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Olá, muito bom dia pra você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas, estamos chegando, estúdio Câmara ao vivo na manhã desta quarta-feira, metade da semana, hein? Como você está? Tudo bem por aqui? tudo ótimo! Quarta-feira, 7 de outubro, vamos conversar hoje sobre um sentimento que muita gente conhece, mas poucos admitem. É isso mesmo, sentir mágoa de quem a gente mais ama. Você já percebeu que isso pode acontecer com você? Você já guardou rancor de alguém querido? Será que é possível amar e, ao mesmo tempo, sentir raiva? E por que perdoar quem mais a gente ama, às vezes, é tão difícil. É, nós vamos conversar hoje sobre amor e rancor, vamos conversar sobre como é possível ter esses dois sentimentos por uma pessoa que a gente ama. A gente ama, mas a gente tem mágoa. A gente ama, mas a gente tem raiva. Como que a gente consegue manejar tudo isso, né? Então, vamos conversar hoje e você pode participar conosco desse nosso bate-papo, as nossas convidadas já estão no estúdio, eu quero abrir o WhatsApp pra você participar com a gente, 1997-829-3776. Manda pra gente a sua experiência, de repente alguma dúvida, né? Se você conseguiu conciliar aí esses dois sentimentos, amor e rancor, bate-papo vai render hoje, viu? Então nós aguardamos a sua participação, agora a gente atualiza algumas informações e daqui a pouquinho vamos apresentar as nossas convidadas do programa de hoje, tá? Olha só, a Comissão de Constituição e Legalidade da Câmara de Campinas vai analisar hoje, quarta-feira, às duas da tarde, pareceres de 23 projetos durante a 15ª reunião ordinária. Entre os itens da pauta está o projeto que cria o conceito de cidade esponja com diretrizes para adoção de mecanismos sustentáveis de gestão das águas pluviais com o objetivo de contribuir para o controle de enchentes e alagamentos. De autoria do ex-vereador Paulo Búfalo, a proposta recebeu o parecer favorável do vereador Roberto Alves, e o conceito prevê o uso de soluções baseadas na natureza para reter, limpar, infiltrar a água da chuva, além de recarregar os aquíferos e direcionar o excedente para áreas alagáveis. A reunião é aberta ao público, será realizada no plenário da Câmara, com transmissão pela TV Câmara Campinas e também pelo canal da emissora no YouTube. Você é nosso convidado para participar. Mais informações chegando para você. Campinas realiza de 18 a 22 de outubro a primeira semana do Climatério Menopausa. Não pare na pausa. A programação é gratuita e promovida pela Secretaria de Políticas para Mulheres em parceria com as Secretarias de Saúde, Esporte e Lazer e Cultura e Turismo. A iniciativa reúne seminários, rodas de conversa e atividades sobre saúde, prevenção e qualidade de vida, além de apresentar a rede especializada de atendimento a mulheres no município. A abertura, então, será no dia 18, já vai colocando na sua agenda aí. Dia 18, com uma atividade de yoga hormonal, das 9 da manhã ao meio-dia, no Cartódromo do Taquarau, aberto ao público, tá? E sem necessidade de inscrição. A programação segue, então, até o dia 22, quando será lançada a cartilha Não Pare na Pausa, com informações sobre o climatério e orientações sobre os serviços disponíveis em Campinas. As demais atividades têm vagas limitadas e, em geral, exigem inscrição pelo Simpla, tá? Então, de 18 a 22, vamos aí entender um pouquinho mais sobre essa fase de toda mulher, que é a menopausa. Agora a previsão do tempo chegando, vamos ver como é que fica o tempo hoje, ontem é uma chuvinha tímida, né, em alguns bairros da cidade, alguns locais da cidade e hoje da mesma forma, sol com algumas nuvens, pancadas de chuva à tarde e à noite, mínima 19, máxima 26 graus. Uma ótima quarta-feira pra gente, vamos embora, volta pra mim, que agora nós vamos falar sobre amor e ódio, vamos lá, amor e rancor, né? É assim, gente, amar alguém não impede que a pessoa nos magoe, claro que não. E quando a dor não é resolvida, o que era um sentimento passageiro pode se transformar em rancor, afetando a relação e também a saúde de quem guarda a mágoa. Para entender o que acontece com a nossa mente e o nosso corpo nesses momentos, a gente recebe a psicóloga Beatriz Costa. Ela vai conversar com a gente sobre amor e rancor. Acredito que a gente tem muito para falar hoje sobre o tema do programa. Bom dia, seja bem-vinda, Bia. Bom dia, muito obrigada pelo convite. Nós que agradecemos a sua participação e para fazer uma dupla de super peso com a Beatriz, nós convidamos a médica Ana Luísa Cristal. Ela é pós-graduada em psiquiatria. Doutora, seja bem-vinda, bom dia. Bom dia, muito obrigada pelo convite para poder participar com vocês hoje. Maravilha. E você aí de casa também é nosso convidado todo especial, então a gente agradece a sua audiência e a sua companhia. Não esquece de mandar aí a sua dúvida ou compartilhar com a gente a sua experiência. Vamos lá, Beatriz. Olha, raiva e rancor São a mesma coisa? Como saber se eu tô sentindo Como é que eu sei se o que eu sinto É uma raiva passageira Ou uma mágoa que fica guardada Como é que a gente nomeia Recebe e valida Esses sentimentos tão estranhos Então vamos lá A nossa mente, ela é atemporal Então o que significa? Ela não tem noção de tempo Se eu tô pensando lá no passado Nossa, meu irmão me fez me fez mal, minha mãe me bateu aquela vez, meu marido me traiu minha namorada me traiu se ainda vem raiva, vem sentimento eu não consegui perdoar, então isso significa que eu estou com a mágoa aqui comigo né, então, pra elaborar isso, processo de psicoterapia entendimento dos porquês uau nossa gente, e isso é delicado exige muito conhecimento, muita paciência né, porque na verdade é a gente com a gente mesmo, né? Exatamente, é a gente com a gente mesmo e é um processo de individuação de entender realmente dos porquês, de ressignificar aquela situação que aconteceu pra conseguir seguir em frente Muito bem, então vamos lá, a gente precisa dar nome ao que a gente sente e esse é o primeiro passo, né? Como a Bia trouxe pra gente, é entender o que está acontecendo e o porquê de tudo isso Agora, vamos falar com a doutora Ana Luíza, porque a gente precisa entender doutora, o que que acontece no cérebro e no corpo de quem passa muito tempo guardando mágoa, né? Esse desgaste pode aparecer no sono, no dia a dia, no desenvolvimento das habilidades sociais, esse negócio de guardar mágoa, ele é prejudicial? Causa um impacto no nosso cérebro, na nossa mente e no nosso corpo também? O que a doutora pode trazer pra gente sobre isso? Com certeza, traz impacto até físico, né? Então, o que acontece? Quando a gente vai revivendo muitas vezes, a gente libera hormônio, que é a adrenalina, por exemplo, e essa adrenalina faz com que nosso coração palpite mais, nossa mão sobe, né? E também a nossa pressão suba e, concomitante a isso, também tem o cortisol. O cortisol, ele deixa a gente em estado de alerta por mais tempo, né? E o ideal seria que todo esse sistema ligue e desligue. Só que quando a gente revive muito a mágoa, esse sistema vai permanecer ligado por mais tempo, né? E é aí que vem os sintomas, né? Como dor de cabeça, tensão muscular, aquela sensação de angústia, né? Então, na realidade, o corpo paga a conta do que a cabeça vive remoendo, né? Uau, olha aí, hein? Uma frase que a gente pode parar pra pensar, o corpo paga a conta do que a cabeça fica remoendo. Muitas vezes, o peso de um ressentimento realmente é sentido primeiro no corpo, né? Mas por que, Beatriz, que dói tanto? e por que que justamente com quem mais a gente ama, a mágoa pesa mais. Como que a mente lida com esse negócio de amor e raiva pela mesma pessoa? Expectativa. Quando a gente ama alguém, a gente coloca expectativa naquela pessoa e às vezes acaba terceirizando a nossa felicidade. Então a gente espera que o outro supra as nossas necessidades e quando não supra, vem a frustração. vem a mágoa, vem o rancor vem o ódio então aí disso, a gente fica acumulando olha só a expectativa, né? expectativa é bom a gente ter expectativa muita gente fala, Beatriz, que não é legal a gente criar expectativa sobre algo ou alguém porque se a gente não tiver expectativa a gente não se frustra mas a gente sabe que a frustração faz parte do dia a dia e a gente precisa aprender a administrar a frustração que também faz parte do nosso autoconhecimento agora, até que ponto a expectativa sobre algo ou alguém ela é importante e quando que ela passa a ser prejudicial pra gente? Ela passa a ser prejudicial quando a gente depende daquilo eu dependo que o outro faça isso por mim aí começa a ser prejudicial porque a gente terceiriza e coloca na mão do outro a nossa felicidade que deveria estar na nossa mão E aí passa a ser prejudicial. A gente passa a terceirizar a responsabilidade da nossa felicidade, do nosso dia a dia, tudo no outro, né? Exatamente. E acontece em todas as relações, né? Amorosas com relação a irmãos, namorado, marido, amigo. Isso é consciente ou inconsciente? Isso é inconsciente. Inconsciente. A gente não percebe que faz isso. A gente realmente não percebe. E a gente acaba colocando na mão do outro. Olha só, né, e quando a gente fala de relacionamento, a parte do inconsciente, ela vem à tona, né, porque às vezes a gente faz coisas que a gente não percebe, depois se alguém falar, olha só o que você fez, você fala, eu fiz isso? Sim, você fez, e foi o nosso inconsciente, né, que agiu de uma maneira que a gente não teve controle sobre isso. Agora, doutora, os sinais que mostram para a gente que o rancor deixou de ser uma mágoa comum e já está afetando a nossa saúde, né? Depressão, ansiedade, isso também pode aparecer quando a gente tem a nossa fixação, assim, sobre a mágoa, sobre o rancor? Com certeza, a gente consegue perceber que está influenciando no nosso dia a dia Quando a maioria dos nossos pensamentos fica envolvido com essa mágoa E aí a gente consegue perceber sintomas como insônia, como ansiedade, como depressão E vale a pena falar que a ansiedade e a depressão nem sempre vem acompanhada do choro Às vezes a gente fica mais irritadíssimo, fica mais para ver o curto, mais reativo, isso também é sintoma de ansiedade. Então aí é a hora da gente procurar ajuda. Muito bem. Essa questão, doutora, da expectativa que a gente deposita no outro, igual eu trouxe para a Beatriz, e a terceirização do nosso bem-estar, da nossa felicidade, que a gente, de repente, inconscientemente, leva para outra pessoa. Como que a gente consegue reverter essa situação? Como é que a gente consegue entender que nós estamos fazendo algo que a gente está depositando na outra pessoa? Tudo que a gente deveria fazer por nós mesmos, Já que é inconsciente, como é que a gente pode reverter isso? Então, a gente tem o pensamento ruminativo, né? Que é um pensamento em círculos ali, que a gente remoi aquela mágoa durante muito tempo. Então, é um círculo, um ciclo, na verdade, né? E a gente tem que quebrar esse ciclo pra gente poder começar a elaborar sobre a mágoa, né? E aí, no dia a dia, tem coisas que a gente consegue fazer, né, como, por exemplo, atividade física, como escrever, acho que a doutora Bia deve orientar até os pacientes dela a escrever, né, porque quando a gente escreve, a gente organiza nossos pensamentos, a conversar com alguém, que isso também é uma maneira de quebrar o ciclo, né, mas eu acho importante também a gente diferenciar o rancor sobre a mágoa, né. O rancor é uma primeira, aliás, a mágoa é a primeira parte ali que a gente sente quando a gente revive muitas vezes a mágoa. E o rancor é quando a gente já traz a mágoa, mas junto com uma questão de hostilidade, assim. Meio que a gente quer reagir aqui, ou fazer, dar o troco na pessoa, né? Então, acho importante ressaltar esses dois pontos. Excelente, muito bem. Tem gente que parece guardar aí a conta de tudo que o outro fez ou tudo que eu fiz pelo outro, né? E a gente fica naquela, eu faço porque eu quero, mas aí inconscientemente você vai guardando tudo aquilo que você fez e acaba colocando isso na conta quando surge algum momento de raiva, de rancor. esse negócio de guardar de ir acumulando olha que eu fiz isso pra você, eu fiz aquilo, fiz aquilo fiz aquilo outro e olha o que você fez pra mim você faz eu sentir raiva você faz eu ter mágoa de você esse negócio de guardar tudo que a gente faz e mesmo a gente falando que não, eu tô fazendo porque eu quero isso realmente é real, Beatriz existe e o impacto desse montante de coisas que a gente vai guardando, muitas vezes sem perceber depende muito né, então assim, um relacionamento na maioria das vezes que eu escuto em consultório né, a gente guarda às vezes pra não fazer o outro se frustrar né, não ter briga dentro da relação, e isso acaba prejudicando, porque o outro guardou reprimiu, reprimiu, uma hora aquilo ali explode, né, então aí quando chega no momento de briga, realmente eu fiz aquilo por você, você não fez aquilo por mim, você não me agradeceu né, então é ruim na relação porque isso, depois no final não aguento, não dá conta. Reprimiu tanto que chegou um ponto que estourou. E essa repressão, ela vai causar um impacto na pessoa com certeza, né? Como é que a gente consegue perceber quais são os sentimentos que vêm a partir dessa repressão, dessa ruminação, dessa coisa de guardar, né? Guardar situações que um dia, tá enchendo, tá enchendo um dia, ela vai transbordar. Ah, isso é público e notório. Mas como é que a gente entende que isso tá magoando, que tá machucando e o que a gente faz com isso? É perceber, a pessoa vai perceber, porque ela vai dar aquela de anjo pro outro, mas no fundo ela vai tá lá falando mal, criticando, que ódio que eu fiz aquilo, que raiva que eu fiz aquilo que não fez realmente pra ser feliz pra relação melhorar fez por uma obrigação, por ah, eu não vou fazer isso porque eu vou ser punido a gente vai brigar e aí guarda aquela raiva ali dentro então pra saber é isso, é entender eu gostei do que eu fiz ou não gostei do que eu fiz uma autoavaliação, uma autoanálise uau, e aí quando a gente chega ao ponto do transbordo eu pergunto pra nossa psiquiatra como que a gente faz, qual que é o impacto de transbordar quando a gente já não aguenta mais e aí é um mix de sentimentos a gente não conseguiu entender a diferença de raiva, de rancor, de ódio São sentimentos estranhos de se falar Mas é algo que acontece com a gente E a gente precisa nomear eles Para poder tentar manejar Mas se você está cheio de rancor Uma hora você vai explodir Nesse momento, doutora, que a gente explode O que acontece no nosso corpo e na nossa mente? Qual é o impacto dessa explosão? A gente precisa explodir? Isso faz bem? Isso faz mal? E como que a gente maneja para não chegar a esse ponto? Ah, isso faz mal, né, a gente precisa sempre elaborar, né, como a doutora Beatriz também falou aqui, que é parar, pensar, refletir e pedir ajuda, né, que é o mais importante. Então, quando a gente está tendo dificuldade de elaborar, a gente pode tentar conversar com o familiar, com um amigo, mas quando está com essa dificuldade também é o ideal procurar um profissional, né. O psicólogo tem muito essa função, né, de ajudar a gente a nortear e elaborar sobre essa mágoa. Agora, quando a gente chega na questão de procurar um profissional, imagina só, muitas vezes a pessoa, ela sente que ela está precisando de ajuda, mas ela não quer expor a sua vulnerabilidade nem para o profissional, principalmente quando a gente fala de rancor, ódio, esse sentimento estranho por quem a gente ama, né, aí vem uma questão do auto julgamento, Beatriz, qual que é a sua avaliação sobre isso, porque eu vou lá chegar e conversar com você, né, então Rubem, por que você veio buscar a terapia, o que que te trouxe até aqui? Ah, eu amo uma pessoa, mas eu odeio ela também, olha que confuso, né, e aí tem o auto julgamento, porque você acaba se julgando, Fala assim, poxa, mas como é que eu consigo sentir isso por uma pessoa? E às vezes a gente sente, sabe que tem mágoa, sabe que tem rancor, sente o ódio, mas a gente não quer sentir isso, porque esse sentimento não é bom e a gente sabe que não é bom. Como é que a gente faz com o auto julgamento e o não querer sentir, mas sentir essas emoções, esses sentimentos? Mas a gente vai sentir, né? Somos seres humanos, faz parte a frustração, a mágoa, o rancor. então não tem como negar alguns sentimentos mas o processo de terapia muita gente chega na terapia ou com ciência ou é quando chega no fundo do poço eu preciso sair disso daqui e aí a pessoa entra lá mas tem esses medos de julgamento de crítica, a pessoa mesmo ali se julga como é que eu posso realmente sentir isso, como que eu saio disso e aí começa o processo, quando a pessoa está aberta para elaborar, para entender, para se compreender já é o primeiro passo É, mas até chegar a essa abertura demora um pouquinho, né? Agora eu vou perguntar para a doutora Ana Luísa. Eu acho, só um adendo, eu acho que vale a pena falar que quando a gente desde pequeno foi criado ali sobre o amor, né? Que o amor tem que ser puro, que muito idealizado, né? Então quando a gente sente raiva e rancor de alguém, a gente meio que sente como se a gente estivesse traindo esse sentimento, né, então, e na verdade não é isso, os dois podem coexistir, né, existe a ambivalência entre os dois, que é, eu amo, mas eu também posso sentir raiva, eu também posso sentir rancor, e um não faz que, por exemplo, se eu sinto raiva, não faz com que eu ame menos aquela pessoa, né. Olha só que interessante que a doutora trouxe, né, se eu sinto raiva, não significa que eu não ame, ou ame menos, e aí, uma questão, né, A raiva, ela passa quando a mente, doutora, ela não desliga e fica repassando a mesma cena, sabe? Aconteceu alguma coisa, você sentiu raiva, você está com rancor, você está com ódio, né? Sentimentos que estão latentes e aí a mente não desliga e você fica repassando a mesma cena. O que ajuda no dia a dia a interromper esses pensamentos repetitivos? Porque eu imagino que seja a partir desses pensamentos repetitivos que a gente vai ruminando, ruminando e fazendo com que a mágoa, ela cresça ainda mais. A gente precisa bloquear esses pensamentos repetitivos, mas como que o nosso cérebro trabalha e funciona e como que a gente pode ajudar com que esses pensamentos sejam bloqueados? é, a gente volta ao ponto da ruminação, né então o que que acontece, a gente tem ali um problema e o nosso cérebro fica tentando resolver e não consegue e fica aquele ciclo vicioso né, a gente precisa quebrar esse ciclo, então a gente tem que cuidar na hora de dormir, né quando a gente deita na cama é fatal que a gente fica remoendo toda aquela situação, né então tentar fazer uma higiene do sono ali, parar de mexer no celular, ficar no escuro, num ambiente mais calmo, né, pra ajudar com que a gente pegue no sono mais facilmente. Atividade física é primordial em qualquer transtorno mental, tá? As evidências hoje indicam, né, que a atividade física é primordial, junto com a terapia e quando necessário, tratamento medicamentoso, né. Também conversar com alguém que ajuda a quebrar o ciclo, né, como eu já tinha dito, escrever, escrever ajuda da gente organizar bem os nossos pensamentos, né? E saber nomear que a gente está nesse processo de iluminação, que é super importante e é uma maneira da gente se autoconhecer também. Excelente, né? Cuidar do corpo, da rotina, faz parte do cuidado com a mente também. Agora, vamos lá, nossa psicóloga, Beatriz. Quem guarda rancor passa a perceber só o lado ruim das coisas, né? Essa mágoa, ela muda a forma de como a gente interpreta até os gestos de carinho. Eu tô com rancor de uma pessoa, tá lá guardado, tô ruminando, mas não é tudo de ruim. Mas por que que, na maioria das vezes, quem está com esse sentimento só enxerga o lado ruim das coisas e não interpreta que, de repente, pode ter um lado bom? Então, pela mágoa, às vezes quando acumula bastante mágoa, a pessoa fica reativa Então, a qualquer gesto de carinho, de aproximação, a pessoa pode ter esse afastamento Porque já está acumulado bastante mágoa ali Então, isso faz parte, quando a gente não sabe lidar com uma coisa, a gente fica guardando E aí, quando o outro tenta essa aproximação, tem isso Mas isso faz parte, é normal é normal, porque a pessoa não consegue ele sair, não consegue entender, então essa atividade ali pra ela, vou soltar é, né, e aí a visão de que é tudo ruim é tudo ruim, né, porque o outro tá fazendo aquilo pra quê, por quê é os porquês que eu falei pra você, quando a gente tem mágoa a gente não entende daquele porquê então por que esse outro tá fazendo isso por que a intenção dele com isso muito bem agora é importante a gente reconhecer as qualidades E as falhas na mesma pessoa é um desafio, é um desafio, mas é importante a gente reconhecer isso, porque nós somos seres humanos, a gente erra, a gente acerta e está tudo bem. E não somos feitos só de erros e também não somos feitos só de acertos. Assim como a gente precisa reconhecer e nomear os nossos sentimentos, é importante que a gente trabalhe para que a gente possa reconhecer também as qualidades. nas outras pessoas, principalmente naquelas pessoas que a gente ama. Ah, Rubem, mas não é tão fácil assim. Claro que não, é desafiador demais, muito. E aí eu pergunto para a doutora Ana Luiz o seguinte, algumas pessoas, elas oscilam de forma muito intensa, entre amar e sentir ódio de quem está perto. Num padrão assim, 8 é 80, ou é tudo ou é nada. Quando que esse comportamento, doutora, ele merece uma avaliação avaliação e uma atenção profissional, porque é tudo no extremo, né, não tem meio termo. Qual que é a sua avaliação sobre esses extremos, ou tudo ou nada? E a importância de a gente entender o meio termo, para que a gente possa, de repente, ter aí um reconhecimento, ter uma validação, um entendimento, por favor. É válido falar que todos nós oscilamos durante o dia a dia, né, nem sempre é oito, 80, mas a gente tem esse padrão de oscilação, né, e vale a pena é procurar ajuda quando esse padrão se repete muitas vezes. Então, por exemplo, eu tô tendo muitas reações impulsivas, eu tô tendo um medo intenso de abandono, tudo isso a gente consegue enquadrar dentro de alguns quadros, né, dentre eles o transtorno de personalidade borderline, mas é importante falar que a gente não deve se autodiagnosticar, né, hoje em dia com essa era aí de mídia, de TikTok, todo mundo tenta se enquadrar em algum transtorno, e isso prejudica muito, né, então sempre que você tiver alguma questão, o ideal é procurar uma ajuda, né, para que esse diagnóstico seja feito por um profissional. E também é importante falar que se você tiver tendo comportamentos de auto-lesão, né, de pensamentos de se machucar, daí é a hora que a gente tem que procurar uma ajuda imediata, né. Muito bem, essa oscilação faz parte de nós, seres humanos, mas a gente tem que cuidar quando ela fica muito latente. E lembrando também, e reforçando o que a doutora colocou para a gente, só um profissional de saúde pode avaliar cada caso, nenhum diagnóstico deve ser feito por conta própria e muito menos pela internet. O que nós temos hoje é uma facilidade muito grande de informação, mas uma facilidade muito grande de desinformação também. Então a gente precisa cuidar com o conteúdo que a gente consome, principalmente nos momentos que a gente está vulnerável, que é esse momento que a gente está abordando agora, que é a questão do amor e do ódio, do amor e do rancor, do amor e da mágoa. Agora, se a gente coloca lá, Beatriz, amor, ódio, mágoa, rancor, vamos falar do perdão, porque muita gente evita perdoar, desculpar, não sei, qual que é a diferença do perdão e da desculpa? Muita gente acha que perdoar é esquecer ou concordar com o que aconteceu. O que o perdão pode trazer de bom para quem o oferece e para quem recebe? E perdão e desculpa é a mesma coisa? O que a psicologia entende sobre esse negócio de desculpar? Já que estamos falando de mágoa e rancor, tem alguma pedra no meio do caminho. Então, a gente precisa tirar ela, só que a gente tem que apagar, virar a página, né? Então, e aí, como é que faz? Então, Rubia, vamos lá. O perdão, como que funciona? Lembra que eu falei que a mente é atemporal? Sim. Então, se a gente não perdoa, a gente guarda. Então, vamos lá. Você brigou com a sua filha, com o seu amigo, aí você tá guardando. Chegou a morrer esse amigo seu, você ainda guarda a mágoa desse amigo. Tá ferindo você mesmo. Então, o perdão serve pra isso, pra eliminar a mágoa de dentro de você. não tem a ver com ah, fez mal pra mim, eu vou continuar sendo amiga, não, não tem nada a ver de manter a pessoa na sua vida o perdão tem a ver de eliminar o sentimento ruim pra você ficar bem com você pra você conseguir seguir sua vida sem que aquilo te afete sem que aquilo passe na sua mente 24 horas então pra isso que a gente tem que trabalhar na terapia, elaborar o perdão, ressignificar os pensamentos pra conseguir viver bem nossa gente, é delicado demais, né, a ideia de que cada um tem de perdão, né, pode mostrar o que impede de você recomeçar, porque o que é perdão pra você? O que é desculpa pra você? E aí a gente, de repente, pode vir aquela ideia assim, tá, eu vou perdoar, eu vou desculpar, mas vai acontecer de novo. O que a gente faz com esse sentimento da dúvida? Tá, esse sentimento da dúvida, vai ter. O outro pode fazer de novo. mas aí é que tá, a gente terceiriza pegar a nossa felicidade de volta pra nossa mão, eu perdoo eu entendo também dos porquês eu entendo que essa pessoa não tem capacidade talvez física, mental, financeira de suprir uma necessidade minha, então se eu entendo esse porquê, eu respeito o outro se eu respeito o outro, eu não sinto mágoa, eu não sinto rancor, eu não sinto ódio eu entendo que essa pessoa não tem essa capacidade de me oferecer isso eu respeito e ok, eu tô em paz comigo Nossa, para chegar nesse estágio, eu acho que tem que ter muita terapia, muito autoconhecimento, né, doutora Ana Luiz, a gente está falando aqui de perdoar, e por que que parece ser tão difícil a gente perdoar quem a gente ama, né, a Beatriz falando aqui que o perdão, ele vai fazer a gente tirar aquela coisa ruim que a gente sente, mas tem que ser verdadeiro, né, porque se você perdoa e aí amanhã você está ruminando de novo, você não perdoou e vai, trazer mais impacto pra sua vida. Doutora, esse sofrimento, quando ele começa a ficar muito grande, existe tratamento, né? Tem medicamentos que podem entrar nessa bagunça aí de amor e rancor pra poder estabilizar alguma coisa? O que que a psiquiatria traz pra gente referente a perdão e a sentimentos tão latentes que acabam desequilibrando, né, a pessoa que tem esses sentimentos e que provavelmente vai precisar aí de uma intervenção medicamentosa? A mágoa e o rancor a gente não consegue tratar com medicamentos, né, porque são sentimentos, então a gente não consegue tratar, mas a gente consegue tratar as consequências disso, né, que é a ansiedade, a depressão, e aí a gente prescreve antidepressivo, né, geralmente que ajuda a gente a abaixar a intensidade dos pensamentos ruminativos, né, a parar e elaborar sobre aquela mágoa. Junto a isso, a gente precisa da psicoterapia, né, os dois são ótimos pra gente conseguir elaborar sobre essa mágoa, lembrar de não se automedicar, um calmantezinho ali por conta não é o ideal, né, e assim, o medicamento não vai apagar as lembranças e nem ajudar a gente a resolver o problema, né, mas vai trazer um alívio para a gente, para a gente conseguir resolver. Agora, quando a gente fala de perdoar, doutora, a gente consegue, quando a gente não consegue, aliás, perdoar mesmo, o que acontece conosco? Qual é o impacto desse não conseguir perdoar a pessoa? A gente fala que perdoa, mas aí a gente deita, coloca a cabeça no travesseiro, a gente começa a ruminar de novo e a gente tenta perdoar, mas a gente não consegue. O porquê que isso acontece? É, quando a gente fica ruminando muito, a gente vai revivendo aquela mágoa, né? A gente vai ressentir aquela mágoa. Então, é um processo difícil, trabalhoso, né? Mas que a gente consegue sozinho, ou se não, pedir ajuda, né? A medicação tá aí pra auxiliar, a psicoterapia também tá aí pra auxiliar, né? Então, acho que é tudo válido nesse momento. Ah, excelente, né? Cada caso exige uma avaliação individual, né? E o tratamento pode envolver aí caminhos diferentes. E a gente, se isso está te incomodando, né? A ponto de fazer você perder o sono, fazer você perder a questão de vontade de continuar, você sabe que isso acontece, né? Então, é importante pedir ajuda, buscar ajuda. Agora, também tem uma outra situação que a gente pode tentar colocar nessa conversa, que é a questão de conversar. Então, você tem um problema com alguém, está ruminando, está com raiva, está com mágoa, está com rancor, principalmente uma pessoa que você ama, poxa vida, você tem intimidade com aquela pessoa, de repente é um familiar, de repente é o cônjuge, é a pessoa que você vive todo dia e você precisa conviver com ela, mas você está com muita raiva. E aí, a gente está dizendo aqui de perdoar, de desculpar, mas é importante a gente falar da conversa, né? Agora, depende do teor aí da raiva, essa conversa pode ajudar ou virar uma nova briga e ir acumulando mais e mais. Como que a gente fala da nossa dor, Beatriz? Sem atacar o outro, porque eu estou com raiva do outro. Ok, mas eu estou sentindo uma dor. Então, como é que eu começo uma conversa assertiva para dizer ao outro que eu estou sentindo uma dor, mas não acusar ele que o responsável da minha dor é ele? Percebe como que a gente faz? É algo muito desafiador e exige muito entendimento, autoconhecimento e equilíbrio da nossa parte. E isso precisa de muito treino, né? Mas vamos lá, Rúbia. O objetivo de toda briga, discussão, pra falar a verdade, é melhorar a relação. Então, assim, a gente vai conversar, qual que é o objetivo? Já colocar aquilo lá em pauta. A primeira coisa, o objetivo dessa conversa é a gente melhorar. Aí já desarma o mecanismo de defesa do outro. Vou entender, não, essa pessoa tá falando porque ela quer melhorar a relação. então eu vou ali ficar mais disposto aberto a ouvir aquilo e expor, sem humilhar, sem xingar sem brigar com o outro, olha eu tô sentindo isso, o que a gente pode fazer pra melhorar essa parte, essa relação, isso que não foi feito, foi deixado de fazer então dessa forma, sem ser agressivo cara, é muito bom né, mas aí compreensão e entendimento, muita gente não tem isso eu tô com mágoa, e eu vou lá, eu vou ferir o outro, já vou xingar o outro, brigar com o outro então tem vários casos várias situações, mas a maneira mais adequada é, olha, vamos acertar, vamos se comunicar pra dar tudo certo é, toda ação tem uma reação, né e aí se você tá com raiva, mágoa você tá vendo só o seu sentimento só o que você tá sentindo, mas o que será que a outra pessoa está sentindo também né, e aí quando isso se conecta pode dar problema, né, pode dar um de circuito aí e uma explosão maior do que você imagina. Então a gente precisa aprender a falar sem agredir, né? A forma como o assunto é tratado pode sim aproximar ou então afastar ainda mais essa pessoa que você ama, mas que você está magoado. Agora, doutora Ana Luíza, quando a gente percebe que alguém querido está preso a uma mágoa, né? O que a gente pode fazer para ajudar sem pressionar essa pessoa? O que pode piorar essa situação? De repente, eu percebo que um ente querido está sofrendo por conta dessa situação, né? De mágoa, amor e rancor. E aí eu quero ajudar, mas como é que eu vou intervir para que essa ajuda não seja entendida como uma forma de pressionar? É, a gente tem que ter uma escuta ativa, né, então uma escuta empática, evitar, validar o sentimento que a pessoa tá sentindo, né, mas ao mesmo tempo não dar uma solução, evitar aquelas frases, ah, esquece isso, já passou, deixa pra lá, você tem que perdoar, cada um tem um processo ali pra chegar ao perdão, né, às vezes pode demorar pra um, pra outro é mais rápido, E também não jogar mais lenha na fogueira, né, porque a mágoa já tá ali, se você ficar instigando cada vez mais, vai piorar a situação. Então, o ideal é pedir ajuda quando você tá nessa situação, né? É verdade. Agora, Beatriz, quem tá perto, né, dessa pessoa que tá passando por essa situação, ela sente os efeitos dessa mágoa que não é resolvida? quem convive com a pessoa que está magoado, quem convive com a pessoa que está ruminando esse rancor, ela sente também isso? E pode ser que inconscientemente ela entre na defesa ou no ataque? Não, sente com certeza, né, porque aquilo lá, a mágoa, ela fica, como assim, a gente expõe aquela mágoa, né, então o outro vai sentir, né, então conforme o dia vai passando, as atividades, a rotina, vai, né, Então, assim, um ataque, um deboche, uma conversa, uma piadinha, né? Então, vai sentir aquele clima ruim, aquele ambiente pesado por conta dessa mágoa. É, isso pode piorar a situação da pessoa, né? Exatamente, pode piorar a situação, a relação da pessoa. Inclusive com as pessoas que ela convive, que ela não está com mágoa nem rancor, Mas que isso pode, de acordo com o que acontece ao redor dela, que são ações que vêm da rede de apoio, essa pessoa pode, de repente, sentir mágoa e rancor por mais pessoas e pessoas próximas. Exatamente, aí pega o ambiente inteiro, né? Então, assim, eu moro com bastante gente, minha família, meu marido, meu filho, mãe, vai. todo mundo, o outro fez alguma coisa ruim pra mim, aí eu vou lá e desconto em outras pessoas eu não consigo lidar com aquilo, aquilo que eu falei de terceirização, a gente terceiriza também isso, né, então eu não dou conta desse sentimento, então a minha mãe vai dar conta, o meu filho vai dar conta o meu amigo vai dar conta e a gente ali não pega, a gente não se responsabiliza, a gente quer que o outro eu preciso que o outro me peça desculpas eu preciso que o outro faça tal coisa pra mim, pra mim ficar bem então às vezes esperar também uma desculpa do outro, cara, não vale a pena, tem que ser uma coisa elaborada dentro imagina só, você faz alguma coisa o outro nunca te pede desculpa, nunca fala nossa, nunca compreende que aquilo te afetou e você tá guardando, guardando, guardando esperando aquela desculpa pra quê? Pra nada então assim, guardar isso é muito ruim então pra si e pra quem tá perto exatamente E às vezes a gente consegue dar o perdão, a gente consegue perdoar, mas o perdoar não significa voltar a conviver como antes. Você pode perdoar, mas não precisa conviver. Tem situações que é saudável manter a distância, mesmo a gente já ter conseguido não estar mais com o rancor, ter conseguido perdoar de verdade, né? E aí, de repente, a pessoa quer se aproximar de você, mas você prefere manter a distância. Manter essa distância é saudável ou sinaliza que você ainda tem o resquício da mágoa? Não, é saudável. É saudável. Porque isso já entra na questão do limite, da compreensão que eu falei pra você. Então, assim, eu compreendo que essa pessoa, às vezes, não tem uma coisa boa pra me oferecer, um relacionamento que não foi legal tinha muita briga, muita discussão então assim, eu parei de colocar as expectativas ali naquela pessoa, hoje eu entendo que não dá, então assim eu perdoo, eu elaborei espero que fique bem, mas eu não quero mais conviver com essa pessoa então isso é saudável é o limite e nem sempre o perdoar é reconstruir o vínculo cada um tem a sua história cada um tem o seu limite e a gente precisa aprender a respeitar os limites, né, tanto o nosso quanto o das outras pessoas. Pois é, gente, é desafiador isso, né? Você já parou pra pensar? Te garanto que não. Aí você tá ouvindo a gente falar aqui, você fala, nossa, olha só, né, isso tá acontecendo comigo. Então, vamos lá, participe com a gente. 8h41, nós estamos aqui com a doutora Ana Luíza e com a Beatriz, nossa psicóloga, nós estamos falando sobre esses sentimentos, né, que muitas vezes vem latente dentro da gente e que acaba trazendo um impacto na nossa vida profissional, na nossa vida pessoal, na nossa vida social e a gente precisa aprender a manejar esses sentimentos. Primeiro, a gente tem que sentir, é ruim sentir, mas daí sentindo você vai aprender a nomear, nomeando você vai entender e entendendo você vai saber manejar e aí gente, a gente tem que ver o que a gente faz com esse sentimento, né, se a gente vai perdoar, se a gente não vai e como que a gente vai fazer, porque a vida ela segue e tem que seguir, só que a mágoa e o rancor vai atrasar você seguir o seu caminho, porque isso vai te paralisar em algum momento, isso não é bom sentir como as nossas entrevistadas repassaram pra gente aqui hoje, agora 8h42 a produção tá me avisando nós temos algumas perguntas, então a gente coloca no ar agora a sua pergunta aí de casa, você que está mandando a sua pergunta para a gente, vamos lá, vamos conversar com quem está assistindo o Estúdio Câmara ao vivo. Camila Rodrigues do Guanabara, olha só, já falei que estava tudo bem, só para encerrar uma discussão, mas continuei magoada. Como tocar no assunto de novo sem ouvir que estou procurando briga. Nossa, que delicado, hein, ô Camila. Doutora Ana Luíza, olha só a pergunta da Camila. A doutora pode orientar e sanar a dúvida dela? Ela pergunta de como ela, a pergunta dela é como tocar no assunto de novo sem ouvir que estou procurando briga. É tão ruim quando você ouve isso, né? Tá procurando briga de novo? A pessoa quer conversar, não quer brigar. Vamos lá, doutora. É super importante ter tido essa pausa E encerrar a discussão Porque no calor do momento Muitas vezes a gente fala Que vai prejudicar e aumentar ainda mais a mágoa E aí, quando você for tocar no assunto O que você pode falar? Tipo, ah, quando você me fez isso Eu me senti assim Você vai estar se colocando em vulnerabilidade também E talvez isso faça a pessoa entender Que você não está procurando briga Você só tá nomeando o que você sentiu naquele momento, né? É importante, é aquela questão de nomear o que a gente tá sentindo. Mas é tão ruim quando você quer conversar e a pessoa fala, né, Beatriz? Tá procurando briga de novo? O que você quer? Nem te dá a oportunidade de você expressar que você está magoada com algo, né? Mas isso daí também, a gente tem que ver se o outro tá disposto a escutar. Isso! Então, assim, se você viu que não está disposto ali, procurar, às vezes, um momento mais adequado para expor aquilo e falar com mais calma, para não ter briga, para não gerar discussão, né? E expor realmente dessa forma, né? Positivo, olha, isso me magoou, não achei legal, o que a gente pode fazer para resolver a situação? Muito bem, só que o outro precisa estar aberto para ouvir, né? E, às vezes, nem sempre as pessoas estão abertas para uma escuta ativa. é delicado, desafiador, a gente precisa tentar, né, tentar e dar um tempo também às vezes, porque a outra pessoa, se ela tiver reativa, a gente não vai conseguir conversar mesmo. Camila Rodrigues, obrigada pela sua participação. Mais uma pergunta na tela pra gente, por favor, produção. A Fernanda Lima, do Cambuí, quando fico magoada com alguém de casa, acabo respondendo mal até pra quem não tem nada a ver com história. O que posso fazer para não descontar nos outros? Nossa, esse negócio aí é bem desafiador também, porque a pessoa nem sabe o que está acontecendo, aí você vai e detona a outra pessoa, vamos ver o que eu fiz para você, né? Eu estou com raiva, mas não é de mim, né? Então, como é que faz para não descontar nos outros? A Fernanda Lima, Beatriz, está perguntando. Fernanda, vamos lá. O legal seria escrever isso, né? É uma técnica. então colocar os pensamentos em ordem escrever tudo que passa na sua mente daquela situação que aconteceu e colocar ali, pode ser bem, mal, falar tudo que vem à mente, e ali você consegue organizar um pouquinho e é uma forma de catar, de expurgar, de eliminar então assim ficando mais leve depois de tentar lidar com a situação melhor, com a pessoa que ali causou essa situação é, e é algo bem natural que pode acontecer nas famílias, em casa você tá com um problema com uma outra pessoa e chega em casa você vai descontar aí tá o negócio, você desconta em quem? em quem você ama, você desconta em quem? em quem tá próximo de você né, então esse negócio de escrever aí gostei vamos fazer esse teste pra ver se funciona como as nossas especialistas estão dizendo escrever o que você tá sentindo e o que a gente faz com aquela escrita? A gente vai estudar? A gente vai fazer o que com tudo aquilo que a gente sente e que a gente escreve, Beatriz? Qual que é a dinâmica? A escrita é igual o choro. Quando a gente chora, a gente sente aquele alívio, né? Então, a escrita também é pra sentir esse alívio no final. E depois você pode eliminar, jogar fora mesmo. E se precisar, escrever novamente. Essa situação me fez mal, tal pessoa me fez mal. E ali naquela carta, naquela escrita, é colocar tudo. Tudo que vem sentindo. Mas é realmente pra eliminar. Olha só que interessante, né? E é para eliminar depois, tá? Não vai guardar a cartinha e ficar olhando e lendo. Olha aqui, olha aqui. E daí você vai conversar com a pessoa e você leva a carta e fala, olha aqui o que você me fez. Então, cuidado, cuidado com isso aí. Cuidado com aquela questão de agir por impulso, tá bom? Pode colocar mais uma na tela, por favor, produção, pode colocar que a gente vai direcionar para a doutora Ana Luiz agora, Juliana Costa do Ponte Preta, olha só, uma amiga sumiu quando eu mais precisava e agora voltou a me procurar, gosto dela, mas ainda estou chateada, como dar uma chance à amizade sem fingir que nada aconteceu. Doutora Ana, e aí, como é que a gente faz com essa amizade que sumiu e agora voltou, e pelo jeito a Juliana, ela quer continuar a amizade, mas e aí, vai fingir que nada aconteceu? Como que a gente faz? É difícil, né, porque quando a gente tem uma amizade, a gente cria uma expectativa sobre ela, né, quando a gente não é correspondido naquela situação, né, que a gente, é... Ah, que a gente criou a expectativa de fato, né, mas é importante chegar para essa amiga e falar o que você sentiu, quando que você se sentiu abandonada, né, para vocês duas conseguirem entrar em um acordo ali, para conseguir continuar essa amizade, né? É verdade. Elaborar, a palavra é sempre elaborar. É verdade, né? Porque, pensa bem, a Juliana, ela criou uma expectativa mesmo, né? A gente cria expectativa, como nós falamos no início do programa, né, Beatriz? A gente cria expectativa diante de outras pessoas, né? E aí ela passou por uma situação e ela achou que a melhor amiga viesse para ajudá-la. Mas isso não aconteceu. Mas aí depois a amiga voltou a procurá-la. E agora ela está o quê? Ela está chateada, ela está magoada, né? E aí ela precisa ser o quê? Assertiva na forma de falar com a amiga, né? Porque a amiga, de repente, também tem os seus motivos por ter sumido e, de repente, podia estar passando por uma situação pessoal também. Exato, é aquilo que eu falei dos porquês, né? A gente se pergunta, o outro fez isso comigo, eu me magoei, e a gente fica na cabeça do porquê. Será que eu fiz alguma coisa? A pessoa está passando por alguma coisa ou não está? mas normalmente a gente olha pra nós mesmos somos seres egoístas, né, então assim não quer me ajudar, não gosta de mim, e a gente fica colocando isso em mente, em mente, vai, vai, ruminando e essa chateação também fica aí, essa ruminação junto com a maga essa chateação, então o ideal seria realmente conversar com essa amiga e dar a possibilidade dela se explicar, de entender o porquê e aí disso ver, eu coloco um limite nessa relação ou realmente eu quero abrir a possibilidade uma nova amizade, de reconstruir tudo de novo. E essa reconstrução, ela precisa ser de coração, porque se não for, vai ser difícil reconstruir, né? Imagina um copo de cristal quebrado, daí você vai pegar, juntar os pedacinhos e colar com uma mega cola. Vai ter ali, né, as marcas, então a gente precisa entender se realmente a gente quer isso mesmo ou se não, porque depois você vai ter que conviver com aquela questão de um resquício aí, e perdoar é perdoar, enfim, então virar a página, olha tem que ser bem tem que ter muito autoconhecimento para poder conseguir fazer tudo isso, é por isso que existe terapia, para a gente se conhecer para a gente aprender a elaborar toda essa questão aí dos nossos sentimentos e manejar tudo isso A última pergunta e a gente já vai para as considerações finais. Vamos lá, por favor, produção, pode colocar na tela. Ricardo Santos, do Jardim Garcia. Já aconteceu de eu e uma pessoa querida lembrarmos de uma briga de jeito bem diferente. A raiva pode mudar a forma como que cada um lembra do que aconteceu? Ô, doutora Ana Luíza, bom, somos seres únicos, né? E aí cada um tem a sua forma de entender a situação, não é? Com certeza. E o nosso pensamento, ele é muito, às vezes, quando a gente está em um momento ali de mais fragilidade, né, ele faz com que a gente esqueça alguns pontos ou relembre de outra maneira. Então, é bem comum que a raiva possa mudar a lembrança do que aconteceu, né? muito bem, e aí cada um tem a sua verdade também, né Beatriz eu vejo de uma forma você vê de outra por isso que é importante a gente sempre ouvir os dois lados da história, né é, exatamente, né Beatriz, isso aí é de fundamental importância, essa questão de um, eu vejo de uma forma e você vê de outra e é assim pra tudo, não é? é assim, cada um às vezes tem uma visão daquela situação e de acordo com a sua vivência suas experiências e as inseguranças, os medos, as ansiedades, então tá, eu tô numa briga, alguma coisa aconteceu, mas a visão é de vários jeitos, né, política religiosa e faz parte, então nesse caso também é muito diálogo, é conversa e respeito, quando eu respeito o outro eu me sinto bem então quando eu compreendo o outro eu me sinto bem, em paz comigo mesmo, então o respeito nessa parte, a compreensão nessa parte com a vivência, as experiências do outro é o ideal pra si é gente, olha sentir raiva de quem se ama, né isso não faz de ninguém uma pessoa ruim sabe, porque são sentimentos e a gente, eles estão aí pra serem sentidos mas o rancor, quando fica por muito tempo, ele pesa na relação e na saúde a gente precisa cuidar das mágoas, né, com conversa, com o tempo para o outro, de repente escrevendo, assim como a Beatriz colocou para a gente, né, é importante que a gente dê o primeiro passo sempre, tá bom? Vamos lá, produção, vocês estão comigo aí? Temos mais uma ou a gente já vai para o encerramento, por favor? Oi, oi, oi, cadê vocês? Então pode colocar para a gente, por favor, na tela, vamos lá, Ricardo Santos, do Jardim Garcia, esse aqui a gente já colocou, isso, agora Rafael Mendes, Vila Nova, por que algumas pessoas, numa discussão por coisa pequena, acabam jogando na cara do outro, tudo que aconteceu, como deixar de fazer isso, é aquele negócio, a gente vai guardando na caixinha, por que a gente guarda, né, ô, meu Deus do céu, Beatriz, ajuda a gente, por que a gente guarda, como é que a gente faz para eliminar essas coisas, mas normalmente a gente faz isso mesmo, jogar na cara tudo que tá guardado, porque a gente não conseguiu ter aquele diálogo ou às vezes a pessoa não deu abertura, guardou guardou, guardou, e aí numa briga numa discussão, uma oportunidade de falar tudo que tava ali dentro tudo que queria expor, porque não deu conta, não conseguiu elaborar, não conseguiu lidar com aquilo, por isso que a terapia é importante nessa parte pra gente não torcerizar mais pra gente conseguir lidar com os nossos problemas sem que eu que jogar isso no outro toda hora. Nossa, isso é bem chato, né? E acontece na maioria das brigas. Você sabe que faz tempo que eu não brigo, né? Faz tempo que eu não brigo com ninguém. Então, assim, mas eu me lembro de algumas situações da minha vida que eu vivi, assim, que tive de fazer isso ou então receber isso, né? De receber, tipo, você fala assim, mas eu fiz tudo isso mesmo, né? E tem aquela questão quem faz às vezes não lembra, mas quem recebe vai guardar. Gente, como é que a gente faz para não guardar mágoa, né? Bem interessante o programa de hoje. A doutora Ana Luíza, por favor, nos orienta aí, né? Como é que a gente faz? A gente já vai para as considerações finais, então gostaria que a doutora deixasse uma mensagem especial para o pessoal que está em casa acompanhando o nosso programa, como que a gente deve elaborar toda essa questão que nós falamos hoje de amor, rancor, sentir mágoa, guardar, não guardar, perdoar. Ufa! Como é que a gente faz? Qual que é a mensagem final que a doutora deixa para o pessoal que está assistindo a gente sobre esses sentimentos, né? Que são sentimentos que a gente sente, mas que a gente precisa elaborar toda essa questão aí, manejar pra que a gente viva de uma forma mais leve, porque é ruim viver com amor e rancor. É, é válido falar que quando a gente sente raiva, a gente não deixa de amar ninguém ou nem ama menos por conta disso, né? A gente só sente a mágoa porque a gente tem o botãozinho ali do oferto ligado. E cuidar da mágoa é uma maneira de autocuidado e até de cuidar de quem a gente ama, né? Muito bem. Então, olha, cuidar da mágoa é uma maneira de autocuidado e cuidar de quem a gente ama. Agora, o 8,56. Ô, Beatriz, e aí? Como que a gente faz? A gente perdoa, a gente vira a página, a gente continua, a gente tenta reatar a amizade, o relacionamento. Isso vai depender da forma com que nós vemos a situação? O que você deixa de mensagem para quem, de repente, está passando por isso hoje e não sabe qual o primeiro passo a ser dado? Para isso, Rubem, vai depender de cada um também, de cada situação. Mas o ideal é conhecimento, uma psicoterapia individual, se for casal, uma terapia de casal, para ajudar ali na relação, pra entender realmente como funciona os mecanismos de defesa, as vivências passadas, como isso tudo influencia hoje. Como eu falei pra você, muitas coisas vêm do inconsciente. Então, a gente nem percebe, a gente nem passa na mente. Então, ali, trabalhar essas questões. Porque, realmente, relação com o outro é difícil. Então, isso ajudaria bastante dentro da relação. E a individuação também é importante. Como a Ana colocou, exercício físico, que é o processo de individuação. Porque a gente deposita muito no outro Então muita gente se esquece Quando está dentro de uma relação Então academia, atividade física Uma boa alimentação Se cuidar mesmo Porque esse cuidado consigo Depois vai interferir no ambiente Vai ser benéfico para todo mundo É verdade, se você está se cuidando Você tem aquela sensação de bem estar E isso vai sim refletir no ambiente E o cuidado com você O primeiro passo é isso começa a cuidar de você começa a validar entender o que você sente e depois elabora aí uma forma de uma conversa assertiva, porque não então, pra gente eliminar o rancor, o amor tudo bem mas o rancor não é bom não, mas a gente sente, claro, mas a gente não gosta de sentir. Doutora Ana, por favor então, considerações finais, quero agradecer a sua participação com a gente aqui, a sua orientação e compartilhar conhecimentos conosco. Muito obrigada, viu? Obrigada a vocês pelo convite, que me disponibilizaram esse momento. Fiquei muito feliz de participar dessa roda de conversa. Maravilha, gente, que fica feliz em recebê-la. Beatriz, quero agradecer você também pela sua disponibilidade tão cedinho com a gente aqui, mas nos orientando, nos ensinando. Eu acho que essa é a proposta do programa, sabe? A gente faz uma psicoeducação e é tão bom ouvir vocês, porque vocês têm uma visão ampliada e aí às vezes a gente está passando por uma situação parecida com o que a gente traz aqui no programa e a partir da fala de vocês, a gente consegue virar a chavinha, sabe? De repente fala, poxa, era isso que eu precisava ouvir, ou então poxa, eu preciso buscar um atendimento, eu preciso buscar uma terapia isso é importante demais, mas a gente só consegue isso com o aceite de vocês então, de verdade, gratidão pela sua participação. Muito obrigada, viu, Rúbia, por estar aqui, disponibilizar esse horário para a gente. Maravilhosas. E é isso, gente. Olha, vamos lá, vamos elaborar, vamos dar nome aos nossos sentimentos, tá bom? Agora, pontualmente, 9 horas, a gente vai encerrando o programa, agradecendo a sua audiência, a sua companhia. Lembrando que nós temos Câmara Notícia com Gabriel Castro ao meio-dia. Hoje é quarta-feira, né? Hoje tem reunião ordinária no plenário da Câmara. Você pode participar também ao vivo no YouTube, no site da TV Câmara Campinas e aqui também na TV Câmara Campinas com transmissão ao vivo ou você pode ir até o plenário, tá? Na Engenheiro Roberto Manji, é só chegar lá e você será muito bem-vindo então hoje, reunião ordinária a partir das seis da tarde amanhã tem mais Estúdio Câmara e amanhã nós vamos conversar sobre uma dificuldade que muita gente vive, em silêncio é, tem gente que deixa de ir ao cinema, ir a um restaurante, de fazer uma viagem ou até de resolver tarefas simples, sabe? Do dia a dia, porque não encontrou companhia. Então, por que algumas pessoas têm tanta dificuldade de ficar ou fazer coisas sozinhas? Qual que é a diferença entre gostar da companhia e depender da companhia? Olha só como linka com o que a gente falou hoje, terceirizar, né? A gente vai entender como a autoaceitação pode ajudar a desenvolver mais autonomia, mais segurança, né? Porque quando estar acompanhado, deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. Nós precisamos entender o porquê disso. Sem companhia, sem confiança? E aí, onde você está nesse espaço? Por que você precisa de outra pessoa para executar alguma situação, alguma ação do dia a dia? É sobre isso que a gente conversa amanhã, a partir das oito da manhã e nós queremos, claro, vocês com a gente, tá bom? Valeu, um grande abraço pra você, uma ótima quarta-feira, se cuide e até amanhã, se Deus quiser, com mais uma edição do Estúdio Câmara. Tchau, tchau. Legenda por Sônia Ruberti Legenda Adriana Zanotto