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Conexão Cultural aqui para vocês. E hoje, mais uma vez, um assunto super importante, porque nós vamos falar sobre literatura independente. Estamos aqui eh para conversar com a Gabriela. Estamos na Mole, né? Eh, vamos falar sobre amostra literária de Campinas. Tem muita coisa legal pra gente falar antes de mais nada. Eh, muito obrigado por nos receber aqui. Tudo bem, Gabriela? Tudo bem. Prazer é meu. Bom, bora falar então um pouquinho sobre literatura independente. O que é pra galera de casa já começar a entender exatamente como funciona tudo isso. A literatura independente a gente considera a literatura que é feita eh por autores e autoras que não tão vinculados a grandes grupos editoriais. Perfeito. Então, as pessoas que escrevem porque precisam, as pessoas que escrevem porque elas têm essa necessidade de colocar um pensamento no mundo, de colocar seu modo modo de pensar, seu modo de vida no mundo de forma literária e que conseguem fazer essas publicações de forma que elas não são vinculadas a grandes grupos editoriais, né? Então, hoje em dia a gente tem um cenário bem grande de pessoas que escrevem e se autopublicam. E a gente tem um cenário muito grande também de pequenos grupos editoriais, são editoras independentes, que abrem chamamentos, abrem editais para você enviar o seu original para eles imprimirem e eles fazem a publicação e acaba isso acaba participando de prêmios, feiras, tudo mais, mas nada vinculado a grandes grupos editoriais, né? Bom, isso tem virado cada vez mais comum, principalmente nos dias de hoje, né? com tudo online, isso também altera, né? Ah, sim. Eu acredito que essa essa escrita, que ela não é vinculada a esses grandes grupos editoriais, ela acaba sendo um pouco mais livre. Então, a gente só consegue ter de fato noção do que tá acontecendo no nosso tempo a partir desses escritores e dessas escritoras, né? Porque ela, eles têm um pensamento de escrita que não é guiado pelo capital, porque é porque você não tá recebendo para escrever, né, como os grandes autores dos grandes grupos editoriais, mas você tá escrevendo porque você tem que escrever, você aquilo te move. Então eu acho que é um bom reflexo do que tá acontecendo nessa nossa sociedade, nos nossos tempos, a gente olhar pra produção literária independente. Sabe qual a importância desses autores independentes? Você disse aí que não tem essa relação, essa ligação com as editoras. Qual a importância eh da gente ter na para nossa cultura autores independentes? Gabriela, eu acho que como toda a arte independente, assim, a importância ela tá ligada a a como a escrita e a arte dessas pessoas vem de forma orgânica pro mundo, né? Então você tá produzindo uma escrita que não tá esperando receber dinheiro em troca, apesar disso ser necessário. E é uma coisa que eu acho que a gente pode conversar depois, eh, a valorização dessa desse tipo de arte, mas você consegue ter um retrato, como eu disse antes, assim, você consegue ter um retrato mais claro de como a nossa sociedade tá hoje em dia a partir desse tipo de literatura, entende? Porque os autores e autoras estão escrevendo porque eles precisam escrever, porque eles estão no ímpeto de dizer alguma coisa e não porque eles estão sendo guiados a dizer algo. Ah, porque isso aqui é o que tá bombando dizer agora, sei lá, a gente vai falar de uma coisa que tá super em em alta. Não, eles vão dizer sobre o que eles querem dizer, entende? Eles vão dizer sobre o que eles querem dizer. Bom, bora pra gente não perder o embalo. Você falou eh pra gente falar sobre isso, então, da importância inclusive da valorização. Sim. É, hoje em dia a gente tem uma discussão dentro da política cultural, acho que no Brasil todo, assim, dentre todas as linguagens, teatro, músicas, artes visuais, eh a literatura, que é o fomento às artes independentes, né? Então, a gente tem uma grande luta para que esses fomentos sejam cada vez maiores e as pessoas consigam receber pelos seus trabalhos sem precisarem tá no mainstreaming, né? Então, sem você tá vinculada a uma rede de televisão grande ou você tá vinculada a um grande grupo editorial, você recebe esse fomento do estado, você recebe esse fomento para poder criar a sua arte de forma independente. Isso cada vez mais tem se espalhado pelas pessoas que produzem arte. Eh, mas a gente percebe que ainda não chegou em todo mundo. Então, quanto mais a gente conseguir divulgar esses fomentos, mais a gente vai conseguir ter um panorama do que que é a arte agora fazendo recorte no Brasil, né? Do que que é realmente quem produz arte no Brasil, como essas pessoas realmente produzem arte. Acho que a partir disso, assim, bom, é um assunto também bastante importante, tô dando uma olhadinha aqui no material, eh, democratização da literatura. Como é isso? Como a autopublicação pode pode ser importante nesse aspecto, Gabriela, eu acho que quando a gente fala de democratização, a literatura, a gente tá falando de muita coisa, né? Então, desde publicação desses autores e autoras independentes, a partir da autopublicação ou a partir da publicação via pequenos grupos editoriais, eh, mas a gente também tá falando sobre o acesso à literatura. Ah, perfeito. Então, a Mole, uma das principais, eu acho que um dos principais motivadores, quando eu quis escrever o projeto, foi com que foi de que as pessoas tirassem esse estigma de que a literatura é uma coisa muito distante, porque a poesia ela vem do micro, a poesia ela vem desde o islã. A gente tá falando da das cantorias, das lavadeiras, dos mestres e mestres de cultura popular que tem as suas publicações. A gente tá falando de cordel, a gente tá falando de poesia marginal. Então, eh, a literatura ela não vem de cima para baixo, se é que existe algum cima, mas tô dizendo dentro dessa hierarquia eh capitalista, né, que a gente tem. Mas eu tô querendo dizer que a partir do momento que a gente entende que a literatura é algo que é nosso, que a gente tem que se apropriar disso, porque a partir do momento que a gente se apropria do que é escrito e e a gente se apropria também da ideia de que é preciso que a gente escreva para fazer parte do mundo que a gente vive, a gente tá falando de democratização à literatura. A gente tá falando de livro barato para comprar. Então você não coloca um livro a R$ 100 para uma pessoa comprar. você cria formas desse livro ser publicado de uma forma mais barata para que o autor e a autora também consiga receber por isso, porque é um trabalho, é um ofício, a escrita, mas você também torna acessível eh a compra desses livros ou então a gente torna acessível também a ideia que eu acho interessante também, que é a biblioteca, por exemplo, as bibliotecas públicas. Em Campinas a gente tem 70 bibliotecas públicas. Eh, as bibliotecas públicas são espaços de cultura, são espaços onde as pessoas têm que ir lá dentro para se encontrar, para discutir o mundo, para discutir arte. E elas têm que entender que é legal fazer isso, sabe? A partir do momento que você sai da sua casa e pode ocupar um espaço de cultura, como a biblioteca, onde você tem acesso a Clarice Lispector, você tem acesso a Conceição Evaristo, você tem acesso a escritoras incríveis assim de graça, você começa a se apropriar do seu espaço também, do seu território. Isso é, isso é democratização para mim da literatura. É, não, com certeza. Bora falar um pouco da amostra também, quais as atividades, que que você pode passar pro pessoal que está em casa assistindo ao Conexão Cultural conosco, Gabriela. Eh, bom, a Molly, ela tá na sua segunda edição e essa segunda edição ela é muito especial assim para para mim e para nós, né? Primeiro que a molha é uma amostra literária literária que ela é idealizada e gerida por mulheres sis transgênero e pessoas não binárias. Então, ela é uma amostra que a gente tá tirando das mãos do patriarcado e tá dominando, né, esse esse esse mercado mais do que merecidamente. Então, essa segunda edição, ela é em homenagem a Yuda Hils, que é uma poetiza, dramaturga, escritora que me move assim desde eu sou escritora também, desde que eu comecei a escrever, ela me movimenta muito. E a partir desse dessa provocação, né, vamos homenagear a Elda Hilch, eu fui construindo uma rede de convites e de contatos que eu gostaria que viessem somar isso, né? A ideia é a gente trazer eh escritoras, escritores para darem oficinas e e mesas de debate aqui na amostra de forma gratuita e que consigam dialogar com com isso que eu tô que a gente com essa temática da Hust, né? Aí dentro dessa programação da Mole, a gente tem várias coisas que vão acontecer. Então a gente tem exibição do Ilda H Pede Contato, que é um filme que foi gravado dentro do Instituto Ida Hust, né, que é a Casa do Sol, que é a casa que a Iuda Hust construiu aqui em Campinas para criar dentro dela. Então é um espaço muito especial assim. E esse filme foi gravado lá dentro. Então a gente vai ter a exibição desse filme com a presença da Gabriela Grab, que é a diretora, e da Olga Gabenk, que é uma grande amiga da Hilda, que hoje em dia ela é a guardiã da Casa do Sol. Ela mora na casa, no Instituto da Rus, ela é foi muito amiga da Hilda em Vida, né? Então, ela ainda guarda esse espaço, ela faz parte do filme também e a gente vai ter uma mesa de debate depois do filme que eu vou fazer a mediação dessa mesa. E a gente vai ter também dentro dessa programação artistas visuais que vão trazer eh eh vão trazer suas obras aqui. A gente vai ter completinho, então, vai ter tudo. Vai ter língua materna, vai ter oficina, vai ter oficina, vai ter oficina de dramaturgia com a Terrena, que é uma dramaturga incrível. Assim, a gente vai ter Oficina de Poesia Griô com a Nilvan da Cena. A gente vai ter e a mesa, a gente vai ter uma mesa que eu tô apaixonada que chama Bruxas Escritoras e a palavra indomesticável que vai ser com a Mara Moira, que é uma escritora incrível da Companha das Letras e ela tá também fazendo o lançamento do livro dela que é o Neca. A gente vai ter a Karine Medeiros, que é uma pesquisadora de Uda Hilst da Unicamp, com mediação da Maria Fernanda, que ela é agente territorial de cultura e também faz parte dos coletivos de escritoras aqui de Campinas. Eh, a gente vai ter a uma mesa também muito especial que é sobre memória e ancestralidade, a palavra poética que vai ser com a mestra Sha Rosária, que é um patrimônio cultural aqui de Campinas. A gente vai ter uma mesa com a Tânia Alves, que vai fazer a mediação, a mestra Sha Rosária e a Luana Guarani, que ela é uma escritora da etnia Guarani Caioá, que ela vai est junto com o coletivo de escrita indígena dela aqui. Então a gente vai estar debatendo a importância de trazer a memória e ancestralidade pra palavra escrita, né? Porque isso é preservação. Então vai ser uma mesa bem interessante assim, boa. Bem bacana. Como surgiu a mole? Com qual objetivo? A Molly, ela sujou, propósito, eu em 2023 eu tive eu tive a oportunidade de ser finalista do Festival de Poesia de Lisboa. Opa. E aí eu nessa minha estadia lá em Lisboa, por conta desse desse festival, eu percebi uma grande movimentação na cidade, eh, uma movimentação voltada paraa literatura. E paraa literatura ela era bem focado na poesia, né? E como faltam espaços para isso acontecer. O meu foco não seria a poesia em si, mas eu acho que faltam espaços pra gente reunir essas escritoras e escritores independentes, pra gente poder discutir literatura, poder discutir a importância dessa linguagem artística, né, e como ela é relevante na no mundo. Então, me veio a ideia de fazer uma amostra literária, onde a gente conseguis se reunir desde islã até poesia griô, até poesia clássica, dramaturgia, textos de literatura fantástica. Eu falei, eu queria colocar todo mundo no mesmo lugar pra gente discutir literatura e poder trocar livro e as pessoas poderem comprar livro e a gente lê trechos de livro e aqui sabe pegar o microfone e ler três de livros assim. Eu acho que isso é muito enriquecedor. Então, me inspirei na no Festival de Poesia de Lisboa, no formato de focar na literatura. E aí eu criei a mole, que ela tem um pouco mais de ela é um pouco mais aberta em relação à linguagem, né? Eh, mas é um o sonho da mole é trazer um espaço de encontro para quem escreve. A gente quer que as pessoas que escrevam se encontrem e falem sobre isso, sabe? Boa. É, os olhos até brilham, né? seve. Amo. Eu amo. Eu escrevo desde que eu me conheço por gente, assim. Qual o seu principal objetivo, Gabriela, assim, o que que você espera para mole daqui alguns anos e tudo mais? Eu espero que você espera que tenha atingido. Qual o recado assim que você quer dar passar num num futuro próximo? Eu acho que tem duas coisas importantes assim nisso. A primeira é os grandes as grandes feiras literárias, os grandes festivais literários no Brasil, eles são restritos a pessoas que têm dinheiro para participar deles, né? Então a gente tem os festivais que são longe que elá já se gera um mercado em volta onde para você alugar um lugar para ficar muito caro. Para você participar dos eventos você tem que se gas tá uma grana boa, né? É, você tem que se organizar dessa forma. A ideia é que a mole aconteça sempre em um espaço central no interior de São Paulo e que toda a programação seja gratuita e que a gente consiga mobilizar o mercado do território. Então as pessoas, todo mundo que vai estar participando da Mole, vendendo, por exemplo, o bar, quem vai fazer o bar da Mole é o pessoal do assentamento Marielle Vive de Valinhos. Então, quem tá fazendo toda a nossa produção de luz é pessoal, produtoras de iluminação do interior do estado. Então, a gente quer que a Molly sempre tenha isso assim, de gerar mercado para as pessoas do nosso território, que se mantenha gratuito e que seja um espaço de encontro livre. Mais paraa frente, eu espero que a Mole seja motivadora para que Campinas assuma o lugar de potência literária que ela sempre teve. É, sempre teve. Então, a gente tem pessoas, a gente tem a Hilda Heki, a gente tem o Guilherme de Almeida, a gente tem várias pessoas interessantes que produzem, produziram no passado literatura aqui na cidade e a gente foi apagando isso. Campinas, infelizmente, tem uma cultura de apagar grandes memórias, né? E a molha, eu quero que seja um espaço para que a gente crie novas memórias. Eu quero que ela suma um lugar que daqui a pouco a gente vai ter na Praça Carlo Gomes vai ter um saral, ao mesmo tempo que na sala dos Toninhos vai ter uma leitura de texto. Eu quero que a gente espalhe pela cidade, sabe? Boa. Tá respondido. É isso. Valeu, Gabriela Ignate, idealizadora, também diretora da AMRA, conversando conosco. Muito obrigado por nos receber aqui a equipe do Conexão Cultural. A gente vai para um rápido intervalo. Na sequência tem o segundo bloco. Até já. [música] [música] [música] [música] Conexão cultural. Estamos de volta aqui no segundo bloco com a Lili Tosta, que é autora independente, vai bater um papo conosco, já está com a obra dela aqui para mostrar pra gente. Antes de mais nada, muito obrigado por nos atender. Tudo bom, Lili? Agradeço. Tudo bem você? Boa. Beleza. Bom, vamos falar um pouquinho sobre amostra, primeiramente, por favor. Vamos. Bom, a Mole é uma amostra literária que acontece aqui em Campinas. A idealizadora e a coordenadora, diretora da amostra é a Gabriela Gnate. Eh, e a Mori, ela vem com esse intuito de reunir pessoas que escrevem, sejam textos mais literários, poesia, ficção, autoficção, pessoas que que são dramaturgas, né? Então eu acho que esse é o grande objetivo da amostra. E também o que eu acho muito interessante, né, importante pontuar, é que é uma mostra que a equipe inteira ela é formada por mulheres, pessoas não binárias. E então eu acho que eh a gente tá descentralizando, né, a literatura da mão dos homens. Boa, Gabriela. E que você citou, a gente inclusive conversou no primeiro bloco. Issou. Isso. Bom, bora falar sobre seu livro. Bora. Eh, bom, o meu livro é esse aqui, Alma para confundir poesias. Ele foi publicado pela editora Libertinagem agora no ano de 2025. E basicamente esse livro, né, uma uma curiosidade. Ele começou a nascer numa oficina de escrita criativa que eu fiz com a Gabriela Agnati no ano passado, inclusive a Gabi que escreveu a orelha desse livro. E bom, esse livro ele nasceu de uma maneira muito espontânea. Eu não tava programando publicar um livro ou escrever um livro, né, de maneira alguma. Mas daí enquanto eu tava nessa oficina da Gabi, começou a sair um texto, eu comecei a escrever sobre urubu, urubu, urubu. E daí quando eu voltei para casa, continuei escrevendo urubu, urubu, urubu, urubu. E daí quando me dei conta, eu tava contando através de poesias a minha trajetória pelo estado do Maranhão, porque eu morei lá no ano de 2023. Enfim, vivi tanta coisa, né, durante esse período que eu morei lá. Morei numa cidade do interior chamada Vargem Grande, depois morei por um período na capital, São Luís também, e vivi tanta coisa lá que precisei escrever o livro para poder falar, né, sobre tudo isso. E eu acho que o grande ponto do meu livro é justamente o fato de que não sou eu a personagem principal, mas é o urubu. Então, eh, através das poesias, eu dialogo com o urubu constantemente. Ele é como se fosse meu amigo e também o meu guia espiritual. Então, basicamente, esse é o meu livro. Boa. Eu tô dando uma olhadinha aqui. Você estilista de moda também? Sou estilista de moda também. Sou química. [risadas] Química, meu Deus do céu. Química era a minha matéria que eu saía correndo. [risadas] Sim. E você trabalha com isso? Ã, diretamente não, mas além de ser estilista de moda e de ser formada em química, eu também trabalho com arte. Eh, no sentido de que eu trabalho com as tintas naturais, então eu produzo essas tintas em casa e daí esse processo de produção envolve química no processo. É, você já pensou em escrever alguma coisa misturando arte, cultura e química assim? Olha, acho que nunca cheguei a de fato pensar sobre isso, mas é uma possibilidade, não descarto. É, de repente pode sair algo bem bacana, né? Com certeza pode. Bom, eu tava inclusive conversando com a Gabriela Lili, a gente tava falando sobre a importância, não é? eh de autores independentes e tudo mais eh que de repente não tem todo aquele amparo financeiro da das editoras. Sim. Eh, mas precisa correr atrás, né? Precisa, eh, buscar, por exemplo, um parceiro comercial para conseguir publicar o livro. Não. Sim. Como que é isso? Eu acho que existem vários caminhos que a gente pode percorrer. Eu vou compartilhar como foi o meu caminho. Ã, então, né, como eu disse, esse meu livro, ele começou a surgir na oficina de escrita criativa que eu fiz com a Gabriela Agnati no ano passado. Ã, depois eu finalizei a escrita desse livro não remunerado, né, em casa. E quando eu tava com ele pronto, eu mandei pra Gabi, e falei: "Gabi, acho que tem alguma coisa aqui, que que, né, qual é a sua opinião?" Ela leu e falou: "Olha, eu acho que isso aqui, de fato, é um livro, vamos correr atrás de publicar". falei: "Tá bom". Aí a Gabi, que tinha muito mais conhecimento do que eu na época, eh, sobre o mercado editorial, ela ficou sabendo da editora libertinagem, que é a editora através da qual eu publiquei meu livro, que eles estavam com edital aberto. E daí ela me mandou o edital e eu submeti o miolo do meu livro, né? A história, eles aprovaram e eu fui publicada. E daí a editora Libertinagem, ela, eu acho que ela é uma editora muito bacana, eu falo que ela é uma editora de guerrilha, né? Porque ela é uma editora pequena, eh, que foca na publicação de autores independentes, autores e autoras, e ela tem um foco maior na publicação de mulheres, né? Eh, e eu gosto muito da editora libertinagem porque eles também pagam eh direitos autorais. Ah, tá. Em cima das vendas. Então, em cima da venda, Exato. Em cima da venda de cada livro, eu ganho uma porcentagem. Então, é um reconhecimento financeiro também do nosso trabalho, né? E assim, vamos combinar, né, Lili? É super necessário, né, um trabalho de vocês. Então, é legal essa parte. Inclusive, conversei também sobre isso com a com a Gabriela. queria que você falasse um pouco eh sobre isso também, da importância dessa valorização para vocês, eh, pros eh autores independentes, autores independentes. Eh, eu gostaria que você falasse sobre isso também. Sim, eu acho que é muito importante porque, afinal de contas, a gente vive no mundo capitalista, a gente precisa de dinheiro para viver, né? E querendo ou não, esse a escrita, ela é um trabalho criativo, ela é um trabalho que te exige tempo, que te exige dedicação. Então assim, você deixa de fazer algumas coisas no seu dia para poder sentar na frente do computador, sentar ali no seu caderninho e escrever, né, produzir uma obra literária. Ã, e como a Gabi disse também no bloco anterior, eu acho que hoje em dia mais oportunidades estão se abrindo nesse sentido do reconhecimento financeiro, porque nós temos eh mais editais públicos, né, que fomentam a escrita, eh, de pessoas escritoras, mas eu acho que a gente ainda tem um longo caminho a ser percorrido, né, a ser trilhado em relação a isso. É, com certeza precisa caminhar bastante, embora tenha eh dado uma evoluída, né, Lili? Mas precisa eh precisa evoluir ainda mais, né? Precisa. Porque, por exemplo, eu sou da cidade de Paulíia, né? Cidade vizinha aqui a Campinas. Lá não tem nenhum edital que incentiva pessoas escritoras. Então assim, eh, aí eu não posso concorrer aos editais daqui de Campinas porque eu não sou moradora daqui, não tenho CNPJ aqui. Então, entendi, né, assim, a minha situação fica um pouco mais complicada nesse sentido, mas eu acho que a gente tem que, né, procurar os políticos para poder procurar cada vez mais instituir políticas públicas de fato que incentivem, né, os as pessoas escritoras. Valeu, Lili Tosta, conversando conosco aqui no Conexão Cultural. Muito obrigado por nos receber aqui. Parabéns pelo trabalho. Obrigada. Muito obrigada. [música] [música] [música] [música] Vamos lá, conexão cultural. A gente segue firme e forte aqui no segundo bloco. Conversamos no primeiro com a Gabriela, também com a Lili, agora com a Fernanda Lazarini, que é artista visual, vai bater um papo com a gente aqui no Conexão Cultural. Tudo bem, Fernanda? Tudo bem, André? Bom, pra gente falar sobre amostra que tá bem legal, né? Tá bem bacana. Tem tem várias situações que a gente já conversou e tem muita coisa, né? Tem muita coisa boa, tem são muitas vozes, são muitas autoras, muitos autores, eh tem peça de teatro, filme e eu tô participando também com a minha com a minha exposição, com parte da minha exposição, que é um um uma coleção de vozes também, não deixa de ser. Então vem eh de encontro com essa amostra literária incrível que tá acontecendo na cidade. Bom, bora falar sobre eh o seu trabalho, Fernanda, você que é artista visual, pro pessoal que tá em casa, quer entender um pouco mais, se aprofundar, como funciona? Olha, eh as artes visuais são bem amplas, né? E e o meu trabalho ele ele ele transita em muitas linguagens. Eu eh trabalho com pintura, com escultura, com instalação. E para essa amostra eh eu trouxe eh três trabalhos que fazem parte de um conjunto que chama língua materna. Esse conjunto de trabalhos nasceu eh quando eu estava gestando a minha filha em uma residência artística no Marrocos, paraa qual eu fui convidada. Eh e lá começou eh uma uma mudança grande no meu processo de criação e entrou essa temática toda da gestação, do parto que viria depois. eh e todas as situações que são implicadas eh na maternidade. Então, por um lado, tem essa visão romantizada, idealizada da mãe, né, que que cuida e que dá conta de tudo. E, por outro, tem a realidade da das mulheres, das mães, que tem que trabalhar três turnos e eh incessantemente. E a gente, eu lido muito com esse paradoxo, eu trago as vozes das mães, das mulheres para falar disso e especialmente assim das violências que a gente vive, né? Porque isso por si só, ser mãe nessa sociedade eh capitalista, patriarcal já é violenta, uma situação violenta, né? Agora tem violências mais explícitas. Então, eh, no trabalho eu trago recortes mais explícitos também dessas violências sutis, psicológicas, emocionais nas palavras, mas também da violência que é eh física também. Bom, como você eh se interessou por esse assunto eh especificamente? Então, eh como começou tudo assim? Você você pensou como? Ah, começou da própria vida, da própria experiência. Ah, perfeito. De gestar, né, uma criança nesse mundo e entender qual é esse papel da mãe, da mulher na nossa sociedade. Eh, a partir daí, eu comecei a a ouvir mães, tanto mães e pessoas, homens, né, me perguntando, me questionando coisas e comecei a a refletir sobre esse papel da mãe e da mulher. Depois, com o parto e com o pós-parto, eh, percebi a necessidade muito grande de de ouvir outras mães, outras mulheres que estavam gestando, que tinham já e tido os seus bebês, as situações pelas quais elas tinham passado, as situações pelas quais eu vivi tudo que eu vi de perto, tudo que eu ouvi. E isso foi gerando um caldo pra é esses trabalhos que que nasceram e que estão nascendo ainda no meu processo criativo. Bom, se o pessoal em casa tiver ouvindo um barulhinho aí, é que começou a ventar aqui, um ventinho gostoso, mas às vezes a galerinha em casa e vai ouvir um um barulhinho aí no microfone. Qual a importância eh da amostra, por exemplo, para fomentar a cultura em Campinas e e e no geral? A amostra é essencial porque traz eh, como eu falei, essa multiplicidade de vozes, traz eh pessoas que atuam na cidade, na cultura de Campinas e e da região, eh, de uma maneira muito forte, estão sempre eh com escrevendo, dando cursos, oficinas, palestras e a amostra traz esse caldeirão de de cultura pra cidade. é um é um presente pra cidade. Inclusive o espaço aqui, não é? Eh, que é bem interessante. Gostaria que você falasse também a importância de ter espaços como esse na cidade, mais espaços, né? Sim. É, o MIS é um prédio tombado, né, pela prefeitura, um prédio incrível, histórico e precisa de de reparos, de cuidado, né, de de zelo. Eh, mas é fundamental a existência dele. Aqui já estão acontecendo junto com amostra eh outros eventos culturais, tem muita gente visitando, passando, tá no centro da cidade. Inventemente, né, o pessoal já acompanhou aqui no Conexão Cultural fazer eh o programa sobre o Sinegro. Sim. Então são várias atividades aqui. Muito legal, né? Sim. E é fundamental que elas convivam, que que a gente circule entre as diversas eh programações culturais que acontecem na cidade, eh, aqui no MAC, sempre tem programação e e é aberto, é gratuito, é só entrar e ver. Bom, beleza, Fernanda. Eh, mais alguma coisa pra gente finalizar aqui o Conexão Cultural que tá especialíssimo, hein, pessoal? É, acho que sobre a minha exposição é um convite, a escuta das mães, das mulheres, eh, no parque, no puerpério. Então, esse convite da escuta acho que é é importante, e o convite de ocupar os espaços culturais públicos da cidade, né, o MIS, o MAC, que eles são feitos com verba pública e para todas as pessoas ocuparem. Muito obrigado por nos receber. Obrigada. Valeu, pessoal. Conexão Cultural. Muito obrigado e até a próxima oportunidade. [música] Ciao [música] [música] [música] [música] [música]