso no início aqui, né? Mas eu imagino que eh o recado, embora eu vá te perguntar, mas o recado, a mensagem que o filme quer passar é justamente esse que é do do que eu não tenho idade para você realizar um sonho, mas enfim, você que você que fala aí. É, acho que a ideia também é qual a mensagem principal que vocês quiseram passar é que a gente acha que muito importante que às vezes a arte fica muito elitizada, só pensando em números, em prêmios e o mais legal é na vida vida, no dia a dia das pessoas, né? Às vezes a pessoa trabalha ali o dia inteiro, pega um violão, faz uma música, né? A gente quis passar essa mensagem que a arte para além de um de um ofício é também qualidade de vida, bem-estar, eh reflexão, né, sobre sua própria vida, né, que que leva uma uma pessoa de idade, né, fazer teatro, né, teoricamente é só quantos anos ela tinha a personagem quando não é a a Sim, acho que uns 60 quando ela fazia e ela e ela morava não não morava nem na capital, ela ficava viajando. de ônibus ainda lá no Rio. É, ela e a gente adaptou aqui, né, pro Vai e vem aqui de Campinas também, né? E e é bem legal ressaltar que tem muitos muito teatro aqui em Campinas e foi até meio difícil a gente escolher um, né? E a repercussão do filme foi bem bacana. Foi foi muito legal porque a gente passou depois do Big Brother, né, na rede nacional, tivemos um número 16, quase 17 milhões de espectadores, né? Coisa que no no cinema é muito difícil de alcançar, né? Na TV aberta você consegue e, né, nas redes sociais as pessoas comentando. Ah, é igual a minha avó e o cara mora no interior do Pernambuco. Lembrei da minha mãe, eh, inclusive no CESC, né, um amigo falou assim que tava lá e falou: "Ah, eu vi um filme ontem da senhorinha, foi muito legal, me deu vontade de fazer teatro". É. e e várias pessoas eh se identificam, né, eh com essa história. Por isso que é é interessante a arte, né? Você eh tudo deve, lógico, ter um uma finalidade, um motivo e uma mensagem, né? Uhum. E quando as pessoas se identificam com o filme, quando as pessoas se identificam com a história, eh com aquela trajetória, aí eu acho que o objetivo foi alcançado, né? Sim. E é, a gente ficou muito feliz de porque a gente gosta de fazer filme pras pessoas verem mesmo, né? Que dialoguem com as pessoas. Então, foi muito legal conseguir dialogar com o Brasil de forma tão ampla assim. Boa, muito obrigado por nos atender. Que isso? Um abraço. Valeu. Um abraço. Conversamos com o Iro, como pronuncia o seu sobrenome? Isicaua. Irochikaua, diretor do filme, conversando conosco aqui no Conexão Cultural. Lembrando que a gente vai para o intervalo e na sequência Verônica Fabrini, que é atriz e fez o papel de professora de teatro da dona Elsa. Não saia daí, a gente volta já já. [música] [música] A vida não termina. [música] [música] Conexão Cultural de volta agora no segundo bloco com a Verônica Fabrini que fez o papel de professora de teatro da dona Elsa. Tudo bem Verônica? Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural. Tudo bom, André? Então, eh, olha só, foi caber para mim esse personagem da Isabel, que na no filme era professora de teatro, né? E a dona Elsa é muito interessante como é que ela vai caindo nesse mundo da arte eh pelo acaso, né? E é justamente esse encanto por essas outras belezas, né, que vai levando ela, porque no filme ela, assim que o marido morre, né, depois de filho criado, neto criado, ela sai, sabe esse momento difícil da gente mexer com papelada, né? E aí tem uma cena até comovente indo lá, né, no fórum, essas coisas. E quando ela tá voltando para precisa carregar o celular, ela passa aqui pela Estação Cultura, né, que a direção de arte teve esse trabalho e a direção como um todo, né, muito cuidadoso de escolher locações fantásticas, né? Então, ela tá passando por aqui. Primeiro ela escuta uma música, ela tá precisando carregar o celular e quando ela dá tem eh umas meninas ensaiando um funk, algo assim, né? Logo aqui, que é o pessoal que faz, né? Todo esse trabalho de dança urbana. aquilo já encanta ela. Ela entra mais um pouquinho, tá tendo uma exposição com os painéis enormes e tem uma foto muito grande da Alessandra Ribeiro, da da fazenda Mestre Dito, né? E e também tem aí também essa conexão tanto ancestral, né, de ver essa quase, né, deusa negra, né, naquele painel lindo, ela vai começando a perceber quase que um outro mundo, né? Aí quando ela dá mais uns passos, bumba, ela cai numa aula de teatro que ela mal sabia o que que era, né? Ela vai tentar ligar o celular aí do nada, do nada. E aí a professora, né, no caso que que eu interpreto, pergunta, né, se ela não quer experimentar, né, vim aqui paraa aula de teatro e ela eh que já vinha, né, e o filme tem isso de bonito de construindo esse desejo dela aos poucos, né? Então a gente não sente como assim, a senhora reprimida que de repente agora vou fazer o que eu quero. Não, o filme é muito delicado, né? Ele vai construindo esse reconhecimento eh da dona Elsa enquanto sujeito de si, né? A partir desses momentos, é a dança, é a exposição, depois a aula de de teatro, né? E durante a aula, aí sim ela vai realmente tomando posse, né? de que não só ela pode observar e curtir, né, o que que a arte pode trazer, mas que ela também pode fazer, que ela também tem isso dentro dela. E isso eu acho muito delicado no filme, porque é independente da da idade, né? Independente de eh Isso é muito legal, né, Verônica? independente eh da idade. Eu acho que a pessoa pode eh buscar o sonho, né? Porque muitas vezes fala: "Puxa, mas não não acho que não não tenho mais idade para isso". E assim, independentemente de qualquer coisa, né, de idade, de dificuldades, ainda é possível buscar o sonho. Acho que o o filme inclusive retrata isso, né? Sim. Até mesmo, né? o eh os outros personagens, né? A a dona Elsa tem uma amiga fiel, né, que também tá eh no curso de teatro, que num determinado momento, né, porque o teatro sempre vai levantar eh as nossas memórias, as nossas sensibilidades, né? E num determinado momento da aula, essa colega que era ponta firme, né, desiste curso. Dona Elsa fica assim muito eh tocada, né, com essa desistência, mas é bacana como essa mesma personagem logo se recupera e vai ajudar a dona Elsa na construção do do sonho dela, né? E é bacana porque eu acho que o que o roteiro ele conseguiu fazer uma coisa muito em paralelo, né? Porque às vezes eu me pergunto se também o teatro não é uma arte que tá eh a ponto de ser abandonada, né? Quando a gente vê os próprios espaços da cidade e tudo mais. E no filme, a primeira coisa é essa colega que desiste. A segundo, o segundo impedimento dela é o curso que fecha. Olha só. né? Então assim, mostra isso, as dificuldades, os obstáculos, né? É. Uhum. E mesmo assim com com a colega, que seria o lado mais afetivo dela, né? Desistindo, o curso, que seria, vamos dizer assim, o apoio mais social, né? Eh, eh, econômico, social a essa arte que é o teatro, né? também é tirado dela. Mesmo assim ela eh insiste, né, para eh eh para para com na verdade aí é uma coisa até ambígua, né? A gente pensa, tá, é para realizar o sonho dela ou para ela contar uma história que precisa ser contada, né? E isso eu acho que é é muito bacana no filme, porque ele tem esse apelo, vamos dizer, sentimental, né? É que falando da vida de uma pessoa, mas ele não deixa de de ter também um apelo quase que assim, eh, filosófico, existencial, né? até quanto você é capaz de bancar não só os seus sonhos, mas os sonhos que precisam ser contados para toda uma sociedade. Eh, inclusive no começo, né, antes da gente começar a nossa gravação aqui, né, Verônica, eh, eu achei que a dona Elsa havia sido eh inspirada numa mulher específica, né? Eh, mas não. Eh, a dona Elsa foi uma personagem criada e e que na verdade, é isso que eu quero abordar com você, é embora não tenha sido inspirada numa eh numa mulher específica mesmo, ela de fato ela retrata a história de muitas mulheres aqui no Brasil, né? Com certeza. Com certeza. Tanto que a a essa questão, né, do patriarcado e do machismo, a gente consegue, né, ver no tipo de relação dela com o marido, sempre servindo, né, eh também com eh na relações pessoais da dona Elsa, proibindo ela de certas amizades, né, eh não gostando muito que ela cantasse, né? Então, a gente vai vendo aos poucos, né, uma vez eh o marido morto, vamos pensar assim, né, tirando, né, o patriarcado de lado, né, como que ela se eh se torna mais ela mesmo, né? Nem uso essa palavra empoderar, que eu acho uma palavra até um pouco antipática, mas ela toma eh é toda essa coragem de ser ela mesma e qualquer pessoa que é ela mesmo, né, tem essa força, tem essa potência, né? Boa. É, realmente é bem legal, bem bacana. Conversávamos também antes o início da gravação, eh, você tava me dizendo que foi um filme assim gravado com atores e atrizes de Campinas. Isso é muito legal, né? Isso. É esse traço local, né, que eu acho que é uma coisa assim eh muito importante, né? Ainda mais quando a gente tá num espaço, vamos dizer assim, entre aspas, né, do menor, né, não nos grandes centros e tudo, às vezes a gente tem uma tendência um pouco eh provinciana a achar que para ser bacana, para ser aceito, a gente precisa imitar, né, os grandes centros. Aí tudo vai se massificando, tudo vai ficando igual, né? As mesmas caras, muda o texto, inventam sotaque, mas é sempre, né, aquela mesma frequência. E eh toda a produção do filme teve esse cuidado de chamar, né, eh atores de Campinas mesmo. Eh, não só isso, né, mas eh eh toda a o cuidado com as locações. Ele foi filmado muito aqui na vila industrial, né, que é uma assinatura de Campinas muito eh que eu acho que é muito bonita, tem uma energia muito muito forte, né, do do que que é a cidade, né, do que que foi a cidade, né, que junta um pouco eh essas temporalidades, né, essa coisa mais industrial da casinha, onde era a casa da dona Elsa, a própria extração aqui, estação cultura, né? Então, sem aquela coisa um pouco, ai, vamos mostrar, tem até uma cena no taquaral, mas que é tão discreta e é tão bonita, né? Então assim, vamos mostrar os lugares da cidade assim como ele é, né? Cheio de alma mesmo, né? O ônibus, o calçadão, a quitanda. Então tem essa assinatura campineira, né? Sem querer deixar ela meio, sabe, rococó assim, né? Então isso é é muito legal porque fica muito humano. Então o filme ele tem uma dimensão bastante humana mesmo, né? Boa. É uma curiosidade, é no filme a dona Elsa, ela chega a aparecer com o marido ou ele começa já depois que o marido morreu? Ah, não. Começa o marido morrendo. Como? É a primeira cena. Mas mostra o marido. Tem um marido no filme? Tem, tem, tem o marido. Eh, já porque a a primeira eu também acho muito bacana, né? A primeira cena, né? A gente vê o o sofá assim e ele meio que só derruba cerveja, sabe? E ela tá varrendo o chão, né? Então é assim um um Nossa, o filme realmente olha, cada vez que eu revejo eu falo assim: "Nossa, olha que coisa". Porque e a qualidade das coisas mora muito nos detalhes, né? Então é tanto detalhe, era mais um filme, né? uma arte dessa. Vamos falar sobre a a sua personagem, Verônica, que era professora de teatro, né? Aquela que foi fazer com que a dona Elsa conseguisse aí realizar o sonho, eh, passar passar por esse momento importante na na vida dela. Como que foi aí a sua personagem, a professora de teatro? Foi fácil ensinar teatro pra dona Elsa ou não? Nossa, não. A Teca é uma atriz brilhante, né? Ela é assim, nossa, você piscou o olho, ela já tá, né, lá na frente. Ela poderia ser minha professora, ó, muito mais. Foi bastante engraçado, porque eu sou professora de teatro, né? Tem 40 anos que eu dou aula na Unicamp, né? Então, eh, eu falei: "Nossa, mas como é que é que eu vou fazer uma coisa que é meio eu, mas que também não é, né? Porque era era uma outra qualidade mesmo, né? Que que essa professora tinha?", mais muitas coisas eh incomuns, né? E eu fico pensando, nossa, o que que faz, né? E isso me levou muito a refletir, né? Eh, sobre a minha eh profissão, sobre o eh o que que realmente um professor de teatro ensina, né? E isso e e eu acho que pela história da Dana Elsa, a gente vai percebendo que que o teatro e mesmo o ensino do teatro ele é muito mais profundo do que providenciar eh um DRT pro narcisismo alheio, né? Então, o ensino do eh do teatro, eu acho que quando ele é feito com delicadeza, com profundidade e, né, na medida em que o estudante se coloca aberto, né, como dona Elsa se coloca, né, aberto para essa autodescoberta, é um ensino eh de construção do humano mesmo, né? tem um um grande diretor e professor de teatro russo, né, os russos de novo, que ele dizia que o ator é um ser humano profissional, né? Eu acho muito bonita essa frase e e eu acho que é isso que os professores de teatro buscam, né, trazer. É claro que depois tem, né, como que a pessoa vai atuar profissionalmente e tudo, né, mas especialmente nesse filme, no lidar, né, com a insistência da dona Elsa em realizar, né, eh o sonho dela, eh, me fortaleceu muito enquanto eu, na vida real, né, como professora de teatro mesmo. Boa. teatro é realmente eh além dessa questão que você citou, é algo bom para todo mundo, né? Com certeza. Eu acho que quando as pessoas fazem eh teatro tem mais facilidade de comunicação e tudo mais, né? É. É. Você como professora, logicamente é suspeita para falar, né? [risadas] Eu eu fiz até quando eh no colégio que eu estudava tinha eh teatro, eu fiz no primário um pouquinho. Eh, hoje será que as escolas elas têm aula de teatro? Olha, e mudando de pato para ganso, só para não perder esse, porque você falou da importância, isso é super importante mesmo, porque eh vamos dizer assim, acho que um momento muito chave no filme, né, que é, vamos dizer, a grande prova de fogo, né, é quando fecha o curso, né? Eh, e aí a dona Elsa fala: "Nossa, mas agora eu levantei tanta coisa, o que que é que eu vou fazer com isso?", né? E ela até fala: "Por que que eh por que que abre você vai fechar depois, né? Então, eh, eu acho isso muito, eh, muito importante, né? Porque se você tira essa dimensão, né, eh, não só do teatro, mas eu acho que especialmente, né, eh, do teatro, teve um momento, né, em que, eh, toda essa parte fazia parte, né, tanto no fundamental e aí seguia, né, e o que a gente vê hoje com o o sucateamento, né, da da educação, com esses novos eh planos de estudos, né? Então, o tanto que essas eh matérias que não são diretamente produtivas, né, como empreendedorismo, ah, até a palavra é feia, né, tudo isso vai eh tomando à frente, né, de matérias que te estruturam estruturam eh o jovem, a criança para esse convívio, né? o que que o teatro dá de de de uma certa inteligência emocional de relacionamento, porque você tá sempre se colocando no lugar do outro, né? Sempre esse esse jogo de se colocar no lugar do outro, né? É. Então assim, eh, eu fico imaginando mesmo, né? O tanto que isso poderia colaborar para uma formação saudável mesmo, né? Quantos anos, há quantos anos você dá aula de teatro, Verônica? Olha, na Unicamp. Bom, vamos ver se eu exagerei. Eu comecei a dar aula lá em 91. 91 na Unicamp. E já deu em outros lugares também aula. Não, antes disso, eu cheguei a dar aula e mais no infantil, né? Agora na na curso de graduação, assim tudo. Eu comecei com também tive teatro além do colégio. Eh, eu tive teatro também na faculdade de jornalismo da PUC Campinas. E eu lembro até hoje o os nomes dos meus professores de teatro. Ó, que legal. Eh, na no colégio o professor chamava Edgar e no na Edgar Riso, será? É, eu acredito que sim. Nossa, super pessoa importante do E na PUC Campinas foi o Paulo Afonso. Olha que bacana. Conhece também? Conheço um Paulo que eu não sei se é o Paulo Afonso. É Paulo Afonso é da faculdade de jornalismo. E Edigar é esse mesmo? O Edgar. Isso é é tive aula no primário do colégio. Olha que bacana. Então, já que a gente eh tá nessa pegada também, tá nesse papo, Verônica, um papo super agradável aqui, né, com a Verônica Fabrini, né, batendo um papo conosco. Ela é professora de teatro da aula lá na Unicamp. Olha só que responsa, hein? E pra galerinha que quer começar, que qual é a dica que você dá? Eh, a gente tá aqui na sala dos toninhos, na estação cultura, então o pessoal ouve um barulhinho, tal. Às vezes é o trem passando, às vezes é tão reformando, em reforma. É, [risadas] qual a dica que você dá para pro pessoal que tá querendo começar na na área do teatro? Eu acho que a principal dica é vá ao teatro, né? Não goste de teatro, se interesse por teatro, né? Quanto mais a gente assiste, porque realmente é um aprendizado muito especial, né? Que é sempre esse jogo em você, em você estar no lugar do outro e você ir afinando o seu olhar, né? eh afinando o seu olhar eh de e percebendo os detalhes, como é que se constrói uma cena, como é que eh cada ator trabalha, né, a as suas a sua expressão corporal, a a modulação vocal, né? Porque é é bem diferente, porque às vezes e muitos alunos chegam com isso lá, né, com uma referência muito da televisão, né, e teatro nosso é outra coisa, tanto que a gente adora receber quem a quem fez curso técnico, né? Nós agora na Unicamp estamos batalhando junto ao Cotuca de quem sabe conseguir criar um curso técnico, né? Eh, em teatro a gente tem por enquanto aqui em Campinas só no Carlos Gomes, né? Então, eh, mas acho que a primeira coisa é ir assistir e podendo muitas vezes, eh, eh, o CESC oferece oficinas com essas circulações, né, eh, às vezes pelos proaxs e tudo, sempre você vai achar um grupo que vem e que não só apresenta espetáculo, mas que também oferece oficina, né? Então isso de experimentar no próprio corpo, né, eu acho que é muito eh importante também, né? Então, assistir, se puder oficinas, que são muitas oficinas gratuitas, né? E e se puder o curso técnico e se tiver como, batalhe, pergunte, peçam, né? Vamos ver se a gente consegue esse projeto junto com o Cotuca. Valeu, muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural, contar um pouquinho, não é, sobre a sua história, falar um pouquinho sobre o seu papel no filme, Dona Elsa, foi muito legal falar sobre eh cultura, teatro. Mais uma vez agradecendo a sua participação aqui, Veron. Imagine, muito obrigada pelo interesse. Valeu, pessoal. Conexão Cultural. Muito obrigado e até a próxima oportunidade. Pois tenho [música] ele se foi. [música] Doei suas roupas. A cama do gato era sua poltrona. Ah, [música] eu todo [música] mundo grita. Elsa, tudo se agita. Elsa, a gente confia. [música] Nasceu novo dia. [música]
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