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com esse tipo de alimento. Então, tenha paciência porque vai demandar um pouquinho de tempo, mas faz parte do processo. Isso não é um problema. [música] A seguir, TV Câmara ao vivo. [música] Olá, muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Sexamos, estamos chegando com Estúdio Câmara ao vivo nesta manhã de sexta-feira, dia 17 de julho. E hoje vamos falar sobre o quê? Nostalgia. Que delícia, né? Séries, adolescentes, desenhos animados e filmes voltados para o público jovem estão conquistando cada vez mais adultos. Mas por que será, né, que essas histórias continuam despertando tanta identificação assim em nós adultos? O que estamos buscando quando a gente revisita os personagens, emoções, lembranças ligadas à nossa juventude? [música] É sobre isso que a gente vai conversar. Os nossos convidados já estão apostos. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. Mas eu quero também que você participe com a gente, mande sua mensagem WhatsApp na tela. 19978293776. Conta pra gente aí, você gosta de assistir filmes [música] que contam histórias de adolescentes universitários, romances, dramas, paixões? Ou então você é fã desses desenhos animados, né? Esses desenhos que foram repaginados. Lembra do Ren? Ai, eu adorava o Ren. E agora tem o filme do Ren, né? Eh, lembra da Xirra, então, né? superheroína. E aí, você é fã desses desenhos? Você de repente gosta de assistir a Caverna do Dragão? Quem não lembra da Caverna do Dragão, né? É tão gostoso lembrar, é tão gostoso de repente assistir aquele desenho ou filme que nós assistimos quando crianças e quando você assiste depois de adulto te traz um conforto, uma coisa gostosa. O que será que é isso? a gente vai descobrir hoje. Então, compartilha conosco a sua experiência mandando a sua mensagem através do nosso WhatsApp, tá bom? E enquanto você manda a sua mensagem, a gente atualiza algumas informações, a previsão do tempo e daqui a pouquinho nós vamos apresentar então os nossos convidados do programa de hoje. Olha só, gente, com a previsão de sol e de que os termômetros voltem a subir no próximo domingo, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer promove a última edição do ano fitness do primeiro semestre de 2026 com o aulão de ritmos Mega Master lá na Lagoa do Taquaral. A atividade é gratuita, aberta ao público e será realizada a partir das 9 da manhã no rink de patinação lá da Lagoa, tá? O acesso é pelos portões 5 e 7. No comando estará o professor Douglas Alves acompanhando, acompanhado aliás dos convidados especiais, a menina Pan e o Douglas Furlan. Então bora que bora, né? Mais domingão, esse final de semana a gente se encontra lá na Lagoa do Taquaral, domingo tá nos portão [música] 5 e se lá no rink de patinação, sabe? Então, a partir das 9 da manhã, combinado? Uma ótima opção para você sair de casa, largar o celular, socializar e tomar uma vitamina D, porque de acordo com a previsão, teremos sol, tá? Daqui a pouquinho a gente fala sobre isso. E olha só que notícia boa. A campanha do agasalho 2026 já arrecadou mais de 11 toneladas de roupas, calçados e cobertores aqui em Campinas. O balanço foi divulgado ontem e aponta 11.631 631 kg de doações, um aumento de 806 kg em relação à última semana e a arrecadação, ela segue até o dia 31 de julho com 165 pontos de coleta espalhados pela cidade, entre eles a Câmara Municipal de Campinas, que apoia a iniciativa e também funciona como ponto de doação. Os itens arrecadados são destinados a famílias em situação de vulnerabilidade, população em situação de rua e abrigos e entidades. Então, se você não tá usando, tá doando, tá bom? Bora compartilhar e também fazer a nossa parte social. Previsão do tempo para este final de semana. Já dei um spoiler que domingo vai ser ensolarado, mas vamos lá. Olha só, hoje, ai, dia azul, olha, céu azul, dia lindo para viver. Ô, gente, mínima 14, máxima 24º. Sábado vai ser igual hoje. O céu azul de brigadeiro, o sol brilhando lá em cima. Mínima 12, máxima 25 no sábado e no domingo. Mínima 13, máxima 26. Então, ó, já coloca na sua agenda. Final de semana lindo, maravilhoso, abençoado, bom pra gente tomar vitamina D, pra gente curtir, pra gente e recarregar as baterias. E vamos embora que hoje já é sexta-feira. Vamos fazer dessa sexta-feira um dia lindo para mim e para você. Agora sim, a gente volta ao nosso tema central do programa de hoje. Olha só, a gente vai falar de nostalgia, né? Porque tem uma história, uma uma série, aliás, adolescente, ela estreia e aí rapidamente ela vira sucesso entre adultos de todas as idades. Vamos lá, um filme, né? Uma animação, estreia, todo mundo lota o cinema. E se você for ver, a gente leva as crianças, mas a gente também vai e a gente presta atenção no cineminha, né? na história ali no desenho e a gente assiste nas redes sociais, pessoas de 40, 50 e até 60 anos, eles comentam personagens, os romances, os conflitos que retratam uma fase da vida que ficou para trás. O mesmo acontece nos desenhos animados, nos filmes e produções que acabam resgatando as referências da infância e da juventude. Mas por que será que essas histórias continuam nos atraindo, né? O que que a gente procura quando a gente revisita emoções, personagens e universos ligados à nossa adolescência? E quando a nostalgia deixa de ser uma lembrança agradável e ela passa a funcionar como fuga da realidade, olha só que complexo, a gente precisa falar sobre esse tema. E por isso nós recebemos aqui duas pessoas especialistas que vão nos explicar sobre essa nostalgia. Hoje a gente dá as boas-vindas ao Víor Vieira, professor e psicanalista. Ele tá falando do Mato Grosso. É Mato Grosso do Sul. É Mato Grosso. Seja bem-vindo, Víor. Bom dia. Olá. Bom dia. Bom dia. É uma, é uma honra estar aqui. É um tema, sem dúvida nenhuma, fundamental nos dias de hoje. E falo do Mato Grosso do Sul, Campo Grande. Uau! Olha, satisfação receber você com a gente aqui no Estúdio Câmara, viu? Muito obrigada pela sua participação e a gente agradece também a participação da Sinara Cordeira. Ela é psicanalista, tá com a gente aqui no estúdio Câmara. Seja muito bem-vinda, Sinara. Bom dia para você. Bom, bom dia. Tudo bem com vocês? E que nostalgia, né? Estamos aqui para falar de um tema que vai te remeter grandes memórias. Uau! Hein? Então, bora viajar no túnel do tempo. Então, sejam muito bem-vindos ao nosso estúdio Câmara, aos nossos convidados, a você de casa e vamos falar sobre nostalgia. Olha, gente, tem uma série, não sei se você já assistiu aí na sua casa. O nome dessa série é Of Campus. Ela é baseada nos livros da escritora canadense Kennedy. E essa série, ela acompanha romances, amizades e conflitos vividos por universitários. são jovens, adolescentes. O que chamou atenção eh dessa série foi o público. Embora a trama ela seja voltada para jovens adultos, né, ela conquistou principalmente mulheres e na faixa dos 40 anos, 40 mais, que passaram a compartilhar nas redes sociais a identificação com os personagens e suas histórias. Então, a partir desse viés, a gente já começa perguntando pro Vittor por, Vittor, a adolescência e o início da vida adulta, elas costumam ocupar um lugar tão marcante na memória emocional das pessoas a ponto da gente assistir alguns filmes e nos teletransportar para esses momentos que foram vividos. Existe uma uma questão importante, né? Eu gostaria de começar até pra gente ter uma espécie de mapa mental, que é a diferença de você sentir saudade e nostalgia, que é o nosso foco aqui hoje, né? Geralmente a saudade do grego, a gente fala que vem da ideia de solidão. Porém, dentro da psicologia, da psicanálise, a saudade é você olhar para uma foto, saber que aquele tempo passou, porém você não nega o seu presente. Mas tá tudo bem, foi um bom momento na nostalgia. Inclusive até essa palavra nostalgia, ela vem de um médico suíço, né, Johan Hofer, que ele fala que era aquela ideia de você sentir dor através do passado. Começa assim, porém nas gerações, né, seguintes, inclusive hoje, né, que é essa questão que nós estamos falando aqui, a nostalgia ela soa como uma espécie de zona de conforto, né? retornar para um lugar seguro e principalmente a adolescência é aquele período da nossa vida onde fica mais enraizada essas nossas memórias afetivas, né, inclusive com os filmes, com as séries, com as músicas. E hoje em dia, como a gente vive numa velocidade, nessa produtividade, né? Uma música que lançou 15 dias atrás já é velha, uma série que lançou seis meses atrás já é passado. Então essa velocidade, né, nós acreditamos que principalmente essa geração, ela retorna para esse lugar para buscar essa segurança. a gente pode ir discorrendo ao longo do programa, mas como você bem disse, [risadas] existe uma linha tênue do quanto isso é ou não saudável, mas enfim, né, num de um modo geral pra gente iniciar seria retornar para esse lugar seguro afetivo. Muito bem, interessante que você pontuou porque eh eh acho que foi uma abertura aqui pra gente poder entender um pouquinho da nostalgia e você trouxe a questão da saudade. a gente precisa saber diferenciar, né? Essas histórias juvenis, Nara oferecem eh o que emocionalmente, né, que continua atraindo cada vez mais pessoas décadas depois da fase da vida. Porque se a gente para para analisar, divertidamente eu adoro, mas eu gosto mesmo é de assistir de repente um desenho da minha época e que hoje foi repaginado, né? tá todo eh eh mais colorido, tem mais movimento, mas que eu sei como começa e como termina, né? O que que é isso? O o que que traz, o que que isso eh eh oferece pra gente que continua nos atraindo? Eu achei achei interessante a fala do Vítor, porque hoje a nossa a nossa geração, elas não estão tendo tempo para sentir. [roncando] E na nossa época, né, um desenho era lançado e ele ficava, ele perpetuava, não tinha essa dinâmica, essa rapidez, cada dia uma estreia diferente. Então você tinha tempo para você assistir, como diz, repetir aquela cena, aqueles episódios. No entanto, hoje essa geração, a nossa geração que recorre a um filme, a um desenho, nós queremos eh sentir aquela emoção, aquela sensação, porque a nostalgia é quando você também vive o seu presente, você parou ali aquela cena como fosse uma foto e sentiu, nossa, eu preciso aproveitar isso, eu preciso entender. E antigamente não tinha essa exposição, essa essa estante, né, que você pode escolher muitas coisas, muitos filmes e tudo muito rápido, tudo muito curto. Era aquele lançamento, era aquele desenho, era aquele filme. Então você vivia o momento porque não sabia quando é que ia entrar em cartaz novamente, um uma nova peça, um novo teatro, um filme. Então está eh antigamente e as pessoas tinham mais propósito no que estava fazendo, é viver intensamente aquele momento. E hoje a nossa geração, infelizmente é é muito rápido. Eu assisti hoje, amanhã já comecei outra, já tá ali. E vai esquecendo alguns detalhes. Então recorrer a essas a esses hoje em dia fala TBT, né? Essas [risadas] memórias faz assim querer reviver aquela sensação de como como é assistir novamente aquilo que me fez tão bem quando eu assisti pela primeira vez. Ai, é verdade, né? E é gostoso, sabia? traz um conforto. E olha, muitas dessas produções elas falam sobre amor, sobre amizade, sobre pertencimento, insegurança e busca também por identidade. São experiências que a gente viveu na juventude, mas que continuam presentes, né, nos momentos da vida. E são diferentes os momentos, mas elas continuam lá. Agora, Vítor, um adulto, eh, quando ele se emociona profundamente assistindo filmes de histórias de adolescente, por exemplo, ele está revivendo experiências do passado ou na sua percepção, ele está tentando compreender questões do presente? É algo assim que a gente precisa analisar, sem dúvida, né? e não porque os dois, na verdade, eu acredito que eh funciona de maneira conjunta, né? E a Simara trouxe um ponto perfeito que essa questão de hoje, né, do TBT, né, do throwback, né, retornar. E aí eu não posso de não posso deixar de dizer que essa emoção que muitas vezes o adulto sente diante do filme adolescente, da música, de um desenho, tem a ver também com uma questão de luto, né? Nós temos a ideia de que o luto ele é só focado em pessoas, né, na na perda, na passagem de pessoas, mas na verdade não. Todas as vezes que a vida olha pra gente e coloca o nunca mais, o irreversível da vida, a partir dali se inicia um processo de luto. E hoje, né, nós vivendo toda essa vivendo, né, toda essa nostalgia, é um processo de luto, de identidade, né? Então, a ideia de você resgatar eh esse conforto dentro das séries, dos desenhos e das músicas é uma espécie de resgate da identidade de quem nós éramos, né? seja dentro da nossa coragem, da persistência, da ingenuidade. Então, lembrar de como nós éramos através, né, desse tipo de entretenimento é uma maneira de nós lidarmos com o luto. Porém, né, como bem dito, existe essa essa linha tênue, né, que eu vou rapidamente destacar que inclusive até o Freud, o Inicot, né, psicanalistas importantes falavam da diferença de você ser infantil e infantilizado, né? Nós precisamos sempre nos reconectar com esse nosso lado infantil, mas não de falta de maturidade, mas do lúdico. O lúdico salva as nossas vidas, que é esse tipo de entretenimento, esse tipo de arte. Agora, você ser infantilizado é você permanecer, né, dentro desse lado imaturo. Então eu acredito que a emoção que nós vivemos, quando a gente pode rever algo do passado, tá ligado talvez a a essa nossa crise de identidade. Olha só, né? crise de identidade, luto infantil, infantilizado. Pega a visão dessa fala, gente. Interessante demais, porque a gente precisa fazer uma autoanálise, porque a gente vai no automático, né? Vamos lá, você assiste um desenho que você curtia e aí você sente várias emoções, mas você sabe nomear cada uma delas. E é interessante que agora tá para fazer uma um vídeo, uma continuação do daquele desenho cavalo de fogo, né? Ai, adoro. Então, quando toca a música e quando eu escutei isso, né, eu falei assim, gente, quando começava o o desenho, eu lembro certinho, eu estava chegando da escola, [risadas] já ligava a televisão para assistir. Então tem uma memória ali, naquela memória, gente, eu estudava, chegava, jogava os cadernos, já ia assistir aquele episódio, era um episódio curtinho e a gente ficava assim doido para chegar no dia seguinte, deixa eu ver o que vai acontecer, será que ela vai encontrar a família e aquela aquela sensação assim, deixa eu participar disso também, né? Então a nostalgia ela te remete aquilo que você viveu e vai trazendo flashes do cenário também onde você estava inserido. Às vezes pode soar aí, pode ter uma tristeza. uma coisa foi tão boa assim, foi ruim, mas também você viveu aqueles momentos onde não se tinha uma preocupação como hoje, né? Chegar na escola, a preocupação era saber qual era o episódio do cavalo de fogo. Nossa, nem me fala. E a caverna do dragão? Aquela galera não achava o caminho de volta para casa nunca, gente. Que que é isso, né? Agora vamos lá. A diferença, Sinara, como é que você diferencia pra gente a nostalgia saudável, que é essa que a gente tá falando, né? é algo gostoso que te traz aí um conforto, uma lembrança boa ou não, né? Então, vamos lá. Diferenciar a nostalgia saudável e a idealização de um passado que parece que foi melhor do que realmente foi, porque a gente também pode dar uma viajada nessa questão aí da nostalgia. Bom, como Víor mencionou, a questão do luto, né? A adolescência, ela foi uma fase. Chegamos à vida adulta. Quando a nostalgia passa a apresentar problemas, é quando o indivíduo ele quer permanecer tendo comportamentos de adolescentes, aí começa a a vestimenta, o cabelo e aí começa a prejudicar a realidade. É você querer reviver o passado com tanta intensidade, se comportando como tal. Uhum. esquecendo que, pera aí, uma coisa é você assistir, reviver, se emocionar, chorar, rir, mas a vida continua, né? Você vai levantar, você vai trabalhar, tem suas responsabilidades, você precisa se comportar e ser um adulto responsável. Quando a nostalgia começa a tomar esse cenário, você começa a a não dar conta de seguir em frente com a vida e sempre aquela aquele lamento, né? Nossa, o passado, aquela época era muito melhor do que hoje. Hoje nada tem graça. Hoje não, a vida continua tendo a sua graça, tendo a sua beleza. Eh, nós precisamos dessa forma também enxergar o nosso propósito de vida, esse fôlego de vida. Então, todos os dias é uma decisão. Eu preciso lidar com hoje. Como eu vou me posicionar? E sentir falta, sentir ter essas lembranças faz parte do ser humano. E é positivo, é bom, é gostoso. No entanto, nós precisamos olhar também pra realidade para não ficar naquele sofrimento, né? Querendo só reviver o passado e esquecendo do presente que é tão grandioso e único. Verdade, né? Os desenhos animados, gente, olha, eh eh fazem parte desse fenômeno que a gente tá falando hoje aqui, dessa nostalgia, né? Eh, bom, vamos lá. Bob Esponja, né? Bob Esponja é algo que a minha filha cresceu assistindo, então se eu assistir Bob Esponja, eu vou lembrar da minha filha. Isso é maravilhoso, né? Ren, gente, adorava o gato guerreiro. Que isso, né? forte brigando lá com esqueleto e salvando todo mundo. A caverna do dragão, a turminha não encontrava o caminho de volta para casa e a gente queria assistir no outro dia para saber se eles iam encontrar o caminho de volta para casa ou tantos outros que a gente assistia e continuamos assistindo. E tem gente que não fala de vergonha, tá? Eu sei disso. Tem gente que assiste e não fala porque tem vergonha de falar que assiste, né? E a gente acaba eh nós crescemos acompanhando esses personagens. Então, esses desenhos da infância eles despertam pra gente emoções que são fortes, né? mesmo muitos anos depois da gente ter vivido isso, mas a gente precisa de repente se atentar em quais emoções estão sendo despertadas ah no momento em que a gente volta para esse passado. E como nomear essas emoções, ô Vítor, eh, choro, alegria e de repente um choro, não é um simples choro. A gente precisa aprender a nomear, a gente precisa aprender a identificar o que estamos sentindo quando a gente, de repente faz essa viagem de volta para a nossa infância, a nossa adolescência. E o que que a psicanálise traz pra gente de voltarmos a esse ponto e de repente trazer uma lembrança ou uma dor que estava adormecida? Sim, eu quero até inclusive destacar uma fala da da semana que ela trouxe, né? o quanto isso é natural do ser humano, né, versus a intensidade. Então, nós precisamos tomar cuidado. Por exemplo, né, o pânico ele é o medo exagerado, porém o medo ele é uma emoção primária. Então, um termo que para poder responder, né, o termo que me incomoda um pouco hoje, essa questão da inteligência emocional, não é controlar as nossas emoções, né, mas é o que fazer a partir do momento que essas emoções elas aparecem, como por exemplo, um choro que ele vem que a gente não consegue segurar, como você tá falando, ou uma crise de riso, enfim, tudo isso. Nós precisamos dar voz, né? E o que a psicanálise traz? E aí eu vou trazer uma reflexão aqui entre dois autores importantes, né? Por exemplo, a a Clarisspector, né? A gente brinca, né? Muitas obras são extremamente psicanalíticas porque ela fala, né? Com as palavras aprendi, ou você as fala, as escreve, ou elas te sufocam. Vem o Freud e diz: "As emoções não expressadas são enterradas vivas e voltam muito pior". Ou seja, se expressar, não se expressar, não é uma opção. E aí você pode perguntar: "Víor, não sei como me expressar". E entra exatamente essa vergonha que você falou, porque na clínica para muitos pacientes, eu já perguntei, né? Não tem uma música, um desenho, um personagem que você se identifica ou lá atrás na sua vida já se identificou? Ah, tem sim. Qual? X. Por quê? por causa disso, disso e disso. E aí aquele personagem fala pela pessoa. É uma maneira saudável da gente terceirizar um pouco, usar como fonte de repertório para nós, mas não se expressar não é uma não é uma opção. Como eu falei, eu sei que não é fácil, mas se você tiver uma pessoa que você confia ou, né, um profissional, porque um não substitui o outro, né, os dois são fundamentais, com certeza vai te ajudar muito nessa palavrinha que hoje, infelizmente, é tão banalizada, mas importantíssima para nós. E essa geração nostalgia diz muito que é o autoconhecimento. Muito bem. Agora, Sinara, vou te perguntar aqui, já que ele ele trouxe essa questão eh de falar, de eh expressar, né? E e o que quando um adulto ele se conecta emocionalmente com o personagem da infância, igual o Víor trouxe pra gente agora, o que que isso pode revelar sobre a nossa história pessoal? Assim, quando eu me conecto com personagem, você de casa, qual personagem que você mais gostava? Ah, vai lembrar, né? O que que isso revela pra gente? O que que traz? Olha, essa identificação quer dizer, né, que foi encontrado nesse personagem alguns detalhes, características que você possui ou que gostaria de ter. Uhum. Então, quando tem ali a Xirra que vai desbrava, vence, luta, a, eh, a caverna do dragão, todo mundo investigando como voltar para casa, então cada um ali vai se conectar com o personagem porque tem muito dele, ou que falta ou que que ali tem em excesso. No entanto, essa essa essa percepção, né, que muitas vezes as pessoas falam assim: "Nossa, mas eu gosto tanto daquele personagem". E nós psicanalistas nós fazemos muito isso, né? Quando um paciente chega e fala assim: "Ah, eu tô assistindo uma série tal, gostaria que você assistisse?" Gente, eu assisto. Às vezes, né? Tem alguns alguns animes, por exemplo, que tem muitos capítulos, muitos episódios. Eu não consigo assistir todos, mas aí eu pergunto para ele assim: "Qual você quer que eu assista?" Uhum. e eu vou assistir ele. E e dentro desse episódio eu consigo entender que tem um personagem que se conecta mais com ele. Ou seja, essa conexão diz muito sobre quem tá assistindo, né? Às vezes é uma vontade de ser mais corajoso, uma vontade de aprender a controlar as emoções. No filme Divertidamente, muitas pessoas falam: "Nossa, eu sou igual a raiva". Só falta sair o foguinho aqui, né? Porque eu explodo, não pisa no meu pé que a bomba explode. Ou seja, você cria desse personagem uma identificação. Por isso ele vai te levar assim a da emoção a raiva, né? Só não vai sair os foguinhos literalmente falando, mas ele vai te movimentar porque houve uma identificação. Muito bem. Então vamos lá. Identificação e Vittor e segurança emocional. e busca por conforto psicológico. Fala pra gente e e traz aí essa conexão da gente assistir um filme ou então revisitar o nosso passado assistindo um desenho animado. Sim, sim, né? tem uma tem uma analogia, né, que é analogia da caverna do Platão, né, que dentro da filosofia a gente fala bastante de que na vida hoje, né, uma analogia, claro, né, nós estamos sempre buscando de alguma forma a ideia de sair da caverna, né, de sair para o novo. Porém, como é sempre uma descoberta e nós não somos os mesmos, né, dentro dessa identidade que nós estamos falando, a gente sempre precisa dessa caverna justamente para voltar para essa zona de conforto para poder se reconectar, recarregar e sair novamente. Então essa linha tênue, e eu sempre costumo dizer, né, e a Simara falou essa questão também, né, dos personagens, da dos pacientes trazerem, né, a ideia de assistir as séries, os animes, enfim, isso é é interessante porque de alguma maneira a gente consegue nos conectar mais aos pacientes através desses personagens, só que sempre lembrando que existe o novo, né? Então, você tem aquela banda favorita, você tem aquele filme, aquele desenho, assista, não tem problema nenhum, mas também assista o os novos, porque você também dá a chance de se reconectar com quem você é hoje, com as referências de hoje, né? Então, eu sei que parece simplista, mas não quero ser porque eu entendo que na prática seja bem difícil, mas a ideia talvez seja encontrar esse pseudo do equilíbrio, né? Porque o equilíbrio não é tão estático quanto de zero a 10 é cinco, né? Cada um vai ter a sua régua, mas você conseguir surfar nas suas emoções com essas referências do passado e de alguma medida equilibrar recebendo o que é novidade, eu acredito que seja uma maneira, lembrando, não querendo ser simplista, mas é uma maneira de talvez você conseguir equilibrar os pratos entre essa questão da nostalgia e do nuv. Muito bem. Agora eu quero trazer algo bem interessante que além do conforto emocional, eu gostaria de trazer a previsibilidade pra gente poder falar um pouquinho eh e conectar com essa questão eh de da gente voltar ao passado através de filmes, séries, desenhos, enfim. É interessante que quando você assiste um desenho que você já assistiu, você vai reassistir ele, você sabe o começo, o meio e o fim. Isso é a previsibilidade. Então você entra numa zona de conforto emocional e você sabe como vai, o que vai acontecer. Então o seu cérebro ele não vai ter aquela ansiedade, aquela coisa toda de você assistir um um material novo, né? Porque quando a gente vai assistir um filme novo, você fica ansioso para saber como é que que vai acontecer, qual que é a trama toda, eh mesmo sendo filme ou desenho. Então, eh quando o excesso de responsabilidade da vida adulta, ele chega, ele vem, isso é previsível, né? Isso ajuda a explicar eh o o sucesso dessas produções. De repente é uma maneira da gente poder tirar o nosso foco desse excesso de responsabilidade e de repente viver algo que nós já temos eh a certeza de como vai começar e finalizar. Olha, eu gosto muito de uma de umas falas que o nosso a neurociência ela explica que o nosso cérebro ele gosta do do que é previsível. Quando você está num ambiente, escuta um barulho e esse barulho você não tem nenhuma referência, seu corpo fica paralisado, né? Seu cérebro entra em atividade, luta ou fuga. No entanto, quando o barulho já é conhecido, você fala: "Ah, é uma tampa que caiu! Ah, não tem sempre faz esse barulho". Você dá uma acalmada, uma tranquilizada. a repetir filmes, séries que você já assistiu te acalma porque já é um lugar conhecido. E diante da nossa ansiedade do dia a dia, correria, o nosso cérebro busca esse refúgio. Então um um filme com início, meio e fim, você já tem assim uma previsão de que vai acabar tudo bem, você já sabe aqueles aqueles romances, você já entende assim: "Nossa, que gostoso, já sei o final". às vezes até se emociona porque o cérebro ele te acolheu ali, já te deu uma informação de acolhimento. No entanto, quando você está diante do novo e o novo ele assusta, né? E todos os dias, né, da vida adulta, você tem ali o que que vai acontecer amanhã depois e você fica um pouco assim estado de alerta na ansiedade do que está por vir. E o filme ele já te deu essa referência, já te deu aquele final. É interessante. O nosso cérebro é algo magnífico, né? Agora vamos lá. Filmes de romances, filmes de adolescentes, né? Muitas pessoas assistindo, se identificando, até conversando sobre essa identificação, né? Eh, será, Víor, que a gente tá vivendo uma época em que os adultos, nós adultos, sentimos mais necessidade de pertencimento, de acolhimento, de conexão emocional, porque a partir do momento que eu assisto um filme que são adolescentes, que que têm uma convivência, que eh tem ali o início de um romance, isso é é algo que de repente a gente olhando ali, a gente tem a sensação pertencimento, porque nós passamos por essa fase. Será que isso está faltando no aqui, no agora, pertencimento, acolhimento, conexão? Qual que é sua a sua avaliação sobre isso? Eu acredito que nós sempre, todas a a as gerações, elas buscam pertencimento, né? Eu acredito que isso seja algo eh do ser humano, né? essa ideia do coletivo de alguma maneira para nos proteger. Porém, né, como você citou, essa noção de pertencimento, ela vai eh sendo mutável, mas isso sempre existiu. Inclusive, você trouxe a questão da ansiedade, né, que é essa essa falta talvez de paciência hoje, né, que muitas vezes inclusive até o próprio jovem tem, né, de coloca tudo no X2, né, nos 2 X da do WhatsApp até da Netflix. Enfim, né? Eu vejo muitas pessoas assistindo filmes, séries aceleradas para querer ver logo o final ou não começam a assistir algo novo porque não tem paciência e ficam ansiosas para chegar ao final. Então eu acredito que essa noção de pertencimento [limpando a garganta] é justamente porque nesse passado que nós estamos falando nostálgico, não existiam esse tipo de preocupação, eram outros, né? Eu inclusive até brinco, né? Quando falam que a geração passada não era ansiosa. É só ver a ponta dos lápis, né? de como eram, né, dos adultos, né, dos adolescentes desse passado. Então, acho que essa noção de pertencimento, ela também vem por uma outra questão de como a configuração da sociedade aos poucos, claro, né, ela vai mudando, as pessoas estão também estão dando a chance de viver novos amores, né? Eu, por exemplo, tive uma paciente, né, vou falar brevemente, recente, né, que ela, enfim, falando essa questão do luto, né, ela perdeu o marido, né, ela já tinha 62 anos e na cabeça dela, a sociedade ia julgá-la se ela encontrasse outra pessoa. E nós trabalhamos isso. E eu lembro de fazer uma sessão com ela e ela estar com um sorriso que eu nunca tinha visto na minha vida, aquele sorriso. Porque ela aos 62 anos deu um beijo e ela não beijava há 20, já não era mais marido e mulher há muito tempo. Então essa paciente ela assiste série românticas, ela não só do do presente, mas também do passado para se reconectar porque ela pode. Então, por isso que essa linha tênio entre o que é saudável e o que não é, a gente sempre precisa est atento, se possível, com o profissional, senão justamente nessa noção, inclusive que até a Simara colocou de não paralisar. Quando paralisa é um problema, mas se aquilo te movimenta, traz essa noção de pertencimento que nós estamos falando. Muito bem. Bom, como vocês trouxeram pra gente, nem toda a nostalgia, né, ela está ligada à felicidade. Muitas vezes aparece e em momentos de mudança, de perda, de luto, crise e acaba funcionando como uma forma da gente reencontrar as nossas referências emocionais que são importantes, que foram importantes. Então, se a gente para para analisar com em outra visão, em outro viés, a nostalgia ela pode atuar como uma ferramenta de regulação emocional diante, de repente das dificuldades da vida? Sinara, olha, sim, eh, é você ter aquela esperança, né, aquele movimento, aquela sensação de que você está no caminho, esse vai ficar tudo bem. eh as referências que de uma experiência já vivida, o que que precisa ser feita ou a motivação também para continuar quando você lida com a nostalgia, com essas memórias de uma forma saudável, as experiências, a conversa com com o amigo, eh as lembranças, então tudo isso também ajuda, né, o o indivíduo, a pessoa a lidar com o seu mundo atual. Quando nós buscamos uma terapia e geralmente as pessoas falam assim: "Ah, eu vou lá para ficar revisitando o passado e tem coisa que eu não quero ver, não. Tem coisa que você precisa assim organizar". Eu gosto de falar que a terapia é como se você fosse arrumar o seu closet. Então, se você vai descobrir que tem coisas ali que você guardava tanto tempo perguntar que por que eu guardo isso aqui? Por que que eu vou ficar com isso? Outras você vai aprender a lidar porque elas precisam ficar ali. Faz parte da sua estrutura, faz parte da sua vida. Mas ainda assim você precisa e tem essa permissão de de decidir e você deve seguir. E toda tudo faz parte de quem nós somos, de todo o que você viveu faz parte da sua história. E você olhar para essa história tendo boas memórias, boas bons sorrisos, lágrimas e falar: "É, essa sou eu e agora eu estou continuando seguir, porque tudo isso faz parte de mim". Eh, nós temos histórias, né, bagagens, às vezes não tão boas, às vezes maravilhosas, mas sim, todas elas, essas bagagens fazem parte e da nossa história e ajudou a construir quem somos hoje, né? A gente tá falando aqui de nostalgia, de filmes, de músicas, de repente, né? Tem música que desperta uma sensação gostosa na gente, né? que nós ouvimos lá quando jovens e também desenhos. Mas eu quero trazer eh uma experiência de uma colega de trabalho, a nossa produtora, ela relatou pra gente que quando ela tem um dia assim puxado, Vittor, ela chega em casa para ela se desconectar. Sabe o que ela assiste? Ela assiste filmes de Natal e disse que isso traz para ela uma sensação gostosa de desconexão, de paz, e assim ela consegue se equilibrar para poder fazer o, né, eh, dar sequência nos afazeres de casa e ter uma noite de descanso para poder trabalhar no outro dia. O que que você traz? Qual a visão da psicanálise diante dessa ação dessa nossa colega de trabalho que tá assistindo lá na redação e ela gosta de filme de Natal? Então, já sabe, ela vai para casa, para descansar ela coloca a filma do Papai Noel. [risadas] Olha, sendo bem sincero, eu acredito que esse seja o o autoconhecimento que nós estamos falando, né? Ela sabe o que faz bem para ela. O grande X da questão é só tomar cuidado, isso todos nós, claro, né? Mas puxando o caso dela aqui, para não depender disso, né? Porque e o dia que cair a internet, né? E o dia que por alguma razão não dá certo? né? Então, depender de algo, usar isso como muleta, esse é um problema. Agora, se conscientemente ela sabe que se naquele dia ela pode fazer isso, eu acredito que isso é saber o que é o o melhor para nós. Agora, né, eu não posso falar aqui, né, obviamente de uma maneira um pouco mais profunda, porque cada caso é um caso, mas existem sempre essas camadas, né? No caso do Natal, nós retornamos essa ideia da memória afetiva, né, da daquela pessoa que ela é nessa época ou que essa época remete para ela. Então isso é importante. Se todos nós soubéssemos esse local seguro, sem dúvida as nossas angústias seriam muito menores. Mas sempre tomar cuidado para não tropeçar nessa ideia da dependência, né? Inclusive até o os meus pais mesmo, enfim, sempre brincam, né? Que eles gostam muito de novela de época, né? né? Teve a fase que eles viciaram nos doramas de época, né, que o dorama daqui a pouco vai ser a nostalgia, né, do futuro, né, até contraditório, mas enfim, né, toda essa onda que nós estamos vivendo também que tomou conta. Então isso é interessante de nós pensarmos, né, entender qual é esse lugar seguro, mas só tomar cuidado para isso não ser uma dependência. Excelente, né? É a Shana Mary, ela que gosta de assistir aí os filmes de Natal. Então, olha aí que legal, né? Só que precisa, então, eh, ara, como o Víor trouxe, eh, perceber quando essa nostalgia, esse conforto que a gente sente ao retornar ao passado, né, ao voltar, ele é saudável. A gente precisa entender quando é saudável e quando começa a dificultar de repente a vivência do presente. E pelo que o Vítor trouxe, isso pode, de repente causar uma dependência. E aí sim acendemos o alerta para busca de um apoio eh psicanalístico, psicológico, psicoterapeutico, enfim, uma terapia, não é exatamente? Porque quando o paciente ele não consegue existir além disso, ele precisa aprender novos recursos, novas ferramentas para num momento ali de ansiedade, de estresse, ele conseguir se acalmar, conseguir ter essa essa tranquilidade que ele busca. Eu acompanho também famílias que passam por processo de adoção. Muitas vezes as crianças chegam com algumas referências da família biológica, pedacinho de pano, não chego nem dizer naninhas, mas pedacinho de pano rasgadinho, sujo. E às vezes a família fala assim: "Nossa, vamos jogar isso fora". Falei: "Não joga agora, porque ele precisa disso." É uma referência que ele tem. Aos poucos nós vamos ajudando eh eh oferecendo esse suporte psíquico para ele conseguir lidar bem com as emoções, com as situações, com a mudança de rotina, sem buscar esse recurso no paninho. Porque às vezes tem criança de 7, 8 anos que ele só vai pra escola se tiver o paninho. Ele precisa ir porque ainda ele não sabe lidar com essa emoção. No entanto, quando você já apresenta uma uma nova ferramenta para esse paciente e ele começa a entender que, opa, eu estou ansiosa, eu estou nervoso, eu estou precisando me me sentir bem, ele buscar outras coisas para ele conseguir eh sustentar, né, passar por aquele momento, por aquele episódio. Então, tudo precisa ser o quê? o equilíbrio. Tendo o equilíbrio, você consegue usar o recurso de assistir um filme natalino, mas também não tendo o filme, você vai ficar bem, vai procurar uma outra situação, um outro momento e às vezes até mesmo não fazer nada. Não vou ficar aqui hoje, eu quero não fazer nada e também vai ficar tudo bem. Interessante, né, essa questão, a gente falando de filme natalino aqui, o que que me arremete um filme natalino? A família, né? a família, ao aconchego, ao acolhimento, né? De repente é algo que que traz uma [limpando a garganta] sensação de conforto, de equilíbrio, né? Mas a gente precisa sim saber manejar todas essas questões que nós falamos aqui da volta ao passado para que a gente não fique preso ao passado e traga esse passado para fazer parte do nosso presente, porque a gente tem o presente e ele precisa ser vivido. É o aqui e o agora. Tá tudo bem. dar uma viajadinha de vez em quando, mas só para sentir uma sensação gostosa de conforto, mas precisamos voltar para o aqui agora pra gente poder seguir a nossa jornada, tá bom? Vamos lá. 8:53. Olha só, conversamos tanto, já estamos quase encerrando o programa, mas claro que a gente vai atender você que tá aí do outro lado, você que tá participando conosco. Produção, pode colocar na tela então as nossas perguntas para os nossos convidados. Vamos ver o que que o pessoal de casa tá dizendo. Juliana Costa de Barão Geraldo. Olha aí. Sempre coloco desenhos antigos pro meu filho, mas percebo que quem fica vidrado sou eu. Parece que aquela época tinha mais cor. Isso é nostalgia ou frustração com o que temos hoje em dia? Vamos lá, Vittor. Ah, eu acredito que, na verdade, é uma pergunta bem interessante, né? Porque é justamente muitas vezes a frustração de hoje em dia que nos leva a esse sentimento de nostalgia. Claro que é perigoso, né, não generalizarmos, mas geralmente a frustração nos leva esse passado e ela está corretíssima em dizer que antigamente tinha uma cor, né? Inclusive, se nós pegarmos aí até a ideia de alguns restaurantes, hamburguerias, enfim, famosas, né? Antigamente era tudo colorido, como eu falo, era mais lúdico. E o lúdico, a arte, ela traz uma ideia de leveza. Então, toda essa questão hoje, né, não é uma crítica exatamente, é só uma reflexão, mas é isso, né? essa ideia é tudo muito eh minimalista, tudo muito monocromático. Tudo isso é óbvio, são sintomas que nós estamos vivendo, mas para quem para as gerações que estão pegando essa transição, isso dá muitas vezes essa bugada em nós, né, de buscarmos essa questão inclusive do humor, né, o que regula esse nosso humor. Então ela está certa nesse sentido que geralmente é a frustração que nos leva a essa nostalgia. Por isso que é importante falar de qual é a frustração para poder entender essa nostalgia e usar isso a favor dela e não contra, né? Muito bem. Eu achei interessante a colocação da nossa telespectadora, porque ela diz que ela coloca desenhos antigos, tá, pro filho, mas daí ela acaba se percebendo que ela está assistindo, né? Talvez inconscientemente já tenha uma estratégia aí por trás que ela não percebeu, né? É verdade. É verdade. Acredito também. Bom, obrigada Juliana pela sua participação. Vamos lá, mais uma participação pra gente na tela. Produção, por favor, agora a gente direciona para ver quem é que tá conosco. Falando sobre nostalgia, Patrícia Silva do Jardim Garcia. Tenho conhecidos que vivem postando fotos antigas com testões de saudade. O excesso de nostalgia nas redes sociais pode ser um sintoma de carência ou de falta de novos projetos de vida no presente? semana, olha, eh, existem algumas situações que as pessoas usam também a rede social para fazer alguns desabafos, né, aquilo que ele está sentindo e talvez não não teve uma oportunidade de falar no momento, esse ente querido se foi quando se trata de um luto por morte, uma experiência, um momento que ele não soube aproveitar com tanta profundidade No entanto, eh, é entender também a um todo, né? Aqui a gente vai falar de uma forma muito superficial o quais são os impactos dessa escrita, o que ele está pedindo através dessa escrita. Então, cabe ali os familiares uma uma observação para porque às vezes até para chegar e conversar e eu vi que você postou, me conta mais. Isso também é terapêutico, né? quando você tem alguém que percebe e dali entender, ouvir, porque às vezes a pessoa ela quer falar, né, daquilo que ela deixou de fazer, que poderia ser feito, teve uma maturidade, uma experiência, mas falar para quem? Então, coloca ali no formato de um testão, né, de um desabafo. Às vezes as pessoas se sentem assim incomodadas, ai, será que eu vim direta? Não. [risadas] Então, é importante e fazer a catarse. Olha, eu vi que você postou um texto, deixa eu entender o que você quis dizer. Eu gostei ou não gostei, mas criar esse diálogo que também aproxima, né, as pessoas. E de repente também essa pessoa, ela está precisando ser ouvida, né, e ela não teve oportunidade. E colocando o texto na rede social, ela está chamando atenção para, de repente que alguém a ouça, né, que chegue fazendo a pergunta por o porquê desse texto, dessa forma. E aí a partir disso inicia-se uma escuta. De repente pode ser também essa questão porque a pessoa ela quer falar, mas ninguém quer ouvir. E aí vou postar o texto lá. De repente alguém vai perguntar para mim: "Por que que você postou esse textão?" "Poxa vida, porque eu quero falar, eu preciso falar." Porque falar é é algo bom, né? você precisa tirar de dentro de você algo que tá incomodando. Se você não tem com quem falar, vai lá escrever na rede social e aí eh, com a ideia, de repente pode ser até inconsciente, né, Víor, de que alguém vá chegar e perguntar o por o que motivou aquela escrita e aí a oportunidade que a pessoa tem de repente de desabafar, de falar, de contar. Qual que é a sua avaliação disso? Ah, sem dúvida, né? Não quero parecer o literal da palavra dramático, mas muitas vezes as postagens nas redes sociais, além na intenção de compartilhar um momento, seja positivo ou não, muitas vezes é um pedido de socorro. Eh, muitas vezes nós queremos dar o chão para que o outro pise, vice-versa. Então isso isso pode acontecer até para volta um pouco, né, naquela questão que você trouxe da noção de pertencimento também, né? eu vou falar pro mundo para ver se alguém, né, pega na minha mão e a gente caminha, né, juntos, né? Então, sem dúvida, né, mais uma vez, esse esse retorno, ele sempre vai acontecer de uma maneira ou de outra. A forma é que muda e precisamos ficar atentos, sem dúvida. Mas as postagens a gente tem muito como um pedido de socorro muitas vezes. Sim, sim. Nesse vi, [risadas] né, Relá? Exatamente. É verdade. A gente precisa ficar atento, né? De repente, eh, você foi escolhida a pessoa que vai ter essa escuta ativa e ajudar essa outra pessoa que postou o testão aí a ressignificar as situações. Vamos lá, 8:59, mais duas perguntas e a gente já encerra. Estúdio Câmara ao vivo. Estamos falando aqui de nostalgia. Artur Veras do Nova Europa. Muitas pessoas buscam em séries adolescentes uma leveza que não encontram no dia a dia. Esse consumo em excesso pode funcionar como uma anestesia para não resolver problemas reais. Sinara, [suspirando] bom, o consumo em excesso. Bom, vamos pensar assim, são vamos dar, vamos separar essa, essa pergunta. Existe o consumo, OK? Mas quando esse excesso atrapalha a vida cotidiana, esse essa nostalgia é uma fuga do real, o aí que está o problema. Se ele vai assistir o mês inteiro a série, OK, mas a partir do momento que o fato dele assistir, ele começa a adquirir comportamentos, né, de adolescentes e juvenis, infantilizando e e no mundo no mundo real, no mundo atual, ele não conseguir lidar com as demandas, com as questões, aí está o problema, porque ele tá trazendo uma questão, né? ele tá, ele tá eh transferindo aquela série pra vida dele e se afastando do que precisa resolver. Sim. Então o problema está no que no que em como ele está lidando com a vida real. Assistir, você vai assistir uma vez na semana, duas, o mês inteiro, OK? Mas pegar aquela vida e trazer para ele e isso começar a prejudicar o cotidiano dia a dia, aí já é um estado que remete ali um alerta para quem está envolvido ali junto com o indivíduo para buscar também uma ajuda terapêutica. Muito bem. Porque todo excesso esconde uma falta, né? Então, se você tá excedendo demais, é porque tá faltando algo. E aí é o momento de você buscar uma ajuda terapêutica. Vamos lá. 91. A última pergunta do programa de hoje, a gente se direciona para o Víor. Vamos ver quem está com a gente. Víor Hugo Swift, trabalho com jovens e noto que eles têm pavor de envelhecer. Essa supervalorização da juventude pela mídia faz com que a sociedade viva uma crise de nostalgia precoce e medo do futuro. Uau! Vamos lá, Víor. De Víor para Vítor agora. É, né? Sem dúvida, né? Inclusive, hoje nós estamos eh vivendo, retornando, né? Olha que curioso, essa questão nostálgica do culto ao corpo também, né? Eu acredito que isso tenha um pouco a ver, porque essa nossa dependência de de se cuidar ao excesso que nós estamos falando, né, dentro desse universo todo de uma vida perfeita, rotina perfeita, então eu tenho que ir cinco vezes na semana na academia, eu tenho que ler dois livros, eu tenho que comer desse jeito, fazer aquilo, beber não sei quantos vistos de água. Claro que tudo isso é muito positivo, porém o excesso de tudo ser uma vida performática, muito disso é um sintoma desse medo do futuro que nós estamos vivendo. E como a Simara também colocou algumas falas atrás, né, tem esse medo do tédio, tem esse medo do óscio, que a gente sabe que é um problema, né? Nós não temos mais tempo para não fazer nada e isso gera ansiedade. Quando eu não faço muito em aspas nada, eu fico ansioso. Então essa ideia do futuro, ela é preocupante, até porque muitas vezes a gente sabe que dependendo das experiências que nós temos, quando nós olhamos pro lado, a velice ela assusta, né? Então, o Víor ele foi cirúrgico, sem dúvida, nessa nessa reflexão e esses sintomas de tudo performance, sem dúvida, um dos pontos de vista que tá o pano de fundo por trás é esse medo do futuro, esse medo de envelhecer. E queria rapidamente também destacar uma frase que a Mara trouxe, que essa essa noção de que, por exemplo, da pressa do adolescente em assistir, porque, por exemplo, eu tenho 30, né, e antigamente você ia assistir uma série, era toda segunda, 9 horas da noite e você que se vive com a sua ansiedade para assistir só na segunda que vem. E hoje não, né? Hoje com esse acesso ao celular em excesso, você pode maratonar uma série numa madrugada, né? Então a gente acaba falando que esse é o suicídio do cérebro, né? da dopamina barata, enfim. Então, acredito que esse é um ponto interessante pra gente evidenciar aqui também. Excelente, Vittor. Muito bom, Sinara. programa de hoje bem educativo, informativo, paraa gente entender, né, o que acontece conosco quando a gente decide dar uma passeadinha lá no passado através de filmes e a gente se identifica, a gente sente um conforto psicológico, a gente acalma, a gente de repente consegue sentir as mesmas emoções que sentíamos quando assistimos aquele filme, aquela aquele desenho animado. Mas é importante nós eh viajarmos sim, mas voltarmos para o aqui e o agora sempre, né? E aprender também a nomear as nossas emoções. Vamos para as considerações finais. Então, quero agradecer você, Víor, pela sua participação. Um grande abraço. Um final de semana excelente. Obrigada, viu, por compartilhar seu conhecimento conosco e deixa então uma mensagem final aí para quem tá assistindo a gente hoje. Não, a honra foi minha eh estar aqui. Aprendi muito também, né? Eu acho que essa ideia de poder compartilhar, ensinar e sempre aprender. Essa é a ideia. E a mensagem que eu deixo é que justamente vou até pegar essa última pergunta que é: quanto mais você se preocupar em excesso em não querer envelhecer, mais você vai fazer isso de uma maneira não saudável, né? Então aceitar a finitude com toda a complexidade que envolve essa questão, sem dúvida nenhuma, vai transformar a sua vida no presente e no futuro mais leve. Não é fácil, mas pode ser mais leve. Muito bem. É desafiador, né? A vida ela é desafiadora, mas o que seria da vida sem os desafios, né? E que seriam dos desafios sem nós? Então é sobre isso. A gente agradece você mais uma vez, ô Sinara. Obrigada você também pela sua participação mais uma vez com a gente aqui no estúdio Câmara, por compartilhar seu conhecimento conosco e nos orientar hoje sobre a nostalgia. Olha, eu agradeço também o convite. Muito bom fazer essa troca, conhecimento, faz parte, né, da nossa trajetória. E o que eu tenho a dizer para você, telespectador, é o a velice também precisa ser vivida. O passado você vai lembrar, mas o presente você precisa sentir, porque é o que você vai e é o que vai caminhar com você durante toda a sua trajetória de vida. Então, é o o resumo de tudo isso é: aprenda a viver, viver intensamente cada segundo da sua vida. Muito bem, maravilhosa. Obrigada mais uma vez. É o aqui e o agora, gente, nós vimos que a nostalgia ela pode sim nos ajudar a compreender quem fomos, quem somos e quais valores nós carregamos ao longo da vida. Quando bem utilizada, ela pode fortalecer nossa identidade e também nos permitir olhar para o passado sem deixar de viver o presente. [música] Pense nisso, tá bom? Um grande abraço para você. A programação da TV Câmara Campinas está maravilhosa em todo final de semana, porque você sabe, né, nós temos estreias aí, são programas eh inéditos no ar para você, entretenimento, tem receita, tem você aprendendo a fazer algum tipo de artesanato, eh tem também você de repente passeando num bairro, né, com o pessoal aí do meu bairro na TV. Então, olha, a programação é maravilhosa, feita com muito carinho, especialmente de toda a nossa equipe do grupo Mais especialmente para você. Então, acompanha a programação da TV Câmara Campinas durante todo o final de semana também, tá? A gente agradece a sua audiência, a sua companhia. Ao meio-dia, Gabriel Castro trazendo informações do legislativo, de toda a nossa metrópole. Lembrando que tem Câmara na Copa, hein? E agora já estamos na final, né? Que será que vai dar nessa Copa, hein? Bora que bora assistir Câmara Notícia porque tem Câmara na Copa e você fica por dentro de tudo que está acontecendo no mundo do futebol. E amanhã, amanhã não, gente, mas sábado, é sábado e domingo, na segunda-feira. Na segunda-feira a gente tá de volta a partir das 9 da manhã e nós vamos falar sobre a partir das 8 da manhã, perdão. E nós vamos falar sobre inverno, gente. Inverno tá aí, claro, a gente percebeu, sentimos na pele, né? E com o inverno, algumas mudanças que muita gente percebe no dia a dia, mais fome, mais sono, menos disposição e aquela vontade de ficar debaixo das cobertas. Mas será que é apenas impressão ou o frio realmente altera o funcionamento do nosso corpo e do nosso cérebro? Na próxima edição do Estúdio Câmara, na segunda-feira, a gente vai entender como a estação influencia o comportamento, o humor, o apetite e também os nossos níveis de energia. Então não perca, vamos falar do comportamento, né, do nosso corpo e da nossa mente diante do inverno, a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do Estúdio Câmara. Então, grande abraço para você, bom final de semana, se cuide e até [música] segunda, se Deus quiser. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música] A ansiedade, ela é uma emoção que ela provoca uma série de respostas no nosso corpo. Primeiro, nós temos respostas fisiológicas. A gente pode ter o coração bater mais rápido, a gente pode ter suor excessivo, a gente pode ter uma tremedeira, um aperto