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Estúdio Câmara Você Leva os Problemas do Trabalho para Casa, ou Vice-versa?
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Estúdio Câmara Você Leva os Problemas do Trabalho para Casa, ou Vice-versa?

243 views Publicado semana passada HD · 1:02:16
Resumo editorial

Aborda o dilema de conciliar problemas profissionais com a vida pessoal e seus impactos na saúde mental, relacionamentos e produtividade. Apresenta estratégias para estabelecer limites mais saudáveis entre trabalho e vida pessoal. Recomenda práticas de desconexão e presença para melhorar o bem-estar geral.

Descrição do vídeo

É possível deixar os problemas do trabalho na porta de casa, ou eles atravessam a noite e voltam no dia seguinte com a cabeça cheia? Na edição de segunda-feira, 12 de outubro, do quadro de entrevista e debate da TV Câmara, as psicólogas Tatiane Camargo, especialista em desenvolvimento humano e organizacional, e Tatiane Santos conversam com a doutora em ciências e psicologia Juliana Graço sobre os efeitos de carregar o estresse do trabalho para casa, e vice-versa, na saúde mental, nos relacionamentos e na produtividade.

Transcrição completa do vídeo

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Olá, [música] [música] muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando estúdio Câmara na manhã desta segunda-feira, dia 12 de outubro, feriado, dia das crianças. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Hoje vamos conversar sobre uma situação que muita gente conhece, [música] né? É, o expediente termina, mas a cabeça continua no trabalho. E aí você de casa leva os problemas do trabalho para casa ou no caminho inverso, né, as preocupações de casa também acabam acompanhando você durante o expediente. E aí, quais são os impactos disso para a nossa saúde mental, para os nossos relacionamentos, né, paraa nossa vida profissional? [música] A gente fala hoje sobre serviço e casa, casa e serviço, serviço, trabalho, trabalho, casa. Isso permeia na vida, vamos colocar assim, de 99% das pessoas ou 100%, né? Todo mundo que trabalha tem a sua vida, né, pessoal, e tem problemas que os problemas fazem parte da vida e às vezes você acaba levando o seu problema para o trabalho. Ou então você está trabalhando, não teve um dia legal, aí você não vê a hora de chegar em casa, mas infelizmente você carrega toda aquela energia, aquela carga do trabalho e leva para casa. É meio confuso, né? a gente precisa entender, a equilibrar essa e e como equilibrar essa situação. E hoje nós vamos aprender porque nós temos nossas convidadas aqui. Daqui a pouquinho vamos apresentá-las. Enquanto isso você convida todo mundo para assistir com você o programa de hoje que é muito importante, tá? Agora vamos à previsão do tempo para esta segunda-feira, feriado nacional. Como é que será que fica o tempo aqui na cidade de Campinas? Olha só, nós temos sol com algumas nuvens, pancadas de chuva à tarde e à noite, a mínima 20, máxima 29º. Então, um ótimo dia para você. Aproveite da forma que faça sentido, né, para você e sua família. E vamos lá, vamos nos desconectar. Ó, passou sábado, passou domingo, você tá pensando no trabalho que eu sei, né? [música] Dá uma desconectada, vai fazer bem. Vamos ao nosso tema central, gente. Olha, uma reunião difícil, uma cobrança, um conflito ou uma tarefa pendente pode acompanhar a gente [música] no jantar, no sofá, na cama, né? E às vezes a gente nem consegue dormir. E o movimento também acontece ao contrário, né? Como nós já iniciamos o programa falando, as preocupações pessoais [música] podem atravessar a porta do trabalho e afetar a nossa concentração, o nosso humor e até a nossa produtividade em o mundo conectado o tempo todo. Separar essa vida profissional dessa vida, dessa vida pessoal, será que é possível, né? Isso é um desafio para muitas pessoas. Então, a gente precisa entender sobre isso e se é possível e como a gente deve fazer para separar. Então vamos lá. Para conversar sobre esse tema, a gente recebe a psicóloga Tatiane Camargo. Ela é especialista em desenvolvimento humano e organizacional e executiva de recursos humanos. Seja muito bem-vinda. Muito obrigada pela sua participação e presença. Obrigada, Rúbia. Bom dia. Obrigada pela oportunidade de estar aqui e trocar com vocês. Maravilha. Olha só, hoje nós também temos eh a psicóloga Tatiane Santos, que vai participar com a gente e vai nos orientar de que forma a gente deve manejar essa situação que permeia aí em 100% dos lares. Seja bem-vinda, Tatiane Santos. Bom dia para você. Obrigada, Rúbia. Obrigada pessoal de casa. Obrigada pelo convite. Muito bem. E hoje nós temos três profissionais que vão nos orientar, né? A gente quer dar as boas-vindas à doutora em ciências e psicologia, a Juliana Graço. Seja muito bem-vinda. Bom dia, Juliana. Olá, Rúbia. Olá, Tatiane. Tatiane. Uma alegria estar aqui com vocês, com todos esses eh todas essas pessoas que nos acompanham hoje. E que tema importante, né? muito feliz em poder compartilhar. Feliz estamos nós de saber que nós vamos ser orientados por pessoas que estudaram a saúde mental e que entendem o impacto que de que algo que pra gente parece normal eh não é tão bem não é tão normal assim. E vocês vão nos orientar sobre essa questão do trabalho. Será que a gente consegue deixar o trabalho lá no trabalho? E a casa lá em casa faz parte da gente. Então vamos embora. Vamos tentar entender. Tatiane Santos. Eu vou chamar a as Tatianes pelo nome completo porque assim eu já tô meia confusa porque são duas Tatianes aqui hoje, né? Então a Tatiane Santos e a Tatiane Camargo. Então vamos lá. Vou chamar pelo nome completo, Tatiane Santos. Vamos lá. Pensar no trabalho depois de um expediente é algo normal? Em que momento isso passa a ser um problema, né? Acho que todo mundo pensa no trabalho depois do expediente ou não? É normal sim, tá? Eh, tem alguns pontos de percepção que nós podemos ter, né? Eh, quando isso fica uma obsessão, quando você vai para casa, né, e não consegue se desligar. Isso é um ponto de atenção. Sim. [limpando a garganta] Mas, eh, também depende muito do perfil de cada um, né? Tem pessoas que são extremamente hiperfocadas e nós temos um um aparelho psíquico que não dá para desligar uma chave, né? Não somos robôs, né? Graças a Deus. Eh, não somos robôs que seja uma coisa tão automática assim, tá? Uhum. Muito bem. Então, essa preocupação nós temos sim. O que a gente vai observar em clínica eh como é que isso vai afetar na vida da do da pessoa, né? Exatamente, né? a gente eh tem que entender que nem toda preocupação é sinal de adoecimento, né? Mas existem situações que sim merecem atenção. Então é por isso que a gente precisa eh saber até que ponto é normal a gente se preocupar tanto com o trabalho ou então no trabalho se preocupar com a nossa casa, né? Vamos lá, Tatiane Camargo. Ambiente corporativo. Quais os comportamentos que podem mostrar que o trabalho está ocupando espaço demais na vida da gente, né? Você chega no trabalho, tá trabalhando e aí de repente você vai para casa, tá trabalhando, você vai dormir, você dorme trabalhando, você sonha que tá trabalhando, você continua trabalhando, você não para nunca de trabalhar. Então, eh, tem alguns sinais nos resultados, né, que mostram que às vezes a gente deve tá, a gente está com um comportamento um pouco diferenciado? É, eu acho que é bem importante, Rúbia, que a gente se lembre, né, que somos seres integrais, né? Então, cada vez mais nós vemos que o trabalho vem ocupando um espaço mais significativo na vida das pessoas e existe uma busca muito forte por uma identificação de cada eh sujeito com a atividade que é desempenhada, né? E tá tudo bem num primeiro momento buscar essa identificação, buscar um propósito ou até mesmo gostar daquilo que a gente faz. O que acaba sendo um pouco mais preocupante é quando essa relação acaba se extrapolando, né? e ela acaba eh tomando outros sentidos na nossa vida. Então, de repente, a pessoa ela acaba não olhando tanto paraas relações afetivas, paraas amizades, paraa saúde física, mental, pro relacionamento que ela tem com a família, por exemplo, e o trabalho acaba sendo a única fonte de realização ou de sentido na vida dessa pessoa, né? Então, eh, é isso que acaba chamando mais atenção e despertando um alerta para que a gente comece a cuidar um pouco mais essa relação, ã, e buscar algumas estratégias também para que a gente possa redistribuir essa energia de alguma forma, né, pensando nessa vida de de um aspecto mais integral. Perfeito. Muito bom. Nem sempre os sinais aparecem nos resultados, né? muitas vezes eh eles começam a surgir no nosso comportamento e é aquele distanciamento de repente da família, dos amigos e só o trabalho faz sentido. Agora a gente pergunta pra Dra. Juliana, o que que a ciência já sabe sobre esses efeitos de permanecer mentalmente conectado no trabalho durante o período de descanso? Doutora, eh a ciência traz pra gente o que sobre essa situação que muita gente vive, né? Não consegue desconectar do trabalho e leva o trabalho paraa casa, pra cama, para pr pra janta, pro restaurante, para todo lugar que for. O que que a ciência traz pra gente? Bom, tem alguns pontos que são muito importantes. O primeiro deles é essa questão, né, que a Tatiane falou de sermos seres integrais. Então, existe, eu acho que um certo mito que não é só na área da psicologia, mas às vezes também na área médica, em outras áreas, dessa grande fragmentação, essa ilusão ou essa ideia de fragmentação que dá pra gente olhar para essas questões como se fossem separadas, né? Então, eu tenho uma Juliana do trabalho, eu tenho uma Juliana de casa, eu tenho uma Juliana que exerce um papel de filha, de amiga, e na verdade nós somos um único ser, né? E o que que acontece quando a gente não consegue perceber a necessidade, por exemplo, de descanso, de desligar, toca muito nessa questão da identidade, né, que Tatiana falou de que quando o trabalho se torna a única valor, o único sentido e propósito da vida da pessoa, a gente começa a ter impactos muito grandes. Esses impactos, você falou, né, dos resultados, são os resultados sim, muitas vezes no trabalho, porque o descanso ele é parte imprescindível de tudo que a gente faz, de tudo que a gente quer produzir, descansar, é parte desse processo. Quando a gente não consegue desligar e ter momentos de descanso, a gente produz menos, a gente erra mais, a gente tem relações empobrecidas, porque sem presença a gente não consegue se conectar. Então, o que a gente vê muito é essa questão da presença. Quando eu estou presente no trabalho, eu estou presente no trabalho, não só fisicamente. Meu foco tá ali. Agora, quando eu saio, eu preciso ter mecanismos, né, possibilidades aí, talvez de rituais que me ajudem a fora do trabalho estar presente para aquelas outras atividades, pra família, pro lazer, pra atividade física. É, acho que que acaba, né, pegando um gancho do que a Juliana trouxe, sendo uma relação um pouco paradoxal, porque a a pessoa ela acaba buscando estar sempre conectada, disponível para o trabalho na busca por uma performance superior, mas ao mesmo tempo isso não contribui pro atingimento dessa performance. ele contribu, por outro lado, para um possível esgotamento, para um distanciamento eh da das dos vínculos familiares, por exemplo, é algo que que vem na contramão daquilo que a princípio estaria sendo buscado, né? Excelente. E aí, eh, vem as situações que a gente acha que tem controle, mas a gente não tem controle de nada, né? E aí a gente começa a não entender o que está acontecendo, principalmente nas relações em família, não é, Tatiane? Santo essa Sim, [limpando a garganta] essa autopercepção, ela é imprescindível, né? esse autoconhecimento de vermos esse entorno, né, de da família, eh de de entender os sinais, porque e eu percebo em muitas pessoas que chegam num esgotamento, um burnout, por exemplo, elas nem entendiam o que era, né, essa esse esgotamento. Eh, para elas era normal você trabalhar muito, porque a gente tem uma cultura ainda onde você precisa trabalhar muito e esses convites sutis até dos empregadores de, ah, manda um e-mail, mas é domingo, não tem problema. Isso também fica complicado. Uhum. É verdade. Descansar não é apenas parar de trabalhar, né? A gente tem que lembrar que o nosso cérebro também precisa se recuperar, né? O nosso cérebro ele cansa. Eh, você pensa muito, você depois de um dia inteiro de trabalho, às vezes você acha que eh você tá cansado eh eh fisicamente, mas o seu você está cansado fisicamente porque o teu cérebro tá cansado e deixa seu corpo cansado. E aí a gente, o nosso cérebro precisa descansar. Isso aí já é provado. Tem pesquisas que comprovam isso, que se você não descansar sua cabeça, você vai cair o seu rendimento. Então, a gente precisa descansar. Corpo e mente, gente, tá tudo interligado. Agora, Tatiane Camargo, vamos lá. Home office. Home office, gente, é complicado demais. comunicação por aplicativos, home office, isso acabou com os limites. E quando a gente fala de trabalho, como que a pessoa que trabalha em home office vai descansar a cabeça, o corpo? Eh, é muito importante para quem está atuando nesse modelo de trabalho para que tenha uma disciplina bastante significativa, né, bem bem eh rígida de certa forma para estabelecer esses limites. Então, ter um horário para iniciar e finalizar a jornada, ter um espaço dedicado, né, para essa atuação em home office, da mesma forma que nós nos locomovemos até um escritório, por exemplo, né, ter uma estação de trabalho eh montada e evitar algumas atitudes, como trabalhar da cama, por exemplo. gente às vezes ainda busca, né, trabalhar de pijama, qualquer situação como essa e aí esses limites acabam ficando eh muito fluidos e sendo mais difícil para que a pessoa eh consiga fazer, né, essa relação, né, de que estou eh trabalhando de casa, mas eu não preciso estar o tempo todo disponível e trabalhando em todos os cômodos da minha casa, né? Uhum. É verdade. Porque às vezes, principalmente mulher, né? A mulher, [limpando a garganta] ela aproveita eh os minutos e aí você tá trabalhando em casa, de repente, ah, tem um espacinho ali, você já corre fazer outra coisa. Gente, o trabalho remoto trouxe muitos benefícios, é maravilhoso, mas também novos desafios paraa nossa rotina, o nosso comportamento, né? E o entendimento de que a gente precisa separar o trabalho da casa e a casa do trabalho, mas como a gente separa se nós somos um ser, né? Está tudo interligado. Pois é. Tatiane Santos, algumas pessoas conseguem desligar com facilidade, outras pessoas continuam pensando no trabalho, né? E permeiam. Tem gente que sonha trabalho. Ó, você trabalha, daí você vai para casa pensando no trabalho. Você não conversa com a sua família porque você tá pensando no trabalho, você fica irritado por causa do trabalho, você dorme, não, você apaga, né? Porque daí você é vencido pelo cansaço. Aí você sonha com trabalho, daí você acorda no dia trabalho. Você imagina esse looping, né? O que que acontece? Por que que a gente tem dificuldade, algumas pessoas têm dificuldade de realmente desligar? Eh, quando a [limpando a garganta] gente fala em em ser humano, a gente tá falando de uma de um ser humano integral, né, integrado, mas cada um tem uma característica, né? O que me afeta vai afetar você de uma forma diferente. Então, tem pessoas e aí eu falo que tem pessoas que conseguem ter essa essa questão mais saudável do limite, né? consegue se autorregular melhor. Então, quando ela percebe que ela tá deixando de ir num parque com filho para fazer um projeto do trabalho e esse filho cobra, né, lógico, eh, ela já começa a acender um alerta ali. Tem pessoas que não não conseguem, né, porque ele tem uma autoexigência muito grande, né, e às vezes o a empresa que trabalha também cobra isso, né? Então, acho que eh volta naquela questão dessa autopercepção, do autoconhecimento de, né, eh eh ou ter algum hobbies também é muito importante, né? Não só a terapia, que terapia para todos acho que é extremo extrema importância, né? Principalmente nesse novo mundo de tecnologia, né? Porque eh você desliga do trabalho, mas você está numa rede social onde tudo é muito lindo e você sempre vai se comparar. né? Então tem essa questão egóica também das pessoas aonde eh está no patamar do trabalho, aquilo explode como sendo uma família muito legal, uma um trabalhador muito legal, mas ele se esquece de todo contraponto que isso faz ele adoecer. Então acho que é de de cada ser humano, né, entender um pouquinho isso, como afeta isso e os demais. Eh aspectos, são aspectos emocionais, né? tem eh eh somos temos características características individuais e isso também influencia, né, a relação em casa, relação no trabalho. E a gente precisa aprender a separar algo que às vezes, eu acho que muitas vezes a gente não consegue nem pensa em separar, né? Quem dirá conseguir separar, mas a gente vai entendendo como é que funciona e de repente pode ser que a gente consiga dar uma desligadinha uma vez ou outra, né? Agora, Dra. Juliana, os impactos, né, eh, desse estado permanente de alerta, porque quando a gente fica pensando no trabalho, a gente fica em estado de alerta e isso pode provocar o quê? Na nossa memória, na nossa capacidade de eh tomada de decisão, na nossa atenção, porque ficar em estado de alerta também consome energia nossa. E se você só você pensa no trabalho 24 horas por dia, você tá totalmente no estado de alerta. Qual que é o impacto disso, doutora, paraa nossa saúde física e mental também? Ô, Rúbia, eu vou fazer o seguinte. Eu vou trazer isso que você falou de alerta e vou trazer para o que a gente costuma ouvir, que é o estresse. Uhum. Então, eu tô estressado. Quando eu tô estressado, eu tô em estado de alerta. o sistema nervoso fica em estado de alerta, porque é como se a gente tivesse o tempo inteiro sob ameaça. Uhum. Quando a gente tá o tempo inteiro sob ameaça, isso é um mecanismo que bom que ele foi assim e é o que propiciou a nossa espécie, né? continuar até hoje, porque para um homem das cavernas, uma mulher das cavernas, sair e saber, né, se isso é perigo, se isso é seguro, eh, fez com que a gente avançasse, evoluísse. Só que o que acontece é o seguinte, hoje a gente vive num estado, muita maioria das pessoas, de um alerto intensos, de um estress. Uhum. O est é ruim? O stress é uma resposta do organismo. Então, quando a gente tem uma situação efetiva, né, concreta ou um pensamento, o nosso corpo responde para fuga, luta, né, ou até um congelamento para lidar com aquela situação. Quando a gente fica num estresse planificado, a gente chega num momento em que a nossa memória já não funciona tão bem, a gente não consegue focar, a gente tem sintomas físicos dos mais variados, né? Eu digo que aquela pessoa que começa a perceber infecções de repetição, tá assim, eu sempre gripa, sempre tenho dor de garganta, poxa, mas não tem nada entre aspas, né, que faça, tô comendo bem, enfim, tenha uma vida saudável. Então, quando a gente vive nesse alerta que você falou, que é esse stress cronificado, a gente deixa o nosso corpo sobrecarregado. E o que eu digo sempre é que estamos no mundo, temos demandas, eh, o estress ele acontece, a gente tem picos, tem momentos da nossa vida que a gente precisa se dedicar muito, eventualmente fica mais preocupado, tem, né, o trabalho, alguma situação tá mais impactante na nossa vida. O grande problema é quando a gente fica no pico do stress e aí sim a gente chega então muito, né, possivelmente a um burnout que gera afastamentos. Então veja que é esse cuidado grande que a gente precisa ter de perceber o que é que está acontecendo na minha mente, na minha emoção, que comportamentos e sintomas isso traz e como é que eu posso intencionalmente fazer ajustes. Uhum. Exatamente. Esse excesso de sobrecarga, né, emocional, porque você leva o trabalho para casa, daí você não dá conta das situações de casa, daí você também não dá conta das situações do trabalho, você fica sobrecarregada emocionalmente. Isso vai afetar suas funções cognitivas, vai afetar sua saúde e aí você vai entrar em um looping e vai precisar parar, dar um passo atrás e ver onde é que você tá errando e de repente precisa de uma ajuda terapêutica para poder uma terapia para poder reorganizar todo esse sistema, né, Tatiane Camargo? Sim. Eh, e por vezes, né, Rúbia, o nosso organismo ele vai dando esses sinais, né, de que esse nível de estress um pouco eh excessivo, né, e isso se manifesta de diferentes formas. às vezes algum distúrbio do sono, a pessoa começa a ficar muito irritadiça ou ter insônia com muita frequência, por exemplo. Então, esses sinais eles vão chegando e por vezes a gente não se dá conta ao que isso está relacionado, né? E às vezes o nosso corpo nos para, né? Então, vem um adoecimento mais significativo, vem um quadro de esgotamento que é mais crítico e aí acaba sendo também mais difícil pra própria pessoa conseguir elaborar tudo isso que aconteceu, né? Gera aquele sentimento de não dar conta, né? Não fui capaz, né? Quando não é isso, né? Talvez essa carga de trabalho ou essa essa expectativa gerada em relação ao trabalho, ela estava excessiva. Aquilo não seria saudável, não seria possível de atingir, né? Então, por isso que é importante, né, a gente sempre buscar esse autoconhecimento, buscar se regular, prestar atenção nesses indícios, né, uma irritabilidade excessiva ou eventualmente, né, quando a pessoa chega em casa e realmente ela não consegue falar de outro tema que não o trabalho, não consegue se dedicar a outras atividades, né, que não relacionadas ao trabalho também, isso já vai eh ligando um alerta, né, e já traz alguns sinais que a gente pode direcionarm. antes de um possível colapso acontecer. Muito bem. E por que que a gente fala disso? Hoje é um dia propício, né? Porque hoje é feriado, tem muita gente em casa, tem muita gente assistindo a gente também e tem muita gente que parou para pensar aí e fala: "Poxa vida, eu acho que eu vou me desconectar", né? É importante, sabe? Por quê? a gente vive num mundo tecnológico tão bom, porque isso é bom, porque a gente tá evoluindo, a evolução é maravilhosa. Só que nós somos inseridos nesse mundo. Eu costumo falar, eh, esse mundo ele ele veio para nós de uma forma que nós não tivemos tempo de adaptação e também nem de tempo de aprendizado. Então, a tecnologia ela vem e enquanto a hora que você tá aprendendo alguma coisa já aquilo que você aprendeu já não vale mais e e vem outra. E que bom que é assim. Só que isso também está causando impacto no nosso dia a dia, no nosso comportamento, na nossa forma de ver o mundo. Inclusive quando a gente fala de trabalho, porque a gente acha que nós precisamos performar o tempo todo. Você tem que entregar o tempo todo, você tem que ser melhor o tempo todo, você precisa estar em destaque o tempo todo. Quando é que a gente perdeu a mão, hein, Tatiane Santos? Quando é que a gente perdeu a mão de que nós somos humanos, de que nós precisamos descansar? Exatamente. Eu acho que com a essa globalização da tecnologia, a gente entra num grande aquário. Sim. Todo mundo tem esse aquário interno e tem o aquário externo. Então, eh, é muito difícil hoje, né? Eh, hoje em dia você conversar com uma pessoa que não se compare com uma outra pessoa. Hum. seja em rede social, né, ou no trabalho, enfim, eu acho que isso tem um impacto muito grande até para você enxergar sua limitação. Exato. As limitações são muito importantes, né? Aquela mãe que trabalha muito e ela precisa estar perfeita o tempo todo, não, não precisa, né? Às vezes não dá tempo de fazer um um cabelo ou uma unha, mas é, aquilo não descaracteriza quem ela é, aquilo não tira o traço dela de ser uma ótima. muitas vezes eh eh tá dentro de um escritório, ser uma ótima profissional, mas tem algumas outras limitações, né? Eu acho que é essa percepção que tá cada vez mais difícil até da gente eh entender qual é essa limitação que a gente tem. Isso vai dando contorno. Uhum. E vai nos fazendo, não, pera aí, isso é meu limite, né? Não vamos entrar tanto nesses cantos da sereia, né? Das tecnologias. Verdade. [risadas] É. E e complementando, né, Tátia, acho que um ponto que é bem [limpando a garganta] importante a gente lembrar que com o advento das redes sociais e da tecnologia, o que a gente percebe é um fragmento da vida das pessoas, porque no geral o que vai ser compartilhado são os melhores momentos, né? Então acaba sendo também injusto, né, para um profissional que de repente teve um dia ruim ou uma mãe que tá sobrecarregada em casa, se comparar com um pequeno traço, uma pequeno registro que foi eh postado, enfim, e ter aquilo como se aquela fosse a referência de vida, de sucesso do outro. Exatamente. Agora eu pergunto paraa doutora, essa esse advento da internet, essa tecnologia, esse mundo tão corrido, todo mundo correndo, todo mundo entregando, todo mundo performando, qual que é o impacto disso? Como que a ciência eh eh trabalha, doutora, eh nessa nessa visão e o que que ela pode trazer pra gente? A gente perdeu a mão, a gente tá se comportando de forma errônea, nós precisamos aprender mais o que que nós devemos fazer pra gente poder conciliar a a nossa vida com tudo isso que tá acontecendo à nossa volta. São inúmeras ferramentas, oportunidades, possibilidades. É a gente conversando com inteligência artificial, é a gente trabalhando com isso, é pessoas se aperfeiçoando, tentando estudar a tecnologia. E a gente tá correndo, né, correndo não sei para onde e aí a gente tá esquecendo que a gente é humano, que a gente precisa descansar e que tá tudo bem, né, e que a gente precisa respirar. Então, doutora, a ciência traz o que pra gente nesse tema de hoje? Eh, aliado a todo esse esse movimento que a tecnologia trouxe nas nossas vidas. Rúbia, você trouxe tantas questões importantes na sua pergunta. Eu vou tentar trazer, [risadas] né, eh, alguns pontos, porque, eh, eu acho que cada um desses pontos você falou sobre aprender mais e a fear of missing out, que é essa coisa de, né, medo de perder qualquer coisa. Estamos correndo para onde? Acho que cada uma dessas partes da pergunta deve um programa. Mas eh primeira coisa, quando você diz, né, a gente precisa aprender mais, não sei se é uma questão de aprender ou de viver mais aquilo que a gente aprende, né? Porque justamente é tanta hoje a gente tem acesso à informação, eu não vou saber exatamente aqui qual que é a data, né? Mas eh tem uma pesquisa que mostrou que o que a gente tem acesso hoje em um dia, que já deve ser menos do que um dia, deve ser meio dia, pessoas há 100 anos atrás não tinham isso durante esse nível de informação durante a vida inteira. Então a gente tá enchendo o nosso cérebro, nossa memória, eh sendo estimulado o tempo inteiro com coisas que na verdade estão distraindo a gente de viver. Uhum. Esse é um ponto importantíssimo. Então, a primeira coisa sobre aprender mais, eu acho que é [risadas] voltar talvez um pouquinho para aqueles momentos, né, que eu via muito no interior, sabe? O pessoal colocava uma cadeirinha ali para fora no final do dia, conversava olhando um pro outro. Então, em relação ao aprender mais, eu acho que pode ser um dos pontos aí que gera muita ansiedade hoje. É, eu tenho que saber tudo, eu tenho que estar em a par de tudo, tenho que participar de tudo e isso gera muita, muita ansiedade. Uhum. O que eu conecto com a inteligência artificial que você trouxe, né? Então, a inteligência artificial é um caminho sem volta. Eu acho que todos precisamos minimamente ter ideia, né, de como eh usar de pais com facilitadores mesmo. De novo, eh a gente colocar inteligência arencial e os colegas já devem ter visto também, né, como as pesquisas estão mostrando pessoas fazendo, acreditando que estão fazendo terapia com inteligência artificial. E a gente sabe que a inteligência artificial só eh concorda, ela quer agradar. A e o que é a terapia, senão também no lugar de conexão autêntica que a gente não consegue ter comoar? Então um dia eu me fiz essa pergunta, sabe, Rúbia? Fiquei pensando, né? Eh, a gente tá correndo tanto, as pessoas estão correndo tanto e a gente precisa ter cuidado para não correr, né, para um lugar aí de adoecimento, para não achar que tá atrasado em alguma coisa. Na verdade, o que a gente precisa é est conectado com o hoje, olhar no olho hoje, ampliar conversas, principalmente em famílias, com os adolescentes. Então, claramente, eh, o nível de demanda e estímulo que a gente tem hoje tá levando a um do importante psíquico, e a gente precisa cuidar disso. Uau! É, gente, é muita demanda, né? e a gente quer dar conta de tudo. Então, nós estamos aqui trabalhando hoje eh no tema trabalho em casa e casa no trabalho. Muito bom. Então, [suspirando] nós falamos agora, né, nessa primeira meia-ora sobre o trabalho em casa, quando a gente leva o trabalho para casa e a gente não consegue desconectar. Agora nós vamos fazer ao contrário, Tatiane Camargo, quando acontece o contrário, como que os problemas pessoais eles costumam aparecer dentro das organizações? Como é visto eh essa transferência do problema de casa para o trabalho? Uhum. Eh, eu acho que retomando o que nós falamos mais cedo, né, pensando que somos seres integrais, é difícil também que as pessoas se desliguem automaticamente. É impossível que isso aconteça, né, na medida em que ela chega, né, para iniciar uma jornada ou bater o ponto e esqueça completamente das questões que estão acontecendo em casa, né? Então, por exemplo, se existe uma preocupação com com uma doença de um familiar ou um conflito que esteja vigente ou mesmo uma preocupação financeira, né, por parte do profissional, é natural que isso acabe eh deslocando a atenção dele, que em tese, né, estaria sendo ali dedicada ao trabalho, para essas outras questões. Isso pode se traduzir em uma queda na performance ou talvez eh a pessoa está um pouco mais eh desatenta em relação às demandas que existem, né? E eu sugiro, né? Acho que é bem importante, claro, que dentro do ambiente de segurança psicológica que existe nas empresas, nas organizações, que essas questões que são mais graves, elas sejam compartilhadas com a liderança, né? Então, no sentido de trazer um pouco, olha, estou lidando com uma preocupação, com uma questão séria em casa, eh, preciso de ajuda ou alinhar um pouco dessas expectativas nesse momento, porque no fim das contas todos somos humanos, né? Não tem como eventualmente a pessoa se desligar totalmente de uma questão mais grave, né? eh e não transferir isso de imediato para o trabalho. Então, havendo esse espaço seguro, havendo uma abertura com a liderança, né, eu acho que é bem importante que seja eh compartilhado essa preocupação e essa questão, porque eventualmente mesmo eh em posições mais operacionais, por exemplo, num num dia a dia de uma fábrica, isso pode se traduzir em outros riscos, né? Então, se o trabalhador ele está desatento, ele pode vir a se acidentar, né? por uma questão estar a ao trabalho, né? Então, acho que é importante a gente ir sentindo, percebendo também e dentro do possível compartilhar essas questões. É isso mesmo, porque ninguém deixa de ser filho, ninguém deixa de ser pai, ninguém deixa de ser mãe, [limpando a garganta] ninguém deixa de ser parceiro, ninguém deixa de ter os problemas quando a gente entra no ambiente de trabalho, né? Mas e aí, como que a gente faz? Vamos, vamos fazer um comparativo aqui. Eh, as mulheres, né, as mulheres, se você for parar para analisar, são as que mais levam o problema de casa para o trabalho. Tatiane Santos, vamos pensar que que mulher eh eh tem uma questão emocional muito maior, né, do que os homens, né? Isso é uma uma questão aí para nós pensarmos, né? Então, a mulher ela carrega essa questão de emocional muito mais eh pungente, né? Então assim, eh, não tô dizendo que homens também não tenham, tem alguns homens um pouco mais sensíveis, mas no geral, eh, como é que você vai sair da sua casa, você deixa seu filho com febre e você, como falavam antigamente, passa a mão na pedra, entra na empresa, não pensa mais nisso, não tem como. Isso se funde, né? É óbvio que assim, eu acho que eh essa autopercepção de tá tudo bem, deixa eu me autorregular, porque tem algumas coisas que eu não tenho controle. Uhum. Né? Eh, ele tá medicado, ele tá com alguém, enfim, né? E aí eu preciso me tentar me focar um pouco mais aqui. Isso não é algo eh tão controlável, mas a gente vai tentando, né? E aí com uma política boa da empresa, né? dependendo da empresa, tem uma política muito boa. Eu acho que desabafo às vezes é muito importante dentro da empresa, óbvio, bem direcionado, né? Eh, isso faz com que você traga e você se ouça, que é isso que a gente faz em consultório, né? Terapia é você se ouvir. Então, quando você se ouve, você também presta atenção naquilo, né? Também é uma é uma forma da gente pensar nessas essas diferenciações. Uhum. Eh, eu acho que é bem importante também, Tati, a gente considerar que quando a mulher ela acaba assumindo toda a responsabilidade pelo cuidado, né, eventualmente tem alguém que está descuidando de algumas frentes, né? Então, dentro da realidade de cada um, sempre que possível, é importante também que as responsabilidades do lar sejam compartilhadas, né, em termos do cuidado com os filhos, o cuidado muitas vezes com os pais também, que acaba sendo um uma carga assumida muitas vezes pela mulher, mas é importante que a gente eh tenha um olhar não naturalizando essa sobrecarga, né? É possível dividir ali as responsabilidades também. Eh, o estress acumulado no trabalho, ele costuma afetar os relacionamentos familiares e sociais. E o strress de casa também vai afetar a relação no trabalho. Mas e agora, né, como que a gente faz? Eh, muitas vezes quem convive com a a pessoa que que tá sentindo esse estress de casa, sente os efeitos antes mesmo dessa pessoa perceber. Doutora, eu gostaria que a doutora trouxesse pra gente o panorama de pessoas, né, como nós estamos eh eh falando aqui, que vivem em um ambiente estressante em casa, né, e acabam levando esse estress para o trabalho. Eh, qual que é o impacto que isso traz na questão corporativa? E esse estress acumulado vai afetar essa essa esse profissional? Como que a gente faz para poder lidar com isso? Rúbia, é uma questão importante porque eh eh o que já foi falado, né? Somos todos humanos, temos nossa família, temos questões que acontecem na nossa vida. Eu tenho um trabalho, né, corporativo com treinamentos, com orientação, consultoria e muitas vezes essa é uma dúvida que o gestor traz, né? Porque ele fala: "Olha, eu tenho uma pessoa que tá fazendo bem o trabalho, mas claramente tá passando por um momento difícil. Até onde eu posso ir, né? O que que eu posso fazer?" Então, a primeira coisa é caso a empresa tenha e hoje precisa ter, né? a gente tem a N1 aí que traz uma série de critérios que a empresa precisa cumprir para poder ter uma atenção ao trabalhador, olhando se os processos de trabalho são eh saudáveis, se há apoio. Então veja que o apoio social, né, o olhar da empresa também para essas questões, não como responsável, mas como alguém que pode, frente a um desafio que um funcionário tenha, eh, ter um entendimento, ter uma maior tolerância a determinadas coisas e ter um espaço de segurança, de vínculo. Afinal, a gente passa grande parte do nosso da nossa vida, né, muitas vezes muito mais no trabalho. Então, claro que gera impactos. Mas para além de qualquer coisa, para além de qualquer função que a gente exerça, somos humanos. E quando a gente tem gestores e empresas com esse olhar humano, com certeza a gente consegue não só contribuir para aquele momento difícil que aquele funcionário tá passando, mas também gerar vínculos e possibilidades de que quando acontecer, pode acontecer com qualquer um, a gente tem ali na empresa uma rede também que se apoia e sabe, né, as pessoas sabem que elas podem contar. Então é esse essa esse ampliar de visão, né, de uma conexão, de uma vinculação que possibilite que as pessoas possam dar conta e e gerenciar ali as suas questões pessoais. E já aconteceu de outros, né, ser chamada em uma empresa de ter uma questão que, poxa, será que é sobrecarga do trabalho? Depois de uma investigação, a gente entendeu que era um problema pessoal, mas naquele momento a pessoa ainda não tinha tido coragem, né? não tinha trazido a questão e depois que a questão foi colocada, foi possível então apoiá-la de forma que ela pudesse da endereçar a questão pessoal e, né, seguir ali na sua função dentro do possível com o apoio do gestor. Excelente. Agora, e essas questões de de problemas em casa e a gente levar para o trabalho é algo assim bem desafiador para as pessoas que não se sentem à vontade em demonstrar a sua vulnerabilidade, né, Tatiane Santos? Porque assim, acontece alguma coisa na sua casa, você tá sem cabeça para trabalhar, mas daí você procura guardar na caixinha, né? E aí você, vamos lá, sua mulher, mulher maravilha e vou voar. Estou trabalhando, tá tudo bem? Eu só pergunto para você, tá tudo bem? Você tá explodindo, tá morrendo vontade de chorar, desabafar, né? Alguém para me ouvir? Aí fala: "Não, tá tudo bem, tá maravilhoso". E aí vem demanda, vem demanda, vem demanda. Você começa a, de repente diminuir a a sua a sua eh eh não rende mais, né? No no no trabalho. Tá tudo bem? Sim, tá tudo bem. E isso vai passando e a pessoa vai saturando, porque a gente vai guardando, vai guardando uma hora você vai transbordar. Qual que é o problema que nós temos aqui em pessoas que não tem a a eh, como é que eu vou te falar? Ela elas não gostam de mostrar a sua vulnerabilidade. Eu vou chegar no trabalho, vou falar que eu tenho problema em casa. Poxa vida, não posso fazer isso. Eu tenho que engolir. Tenho, tem bastante. Eu acho que é muito cultural. Eu acho que essa essa coisa da saúde no trabalho, ela tá vindo em frentes, em ondas, mas ainda não está, né? A gente ainda tem um cenário ainda a a a construir, né? Eh, eu acho que é muito cultural essa coisa de não, eu não posso levar pro trabalho porque o meu trabalho vai ser prejudicado e eu vou ser desligado ou desligado, né? acontece com homens também. Uhum. Eh, essa coisa de da vulnerabilidade também é algo não trabalhado, nem sociedade, eu vejo muito, né? A gente precisa dar conta de tudo e quando você vê, você tá no banheiro da, como eu já vi quando eu trabalhava em RH, do banheiro chorando. Sim, né? E às vezes nem é um problema tão grande assim, né? mas não tem aquela tem esse receio. Então, quanto mais políticas dentro da empresa, eu acredito que faça esse acolhimento, a gente precisa de acolhimento hoje, né? Muitas vezes não precisa nem de um curso de de desenvolvimento de aula, mas só de você ter esse acolhimento, a pessoa consegue, porque ela vai escoar de alguma forma. Todo o estresse vai escoar de alguma forma. É, e acho que um ponto importante é que o primeiro acolhimento tem que vir da gente mesmo, né? Então, nós nos reconhecermos como seres vulneráveis, mesmo que eu não queira me abrir para toda e qualquer pessoa ou expor essa vulnerabilidade num ambiente de trabalho, mas eu preciso prover esse acolhimento para mim, reconhecer as minhas limitações, né? Buscar alguém que com quem eu me sinta confortável para falar a respeito das questões que estão acontecendo e direcionar isso de alguma forma. Mas é importante que a gente tenha esse olhar mais doce, mais suave com a gente mesmo. É, é importante e pensar nisso também, Tati. Eu acho extremamente importante, mas eu percebo também a dureza de cada um. Uhum. A gente cresce ouvindo o quê? Você tem que ser forte, né? Falar e eh ir para uma terapia é uma coisa para louco. Principalmente psiquiatra, imagina, né? tomar um remédio, não. E a gente vê que isso é tudo uma rede de apoio, né? Então eu acho que eh essa desconstrução, ela vai vindo aos poucos, mas também assim eh esse acolhimento consigo ele é muito essencial, ele é muito importante, mas também como é que a gente vai começar a fomentar isso nas pessoas, né? Eh, se elas mesmos são tão duras consigo mesmas. E e um outro ponto, né, Tati, que me ocorreu agora, é que tem um dado da previdência social, que no ano passado nós tivemos mais de 546.000 trabalhadores afastados do trabalho por questões relacionadas à saúde mental. Então, por vezes a gente acha, né, que todo mundo é forte, tá tudo bem, só eu tenho essa questão, mas não é a realidade. Excelente. É verdade. É importante a gente parar para analisar. Eh, e agora eu chamo a doutora paraa conversa também a situação, né? Imagina uma pessoa que tem problema em casa e aí tem problema no trabalho, como é que essa pessoa vai sobreviver? Como que é o desgastante o dia a dia dessa pessoa? Então, e aí ela não fala, ela não fala em casa que ela tem problema no trabalho. E ela não fala no trabalho que ela tem problema em casa. E essa pessoa ela vai transbordar. Daqui a pouco ela é diagnosticada com burnout. Mas aí em casa vão falar: "Nossa, mas ela não demonstrava nada". E aí no trabalho, mas Bornout da onde? Se tava tudo bem, doutora, explica pra gente [risadas] essa confusão que a gente acaba fazendo em querer mostrar para todos que somos fortes o tempo todo e que está tudo bem. Você te ouvindo, né, Rúbia? Fiquei pensando no tamanho do sofrimento e da solidão. Uhum. Né? De porque aí você tá falando de uma situação muito difícil de alguém que não tem ou não percebe que tem, né? ou não eh consegue se abrir em casa porque tem questões ali para ser resolvidas e também não sente que no trabalho. E aqui de novo, talvez ou realmente não tem ou a pessoa tem essa crença, né, de que ser vulnerável é ser fraco, pedir ajuda é fraqueza. E essas são crenças que a depois da pandemia, durante a pandemia, ainda bem, né? Se tem algo de bom para falar daquele período tão sombrio e tão tão triste, é que a saúde mental, o buscar ajuda parou, diminuiu um pouco esse tapu, né, de que não, quem procura psicólogo, quem vai no psiquiatra, eh, são pessoas que necessariamente têm problemas ou, enfim, todo esse estigma, né? Então o sofrimento psíquico é muito grande. Não é à toa que a gente tem estudos aí, cab é um uma referência nessa área em que pessoas que tendem, né, tem uma personalidade aí de querer agradar, de ter dificuldade de falar não, de não expressar o que sente, são as pessoas dentro, né, dessa linha de estudo dele, que acabam tendo doenças muito graves, muito difíceis, porque é como se o corpo ele fosse aguentando de todos os lados nessa solidão, nesse sofrimento. intenso, sem ter para onde sair, sem ter com quem falar, sem ter alguém para te ouvir. E todos nós precisamos nos sentir vistos, reconhecidos, acolhidos. Então, uma situação muito difícil, mas que se alguém tiver, né, se sentir, tiver assistindo a gente, se ver nessa situação, procure um apoio psicológico, uma psicoterapia, porque é um espaço em que um profissional vai est ali disposto, aberto a te ouvir e com conhecimento para poder te orientar, te direcionar a como vivenciar essa situação tão difícil, de forma que ela seja um pouco menos difícil e dolorida. Ah, é verdade. Vocês sempre nos orientam, né? Eu vou falar, eu sou suspeita a [risadas] falar, mas eu adoro terapia, porque eu tenho a minha psicóloga, eu faço terapia, eu converso com ela uma vez por semana e assim são detalhezinhos pequenos e que ela orienta, né, Rúbia, você pode ir por aqui, que que você acha? Faz sentido para você? Aí você amplia a sua visão, você fala: "Nossa, né, eu posso ir por aqui". Então, é maravilhoso. E quando a gente fala e dessa questão do tema de hoje, trabalho, casa, casa, trabalho, eh faz lembrar e não tem como não falar da questão da da eh NR1, né? e que ela vem para, eu acho que dar um pouco mais de conforto e mais apoio, principalmente para essas pessoas, né, que acabam levando o trabal o problema de casa pro trabalho, do trabalho para casa. Isso é algo que precisa ser manejado com muito cuidado, né, Tati? Porque causa um impacto muito grande na gente, sem dúvidas. Eh, e a NR1, NR1, ela traz, né, a um pouco mais da responsabilidade das organizações em fazer esse mapeamento dos riscos psicossociais, né, que estão postos. Eh, por vezes a gente tem a impressão de que é algo muito complexo, [limpando a garganta] né, mas a gente tá falando sobre o relacionamento no ambiente de trabalho, sobre o apoio recebido por parte da liderança, eh, sobre a questão de excesso de demandas, por exemplo, né? E como que a gente traduz isso na no dia a dia das organizações em políticas que abordem também a questão da saúde mental, né? Então, qual é a conduta que eu vou ter caso eu passe a receber, né, eh, um excesso de atestados com um sid relacionado a alguma questão de saúde mental, quais vão ser os canais que a empresa vai disponibilizar, né, para poder acolher e direcionar esses colaboradores? É claro que não tudo que possa surgir vai estar relacionado ao trabalho, né? Mas como que a gente vai direcionando essas ações e ampliando esse cuidado e essa percepção de que esse é um tema que faz parte da nossa vida, né? É verdade. Como vocês colocaram, depois da pandemia, eh muitas coisas mudaram, principalmente e o interesse, né? E o cuidado com a saúde mental. E é importante a gente cuidar da nossa saúde mental, mas entender que a gente também tem um limite, né, Tati? Como é que a gente faz para estabelecer limite eh nesse tema do nosso programa de hoje? Como é que nós vamos estabelecer um limite? A gente consegue estabelecer um limite quando a gente relaciona casa e trabalho? É, eh, é muito complicado quando nós falamos em limite, né? O que é limite para você, para mim não é. Exato. Esse contorno cada um vai precisar entender dentro da sua esfera, né? Eh, eu acho importante a gente pensar nisso, né? A Juliana trouxe uma coisa muito muito legal que é assim, eh, essa essa essa coisa das pessoas quererem agradar. Uhum. Sabe? Quererem fazer muito pelo outro. É muito cultural isso, não é? De repente demais. Isso é sinônimo muitas vezes de bondade e não é porque você vê um indivíduo sofrendo, né, e o outro não tá ali olhando dentro de si, né? Então acho que essa questão do limite eh é muito auto é muito é muito do seu autoconhecimento para você entender, porque também a a há flexibilidades. Às vezes você vai falar um sim, você pode falar um sim ou não, né? depende muito da situação, mas essa questão de limite é muito do autoconhecimento de cada um, mas precisa. Limite salva pessoas, olha só, salva. Então, e aí a gente precisa do autoconhecimento pra gente impor limites, né? Seja no trabalho, seja em casa e tentar eh segurar a onda, né? Mas é desafiador, gente. Olha, vou te contar, Dra. Juliana, limites, eh, até que ponto, né, é importante a gente colocar limites, principalmente quando a gente fala aí de levar o problema de casa para o trabalho. É algo que incomoda e que de repente você não consegue desconectar de casa, porque se a gente parar para analisar, como é que você vai desconectar de uma situação que tá acontecendo na sua casa? E aí existe um um limite para isso. A gente precisa se eh se cuidar para que isso não venha a interferir no nosso trabalho mesmo? Ou a dica que vocês deixam é chegar, se abrir com alguém que que esteja disponível para te ouvir e de repente conseguir fazer um manejo para poder resolver o problema de casa e depois voltar pro trabalho com a cabeça mais fresca. Será que isso é possível? Rúbia, tem uma coisa interessante nisso que eu se, né, do que a gente vem dizendo, né, de ter uma uma referência de segurança um gestor que você possa, né, dizer o que tá acontecendo para poder até receber apoio nesse sentido, mas eh não falar também comunica. Então, muitas vezes a pessoa pensa assim: "Eu não vou falar, eu não vou me abrir, né? Eu não quero que de repente alguém pense alguma coisa sobre mim, que eu sou fraco, fraca, que eu não dou conta." Só que a gente se comunica sem falar. É verdade. Então acho que esse é um primeiro ponto. A possibilidade de um espaço seguro, de uma vinculação com um gestor, com RH para poder falar, potencializa, porque não existe o botão liga desliga, nem de um lado, nem pro outro, né? Agora, quando a gente fala de problemas, eh, de levar problemas, então, de casa pro trabalho, eu acho que esse é um direcionamento importante, né? E por isso que as empresas têm que também estar preparadas. Afinal, os funcionários são humanos e assim como eu, assim como você tem problemas e podem ter momentos aí de maior demanda e que a empresa precise cuidar, mas eu diria, né, eu acho que tem algumas coisas que a gente pode fazer quando é o contrário. Quando a gente fala, por exemplo, de levar trabalho para casa, tem uma coisa que acontece com o nosso cérebro, que é o seguinte: quando a gente deixa tarefas ou pendências em aberto, é como se fica um looping de eu preciso fazer isso, eu preciso fazer isso. Então eu queria deixar uma possibilidade aqui de, eu brinco que é quase que uma técnica do descarrego. [risadas] Então assim, tem muita coisa acontecendo. Tô para sair do trabalho, 10 minutinhos, anota, lista o que que precisa. Olha, tenho que chegar amanhã, tenho que fazer isso, mandar esse e-mail, fazer tal coisa. Porque é uma forma de o cérebro entender que ela ela sabe o que tem que fazer. Eu não preciso ficar com isso o tempo inteiro, né, na cabeça. Uma outra coisa, silenciar a notificação. Todas as oportunidades que eu tenho em qualquer espaço, eh, eu oriento, silencie notificações de celular, porque isso tira a gente do foco, tira a gente, distrai, né? Eu falo que é um poço sem fundo, você cai ali no celular e e você não sai nunca mais. E ter momentos de desconexão, olhar, caminhar 15 minutos. ler um livro que não tenha nada a ver com o trabalho, né? Então, algumas coisas que você possa criar rituais para gerar esses limites, né? Porque às vezes limite para os outros a gente até tem uma certa facilidade de dar, mas a gente mesmo olhar pros nossos limites e se colocar algumas questões para o nosso cuidado, às vezes é muito mais difícil. Desafiador. Exatamente. Bom, trabalho em casa, caso no trabalho, né? Será que tem limites entre a vida pessoal, a vida profissional e como é que a gente deve fazer hoje? Eu acho que nós iniciamos aí um uma conversa que abriu um caminho, mas a gente precisa seguir. A gente precisa de mais informação, a gente precisa de mais direcionamento para poder tentar manejar essa questão de casa, trabalho, trabalho e casa. E sempre vai existir essa conexão. Nós somos seres humanos e nós vivemos, né, em torno disso, casa, trabalho, trabalho e casa e problema em ambos os lados. E a gente vai ter que aprender. Para aprender, a gente precisa do quê? Autoconhecimento. E a gente vai trabalhando por aqui, vai trazendo os eh convidados que vão nos orientando e quem sabe de repente virando a chave para você buscar uma terapia, para você ter aí a oportunidade de aprender, começar a aprender sobre você mesmo, o autoconhecimento. E aí sim você vai conseguir impor o limite para você, né? É como a doutora colocou pra gente, impor o limite pro outro, de repente pode ser entre aspas mais fácil. Agora você impor o limite para você mesmo, se olhar falar: "Opa, você para por aqui, hoje deu aí é desafiador." Então eu quero agradecer demais a participação de vocês, pela orientação, pela troca de conhecimento, né, entre as três. Foi maravilhoso. Então, a gente começa pela Tatiane Camargo. Tá vendo só? Coloquei o cerebrinho para funcionar. [risadas] Essa aqui é Camarga, essa aqui é Santos. E é isso, deu certo. Você viu? Elas falaram assim: "Vamos pelo sobrenome, vamos pelo sobrenome, então tá bom. Tatiane Camargo, obrigada pela sua participação, gratidão por estar com a gente e por nos orientar em um tema do cotidiano, mas que a gente percebeu que é meio confuso e que a gente precisa ter o autoconhecimento pra gente poder manejar. Obrigada, gratidão. Eu que agradeço a oportunidade, Rúbia. Foi uma delícia essa manhã com vocês. Maravilhosa. Tatiane Santos, olha aí, muito obrigada pela sua participação, presença e compartilhamento de informações. [música] Vocês eh nos orientam todas as manhãs e isso é magnífico pra gente. Muito obrigada, mis eu que agradeço a todos. [música] Eh, informação é poder. Uhum. Isso é muito importante. Exatamente. É isso, gente. Agradecemos também a doutora Juliana por estar com a gente. Muito obrigada, doutora, por compartilhar conhecimentos, nos orientar, estar conosco aí nessa jornada, né, de uma psicoeducação que a gente traz aqui no programa. Isso graças a vocês que se dispõem para vir tão cedinho para cá para poder nos orientar. Isso é maravilhoso. Obrigada, doutora. Eu que agradeço, Rúb a oportunidade que a gente possa então hoje, né, com o seu convite, desconectar e ter mais presença aí nesse nessa segunda-feira de feriado. Excelente. Muito obrigada. É isso, gente. O trabalho ele faz parte da vida, né? Mas ele não precisa ocupar o tempo todo, não. Não precisa ocupar todo o espaço da nossa vida, né? Quando a gente aprende a estabelecer os limites mais saudáveis, a gente protege a nossa saúde mental, [música] a gente fortalece os nossos relacionamentos. se a gente melhora até mesmo o nosso desempenho profissional, porque daí a gente vai conseguir deixar tudo mais equilibrado, mais alinhado. Então, a gente agradece você que tá aí do outro lado. Agradecemos as nossas convidadas de hoje. Vamos lembrar que hoje, de repente, é o momento para você dar o primeiro passo, né? Dá uma desconectada, esquece um pouquinho ou então vai lá e anota e aí você desconecta, entendeu? Anota tudo que você tem que fazer, faz uma agenda ali, ó. anota tudo e aí você deixa a agendinha ali, já tá tudo anotado. Cérebro, vamos para lá agora. Vamos se conectar com a família, com a presença, com aqui agora. Hoje é feriado, é um ótimo momento para você, de repente iniciar esse movimento, tá bom? Olha, eh, hoje não tem jornal com Gabriel Castro porque é feriado, mas amanhã programação normal aqui da TV Câmara Campinas, inclusive o nosso estúdio Câmara. E aí nós vamos falar de um tema bem interessante, o divórcio do sono. Você já ouviu falar sobre isso? Casais que dormem em camas separadas. Será que isso melhora mesmo a saúde e o [música] relacionamento? Cada vez mais casais, gente, tem feito essa escolha para preservar o sono, a saúde e a qualidade de vida. Mas será que isso afeta a intimidade? Será que isso pode gerar um afastamento emocional ou é apenas uma forma diferente de viver uma relação? Então, amanhã no estúdio Câmara a gente vai discutir os desafios e os benefícios de quem escolhe dividir o amor, mas não necessariamente a mesma cama e o mesmo quarto, casados e separados. E aí, hein? Qual que é a sua opinião sobre isso? Vamos conversar amanhã, a partir das 8 da manhã em mais uma edição do nosso [música] estúdio Câmara. Um grande abraço para você. Aproveite, desconecte, tá bom? Vamos lá viver o aqui o agora. Presença, presença para essa galerinha aí que tá do seu lado. Fique bem, aproveite o seu feriado e até amanhã, se [música] Deus quiser. 자, [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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