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Olá, está começando [música] [música] cultural, galerinha. E olha só que assunto bacana. Você sabia que Campinas é uma terra indígena? Pois é, Campinas é a cidade do interior do Brasil que mais tem indígenas. Cidade que que não é capital, né? É uma coisa de fato que chama bastante atenção. Bom, a gente vai falar bastante a respeito disso, inclusive estou aqui com a Raiane que é artista. Tudo bem com você, Raiane? Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural. Tudo bem, André? Um prazer todo meu de estar aqui dialogando com você sobre a importância da exposição e a importância também de falar que Campinas também é uma terra indígena, né? Bom, e talvez muita gente não saiba, né, Rayane? Como que é isso para vocês? Como que você vê essa situação de de Campinas ter tantas etnias assim indígenas? Sim, Campinas sempre foi uma cidade que eh tem povos indígenas, mas eu acredito que a visualização, a potência de ter vários indígenas aqui chegou com o vestibular indígena da Unicamp. A primeira edição foi em 2019, que foi onde que eu entrei. Boa. Então, a partir de 2019 já teve mais de 35 e etnias aqui em Campinas. Hoje são mais de 250. Mais de 250 etnias. Caraca, 250 etinias. Você pertence a qual? Caingang. Então essa visibilidade para pro quesito indígena em si, em cidade, em centro urbano, foi a questão do vestibular indígena, mas aqui em Campinas eu tenho familiares aqui que está aqui mais de 30 anos. Então aqui já tem povos Caengue, Terana e Guarani, né? que o fato mencionar acho que a Lu Guarani da etnocidade que também tem várias parcerias com a prefeitura de Campinas que é uma idealizadora de de visibilidade mesmo da questão indígena aqui em Campinas, né? Então acredito que falar, trazer mais sobre essas questão e eh é como afirmar novamente que a gente tá propondo nessa exposição que São Paulo é terra indígena e Campinas também, né? Boa exposição é Gaia, Terra Viva, São Paulo é terra indígena. Campinas, claro, também e bastante. Você disse, tá quanto tempo aqui em Campinas? Eu vou fazer 6 anos, né? Vim em 2019 e voltei pro meu território na pandemia. e tá se formando, se formou em pedagogia na Unicamp e agora está fazendo uma pos jornalismo. É isso. Eu tô agora, entrei no mestrado no laboratório avançado de jornalismo da Unicamp, eh, na linha de divulgação científica cultural, onde que eu faço a minhas pesquisas e é também onde que nasce a uma metodologia científica do povo Caingang, onde é onde que eu uso aqui também nessa exposição. Bom, estamos aqui no Instituto Pavão Cultural em Barão, Geraldo. Já já eu vou dar um rolê com a Raiane aqui, porque a exposição tá bem bacana, tá bem legal e a exposição é feita aí de forma coletiva com vários artistas, né? Sim. de início, a artista Beameira, né, que aí, acho que é a cabeça maior desse dessa exposição, entrou em contato com a Teresa, né, a Susana, que é curadora, né, da dessa exposição. E a Susana eh lembrou dos povos originários por conta que a BA fala bastante de Gaia da Terra. Ah, então ela fosse nada mais do que chamar povos originários que também trabalha com essa ciência, né, que é uma ciência ancestral, uma ciência, uma ciência cultural. Então, a BA e fez uma chamada para artistas indígenas. Então, veio eu, né, que sou Kangang, a Cláudia Baré, né, que é e a Larissa Pamaçã, que é tucano. Então, é uma é uma exposição de mulheres, né? Acho que é é importante ressaltar de mulheres que vem falar sobre a Gaia em si, não como um apenas um recurso eh financeiro e tudo mais, mas a Gaia, o corpo da terra como algo vivo, né? Algo que respira, algo que que tem que tem espírito assim. Boa. Então são só mulheres, são só artistas. Bacana. Aí a proposta busca discutir, tô dando uma olhadinha aqui, possibilidades geradas pelo diálogo entre os diferentes saberes, né? Sim. Que legal. É, a BA ela traz muito isso, né? Acho que a ciência, eu costumo dizer a ciência eh do homem branco, né? Vamos dizer, dos não indígenas, né? Que a gente costuma pautar. E eu e outras colegas indígenas, artistas indígenas, a gente traz mais essa ciência do território. O que seria a ciência do território? para você ouvir e aprender com o território, com os humanos e não humanos, animais, o espírito. Então, acho que toda essa exposição tá vinculada à ciência e à ciência ancestral, a ciência do território. Boa. Tá dando uma olhadinha aqui no seu currículo, como eu disse, então, eh, se formou em pedagogia, tá fazendo aí essa, não é? Eh, você gosta de jornalismo, então? Gosto bastante. [risadas] Que legal. A carne de caia em Campinas e Botucatu. Campinas, Botucatu, Ribeirão Preto, Jaú, Tupã. Brasília, aonde que a a exposição A Carne de Gaia eh percorreu. Bom, Rayane, vamos conhecer um pouquinho, né, o seu trabalho, o trabalho também das outras artistas. Como disse a Raiane, é uma exposição feita 100% por mulheres, né? Sim. Bora conhecer que a galera de casa tá curiosa, quer conhecer um pouco mais. Vamos lá então, pessoal. [música] [música] Vamos lá, então, Raiane. Outro lado também tem bastante coisa pra gente mostrar. Sim. Então, aí aqui nós trazemos também eh o trabalho, né, das outras artistas indígenas. E aqui a gente aqui nasce uma metodologia científica, aonde que na minha pesquisa na na graduação e tudo mais, trazemos a perspectiva, a metodologia do trançado do povo caingue. Então o trançado ele não é apenas uma técnica, é algo que vocês constróem coletivamente porque você respeita o tempo da das matériaspras, o tempo da natureza e tudo mais. Então, nasce essa essa vontade de tecer juntos e acredito que a exposição é é isso, é uma é um tecer junto, é uma trama vinculada a povos originários, ao cuidado com a terra, a exposição do da mão do homem, né, que tem que pensa que a Terra é apenas um recurso financeiro. E aqui é uma obra em coletivo com o artista Beameira, né, que é o estado de São Paulo. E aqui a gente também traz o o grafismo caig, é porque e quando a gente frisa o estado de São Paulo, porque é muito difícil ainda eh desmistificar o olhar do da população que não conhece assim tão tão perto que às vezes as o pessoal pensa que a população indígena está apenas no Amazonas, né? É, com certeza. Então acho que é bem importante ter esse movimento dessa exposição, uma falta de informação, né? Eh, por isso que é importante trazer não só essa exposição, mas como outras também a exposição certamente ela ajuda a conscientizar também as pessoas, né? Isso. Então, é muito importante, é um vínculo eh de você mostrar que aqui em São Paulo, aqui em Campinas tem povos originários e e que esses povos eh originários carrega ciências tão potente quanto outras ciências também. Aqui é uma obra das colegas, né, artistas, a Cláudia Baré e a Larissa Pamaçã. Então eu não vou conseguir explicar muito bem, sabe? Porque é um é algo cultural delas, né, da cultura delas. Então, mas é isso. Nossa, bastante coisa. Muito legal, bem bacana, viu, Rane? Sim. Bom, e qual que é o recado que você deixa pra galerinha que tá acompanhando a gente no Conexão Cultural? Qual mensagem que você quer passar? Ah, eu acredito que acho que gerar buscar informações sobre os povos indígenas mesmo, sabe? Porque como eu já falei aqui na Unicampínguas faladas, mais de 50 povos indígenas e cada povo carrega uma especificidade, uma cultura história, né? Uma história própria, né? Isso. Então, acredito que é isso.Oonde eh tiver exposição com povos indígenas ou exposições que falam sobre bora prestigiar, bora entender, bora se informar, né? Isso. Tirar esse olhar genérico do indígena que está apenas na na aldeia, né? Porque hoje aqui em Campinas tem bastante eh é, eu já fiz inclusive, Rayane muitas matérias, né, sobre eh os povos indígenas, sobre os estudantes indígenas que estão eh na Unicamp, que é o seu caso também, né, que é o seu caso. É bem bacana. Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural, tá bom? Eu que agradeço. Valeu, pessoal. A gente vai para um rápido intervalo e a gente volta já já. Bom, é isso aí, galera. A gente segue aqui no Conexão Cultural falando sobre Campinas, que é uma terra indígena. Conosco aqui o TH, que é artista, manda bem demais. Já dei uma olhadinha no material dele aqui. Coisa linda. Tudo bem? Muito obrigado por nos receber. Eu que agradeço participação de vocês aqui na minha casa. Para mim é um privilégio. Bom, cara, que legal o trabalho. Como começou? Bom, o trabalho aqui em Campinas de Artes eu comecei através da Luarami. É, ela me motivou bastante na com os trabalhos de arte, né, que foi a primeira referência indígena que eu tive aqui em Campinas, que é ela que tá à frente do grupo Etncidade, né, que é um grupo que acolhe os indígenas que vem pro contexto urbano das comunidades. E nos eventos, conhecendo mais a particularidade dela, né, os trampos que ela faz, eu descobri o as artes, né, que ela também pinta, que ela também constrói. E eu e eu já me identificava desde pequeno, né, construindo os meus próprios brinquedos e artesanatos. Eh, decidi então aprimorar um pouco mais sobre as artes em tecido, né? Bom, e como surge aí as ideias dos desenhos, cara? Porque tem muita coisa legal aqui. Eh, como que assim, o cliente pede, você faz e depois vende? Como funciona? Como surge assim também, né? As pessoas chegam para mim e falam o que elas querem, né? um desenho exclusivo, uma coisa que de repente seja ancestral, que na maioria das vezes é assim como eu trampo, eh eu faço, elaboro, crio e aí dou para as pessoas verem o que elas acham e aí quando elas se identificam, não, beleza, a gente constrói e vai elaborando junto com a pessoa. É, o esse surgimento começou quando eu tive, tava morando um tempo com a minha avó, né? Eh, e as ideias de desenhar pássaros, desenhar e cambu, serpentes, vem de entendimentos ancestrais que ela passou para mim. Ela conversava com os pássaros, ela conversava com as plantas e isso veio para mim eh em um formato de trazer a vida através de um tecido, mostrar que um não é só um pássaro, aquele pássaro é específico, ele faz parte da natureza, ele também faz parte para reflorestamento das matas com ecossistema do planeta. e os rapos também, né, que tem as suas medicinas, suas serpentes, que também protegem os seus habitates. E tudo isso veio veio chegando, né, intuitivamente. E hoje eu boto isso nos tecidos e tento, é, tento comercializar isso, né, de uma maneira criativa, construtiva, para que o a minha ancestralidade continua viva, para que minha ancestralidade continua adiante. Bom, então a sua inspiração foi sua avó? Foi a minha avó. Eu gostava muito de como ela se comunicava comigo, eh, e os pássaros respondiam a isso. Tipo, um, acho que você conhece o Alma de Gato. Sim, que é um pássaro muito esperto, muito, ele é muito versátil e ele tem duas cantigas. E eu consegui diferenciar essas duas cantigas deles através da minha avó. quando uma pessoa vai chegar em casa ou quando vai um uma mudança no tempo tá para acontecer ou alguma coisa inesperada dá para acontecer. Então, através dos cantos dos pássaros, principalmente desse, eh, eu consegui ter assim um contato mais próximo ancestral da minha avó, que ela me passou isso e eu construí uma base em cima disso. E aí, tipo, esse entendimento eu passo através do da arte. Bom, mas você tem um trabalho também de ajudar as pessoas nessa eh questão assim ou não? De também, mas é um processo, né? às vezes de doença. É um processo. Às vezes, eu tô nessa construção, hã, tô nessa construção de poder trazer eh um formato terapêutico pra pessoa, ter uma interpretação diferente, porque o contexto urbano é caótico, isso a gente sabe, o contexto urbano é muito caótico. Então você vem da comunidade pro contexto urbano, você precisa se firmar em alguma coisa, nem que seja sua fé, porque senão você se desestrutura, você acaba em um limbo de depressão, sabe, de ansiedade. Então você precisa transformar a sua fé de uma maneira em que ela construa em você uma inspiração para continuar, porque senão é barro você. É, com certeza. Qual a sua, qual a sua etnia? Bom, eh, meu pai ele é macuchi. Hum. Eh, eu sei pouco da linhagem do meu pai e minha mãe é mundurucu. E aí, por ter essa união de duas etnias, eu carrego a força do clã do meu pai, né, que é macchi. Uhum. E aí as pessoas vão me conhecer como macchi, mas eu também sou mundurucu. Entendi. Bom, como que você vê assim em Campinas, cara? Porque esse é um programa ou conexão cultural, a gente tá falando exatamente sobre isso, né? Que Campinas é terra indígena. E como a gente tava conversando, inclusive Campinas aí é uma das é tirando as capitais, claro, uma das cidades que mais tem indígenas, né? Sim, claro. Eh, o Brasil em um todo, né? Aqui essa América Latina como um todo é um território indígena, né? Na verdade, o planeta é um território indígena, né? Isso não quer dizer que ele é proprietário disso, não. Tá aqui para guarnecer, para proteger, para fazer florescer, para continuar. O indígena tem essa identidade, né, com o planeta, com com o território. E em Campinas faz sentido ter muitos indígenas, né? Porque aqui era terra indígena, então não isso não tá assim, não é uma coisa equivocada. A grande São Paulo tá cheio de indígenas. É. E tem Unicamp, né? Teve o vestibular indígena. Eh, eu acho que tudo isso também soma. Soma, né? Isso também soma. O que é interessante, né? O contexto de universidade pro indígena, eh, porque o branco não procura universidade indígena, né? O branco nunca nunca fez questão nenhuma de procurar a univers como é que funciona os saberes indígenas, mas ele faz questão de tirar o indígena de lá. E aí o indígena tem que fazer isso, né? ele precisa sair para vir pro contexto urbano para ter o aprendizado do branco para justamente ter que politizar através disso. E aí faz sentido que os indígenas sim estejam mais próximo no contexto urbano, nas universidades, que é importante, é muito importante, é necessário. Bom, falar um pouquinho mais sobre e o seu trabalho, que é isso aqui? Isso são tintas, né? São tintas. Eh, esse é o material que eu uso para produzir o as artes. Essa tinta é uma tinta própria para tecido, né? Aqui ela tá em pouca quantidade porque é um trabalho que eu tô iniciando e aí dando continuidade eu vou ter que aderir mais matériapra. Não, porque é caro também, né? Com certeza. Isso é. Pois é, eu ia chegar lá. Eh, porque você tem custos, né? Com certeza. Como que é? Tem a tinta, tem pincel. Tempo chama. Esse aqui foi eu que construí. Então é material reciclado. Esse aqui eu andando na rua, peguei essas madeirinhas, improvisei. É mesmo? E você pinta aí? É onde eu, é onde eu fico, é onde eu passo o meu tempo de meditação. E aí essas tinta, né? Tudo leva dinheiro e tempo aqui, né? E é um trampo gostoso, mas dá trabalho, claro, né? E o retorno, como é? O o retorno é lento. O retorno, o retorno financeiro, o retorno financeiro é muito lento. Porque é isso, né? Apesar de o movimento indígena ter ganhado uma visibilidade, mas ela ainda não sustenta a galera que vem da comunidade pro contexto urbano viver de sua arte, então ela precisa ter outros meios de de ganhos para se sustentar da arte. A gente se esforça para ter. Sim, sim. A gente não pode perder essa essência porque faz parte da nossa ancestralidade, é a forma de como a gente se comunica. Bom, e quem se interessar pelas camisetas, como faz? Qual o valor? Eh, você tem Instagram? Tenho. Eh, meu Instagram é thsmdk. Eh, lá eu publico alguns stories do material que eu crio e os preços também, tá? Tudo lá. Eh, entrar em cont, quem entrar no seu Instagram vai vai encontrar, manda uma mensagem lá, só entrar em contato que a gente conversa. E aí os desenhos, eu tenho esses disponíveis, mas se quiser eh uma algo diferente totalmente diferente, quer um negócio assim particular, quer construir uma coisa, a gente também constrói, a gente elabora. Maravilha. Boa. Valeu. Muito obrigado por nos receber aqui no Conexão Cultural. Eu que agradeço. Muito obrigado. [música] [música] [música] [música] [música] Vamos lá, pessoal. Conexão cultural. Estamos no segundo bloco. Agora estamos aqui no espaço cultural fêmea fábrica com a Moara que vai bater um papo conosco. A gente segue falando sobre a quantidade de indígenas em Campinas. Também vamos mostrar uma nova exposição. Vocês já viram uma no primeiro bloco, mas vou apresentar aqui a Moara que está conosco no Conexão Cultural. Tudo bem, Moara? Beleza. Tudo bem. Bom, eh, a gente vai falar já já sobre a exposição, mas eh tá bem legal, né? Tá bem bonito. Sim, tô muito feliz de poder estar aqui. É a primeira vez que eu faço essa exposição aqui em Campinas, né? E em São Paulo também quanto uma individual desse tamanho. Qual é a exposição? Em Rito Pinambá eu existo. Foi uma política, foi com apoio de uma política nacional de Blank. Como surgiu a ideia? conta pra gente. Bem, essa exposição ela surgiu eh a partir de uma pesquisa do ano passado eh sobre a nossa espiritualidade indígena que foi apagada e que a gente tem muito nas nossas histórias dos nossos avós, dos antigos, que sempre contam nas comunidades, é uma memória viva e que nós chamamos de encantados, que são esses guardiões da floresta, que provavelmente vocês devem conhecer, porque a cultura do folclore, né, o folclore em si, de alguma forma pegou para si, mas não nomeia quem são, né, quem são os autores disso. Por exemplo, Kurupira, né, que é um encantado nosso da Amazônia e que também tem essa origem tupi dos tupinambá. Então, a gente traz um pouquinho desses encantados para saber quem são esses encantados que fazem parte da nossa espiritualidade indígena nas nossas regiões. Boa. E cara, tem muita coisa aqui. Todas as obras são suas. Quanto tempo mais ou menos você levou para fazer cada uma dessas obras? Quantas tem aqui? Temos em torno de três, qu cco eh, cinco, seis obras de Minhas, seis obras, né? E temos uma de um artista convidado que é o Mikon Serrão, que é um um áudio dele do podcast que se chama Pavulagem. Ah, perfeito, perfeito. Bom, e quanto tempo você demorou aí para fazer cada uma dessas obras? Porque imagino que não deva ser fácil, não, hein, Moara? É, as fotos tem que ter o dom, né? Eh, as fotos elas foram construídas de uma forma que ela começa com a fotografia, né, do parente. Todos são indígenas que estão aqui, né? Então a gente começa com o estudo de qual parente vai querer, né, se colocar, né, nessa foto e representar esse encantado que que está sendo representado por ele. Então, algumas foram feit na aldeia Tucumant Pinambá, que é a minha aldeia lá no bairro Tapajós, eh, que é do Patauí e do do próprio José Bonifácio, que é o meu cacique, né, que interpretou europupari. E a partir disso a gente vai eh fazendo essa direção de arte, direção de luz, com algumas pessoas que ajudaram, que apoiaram ali na direção criativa. E depois ela é construída uma fotomontagem, né, a partir de uma identidade minha, que eu já trabalho essa identidade do universo dessas cores neon, mas também cores roxas, iluminadas. Eh, e aí eu vou trabalhando isso no Photoshop, né, numa ferramenta de edição. E a partir disso é que vai construindo esse lúdico, né, esse universo que vem a partir de sonhos, né, desse sonho, desse imaginário. Maeri significa miração, né, ou visão tremida. Então, trouxe um pouquinho disso também pra questão da arte, da estética. Bom, tô dando uma olhadinha aqui nas suas informações. Artista visual, não é? Você disse para mim que veio de eh que nasceu em Belém do Pará. Isso? Isso. Nasci em Belém do Pará. Eh, a minha família, ela veio de Santarém. Ah, perfeito. Perfeito. Meu pai e minha mãe são de Santarém. Não, boa. Você tá tá morando aqui em Campinas agora em Campinas. Tá gostando de Campinas? Eu moro já faz uns tempinhos desde a pandemia. Quantos? Ah, então já faz o quê? Um desde 202 anos. É 5 se anos, né? Tô gostando. Eu gostei muito de de estar por aqui. É conhecer, entender que aqui é um lugar também com uma presença indígena forte. e conhecer um pouquinho desse lugar que é Campina, que a gente não conhece tanto, né? Então fiquei feliz de estar aqui também, poder expor aqui. Boa. A gente tava conversando inclusive antes, né, Moara? E Campinas realmente é uma terra indígena, né? Porque eh fora as capitais, né? as cidades do interior, claro, também considerando aí as cidades da grande São Paulo, enfim, cidades de todo o Brasil, que não são as capitais Campinas, é a cidade mais indígena que mais tem indígenas no Brasil. Como que você vê isso? Claro que tem essa questão da Unicamp, né, que que certamente tem uma influência muito grande e queria que você falasse sobre isso. Sim. Aí, com certeza a Unicampa esse papel protagonista de eh promover, né, essa vinda de tantos indígenas para cá, para Campinas, né? É importante isso, né? Falar disso que são indígenas de vários lugares, muitos do Rio Negro, mas também do Nordeste que estão aqui também presentes nessa terra. Mas também tem outros indígenas, provavelmente que são indígenas que são provavelmente dessa região, né, de origem guarani ou Tupi, que também moram aqui, né, que estão também morando e vivendo na cidade, que já saíram das suas aldeias, mas que estão aqui também ou que já nasceram aqui, né, porque também tá nascendo indígena aqui devido a todo esse processo. É claro, lógico. E você é de qual etnia? Eu sou da etnia Tupinambá. Boa. Bom, vamos conhecer então as suas obras. Vamos mostrar pro pessoal que tá em casa como são essas obras, o seu trabalho, porque eu tô dando uma olhadinha, realmente tá bem legal. Bora lá. Vamos. Vamos lá. [música] Bom, vamos contar então a história de cada uma dessas obras, né, Moar? Essa aqui, por exemplo, conta pra gente. Patauí, ela foi construída essa obra na aldeia Tucumant Pinambá. Quem tá fazendo parte dessa obra é Rudatupi, que ele é lá da região do Salgado do Pará. convidei para est presente e ele é do artista da performance, do teatro e representou essa entidade, né, esse espírito da floresta, só que é muito específico ali da região de Santarém, do Tapajós, né, é meio de lá, não é conhecido, né, como a gente conhece outros por aí. Então, Patauí, ele é esse espírito que aparece à noite, às vezes de bicicleta, às vezes também ele sofre eh, ele transforma-se em bicho, de bicho em humano para assustar as pessoas da comunidade. Boa. Vamos, vamos pra próxima, então. E essa obra, você que é a minha mãe, eh, ela tá representando, a minha mãe tá representando aqui, provavelmente vocês devem ter ouvido falar, não sei se conhece, a Matita Pereira. Já ouviu falar na Matita Pereira? Não, Pereira, ela sofreu muito com a questão da catequização, porque na época da colonização demonizaram ela, transformaram ela em bruxa, mas ela também é uma encantada da floresta, ela é um espírito da floresta, uma guardiã, né? E ela parece sempre com esse pássaro que é também o guardião dela, que tá junto com ela e tá representado pela minha mãe. Foi feita, essa aqui foi feita em Belém do Pará, foi uma foto construída em Belém do Pará. Que legal, que bacana. E quanto tempo mais ou menos para fazer? Olha, ah, vai dois dias, né? Tem um dia da foto, da faz rápido, hein? É, da produção, da de toda a questão da Não, e olha, os detalhes são impressionantes, né? E aí tem um outro dia que é a parte da edição da imagem, né? Recorte, edição de luz, de sombra, enfim. Bacana. E essa aqui, qual é essa obra? Também é a mesma, só que ela tá em outra posição da Matita Pereira. Ela tá também num lugar como se ela tivesse olhando pro horizonte para cima. Ela é muito colocada assim como como eu falei, né, como bruxa, mas ela não é uma bruxa, ela é uma encantada, uma senhora da floresta que vive na floresta que vive protegendo, né, e a gente tem que respeitá-la também. Bom, essa é outra, né? Essa é outra obra, não tem nada a ver. Essa aqui é outro trabalho, é do meu CCI que tá fazendo, é a primeira vez que ele fez uma foto assim, né? E eu achei que ele representou bem. Ele tá representando o Yurupari, que é o Jurupari, né, mais aportuguesado. Então, Yurupari também é uma entidade, a gente fala muito de lá, ela é muito presente na Amazônia, em várias comunidades. Norte do Pinambá também tem essa entidade presente lá. E ele é um ser que ele protege a floresta, mas ele assusta, inclusive, dá uns gritos bem altos assim, né? A gente ouve uns gritos grandes, fala: "Ah, é o Pari". Então assim, eu trouxe o José Bonifácio porque ele fala muito, ele conta do Urupari e ele também atualiza a histórias do Yurupari que são bem interessantes, que só ele contando para ouvir. Bom, gente, no Conexão Cultural estamos mostrando aqui, não é, várias exposições de indígenas bem legal, bem bacana. Tem outra obra aqui ele também. É também o José Bonifácio em outro ângulo. É, e é interessante que a gente utilizou também como indumentária, né, essas essas folhas que são da própria aldeia, né? Então a gente brincou com elas para trazer, né, esse figurino que ele carrega no próprio corpo. Não, eu acho legal esse jogo de cores que você faz aqui, né? Chama atenção também, né, Moara? É, o horário que a gente fez essa luz para ficar desse jeito, é uma luz do horário de final de tarde, assim, então é, tem isso porque a luz é diferencia e ela também é uma luz que vem de uma janela, né? Então tem esse essa diferenciação também de lux. Bom, bora mudar de ambiente aqui porque tem bastante coisa. Vamos andando com a Moara, que é a nossa convidada aqui no Conexão Cultural. Tem mais duas obras aqui. Fala, Moara. É, e também tem o Patauí, que é a mesma obra, né? Aqui já vai aparecer mais ele de frente com a máscara. Essa máscara foi produzida lá na aldeia, né? Foi construída também lá. E toda essa pintura a gente fez lá para aparecer um pouco do que os próprios moradores, os nativos da comunidade contam. Então, é um pouco. E aqui a gente traz um texto também eh curatorial. E interessante desse texto curatorial, para quem não conhece Tupi, nós vamos ter a tradução também aqui em Tupi, Mairitupinambá a Cobé, né, que e você conhece tudo isso aqui? É, eu estou aprendendo também, né? Porque a gente perdeu muito a nossa língua, mas muito a gente tá aprendendo. Eu faço cursos, né? Tô fazendo um curso de tupi e a gente vai trazer um pouquinho, né, a tradução e você pode ouvir também. Eh, tem audiodescrição, você pode acessar o Qcode e ouvir como que é que é falado o tupi e também eh ouvir para quem eh não consegue ver, né, consegue. A gente faz a descrição de todas as obras que aí você pode conhecer um pouco mais. Bom, pra gente encerrar aqui, galerinha, o conexão cultural nesse assunto super importante, tem ali um vídeo, que que é? É do curupira, só que aí saiu. Deixa eu colocar aqui. Vamos lá, Moara. Mas explica pra gente exatamente o que é aí. Esse vídeo foi um vídeo que acabou de ganhar um prêmio recentemente eh do Museu da Pessoa. Eh, e esse vídeo ele foi concorrido inclusive com vários outros vídeos indígenas também e foi escolhido. Então é o um vídeo que é um homem que enfrentou o Kurupira, vai trazer uma versão do curupira totalmente diferente desse curupira mascote da COP 30 que vocês viram aí do cabelo de fogo. É o Curupira, que é do povo Caapó, contado por um indígena Capó, que é o contador de histórias dessa região. Então ele vai trazer um curupira, por exemplo, antropofágico, um curupira com uma outra visão que é diferente dessa romântica que a gente conhece de curupira. E aí eu trago um pouco da meus desenhos, que são misturas de nanquim com eh riscos mesmos e pinturas e são feitas de forma digital. Então, meu irmão animou, fez a animação junto com o vídeo que esse vídeo é do Museu da Pessoa, é uma entrevista que o Museu da Pessoa fez. Então, a gente editou, fez o roteiro e construiu essa animação que é o homem que enfrentou o Curupira. Valeu, Mara, parabéns pelo trabalho, sensacional, show de bola. Tá bom, muito obrigado. Valeu. É isso aí, pessoal. Conexão cultural. Valeu e até a próxima oportunidade. Ciao. [música] [música] [música] [música] Yeah.