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Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando com Estúdio Câmara na manhã desta segunda-feira, dia 5 de outubro. E aí, como é que foi seu final de semana? Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Eu quero te convidar hoje para conversar sobre o nosso comportamento, o comportamento dos pais e cuidadores em relação ao incentivo aos pequenos, né? Seja no esporte, eh, seja na escola, enfim, sabe? Nós somos incentivadores dos nossos filhos. Mas até que ponto isso é legal? Você você já acompanhou ou acompanha uma criança em alguma competição esportiva? Você já percebeu eh como que é a empolgação dos pais? Na sua opinião, qual que é o papel dos pais nesse momento, né? Até onde esse incentivo ajuda no desenvolvimento das crianças? Esse é um tema, gente, que tem gerado muitos debates dentro e fora das quadras, dos campos, das academias, porque a gente precisa entender até que ponto o apoio dos pais é saudável. E quando a nossa torcida pode acabar gerando pressão, ansiedade e até o afastamento dos nossos filhos, das crianças, eh, no esporte, por exemplo. Então, a gente gostaria da sua participação, tá? manda sua mensagem pra gente, participa conosco. Você é daqueles empolgados, né, ou empolgadas que você vai eh acompanhar de repente uma partida de futebol onde seu filho está inserido no time e aí você perde a noção e começa a gritar e começa, de repente até brigar com o filho, né, é de uma forma assim e inconsciente, porque você quer o melhor. Vamos lá, você consegue, vai, vai, vai. A criança não sabe se olha para você, se olha pro treinador, se faz o que o treinador explicou, se obedece o pai e fala: "Meu Deus, pensa a pressão." A gente precisa conversar sobre isso. Vamos lá, 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Daqui a pouquinho nós vamos eh apresentar os nossos convidados do programa de hoje para você, porque nós vamos conversar sobre nós, o comportamento nosso, né, dos pais, dos cuidadores. E a gente colocou aqui pais treinadores, porque a gente acha que a gente sabe tudo e o nosso filho tem que fazer da forma com que a gente acha correto. Então, precisamos conversar sobre isso. Agora tem informação da Câmara de Campinas, porque o legislativo promove hoje, segunda-feira, às 3 da tarde, a roda de conversa Câncer de Mama da Prevenção ao Tratamento, por iniciativa do vereador Paulo Hadad. O encontro será no plenário da Câmara, é aberto ao público, terá transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas. Essa atividade faz parte da programação do outubro rosa, que é o mês de consensação sobre a prevenção e o combate ao câncer de mama. participam eh dessa reunião as médicas oncologistas, a Susana Ramalho e Natália Monerat, além de Juliana Gonçalves, que vai compartilhar a sua experiência no enfrentamento à doença. Também durante o mês, as fachadas das duas entradas da Câmara, tanto na Avenida da Saudade quanto na Avenida Engenheiro Roberto Mange, estarão iluminadas de rosa para reforçar a importância da prevenção dos exames regulares, né? É importante que a gente se cuide todos os dias do ano, mas agora nesse mês de outubro é um mês de conscientização, né? E eu acho que é importante a gente falar, é uma fala repetida, sim. É, mas quanto mais a gente fala, mais pessoas a gente alerta e mais conscientização a gente desperta na população. Tá bom? É importante você se cuidar. Agora vamos para a previsão do tempo para hoje. Ontem o tempo tava meio estranho, né? Fez um tempão feio, tinha tempestade, depois choveu bastante, em alguns lugares não choveu, enfim. É, nós estamos aí na primavera, mas estamos também na influência do Elninho. Para hoje nós temos aí um sol com muitas nuvens, né, períodos de céu nublado. De acordo com a previsão, nós temos pancadas de chuva à tarde, tá? E à noite também, gente. Então, a mínima 17, máxima 25º. Segunda-feira, semana começando. Hidrate-se. Vamos simbora. Viver o aqui ou agora. Aproveite a sua segunda-feira. da forma que faça sentido para você. Pode votar para mim, produção. Vamos lá. Agora a gente fala eh dos pais treinadores, porque o esporte costuma ser visto como um espaço de aprendizado, convivência e disciplina e também diversão, né? Mas em muitos casos a expectativa dos adultos acaba ocupando um espaço bem maior do que o desejo das crianças. situações de cobrança excessiva, interferências durante competições e comportamentos agressivos nas arquibancadas tem chamado atenção de especialistas e instituições esportivas. Então, para conversar sobre os impactos emocionais e físicos desse fenômeno dos pais treinadores, nós recebemos a psicóloga e ludoterapeuta Rafaela Nirone. Seja muito bem-vinda. Muito bom dia. Obrigada pela sua participação. Obrigada a vocês pelo convite. É um prazer estar aqui. Prazer é todo nosso te receber, Rafaela. E conosco por vídeo nós vamos conversar com educador físico e especialista em performance humana, Mateus Viana. Mateus, muito bom dia. Obrigada pela sua participação com a gente. Muito bom dia, meninas. É um prazer poder estar aqui, viu? Prazer é todo nosso. E vamos falar sobre esse fenômeno que aconteceu comigo, pode estar acontecendo com você e vai acontecer com qualquer pai, mãe, cuidador que se empolga. A gente sempre quer o melhor pros nossos filhos, né, nossas crianças. E aí a gente acaba se empolgando. Então, Rafaela, quando uma criança inicia uma atividade esportiva, que isso é natural, né, na infância, na pré-adolescência, quais os sinais que costumam mostrar que ele está praticando por interesse, que ele gosta dessa atividade e aquele sinal que ele está praticando aquele esporte para atender as expectativas dos adultos. Primeiro a gente precisa entender se a nossa criança faz por vontade própria ou faz porque a mãe, o pai, o cuidador incentivou tanto e ela fica com aquele receio de decepcionados e aí vai fala: "Não, eu aceito". E vai fazer o que foi definido pelos pais. Uhum. Acho que essa é uma pergunta muito importante, né? Até que ponto isso tá partindo da vontade da criança? Até que ponto isso é imposto, né? E acho que a gente tem que pensar sempre qual que é a relação desses pais com a criança, né? Então, como é que isso tá sendo colocado, porque demonstrar, possibilitar ambientes, esportes, isso é fundamental pro desenvolvimento da criança, né? A partir do momento que isso gera uma imposição, a criança sente também, né? Ela percebe isso. Então, eu acho que fica um pouco evidente no comportamento da criança, seja um desconforto, seja uma ansiedade, muitas vezes começar a perguntar muitas vezes da rotina, o que que vai fazer, como vai ser. Acho que todos esses são pontos importantes pra gente pensar, né? Como será que a criança está se sentindo nesse espaço? Uhum. Muito bom. A gente precisa pensar como a criança se sente, não como a gente se sente, porque de repente é uma expectativa nossa e não da criança, né? Identificar essa diferença ajuda a entender se o esporte está sendo vivido como descoberta, né, ou como uma obrigação. Agora a gente fala com o Mateus, né, porque do ponto de vista da formação esportiva, Mateus, qual é o papel mais importante da família nos primeiros anos da prática em uma modalidade, né? Ah, os pais e os cuidadores, principalmente, qual que é o nosso papel fundamental? ser aí um incentivador, um treinador, qual que é a sua avaliação como um professor, né, um especialista em educação física? Vamos lá, já começa que essa é uma excelente pergunta, né? Porque a gente envolve muitas camadas nesse questionamento do esporte, porque a gente pode falar do espor do esporte como formador, seja pra parte educacional, seja pra parte de desenvolvimento motor, por exemplo, como a a gente também pode falar do esporte como autorrendimento. E infelizmente o autor rendimento ele começa muito cedo. Então você vê bases de treinamentos com crianças de subc, sub, sub110. Então, já começa na infância uma pressão muito grande pro resultado. Uhum. Agora, quando a gente fala de um esporte como formador, colocar sua criança na natação para aprender a nadar e diminuir risco de afogamento, colocar em esporte de luta para aprender a se defender, a cair no chão, isso é legal, isso é ótimo. E agora o esporte como auto rendimento, ele precisa ser, não dá para esquecer, formador. Primeiro, o grande problema entra quando o pai impõe pra criança a sua própria frustração. Uhum. Competir é legal, muito, é muito legal. Eh, incentivar a criança a vencer é bom, é bom, é ótimo, porque a criança além de aprender a ganhar, ela também aprende a perder. por mais que não seja legal, mas nem sempre na vida, no modo geral a gente vai ganhar. Então isso como formador daquele ser humano, né, que vai crescer ali com base esportiva, é ótimo. Agora, o grande problema quando aquele eh pai impõe o sonho, pai ou mãe, né, impõe o o sonho no filho. Então, se ele faz alguma coisa minimamente errada, aquilo ali vira uma uma bola de neve e a criança deixa de curtir aquele momento. Então, toda vez que o seu filho vai brincar ou vai participar de uma competição, ele tem que se divertir. Antes de mais nada, exatamente. A gente tem que lembrar, né, que os nossos filhos são crianças e estão conhecendo o mundo, né, e precisam se divertir primeiro e de repente depois é, vamos lá, se gostar daquela diversão e e virar um hobby, né, pode ser que vire algo mais sério. Agora, a gente tem que lembrar que o hobby, no hobby não pode ter cobrança, porque daí já não é mais hobby, né? O desempenho esportivo costuma ser construído em um ambiente que envolve treinadores, colegas e também a participação da família. Agora, muitos pais, Rafaela, acreditam que estão incentivando os filhos, né? Quando você vai eh em uma competição do seu filho, que daí você começa a se empolgar e eu sei porque eu já passei por isso. Hoje eu entendo, chegou um momento assim que a minha filha falava assim: "Ô mãe, não precisa, né? É tipo assim, não precisa gritar tanto, não preciso torcer tanto, porque acaba deixando, fazendo acho que uma pressão, né? Então, Rafaela, como que você pode trazer pra gente eh a diferença entre o incentivo saudável, né, e uma pressão emocional que a gente acaba fazendo? E sem julgamentos aqui, gente, mas eh muitas das vezes é de forma inconsciente, né? a gente vai, a gente se empolga, é o nosso filho, uau, quero que ele seja o melhor. E aí a gente transborda isso. Mas até que ponto, né? Qual que é a diferença entre incentivo pros filhos e uma pressão, uma pressão emocional? Sim. Eu acho que é importante a gente pensar o que estamos chamando de incentivo, né? Uhum. Porque querendo ou não, a mesma frase dita por um treinador e dita por um pai chega diferente para aquela criança, né? Então, eh, eu, eu sempre trago também essa questão de que é importante, qual é a relação desses pais com essa criança para além do esporte, né? Porque se essa criança só for vista nessa modalidade, neste momento que ela vai ser reconhecida, que ela vai ser valorizada, aquilo vai ter um peso muito significativo para ela. Porque ali a gente tá falando não só do esporte, a gente tá falando de validação, a gente tá falando de amor, a gente tá falando de respeito. Ali ela é importante só naquele contexto. Então isso tem um peso, né? eh, diferente do que quando um treinador fala. Então, eu acho que é sempre importante eh olhar para essa relação de maneira geral, né? Muito bem, muito importante a gente começar a entender, né? Você imagina uma criança que vai praticar um esporte, mas ela é só vista naquele momento e ela é vista e cobrada, né? Como é que fica a cabecinha dessa criança? Ela tá ali para se divertir, ela tá ali para performar, mas para quem? Para os pais, né? E é um ponto bem interessante que você colocou, que é a frase do treinador com a frase dos pais. O treinador, a criança entende de uma forma, os pais ela já entende de outra. E a gente precisa ter um equilíbrio nessa situação. Agora, eh essa linha é é nem sempre é percebida pelos adultos, né, desse equilíbrio e pode mudar completamente a experiência da criança. Aí eu pergunto pro Mateus, essa preocupação dos cuidadores, dos pais, quando que ela passa a ser resultado? rendimento ou comparação com as outras crianças e como isso pode interferir no desenvolvimento esportivo, né? Porque como eu falei antes, é sem julgamento aqui. A gente faz às vezes, muita das vezes é de forma inconsciente que a gente quer ver o melhor, a gente quer nosso filho se desenvolvendo e tal, mas isso pode ter aí um problema muito grande e pode interferir no desenvolvimento dessa criança. E foi muito importante a fala da Rafaela da diferença das falas do treinador e dos pais, não é? Olha que questionamento curioso. A Rafaela mais do que nunca sabe a impúde mental, né? A gente quer colocar muitas vezes uma criança na terapia, mas quando a gente olha algumas situações, quem precisa de terapia são os pais. Verdade. Então assim, eh, infelizmente não existe como medir esse limite, mas eu lembro que quando eu era criança, eu parti, eu pratiquei diversos esportes e todos eles eu competi também, porque sempre fui incentivado e sempre gostei muito de competir. E eu lembro que durante essas minhas participações, alguns pais começavam a xingar nesse momento do esporte, a xingar até a criança por algum erro, tudo mais. Então assim, o esporte ele é tão bom, né? Ele ele vem uma uma ele complementa a educação, educação escolar, educação esportiva, educação dentro de casa. No judô, por exemplo, antes de você entrar no tatami, no dojô, você tem que cumprimentar aquele ambiente. Então, existe um respeito, né? existe eh professor, treinador, posso fazer alguma coisa, posso ir no banheiro. Então assim, existe limites. Então assim, não dá pro pai ou pra mãe cobrar a todo tempo aquela criança, porque ao invés de ser uma coisa legal que vai ajudar na formação, a criança alguma hora vai falar assim: "Olha, não quero mais porque parece que nada tá bom". Uhum. Então é difícil eh me o o desafio tá aí, medir esse limite. Uhum. O próprio pai tem que talvez ser humilde o suficiente de se alguém falar: "Olha, olha, você tá demais, calma, deixa sua filha". E até mesmo ele respeitar a voz do treinador. Uhum. Por exemplo, eu já joguei futebol, se vive isso que eu ficava no banco. Tem pai que assiste isso do filho que não gosta do filho no banco. Mas é aí que começa a formação. Quando a criança aprende a respeitar, aprende que não é a sua vez. Isso vale para todos os esportes que a gente pensar aqui, desde o competitivo até a formação, porque na formação geralmente você tá aprendendo. Você pega um pai, por exemplo, que é nadador, a criança ou uma mãe, né, a ou criança tá aprendendo a nadar. Aí, obviamente, dentro do processo de ganho de de coordenação motora e aprendizado daquela atividade, ela não vai fazer bem, não vai fazer perfeito. Por quê? porque ela tá aprendendo. Ela não tem a força de um adulto, ela não tem o músculo de um adulto, ela não tem as articulações formadas tanto quanto um adulto. Então, eh, fica de alerta essa nossa aqui pros pais, porque o seu filho, antes de mais nada, ele tem que ser divertir. Todo dia, por exemplo, agora eu ganhei um bebezinho novo, né? acabou de nascer, mas todo dia, por exemplo, quando eu busco minha minha filha na escola, eu pergunto para ela como foi a aula dela, porque isso é uma forma de incentivar. Eu, ela faz natação na escola. Eu pergunto como foi a natação da escola. Porque, por exemplo, a compara Uhum. a criança que é mais magrinha, a criança que tá um pouquinho mais acima do peso, então eh, poxa, ele foi na minha frente e eu não fui, eu tô um pouco atrasado, né? Então, a criança é difícil ela pensar assim: "Olha, eu estou aprendendo, eu vou chegar lá". Uhum. Então, o papel dos pais tá aí. Olha, você talvez não chegou tão rápido, mas alguma hora você vai chegar. Basta treinar. Uhum. Porque a criança também, ela ela ela mesmo falar para ela assim: "Poxa, eu não consigo". Como se você não consegue se você ainda não tentou? mesmo que o adulto se compara, imagina a criança. Então o desafio, aí eu peço ajuda até para Rafaela, é medir essa esse limite dos pais, né? até que ponto os pais têm que pensar também na formação e deixar tudo, talvez na conta do treinador ou do professor, do sensei, da do professor da escola, como se e nesses ambientes de fato ela tivesse que ter educação. Mas não, os pais eles têm um papel fundamental nesse incentivo e no cuidado desse excesso de cobrança para aquilo virar alguma coisa ruim. Porque você pensa, se os adultos estão sedentários, imagina as crianças. A gente ainda vive num país de criança a idoso, tá? Muito sedentário. As pessoas pagam a academia e não vão. A nossa população está envelhecendo. As crianças, infelizmente, em alguns ambientes estão ficando cada vez mais acima do peso. Hum. Vocês têm um uso excessivo de telas. Aí a criança que deixa de usar o esporte como incentivo, ela deixa para substituir paraa tela, por exemplo. Olha que Olha que ruim esse processo de informação que deveria ser bom. Verdade. Verdade. Fica completar, Rafaela, por favor. Eu acho que é muito importante isso que trazendo, né? Qual é esse limite, né? Até que ponto? E é difícil a gente medir algo que não é quantitativo, né? E eu acho que esse incentivo também ele vem, a gente tá falando acho que muito do incentivo verbal, mas acho que ele tá trazendo um outro ponto também que é como esses pais se colocam. Uhum. Né? Porque a gente, o exemplo ele vem muito além do que é dito, do que é falado. Às vezes a mesma mensagem ela não tá sendo manifestada no comportamento daquele pai, né? Na relação daquele pai com aquela criança. Aquilo não tá vindo como incentivo, tá vindo como uma pressão, tá vindo como um de um tom julgador, né? Às vezes até ameaçador. Olha só. Então eu acho que esse ponto é muito importante e é muito difícil mesmo a gente colocar ali uma métrica para isso, né? Porque é algo muito subjetivo, mas eu acho que também é algo perceptivo que os pais têm que estar atentos na relação com aquela criança. Então como eles se sentem naquele contexto, né? Acho que a gente sempre tem que se medir também e lembrar que já fomos criança, né? Como que é para uma criança estar nesse ambiente se explorando, né? Quando Mateus traz essa questão da diversão, acho que eh tem o explorar, tem o se conhecer. É a primeira vez que eu estou naquele contexto com aquelas pessoas, conhecendo o meu corpo daquela maneira que tanto muda, né? Dependendo da fase que a gente tá, que a criança está vivendo ali. Então, acho que tudo isso tem que ser levado em consideração e ser acolhido, né? E ser percebido pelos pais e responsáveis. É verdade. Agora, Rafaela, o que que acontece emocionalmente com uma criança, por exemplo, que entra em campo ou em quadra, enfim, né? entra para uma competição já preocupada com a reação dos pais diante de um erro, porque muitas vezes eh a cobrança do treinador, assim como o incentivo do treinador, mas a cobrança do treinador é, como você diz, é recebida de uma forma e a reação dos pais é recebida de outra. Aí a criança vai para um momento ápice lá que ela tá já ansiosa, já se preparou, está com medo, está com receio, está ansiosa. São várias emoções e a criança ainda pensa na reação do pai diante de um erro. Então tá aqui, eu não posso errar, eu não posso errar, mas daí tem a cobrança do treinador, tem o meu, a minha cobrança própria e tem a cobrança da mãe e do pai que também não posso desapontar eles. Ô gente, pensa num peso, né? É um peso muito grande para uma criança que de repente tá fazendo algo que ela gosta por hobby ou até, né, fazendo algo por para agradar os pais. Isso, já que eu vou agradar, eu não posso errar. Sim. E aí, e eu ouso dizer que talvez o essa visão que a criança tem sobre como os pais estão vendo seja tem um peso maior inclusive do que a ansiedade de est tentando ela por ela própria ali, né? Porque a gente tá falando sobre uma questão de segurança, né? Então, segurança ela tá na base do desenvolvimento. Se a criança não se sentir segura, ela não vai se desenvolver. Ela não vai conseguir para uma atividade, desempenhar bem, explorar. Então, o que que a gente tá falando? Ela não se sentindo segura, ela não vai estar em contato com o mundo. Então, ela não vai criar essa percepção de sim, então o que que eu gosto, no que eu sou boa, no que eu tenho facilidade, né? Como que é isso para mim? Que eu tô sempre pensando no outro. E aí esse valor interno não vai surgindo, a gente não vai dando autonomia pra criança para ela experimentar, para ela testar, para ela errar, para ela pensar em outra forma, para ela ouvir outras pessoas. Ela vai est sempre muito presa a essa aprovação, a esse o que que os seus pais estão achando como eu sou vista por eles. Então, realmente gera muita ansiedade, né? Então, a gente tem que sempre eh pensar sobre essa outra perspectiva também. É verdade. O medo, né, da desaprovação pode ocupar um espaço aí que deveria estar voltado paraa experiência, né, do jogo, da atividade, enfim. Agora, professor Mateus, na prática esportiva, né, qual que é a diferença entre a motivação que é construída pela própria criança, né, e a motivação baseada exclusivamente em recompensas ou aprovações externas, né, seja ela vindo eh da mãe, do pai, do cuidador, enfim, da família. Tem uma diferença grande aí. E eu gostaria também que você eh nos explicasse sobre essa diferença de falas, né? A fala do treinador, qual o impacto e a fala do cuidador, do pai, da mãe, de alguém que tá lá tentando incentivar ou cobrando essa criança. De repente, o incentivo e a cobrança são os mesmos entre o treinador e o cuidador, mas como a criança recebe o impacto dela diante dessa fala é diferente. Você consegue trazer pra gente a diferença e o impacto disso? A criança quer dar orgulho, né? Aí, ó. Muito bem. Uhum. Qual é a criança? Isso a gente coloca no lugar também, que não quer agradar os pais. Uhum. Dificilmente você pensa numa criança, ah, tô nem aí, meus pais estão pensando, vou, eu vou aqui jogar minha bola, vou aqui participar da minha aula de judô. E se eles gostarem, beleza, se não gostarem, tudo bem. Qual é a criança que você já ouviu e quem tá ouvindo a gente também já ouviu uma criança falando dessa maneira? Uhum. É difícil, né? Agora, o ponto importante que você trouxe aqui sobre a fala do treinador e a fala dos pais, olha que que importante que eu falei há pouco tempo atrás como o esporte ele traz um processo educacional de respeito, de disciplina, de saber a sua hora. Alguns pais não gostam, por exemplo, da forma que os seus treinadores, seja por um esporte de bola, por exemplo, ou um esporte de luta, fala com a criança. Educar é muito difícil, né? Uhum. principalmente pros pais que estão ali mais contato com a criança. Mas você imagina o seguinte, uma criança que tá fazendo bagunça na aula de esporte, o o treinador não deve falar. Uhum. Ali não é um processo de formação de disciplina. Exato. Aí eu trago um ponto. Tem alguns pais que não gostam? Como se ele fosse o detentor da sabedoria e da educação. E lá na aula ele pode bagunçar. E não é assim que funciona, porque a formação do profissional de educação física, por exemplo, vai desde anatomia, biomecânica, fisiologia até como saber dar uma aula didática. Forma de ensinar tem estudo. Então o que que eu quero dizer com isso? que o seu treinador, que o sensei da criança ali na aula de luta, por exemplo, merece respeito tal qual o seu pai e sua mãe. Então, se os pais não aprovam aquela situação, a criança nunca vai crescer. Ou seja, meus pais que mandam, só vou obedecer aquilos que eles estão falando. Uhum. É, eu acho que deu uma travadinha. aqui do nosso professor. Daqui a pouquinho ele tenta a conexão de novo com a gente, mas isso é um tema muito importante, né? Porque influencia a permanência da criança no esporte ao longo dos anos, né, Rafaela? Alguns adultos revivem nos filhos os sonhos que não conseguiram realizar quando crianças, né? Isso é um ponto bem interessante quando a gente fala aí dessa torcida desenfreada dos pais pelas crianças, né? E como é que a psicologia compreende esse fenômeno de eu reviver, né, no meu filho o sonho que eu não consegui realizar? Por exemplo, vamos lá, vamos explicar pro pessoal de casa. Ah, eu queria ser aí um grande judoca, mas eu não consegui realizar. Então, coloquei meu filho no judô e ele vai ser o que eu não pude ser. E aí a partir disso começa aquela pressão maluca em cima da criança. Ah, como que a psicologia vê e compreende essa situação? Eu acho que é uma situação que ela pode aparecer tanto em maior grau, né, como você tá trazendo, mas também assim tudo que eu não tive oportunidade estou promovendo para o meu filho, né? E é meio que é é involuntário a gente faz isso, né? Claro. É, e faz parte, né? Eu acho que a gente, primeira coisa, né, para os pais é terem essa percepção que isso faz parte do processo e se reconhecerem nisso, para entenderem que são deles e que aquilo não tem que ser depositado na criança, né? Eh, querendo ou não, quando a gente tem um filho, já tem uma expectativa, né, no momento em que a criança chega, você já tem a vida dela traçada, né? Examente. E aí tem o ideal e tem o que é o real. E eu acho que é aí que tem que mora o segredo, né? Entender que o que é sua expectativa, o que a sua idealização em cima disso não pode ser colocada puramente em cima de uma criança, ah, sem levar em consideração quem é essa criança, né? Porque para você o judô foi importante. Para aquela criança pode ser que ela nem se identifique com aquilo, que aquilo não faça sentido para ela, que ela não tenha facilidade, que ela não goste. Então eu acho que é se reconhecer nessa história, o que é seu e o que é da criança e conseguir delimitar. Claro, muito difícil, né? Porque somos seres humanos, né? Então a gente tá ali tomado pela emoção, pelo desejo, pela vontade. E isso é genuíno dos pais, né? Eles t é de bom tom que eles tentam fazer isso, mas tem esse outro lado que pode pesar também paraa criança, né? Receber isso e e gera uma invalidação de alguma forma, porque se aquilo é seu, se aquilo não foi manifestado pela criança, não vai dar certo, né? Não vai ser natural. Exatamente, né? É algo que vira uma obrigação, né? Você quer que, perdão, a criança faça aquilo que você idealizou para você. Então é frustração para ambas as partes, porque a criança de repente não gosta, mas ela vai fazer para não decepcionar o pai e a mãe, como o Mateus trouxe. Que criança que quer decepcionar o pai e a mãe, porque a criança ela busca por validação, né? Então a gente precisa tomar cuidado com isso também. E quando isso acontece, o esporte ele pode deixar de ser uma escolha da criança e passar a a carregar expectativas que que não são delas, né? Então, aquelas crianças ali que cumprem aquilo que o pai determina, com certeza ela tá fazendo algo que ela não tá gostando, ela está infeliz nesse processo e a evolução, com certeza vai não vai ser e não vai ter rendimento e aí vem as cobranças e tal e essa criança vai querer parar, né, de desempenhar aí essa atividade. Agora, Mateus, em centros de treinamento e projetos esportivos, assim, quais os comportamentos dos pais que costumam gerar mais dificuldade para para vocês, né, que são professores, são treinadores, equipes técnicas, como que vocês eh observam esse tipo de comportamento e qual deles que você pode citar pra gente que a acaba virando dificuldade para vocês trabalharem? Olha que pergunta interessante. A, aos meses atrás eu tava treinando com o menino, fazendo a preparação física dele de futebol, o menino. Uhum. E aí ele já ele tinha se mudar de cidade, saí do Rio de Janeiro. Eles são de Recife, mas foram pro Rio de Janeiro, fizeram essas mudanças ali com os pais e vieram paraa Brasília. E aí o pai, ele é um grande incentivador do menino. Ele joga futebol. E aí todo mundo sempre falava que o menino joga bem e que ele ia bem. E realmente ele tem um bom desempenho, né? Só que tem um detalhe importante. A autoestima desse menino ainda é baixa. Uhum. O meu papel como treinador é incentivar e dizer que ele consegue. Mas às vezes as a fala do próprio pai, e isso eu conversei com o pai, frustrava o menino como se ele não tivesse tentando melhorar. Uhum. Então eu conversava com ele, olha o ele vai aprender, ele vai melhorar, ele tá ganhando força. Ninguém ganha músculo de uma hora para outra, ninguém fica mais rápido de uma hora para outra, ninguém cabeceia uma bola melhor do que a outra. E aí eu mudei estratégia. Hoje você pode eh ser tanto futebol de base, né, fazer os testes de futebol, tudo mais, como hoje as crianças têm oportunidade de fazer intercâmbio. Uhum. e estudar fora do país. E dentro das condições desses pais, ele pode fazer isso. E aí você tem um incentivo para você entrar numa base de futebol, para você conseguir crescer naquela base e obviamente você se tornar um futebol profissional. Ou você pode usar através da educação, no caso escolar, e o esporte para você poder crescer na vida também. E aí esse menino recentemente fez um um teste, participou de um camp, né, que fala, e foi chamado para jogar fora do país. Através dessa minha conversa, coisas que eu já tinha passado também de intercâmbio e tudo mais, ele conseguiu ir por um caminho diferente, porque isso pode frustrar também se você não entra numa base e se você não consegue, aí se machuca e tudo mais. Olha que fato curioso. Não sei se vocês sabiam disso. Quem tá ouvindo a gente também. Alguns lugares onde você já tem a base para você crescer naquele esporte, os pais não podem assistir o treino. Olha só. Muito bom, Mateus. Muito bom. Não, não é regra, é regra. não pode assistir, não como uma forma de proibição, porque a gente sabe que vai interferir no processo de desenvolvimento daquela criança. Perfeito. Você pensa o seguinte, você pensa no judô que você tem que cair e levantar, aí a criança de repente fez errado ou caiu mais vezes naquele treino. Olha como é que o pai olha isso. Ou a mãe. Agora você pensa num num treino de futebol que a criança tinha que fazer 10 chutes, ela errou oito, mas acertou dois. Uhum. Se o pai e a mãe não tem controle emocional, olha como aquela criança, nossa, fica Se vocês, ó, se você vou dar um um desafio aqui pros pais que estão assistindo e para vocês também, tá? Reparem só, qualquer esporte que vocês forem assistir que envolva criança. Uhum. Quando a criança acerta ou ela tá tentando fazer algum movimento, ela vai olhar para onde primeiro? Ela vai olhar pro treinador ou para arquibancada procurando os pais? Poxa vida, olha isso. Vai olhar pros pais. Então fica o desafio. Vai olhar pros pais. Vai olhar pros pais. Coitadinha da criança, gente. Então o pai tem que ficar assim, ó. Muito bem, meu filho. Foi bom. Sabe? Por mais que aquele aquilo não seja tenha sido perfeito. Uhum. Mas você tem que vibrar tanto quanto. Não é apoiar o erro que é diferente. É diferente. É dizer assim: "Olha, você você foi bom, você pode melhorar, mas não é aquela coisa de xingamento e frustração e tudo mais. A criança vai te olhar porque ela quer te dar orgulho. Então calma. Uhum. Vai dar certo. Judiação da criança. Gente, olha essa pressão, né? Eh, eh, eh, você falando aqui, eu me vejo eh em um ginásio de esportes, a criança, minha criança competindo e de repente a criança vai olhar para mim, tipo assim, se ela errou, ela vai olhar para mim, se ela acertou, ela vai olhar para mim. Olha só como a gente impacta a vida desse serzinho tão pequeno que tá começando a descobrir a vida, né? E aí a gente puxa para convivência entre a família, a equipe que treina as crianças, que é uma uma acho que uma parte bem importante, né, paraa formação esportiva e paraa educação também de repente desses pais, porque aí se tem essa convivência, a o treinador pode explicar pro pai até onde ele pode ir e o pai também vai sendo educado para poder conviver nessa situação, de repente de um hobby do filho ou, né, tá preparando aí uma criança para que venha desempenhar e e ser um futuro atleta. Enfim, agora autoestima, quando eh o Mateus traz autoestima, Rafaela, eh essas cobranças constantes eh pode trazer aí um problema de autoestima paraa relação da criança com os erros, nem é com os pais, não é com os seus próprios erros, né? uma criança que é cobrada eh constantemente, de repente no desempenho de uma atividade esportiva como hobby, mas que tem a participação dos pais, essa visão que a criança tem de quando tá lá desempenhando a função olhar para os pais se se quando acerta ou quando erra, isso eh acaba comprometendo a relação da própria criança e a sua autoestima e o seu próprio erro, porque uma criança dessa ela vai crescer achando que ela não pode errar e se ela tá errando, ela vai crescer achando que ela não é boa. E aí, como que funciona essa cabecinha que tá em desenvolvimento? Uhum. Esse olhar para os pais, ele tá muito vinculado a essa questão de segurança, essa questão de e aí como foi? Sim, né? Então acho que essa relação, né, que o Mateus tá trazendo também, esse olhar como que esses pais estão vendo essa criança, isso é muito significativo, né? Esse erro é é qual erro, né? O que que a gente tá falando? assim absurdo, é um erro, é uma frustração, uma chateação que vem, porque às vezes o pai fala: "Não, tá tudo bem", mas assim, tá visivelmente abalado. E isso também diz muito, né? Então, a criança ela precisa se sentir segura, ela precisa entender que ela vai ser validada naquilo. E aí é exatamente o que Mateus tá falando, não é validar o erro, não é falar assim: "Ai, tá tudo bem nesse quesito, mas é compreender que ela é um ser humano e que ela vai errar e que ela é muito para além daquele esporte, né? Ela não é só o que ela tá praticando, porque quando a gente tá falando de autoestima, a gente tem que ter isso em mente também, né? Todos esses espaços, eles fortalecem quem a criança é, ela vai criando autoconceito, né? A percepção dela no mundo. Então, ela precisa dessa referência dos pais, ela tendo esse apoio, ela se sentindo compreendida nisso, ela tende a desvinc, a começar a se desvincular um pouco dessa ideia, desse enrijecimento, né? Porque até hoje a gente, como Mateus trouxe, né? A gente se importa muito com a opinião dos outros, dos nossos pais, enfim. Exato. Mas a gente eh fortalecendo a criança até a sua própria autonomia, ela vai lidando melhor inclusive com a frustração, que não é fácil, que não é tranquilo, né? Acho que a gente tem que pensar também o que que a gente tá falando em lidar melhor, né? O que que é para uma criança lidar com um erro, lidar com um perder, né? que ela não tem essa maturidade que nós temos, ela não tem esse desenvolvimento todo, mas é compreender, validar ela naquilo para que ela se sinta eh fortalecida para lidar com essas questões também, né? Sim, sim, é verdade. Aprender a lidar com as frustrações faz parte do crescimento, né, de todo ser humano e também do processo esportivo. E é importante a gente lembrar que a gente se frustra quase todo dia, né? Assim como você desempenha funções todo dia, você escolhe muitas coisas todo dia, é, você também se frustra todo dia, porque a gente imagina uma coisa, mas de repente acontece outra. E aí a gente tem que entender que tá tudo bem, né? E seguir a vida. Agora, Mateus, eh, muitas crianças elas podem abandonar as modalidades que praticam, né, eh, com entusiasmo por conta, de repente, dessas cobranças, por conta dos pais, né? E aí a gente precisa entender alguns sinais que essas crianças mostram que indicam que o esporte deixou de ser uma experiência positiva e passou a ser algo que para ele já não faz mais sentido, né? você tem alguma experiência eh eh desse modo que a gente tá colocando aqui que a criança ela gostava de alguma modalidade e ela acabou deixando porque deixou de ser algo legal e passou a ser uma experiência negativa diante eh dessa situação eh do incentivo, né, dos pais que a gente tá trazendo aqui para o programa. Opa, estamos sem o áudio do Mateus. Estamos sem o áudio do Mateus. Produção, fala comigo, por favor. Opa, agora sim. Pode falar, Mateus. Agora deu. Eu começo com uma frase para responder essa pergunta assim, ó. Quem nunca ouviu não fez mais do que sua obrigação. Nossa, verdade. Então, a criança, eu lembro, eh, para mim, tá, nesse caso, por exemplo, a aula que eu mais gostava de fazer na escola era educação física. É claro, eu era bom em história, em geografia, em química, em ciências, porque meu pai é biólogo, né? Então, sempre teve essa conversa em casa, mas eu não era bom em matemática. Uhum. Então, parecia que pelo fato de eu não ser bom em matemática, que a grosso modo falando aqui para vocês, porque eu era burro. Uhum. Mas eu uma eu era uma criança que sempre tive habilidade motora, esportiva, porque sempre tive esse incentivo desde criança. Eu era muito bom sempre na comunicação, porque isso é uma habilidade importante e deve ser eh incentivada. Eu fui líder de turma, né? Tô dando o meu exemplo para ser mais claro aqui, mas isso vale para diversas outras crianças. Quando aquela atividade vira um um incentivo dos pais, um olhar dos pais, assim, olha, eu queria ter sido isso, aí começa a virar um problema. E quais são as reações da criança em relação a isso? Dois pontos importantes que vocês precisam observar. A primeira, geralmente a criança se isola. Uhum. A criança vai buscar uma tela, a criança diz que não quer. E é a mesma coisa num bullying, tá? Mesma coisa que uma criança foi chamada de gordinha na escola ou de feia, né? De falaram no cabelo dela, falaram no corpo, né? Então a criança ela começa a mostrar, não só na fala, mas fisicamente. Ela fica mais acanhada, ela começa a se isolar, que é uma diferença da preguiça para não quero ir. Uhum. Perfeito. A preguiça às vezes é o mais 5co minutinhos que a criança queria ali antes levantar pra escola. Poxa, eu não quero ir hoje paraa atividade, tal. Aí a criança vai lá pra atividade e adora. Uhum. A pais t que incentivar nisso também. Agora, quando a criança começa a se isolar, a ter sintomas até físicos, a não querer falar tanto sobre aquilo, porque ela vai ter vergonha de falar pro pai ou paraa mãe, se é uma criança que não tem voz em casa, né? Você pensa na criação de, vamos lá, de 40 anos atrás, de 20 anos atrás, qual era a criança que tinha voz? É verdade. Sim. Hoje as crianças podem escolher o que comer no almoço. Exato. É isso mesmo. Então eh eh a criança ter voz é parte fundamental pros pais entenderem. Sim. Então eu acho que a Rafaela devia dar curso para todo mundo. É verdade. É verdade. Porque nem sempre a desistência ela tá ligada à falta de talento ou interesse pela atividade, né, Rafaela? pode ser algo que os pais nem perceberam, né, mas que foi causado ali eh, de repente até pela pela empolgação, né, pela empolgação dos pais, dos cuidadores. E aí a criança acaba eh deixando de ter o interesse por aquela atividade, né? Uhum. Sim. Eu acho que essa questão que o Mateus tá trazendo, ela é muito importante, né? Até que ponto a criança ela tá sendo desincentivada por uma dificuldade mesmo, por ela não conseguir. E aí acho que a gente tem que alinhar algumas expectativas. essa sendo colocada, né, como é que isso chegando para ela, mas às vezes vem também, né, de dessa relação com os pais, dessa pressão significativa que às vezes é colocada, eh, dessa expectativa muitas vezes que surge também e que geram consequências para criança, um afastamento, eh, uma autocobrança, né, excessiva. Então, acho que são pontos importantes da gente ficar atentos como que isso tá sendo trabalhado na relação. Excelente. Muito bom. Agora 8:52. Olha só, passou tão rápido a hora aqui, a gente quer falar mais. E tem o pessoal tá participando com a gente, tem algumas participações, então a produção vai colocar na tela pra gente aqui algumas perguntas, né, produção? Obrigada. A gente começa com a Camila Rodrigues do Swift. Se a criança gosta das aulas de esporte, mas não quer disputar campeonato, os pais devem insistir para que para ela experimentar ou respeitar essa vontade? Essa pergunta aí vai pro professor, né? Vamos lá, Mateus. E agora a criança gosta da aula de esporte, mas não quer disputar, só quer brincar. E aí os pais devem insistir para que ela experimente ou respeitar a vontade da criança? Olha só que pergunta interessantíssima. Obrigado, Camila, pela sua pergunta. A Rafaela, mais do que nunca vai entender o que eu vou falar agora. No processo de terapia, qual uma das primeiras perguntas que no processo de investigação o psicólogo tenta investigar para aquela pessoa? Qual é o gatilho que leva você a gerar alguma ação, certo, Rafaela? Uhum. Sim. Pois é. Então, por que que essa criança não quer participar de campeonato? Uhum. Porque ela se sente insegura, porque ela tem medo de perder. Esse medo de perder vai levar de repente os pais não terem orgulho dela. Uhum. Porque eh as pessoas confundem, tá? As pessoas confundem participar de campeonato e ganhar medalha. Ah, verdade. Nem sempre a gente vai ganhar medalha. Nem sempre você vai ser o primeiro lugar. Nem sempre você vai ser o segundo ou terceiro. Pode ser que você participe de um campeonato mundial exagerando, né? E você não ganhe nada. Uhum. Então, eh, tanto as aulas quanto o campeonato, ele tem um processo de formação. Eu não posso sair, por exemplo, de uma competição de jugitso ou de uma competição de judôneando. A criança que se joga no chão, sabe, para chamar atenção, tá ali frustrada, tá estressada, normal, a criança se estressa. Então, o que que eu quero dizer com isso? Que os pais devem insistir. Uhum. Mas não deve insistir com aquela cobrança. Olha, você tem que ir para ganhar a medalha. Sim. É claro que respeitar a vontade, não obrigar a criança. Eu vou te levar hoje no sábado que a criança de repente queria brincar para competir, mas éí tentando levar ela a isso. Sabe a brincadeira de lutinha com o pai dentro de casa? Aham. É a mesma coisa. É aquela menina que quer mostrar o pro pai o balé. Uhum. Hum. Então, respondendo a pergunta, os pais, na minha opinião, como treinador, devem insistir para ela experimentar, porque a competição, ela tem um processo educacional tal qual as aulas regulares. Excelente. Muito bom. E você, eu acho que é importante isso que o Mateus começa falando, a gente compreender porque ela não quer ir pro campeonato. Ah, perfeito. Então, às vezes a gente tá achando que é uma coisa e a criança traz outra. Exato. Porque a vivência da criança ela é diferente da vivência do adulto. Então, o que que a criança tá entendendo por campeonato? como ela se sente nesse espaço, que ela tá imaginando, porque às vezes ela nem foi ainda, ela nem sabe o que que tá ali. Então, eu acho que é perguntar para ela efetivamente. Não sei quantos anos tem a criança, mas eh ela é capaz de responder, né, sobre como ela se sente a gente e nós adultos estarmos atentos e traduzir isso para ela, né, validar. Então, tô entendendo, você tá com medo? Tô entendendo? Você tá insegura? Vamos conversar sobre isso, vamos olhar para isso e vamos tentar eh trazer aqui quais são essas questões e sanar, né, pra gente incentivar, deixar que ela explore, que ela experimente outras coisas e vai criando repertório também para lidar com a vida, né? Muito bom. É isso, gente. Maravilha. Pode colocar mais uma na tela pra gente, produção, por favor. Vamos lá. Estamos ao vivo aqui. TV Câmara, Campinas, estúdio Câmara falando eh dos pais empolgados, né? A gente se empolga demais. A Fernanda Costa do Cambuí, como eh com escola, dever de casa e treino, às vezes sobra pouco tempo paraa criança brincar. Como saber a rotina de esporte, saber se a rotina de esportes está puxada demais paraa criança? Olha só, interessante. A gente vai de novo direcionar para nosso professor aí, como é que a gente faz para saber? Olha só, eh, hoje a gente tem eh inserido as crianças em mais atividades, né? E aí fica uma rotina puxada mesmo. E como a gente sabe se a rotina tá puxada demais pra criança, Mateus? Ó, o Colégio Americano de Medicina do Esporte, ele indica para adultos que a gente acumule de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada a intensa barra vigorosa. Qual é essa diferença de atividade? Uma atividade leve é aquela que você consegue ainda conversar. Sim. uma atividade moderada que aí você já começa a suar, começa a ficar ofegante e tudo mais. Uma atividade vigorosa é aquela que você não consegue convertar, o rosto fica mais avermelhado, a frequência cardíaca aumenta. Por que que eu tô falando de tudo isso? Cada intensidade de nível de atividade física, ele gera uma adaptação no nosso corpo diferente. Isso para um adulto que precisa fazer para evitar hoje doenças, para ser uma pessoa forte, para aumentar a longevidade. Agora, para uma criança, ela precisa de mais incentivo ainda para poder fazer exercício físico. Uhum. Só que existe um limite. A criança, ela precisa saber a hora de acordar, ter hora de dormir, ter hora de comer, ter uma boa alimentação. Tudo isso a gente a gente sabe por mais desafiador que seja. Agora a criança ela não precisa fazer judô, capoeira, balé, musculação, ela vai fazer crossfit. Ela não precisa fazer isso tudo. Uhum. Então a minha recomendação é os sinais para isso é olhar cansaço excessivo, é estresse, porque a atividade física, o exercício físico, se a gente for pensar bem, ele é uma atividade estressora. Uhum. Sim. Por que que ele é estressora? A gente estressa, vamos dizer assim, o nosso coração. Uhum. Para aumentar a frequência cardíaca. Como é que pode isso, né? você aumenta tua frequência cardíaca e depois de um tempo o teu coração funciona melhor. Uhum. Ou seja, o seu corpo se adapta. Isso. Então, como a gente sabe se essa rotina de esporte tá puxando demais? Escolha uma atividade, no máximo duas. Algumas escolas incentivam o esporte dentro da própria escola no horário regular. Uhum. Então você vai fazer natação, mas você sai da escola, você tem lá o seu judô. Você tem a sua capoeira, você tem o seu treino. Então o cansaço excessivo, o baixo desempenho escolar, sim. Não conseguir, por exemplo, estudar durante o tempo regular, tem criança que vai pra escola com sono. Exatamente. Verdade. Verdade. Rafaela, quer completar? Então, esses esses princípios são importantes de observar que vai além do incentivo, sabe? Uhum. Uhum. E acho que observar a criança e brincar é coisa muito séria. Então, se não tá tendo tempo para brincar, a rotina não está adequada para aquela criança. Muito bom. Pontuou bem algo assim muito importante que a gente precisa, né, observar, que é a questão de brincar, né, porque aqui a criança tá com uma rotina puxada e ela não está tendo tempo para brincar e a criança se desenvolve a partir do brincar, né? Agora pontualmente 9 horas, tem mais uma pergunta e aí a gente já vai para as considerações finais. Podemos ir até 9:5. Pode colocar na tela, por favor. Eh, a Marina Mariana Lopes do Jardim Proença. Eh, gosto de postar os jogos do meu filho. Ah, gosto de postar na internet os jogos do meu filho, mas ele pediu para eu parar porque fica com vergonha. Mesmo sendo uma forma de mostrar o meu orgulho, é melhor eu não postar. Olha só. E aí, como é que você, o que que você orienta a nossa psicóloga aí para essa mãe, né, a Mariana Lopes? Com certeza respeitar a vontade dele nesse momento, né? Se ele tá, por mais que você tenha muito orgulho, eu acho que é importante isso tá ali colocado para ele, né, que você postou por você sentir muito orgulho, mas se ele sinalizou que ele não se sente confortável, é dele. Então, acho que tem que respeitar muito essa vontade da criança. Olha só que interessante isso, né? Porque a mãe, imagina, né? ela vai sentir orgulho e quer apostar, mas como nós já pontuamos aqui no programa, a gente precisa respeitar a vontade também dos nossos filhos e ainda mais quando a gente eh pode falar sobre essa questão de postagem, de rede social, né? Então é importante respeitar a vontade da criança. Ô Mateus, rapidinho, conta pra gente, você já se deparou com uma situação dessa aí eh eh no seu dia a dia de pais querendo postar algo dos filhos e e aí os filhos, né, tipo, repreendendo, não, não quero que poste. Qual que é a sua avaliação sobre isso? Claro, a criança tem vergonha, a criança merece ter voz. Sim, isso. A criança e a gente tem que ensinar a criança também a falar sim, a falar não. Sim. Uhum. A criança às vezes não quer algo. Por que que ela tem que fazer uma coisa que ela não quer somente para poder agradar e validar isso quando acontece? Uhum. Exatamente. Principalmente validar isso. Não é a criança talvez ter uma de educação ali com os próprios pais, faltar com respeito. Não, mas se a criança até carinhosamente falou assim: "Olha, não quero que poste porque eu tenho vergonha". Vai continuar alguma coisa. Uhum. Muito bem. Perfeito. Ô, gente, precisamos encerrar o programa de hoje. Que bate-papo importante e muito legal. Hoje nós falando aí, a gente falando de pais treinadores, né? A gente apoia, a gente quer que seja o melhor e às vezes a gente acaba errando e e é importante reconhecer o nosso erro e melhorar, né? Porque eu sei que a gente faz as coisas às vezes meio que na empolgação. Isso acontece, a gente quer o melhor pro nosso filho, mas nem sempre o melhor que a gente imagina é o melhor para as nossas crianças. Quero agradecer demais sua participação, Rafa. Obrigada por estar conosco, por nos orientar e e trazer aí essa visão psicológica sobre o apoio dos pais e eh referente aos pequenos. Considerações finais. Isso. Foi ótimo. Muito bom. Sempre bom trocar. Foi excelente, maravilhosa. Obrigada, viu? A gente agradece também a você, Mateus, nosso professor aí. Obrigada e pelas orientações, pelas dicas, puxões de orelha, sempre vale a gente tá aprendendo todo dia. E por que não aprender que a gente deve, de repente ficar um passinho atrás e deixar que a nossa criança se desenvolva, não é? Obrigada, viu? Muito obrigado, viu? Eu espero que a a nossa mensagem tenha chegado de forma muito positiva pros pais e que a gente possa incentivar mais vezes a nossas crianças a se divertir. Excelente, Mateus. Obrigada. É isso, gente. Olha, o esporte ele pode ensinar a disciplina, cooperação, respeito e superação, mas também pode ser uma oportunidade de fortalecer vínculos familiares e desenvolver uma autonomia emocional. Então, a gente precisa dar uma balanceada, segurar um pouquinho a onda e deixar que a criança se desenvolva. Eu quero agradecer novamente a presença eh dos nossos convidados, a Rafaela e o Mateus. E você aí de casa, muito obrigada pela sua companhia, uma ótima semana. Lembrando que ao meio-dia tem Câmara Notícia com o Gabriel Castro, trazendo aí o resultado, né, das eleições. E ontem foi uma cobertura magnífica que nós fizemos, nossa equipe, todo mundo trabalhando das 8 da manhã até às 10 da noite. Olha só. E se você quiser rever essa cobertura, tá no YouTube. Nota 10 para toda a equipe. Parabéns. Foi sensacional, né? E nós temos ao meio-dia o Câmara Notícia com Gabriel Castro e às 18 horas temos reunião ordinária também. Você não pode perder, você pode eh participar presencialmente no plenário, assistir no YouTube e também no site da TV Câmara Campinas, tá? E aqui na TV Câmara Campinas, claro. E na próxima edição do Estúdio Câmara, amanhã, a partir das 8 da manhã, nós vamos conversar sobre um comportamento mais comum do que parece, né? A gente vai conversar por sobre as pessoas que têm dificuldade para dormir, relaxar ou até usar o banheiro quando estão fora de casa. Você é desses? Vai viajar aí todo feliz. Arrumou a viagem, vai todo feliz viajar. Aí chega lá no lugar, você não consegue ir ao banheiro fazer suas necessidades, você não consegue dormir, né? Af, mas é ruim demais. A gente precisa entender o que está por trás dessa necessidade de manter uma rotina, né? E como que essa rotina pode influenciar as nossas viagens, os nossos passeios e a nossa vida social. E se tem um caminho pra gente melhorar essa situação, porque ninguém merece, né? Você de repente passa cco dias passeando em algum lugar, mas você não consegue ir ao banheiro. E aí, como é que fica a tua situação? Ficar ruim, né? O que era legal acaba ficando meio chato e a gente precisa falar sobre isso, tá bom? Amanhã a partir das 8 da manhã e mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Um grande abraço, uma ótima semana, fique bem e até lá. M.