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[música] [música] Conexão Cultural, galerinha. Olha só, hoje eu tô super motivado, super empolgado, porque nós vamos falar sobre um assunto bem bacana, como nascem os filmes. Pois é, às vezes você em casa tem alguma curiosidade como como é feito o roteiro, como as pessoas se preparam para fazer o filme. Por isso, conosco aqui está o Hamilton, que é cineasta, super experiente, já fez muitos filmes, tá com a gente aqui. Aí, beleza? Tudo bem? Muito obrigado. Tudo bem? Opa. receber no Conexão Cultural. Obrigado. Boa tarde, gente. Quer dizer, não sei se é boa tarde, né? Mas é bom dia, boa tarde, boa noite. É a hora que o pessoal estiver acompanhando aí. Bom, vamos lá. Estamos no Centro de Ciências, Letras [música] e Artes, que tem mais de 100 anos, né? Sim. Esse aqui é praticamente assim, a cultura de Campinas, né? Ah, nasce aqui, né? É a partir daqui que se desenvolve, né? aqui e no teatro que você que a gente tinha antes na cidade, que era o Teatro São Carlos, né? Teatro São Carlos e e esse espaço aqui, o CCLA, são espaços que eh eles vêm da época dos Barões do Café. Puxa vida, é verdade. Que coisa impressionante. É o local assim de cultura mais antigo da cidade. Sim, sim. Tradicional. tradicionalíssimo, maravilhoso estar aqui. Aliás, é uma honra poder conversar com você nesse espaço. Não, sem dúvida, sem dúvida alguma, porque realmente a gente tá num espaço cultural extremamente importante, com uma história incrível, né? Bom, vamos então conversar sobre o nosso assunto, que é justamente como nascem os filmes, porque, ôton, as pessoas certamente têm muita e curiosidade para saber e tudo mais. Então, a primeira pergunta é justamente o nosso tema. como nascem os filmes. Então, olha, eh, eu acho que, eh, é uma pergunta complexa de você de você colocar assim se você considerar, porque assim, existem várias modalidades. Você pode ser contratado, por exemplo, um projeto de encomenda. uma pessoa chega, né, para você, né, um grupo, né, ou alguém chega para você e traz para você uma ideia, né, ideias de de uma narrativa que ele gostaria de desenvolver e daí você pelo projeto de encomenda você desenvolve o trabalho, né? A outra forma de de você [música] eh fazer criar uma um roteiro eh vem de você mesmo, né? uma coisa subjetiva que você viu, tal, e que aí te dá vontade de desenvolver aquela ideia. A outra forma seria acidental, de forma acidental, de repente você, né, você tá passando por algum lugar tal e de repente bate uma coisa e é começa a nascer um um um projeto, uma história subjetiva e esse projeto te leva para um lugar que você nem sabe qual que é. Que coisa impressionante, né? Então você você tem essas três modalidades, né, que acontecem. Eh, eu me atraio demais pela pela última modalidade, que é aquela modalidade que assim que você não tá esperando e de repente, pum, aparece um assunto e aí você, né, como a gente costuma dizer no improviso, né, Mil? Trabalha, é, não sei se é improviso, mas é na intuição, né? Ela começa, ela aparece de um lugar, você não tava com um projeto, nada, e de repente aquilo vai batendo tal e e vai amadurecendo e pum, aflora, né? Vou contar para você um caso, por exemplo, muito curioso que aconteceu comigo. Eu já trabalho, trabalho nas três, nas três áreas, tá? Eu já projetos de encomenda, eu faço, né? Projetos que assim que são subjetivos e e que assim surgem de de uma pesquisa que eu desenvolvi, né? E projetos, né, que foram acidentais, né? Mas vou te contar um acidental, um uma ocasião tinha acabado de me separar, olha só isso, tinha acabado de de minha separação no casamento. E eu comecei a frequentar botecos, né? E aí num desses botecos, né, eu reparava que sempre tinha uma senhora, né, que ficava num cantinho bebendo um suquinho de laranja. E eu ia todo dia naquele lugar, né, tava ali bebendo e tal, não [música] sei o quê, e tava sempre a senhora lá, né? E aí um dia eu perguntei pro pro garçom, né, quem que era aquela aquela pessoa, né, porque eu sempre encontrava ela lá, né, depois no fim da noite ela já não tava lá. Aí ele falou assim para mim, não, essa senhora é o seguinte, ela vem aqui, né, para namorar os meninos, ela vem procurar meninos para sair, né? Falei: "Não, mas eu pensei que era uma senhora, né, que não, não, ela, ela vem aqui pr, né, pr E cada noite ela sai com um." E aquele suco de laranja que você vê, não é suco de laranja, não, é batizado aquele suco de laranja. [risadas] Aí eu achei aquela história tão virou filme, tão interessante que eu transformei num filme chamado Abelha Rainha, que é uma senhora que fica que fica no no no bar, né? E aí assim, ela vai lá pra noite no bar tal e assim toda a noite ela pega, existe, é uma história [risadas] real, né? E eu escrevi a história. Ass. Você conversou com a Conversei com ela tudo, né? E aí transformei numa abelha rainha. Virou uma comédia muito engraçada, né? Porque aquela senhora que é onde as pessoas encontram esse filme? Ah, não. Aí aí é que tá, né? Na verdade os meus filmes são curtametragens, né? E os curtametragens dois caminhos para seguir. Mas não tá no YouTube assim, não. Não, não tá. Esse eu não coloquei, mas em breve eu acho que eu vou colocar, cara, porque assim, uma coisa muito é muito assim, é muito sugêneres, né, essa história. Então assim, foi acidental, surgiu essa história, né? Bom, vamos lá. Eh, tem alguns itens aqui, Hamilton, da ideia ao roteiro, planejamento na eh na pré-produção. Como que funciona isso? Também a filmagem na produção, porque evidentemente [música] é algo que certamente eh as pessoas têm muita curiosidade, porque eh o cara vai lá no vai ao cinema, assiste, acha espetacular o filme e às vezes nem imagina o trabalho que dá para aquele filme de 2 horas sair do papel, né? Sim, eu tenho, por exemplo, um filme chamado Atriz, né, que eu levei 7 anos para fazer. [música] 7 anos para conseguir o filme o que de quanto tempo? 30 minutos. 30 minutos. 7 anos. Olha só, é uma coisa impressionante. E aí é aí, qual que é qual que foi a história por trás desse filme? Também é um filme extremamente pessoal, tá? Porque o que acontece, eu sou formado em jornalismo, né? E como jornalista eu eh eu estava em São Paulo, trabalhava numa produtora lá, né? E aí a produtora não deu certo, tal. Na verdade era um dos sócios da produtora, o produtor não deu certo, tive que voltar para Campinas. Quando tava voltando para cá, o pessoal falava assim: "Hamilton, fica em São Paulo, porque se você for para Campinas, cara, Campinas, assim, o terreno tá devastado, bicho. Quem é bom em Campinas tá em São Paulo. Você vai chegar lá e você não vai conseguir mais fazer filme." Falaram isso para mim. Falei: "Poxa, que legal, né?" Falei: "Olha, vocês podem estar enganados". E daí que aconteceu? Eu cheguei aqui, o primeiro lugar que eu fui foi no teatro. Comecei a frequentar os teatros, os grupos amadores, os grupos profissionais também e comecei a ver quem era a classe artística que tava aqui em Campinas. E realmente existe muita gente boa aqui em Campinas, muita gente criativa, sabe? Muit Agora como você se sustentar numa cidade como Campinas? É muito mais difícil você ser um artista numa cidade interior [música] do que ser um artista na capital, né? E aí eu desenvolvi um filme que é o Atriz, né? Verdade, assim, eu tinha uma amiga, eu comecei a a sair com essa amiga e ela foi, eu fui vendo o que que acontecia, como é que era, e tal. E aí o meu lado jornalístico, né? Eu devcei a vida dela e fiz um filme que assim é muito pessoal, é muito particular, tem muito a ver assim com, né? E na verdade no final o que que eu faço? Eu consegui juntar 70 artistas na cena final do filme e fazer uma homenagem a eles. Que legal, porque é assim, são grandes resistentes, são grandes trabalhadores, sabe, da arte e tal, de Campinas e tal. E assim são sobreviventes, porque meu conseguir estar, né, num num numa cidade que assim que o a cultura e a arte não é, né, a força motriz, é um negócio que assim você tem que ser muito persistente, muito, é muito desafiador. Não não pode desistir, né? Às vezes o pessoal em casa ouve uns barulhinhos aí é a cadeira aqui, [risadas] ó, que fica mexendo, tal. Mas é isso aqui é um patrimônio da cidade patrimônio da cidade é o mais antigo de Campinas tem mais de 100 anos é uma coisa espetacular um projeto de encomenda eu uma vez eu eu um projeto de encomenda que eu fiz cinco atrizes veteranas daqui de Campinas me procuraram né queriam fazer eh um trabalho de monólogos que eu fizesse monólogos com a C. Eu comecei a ver a história delas, todas elas assim, né, veteranas já, né? Comecei a ver as histórias delas, falei: "Me gente, a história de vocês é muito legal, vale filme". E a história de vocês, enquanto a gente tava fazendo, fizemos, começamos como se fosse um curso, enquanto a gente, eu converso com vocês, eu vejo que a gente vai fazer uma comédia sobre cinco mulheres independentes e assim super feministas, né? Porque assim, não tem marido na história, não tem, né? Então vou contar a história de vocês, vou levar, vamos pras baladas e eu vou fazer um filme sobre vocês nas baladas. Aí, olha só, era o projeto era esse de encomenda para fazer um monólogo sobre cada uma das cinco. Enquanto foi rolando isso, a gente foi desenvolvendo um roteiro que foi virando um filme. E aí quando a gente começou a rodar o filme, estourou o COVID. P estourou COVID, a gente teve que ficar parado dois anos. Enquanto a gente ficava parado, a gente conversava pela pelo pelo pela online, né? Fazíamos reuniões online e assim elas, meu, a gente tem que se encontrar, a gente tem que terminar esse filme. Não quero morrer. Acabou o filme. Então aí é que tá. Aí o filme era para ser uma comédia, virou um drama. Virou um drama. Não, mas um drama. Isso acontece até pro pessoal de casa entender. É, isso acontece às vezes num num roteiro e a ideia é sair um drama e sair uma comédia. [música] Vai sair uma comédia, sair um drama. Acontece isso durante pra gente explicar o passo a passo pra galera. Acontece acontece. Então, e aí é o que aconteceu e aí justamente como como a coisa se desenvolveu. Ah, a gente de repente tudo que a várias coisas que a gente via como engraçado deixou de ser engraçado na época do COVID. É, por exemplo, mudou o humor. Mudou o humor. É o que, por exemplo, ó, por exemplo, você e a própria ideia de você ir pra balada, de você ter uma liberdade individual, né? O COVID trouxe pra gente uma necessidade da gente se socializar, de se coletivizar, que é uma coisa que assim a gente não tinha mais, tava todo mundo desesperado. E aí essa história ela foi desenvolvendo de uma forma que era para ser uma comédia e virou uma trag de comédia, porque tinha momentos cômicos e momentos, né, quando a gente se encontrou, a gente não conseguia ficar perto um do outro. É. É. E aí eu filmei tudo isso e aí o lado jornalístico valeu muito para isso, [música] porque mostrou, é, mostrou como houve uma mudança comportamental. Esse filme chama Meninas, aliás, boa. Bom, então vamos lá. É, dar ideia ao roteiro, depois tem o planejamento na pré-produção, depois tem a filmagem na produção, edição na pósprodução, que também, né, Milton, é é um momento muito importante, né, porque a edição conta pra gente, é aquele momento de dar ao talento, escolher as melhores imagens. É, olha um filme para você ver como é um negócio maravilhoso. Um filme ele nasce três vezes. [música] Ele nasce primeiro quando você tem um roteiro, tá? Depois ele passa pra filmagem, já é uma segunda etapa, é um outro nascimento. E a terceira etapa é a pósprodução. Para você ter um filme que realmente [música] assim, ele capta a coisa, ele teria que ser teria que ser sucesso, teria que ter sucesso nas três etapas. Então assim, fazer um filme é um é quase é uma arte de engenharia, porque você tem que planejar o roteiro, né? Depois você que você tem que fazer, você tem que preparar a produção disso, ou seja, a pré-produção. A pré-produção não envolve só escrever o roteiro. A pré-produção envolve o que que é factível, né? O que é possível fazer com esse dinheiro que a gente tem para fazer esse filme, né? Aonde que a gente vai rodar, como é que vão ser as locações, pô, a preparação dos atores, como é que vai ser? Então, aí você vê é complexo o negócio, né? o negócio. Essa é a primeira fase, é pré-produção. Depois você vai filmar. Filmar o que que você você já tem que vir da pré-produção com o quê? Com uma decupagem. O que que é decupagem? Você prevê, né, já ali quando você tava fazendo um ensaio com os atores, né, você já tava ali com o câmera, né, prevendo como é que você ia enquadrar todas essas coisas, onde você ia enquadrar, como é que ia ser a direção de arte, né? Então assim, isso é a decupagem, né? A pré visualização e decupagem. Tem gente que faz isso com storyboard, né? Eu já trabalhei com storyboard porque eu também venho da área do da publicidade, né? Eu sou jornalista, depois fui paraa publicidade, fiz muitos comerciais, né? E agora tô com o cinema, né? Então assim, no cinema você tem que ter uma pré, uma pré um pré- guuia do que você quer, préguia visual, ou seja, o plano de tem o roteiro e o plano de direção do filme. Então assim, você junta essas duas coisas e através desse plano de direção você encadeia o filme como você quer, né? Aí esse plano de direção e o roteiro você leva pra filmagem, né? trabalho sempre com as duas coisas, roteiro e plano de direção. Aí esse esse plano de direção, ele pode ser storyb ou ele pode ser uma uma coisa que eu gosto muito de fazer, porque eu também fiz um por dois anos eu fiz artes [música] cênicas aqui na Unicamp, né? Então, eu tenho um um conhecimento eh uma expertise na área de atuação. Sem dúvida, eu gosto de trabalhar muito com ator nos ensaios já filmando ele. Ah, eu já vou filmando ele e já vou prevendo mais ou menos aonde a câmera vai est. Olha só. De acordo. Então, o que que sabe quando eu faço a matéria, eu faço a mesma coisa? Só um parênteses. Eu já vou imaginando, ó. O então Junqueira tá lá gravando uma determinada situação. Já vou pensando no texto que eu [música] vou fazer. É mais ou menos você tá falando mais ou menos isso. É. Então assim, eu já eu já penso nos enquadramentos. Se eu tenho o cenário, normalmente eu vou com o ator no cenário para ver ali também no cenário como que ele vai se movimentar. Porque eu acho que assim, aí no meu caso, tá? Eu gosto da ideia de chegar na filmagem e você ter tanto o o um uma certa coreografia, digamos, saber mais ou menos o que que o ator vai fazer e saber o onde a câmera vai estar. Entendeu? Por quê? Porque a câmera ela dá um significado para você, dependendo da onde você põe a câmera. Ah, você sabe que se você filma de baixo para cima, você tá criando uma sensação de do quê? de imponência para quem você tá vendo. Você filma de de cima para baixo, você fica com a sensação do quê? De diminuição da pessoa. Então assim, você tem toda essa o enquadramento também, né? Até um ar de arrogância, né? Dependendo você quer uma arrogância, tá olhando, né? É, é Chapnin, tem um filme do Chapin que eu acho ótimo, que ele mostra o grande ditador que ele mostra o encontro do Mussolini com o Hitler. E aí que que acontece? O o Hitler vai lá na lá na na Itália para conversar com o Mussolini. Chega lá, o Mussolini tá numa cadeira enorme, né? E a hora que ele vai sentar, o o o Hitler põe um banquinho para ele. Aí ele quase cai do banquinho porque o outro tá lá em cima. E então assim, a briga do a briga de ego deles para mostrar é para mostrar, entendeu? Que um é o maior, que é supremo, e o outro é o menor, né? E Chaplin fazia muito bem essas [música] coisas, né? Ele enquadrava muito bem esse tipo de coisa. E daí por último você tem a pós-produção, a terceira fase. Cara, você conseguir fazer uma orquestração e juntar essas três coisas [música] e chegar no final, você olhar aquilo redondinho. Redondinho, é uma coisa maravilhosa. Agora ganhamos o jogo. Bom, galerinha, a gente vai para um intervalo rapidinho. Não saia daí. Daqui a pouco a gente volta falando um pouco mais sobre esse tema, como nascem os filmes, onde aqui, é claro, no Conexão Cultural. Valeu. [música] Vamos lá, pessoal. Conexão Cultural. A gente está no segundo bloco hoje, um programa para lado especial, né? como nascem os filmes. Agora a gente vai entender, evidentemente, a parte técnica da montagem dos filmes. Tô aqui com o Hidalgo, que é documentarista conosco, está aqui. Tudo bem? Beleza. Muito obrigado por nos receber aqui. Tudo joia. Ob, obrigado você pelo convite. É um prazer participar. Bom, esse é um tema certamente que eh desperta muito interesse das pessoas, né? como nascem os [música] filmes. Isso. Bom, eh, o documentarista tem como como prerrogativa o interesse pelo outro e por aquilo do universo do real, né? A realidade, como a gente às vezes fal, a realidade é essa, isso não existe. Existem diferentes olhares sobre o real, né? Mas o trabalho do documentarista é estar atento ao a ao que acontece no planeta, o que acontece no mundo com as pessoas a partir do real. Então eu acho que o primeiro momento do nascimento de um filme é o seu olhar sobre o mundo e sobre as coisas que acontecem, sobre as relações que as pessoas têm, sobre as pessoas que são potencialmente interessantes, né? Então, a gente tem uma personagem, por exemplo, que é uma mulher trans, mãe de santo, eh, e que trabalha numa casa de acolhimento de pessoas trans em situação de rua e que foi candidata a vereador, a vereadora. [roncando] Eh, então, pô, isso por si só, né? Uma mulher, trans, casa de acolhimento, mãe de santo, candidata a vereadora. Me parece um um universo muito interessante e rico de coisas. Eh, sei lá, eu poderia citar recursos hídricos, né? Como é que a água que você bebe chega na tua torneira, para onde ela vai, né? Qual é a relação que nós estabelecemos com os rios brasileiros, por exemplo, então isso acaba sendo matériapra para você começar a pensar em abordagens audiovisuais sobre real, né? O mundo, o mundo, a, o que acontece no planeta, né? Então, os filmes nascem assim. Boa, boa, boa. A gente tá no laboratório Cisco que já a gente vai inclusive conhecer a estrutura, onde a gente tá exatamente aqui, eh, o cenário, conta pra gente, pro pessoal em casa começar a entender um pouquinho mais. Bom, Laboratório Cisco é uma produtora de documentários que foi fundada há 20 anos eh aqui em Barão Geraldo. Somos em três sócios, eu, Hidalgo, Júlio e Coraci, que não estão aqui agora, estão viajando. [música] Eh, na época nós trabalhávamos junto juntos com um documentarista que agora já tá mais idoso, chamado Renato Tapajós, mas fundamos a Cisco em Barão Geraldo e aqui permanecemos durante esses 20 [música] anos. Nós não trabalhamos com publicidade, nós não trabalhamos com institucional, a gente tem construído uma uma a nossa proposta, né? A gente tem construído uma uma trajetória de cinema autoral e de conteúdo pra televisão. Eh, nós somos uma produtora com um olhar sobre direitos humanos, sobre movimentos sociais, sobre movimentos culturais, sobre meio ambiente, né? Nós nós temos uma uma proposta de fazer um um tipo de cinema documentário que que é político e é engajado, né? Então, nós temos um olhar crítico sobre o mundo e sobre isso que falam os nossos filmes. Eh, trabalhamos sempre muito em parceria com a Unicamp pelo curso de Medialogia, então quase todas as pessoas que estão aqui colaborando com a gente vem do curso de Medialogia, primeiro como estagiários, depois acabaram ficando como colaboradores, né, em diferentes áreas. E ao longo dos 20 anos a gente foi também aperfeiçoando, né, a elaboração de projeto, desenvolvimento, filmar, editar, finalizar. E mais recentemente a gente abriu aqui na casa também uma casa de finalização, que quando a gente edita o filme ele não tá pronto, né? A história que você quer contar tá pronta, mas a gente ainda precisa trabalhar com isso. Então toda essa etapa depois da montagem é chamada de finalização. Então a gente abriu uma casa de finalização aqui chamada Cisco Post na qual a gente acolhe e recebe projetos principalmente do interior e do litoral do estado de São Paulo. a gente não que a gente negue, mas a ideia não é trabalhar com produtoras da capital, porque na capital eles já têm muitos recursos, já tem uma estrutura. Então a gente tem se tornado uma casa de finalização do interior para o interior. Bom, bora dar uma volta aí para estrutura. Vamos, claro. Vamos sim, com muito prazer. Bom, aqui talvez seja o momento em que os filmes têm início, ou pelo menos eles são primeiramente formalizados, né? a gente tem ideias e daí é uma sala de de criação e também de reunião, mas mais de criação, onde a gente senta aqui num lugar mais isolado e e tem e materializa as ideias. É, em geral são fundos ou ou programas ou editais que a gente vê no Brasil e fora do Brasil. Então aqui a gente tem que escrever sinopse, argumento, logline, eh projeto, filme, corçamento. Então é aqui onde nascem os projetos. Aqui alguns exemplos. Esse chão de fábrica é um longametragem que eu dividi a direção com o Renato Tapajóz sobre a história do novo sindicalismo. Esse aqui é um curta nosso com a direção do Júlio que chama Utopia Muda, que circulou muito, um filme muito legal. Esse aqui chama Tudo que importa. É um curtametragem também dirigido pela Coraci Ruiz, que é nossa sócia, né? Eu, Júlio Coraci, que também circulou bastante. Bora conhecer outros espaços aqui da produtora. Bom, aqui é talvez o coração da engrenagem toda que chama, é uma sala de produção, né? Aqui trabalham o produtor executivo, diretor de produção, eventualmente um assistente de produção. Aqui é onede as ideias que a gente põe no papel lá onde a gente viu começam a se transformar num filme. E então aqui de fato é o o que bombeia o sangue pr pra gente fazer os filmes. E aqui são alguma alguns prêmios que a gente troféus importantes aí ao longo da é ao longo da vida. Esse aqui você é esse aqui a gente acabou de ganhar. A gente ganhou o melhor som no festival Panorama do Festival da Bahia com o filme Até onde a vista alcança, que é o meu último filme, a direção minha e da Alice Vilela. Enfim, aqui é um pouco isso e uma ferradura para dar sorte. [risadas] Vamos, vamos seguir. Bora, bora, bora. Aqui é uma sala de equipamentos, né? É nada muito especial aqui. Todas as câmeras, as tralhas, todas estão aqui. Mas o que eu acho que é interessante mostrar para vocês é que a gente tem um servidor chamado Painho, que todo o nosso conteúdo tá aqui. A gente não depende do Google para viver. Bom, isso é o coração, então é, eu diria que é a alma, o coração é a produção, né? Isso aqui é onde todos os nossos projetos, todo o material bruto, tá tudo armazenado. São centenas de teras. Nossa sen refrigerados. Olha que legal, pessoal. Ó, aqui é aqui o que nos torna independente do Google. Bom, então aqui é uma sala mista. Ela é uma sala que funciona como sala de edição dos nossos projetos, mas também funciona como uma sala de correção de cor, de pós-produção, né? Então, todas as diferenças de câmeras, de bitte, de frame, formate, de cor, eh, e dá aquele aquele look, né, aquela aquele aquela cara que a gente quer dar, a gente faz aqui. Então aqui é, enfim, instrumentos de correção de cor, mas também é uma boa sala de montagem que ela tem um bom monitoramento, um bom sistema de som. Bom, a gente segue conhecendo aí todos os setores, né? Como nascem os filmes, conhecendo as etapas. E aqui onde exatamente nós estamos? A gente tá numa sala de som. Aqui a gente tem uma pessoa que faz a mixagem dos filmes, né? Eh, o equilíbrio sonoro dos filmes, mas muito mais do que isso. Aqui a gente insere novos sons, insere a trilha, faz o que a gente chama de desenho de som ou paisagem sonora. Então aqui é uma sala, é uma adaptada, é adaptada, né? Essa casa não foi construída como uma produtora de cinema, então a gente teve que adaptar os quartos aqui. Originalmente devia ser um quarto de alguém, mas a gente colocou um sistema de de absorção sonora para que a coisa não vibre muito. E enfim, aqui é uma sala de som boa. E a gente tem uma mixadora e uma som trabalha aqui o tempo inteiro. Ufa! Tá vendo, pessoal? Tem muita coisa para nascer um filme. Tem muita coisa. E para terminar também, aqui é exatamente onde acaba tudo. É isso. É, aqui é uma sala de pós e finalização, ou seja, né, você tem a ideia, desenvolve projeto, consegue o financiamento, a sala de produção faz todo o desenho de produção, a gente filma, né? tem a etapa de filmagem que é mais longa, daí a gente edita o filme naquela sala que nós vimos, fazemos a correção de cor, o som, a trilha sonora, mixagem, desenho de som e daí todas essas peças vem para cá. Temos uma equipe de duas pessoas que daí juntam tudo, fazem legendagem, legendas escritivas, Libras e arte final, animação, enfim, pegam todas as peças junto. E daí tem um processo que a gente chama de masterização ou delivery, que é você pegar o filme de fato, pronto, com tudo isso eh junto e mandando pro festival, para onde for. Ó, agora você pode exibir, né? Então são essa é essa sala aqui mostrando na prática também como nascem os filmes. Estou aqui com o Rodrigo Dias Dias que é cineasta, vai bater um papo conosco, sabe tudo e mais um pouco sobre filme. Tudo bem? E aí? Beleza, Rodrigo? Obrigado aí por bater um papo com a gente aqui no Conexão Cultural. Obrigado a você. Bom tá aqui. Bom, vamos lá. A gente tava mostrando, né, várias etapas. É algo realmente que que às vezes as pessoas assistem a um filme e não imaginam o tanto de trabalho que dá, né? É, exatamente. Acho que tem uma e acho que o cinema tem é muito diferente, né? O cinema, na verdade, tá sempre se inventando também da maneira de fazer. Eh, a gente costuma separar muito, eh, é muito comum separar o que é ficção e o que é documentário, que são os grandes processos diferentes de como a gente lida com a produção das imagens. Mas o cinema é muito mais livre, né? Eu gosto muito. Eh, tem um cinasta iraniano que é o Ming MCMBF e ele fala muito do como o cinema se reinventa a partir de cada cineasta do que vai fazendo. Ele fala que o caminhar do cineasta vai faz vai deixando rastros de cinema por onde ele passa, porque a gente tem pode ter maneiras de produção diferente, estilos e linguagens, mas ele tá constantemente se inovando. Então, a gente pode estar filmando com grandes equipamentos, a gente pode estar filmando com celular, a gente pode estar fazendo pra tela de cinema, mas também pode estar fazendo pra tela da TV, pra tela da internet. E tudo isso pode ser cinema. Quando a gente pensa em contar histórias através das imagens e acredita no poder que a imagem tem para construir a narrativa, a gente tá falando de cinema. Boa. É bem isso mesmo. A gente que trabalha em televisão, né? As imagens realmente falam muita coisa. Como que é a parte de dirigir um filme? Eh, porque isso também, Rodrigo, desperta muita curiosidade aí nas pessoas, a questão da direção, as pessoas que estão por trás, evidentemente, das câmeras. [música] É, principalmente, vou falar um pouco da do processo de ficção, né, que é o que eu tenho mais experiência como diretor, né, e também como produtor, que que acho que o mais a a o grande desafio é conseguir passar naquele momento que você tem uma ideia, que você concebe uma história, escreve um roteiro, como que isso vai ir pra tela? E essa é a parte que ninguém imagina a quantidade de tempo de dedicação e quantas pessoas estão envolvidas nesse processo. Então, por exemplo, quando a gente, eu tava aqui mostrando um filme meu, né, que eu li aí, o Anjo, que é um filme que tem uma atmosfera diferente. Ele se passa numa época que não é muito precisa, mas tem cara de filme de época. Então, como é que a gente vai criar essa atmosfera? Onde que a gente vai filmar para ter essa essa ideia? Então, por exemplo, esse filme a gente foi filmar em Paranapiacaba, porque é uma vila de eh inglesa, né? Então ela já parece perdida no tempo. E aí vem todo o trabalho da direção de arte, de conceituar isso, de pensar como que isso vai aparecer na tela, que tipo de figurinos vai ter, que tipo de objetos vão compor a cena, como que os espaços vão estar organizados. Eh, assim como da outra parte técnica, a fotografia começa a imaginar como se enquadra, que tipo de lentes vai usar, qual é a textura que a imagem vai ter. Então, tudo isso começa a ser pensado antes do planejamento. Tem muita etapa que é depois, mas no começo vem daí. E o diretor tem uma função muito, o diretor tem uma função muito importante que é começar a imaginar quem são os atores que vão tá ali, né? Então, desde a da escolha dos personagens, que ator vai fazer cada personagem, [música] quais são, como que vai ser essa jeito de falar, qual o papel se identifica, né? Mais com com ator, atriz. Exato. A gente tem um processo muito grande de fazer testes de elenco, porque a gente vai entendendo quem quem vai fazendo e e muita gente fala assim: "Ah, tem que achar o melhor ator ou a melhor atriz". E na verdade não, tem que achar o que se encaixe com a proposta do filme, com com o que que o personagem pede. E é um e não tem um papel, o ator não chega pronto, né? O ator chega, ele propõe criativamente uma maneira de se comportar, uma maneira de se mexer, [música] o jeito de falar e aí vem de novo a direção de arte com a maquiagem, com figurino, que ajudam a dar uma cara para esse personagem. [música] Então é tudo uma grande composição e a gente orquestra tudo isso para tudo isso dar certo. Então vem todo o planejamento de quantas cenas vai fazer, que dia filma o qu, com que logística, eh se e a gente filma muito fora de ordem também, né? Porque aí depende de agenda de atores, de agenda da locação. Eh, a locação a gente chama os espaços que a gente passa para filmar, né? Então, às vezes a gente tem um só pode filmar um dia numa casa e tem que filmar todas as cenas ali. Bom, bora falar um pouquinho mais sobre o filme. Aham. Eh, bom, esse aqui ele é o anjo, não sei, não sei se se te mostro aqui. Depois ele vai pegar a imagem, mas tá, porque, por exemplo, aqui quando a gente vê, eu vou até mostrar, né? [música] A gente a gente escolheu Paraná acaba, né? Então, por exemplo, quando a gente vai chegar nesses espaços, a gente já visitou isso, a gente já viu esses lugares antes, a gente já imaginou, muitas vezes a gente já até cronometrou quanto tempo vai demorar cada cena, porque a gente sabe que o filme tem que durar um um X de tempo, né? Nesse caso, é um curta, ele podia passar de 15 minutos e eu gosto muito de fazer filmes de 13 minutos. Eu tenho isso, eu tenho vários filmes que são de 13 e esse filme foi diferente. Então, a gente vai vendo muitos os lugares, né? Mas, por exemplo, a gente vai paraas internas, isso aqui, ó, é uma sala de aula de uma época que não tá muito definida. Então, por exemplo, a gente começa, começa criando o clima do filme. Quando a gente cria esse roteiro, o L e o anjo é uma história de de uma menina que que um dia aparece um anjo no quarto dela e a gente e a história começa a se misturar. você não sabe se é a imaginação dela ou se é verdade, porque ela também escreve sobre isso na escola e vai criando cada vez um clima mais denso. É um filme que foi inspirado num poema do William Blake, então ele traz uma coisa eh sombria ao mesmo tempo, né? Ele não é não é um anjo bonitinho, é um anjo que tem um pouco alguns matizes sombrios. [música] Então a gente começa a construir esses lugares. Então a primeira coisa a gente pensar qual que é o clima. Então eu falei desse sombrio, então a gente começa a imaginar que são luzes mais escuras, tem mais processos de sombra [música] e aí a direção de arte pesquisa que lugares são esses. Então a gente escolhe, fica pegando referências de outros filmes, de fotografias, de pinturas para criar o que a gente chama o clima do filme. E a partir dessas imagens de referência, a gente estabelece as cores, uma paleta de cores. Você vai ver tudo tudo tá nesse nesses tons assim, né, do dos marrons. É, tem um pouco do azul, mas é muito marrom, ocre, um vermelho. [música] Então, e isso vai ajudando a que tudo faça sentido. Então, a gente chega num lugar, às vezes o lugar não é dessas cores, então a gente pinta as paredes ou a gente leva objetos que tragam essa cor, porque essa é a mensagem que a arte tá construindo para você passar esse clima através das cores também. E a fotografia pega essas mesmas referências, né, e começa a imaginar. Então aqui vamos iluminar só com essa luminária. Às vezes tem outras luzes também que a gente não tá vendo, mas começa a ter esse desenho do do que que aparece ou não aparece, né? Eu quis trazer esse filme porque ele tem muito essa construção fora da realidade. A gente a gente tá muito tem tem muitos filmes que que são feitos muito parecido com o que a gente enxerga. E aí e e isso é um é um é um é um engano também achar que porque o filme tá é dos tempos contemporâneos ou tá acontecendo em cenários reais de que não existe trabalho em cima, porque todo lugar que a gente vai filmar tem algum tipo de coisa, só que ele não é tão perceptível. [música] Quando a gente vê um filme desses, a gente sabe que esse esse figurino é todo feito pro filme. Claro. Eh, mas não é, a gente não mandou costurar. Existem acervos de figurinos que que que você pode alugar essas peças. Então, a gente vai achando. Ah, é uma camisa que tem algum lugar. Quantas peças? Quanto tempo demorou para fazer esse filme? Olha, a gente filmou ele em qu dias. Qu dias? Mas a gente planejou ele por mais ou menos 4 meses. Qu meses? Porque quando a gente tem poucos recursos é muito importante planejar mais. Então a gente tem que detalhar tudo. Pode errar. Então antes da gente ir para Param Acaba, a gente foi primeiro conhecer a cidade, depois a gente voltou com a equipe técnica, a gente fotografa todas as partes, a gente cria um photo shooting, né, assim, que é mais ou menos fazer com fotos a gente mesmo no lugar dos atores para imaginar como é que vai ser cada cena. E aí todo mundo consegue se planejar, ah, se é só aqui, então não vou precisar montar o quarto inteiro, por exemplo. Ah, se o plano é maior, então eu vou precisar ver tudo isso. Tem um plano gigante da cidade. Então a gente sabia que naquele minuto tinha que fechar todas as ruas, não podia ninguém passar, porque a gente estava vendo, sei lá, quatro quarteirões da cidade de um ponto de vista de um cima, de um morro. Eh, então isso quando a gente sabe o que vai fazer, ajuda toda a equipe a se planejar, porque é, tô falando muito da parte criativa, mas quando chega para filmar numa cidade, por exemplo, ou numa locação, em qualquer lugar, chega um caminhão de equipamento, chega uma um um carro grande, cheio de figurino, às vezes um caminhão de figurino também, dependendo do tamanho da produção. Chegam aquela sala de aula, tinha acho que 10 ou 12 figurantes, né, que que são as meninas que fazem parte da sala de aula. Então, essas pessoas quando são crianças, toda criança vem com um pai ou com uma mãe, eh, ou uma pessoa responsável. Então, onde que as pessoas ficam esperando antes de gravar? Eh, onde tem alimentação, água, banheiro para essas pessoas estarem? Como você dá conta de tudo isso? E a é um filme que é um curta, é um filme relativamente pequeno, mas é uma equipe de 30, 40 pessoas que tá aí todo dia trabalhando. Pois é, esse é o esse é o ti do negócio, né? Essa é a cereja do bolo, tanta gente, um trabalho em equipe bem bacana. Rodrigo, valeu. Obrigado aí. Vou de uma aula aí pra gente, pro pessoal que tá em casa acompanhando Conexão Cultural. Valeu, galera. Até a próxima oportunidade. Ciao [música] เฮ [música] [música] [música] [música] เ