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Conexão Cultural | Cinema Independente de Campinas
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Conexão Cultural | Cinema Independente de Campinas

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Em um sítio de Betel, em Paulínia, uma cidade cenográfica com igreja, cemitério e casas deu forma a “Vicente na Cidade Fantasma”. O cineasta Flávio Carnielli detalha a produção do longa de 108 minutos, com 15 atores, e os desafios das filmagens sob chuva. Na entrevista cultural sobre cinema independente regional, ele relaciona a história à memória do interior e comenta a participação no Cine Fantasy e no Circuito SPcine.

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[música] Bom, vamos lá, pessoal. Conexão cultural cinema independente de Campinas. Pois é, estou aqui com o Flávio Canielli, que vai conversar conosco, não é? Falar a respeito do cinema em Campinas. Tudo bem? Beleza. Beleza, André. Tudo bem? Bom dia. Como tá? Prazer estar conosco aqui no Conexão Cultural. Bom, você vai falar aí de um filme bem bacana, Vicente, na cidade fantasma. Inclusive, onde nós estamos, Flávio, pro pessoal em casa ter uma noção. Exatamente. A gente tá num num sítio aqui em Betel, né, em Paulíia, que onde foi a nossa cidade esenográfica mesmo. Basicamente a gente montou uma cidade pro filme aqui. Então, uma igreja, um cemitério, casinhas. E é um filme de terror para todas as idades. Bom, tava totalmente diferente do que tá agora, obviamente. Totalmente diferente. É, é, era uma cidade fantasma, né? Então, tava diferente, mas eh segue a lógica ainda. Como é a história do filme? Conta pra gente. Eh, o menino é ele, os pais se perdeu, né, de 11 anos. Perdeu. Isso. E ele descobre uma cidade fantasma que os mortinhos voltam uma vez por ano para se reencontrar. E com esses mortinhos ele aprende sobre a passagem do tempo, sobre a amizade, sobre a morte, enfim. E essa cidade é toda em preto e branco. E ela é uma cidade fantasma, assim como várias cidades no interior da história do nosso interior, né? Bom, inclusive eu tava vendo aqui que foi participou aí selecionado do Cine Fantasy. É isso? Isso. Cine Fantasy, que é um dos maiores festivais de de terror de gênero do Brasil. Conta pra gente então a importância disso, como foi essa experiência. É, a gente passou no Cine Fantasy e também fez o circuito SPCIN, que são algumas salas de São Paulo, né, de de cinema da periferia de São Paulo. Eu acho, e não acho, eu tenho certeza que é muito importante, porque é um um cinema feito aqui por profissionais da nossa região com uma história que tem relação com a nossa história também. E é muito importante hoje, cara, a gente se apegar à cultura do nosso interior, né? De uma certa forma, a nossa cultura tá indo embora. Ah, sem dúvida. É, então o filme também faz uma uma homenagem a isso e é muito importante que ele circule só no na capital como no Brasil inteiro. Não. E isso você, Flávio, eh que é cineasta e tudo mais, tocou num num assunto super importante. Eu acho que isso é demais, é muito bom para para Campinas, né? É, a cultura, a nossa cultura tá indo embora, né? Ela não é uma cultura valorizada, ela é uma cultura que tá se desfazendo, né? E eu acho que o nosso filme Vicente na cidade de fantasma honra essa história da nossa cidade, fala sobre a nossa cultura, sobre aspectos culturais que são comuns a todos nós que vivemos no interior. Bom, bora falar um pouquinho mais sobre o filme, então, como que foi a produção, quantas pessoas participaram? Olha, nós temos um elenco de 15 atores basicamente e a gente trabalhou, a gente normalmente trabalha com poucas pessoas na equipe. A gente trabalhou entre 10 e 15 pessoas na equipe ao longo da jornada do filme que durou quase um ano, justamente a gente pegou essa época, chovia, então tinha que esperar, né? É um filme aberto, né? Mas a gente reuniu ali, a gente gravou aqui, a gente gravou na Unicamp, a gente gravou no exército, a gente gravou na Casa de Saúde. Caraca, a gente gravou em muitos lugares. Bom, e a galera certamente que tá interessada, onde pode acompanhar o filme? O filme por enquanto tá em festival, né? Então a gente tá aguardando pro processo de distribuição maior, mas dá para ver o trailer, né, na internet e o teaser do filme e que a gente tem inclusive para mostrar aqui no Conexão, né? É isso mesmo. É 108 minutos. 108 minutos. Qual foi o momento mais difícil assim da gravação? Qual foi o maior desafio? Cara, eu acho que o maior desafio foi esperar chuva de verdade. A gente tomou muita chuva. A gente gravou numa fazenda, na fazenda do Inova da Unicamp. Ali era a guerra do Betã mesmo, porque chovia, lama, eh, criança, né? Existe um um uma uma história que é a seguinte: você vai fazer um filme, um grande produtor disse isso. Se você não tem muita grana, não faça. Criança, animal e noturna. E a gente teve as três. Então o desafio foi esse, gravar com um animal. A gente gravou com porco do mato. Caraca. É à noite e com elenco de criança. Meu Deus. Porco no mato. Porco do mato. É um porco treinado. Ele anda de skate. Ele chama Jefferson. E a gente tem essa imagem, tem tem a imagem, tem a imagem, tem ó a cara do do meu cinegrafista, o César Rio, falou do porco do mato e ele é bonzinho, cara. É bonzinho, mas ele tem vontade própria, ele é muito inteligente. Ele esptava os bois, né? Porque ele é um predador assim de de boi. Bois tem medo dele. E qual foi a função dele no filme? [roncando] É, ele aparece no filme como uma brincadeira. O os pais estão procurando o filho, eles encontram um um cara muito esquisito que mora num casarão, tal, e eles perguntam se encontrou o filho dele e o cara toma aquilo como se fosse o porco. Se os pais tivessem falando daquele porco que é da mesma altura, bonitinho, tal. E ele acaba dando nome de Vicente pro porco também. Então esse porco aparece várias vezes na história. Ele tem vestido de lutador mexicano, é uma maluquí, porque é um filme também feito para interessar a criança, né, e tudo mais. É isso que eu ia perguntar. Qual que é o objetivo de vocês atingir todos os públicos, inclusive as crianças? Eu ia chegar nessa pergunta, inclusive. É, o Vicente é um filme de fantasia e terror que é uma introdução do do universo do terror para criança e para todo mundo que não conhece, mas tem várias referências no filme, né, de vários filmes clássicos de terror. Então ele funciona também como uma introdução. Ele é um filme de censura livre. Ele não tem nada super mórbido, agressivo. Bom, bora falar um pouquinho aqui, gente, sobre o Flávio, que é cineasta, produtor cultural, [limpando a garganta] também é mestre em história, eh, pela Unicamp. como ele mesmo se define, é algo muito interessante aqui. Um realizador caipira com muito orgulho. É isso mesmo, Cláudio. Realizador caipira e torcedor do Guarani. Ah, eu também. Estamos junto, então é isso. Tor. [risadas] As pessoas hoje estão com tudo é um gesto de resistência. Torcer para o Guarani é um gesto de resistência. Isso é verdade. Isso é [risadas] verdade. E trabalhar com cinema no interior também, cara. E eu acho que o trabalho é fundamentalmente é esse, falar sobre a nossa cultura. sobre a nossa região, com pessoas da nossa região. Eh, 80% do nosso elenco é composto por eh profissionais da nossa região e a equipe 100%. Como que você montou a equipe? Como que Ah, a gente tem algumas pessoas que trabalham sempre com a gente, né? A gente tem uma um time, né? E outras pessoas acabam se juntando para fazer alguns eh algumas das outras funções que que normalmente a gente tá precisando, tal. Então, eh, elétrica, luz, coisas desse tipo, mas a gente tem um um core, né, uma equipe que sempre trabalha com a gente. Bom, eh, você citou agora a pouco aqui na entrevista, Flávio, que eh falando sobre o cinema do interior, a situação, cara, o que precisa para voltar, ganhar mais espaço? Eu acho que o cinema do nosso além de investimento, evidentemente que é uma coisa óbvia, mas o o que que você acha que eu acho que é a valorização da nossa cultura, cara. Valorização da nossa a valorização da Existe ainda existe um fiapinho que a gente tem para se apegar de uma cultura que é própria da nossa região e a gente precisa se apegar a isso e respeitar isso e promover isso, porque é o que a gente fala, viva o sistema do interior, a nossa cultura também importa. E é importante que o Brasil saiba que a cultura do interior de São Paulo ela importa. Ela é importante também. Ela não é não é ruim, porque não existe uma cultura ruim, né? Bom, esse filme Vicente na cidade fantasma foi um dos que você mais gostou de fazer. Como é que é? Foi, foi, é um longa, né? Então o desafio é ele é 10 vezes maior do que um curta, né? Mas eu a gente nós fazemos terror, né? Basicamente. Então eu tô acostumado com esse universo e fazer um longa é maravilhoso, mas é muito cansativo também. Cara, tem muita gente, até legal tocar nesse assunto contigo, Flávio, tem muita gente que pensa: "Puxa vida, mas eh, nossa, tenho medo de assistir filme de terror". Que que você diria para essas pessoas assim que têm às vezes e essa esse medo tal e que quando você vai assistir um filme bem legal, você sai e dá aquela emoção e tudo mais? Ah, eu tomo, a gente juntou 400 pessoas na estreia no convivência e a minha tia falou: "Flavinho, eu não vou porque vai ter coisa nojenta e coisa que dá medo". Eu falei: "Não, eu garanto, tia, pode ir". E minha tia foi, adorou, se divertiu. Então eu tomo, por exemplo, isso, porque as pessoas normalmente associam terror a coisa que dá medo ou a coisa que dá nojo, né? Mas [roncando] no caso desse filme, ele é um filme feito com censura livre até pela pelas pelos critérios que são dados pelo ministério. Então não tem como ele te deixar com morrendo de medo em pânico ou com muito nojo também. Mas ele é um terror. Então ele tem ali as suas a sua linguagem de terror, mas nada que espante as pessoas. Então dá para com um pouquinho de coragem você consegue enfrentar. Boa. Qual o próximo desafio? Ah, o nosso desafio agora é produzir eh a minha esposa também é diretora, né? E ela tá produzindo longa dela que se chama Lenda dos Cavaleiros da Água, que [roncando] é um filme sobre a cultura nordestina, porque ela é nordestina. Então a gente tá investido agora nesse nesse trabalho também. E em realização de curtas metragens, né, que é o que a gente sobrevive disso. Então a gente precisa estar sempre trabalhando. Da onde que ela é? Do Nordeste? Ela é de da Paraíba, de Monteiro. Ah, perfeito. Torce pro Botafogo da Paraíba ou não? Não, ela torce pro Guarani também. Ah, virou mugrina. Aí sim, pô. Coisa linda, é espetacular, cara. Você falou do Guarani aí, mas é uma resistência mesmo, né, Flávio? Nossa, torc. Eu eu acho de fato que a gente que ainda torce pros times da nossa cidade, né? É, né? E e para exeção, tomara que eles façam alguma coisa pelos times [risadas] também. Mas sim, só um parentezinho para falar do Guarani, né? Mas a gente já vai indo paraas orient paraas suas considerações finais. pro pessoal que tá em casa, que adora cinema, que adora filme, que conhece seu trabalho. A gente falou um pouquinho sobre o seu trabalho. Quem sabe numa próxima oportunidade a gente entrevista também sua esposa falando sobre filme, porque nós estamos aqui no Conexão Cultural. Que que você pode falar pro pro pessoal que tá em casa, que gosta disso, Flávio? Eu acho que a gente tem um cinema muito forte aqui no interior, cara, muito forte mesmo, que precisa ser descoberto pela pelos pelas próprias pessoas que moram aqui, né? Eh, os nossos filmes estão disponíveis no canal Look, no Box Brasil Play, eh, no Amazon Prime. Então, eh, com Flávio Carnielli, é um pouquinho de de busca ali, você consegue encontrar no YouTube, tem todos os trailers, né? Eh, então para encontrar o material não é difícil. Eh, a gente fez um longa ano passado e americana que também é um longa de censura livre, chama tão bonito quanto o Amor, que não é de terror. É um filme de fato assim para toda a família. também tem a nossa linha de trabalhos de terror que são mais pesados. Então, eu acho que é uma uma questão da gente eh abrir um pouco o coração e a mente para pro cinema do nosso anterior, que hoje é um cinema muito forte, cara. A gente tem profissionais muito bons aqui. Então, com um pouquinho de, né, abrir um pouco o coração e valorizar os profissionais que trabalham na na região também. Quantos anos você tem? Eu 46. Eu tenho 47. Começou com quantos anos a fazer? É 20. Já faz 20 anos. 20 anos. E se interessa desde sempre por cinema? Ah, sempre, cara. Sempre, sempre. Era o meu sonho era fazer isso. Eh, eu gosto muito de escrever e quando, só que quando eu comecei era mato, né? Aí não tinha nada, cara. Aí era daquele do jeito mais difícil mesmo. Mas a qualidade vai melhorando também, porque hoje é mais acessível, né? Os equipamentos, a a as pessoas também estão mais capacitadas. Então hoje é muito mais fácil fazer esse anel do que há 20 anos, né? Bom, e aproveitando pra gente concluir, Flávio, a sua participação aqui, você que é um cara experiente e tudo mais, que dica você daria pra galera que tem intenção de de entrar nesse mundo do cinema e que vai viver talvez uma outra geração daquela que você começou há 20 anos? Ah, com certeza, cara. Eu eu acho que eu eu sigo o conselho de um diretor eh antigo dos Estados Unidos que me falou isso há 20 e poucos anos. Se você quer fazer, faça. Você vai errar, você vai acertar, mas nunca espere, porque não vai existir hora certa, né, para nada. Eu acho que em qualquer campo da vida é assim, não tem a hora certa, né? A hora certa é quando você faz, cara. Se você quer, se você ficar esperando a temperatura, o clima, o dinheiro, tudo, né? e eh conte com ajuda de pessoas como o Silvio Zanet, que é o meu amigo e que que cedeu gentilmente esse espaço pra gente botar uma cidade durante vários meses e é o grande responsável, né? Então conte com as pessoas que você conhece. Ah, um dos nossos amigos em comum aquele me falou uma coisa semana passada, amizade é ouro, né? Os relacionamentos. Então você tem ouro, Flávio? Tenho mesmo no Silvio, tenho na e minha esposa e em todos que participaram do filme. Boa. O reconhecimento é fundamental. Ah, com certeza. Valeu, Flávio. Obrigado. Sucesso. Obrigadão, cara. Bom, galerinha, a gente vai para o intervalo e na volta a gente retorna aqui falando mais sobre o cinema independente de Campinas. Até já. Bom, vamos lá, pessoal. Segundo bloco aqui do Conexão Cultural. A gente segue, portanto, falando sobre cinema independente de Campinas. Conosco aqui o Rafael, que também é cineasta. E aí, tudo bem, Rafael? Beleza. Tudo bem? E vocês? Bom, bom. Bora falar sobre um filme bem bacana, o ar que a gente respira, porque nós estamos aqui na Delegacia Seccional de Campinas, onde parte do filme foi gravado. Isso mesmo. É o É que a gente respira, é um drama policial. E eu queria caracterizar o filme em uma delegacia de verdade, que acho que isso ia trazer um peso bacana pro filme, ia e acrescentar, dar valor ao filme e a gente conseguiu vir aqui para esse prédio tão importante pra cidade, né? Bom, para falar um pouquinho sobre você, como começou sua carreira, conta pra gente aqui no Conexão Cultural, por favor. Legal. Bom, eu comecei minha carreira como ator, né? Eu me formei no Conservatório Carlos Gomes. Eh, já vamos fazer mais de 20 anos aí essa trajetória e por muito tempo eu trabalhei como ator de teatro. Eh, há uma coisa de uns 10 anos atrás, eu comecei a tentar entrar nas produções de cinema e aí eu vi a necessidade de começar a produzir os filmes também para conseguir atuar. Mas eu fui percebendo que é muito complexo, né, toda a produção, a direção e eu fui migrando aos poucos, né? Hoje eu tenho atuado bem menos como ator. Eh, no ar que a gente respira, eu faço uma ponta, uma participação pequena como ator e fui migrando paraa produção e direção. Bom, vamos lá. Vamos falar um pouquinho sobre o filme, o ar que a gente respira, portanto, gravado aí todo ele em Campinas, né, para programação também foi eh foi selecionado paraa programação oficial do 12º Santos Film Fest. Isso. É isso. É, a gente teve a oportunidade de participar em alguns festivais pelo Brasil, né? a gente participou eh no festival dos sertões no Piauí, no festival de cinema de Rondom e também no Santos Filme Fest. Como foi lá? Ah, bom, todos os festivais, assim, é muito gostoso, é uma oportunidade muito legal, porque você tá ali participando com outras produções do Brasil inteiro, no caso do Santos Filme Fest, com filmes internacionais também. Então é uma uma chance que a gente tem de colocar o filme num teste drive aí com outras produções, né? e e tá nesses ambientes, conversar com os outros produtores, outros atores das outras produções e também com a crítica, com o público que tá assistindo o filme, eh, que tá ali assistindo de uma forma bem isenta. É uma oportunidade da gente ver se o filme tem qualidade, como ele é recebido pelo público. E em todos os festivais que a gente foi, a recepção foi muito boa. Boa, boa. Bora falar um pouquinho sobre o filme, Rafael. O ar que a gente respira, que é uma trama, né, cara? Eu particularmente sou fã de filme policial, adoro investigação, bem bacana. Conta pra gente um pouquinho sobre a história do filme, como surgiu a ideia de fazer o filme. Legal. Bom, eu sou um fã do cinema policial, né, de todos os gêneros, mas o cinema policial sempre me cativou muito. Só que uma coisa que sempre me interessou nesses filmes não eram apenas as cenas de ação, as perseguições, que eu coloquei isso no filme, tem também, mas o que sempre me interessou eram as pessoas, olha aí, né? era como aquelas pessoas reagiam à aquelas situações. Eh, quem já teve na vida a algum acontecimento envolvendo situações policiais, sabe que é tudo muito intenso, né? Eh, sempre que envolve um tema como esse, a gente passa por um um uma profundidade emocional muito grande. E aí eu quis nesse filme abordar exatamente isso, mostrar a intensidade, a profundidade que aqueles personagens estão vivendo no meio daquela trama. policial toda que eu construí. Bom, e deve ser super legal também gravar numa delegacia, né? Como foi essa experiência? Ah, eu falo que quando a gente tá gravando um filme é um brinquedo novo por dia, né? E quando a gente teve a oportunidade de estar aqui na delegacia, na nos escritórios, eh, foi muito gostoso porque eh é como se a equipe toda tivesse vendo que a história ela realmente tá acontecendo, né? No cinema, a gente trabalha muito com a fantasia, com a imaginação e todo mundo é muito profissional para entregar resultado dessa forma. Mas quando a gente tem oportunidade de est aqui nesse que é um prédio histórico da cidade, uma delegacia tão importante pra cidade, parece que dá um peso maior, assim, o elenco quando entra e começa a atuar, eles se sentem realmente vivendo essa história. E aqui, inclusive na escadaria também foi gravada uma cena, né? Sim. É bom. Visualmente, eu gosto muito de detalhes assim que vão acrescentar ao filme e se a gente olhar esse prédio aqui, bom, eu sou apaixonado por esse chão. É, é, é, ele é muito eh bonito, ele tem muita riqueza, né, de detalhes. Então, eu explorei muito esse isso tudo, né? Então, a gente tem aqui eh esse mesanino ali em cima. Eu filmei eh lá de cima aqui para baixo. Ficou muito legal. Essa escada ela é muito bonita, né? Eu eu valorizo muito a entrada de luz, a entrada de de sol dentro da cena, né, que é uma eliminação mais dieegética. E aí eu explorei bastante a cena aqui nessa escadaria também. Bom, e quantas pessoas participaram do filme, Rafael? Olha, para falar a verdade, assim, a quantidade, a quantidade assim eu não tenho de cabeça, mas a gente trabalhou com equipe completa de cinema. E isso foi um motivo de muito orgulho assim pra produção, a gente ter conseguido levantar nesse filme que é uma produção independente, eh uma equipe tão eh completa e tão qualificada. Então, a gente trabalhou com todos os setores de um filme, com direção de arte, com equipe de arte, fotografia, toda equipe de direção de fotografia, equipe de som, eh figurino, maquiagem, eh uma quantidade imensa de figurantes que a gente conseguiu para para dar vida nessa história, né, que se passa no cidade como a nossa mesmo. um elenco muito grande, né? O filme de eu procurei não focar e em um, dois personagens principais, né? Quem tiver a oportunidade de assistir vai ver que o filme ele se passa na vida de muitas pessoas e o filme ele vai tocando assim, equilibrando a presença dos atores e dos personagens de uma forma muito legal. Só que assim, eram muitos atores, né? Até quando eu tava filmando e a gente tem a a nossa maquiadora, a Kelly, ela sempre falava assim: "Rafa, seus filmes tem muitas pessoas, sempre tem muita gente para maquiar". E realmente isso acaba dificultando um pouco a produção, mas eu acho que enriquece a história, enriquece para quem tá assistindo poder ver uma história num mundo e repleto de pessoas, né? Que é o que eu queria mostrar. O ar que a gente respira mostra muito isso, assim, eh, a tensão que as pessoas estão vivendo, eh, nessa atmosfera dessa trama policial. Por que o ar, por que o nome do filme tem a ver com ar, com respiração? Legal. Engraçado que quando eu escrevi o roteiro foi, eu comecei a escrever antes da pandemia, né? Daí depois muitas pessoas me perguntaram se tinha a ver com a pandemia. Não tem nada a ver, nada a ver. Eh, embora eu tenha terminado de escrever durante a pandemia, né? Mas o nome do filme ele não surgiu no começo, assim, eu comecei primeiro com a trama, com a história. Geralmente eu faço assim com os roteiros. Eu acabo primeiro escrevendo e deixo o título aparecer. E o que eu comecei a sentir naquele momento era a atmosfera que aqueles personagens estavam vivendo, assim, eram situações evidentes que todo mundo tava passando. Eh, um uma tensão muito forte. E eu achei que o que unia todos esses personagens era esse ar, né? O ar que a gente respira. É uma um simbolismo, uma um título meio poético, mas é uma forma que eu encontrei de unir esses personagens. Bom, inclusive eu tava conversando, né, no primeiro bloco com o Flávio que você conhece bem, o Flávio Canielli. Sim, grande amigo conosco. Ele participou do primeiro bloco aqui do Conexão Cultural e a gente falou muito a respeito do cinema de Campinas, quais os desafios, que que você pode falar sobre isso, Rafael, sobre o cinema na cidade, no interior, como um todo, como você vê que que eh que tá vivendo o cinema campineiro, sobretudo? É, eu acho que eh quando a gente fala de Campinas, né, a gente passa pelas dificuldades que muitas cidades do Brasil passa. Eu costumo falar que quando a gente sai um pouco desse eixo eh da capital Rio São Paulo, todo mundo passa muita dificuldade, né? Então o Flávio, por exemplo, que é um produtor que batalha tanto tempo aqui, ele sabe bem do que a gente passa. Eu acho que Campinas a gente tem uma qualidade de profissionais, a gente tá muito perto de São Paulo, então no ar que a gente respira e nos meus outros filmes, sempre tem esse intercâmbio, assim, tem muita gente da cidade, da região, eh, mas também a gente traz pessoas da capital. E eu acho que esse intercâmbio enriquece muito, porque traz qualidade, traz presença, traz eh experiência e essa troca é muito legal. E eu procurei fazer isso em todos os as categorias do filme, desde o elenco, né, como nas outras etapas, na foto, na direção de arte, figurino, sempre tem e essa troca entre capital e o interior. Agora, as dificuldades a gente passa muito por pela questão de recursos, né? Eu acho que pra gente fazer um filme, a gente precisa de o mínimo de recurso, né? pra gente ter condições. São profissionais que eh têm eh o cinema como profissão, né? Assim como todos que trabalham nesse país, né? A gente precisa manter as nossas casas, as nossas famílias. E o cinema tem que ser encarado dessa forma, né? Como algo profissional, uma indústria que gera produtos, gera empregos, gera eh recursos, lucros. E a gente então precisa muito desses recursos. A cidade de Campinas tem muitos lugares legais pra gente filmar, tem muitas histórias bacanas pra gente contar, eh roteiristas maravilhosos aí que criam histórias bonitas pra gente levar pro cinema. Então acho que a gente passa pelas dificuldades que o Brasil passa aí, questões orçamentárias, mas a gente também tem muita qualidade para trazer esses recursos. Bom, por falar em muitos locais legais aqui em Campinas para filmar, além da delegacia, onde vocês foram gravar no no pro filme? Olha, acho que aí tá um pouco da magia do cinema, né? A gente vai transformando os lugares, olha aí, eh, em tudo o que a gente quer mostrar. Então, por exemplo, nós filmamos muito aqui na delegacia, mas também para mostrar um pouco das partes internas da delegacia, a gente filmava e até para não ocupar muito aqui a a rotina deles, né? Nós criamos os escritórios das delegacias em outros ambientes, em outros escritórios. Aí, e isso a gente contou com o apoio de muitas pessoas da cidade, né? Nós também gravamos na Estação Cultura, né, que é um espaço muito bacana aqui da cidade. Mas o legal não é usar a Estação Cultura, é transformar a Estação Cultura em alguma outra coisa, né, em alguma outra parte da cidade ou da história. Eh, eu gosto muito de filme que acontece na rua, que a gente vê as coisas acontecendo, as perseguições. Então, a gente filmou muito pelas ruas da cidade. É, filmei numa igreja muito bonita que tem aqui também. Foi bem legal. Qual igreja? É ali da do colégio Júlio Chevalier. Ah, tá, né? Não me lembro agora o nome da da igreja, mas a gente chama ela de capelinha, né? Que é a capelinha do do Júlio Chavalier. Uma igreja muito bonita também. Tinha um um chão bem legal assim que eu gosto de explorar. Ah, nós filmamos por vários lugares aqui da cidade. Foi muito bacana. Bom, e onde as pessoas vão poder acompanhar o filme? Legal. Eu acho que essa é a pergunta que a galera em casa tá fazendo. Puxa vida, mas onde eu posso assistir ao filme? Onde eu posso prestigiar? Verdade, a gente também tá bastante ansioso para esse grande público ter contato, né, com o filme. Bom, por enquanto o filme tá passando pelos festivais aqui pelo país, né? Nós já participamos aí de três festivais. Nós recebemos prêmios importantes nesses festivais. Quais prêmios a gente ganhou? Eh, lá nos sertões nós ganhamos cinco prêmios. E premos que me surpreenderam bastante, assim, foi o nosso primeiro festival, eu tava achando que a gente ia mais para participar e aí a gente saiu de lá com prêmio de melhor figurino, melhor ator, melhor roteiro, melhor diretor e melhor filme pela escolha. Fez barba, cabelo e bigode. Barba, cabelo e bigode, assim, pelo voto popular. E agora no Santos Filme Fest a gente ganhou também de melhor filme pelo voto popular, eh, que foi um motivo de muito orgulho, muita satisfação pra gente, para mim como diretor, para toda a equipe de produção, ganhar esses prêmios que é a escolha do público que tava lá assistindo, né? São filmes que eu tive a oportunidade de assistir, os outros filmes, são filmes muito bons, eh, também muito bem feitos e a gente poder ir em festivais como esse e ganhar deles é muito legal, né? É importante. Eh, mas sobre assistir o filme, né? Então agora ele tá passando por pelos festivais, nós fechamos agora um contrato de distribuição, que é uma outra etapa eh desse mercado cinematográfico, né? a gente produz o filme, depois a gente tem que distribuir o filme e a distribuidora tá cuidando desse lançamento que vai ocorrer agora em 2027, assim que acabar essa janela de festivais. Bom, eu fiz a mesma pergunta no bloco anterior, vou fazer para você antes da gente encerrar. Quais as dicas que você dá para quem tá assistindo ao Conexão Cultural e tem interesse de entrar nessa área, eh, trabalhar com o cinema? Legal. Bom, acho que assim, uma dica que eu dou primeiro é ter muito conhecimento de cinema, né? Eu eu me formei dessa forma, né? Embora eu tenho nem tenha estudado, mas assistir muitos filmes, selecionar muito o que você assiste para você criar as suas referências, o seu estilo, entender um pouco daquele cinema que você quer fazer depois. Eh, depois eu acho que é se juntar às pessoas, né? A cidade ela tem e e a região tem tantos profissionais já fazendo, já trabalhando. E eu aprendi muito dessa forma, né? A escola ensina muito a gente, mas nada como um set de filmagem. Então se juntar essas pessoas, procure, faça amizade, eh venha trabalhar com a gente, né? Eh, a, o cinema precisa muito das pessoas. Quem for assistir o filme, depois vai assistir os créditos, vai ver que tem ali 3 minutos de tela subindo. Por isso que eu até nem acho que é pouca gente, né? Mas não imagina o tanto de gente tem por trás das câmeras. É muita gente, né? E e eu costumo falar que o cinema eh todo tipo de pessoa, todo tipo de profissional consegue ajudar, né? Não é só artista, por assim dizer. A gente precisa de todo tipo de pessoa para trabalhar. Então, se junte à gente, procure a gente nas redes, escreve, conversa, a gente toma café, bate um papo e aí a gente vai criando as novas produções. Boa, suas considerações finais aqui pra gente, por favor, Rafael. Bom, eu acho que o o cinema brasileiro vem crescendo muito atualmente. Eh, eu acho que a gente tá quebrando assim a barreira da daquele público que tinha um pouco de aversão com o cinema nacional, né? E a gente tá atingindo um nível técnico de qualidade muito bom. Sem dúvida. A gente também tá atingindo uma maturidade das histórias, né? Então eu gostaria que o público desse esse boto de confiança confiança, porque a gente só vai ampliar o nosso cinema brasileiro e do interior de São Paulo, né, aqui da nossa região. A gente só vai ampliar se a gente conseguir conversar com esse público, né, formar o público de cinema do do da nossa produção do interior. Então é muito importante que vocês estimulem, né, os seus amigos, familiares para ir assistir as nossas produções, porque isso vai trazer mais recursos, vai trazer mais condições pra gente fazer outros filmes melhores. Boa. Mais alguma coisa que tenha faltado? Bom, espero que vocês vejam o ar que a gente respira e se vocês gostarem, me procurem, mandem alguma coisa aí pra gente. Se não gostar, manda crítica também. Qual que é o Instagram para te procurar? O meu Instagram é Rafael_line Santim. Rafael_line Santim. E eu tô sempre lá conversando com as pessoas pelos stories, né? É um espaço ali que a gente tem de de se conectar com o público, né? A gente tem que usar as redes sociais para mostrar um pouco do nosso trabalho, mas também de conhecer o que o a audiência quer, o que que os profissionais querem. Então, acho que manter esse diálogo é muito importante. Valeu, querido. Obrigado, viu? Um abraço. Valeu, gente. He. [música]
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