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229 views Publicado 06/07/2026 HD · 59:21

Descrição do vídeo

As psicólogas Cristiane Correa Rocha e Tatiana Moreira analisam o narcisismo conversacional, hábito de transformar todo diálogo em monólogo sobre si mesmo. Segundo a American Psychological Association, falar de si ativa as mesmas áreas de recompensa do cérebro ligadas à comida e ao dinheiro, o que explica a dificuldade de ouvir o outro. Exemplos cotidianos, como responder a um desabafo disputando quem está mais cansado, ilustram o comportamento e apontam caminhos para impor limites a quem monopoliza a conversa.

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[música] Olá, muito bom dia, seja bem-vindo. Estamos começando estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Hoje é quinta-feira, 9 de julho. Tá em casa, né? Curtindo a casa, o cantinho, façar isso mesmo. Mas acompanhe o nosso programa de hoje, porque vamos falar sobre um comportamento que todo mundo já sofreu na pele. Sabe aquela pessoa que tem o hábito de falar para si mesmo? Sabe aquela troca que vira um monólogo? Então, a psicologia explica isso e tem um nome, né? é o narcisismo conversacional ou monopólio da conversa. Olha só que interessante. A American Psychological Association aponta que falar sobre si ativa as mesmas áreas de recompensas no cérebro que a comida ou o dinheiro, por exemplo. Esse prazer biológico gerado pela dopamina faz com que muitos busquem satisfação no autor relato constante. [música] Mas aí até que ponto isso é apenas uma falta de semancol, né, ou um reflexo de inseguranças profundas. É sobre isso que a gente vai conversar hoje. Você aí de casa convive com alguém que monopoliza o papo e aí, como é que você reage? A gente tem que aprender a reagir também. E aí a gente pode, de repente, tomar aí uma decisão que não é assertiva. E hoje a gente vai aprender também como reagir diante dessa situação. E se de repente você é a pessoa que fica no monólogo, de repente é o momento de você parar, fazer uma autoanálise e aprender com o que as nossas entrevistadas vão nos ensinar hoje, tá bom? Daqui a pouquinho vamos apresentá-las. Agora a gente vai para a previsão do tempo deste feriado. Vamos simbora. Como é que fica o tempo hoje, hein? Sol com algumas nuvens aqui em Campinas. ao longo do dia. Olha só, o de amanhecer um pouquinho fresco, né? Mínima 13. A máxima vai até os 23º. Essa é a previsão do tempo para hoje, quinta-feira. Mínima 13, máxima 23º. Lembrando que nós podemos fazer desse um ótimo dia. Agora sim, vamos ao tema central do nosso estúdio Câmara de hoje. A gente fala do narcisismo conversacional. Bom, já deu para entender, né? Narcisismo, conversacional, conversa é aquele diálogo que deveria ser uma via de mão dupla, mas que frequentemente vira uma disputa de [música] ego. Ora, exemplos clássicos para você se orientar em casa. Você diz assim: "Nossa, eu tô exausto". Aí a pessoa responde: "Ih, você nem sabe o cansaço. Eu tô muito cansado. Virei à noite trabalhando." Pronto. Outra coisa, você conta assim, ó. Ai, feliz, né? Vou viajar nessas férias, né? Aí a pessoa assume o microfone e fala assim: "Eu fui para o Nordeste ano passado, fiquei no melhor melhor hotel e blá blá blá". O desabafo, gente, acaba virando competição. Lidar com o narcisista conversacional pode ser exaustivo, pois eles tendem a dominar as discussões com suas próprias histórias e perspectivas. Então, a gente precisa entender a origem desse comportamento, se isso é um transtorno, se pode, né, desencadear a um narcisismo que é já considerado uma patologia. E aí também como impor limites, né? A gente precisa impor limite nessa pessoa que de repente chama a gente para conversar e só ela fala e não ouve. Então a gente tem aqui duas psicólogas hoje aqui no estúdio. A gente dá as boas-vindas a Cristiane Correa Rocha. Seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua participação. Bom dia. Obrigada. Bom dia. Tô muito feliz pelo convite. Espero colaborar com vocês e ajudar em alguma coisa. Muito bem. A gente vai aprender hoje é um dia de muito aprendizado, um momento de muito aprendizado aqui no estúdio Câmara, porque junto com a Cristiane nós recebemos a Tatiana Moreira, também é psicóloga. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua presença. Muito obrigada. Eu também estou muito grata por essa oportunidade de estar aqui com vocês e a gente trocar um pouco sobre esse tema que é tão cotidiano. Pois é, todo mundo vive isso, né? Verdade. Olha eu, ó. Olha eu, ó. Pois é, já peguei a fala dela. Tá vendo como que às vezes é isso? É natural, a gente faz de uma forma inconsciente, mas quando isso passa do limite, a gente precisa se atentar e tentar reverter essa situação. Então, vamos lá, Cris. Ó, a terapia cognitivo comportamental, né, ela mostra que por trás desse hábito de controlar o fluxo do diálogo, costuma ter uma insegurança. Como que essa necessidade de ser o centro das atenções ela funciona, na verdade, ela é e seria como um escudo para mascarar uma possível baixa autoestima. Então, também eh eh respostas comportamentais, elas elas assim não tem uma coisa única que responde a isso. Então, é sempre um conjunto de coisas, de fatores. E quando esse autor cunhou esse esse termo, ele estava falando não assim necessariamente de uma patologia, então o termo é narcisismo, mas não tá ligado à patologia, está ligado a respostas comportamentais. Então ele emprestou um termo da de uma patologia, mas o significado que ele empreende no conteúdo da dos estudos dele não é patológico. Então eu tô eu estou falando de um narcisismo, mas quando o autor fala sobre ele, ele avalia que a sociedade ela está ela está falhando com algumas pessoas. Então, o nosso comportamento social ele hoje a gente não tem uma escuta que realmente oferece pro outro ouvir, sabe? Eu estar ali participar. Então, quando eu falho para isso, porque muitos fatores, eu posso estar correndo, eu posso não ter interesse, eu posso sim estar dentro de uma outro tipo de patologia, que depois eu posso falar um pouquinho sobre isso, mas aí eu tô eu estou falhando com essa pessoa e ela eh quando eu não apoio uma mãe, por exemplo, de dois, três filhos e ela tem aquela vida corrida, ela não tem eh tempo para ser ouvida, não tem pessoas com disponibilidade para ouvi-la, e aí eu estou fazendo uma falha com ela e essa pessoa fica fica muito precisando de eh falar, de ser ouvida, de ser validada. Muitas vezes esse comportamento ele vai aparecer ali. Então, eh é assim, a gente pode olhar para essa pessoa e olhar para que o nosso papel como ouvinte dessa pessoa também. Eu sei que é muito chato, né? Então, eh, por exemplo, você tá numa conversa aqui, a gente tá trocando uma ideia e o outro volta para ele. Ele ele [risadas] fica sequestrando, né? Ele fica sequestrando a fala. Eh, mas a gente tem que pensar também nessa pessoa que eh era isso está acontecendo. Esse autor ele olhou para isso porque ele viu que a sociedade estava falhando nisso também. Então, sim, a sua resposta é sim. Uhum. Pode representar uma baixa autoestima. Pode uma uma um assim, eu não tenho um lugar, uma voz, sabe? Eu não tenho, eu não encontro isso. Isso vai fazer falta na minha vida. Então, eh, muitas vezes a correria, muitas vezes a correria que eu me imponho muitas vezes é um mercado de trabalho, eh, fazendo isso comigo, mas muitas vezes eu me imponho porque eu só sou produtivo se eu der mais, mais, mais, mais. E aí eu eu vou me abandonando e o outro não tem tempo para mim também. Então eu fico com essa com essa vontade de falar. E aí, né, acontece lá na nas reuniões entre amigas, por exemplo, aquela que ah, ai vou fazer uma viagem, ah, você vai, você vai para onde? Ela até ela, porque o diálogo depende do outro, né? Ele se ocorre com o outro, né? Ela até ela, mas ela sequestra, mas eu fui. Quando eu fui, foi assim e e desenvolve, né? Ela desenrola. É como se ela estivesse com controle de um brinquedo e eu vou querer entrar naquele brinquedo. Pensa naquela xícara que roda. Eu quero participar também, mas ela tá com o controle na mão dela. Eu não consigo. Eu tento de novo. Não consigo. [risadas] Ela é uma sequestradora disso, sabe? Muito bom. Muito bom. Agora vamos pra Tatiana. Ô Tati, às vezes as pessoas fazem isso sem perceber, né? Achando que compartilhar a própria história é uma forma de se conectar. E aí esses narcisistas conversacionais, né, que esse é o termo, a gente percebeu já que eles não são realmente narcisista, não é o caso de uma patologia, mas isso pode afetar os relacionamentos, né? Então, qual que é a sua avaliação eh eh sobre os relacionamentos? Isso o relacionamento familiar, conjugal, social, com os amigos, com os filhos, porque é realmente desafiador você manter um diálogo com uma pessoa que só fala dela mesmo. [risadas] Sim. Eh, a acho que a vontade de ser ouvido é uma necessidade básica de todo o ser humano. Todos nós precisamos. E quando a gente convive, né, com essa pessoa que demonstra esse comportamento, esse sequestrador, né, de fala, eh, a tendência é que nós nos sintamos cada vez mais eh, sem importância, digamos assim, né? Eh, o nosso sentimento não importa tanto. E as consequências disso é são aquele sentimento de solidão, mesmo quando você tá ali com a pessoa. Uhum. de invisibilidade, causando ali até mesmo um afastamento emocional. Então, a tendência que a gente se afaste e fique até desmotivado ali para trazer o cotidiano, né? Exemplo, eh, você convive ali com uma amiga e toda vez que você vai conversar, ela sequestra ali a pauta para ela, né? Você vai deixando de ter vontade, aos poucos você vai se distanciando. Ah, por que que eu vou começar um diálogo? se a pessoa vai me interromper, se a pessoa vai voltar para ela. Então essa distância vai acontecendo, infelizmente. E é interessante a gente pensar também que às vezes a intenção desse sequestrador de fala nem é machucar o outro, né? A intenção não é isso, mas o impacto é grande, né? A tendência é que quando a gente tem ali um uma relação onde só uma voz vai aparecendo, naturalmente a outra some. É. E não é gostoso, né? Ninguém gosta de se relacionar dessa maneira. É sim. Exatamente. Agora tem uma relação curiosa aí entre ansiedade e o egocentrismo, né? Então, eh, Cristiane, por que que, eh, para alguns ansiosos o silêncio ele é tão desconfortável, né? Enquanto que para outros o silêncio atua como forma de moderação, né? tá se moderando, se se equilibrando. E aí quando a gente vem para essa questão do narcisismo conversacional, a ansiedade, a ansiedade social, ela engatilha esse esse monólogo, essa coisa de sequestradores de fala muito. Tem a ansiedade, porque é assim, é muito interessante que às vezes a a pessoa aparece na clínica eh com ansiedade para tratar ansiedade. às vezes ela não é ansiosa, às vezes ela ela é impulsiva. Então, impulsividade e ansiedade são duas do duas eh dois fatores que influenciam muito nisso. Porque é assim, é como se eu quando eu fui aprendendo durante a minha vida, há um comportamento social, eu fui lendo, eu fui pendo percepções do comportamento dos outros, eu fui aprendendo, mas quando eu tô quando assim, quando e eu quando o que tá ali me tocando é a ansiedade ou a impulsividade, fica muito mais difícil esse controle. Então eu às vezes eu tenho consciência, mas eu não consigo. Não é uma não é algo que eu consiga controlar. Então isso pode até ser uma válvula de escape para essas pessoas, entende? Então naquele momento sinto muito, mas o que eu consigo é fazer isso, é agir dessa forma. Então, geralmente ajuda regular mesmo. Então, é um comportamento, é uma tendência impulsiva, natural, porque eh de alguma forma eu estou desregulada e eu, né, eu saio assim engatado na primeira, entendeu? E falo, falo, falo. E por trás disso eu posso sim ter comportamentos ansiosos, posso ter impulsividade, que aí eh a impulsividade ela pode sim estar dentro de um outro transtorno. Uhum. Então, eh, as pessoas às vezes não fazem esse comportamento assim porque elas têm consciência e eu assumo que eu estou fazendo e não estou nem aí pro pro outro. Às vezes eu faço porque é, gente, eu não tenho condições de fazer diferente. É assim que eu estou. sabe o julgamento, a gente tá muito pronto eh [limpando a garganta] para julgar o outro, mas eh atrás de vários comportamentos, de muitos comportamentos, sempre tem algo que ela tente e que está fazendo com que aquilo eh apareça daquela forma, tá? É isso muito que acontece. A psicologia trata isso, né? Eu acho muito lindo a forma com que vocês tratam e cuidam eh de nós, porque eh sem julgamento, né? E assim, a gente tá falando desse narcisismo conversacional, que a pessoa que ela age dessa forma é uma pessoa que vai acabar ficando sozinha, porque é difícil, né, conviver com uma pessoa assim, só que eh o olhar da psicologia traz algo bem profundo, porque a gente vai, vamos lá naquela pessoa e vamos ver o que que tá acontecendo com ela, porque de repente ela não tá agindo dessa forma, porque ela quer, né, é algo bem inconsciente, mas essa inconsciência tem algo lá atrás. E aí a psicologia vem tratar isso, eh qual [risadas] que o que que pode ter impactado e desencadeado essa ação, né, do narcisismo conversacional em uma pessoa? É algo que vem lá da infância ou de repente é um trauma, é um bloqueio? O que que a psicologia traz pra gente? A psicologia traz para nós eh que pode ser sim eh algumas questões relacionadas ali. Se aquela criança, né, lá atrás nunca teve voz. Uhum. nunca teve possibilidade de de compartilhar ali, né? Nunca teve esse esse espaço, né, para poder existir. Quando ela tem ali a liberdade, uma adulta, né, ela tem a liberdade ali de dominar uma fala, ela quer existir. É só um pedido de atenção, né, esse olhar mais humanizado, né? É claro que às vezes sim, pode ser uma uma falta às vezes de noção de como a gente se comunica. Não necessariamente a gente precisa patologizar tudo, né? Não precisa ser sempre algo por isso, né? Um transtorno. A gente não precisa nomear sempre, né? Na psicologia. Pode ser sim só uma falta de noção de como a gente se vê, mas pode sim. Pode ter esse fundo ali voltado à nossa, como a gente se viu ali nos nossos primeiros anos ali de vida, né? como a gente se enxergava, a gente existia, a gente tinha possibilidade, né, de compartilhar algo. Então, aí agora eu me vejo adulto, agora não, agora eu quero existir. Então, eu eu eu também fui. Hum. Eu também eu também sinto isso. Nossa, eu sinto muito mais que você, né? [risadas] Então assim, é isso. Não é fácil lidar, não, né? Mas esse olhar faz a diferença. Esse olhar um pouco mais empático, né? Tentar ver o paralém daquele comportamento. Uhum. Isso. Posso complementar? É, eh, quando a gente vai para um uma, né, um diálogo, né, o diálogo pressupõe várias pessoas, né, pelo menos dois, né? Então é assim, eu tenho que ter aprendido uma percepção social primeiro. Então, antes eu tenho que ter tido na infância situações que me oportunizaram aprender sobre o comportamento do outro e entender que ali existe um outro e que eu vou interagir com o outro, sabe? Então, eh, o brincar na infância é muito importante, que ele começa ali, tá? Então, ali ele começa a treinar, imitar, aprender que existe o outro, eu posso, eu não posso. Agora é a vez do amiguinho, não é a minha vez. E eu vou desenvolvendo uma percepção. Essa percepção, ela colabora para algo que é muito importante na nossa vida, que é a cognição social. Uhum. Então, na cognição social, desenvolvendo a cognição social, esse pensar social, pensar o eu, pensar o outro, pensar na interação entre a gente, a gente vai desenvolvendo ferramentas para eh aprender a fazer essa troca e não ficar só voltado pra gente. Então, desenvolver cognição social é algo que a gente começa lá bem pequenininho no berço. bebê começa quando ele começa a entender que ele é outra pessoa e não a mãe. E depois que ele começa eh um pouquinho maior imitar a mãe, ele começa a entender: "Eu tenho uma irmãzinha e eu tenho que dividir com ela. Isso é meu, isso é dela." Então eu começo, eu ali começo a aprender a os primeiros passos de uma cognição social e depois quando eu amadureço, eu posso eh estar amadurecida a ponto de ter aprendido fazer essa troca ou então não ter amadurecido o suficiente e não conseguir fazer essa troca e toda vez aí eu vou, né, fazer esse comportamento que a gente tá comentando aqui. sequestro o o o microfone para mim, eu sequestro conversa para mim de novo. Então, na troca com as amigas, por exemplo, e é uma coisa tão simples e acontece, né? [roncando] Eh, por que que eu faço isso? Porque eu realmente não aprendi, eu não eu não consegui desenvolver esse lado também. Então, posso estar dentro de uma outra patologia? Posso uma pessoa impulsiva, por exemplo, dentro de um transtorno de DDH, DAH, né? uma pessoa impulsiva, ela pode sequestrar isso porque ela não percebe, ela entra, ela invade, entendeu? Então, ela faz isso sem perceber. E aí, o que que a gente vê na clínica? A gente vê as eh os problemas sociais dentro da escola, porque a criança ela atravessa aquela conversa sem perceber e as amigas, tem uma hora que as amigas chega, não quero mais, entende? Elas vão se afastar. Então, o que que a gente faz? a gente faz uns treinos de habilidades sociais com essa criança, eh, ensina o que ela, né, que ela não conseguiu desenvolver para ajudá-la a desenvolver essa habilidade, que é uma habilidade necessária na vida adulta depois para eu não me comportar desse modo como sequestrador. Uau! É isso. Muito bom. Bom e, e, e interessante a gente aprender, né? Tá vendo só? A gente precisa aprender. Você é sequestrador de falas aí, né? [risadas] Agora, se a gente para para analisar o ambiente digital, nossa, as redes sociais, né, são vitrines focadas no eu, eu, eu, eu, né, esse, essas vitrines, esse ambiente, Tatiana, potencializam esse comportamento eh eh nas conversas presenciais, quando você sai da rede, você tá no eu, eu, eu, eu, eu. E aí você vai para uma conversa presencial, isso é potencializado. E as pessoas elas estão perdendo a capacidade de interagir porque é mais fácil ficar teclando. Daí as pessoas não falam mais, as pessoas não conversam mais, não sai. Sabe aquele diálogo legal, aquela coisa gostosa, aquela conversa que perdura por horas e horas. Acabou isso. Então, a a rede social, a internet em si é algo muito bom. Não tá aí, não vai mudar, a gente sabe, só é daqui pra frente, só vai melhorar. Só que nós precisamos [limpando a garganta] aprender a conviver com isso. Isso também tem causado impacto quando a gente fala do tema de hoje, que é o narcisismo conversacional. Traz, sim, traz bastante impacto. Eh, bem isso que você comentou, eh, esse ambiente digital ele favorece, né? Ele incentiva com que a gente exista só nós. O centro tá no eu, porque eu não posto a rotina da Cristiane, eu vou postar a minha, né? ali eu vou colocar o que eu comi, o que eu falei, o que eu penso e isso também gera uma questão do reconhecimento rápido. Então eu posto ali, aí já vem uma curtida, um comentário, isso só vai aumentando esse desejo ali de existir. Eu existo, olha que delícia, eu existo bem sozinho aqui na rede social, sou reconhecido e tudo mais. E o problema não é esse, né? Não é que falar de nós não é saudável. A questão, o desafio maior tá quando a gente leva essa dinâmica de funcionamento para as nossas outras relações, onde só a minha experiência vai existir ali. Então é interessante, né, a gente eh pensar que eh não é que a gente tá perdendo a capacidade, né? É assim que eu vejo, pelo menos a gente não tá perdendo a capacidade por completo de se relacionar offline, não é essa questão, mas a gente precisa exercitar melhor, conscientemente. Uhum. Isso, porque o diálogo, né, ele necessita muito mais do que um like. Ali onde a gente você faz correndo, ele precisa de perguntas, de curiosidade, de troca, de silêncio, aquele silêncio constreedador às vezes, né? Uhum. Então ele dá mais trabalho, a gente precisa exercitar mais. Eu ainda acredito que a gente não vai perder essa habilidade porque é uma delícia, uma boa conversa, né? Ai é verdade, né? A presença, né? Presença, o olho no olho, esse a energia de você, né? Tá ali sentindo a pessoa, não é só o que a pessoa tá falando, né? ali aquela pessoa. Então eu tenho muita esperança [risadas] e acredito que de fato a gente não vai perder, mas a gente não pode deixar de exercitar, se esforçar para que isso não aconteça. Eh, isso é da nossa geração, porque se a gente para para analisar, me corrija se eu tiver errada, as crianças que nasceram já conectadas, né, elas têm um pouco mais de dificuldade de de dialogar, infelizmente, porque elas já nasceram. Pensa depois na pandemia, aí nós já fomos impactados, aí todo mundo foi paraas redes e aí ficamos isolados e aí o nosso diálogo ele foi se perdendo, né, o olho no olho que eu digo. Aí depois vem essa crescente da internet com as inteligências artificiais, os aplicativos de conversa, aplicativos de namoro. É tudo muito tecnológico, né? todo mundo atrás da tela, se relacionando, mas tecando, tecando. E aí, eh, tem algumas colegas de vocês que nós falamos sobre adolescentes aqui no programa, sobre o comportamento, elas até relataram, é algo que eu sempre trago porque me impactou muito, sabe? Porque elas disseram que eh alguns relatos de adolescentes, jovens e adolescentes na clínica, que é assim: "Tia, eu não consigo conversar com meu amiguinho lá na rua, mas por quê?" Não, porque daí eu não tenho nem o que falar, eu não sei o que falar, não sei como conversar, conversa. Mas e quando você vai pra internet? Ah, na internet a gente conversa a noite toda. Então que pecado que tá acontecendo, né, com os nossos jovens, com os nossos adolescentes, por conta desse impacto da tecnologia. E aí vou colocando a tecnologia aliada ao nosso narcisismo conversacional. Gente do céu, e agora, Cris, como fica? Olha, [risadas] é complicado porque é complicado mesmo porque dá uma afastada, gente, não tem como. É, eles trocam, eles fazem essa troca, isso não é saudável. E o problema também que eu vejo é que tá acontecendo muito cedo. Então, eh eh em que idade você deu o o telefone pro seu filho? Quando você deu o telefone pro seu filho, você está dando esse acesso. E olha, é, e a gente briga muito por tela, por exemplo, né? Então, a mãe deu a tela, né? colocou a criança exposta até ela eh bastante cedo, bem precoce. E e aí você vê aqueles vídeos rápidos, né? E depois você acha que a criança vai querer eh ter uma interação ou que ela vai trocar uma interação eh quando ela tem aquele monte de dopamina no cérebro dela, porque os vídeos são rápidos, muitas muitas falas, muito tudo tão eh tecnológico, né? aquilo fica, né, deslumbrante para ela e e às vezes ela não quer mais trocar. Então eh, segurem, segurem, teu filho vai ter tempo para ir paraa tela. Ele vai, ó, ele, nossa, adultos não estão tantos na tela, deixa seu filho tanto, né? Deixa seu filho ali eh brincar com brinquedos. Deixa a criança desenvolver, deixa a criança trocar com o amiguinho, com o vizinho. Traz paraa tua casa, olha, propicia isso, porque senão eu vou crescendo com esse comportamento de eh um pouco que isola, sabe? Às vezes o adolescente chega pra gente, ele tá ele tá num comportamento de isolamento. Isso não é legal. Para vocês terem ideia que você falou, é muito verdade que as colegas colaboraram. Eh, às vezes a gente tem que fazer treino de habilidade para ajudar o adolescente a desenvolver a conversa. Uhum. Isso. Isso mesmo. Então eu faço um roleplay lá com o paciente e e assim eu jogo para ele a pergunta como se fosse ele. Depois ele aí ele aprende como eu faço. Daí a gente troca de lugar e ele sabe, é uma estratégia e ele aprende e aí ele vai fazer, né? Porque ele aprendeu. Então aí ele consegue. Ah, mas eu não tenho assunto, Cris. OK. Todo mundo assiste série, não assiste série, assiste. Então você tem assunto. Então a gente vai começar aí no tema série, super simples. OK, mas se e se a pessoa disser que ela não gosta desse tipo de série, OK, já é um já é um gancho para continuar essa palestra. Então aí você não gosta, você gosta de qual tipo? E aí você tá vendo que se eu tô fazendo o oposto do narcisismo, que eu tô ensinando a fazer essa troca, eu tô ensinando a ouvir o outro e responder para o outro, interagir com o outro, porque às vezes eles não têm modelo, gente. É isso que é a cognição social. Eu desenvolvo essa percepção através de modelo. Se eu não tenho a minha experiência e eu não tenho alguém para ver, para para ser a minha referência, como eu vou aprender? Então, a gente exige que o adolescente faça de uma forma que é saudável, mas a gente tirou dele dando, deixando, oportunando muito eh tempo de tela, a oportunidade de fazer essas vivências. Então, ele não vai aprender. Sinto muito, se ele não participa da roda de família, se ele não participa dos eventos sociais da casa, dos [limpando a garganta] amigos dos pais, com os amigos deles em casa, onde você vai aprender? Não, não, né? Não é porque eu tô adolescente que eu tenho um cérebro capaz de entender sozinho como que eu faço numa relação social, às vezes adulto, não é? O sequestr sequestrador que a gente tá falando aqui, [risadas] ele é adulto e não consegue. Exato. Então é muito triste esse afastamento, é muito triste não ter essas ferramentas. Por que que é triste? Porque não foram oportunizadas. Uau, muito bom. E falta de modelo, né? Isso. É, a gente precisa de de modelos. Sim, [risadas] muito interessante. Precisa começar conosco, né? Na verdade, sim. É, precisamos ser modelos, né? Para os nossos jovens modelos. Quando quando você for, né, mãe jovem, for postar, né, nas redes sociais, pensa que modelo, o que que você tá mostrando para o seu filho, porque ele vai te copiar. Pai, mãe, ele vai te copiar. Sim, né? A gente aprende ali fazendo a cópia, né? Muito bom, meninas. Que interessante, né? Que conversa gostosa. A gente tá vendo aqui, ó, nós estamos conversando, tá? Não tem nenhum sequestrador de palavras, de falas, não. Cuidado com isso. Agora, desculpa, gente. Conviver com alguém que que faz isso, né, que monopoliza a fala, deve gerar um profundo esgotamento, uma sensação de invisibilidade. Então, Tati, ã, como que eu que convivo com uma pessoa que sequestra a minha fala diariamente o tempo todo, eu vou eu vou ter um uma sensação de ansiedade, uma sensação estranha, eu não sei, vou ter que eu vou ter que eh nomear os sentimentos, porque são muitos, né? São o que que eu tenho que fazer? Eh, se eu eu não quero me afastar, né? Entendeu? Então, mas eu preciso ter um autocontrole para eu não, né? é eh transbordar também, porque chega um momento que incomoda. Sim, nós agora nós olhamos para a pessoa que tem essa ação, né, que é o sequestrador de falas. Agora vamos olhar o lado de quem está sendo sequestrado e aí como agir, como fazer, [risadas] certo? É desafiador, sim. Eh, às vezes a gente fica numa ciruca de bico, né, digamos assim, porque você quer existir na conversa, você gosta daquela pessoa. Eh, mas como fazer? Dá, é possível. Se a gente usar a gentileza, a assertividade ali, é possível. Vou dar um exemplo prático aqui, né, para ilustrar melhor. Tô conversando ali, tô contando ali, né, pro para alguém, eh, um algo meu e a pessoa roubou ali, a, sequestrou a fala: "Olha, eh, eu gostaria muito de ouvir a sua história, mas posso só concluir o meu raciocínio?" Uhum. Tranquilo, né? Vou ai, podemos só retomar ali pro que eu tava falando inicialmente. Nossa, eu sinto muito que aconteceu isso com você, mas eu só vou concluir o que eu tava falando aqui, só pra gente fechar. É possível. E eh a gente tem que pensar que a gente pode estar ajudando, estar ajudando aquela pessoa que às vezes ela não tem. Lembra quando eu comentei que às vezes é falta de bom senso mesmo, falta de noção e às vezes a gente tá ampliando a consciência daquela pessoa quando a gente coloca um limite ali. Então é possível, dá pra gente lidar com o sequestrador de fala, com o narcisista ali conversacional, colocando ali os limites para que a gente exista também. É, e ter uma comunicação assertiva, né? Sim. A forma com que você se comunica nesse momento pode desenvolver, aliás, disparar um gatilho nesse sequestrador de falas, né, Cris? É isso mesmo. Eh, é uma forma assertiva. Eu gosto muito de pensar assim, eh, que que é assertivo? Como que é um jeito assertivo de falar? Porque a gente, né, uma palavra tão bacana, ela é tão direta, ela realmente ela traz um conteúdo bem rico por trás. E é assim, ó. Quando eu falo de uma forma assertiva, eu eu tenho duas pessoas para respeitar, a mim e ao outro. Então, eu não vou me submeter, mas eu também não vou desdenhar o outro, eu não vou eh machucar o outro, eu não vou ofender o outro. Então, dá para fazer uma comunicação para fazer, né? Você faz, devolve para ele de um jeito que ele cresça com isso e não que ele vá embora magoado com você, porque você não provoca mudança de comportamento, você não não provocou provocou algo que que dê uma motivação para ele para querer crescer. Então é bacana a gente fazer de uma forma assertiva. E aí é desse tipo mesmo que a que a minha colega falou. Eh, ah, ok. Agora deixa eu continuar. Deixa daqui a pouquinho, né? Eu termino de concluir, mas eu gostaria de concluir o meu o meu raciocínio. Tá tudo bem para você, colega? Amiga, amiga. Então, mas ó, deixa eu terminar para te contar, depois a gente a gente vai, eu vou te ouvir mais, pode. Eu tô muito interessada, só que eh, né, deixa eu colocar aqui o final da minha viagem, né, o que aconteceu no final, que era muito importante te contar. E foi bacana. Uhum. E a minha amiga, ela pode através disso, ai, será que atropelei? Depois, né, a gente sempre, né, a gente tem uma chance depois pensar, será que atropelei? Aí eu vou provocar uma mudança, entende? Senão eh vai ficar um, né, uma bola para lá, uma bola para cá, e ninguém cresce com a conversa, né? Ninguém cresce com amizade, né? Muito bem. Olha só, vamos levar isso agora pro lado profissional. Menina, do céu, dinâmica do trabalho, eh, conviver com um sequestrador de falas, principalmente em uma reunião. Isso pode arruinar o espírito de equipe, tá? Com certeza, com certeza. E cabe ainda assim a mesma dinâmica que eu comentei, né, na sua questão anterior, mas sim, pode arruinar o espírito de equipe, fica improdutível quando só uma pessoa ali tem, né, a palavra rouba ali, fica mais complicado ainda quando é o líder, porque daí gera, né, quando é um colega de igual para igual ainda a gente arrisca, né, dá aquela olha, pera aí, eu quero te ouvir, mas eh, deixa terminar. Eh, então aí gera assim, pode gerar, infelizmente é bom nós no ambiente de trabalho, acho que em todos os ambientes, a gente se policiar paraa gente não ser essa pessoa, né? principalmente a gente não ser esse sequestrador de fala e quando a gente lidar, né, encontrar, porque vai acontecer, não é só na nossa casa, na reunião de família, vai acontecer no trabalho também, com certeza, da gente saber usar assertividade, assim como a Cris colocou muito bem, né, de fazer ser produtível, que todos cresçam ali com aquela situação que às vezes foi constrangedor ali, que uma pessoa só ela brilhou ali, às vezes se não quiser falar ali na frente de todo mundo, pode dar aquele toque ali no particular. Então pode acontecer sim. Muito bem. Ô Cris, eh, ambiente profissional, né? Vamos lá. Sequestradores de fala. Aí sequestra tua fala, você tenta, ã, sabe, [risadas] sabe aquele aquele meme que você não consegue terminar? E a pessoa vai falando mais alto, mais alto, mais alto e você tenta e mais alto, tenta mais alto. E aí, eh, como a gente tá falando de um ambiente organizacional, provavelmente mais gente, né, eh, partilhando desse momento. O que é mais, hã, certo, correto fazer? É você se calar ou você continuar? porque gera algo estranho que eu não sei nem nomear, mas tá todo mundo observando essa situação. E como é ambiente organizacional, isso pode gerar, né, depois comentários, falas e tal. Então pode desencadear situações. Como que a gente deve se comportar mediante a isso? Então, a pessoa que sequestra, eh, talvez ela não tenha essa percepção, lembra? Uh, não desenvolveu. Então, eh, seria legal se um colega de trabalho pudesse dar um feedback depois, sabe, numa conversa. Nada na frente das outras pessoas, nada com intuito de humilhar, nada de expor, nada. E não é não é para mim, não é porque eu não tive eh lugar naquela fala também que ela sequestrou. Não é só por isso, porque eu fiquei frustrada, porque as outras pessoas podem ficar frustradas. já pensou, ele sequestra, ele sequestra a fala e ele pode estar sequestrando também eh ações do da equipe, né, e tá levando o o não é todo o louvor para ele, né? Isso causa uma frustração muito grande nos outros. Então, é legal eh que depois separadamente a gente possa conversar com essa pessoa e e e aí a gente tocar, né? Eh, ah, colega, é o seguinte, eh, nós somos uma equipe Uhum. mas não foi o que a gente viu naquele seu diálogo. Então, eh, eu saí frustrada e eu penso que as outras pessoas lá que participaram de todo o projeto também tenha um tenham saído frustrada, [limpando a garganta] frustradas. Então, eh, que, né, eu gostaria que você pensasse sobre isso. Olha o que eu fiz. Eu não humilhei, eu não expus, não, não, não falei na frente das outras pessoas, mas eu dei um toque porque essa pessoa às vezes precisa acordar, sabe? Porque o que ela tá causando, eh, ela pode estar causando desconforto na equipe, né? E a equipe perde motivação. Se perde motivação, né, a gente não engaja bem, a gente não trabalha junto, a gente não divide. Então, sim, talvez ela precise eh receber esse feedback, mas aí a gente, né, de novo, daquele jeito bem bacana de se colocar, né, sim. Agora, quando isso passa, né, da da questão aí do do comportamento mesmo, né, um sequestrador de fala, um eh narcisismo conversacional, quando ele sai dessa ação e vira uma patologia, como é que a gente percebe quais os tratamentos? É possível reverter essa situação, Tati? Claro, é possível, né? Eh, claro que é muito difícil a gente dar um diagnóstico aqui, né? poucas palavras, mas sim, eh, lembrando que são coisas bem diferentes, né? Comportamento, eh, de conversa, né, de do narcisista conversacional é diferente do transtorno de personalidade narcisista. Não, não são, como a Cris disse bem, o autor cunhou, né, esse termo, emprestou esse termo, né? Então são coisas distintas, mas sim é possível lá no consultório, né, o profissional qualificado para isso vai fazer um acompanhamento, no caso de ser um transtorno, né, um acompanhamento e vai trazer uma melhor forma do narcisista, né, da pessoa que tem o transtorno lidar com isso nas suas relações, porque não há uma cura especificamente, mas há uma forma de sim a gente lidar com aquela manejar melhor ali as nossas relações mediante a essa condição psíquica. Muito bem. Agora fica imaginando vocês duas aqui com um sequestrador de fala no consultório. Como é que vocês conseguem atender? [risadas] Cris, muitas vezes, algumas vezes, né, acontece, [risadas] acontece assim de de chegar pessoas e tipo assim, né, você puxa a vida, né, aí você olha aquilo pa pa [risadas] pá. E essa, né, essa pessoa precisa de um tempo, ela precisa de um lugar. Quando você dá esse lugar para ela, gente, daqui um tempo, ela ela tá muito diferente. Então, eh, deixa, porque o início às vezes pensa uma mãe em casa, né, de novo, que exemplo, dois, três filhos, aquela vida corrida, pá, pá, eu não tenho esse espaço. Aí eu chego no consultório, no consultório. Aquela hora é minha, gente, é meu, é meu momento. É muito bacana, porque aí a pessoa ela, mas assim, ela pode, é a hora dela de falar, de mostrar as dores e às vezes ela ela ela está assim no limite tão, né, se fosse um copo, o copo está transbordando e aí ela precisa eh tirar um pouco desse dessa água toda para depois conseguir a gente conseguir trabalhar. Então, a gente vai no tempo da pessoa, dá um tempo para ela e aí a gente começa a discutir juntas, fazer um olhar, né, eh, juntas e e assim, ok, mas que que você pensa que naquele momento o outro também podia estar pensando disso que você falou ou perdão, que você falou e que desencadeou isso? Então aí a gente leva para uma reflexão, a gente faz questionamento que na na TCC a gente chama de questionamento socrático, faz a pessoa pensar em cenários e aí sabe, ela começa a desenvolver habilidade. Então, como a Tati falou, é algo que a gente pode trabalhar, é bacana trabalhar com a pessoa para que ela eh tenha consciência do comportamento dela, sabe? É, é muito gratificante. Nossa, é gratificante ouvir também vocês e é gratificante a a expertise, né, que vocês repassam e nos ensinam, porque assim, a psicologia é algo que eu sempre falo que eu fiz terapia, adoro terapia, mas por a terapia ela é algo para nos ensinar, né? Vocês nos orientam a melhor forma de de seguir o caminho. Nós temos visão micro, vocês têm visão macro. Então, de repente quando eu vejo que o mundo tá perdido, daí a gente vai pra terapia, não, não tá. É só você, ó, ir por aqui, porque é dessa forma e a gente vai aprendendo. E nesse caso do narcisismo conversacional, a partir do momento que se torna uma patologia, eu acredito que é importante você ter o aprendizado para poder fazer o manejo da vida, né? E é assim que a gente precisa seguir. Nós precisamos ter o equilíbrio. E de repente no momento você perde o equilíbrio, quer dizer, seria bom, né, ter a terapia antes de perder o equilíbrio. Mas se perder o equilíbrio, vai pra terapia, respira, equilibra e segue a vida, que eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Agora, [roncando] se a gente falar, falar falar, quem tem essa, esse comportamento de narcisismo conversacional, falar vai gerar o prazer, vai, né, gerar a dopamina é igual rola feed, né, infinito. Daí você fica falando infinito lá, dopamina, dopamina, você fala, fala, fala, fala. Tá bom, gerou prazer, tá gerando prazer. Como que a gente faz para reverter esse prazer gerado pela fala, como também no prazer de ouvir? Tipo assim, eu ouvi também pode me dar essa sensação de prazer. A gente consegue fazer isso, Tati, porque ao invés de falar, eu posso ouvir. Uhum. Uhum. Exatamente. Pode sim. É isso. Exatamente que você falou, essa sensação da gente compartilhar e a gente existir gera sim essa liberação dos hormônios ali, né, do bem. Eh, e mas a gente consegue reverter isso mudando a nossa postura. Uhum. Como eu faço isso, né? Quando eu tô conversando ali com alguém, que tal eu mudar o foco de ao invés de eu ficar ali ouvindo para responder, que muitas vezes nós fazemos isso, né? A gente tá ouvindo o outro ali, mas já tá elaborando aquela resposta maravilhosa. E é normal, gente, isso acontece com todos nós, tá? Então não tem problema com isso. Mas ao invés da gente agir dessa maneira, né, de ficar já elaborando a minha resposta, eu mudar o foco e o que eu não sei sobre essa pessoa. Uhum. O que mais eu posso descobrir sobre ela nessa conversa, né? Eu acho que se a gente olhar de maneira diferente eh para essa situação, a gente encontra um prazer genuíno. A curiosidade, né, deve ser genuína, óbvio, tem que ser natural, com limites, obviamente, mas na medida certa a gente despertar essa curiosidade saudável ali pelo outro, eh, pode fazer a diferença ali no diálogo entre os dois. E também lembrando, né, que daí da da nossa parte a gente pode tentar não interromper quando o outro tá falando, né? Eh, fazer mais perguntas sobre o que aquela pessoa tá falando, fazer um resuminho daquilo que ela tá falando ali naquele momento, devolver para ela que você entendeu. E aí você pode até comentar algo para gerar aquela conexão, eu sei o que você viveu, não é porque eu vivi algo parecido, mas você me disse isso, isso e isso, certo? Então assim, você devolve ele para ela no intuito de dizer para ela: "Tô te ouvindo, eu tô aqui com você". Então é possível ser gratificante, a gente tem que mudar a nossa postura, né? Porque isso tudo que a gente tá falando, né? É uma habilidade. E a habilidade pode ser aprendida. É verdade. A gente consegue aprender. Isso é isso, gente, isso é muito na clínica. A habilidade a gente aprende, gente, isso é tudo [risadas] sabe? eu desenvolvo a habilidade, eu não nasci pronto, sabe? Então, eh, né, através de um feedback ou ai, será que eu estou me comportando, me comportando dessa forma? Isso não é legal ser um sequestrador de, de conversas e e eu fal, não, não quero, não quero mais isso para mim. Uhum. Olha, um gasto de energia, um gasto de dinheiro, porque às vezes, né, tem que ser numa terapia, não não vamos, né, custa eh um gasto, um investimento, uma motivação, eu preciso de tudo isso, mas se eu quero fazer diferente, se eu quero me abrir para ouvir o outro, é possível, é muito bacana isso. E como a Tati colocou, e isso pode trazer uma uma um prazer também. É muito legal ter estar apto, estar calmo para estar presente no momento. Gente, hoje eu acho que uma das coisas mais importantes que a gente tem é uma coisa que eu que eu prezo muito lá no consultório, é assim, eh, a gente fala muito de mindfulness, né, a atenção plena, e é isso, é, sabe, é parar, desacelerar, tentar fazer algo e prestar atenção no que tá acontecendo nesse momento. Então não tem que prestar atenção que eu tenho que dar uma resposta para aquilo. Eu tenho que trazer para mim, não. Eu tenho que estar ali só participando, ouvindo a minha colega falar e eh trocar com ela, mas trocar de um de um modo, não assim eh né, roubando a cena, mas assim porque eu estou lá para ela mesmo, sabe? E aprender esse lugar, né? numa cadeira que é essa de roubar e de falar, falar, mas eu posso sentar numa cadeira de aprender a ouvir para estar mais disponível pro outro também. É muito bacana isso, sabe? Atenção plena. Eu eu assim, se eu tivesse que falar para alguém, ai, né, preciso desacelerar, que que eu vou fazer? Ah, vamos começar com uma atenção plena. Se falar meditação, pessoa e não tenho paciência [risadas] para isso, não tenho, sabe? Eu sou ansiosa demais. Quando eu começar a meditar, já tô meu pensamento, calma, vamos devagar, pegue alguma coisa, pega uma xícara de café. Eu eu gosto muito de fazer uma dinâmica. Posso colocar aqui? [risadas] Eu faço muito com os meus pacientes. Eu falo, eu falo assim: "Olha, essa semana a gente vai fazer uma tarefa. Você vai pegar uma xícara de café num lugar bem quietinha. Você pode ir num café e ficar bem separadinho lá no café sozinho, bem tranquilo. Você vai pegar a xícara, tem, né? Tem o piris e a xícara. Você vai pegar a xícara e você vai encontrar encostar seus dedos para sentir a temperatura daquele café naquela xícara e você vai prestar atenção nisso. Depois você vai pegar aquela xícara e vai movimentar e olhar o movimento do café naquela xícara. Depois você vai só [roncando] sentir o aroma daquele café. Eu não tomei ainda. Eu só estou presa nesse momento sentindo o aroma. Depois eu vou experimentar o sabor daquele café. Olha quantos órgãos de sentido que eu estou usando nesse momento numa tarefa bem simples de atenção plena. Aí eu volto paraa xícara, eu faço o movimento tudo de novo, eu fico ali 5 se minutos da minha vida que não são nada, mas que dão pro meu cérebro um sossego, um sabe, um desacelerar. E daí o que que acontece? eu me preparo para conseguir depois um pouco mais paraa frente estar apta a ouvir, entende? Então eu desacelero e eu vou aprendendo, sabe? Eu vou aumentando a minha percepção. Eu tô, eu estou simplesmente começando com um exercício bem de tranquilizar meu cérebro. Quando eu faço isso, quando eu estou fazendo essa atenção plena, eu pego os estímulos. Então, ó, luz, som, movimento, tudo eu afasto. Eu estou trazendo para o meu cérebro um momento de descanso. É assim que eu começo a pequena mudança para, sabe, sair desse ciclo de aceleração, sabe? E esse modo, esse automático da vida que eu não preciso dele, mas que eu aprendi que é assim que todo mundo tem que ser, senão eu não tenho valor. Se eu não tiver correndo, trabalhando, ganhando, ganhando mais que o outro, entendeu? Sabendo mais que o outro, eu não tenho valor. E não, isso não é uma verdade absoluta. Muito bom, hein? Então é assim, olha aí, aprendemos uma hoje. Aproveita que é feriado, desacelera, pega seu café, né? Sente a temperatura, sente o cheirinho, sente o sabor. Respira e desacelera, porque, Tati, desacelerar nesse mundo que a gente tem vivido é um pouco desafiador. E quando a gente fala de narcisismo conversacional, você imagina um sequestrador de palavra acelerado, né? Aí acelera tudo mesmo, gente. Olha só que conversa bacana. Quanto entendimento, quanto ensinamento vocês deixaram aqui pra gente. Eu acho que é isso. A informação, ela precisa ser passada adiante. O conhecimento que vocês têm, vocês compartilham com a gente e a gente é super grato de recebê-las porque eh são informações que às vezes a gente conversas que às vezes a gente não tem, né, com amigo ou de repente quer conversar com amigo, ele te sequestra, entendeu? E é que não, a gente tá conversando, estamos ouvindo, estamos aprendendo. E agora eu gostaria que vocês deixassem então por gentileza uma fala, né, para de repente pessoal que tá em casa, a Cri já deixou a dica da xícara, adorei da xícara de café, vamos fazer. E Tati, deixa um um dica, uma fala paraas pessoas que de repente vivem esse momento, que de repente são constrangidas por essa situação ou se sentem frustradas por não serem ouvidas ou depois dessa ação sentem culpa quando cai a chave, fala: "Poxa vida, eu fiz isso de novo, né? Então, como é que a gente deve fazer? O que que é respirar e fazer o que mais?" Uhum. Eu acho que o primeiro ponto, acho que eu gostaria de trazer leveza para isso, no sentido de que tanto para aquela pessoa que não está sendo ouvida, eh, não é porque você não tem valor, é porque aquela pessoa aprendeu a se comunicar daquela maneira. Esse é um ponto. E aquela pessoa que é o sequestrador, que a gente tá conversando aqui com todo tipo, né, de pessoas, né, aquela pessoa que se reconhece ali nesse papel, nesse lugar de sequestrador, calma também. É possível você tambémura, né? A gente espera muito que o que a gente trouxe aqui, né, resso aí dentro de alguma maneira e fala: "Poxa, eu posso melhorar os meus relacionamentos, né? Eu posso ter relacionamentos mais saudáveis, me sentir mais querido, porque é isso, todo mundo vai fugindo dessa pessoa quando ela tem esse comportamento. Mas a o que eu quero deixar aqui é uma mensagem de que é possível reverter tanto do lado daquela pessoa que se sente ali invisível, como aquela pessoa ali que é a a o protagonista ali da fala sempre. É possível reverter, é só a gente [limpando a garganta] ter realmente esse olhar sincero para nós, assertividade quando é o caso da gente comunicar ao outro, né? que o outro tá realmente se comportando de uma maneira não muito agradável. Mas o que eu quero deixar é a mensagem principal é isso, né? Pode reverter. Basta a gente se olhar, olhar o outro com carinho, com empatia, tentar escolher as palavras certas, que a gente pode melhorar cada vez mais os nossos relacionamentos, que é a nossa base da qualidade de vida, do bem-estar. Nós precisamos muito, muito uns dos outros. Maravilhosa, Tati. Obrigada pela sua participação, viu? Adorei. E você, Cris, obrigada também pela participação. Nossa, quanto ensinamento vocês deixaram pra gente. Quanta troca vocês duas maravilhosas demais. A gente nem se conhecia. A gente, mas eu acho que [risadas] agora vai rolar uma amizade aqui. [risadas] Muito bom. Você sabe [risadas] que é isso que você falou é bem interessante. A gente aqui às vezes os profissionais eles se conhecem, né? Se vem pela primeira vez, mas depois seguem uma amizade bem legal. E a gente também além de fazer uma psicoeducação, porque vocês, né, dão o aceite e vem participar com a gente, a gente também proporciona aí relacionamentos, amizades. Isso é bom demais. É isso mesmo. E Rúbia foi muito leve, tá? Eu nunca participei assim, eu não gosto muito de me expor, mas eu achei muito leve. Você é muito gostoso. O seu o a sua dinâmica aqui é bem bem bacana. Ai, que legal. Fico luzongeada, viu? Você não é uma sequestradora de Ai, que bom, [risadas] que bom. Gente, a gente tá brincando sequestrador de fala, mas em algum momento da vida isso pode acontecer e se acontecer tá tudo bem, né? E tá tudo bem e você pode reverter a situação e tá tudo bem também. e a gente segue a vida. Considerações finais, deixa uma mensagem pro nosso público e obrigada pela sua participação. Obrigada você pela oportunidade, gente. É isso. Eh, eu acho assim que a psicologia ela veio para ajudar, entendeu? Ela não veio para criticar, ela não veio para dizer que isso é um problema, ela não veio dizer que você tá dentro de um transtorno. Não é isso. A gente, a psicologia, ela veio para ajudar, encontrar saídas, entende? Tornar a vida mais leve o possível, né? Possível. Então, eh, essa intuito era isso, trazer leveza mesmo, trazer eh, assim uma visão de que, ok, eu posso me começar a me perceber, eu posso querer mudar, isso pode fazer sentido paraa minha vida, pode melhorar a minha vida. E a outra pessoa também, né, que o o sequestrado ele [risadas] ele também entenda, né, que às vezes a pessoa não faz por mal, ela não faz, ela ela simplesmente pode mesmo estar dentro de uma uma ansiedade extrema ou eu não aprendeu, não teve oportunidade de aprender na vida, eh, não teve não desenvolveu essa percepção, essa cognição social. Eh, o problema também eh não tá em um em no outro, está assim, né? O jeito mais bacana da gente fazer a conversa fluir. Então, a gente pode desenvolver isso. É uma habilidade, né? Você não tem, vamos desenvolver. Boa, maravilhosas. Mais uma vez, obrigada pela presença das duas. Agradecemos. Ô, gente, olha só que conversa gostosa, né? Ó, lembrando que tá disponível já no YouTube, no site da TV Câmara Campinas também, a TVÂ TV TVRacampinas, perdão.com.br. BR. No YouTube também você digita lá eh TV Câmara Campinas, daí digita Estúdio Câmara, nosso programa tá lá e todos os outros programas também da TV Câmara Campinas, a gente fica muito feliz que a gente consegue entregar um conteúdo de qualidade, um conteúdo que vem de pessoas que estudaram para falar sobre, né, sobre isso, sobre a saúde mental, sobre comportamento. Isso é muito importante. Você precisa estar atento sobre o conteúdo que você consome. Então, se você consome o conteúdo de qualidade, assim como esse que a gente entrega, pode ter certeza que vai te fazer muito bem. E compartilhar isso também é muito bom, tá? Narcismo conversacional, gente, ele nos mostra como anda a nossa empatia e a nossa necessidade de validação. Então, ao darmos espaço para o outro, a gente pode transformar disputa de ego em acolhimento. De repente, quando você passar por uma situação dessa, tentar colher, as coisas podem virar, dar um giro aí de 180º. Tá bom? Agradecendo mais uma vez as nossas convidadas e quero convidar você para continuar ligadinho aqui na TV Câmara Campinas. Za tá chegando aí, trazendo informações atualizadas para você. A programação da TV Câmara Campinas sempre também é muito bem produzida, com muito carinho por profissionais que fazem isso eh com carinho, com dinamismo para levar até você a melhor informação e entretenimento. E amanhã nós temos Estúdio Câmara de novo. Nós vamos falar sobre um comportamento cada vez mais comum na vida moderna. Vamos falar da atrofia de atenção. O que que é isso, Rúbia? Também não sabia. Fui estudar e amanhã a gente descobre mais. Será que a gente tá perdendo a capacidade de concentração? A gente vai tentar entender o que acontece no nosso cérebro quando a gente tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo, várias tarefas. Ah, cérebro de mulher consegue fazer. Não, não é assim não. Não é isso. É [música] assim, ó. Você tá assistindo TV e tá com o celular. Então, você tá assistindo a televisão, você tá mandando mensagem, você tá dando comida pro filho, você tá querendo fazer tudo de uma vez só, né? E esse uso constante do celular, ele ele afeta a nossa memória, como e a nossa produtividade e o nosso foco. Por que que tantas pessoas relatam cansaço mental, mesmo sem realizar atividades físicas, né, desgastantes? [música] Será que conciliar tarefas com o uso do celular é realmente eficiente, [música] né? A gente consegue fazer tudo de uma vez só. ou nós estamos dividindo nossa atenção e aumentando os erros [música] do nosso dia a dia, lembra? Celular e direção não combinam também. Então é mais ou menos sobre isso que a gente vai falar, tá bom? Então continue com a gente aqui na TV Câ na Campinas. Um grande abraço para você, se cuide, ó. Pega a dica, tá? Do café que a Cris passou pra gente. Vamos fazer junto, [risadas] então tá bom. Beijo grande, fique bem e até amanhã. Ciao [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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