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Dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando estúdio Câmara no ar. Hoje, quarta-feira, dia 27 de maio, gente, já é tudo isso, né? Às vezes até parece que a gente tá falando errado, mas não, já estamos quase na metade do ano e a gente segue com Estúdio Câmara para você orientando. Vamos conversar hoje sobre um hábito, cada um hábito, perdão, cada vez mais comum, principalmente entre jovens e nós mulheres, né? Hoje em dia existe aplicativo para praticamente tudo. Você já percebeu? desde ferramentas de inteligência artificial para otimizar a rotina até os aplicativos para encontrar banheiros públicos em situações de emergência. Mas o foco do nosso programa hoje são os aplicativos de dieta e a contagem de calorias que vem sendo usado por milhões de pessoas aí no mundo todo, estão literalmente na palma da nossa mão. Eles prometem emagrecimento, controle alimentar, metas, desempenho e resultados. Mas aí a gente pergunta, até quando essa busca por performance alimentar, por metas, é saudável? Isso pode virar obsessão quando o cuidado com o corpo deixa de ser saudável e passa a afetar a autoestima a relação com a comida e a saúde mental. Vamos falar sobre as métricas, né, e os aplicativos que estão de repente aí no seu celular tomando conta dele. Quantos aplicativos você tem no seu celular? Você é norteado por os aplicativos durante todo o dia? Conta pra gente, participa conosco. WhatsApp na tela para você tá aqui, ó. Vamos lá. Participa 1997829377. enquanto você manda sua mensagem, eh, compartilhando a sua experiência, de repente com alguma dúvida, porque as nossas convidadas já estão apostas. Daqui a pouquinho a gente apresenta elas para vocês. Agora a gente atualiza algumas informações e quero lembrar que a Câmara de Campinas realiza no próximo dia 9 de junho às 7 da noite, audiência pública para debater o projeto de diretrizes orçamentárias de 2027. Então a gente convida você para discutir junto com todos os vereadores, todo o pessoal as metas e prioridades da administração pública municipal para o próximo ano. Audiência pública será conduzida pela Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara e sua participação é importante porque vai definir os rumos dos investimentos públicos da cidade pro ano de 202. Então, por isso, participe, dê a sua opinião, sugestão. Você pode participar no plenário, ir diretamente paraa Câmara de Campinas, tá? Dia 9, ou então acompanhar a transmissão ao vivo pela TV Câmara Campinas, pelo YouTube também. Você pode fazer perguntas e sugestões no formulário que está no site campinas.sp.lege. lege.br. Lembrando que a sua participação é muito importante e a Lei de Diretrizes Orçamentárias é o orçamento, né, que vai ser distribuído aí eh pro ano de 2027 na cidade de Campinas. E você, claro, pode participar, opinar e também contestar, combinado? A gente espera a sua participação. Previsão do tempo para hoje. Vamos ver como é que fica o tempo aqui na metrópole. Sol com algumas nuvens durante o dia, períodos de céu nublado, não tem chuva, né? Mas olha, se prepara porque tá vindo uma frente fria aí e parece que a partir de hoje, no fim da tarde, o negócio começa a pegar, vai esfriar, viu? Então já prepara as cobertinhas. Hoje é dia de, ó, lavar as cobertas de repente, né? Colocar no sol, aproveitar o pouquinho de só que vai dar, porque tá vindo uma frente fria pra gente. Mínima 17, máxima 25. Hoje o que temos por hoje é isso. Então vamos viver o hoje, né? O aqui e o agora. Mas já vai se preparando porque vai esfriar. Agora vamos ao nosso tema central, apresentar as nossas convidadas para vocês. Antes preciso falar que pesquisas internacionais já apontam que os aplicativos de dieta podem intensificar transtornos alimentares, ansiedade e culpa alimentar. E nas redes sociais, conteúdos fitness e corpos idealizados também ajudam a aumentar a pressão estética e a comparação constante. Segundo dados da Associação Nacional de Atenção aos Transtornos Alimentares, o Brasil registra mais de 150.000 casos de anorexia por ano. Especialistas alertam que a relação disfuncional com a comida vem crescendo principalmente entre adolescentes e jovens adultos. Então, para conversar sobre esse assunto tão importante, a gente recebe as nossas convidadas aqui no estúdio comigo, a psicanalista clínica Renata Rodrigues. Muito bom dia, obrigada pela sua participação e presença. Obrigada, Rúbia. É um prazer estar aqui com vocês hoje e agradeço o convite maravilhosa para completar o nosso time que vai nos orientar referente a esses aplicativos para tudo, principalmente para saúde. Participa com a gente pelo Zoom, a nutricionista comportamental Angélica Gasparini. Seja muito bem-vinda, Angélica. Bom dia. Bom dia. Obrigada pelo convite. Muito bem, gente. E você de casa também, muito bem-vindo. Bom dia. Estamos ao vivo. Vamos falar sobre os aplicativos que estão norteando a nossa vida, o nosso dia a dia, a nossa rotina. O foco obsessivo em métricas. Métricas, sabe isso? Objetivos. Cria uma ditadura dos números. Aplicativos de saúde e produtividade alimentam essa armadilha ao transformar os objetivos nossos, que são reais, em dados, dados, métricas simplificados e superficiais, como calorias, passos, horas de sono, tempos de tela são importantes, mas pode gerar ansiedade se a gente começar a priorizar o placar, as métricas, os números, em vez do próprio bem-estar. A ideia é que podemos medir tudo cria uma sensação de controle absoluto, né? A gente tá medindo os passos, contando as calorias, mas gente, muitas vezes o resultado é uma avalanche de dados sem equilíbrio emocional. Imagina você fazer aí uma meta para caminhar aí eh 10 passos por dia e você não conseguiu atingir quatro e aí você fecha o dia com aquele desequilíbrio, aquela sensação de que você perdeu o controle, que você não conseguiu. Então vamos falar com a Angélica, porque o aplicativo existe para tudo, né? E quando o assunto é alimentação, o contador de calorias, jejum, perda de peso, metas corporais, do ponto de vista da nutrição, Angélica, quais são os principais riscos quando a alimentação ela passa a ser guiada apenas por números e por metas? Olha, Rúbia, eu acho que inicialmente para muitas pessoas, né, que começam a usar os aplicativos, tanto para calorias quanto, né, para passos, enfim, muitas vezes pode trazer uma consciência inicial. Uhum. Mas essa consciência, ela não pode substituir, né, a percepção que a gente tem no nosso corpo, né? Então, muitas pacientes às vezes chegam, né, sabendo exatamente o quanto elas comeram de calorias naquele dia, mas elas acabam tendo totalmente a percepção, né, de fome e saciedade, né? Então, elas não sabem se era uma fome física mesmo, né? Ou se elas estavam comendo por ansiedade ali, pelas emoções, né? Então, acaba que a alimentação ela fica totalmente guiada Uhum. por calorias e metas, né? E a pessoa perde totalmente essa referência de fome, de saciedade, de satisfação. Verdade. Quando você fala em satisfação e aplicativos que nos guiam, né, nessa questão de alimentação e o a perda do controle, eu fico pensando num prato de arroz, feijão, né? É. Quanto tempo faz de repente você que é guiado por aplicativos que não se alimenta, se nutre de verdade, né? Porque você está baseado na contagem das calorias, né? Já não tem mais arroz e feijão, é proteína, carboidrato e tal. Gente, precisamos parar para pensar. E quando a gente fala em pensamento, a gente vai pra saúde mental, porque essa obsessão, Renata, pelo controle alimentar tem relação direta com a ansiedade, o tal do perfeccionismo, que é inatingível, né? E a necessidade de aprovação. Sim, Rúbia. Eh, exatamente. Você tocou num ponto muito importante, eh, todo esse sistema, né, esse mecanismo, ele faz parte de um ciclo. Então, o aplicativo ele está lá. Então você tem metas, você tem prêmios, notificações, o parabéns. Eh, tudo isso vai gerar dentro, se a gente pensar aí num sistema neurobiológico, né, o próprio cérebro tem um sistema de recompensa. São quatro regiões que trabalham juntas ali, que vão entender: "Olha, eu vou ter um parabéns, eu vou conseguir uma meta". E aí vem lá a produção de dopamina, a motivação, eu vou, entra a parte lá do córtex pré-frontal, eu tomo essa decisão ou não, que é a tomada de decisão, eu vou fazer esse comportamento, eu vou efetuar, eu vou fazer essa meta, OK? E vai, vou lá fazer a caloria, vou fazer tantos passos, vou fazer o meu treino, né? OK? Isso vai dar uma satisfação. Só que o problema é a bifurcação do saudável, né, e do saudável é quando vira uma chavinha, quando esse comportamento, né, eh, eu vou comer ou não, eu vou para fazer o treino ou não, eh, ele vira uma regra. E se de repente não é alcançado por algum motivo, né? Tem o ideal e a vida real. Então de repente era para eu comer tantas calorias e não conseguir, não conseguir almoçar no trabalho, é vida real. Isso gera uma ansiedade, uma culpa, um fracasso. Nossa, eu não consegui atingir essa meta, eu não consegui ir lá pro meu treino, aconteceu uma intercorrência, gerou culpa, gerou ansiedade. Aí sim, né, que a gente sai dessa questão eh mais saudável e entra numa questão de compulsão, porque a quando o comportamento, a repetição daquele comportamento, ele entra numa questão mais emocional, numa questão para acalmar um sofrimento, uma angústia, nossa, agora eu tô aliviada, eu consegui atingir minha meta. Isso entra num ciclo de compulsão. E aí que a gente fala que vira chavinha do saudável, onde você vai, em vez de utilizar um aplicativo, é para te auxiliar, né, para te guiar, não. Ele eh dita as regras e quando de repente você não atinge aquelas regras, te gera uma ansiedade, te gera uma frustração e aí a gente entra num âmbito mais de uma compulsividade, que daí a gente já sai aí do do caminho saudável de tudo isso. Olha só. E para sair do caminho saudável, como eh você colocou, é um pulinho, né? É, olha, um pulinho, porque tá tudo na palma da mão e isso acaba nos dominando e a gente precisa ter uma noção do que é realmente a meta atingível, porque muita gente acredita, ô Angélica, que controlar as calorias é automaticamente um sinônimo de boa saúde, né? Mas a quantidade alimentar, a qualidade são bem diferentes do que controlar as calorias, principalmente através de um aplicativo. É como eu falei agora a pouco, eh, quanto tempo faz que você não come um prato de arroz e feijão, gente? Isso é maravilhoso. E aí, eh, você tá contando carboidratos, calorias e tal, e você acaba perdendo a qualidade da sua nutrição. Porque quando a gente fala de alimentação, a o alimentar é nutrir o corpo, não é? Sim, sim. E eu acho que a gente perde o equilíbrio, né? E aqui a saúde deixa de ser sobre qualidade, mas sim sobre quantidade, né? E aí o que a gente tem que entender é que a saúde eh é relacionada à qualidade nutricional, o contexto que essa pessoa vive, né? Eh, como a Renata falou, né? Como afeta muito o as nossas emoções, né? gera ansiedade, a vida vai acontecendo, né? A gente tenta seguir uma as metas que a gente se propõe, mas a vida o dia a dia vai acontecendo e a gente não consegue muitas vezes seguir essas metas que a gente colocou. E aí, gerando a culpa, a frustração, eu já vou me sentindo mal por isso. Então, como se eu tivesse falhando realmente em algo. E aí isso vira uma bola de neve, né? Porque além dessa questão de eu me sentir culpada em relação à minha alimentação, eu também vou me sentir culpada, porque eu não batia a meta de calorias que eu deveria terado no meu treino hoje. Eu não andei o tanto de passos que eu deveria ter andado hoje. E aí a gente também entra na questão de redes sociais e comparação e isso vai virando uma bola de neve. É. E vai dando uma desconexão, né, conosco, que a gente perde aquela noção de quem eu sou, o onde estou e para onde vou, não é? A gente acaba, a gente acha que está conectado, mas na verdade é uma desconexão com quem nós somos, não é exatamente, Rúbia? Eh, eu até digo que é uma perda de espontaneidade, né, toda a subjetividade, eh, porque o ser ele é integral, né? Tem físico, psíquico, emocional, enfim, e tudo está integrado. E é como desligasse a chavinha da subjetividade, né? Então, ah, não se pergunta: "Eu estou satisfeito com esse prato?" Não. Será que eu já atingi a caloria? Será que eu vou passar se eu comer mais uma colher de arroz e feijão? é a caloria, como você disse, é o carboidrato, é a caloria. Então, essa perda da espontaneidade, ela leva a a uma perda também da subjetividade, das questões emocionais. Então, tudo fica eh metrificado, a é a performance, são a as, né, os índices, né? Então, e aí o que acontece, essa ansiedade que é subjetiva e ela é gerada junto com todo esse ciclo, né? a gente até chama aí um um ciclo de compulsão digital, digamos assim, eh ela aparece, mas ao mesmo tempo ela não está sendo olhada, porque a subjetividade ela fica de lado e isso vai gerando outros conflitos. Eh, a própria ansiedade, ela pode vir depois de tanta ansiedade, isso se torna tão exaustivo que pode gerar até um processo depressivo, pela exaustão, né? Não que a ansiedade gera depressão, mas um prolongado dessa ansiedade, ela gera uma exaustão psíquica, uma exaustão emocional que pode vir até depois, mais para frente numa depressão, numa sensação de baixa autoestima, mesmo com todo esse cuidado com o corpo, né? eh essa esse cuidado com a performance, com índices, ele vai gerar depois mais para frente um tipo um efeito rebote. E aí é autoestima que tá baixo, não consegui eh sou fracassado, enfim, e as coisas vão tomando um rumo aí bem complicado. É preciso de é preciso orientação e muito cuidado, né? E é curioso a gente perceber que a alimentação ela, se a gente para para analisar, não por todos, né, mas a maioria das pessoas que estão em busca de metas, né, a a meta é bom, é bom a gente ter metas na vida, mas metas atingíveis, alcançáveis. E quando a gente fala de alimentação e a busca eh por esse corpo ideal, ontem nós falamos da da cultura da magreza, que parece que voltou novamente, mas enfim, eh eh a alimentação ela deixa de ser apenas uma necessidade fisiológica, né? Ah, se a gente para para analisar, com todos esses aplicativos e essas métricas, ela virou um desempenho, meta, produtividade, né? Tem gente que passa o dia inteiro pensando no que pode e o que não pode comer. E aí quando isso acontece, o prazer de comer, como a nossa nutricionista eh trouxe, ele desaparece e ele dá lugar a culpa, assim como a a Renata trouxe, né? Então, assim, eh quando uma pessoa ela começa a sentir culpa depois de comer, você já pontuou sobre isso, Renata? Eh, isso pode ser um um sinal de alerta emocional ou de repente é só um momento, vai passar. Como que a gente entende que as coisas estão passando passando dos limites nessa relação de alimentação e aplicativos e metas? Perfeito, Rúbia. É exatamente isso. São pontos de alerta, são sinais, né? Como disse, a gente não pode eh a tecnologia está aí para nos auxiliar. São ferramentas, os aplicativos. Hã, mas a partir do momento, eu acho que o principal sinal de alerta é perceber, eh, eu estou utilizando a ferramenta como um auxílio, eh, ou estou me tornando dependente dela. Então, ela que comanda. Então, ela vai comandar quanto eu vou comer no almoço, quantos passos eu tenho que atingir até o final do dia. É uma inversão, percebe? Eh, o aplicativo ele comanda todo o meu dia, toda a minha rotina e o que eu devo ou não devo fazer. Então isso são pontos principais de alerta quando a gente começa a perceber isso e principalmente se de repente acontece algo, como disse, uma intercorrência, não consegui eh comer, até precisei comer algo mais calórico, porque eu só tinha isso para comer, não podia ficar sem sem me alimentar, nossa, fracassei, agora eu vou precisar compensar, então não vou comer na janta porque eu comi um pastel no almoço, então porque gerou uma culpa e aí você já tem que achar outros os caminhos para compensar aquilo que você falhou. Então são pontos muito importantes, porque às vezes eh a gente tá lá nas metas, tá auxiliando, não tem essa percepção, né? Ah, tá junto comigo, ele a comanda, tá me auxiliando. Mas até que ponto isso gera ali uma culpa, uma ansiedade e e principalmente essa dependência por esses aplicativos, né? Eu sou uma planilha, eu sou o índice ou sou uma pessoa com emocional, com psíquico, com físico, de uma maneira integrada. Então, esses são os principais pontos de alerta mesmo. Muito bem. Os aplicativos, gente, embora sejam ferramentas poderosas, né, a gente sabe que são maravilhosos, mas a a linha entre a convivência, né, com o aplicativo e a escravidão tecnológica, porque a gente pode falar isso, gente, é é uma linha muito tênue. A gente acaba sendo dependente daquilo, né? Quando o aplicativo ele passa a controlar emoções, rotinas e até autoestima da pessoa, é preciso sim acender um sinal de alerta, assim como a Renata trouxe pra gente, né? Os aplicativos eles costumam trazer números, metas, gráficos, mas tudo isso é muito rígido. É rígido demais e a na maioria das vezes é meio que inatingível. Ah, ô, eh, Renata, na sua avaliação, isso pode incentivar comportamentos eh extremos, essas essas metas que a gente deve, a Renata, não, perdão, a Angélica, né, a nossa nutre, esses eh essas metas eh que são inatingíveis, que estão nos aplicativos, isso pode incentivar pra gente comportamentos eh extremos, como aquele jejum eh excessivo, né? Às vezes a pessoa passa o dia todo sem comer porque ela comeu um pouco demais ontem. Então, como o aplicativo falou que ela precisa de tanto e ela extrapolou ontem, hoje ela vai ficar sem comer porque ela precisa manter o controle ali e fazer essa contagem. Então isso pode sim levar a extremos. Sim. Eh, essa eh restrição severa muitas vezes, né? o jejum, né, como você colocou, eh, a compensação. Então, por exemplo, ah, eu comi demais, então passei das calorias ali, então vou compensar de alguma forma, né? Às vezes a pessoa faz exercício físico também, né, e aí usa o treino como uma forma punitiva mesmo, né? Então, de compensar mesmo, de queima de calorias, né? E aí a gente também tem que chegar na percepção de que uma restrição mais severa a gente não consegue sustentar a longo prazo. Então entra muito no que a Renata falou também, né, na questão da compulsão após aquela restrição, né? Então, a pessoa às vezes pode ter alguns episódios de comer exagerado, compulsão, né, por conta eh de toda essa pressão que é colocado, né? Eu eu vejo assim que quanto maior rigidez eh a gente tem em relação a isso, maior o risco que a gente tem de perder o controle depois. Perfeito. É isso mesmo, né? Porque a gente inicia feliz da vida. né? Todo começo é maravilhoso para tudo. E aí chega um momento que você não consegue manter porque tem impactos na sua saúde física e na sua saúde mental. E quando a gente fala de impactos, eu pergunto agora pra Renata, né, eh, sobre os adolescentes, porque adolescentes não vão colocar jovens, mas adolescentes também usam aplicativos, né? Mas quando a gente fala aí de dieta, os jovens, eh, pessoal da geração Z, esse impacto ele costuma ser ainda mais forte, porque essa faixa etária, ela ainda está vulnerável emocionalmente, como vocês dizem, o córtex pré-frontal, acho chique isso, ele não está totalmente formado, né? E aí acaba deixando a pessoa mais vulnerável emocionalmente, eh, mediante a esses aplicativos, Renato. Exatamente. Eh, e a e nós vamos num ponto muito importante e até neurobiológico mesmo, como você disse, né? eh o adolescente, eh, o jovem, eh os ele tem ali um desenvolvimento do cótex pré-frontal, eh, tá em pleno desenvolvimento ainda, né? Ele vai terminar de desenvolver, é a última região aí, né, dos do cérebro que termina e de se desenvolver lá com seus 25 a 30 anos. Só que ao mesmo tempo, eh, o sistema, o mecanismo, né, neurobiológico da recompensa está a todo vapor. Então, o córtex pré-frontal, que é aquela questão inibitória, por exemplo, ah, está chovendo e eu quero sair na chuva, que delícia, mas está dando muito raio, é perigoso. A recompensa é: "Ai, que delícia, não quero nem saber, eu vou sair pra chuva e o inibitório, que é o cortic préfrontal, tá desligadinho ali." É isso mais ou menos que acontece. Então, por que que pro jovem adolescente, e isso é muito agravante, porque ele não vai, o sistema de recompensa tá muito mais assim, eh, ativo, né? Então ele vai entender que a meta, o prêmio, estou lá, consegui o meu ponto lá ótimo do gráfico, isso vai dar uma satisfação, independente se aquilo está sendo saudável, se ele vai precisar ficar tantas horas sem comendo, há mais um adolescente, um jovem que tá em pleno desenvolvimento físico, não existe esse juízo crítico, digamos assim. Então se torna muito mais agravante. Se pro adulto isso já entra, né, num ciclo ali e de compulsão, imagina para uma criança, para um adolescente, um jovem ali, um começo de vida adulta, onde o sistema de recompensa ele tá muito mais eh evidente do que o sistema inibitório, que é do córtex pré-frontal. Então isso é todo esse sistema neurobiológico, ele vai eh partir de um ponto eh biológico, mas o vai, né, a desencadear um comportamento psíquico, um comportamento ali eh com embasamento mais emocional e aí não tem esse controle, né? Então, nesse ponto, ele se agrava mais eh justamente por essas questões mais neurobiológicas. Muito bem. E tudo isso acontece, gente, dentro de um cenário que a gente vive hoje, em que as redes sociais, redes sociais, elas bombardeiam o quê? Imagens de corpos considerados perfeitos, né? Comparação o dia inteiro, a pessoa olha o influenciador, as blogueiras, né? o treino, a dieta e aí começa a acreditar que existe um padrão obrigatório para que eu seja aceita socialmente. E aí vou pros aplicativos e aí nos aplicativos tem as metas e as metas às vezes na maioria delas são inatingíveis. Aí as redes sociais elas acabam banalizando os transtornos alimentares e comportamentos prejudiciais ligados à autoimagem. Angélica, qual que é a sua eh avaliação referente às redes sociais quando a gente fala eh da comparação e desses aplicativos que nós temos na palma da mão e que na maioria das vezes com métricas inatingíveis para um ser humano, não é? É, eu acredito, né? Eh, a gente, eu sempre falo paraas minhas pacientes, a gente tem que entender que as redes sociais, eh, elas vão mostrar recortes que geralmente de 30 segundos da vida da blogueira, da influenciadora, né? E não é uma vida real. Uhum. Se a gente for parar para pensar mesmo, a vida real que a grande maioria da população vive é muito diferente da vida real das blogueiras, fitness e e tudo mais, né? E aí a comparação ela começa a ser constante, né? E fazer a pessoa se sentir ali como se ela nunca fosse suficiente, né? E aí acaba tendo essa questão da comparação constante. A gente também tem muita a questão de uso de programas, né, para editar fotos, né, então, eh, aumentar seio, diminuir barriga, né, que a gente sabe que é usado. E aí também tem a aquilo de ter uma rotina perfeita e e banalizar muitas vezes comportamentos que estão extremos, né, e que as blogueiras acabam mostrando, né? Eh, e o que eu falo é que por trás de muitos comportamentos alimentares ali que a gente às vezes acha, nossa, muito legal, pode existir um transtorno alimentar, mas Uhum. a gente não tem acesso à aquilo porque é um recorte da vida daquela pessoa. Exato. É isso mesmo. A gente precisa estar atento a esses recortes, né, que na maioria das vezes eh as pessoas mostram o que eles querem que a gente veja, né? Ninguém mostra os perrengue, não, só mostra o que é bom. E aí quando a gente fala de de comparação, a gente tem que prestar atenção que de repente você tá se comparando com algo que não é real. A gente tem que aprender a diferenciar a busca saudável, né, eh, por uma reeducação alimentar de uma relação que que já tá desequilibrada com a comida por conta, de repente até dessa comparação, por conta dos aplicativos, eh, eh, do uso constante dos aplicativos, né? Agora, Renata, na questão da psicologia, muitas vezes a pessoa emagrece, ela, mas ela continua infeliz, ela continua ansiosa, ela continua insegura, ela não se vê ah da forma que ela está realmente no espelho. Por que eh que o corpo ele não entende isso? O que que acontece na questão emocional que às vezes a gente tem uma visão eh distorcida da nossa imagem? Uhum. Eh, justamente, Rúbia, eh, o corpo ele, a gente vê muito isso na clínica, né? Eh, ele se torna uma ferramenta, um dispositivo eh de um sofrimento psíquico prévio, né? Então, ah, depois de um tempo, né, de, né, de de autoconhecimento, enfim, percebe-se que aquilo foi apenas uma vertente, né, uma consequência de um sofrimento psíquico prévio, de algo que já existia, de uma ansiedade eh muito mais anterior e o corpo se torna essa ferramenta. Então, de repente, se eu cuidar do meu corpo, eu vou melhorar minha autoestima. Mas por que que a sua autoestima estava eh prejudicada antes disso? Então, do mesmo jeito, uma compulsão alimentar, né, antes ali de um controle por por aplicativos, a compulsão alimentar ela vem também de um sofrimento psíquico anterior. Então, são eh são vertentes, né, que são eh utilizadas ali e até inconscientemente, né, não é consciente, eu vou cuidar do meu corpo, mas se eu cuidar, eu um bem-estar, né, aquele sistema de recompensa, com o bem-estar eu me sinto bem. E aí de repente eh, digamos que algumas médicas sejam atingidas e eu consegui emagrecer tantos quilos, consegui pra academia, ganhei tanto de massa, OK? Mas de repente ainda esse sofrimento ele perdura, porque o núcleo, né, o core disso está muito antes. Então, eh, o ponto é entender o que está associado a isso. Quando essa percepção de que essas ferramentas, os dispositivos, a sua rotina, ela está muito dependente de tantas métricas, gráficos e planilhas, essa idealização do corpo, a idealização da imagem, o que está por detrás disso, né? Então, a de repente tá tudo OK, mas a autoestima ainda vem ali e o sofrimento ainda aparece de alguma outra forma, vai tentar um outro canal aí para se expressar. Então, o importante é entender o que vem antes, né? Eh, a prévia, o pano de fundo de toda essa estrutura aí que se mostra, né, com com relação a corpo, à imagem, enfim. Eh, e tem um ponto bem interessante nisso tudo, é que a indústria, né, a indústria do do emagrecimento, ela vende a ideia da felicidade imediata, né, como se eh fosse num estalar de dedos e, ó, tá tudo OK, como se mudar o corpo, de repente resolvesse automaticamente. É coisa assim de piscou, mudou, né? E a autoestima também pode ser resolvida, a aceitação, o sucesso pessoal. Mas a saúde mental, gente, ela continua precisando de cuidado, de acolhimento, de acompanhamento profissional. A gente precisa lembrar que é tudo intercalado, né? Mente e corpo, físico e e cérebro. A gente tem que cuidar com isso aí, porque às vezes, né, como a indústria vende essa coisa de felicidade, né, de emagrecimento, às vezes você emagrece, você faz tudo certinho, você atinge a sua meta, você tá exausto de tanto atingir meta que tá lá no tal do aplicativo, mas aí você se sente infeliz, você não tá legal com você mesmo, precisa cuidar da saúde mental, né? Eh, a Renata falando que na clínica ela percebe também essa questão eh de pacientes eh com sofrimento ligado à autoimagem e a comparação estética. E e quando e como que a gente deve trabalhar isso? Claro, buscar uma terapia, buscar uma um auxílio psicológico é primordial, mas se de repente eu não tenho acesso no momento, como que eu devo trabalhar para eu eh entender que tá tudo bem? Uhum. é justamente voltar para essa percepção da subjetividade, né? Perceber que eh você tá sendo comandado por planilhas e gráficos e ao perceber isso, de repente não conseguir ter um acesso, né? tentar refletir e entender o impacto de tudo isso na sua questão emocional, tentar voltar eh esse olhar para para você mesmo, entendendo, né, qual que é o significado, né, de tudo aquilo dentro da sua rotina, dentro da sua vida. Eh, e como até a Angélica falou e e muito bem com relação a isso, às vezes todas as metas, né, tão sendo atingidas, eh, e de repente por uma pequena falha gera ansiedade e culpa e aí vai comer mais de repente num momento e perceber que isso, opa, mas eh faz sentido, não faz, né? Qual é é o que eu estou sentindo com relação a isso? O alimento, eh, ele tá sendo um inimigo, o meu corpo tá sendo inimigo. Então, se eu não conseguir tirar esse tanto de métrica da minha cintura, que horror, meu corpo ou nossa, esse feijão com arroz não posso nem ver. Então, eh, aí começar a perceber que isso vira um movimento persecutório de perseguição, né? Então, tudo aquilo que é espontâneo, uma alimentação, um prazer também, a o alimentar ele tem um caráter afetivo. Nossa, hoje é aniversário, vamos lá comer uma pizza junto. Então, tem um prazer que já é neurobiológico e faz parte do do desenvolvimento psíquico da origem. O bebezinho quando nasce, ele se sente bem quando vai mamar, quando coloca alguma coisa na boca. Isso já faz parte da natureza humana. Então, até que ponto que a gente tá deixando isso de lado, né? Então, se voltar eh para essa para essa questão mais subjetiva que vai se perdendo aí com planilhas, com gráficos, enfim, eh esse olhar atento a essa questão. Sim, as metas são importantes, né? Traçar um planejamento, ter objetivos, mas eh tudo tem o limite, né? Eh, tudo que todo excesso esconde uma falta. E aí, o que será que está faltando, né? Ô, Angélica, eh, tem uma pressão, eh, você, na sua visão como nutricionista, tem uma pressão maior sobre nós mulheres quando a gente fala de corpo, de alimentação, de padrão estético? Qual que é a sua avaliação referente a isso? Olha, Rúbia, a minha demanda, né, de de consultório é 100% mulheres, olha só, né? Então, e assim, desde adolescentes até mulheres dos seus 50 anos, eh, e que lutam desde muito cedo, eh, em se encaixar num padrão, Uhum. de beleza que a sociedade colocou, né? Então, de ser magra, eh, associação, né, de, ah, eu só vou ser bonita se eu for magra ou se eu atingir x kg de peso, né? Então é algo que a gente vê hoje em dia, lógico, o aumento de casos, né, de transtornos alimentares em homens também, mas ainda o público, né, feminino acaba sendo bem maior por conta dessa pressão mesmo, né, da sociedade, né? É, eu falo que tudo que a gente é de relação com o corpo, com a comida, vem de uma construção de uma infância e uma adolescência juventude. Uhum. Hum. E aí, até voltando ali no ponto da adolescência, é uma fase da vida onde a gente tem a comparação ali, o ideal de corpo muito presente, ainda mais hoje com as redes sociais. É verdade. Então é algo que eu, a demanda mesmo, né, de pacientes nessa faixa ali dos 15, 20 anos tem aumentado bastante. Eh, e isso preocupa, né? Porque se a gente parar para analisar eh em tempos atrás eh um uma um adolescente, né, ou então eh um jovem não estava muito preocupado com essa questão, né, de de emagrecimento, de métricas, porque não tínhamos os aplicativos, não tínhamos nem internet e aí eh tínhamos uma alimentação mais saudável. Será que é certo a gente colocar assim, Angélica? Eu acho que a questão das redes sociais é algo que tem influenciado muito, né? Eh, esse aumento e essa comparação constante, não só para jovens, mas também para mulheres adultas mesmo, né? Eh, então eu acho que a gente vai perdendo, né, um pouco da identidade isso nossa mesmo, né? Eh, eu falo que assim, comer é muito bom, a gente tem que normalizar isso, né? Então, por que que eu vou passar uma vida toda eh fazendo dietas malucas, restritivas, refém de aplicativos? E aí mesmo assim senti que eu tô falhando, que eu que eu sou errada em alguma coisa, eh, a aonde a gente a se perdeu ali, sabe? Verdade. A pergunta é essa, né? Onde nos perdemos? Porque hoje a gente fala dos aplicativos aqui no programa tem aplicativo para tudo, né? para literalmente tudo, mas a gente tá direcionando pros aplicativos aí de exercício físico, de metas calóricas, né, paraa questão da saúde física. Mas será que seria uma saúde mesmo física quando a gente fica literalmente direcionado para esses aplicativos? O que acontece com a nossa saúde mental quando a gente não bate as metas dos aplicativos? E já que temos aplicativos para tudo, vamos englobar todos os aplicativos agora e perguntar para Renata seguinte: o que que esses aplicativos, né, espalhados aí na nossa tela do celular causam na nossa saúde mental? De repente no final do dia, no final de uma semana, no final de um mês, né? quando a gente ah estipulou o prazo, mas não concluiu o objetivo, seja qualquer aplicativo. Agora, é tanta informação, é tanta meta, é tanto número, são métricas, são dados, a gente a gente tá deixando de ser humano, será, gente, que tá acontecendo? Exatamente, Rúbia. E e é interessante como esses algoritmos trabalham. Tem muitos artigos, estudos que que eh eles chegaram numa conclusão de que o principal foco do algoritmo é acionar, como eu disse, o sistema de recompensa, que é essa sensação da motivação, né, do prazer em conseguir em atingir um um objetivo, em ganhar um parabéns, você conseguiu, né? Então isso motiva, por exemplo, a durante a semana eu tenho que fazer todas essas metas e vou conseguindo e aí no final, como você disse, nossa, não consegui, eu fracassei, né? Então eu estou fora desse padrão de quantificação, onde a gente perde então toda essa subjetividade e a gente fica dentro ali. Eh, eu sou eu estou dentro desse padrão, imagina um gráfico, eu estou fora da reta, eu sou, né? Então assim, eu sou esse pontinho fora da reta, não estou. E aí entra também, né, essa alimentação, eh, dessa questão mais perceptiva sobre a idealização, né, como Angélica falou, do corpo, como as redes digitais elas mostram, as redes sociais mostram isso, né, a idealização que ela bate de frente com a realidade aí no final da semana que não se atingiu por uma por uma realidade mesmo, né, de trabalho, de tarefas, né, e aí isso gera dessa questão mais patológica, dizemos, né, da ansiedade, da depressão, da exaustão psíquica, né, e aí você não está dentro do padrão. E isso faz com que haja uma uma percepção de que eu sou estou fora ali de do que é esperado pela sociedade, do que é esperado em termos de performance, né? E isso vem muito com a cultura também e que a gente vive hoje, né, onde a imagem ela ela está ditando muito mais do que a a própria essência ali, né, em termos de personalidade. Eh, enfim, acho que esse é o ponto principal, infelizmente, dessa distorção dos valores, né, que está e aí a o emocional, o físico também. Então, emagrecimento muito rápido, né, Angélica também. Isso, tudo isso eh causa dentro de um de um olhar mais integrativo consequências muito prejudiciais que vão sendo sentidas e às vezes nem elaboradas nem percebidas conscientemente. Eh, daí a importância de moderar o uso desses aplicativos, né, e não só esses de alimentação, de contagem de calorias, de contagem de passos, de contagem de sono, de água. Ô, gente, mas onde é que já se viu isso? Aplicativo para tomar água. A gente precisa lembrar que a gente tem que tomar água, né? Porque o nosso cérebro ele vai se acostumando e ele vai ficando preguiçoso, porque o cérebro ele é um pouquinho preguiçoso, ele se acostuma, né? Se acostuma, se acostuma, ele vai, né? Olha que é mais confortável, né? Ele vai se readequando. Então é, se naquele momento a a pessoa ela perde aquela questão, nossa, estou com sede, vou beber uma água. Não, né? Que delícia tomar esse copo de água. Não, eu preciso tomar esse copo, mesmo que não esteja com seje, né? Então, eh, e o cérebro vai entendendo isso, ele vai perdendo, né, essas regiões cerebrais, né, também dentro, o psiquismo, ele tá muito ligado à neurobiologia, ele vai entendendo, olha, então você não precisa sentir isso, fica lá, fica latente aquela região de desenvolvimento ali do cérebro e precisa mais dessa questão aí dos objetivos de métrica de números, né? Se perde a subjetividade, o cérebro entende isso, né? né? E ele vai valorizar ali em termos neurobiológicos, eh, questões mais comportamentais de de metas, de números, né, de até de comportamento. Será que hoje eh nível de ansiedade que foi no meu dia hoje? Nossa, fiquei muito ansiosa, não fiquei até isso, né? Então, eh, se perde toda essa percepção de você mesmo com o seu corpo. Será que eu me senti ansiosa hoje? Eu tive medo, tive, né? Eu fiquei cansada de andar sem passos ou não. Eh, não tem esse olhar para si mesmo, mas olhar ali pro gráfico do aplicativo. Poxa vida, hein, gente? Preocupante, preocupante. Ô, Angélica, salva a gente aí e diz então qual seria o caminho hoje mais saudável para quem quer melhorar a alimentação, né, mas sem cair nessa questão radical, sem culpa, sem dietas restritivas e sem ficar refém dos aplicativos. Olha, eu acho que o ideal é que a gente tivesse um equilíbrio, uma consciência, né? Eu tento trabalhar muito a consciência com as pacientes porque como a Renata falou, né, a gente deixa de se questionar. Uhum. E aí a gente só fica refém daquilo que aparece na nossa tela, né? Então, poxa, será que eu tô com fome mesmo? Será que é uma fome física? É o meu corpo pedindo ou é o meu emocional, né? Será que eu tô ansiosa e eu não tô querendo descontar na comida? Então, trazer essa consciência mais pro seu dia a dia, eh, eu falo que a gente acaba vivendo muito no automático né? A gente só vai vivendo, né? E aí, ah, eu vou comer. Eu sento como com o celular na mão ou com uma TV ligada. Então, eu não presto atenção mais. Então, eu não consigo entender. Poxa, será se essa quantidade aqui é suficiente? E se eu tô, né, satisfeita e voltada pro prazer também, aliment alimentação também, né, como a gente falou, porque a alimentação tem essa questão afetiva, emocional. Então, até que ponto eh eu posso utilizar a alimentação como uma forma ali de prazer também, de satisfação? Ou será que eu tô usando ela o dia todo como forma eh de suprir algo que o meu emocional tá pedindo? É interessante o equilíbrio mesmo. Exatamente. Interessante a gente pensar. E o equilíbrio é o ponto chave, né, pra gente viver uma vida com mais qualidade. Eh, agora 8:47, produção tá avisando aqui que nós temos algumas perguntas para vocês. Então, vamos ver o que que o pessoal de casa tá falando, se tem gente usando aplicativo para tudo mesmo. Aí eu quero até lembrar você para dar uma olhadinha no seu celular para ver quantos aplicativos você tem baixado aí. De repente ele tá travando seu celular, viu? De repente é hora de você deletar, né, alguns. Camila Alves da Vila Marieta. Os aplicativos dão medalhas virtuais quando o usuário não sai da dieta e cortam os pontos se ele come doce. Olha isso, né? Tratar a alimentação como um jogo de celular realmente ajuda. É mais ou menos isso, essas recompensas. Exato, Rúbia. E aí entra naquela questão do comportamento persecutório do alimento. O alimento como um inimigo, né? Então quando você E a E aí por que que ele se torna um inimigo? Ó, eu comi doce, eu perdi lá as medalhinhas, os pontos. é o que é uma punição. Então fica algo punitivo e tudo que pune ele se torna persecutório e se torna perseguidor. Então eh se eu comi aquele doce que de repente deu vontade, eu fiquei com uma vontade de comer um docinho, mas não poderia ter comido, eu perdi os pontos, eu fui punida por isso, né? Então, o alimento ele tira aquele lugar da eh da alimentação, da nutrição do corpo, da questão emocional, da afetividade que aquilo tem, o simbolismo, o significado eh emocional que tem toda aquela questão de eu comer um docinho ou comer um prato de arroz e feijão, como você falou, Rúbia, é tão bom, né? E e aí não, mas eu perdi. Então, o que mais tá interessando? a os pontos que eu perdi, não a questão de eu estar sentindo esse prazer, de eu estar satisfeito com a minha alimentação. Então, o alimento ele toma, né, o lugar do do perceptório do inimigo, né, e aí gera a punição. E gerando punição, tira-se a espontaneidade. Perder pontos porque comi um docinho. Perdi alguns pontos ontem. É, eu acho que pode falar, gente. Eu acho que a gente tem que entender que melhorar a alimentação, ela não precisa acontecer com a base ali do do medo e do ser refém, né, daquele aplicativo, né, ou muito menos da culpa ou de uma hipervigilância constante, né? A melhora da alimentação é trazendo consciência no teu dia a dia, né? e vendo que realmente faz sentido, como tá funcionando a tua rotina, né, se a tua demanda ali de vida tá muito puxada. A gente sabe, tá muito puxado, a gente não vai ter ânimo para treinar eh super desempenhada. A gente não vai ter ânimo para ter uma alimentação super rigorosa e certinha, sabe? Então ela não, eu acho que a alimentação e melhora dessa alimentação não precisa vir do medo mesmo. Ou medo de perder pontinhos, né? É muito rigoroso, né? Não precisa tanto rigor assim. Vamos lá. 8:50, faltando 10 minutinhos para as 9. Estamos ao vivo falando dos aplicativos, especialmente dos aplicativos aí de eh saúde, de alimentação, de exercício físico, né? A, o Lucas Fernandes do Jardim Olina, de repente a internet decide que o pão é o vilão, o ovo é a salvação. Como a nutrição comportamental ajuda o paciente a não cair nesses eh nessas modas digitais que mudam a toda hora? Pois é, gente, o pão é uma delícia, o ovo é maravilhoso, né? Um docinho também faz bem, a gente precisa de equilíbrio, né? Então vamos lá, ajuda a gente, nutri. Ó, eu acho que hoje a gente vive na era do terrorismo nutricional, né? Então a gente entra na internet a hoje é o pão, amanhã é o ovo que vai fazer mal. Uhum. Né? ou é a lactose que Então assim, a gente tem que entender que a gente pode comer todos os alimentos, mas lógico, a gente tem que ter essa consciência de quantidade e constância que isso acontece na minha vida. Ah, eu das cinco refeições que eu faço no meu dia, eu como pão, poxa, alguma coisa a gente pode melhorar aí. Uhum. Tá, mas o meu pãozinho ali no café da manhã que eu coloco junto, uma fonte de proteína, né? Será que ele é ruim, né? Então, entender que a gente pode sim comer tudo, lógico, pensando numa numa num paciente saudável, né, que não tem uma doença, uma alergia, uma intolerância alimentar. Eu posso comer tudo, mas realmente entender a quantidade, a frequência, a constância que isso acontece, né? Então é é muito de eu falo, a nutrição comportamental é algo que a gente consegue mudar muitas percepções em relação à alimentação. Muito bem. Agora fala pra gente, revela aí um pãozinho com ovo de manhã e um cafezinho. Tá tudo bem? Tá tudo ótimo. Tem, tem problema. Tá vendo? Então vamos juntar os dois aí, o pão e o ovo. Pronto. Bora. 8:53. Vamos lá. Mais uma pergunta pra gente, produção, por favor. Vamos ver quem tá conosco. Deixa eu ler ali. A Mariana Lima do Cambuí. A necessidade de ter o dia inteiro sob controle, né? Passos, água, eh, esconde um medo profundo de lidar com os imprevistos da vida. do celular virou um escudo emocional. É controle. A gente acha que tá no controle, né, Renato? Exato. É uma p um pseudo controle, né? Uma rigidez eh um pouco eh complicada. E justamente, né, o celular virou um escudo e eu acho mais do que um escudo um dispositivo, né? Esse escudo ele acaba, o corpo acaba se tornando um escudo emocional, né? né? Toda essa percepção da imagem seria esse escudo e o celular, os aplicativos eh utilizados dessa forma não saudável, eles se tornam o nosso dispositivo, a ferramenta, né, para que e essas questões emocionais elas eh estejam pseudocontroladas, né, como a gente falou, são falsos controles, porque na verdade antes disso, há uma outra questão emocional por trás, né? eh, qual que é a necessidade dessa validação pessoal, eh, de tentar querer um controle de tudo, onde está, né, o núcleo de tudo isso antes. Então, realmente, né, o escudo ele acaba, o corpo é um escudo, a imagem é o escudo, o comportamento e o celular ele ali entra como um dispositivo, o aplicativo entra como um dispositivo e uma ferramenta para que você consiga entrar nesse ciclo e amenizar, né, entre aspas, aí uma ansiedade prévia, um sofrimento psíquico prévio ainda não elaborado. É um pouco eh destoa um pouquinho quando a gente fala de controle. A gente acha que está no controle, mas na verdade a gente está sendo controlado, não é? Porque você acha que tá no controle de tudo, mas você está sendo controlado pelos aplicativos porque ele determina o que você deve fazer. Você vai lá e faz, gente, o que é isso, né? É é um mundo tecnológico, né? Essa vida e é corrida e que você acha que o aplicativo está te orientando, né? Não, não vamos demonizar o aplicativo aqui, porque tem aplicativos maravilhosos, até os aplicativos, né, que que vão te de repente determinar o momento que você deve fazer determinada eh ter tomar determinada atitude, mas a gente precisa entender que nós precisamos realmente estar no controle dos aplicativos. E o que a gente vê, pelo que nós falamos aqui hoje, é que tem aplicativos que estão nos controlando e aí a gente acaba entendendo que, ah, estamos no controle, tá tudo bem, quando vê, tá uma bagunça e a gente vai precisar nos reorganizar novamente. Agora 8:56, a última pergunta do programa, a gente direciona pra nossa nutrire e a gente fecha o programa de hoje, agradecendo já você que tá aí do outro lado. Vai lá, produção. Sérgio Ferreira do Jardim Proça. Se a meta do dia não é atingida, a primeira reação é cortar o jantar ou correr horas no dia seguinte. Tá vendo? Transformar o próprio corpo em uma máquina de punição, gera doenças. Olha, gente, muito sério isso, né? Quem diz que a gente tem que bater meta todo dia, gente? Que que é isso? E a gente vive nessa. Tá vendo como o aplicativo controla a gente, não é, Nutri? É, controla demais, né? E sim, né? Pode gerar uma doença, principalmente uma doença eh mental mesmo, né? Então, ir para um transtorno alimentar, porque a gente perde essa linha tên entre eh trazer isso como um benefício paraa nossa vida, né? E entra nessa rigidez demais. Uhum. E aí a gente fica nesse ciclo e a hora que você vê, você tá totalmente refém ali, é, de uma contagem de calorias ou de uma meta que não foi atingida. E aí o teu emocional, teu psicológico, né? A Renata pode ainda complementar ali que eh vai se tornando mais difícil, né, e vai gerando um sofrimento maior. É, exatamente. Exatamente. E aí gera esse ciclo, né, porque se sai de um sofrimento e se gera outro sofrimento, né, com eh com funções diferentes ali, mas não deixa de ser um sofrimento psíquico, um sofrimento emocional. Gente, olha que conversa interessante, que conteúdo maravilhoso. A gente aprende todos os dias e com a tecnologia avançando, isso não tem eh eh retorno, né? Não vai regredir, só vai progredir. E que bom que nós temos a tecnologia e que bom que a gente pode usar ela a nosso favor. Mas como tudo é na velocidade da luz, tudo muito rápido, quando você tá aprendendo uma coisa, já surge outra nova, a gente precisa de orientação, né? para poder nos adaptar, para poder nos ambientar e para poder usar esses aplicativos com mais consciência. E é isso que a gente tá fazendo aqui hoje, né? Ah, que legal, você tem aplicativo, tá usando, tá dando certo? Parabéns, você conseguiu. Agora, se você tem um aplicativo, você eh tá entendendo que isso tá te punindo, que tá te prejudicando de alguma forma, de repente é o momento de você parar, vi aqui agora, dar uma analisada e lembrar que de repente aquela meta que está no aplicativo, ela não seja para você, né? Você pode, atingir e cumprir outras metas que não são aquelas do aplicativo. Quem diz que o aplicativo dita regras para você e que você precisa seguir essas regras? eh, para nos orientar, nós temos profissionais, nós temos seres humanos, né? Então, cuidado com o aplicativo. É bom sim, mas tudo que é em excesso aí pode acabar sendo prejudicial e a gente precisa cuidar com tudo isso. Todo excesso esconde uma falta, tá bom? E comer um pratinho de arroz, feijão, um docinho de leite, um negocinho que tá ali assim, de vez em quando faz bem pra alma também faz, sabe aquela coisa gostosa, né, de aquele quentinho no coração. Então não se puna tanto, tá bom? 8:59, gente. Vamos encerrando o programa por aqui. Quero agradecer imensamente a nossa nutre que participou com a gente e nos orientando aí e lembrando que a gente não precisa ficar refém dos aplicativos para ter uma nutrição saudável. Muito obrigada, viu? Obrigada pela sua presença e pelos seus ensinamentos. Eu que agradeço, gente. Obrigada. Valeu. Valeu, Angélica, nossa nutricionista comportamental. E a gente agradece também a nossa psicanalista nos orientando referente à nossa saúde mental mediante a pressão dos aplicativos e das métricas. Renata, obrigada pela sua participação, viu? pelas suas orientações e pela sua entrega aqui no programa de hoje. Eu que agradeço, Rúb, agradeço a você, agradeço a Angélica também por compartilhar ali comigo, né, da dessa conversa tão boa e de um tema tão importante que eu acho que até transcende o individual e se torna até uma questão de saúde pública, né, eh, pelas demandas, por tudo que a gente tá observando. Então, muito obrigada. É verdade, é algo coletivo, né? Porque todos nós e estamos aí com aplicativos instalados e de repente sendo guiados por eles. Então é bom a gente rever essa questão e com mais equilíbrio, de repente quando a gente fala de aplicativos, combinado? Agora, pontualmente 9 horas, a gente vai entregando. Aí daqui a pouco tá chegando, trazendo informações atualizadas para você da cidade de Campinas, do legislativo e de todo o estado de São Paulo, Brasil e mundo. Ao meio-dia nós temos Câmara Notícia, Gabriel Castro também atualiza as informações. Eh, quero lembrar que amanhã nós temos Estúdio Câmara e vamos falar sobre a transformação das academias, né? E essa nova experiência fitness que tá aparecendo aí é a Academia 360, né? vai muito além da musculação tradicional. É um espaço onde tem treino, tem relaxamento, tem estética, tem nutrição, tecnologia, acompanhamento integrado, tudo isso fazendo parte de um ecossistema de bem-estar, né? são espaços pensados para o conforto dos alunos, áreas exclusivas, experiências personalizadas e até ambientes voltados para reduzir o constrangimento feminino durante exercício. Eh, então essas academias eh as academias, aliás, elas estão deixando de vender apenas o treino para vender um estilo de vida? Será que isso está para todos? O que que tá acontecendo por trás dessa gomertização do fitness, né? É, é legal? Até que ponto vamos conversar sobre isso. É o Fitness 360 amanhã, a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Aí para finalizar, quero deixar para você aquele convite, porque a Câmara de Campinas vai realizar no próximo dia 9 de junho, às 7 da noite, a audiência pública para discutir o projeto de diretrizes orçamentárias para o próximo ano, pro ano de 2027. E a gente convida você para participar, para discutir as metas e as prioridades da administração pública para o ano de 2027, tá? A audiência, ela será conduzida pela Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Campinas. A sua participação vai ajudar a definir os rumos dos investimentos públicos da cidade pro ano que vem. Então, por isso a sua participação é importante. Você pode opinar, dar a sua sugestão, acessa eh o site da Câmara de Campinas ou então você pode ir diretamente ao plenário da Câmara no dia 9 às 7 da noite para participar eh dessa reunião, tá? Eh, e também pode acompanhar pelo YouTube da TV Câmara Campinas. E aqui pela TV Câmara Campinas nós vamos transmitir ao vivo para você. Você pode dar a sua sugestão, a sua pergunta lá no formulário no site campinas.sp.leg. Não esqueça, participe audiências públicas. É justamente para isso, para levar o público até o legislativo. E aí é aquela junção legislativo, executivo e a sociedade civil para definir o que vai ser melhor paraa cidade em termos de recurso pro ano de 2027. Tá vendo só como a sua participação é importante? Então não esqueça, dia 9 às 7 da noite você pode participar presencialmente lá no plenário da Câmara, na José Maria Matozinho, lá no Ponte Preta. Você é muito bem-vindo. Grande abraço. Fique bem. Não esqueça, os objetivos são importantes, mas até que ponto os aplicativos podem definir e moldar a sua qualidade de vida? Pense nisso, tá bom? Grande abraço, fique bem e até amanhã. Tchau, tchau. Muito bem.
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