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[música] Bom, vamos lá, pessoal. Conexão cultural para vocês que estão nos acompanhando. A gente vai falar sobre o Sinegro. conosco aqui a Andreia que vai bater um papo com a gente, curadora, idealizadora, tá aqui com a gente, Andreia Mendes. Antes de mais nada, muito obrigado por nos receber aqui, Andreia. Muito obrigada, André. Muito obrigada a todo mundo aí que nos acompanha pela conexão cultural da Câmara, da TV Câmara. Boa, boa. Bora falar desse projeto que é bem bacana. A gente inclusive tava conversando aqui em off antes de iniciar a gravação, né, André? Tem muitas atividades, né? Como é que é? Conta pro pessoal que tá em casa, por favor. É isso. Nós temos uma programação extensa, né? Estamos na segunda edição do Festival de Cinema Negro de Campinas. A programação, ela parte eh do princípio de uma amostra coletiva competitiva, contemplando eh produções nacionais. Então, nós recebemos aí praticamente eh exibições do Brasil inteiro e selecionamos um número bem importante dessas produções para serem exibidos por aqui. E além disso, nós também temos outras atividades. Então, nós temos mostras locais que acontecerão nas regiões periféricas, né, distribuídas aí ali no complexo do AMG, né, Oziel, aquela região. Outra outra mostra acontecerá na Casa de Cultura Tainã, que é uma referência da cultura negra aqui de Campinas, localizada ali na região do padre Manuel da Nóbrega. também estaremos atuando junto com outros espaços, outras instituições, a exemplo do CESC. Então, nós teremos uma amostra infantil, teremos um espaço formativo também dentro desse desse espaço e conversas formativas, né? A gente acredita que o festival para além da exibição, a gente tem que ter um compromisso também formativo, tanto paraa cadeia produtiva do audiovisual, mas também paraa formação de repertório cultural do público, né? A gente eh poder sensibilizar da importância do audiovisual como uma linguagem artística, eh, que acesse a todas as pessoas, né? Cinema gratuito, cinema aberto e de acesso prático e rápido para o público. Boa. Então, estamos falando aí de um festival de cinema negro. Como surgiu essa ideia, Andreia? Conta pra gente eh como que vocês chegaram aí à conclusão de que seria de fato um sucesso como tem sido, né? Bom, eu acho que primeiro parte de um desafio, né? Eh, o audiovisual em Campinas, ele não estava eh pautando uma produção negra. Então, tem nós estamos nesse momento aqui dentro de um de um museu da imagem e do som e que retrata nele por si só a o tom de pele de quem as produzem. Então, partindo desse lugar, eu como uma produtora negra, que vem desenvolvendo muitas ações durante esses anos, eu passei a pensar nisso quando surge uma lei de fomento federal, que é a lei Paulo Gustavo, onde os recursos estavam destinados principalmente à produção audiovisual. E naquele momento eu fui investigar a possibilidade da gente pensar as produções negras nessa cidade que é uma cidade marcada pela memória negra, né, considerada historicamente como última cidade de abolir escravidão e a gente fica como que a gente ressignifica esses códigos, né? E aí eu tomei coragem, falei, vou convidar amigos, né, penso na coletividade e tem a possibilidade de através dos fomentos, né, de financiamento do audiovisual, a ter a possibilidade de colocar esse projeto no mundo. E pra nossa sorte, fomos contemplados e estamos na segunda edição. Bom, a gente tava conversando inclusive, né, Andreia, eh, foi inspirado aí no Cine Preto e Cena Preta. É isso, exatamente. O Cine Preto, Cena Preta, é um espaço de de exibição de filmes que acontecia eh dentro de um de um outro espaço aqui da Sala dos Toninhos aqui em Campinas, idealizado por um grandioso artista da nossa cidade, que é o Daniel Almeida. Então, o Daniel, tanto na pandemia, começa com esse movimento de exibições online através das plataformas digitais, né, ali do YouTube, fazia uma seleção de filmes para que as pessoas pudessem assistir e depois traz isso pro presencial. Então, a partir daquele momento, dessas conversas nossas, a gente entendeu que teria sim um bom caminho para para percorrer aí. Boa. E a homenageada desta edição é a Lilianta, super conhecida aí no, né, no mundo inteiro, né, André? Sim, exatamente. A nossa homenageada é uma mulher negra da nossa região. Ela é natural de salto, né? É uma é de família mineira, mas sediada em salto, uma grande referência na no audiovisual brasileiro e internacional. E a importância dela é para além do do fazer mesmo audiovisual, da produção cinematográfica audiovisual, mas sim da referência pro campo das artes, né? Porque além de tudo ela é uma professora que dissemina isso para um campo bem mais amplo através do do seu fazer docente, né? Então é de uma de suma importância e nós achamos por bem prestar essa homenagem. Bom, e também o documentário, né, da família Alcânara. Isso. Ela traz um documentário junto com o irmão dela. Esse documentário, ele é um dos primeiros, né, eh, que surge ela como a primeira mulher negra fazendo esse documentário que narra a trajetória da sua própria família, né, indo recuperar essa memória, essa memória negra. E para além disso, ela também se une a um coletivo, né, que é o coletivo Feijoada. Naquele momento junto com os irmãos, ela faz um grande uma grande revolução de produzir cinema dentro desse desse lugar que nós estamos aqui, interior de São Paulo, é uma cidade muito pequena que é salto. É ali pertinho de tu, né? Exatamente. Muito muito legal. Um abraço aí pra galera de salto. Bom, é interessante também, né, Andreia, porque aqui tudo isso, além de de tudo isso que você tá contando pra gente, pro pessoal que tá em casa, é um ponto de encontro bacana para conversa, troca de ideias, inclusive sobre esses temas, né, Andréia? Exatamente. Eu acho que é muito importante, gente, falar que esse é um festival de cinema negro, não significa um festival para pessoas negras, entendeu? é um festival onde a gente tá possibilitando que as pessoas acessem outros cinemas para além dos tradicionais que a gente já está eh acostumado a ver nas telas. Então, é um convite para que todas as pessoas que se interessem por cinema e que desejem acessar filmes de qualidade construídos gratuitamente dentro desse festival possa acessar essas produções. Então, o nosso objetivo mesmo é difundir e formar repertório cultural. para todos os públicos. É, não é importante você falar isso porque eh às vezes as pessoas podem confundir, né, Andreia? Exato. Qual o principal objetivo de vocês aí pros próximos anos? Eh, já o ano passado muita gente participou, né? Sim, sim, sim. Qual que é o principal objetivo aí do para vocês? Onde vocês querem eh chegar? Questão de atingir cada vez eh mais e mais pessoas, como você eh disse agora a pouco? Uhum. Eu acho que o principal objetivo da gente, como como eu tô te falando, é formação de repertório cultural. E quem sabe a partir desse dessa formação de de repertório cultural também sensibilizar pessoas para a cadeia produtiva do audiovisual, pessoas negras que muitas vezes eh sempre parece tão distanciados do cinema e ver nesse lugar uma oportunidade de atuar. A cadeia produtiva do audiovisual é muito grande, muito extensa, né? E aqui nós temos curso de Mediologia na Unicamp, né? Então é importante que a gente possa oportunizar as pessoas como oportunidade de trabalho. É uma classe de trabalho, né? Então acredito que o festival também pode ser um bom caminho para que as pessoas eh pensem nesse lugar como uma oportunidade de trabalho. Bom, e vem gente eh de várias partes aqui de São Paulo, do estado, até do Brasil. Sim, sim. O festival ele, como eu te falei, é um festival nacional, né? Então a gente recebe pessoas, a ideia que seja um festival local para movimentar o público da nossa região, mas é um festival nacional. Então o ano passado nós recebemos pessoas do Brasil e este ano também estamos recebendo, inclusive o nosso curador, o Wilton está vindo do Rio de Janeiro, já já, né? O Wilton é o Wilton Oliveira que é diretor e roteirista. No segundo bloco, um papo com Wilton. Exatamente. Temos também uma outra convidada que vem da França para compor aqui a nossa equipe. Então é muito importante que ela fala português ou não? Ela é brasileira e mora lá. Sim. Então isso é muito importante, né, para que a gente entenda a grandiosidade do cinema negro no mundo também. Como tá essa questão assim e mundial do cinema negro? Eu acho que o Wilton pode inclusive falar muito de você. Ele chegou agora recente de do Reino Unido, então ele vai falar com mais propriedade sobre esse cenário, mas eu acredito que a gente tá agora no momento de ascensão de de uma forma mais eh universal do cinema negro, né? pensar o cinema africano, os cinemas, de um modo geral, as produções, tanto ficcionais como documentais, eles têm ganhado um outro outro lugar, né, através também dessa ideia do cinema comercial, né, tá se abrindo também através dos streams. Então, acho que a gente tá numa cena mais democrática, vamos dizer assim. Bom, você citou aí, Andreia, o cinema africano. Eu fiquei curioso. Certamente a galera que tá em casa acompanhando, assistindo ao Conexão Cultural também ficou como que é? Você procura, não é, acompanhar também. Eu acho que é legal essa troca de ideias. Existe isso, não existe? Como que é, Andreia? Existe sim. Existe cinema africano de alta qualidade também. Inclusive a nossa terceira edição, esperamos muito que ela aconteça, que dê tudo certo e será dedicada ao cinema africano, fazer essa conexão com o cinema africano. Antecipamos aqui em Exatamente. Em primeira mão pro Conexão Cultural. É boa, boa. Então essa é a ideia. Esse já tá definido. Já está definido em projeto. Boa. E e o que que vocês pretendem fazer, se aprofundar nesse tema? Como que vai ser, André? Vamos falar um pouquinho já pro pessoal já imaginar como que vai ser ano que vem também. Ideia, a ideia é que a gente tenha um chamamento específico para produtores africanos com uma amostra específica para produções africanas. E aí pautando três línguas, né? O francês, o português e o inglês, né? E aí terão essas traduções legendadas, eh, valorizando mesmo essas produções dos territórios africanos, né? Bom, pra gente finalizar, porque o papo passou eh rapidinho, mas aí a gente ainda tem um tempo. Andreia, como que as pessoas que estão em casa e t interesse de se envolver mais com essa situação? Como que é o que que essas pessoas devem fazer? Eh, procurar vocês? Como que é isso? Conta pra gente, por favor, Andreia. Então, para saber mais do Festival Se Negro, nós temos uma rede social que é o Festival Seegro ou Preta Ação e lá estarão todas as informações sobre o festival, sobre essas atividades que a gente falou aqui anteriormente. Então, convidamos vocês para que acompanhem aí. Boa. E qual o recado que você deixa pr pra galerinha aí? Eu convido as pessoas a consumirem cinema negro, que possam abrir os olhos para produções independentes, produções locais, produções documentais. É muito importante o cinema comercial, o cinema que nós vamos pagar para assistir, mas principalmente poder valorizar o que é gratuito, o que é na nossa cidade, o que são eh localizados nos espaços públicos. Então, consumam produções independentes, produções gratuitas e valorizem quem trabalha e quem faz cinema. E sejam bem-vindos ao Festival Sinegra. É, em Campinas o pessoal abraçou a a ideia. Em Campinas o pessoal abraçou muito a ideia e nos garantiu que essa segunda edição fosse possível. Então é por isso que a gente é imensamente grato a essa cidade, a toda a região que esteve presente na primeira edição e temos certeza que estarão nessa segunda edição também. Bom, pessoal, conversamos com Andreia Mendes, que é a curadora, idealizadora também do projeto. Muitíssimo obrigado, Andreia, eh, por receber a equipe aqui do Conexão Cultural, conversar conosco, passar o recado. Eu que agradeço, André. Agradeço a todas as pessoas que estão acompanhando Conexão Cultural. Muito obrigada. Bom, galerinha, é o seguinte, no próximo bloco, não é? A Andreia já falou, eu falei também. A gente vai entrevistar Wilton Oliveira conosco, vai participar do Conexão Cultural, vai falar, evidentemente também muito mais a respeito deste assunto. Roteirista está aqui em Campinas, é do Rio de Janeiro. A gente volta já já. Não saia daí. [música] Bom, é isso aí, pessoal. Segundo bloco aqui do Conexão Cultural, como prometido, estamos com Wilton Oliveira, que é diretor, é roteirista, curador, convidado. Olha só, o cara é baiano, mora no Rio de Janeiro, estava recentemente em Londres e agora está em Campinas. É isso mesmo. Tudo bem com você? Tudo beleza. Olá, pessoal. Prazer estar aqui participando do programa. Cheguei de Londres e domingo já tô aqui na terça. A gente não para. Já tinha vindo a Campinas? Sim, o ano passado eu fui um dos jurados do C negro, né, na primeira edição. Foi bem interessante. Esse ano tive aqui também a convite do Cegro e o Sesc para ministrar oficina de distribuição de filmes. Então o Campinas já tá ficando na minha rota, né? Já tô aqui de novo. Então eu agradeço bem a cidade, me acolheu bem, tô sempre fazendo coisas aqui. Espero voltar sempre que puder. Bom, você acompanhou, não é, o papo que eu tive com a Andreia. É algo realmente é muito bacana aqui o projeto, o festival, né? Então o sinegro, né, ele é uma iniciativa importante e cumpre uma função, eh, posso dizer preenche uma lacuna, né, aqui na cidade de Campinas, porque no Brasil a gente vê iniciativas, né, eh, em vá em várias cidades de mostras e festivais de cinema negro. E aqui em Campinas não tinha, né, uma cidade que tem um histórico eh bem importante das pessoas negras. E como é que não vai ter um festival de cinema negro? Então se negro ele prensa essa lacuna e espero que o festival tá vindo, a gente é imensa vai falar evidentemente também muito vindo a Campinas. Bom, pessoal, bom pessoal, conversamos com Andreia Mendes, que é a curadora, idealizadora também do projeto. Muitíssimo obrigado, Andreia, eh, por receber a equipe aqui do Conexão Cultural, conversar conosco, passar o recado. Eu que agradeço, André. Agradeço a todas as pessoas que estão acompanhando Conexão Cultural. Muito obrigada. Bom, galerinha, é o seguinte, no próximo bloco, não é? A Andreia já falou, eu falei também. A gente vai entrevistar Wilton Oliveira conosco, vai participar do Conexão Cultural, vai falar, evidentemente também muito mais a respeito deste assunto. Roteirista está aqui em Campinas, é do Rio de Janeiro. A gente volta já já. Não saia daí. [música] Bom, é isso aí, pessoal. Segundo bloco aqui do Conexão Cultural, como prometido, estamos com Wilton Oliveira, que é diretor, é roteirista, curador, convidado. Olha só, o cara é baiano, mora no Rio de Janeiro, estava recentemente em Londres e agora está em Campinas. É isso mesmo. Tudo bem com você? Tudo beleza. Olá, pessoal. Prazer estar aqui participando do programa. Cheguei de Londres e domingo já tô aqui na terça. A gente não para. Já tinha vindo a Campinas? Sim, o ano passado eu fui um dos jurados do C negro, né, na primeira edição. Foi bem interessante. Esse ano tive aqui também a convite do Cegro e o Sesc para ministrar oficina de distribuição de filmes. Então o Campinas já tá ficando na minha rota. Tô aqui de novo. Então eu agradeço bem a cidade, me acolheu bem, tô sempre fazendo coisas aqui. Espero voltar sempre que puder. Bom, você acompanhou, não é, o papo que eu tive com a Andreia. É algo realmente é muito bacana aqui o projeto, o festival, né? Então o sinegro, né, ele é uma iniciativa importante e cumpre uma função, eh, posso dizer preenche uma lacuna, né, aqui na cidade de Campinas, porque no Brasil a gente vê iniciativas, né, eh, em vá em várias cidades de mostras e festivais de cinema negro. E aqui em Campinas não tinha, né, uma cidade que tem um histórico eh bem importante das pessoas negras. E como é que não vai ter um festival de cinema negro? Então o se negro ele prensa essa lacuna e espero que o festival consiga se consolidar cada vez mais, porque é difícil, né, realizar eventos em cidades do interior que não tem tanto financiamento, mas felizmente o festival tem conseguido, né, se sustentar com as políticas públicas do da cidade e espero que que cresça cada vez mais. Boa. Inclusive, a Andreia tava me falando que você eh participou da da do ano passado, né? O ano passado eu fui convidado com júri, mas como já conhece o André há um tempo, né, quando ela eh me contou que iria eh criar um projeto de cinema negro na cidade, eu me coloquei à disposição para ajudar, né, porque no Rio de Janeiro eu sou idealizador da mostra do filme marginal que existe desde 2017. Eh, e ela conhece o trabalho, né? E aí eu tentei, né, chegar junto da mesma mesma distância, né, porque é de fato é difícil construir um projeto novo, né? Então, sempre é bom a gente tá eh se cercando de pessoas que já tm experiência, que a gente confia. E aí na oportunidade o projeto foi aprovado e ela me convidou para ser jurado do festival e eu vim para cá e foi muito legal ter participado da do sinegro esse ano novamente. Aí ela convidou para ser o curador, né? É um majúri. Então o sinal que o pessoal gostou da minha participação [risadas] e espero tá aqui sempre que puder. É, tá aguardando o convite já pro ano que vem, né? Já tô pedindo aqui que ela falou que vai ter ano que vem já tá certo. Já tem tema até o tema, né? cinema africano, mas ter tema. Falei: "Ó, mentira não, viu? Eu ajudei desde o início, viu? Boa." E pra galera que tá acompanhando a gente, qual que é o qual que é seu papel assim, o que faz um curador pra galera que tá chegando agora entender um pouco mais sobre isso? É, vou vou explicar especificamente do do Sinegro. Eh, o Sinegro é uma amostra de cinema negro competitiva, né? Que é voltado para os diretores e produtores negros, né? realizadores, mas a é aberta ao público plural da das cidades. Então, o festival ele abre e inscrição de filmes e aí chegaram 250 filmes, mais ou menos. 250. Isso porque a produção diminuiu pr descrição, né? Colocaram só 12 dias de inscrição, porque ano passado foi mais. Você não vinha muito mais. Ano passado foi mais. Quanto mais ou menos? Acho que foi uns 300 e pouco no ano passado. E aí percebendo que que ia chegar muito mais, né? Delimitou um tempo curto, mas mesmo assim chegaram 250 filmes. Daí então eu, Gilberto Sobrinho e André ficamos com a tarefa de de escolher 10 filmes para participar da amostra competitiva, né? E amostra que tem dinheiro, né? Dá um dindim, dá um dinheiro, né? Mas além da amostra competitiva, também tem amostra infantil, tem a as amostras locais, né, com filme da rede de Campinas, da região de Cosmópolis, né, Campinas. Então, eh, a curadoria basicamente ela vai escolher quais são os filmes que vão ser assistidos, né? Então, todos todos os festivais é isso. Então, o curador é ele que escolhe quem vai ser visto ou não. Então, é fundamental que que tenha tem uma baita responsabilidade, né, JTO? E e é e é importante, né, que que se tenha curadores negros em em eventos diversos, porque o audiovisual no Brasil eh até pouco tempo sem foi branco, né? Então sempre era pessoas brancas que escolhiam o que era visto e não visto. É, né? E com a inserção de pessoas negras também atuando nessa área, a gente consegue eh multiplificar, multiplicar, né, a diversidade de vozes cinema audiovisual. Então é muito importante que que eventos como esse e também que curadores negros estejam cada vez mais em eventos diversos, né? Porque aí não fica um pensamento único, narrativas únicas, né? Existe a possibilidade de dialogar com mais gente, com histórias diversas. Então é fundamental que isso aconteça sempre. Boa, boa, boa. Eu tava falando aqui, Wilton, eh, de Salvador na Bahia, mora no Rio de Janeiro, estava recentemente eh, viajando, estava em Londres, agora está em Campinas. Só faltou eu falar que o Hton é apaixonado pelo Vitória, né, que absurdo aqui, [risadas] ó. Mora, Bahia. E você é da macaca? [risadas] Não, não é bem assim não. Ah, aí a gente joga [risadas] joga muito jogo. Não, eu sou guarani. Ilton é Bahia. Tá explicado [risadas] para não ter nenhuma dúvida. Dúvida. Dúvida. Boa. Boa. Sensacional. Fale um pouquinho mais sobre a sua carreira pro pessoal aqui eh conhecer a galera de Campinas. Então, eu eu sou historiador de formação, né, mas também sou realizador de visual e cineclubista. né, que cria um cine clube chamado Cine Cine Clube Cine Outro e também amostra do filme marginal, onde eu sou um dos curadores, né, mas também eu roteirizo e dirijo filmes, né, o o o último filme que eu fiz que teve uma grande repercussão, né, que se chama Nossos Passos seguir seus, que inclusive vai passar na mostra dos curadores nac negro, viu, gente? Quando puder, apareçam lá. Então, esse filme ele ele foi lançado em Paris, né, na França, no festival eh Brasil em movimento. Inclusive a Xavier que vai aparecer, que tô sabendo aí também, foi uma das curadoras, né, desse festival. E a gente foi para Paris exibir, depois retornou pro Brasil e fez a histó BBU, que é o é o maior encontro de cinema negro da América Latina, né? Então, então o filme já chegou, né? duas estreies muito muito importantes e a partir desse momento o filme rodou muito, exibiu muitos lugares, me levou para três países, né, presencialmente, mas o filme circulou por por muitos, né? Então eu também jogo jogo em várias condições, [risadas] né? Produção, direção, é o que a gente é o que a gente costuma brincar, né? Eh, bate escanteio e vai fazer o gol. E vai fazer o gol. Não, não tem jeito, né? É, mas eu eu gosto muito do audiovisual, do audiovisual político. O papo tá tão bom, já era para eu ter encerrado, porque a gente tem mais uma convidada. Mas uma última pergunta, se você me permite, como que tá no Rio de Janeiro e essa questão do eh festival de cinema negro, enfim, então, o Rio de Janeiro ele é o eixo, né, a gente o Rio São Paulo é o eixo no audiovisual, então existe muitos festivais e mostras de cinema geral, mas também de cinema negro e periféricos, né? Tem muitos cineclubes que de pessoas negras, então a questão do cinema negro é pulsa na cidade. Lógico que que ele ele vibra, grita por espaço, né? porque ainda são espaços mais restritos, mas no Rio de Janeiro, eh eh apesar de de necessitar de de avanço, de financiamento, mas o cinema negro ele persiste e resiste na cidade, então ele é presente, não tem como negar a sua presença lá na cidade. Mas o que a gente reivindica no Rio de Janeiro é fomento o público, né, que se tenha mais financiamento para para o cinema negro em geral, que a grana, né, do audiovisual deixe de ser concentrada em poucas mãos, né, que empresas novas, realizadores novos também consigam acessar recursos para fazer seus filmes, né? E o fomento estatal, né, na minha opinião, ele é fundamental para democratizar o acesso, né, a política pública, proteger a população, né, do grande mercado que só quer explorar muit das vezes, né? Então, acho que o Rio, apesar de ter um um cinema negro pulsante, mas também reivindica por mais espaço, por mais financiamento. Eu acho que o Brasil todo. Valeu, prazer em te conhecer. Valeu, valeu. Muito obrigado, viu, velho? Valeu, velho. Sucesso, pessoal. Tem mais uma convidada aqui no Conexão Cultural. Bom, galera, estou de volta pra gente concluir agora com a Leila Xavier, que é júri no festival. Tudo bem? Muito obrigado por nos atender. De nada. Prazer meu. Bom, Leila, deixa eu falar um negócio para você. Você veio da França, é isso? Tava na França. Fica lá, fica um pouco aqui, um pouco lá, um pouco aqui. Um pouco lá, um pouco aqui. Sim. Mas nesse momento eu vim do Rio de Janeiro, né? Vim da França pro Rio e não e não é lá em Paris. É na França, em Paris. França em Ren, ah, que é na Bretanha, uma região de médio porte da França. E nesse momento eu tô aqui com os amigos, né, participando dessa segunda edição do Sinegro, né, que é um festival de temática racial, que é o que me move, né, tanto na parte artística quanto na parte acadêmica também, que eu tô nesse festival como júri, mas trabalho, atuo em outros outros festivais como curadora e também sou pesquisadora cinema negro. Bom, vamos lá pra galera em casa entender. Inclusive eu perguntei pro Wilton sobre eh o trabalho de um curador eh de um curador, como que funciona o trabalho de um júri no festival? conta pra gente eh quais os aspectos aí, o que que você observa para tomar uma decisão para eh dar eh é voto, né, que fala, né, para dar o seu voto. E aí, então, como nada no cinema você faz sozinho, né? Tem uma equipe de júri e na minha avaliação é uma parte assim bastante cruel cruel do ponto de vista que tem muitas obras boas, né? Mas que você vai julgar algumas, sobretudo que a parte que a gente vai fazer essa classificação, ela é competitiva, né? Então você analisa vários aspectos, né, que quando o filme já vai paraa competitiva, ele já tá atendendo determinados critérios, né? Mas sempre é uma tarefa difícil, porque você tem que analisar a narrativa, você tem que analisar a questão da fotografia, você tem que analisar eh o todo, a relevância da temática. Então são vários aspectos, né, muitos sutis até, que você tem que levar em consideração até você chegar ao filme que corresponde, né, que tá dentro desses critérios todos, né, mas o que não quer dizer que os outros, né, não estejam, mas é aquilo, né, igual partida de futebol, só ganha um, né? [risadas] E normalmente são quantos juros? Olha, nesse festival tem uma equipe de três, né, jurados. Então não empata nunca. Não vai empatar. É número né? Mas eu quero dizer o seguinte, ganha um, ganha um, ganha um. Então, eh, os jurados eles ao mesmo tempo também tem que se convencerem do seu voto, da sua análise, né? Então, por isso eu falei que é impossível empatar, mas eu tô pensando aqui, se cada um votar em um, ter, né? Vamos supor três filmes, assim, por exemplo, é porque são três filmes que serão selecionados. Mas é isso, o festival ele não acontece no único dia. Então, a cada, entende? Então, a cada sessão você assiste o filme, você vai se reunir, né, com um conjunto de jurados e você vai discutir, né, e você vai ao longo do festival eh apurando, né, esses olhares, né? Eu participei eh por três anos consecutivos eh do maior festival, vamos dizer assim, de documentário engajado brasileiro, né, que se chamou o Brasil e Moveman, né, que acontece acontece na França. É um festival que hoje tem 18 anos e eu participei 3 anos consecutivos. Então isso foi muito importante, porque como o meu foco é cinema negro, então eh quando a gente fala cinema brasileiro, a gente fala do cinema brasileiro como um todo. E pra gente que discute, debate, realiza, vive o cinema negro, a gente tem um recorte. Então quando eu fui para lá, eu fui já com esse olhar, né? porque eu fui para fazer um doutorado sanduíche lá e também com a bagagem daqui. Então, quando eu me integrei a equipe do festival, eu já fui com esse olhar e aí com o compromisso de levar os filmes eh daqui, né, dos realizadores negros para lá. Então, foi muito importante eh pautar no festival esse debate da questão do cinema negro, né? Porque eh quando a gente reivindica esse lugar, a gente reivindica por uma razão histórica da cinematografia brasileira, né? E é muito importante, por exemplo, o cine negro que tá aqui realizando a segunda edição, né? E para nós realizadores e pesquisadores, é muito importante que outros estados, outras cidades, né, se debruce nesse debate. E é importante também pro que a gente chama, né, do cinema hegemônico, né, também entender que a gente precisa est disputando essas narrativas, a gente precisa est disputando políticas públicas que não chega de modo igual pra gente. É, com certeza. Então, ao longo aí desses anos, a gente tem eh pautado o cinema negro até para para um posicionamento político, né? Porque eh muitas vezes todos nós que somos militantes desse cinema somos questionados: "Mas por que cinema negro?" E aí isso nos dá oportunidade de dizer que se a gente tá dizendo que tem um cinema bran preto, é porque tem um cinema branco que a gente nunca teve oportunidade de chegar. E quando nós chegávamos, chegávamos na condição de subalternidade, né? Na condição de estarmos por trás da câmera, das câmeras, né? De sermos protagonistas das nossas próprias histórias. Então é importante pra gente pautar esse lugar, né? Então, eh, é um pouco isso que a gente além de de tá nessa condição de júri, de curador, de realizador, eu também sou cineclubista, né? Porque a gente tem uma militância, né, de na periferia, é, né, eh, nas periferias do Rio de Janeiro, que onde o aud o cinema não chega. A grande maioria dos cinemas, né, nas periferias do Rio de Janeiro, sem medo de errar, eu posso dizer que é uma realidade do Brasil. Muitos viraram igrejas, né, e cabe os cine clubes, eh, tá levando a difusão do cinema nesses lugares. Então, também a gente ocupa esses espaços, né? Então, é um trabalho que eu diria de militância, vamos dizer assim, né? É isso aí. Bom, pessoal, olha, hoje a gente pegou vários sotaques diferentes aqui. O sotaque do Rio de Janeiro é algo realmente sensacional. Também a gente teve um sotaque baiano, é bem legal, todo mundo fala super bem e o programa certamente e você aí de casa gostou bastante porque é um assunto muito importante. Muito obrigado, viu? Obrigado vocês pela oportunidade. Boa Leila Xavier conversando conosco aqui no Conexão Cultural. Valeu, galerinha. Até a próxima oportunidade. Ja. [música] [música] [música] เ