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Estúdio Câmara | Autoanulação: quando agradar os outros vira esgotamento emocional
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Estúdio Câmara | Autoanulação: quando agradar os outros vira esgotamento emocional

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Resumo editorial

No programa ao vivo Estúdio Câmara de quarta-feira 20 de maio, o tema é a autoanulação — comportamento silencioso em que a pessoa abre mão das próprias opiniões, vontades e identidade para evitar conflitos e agradar os outros. Especialistas alertam que esse padrão gera ansiedade, baixa autoestima e esgotamento emocional. No bloco do legislativo, projeto do vereador Pemir Monteiro para política municipal de parques multissensoriais (com brinquedos sensoriais para crianças com TEA, síndrome de Down e paralisia cerebral) e proposta do vereador Luiz Iabico sobre agendamento de visitas técnicas de telefonia, internet e TV.

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Vídeo do acervo da TV Câmara Campinas.

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Olá, [música] muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar. ao vivo nessa manhã de quarta-feira, metade da semana, dia 20 de maio. Como vai você? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. E hoje vamos conversar, vamos conversar sobre um comportamento silencioso, mas muito presente na vida de muitas pessoas. Vamos falar da autoanulação. Quantas vezes alguém deixa de se expressar, de expressar a própria opinião para evitar [música] conflitos? Quantas pessoas colocam sempre a vontade do outro em primeiro lugar até perderem a conexão [música] consigo mesmas? Aanulação pode aparecer em relacionamentos amorosos, familiares, profissionais e até mesmo nas amizades. Aos poucos, a pessoa vai deixando de lado os próprios sonhos, necessidades e até a própria identidade para agradar, evitar rejeição ou até buscar aceitação. Embora esse comportamento muitas vezes ele seja confundido com bondade ou altruísmo, especialistas alertam que viver constantemente anulando a própria vontade pode gerar ansiedade, baixa estima, [música] esgotamento emocional e até um sofrimento psíquico. Os nossos convidados já estão com a gente. Nós vamos trazer algumas informações do legislativo. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Enquanto isso, você participa com a gente. WhatsApp na tela para você. Olha só. Tá aqui, tá? Eh, 19978293776. Conta pra gente, você já se percebeu vivendo alguma situação de autoanulação, chegou a perder a sua identidade? É crítico isso, né? Tá passando por isso ou então, [música] ã, tem alguma dúvida em relação à autoanulação? Manda pra gente a sua pergunta, nós queremos te ouvir, de repente até a sua experiência. WhatsApp na tela. Daqui a pouquinho apresentamos então os nossos convidados, mas agora a gente atualiza informações do legislativo. A Comissão de Constituição e Legalidade da Câmara de Campinas realiza hoje, às 3 da tarde a oitava reunião ordinária deste ano para analisar 13 projetos de lei. Entre [música] os destaques da pauta está o projeto do vereador Permí Monteiro, que cria a política municipal de implantação de parques multissensoriais. [música] A proposta prevê espaços adaptados para crianças com necessidades [música] especiais, incluindo pessoas com o transtorno do espectro autista, síndrome de D e paralisia cerebral com brinquedos [música] sensoriais, áreas de estímulo controlado e estrutura acessível. [música] A reunião é aberta ao público, também será transmitida aqui pela TV Câmara Campinas e pelo canal da TV Câmara Campinas no YouTube. [música] E também às 3 da tarde, no plenarinho, a Comissão de Economia e Defesa dos Direitos do Consumidor da Câmara de Campinas se reúne para a quarta reunião ordinária do ano para a votação de projetos de lei. Entre os destaques [música] está o projeto do vereador Luiz Iabico, que estabelece regras para o agendamento de visitas técnicas de empresas de telefonia, internet e TV por assinatura. A pauta também inclui propostas sobre incentivo ao afroempreendedorismo e a autorização para a instalação de telas proteção em condomínios. Também será transmitida aqui pela TV Câmara Campinas. Você pode participar presencialmente lá no plenarinho. Agora a previsão do tempo para hoje. O tempo tá estranho, né? Tem alguns locais de Campinas que tá fechadão. Parece que vai chover. Sair de casa também tava choviscando. Ó lá. Mínima 16, máxima 20º. Hoje a previsão do tempo indica sol entre algumas nuvens, possibilidade de chuva passageira ao longo do dia. À noite nuvens, mas o tempo permanece firme. 1620. Essa é a temperatura prevista para a nossa metrópole nesta quarta-feira. Que você possa fazer desta quarta-feira um ótimo [música] dia. E agora sim, vamos falar mais sobre autoanulação, que vem sendo cada vez mais discutida por profissionais de saúde mental, especialmente após o aumento dos casos de ansiedade, dependência emocional e exaustão psicológica que foram observados nos últimos anos. Muitos especialistas apontam que o excesso de cobrança social, relação desequilibrada e o medo constante de rejeição tem levado muitas pessoas a viverem desconectadas de si mesmas para entender como esse comportamento se desenvolve, quais são os sinais de alerta e como é a como é possível, né, reconstruir a própria identidade emocional. A gente recebe hoje dois convidados especiais. Está conosco aqui no estúdio o psicólogo clínico Paulo Ricardo Fortunato, também hipnoterapeuta. Seja muito bem-vindo. Bom dia. Obrigada pela sua participação. >> Muito obrigado. Bom dia. Bom dia a todos que nos assistem. Espero poder contribuir e refletir junto com vocês, né, sobre esse tema que é muito importante paraa nossa construção verdadeira. >> Uau! Construção verdadeira. Olha só, para completar o nosso time, a nossa dupla aqui de hoje, Rena Moura, hipnoterapeuta e também especialista em neurociência do comportamento. Seja muito bem-vindo. Bom dia, obrigada pela sua participação. >> Bom dia, primeiramente obrigado pelo convite. Esse é um tema que realmente você trouxe no começo sobre identidade, né? Eu diria que talvez essa seja a nossa grande pauta, porque o tanto de pessoa que passa por essa situação e realmente perde identidade, é a parte mais complicada dessa autonomação. Mas a gente vai falar mais um pouquinho sobre isso em breve, assim, eu sou professor de hipnose, sou pterapeuta e agradeço muito o convites para poder contribuir com vocês aí hoje nesse tema bacana que a gente vai discutir hoje. >> Nossa, a gente que agradece a participação de vocês porque a gente aprende muito, né, com o aceite de vocês convidados aqui do estúdio Câmara. Agora, muita gente acredita que está sendo bonzinho, compreensivo, quando na verdade eh o fato de agradar e aceitar tudo, a gente acaba desenvolvendo um padrão constante de um apagamento emocional, porque ã você fica sempre tentando e pensando no outro e você acaba se anulando. A gente começa com o Paulo, porque eu quero perguntar, Paulo da questão psicológica. O que o que caracteriza essa autoanulação e em que momento o cuidado com o outro ele deixa de ser saudável e passa a se tornar um abandono de si mesmo a ponto da gente abandonar quem somos, né, mesmo realmente a perda da identidade. >> É, geralmente esse esse problema, essa anulação que se torna um problema mesmo, geralmente começa na infância. Temos um autor que é o Winquat. Ele tem uma teoria que tudo começa em casa, né? E isso a gente não culpabiliza os pais, mas sim o ambiente. Então a criança ela espera ser aceita, ela espera ser valorizada, mas tudo que ocorre é inconsciente. >> Uhum. Então, ela sempre tá buscando esse apoio, ela sempre tá buscando a aceitação. E quando isso não ocorre, ela tenta, ela tenta fazer algo de alguma forma, atender a própria demanda, mas tudo isso é inconsciente, né? Então, ela tenta agradar a mãe, tenta agradar o pai para não sentir o abandono, não sentir a rejeição, né? Que vem um medo inconsciente fazendo com que ela acabe se anulando e ela não percebe que acontece essa anulação. >> Então, é interessante porque tudo começa lá na infância e isso vai refletir em nós adultos, né? Agora, eh, a pergunta é pro Renan. pela sua experiência clínica e também pelos estudos, né, em neurociência do comportamento. Por que tantas pessoas sentem a necessidade de agradar o tempo todo mesmo sofrendo emocionalmente com isso? A gente sabe que tudo começa na infância, mas porque a gente sabe que nós estamos fazendo algo. É assim, quando eu digo sim para o outro, eu estou dizendo não para mim e mesmo assim eu continuo fazendo. >> Dentro da neurociência existe um conceito que chama neuroplidade. >> Uhum. >> Então nossos até os 25 anos, a neuropacidade é é como nossos neurônios se adaptam meio à experiências que a gente vive. E quando a gente é criança, tudo é novo. Então você precisa aprender a respirar, andar, caminhar, comer, que isso aqui é uma bola, que isso aqui é um estúdio, enfim, você precisa aprender um monte de coisa. E isso é algo bom e ruim. Quanto mais novos, mais novos nós somos, mais a gente aprende com facilidade. Pode perceber que se você pegar uma criança e colocar num país estrangeiro, você ela ela aprende inglês muito mais fácil que a gente adulte. >> Exatamente. É isso. >> E qual que é a grande questão, até puxando um pouco essa questão da infância? Nós somos seres que temos, que aprendemos comportamentos. E quando nós somos recompensados com comportamento, a gente tende a repetir esse comportamento. Então, por exemplo, quando a criança ela passa por uma situação na infância na qual ela fez alguma coisa errada, a primeira situação que o pai ou a mãe faz é dar uma bronca. Então, ela aprende que aquilo é errado, ela vai evitar fazer aquilo, porque senão ela toma uma bronca. Agora, os pais geralmente eh quando criam, não vou generalizar, mas assim, quando você cria o seu filho e o seu filho ele teoricamente ele faz tudo certinho, ele começa a fazer as coisas de maneira correta, aquela criança aprende de quando ela é boazinha, quando ela não expressa algo que ela não gostou, quando ela faz o que o adulto, que é uma figura de autoridade, indicou para ela, ela ele ela aprende que aquilo é um comportamento validado, porque ela recebeu um presente depois, uma recompensa, um elogio, ó, parabéns, é isso aí, muito bem. E qual que é o grande problema disso? A gente vai refazendo esse comportamento várias vezes na nossa vida. Uhum. >> Isso. Toda vez que a gente refaz esse comportamento, ela vai entendendo que ela ganhou uma recompensa. Poxa, quando eu sou boazinha, quando eu não trabalho com meus pais, eu, basicamente, meus pais me elogiam, eles me dão presente, eles me validam e isso vai sendo recompensado. Então, a gente vai formando redes neurais que aprendem que se eu me aluno, entre aspas, assim, se eu faço o que o que me é solicitado, em algum momento eu sou recompensado por isso, porque eu evito conflitos, eu ganho elogios e eu sou validado. E isso agora indo pra fase adulta, né, de um adulto que se autoanula, é aquele adulto que passou talvez por uma dessa nessa parte de aprovação, ele é o bonzinho. Então você confunde um pouco e empatia, amor com anulação, porque às vezes você para evitar aquele conflito, você deixa de fazer o que você realmente queria fazer. Então você vai adaptando a sua identidade pro que o outro deseja, porque você aprendeu que você com isso você acaba evitando conflito e você é validado por isso. Então aquele adulto que se que se invalida, que ele tenta se moldar para caber naquela caixinha, é porque muitas vezes ele teve esse comportamento muito validado e quando ele recebe uma recompensa por isso, por exemplo, tô num relacionamento amoroso e aí eh o meu parceiro, ele eu sempre faço o que meu parceiro quer. Isso é muito comum, né? eh, um relacionamento amoroso, às vezes a pessoa ela que tem essa esse perfil de autoação, ela faz muito o que o parceiro quer, o que o parceiro quer. >> E aí um dia >> ela, por algum motivo, ela ela foge desse padrão. Então ela fala: "Não, hoje eu não quero fazer isso, hoje eu quero fazer aquilo". Aquele parceiro que tá acostumado, não é culpa dele, aquele parceiro que tá acostumado a receber aquilo sempre, ele estranha, fala assim: "Mas você não é assim, você sempre faz isso, quando eu falo para você fazer isso, então como agora você está fazendo uma coisa diferente?" E aí você tem uma reprovação. Aí ele fala assim: "Opa, quer dizer, toda vez que eu que eu me moldei ao meu parceiro, eu consegui eh ele sempre me valorizou, ele sempre me me deu um feedback positivo. Agora, hoje que eu queria algo de diferente, ele me deu uma repreensão. Então, opa, então o certo realmente por amor é um falso amor. Por amor eu me moldo aquele parceiro, então vou fazer o que ele o que ele deseja". Aí sim essa autonolação ela vai se reforçando porque é um comportamento é que nem vício, é um comportamento intermitente, você é recompensado pela sua autoalaulação. >> Então o seu seu organismo aprendeu para isso é o certo. Segue fazendo isso aqui que é o caminho correto. >> Olha isso, gente. E vamos lá, vamos identificar você de casa, né? Ó, para mim tanto faz, não, não quero incomodar, vou aceitar para não evitar problemas. Essas falas, gente, elas são algo que os nossos especialistas precisam nos orientar, porque por trás dessas falas pode existir medo de rejeição, culpa, dificuldade de se posicionar e a autoanulação. Vamos lá. Eh, Paulo, existe essa relação entre autoanulação e baixa autoestima. As pessoas que crescem, né, tentando agradar os outros, elas podem desenvolver esse padrão na vida adulta. Vocês já trouxeram isso pra gente? Agora, a baixo autoestima, ela está em conexão com a autoanulação? >> Sim, totalmente. É um comportamento apreendido, né? Mas você aprende a ter esse comportamento para evitar realmente uma recusa. E a essa autoestima ela vai de toda a validação que compõe o ambiente em que a pessoa vive. >> Uhum. Olha, gente, o cérebro, né, acaba criando mecanismos automáticos, né? E aí é uma submissão emocional isso que acontece com a autoanulação, né? Como esses padrões eles vão se tornando inconscientes. Você disse pra gente no início que é algo inconsciente. A gente acaba fazendo porque a gente entende que o cérebro entende que ele tem uma recompensa, né? Porque o nosso cérebro ele gosta de recompensas, né? E isso vai se tornando inconsciente ao longo da vida. E a gente vai repetindo esse padrão de forma automática. Seria isso >> sim, né? Um comportamento que acaba sendo aprendido e repetido. Então você traz esse padrão de esse padrão paraa sua vida. Ou seja, quando a criança tá ali tentando evitar um conflito, vamos vamos supor, né? Eu tenho uma experiência qual? A criança vê, vai crescendo e vê que a mãe é doente. >> Uhum. vê também, percebe também que o pai é um pai agressivo. Nisso ela vai tentando atender a mãe e também tentando não ter não ser submetido à agressão do pai. Então ela acaba dizendo sim para um lado, sim pelo outro e essa autoestima não vai atendendo suas próprias emoções, não vai não vai atendendo seus desejos, não vai atendendo suas necessidades e ela vai crescendo nesse quadro repetitivo. >> Olha isso, né? E daí cresce dessa forma. E aí a gente adulto, nós sabemos que nós temos que socializar, nós sabemos que nós temos que trabalhar, né? tem o lado profissional, o lado social e o lado afetivo. E nos relacionamentos afetivos, essa autoanulação, ela costuma aparecer de uma forma muito intensa. Foi o que você trouxe pra gente, né, Renan? Eh, como que a gente consegue perceber em uma relação quando nós estamos entrando nesse e eh nessa linha de perda de identidade? Eu acho que assim, eh, quando você entra numa relação, acho que no primeiro momento de toda a relação existe a conquista, né? >> Então, numa fase de conquista, muitas pessoas acabam às vezes vestindo uma máscara ou um personagem porque ela entende que precisa agradar ou precisa se moldar para aquele parceiro, possível parceiro, ele venha gostar dessa pessoa. >> Então, às vezes a relação já começa errada por aí, né? Então as pessoas elas acabam já entrando num relacionamento de uma maneira que ela se moldou, ela tentou se adaptar para entrar naquilo e isso a longo prazo não se sustenta, né? Porque ainda mais quando se se esse relacionamento ele for evoluir e as pessoas acabam ficando juntas, você acaba não sustentando isso. Mas a grande questão principal dentro de um relacionamento em si é assim, eu entendo que um relacionamento para ele funcionar ele precisa de uma admiração mútua. >> Então, ou seja, quando um parceiro admira o outro, el tem que admirar por quem a pessoa é e não por quem ela parece ser. O relacionamento tende a funcionar muito bem. Só que quando o parceiro, por exemplo, você está com uma pessoa que nem eu comentei um pouco antes, na qual você conhece uma máscara que ele veste, porque é tudo, ele quer te agradar, ele se anula. É que nem aquela pessoa que fala assim: "Ah, onde a gente vai sair para comer hoje?" "Ah, tanto faz, você escolhe". >> Aí a pessoa sempre escolhe porque ela sempre se molda. Mas ela nem quer comer aquilo, mas ela se molde aquilo. Então ela vai sempre se anulando. >> Isso a longo prazo vai trazendo, apesar da pessoa ter aquela sensação, não, eu faço isso por amor, por empatia, eu faço isso porque eu gosto dessa pessoa, mas a longo prazo ela vai se anulando para caber naquele relacionamento. E um dia ela acorda. >> Uhum. >> Um dia ela acorda. Por quê? Porque isso gera ansiedade. Porque nem sempre às vezes vai ter um dia que ela não vai estar tão paciente assim, não vai estar tão conseguindo se moldar aquilo, que ela vai ser ela mesma. ela vai talvez tentar impor alguma coisa que ela pensa e ela vai ser invalidada, que nem eu comentei. E o parceiro talvez seja um pouco mais agressivo, talvez ele ela ele ela não conheça esse lado de como que ele lida numa situação na qual eu não estou me moldando a ele. Então acho que a grande questão dessa da autoanolação é não confundir autonolação com amor. >> Uhum. >> Num relacionamento você tem que ter empatia no sentido de você sim se moldar um pouco ao seu parceiro, porque isso é normal. Mas agora quando isso acontece mais de um lado do que do outro, isso é um é um sinal de alerta, né? Quando você percebe que você se molda muito mais do que o seu parceiro, e quando você pede alguma coisa pro seu parceiro, que talvez seja uma coisa que ele não costumava fazer, mas que que ele poderia fazer isso para te agradar e ele não faz, isso mostra que já existe um desbalanceio nesse relacionamento. E aí acho que você começa a ser sinal de alerta, poxa, então por que que só eu tenho que me moldar? Porque só eu tenho que me adaptar e quando eu quero alguma coisa diferente, ele não pode fazer para pro meu agrado, pra gente encontrar um ponto de equilíbrio. >> Então esse sinal de aler tem que vir nesse momento. E que que eu posso fazer para recuperar minha identidade? Porque é muito comum também eh a pessoa ela entra num relacionamento e ela ela entra na vida da pessoa e ela esquece quem ela é. >> Exato. >> Ela esquece quem ela é. Ao ponto que quando esse relacionamento acaba, se ele vier acabar, e eu pego muitos pacientes com casos assim, eh, a pessoa, o grande ponto do do de um luto pósférmino às vezes é a pessoa recuperar a própria identidade. >> Uhum. >> Eh, ela se perde, ela fala assim: "Mas eu não sei quem eu sou ser meu parceiro, eu não sei quem eu sou. Eu não, eu não consigo me lembrar quem era o Renan antes de terminar esse relacionamento, por exemplo. >> E a terapia é muito mais às vezes, não só na questão da superperação ter, mas para fazer a pessoa voltar a se conhecer, voltar a entender o que ela gosta e também voltar a se amar, que é o principal, porque tem muito a ver com a autoestima também. A pessoa, ela se anula, ela acaba perdendo o amor próprio. >> Uhum. É verdade. E a a pessoa que percebe que ela tá nessa nesse relacionamento de perda de identidade, Paulo, ela sabe que ela tá sofrendo, ela tenta, mas mesmo assim ela não consegue sair daquele padrão. >> O que é isso? Por que isso acontece? E como que a gente deve trabalhar para ter esse autoconhecimento, para ter essa análise de que eu estou perdido, preciso voltar a me reencontrar e descobrir a minha identidade. >> É, e isso acontece quando ela já se perdeu. Muitas vezes ela não conhece, ela não tá percebendo isso. >> É tudo inconsciente esses comportamentos. Ela vai fazendo tudo isso que a Renan disse, mas o comportamento é inconsciente, ela aceita, ela se modela e é tudo inconsciente. Quando ela vê, as relações já estão toda fragmentada. >> O medo, o medo da solidão e do abandono, eh, pode aprisionar emocionalmente alguém? >> Aprisiona todos. Aprisiona. O medo é uma verdadeira prisão, né? O medo faz com que você se coloque nessas situações. Então, como isso é inconsciente e quando você vai perceber que essas coisas acontecem, aí que entra a psicoterapia, aí que entra a hipnoterapia, que é onde esses profissionais vão te mostrar o que tá acontecendo. psicoterapia no dia a dia, mostrando, mostrando e reconhecendo junto com você tudo que aconteceu, a hipnoterapia podendo te levar ao passado mais rapidamente, né? Diferente da psicoterapia, que a psicoterapia é uma vez por semana, é uma vez por semana. Ela é ela é pautada ali num relacionamento, no vínculo. A hipnoterapia também, mas a hipnoterapia ela consegue se aprofundar mais rápido, indo direto ao problema, para que a pessoa possa reconhecer aonde que isso foi formado. >> Muito bem. Agora, sinais de impactos emocionais na vida, eh, de pessoas que tm eh constantemente se autoanulado. A gente falou aqui da baixa autoestima, né? A gente falou do medo, a gente falou eh da questão da solidão. Agora vamos mais além paraa psicologia, eh, depressão, ansiedade, crises existenciais. Isso pode acontecer com a autoanulação. >> Sim, crises existenciais, momentos de rompantes, de explosões, de raiva, de descontrole, como também gritos. >> Uhum. >> Não é? Tudo isso vai envolvendo esses aspectos da autoanulação. >> Muito bem. Olha só, né? autoanulação, uma palavra que tem uma representação muito grande. De repente você tá vivendo isso aí na sua casa, você nem percebeu porque o seu cérebro acostumou, né? Acostumou a repetir o padrão que você aprendeu lá na infância. E a gente precisa de um autoconhecimento para entender o que tá acontecendo com a gente. De repente isso tá provocando um desgaste, de repente isso tá provocando um sofrimento. E você precisa entender o que está acontecendo para poder tomar o rumo da sua própria vida e seguir o seu caminho. Agora, Renan, essa tem uma pressão cultural e emocional, eh, principalmente para nós mulheres em relação a essa autoanulação, porque se a gente for parar para ver, a gente vai lá atrás novamente, onde tudo começa, na nossa cultura, na nossa formação, na nossa criação. mulher antes, ainda bem que hoje não mais, mas antes, vista como uma pessoa para ficar em casa, para cuidar dos filhos e literalmente anulada da vida social. Então, eh o porquê dessa pressão cultural, isso ainda existe, isso ainda reforça a autoanulação do ser feminino? >> Com toda certeza. Eh, nós somos seres ambientais. O ambiente ele mold nosso comportamento. Então tem genética, tem vários fatores envolvidos, mas o ambiente em si, o lugar, as pessoas que você convive, a sua história, a sua família, tudo isso ele vai moldar quem você é. E eu acho interessante isso que você trouxe, eh, com relação ao nosso passado, com relação às >> às crenças, a como o mundo é mundo, né? apesar de estar mudando muita coisa, acho que tá evoluindo muito, mas ainda assim tem muitas coisas que são eh pautadas e a mulher sofreu muito na história. Eu quero trazer um exemplo de um caso que eu atendi, que é uma das histórias mais emocionantes que eu já atendi. Acho que é um caso muito emblemático para mim, >> eh que tem tudo a ver com essa parte cultural. Eu uma vez eu fui atender uma senhora, eh, não vou citar nomes obviamente, mas eu vou contar uma história muito boa. >> É uma senhora, ela tinha os seus 70 e poucos anos e ela tá, ela tinha um relacionamento, já tava fazendo boda de ouro, mas é 50 anos de casada, só que o marido na época de renovar os votos, ele chegou para ela e falou assim: "Olha, não quero mais, quero separar, não tá dando certo." Eles com três filhos, uma família formada, ele chegou com essa bomba assim no colo dela. >> Uau. >> E ela, obviamente, né? Imagina uma pessoa que você tá há 50 anos juntos, ela me procurou exatamente para trabalhar esse luto, porque é um relacionamento muito longo. Então, se a gente, a gente a fala do amor de um ano que a pessoa já fica desabada, >> você imagina, >> você imagina 50. >> Uau! >> Então assim, e foi uma terapia eh muito interessante, né? Assim, eu trabalhei várias questões com ela, né? Eu trabalho muito com regressão, a gente faz toda uma limpeza do passado, tudo. E tem um momento nesse processo que eu tava fazendo com ela, que quando ela tava chegando mais ou menos na idade atual dela, ela, a gente já tinha trabalhad os traumas que ela tinha passado. Ela chegou para mim assim e ela falou para mim assim: "Eu lembro até hoje as palavras, parece até filme que eu vou contar, mas é uma história real, tá gente?" Ela falou assim: "Renu tô me vendo". Ela aqui de olho fechado, hipnotizada, passando por uma regressão. "Eu estou me vendo, >> mas eu não sei se eu quero descobrir quem eu realmente sou". >> E eu achei aquilo muito emblemático, né? Eu achei aquela frase muito forte, né? assim: "Como assim você não quer saber quem você realmente é?" >> Uhum. >> E olha só, eh, da fal assim, daí eu falei para ela assim, falei: "Olha, você tá num momento de transição, de mudança da sua vida, será que não é finalmente o momento de você se conhecer verdadeiramente e descobrir quem você realmente é?" >> Nossa. >> E ela falou assim: "É, tá bom." Da ela ficou ali em silêncio, né? É um processo interno dela >> e começou a escorrer uma lágrima, mas não aquela lágrima de tristeza, né? Começou a escorrer uma lágrima que eu percebi que era uma lágrima de alívio, de felicidade. Eu perguntei: "Me conta, né, que que que aconteceu? Quem você é? Eu quero saber." Tava curioso ali, parecia que tava uma série Netflix ali, porque >> e ela falou assim: "Renan, durante toda a minha vida, eu não quis olhar para quem eu realmente era eu gosto de mulher". Ela chegou para mim e falou: "Eu gosto de mulher". Só que socialmente isso nunca foi aceito. É uma coisa que eu nunca pude olhar para esse lado meu, mas 70 anos, uma pessoa mais idosa, etc, etc. Mas agora, com os meus 70 anos solteira, eu quero me conhecer, >> eu quero conhecer minha sexualidade, eu quero descobrir quem eu realmente sou. Eu ali na cadeira olhando aqui, eu falei: "Meu Deus do céu". Olha, >> falei, eu fiquei, eu fiquei assim, depois que eu reanalisei toda, todo o processo dela, eu percebi que tinha várias pistas com relação [limpando a garganta] a isso. E aí eu comecei a entender um pouco. Aí a gente, você vê que [risadas] nunca tem culpados, né, numa história. A gente tá falando de uma separação de 50 anos, mas imagina ela vestir uma máscara de de pessoa de uma sociedade que que uma sociedade que tem muito preconceito. Durante muitos anos, ela provmente esteve num relacionamento que ela gostava assim do marido, ela amava o marido, mas ela não era quem ela era. E o marido, claro que do outro lado ele sentia essa ausência de ver quem ela realmente era. Tanto que eu atendi o Marinho depois e eu entendi o lado dele também, mas você vê que os dois, cada um, ela teve que se moldar uma história e ele também, ele se adaptou a a ela e ela não era quem ela realmente era. E os dois depois que terminaram, você vê uma sessão que começou como um grande luto de um de um de uma separação, terminou com ela feliz da vida, com um sorriso daqui aqui se querendo se conhecer e o marido feliz da vida também porque ele fala assim: "Renora eu também tô feliz porque eu amo muito ela, eu não queria machucá-la, mas agora eu entendo também o por que tudo aconteceu, como aconteceu e eu quero que ela seja feliz também. E os dois amigos, super amigos, terminaram um relacionamento super amigos. Mas assim, e trazendo esse essa pergunta que você trouxe, a gente fala muito do ambiente, da cultura. Olha o quanto de opressão essa mulher não sofreu por conta de preconceito da sociedade. Eu tô falando de um ponto muito aí foi um ponto mais específico ainda, né? Uma questão de sexualidade. A gente imagino e a mulher ela já sofre em tantos aspectos e ela vai se moldando, ela vai se anulando o quanto essa mulher não se anulou durante 50 anos. E não por culpa do homem, não por culpa do do homem que estava com ela, porque ele era um grande homem também, mas por ela, porque ela entendia que precisava se moldar aquilo. >> Sim. Exatamente. Se a gente para para analisar, ela se moldou por conta de algo cultural, por conta do que os outros exigem que nós sejamos, né? O que a gente é, tem a ver com o que a sociedade nos impõe. E a sociedade também é um grande fator de autoanulação, né, padre? Sim, é um fator cultural, né? A gente vem, tem que se moldar aquilo, tende a se moldar aquilo que a sociedade nos impõe. Mas quando você se conhece, quando você não vive essa autoanulação, você consegue viver o seu verdadeiro, o seu eu verdadeiro e consegue ser uma pessoa social, um ser social nessa sociedade que é tão diversificada, né? Olha só, gente, muito interessante. Outro ponto que me chama atenção aqui e referente à autoanulação, muitas vezes é o fato de, vamos lá, eh, autoanulação, a gente, eh, corre, corre, roda, roda e cai em relacionamento, porque é um dos grandes exemplos de autoanulação, se a gente parar para analisar. Eh, tem o homem e a mulher ou então o casal, enfim, as duas pessoas se relacionando, né? E aí os dois têm nome e sobrenome, mas em certo momento da vida, na maioria das vezes, a esposa, ela é chamada de mulher de fulano de tal. Ela não é chamada pelo nome e sobrenome. Ela é chamada ah, você é a mulher do fulano. Ah, você é a mulher do fulano. Às vezes a pessoa não sabe nem o seu nome, mas sabe que você é mulher, esposa ou companheira, enfim, de outra pessoa. Isso também é algo que deve ser eh ser atentado, né, chamar atenção, porque é uma situação de autoanulação. Quando isso acontece, como a gente deve reagir? Chamar a pessoa pelo nome é importante? >> Chamar a pessoa pelo nome é super importante, né? Não devemos viver à margem do outro, né? Temos que assumir a nossa identidade, a nossa posição na nessa sociedade ou em qualquer relacionamento. >> Muito bom. O que que você traz pra gente referente a isso, Ren? >> Eu concordo também. Eh, primeiro, antes de tudo, você tem o seu nome, seu sobrenome, quem você é, né? A partir do momento que você entra num relacionamento, você tá somando, >> mas a sua identidade ela não se perde. Então, você chamar pelo nome, eu considero que é o mínimo, porque você não col não pode colocar um um estereótipo, você é aquilo, porque um dia aquele relacionamento ele pode acabar. A gente ainda mais, a gente tá vivendo uma sociedade tão dinâmica hoje em dia de relacionamentos, claro, não é o ideal, mas assim, pode acabar e e aí a pessoa ela fica muito presa, tá bom? Quem eu era antes daquela daquele de estar naquele relacionamento? Então é importante a pessoa ter a identidade dela, ter os gostos dela, ter os hobbies dela, ter a vida dela e ter a vida dois. Tem que ter as duas coisas. Tem que ter a vida com o casal como casal no relacionamento, mas também tem que ter a vida sozinha. Porque se um dia esse relacionamento acaba, >> ela tem a parte dela, ela sabe quem ela é, ela sabe o que ela gosta. Então a pessoa que tá com ela tem que vir para somar e não só para para ela não pode só querer se encaixar a vida do outro para mostrar para e perder quem ela é. Assim, tem muita gente que começa um relacionamento e deixa de fazer as coisas que gosta. Isso é muito comum, né? Ah, eu gosto de jogar meu futebol, não vou, tô no relacionamento, não posso mais jogar meu futebol, não. Tem que continuar jogando numa adaptação, obviamente, assim, mas tem que continuar seguindo as coisas que você gosta de fazer, porque é assim que a ideia, a pessoa que tá com você, se ela gosta de você, ela vai aceitar os seus hobbies, assim como você vai aceitar os hobbies dela. Isso vai tornar um relacionamento realmente saudável e duradouro. >> É, tem que fazer um ajuste aí para ficar bom para ambas as partes, né? Bom, nós falamos aqui, olha só, lá da infância, eh, nós trouxemos as consequências dessa autoanulação e aí nós pontuamos muito a autoanulação dentro do relacionamento, né? Agora, eh, autoanulação, eh, Paulo, na questão profissional, isso existe também? como é que a gente pode apontar onde está, como que a gente se anula eh no ambiente corporativo, por exemplo, quando a gente tem falta de confiança. >> Olha aí, >> né? A falta de confiança no seu trabalho, naquilo que você faz, na a falta de confiança também tem a ver com um pertencimento, com pertencimento àquilo que você buscou a fazer, a ser, né? Isso vem com a sua confiança, vem com a sua autoestima. Então, quando você não traz todos esses quesitos, você acaba vivendo a margem também no trabalho. Por quê? Porque o trabalho também é relação. E a melhor relação que existe é a relação consigo mesmo em qualquer ambiente que a gente esteja. Excelente. Se você não está bem relacionado consigo mesmo, você vai transbordar algo que não não vai fazer sentido, principalmente com o ambiente corporativo, né, Renan? >> Exatamente. E assim, acho que é é as relações humanas elas são muito parecidas mesmo no ambiente corporativo, amoroso, etc. Talvez aquela pessoa que se autoanula é aquela pessoa que quando recebe uma ligação do chefe meia-noite num dia aleatório, atende e sente que tem que fazer. Não estou dizendo que não tem situações que possam ter exceções, exatamente isoladas. Mas assim, às vezes a exceção vira regra, né? Então a pessoa ela vai se autoanulando, ela aquela pessoa sempre disponível. Então, pô, eu tô sempre disponível, sempre estou disponível. Isso por quê? Porque existe, a gente fala de medo de rejeição no relacionamento, mas eu tenho medo de ser meando embora, eu preciso desse trabalho. Só que ao mesmo tempo, quanto mais você vai cedendo e se moldando a aos abusos, mais você vai sendo desvalorizado. Porque geralmente quem é valorizado é quem tem palavra, é quem tem opinião forte, é quem realmente fala o que pensa. >> São no ambiente corporativo, principalmente líderes são pessoas que se impõem. Se impõe o que eu digo, não tô falando paraa pessoa se impor de uma maneira mal educada ou falar, não vou fazer isso, mas saber impor, por exemplo, olha, hoje hoje é sela terça-feira, meia-noite, eu entendo que hoje você possa ter me procurado para tal demanda, mas olha não, isso não tem que ser uma normalidade. Então, numa próxima vez vamos nos organizar para fazer isso num período comercial, para não atrapalhar nem você, nem eu, porque a qualidade de vida para eu render no meu trabalho no horário comercial, eu preciso estar bem, dormir bem. E se eu toda hora receber ligação assim, eu vou ficar sempre em alerta. Então, tô dando um exemplo lúdico aqui, mas eh é importante que o profissional ele também entenda que não é porque você está numa corporação que você precisa se moldar tudo que ela traz para você. Você precisa saber impor a sua opinião também de uma maneira equilibrada para você também ter a sua qualidade de vida e também não deixar montar em cima de você, né? >> Olha aí, a autonulação, resumindo, então, faz parte da nossa vida, né? E a gente só precisa estar atento aos sinais e caso isso esteja acontecendo, ah, fazer aí um raio X, né? ver o que que tá acontecendo, onde isso começou, por começou, buscar ajuda de um profissional, orientação para reverter essa situação. Que bom que tem reversão, né, Paulo? Que bom que tem reversão. Mas é importante a gente salientar que eu acredito que a maioria das pessoas elas passam por essa essa situação em algum momento da vida, não é? Olha, todos passamos por essas situações, como eu disse e repito, o relacionamento consigo é a melhor ferramenta que temos hoje em dia, né? A gente precisa se autoconhecer, conhecer as nossas necessidades, conhecer as questões sociais, as questões do mundo, né? Estar informado para saber como tomar uma decisão, né? aonde poder fazer um manejo da própria vida. Muito bom. Agora 8:41. Produção, me avisando aqui que nós temos algumas perguntas referente ao tema de hoje para os nossos entrevistados. Então, vamos lá. Quem é que tá conosco pode colocar na tela por gentileza. Produção, estamos ao vivo. Estúdio Câmara hoje falando sobre a autoanulação com os nossos profissionais. Ah, Sandra Ramos do Castelo. É comum ver mães que abandonam totalmente a própria vida e os amigos e os hobbies para viver para os seus filhos. Quando o cuidado com a família vira um excesso perigoso. Ô Sandra, muito boa pontuação, ô Renan. É isso também, né? Mães literalmente se autoanulam, mas até que ponto, né? Vamos responder a pergunta da Sandra, por favor. >> Que pergunta boa. >> Que pergunta boa. E assim, não tem como negar. A mulher tem, ela tem uma importância, ela tem uma, ela, ela vai se desgastar muito mais na criação de uma criança, principalmente no começo do que o pai. O pai >> ele tem que ser parceiro, ele tem que ser tá ali com ela. E eu entendo que assim, principalmente nos primeiros anos, muitas mães elas acabam se autoanulando, né? Eh, no sentido de que eu preciso estar o máximo de tempo com o meu filho. Existe uma pressão social, sabe, sobre a mãe, tipo, ah, se como é que como a mãe ela tá ali fazendo o hobby dela se ela tem uma criança pequena lá para cuidar. Então assim, existe uma pressão social, mas assim, tudo é equilíbrio. Tudo é equilíbrio, porque aquela mãe que se anula demais também e prejudica a própria saúde, perde um pouco eh os hobbies, etc., ela é uma mãe que emocionalmente ela vai acabar ficando mais instável. Sim. >> Então, pensando a longo a longo a longo prazo sobre a criação de uma criança, é importante que você, claro, dedique o tempo a sua, a seu filho, ter um equilíbrio com o seu marido, né, com o seu companheiro, no sentido dele te ajudar também, mas que você também tenha pelo menos um pouquinho de espaço para você, >> para você poder eh conseguir não perder a sua identidade. A a ser mãe é uma das partes da sua identidade, mas ser mulher também, ser quem você também faz parte da sua identidade. E eu percebo assim que é muito comum muitos relacionamentos, principalmente quando a criança é pequena, que ali é é um ponto chave para ver se aquele relacionamento vai paraa frente ou não, porque ali começa os pais com com os nervos a flor da pele, eh, com uma criança pequena, com várias responsabilidades novas. É ali que muitos relacionamentos eles acabam falhando. >> Então, por quê? Porque tem muito dessa autonulação por parte da mãe, principalmente, acaba acontecendo, mas é o que eu acredito que dá para encontrar um equilíbrio, assim, é importante a pessoa, a mulher aprender a a encontrar um espacinho para ela também ali. >> É, a gente precisa, né? né? Nós nós mulheres nós eh a gente consegue, a [risadas] gente consegue. Então é importante também a rede de apoio, né? E não se autoanular. Os filhos são as nossas joias preciosas, mas é importante a gente lembrar que os filhos vão crescer e os filhos vão e o nosso ninho vai ficar vazio. E aí às vezes você se dedicou tanto e perdeu a sua identidade que na volta vai ser um caminho bem árduo. Então é importante a gente manejar, claro, cuidando sempre com muito carinho, né, e com muita responsabilidade dos nossos filhos, mas também cuidando da gente, né, nós mulheres, mães, porque a gente transborda e se você está bem consigo, você com certeza vai conseguir oferecer um cuidado maravilhoso pra sua criança. Então pense em você também, tá bom? Agora 8:44. Vamos lá, mais uma pergunta pra gente. Agora direcionamos para o Paulo Ricardo, nosso psicólogo, Marcos Silva do Taquaral. Vamos lá, ó. Algumas pessoas nunca escolhem o restaurante ou filme do passeio para não incomodar os amigos. Olha aí, na amizade, a autoanulação. Essa dificuldade de expressar um gosto simples pode esconder uma baixa autoestima. Aqui o Marcos tá trazendo o panorama de amizade referente à autoanulação. Muito boa, Marcos. Obrigada, viu? Vamos lá, Paulo. >> Muito boa mesmo. Pode trazer sim, porque essa pessoa pode ter medo de perder, né? Ela pode ter medo de pertencer, ela pode ter medo de fazer parte. >> Uhum. >> Né? Então, ela acaba deixando de atender as próprias necessidades, de apresentar os seus gostos, suas vontades, que também podem ser muito interessantes. >> Sim, >> né? Essa pessoa pode ser muito interessante para esses amigos que talvez não veja o quanto que ele é interessante devido a essa anulação, devido a esse medo de perder e de fazer parte da vida das pessoas. >> É, a gente eh é um ponto bem interessante é a sensação de pertencimento e querer fazer parte do grupo, né? E aí a gente volta lá na infância de novo, porque quando a gente fala em grupo e fazer parte, a gente vê muito isso eh na na convivência entre as crianças, né, Renan? Porque assim, eh eu vou te dar minha meu brinquedo eh em troca da sua amizade. Isso acontece muito com as crianças, né? Então é uma questão de querer fazer parte e isso pode também estar eh relacionado à autoanulação, não é? >> Com certeza. Aí eu vou passar um pouco da criança para adolescente assim, né? >> É porque assim e nada, a gente a gente tem um cérebro informação até os 25 anos, assim, nosso cótex frontal tem desenvolvimento, nosso lado racional, então ele é um pouco, o adolescente ele é mais emocional. [risadas] >> E qual que é o grande problema disso? A gente falou de pertencimento, né? O adolescente é aquele ser impulsivo >> que muitas vezes para pertencer no grupo ele vai começar a criar hábitos ruins para pertencimento. Então assim, [limpando a garganta] drogas, álcool em excesso, entre outras coisas. Porque de novo a autonomação, às vezes ele nem queria >> Uhum. >> às vezes ele nem gosta daquilo, >> mas só para estar perto. >> Mas só para estar perto. E qual que é o grande problema? Ele vai pagar essa conta na fase adulta, >> porque ali desenvolve um vício, começa a fumar, não sei quantas pessoas, né? Eu atendo muito o tabagismo, né? Então assim, quantas pessoas começarem se perguntar como foi seu primeiro cigarro? Eu tava lá na roda de amigos, nem queria, mas aí tava lá. Então socialmente era importante experimentar para fazer parte daquele grupo. E aí aquela pessoa tem uma dificuldade absurda de conseguir largar aquele vício de um vício que veio lá atrás. Então, a autonolação também em parte, ela ela acontece na nossa adolescência por conta de um cérebro que ainda é muito emocional, é um cérebro que ele não consegue racionalizar tantas decisões e você acaba sendo um ser mais impulsivo e aí você para fazer, para você pertencer e não ser rejeitado naquele grupo, você faz o que tem que ser feito, só que depois a conta vem, né? >> É, a gente tem que arcar com as consequências, né? Então essa questão de sensação de pertencimento também faz parte do tema de hoje que é autoanulação. Agora 8:47 pode colocar mais perguntas. Produção tá falando que nós temos mais duas para cada um. Muito bem. E depois a gente vai para as considerações finais. >> A Marina Costa do Jardim Eulina. O cérebro de quem passou a infância tentando agradar os pais muito rígidos fica viciado em buscar aprovação na vida adulta. Hum. Hum. Como a neurociência explica esse padrão que se repete? Vamos lá. Pode pegar essa. [risadas] Pensa assim. Vamos pensar. É legal essa pergunta. Então, eh, imagina que autoaprovação, você buscar uma aprovação é como se fosse um vício. Por que que é um vício? Porque você tem várias recompensas e tem intermitentes. Hoje a gente tá num momento da sociedade que a gente tá, que a galera tá com visto em aposta. Eu recebo muito paciente com visto em aposta. Bet, Bet, Grin, etc. E por que que a pessoa vici? Por que a gente tem aqueles comportamentos, mesmo sabendo que ele é errado, mesmo sabendo que ele me prejudica? Porque a recompensa, a previsão de uma recompensa que você não sabe se vai acontecer, ela é muito mais agradável ao cérebro do que uma recompensa que você tem certeza que vai acontecer. Por exemplo, é que nem o cassino, você quase ganha e aquele cheque check um errado, você fala assim: "A próxima vez vou ganhar". Então você fica mais ansioso. E isso num relacionamento é aquela migalha que o seu parceiro te dá. Então, por exemplo, você fez alguma coisa e você recebeu uma migalha de carinho, de amor e aí você entende: "Puxa vida, talvez na próxima vez se eu fizer mais, ele vai me dar mais". E você entra num loop emocional no sentido de que assim, poxa, então preciso estar sempre dando mais e mais e mais para poder receber mais aquele parceiro. Só que é uma, às vezes o seu parceiro ele vai te dar um feedback positivo, mas quando aquilo vira uma normalidade, por exemplo, você eh sempre deixa ele escolher para onde vocês vão comer ou você evita conflito. Quando ele briga com você, você fica quieta para evitar um conflito com ele, porque ele pode ficar agressivo, etc. Ele acostuma aquilo como sou normal. Então assim, e ele para de brigar com você, então você e ele chega um dia te dá carinho, etc. você acostuma aquelas pequenas recompensas intermitentes. Então você aprende, opa, então se eu evitar conflito, se eu evitar falar o que eu penso, se eu é fazer o que ele quer que eu faça, eu vou ser recompensada por isso. Mas cada vez uma recompensa diferente, não é que é sempre constante. E essa imprevisibilidade da recompensa é o que é o perigoso. Então a pessoa, ela fala assim: "Eu sei que eu tô num relacionamento ruim, eu sei que tá me fazendo mal, eu sei que eu deveria sair daqui, mas eu tô preso". Por quê? Porque é um vício, é mesmo sistema que controla um vício. A mesma pessoa que tá viciada numa droga, só que ela tá viciada num relacionamento tóxico para ela, vamos dizer assim. >> Gente, que coisa. Ô, produção, coloca de novo a pergunta na tela, por gentileza, desse nosso telespectador. Eu quero ver novamente o cérebro de quem passou a infância tentando agradar os pais muito rígidos. Olha só que interessante, né? Porque se você tenta agradar, então você vai sempre estar disponível, né, para o outro. Você sempre está pensando no outro. Qual que é a importância, Paulo, da gente fazer uma autoanálise e entender que o outro ele é importante, mas que primeiro e sem ser egoísta, tá bom, gente? É sem ser egoísta. cor me corrije se eu tiver errado. Se eu pensar em mim primeiro, eu estou sendo egoísta ou é assim que a gente deve fazer? No caso da Mariana aqui, ela falando que passou a infância tentando agradar os pais rígidos e buscava e agora ela tá querendo buscar aprovação na vida adulta. Mas se eu começar a fazer uma autoanálise e me colocar em primeiro lugar, isso não cai por terra? >> Cai por terra, né? A a neurociência ela é tão maravilhosa que todas as abordagens da saúde acaba indo nesse caminho. O como Renan disse, >> a o cérebro aprende, o cérebro é plástico. >> Muito bem, >> né? Então, essa rigidez que veio da infância e chegou no na vida adulta, veio porque o cérebro aprendeu, ele se moldou aquela questão. >> Agora, quando você faz uma autoanálise, quando você começa a perceber, busca ajuda, você pode mudar isso. E não se não é um egoísmo. A gente pode chamar de egoísmo virtuoso, né? O que que é o virtuoso? É a virtude. O que que é a virtude? quando você pensa no outro. [limpando a garganta] >> Então, quando você tem um egoísmo virtuoso, você vai fazer para você, mas tudo que você vai fazer para você, você atende o próximo. >> Então, você acaba melhorando suas conexões, você acaba sendo uma pessoa mais interessante, você acaba se valorizando, sendo valorizado. Então, há sempre esperança, há sempre sonhos, né? Há sempre tempo de mudar. Ai, que bom, gente. E entender que você é importante, eu acho que é um ponto primordial e o início para uma nova caminhada, né, para uma estrada mais leve de ser seguida. Agora 8:52, pode colocar mais uma pergunta na tela pra gente, produção, por favor. A gente tá aqui falando de autoanulação. Aline Rocha do Guanabara. O parente que está sempre pronto para socorrer os outros raramente recebe uma ligação para saber se estar bem. O preço de ser apoio de todo mundo é se anular no final. Paulo, olha isso, né? É aquele negócio, né? Sou forte, sou forte, sou forte. >> Ah, então ninguém vai me ajudar porque eu sou forte mesmo. Eu consigo, né? É uma é um um uma maneira de se autoanular também. é uma maneira de se autoanular. E além de ser uma autoanulação, existe um vazio, né? Então ela preenche todo mundo. >> Uhum. >> Mas olha, olha o que o que que ela escreveu, né? Aquela pessoa, o parente que está pronto para atender todo mundo. E quem me atende? >> Então >> eu me atendo, né? nem mesmo a pessoa se atende. Então, ela precisa começar a perceber isso e reconhecer esses padrões que vêm da infância, da adolescência e que é um padrão repetido. E se ela percebe isso e busca ajuda, ela consegue sair desse vazio existencial, desse vazio emocional, começa a se perceber, a se conhecer, a se valorizar, a ver que ela faz parte desse mundo, faz parte do todo. >> É quem sou, né? Quem sou eu? Para onde vou? O que que eu quero, né? Qual que é a minha missão aqui? que a gente tem que parar e fazer uma autoanálise. Agora, por que que é tão difícil, Renan, a gente tentar eh olhar para para si mesmo e e começar a ver e fazer essa autoanálise aí pra gente poder sair dessa dessa coisa que o nosso cérebro se acostumou, né, com essa autoanulação, esse ser forte o tempo todo, de repente até conviver com esse vazio que o Paulo trouxe de fazer tudo para todo mundo. Eu só existo se eu estiver ajudando, contribuindo, fazendo algo para alguém, para que eu seja reconhecida que, ó, eu estou OK com as minhas ah com as minhas atividades, né? Eu vou lá, vou ajudar todo mundo. Tem que ser assim. >> O nosso cérebro, ele gosta de economizar energia. Então, por querer economizar energia, é mais fácil a gente ter hábitos, padrões de comportamento. E esses padrões de comportamento, eles são moldados na nossa história. >> Por isso que o nosso passado ele é tão importante, porque ele vai moldando quem a gente é hoje. Então quando a gente fala assim: "Ah, por que que é tão difícil, né? A gente sabe que tá errado, a gente muitas vezes sabe que tá aluma coisa errada, é porque muitas vezes a pessoa não entende o por que ela tem aquele comportamento." A terapia ela entra muito nesse ponto >> em fazer uma realmente uma varredura ali para entender, tá? Eu tenho esse comportamento hoje, eu me anudo. Por quê? O que que aconteceu na minha infância, que aconteceu na minha adolescência, que aconteceu na minha vida para que eu tenha encontrado na minha autoanulação uma maneira de sobreviver ao mundo, porque é uma sobrevivência ao mundo. >> A pessoa, ela quer sobreviver nesse mundo e o jeito que ela aprendeu a sobreviver é se autoulando. É o jeito que ela aprendeu. >> E para isso, para que ela consiga ter uma mudança real, ela precisa lidar com esses fantasmas do passado, vamos dizer assim, ao ponto de aprender a enxergar aquilo tudo de uma outra forma. Então aquele momento que o que o pai brigava com ela e ela se ela não lava, ela ela tem que perceber que tá bom, quando eu era criança, esse comportamento fazia sentido, mas será que agora adulta eu preciso me comportar da mesma forma ou será que a partir de agora eu consigo ter um comportamento diferente? Eu consigo me impor mais, eu consigo me colocar em primeiro lugar? Então é um exercício de você se reinventar. Eh, o mais importante é ter a consciência de que isso tá acontecendo, entender os mecanismos que geraram isso e aí sim você com terapia, obviamente facilita muito o processo, conseguir se reinventar para despertar uma nova versão sua. Agora, ter consciência de que isso tá acontecendo é algo bem desafiador, já que vocês trouxeram pra gente que, de repente esse movimento da autoanulação, ele é inconsciente e aí vira um círculo vicioso e você não percebe e você de repente vai se dar conta já quando tá lá no fundo do poço, não é isso, Paulo? É isso. Você percebe quando as relações estão já perdidas, inclusive a relação que você não percebe que não tinha, que era com você mesmo. >> Nossa, olha [risadas] isso. Quão complexo, né? eh essa palavrinha autoanulação e pode trazer paraa gente aí grandes consequências, né, para pro nosso desenvolver, pro nosso dia a dia, paraa nossa socialização, os relacionamentos, a nossa família e principalmente para nós, né, para você, para você, você aí de casa que tá aí eh parou e pensou agora tô me autoanulando, né? Importante você fazer um eh um raio X aí, ver que que tá errado e começar a colocar as coisas nos trilhos. De repente seja o momento de virar a chave com este programa tão interessante e tão informativo. Agora 8:57. Tem mais perguntas, produção? Se tiver pode colocar por gentileza, por favor. Vamos ver quem é que tá conosco. Estamos aqui ao vivo. Estúdio Câmara. Daqui a pouquinho a Iria tá chegando, trazendo informações para você atualizadas, tá? Sérgio Ferreira do Jardim Proença. O hábito de sempre pedir desculpas, olha aí, mesmo sem ter feito nada errado, mostra que a mente se acostumou a se colocar abaixo dos outros. Eh, tem gente que pede desculpa toda hora, né? >> E então, esse pedido de desculpas aí, o que que é? É um é um reflexo automático de de que você se acostumou a a pedir desculpas, tipo, se anular mesmo, se autoanular, porque você invalida o que você fez. De repente existe a necessidade do pedido de desculpas, mas de repente também não existe. Você simplesmente ah só deu o seu ponto de vista e tá tudo bem. >> Sim, sim. Na verdade, o aquele que pede desculpa, ele não quer ferir, né? Ele não quer perder o espaço. Ele quer ser aceito, ele quer fazer parte, ele quer ficar junto, ele quer >> o tal do pertencimento. >> E ele não pode, ele não pode se deixar de te pedir desculpa. Se ele deixar de de pedir desculpa, talvez ele vai ter uma punição. E eu não quero ser punido, eu não quero ser excluído, né? E a exclusão também é um e é essa faz parte dessa grande rede de anulação. >> E para que a gente faça parte, se pertença, exista, precisa, né? muitas vezes precisa ficar pedindo desculpas e talvez não seja necessário. Ah, muitas vezes é necessário pedir desculpa, é necessário ser educado, né? Mas educado também. Ser educado não é sempre ceder. Hum. Ser educado não é sempre deixar de ser quem é, né? É também reconhecer o outro nas suas necessidades, mas reconhecer a si mesmo nas próprias necessidades também. >> Muito bom. Renan, pedido de desculpas constante. Tem gente que se acostuma em pedir desculpa, né? Desculpa toda hora. Desculpa, desculpa, desculpa, gente do céu. Para que tanta desculpa? Porque tem hora que eu não preciso pedir desculpa. Eu simplesmente coloquei, como eu disse antes, o meu ponto de vista e eu tenho a minha opinião referente ao determinado assunto e com certeza a minha opinião é diferente da opinião do outro. Então eu não preciso pedir desculpas. Mas por que esse pedido de desculpas constante? Eu acredito que muitas pessoas elas querem eh que nem eu falei, evitar conflitos. Então quando você pede desculpa, mesmo sentindo que tem razão, você tá naquele processo de fugir de uma dor. Porque eu sei que se eu discutir com aquela pessoa, ela pode aumentar a voz. Você falou de grito, tem um programa sobre grito, né? Gritar às vezes, >> ontem falamos sobre grito, >> o grito do outro às vezes é uma maneira de eu não quero ouvir o que você tem para me falar. Então quando eu grito, eu tô abafando sua voz, então não quero escutar. E às vezes a pessoa ali que tá pedindo desculpa, ela, se tem uma pessoa mais irrativa na frente dela, ela sabe que aquele que pedir desculpa vai evitar aquele conflito. Por mais que ela saiba que tá certa, ela opta por um caminho teoricamente sem conflito para evitar uma dor. >> Exatamente. >> Só que vira um comportamento de novo. Se um dia ela se posicionar, aí aquele parceiro, aquela pessoa, aquela amiga, aquela, ela vai estranhar, fala assim: "U, mas você nunca se posicionou aqui que tá errado, né? Tem uma coisa errada, né?" >> Tá vendo? Então, as pessoas se acostumam com a sua reação, o cérebro se acostuma com a sua ação, porque se você fica pedindo desculpa, desculpa, desculpa, é inconsciente. Daqui a pouco você tá pedindo desculpa por algo que não tem nada a ver, você tá desculpa, desculpa, desculpa. Então, gente, o negócio é o seguinte. Nosso cérebro é algo muito complexo. A gente precisa entender como a gente funciona. A gente precisa falar de comportamento. E hoje nós falamos sobre a autoanulação, que acontece sim, né, comigo, com você, em algum momento da vida. O importante é a gente reconhecer essa situação, eh, buscar ajuda e sair, sair desse ciclo vicioso que é a autoanulação, que a gente percebeu aqui, eh, com a entrega dos nossos convidados, que sim, é um ciclo vicioso e que a gente faz isso inconsciente, né? Faz isso sem perceber. Então, talvez uma das maiores armadilhas da autoanulação seja justamente o fato dela parecer invisível, porque quem se anula geralmente continua funcionando, trabalhando, cuidando dos outros, sorrindo, mas por dentro, gente, vai se desconectando da própria essência. Aanulação não é prova de amor, não é maturidade, não é bondade extrema, nenhuma relação saudável deve exigir que alguém deixe de existir para manter vínculos. Então, que a gente preste muita atenção referente a essa palavra que está faz parte da nossa vida, que é a autoanulação. Bom, agora 92, a gente vai para as considerações finais. Eu quero agradecer a participação então dos nossos convidados e que deixem uma dica aí paraos nossos telespectadores referente ao nosso tema de hoje. Paulo, Ricardo, muito obrigada pela sua participação, pelo seu eh eh a sua contribuição com tanta informação, viu? também agradeço e espero ter contribuído com vocês. >> Deixa uma dica para quem tá em casa referente ao nosso tema de hoje, para quem de repente virou a chavinha e falou: "Opa, tô me autoanulando". >> Eu espero que você possa se conhecer e se assumir sempre com responsabilidade e com certeza vai dar tudo certo. >> Uau, maravilha. Vai dar tudo certo. Já deu tudo certo. Agradeço também o Renan Moura pela sua participação, pelas reflexões tão importantes no programa de hoje, viu? Obrigada. >> Eu que agradeço. Eh, convido todo mundo que quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho. É @hipipnosecampinas. Eu tenho um livro publicado que chama Básico Benfeito. Também pode me procurar depois. >> E como consideração final, eu diria que não confunda a autoanulação com amor ou empatia. Uhum. >> Tem muito mais a ver com medo. Então assim, tudo que a gente conversou aqui, dá para você ter uma noção se você tá se autoulando. Se você perceber que tá acontecendo isso, você não tá conseguindo sair desse labirinto, procura ajuda. Então, dá para procurar ajuda para conseguir mudar esse cenário. >> Maravilha. Auto conhecimento, gente. Isso é bom demais. A gente vai encerrando por aqui. [música] Lembrando que a Íria tá chegando aí trazendo atualizações, tá? eh, da Câmara de Campinas, aqui de Campinas, estado de São Paulo, Brasil, mundo, cotação de euro, euro, [risadas] perdão, dólar e muito mais. Ao meio-dia tem Câmara Notícia. Hoje é quarta-feira, então também nós temos reunião ordinária às 6 da tarde e você acompanha tudo aqui na TV Câmara Campinas e também no YouTube da TV Câmara Campinas. Lembrando que esse programa e todos os outros programas da [música] TV estão disponíveis também no YouTube. Você pode compartilhar com seus amigos aí pra gente repassar e compartilhar a informação com responsabilidade, tá certo? Um grande abraço para você. Fique bem. Preste atenção nessa questão aí da autoanulação. [música] Cuide-se e até amanhã, se Deus quiser. Ciao [música] [música] [música] >> [música] [música]
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