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[música] Em 1988, os eleitores já estavam cadastrados eletronicamente na justiça eleitoral, mas a contagem dos votos ainda era feita manualmente. O processo envolvia centenas de pessoas e podia levar horas até que todos os votos fossem totalizados. O prefeito na época Magalhães Teixeira, José Roberto Magalhãs Teixeira teve a ideia de fazer essa operação de contagem paralela dos votos aqui em Campinas. E tudo isso ocorreu com a autorização da Justiça Eleitoral perfeitamente. Então, o que que aconteceu? Eh, eh, depois que se fez a, a, as votações se concluíram às 17 horas, praticamente, as urnas eram lacradas, levadas para um local de apuração, que no caso era o ginásio esportivo da Unicamp, e ali tinha os escrutinadores, as pessoas que eram designadas para fazer a abertura das urnas eleitorais e a contagem dos votos. E essa contagem, ela feita praticamente no grito, né? uma pessoa com pegava o papelzinho por papelzinho, né? Lia o nome do candidato, uma outra pessoa verificava, tinha lá os fiscais e do outro lado alguém anotava numa planilha com papel carbonado qual que era o eh eleitor. Essa apuração, ela chegava até o data center da IMA, que ficava no centro da cidade em papel. Então você imagina, eu tinha que ter um batalhão de motoristas para trazer fichas enormes, conjuntos enormes de papéis preenchidos à mão até uma central onde que tinha digitadores para poder fazer a digitação desses dados e colocar no computador e onde que fazia-se então a a totalização dos votos. Por ser uma experiência pioneira, o trabalho também envolvia desafios tecnológicos. A equipe precisava garantir a agilidade do processamento, conferir as informações e reduzir o risco de erros em um sistema que ainda era experimental. Naquela época, o desafio era realmente você comprovar que o processo digital ele era seguro e ele era eficiente e rápido. E para isso a gente montou eh um batalhão de pessoas, mais de 60 pessoas trabalhando na digitação, né? Então era assim, não tinha scanners na época ou então OCR para você fazer o reconhecimento automatizado dos votos. Então você tinha que pegar papel por papel daquele boletim de urna que foi preenchido lá no no no ginásio da Unicamp e os digitadores eles preenchiam um a um os eh resultados parciais e eh do fechamento de cada urna. E só que tinha um problema e se tivesse um erro da digitação, você já tinha o problema da da possibilidade do erro do preenchimento da contagem dos votos no local lá, né, da apuração pelos escrutinadores, embora pequeno poderia até porque era manual. Aqui em Campinas, aqui na imã, a gente não poderia ter esse tipo de problema, senão ia ser um um erro em cascata. Então era feito da seguinte forma. A hora que chegava uma folha, o primeiro digitador ele digitava o sistema, já passava aquela mesma ficha, aquela mesma folha de apuração de votos para um segundo digitador que fazia a mesma operação sem saber quem tinha sido inclusive o primeiro digitador. Ele, o segundo digitador era sorteado pelo sistema e preenchia aquela ficha novamente em duplicidade. E se tivesse alguma alguma algum preenchimento errado, então essa ficha ela voltava para um terceiro ditador para fazer a conferência e a a o preenchimento oficial do voto. Mais de três décadas antes da consolidação das urnas eletrônicas, Campinas foi pioneira e utilizou a tecnologia para acelerar a apuração dos votos. O resultado da experiência ficou pronto várias horas antes da apuração manual. A agilidade também fez com que a sede da IMA, no centro de Campinas passasse a receber profissionais da imprensa em busca das informações mais atualizadas sobre a eleição. Essa apuração, ela foi um perfeito sucesso. Inclusive a imprensa, ela deixou de olhar para as apurações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral e foram lá no prédio da IMA, no centro da cidade de Campinas, para acompanhar a apuração parcial que a IMA divulgava, porque ela era muito mais rápida. Inclusive a apuração da IMA, ela terminou praticamente um dia antes da apuração oficial pelo TCE, né? Então isso isso comprovou que o sistema era eficiente. Ele bateu, né, exatamente com o valor depois a da apuração, porque a apuração nós fizemos era paralela na época e bateu exatamente com a apuração feita pelo Tribunal Superior Eleitoral. A experiência de 88 mostra como a tecnologia já era utilizada para buscar mais agilidade e precisão na apuração dos votos. Uma trajetória de inovação que segue fazendo parte da história da IMA e do município de Campinas. Ela levou pro Brasil essa possibilidade, esse teste de tecnologia que embasou as as construções dos próximos passos que nós conhecemos hoje, como a urna eletrônica e aporação. Inclusive, na época, a IMA, ela praticamente inaugurou a ansiedade dos jornalistas de ficar dando play lá no no no voto parcial, não é verdade? Que hoje todo mundo faz isso pelo celular. E na época os jornalistas iam lá na porta da imã para ficar dando esse replay para ver qual que era o voto parcial. [música]