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Olá, tudo bem por aí? Por aqui tudo ótimo. Estamos chegando. Estúdio Câmara no ar. Cestamos, é hoje, sexta-feira, dia 16 de outubro. Quero te convidar hoje para conversar sobre um tema bem delicado, mas que faz parte do nosso dia a dia. Nós precisamos falar sobre isso. Hoje a gente conversa sobre o impacto dos pais separados na vida dos filhos. A separação, ela muda a organização da família, mas ela não precisa romper os vínculos de cuidado e afeto. O desafio é entender como nós adultos podemos proteger a infância mesmo quando a relação do casal chega ao fim. Imagine uma criança que passa alguns dias na casa da mãe, outros dias na casa do pai. Em uma casa, ela pode usar o celular e até eh fazer outras coisas até mais tarde, sabe? Na outra existe um horário rígido. Um autoriza, o outro proíbe. O que que acontece com a criança que fica no meio dessas disputas, né? Ela precisa se adaptar às regras ou sente que tem que agradar aos dois lados? E aí, como fica a cabecinha desse pequeno ser humano? Hoje a gente aborda eh o tema e vamos falar como proteger os nossos filhos dos conflitos dos adultos e construir uma rotina mais saudável em duas casas. Então, é muito importante que você se atente a este assunto e se você puder compartilhar também este programa para as pessoas que fazem sentido para você, eu te garanto que vai ser nota 10. Nós temos aqui dois especialistas. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los e vamos conversar sobre esse tema que faz parte da rotina de muita gente e que às vezes você não conversa com ninguém sobre alguma dúvida que você tenha sobre a situação aí que envolve a sua família e a sua criança. E hoje nós vamos conversar. Bom, agora temos algumas informações. Daqui a pouquinho a apresentação dos nossos convidados para você. Olha só, a Rede Mario Gate abre no dia 26 de outubro as inscrições para os programas de residência médica multiprofissional e uniprofissional de 2027 aqui em Campinas. Ao todo, são 109 vagas, sendo 95 para médicos, distribuídas em 17 especialidades e 14 para enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e cirurgiões dentistas. As inscrições vão até o dia 23 de novembro e a prova objetiva será aplicada no dia 20 de dezembro, tá? As taxas são de R$ 600 para a residência médica e R50 para os programas multiprofissional e uniprofissional. Os residentes recebem bolsa e auxílio moradia. Os editais e as inscrições você pode acessar no site redemariogate.spsp.gov.br. Muito bem. e a Câmara de Campinas realiza hoje às 4:30 da tarde o quinto encontro da Comissão Especial de Estudos sobre o Plano Municipal de Educação. O tema será educação digital e tecnologia nas escolas com debate sobre inclusão digital, plataformas educacionais e os desafios do uso das novas tecnologias no ensino público. O encontro será no plenário com transmissão ao vivo pela TV Câmara Campinas e você pode participar também eh através do YouTube, tá? As inscrições podem ser feitas pelo canal disponível na no site da Câmara de Campinas. Você acessa lá campinas.sp.leg.br. E quem participar eh de pelo menos 75% da reunião eh receberão certificados, tá bom? Agora sim, previsão do tempo para hoje. Como é que fica a nossa sexta-feira aqui em Campinas? Vamos lá. Olha, gente, perdão, a garganta seca, né? O tempo assim, a gargantinha seca, mas vamos lá. Sexta-feira, hoje, mínima 19, máxima 24º. Nós tivemos muita chuva, né, à noite, de madrugada e agora de manhã o tempo permanece nublado, mas a previsão indica que à tarde nós teremos pancadas de chuva que vão seguir até à noite, tá bom? Então já sabe, né, guarda achuva com você, porque a qualquer momento podemos ser surpreendidos aí com pancadas de chuva aqui em Campinas. Amanhã, gente, mínima 18, máxima 24. A previsão diz que amanhã nós não temos chuvas, tá? E o sol, o o tempo permanece aí nublado. O mesmo para domingo, de acordo com a previsão, domingo sem chuva, o tempo nublado, mínima 16, máxima 23º. Essa é a previsão previsão do tempo para hoje, sexta-feira, sábado e domingo. Um ótimo final de semana pra gente, né? Vamos lá, então. Voltamos ao nosso tema central. A gente fala do impacto dos pais separados na vida dos filhos, né? A separação, ela pode representar uma mudança importante na vida de uma criança. Bom, muda casa, rotina, convivência, em alguns casos até a escola e o círculo de amizades. Mas não é a separação por si só que determina como a criança vai se desenvolver, a qualidade das relações familiares, a segurança emocional e o nível de conflito entre os pais também fazem a diferença. Então, para conversar com a gente sobre o desenvolvimento emocional e comportamental de crianças e adolescentes, nós recebemos aqui dois convidados super especiais. Eu quero dar as boas-vindas a Kailane Silos. Ela é psicóloga pela PUC Campinas, sócio e cofundadora do Instituto Silos de Psicologia e Desenvolvimento Humano e especialista em terapia por contingências de reforçamento pelo ITCR Campinas. Seja bem-vinda. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada pela pelo convite, pela oportunidade de estar aqui para conversar sobre esse tema, né? Maravilha. Agradeço a sua participação e com a gente também, Dr. Eduardo Novais, ele é médico pediatra com especialização em medicina do adolescente pela Unicamp, tem formação em andamento em psiquiatria da Infância e da Adolescência pelo Instituto Israelita Albert Einstein. Doutor, seja muito bem-vindo. Bom dia. Bom dia. Bom dia a todos. Muito obrigado pelo convite. Nós que agradecemos vocês, porque nós precisamos conversar sobre esse tema que faz parte da vida de muita gente e que às vezes as pessoas ficam muito confusas porque elas estão passando por um conflito. Então elas precisam cuidar, né, internamente delas, desse conflito, mas elas precisam olhar para as crianças que muitas vezes não dão nenhum sinal ou dão sinais e a gente que é adulto não percebe. Então, a gente começa perguntando para você, Caane, eh, o que que muda na vida da criança quando os pais se separam? O que que pesa mais? A gente sabe que cada ser é único, né? Mas, eh, na sua avaliação psicológica, o que que pesa mais para elas? Eh, não tenho mais os meus pais juntos, eu vou ter que me dividir entre pai e mãe, ah, eu vou ter que agradar mais o pai e a mãe, eu vou perder a mãe e o pai. É uma confusão muito grande. É, realmente é uma confusão, é uma mudança de rotina, de hábitos muito grande, né? E eu acredito que muitas coisas mudam no na vida da criança, na vida desses pais, dessa família como um todo. Mas o que mais pesa é a rotina em si. Então, geralmente, geralmente quando os pais separam, eles mudam de casa. Um fica com a casa, o outro vai morar em outro lugar. tem casos que os pais mudam até de cidade. Eh, então essa rotina do dia a dia. Então, às vezes o a criança deixa de ter tanto contato com o pai ou com a mãe, vai ter mais com um outro cuidador e acaba sendo um desafio muito grande de como explicar toda essa rotina nova e essa dinâmica nova para essa criança, né? Então, de fato, o que mais muda é o dia a dia o cotidiano, é o que acaba pesando muito a adaptação dessa criança de ter duas casas, às vezes ficar no final de semana com o pai e ficar com a mãe na semana ou ficar uma semana com uma semana com outro. É essa questão de previsibilidade, né? É desafiador, né? Agora, Dr. Eduardo, essa mudança ela se manifesta de forma de formas diferentes conforme a idade, né? Tu aqui é especialista em crianças e também agora em adolescentes, né? Eh, médico pediatra e erbiatra também. Eh, como que é essa essa manifestação, né, da dessa dessa mudança que ocorre de forma brusca? Porque às vezes a criança, o adolescente ou pré-adolescente, eles não, ele não tá envolvido nos problemas dos pais, né? E de repente do nada, olha, nós vamos se separar. Você fica com quem? Como é que é isso, doutor? Como é que se manifesta essa essa essa confusão aí de acordo com a idade da da do ser humano? A gente tem que pensar primeiro que a criança, né, é como se fosse um livro em branco que a gente tá preenchendo com o tempo. Uhum. Uhum. Então, a criança inicialmente tá ali, né, no período quando ela é pequena ali, ainda criança escolar, pré-escolar, ela tá entendendo ainda como o mundo funciona e o mundo da criança vai tender a ser inicialmente baseado nela. Então essa quebra muda bastante o entendimento que ela tem do mundo, já que o mundo dela se baseia em, né, é meio autocentrado, tem a gente vai ter a criança ali no meio da vida dela e as pessoas todas fazem esse mundo girar. Uma vez que ela começa a entender isso como, né, como a pessoa isolada que ela é e o desenvolvimento das separado dos das outras pessoas, a gente vai ter ela começando a entender que não é tão simples assim, que não necessariamente ela tem alguma culpa nesse meio do caminho. E aí esse isso vai aumentando na adolescência. Uhum. que ela já tem um pouco mais desse entendimento da diferença ali de relação entre os adultos e os problemas da família. E isso vai então evoluindo, ela tende no pequenininho a inicialmente ter ali um pouco mais de irritabilidade, algum nível de alteração na escola ou não consegue dormir direito. E isso vai aumentando até que na adolescência a gente vai começar a ver um pouco mais dos problemas mais psicológicos evidentes. Então a gente vai começar a ter um pouco mais de de irritabilidade, uma um adolescente, né, que pode aí começar a aumentar a exposição a comportamentos de risco, então vai ter uma chance maior de se expor a comportamento sexual de risco, ao uso obo de substância. Uhum. E aí isso vai potencialmente mudar a forma que a gente tem que olhar e ajudar essa criança ou adolescente, né? Verdade, doutora. Eh, traçou uma linha do tempo aí, né? E a gente percebeu o quão danoso é a de repente a falta de planejamento quando a gente fala de separação dos pais. Ah, R, como é que eu vou planejar minha separação, né? Mas a gente precisa eh tentar eh inserir nessa criança que tá tudo bem, né? E que as coisas vão ficar bem, que a mamãe e papai que tá separando, mas você é nosso filho e a gente vai cuidar de você. Como isso acontece? Pois é, a gente precisa de orientação e muita orientação. A separação, ela não significa que a infância esteja condenada a sofrer, não. O o que merece atenção é como a criança vive essa transição, né? Essa previsibilidade de repente, ah, mas tô separando. Pois é, mas a nossa criança é responsabilidade nossa. Então, a gente tem que eh tem que ter segurança para expressar, né, o que que a gente sente e se a gente consegue contar com a nossa rede de apoio, de repente, né? Porque a rede da de apoio nesse momento acho que faz toda a diferença. Agora, quando a gente pensa em criança, cada pai tem o seu jeito de educar, né? E aí quando os pais se separam, a criança vai sentir. Então, até que ponto essa diferença entre as duas casas, Kailane? é saudável e quando gera insegurança, porque em uma casa eu posso, na outra casa eu não posso, daí eu fico confuso, essa confusão ela continua permeando, né, durante a vida dessa criança. Uhum. É, com certeza é natural que quando os pais se separam, algumas regras vão valer para a mãe e outras não vão valer para o pai. E é inclusive saudável que tenha essa diferença de forma de educar em alguns momentos, porque aí a criança, o indivíduo, né, que a gente tá vai tá falando, vai conseguir desenvolver repertórios diferentes de comportamentos para agir em situações diferentes. E isso é muito importante quando a gente vai crescendo, quando a gente vai se tornando adulto, saber se adaptar aos ambientes diferentes. E, mas essa diferença começa a pesar muito quando ela tá presente em regras essenciais. Eu gosto de chamar de inegociáveis, né? Inegociáveis da da educação. Então, seria muito atrelado a horário de dormir, horário de acordar, que horário vai pra escola, como que lida com algum o as obrigações do dia a dia. Então, o estudos, tarefa de casa, eh os compromissos de às vezes a criança faz, faz balé, faz aula de teatro. Então são os inegociáveis que não não tem como a gente retirar da rotina e não tem como um ceder e o outro não. Porque nisso de enquanto o pai cede e a mãe não, ou a mãe cede, o pai não, um acaba sendo mais chato, mais rígido e o outro parece mais legal. com meu pai ou com minha mãe, eu posso tudo. E quando começa a chegar nesse ponto de o inegociável ser negociado com a criança e os limites não serem postos de uma forma tão tão incisiva, mas incisiva eu digo com com afeto e com cuidado, né, sem desrespeitar a criança. Mas quando esses limites não estão sendo impostos, aí começa a gerar uma insegurança pra criança, aí começa a gerar uma insegurança para esse adolescente e aí isso vai acabar se manifestando de várias formas. como o doutor mesmo já disse, né, pode se manifestar em irritabilidade, em comportamentos de oposição, em um baixo desempenho na escola. Então, acredito que esse é o é o limite, né, de de diferenças entre a criação. Exatamente. E isso afeta a questão mental, mas a questão física também, doutor, porque é uma não tem como separar, né? Eh, corpo e mente estão atrelados, né? É, a tendência é que afete o desenvolvimento como um todo. Uhum. A criança, inicialmente, por base, ela vai precisar para se desenvolver de estrutura. Sim. Então, se a gente quebra aí a estrutura inicial básica, que era a família dele, o pai e a mãe, a gente já, por si só tá partindo de um caminho que já tá aí começando a se desenvolver de uma forma meio torta. Uhum. Então, se a gente faz uma estrutura também diferenciada, igual a Caeline falou, e cada um faz uma coisa, a gente não demonstra para criança que a gente tá ali, mas que apesar de não, né, dos adultos em si não estarem mais juntos, eles continuam sendo pais dessa criança, desse adolescente. Eles vão continuar ali para quando precisa, mas tanto na parte boa, mas também na parte ruim. E a gente vai ter, não vai ser vou comer o que eu quiser na hora que eu quiser, não vou fazer nada, vou dormir cada hora de um jeito, vou usar uma coisa que a gente usa muito hoje, que é a tela. Sim. Sim. E vou ficar muito tempo na tela, vou ficar jogando muito videogame porque eu não quero brigar com ele, porque ah, mas ele vem aqui menos vezes, então não vou brigar aqui e a mãe que lute ou o pai que lute quando tiver lá. A gente tem que definir já desde sempre que os limites e as regras continuam os mesmos, independente de onde a gente tiver, porque crescer solto a gente não vai meio pelo lugar nenhum, a gente fica meio perdido no meio do caminho. Exatamente. Agora vamos analisar uma coisa. Uma criança, ela chega na casa do pai, né? Aí ela não tem o quarto dela, ela leva tudo na mala, né, na mochilinha, porque ela vai se preparar para ir paraa casa do pai, né? Como que isso afeta essa questão de pertencimento, né? Porque se fala muito em pertencimento, né? E e pensa uma criança com pais separados, né? Ela é é assim que funciona, né? Você vai pra casa do seu pai, então a mãe faz a mochilinha, né? arruma todas as coisinhas e vai paraa casa do pai, chega lá na casa do pai, de repente não tem o quartinho ainda e assim e vice-versa. E aí, como é que fica a sensação de pertencimento? Qual que é o impacto eh disso, né? O que que ajuda a reconhecer as duas casas como lar? Quando o amiguinho chega e fala: "Você mora onde?" Aí ele vai falar: "Moro, pera aí, eu moro três dias na casa da mãe, três dias na casa do pai, um final de semana fico com a avó. E, né, como que fica a sensação de pertencimento?" Uhum. É, nesses casos que a criança não tem um espaço na casa do do pai que ela visita ou da mãe que ela visita, o pertencimento praticamente não existe, né? Eh, e aí quando a gente pensa numa situação assim, eh, a gente pode pensar por um lado de ajudar essa criança a criar o espaço dela também ali nessa casa, né? Então, pegando o exemplo que você trouxe, os pais se separaram e a criança mora com a mãe durante a semana e visita o pai nos finais de semana. Então peg na sexta-feira à tarde, depois da escola e devolve pra mãe no final do do domingo ou no início da segunda. Enfim, essa esses horários vai depender de casal para casal, né? Mas nessa dinâmica mais ou menos. Algo que é muito interessante de ser feito, inclusive eu já vi acontecer com com alguns casos que eu acompanho, né? de quando o pai vai se mudar ou a mãe vai se mudar e eles estão com apartamento novo. Um ponto interessante para criar essa sensação de pertencimento, criar essa sensação de aqui também é minha casa, eh envolver essa criança nessa mudança. Então se vai montar um quartinho para ela, envolve ela na escolha do do dos móveis, na escolha da decoração. Óbvio que dentro dos limites que cabe a idade, né? Porque tudo tem um limite no na autonomia das crianças. Então, dá pra gente ah ir por esse caminho para ir criando essa sensação de pertencimento. E quando não tem esse espaço físico, pode impactar muito na relação entre a criança e esse cuidador, entre esse pai ou essa mãe, porque pode cair muito num num local da criança pensar: "Poxa, mas na casa da minha mãe eu tenho um quarto, eu tenho um espacinho para eu brincar, eu tenho um espacinho para eu estudar, eu tenho minhas coisinhas, minhas roupas, mas na casa do meu pai eu não tenho nada. será que realmente eh há um carinho, há um afeto e aí essa relação, esse vínculo acaba sendo desgastado com o tempo. Então é importante ter esse espaço de fato, mas não apenas pra questão de pertencimento, de identidade, eh, mas também pra manutenção do vínculo entre essa criança e esse pai, essa mãe, esse cuidador, para que isso não seja perdido, porque essa relação ainda é muito frágil, ainda mais quando a gente fala de uma criança muito pequena, quando tenham 6, 7, 8 anos, na primeira e na segunda infância, é muito frágil esse vínculo e ele precisa ser constantemente alimentado, né? Perfeito. Agora, Dr. Eduardo, o quando o filho ele volta da outra casa, seja da casa do pai ou seja da casa da mãe, irritado ou então muito quieto, né? Ah, qual que é a atitude que a gente deve ter? Como é que a gente diferencia de uma adaptação, né, que é algo esperado, né? Porque a criança ela vai ficar meio confuso no início, então isso pode, né, causar uma irritação ou também ela fica quietinha, né, mas também pode ser um sinal que desperte a atenção dos pais. Como é que a gente pode fazer para entender essa questão da irritabilidade, do silêncio? Bom, a gente tem que lembrar, óbvio, que a separação nunca foi algo que foi inicialmente pensado, né? as pessoas se juntaram aí com o objetivo de seguirem inicialmente juntas até que a morte no se Sim. E é um período que na grande maioria das vezes as coisas acabam de uma forma esquisita. Uhum. E seja aí não julgando quem tem culpa, quem não tem, mas os envolvidos sempre tendem a querer apontar um pouquinho o outro. Uhum. E a gente fica, então, a criança fica ali no meio do caminho e a gente começa a ficar pisando em ovos. A grande tendência, que é o, na verdade, o nosso principal aí ponto que a gente tem que se preocupar, é a gente lembrar que a criança não tem culpa de nada. Ela não escolheu que nada disso acontecesse. Então, a gente não tem que ver essas diferenças como é culpa do pai ou é culpa da mãe. Eles não fazem nada lá. Eles ignoraram ele, fingiram que não tava acontecendo nada. Ou aqui ele não é, ele vai para lá, ele é maltratado. Uhum. Porque além da gente já chegar com esse segundo viés para ver o problema que tá acontecendo, a gente acaba piorando um pouquinho o problema, porque a gente começa a impor na criança essa sensação de que um deles sempre tá errado. Uhum. E que também pode criar na criança um sentimento de culpa. Olha, hein que o pai ele vai começar a pensar que não, meus pais continuam brigando porque é por minha causa, eu fiz, eu deixei de fazer alguma coisa. Em teoria a criança não é para ter muita coisa a ver com isso, né? Não é por causa da criança que o relacionamento não deu certo. Uhum. É verdade. A criança ela ela pode precisar de um tempo, né, para para reacostumar, né, a cada ambiente. Imagina, tava acostumado com o pai e a mãe dentro de casa, de repente se separam, aí vai para um lado, vai pro outro, vai ter que ter um tempinho para se acostumar. De repente, uma irritabilidade, um silêncio meio assim, tipo, quando você pergunta: "O que que você tem? Tá tudo bem?" "Não, não tem nada, quero ficar quieto," né? Então, é uma mudança de humor, né? Eh, mas a gente precisa entender eh e observar a frequência, né? A frequência e a intensidade e também a duração desses sinais, né? Sem transformar o filho em alvo de interrogatório também, né, Kailane? Porque chega da casa do pai ou chega da casa da mãe, daí vamos lá, vamos interrogar a criança. Gente, a gente precisa cuidar com isso. Isso é algo que a gente faz às vezes, pai e mãe cuidador, às vezes sem intenção ou com intenção também, mas a gente tá interrogando um pequeno que acabou de vi de um lugar que ele nem sabe o que que tá acontecendo direito. E você começa a perguntar, essa interrogação tem um impacto na saúde mental dessa criança? de uma maneira que a gente não tem nem noção de de traduzir isso, né? Uhum. Com certeza. Com certeza, né? Eh, quando a gente pensa em um divórcio, uma separação e o impacto nas crianças e e como isso vai impactar, né? Acho que dá pra gente pensar por um por um lado de que os adultos em si estão tentando se acostumar com essa situação, tão tentando aprender a lidar com isso. Só que quando a gente é adulto, a gente tem uma vantagem ao nosso, uma vantagem ao nosso favor, que é o fato da gente ter mais desenvolvido a nossa habilidade de comunicar, de comunicar o que a gente tá sentindo, de identificar o que a gente sente, que uma criança muitas vezes não tem porque ela ainda tá em formação, ela ainda tá tentando entender o que acontece com ela internamente, então como que ela vai comunicar externamente, né? E numa numa mudança, eh, independente da mudança, a criança muitas vezes demora para entender o que tá acontecendo, demora para entender como isso impactou ela internamente, como que ela pode lidar agora, o que vai acontecer, o que não vai acontecer. E quando a gente chega com muitas perguntas, um interrogatório muito direto, eh, questionando a todo momento, isso pode acabar assustando muito a criança, porque às vezes nem ela sabe o que tá acontecendo para poder responder as perguntas, né? Então, acho que o mais importante é tentar sempre manter a calma e deixar muito claro pra criança desde o início, quando esse divórcio, quando essa separação for comunicada para ela, de que ali é um espaço seguro para ela se abrir, para ela falar, para ela falar que o pai ou a mãe levou ela para passear no zoológico que ela adorou, que compartilhar as coisas boas e também compartilhar as coisas ruins. uma bronca que deixou ela um pouco mais chateada ou alguma coisa que ela não queria ter feito e acabou tendo que fazer. Eh, então criar um espaço seguro para essa criança se comunicar. E é sempre bom deixar isso muito claro para essa criança. E não só deixar claro com a fala, mas também com exemplos, com a forma que você vai lhe dando. Então, antes de perguntas, é algo até que eu sempre oriento muito. Antes de qualquer pergunta, escuta, escuta o que essa criança tá dizendo ou que ela não está dizendo, mas está sendo transmitido pelos comportamentos, pela maneira que ela se porta. Escuta, escuta sem julgamento, só para ouvir mesmo e tentar entender o lado dessa criança ou desse adolescente. E depois que as informações são coletadas, aí as perguntas vêm e que venham poucas, venham em doses pequenas e com um pouco mais de calma para não assustar, para criança entender que ali é um espaço de de diálogo, que é um espaço de acolhimento acima de tudo, né? Uhum. É, a gente tem que lembrar de tentar fazer isso acontecer de uma forma natural. Sim. Então, que nem a gente perguntaria para eles quando eles chegaram da escola, nossa, como foi na escola hoje? Só meio que você validando a existência dela e os sentimentos que a criança e o adolescente tem pra gente evitar que seja aquele inquérito policial ali de você buscando um ponto de que você vai usar como viu, eu falo e a pessoa não escuta, eu brigo tanto que tem que fazer e vai lá ele não faz. E também não, né, provar para essa criança e pro adolescente justamente o pertencimento e a existência dele. Não, tipo, não passou comigo esse período, então boa sorte, não me importa. É, né? Pesado. O negócio tem que ser. É por isso que a gente precisa de orientação, né? É, é muito desafiador. E na maioria das vezes, como a gente tá, o adulto também, ele fica meio perdido nessa situação, né? Independente da causa da separação, tal, mas é um fim de ciclo, é um luto, né? né? A separação é um luto e aí cada um vive de uma forma, mas você não tá sozinho. Aí você tem uma criança e essa criança também pode estar vivenciando esse luto, por mais que ela não entenda isso, mas ela pode estar vivenciando esse luto. Agora, doutor, eh quando essa criança ela começa a a ficar empática, né, a a e os pais acabam percebendo que precisam de um cuidado especial, que médico devem procurar, o que devem fazer, qual o primeiro passo para poder ter uma orientação para o manejo, né, assertivo dessa vida nova dessa criança? Ah, a primeira pessoa que a gente tem deixa sempre que ter ali como nosso foco inicial de perguntar é a mesma pessoa que a gente vai ter em qualquer dúvida que a gente deveria ter na saúde da criança e do adolescente como um todo. Então, quando a gente, a criança vai nascer, a gente fala pra família que uma das partes mais importantes é a gente escolher aquele pediatra que a gente vai ter como nosso pediatra ou biatra, né, depois quando for adolescente. E vai ser esse que a gente tem que procurar primeiro, a gente conseguir, é, querendo ou não, uma pessoa que idealmente já conhece a criança, como a família funciona, qual é o vínculo com cada um, que vai ser a nossa primeira pessoa pra gente chegar lá e falar: "Olha, nós separamos mesmo, mas eu tô vendo que tá acontecendo alguma coisa. Eu não sei se é uma coisa da minha cabeça ou não. A gente queria saber o que que você acha, se a gente precisa realmente fazer alguma coisa diferente, se a gente vai ter que investigar, acompanhar um pouco mais, se talvez seja realmente necessário ir para uma psicóloga, ter algum apoio, se vai ou não precisar de alguma coisa maior, dependendo do que tiver acontecendo. Então, se eu vou precisar entrar com algum tipo de medicação, se eu vou precisar fazer algum uma coisa específica, ir algum grupo, fazer algum tipo de terapia, conversar na escola, tudo isso vai depender de cada caso, como cada caso vai funcionar, mas idealmente é o nosso ponto inicial de procura, nosso apoio básico da família não tá dando conta de resolver. Vamos lá, doutor. Doutora, me ajuda. Não sei o que fazer. Tá acontecendo alguma coisa? Vamos partir daí. Muito bem. Importante, né? Eh, termos aí o pediatra. A criança tem o pediatra. Então o pai, como o doutor falou, o pai, a mãe, o cuidador precisa, né, chegar no pediatra e explicar a situação para que o pediatra possa alinhar aí uma melhor forma de melhorar a qualidade de vida desse pequeno ou desse pré-adolescente ou adolescente que está envolvido em toda essa situação. E aí pode entrar, né, e a o pediatra com a psicologia, né? E eu acho que é muito importante e essa essa esse atendimento multidisciplinar, porque você consegue trazer mais equilíbrio, né, Ca? Uhum. Com certeza. É trabalhar com em equipe multiprofissional, né? Então, médicos, psicólogos, é muito importante, né? Porque são olhares diferentes pra mesma criança, pra mesma dinâmica. E isso sempre enriquece o acompanhamento, sempre enriquece a vida ali familiar, auxilia a aumentar a qualidade de vida, né? Então, facilita também a lidar com os desafios que vão acontecer e lidar com eles de uma forma mais tranquila e mais leve, né? Eh, e algo que é até interessante a gente pensar, eh, de que às vezes quem mais precisa desse olhar são os pais. Então, às vezes é até interessante quando a criança vem para vem para para terapia, vem para para acompanhamento psicológico e a gente começa a perceber que os próprios pais estão precisando desse olhar, desse cuidado, ou eles não conseguem conversar entre si, ou um tem uma questão que é mais interna dele. E aí é interessante a gente ter esse olhar de cuidado mental, de cuidado na saúde mental, eh, pra família inteira. Então, se a mãe precisar, ela também ir à terapia. se o pai precisar também ir à terapia e até se os dois precisarem lidar juntos com as questões da separação, com as questões da educação, de como vamos impor limites sem eh sem tirar a autoridade do outro, mas também sem perder a minha autoridade. como que a gente vai lidar com os conflitos que vão acontecer no processo de separação, porque é um processo de fato muito difícil, muito burocrático e envolve um luto da das duas partes e da terceira parte que é essa criança, essa adolescente. Então, esses pais também podem ter o acompanhamento em orientação familiar, eh, ou terapia de casal, então, e, e não é só o psicólogo que consegue ver isso. Então, um olhar de fora às vezes consegue ajudar a gente a identificar demandas, identificar questões que a gente não consegue ver. Então, às vezes um algum problema de saúde que tá sendo gerado por conta de estresse, de ansiedade. Então, essa troca entre profissionais, entre áreas, é essencial e independente da situação que tá acontecendo, né? É algo que deve ser ser seguido e ser feito em todos os os casos que chegam até a gente, né? É verdade que uma troca de conhecimento. E aí os dois, né, ou três ou quatro profissionais, cada um agindo em um ponto, né, podem fazer aí uma grande melhoria eh na qualidade de vida, no entendimento eh da pessoa. Agora, doutora, essa questão da escola também a gente precisa falar, porque a criança ela ela pode sentir vergonha de ir pra escola numa situação de separação dos pais, ela pode, de repente, o amiguinho pode fazer um bullying com ela, ela pode, de repente não querer ir mais para a escola, né, e desistir da escola. E aí vem mais uma vez a questão eh do pediatra, da psicóloga, né? Eh, essa intervenção com a família para poder incentivar essa criança a continuar os estudos. Isso acontece muito, doutor? É assim, absenteísmo escolar por si só, sempre na criança ou no adolescente já é uma assim um sinal de alerta de que algo de errado não está certo. Uhum. Então, a escola, né, todo nós já passamos por isso, a gente sabe que é um mundo à parte, é um monte de gente diferente, cada um com ali com o seu tipo de ensinamento em casa. Então, cada um vai lidar com as pessoas de uma forma diferente, vai ter sempre aquele que vai ficar cutucando o coleguinha para se mostrar pra galera de, olha como eu sou o, como eu sou o legalzão, como eu faço e aconteço. O ideal seria que tudo acontecesse em casa ali de uma forma natural, não chegasse ali a ter efetivamente que esbarrar no em como a criança vai lidar com isso nos outros ambientes. a gente sabe que historicamente separação nunca foi uma coisa socialmente muito bem vista, né? Tanto que antigamente não era nem permitido. Então ainda tem muito esse estigma, essa história de não deu certo, você da família que não funcionou, da família separada. O ideal é a gente sempre deixar claro pra criança que independente disso tudo, ela continua sendo, né, existindo, ela continua sendo filho dos dois. Moramos em casas separadas, mas nada mudou. Não gosto menos nem mais de você por causa disso. Tentar tratar tudo de uma forma natural, não preteria a criança em relação a outras pessoas e sempre manter o estímulo de que a vida da criança eu tenho que continuar de uma forma normal. Então eu vou continuar indo pra escola. Eu se eu vou se eu faço alguma atividade fora da escola, nós vamos continuar com isso. Ah, mas agora eu não tô muito afim. O que que a gente pode ou não ceder nessa criança de não fazer? Ah, não, mas agora eu não tô muito, não tô triste, não tô muito bem, tô entendendo como as coisas funcionam, não tô querendo ir na natação. Uhum. Talvez dá um pequeno intervalo, não. Então, saia e não faça mais nada. Sim. e sempre manter esse estímulo paraa criança de que a vida da criança em si não precisa ser diferente, apesar da vida dos adultos não estar funcionando mais como devia em teoria inicialmente. Uhum. Excelente. Kailane, eh, essa questão da escola, eu gostaria que você trouxesse a sua visão psicológica sobre isso, né? E e uma orientação até para os pais, assim como o doutor eh passou. Uhum. Eh, quando a gente pensa na escola, nos impactos da separação da escola, como o doutor disse, né, eh vai acontecer dessa criança querer interromper as atividades justamente porque ela não vai saber colocar em palavras o que ela tá sentindo e a como tá sendo difícil para ela essa adaptação, né? E quando a gente esbarra, né, né, nesse desafio, acho que o mais importante é sempre manter um diálogo, principalmente com a professora, com a coordenação dessa escola, eh, e, e chegar, chegar a marcar uma reunião e falar: "Ó, nós dois estamos nos separando, eh, a gente tá lidando com isso, eh, estamos lidando dessa forma, a criança tá ficando com tal pessoa, a gente tá lidando assim com as visitas, com buscar na na casa de um e do outro. Mas a gente tá percebendo que tá tendo de fato um impacto aqui na escola, ela não tá querendo vir e buscar ajuda para pros professores e paraa coordenação, porque eles melhor do que ninguém vão conseguir orientar, eles vão conseguir pensar em estratégias de tornar essa escola mais atrativa, eh, e também buscar orientação, se se necessária, de de psicólogos, até para eles aprenderem a colocar esse limite de uma forma que acolha os sentimentos dessas crianças. Então, sempre trazer esse estímulo de que a sua vida vai continuar, você vai continuar indo pra escola, você vai continuar fazendo as suas atividades e a gente entende que tá sendo difícil, que é um momento de adaptação e que vai ter momentos que realmente você não vai querer fazer nada. Eh, e às vezes tá tudo bem ceder, às vezes tá tudo bem dar eh um dia de descanso, mas é eu costumo pensar que é sempre um dia, nunca mais do que isso. Eh, porque as pessoas só vão, a gente só consegue se acostumar a uma situação quando a gente tá agindo para se acostumar com essa situação, né? Então, acho que o principal é abrir tanto a mão, não ser muito rígido, saber se adaptar a a esse a esse cenário e buscar ajuda, né? Buscar ajuda, deixar isso muito claro pra escola também do que tá acontecendo em casa, porque isso vai transparecer na escola, a criança vai trazer alguns comentários, pode ser que a criança, em alguns momentos que ela não esteja também, ela chore e aí às vezes, ela não consegue falar pra professora, mas a professora já sabe o que tá acontecendo e vai saber lidar da melhor forma. como que ela deve agir, se é acolhendo, como que é esse acolhimento. Então, acho que o principal é o diálogo com todos que acompanham essa criança, né? Muito bem, Dr. Eduardo. O doutor lida com crianças porque é pediatra, lida com adolescentes e pré-adolescentes porque é eatra, né? H, o impacto na vida da do ser humano com um luto, no caso da separação, a gente sabe que é muito grande. Agora, nós falamos muito aqui de criança. Eu gostaria que o doutor trouesse pra gente a a sua visão sobre o impacto na vida de jovens, adolescentes, pré-adolescentes. Isso é um pouco mais agressivo quando eh a o filho ele tem uma idade um pouco maior? Assim, os estudos mostram que o impacto mais grave geralmente tende a ser nas crianças pré-escolares, porque eles estão ali chegando ainda naquele ponto que eu falei da personalização no processo de desenvolvimento cognitivo. Então ele ainda tá entendendo que o mundo não é ele e o resto, é todo mundo junto. Uhum. Mas no adolescente a tendência é que isso tenda a ser mais drástico, principalmente nos quadros em que a separação é mais turbulenta. Uhum. Então os quadros que têm muito mais briga, que a gente tem sempre aquela discussão ou aqueles casos de aquele relacionamento yoô que Sim, separa, passa um tempinho, volta, separa de novo, volta de novo, pode criar ali no adolescente, no jovem ali, essa sensação de que meio que o amor não funciona, que as coisas não valem a pena. E também a gente tem que lembrar que a criança e o adolescente por base vão aprender inicialmente por mímica. Isso. Uhum. Do que ele vem em volta, que vai ser principalmente na família dele para depois ir pro mundo. Então ele vai acabar inicialmente aprendendo justamente do ah não, eu posso trair, eu vou separar. Ou a pessoa que sepou tá ali, sentiu muito, ficou meio deprimida e largou tudo, não faz, né? ou começou a usar substância e aqui eh, né, ele pode começar a entender efetivamente que, ah, não, mas minha mãe usa e não tá acontecendo nada, o meu pai bebe e então tá tudo bem eu beber também, porque meu pai bebe. Uhum. Humum. E aí essa exposição, as situações de risco começam a aumentar e começar a ficarem aí mais problemáticas, porque eles não têm ainda o centro de entendimento ali, né, que fica no pré-frontal, vai acabar ali a se desenvolver até aos 24 anos, mais ou menos, para ele ter esse controle de impulso, essa esse entendimento de que não é bem assim, não é só vou fazer e não vai acontecer nada, que as coisas começam a ter consequências que podem tem aí se estender a vida futura. É excelente. Importante a gente pensar porque nós somos espelho, né, para os nossos filhos e a gente continua sendo espelho, acho que permeia aí por um, acho que pela vida toda, de repente, porque eh os nossos filhos eles vão nos observar e vão repetir o que a gente está fazendo quando crianças. E aí quando a gente percebeu aqui com a a fala do doutor quando jovem, adolescente, pré-adolescente também, e isso tem uma influência muito grande no adulto que essa pessoa vai se tornar, né, Ca? Uhum. Uhum. Com certeza, né? Eh, quando a gente pensa que as crianças, os adolescentes, pré-adolescentes aprendem por observação, por exemplo, eh, eu diria que isso é fato, mas a gente continua aprendendo como exportar eh por observação o resto da nossa vida. Uhum. Então é natural que o que uma criança vai assistir como sendo uma dinâmica de relacionamento, que que é o que ela tem mais contato, eh é natural que um adolescente vendo o pai agindo de uma certa forma todos os dias, eh é natural que essas esses padrões se repitam na vida da de quem observou por ser a maneira que foi aprendido ao longo da história de vida, né? Uhum. por ser a forma que foi aprendido de que as coisas deveriam ser, e não necessariamente realmente deveriam ser, mas é o que foi passado. Eh, e quando a gente pensa numa separação e num relacionamento entre os pais, a gente tem que tomar muito cuidado. E eu falo isso pros pais que que eu atendo bastante, de quando tiverem algum conflito, quando tiverem alguma discussão, algum alguma discordância em algum ponto, eh, quando estiverem um momento mais delicado da relação, tentem sempre proteger essa criança, então, e esse adolescente, né? Então, é sempre muito importante a gente tomar muito cuidado com o que é dito perto da dessa criança, desse adolescente. Eh, sempre muito importante a gente tomar cuidado com a forma que os conflitos vão ser resolvidos ali, eh, se eles serão resolvidos para na frente dessa criança ou desse adolescente, eh, se esses conflitos chegarão até eles, né? Então, é sempre muito importante a gente proteger eh esses indivíduos da das discussões, das brigas, porque muitas vezes a gente acaba se estressando, acaba brigando com outra, acaba gritando e isso acaba sendo algum instintivo da nossa natureza, né, do que a gente acaba se esquecendo, mas os seres humanos são animais. Um, a gente funciona de uma forma de de sobrevivência enquando estamos estressados, quando estamos ansiosos. E é, é natural, é comum que a gente acabe gritando, acabe discutindo, sendo mais incisivos. E quando isso acontece com muita frequência, esse é o padrão que está sendo passado de resolução de conflito para quem observa. E isso vai causar com que lá na frente, quando ele se tornar adulto, só seja muito mais difícil de interromper esse padrão de resolução de conflito mais agressivo, mais incisivo, por ser algo que já tá tão instalado e tão mantido há tanto tempo que fica muito difícil da gente mudar, da gente alterar mais para frente, né? Então tem que ter muito cuidado com a forma que os conflitos, que as discussões vão ser resolvidas e vão chegar pro adolescente ou paraa criança, enfim, nessa fase da vida, né? É verdade, né? A gente tá vendo só como é bem complexo essa questão, né? De separação de filhos e não tem como a gente prever, né? A a criança ela ela vai mostrar as emoções. A gente vai precisar entender o que está acontecendo com essa criança. Mas aí como é que a gente entende o que tá acontecendo com a criança? Se comigo também tá acontecendo uma grande confusão. Aí é o momento de você buscar ajuda do seu pediatra, né? buscar ajuda eh da da sua psicóloga, buscar ajuda da sua rede de apoio, de repente, nem sempre a rede de apoio vai ter um entendimento que precisa, então tem que tomar cuidado com isso também. Agora, quando a gente fala das crianças ou dos adolescentes, pré-adolescentes, dos menores, vou dizer aqui, essa competição por afeto, doutor, ela pode existir porque eu preciso a minha mãe precisa gostar de mim, meu pai precisa gostar de mim e eu preciso gostar dos dois. E aí entra uma questão de competição por afeto. Eh, lá na casa da mamãe eu tenho mais carinho, na casa do papai eu posso fazer tudo. Então é meio confuso essa competição, ela vai eh acabar afetando também a parte eh emocional dessa criança? É, é começando pelo óbvio, a gente tem que lembrar que o adulto da da relação é, né, são os pais. Isso. Então, a gente não pode esquecer que se tá difícil pro adulto, a criança vai acabar ali se perdendo no meio do caminho. Óbvio que desde sempre a criança vai ter uma relação sempre um pouco melhor com um deles, mesmo quando o casal ainda é um casal. Então isso vai tender a ser mais fácil na casa dessa pessoa. Tipo, ah, não, eu sempre me dei super bem com a minha mãe e eu tinha mais dificuldade de lidar com o meu pai. A gente não gosta das mesmas coisas. Então, já vai ser uma coisa mais difícil, já vai fazer com que os períodos em que eu vá passar com o meu pai tendam a ser já do começo ali algo um pouco mais tenso ali, um pisando ali um pouco mais nos ovos para tentar entender como as coisas vão funcionar. Mas vai partir do adulto lembrar que um também óbvio, a criança não pediu para nascer. Uhum. Uhum. E dois, os adultos, como a gente já falou, terem não dado certo juntos não faz com que a criança não seja. Então não é mais meu filho, é seu filho. E o que o pai em teoria vai querer por sempre é proteger o filho. Sim. Ele tem que tentar mesmo entendendo ali que, ah, não, eu já eu costumo ser um pouco mais distante. Uhum. Ent, pelo menos nessa situação, ele tem que se mostrar presente paraa criança, mostrar que não é porque os adultos não deram certo, que ele deixou de gostar da criança, que ele vai se importar menos e que a questão não vai ser só não, então eu vou dar tudo que eu tenho. Quando você tiver aqui, o que você quiser comer, tem, o que você quiser comprar tem. tem que mostrar que você tá ali como pessoa para que você gosta dele, que você está interessado nele, na existência dele, não só em oferecer para mostrar que você faz mais. Uhum. Doutor, agora, doutor, falando eh assim a no na sua resposta, me veio algo que a gente precisa também se atentar quando ã criança ou pré-adolescente se nega, não quero ir ficar com o meu pai, não quero ficar com a minha mãe hoje. E essa negação, ela vem crescendo, crescendo. Então, é algo que também precisa eh de um uma atenção, um cuidado especial. É, então essa negativa pode acontecer principalmente aí no na parte normal, no começo, em que ele tá ali entendendo que as coisas estão diferentes, ele tem o que a gente já falou. Então, às vezes na casa extra, né, na casa nova, ele não tem um lugar muito para ele ainda. A dinâmica ainda é diferente, porque é uma dinâmica familiar toda nova que tá todo mundo tentando entender como as coisas funcionam. E na casa dele ele tem o canto dele, é, né, o refúgio dele tá ali, existe, ele tem para onde fugir. Então, a gente tem que entender e respeitar a criança nesse aspecto do lugar dela, dela ter voz e ter opinião, mas a gente também tem que se mostrar e insistir que às vezes ele tem que ir. Uhum. Hum. Porque se a gente fica alimentando essa situação do Não, não vai. Ah, não vai mesmo. Quando você vai lá pro seu pai, quando você vai pra casa da sua mãe, você se sente mal, então não vai. A gente acaba afastando a criança desse parente que foi o externo e ali, né, atrapalhando essa relação que acaba com o tempo tendendo a afastar eles cada vez mais. Sim. É, eu concordo bastante com o doutor nessa questão e algo que acontece muito, principalmente quando a gente tá falando de adolescente, que adolescente sempre tende, ai não quero ver o meu pai porque minhas amigas vão no shopping não ver um filme que eu quero ver. Ai, tem aniversário do fulaninho, eu quero ir no aniversário, não quero ir com o meu pai porque é mais atrativo para mim ir com os meus amigos, né? Então é natural que isso aconteça em alguns momentos. Eh, e acho que algo muito importante pra gente ter em mente, pra gente saber lidar com essas situações, com essas negativas, quando elas vão acontecer, porque elas irão acontecer em algum momento, né? eh entender o que que está por trás dessa negativa. Então, se o adolescente, a criança falar: "Ai, não quero ver meu pai final de semana, eh, se for uma vez só, dá para ceder, dá para entender o motivo." Então, ah, não quero ir porque minhas amigas vão no cinema, eu quero ver o filme que lançou, porque é mais legal ir com as minhas amigas e de fato é mais legal ir para o cinema com as amigas do que visitar o pai. Então, dá para aceder nesses momentos. Só que quando começa a ser algo constante, algo frequente de toda semana fala: "Não quero ver meu pai, não quero ir, ele não precisa vir me buscar mesmo." Eh, a gente precisa sentar e conversar e escutar novamente, né? eh o que que o que que esse adolescente ou essa criança tá dizendo. Então, entender se ela não quer ir para eh a casa do outro responsável, porque eh lá não está sendo tão legal, lá não tem o que ser feito, lá talvez não seja um ambiente que ela se sinta confortável, eh ou ela não está indo para esses esse para esse responsável, porque ela sente que está atraindo com quem ela vive, porque ela sente que tá escolhendo um lado ou o outro, né? Então, quando isso começa a acontecer com muita frequência, é importante a gente sentar e conversar com a criança e analisar a situação, né? Analisar o que que tá por trás disso, por que que ela não quer ir, será que eu preciso conversar com o meu antigo parceiro para entender como que estão as coisas lá, como que ele se comporta ali com essa criança, como essa criança se comporta com esse com essa esse responsável, né? E tentar solucionar o que vai aparecer, né? Então acho que de início o mais importante é a gente prestar atenção na frequência e quando for muito frequente entender o que que essa criança, esse adolescente tá tentando nos dizer com essa negativa, né? Uhum. É importante, doutor. É, a gente tem que lembrar nisso também de não fazer isso virar um motivo de guerra entre todos. Verdade. Porque é uma situação comum de desenvolvimento de alienação parental. Uhum. Uhum. Então é relativamente comum quando, né, o adolescente ou a criança começa a falar: "Ah, mas eu não quero ir, eu não quero ir". É relativamente comum. Muitas vezes tem ali algum dos lados alimentando essa situação de seu pai, seu pai não presta para nada, seu pai arrumou outro e largou a gente. E aqui às vezes não é muito bem assim, é muito mais o adulto que não entendeu ainda efetivamente como lidar com essa separação e fica arrumando desculpas para pôr uma culpa no outro e todo mundo entender que ele é o inocente da história e o outro que tá fazendo tudo errado. É verdade. Precisa cuidar. Essa questão de alienação parental é bem delicada, né? às vezes a gente nem percebe e dependendo da tua fala, você já tá eh eh descredibilizando, né, a outra parte, você já tá colocando que a outra parte, né, não não não vale o carinho e a atenção do filho. Então, a alienação parental começa aí com pequenas situações, né, Carane, pequenas atitudes que podem levar aí a uma questão judicial, porque isso não pode, né? Uhum. Uhum. é de fato, eh, quando começa a chegar num limite de colocar a criança em nesse papel mesmo de preter um lado ao outro, eh, de vir com esse discurso de de que não é comum de uma criança ter, então, de, ah, meu pai, ele tá com outra mulher, esqueceu da gente mesmo, eh, ou ah, minha mãe mesmo, ela não não leva jeito para essas coisas, ela não é uma boa mãe. Quando vim com uns discursos muito extremistas e que olha tudo muito preto no branco e sempre coloca alguém muito como uma vítima e alguém muito como num papel de vilão. É algo que a gente precisa prestar atenção, é algo que a gente precisa investigar de onde que vem esses discursos, da onde que vem eh esses comportamentos mais extremistas da criança, porque pode de fato envolver algo mais grave que tá acontecendo, que o o algum lado não tem acesso, né? Eh, e que vai acabar levando para para um processo judicial. Então, é algo que precisa ser muito bem observado e muito bem eh investigado, tanto pelos pais, pela família como um todo, pela escola, pelos profissionais que acompanham essa família, né? Então, é algo que a gente precisa prestar muita atenção. Nossa, né? Tantas situações que nós falamos aqui no programa hoje envolvendo eh a separação, né? As crianças, os adolescentes, os pré-adolescentes e os adultos, né? Porque os adultos também sofrem. Os adultos sofrem, mas às vezes sofrem sem falar, mas a criança ela percebe, né? Porque nós somos espelho, então a gente tá refletindo tudo para aquela criança e aí a gente acaba transferindo esse sofrimento pra nossa criança que não tem nada a ver com a situação e ela só precisa de ser amparada nesse momento, né? pelos dois, pelas duas partes. E é um pouco desafiador, é delicado, porque nós já falamos, é um processo de luto, mas aí a gente pode contar com profissionais, né? Lembrando que o Sistema Único de Saúde também, né, tem eh a questão da da psiquiatria, da psicologia, é um pouco mais delicado, é um pouco mais difícil, mas eh a gente eh vale ressaltar que nós temos aí esse atendimento no Sistema Único de Saúde, tem a questão do CAPS também. Então, se você está sentindo que perdeu a mão dessa situação da separação e a sua criança ela está passando por um processo que tá causando muito impacto na saúde mental, já não quer mais ir paraa escola, né? eh, às vezes nega, tem uma negativa muito grande entre uma das partes. Então, acho que é importante a gente buscar ajuda, porque é a partir daí que você vai começar a entender como que você deve agir e manejar toda essa situação para poder causar impacto mínimo nessa criança que não tem nada a ver com a situação e só precisa de acolhimento nesse momento. Bom, quero agradecer a participação dos nossos convidados. Dr. Eduardo, muito obrigada pela sua participação, compartilhar com a gente o seu conhecimento, né, as orientações para um tema tão delicado e às vezes que tá no no no cotidiano de muita gente e que não sabe nem como agir e aí de repente a partir de uma fala de vocês já sabe pera aí, eu posso partir por esse lado? Então, gratidão, obrigada. Considerações finais, muito obrigado pelo convite. E só então focar aí, lembrar todo mundo que, apesar da bagunça, a gente tem que tentar fazer com que tudo seja o mais natural possível. Isso vai acabar facilitando a vida de todo mundo, não só da criança, que vai precisar ser ali às vezes um foco um pouquinho maior, mas do próprio adulto, que vai fazer com que as os problemas sejam enfrentados de uma forma mais simples. Exatamente, né? Muito obrigada mais uma vez, viu, Kailane? Obrigada mais uma vez por estar presente com a gente aqui, pelas orientações, né? né? Acho que são fundamentais orienta as orientações que a gente repassa aqui, porque pode pegar alguém que tá lá que tá precisando ouvir isso e dar um uma luz, né? Porque a separação é algo muito desafiador e pra criança mais ainda. E às vezes a gente nem sabe como fazer e vocês vêm com uma palavra que pode dar um impulso pra gente buscar aí um melhor entendimento das coisas. Então, mais uma vez, muito obrigada. Eu queria agradecer pelo convite, pela oportunidade, eh pelo meu parceiro que teve aqui trazendo essa troca com a gente, né? Eh, e acho que a eu quero deixar aqui a mensagem agora mais para os pais, para os responsáveis que estão passando por esse momento da separação, né? a gente falou muito das crianças, dos adolescentes, eh, e de fato isso precisa ser olhado, mas acho que também a gente precisa olhar para quem cuida, olhar para os responsáveis, para quem tá enfrentando esse processo de separação que não nunca é desejado, né? A gente inicia um relacionamento, inicia um casamento querendo que ele doble, né? Querendo que que seja algo duradouro, algo leve. E, infelizmente acontecem dos dos casamentos acabarem, né? Não digo nem não dar certo porque deu certo até certo ponto, né? Então acho que é importante a gente olhar para vocês também, vocês olharem para para vocês para como estão enfrentando esse desafio, essa nova etapa, como estão se adaptando e como vocês estão conseguindo lidar com essa criança, né, com essa educação, com essa mudança de rotina, de hábitos, enfim. E e nesse processo é muito importante buscar ajuda. Então, se vocês sentem que estão com mais dificuldade para lidar com essa criança, busquem ajuda, seja de médico, do pediatra que acompanha vocês, ou de uma psicóloga para fazer orientação familiar ou talvez conversar com a escola. Eh, não se deixem de lado também nesse processo, porque a criança e o adolescente vai perceber quando vocês estão se deixando de lado, isso vai aparecer. Muitas vezes as dificuldades que a criança tem é por conta de notar que vocês estão sofrendo e não saber como ajudar, né? Uhum. interessante, muito boa a sua fala e que deixa uma interrogação aí para você, né, se olhar como que você está nesse momento e a criança percebe. Então a gente agradece mais uma vez tanto orientação para um tema importante, delicado, desafiador, mas que acontece, né, na vida aí de muitas pessoas. É isso. A família ela pode mudar de formato, mas a criança ela continua precisando de cuidado, presença e segurança. Duas casas não precisam ter as mesmas regras para oferecer um ambiente saudável, né? O que faz a diferença que a gente percebeu no programa de hoje é a capacidade dos adultos de construir combinados, respeitar os vínculos, não transformar os filhos em participantes de uma disputa que não é deles, tá bom? Então, quero agradecer você que tá aí do outro lado. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua eh pelo seu carinho, por estar com a gente aqui. Espero que esse assunto eh se fizer sentido para você, que você compartilhe com algumas das da eh com alguém que esteja precisando ouvir o que os nossos profissionais disseram hoje, tá bom? Olha, final de semana chegando, então aproveite com o que faça sentido para você, curta sua vida. Não esqueça, sábado e domingo nós temos uma programação bem interessante aqui na TV Câmara Campinas, estreias maravilhosas, programas inéditos para você. Tem programa que fala de meio ambiente, programa que fala de empreendedorismo, programa que vai até o seu bairro, traz receitas maravilhosas, é entretenimento, informação, feito com muita responsabilidade, com muito carinho de toda a nossa equipe do grupo Mais especialmente para você que tá em casa, tá? E na próxima semana estúdio Câmara volta a partir das 8 da manhã e aí eu te pergunto, você já ouviu essa frase? Você não é todo mundo, então sua mãe já te disse isso? Mas todo mundo vai, todo mundo pode, todo mundo tem. Quase toda criança ou adolescente em algum momento já ouviu a resposta. Você não é todo mundo. O clássico argumento aparece nos pedidos por um celular novo, roupas, festas e nas regras da casa. Mas o que existe de verdade por trás dessas palavras? Como que a gente faz para ensinar os nossos filhos a lidar com a frustração e entender os limites de cada família? É possível construir autonomia sem transformar a comparação com os outros na medida do próprio valor? O tema do programa de segunda-feira é: Você não é todo mundo. Então nós te aguardamos a partir das 8 da manhã em mais uma edição do estúdio Câmara. Um grande abraço, bom fim de semana, fique bem, se cuide e até lá. Ciao