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Você Conhece Seu Vizinho? o Isolamento nas Cidades e Seus Efeitos | Estúdio Câmara
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Você Conhece Seu Vizinho? o Isolamento nas Cidades e Seus Efeitos | Estúdio Câmara

41 views Publicado 14/05/2025 HD · 49:48

Descrição do vídeo

A convivência entre vizinhos está cada vez mais rara. As crianças não brincam mais juntas, os portões vivem fechados e muitos mal sabem o nome de quem mora ao lado. Mas quais os impactos disso para nossa saúde mental, segurança e senso de comunidade? No Estúdio Câmara de hoje, a psicóloga Luía Rezende e o sociólogo Fagner Santos refletem sobre os efeitos do isolamento social nos condomínios, a transformação das relações de vizinhança e como isso contribui para o aumento da ansiedade, depressão e até da falta de empatia. 🏘️ Como a arquitetura urbana e a rotina acelerada mudaram a forma como interagimos? 👀 Por que temos vergonha ou medo de nos aproximar de quem mora ao lado? 👶 E as crianças de hoje: estão perdendo a experiência da vizinhança? 📺 Assista e descubra como pequenos gestos podem resgatar os laços que fazem bem para todos. 🕗 Programa exibido em 14 de maio de 2024, ao vivo pela TV Câmara Campinas. 💬 Comente: faz quanto tempo que você não conversa com seu vizinho? 🔔 Inscreva-se no canal e ative o sininho para não perder nenhum episódio! 👍 Curta o vídeo e compartilhe com quem precisa reconectar laços com a comunidade. 📲 Acompanhe a TV Câmara Campinas também no Instagram, Facebook e no nosso site oficial. #Vizinhança #RelaçõesHumanas #IsolamentoSocial #Condomínios #EstudioCamara #TVcamaraCampinas #SaudeMental #Psicologia #Sociologia #LaçosComunitarios

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[Música] Olá, bom dia. O estúdio Câmara já está no ar. Quarta-feira, meio da semana, dia 14 de maio. E hoje nós vamos falar sobre algo muito importante, mas que vem sendo cada vez mais deixado de lado. Nossas relações de vizinhança. Isso mesmo. Você conhece o seu vizinho? Já pediu uma xícara de açúcar na casa ao lado ou dividiu uma tarde de conversa com quem mora no mesmo prédio? No programa de hoje, vamos refletir sobre essas mudanças nos vínculos comunitários. Porque hoje, mesmo vivendo a poucos metros uns dos outros, muitas vezes sequer sabemos o nome de quem está do outro lado da parede. É, e para isso nós estamos recebendo dois convidados que vão nos ajudar a compreender os aspectos psicológicos e sociais dessa nova realidade. Conosco aqui no estúdio ao vivo e daqui a pouquinho a gente já fala com ela, a psicóloga Luía Rezende. especialista em terapia cognitivo comportamental. E pelo Zoom nós temos o prazer de receber o sociólogo Fagner Santos. Ele é doutor em sociologia pela Unicamp e pesquisador das transformações sociais e do mundo do trabalho. E você aí de casa, já viveu alguma situação curiosa com seus vizinhos ou sente falta de convivência mais próxima? Manda pra gente a sua mensagem. O WhatsApp está na tela, 19979377. Enquanto você manda sua mensagem, vamos atualizando algumas informações. Olha, você que tem o seu doguinho, o seu patchinho veterin eh consultório veterinário móvel, vai ficar na região do Taquaral até o dia 6 de junho, tá? O serviço do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal DPBEIA de Campinas funciona de segunda a sexta, das 8 ao meiodia e da 1 da tarde até às 4 da tarde. E agora está no portão 7 do Parque Taquaral. O atendimento ocorre por ordem de chegada com distribuição de senhas. Esse programa, gente, tem foco na prevenção de doenças em cães e gatos. Os animais atendidos são microchipados e recebem vacina se houver indicação. Para o atendimento, é necessário que o responsável tenha mais de 18 anos e apresente documentos pessoais e comprovante de residência na cidade de Campinas. Os consultórios veterinários móveis ficam em contêiners adaptados, equipados com três salas de atendimentos médicos veterinários e uma área administrativa. Cada equipe é composta por três médicos veterinários, um auxiliar de enfermagem e uma recepcionista. A gestão do serviço é da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade por meio do DPBE. Mais informações sobre os horários de serviços podem ser obtidas no site portal de Campinas. portalanimal.campinas. campinas.sp.gov.br e você pode conhecer também os animais que estão para doação no site do portal animal, combinado? E hoje nós temos reunião ordinária na Câmara de Campinas e em primeira discussão na 28ª reunião ordinária, entre os itens será discutido aí o projeto de lei complementar de autoria do executivo que estabelece diretrizes para a utilização das vias públicas municipais na instalação de equipamentos de infraestrutura urbana, como redes de abastecimento de água, esgoto, energia elétrica, eh águas pluviais, gás canalizado, entre outros. O projeto define como primeiras principais, aliás, diretrizes a substituição de redes aéreas por subterrâneas, a implantação de redes compartilhadas e o uso de tecnologias não destrutivas para minimizar o impacto das obras. As normas incluem o uso de subsolo, o espaço aéreo e as obras de arte de domínio municipal vinculados à prestação de serviços públicos e privados. A proposta delega a competência à Secretaria Municipal de Infraestrutura para conceder à permissão do uso desses espaços e também regulamentar a execução das obras relacionadas. Entre outros pontos, a matéria determina ainda a obrigatoriedade de mapeamento da cidade em base cartográfica digital única de uso geral, além de estabelecer as regras para a concessão de termos de permissão de uso, prazos para análise dos projetos e critérios para caução e taxas. A fiscalização das obras será de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura e da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, a INDEC. A proposta pretende modernizar a legislação municipal, substituindo a Lei 10.639 de 2000 para promover uma gestão organizada de equipamentos de infraestrutura urbana, ampliar o acesso dos serviços e contribuir para a preservação da paisagem urbana e a segurança da malha viária. A reunião ordinária será aberta às 6 da tarde hoje no plenário do legislativo. Você pode participar a com a gente lá no plenário, tá? Entrada pela Avenida Engenheiro Roberto Mandes 66. no bairro Ponte Preta. Quem não puder comparecer pode assistir aqui pela TV Câmara Campinas. Estamos no canal 11.3 também no quatro da Net 9 da Vivofibra e tem a transmissão simultânea pelo canal da TV Câmara Campinas no YouTube. Muito bem atualizadas as informações. Daqui a pouquinho a gente vai falar de vizinhança, hein, com os nossos especialistas. Temos aqui uma psicóloga e um sociólogo para tratar desse assunto. Vai mandando a sua mensagem para você e eu vou atualizar a nossa previsão do tempo para hoje, quarta-feira. Bom, hoje quarta-feira, temos um dia com sol entre poucas nuvens, sem previsão de chuva. Estamos aí eh com temperatura mínima de 16, né, bem no início da manhã e máxima de 27º, tá? Mas é sempre bom levar um guarda-chuvinha na bolsa aí no carro por precaução, tá certo? Então tá bom. Mínima 16, máxima 27. Vamos agora nós vamos falar de vizinhas. Antigamente a vida em comunidade era marcada por conexões fortes entre vizinhos, lembra? Era comum as crianças brincarem juntas nas ruas, as famílias trocarem alimentos e até mesmo organizarem festas em conjunto, né? Mas hoje a urbanização acelerada, o medo da violência, o excesso de compromissos e também o crescimento de condomínios com muros altos transformaram essa realidade. Muitos vivem lado a lado, mas em isolamento social e também emocional. Isso afeta a saúde mental, o senso de pertencimento e a forma como a gente se organiza socialmente. É por isso que o tema de hoje é tão relevante. E para nos ajudar a aprofundar nesse tema, nós damos as boas-vindas e aquele bom dia muito especial para ela, a nossa psicóloga Luía Rizende, que é especialista em terapia cognitivo comportamental, tá com a gente aqui no estúdio. Muito bom dia, seja bem-vinda. Bom dia, Rúbia. Bom dia, pessoal que tá acompanhando a gente aí do outro lado. É um prazer imenso estar aqui hoje falando sobre um tema tão importante que eu acho que todo mundo já passou por alguma situação como essa, né? Ter um relacionamento com uma pessoa próxima, de repente não ter mais, não saber quem tá do lado da nossa casa, né? Então acho que vai ser um bate-papo muito legal que a gente vai ter hoje. Eu tenho toda a certeza, porque a gente também está recebendo aqui eh ao vivo, né, através do Zoom, o sociólogo eh Fagner Santos. Ele é doutor em sociologia pela Unicamp. Ele é pesquisador também das transformações sociais e do mundo do trabalho. Seja bem-vindo, Fagner. Bom dia. Muito bom dia. Agradeço o convite. Espero ter uma ótima experiência de conversa com vocês sobre essa temática importante. Muito bem. é algo muito importante e é uma alegria ter vocês conosco nessa conversa que eu acredito que a gente vai conseguir desvendar alguns mistérios eh dessa questão de que hoje, né, por conta dessa automatização da vida e de todas a tecnologia que nos envolve, nós estamos eh distanciando quem tá perto e aproximando quem tá longe. Então eu pergunto pra Luía, quais são os impactos psicológicos do isolamento social entre vizinhos, né? Nessa vida moderna isso mostra como a convivência não é só questão de gentileza. Que que que acontece, né? Tem um impacto emocional. Eu não saber quem está do meu lado. Lu nossa, eu acho que certamente é uma coisa curiosa de se pensar, porque quando a tecnologia começou aparecer, né, pareceu muito encantador a ideia, por exemplo, de aproximar as pessoas que estavam longe, né? Então, nossa, que bom eu poder ter contato com uma pessoa que não tá perto de mim. Mas eu acho que em nenhum momento a gente pensou que isso distanciaria as pessoas próximas, né? E aí a gente não saber quem tá do nosso lado ou se afastar das pessoas que antes eram, né, amigos, conhecidos, tinham vínculo. É milamente curioso por que isso tá acontecendo, né? E assim é difícil porque as pessoas também não vão confiando mais umas nas outras, né? Eu não sei quem tá do meu lado, quem é meu vizinho, nunca vi, né? E antes era aquilo que você até comentou no começo, né? Ah, eu ia pedir uma xícara de café, eu ia tomar um café junto e agora a gente não tem mais isso. Não sei quem tá do meu lado, né? Então eu acho que a gente pensar como que a gente chegou até aqui talvez seja um ponto importante pra gente também entender os os aspectos psicológicos consequentes de tudo isso. É verdade, né? porque a gente percorreu um caminho para chegar nessa situação que estamos vivendo hoje. E eu pergunto pro Fagner, que é nosso sociólogo, a urbanização, né, a forma de se construir as cidades hoje, essa questão de condomínios com muros altos, além da tecnologia eh e desse mediatismo, ele eh eh como que isso impactou a a nossa vida e nos transformou em pessoas eh diferentes? Porque se a gente parar para pensar, hoje nós somos diferentes. Antigamente era legal e normal você pedir uma xícara de açúcar pro seu vizinho, mas hoje, caso isso aconteça, pode ser encarado como: "Nossa, vem me pedir uma xícara de açúcar". Uhum. Não é isso, Fagner? Fagner nos ouve, gente, né? digamos assim, parece um um estranho, né? Ah, ouço vocês me ou também? Sim, sim. Vamos lá, vamos continuar. Te ouço sim. Ah, legal. Talvez esteja mais se vocês tiverem com algum problema, por favor. Eh, bom, então voltando a sua sua pergunta, de fato, né, isso é um imp isso acaba causando um estranhamento entre as pessoas, né? Eh, na verdade, mais do que nunca, né, nós temos aí recursos tecnológicos, mas, por outro lado, as pessoas se exacerbou esse estranhamento, se exacerbou esse individualismo e se exacerbou esse entre as pessoas, né? Isso é fruto de um, eu digo, de é um processo dualismo, né, que houve toda uma campanha durante décadas, eh, diversos setor até discutir anteriormente, mas isso é fruto muito, né, desse de uma campanha, né, de todo um processo de transformacial que começa lá na década de 70, acaba fragmentando cada vez mais, né, as pessoas. Então você começa a criar fatores de tecnologia eh acelera esse, né? Então você tem esse fator deão acelerada, principalmente ali na década 30, 90. E hoje você a gente nota, né, as pessoas cada vez maisam, né? Porque o que como pano de chão, disco, talvez seja uma posição de competitividade entre as pessoas, né? Eu tenho que dar conta de tudo, eu tenho que ser o melhor. Então isso acaba tornando essa pessoa eh um pouco desconfiada eh uma das outras, de modo que ela vê o outro não como um fator de solidariedade, como um fator de laço social, mas infelizmente como um competidor seu. eu tenho que ser melhor que o meu vizinho, eu tenho que ser melhor que eh as pessoas com quem eu convivo. Então isso acaba de uma certa forma exacerbando esse estranhamento. Eh e e cada vez mais a consequência disso, de fato, infelizmente é um isolamento, né? Poxa vida, né? Você percebe que eh a gente iniciou falando eh da questão se você conhece o seu vizinho, o Fagner já pontuou a questão da competitividade, né? E de onde vem isso tudo, Luía? Por que que isso se transformou? Eh, eh, poxa vida, é tão bom saber que eu tenho alguém do meu lado, né? que eu posso contar em algum momento. Se a gente parar para analisar, eu tava pensando no caminho vindo para cá, eh, você tem tantos contatos no seu WhatsApp e aí se acontece alguma coisa na sua casa, você vai direto no WhatsApp pedir socorro, né, para alguém que de repente não está perto de você e você esquece que você tem alguém do lado da sua parede e que pode, em questão de 2 minutos, um minuto, tá ali do seu lado. O que que tá, o que que tá acontecendo, né? O que que aconteceu com essa essa cultura que tínhamos há um tempo atrás? Pois é. Nossa, muito interessante a gente pensar nisso e eu acho que um dos fatores que acaba contribuindo para essa nova dinâmica de relacionamento, né, que a gente tá tendo, é um pouco da gente também tá muito imerso nas nossas próprias rotinas, né? Essa coisa eu acho um pouco da que até o Fagner comentou de ter que dar conta de tudo. A gente tá tão imerso na nossa vida vivendo no piloto automático, né, que tudo aquilo que é mais rápido e fácil a gente corre para fazer, né? Só que, na verdade, se eu tiver uma pessoa do meu lado que eu possa contar, que eu sei quem é, como a gente tá falando aqui no caso dos vizinhos, eh, é uma alternativa muito interessante, mas na quando a gente tá naquele momento envolvido nas nossas rotinas, naquilo que a gente tá fazendo, piloto automático, trabalho, a gente não vê o que tá na nossa frente, né? Eu acho que esse é um ponto também que contribui pra gente chegar aonde a gente tá nessa situação hoje. Difícil pensar nisso, né? É difícil e estranho, né? Porque se você parar para analisar quanto tempo faz que você não presenteia seu vizinho com um bolo, uma torta, eu não sei, mas eu me lembro da minha adolescência, enfim, que era tão normal, né? A a mãe fazia lá um bolo, uma torta e dividia e levava num pratinho com um pano de prato em cima, né? Entregava pro vizinho. Você lembra disso? E aí o vizinho devolvia, mas depois de uns dois dias com o prato também com algum presentinho, algum algo que foi eh feito com carinho para eh devolver. E isso era uma cultura, era um negócio assim de é é natural, né? Hoje se você receber algum alimento num prato, você vai pensar: "Será que eu vou comer isso ou tem chumbinho aí? Vai desconfiar, entendeu?" Né? Então assim, é é algo que que faz a gente virar uma chavinha e pensar como é que tá o nosso contato com as pessoas que estão próximas da gente. Ô Fagner, essa questão de contato, né? Eh, e você acredita que além dessa questão que você falou da competitividade, a segurança também tem é um um ponto que a gente pode eh colocar como principal nesse distanciamento das pessoas, principalmente contato com o vizinho. na sua avaliação, é legal a gente saber quem mora do nosso lado e aí sabendo a gente tem mais segurança ou é melhor a gente não saber quem mora do nosso lado, porque assim também a gente pode ter aí mais segurança, que eu não sei quem é mesmo, então não tenho medo. O que que qual que é a sua avaliação dessa questão aí de segurança por conta eh da vizinhança? Bom, sem dúvida nenhuma, isso impacta bastante, né, eh, essas relações, justamente porque, assim, você tem hoje um um uma mídia eh que tá nas nossas mãos a todo momento, né? Eh, pelo menos enquanto estamos acordados, você está com as notícias circulando e, infelizmente, eh, nós temos uma circulação sensacional que acaba predominando, né, eh, esses veículos de comunicação, sobretudo o celular. Então, infelizmente, isso acaba trazendo um impacto eh maior também nessa desconfiança que uns têm dos outros. Então, e é evidente que isso acaba impactando essas relações entre vizinhos também. Eh, a violência de fato é um problema, é um é um infelizmente nó centros urbanos isso aumentou bastante, né? Então a gente tem esse senso de autoproteção muito grande. Ele ele se exacerba por conta disso. Então o nosso vizinho passa a ser que para que você cria uma confiança, isso demora muito mais, né? Muito bem. Agora os condomínios e espaços privados, né? Eh, eles projetam essa essa mudança comportamental, eles ajudam a gente a mudar de comportamento? Eh, quem mora em condomínio, eh, eles estão mais propensos a distanciamento. Apesar de que, se a gente for parar para analisar, quando a gente mora em casa, nós temos a casa, o quintal e o muro. O condomínio é parede com parede. E quem mora em condomínio muitas vezes são mais distantes do que quem mora em em casa, né? distantes que eu digo da vizinhança, essa questão da urbanização, eh, das construções, da forma com que as cidades estão sendo planejadas hoje. Você acredita como a o que que a a sociologia traz pra gente no quesito distanciamento de vizinhança? É uma ótima pergunta essa, né? Porque o espaço, o território das cidades hoje, ele justamente é um território que segrega, que separa. Infelizmente nós não temos espaços de convivência eh públicos, gratuitos, de qualidade, que permitam uma maior contato. E a própria expansão urbana, ela acaba propiciando esse tipo de distância, essa fragmentação, essa separação entre as pessoas. Os condomínios refletem muito isso. Na verdade, a arquitetura do condomínio, dos condomínios em si, muitas vezes elas não são as maiores culpadas, elas só são um reflexo desse, assim, né? Então, como o vizinho mora parede com parede com outro, ele já está nessa posição de isolamento muitas vezes. E aí você tem uma mina extremamente cansativa, você tem eh uma demanda grande no trabalho, no cuidado com a famí eh e no cuidado pessoal também. E isso e e aí tem um espaço onde que não permite que você conviva, né, com o outro. Então, infelizmente, você tem uma conjunção de coisas onde o condomínio vai refletir isso. Poxa vida, é interessante, né, Luía, essa essa questão eh da urbanização eh das pessoas. Você vê em um condomínio, vamos colocar lá, eh, 500 famílias, mas quantas pessoas, né? Se cada família tem aí no mínimo três pessoas, poxa vida, ultrapassa de 1000 pessoas. E aí essas pessoas não se conhecem entre si. Poxa vida, como que a gente faz, né? Isso tá certo? Até que ponto é normal? Até que ponto a gente pode normalizar essa falta de conhecimento de quem tem, quem está perto de mim? Isso influencia na nossa saúde mental, na nossa qualidade de vida? Ah, eu acho que certamente, porque a gente acaba não desenvolvendo habilidades, por exemplo, de eh convivência, porque até conforme, né, a gente tava conversando, eu tava pensando, né, às vezes muitas em muitas ocasiões a gente vai conhecer o nosso vizinho quando acontece um problema e aí essa relação começa a ser pautada, né, de uma maneira não saudável, porque aí na hora de colocar o problema, de tentar resolver, um coloca suas prioridades, não sei o quê. Então, a gente já cria uma relação ali, eh, que não é interessante com a pessoa que mora do seu lado, né? E principalmente quando a gente tá falando no caso de condomínio, seja de casa ou de prédio, né? A gente fala de dividir um mesmo espaço, né? De morar no mesmo lugar, né? Em coletividade, né? Então, a gente precisa manter uma boa relação entre as pessoas, saber quem está ali, né? E às vezes isso eh acaba em problema, em discussão, em desentendimento. Então, além de não ter uma eh proximidade, quando a gente tem, pode ser desenvolvida uma relação que não é legal. Então, certamente para convivência, a parte emocional, né, de um lugar que é do nosso bem-estar, que é da nossa casa, a gente acaba tendo aí um problema que não é legal. É, e problema esse que é relatado, né, pela mídia e principalmente eh quem mora em condomínio, né, a gente vê aí pessoas discutindo, brigando por conta de barulho, por conta disso, daquilo. Então, se a gente for parar para analisar, eh, as coisas estão bem diferentes e a gente não percebe, né, que nós estamos vivendo realmente eh, de uma forma solitária, porque fica você e a sua internet, você e seu celular ou então, enfim, seu seu home office. E, enfim, é só isso, né? A gente não não vive mais de uma forma eh comunitária, né? e de que como que nós podemos fazer para que a gente melhore nesse quesito de vivência comunitária? Você que é sociólogo, Fagner, o que que a sociologia traz pra gente na no quesito melhoramento de convivências, né? Porque ah no seu ponto de vista, você acha que no rumo que as coisas caminham hoje, a gente tem ainda a possibilidade de melhorar ou o negócio só é daqui para baixo? Eu busco ser otimista. Eh, mas assim, eu acredito que as coisas tão preocupantes, né? Atingem níveis preocupantes. Eh, é como eu tinha apontado antes, eh, nós estamos tendo cada vez menos eh espaços de convivência que possam eh reativar talvez esses laços. Nós estamos também em em meio a uma onda, digamos assim, um cenário ideológico bastante preocupante também na medida em que a competitividade está exacerbada, a rotina está extremamente eh corrida para todos, eh tá tudo muito, digamos assim, difícil de lidar, porque o tempo que está sobrando paraas relações sociais é É um tempo muito, como que eu posso dizer, marcado, um tempo muito machucado pelo cansaço, pela fadiga, a seja a fadiga física, seja a fadiga mental. Eh, então esse esse tempo ele está, como que eu posso dizer, é um tempo que está sendo cada vez mais corroído por essa demanda diária. E eu acho que assim, o que o que a gente tem de espaço, ele também está sendo consumido. Ele não está sendo, ele ele não é mais atrativo. Não está sendo mais atrativo, né? Porque você precisa de todo um planejamento, já que o tempo é curto, uma vez que o tempo é curto, você precisa de um planejamento para que você vá até esses espaços e consiga eh eh estabelecer novas relações, né? E geralmente eh isso é outra coisa que é importante pontuar que são espaços que muitas vezes não são segregados, né? Porque são espaços que demandam um uma certa por por exigir esse certo planejamento, exige tempo, exige dinheiro, tem um custo e nem todos têm acesso. Então eu acho que assim eh é preocupante o cenário para que a gente possa restabelecer essas relações novamente, né? Eh, tem só uma uma questão que acho que é importante pontuar nessa questão do condomínio, que é a seguinte: condomínios hoje são espaços onde a rotatividade de moradores ela é alta também, então você não consegue um tempo suficiente para você criar laços, né? Tem mais essa. Então, o condomínio passa a ser um espaço onde eh, bom, eu vou passar uma parte só da minha vida ali, depois eu quero me mudar e e enfim. Então você não tem o tempo suficiente. A gente vem talvez de uma geração, não sei vocês, eu sou um pouco mais um pouco mais velho, mas enfim, mas a gente vem de uma geração onde as pessoas nasciam, cresciam e morriam muitas vezes nas mesmas casas com as mesmas vizinhanças, de modo que era difícil você não estabelecer conexões. Hoje já não. Essa rotatividade é muito alta. Os condomínios refletem muito isso também. Então são dois pontos que eu que eu disse aqui, né? São essa falta de espaços. de sociabilidade, né, infelizmente. E a falta do tempo, né, e no caso dos condomínios, o mesmo de alguns bairros, essa rotatividade muito alta. Verdade, né? Faz todo sentido essa fala do Fagner, faz a gente parar para pensar. E você falando aí, eu eh fui lá da minha mãe agora na cidade pequenininha, né, uma cidade de interior e onde os vizinhos eles viam as crianças nascerem, crescerem e se prepararem para o mercado de trabalho e criar asas e todo mundo voou. Só que daí quando você volta lá, tá lá a mãe, a avó e você vê aquelas pessoas que antes, né, eh, estavam lá e e desenvoltura total, hoje já estão mais quietinhas em casa, idosas, mas elas continuam lá, né? E a convivência é a mesma. Nós que mudamos, né? A gente que evoluiu para um mundo automatizado e rápido, que eu não sei até que ponto isso fica bom. Quando o Fagner fala, Luía, da questão da socialização, de espaços para socialização, a gente tem vários espaços, mas a questão do tempo é que pega, porque às vezes você não tem o tempo específico para você se socializar, mas até que ponto isso é benéfico? Até que ponto vale a pena? A gente trabalha, trabalha, trabalha, a gente estuda, você tá lá, tem o seu planejamento diário, faz a sua rotina, mas e aí não tem tempo paraa socialização. Por que que antes tinha? Exatamente. Quando não tinha celular tinha tempo para socializar. Se a gente for parar para pensar nesse último apagão que teve, né? Eh, Portugal ficou sem energia e tal. E eu vi algumas matérias que mostraram que as pessoas foram ao parque, então elas encontraram tempo, elas foram ao parque, estava todo mundo junto, socializando ali. E aí o que que acontece? Explica para mim eh o seu ponto de vista como psicóloga, essa falta de tempo um pouco maquiada, porque se não tiver o celular, se não tiver uma, imagina um dia inteiro sem internet, um bug no sistema, será que a gente não vai socializar? É, nem dá para imaginar. Isso é meio assustador, né? Imagina o celular para de funcionar, né? A gente não consegue se comunicar mais. É assustador mesmo. E aí sobra quem? Nossos vizinhos. Olha isso, não é? Olha só. Então aí mais um motivo pra gente ter uma boa relação, um contato, enfim. Mas eu acho que isso que a gente tá conversando eh envolve vários fatores, né? A dinâmica do mundo atual, o fato de, como eu comentei no início, a gente tá imerso nas nossas rotinas, né? Mas eu também acho que um pouco de prioridade, né? que nem no caso dos vizinhos que a gente tá falando, a gente não tá falando assim de eh frequentar casa, né? A gente falou de coisas simples, né? Eu tava me lembrando outro dia uma vizinha minha que se tornou amiga, né? Eh, ela deixou na porta assim da do meu apartamento um saquinho com chocolatinho e um bilhetinho. Tenha um bom dia, né? Obrigada pela sua amizade. E veja que ato simples, simples para dizer: "Eu tô aqui caso você precise", né? A minha vizinha também atualmente é uma senhora, né? Aí toda vez que ela me encontra, vai falar: "Se você precisar de alguma coisa, toca aqui". Aí eu também, a senhora também tô sempre aqui qualquer coisa. Então eu acho que assim, o socializar ele tem dimensões, né? Então tem a dimensão da interação, né? aquela coisa mais de vínculo. E tem no caso dos vizinhos, que é o nosso tema de hoje, essa coisa que pode ser mais simples, mas que é muito significativa, principalmente tendo em vista esse dia, esse movimento dinâmico que a gente tá vivendo, que às vezes realmente não dá tempo e tudo mais, mas dá pra gente dar um pouquinho mais de atenção para quem tá dando do nosso lado, né? Ah, eu acho que dá sim, é importante demais. Quanto tempo faz que você não fala com o seu vizinho? Quanto tempo você conhece seu vizinho? Né? Eu tô perguntando quanto tempo faz você não fala, mas você conhece o seu vizinho? Que que você acha de ir hoje lá falar: "Oi, vizinho, tô aqui, viu? Se precisar, ó, só dar um toque, você sabe o nome do seu vizinho, né? E quando você chega e o vizinho tá lá na frente, você cumprimenta o seu vizinho, começa por aí o negócio, né? Se você não tem aí o o o ato o não tem o simples hábito de de cumprimentar quem mora do seu lado, fica bem delicada a situação. A produção tá avisando aqui que a gente tem perguntas, o pessoal tá participando com a gente. Quero agradecer a sua participação, você que tá aí do outro lado, é tão importante porque você completa a nossa missão de levar eh compartilhar informações, né, todas as manhãs aqui na TV Câmara Campinas através do nosso estúdio Câmara. Vamos lá, produção. 8:34 a gente já eh começa respondendo e mandando aquele bom dia especial paraa Juliana no Jardim Flamboian. Ela diz: "Ó, cresci jogando bola na rua e comendo bolo na casa da vizinha. Que delícia! Hoje meus filhos não conhecem ninguém do prédio. Tá vendo isso? Isso afeta a infância? Afeta muito, né, Lu? Certamente. Excelente pergunta. Eu acho que isso mostra muito de como é que a gente tá se desenvolvendo nos dias de hoje, né? Eu também. A gente tava conversando sobre ver crescer, nascer, crescer, se desenvolver na rua. Eu fiquei pensando quando eu brincava na rua também. Na época minha vizinha era minha prima, né? Então a gente todas as crianças da rua, tudo mais. E aonde é que estão essas crianças que sempre estiveram na rua hoje, né? Certamente dentro de casa, nos seus tablets, computadores, celulares, né? Então assim, é uma mudança significativa que a gente precisa dar atenção. É verdade. Muita atenção. Essas crianças estão no quarto, né? São os famosos filhos do quarto. 8:35 tem mais. Vamos lá, produção, manda mais pergunta pra gente. Eh, o Felipe do Nova Europa. Bom dia, Felipe. Às vezes escuto brigas ou alguém passando mal e fico em dúvida se devo intervir. Ixe, existe um limite saudável nessa relação com o vizinho? Ô Fagner, qual que é a sua avaliação aí pra pergunta do do nosso telespectador, o Felipe? Você viu isso? Olha lá, ó. Ele fica em dúvida se deve intervir ou não. Tem um limite saudável nessa relação com o vizinho. Antes não era muito assim, né? Pessoal, ó, vizinho, tá precisando de alguma coisa? Que que aconteceu aí? Hoje já é mais delicada a situação, né? É. É. A a intervenção ela tem que ser um pouco mais, ela é um pouco mais delicada, né? Infelizmente, eh, até porque se for uma relação de briga, se for uma uma situação de briga, por exemplo, eh, a recomendação sempre é chamar órgãos públicos, né, sobretudo a Polícia Militar, porque talvez ela se esteja mais preparada para intervir. Eh, mas assim, existe esse limite saudável como sendo mais objetivo na resposta. Existe sim esse limite saudável. é o limite onde entra, infelizmente, um algo onde a gente não pode interferir de fato, mas a gente tem tem que saber dos recursos, né, de uma maneira indireta, ajudar essa situação, né, mas aí é que tá. Qual que é a sua relação com esse vizinho, né? Porque assim, se você tem já uma relação próxima, a intervenção talvez possa ser um pouco mais tranquila também. É o chamar para conversar, ver o que tá acontecendo, mediar a situação. Então, quer dizer, se essa relação já é estranhada, então você vai você com certeza vai recorrer à polícia primeiro antes de chamar e essas pessoas para conversarem, né? Então, quer dizer, eu acho que já é uma consequência isso também, eh, o aumento do do dos chamados na Polícia Militar para intervir em brigas eh e domiciliares eh justamente é um pouco fruto disso, porque você não tem o acolhimento dessa família que tá passando por essa situação, né? Agora, o seguinte, eu acho que tem um aspecto positivo também, tá? que é bom ressaltar que você tem hoje em dia muitas relações, as redes de apoio, né, de de mães, né, que contam com seus vizinhos muitas vezes para olhar seus filhos. Isso ainda existe. Então, acho que é bom ressaltar isso também. as as relações estão sim corroídas, sim, é um cenário preocupante, como eu disse, mas ainda a gente encontra e esses vizinhos muitas vezes ajudam, eh, criam esses filhos grande parte do dia, né, com todo o cuidado, ajudam essas mães que muitas vezes têm jornadas longas de trabalho. Então, acho que é bom enfatizar isso também. Nós ainda conseguimos assistir eh redes de apoio sendo criadas. Maravilha. E é bom sim. E que bom que a gente ainda tem isso e a gente não pode deixar isso se perder, né? Porque senão vai ficar muito individualizada a vida. E eu não sei se essa vida individualista ela é boa, né? Até que ponto faz sentido para você viver no mundo sozinho, literalmente sozinho, né? E e essa questão que o Fagner pontuou de vizinhos que ainda dão suporte um para os outros, uns para os outros, isso é importante demais. Tem tem eh bairros que eh tem lá um grupo de WhatsApp e um monitora, né, a a rua e tal e cuida da segurança e tem mães que tem t filhos e deixam no vizinho para ir no mercado. Isso ainda existe, mas é muito pouco. Mas é importante que a gente continue, né, com essa cultura. Não que você vai invadir a vida do outro, mas você precisa sim compartilhar e socializar, porque a pessoa que mora do seu lado pode ser seu melhor amigo, né? Então, 8:40 é importante a gente falar sobre isso. Vamos lá. Tem mais eh perguntas pra gente, produção? Se tiver, pode mandar. O Leandro do Jardim Garcia, ele diz: "Fui criado com porta aberta". Ai, que delícia. Cheiro de café na casa da vizinha. Essa memória afeta a forma como nos sentimos nos lares atuais. Ai, eu sou suspeita para falar isso, hein, Luía. Fala pra gente. Adorei essa pergunta. Toca muito o nosso lado afetivo, emocional, não é? Acho que todos nós temos uma lembrança como essa, né? Eu acho que essa pergunta ela envolve dois pontos. O primeiro é a parte da memória afetiva, né? Então, da gente ter a oportunidade de ter isso como uma boa lembrança e poder reproduzir ao longo da vida, né? Tentar resgatar, né, essa vivência, essa experiência, poder reproduzir o nosso lar atual. Mas também tem aquela parte de algo que talvez não volta mais, né? Algo diferente, né? Mas eu acho que a gente pode focar nessa primeira opção, que é de ter uma boa memória, de tentar reproduzir e tentar eh vivenciar novamente, né, essas experiências positivas, porque eu acho que são um dos pequenos privilégios da vida, né, a gente poder ter vivido algo assim e poder reproduzir o nosso lar atual até passar isso para para as pessoas que convivem com a gente, filhos e tudo mais, porque certamente é algo muito gostoso. É bem interessante, né, essa questão aí, a memória afetiva mesmo. Antes, assim, no meu tempo, na minha época também era assim, né? A gente vivia de porta aberta, né? Cheguei e chamava o vizinho de tia, né? E e chegava, tava tinha lá um um bolo, porque o pessoal, a comida é afetividade, né? Não adianta. Então, eh, tinha lá um bolo em cima da mesa, ô, pega um bolinho aí, ah, obrigado, tia, pegava o bolo, já saía comendo, já brincava, ia para lá e para cá. Hoje já não é assim. Então, eh, essa questão da afetividade, da aproximação, é algo que a gente precisa sim falar, é algo que a gente precisa assim trazer pro nosso mundo atual e, de repente inserir essa aproximação no nosso planejamento, né, já que ela tá um pouco fora. E se a gente vive de planejamento hoje, que tal inserir a aproximação eh dos seus vizinhos no seu planejamento diário, né? Pelo menos nem que seja para dizer um oi, tudo bem com você? Estou aqui. Se você precisar, conte comigo. É importante. 8:42. Tem mais perguntas pra gente? Pode mandar. Hoje nós vamos até às 9 da manhã. Eh, lembrando que tem reunião ordinária na Câmara de Campinas. Você pode participar, tá? Plenário José Maria Matozinho. Eh, você pode chegar lá, a casa é sua. Vamos lá. Letícia do Jardim Santana. Me mudei há três meses e ninguém do prédio se apresentou. Isso é comum. Hoje em dia as pessoas têm medo de criar laços com vizinhos. Olha isso, Fagner. Faz três meses que ela mudou no prédio, ninguém foi lá se apresentar nem nada. Antes era natural. Ô vizinho, seja bem-vindo, né? Ó, meu nome é tal. Se você precisar de alguma coisa, conta comigo. Seja bem-vindo aqui no prédio. A Letícia mudou faz três meses e ninguém nem foi lá dar um oi para ela. É, Letícia, eu eu sei muito bem o que você tá passando, porque eu eu convivo um pouco com essa rotina de de condomínios e eu sei como é que é. infelizmente não tem esse acolhimento. Realmente é um pouco de medo, é um pouco, talvez seja um pouco forte que eu vou falar, mas talvez seja um pouco de desinteresse, né? Porque eh dito aqui as pessoas t prioridades, né, outras oportunidades no seu dia a dia. E isso acaba refletindo nesse processo. em alguém novo, né? Alguém que você possa conhecer, estabelecer laços e a pessoa não entra em contato, não faz contato, não tem esse interesse, muitas vezes não tem o tempo, eu ressalto isso mais uma vez, e se torna uma relação totalmente estranhada. Para quem para quem não tá acostumado com isso, é um impacto muito grande, cria um impacto muito grande. Então eu entendo muito até um pouco de é um pouco angustiante, né, a pergunta feita pela Letícia, porque é é exatamente isso que acontece, infelizmente. Pois é, né? Que é angustiante mesmo, não é? É, dá uma sensação ruim, não dá, Luí? Muito. É isso que eu ia comentar agora. Eu acho que foi muito pertinente a pergunta dela, porque a gente ouvindo, lendo, enfim, a gente sente a estranheza, nossa, mas estranho. Só que é exatamente isso que a gente tá fazendo, né? Então, foi super pertinente. Acho que foi provocativa justamente para essa reflexão que a gente tá fazendo aqui. Olha que situação, a gente não estar interessado ou não eh perceber as pessoas que estão do lado, não acolher, né? Então, acho que foi bem pertinente, um ótimo momento para ela fazer essa pergunta e ind de encontro com a nossa reflexão. Verdade. E e a gente fica, né, com esse ponto de interrogação. Poxa vida, faz três meses que a Letícia mora no condomínio. Ninguém foi, tipo, se apresentar ou dar boas-vindas para ela. A pessoa mora na frente, é só abre a porta, né? O que que tá acontecendo com a gente? O que que está acontecendo com esse nosso imediatismo, essa essa nossa automatização da vida? Lembra que quando você tá no computador, vem lá um um quadradinho, você clica, tá escrito: "Não sou robô". Então, não somos, né? Somos seres humaninhos e a gente precisa da humanização, gente. É importante a gente não esquecer disso, tá? 8:45. Dá tempo para mais uma perguntinha. Vamos lá, então. Quem é que tá com a gente? A Cláudia do Jardim Olina. Eu sinto vergonha de puxar conversa com os vizinhos, mesmo querendo amizade. Hum, entendi. Esse tipo de bloqueio é mais comum do que parece. É, tem esse ponto também, né? E aí, que que a gente faz com a vergonha que a gente sente? Oh, meu Deus. É porque são características pessoais, né? Ter pessoas que às vezes tem até o interesse, né? Tem a vontade, como é o caso dela, né? Mas que às vezes não sente à vontade, não sabe como fazer essa aproximação, né? Olha, uma coisa que eu acho que é uma possibilidade que dá pra gente pensar juntas é o seguinte. Hoje em dia, vamos a nosso favor um pouco da tecnologia, vai nesse caso especificamente que ela sente um pouco desconfortável, né? Tem os grupos de WhatsApp, né, de condomínio, tudo mais. Se no caso onde você mora ou, né, enfim, no caso de condomínio, né, eh, tiver esse grupo, talvez você pode mandar uma mensagem, né, e começando a fazer parte dali, comentar, participar às vezes de algum comentário, alguma coisa assim, para te ajudar a se aproximar. Caso contrário, o bom dia, o boa tarde, boa noite, eu acho que já são suficientes para criar uma simpatia, né, com a pessoa que tá ali e criar essa aproximação, né, por mais que sea, até que você sinta à vontade, né, para dizer: "Olha, eu sou fulana, se precisar de alguma coisa, tô aqui, né?" Eu acho que a gente vai criando esse laço, não precisa ser uma coisa totalmente aberta de início, né? Porque depende muito ali de como cada pessoa se sente, né? Para criar um vínculo, né? Mas pode ser algo mais singelo e simples dessa maneira. Acho que já ajuda bastante. É, né? A gente tem que dar o primeiro passo, né? Vergonha. Tem gente que sente, tem gente que não. A gente só tem que dar o primeiro passo. E aí de repente se você tem um pouquinho de vergonha, um pouquinho retraído, chega no bom dia. Bom dia, vizinho. Tudo bem? E aí, tem coragem ou não? Tenta hoje, quem sabe dá certo, né? Vamos lá. 8:47. Precisa encerrar, produção? Precisa encerrar ou dá tempo para mais uma? Vocês que mandam. Se der tempo para mais uma, manda ver. Vamos lá. Vamos mais uma, né? Então tá certo. 8:47. Produção diz que dá tempo para mais uma. O Gustavo do Barão Geraldo. Alô Gustavo. Bom dia. Existe alguma ligação entre essa vida isolada nos condomínios e o aumento dos casos de ansiedade e depressão, principalmente depois da pandemia? Eu completo aí a pergunta do Gustavo, né? É a nossa última resposta do programa e tem é muito importante, muito importante. Verdade, Gustavo, muito obrigada pela sua pergunta, extremamente pertinente, né? E eu também pensei nessa questão da pandemia, né? Eu acho que claro, casos já existiam antes, mas como na pandemia a gente foi obrigado a estar dentro de casa e não só a se isolar, né, eh, dentro de casa, mas a gente não podia nem conversar com o vizinho, a gente tinha medo disso. Então, talvez aí também deu uma piorada significativa, né? Então, sim, eu acredito que esse é um fator que foi bastante determinante aí pro aumento dos casos de ansiedade e depressão, não só pelo isolamento físico, né, mas de confiança, de interação, de conversa emocional, não ter o que dividir, né, eh, tanto com as pessoas quanto individualmente, né? Então, esse estar em casa, né, principalmente depois da pandemia, certamente se tornou ali um agravante para nós. E eu acho que a gente tem que olhar isso com atenção, né? caso tenha alguma pessoa que você conheça que esteja nessa situação, né, eh, que pode estar precisando ali de eh uma atenção, né, um cuidado, um olhar mais eh interessado ali de preocupação, porque certamente esse é um fator que pode ser bastante determinante no aumento desses casos. Eh, e o que a gente vê hoje em dia é o aumento mesmo de depressão, de ansiedade, é falta de socialização e a naturalização do individualismo. A gente precisa estar atentos, porque nós somos seres humanos e a gente é feito de companheirismo, né? E isso está acabando, infelizmente. Então, que a gente possa olhar o outro com mais carinho, tá bom? Ô, gente, nós precisamos encerrar. Quero agradecer os nossos convidados, a Luía Rezende e o Fagner. Então, considerações finais, Fagner, foi rapidinho. Agradeço sua contribuição e a sua participação nessa manhã de quarta-feira com a gente. Obrigada. Eu que agradeço o convite. Muito honrado em participar aqui do estúdio Câmara e tenha um bom dia e estabeleçam relações, pessoal. Saudáveis. Importante, importante, saudável, faz bem pra alma, pro coração. Deixa o coração quentinho, né, Luía? Obrigada pela sua participação, por compartilhar informações com a gente. Acredito que a gente conseguiu virar uma chavinha aí. De repente alguém vai fazer um bolinho ou então vai dar um bom dia, um boa tarde. Sim, tomara. Muita gente aí vai ter oportunidade agora de rever os seus hábitos, né? Eu agradeço por ter sido convidada por participar desse momento e ajudar de alguma maneira. Obrigada pelo pessoal de casa também que contribuiu com as perguntas e é isso. Vamos tornar as nossas relações mais saudáveis. Verdade, né, gente? uma conversa necessária, cheia de reflexões e você acompanhou eh a gente aqui e participou com a gente, a gente quer te agradecer, viu? Muito obrigada. E que tal dar o primeiro passo, cumprimentar aquele vizinho que você ainda nem conhece, né? Faça isso, tenho certeza que você vai gostar. E amanhã, gente, não se esqueça, tem estúdio Câmara a partir das 8 da manhã. O tema de amanhã, gente do céu, é bebê reborn. É por eles estão sendo tratados como filhos. a gente vai entender o que tá por trás dessa relação afetiva com bonecos hiperrealistas, os impactos emocionais e até as polêmicas que envolvem esse universo. O negócio tá de, Olha, eu vou contar um negócio para vocês. Eu tenho buscado informações, vou trazer alguns vídeos amanhã, que é deixar de boca aberta. Eu adoro boneca, adoro, acho muito legal. Só que eu acho que a gente tá passando do lute, viu? E amanhã a gente conversa sobre isso. Nós te esperamos a partir das 8 da manhã. Agradeço a sua audiência, a sua companhia. Agradecemos também os nossos convidados. Você que participou, continue ligadinho TV Câmara Campinas. Tem muita informação para você nesta quarta-feira. É só ficar com a gente ao meio-dia tem Câmara Notícia com informações do legislativo campineiro. Valeu pessoal de casa, valeu os convidados e a nossa equipe do grupo mais que nos ajudou a executar mais uma missão, que é trazer para você informação de qualidade no nosso programa Estúdio Câmara. Beijo grande, fica com Deus, se cuida. Vai lá, faz uma interação com o seu vizinho e tem um ótimo dia. Ja. [Música] [Música] [Música]
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