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Olá, está no ar mais uma edição do programa Mãos Solidárias, hoje diretamente aqui do SECOM, Centro Educacional Coração de Maria, que que fica aqui localizado na região do Satélite Íris. E a gente vai conhecer um pouquinho sobre esse trabalho. Ao meu lado está a Vera Lígia, ela que é diretora educacional. Muito obrigada por nos receber, abrir as portas aqui no espaço. E que espaço, né, Vera? Eu que agradeço por terem vindo aqui fazer essa entrevista. A gente se sente privilegiada. E essa organização social tem uma história muito bonita com a comunidade. Porque ela nasceu de um desejo da comunidade para que as crianças pudessem estar num espaço educacional, de cuidados. E os moradores aqui do bairro se uniram junto com a associação de bairro e começaram a atender essas crianças. E quando que foi isso? Foi por volta de 2003, 2004. Certo. Só que, devido a regulamentação para se tornar uma escola da rede municipal, Essas pessoas que assumiram aqui não tinham condições de manter o local dessa forma regularizada Então as Irmãs Franciscanas, que é a congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria Que já tem outra unidade e vários trabalhos, inclusive fora do país Na África, na Amazônia elas assumiram esse espaço aqui com o desejo de dar continuidade, atender essas crianças e continuar o trabalho que a comunidade tanto precisava. E isso foi em 2006, nós estamos completando 20 anos e é uma alegria muito grande para mim que acompanhei todo esse processo, que eu estou aqui há 18 anos, 18 anos e meio. Foi logo recente então que você veio para cá, né? E elas precisaram transformar esse espaço numa escola de educação infantil. Então, são duas casas adaptadas, precisou fazer toda a regulamentação, precisou regulamentar a questão de água, de luz, funcionários contratados com o regime CLT. E foi ampliando o atendimento, que começou com 40 crianças e hoje são 125. 125 e com uma lista enorme de espera. Com uma lista de espera enorme. Por quê? Porque é uma escola que está dentro da comunidade do Satélite Iris 1 e atende em período integral. Então as famílias aqui, elas precisam desse período integral. Além do educacional, o social, acolher, proteger essas crianças que moram aqui no Satélite Íris. Nossa escola, as crianças são todas moradoras aqui. Então, viu-se a necessidade de ampliação e a gente está hoje atendendo 125 crianças de 2 a 6 anos, com 21 funcionários, toda a regulamentação que é exigida pela Prefeitura, inclusive a gente tem a certificação do selo bem legal, que é concedido pela Prefeitura, e somos parte da rede municipal. Mesmo sendo privadas, nós somos parte da rede municipal de educação. Com a parceria, com a gente é chamada de colaboradora da Prefeitura, Recebemos uma verba para manter a escola E isso é uma coisa muito importante para nós Porque a principal parceria nossa é a da prefeitura Apesar de termos muitos outros parceiros que nos ajudam E que estão sempre aqui com a gente Para a gente poder oferecer para as crianças Além do educacional, que eles precisam de mais Muito mais, eles precisam de passeios Porque aqui no bairro não tem espaço pra eles brincarem, não tem nenhuma área de cultura pra que eles possam participar aqui no bairro, não tem. De lazer, né? De lazer, não tem. Então, esses parceiros, eles nos ajudam nessas questões. O educacional, a gente tem o repasse da prefeitura que ajuda demais, é uma parceira potencial pra gente, muito importante, inclusive a supervisora estava aqui hoje, participa da nossa escola, ela está com a gente, mas os parceiros da sociedade civil e de algumas empresas são, para a gente, muito caros. E eles são fundamentais para manter toda essa estrutura também, né? São, porque a gente, apesar de ter a verba, nós não podemos usá-la com, por exemplo, bens duráveis. Então, a gente não pode comprar um fogão que a gente está precisando, uma máquina de levar louça para a cozinha que ainda não temos. E isso hoje é o maior desafio e a dificuldade que vocês estão enfrentando, Vera. Um climatizador para todas as salas. E a gente tem um quadro de sonhos ali, que depois eu vou mostrar para vocês. Todo ano a gente põe os sonhos para o parceiro, quando vem aqui, ver e quem sabe a gente consegue uma ajuda, né? A gente concretizar, realizar esse sonho. Porque a gente conta mesmo com as pessoas, né? E a gente tem a Unimed, que tem um programa de doação, cada dois anos nos ajuda. Nós temos várias instituições e o Rotary também está sempre com a gente. A Arcor é uma empresa que acompanha o nosso trabalho desde o comecinho, ajudou a congregação muito aqui. Tinha um programa da comunidade, mantida pela Arcor, que ajudou demais a nossa escola. E não dá para eu falar todos, então eu digo assim, no geral, que todos são maravilhosos. A todos os parceiros, aqui do centro. A gente agradece muito por estar sempre com a gente, sempre que a gente precisa de alguma coisa, a gente recorre a esses parceiros. E Vera, ao longo dessa sua trajetória aqui, queria que você falasse um pouquinho sobre o desenvolvimento mesmo, o seu pessoal e também da escola como um todo. O que você percebeu? Teve algum momento que realmente teve uma dificuldade, que vocês pensaram em desistir, que não ia dar conta de toda a estrutura, de atender as famílias? Mas teve algum momento que você se lembra, assim, que realmente merece ser contado, que hoje teve essa mudança, essa transformação? Eu penso que no início, né, pra gente chegar aqui, nesse momento, com uma escola que oferece um bem-estar, que tem ambientes ricos, pedagógicos, que tem uma equipe formada, com formações que eles participam, Eu penso que para a gente chegar aqui, esses 20 anos, foi de bastante luta das irmãs franciscanas que, por missão, desejavam que essa escola não fechasse, que acolhesse mais crianças, por ser um bairro muito carente, muito vulnerável, porque elas têm essa missão dentro da estrutura delas de congregação. E depois a gente teve que buscar ajuda para manutenção Que no começo a prefeitura não podia permitir que usasse o recurso E a gente foi devagarzinho com a ajuda da prefeitura, com esses parceiros Com festa, bazar, um parceiro aqui, outro ali Instituições que vêm aqui conhecer, como você Que ficou sabendo do nosso trabalho E a gente conseguiu, eu acho que nesse momento, ter uma escola que é reconhecida pela comunidade, que é valorizada pela comunidade. Você viu, as famílias elas querem que as crianças estejam aqui. Exatamente, os depoimentos e o coração da mãe que fica quentinho e apertado ao mesmo tempo ao saber que o filho vai sair, porque já completou o ciclo. Então, realmente você sente que aqui é um lugar acolhedor, que as crianças estão em ótimas mãos e realmente tem essa referência aqui na região, não só na região, mas em outros bairros também aqui próximos, que vê a instituição realmente reconhecida. E é isso que a gente vai mostrar daqui a pouquinho, Vera, porque a gente conversou com os familiares, a gente participou também de uma atividade junto com as crianças, contação de histórias e vamos entender um pouquinho também sobre a proposta pedagógica aqui do SECOM. Então, não saia daí que o Mão Solidárias volta já já. Eu agradeço muito o convite e convido quem tiver o interesse, quiser vir aqui para conhecer a nossa escola, para ver as crianças, para propor uma ajuda, um projeto, a gente aceita de coração, tá bom? Muito obrigada, viu? Isso, fica o convite então da Vera e não saia daí que daqui a pouquinho a gente volta com muito mais. Até já! Música E no Centro Educacional Coração de Maria, as atividades lúdicas são pilares essenciais no desenvolvimento infantil. E quando a família participa desses momentos, tudo fica mais especial. A atividade, contação de histórias, abre portas para a criatividade, estimula a linguagem e incentiva a participação das crianças. Hoje, para o nosso projeto Conte Outra Vez, a Tia Poli trouxe uma história muito especial. Gordoleta azul Agora, a Tia Poli vai contar a história E no final, eu vou chamar uma criança Que é a Noemi Pra gente fazer a história cantada Tá bom? E a gente finaliza com uma festa muito legal Vamos lá? Pra chamar a nossa história, a gente tem que cantar um musiquinho Quem lembra a musiquinha? Eu! Eu! Gordoleta azul É hora da história Eu estou no SECOM há 11 anos. Eu entrei inicialmente como auxiliar de turma, né? E depois eu subi para o cargo de professora. E atualmente eu estou com dupla jornada. No período da manhã eu fico como professora e no período da tarde eu fico como pedagoga de educação especial. E como que é pra você essa sua trajetória, né? De atuar aqui, ver o desenvolvimento das crianças, conta um pouquinho dessa sua rotina de trabalho. Pra mim é muito encantador, porque assim, saber que você está contribuindo com o desenvolvimento de cada criança, Toca o nosso coração e saber que a gente está fazendo parte disso E quando eu entrei aqui, eu fiquei muito encantada com os projetos desenvolvidos pela instituição Eu não conhecia, fui fazer um curso de contação de história Para poder aprender a contar história, por conta do projeto Conte Outra Vez Então eu fui crescendo profissionalmente e fico muito feliz de estar atuando Esse projeto foi desenvolvido por vocês mesmo aqui? Isso, as meninas desenvolveram esse projeto, ele faz parte do nosso PP e muitos outros projetos também. Mas o que nos encanta bastante, que as crianças amam, um dos, né, que as crianças amam é o projeto Conte Outra Vez, que a educadora vai trazer uma contação de história, vai escolher um livro e vai fazer essa contação de história para todas as turmas. Tem essa participação afetiva e também ativa diretamente deles, né? Isso. Já fizemos contação de história com as famílias, as famílias atuando, as crianças atuando, só as professoras atuando. Então, assim, é uma participação que todos eles gostam, né? Eles sempre ficam ansiosos pra chegar esse dia. Quando que vai ter ponte outra vez? Quando que vai ter história? Então, eles ficam muito ansiosos por esse dia. E pra você, qual que é o maior desafio nessa sua jornada dupla, Puliana? Acho que o maior desafio na verdade é o olhar, a gente ter esse olhar sensível para cada uma dessas crianças, porque o nosso bairro é um lugar, esse território é um território sensível, vulnerável, então a gente precisa ter esse olhar atento às dificuldades das crianças, mas também às potencialidades de cada uma delas. O que representa para você trabalhar aqui e quais são os seus planos, sua visão daqui a um tempo, continuando aqui na instituição? Continuar estudando, buscando mais conhecimento, cada vez mais, para poder ajudar no desenvolvimento e contribuir com o desenvolvimento de cada uma dessas crianças E para mim trabalhar aqui, eu falo assim, que para mim é um castelinho, uma magia Então, para mim, eu fico encantada com tudo que eu faço e encantada com o que as crianças trazem também. Então, a gente aprende muito com cada uma delas. Então, eu fico muito feliz e estou há 11 anos no Coração de Maria e ganha o meu coração, o Coração de Maria, e ele é aberto. Então, quem chega, a gente acolhe. Então, é isso. Eu já tinha ouvido falar muito desses espaços e eu sempre tentei entrar aqui, não foi fácil, estava na lista de espera, mas outras mães que tem filhos aqui também já falavam muito dessa escola, dos educadores, da diretora, do espaço aqui que é muito acolhedor, são educadores excelentes, anteciosos e eu fiquei curiosa e vim, fiz a inscrição e quando eu consegui a vaga, para mim foi a melhor escolha, E a melhor, como eu posso falar, aliás, foi uma notícia maravilhosa que eu tive, fiquei feliz e é isso. Ida Maris, para você, como foi conhecer o projeto pedagógico também? Como foi vivenciar isso na prática junto com a Sarah? Tem sido excelente e não queria nem que ela saísse daqui. Que pena que o ano que vem ela vai para a primeira série e eu como mãe fico com o coração partido, Mas ao mesmo tempo feliz por essa etapa que ela vai estar passando Mas pra mim é um sinal de gratidão Ela ter ficado esse tempo todo aqui nesse espaço E é isso É que ela foi preparada pra isso, né? Foi super, aprendeu muito Muitas falas que ela tinha dificuldade Ela aprendeu aqui Aprendeu muitas atividades Como se desenvolver também Até mesmo na hora de comer Aprender a mexer com o galfo, com faca E é coisas assim que eu fico surpreendida Tudo que ela leva pra casa eu tenho visto que é a melhor coisa Saara, o que você mais gosta de fazer aqui na escola? Fala pra mim É pinturas Eu pinto tibetate, pinto paraquedas Essa instituição é a melhor que tem aqui na região Falar pra você, ela foi uma bênção de Deus na minha vida Porque quando meu filho entrou aqui na escola ele era não verbal Ele desfraudou aqui A instituição ajudou muito demais na evolução dele E as professoras, as meninas que ajudam também São super acolhedoras Eu fico até meio assim porque ano que vem ele vai para o ensino fundamental E vai estar saindo daqui E eu falei até para a Vera que tem que abrir o ensino fundamental O coração já está apertado Demais, demais Eu cantei com ansiedade Por conta que ano que vem ele vai para a escola Então nesses dois anos que ele está aqui, você já percebeu esse desenvolvimento mesmo com a ajuda das meninas? Sim, demais, elas são super acolhedoras, apoiam em tudo Quando o Vinícius precisa de qualquer suporte, que está doente, ou por não comer, qualquer coisa do tipo Elas avisam, elas são super acolhedoras Falar para você, é até difícil conseguir vaga aqui, porque o bairro inteiro sabe que essa é a melhor escola que tem Foi uma escolha acertada, então. Acertada demais, demais, na minha vida. O tatu-bola. O tatu-bola da historinha, né? O tatu-bola. O que você achou da historinha hoje? O borboleta azul. O borboleta azul, foi a historinha que você ouviu, né? O borboleta azul. Um beijo lá pra câmera. Faz assim, ó. Tchau. Tchau. O que você tem a dizer sobre o Centro Educacional? Como você se sente com a sua filha aqui nessa instituição? Eu me sinto realizada. Sinto que consegui cumprir até agora o papel de mãe, colocando ela numa escola boa, com os profissionais maravilhosos. E no começo, quando eu tive que fazer a inscrição dela para a escola, eu orei muito pedindo a Deus que fosse nessa instituição, porque é muito concorrido, muitas mães querem colocar, Mas quando chega na data de fazer a inscrição é muita gente E nos últimos dias eu recebi a ligação avisando que ela teria uma vaga Fiquei muito feliz E aqui é muito bom mesmo, nota mil pra cá Como contou a história hoje Chegou uma largatinha e foi crescendo e hoje é uma borboleta Só gratidão então por essa instituição Sim, só gratidão e agradecer a Deus pela vida de cada um Que faz parte dessa história do coração de Maria O que você mais gosta de fazer aqui? Eu gosto de brincar. No parque. E o que você mais faz lá? Faço um castelo bem grande. Um castelo de areia? Sim. Eu não sei fazer castelo de areia. O seu fica grandão. Sim. Perto da parede. Como que você faz? Tem que pegar muita areia e depois pôr. Muita areia e pôr. Supervisão Educacional eu tenho acompanhado o SECOM aqui desde o mês de março, neste ano que eu iniciei. E a Supervisão tem esse papel de acompanhar, de conhecer a realidade, de buscar parcerias, pensando no que tem de melhor para as crianças. Orientar o SECOM, muitas vezes a Vera, a Keila, é uma parceria muito gostosa que eu realizo aqui enquanto Supervisora. porque a gente consegue ver no concreto a atuação do supervisor em parceria com a escola e também com outros setores, como a saúde, o próprio NAED Noroeste, a Secretaria da Educação. Então tem sido um trabalho bem gostoso de acompanhamento e de alegria, de ver como hoje uma atividade como essa, o quanto as crianças se identificam e como até mesmo a professora Poliana disse, chegam aqui no começo do ano muitas vezes com medo, às vezes aquela criança chora para entrar, mas o acolhimento e o trabalho que elas realizam acabam fazendo a diferença e participar disso como supervisora é muito gratificante. Hoje, o que eu percebo? A procura que as famílias têm por uma instituição como essa, Como a lista de espera que a gente tem aqui no SECOM é muito grande Até a gente está em uma fase de planejamento para 2027 Das vagas E é uma luta A gente sempre quer abrir mais vagas Ainda mais do trabalho que o SECOM realiza aqui E a importância que o SECOM desenvolve nesse território Nesse território de vulnerabilidade Em que muitas vezes a criança tem a escola Como a oportunidade de ter o direito dela garantido Então aqui no SECOM elas conseguem o direito de serem acolhidas O direito de participar, de conviver O direito de uma alimentação saudável, de uma alimentação adequada O direito de brincar, o direito de aprender E o direito de ser criança Tudo isso privilegiando e garantindo que ela seja criança nesse espaço Então é um espaço pensado para ela e por isso que as famílias procuram tanto. As famílias têm um carinho muito grande, não só pelo espaço, mas pelos funcionários. A gente vê o amor, mas também o profissionalismo deles em cada pedacinho. Mas também as dificuldades do SECOM, tem dificuldades. A parceria com a prefeitura é muito importante, mas ela também limita. Então tem algumas coisas que o SECOM precisa de material, mas que por conta do modo como é feita o termo de colaboração, eles acabam que precisam buscar outras parcerias. Mas são muito felizes, são muito competentes no que fazem, dá pra gente caminhar pela escola e observar tudo isso, e observar o carinho e o profissionalismo delas. Se inscreva no canal. Vocês acompanharam um pouco do trabalho que é realizado aqui no SECOM, as atividades, principalmente os depoimentos dos familiares, que acaba deixando a gente com o coração quentinho. Mas agora vamos conversar com a orientadora pedagógica Keila Félix. Ela vai contar um pouquinho sobre a proposta aqui do SECOM. Obrigada pela participação, Keila. Bom, primeiramente, né, pra contextualizar um pouquinho, depois vai falar da proposta, mas qual que é a sua história com a instituição, né? Como que você chegou até aqui? Bom, eu tenho uma longa história aqui nessa instituição, né, porque ela começa com uma união da comunidade, né, por conta de não ter escola aqui no Satélite Íris. Então, algumas famílias se unem junto com uma outra organização para atender essas crianças. Então, eu lembro que eu era adolescente ainda e eu vim para ajudar, né? Porque meus pais estavam envolvidos nessa organização e aí eu comecei a frequentar aqui. Então, eu fazia recriação com as crianças e por meio período, porque eu estudava também na escola. Depois, com a nova gestão das irmãs, eu passei a ser recreacionista, a gente usava essa nomenclatura, aí eu passei a ser recreacionista aqui, tinha uma turminha e fui estudar, né, fui fazer a pedagogia, fui me buscar conhecimento, fui me formar e me tornei professora em 2009. Você viu que realmente era onde você queria estar. Sim, sim. Trabalhar com crianças. Eu falo que eu sou apaixonada pela educação infantil, né? Então, eu não me vejo com uma outra faixa etária. Desculpa. Eu não me vejo com uma outra faixa etária. E aqui eu me encontrei enquanto profissional. Eu me constituí enquanto educadora aqui dentro, com muita ajuda da Vera, né? Ela me ensinou muito. E aí, em 2009, eu me formo em pedagogia. passo a ser professora aqui, das crianças de agrupamento 2, os menorzinhos, e em 2013, a Vera me faz o convite para fazer parte da equipe gestora da escola. Então, em 2013, começa a minha trajetória como orientadora pedagógica aqui no Secom. E como que foi para você receber esse convite? Olha, para mim, assim, foi muito bom, eu gostei muito, mas foi um pouco assustador, por conta que a minha experiência era com as crianças e não de orientar professores, né? Eu recebia muita orientação da Vera, tanto que a proposta pedagógica nós construímos juntas. As primeiras experiências foi com a minha turma, né? Então eu lembro que ela chega aqui na escola, eu tô assim meio desesperada, porque antes a gente não tinha o olhar pra educação infantil como a gente tem hoje. Então, assim, as salas eram compostas com mesinhas e cadeirinhas e as crianças não queriam ficar sentadas, né? E aí virava aquela loucura, porque criança é movimento, criança quer estar experimentando as coisas. E a Vera sugeriu, Keila, que tal se a gente mudar? E a partir daquele momento, nós começamos, iniciamos a construção da proposta pedagógica do SECOM. E iniciamos o trabalho com a pedagogia de projetos, que é a nossa proposta pedagógica. E na prática, Keila, como que funciona esse planejamento? O que foi modificado, então? Então, a partir daquele momento, nós passamos a olhar para a criança e dar uma escuta para ela, né? Acreditando que a aprendizagem iria ocorrer através do brincar, através do protagonismo da criança, dos conhecimentos que a criança já trazia consigo, do seu núcleo familiar. Então, a gente começa a pensar numa pedagogia mais voltada para a educação infantil. Mudamos tudo, tiramos mesas, cadeirinhas, colocamos tapete E assim a gente foi construindo uma nova proposta Hoje nós trabalhamos com a pedagogia de projeto Todos os projetos desenvolvidos com as crianças Eles se iniciam a partir da curiosidade da criança Então o Vini, que foi uma criança que conversou com você Ele fala muito do Tatu Bola Por conta de uma pesquisa que eles estão fazendo Sobre o que existe embaixo da terra Então eles descobriram que o Tatu Bola está lá embaixo mas que foi uma curiosidade que uma criança trouxe, né, então gerou um interesse em toda a turma e por que não dar essa escuta para as crianças, criar esse ambiente de interesse para eles. Então, essa proposta pedagógica, ela também tem esse peso das vivências das crianças, como você disse, no núcleo, de repente a criança chega com alguma informação, algo que viu, E aí vocês colocam isso na roda e é algo lúdico, assim, que isso acaba chamando mais atenção? Exatamente. A gente parte da curiosidade da criança, mas também a gente, junto com essa necessidade, a gente vai envolvendo as necessidades da criança, né? Então, as crianças, elas precisam aprender muitas coisas na educação infantil. E aqui nós damos muito espaço pra eles, né? Autonomia, escolhas, brincar, esperar a vez. Então, tudo isso entra junto do projeto, a partir daquela curiosidade que a criança trouxe para a gente. E vocês trabalham com algumas temáticas do mundo externo, para dentro da escola? Como que funciona? Sim, nós não trabalhamos com datas comemorativas, né? Nós trabalhamos com atividades culturais. Por exemplo, nós tivemos a Copa, então nós fizemos aqui com as crianças uma festa da Copa. Eles apresentaram danças de diversos países que estavam participando da Copa. Eles conheceram culinárias, coisas assim. Mas datas comemorativas, não. E o que você acredita ser mais desafiador nessa sua trajetória? Enquanto você entrou uma pessoa e agora foi totalmente transformada também. Eu queria saber o que você sente nessa sua transformação e no desenvolvimento das crianças Qual é a parte mais desafiadora para você? Olha, o que eu acho mais desafiador enquanto orientadora pedagógica É a gente fazer com que o adulto, tanto as famílias quanto os educadores Que chegam para somar na nossa escola, acreditar na potência da criança Porque a nossa proposta é essa, tanto quando vem uma família vem um educador novo, a gente fala assim, as crianças são potentes, nós acreditamos nisso e é isso que nós queremos. Então, isso é muito desafiador, porque cada pessoa traz uma trajetória, né? Então, ela chega aqui, ela vai desconstruir tudo aquilo para poder desenvolver a nossa proposta pedagógica, que é essa criança brincante, que é essa criança protagonista, que é super capaz de tudo. De mudar, de transformar mesmo. E nessa sua proposta pedagógica, na proposta do SECOM como um todo, vocês têm uma periodicidade, um planejamento, uma reunião que vocês fazem? Como que funciona essa parte mais burocrática também do trabalho? Sim, nós temos encontros semanais com as professoras e com as auxiliares também. Entendendo que as auxiliares, mesmo que não são professoras formadas, elas são educadoras. Então, elas precisam dessa formação continuada para estar com as crianças. Então, assim, toda segunda-feira nós temos um encontro aqui para a gente refletir sobre as práticas, para a gente conversar sobre temas, por exemplo, sobre o autismo, né? Nós temos crianças aqui, público-alvo da educação especial, então a gente, toda segunda-feira, senta por duas horas e meia para discutir temas, para fortalecer a equipe, para esclarecer dúvidas, para dar escuta também das angústias, né? Porque o educador também tem as suas angústias diárias. Também tem o momento, né? E Keila, como que você enxerga esse vínculo, fortalecimento de vínculo com os familiares? Porque isso também é muito importante, né? Principalmente na primeira infância e também nas crianças que necessitam mais de um acompanhamento. Como que você enxerga essa relação de vocês aqui com os familiares aqui da região? Olha, a gente considera muito importante esse vínculo com as famílias. É fundamental para o desenvolvimento do nosso trabalho, tanto aqui na comunidade que a gente está, em qualquer escola, né? Mas aqui na nossa comunidade a gente busca fortalecer muito esse vínculo, porque a gente quer a comunidade dentro da escola, a gente quer as famílias aqui e mostrar que nós estamos aqui para eles, para as crianças. Isso tem dado muito certo aqui, porque eles cuidam da nossa escola, né? Às vezes a gente vai fechar por um feriado e quando a gente volta está tudo em ordem. E isso, eu acredito que é resultado do vínculo que a gente tem com essas famílias. Que é o que representa o SECOM para você? Consegue definir em uma palavra, uma frase? É difícil, né? É difícil, mas representa muita coisa para mim. Todos os dias, quando eu venho trabalhar, eu penso no dia que eu não vou estar mais aqui. E assim, eu fico até emocionada Porque eu sei que isso vai acontecer um dia A gente não é eterno, né? E as coisas mudam, a nossa vida muda A gente segue novos caminhos Mas o Secom pra mim tem uma história muito grande Uma contribuição imensa na minha vida pessoal, profissional Foi aqui dentro que eu me formei Me tornei orientadora pedagógica Com muita ajuda da Vera, claro Então significa muito pra mim Eu acho que eu não consigo encontrar uma palavra para expressar, para dizer o que significa. O CECOMPREMIM é uma paixão, é um amor, é um lugar que fez parte da minha vida, tem grande parte da história da minha vida, onde eu me constitui como profissional. Então, assim, uma palavra eu não consigo resumir, mas eu amo estar aqui, eu amo o que eu faço, eu levanto todos os dias motivadas para vir estar aqui. Então, é amor pela CESCOLA. Obrigada, viu, Keila, pela participação, parabéns pelo seu trabalho, parabéns pela equipe que atua aqui, porque realmente a gente sente essa energia e é visível também em cada criança, em cada olhar, essa percepção então eu quero agradecer a sua participação e a você também, obrigada pela companhia, pela audiência, você pode acompanhar também esse conteúdo na íntegra pelo portal tvcameracampinas.com.br e também conhecer de perto e um pouco mais o trabalho aqui do SECOM. Temos um encontro marcado na próxima edição. Mão Solidárias fica por aqui. Tchau, tchau! E assim ficou pronto. Legenda por Sônia Ruberti