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Estúdio Câmara | Aniversário de Campinas - Pertencimento
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Estúdio Câmara | Aniversário de Campinas - Pertencimento

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[música] [música] Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação. da TV Câmara Campinas. Seja muito bem-vindo. Estamos chegando estúdio Câmara no ar ao vivo hoje, terça-feira, dia 14 de julho. Hoje a metrópole completa 252 anos de história.

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[música] [música] Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação. da TV Câmara Campinas. Seja muito bem-vindo. Estamos chegando estúdio Câmara no ar ao vivo hoje, terça-feira, dia 14 de julho. Hoje a metrópole completa 252 anos de história. Campinas, uma cidade que cresceu, se transformou em referência nacional, em ciência, em tecnologia, educação, inovação e que recebe diariamente pessoas vindas de todas as regiões do Brasil e também de outros países, né? Mas existe uma pergunta que vai além dos números e dos indicadores econômicos. O que faz alguém se sentir parte de uma cidade? Será que [música] pertencimentos t a ver apenas com o lugar onde nascemos? ou ele é construído ao longo da vida por meio das experiências, [música] das relações, das memórias que criamos. Quem chega a Campinas encontra uma cidade dinâmica, com característica de metrópole, mas que ainda preserva muitos traços do interior. Para alguns, essa combinação é acolhedora. Para outros, o processo de adaptação [música] pode levar um tempo. Afinal, o que transforma o endereço em lar? O que faz uma pessoa dizer com orgulho que esta cidade também é sua? E como fortalecer os laços entre quem nasceu aqui em Campinas e quem escolheu Campinas para viver? É sobre isso que a gente conversa hoje. Vamos falar do aniversário de Campinas, vamos falar de pertencimento e vamos falar dessa metrópole pujante. Participe com a gente. Queremos saber de você aí de casa qual é o seu grau de pertencimento [música] à cidade de Campinas e qual o lugar de Campinas guarda uma memória especial para você. Conta pra gente, participa conosco. Já estamos aqui com os nossos entrevistados. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Enquanto isso, vai mandando a sua mensagem pra gente. 19978293776. Enquanto você manda sua mensagem falando sobre o seu grau de pertencimento aqui na cidade de Campinas, a gente atualiza você de algumas informações. Olha, foi inaugurado ontem aqui em Campinas o Hospital São Leopoldo Mandique, instalado no prédio da Casa de Saúde. Essa unidade inicia as atividades até o dia 20 com 20 leitos voltados à cirurgias e internações de média complexidade com objetivo de desafogar os hospitais PUC Campinas e o HC da Unicamp. A meta é expandir a estrutura para 72 leitos, sendo nove de UTI em 90 dias, hein? O atendimento não será de livre demanda, tá? Eh, não tem pronto socorro. Os pacientes serão encaminhados exclusivamente via central de regulação de ofertas de serviços de saúde. No mesmo complexo, o Hospital Veracruz vai continuar operando de forma independente, [música] mantendo aí o atendimento a convênios e particulares, enquanto a nova ala da São Leopoldo Mandique será 100% dedicada ao SUS, tá certo? Muito bom, [música] que bom, né, que a saúde está sendo vista e as coisas têm acontecido. Saúde, gente, é complexa em [música] qualquer lugar que você vá. E aqui em Campinas não é diferente, né? Boa sorte a todos aí nessa nova empreitada. Olha só que interessante, uma oportunidade legal para você hoje. O Planetário Municipal de Campinas vai ter entrada gratuita de todas as sessões hoje, terça-feira, dia 14, em comemoração aos 252 anos de Campinas. Ao todo, serão três sessões, tá? Às 3 da tarde, às 4 e às 5, com capacidade para 60 pessoas em cada horário. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente na bilheteria do planetário das 2:30 até às 5 da tarde, por ordem de chegada. Cada pessoa pode retirar até cinco convites conforme a disponibilidade de vagas, tá? Então o planetário fica lá na Lagoa do Taquaral, no Parque Portugal, né? O planetário conta com uma cúpula de 8 m de diâmetro, oferece projeções de mais de 60 constelações e cerca de 3.000 estrelas, proporcionando ao público uma experiência de divulgação científica e aproximação com a astronomia. Aproveite, né, galerinha tá de férias, bora para o planetário, tá bom? Fique atento aí aos horários, acessa lá o site da Prefeitura de Campinas. Todas as informações estão lá para você conferir também os horários, tá certo? [música] Olha, gente, eh mais uma informação chegando. Os moradores de Campinas e de toda a região metropolitana devem enfrentar uma queda acentuada na temperatura a partir de hoje. A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu um alerta meteorológico para a chegada de uma massa de ar frio [música] que deve manter o templo gelado até quinta-feira, tá? De acordo com o boletim do centro de eh gerenciamento de emergências, a a temperatura mínima prevista para região de Campinas é de 8º, uma das mais baixas registradas [música] neste inverno. O período mais crítico deve ocorrer durante as madrugadas e nas primeiras horas da manhã, quando a sensação térmica poderá ser ainda menor, especialmente [música] em áreas abertas e conventos. A Defesa Civil orienta a população a redobrar os cuidados com crianças, idosos, pessoas em situação de rua e animais domésticos. considerados os grupos mais vulneráveis aos efeitos das baixas [música] temperaturas. E falando em temperatura, vamos à previsão do tempo, porque a gente que levantou bem cedinho, nós [música] enfrentamos sim essa mínima aí de 8º, gente. Que foi isso, hein? Mínima de oito. Sensação térmica que de cinco, foi isso? É, mas olha, não se anima muito não, porque apesar do sol estar lindo lá no céu, a máxima será de 20º aqui na cidade de Campinas. Nós estamos aí no inverno já também com esse alerta, né, de baixa de temperatura. Então bora se proteger. Mas olha, em contra partida, o céu tá maravilhoso, tá azul, o sol tá brilhando. Hoje é aniversário de Campinas. Felicidades aí pra nossa metrópole. E bora que bora para o nosso tema central do programa de hoje e fazer, né, dessa terça-feira um dia maravilhoso. A gente vai falar do sentimento de pertencimento, que é considerado uma das necessidades humanas mais importantes pro bem-estar emocional e social. Especialistas em saúde mental, eles apontam que sentir-se parte de uma comunidade fortalece vínculos, amplia redes de apoio e também contribui pra saúde mental. Campinas tem uma característica singular nesse debate. Ao longo da sua história, a cidade recebeu migrantes e imigrantes de diversas regiões do Brasil e do mundo, tornando-se um espaço de encontro entre diferentes culturas e trajetórias de vida. Mas afinal, o que faz alguém criar raízes em uma cidade? Como é que nasce esse sentimento de pertencimento? E e identidade, né? Existe uma identidade campineira nos dias de hoje? A gente precisa entender. E claro que para falar sobre esse assunto, nós precisamos de um psicólogo para nos explicar essa sensação de pertencimento. A gente então dá as boas-vindas ao psicólogo Guilherme Arinelli. Seja muito bem-vindo. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Bom dia, Rúbia. Tudo bem? Muito obrigado. Vai ser um prazer falar um pouco sobre pertencimento nessa data aí tão importante para Campinas. Muito bem. A gente agradece a sua participação e claro, quando a gente fala de histórias de Campinas e falar de sensação de pertencimento, falar de metrópole, a gente precisa dele. O nosso professor Cidnelis Boa Rocha, seja muito bem-vindo, professor. Obrigada. Bom dia, obrigado pelo convite, obrigado pela oportunidade de estar aqui mais uma vez para falar sobre a história de Campinas, para dar uma contextualização para esse tema tão importante é sobre o pertencimento paraa nossa cidade. Falar sobre Campinas é um prazer muito grande e é sempre legal que a gente tenha oportunidade de falar mais sobre esse tema. Muito obrigado pelo pelo espaço aberto aqui para isso. Nós que agradecemos. Então, um professor e um psicólogo. E a gente precisa entender o que é pertencimento e qual que é a importância desse sentimento. Então, vamos lá, Guilherme. O que o sentimento de pertencimento ele é e por que que ele é considerado uma necessidade importante pra saúde emocional das pessoas? É, eu acho que é importante começar do começo assim, definindo que o ser humano é um ser gregário, né? Então, nós sobrevivemos ao longo do do da espécie, ao longo ao longo dos anos, né, como espécie, eh, por conta da nossa capacidade de de formar essa coletividade, né, de estarmos juntos aí, eh, garantindo a sobrevivência. Então, a gente carrega isso ao longo da nossa história, a gente carrega isso na formação da humanidade. E o sentimento de pertencimento, hoje a gente já tem vários estudos indicando que eh é um dos principais indicadores aí, preditores de um envelhecimento saudável também. Então, você se sentir parte de um grupo, você construir relacionamentos saudáveis, você eh ter pessoas que você confia, né, tem ter bons relacionamentos, é um fator muito importante pro pra saúde mental e pro envelhecimento saudável também. Então, é fundamental que a gente consiga se sentir pertencente a um lugar, seja um território físico, seja um grupo de pessoas, eh porque isso gera um bem-estar, isso gera um sentimento de proteção, isso gera uma perspectiva de futuro, gera novas motivações para fazer novas coisas. Então, tem uma dinâmica eh social que acontece dentro da comunidade que é fundamental. E aí eu gostaria de de apontar também, já começar eh indicando que esse sentimento de comunidade ele é formado fundamentalmente por um vínculo afetivo. Então é muito importante isso, porque a comunidade, para formar uma comunidade, você pode trocar as pessoas, mas ainda assim existir um sentimento de comunidade ali, né? Então você vai formando uma comunidade ao longo do tempo com elementos simbólicos, né, físicos e e abstratos também, que as pessoas vão se identificando e vão se sentindo pertencentes a esse lugar. Então o pertencimento e a comunidade forma também a nossa identidade, quem nós somos no mundo e como a gente se reconhece no mundo e com os outros. Muito bem. E falando em identidade, professor Sidney Campinas completa hoje 252 anos. E como que a história da cidade ajuda a construir a identidade de quem vive aqui? Qual que é a avaliação que você faz? Isso está muito conectado entre a história da cidade e a construção da identidade, né? O que que o professor pode trazer pra gente referente a essa conexão? Todas as referências históricas que a gente tem para a construção da Campinas que a gente conhece hoje, estão sempre ligadas essencialmente a uma coisa, novas oportunidades. Então, lá no século XVI, quando começaram a povoar essa região, as pessoas não vinham para cá, ao acaso, vinham para cá para em busca de oportunidades. do que se dizia, gente, vamos lá para aquela região, para aquelas paragens, porque lá a terra é o berre, mas a gente vai plantar, vai colher, vai dar boas plantações, vamos, vai ter boas oportunidades, é passagem de tropeiro. Então, eh, as pessoas sempre vem para cá em busca de um renovo, em busca de uma nova oportunidade, em busca de uma e de uma construção de alguma coisa positiva, produtiva pra vida. Essa característica Campinas tem até hoje. É uma característica que vem desde os nossos primórdios até os dias de hoje. Então você anda pela cidade, por exemplo, você encontra a gente do Brasil todo que tá aqui buscando novas oportunidades, porque a nossa terra ainda é uma terra muito fértil, ainda é uma terra que se produz, se pode trabalhar, colher boas perspectivas aqui na nossa região. Então, eh essa essa construção da identidade tá muito ligada à busca de de oportunidades. Então, quem quer ter oportunidades, ah, quem quer estudar, quem quer trabalhar em Campinas, normalmente encontra essas oportunidades. A, a cidade é aberta para receber todo mundo, você encontra vários sotaques diferentes, nacionais e internacionais aqui. Então, a gente vai construindo a nossa a nossa identidade a partir dessa busca de trabalhar, de estudar, de produzir. Isso é um eh assim é um elemento que nos conecta. Essa essa necessidade de de produzir, de trabalhar, de criar coisas novas, ela tá ela permeia a nossa sociedade. E a partir daí eu acredito que é é um um ponto inicial paraa construção da da identidade do campineiro. Muito bem. E agora quando uma pessoa muda de cidade, Guilherme, eh quais costumam ser os impactos emocionais mais comuns durante o processo de adaptação? Porque imagina, você sai de uma cidade ou de um estado e vem paraa Campinas, puf, caí aqui e agora, né? O coração bate mais forte, você fica totalmente perdido. Eu falo isso por mim, né? Porque eu cheguei em Campinas há 3 anos. Primeira vez que eu pisei aqui em Campinas, eu falei: "E agora? Para onde eu vou? Quem eu sou? E o que fazer, né?" Então, assim, eh, esses impactos emocionais, como é que a gente trabalha isso? Eh, eh, para quem sai de uma cidade e chega, cai de paraquedas aqui em Campinas, faz como daí? É, não é não é um processo simples. Eh, eu também cheguei em Campinas aqui há mais ou menos 16 anos, então eu entendo, né, assim, pessoalmente também como que é esse processo, mas normalmente eu acho que tem um processo de familiarização que vai acontecendo. E aí é importante porque todas as vezes que a gente chega num novo território, num novo espaço, a gente vai buscando elementos que podem ser familiares pra gente. Então, comidas que a gente conhece, pessoas que a gente conhece, espaços, né? Muitas vezes essa esse processo de migração, como o professor tava falando, vem eh relacionado ao trabalho, a novas oportunidades. Então, é comum que quando você chegue num território, que você procure coisas que lhe são familiares, que você procure grupos, por exemplo, que você se identifique, né, que tenham coisas em comuns com você. Então, por exemplo, às vezes uma uma das maneiras é justamente você se aproximar e conhecer pessoas que também vieram de outras cidades, que também passaram por esse processo de transição, que às vezes você também tá tá atravessando. E pra gente cuidar e e dedicar uma atenção à saúde mental relacionada a isso, porque às vezes essa mudança pode vir acompanhada de um sentimento de solidão, né, de isolamento. Às vezes a família ficou em outra cidade, ficou em outro espaço e a pessoa veio sozinha ou veio com a família, né, mais reduzida para pra cidade. Então é importante que você busque espaços que você conhece, que você eh se identifica, que você compartilha de valores, né? Então, às vezes, espaços religiosos, a igreja pode ser um espaço de acolhimento, né, de grupos, eh, o próprio trabalho, como eu falei, pessoas que a gente conhece no trabalho, eh, participar de outros espaços públicos da cidade, então frequentar parques, frequentar espaços de convivência, participar dos eventos, ir ao planetário, né, enfim, são possibilidades que a gente tem de ocupar a cidade e começar a conhecer as pessoas que também frequentam esse espaço e encontrar pontos em comum. são os pontos em comum que possibilitam que a gente se conecte com as pessoas e com a cidade também. Olha aí que legal, né? Uma super dica. Agora, professora, eh, as pessoas que chegam em Campinas, né, elas são impactadas eh com o tamanho da cidade? Porque Campinas ela é uma metrópole, né? Uma cidade que tem quase o quê? 1.300.000, quase habitantes. A última contagem que eu vi tava perto de 1.200. 1.200.000 habitantes. Agora você imagina uma cidade com 1.200.000 1000 habitantes, mais considerada uma cidade, é, é uma cidade do interior, mais considerada metrópole, né? Como é que o senhor vê essa e eh essa essa questão dupla de Campinas? Porque você chega na cidade, você fala assim: "Poxa, tô numa cidade do interior de São Paulo, né?" Mas quando você vai andar em Campinas e você começa a desbravar a cidade, você vê que não é uma mega de uma metrópole em crescimento pujante. Eh, como que você avalia isso, essa essa dualidade, né? A pessoa que chega aqui, o impacto que ela tem. E o campineiro, ele é receptivo ou não é receptivo? Qual que é a sua avaliação sendo um professor, conhecendo cada canto dessa cidade? O que que o senhor pode falar pra gente? Bom, eh, primeiro achei interessante o Dr. Guilherme falando aqui sobre a essa necessidade de que as pessoas têm de procurar os seus pares e as coisas que ele fazem sentido. Eh, ao longo da história, Campinas experimentou muito disso. No começo aqui do programa você falou sobre o Hospital Cas casa de Saúde. Começou como uma escola, um uma agremiação dos italianos. A comunidade italiano se reunia ali, aquilo ali servia para para um ponto de encontro entre os italianos. Eles discutiam coisas comuns da comunidade italiana e aí virou o que virou hoje. Ah, assim também os portugueses tinham a comunidade dos portugueses, tinha o clube Concórdia que era dos dos alemães, que começou como um grupo eh de dança e canto do dos alemães. Então, desde cedo, Campina já tem essa justamente essa característica de ir agregando os iguais para para que as pessoas fossem fortalecendo uns aos outros. Eh, isso é bem bem bacana. E com relação a à à postura do campineiro hoje, a cidade de Campinas, ela quando a minha esposa ela fez faculdade de publicidade e propaganda, ela estudou na época que tinha três cidades, era Campinas, eu acho que Curitiba e Franca, se eu não me engano, que tava lá na apostila dela, da faculdade dela, que assim, olha, quando vai lançar um produto novo, tem que lançar nessas três cidades. É que se pegar nessas três cidades, pega em qualquer outra. Uau! É, Campinas tava ali nesse rol, eu lembro disso. Eh, Campinas é uma cidade que tá passando por uma grande um grande processo de transformação. Tem muita gente na cidade de Campinas que não se identifica como campineiro, que não conhece a história, que não tá envolvido na na cultura da cidade. Então, tem um processo de transformação acontecendo. Eh, historicamente, o campineiro ele é bastante reservado. resado, é bastante sistemático, é bastante, eu sou campineiro, então eu posso falar, nós somos bastante caipiras ainda, a gente ainda tem bastante resistência a a a relação. A gente a gente é aberto paraa relação, a cidade é aberta para se relacional, mas a cidade vai com cuidado. Assim, o campineiro ele ele vai com cuidado, ele vai tatiando, ele não não se entrega na relação assim inicialmente, não. Então, quem chega de fora muitas vezes sente isso, percebe isso e e deixa essas impressões. A gente colhe essas impressões o tempo todo de quem vem de fora, que o campineiro é muito fechado. Eh, na verdade, o campineiro não é fechado. O campineiro ele é um ele é um um uma pessoa de interior que tem característica de interior. As pessoas do interior são mais reservadas mesmo. Mas no frigo dos Ovos, a cidade ela é muito aberta, eh, porque a gente tem muitas necessidades. Então, quem vem para trabalhar, quem vem para estudar, encontra oportunidades e a partir dessas oportunidades, encontra uma boa oportunidade de de socialização também. Muito bem, né? Campinas, uma cidade maravilhosa, gente. E muitas vezes a gente associa pertencimento apenas ao local onde a gente nasce, né? é o nosso local de nascimento, mas a sensação de fazer parte de um lugar é é muito mais ligada às experiências que a gente constrói nesse lugar ao longo da ao longo da vida, os vínculos, né, que a gente cria e as histórias que a gente passa a compartilhar, né, nesse lugar. Campinas cresceu recebendo pessoas de diferentes regiões do Brasil e do mundo, assim como o professor disse. Essa característica ajudou a moldar a personalidade da cidade, né? E a gente vai eh as pessoas que vão chegando, elas vão se adaptando a a ponto de se olhar e falar: "Poxa vida, tô me sentindo um campineiro, né?" Agora, para chegar a esse ponto, Guilherme, eh o momento em que a pessoa deixa de se sentir um visitante e passa a se sentir verdadeiramente de casa. É um processo longo, como que a gente trabalha com os nossos sentimentos? Porque diante de toda essa eh eh busca pela sensação de pertencimento, vão acontecer frustrações. Sim. Eh, é um processo, assim, a gente não tem [limpando a garganta] muito como controlar esse processo. A gente pode investir em espaços, né, públicos de convivência, espaços que favoreçam, que são espaços coletivos, né? Então, a gente teve agora recentemente com a Copa do Mundo eh o o telão que foi colocado na Praça do Taquaral. Eh, então investir nesses espaços é muito importante para que as pessoas possam ir se sentindo pertencentes a essa cidade, a essa localidade. Mas, como eu disse, e é muito importante que vínculos afetivos possam ser construídos. E aí, evidentemente que vínculos afetivos, né, eh, eles podem ser positivos, negativos, a depender do modelo de relação que tá sendo colocado. Mas acho que eu gostaria de destacar também que é importante que conforme a gente vai passando o tempo numa cidade, a gente vai conhecendo as pessoas, vai trabalhando, né, os anos vão se passando. Eh, digo isso pela pela minha experiência também. A minha filha nasceu aqui em Campinas e eu percebo que a minha relação com a cidade mudou depois que que a minha filha nasceu, né? Porque eh o os hospitais, por exemplo, né, os espaços onde eu vou passear com ela, onde a gente frequenta, eh não são só mais espaços eh públicos ou espaços de lazer aleatoriamente, mas são espaços onde eu tô construindo memória. E aí esse é um aspecto fundamental para que a gente possa eh ir também se sentindo pertencente aos poucos. Então, acho que tem muito, como o professor tá falando, eh, a convivência com a população local, com as pessoas, entender mais sobre a história da cidade, entender mais sobre eh os motivos, né, do que levaram à construção da cidade, do porque que a gente tá aqui, a importância histórica, mas também é muito importante que na minha vivência pessoal eu possa experienciar esses espaços com uma valoração afetiva. Então, eh, os lugares passam a ser, né? Então, eu conheço as pessoas, eu é o lugar que eu fui com a minha filha, que eu fui parcial, que eu fui com os meus pais ou que pela primeira vez eu tive uma determinada experiência. Então isso vai constituindo essa sensação de pertencimento. Como eu disse, o pertencimento e a formação da comunidade, ela é muito mais afetiva do que algo que acontece de fora para dentro, né? Então ela é muito mais pela experiência prática que a pessoa vai tendo na cidade conforme ela vai atravessando, experiências de estudo, trabalho, familiares e assim por diante. Muito bem. 8:27 estamos ao vivo aqui com o professor Sydney contando histórias de Campinas pra gente e o Guilherme falando, né? O Guilherme é psicólogo, falando da sensação de pertencimento. Hoje é aniversário de Campinas e você que é de Campinas, você se sente pertencente mesmo aqui da sua cidade? E você que não é de Campinas, chegou em Campinas, eh eh se formou, estudou, se formou, formou família, tá vivendo aqui, você sente que você é um campineiro, né? Você tem essa sensação de pertencimento, professor Sydney, eh, Campinas, né, é uma cidade de histórias. Eh, essas histórias elas ajudam a trazer a sensação de pertencimento. Quais os lugares que o professor mais indica para quem não é da cidade e e de repente quer entender um pouco mais sobre Campinas para poder ter mais essa conexão com a cidade? Sei que o professor anda aí por todos os cantos da cidade contando histórias, né? Então, é a pessoa mais indicada para nos ensinar a ver Campinas com outro olhar. Olha, Campinas é uma cidade que tem história por metro quadrado, assim, [risadas] tem muita história aqui. Eh, um dos locais assim que a gente aprende muito, que é um arquivo a céu aberto, com o devido respeito ao lugar, é o cemitério da saudade. Ali logo na entrada a gente encontra por um, por exemplo, a entrada principal do cemitério da saudade. Do lado direito tem a sepultura do Barão Geraldo de Rezende, que é enorme, com um anjo enorme lá em cima. Bem do lado tem a sepultura de um homem que foi escravizado, que é o Toninho, o escravo Toninho, eh, sepultado bem do lado dele. E tem uma coisa fantástica de a gente observar ali sobre a nossa cultura, é que na sepultura do cara que foi escravo tem eh um monte de plaquinhas de agradeço por graça alcançada, agradeço por graça alcançada. O túmulo do Barão é limpo. Sim. Que que que a gente entende a partir daí? Durante a vida, em vida, ninguém vai pedir alguma coisa pro escravizado. Vamos pedir pro Barão, né? a a misericórdia pedida pro Barão. Agora, depois da morte, a gente muda a nossa cultura e os pedidos são direcionados pro homem que foi escravizado e o túmulo do barão tá lá limpo, as pessoas passam direto por ele e vão direto no túmulo do escravizado. Ali tem tá sepultado o Francisco Glicério, Morais Sales, um monte de nomes de ruas estão ali também. E outro lugar assim muito interessante que é pouquíssimo visitado, as pessoas, eu levei meus alunos lá no passado, eh, muito interessante de conhecer dentro do da da brigada da sede da Brigada Militar de Campinas, lá da 11ª Brigada de Infantaria, ali tem um museu, chama-se Museu do Forte Anhanguera. Lá tem um canhão que eu vi descrito na literatura muitas vezes. Esse canhão foi usado em Campinas em 1842 numa guerra contra as tropas do Duque de Caxias. Eh, a literatura conta que o o canhão ele disparava tiros, o projétil viajava 2 m e caía ali. Não, não, não produzia efeito nenhum. Esse canhão tá lá exposto. Lá tem também e instrumentos já, é chato isso, é triste isso, mas tá lá e a gente precisa conhecer instrumentos de tortura que foram usados contra os escravizados aqui. Estão lá expostos. A gente pode conhecer, pode tocar. Muito interessante. Outro lugar interessantíssimo de Campinas é o Museu da Imagem do Som Ferreira Penteado, Esquina com regente Fejó. Ali a gente encontra muita coisa assim contando a história de o próprio prédio, a Catedral de Campinas, a gente sobe uma escada para chegar até o relógio. Escada de 1878. Aquele é pura história cripta da catedral lá no fundo embaixo do altar. Muito interessante se conhecer também assim, locais para para visitar e acho conhecer mais de Campinas tem bastante. E com entrada gratuita o Centro de Ciências, Letras e Artes, a entrada gratuita também, o piano que o maestro Carlos Gomes tocou, tá lá partituras que ele escreveu, a batuta do maestro, tem uma colher que foi uma colher de pedreiro que foi usada pelo Santos do Mon, foi usada para lançar a pedra fundamental do monumento túmulo do Carlos Gomes. Então assim, e locais para conhecer a história de Campinas tem vários e gratuitos. Olha só, gente, isso ajuda na sensação de pertencimento, porque também você vai criando memórias, né? Quando você vai conversar com a pessoa sobre Campinas, você já sabe o que dizer dessa cidade, não é isso, Guilherme? É, é isso. A gente precisa eh ir frequentando. Acho que esses eh lugares que o professor traz aqui para visitar é muito importante para que a gente vá eh construindo memória com a cidade, né? Eh, é isso. Acho que tem uma, o professor comentou um pouco sobre eh o perfil aqui do campineiro, às vezes de ser mais fechado. Eh, mas eh eu acho que envolve também quem tá chegando tentar entender melhor a cidade, né? se aproximar da população. Eh, um pouco aqui mais cedo a gente falava sobre o clima, então também entendendo o o a localização geográfica que Campinas tá, né, eh, posicionada, enfim. Então, acho que tem um pouco disso tudo. É importante que a gente vá entendendo e a gente chegue aberto para conhecer esse quem é essa população, quem é esse campineiro. E e acho que tem uma contradição na cidade de Campinas que ao mesmo tempo é muito interessante, que é justamente essa a reserva dessas características do interior, ao mesmo tempo que é uma cidade muito grande. Então é uma cidade que você tem polos, né, de tecnologia, a gente tem os sírios, né, acelerador de partículas, a gente tem e universidades que são referência na América Latina, no mundo, né, desenvolvimento de pesquisas. Então, a gente tem um uma localidade eh que é pulsante, que é, né, recebe investimentos do Brasil inteiro, que tem parcerias internacionais, ao mesmo tempo que se reserva essas características ainda do interior. Então, Campinas, eh, essa contradição gera movimento pra cidade. E aí eu acho que quem chega aqui tem a oportunidade de conhecer esse cenário, de entender onde é que Campinas está localizada e também começar a fazer parte e se sentir parte dessa cidade que foi uma cidade e como você falou no início, formada por migrantes e imigrantes e continua com essa característica até hoje. É linda a cidade de Campinas, né? Agora, professor, o que que te motivou a contar histórias de Campina com essa facilidade, esse entendimento e essa sabedoria de cada cantinho dessa metrópole? Eu não sou rico, não sou bonito, não consigo fazer flexão de barra, então para alguma coisa tem que prestar na vida, né? [risadas] Eh, eu eu comecei por acaso um perfil aí na na rede social contando histórias da cidade. A minha esposa é publicitária, ela precisava contar uma história eh da cidade para colocar encaixar lá no perfil de um cliente dela. E a gente gostou da ideia e a gente continuou continuou fazendo. E o que motiva é a pessoa que tá lá do outro lado, lá na outra ponta, que assiste os vídeos, que curte os vídeos, que faz comentários e que lembra. E essa eh essa questão que o doutor tava falando agora mesmo aqui de eh se relacionar com os espaços de maneira afetiva, isso é real. Eu vejo isso no Instagram, eh, no dia a dia, as pessoas falam, conto a história de uma escola e as pessoas falam: "Poxa, eu estudei ali, eu, eu gostava dali e eu tenho uma sensação boa de rever isso." Eh, uma escola, um prédio, uma casa, um parque, qualquer coisa que a gente conteam passado por lá, as pessoas comentam e e revivem as suas memórias naquele lugar. E isso é bem eh impactante e as pessoas dão um retorno muito positivo. Isso vai motivando a gente. Se a se eu gravasse os vídeos e as pessoas simplesmente assistissem, talvez não me motivasse tanto. Mas como as pessoas dão esse retorno e as pessoas eh eh escrevem e dizem: "Olha, conta a história da minha avó, conta a história do tio, do vizinho, do primo, do irmão, do meu cunhado". e as pessoas vão eh participando e vão fazendo parte assim dessa eh dessa dessa contação de histórias, vão dando um retorno muito positivo. Isso vai seguramente dando eh eh combustível pra gente continuar. Dá muito trabalho. Dá muito trabalho. Assim, eh, eu sou professor, eu estudo, faço pós-graduação, eu, eh, tenho mulher, duas crianças, dois gatos [risadas] e, e, e arranjar tempo para gravar, fazer pesquisa, gravar, editar e publicar e responder comentário, é é bastante custoso. Mas quando a gente começa a receber o retorno das pessoas que vão trazendo mais histórias e vão completando e vão dizendo: "Olha, eh, você sabe que eu tenho amigo de 97 anos, 97 anos, o Dr. Antônio, ele foi o primeiro cirurgião cardíaco de Campinas e e ele ele ele chegou a visitar a ficar hospedado lá na casa do Barão de Tapura, na época que a filha do Barão de Tapura já tinha herdado a casa. Filha do Barão de Tapura. E ele ficava hospedado lá na casa dela, um casarão grande onde funcionou a PUC. Eh, tinha acho que a faculdade de odontologia da PUC ali no na atrás da igreja do Carmo. E eu mostrei para ele um livro um dia, falei: "Olha, Dr. Antônio, eh, tem esse livro aqui que tem as fotografias lá da casa". Ele pegou o livro e falou assim: "Sidney, a hora que você tiver um tempo, você vem aqui com calma que eu vou corrigir aqui. Essas informações não estão corretas. Esse móvel, ele corrigiu o maior historiador de Campinas que mostrou ali como era o casarão por dentro." Uhum. Então, eh esses esses retornos que a gente tem, essa participação das pessoas é extremamente motivador assim de de para ajudar a gente a continuar fazendo essas postagens. Participação que significa pertencimento. É, é isso, né? E e eu assim eu queria destacar eh a importância do do trabalho do professor. Eu imagino o o trabalho que dê fazer toda essa edição, né? Enfim, toda essa curadoria. Mas é importante porque e e eu eh acompanhando o seu conteúdo já passei por essa experiência. Quanto quando você conhece sobre a história daquele local, você passa a se relacionar com aquele local de uma maneira diferente também. Então, hoje eu olho eh locais da cidade de Campinas de uma maneira diferente, porque tive acesso ao conteúdo e à história daquele local. Então, quando a gente eh conhece um pouco mais, a gente tem acesso às informações também, a gente também cria a possibilidade de criar mais vínculos afetivos com aquele lugar. Então, aquela escola que eu tô passando na frente não é mais só uma escola. Agora eu sei que aquela escola tem uma importância pro país, tem uma importância pra cidade. Ali aconteceram coisas importantes. Então eu passo a me relacionar com aquele espaço físico de uma forma diferente, inclusive na sua preservação, na preservação da sua memória, na possibilidade às vezes que eu tenho de de eh me aproximar daquele lugar quando eu sei que tá acontecendo algum evento, alguma coisa ali às vezes que é importante, né? Então isso vai construindo pertencimento também, quanto mais a gente conta as histórias. Que legal, né? E você, qual é o seu grau de pertencimento com a cidade de Campinas? Conta pra gente. Campinas hoje de aniversário, 252 anos, né? Uma Campinas que é uma cidade do interior, mas eh tem pulsa como uma metrópole, sempre em desenvolvimento, cidade pujante, acolhedora. Sim, a gente precisa ter a sensação de pertencimento, mas para isso precisamos entender o lugar que nós estamos se inserindo, né? Eh, e entender e conhecer para que a gente possa também se identificar com esse espaço. Agora, tem uma situação, ô, ô, eh, Guilherme, que é o seguinte: você sai da sua cidade Natal e você muda para Campinas, OK? até você conseguir eh conquistar, né, essa sensação de pertencimento. Você vai eh eh entendendo como a cidade funciona, você vai conhecendo as pessoas, mas tem um meio termo aí, porque vai chegar num momento em que você nem pertence a Campinas e também nem pertence à cidade, sua cidade natal. O que que a gente faz com esse sentimento de vazio que fica permeando aí eh durante algum tempo? Porque isso é natural. Você chegou na cidade, você conheceu a cidade, você, né? Mas você não é da cidade e daí na outra cidade que você nasceu e viveu e saiu de lá, você também já não faz mais parte. Como é que a gente trabalha essa sensação de pertencimento que acaba entrando em cheque aí nesse momento? Eh, acho que o processo terapêutico é importante. [risadas] A gente procurar terapia, procurar ajuda pra gente. Faz sentido, não faz todo sentido. Claro. Eu acho que tem uma coisa que é interessante, é eu na minha própria história me mudei muito de cidade, né? Eh, mudei já umas quatro, em torno de quatro, cinco vezes de cidade. Eh, eu acho que tem uma coisa que é interessante, que é a gente entender que a gente pode também pertencer a mais de um lugar ao mesmo tempo. A gente não precisa ser exclusivamente somente de um lugar, né? Então, às vezes, eu posso me identificar com algumas características de um determinado lugar e me identifico com outras características de um outro lugar. Bem, eh, tem um lado que às vezes pode não ser tão positivo nisso, que pode ser essa, eh, às vezes essa sensação de uma falta de identificação completa com determinado território, com determinado grupo, etc. Mas tem um outro aspecto bastante positivo que é justamente você compreender a pluralidade dos espaços e a riqueza, né, o melhor que cada lugar pode te oferecer. Então, eh, de fato, pode trazer um pouco às vezes essa sensação de, eh, não pertencimento a lugar nenhum, mas também acho que a gente pode ir construindo esse senso de identificação e, e entender que cada espaço pode me oferecer alguns pontos positivos e alguns pontos negativos, né? Acho que a dinâmica da vida e das relações funciona dessa maneira. Então, a gente pode descobrir esses lugares, descobrir esses espaços, né? E tem uma sensação que pode ser muito prazerosa, que é justamente você eh ter um pouco daquele frio na barriga também, de chegar num espaço novo, conhecer as pessoas novas, se apresentar de uma maneira inédita, porque aquelas pessoas ali não seriamente conhecem também toda a tua história. Então, é a possibilidade de você se ressignificar, criar novos sentidos para tua a tua própria história também. E é interessante porque quando a gente chega num determinado lugar, a gente chega já com uma uma bagagem, né? A gente não chega eh sem história, etc. Mas eh cria-se a possibilidade da gente construir novas histórias, da gente construir novos relacionamentos, da gente assumir novas posições nas nossas relações sociais. Então mudar de cidade, por um lado, pode trazer um sentimento às vezes de não pertencer a lugar nenhum, mas também pode ser a oportunidade para construir uma nova história, um um novo sentido de pertencimento a um lugar novo que você também tá chegando. Exatamente. Um novo sentido, né? A gente pode ter tido uma história legal, mas nós não podemos viver de uma história única, né? Somos seres em movimento e a gente vai eh eh colecionando memórias, momentos e criando histórias. E você pode fazer uma nova história, sim, aqui na cidade de Campinas. Hoje a gente tá falando de pertencimento, falando do aniversário dessa metrópole. Ô professor, 252 anos, né, Campinas celebrando. Qual que é a característica principal aqui da cidade que o professor avalia que deve ser preservada para deixar paraas próximas gerações? Olha, eh, antes posso contar uma fofoca sobre a Eu não gosto muito de contar fofoca não. Eu também não gosto, mas pode [risadas] contar, conta tudo preza, não me esconda nada. A gente comemora a data de Fundação de Campinas em 14 de julho de eh, a partir de 14 de julho de 1774, porque nesse dia foi rezada a missa que deu origem à freguesia. Quer dier freguesia é um bairro que já tinha autonomia religiosa, já tínhamos um padre aqui a partir dessa data e aí marca a fundação de Campinas. Só que a fundação assim, a data de aniversário de Campinas já deu briga. Hum. Você tá brincando. Verdade. O a a gente comemorou o bicentenário em 1974. Uhum. Só que esse bicentenário já tinha sido comemorado lá em 1939. Uau! É, demorou. Tinha tinha a gente considerava a data de fundação 1739, porque é quando o Barreto Leme, que dá nome pra rua atrás da igreja do Carmo, quando ele teria chegado aqui em Campinas em 1739. E e aí isso só foi se consolidando é ao longo do século XX. Então não faz muito tempo que a gente eh definiu a data como 1774. Então, se fosse pelo cálculo anterior, Campina já teria passado de 252 anos faz bastante tempo. Olha só, interessante. Eh, essa era a fofoca. Ah, sobre a característica de Campinas, eu acho que uma característica da nossa cidade que não pode se perder é que Campinas é uma terra que ela cria muitas oportunidades e ela cria muitas pessoas que ajudam o Brasil. Aqui por Campinas, Francisco Glicério Camposes, sem eles não teria sido proclamada a república no Brasil. Para bem ou para mal, a República passou pela mão dos do dos campineiros. Eh, pessoas de muito valor passaram por aqui. O Guilherme de Almeida, príncipe dos poetas, passou por aqui. O Santos Dumon, que eh inventou o avião, passou por aqui, estudou aqui em Campinas. Muitos eh autores de livros. A Júlia Lopes foi uma grande escritora de livros do final do século XIX. Você leu a a Júlia Lopes, você tá lendo ali uma mulher que conseguiu no final do século XIX e captar a mentalidade da mulher que estava mudando para se tornar uma pessoa emancipada. E ela consegue colocar isso no papel de uma maneira assim eh e eh antevendo que a mulher ia se tornar mais emancipada. Naquela época a mulher tinha que pedir autorização do homem para ir daqui pra cidade do lado visitar os pais. Eh, então ela conseguiu escrever sobre isso antes da mulher conseguir essa emancipação. Ela já tava escrevendo sobre isso. Então, Campinas é uma cidade de gente muito corajosa, uma cidade de gente forte. A irmã Serafina, uma freira que lutou contra a febre amarela até a morte. Dr. Guilherme Costa Aguiar eh lutou contra a febre amarela até a morte. Não é uma cidade assim de pessoas valentes que constróem, que vão paraa luta, que se esforçam. Não é uma cidade de de gente que se acovarda e deixa o mundo passar. Todos os grandes movimentos que aconteceram no Brasil, a cidade de Campinas participava. Você vê lá a independência do Brasil, 1822, tem cartas lá na Câmara Municipal, Campinas se comunicando com o imperador e se posicionando com relação à aquilo. Antes ainda, lá para 1810, 1811, as mulheres de Campinas se reuniram para escrever uma carta pro imperador, pro rei na época. pedindo que os seus maridos voltassem das campanhas militares. Olha, o senhor prometeu que os nossos maridos iam ficar seis meses aí já passou mais de ano, eles não voltaram. O senhor tem que mandar os nossos maridos de volta. Então, Campinas tá sempre se posicionando eh nas em todos os grandes acontecimentos do Brasil. Campinas nunca eh foi omissa na sua participação em relação a ao crescimento do Brasil como um todo. E a gente tem hoje aqui, né, o Dr. GR falou agora mesmo da da Unicamp e da das universidades que a gente tem aqui, a gente precisa fazer uso das ferramentas que a gente tem para continuar esse legado de ajudar a construir o Brasil, não construir Campinas, construir o Brasil. Eu acho que é um legado que a gente recebe de quem veio lá de trás e a gente tem toda a condição de continuar isso e fazer bem feito, porque quem veio lá atrás com menos recursos ajudou a a construir o Brasil. A gente pode continuar ajudando também. Uau, como é gostoso ouvir o professor falar, né, dessa cidade. O professor vai falando, a gente vai imaginando quanta história nesse lugar, né? e quanta história que eh eh quanta vida que foi ressignificada, quantas histórias novas e quanta gente que passou por aqui, de repente eh ficou um tempo, mas a partir desse momento que esteve na cidade se ressurgiu, né, como a fênix e seguiu e eh a vida e tem gente que veio, que se ressurgiu, está aqui, continua aqui. Bom, acredito que é uma cidade assim que traz uma história de ressignificação muito importante e isso acaba reverberando nas pessoas que aqui vivem, porque tem essa questão da da febre amarela que devastou eh eh quase toda a cidade de Campinas. Professor, pode explicar pra gente também, né? E eh o significado da fênix, tudo que quando eu cheguei aqui, quando eu vi a fênix, eu falei: "Opa, esse é meu lugar, vamos lá". Aí eu fui entender o que o porquê da fênix, né? E e a questão da febre amarela também eh eh que devastou mais quase toda a cidade de Campinas. Ô professor, explica um pouquinho pra gente, para quem tá assistindo agora, essa eh ligação aí que Campinas tem com essa ressignificação, esse ressurgimento, né, e essa força de eh voltar à vida. É, Campinas experimenta isso desde os primórdios, porque quando os primeiros colunos se assentaram aqui, eh, eles viviam de prestar serviço para os tropeiros que saiam de São Paulo e iam até Goiás e voltavam. Era isso que mantinha Campinas. De repente acabou o ouro. E agora que que a gente faz? Bom, agora a gente planta café e desculpa, a gente planta cana de açúcar e aí vamos plantar a cana de açúcar. Mas aí vem a concorrência internacional. O açúcar na época chegava a custar R$ 300 o kg. Uau! Né? E então dava muito dinheiro eh exportar açúcar. Só que de repente vem a concorrência internacional, o preço do açúcar cai muito. Beleza, gente? Agora que que a gente faz? Eh, vamos plantar café. E aí começa plantar o café e aí eh de repente o café também quebra, some o café e agora a gente, o que que a gente faz? Agora a gente vai ter indústria. Então o tempo todo Campinas tá se ressignificando. O exemplo maior dessa ressignificação, se você olhar pra nossa bandeira, você vai achar uma ave fênix aqui no meio, um ramo de café e um ramo de cana de açúcar. Sim. Eh, essa ave fênix, ela está ali por a sugestão do vereador Ricardo Gambleton Down. Não é aquele Ricardo Gamblton Down que tá escrito no RG, aquele lá era um advogado de São Paulo. O nosso aqui era um médico irlandês, eh, com o mesmo nome e irlandês que era com aquela cultura europeia, um homem muito estudado. E ele sugeriu de se colocar a ave fênix ali no meio, porque Campinas, na época da febre amarela, os números divergem um pouco, dependendo da da fonte que a gente pesquisa, mas tinha alguma coisa entre 25.000 a 30.000 pessoas na cidade de Campinas nessa época caiu para 5000, 6.000. Meu Deus, quem não morreu fugiu. Apenas alguns heróis ficaram aqui para ajudar com o Bento Quirino, por exemplo, ficou e ajudou a cidade. Ah, o Dom João Neri, que aquela estátua que tem na frente da catedral, é do padre do João Neri, que depois tornou bispo. Ele, o cara lutou muito para ajudar a cidade e vários outros nomes aí, Dr. Ângelo Simões, eh, Dr. o José Paulino, fazendeiro, e vários outros assim que ajudaram a cidade, mas a você tropeçava em corpos assim em sepultos no meio da rua. Eh, ninguém sabia como pegava essa doença. Então, morreu muita, muita gente, a cidade quase foi riscada do mapa. Tem alguns mitos que surgem a partir daí. Pessoal fala, por exemplo, assim: "Olha, Campinas seria a capital do estado se não fosse a febre amarela". Isso é mito. Campinas nunca foi cotada para ser a capital do estado de São Paulo. Ela era a capital agrícola de São Paulo. Era uma cidade muito rica. E aí quando Campinas quando passou a febre amarela e o Campinas começou a crescer de novo, a cidade começou a ganhar vida, as pessoas começaram a voltar, começaram a produzir. Eh, aí o Dr. Ricardo Gambo Tondal fala: "Gente, vamos colocar uma ave fênix aqui no meio da nossa bandeira, porque a ave fênix é aquela ave mitológica que eh morre, ela vira cinzas e depois ela ressurge das próprias cinzas". Então, Campinas tem essa característica de de tornar-se cinza, se perder as perspectivas e de repente falar: "Gente, pera aí, tem um caminho aqui, vamos seguir esse caminho." É uma como se fosse uma mão invisível que tá nos guiando sempre ah para para voltar a trabalhar, voltar à ativa e crescer de novo. É uma característica que a gente tem, uma característica muito bonita da nossa cidade, inclusive. Uau, né? Olha só, gente, como é bom a gente aprender mais um pouco sobre Campinas, não é, Guilherme? Essa eh eh esse significado também ele ele traz paraa gente uma a sensação de pertencimento, porque a nossa vida ela é cheia de altos e baixos e às vezes em algum momento você tá lá no fundo do poço e você vai precisar subir novamente para você continuar. E aí se você tá nesse momento da vida, chega em Campinas, já dá um up, fala: "Opa, é aqui mesmo que eu vou conseguir ressurgir, porque a cidade tem história". E aí já começa aquela sensação de pertencimento, né? Você pertence a um lugar onde todas as pessoas, quem passou por aqui, tem uma história de força, né? De de ressignificado. É. Eh, e você vê, né? Quanto mais a gente aprende sobre a história, a gente se sente parte de algo, né? Que eu acho que é o fundamento aí do sentimento de pertencimento. Ex. E [roncando] é muito importante a gente conhecer essa história, muito importante a gente entender que na mesma medida em que a gente tá chegando num lugar novo, eh, e esse lugar, eh, a gente passa a ocupar esse lugar e contribuir com esse lugar também, né, trazendo parte da nossa história, trazendo as coisas que a gente conhece, eh, esse lugar também começa a fazer parte da gente. Então, é sempre um um processo é mútuo, né? Um processo que acontece ao mesmo tempo, onde é eu contribuo e construo aquele espaço que eu tô participando, ao mesmo tempo que aquele espaço me constrói, constrói a minha identidade, constrói a maneira como eu enxergo o mundo, né? Então, e as coisas que eu tenho acesso, por exemplo, aqui em Campinas, né? enfim, os espaços, as pessoas, isso vai me constituindo e para onde quer que eu vá, eu vou levar de alguma maneira parte dessa experiência e parte da cidade comigo para compor outros espaços. Então eu acho que isso é muito interessante porque fortalece de novo essa ideia da coletividade, essa ideia de que eh nós estamos aqui, nós só sobrevivemos ao longo do tempo porque justamente tivemos uns aos outros. Então, eh, reconhecer, né, a cidade como um espaço a ser frequentado, a ser construído coletivamente, faz com que a gente também vá criando essa vontade de, como o professor falou, não contribuir só com o desenvolvimento da cidade, mas do país, entender que as pessoas que passaram por aqui tiveram essa participação. Então, se eles tiveram, por que que a gente também não pode ter, né? Se eles contribuíram, por que que a gente também não pode contribuir? Por que que a gente não pode pensar eh numa cidade sempre melhor, que avance, que se desenvolva tecnologicamente, que diminua desigualdades sociais, né? Enfim. Então, acho que a gente pode sonhar um futuro sempre melhor, se apropriando cada vez mais dessa história. Muito bom. Olha só como é gostoso conversar e falar sobre Campinas. Sensação de pertencimento. 8:54. O tempo passou voando. Nós temos algumas perguntas, a gente vai até 9:10. Tudo bem para vocês? Tudo bem, professora? Então, tá bom. Vamos lá atender o pessoal que tá em casa, né? Eh, perguntando, falando dessa metrópole, de repente até dando parabéns para Campinas. Pode colocar na tela, produção, por favor, o que temos. Agradecendo aí a sua audiência e a sua companhia. A gente tá ao vivo, tá? Estúdio Câmara falando sobre sensação de pertencimento, pertencimento e aniversário de Campinas. A Luciana Alencardo, Jardim Eulina. O que a história de Campinas nos ensina sobre acolhimento de quem vem de fora? Somos, sempre fomos uma cidade de portas abertas. Vamos lá, professor. Sempre fomos uma cidade de portas abertas. O monumento do bicentenário de Campinas, que fica ali na no Largo das andorinhas, em frente ao colégio Carlos Gomes. Eh, é uma estátua de uma mulher que representa a princesa do Oeste com o coração vazado, com o coração aberto para receber quem chega. Eh, tanto assim que aqui em Campinas a gente tem comunidades de judeus, de árabes, espanhóis, italianos, portugueses, eh, mineiros aqui. Então, o cara que a minha esposa é mineira, a minha mãe era mineira. Acho todo mundo que tá assistindo em casa deve ter um mineiro na família, deve ter algum mineiro perto de você. Pode procurar que tem. [risadas] Ah, o cara que o cofundador da cidade de Campinas, o Frei Antônio de PO, era mineiro. O padre que rezou a nossa primeira missa aqui era de Minas Gerais. Então a gente a gente tem muita gente de vários lugares diferentes e sempre tá chegando mais. Tem sempre alguma comunidade nova montando, tem sempre a gente chegando. Embora essa característica do campineiro de de ser um tanto eh fechado inicialmente, cara, depois que você conquista esse campineiro, você entra no coração dele com uma facilidade enorme. Campinas é uma cidade muito aberta assim. Muito bem. Pode colocar mais uma na tela pra gente, produção, por favor. 8:56. Bom dia para você que tá acompanhando o estúdio Câmara. Vanessa Reis do Nova Europa. O que pesa mais para a nossa cabeça se sentir? Como é que é? O que pesa mais paraa nossa cabeça se sentir em casa de verdade? O lugar físico onde moramos ou as amizades que fazemos na vizinhança? E aí, nosso psicólogo? É interessante essa pergunta. Gostei, viu, Vanessa? Muito boa pergunta, Vanessa. São as duas coisas. Eh, quando a gente não necessariamente precisa caracterizar uma comunidade eh com uma delimitação física de território. Eh, bem, nos últimos anos a gente teve aí o avanço das tecnologias, as redes sociais, um pouco para comprovar isso, né? Então, eu posso me sentir parte de uma comunidade online, por exemplo, sem necessariamente ter uma uma delimitação física de território. Mas historicamente, o que vem acontecendo eh com nós seres humanos na formação das comunidades, é que a gente vai se agrupando em determinados lugares que são físicos. Então, quando eu falo que são as duas coisas, é porque de fato uma determinada rua, uma determinada escola, né, a casa onde você cresceu, onde você teve experiências que foram importantes na sua vida, etc. Esses espaços físicos, eles reservam esse valor afetivo que também fortalece o nosso vínculo com aquele território. Mas esses espaços sozinhos, eles não são nada, né? Eles são só os espaços. Então a gente constrói as memórias e a gente constrói o valor afetivo pelas experiências que a gente tem nesses lugares com as outras pessoas. Então todas as experiências que a gente tem, as memórias, os valores afetivos mais intensos, tem outras pessoas participando, familiares, amigos, colegas, conhecidos, enfim. Então são as duas coisas, né? Quando a gente vai construindo memória, a gente constrói a memória do lugar físico e das pessoas que estavam lá conosco. Então são as duas coisas que conjuntamente vão construindo esse sentimento de pertencimento. Muito bem. Você que tá em casa, pode mandar mensagem pra gente. Produção, tá com WhatsApp aberto, tá bom? Pode colocar mais uma, produção. Matias Augusto do Centro. Muita gente de fora não acredita quando eu conto. É verdade mesmo que os restos mortais do maestro Carlos Gomes estão enterrados naquele monumento da Praça Bento Quirino ou é só um mito da nossa cidade? E aí, professor? Salva a gente. Verdade, Matias Augusto. Verdade. O maestro Carlos Gomes, ele recebeu uma bolsa de estudos do imperador Dom Pedro II, foi morar na Europa e só que coitado, o o maestro Carlos Gomes era um cara extremamente talentoso. O homem era muito talentoso e só que ele, tadinho, sofreu demais lá na Europa, perdeu filhos, ah, separou da esposa, depois viu a exesposa falecendo e ficou doente. Teve um câncer horroroso na língua. Ah, teve uma guerra na Itália, confiscaram a casa dele, ele tava para virar mendingo na na Itália. E na época Campinas vacilou, viu? Ele escrevia cartas para cá dizendo: "Olha, pelo amor de Deus, me acolhe aí, gente. Eu eu monto uma escola, um conservatório na cidade". E aí Campinas respondia por carta: "Espera um pouquinho, daqui se meses a gente conversa". E ele magoadinho respondia: "Cara, eu não tenho seis meses, eu vou morrer, me acolhe". E quem acolheu ele foi o governador do Pará, né? Então, o estado do Pará bondosamente acolhe e o Carlos Gomes falece lá como o homem que ele era, como um diretor de conservatório, como músico que ele sempre foi. E depois que ele morreu, Campinas pediu corpo. E aí o corpo dele vem para Campinas, ele fica sepultado provisoriamente no cemitério da Saudade, uma sepultura emprestada. E depois lá em 1904 é que ele vai eh vão construir o monumento túmulo ali na praça Bento Quirino. E aí ele está sepultado lá assim. Isso é verdade. Quem lançou a pedra fundamental daquele monumento túmulo foi o Santos do Mom. Uau, quanta história, quanto conhecimento. Que gostoso a gente saber um pouquinho, né, da história da cidade de Campinas no dia em que a cidade está completando aí 252 anos. Muito bom. 9 horas pontualmente. Pode colocar mais uma, produção. Temos mais duas, eu acho, né? Tá bom. A Mariana Costa do Campo Grande. Sempre que viajo para minha cidade de Natal, sinto que não pertenço mais lá. Ã, mas aqui também [risadas] é normal se sentir meio sem lugar. É isso que eu falei agorinha, né? Pois é. É normal, né? A gente fica meio perdidão, né? [risadas] É. Mariana, a verdade é que você pertence aos dois lugares, né? é que eh talvez você não não se identifique ainda totalmente com cada um desses lugares, porque justamente a tua experiência em Campinas te transforma, a tua experiência na tua cidade no Natal também te transforma, você traz bagagens, experiências de lá. Então eu acho que essa que na verdade é a riqueza. Quando a gente fala que Campinas é formada por uma cidade de migrantes e imigrantes, é justamente porque ela acolhe as histórias, as experiências de pessoas que vêm de muitos lugares. Então a cidade de Campinas eh te acolheu, enfim, você mora aqui e você pode se sentir pertencente a esse lugar, assim como você se sente pertencente à sua cidade natal. A gente pode pertencer a mais de um lugar, mas é normal sim esse sentimento de se sentir meio deslocado e a gente precisa ir construindo memórias. experiências em cada um desses espaços e aí aos poucos a gente vai se sentindo um pouco mais pertencente. Muito bem, pode colocar mais uma na tela, produção. Que bom que você tá aí do outro lado interagindo com a gente nesse dia de aniversário da cidade de Campinas falando de pertencimento. Fernanda Melo do centro. Sinto que os jovens de hoje não conhecem nada do passado de Campinas. Como a história da cidade pode ser ensinada para eles de um jeito mais legal, professor? Entrando no Instagram @históriadecampinas. [risadas] Muito bom. Eu acho que a gente precisa. É, é um desafio. É um desafio. Nós temos pensado nisso. Eu tenho pensado nisso, outros eh historiadores têm pensado nisso. É, é desafiador porque no currículo escolar é é um tanto complicado. Assim, eu eu dou aula em escola particular, não dou aula na na rede municipal. nas escolas particulares, que eu já dou aula há bastante tempo, eh, é um tanto complicado a gente inserir isso, porque tem a toda a grade curricular que vem do governo federal, a gente tem dificuldade de pegar a história da cidade e inserir na nas aulas, assim, eh, a gente precisa pensar mesmo em parcerias, talvez com a prefeitura, talvez com a iniciativa privada, precisa de mais gente que queira contar essa história de Campinas. É, é bastante desafiador fazer essa juventude toda conhecer, porque conforme a gente eh conhece mais da história, a gente até ajuda a preservar. Quando um jovem que tá na cidade há pouco tempo, os pais vieram de fora, esse jovem passa em frente à estátua do maestro Carlos Gomes, é majestoso, com a batuta na mão daquele jeito, pode ser que desperte nesse jovem uma sensação de dizer: "Puxa, aquilo ali é um homem rico, eh, poderoso, que não dialoga comigo". Na verdade, ele era um homem negro que saiu daqui fugido do pai, porque o pai não queria liberar. Teve a mãezinha dele assassinada quando ele tinha 10 anos de idade. Foi um homem muito sofredor e que lutou demais até conseguir o espaço dele na vida. Se esse jovem conhecesse a história, talvez a estátua não seja pichada, talvez desperte uma afetividade maior com a cidade, com a a os outros elementos assim na cidade que a gente vê tão tão destruídos, tão pichados, tão arrebentados. Talvez a gente desperte mais conscientização para preservar até se a gente contar mais as histórias, se a gente fizer essas histórias chegarem mais nesse jovens. Mas realmente é bastante desafiador. Olha só, né, professor? Tô com em um ponto bem interessante, né? Você precisa conhecer, pertencer e preservar, né? É isso. Isso. É isso. Eu acho que essa é a síntese do da conversa de hoje, né? Eh, quanto mais a gente conhece, mais a gente se sente pertencente, mais a gente preserva, mais a gente constrói, mais a gente se sente parte e coletivamente a gente vai se desenvolvendo. Ai, gente, que delícia, que programa gostoso no dia do aniversário de Campinas, né? ter aí a satisfação de receber o Guilherme, também o professor Sydney trazendo eh histórias de Campinas e falando também da do pertencimento, né, que é algo é um sentimento que faz parte eh do nosso dia a dia, faz parte do ser humano e é tão gostoso você ter a sensação de pertencimento. Eu quero agradecer a participação, a entrega e esse conteúdo maravilhoso que nós acabamos de produzir aqui, que já tá disponível no YouTube. Você pode compartilhar com outras pessoas também para conhecer um pouquinho da história de Campinas e também para entender o que é essa sensação, esse pertencimento que a gente tanto fala. Então, quero agradecer demais a participação do Guilherme. Obrigada pela sua participação, viu? Olha que legal a entrega eh eh compartilhar a o seu conhecimento com a gente nesse dia tão especial. Eu acho que é fundamental a gente entender que a gente pode ser pertencente, não só de um, mas de vários lugares e podemos ir eh construindo novas histórias. Obrigada. Perfeito. Eu que agradeço. Agradeço Rúbia pelo convite, agradeço professor Sydney. Eh, quem tiver interesse saber um pouco mais também produz conteúdo sobre psicologia, né? @gilheremarinelli, tenho no Instagram, a gente também tem no YouTube, enfim, então também fico à disposição aí para próximas conversas. Maravilha. aí será convidado para as próximas conversas, assim como o nosso professor Sid. Agradeço mais uma vez a sua participação, você sempre com muito conhecimento e e nos ensinando, nos orientando e fazendo a gente eh de repente olhar e enxergar a importância e o peso das histórias que nós temos aqui nessa terra. Professor, muito obrigada. Eu que agradeço. Obrigado pela oportunidade de estar aqui. Obrigado pela oportunidade de falar sobre a história de Campinas e a gente tá sempre à disposição. Maravilha, gente. Então, agradecendo você também, né? Eh, eh, que participou com a gente, que interagiu conosco. Quero te convidar para participar do próximo estúdio Câmara. Na próxima edição, olha só, a gente vai falar de algo bem interessante. Vamos lá. Copa do Mundo. A seleção brasileira foi eliminada da Copa do Mundo e aí milhões de torcedores sentiram a frustração de ver um [música] sonho acabar antes do esperado. Mas as decepções, gente, fazem parte da nossa vida. Elas acontecem no esporte, na escola, no trabalho, nos relacionamentos. E como é que a gente faz para lidar quando as coisas não saem como planejamos? e como a gente faz para também ensinar as nossas crianças e adolescentes a enfrentar frustrações sem perder a confiança e a motivação. No próximo estúdio Câmara, a gente vai conversar sobre como lidar com grandes frustrações e transformar derrotas em [música] aprendizado. Então não perca Estúdio Câmara amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo para você aqui na TV Câmara Campinas. E antes da gente encerrar o programa de hoje, eu quero fazer uma homenagem muito especial a Campinas pelos seus 252 anos. Há três anos eu chegava à Campinas sem conhecer ninguém, carregando na mala o sonho de um recomeço. As portas já estavam abertas porque eu vim eh para trabalhar, mas foi depois de atravessar essas portas que eu conheci a cidade, as pessoas e o verdadeiro significado do acolhimento. Desde então, por onde eu passo, eu recebo carinho, recebo respeito e a sensação de fazer parte dessa comunidade. Hoje eu posso dizer que eu tenho a sensação de pertencimento e nesse período eu tive a oportunidade de conhecer essa cidade vibrante, diversa, inovadora e repleta de histórias. Uma cidade que recebe pessoas de diferentes lugares e oferece a essas pessoas a chance de construir novos caminhos, novas amizades e novos sonhos. Ao longo dessa minha trajetória pequena ainda, também eu aprendi que pertencimento não tem relação apenas com o lugar onde a gente nasce. [música] pertencimento tem a ver com os laços que a gente constrói, com as pessoas que a gente encontra pelo caminho e com a forma como a gente passa a fazer parte da vida da cidade. Por isso, nesse aniversário de 252 anos de Campinas, deixo o meu carinho, a minha admiração e a minha gratidão a essa cidade maravilhosa, uma cidade que me acolheu, que me permitiu recomeçar e que hoje também faz parte da minha história. [música] Parabéns, Campinas, e que os próximos anos sejam tão grandiosos quanto a sua trajetória e que você continue sendo essa terra de oportunidades, encontros e sonhos para todos que escolhem chamar [música] este lugar de lar. Parabéns, Campinas. Um abraço a você. Fique ligadinho aqui na TV Câmara Campinas e até [música] amanhã, se Deus quiser. [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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