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Olá, [música] muito bom dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando ao vivo com mais uma edição do nosso estúdio Câmara nesta quinta-feira, dia 21 de maio. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. [música] É muito bom ter a sua companhia. O tema de hoje é daqueles que provocam debates nas famílias, escolas e ambientes de trabalho. Afinal, a geração Z tem mais dificuldade para lidar com os desafios do cotidiano? Ansiedade, pressão por desempenho, comparação nas redes sociais e dificuldade em lidar com frustrações [música] fazem parte da realidade de muitos jovens. Mas estamos diante de uma geração mais frágil emocionalmente ou de jovens tentando acompanhar o mundo cada vez mais acelerado e exigente. E você, o que pensa sobre isso? Participe conosco. Você acredita que a geração Z enfrenta dificuldades emocionais, ã, um pouco mais do que as gerações anteriores? Você é da geração Z? Como é que tá a sua tolerância? E você aí de casa, tem alguma e pessoa da geração Z na sua família? Como é que é o convívio de vocês? Manda pra gente WhatsApp na tela. 1997293776. [música] Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Daqui a pouquinho vamos apresentar as nossas convidadas já estão presente com a gente aqui no estúdio e vão nos orientar no programa de hoje, nos conduzir e ampliar a nossa visão referente ao assunto que diz geração Z. Todo mundo fala sobre, né? Mas será que a gente realmente entende essa turma? Vamos descobrir sobre isso hoje. Agora, atualizando algumas informações do legislativo, [música] os vereadores de Campinas aprovaram durante a reunião ordinária de ontem uma série de projetos do executivo e homenagens. Entre os destaques está a aprovação em primeira discussão do projeto que altera as regras para a instalação da futura sede do Denter 2 da Polícia Civil em Campinas. A proposta retira o prazo de 5 anos para a conclusão da obra, mantendo a obrigatoriedade de uso exclusivo da área para a sede da Polícia Civil. Também foi aprovado em segunda discussão o projeto que altera as regras do estudo de impacto de vizinhança. Segundo a prefeitura, a medida busca dar mais clareza e agilidade para novos empreendimentos e ampliações na cidade. [música] Além disso, os parlamentares aprovaram projetos de denominação de ruas, homenagens esportivas e o programa D sangue aqui voltado ao incentivo à doação de sangue no município. Todos os detalhes da sessão você acompanha meio-dia no Câmara Notícia com Gabriel Castro. E a Comissão Especial de Estudos sobre [música] políticas públicas para Neurodivergentes da Câmara de Campinas realiza hoje, às 7 da noite, um debate aberto sobre inclusão social de pessoas neurodivergentes. O encontro vai discutir oportunidades no trabalho, assistência social, cultura e esporte, com a participação de representantes do poder público, pesquisadores e especialistas. A reunião acontece no plenarinho da Câmara com entrada aberto, aberta, perdão, ao público. Muito bem, informações OK. Agora a previsão do tempo para hoje, né? Parece que não teremos chuvas, mas sim um dia de sol com algumas nuvens e a noite é noite [música] também com céu nublado, né? A mínima de 15, a máxima de 22º. É, estamos no outono brasileiro, um clima típico de outono já [música] se preparando para o inverno. Você percebeu que 5:30 da tarde já tá a noite, né? Impressionante. [música] E aí 6 horas da manhã tá escuro também? É, gente, tá desafiador para todo mundo. Mas vamos. Agradecemos por mais um dia de vida e a gente pode sim [música] fazer desse dia um bom, um ótimo dia. Agora vamos ao nosso tema central. A gente vai falar da geração Z novamente. Sim, afinal, por que a geração Z tem tanta dificuldade em lidar com a frustração? O estúdio Câmara coloca os jovens novamente no centro do debate para discutir os desafios emocionais de quem nasceu entre 1997 e 2010. Ansiedade, pressão nas redes sociais, sensação de insuficiência e dificuldade em lidar com frustrações fazem parte da realidade de muitos jovens hoje. Ao mesmo tempo, essa geração também questiona antigos modelos de trabalho, relações, qualidade de vida, buscando ambientes mais saudáveis e acolhedores. Bom, percebe que tem uma confusão aí? a gente precisa entender esse cenário. E paraa gente começar a entender este cenário, nós convidamos três pessoas especiais e essenciais para essa conversa. Então, vamos dar as boas-vindas a Fabiana Paiva, especialista em neuropsicologia. Seja muito bem-vinda. Maravilha te receber novamente com a gente aqui. >> Obrigada. Eu que agradeço novamente pelo convite e é um tema super interessante, super atual, que eu acho que é super pertinente pros dias que a gente vive hoje, né? Obrigada. >> Excelente. A gente agradece. Bom dia para você e a gente precisa, gente, entender, né? Eh, o que permeia essa essa geração Z, que é uma geração que se a gente for parar para analisar, tá aí no mercado de trabalho. Vamos lá. Olha só, a Patrícia Santos, ela é psicóloga, tá aqui com a gente também. a gente recebe ela com todo carinho e agradece a sua participação. Seja bem-vinda. Bom dia. >> Bom dia. Muito obrigada. Eu que agradeço o convite. Eh, hoje realmente é um tema super importante. Eh, esses jovens hoje estão nas instituições, né, se formando aí para irem ou estão ingressando no mercado de trabalho. Eh, eu sou docente, né, em duas instituições aqui na região. Eh, e são eles que estão ali, que logo logo, né, eh, vão entrar nesse mercado. Então, acho que é uma discussão bem importante para se ter mesmo. >> Exatamente. A gente precisa entender sobre o assunto até para poder lidar. no dia a dia e sem falar também que nós temos aí conexões de várias gerações. Bom, pelo Zoom, falando de Minas Gerais, a gente recebe Carola Rezende, psicóloga. Seja bem-vinda, Carola. Bom dia. >> Bom dia. Muito obrigada. Prazer imito estar aqui com vocês, né? E eu acredito que é muito importante nós conversarmos sobre isso, porque queremos não existe uma geração inteira vivendo um cansaço emocionalmente silencioso, né? E quando nós olhamos isso de fora, pode parecer um exagerama, mas quando nós olhamos com profundidade, nós percebemos que existem questões muito sérias acontecendo da maneira como os jovens estão vivendo hoje. >> Exatamente. E vocês vão nos orientar então referente a o que esperamos, né? Qual que é a visão da psicologia, da neuropsicologia, enfim, eh, referente a a ao comportamento da geração Z. Fabiana, a gente começa com você. A visão da neuropsicologia a geração Z. Eh, são desafios emocionais diferentes das gerações anteriores. O que que mudou? Eh, no modo com que os jovens lidam com a vida cotidiana e qual que é o impacto que isso tem trazido? Até porque a geração Z sempre é pauta para debate. >> Sim. Eh, acredito que sim. Mudou bastante. Na neurociência a gente acredita muito que o cérebro não está preparado para essas mudanças e essa rapidez com que eles têm as informações hoje. Então, os os jovens, essa geração Z, tem informações imediatas. Tudo hoje é muito imediato. Você faz compra muito rápido, você pede um um lanche, enfim, chega na tua casa rapidinho. Eles aprenderam a viver nesse cotidiano, que é tudo muito imediato. E o cérebro não foi preparado para essa rapidez que hoje tem. O que acontece quando eles precisam lidar com um tempo de espera, né, com um tempo de frustração, isso gera neles uma ansiedade muito grande, gera esse sentimento de frustração muito grande. E hoje a gente vê muitos jovens emocionalmente muito frustrados, emocionalmente e desregulados por essa questão de não conseguir ter essa espera porque não foi preparado para isso, porque o cérebro nosso também não tá muito preparado para isso, né? Então, com essa agilidade muito grande, eh, os jovens enfrentam essa dificuldade da espera que a vida tem, né? A vida nem sempre é tudo muito rápido, né? Então gera neles essa sensação de eu preciso para hoje, né? Eu preciso para agora, eu preciso. E quando eles precisam lidar com esse tempo de espera, vai gerar assim essa questão dessa frustração. Mas não é porque eles são fracos emocionalmente, não. Não é isso. É porque eles estão emocionalmente fragilizados, estão sabendo lidar com essa frustração. Então, como psicóloga clínica, eu também vejo a necessidade da gente cuidar desse emocional desse jovem para eles conseguirem lidar também com essa demanda que hoje tem sim que é diferente da nossa época. A gente tinha que esperar um pouco mais, né? >> A gente tinha que lidar com a frustração. Se você quer eh eh teve uma época que se a gente queria assistir um filme, por exemplo, a gente tinha que ir na locadora. Aí chega na lucadura, não tem aquele filme, aí você vai ter que esperar a semana que vem para assistir um filme. Hoje não. Hoje eles têm as plataformas de streams deles. Ou seja, ah, eu quero assistir tal filme, vou lá e assisto. É culpa deles tudo não. Hoje é muito fácil, né? Hoje a facilidade que a gente tem e com imediatismo transforma eles nessa eh pequena falha, nessa frustração de não conseguir esperar. >> Exatamente, né? Aí, e já que você eh trouxe pra gente essa coisa do imediatismo, né, eu eh vou fazer um gancho aqui, perguntar paraa Patrícia sobre esse excesso de estímulos, né, informações. E agora a gente coloca mais uma pimentinha aí. Comparações nas redes sociais. Isso pode impactar diretamente a saúde mental, a percepção de felicidade desses jovens que parece que sempre estão buscando algo que nunca estão felizes, que ã não conseguem, que se frustram. Isso traz um impacto muito grande. Essa tendência de fadiga tem sido cada vez mais comentada entre eles, né, Patrícia? >> Exatamente, né? Hoje a gente percebe uma conexão, eh, né, eh, muito, né, exagerada nas redes sociais, por várias plataformas de redes, né? Eh, e isso gera com certeza um comparativo, né? Querendo ou não, os indivíduos, né, as pessoas não vão mostrar eh o momento de perda, de tristeza, de não conseguir algo, e sim a as conquistas, né? Então, viagens, né, passeios, aquisições, eh, isso gera, com certeza, um comparativo entre eles, né? Então, ah, eu não sou tão feliz porque eu não tenho, né? eu preciso adquirir tal coisa, porque só assim eu vou ser realizada e feliz. E essa busca é incessante, >> porque aí toda vez tem um comparativo novo, algo novo que surge, né? E eles querem adquirir ou querem viajar, né? E cada hora é um destino diferente, eh, cada hora é é um objeto, uma roupa, né? Uma comida diferente, né? Então, há pouco tempo a gente teve algumas eh tendências, né? de de comida e aí todo mundo precisava provar porque eh, né, era o que tava no auge e aí todo mundo postava e aí quando você postava você era ali, ã, né, estava junto ali com de todos e fora que essa conexão eh exagerada não descansa e não desliga também o nosso cérebro. Acho que isso também é um olhar importante, né? Não só dessa comparação que traz a a frustração, a ansiedade. Então eu não, eu preciso acordar e ver o que aconteceu, porque se eu não verificar, o mundo todo mudou, aconteceu e eu não tô ali, eu não sei o que o meu amigo tá fazendo, para onde ele foi, que festa que ele foi, enfim, >> né? Eh, e essa não desconexão também gera uma aceleração no cérebro e isso também é prejudicial, >> né? Então ele não percebe a passagem do tempo, ele passa horas nas redes sociais, então além de ansiedade, dificuldade de socialização, >> né? Porque ele se conecta muito mais nas redes, ele acha que ele está próximo à pessoas, mas de fato ele não se conecta a essas pessoas, né? Então, eh isso também traz questões cognitivas, né? Então, dificuldades de concentração, de atenção, de memória, dificuldades de relações, a ansiedade, a depressão, né? Então são vários fatores aí que podem, né, eh, influenciar aí nesses jovens que a gente precisa olhar com atenção ali cautela e com muito carinho, né, para verdade. Nossa, é muito complexo, né, tudo isso que vocês trazem. Agora vamos falar com a Carola. Ô, Carola, na sua avaliação, por que que tantos jovens sentem medo, né, de ficar de fora? Porque a gente pode perceber que eh eles têm medo de ficarem atrás, de não serem eh suficientemente interessantes, né, tanto nas redes sociais quanto a na socialização, né, entre eles. No mercado de trabalho também. Eu gostaria que você trouxesse a sua avaliação referente à questão da geração Z, eh, no dia a dia e no mercado de trabalho, principalmente, que essa turma parece que tá fazendo uma alteração importante no mercado de trabalho. Agora, eu não sei diferenciar se essa alteração ela é boa, se não é boa. Traz pra gente a sua visão, por gentileza. A percepção que eu tenho hoje é que existe uma pressão constante para acompanhar tudo. Eu percebo que muitos jovens eles não estão mais vivendo experiências, eles estão tentando acompanhar os movimentos. Então hoje até a personalidade virou uma tendência, né? Isso começa a produzir uma confusão muito grande na identidade, porque chega um momento que a pessoa já não sabe se ela realmente gosta disso, se ela realmente se identifica com aquele ambiente profissional. E eu acredito que uma das maiores dores da juventude seja justamente a dificuldade de construir uma identidade em um mundo que muda o tempo inteiro. Eu sinto que hoje existe uma diferença muito grande, né, entre o viver e o parecido viver. E as redes sociais elas criaram cultura de performance e isso impacta diretamente no meio profissional, porque as pessoas elas aprenderam a parecer felizes, aprenderam a parecer confiantes, a parecer produtivas e muitas vezes elas estão emocionalmente exaustas. Então, é muito triste quando a nossa vida ela começa a se transformar em uma vitrine, porque a pessoa ela deixa de perguntar o que ela está sentindo e ela começa a perguntar como isso será visto. E vamos pensar no meio profissional. Ela está preocupada em como será visto porque está de fora, mas ela não consegue se conectar com aquela escolha que ela fez naquele momento profissionalmente. E hoje existe essa necessidade muito grande de transformar o conteúdo. E aos poucos, algumas pessoas elas começam a perder a capacidade de simplesmente viver experiências sem precisar validá-las publicamente. Tem uma frase que eu gosto muito, que é: "Tem gente registrando tanta a vida que esqueceu de senti-la". >> Uhum. >> E aí isso traz principalmente o olhar pras nossas escolhas, né? Enquanto profissionais, enquanto jovens, para onde as minhas escolhas têm me levado? Para aquilo que realmente tem um valor para mim ou para aquilo que disseram que era importante para mim? E isso é muito perigoso, porque o jovem ele começa a acreditar que o valor pessoal dele depende do desempenho. Então, se ele não está produzindo, crescendo ou conquistando alguma coisa o tempo inteiro, [limpando a garganta] ele sente uma culpa muito grande. Eu vejo muitos jovens vivendo essa exaustão emocional absurda, porque eles sentem que eles precisam estar evoluindo o tempo inteiro, mas ninguém consegue sustentar uma performance emocional o tempo inteiro. Então, à medida que tudo acontece muito rápido e o nosso cérebro ele tenta se acostumar com a rapidez, chega um momento que isso em colapso porque o a nossa vida real ela não funciona na velocidade da internet. Então, quando eu encontro algo que exige tempo, principalmente sempre tratando do ambiente profissional, eu preciso me dedicar para que eu me torne uma pessoa que é referência naquilo que faz. E essa necessidade do tempo gera uma angústia muito grande, porque existe uma geração inteira sendo treinada pro imediatismo. >> Perfeito. Muito bom. Essa necessidade constante de validação pode gerar, como vocês trouxeram, ansiedade, insegurança, dificuldade de construir a própria identidade. Olha só quantos riscos, né? Muitos jovens também relatam dificuldade em lidar com frustrações simples do cotidiano, como críticas, eh eh as críticas negativas, né? As cobranças profissionais, eh relações afetivas frustradas. Será que a gente tá vivendo uma geração emocionalmente mais sensível ou apenas mais aberta para falar sobre o sofrimento emocional, coisa que de repente na minha geração nós não tivemos essa abertura, né? E quando a gente fala eh do mercado de trabalho, a geração Z também costuma ser alvo de críticas. Tem gente que fala que os jovens eles querem estabilidade, mas eles evitames rígidos e desistem facilmente dos empregos. Agora vamos lá. Eu quero saber de você, Fabiana, existe um choque aí eh entre a forma com que as gerações enxergam o trabalho, o sucesso e a qualidade de vida, né? o ambiente de trabalho que tem como público aí o geração, a geração Z, tá enfrentando dificuldades mesmo? Será que é isso que todo mundo tá falando? Qual que é a sua avaliação? >> Sim, e nem sempre eu acredito que sim, eles têm esse choque. Eh, mas eles já estão acostumado, né, em numa geração onde para eles tudo é muito rápido, as coisas funcionam rápido, como a gente falou. Então, existe a questão assim, mas eu vejo eh para um outro lado positivo, eles, eu acredito que eles estão muito mais preparados para lidar com essas diferenças que hoje tem a diversidade. Você vê muitos jovens hoje eh engajados em causas sobre diversidade, por exemplo, eh no meio ambiente, eh eles estão muito preocupados, muito mais preocupados com essas questões. Então eles vão procurar empresas que por um outro lado também um pouco preocupante, mas eles vão acabar procurando empresas que favorecem também aquilos que que eles acreditam, >> né? Aquilos valores e crenças que eles acreditam. Eh, gerar isso, um desconforto para eles, será que eu vão gerar? Eu acho, acredito que não, porque eles estão em busca daquilo que que eles acreditam também, diferente de uma época anterior, da nossa época em que a gente entrava no mercado de trabalho muitas vezes porque a gente precisava fazer aquilo que mandava a gente fazer. >> Sim. a gente não procurava muito a questão do prazer, mas sim da necessidade, aonde a gente precisa ganhar financeiramente um sustento, eh, muitas vezes até fazendo uma faculdade ou ingressando num curso técnico que muitas vezes a gente não queria. Hoje eu vejo que esses jovens de hoje eles não estão muito preocupados com essa questão de estabilidade profissional, tá? Eles não pretendem ficar 30 anos numa mesma profissão. Eu vejo isso neles hoje e nem acho que é o que eles estão buscando. Eles querem o quê? produtividade, ganhos pessoais, eh fazer com que eh o que eu faço seja bom pro outro também, pra sociedade, pro mundo. >> Eh, não existe mais aquela questão, eu preciso ficar na empresa 30 anos e me aposentar aqui. >> Hoje não existe mais essa visão dos dos jovens hoje, né? Então eles estão entrando no mercado de trabalho com essa expectativa. Acredito sim que as empresas também tem essa visão diferente, né? Eu acho que tudo tá voltado para que esse jovem de hoje entre nesse mercado, eh, com a expectativa de melhorar, não só para ele, claro, trazendo essas performances, né, mas também com a visão dessa empresa, >> produtividade. É verdade. Agora, eh, vamos, na sua fala, a gente pode entender que, eh, a geração Z, ela busca por equilíbrio emocional, né? Agora, Patrícia, vamos lá, nos ajude a entender o seguinte. Até que ponto a busca pelo equilíbrio emocional e limites saudáveis pode ser confundida como a falta de comprometimento quando a gente fala em ambiente profissional. É, >> eh, eh, é interessante, né, o que você trouxe, né, Fab, que eu acho que um olhar importante, sim, a gente ter uma mudança geracional, onde ela busca uma qualidade de vida, ela busca um bem-estar, ela busca estar bem ali naquele ambiente. Se aquilo faz sentido para ela, se ela tem um retorno em relação à aquele trabalho positivo, né, para ela, eh, ela tem interesse em permanecer. a partir do momento que isso não faz mais sentido, eh, muitas vezes eles deixam o trabalho e muitas vezes assim, não venho mais agora, >> né? Eh, e nossa geração, né, me incluo também, né, é uma geração que tem um outro realmente olhar para o trabalho de comprometimento. Eu tive um e eu me comprometi a estar aqui, eu vou, né, eu vou entregar o meu melhor, né, e desculpa o termo, mas muitas vezes assim, custe o que custar, né, eu preciso entregar, nem que eu passe a madrugada, que eu passe 24 horas, se eu vou entregar, porque eu prometi >> que eu ia entregar com qualidade, né? eh o jovem eh que isso eu não vejo também como um olhar tão negativo. Eu acho que é importante a gente saber limites e saber olhar eh pro nosso pessoal e falar assim: "Opa, né, eh vou dar uma pausa que isso está me prejudicando e eu preciso prezar pela minha família, pelo meu bem-estar, meu lazer, eu preciso dar um off, né, vamos dizer assim, do trabalho, realmente descansar. Eh, mas aí tá o limear, né, do eu preciso dar o off e o do não me comprometer a entrega, que às vezes a gente percebe isso. Ah, não quero saber, ah, eu me comprometi numa festa, alguma coisa assim, eu não vou entregar. Eh, e deixa de lado, né? Eh, aí tá a grande questão. Ou ai hoje, né? Ai, você falou um pouco assim comigo, mas eu já não venho, né? Então, eh, eu acho que é um limear, né? a nossa geração que se eh cobra demais, né, e quer entregar demais a todo custo e passando sim por cima da família, do lazer, enfim, amigos, etc., abrindo mão de tudo. >> E uma geração que muitas vezes eh ele preza tanto ali pela qualidade que ele fala: "Ai, não, né, não quero". Eh, já ouvi inclusive de candidatos assim, imagina eu ir três anos no mesmo caminho, no mesmo lugar, jamais não vou ficar mais que três anos no mesmo lugar, enfim, né? Eh, então tem um limear bem bem delicado em relação a isso do que realmente assim eu acho que a partir do momento que compromete essa nossa qualidade, esse nosso bem-estar, nossa saúde mental, que eu acho que é o que a gente também tem falado e prezado tanto hoje, eh, é importante a gente ter esse olhar, né? Eh, mas sabendo pontuar sobre tudo isso, chegando e falar assim: "Olha, tá indo além do que eu posso, né? Não simplesmente abandonando, mas pontuando tudo isso." Acho que isso que seria mais importante, né? É, a gente vive, a gente vive no aprendizado constante, né? A vida é movimento e a gente precisa muito aprender. E aí, a geração Z, ela traz assim muitos debates e são debates importantes sobre saúde mental, sobre relações tóxicas, né? Geração Z fala muito sobre relações tóx tóxicas. A gente pode ver que tem uma galera aí que optou, né, pela solitude, que não estão mais se relacionando e qualidade de vida. também tá em pauta quando a gente fala de geração Z, limites emocionais. Agora eu pergunto então pra Carola, ô Carola, e quais aprendizados na sua avaliação a gente percebe que tudo tem mudado, né? As coisas têm se alterado com eh essa essa metodologia de vida da geração Z? Então, eh quais os aprendizados nós de gerações anteriores podemos ter com os jovens de hoje? você na sua avaliação eh como psicóloga, você entende que essa geração Z, apesar, né, de ser alvo de críticas, eh ela tem nos ensinado algumas eh medidas que se tivéssemos aprendido lá atrás poderia ter sido bem melhor? >> Com certeza. Eu acredito que é muito interessante observar que apesar de nós termos uma geração muito cansada, ao mesmo tempo é uma geração que está tentando romper muitos padrões que gerações anteriores naturalizaram. >> Uhum. >> Né? Porque apesar de toda ansiedade e sobrecarga, existe também uma juventude que está tentando aprender sobre limites emocionais, saúde mental, relações saudáveis, qualidade de vida e muito também sobre autenticidade. E eu vejo que é muito importante nós falarmos disso, porque às vezes existe um discurso muito duro contra os jovens, como se eles fossem frágeis ou incapazes, mas sinceramente eu vejo uma geração que está tentando sobreviver emocionalmente em um mundo extremamente acelerado. >> Uhum. >> Você falou sobre a questão das relações tóxicas, né? E uma coisa muito forte hoje é que esses jovens eles estão começando a questionar relações que antes eram normalizadas. >> Sim. Então, antigamente muitas pessoas ouviam que o ciúme era prova de amor, que o amor precisava suportar tudo, que tinha que aguentar tudo. E hoje muitos jovens já conseguem identificar uma manipulação emocional, uma dependência afetiva, uma violência psicológica. E isso é um avanço muito importante, só que ao mesmo tempo existe uma dificuldade muito grande de construir vínculos profundos, porque vamos dizer que essa geração ela cresceu em um contexto de relações tão rápidas e tão descartáveis quanto o meio profissional, né, e relações extremamente imediadas pela tecnologia. Então existe um paradoxo, porque as pessoas elas querem conexão profunda, mas elas têm um medo muito grande da vulnerabilidade. Nós nunca tivemos tantas formas de comunicação e tanta dificuldade de criar intimidade real. E uma coisa que eu admiro muito nos jovens de hoje é que eles começaram a falar sobre esses limites emocionais. As nossas gerações anteriores, elas muitas vezes romantizaram o esgotamento, como a Patrícia muito bem falou, né? Era bonito ser a pessoa que suportava tudo. E hoje os jovens eles já começaram a dizer sobre aquilo que machuca, aquilo que ultrapassa o limite. E eu acredito que isso não é uma fraqueza, é uma consciência emocional. É claro que existe um exagero em alguns momentos, como em toda a geração existe, mas existe também um aprendizado muito importante de não normalizar um sofrimento constante. E isso nos volta a olhar sobre a nossa lógica de vida, que muitas vezes é baseada apenas na produtividade, mas muita gente hoje também já prefere ganhar menos e viver melhor, ter um tempo mais disponível para priorizar a si, a sua saúde mental, o seu equilíbrio. E eu vejo que é muito simbólico, porque durante muito tempo a ideia de sucesso era justamente como dito anteriormente, trabalhar até exaustão, não parar nunca, produzir o tempo inteiro. E essa geração, ela começou a questionar o sentido de conquistar tudo e não conseguir viver. Então, talvez hoje os jovens eles estejam cansados porque eles perceberam cedo demais que o sucesso sem qualidade de vida também adoece. Então, acredito que nós estamos vivendo uma mudança muito profunda na forma de existir, porque os nossos jovens eles não querem apenas sobreviver. E é aí que mora o grande sofrimento, porque eles querem sentido, eles querem pertencimento, eles querem identidade. E antes as pessoas viviam para cumprir as expectativas e os jovens na busca de descobrir aquilo que realmente faz sentido, eles se deparam com uma confusão emocional. Porque se a gente pensar bem, a nossa juventude ela cresce ouvindo. Você pode ser o que você quiser, você pode conquistar tudo. E aí quando vem aquele choque de muitas vezes estar diante de uma gestão, por exemplo, que vem de uma outra geração, o impacto ele é muito grande. >> Uhum. >> Né? Existe algo muito bonito nesse movimento, porque querendo ou não, eh, apesar da confusão mental, eles querem direção. É como se eles estivessem pedindo ajuda. >> Exato. Então eu acho muito perigoso quando uma sociedade olha pros jovens só pro seu lado negativo, porque toda geração traz alertas importantes e talvez os jovens de hoje eles estejam mostrando coisas que outras gerações silenciaram durante muito tempo. >> Muito bom. Olha, interessante a sua fala. E são gerações que trazem evoluções, né? Eh, eh, são evoluções, né, Fabiana? Eh, como você avalia esse esse contexto eh do choque das gerações, principalmente quando a gente fala em ambiente profissional, né? Eh, a geração Z tendo que aceitar ou se moldar ou então eh a geração milênios, né, a minha geração, enfim, eh se adaptando com a forma de pensar e de viver da geração Z. É tudo meio confuso, a gente tá aprendendo, é tudo muito novo, mas a geração Z, apesar de ser alvo de críticas, como eu perguntei pra Carola, ela tem nos ensinado. >> Sim, ensina. Eh, como experiência, eu tenho dois filhos em casa na direção Z. >> Sim. >> Aprendo muito com eles todos os dias. Eh, é um [roncando] desafio. É um desafio porque é um choque de realidade realmente, como né, elas disseram, eh, muito diferente das gerações anteriores. >> Uhum. >> A gente aprendeu de uma outra forma, eles nos ensinam de uma forma às vezes até mais leve, eh, às vezes até mais, eh, voltado para essa realidade mesmo, né, que a Carola falou. à vezes olha com tanto >> preconceito para eles. >> Eh, mas eles nasceram eh nessa, eu falo que eles foram eh não cortaram o cordão umbilical, cord se conectaram com [risadas] a HMI, né? >> Eles nasceram nesse ritmo acelerado. As comparações sempre existiram. A gente sempre se comparou com grupos sociais, isso sempre existiu. É, gerações anteriores a gente se comparava com aquele grupo da escola, os nossos vizinhos. Sim. Turminha da rua, >> a turminha da rua, eles se comparam com o mundo, >> com vários grupos. Não necessariamente esses grupos fazem parte do mesmo contexto deles, mas eles olham para aqueles grupos e vem vem performance, vê o tempo todo, eles eh eh felizes, são, na verdade são editados, né? Uma felicidade editada, mas é uma felicidade. Eles olham para aquilo e também querem trazer isso pro dia a dia deles, né? Então isso sim vai gerar frustração, vai gerar muito mais ansiedade, porque eles estão se comparando com os outros. Mas essa geração traz pra gente esse novo conceito também, né? Que a gente precisa ficar muito atento a isso, de uma realidade diferente, de uma realidade que nós também precisamos estar moldados e atentos por tudo que tá acontecendo. Ser rápidos em em agir, ser rápidos em pensar, serem rápidos também nessa performance. Mas com muito cuidado para não gerar essa ansiedade que eu vejo hoje na clínica muitos jovens ansiosos emocionalmente por não conseguirem lidar com isso. Então, qual que é o meu papel como psicóloga? é ajudar esses jovens, não falar para ele que ele não pode mais fazer isso, mas ajudar emocionalmente a a lidar com essas questões, porque o nosso cérebro ali na fase na adolescência, pro início da fase adulta, o córtex préfrontal ainda está em desenvolvimento, ele não tá totalmente desenvolvido. Então, eu preciso ensinar para esse jovem como lidar emocionalmente com essas frustrações, com essa ansiedade, com essa questão de performar o tempo todo profissionalmente também. Então eles precisam lidar com isso >> emocionalmente. >> Uau! >> Posso fazer, né? Por favor, eu pensando aqui, você docente convive com essa turma o tempo todo, traz pra gente a sua avaliação, a visão que você tem, né, que tá aí perto de jovens da dessa geração que tem impactado e sendo pauta aí de muitas críticas, mas a gente precisa ver o lado bom, porque tudo tem, né, os dois lados, não é? Eh, eu acho que uma coisa importante, né, é primeiro que é uma geração que, eh, como ela pensa em questões de saúde mental, ela busca ajuda. >> Sim. >> É uma geração que busca o psicólogo, que busca uma terapia, né? Eu acho que isso é muito importante. Eu falo que é uma geração que está se empoderando sobre as questões do das emoções, >> né? Do que eu sinto, do que eu penso. E eu acho que é um olhar tão interessante, porque a nossa geração não tinha isso, né? Eh, eh, não pode sus sentir se eu tô chorando, por que que você tá chorando? Tem que ter motivo, né? Enfim, até algumas coisas assim, né? também eh em relação ao que a gente escutava, mas também é uma geração eh eh a gente tem que pensar que nossos pais também ouviram isso, enfim, né? Eh e que estamos quebrando um ciclo >> e a gente olha paraas crianças, inclusive as escolas inclusive estão tendo um olhar sobre eh educação socioemocional. >> Uhum. >> Então acho que a gente tá trazendo esse empoderamento para eles, né? Eh, em relação assim, vamos entender o que eu estou sentindo. É uma frustração, é uma tristeza, é uma felicidade, né? Eh, e quanto mais a gente se empodera do que a gente sente, eh, eh, mais a gente ali vai se fortalecer. Enfim, acho que isso é muito importante, estar em sala de aula com adolescentes, né, [risadas] jovens, adultos, né? Eh, eu acho que assim, inclusive hoje e é algo bem interessante olhar paraa educação, por eh nas minhas salas de aula, que eu tenho várias, [risadas] né, dentro da das duas instituições, nós temos inclusive esse choque geracional, por >> nós temos muitos adultos ou que não tiveram oportunidade, né, de fazer uma faculdade antes, né, e estão buscando ensino superior, né, no meu caso, né, eu dou aula para psicologia, estão buscando ensino ensino superior, eh, junto com jovens que acabaram de sair eh, do ensino médio, né? Então, eu tenho um choque geracional ou que estão buscando mudança de carreira, né? Se aposentaram, então assim, eu tenho um choque geracional dentro da sala de aula diariamente, né? Eu lido com eh e eles têm que lidar entre si. >> Uhum. >> Eh, e aí a gente já percebe alguns olhares em relação a isso, né? Eh, de importância, de fala, né? né? Então, a gente tem visto isso diariamente em sala de aula, diariamente mesmo. Mas acho que aí já traz até um aprendizado para todos eles, né, de lidar com as diferentes gerações, com os pensamentos das diferenças diferentes gerações. e eh né, esse esse excesso de tecnologia, eu não vou nem falar em relação somente às redes sociais, mas o excesso de tecnologia de inteligência artificial vindo, eh da onde eu busco fontes de informação para onde eu eu embaso o meu conhecimento, enfim, né? Até grandes discussões já em relação a isso, como usar essa IA, né? Como usar essas ferramentas. a nossa geração, a geração mais velha às vezes tendo dificuldade, a mais nova ensinando a mais velha. Então a gente também tem ganhos, né? A gente tem um ensinamento deles, né? Tanto emocional quanto de tecnologia e entre outros aspectos. Então acho que eh compartilhar isso é muito importante, né? Há uma troca muito importante em relação a isso. >> Eh, a gente precisa eh se adaptar, né, tanto à geração Z quanto às outras gerações, porque de todos os lados tem um ganho, né? Então é se adaptar, se moldar e absorver o que há de melhor e deletar o que não há de bom, né? Vai fazer o quê? Tem que conviver. E vamos falar a verdade, né? Essa turma tá trazendo pra gente um olhar bem diferente referente à vida. E eu acho que isso é muito importante. Só que tem experiências também de gerações anteriores que valem a pena a gente eh compartilhar e a geração Z também saber sobre essas experiências para não passar pela mesma situação que de repente gerações anteriores passaram. Então tudo é conhecimento, né? É tudo a informação. E quando a gente fala informação, é importante a gente salientar aqui, Carola, que a geração Z, a gente fala muito, a gente critica muito, só que a geração anterior, as gerações anteriores, elas não tinham informação, elas, de repente eh não se desenvolveram dessa forma eh tão rápida que a geração Z eh eh desenvolve esse pensamento crítico porque não tiveram informação. A gente sabe que a informação é tudo. E a geração Z nasceu cheia de informação. Tudo que a geração Z precisa tem lá a informação na palma da mão. Então isso também diferencia esse comportamento que a geração Z tem diferente das outras gerações. Qual que é a sua avaliação sobre isso, Carola? Então, nós vemos que esse estoque geracional ele ele gera esse impacto justamente porque nós viemos de uma realidade completamente diferente. E se nós não considerarmos o contexto em que a geração Z foi formada, nós seremos muito injustos. Uhum. >> Porque nós viemos de um mundo completamente diferente. As mudanças eram muito mais lentas, os comportamentos eles demoravam muito mais tempo para se transformar. As nossas referências elas eram locais, >> então o acesso ao conhecimento ele era muito menor e as pessoas viviam a vida inteira dentro de uma mesma lógica, >> da mesma cidade, da mesma profissão, da mesma forma de pensar, das mesmas referências culturais. E hoje não. A geração Z, ela nasceu dentro de um contínuo de informação. Cresceram vendo o mundo inteiro, as culturas diferentes, as novas formas de pensar, muos debates sociais, muitas mudanças tecnológicas. Então, é impossível esperar que eles tenham exatamente a mesma postura das gerações anteriores. Eu acredito que a uma das maiores diferenças dessa geração é justamente a velocidade. Os jovens de hoje, eles entram em contato com assuntos muito cedo. Um adolescente de hoje, ele consegue discutir sobre questões sociais, sobre política, sobre violência psicológica. Eu atendo muitos jovens. E e isso traz para mim eh uma sensibilidade nesses assuntos, porque as outras gerações elas só começaram a refletir sobre determinados assuntos na vida adulta. Então, a sensação que eu tenho é que existe um amadurecimento muito acelerado em algumas áreas, só que a informação rápida, ela não significa maturidade emocional imediata. Uhum. E eu acho que esse é um ponto muito importante, porque a geração Z, ela desenvolveu uma consciência muito cedo, mas emocionalmente ela ainda está tentando aprender como sustentar tudo isso. É uma geração muito carente, carente de atenção, carente de direção. Eles estão vindo na contramão de muitos modelos antigos, porque o tempo todo eles questionam hierarquias que são rígidas, excesso de trabalho, autoridade sem diálogo, o sofrimento romantizado. E isso naturalmente gera um conflito porque toda geração que rompe padrões incomoda. Então, por que que esse comportamento ele é diferente? Porque o ambiente moda o comportamento. Uma geração criada com internet, com hiperconectividade, com acesso instantâneo a informação, exposição constante, vai inevitavelmente funcionar de uma forma diferente. Os jovens de hoje, eles foram ensinados desde muito cedo a responder rápido, a consumir rápido, pensar rápido. Então eles têm mais agilidade, mais adaptação, mais consciência, mas também muito mais ansiedade, muito mais sobrecarga, muito mais dificuldade de desacelerar. E é muito delicado quando nós comparamos as nossas gerações sem considerar que elas foram consumidas em realidades completamente diferentes. Porque a pessoa que cresceu sem internet foi formada emocionalmente de um jeito. Mas a pessoa que cresceu sendo observada o tempo todo desde a infância foi formada de outro. Então, não dá para nós analisarmos os comportamentos, ignorando esse contexto histórico. A geração Z, ela também é fruto de um mundo emocionalmente diferente. >> Uau! >> Querendo ou não, muitos cresceram vendo pais esgotados, crises econômicas, a estabilidade, o adoecimento mental, a pressão estética, né, as relações fragilizadas. Então, existe uma consciência precoce de que viver pode ser muito pesado. E os jovens, eles vêm nos ensinando que não dá mais viver apenas sobrevivendo, porque eles estão questionando os modelos que durante muito tempo foram considerados normais. E talvez isso incomode justamente porque obriga as outras gerações a revisitarem dores que aprenderam a suportar em silêncio. Então eu vejo que a geração Z hoje ela é o resultado de um mundo mais rápido, mais exposto, mais informado e emocionalmente mais complexo. E talvez o grande desafio dessa geração seja justamente aprender a transformar tanta consciência em maturidade emocional. Porque ter acesso à informação muda o comportamento, mas o excesso de informação também pode cansar, pode confundir, pode sobrecarregar. Então eles aprenderam muito sobre o mundo, mas ainda estão tentando descobrir como existir dentro dele sem se perder de si mesmo, né? >> Bem complexo. Precisamos de muita orientação e que bom que a gente pode contar com vocês para essa orientação referente a eh tudo que permeia a geração Z, o conflito de gerações. Agora 8:55, nós temos algumas perguntas. A produção tá me avisando aqui, a gente pode ir até 9:10. Então vamos fazer uma pergunta para cada uma, então pra gente atender o pessoal que tá em casa e depois a gente vai para as considerações finais. Pode ser, pode ser minha direção do coração. Isso. Então tá bom. Juliana Neves, Barão Geraldo. O hábito de receber recompensas rápidas na internet, com curtidas, vídeos curtos, vicia o cérebro do jovem. Sim. Sim. Então isso explica a falta de paciência com processos lentos da vida real. Vamos lá. Do ponto de vista da neurociência, eh, essas informações muito rápidas libera uma substância que chama dopamina. >> Uhum. >> A dopamina, que que ela vai fazer no cérebro, né? O que que ela faz na gente? Essa sensação de prazer, de bem-estar. Então, sabe, esses vídeos rápidos, eh, passa, isso traz essa sensação de prazer. >> Uhum. >> Então, o que que eu prefiro? Prazer ou desconforto? Então, né? O jovem, ele vai precisar, ele vai querer, logicamente eh essa sensação de prazer, essa sensação que e essa rapidez traz para ele >> e isso vai trazer essa essa eh esse excesso, né, de de dopamina no no no cérebro, vai fazer com que ele procure cada vez mais. Então, eh, lidar com a frustração e a espera é chato, é cansativo, eu tenho que esperar. Isso traz prazer, isso não traz um conforto, isso não traz para jovem de hoje uma sensação de prazer e sim lidar com a espera, lidar com a sensação de que eu preciso >> eh lidar com o tempo do, sabe? Eh, quando a gente fala eh vamos ficar um pouco sem fazer nada. >> Uhum. Óil. >> E ficar nesse cantinho do fazer nada para eles gera uma tensão muito grande, porque ou não fazer nada não tá liberando dopamina. >> Olha aí, >> não tá, porque a dopamina faz com que o a gente fica nessa estação o tempo todo. >> Então o fazer nada não traz isso. Então para eles é mais difícil não fazer nada. A gente fala: "Ah, mas eu não tenho nada para fazer hoje". Ai, que bom, né? Você não tem nada para fazer. fica sem fazer nada. Não, mas eles não conseguem. Aí eles vão mexer no celular, eu vou querer assistir eh eh alguma coisa em vídeo, televisão, porque não tá trazendo prazer não fazer nada. Então realmente vicia muito por conta disso, né? Porque o cérebro fica super estimulado, >> então não fazer nada realmente vai frustrar, porque eles não aprenderam a lidar com o tempo de espera e com a negação, tá? Então realmente >> muito bem. E o tempo da internet não é o tempo do aqui e do agora. E tem que ter aquela, a gente tem que entender e fazer essa diferenciação. Mas em um mundo hiperconectado e jovens que nasceram conectados, como fazer a diferenciação, né? Como separar e entender o tempo? É por isso que a gente precisa de psicólogos para nos ensinar a gerir toda essa situação. 8:58. Mais uma pergunta. A gente direciona agora para a Patrícia. Vamos lá, por favor, produção. Eh, Sérgio Ferreira do Jardim Proença. A pressa em vencer na vida antes dos 30 gera uma sensação eh de fracasso precoce nos jovens. Hum. Antes dos 30. De onde vem essa cobrança interna para um sucesso que mal deu tempo de se construir? Vamos lá. >> Acho que é muito bem eh essa questão da comparação, >> né? Aí de repente eu abro ali as minhas redes, eh, e aí eu vejo que o meu amigo, né, tá numa super de uma empresa, já conquistou, já chegou, né, tem benefícios melhores que os meus, né, tem um cargo melhor e eu quero tá lá. Então entrar a gente, né, antigamente a gente falava assim, ah, a gente entrava como office boy na empresa, né, não era nem guardinha, >> era office office boy, [risadas] [suspirando] >> né? E ia crescendo, mostrando que você sabia, demonstrando as competências, até chegar um cargo de direção, gerente, etc, né? Eh, e agora não, né? Eles entram, falam assim: "Não, porque eu quero já ser reconhecido, quero ter sucesso". Uhum. né? E eu nem falo de fazer uma carreira, né, e na vertical assim, de ser gerente, né? Ele quer reconhecimento, salários maiores às vezes, né? Dentro da empresa. Meu amigo conseguiu, porque que eu não consigo? A rede também traz esse comparativo muito grande. Antes a gente precisava o quê? Comentar. Olha, nossa, eu consegui um emprego. Nossa, né? Eh, agora ele tem rápido acesso ali na rede social. >> Nossa, o fulano conseguiu viajar. >> Nossa, o fulano foi para fora do país, né? Eu não tô conseguindo nem e às vezes um comparativo até negativo, né? Não tô conseguindo nem pagar minhas contas, tô conseguindo nem, >> né? O fulano já cresceu, já mudou, olha onde ele trabalha, né? Então as redes também trazem esse adoecimento, essa comparação, né? Muito rapidamente. >> E aí traz também querer uma rápida, né? Chegar muito mais rápido ali naquele naquele cargo, né? Enfim, né? E eles querem muito mais rápido, além de terem tudo muito imediato, as informações imediatas, tudo muito imediato. Então eles também olham para esse processo de uma forma, eu quero mais imediato, nossa, vou ter que esperar 30 anos, 15 anos para chegar num cargo de gerência, >> né? Aliás, eles falam isso às vezes da aposentadoria. Nossa, aposentar 60, 70 anos. Ai meu Deus, vou trabalhar tudo isso. >> E além de tudo, a gente precisa pensar aqueles e esse excesso de informação, de mudança, eh, mudança nas relações de trabalho, enfim, a gente também tem que olhar para tudo que tá acontecendo, né? >> Uhum. >> É verdade, gente, que coisa. >> Geração Z. Bem complexa a situação. A gente vai aprendendo agora 91. pode colocar mais uma eh pergunta pra gente, por favor, produção, a gente direciona agora para a Carola, por gentileza. O Artur Mendes do Proença tá com a gente e tem uma pergunta aí. Vamos lá. Há uma resistência grande dos jovens em aceitar empregos com rotinas rígidas e cobrança por meta? [roncando] Hum. Eles estão buscando qualidade de vida ou falta compromisso com o trabalho? Vamos lá, Carola. Nós falamos, né? uma pincelada sobre isso. Vamos responder o nosso telespectador Artur Mendes que está com esta dúvida. Eu acredito que não é nem uma questão de falta de comprometimento, mas uma mudança profunda de mentalidade, né? Porque as gerações anteriores elas foram ensinadas a entrar no modo de sobrevivência no trabalho, mesmo adoecendo emocionalmente. Então existia aquela lógica de suportar tudo, as jornadas exaustivas, os ambientes tóxicos, a ausência de qualidade de vida. E a geração Z, ela cresceu observando justamente o impacto disso nos pais, nos professores, nos adultos emocionalmente esgotados. Então, quando os jovens eles questionam rotinas extremamente rígidas, o exército de cobrança, um ambiente sem equilíbrio, muitas vezes eles não estão rejeitando o trabalho, mas os modelos de vida que se associaram ao sucesso do adoecimento. E é claro que existe um desafio importante dessa geração com a constância, com a tolerância, a frustração e a permanência em processos longos. Isso precisa ser trabalhado, sim. Mas existe também algo muito valioso acontecendo, porque eles estão perguntando qual é o sentido de trabalhar tanto sem conseguir viver. E eu vejo nessa pergunta algo muito legítimo, porque a produtividade sem saúde emocional, ela cobra um preço muito alto. Então, talvez o desafio agora seja encontrar o equilíbrio, nem romantizar o esgotamento das gerações anteriores, nem transformar qualquer desconforto em impossibilidade. Porque a geração Z, eu percebo que não quer apenas um emprego, ela quer uma vida e que seja possível trabalhar sem precisar abandonar completamente a própria saúde mental no processo. >> É uma evolução da qualidade de vida, podemos dizer assim. Será, né? Será o que que tá acontecendo? A gente tem muito para discutir, a gente tem muito para falar, para aprender e para ensinar também. E a gente precisa encerrar o programa, mas fica aqui três pontinhos, porque a gente continua falando sobre esse assunto. Sim, em outros programas vamos trazer novamente em debate a questão da geração Z e do aprendizado entre as gerações. A gente eh a gente fala muito de conflito, mas é importante a gente falar do aprendizado entre as gerações, que todas elas têm sim para ensinar, porque a gente vem passando por evoluções. Se você para para analisar, eh, você que é da minha geração e tem seu filho, você lembra que você dizia assim: "Eu não quero que meu filho passe pelo que eu passei, né? Então, eu vou dar para o meu filho o que eu não tive." OK? nós eh criamos os nossos filhos e as gerações elas vão evoluindo. A geração Z viu eh eh todo o contexto de vida que foi marcado pela geração anterior e hoje ela para e fala assim: "Eu não quero passar pelo que a minha mãe passou". Então a gente precisa eh modificar isso e de repente pode ser isso que esteja acontecendo, né? a mudança, a evolução, eh, das gerações. E que bom que a gente tem a oportunidade hoje de falar sobre isso, de aprender sobre isso e de tentar conciliar e conviver em conexão. E eu acredito que também com muito respeito, né? Porque é importante a gente respeitar a a as gerações. A gente a geração Z respeita a geração as gerações anteriores e a gente também respeita e aprende com a geração Z. A gente precisa que seja assim e que assim seja. Vamos lá. 9:5 a gente vai para as considerações finais. Então, agradecendo a as nossas convidadas, a gente eh começa então com as considerações eh finais e a dica, né, para você que tá em casa, que tem o conflito de gerações e que pode mudar eh tudo isso. Agradecendo então você, obrigada, viu, Fabiana, pela sua participação, pela sua presença mais uma vez e pelo seu ensinamento, né, novamente trazendo pra gente aí grandes conteúdos e que a gente faz a gente parar para analisar. E a gente e o tempo todo a gente para e analisa, né? Acho que a gente o tempo todo a gente tá aprendendo com essa geração, aprendendo com as colegas de trabalho o tempo todo. >> Essa geração veio para nos ensinar. E o que a gente pode passar para essa geração é isso, né? mostrar para eles que a vida real tem frustrações, que a vida real tem tempo de espera, que a vida real eh nem sempre é tão ruim assim a gente conseguir viver essa vida real, porque faz parte do desenvolvimento humano, né? Então, a gente tá mostrando para eles isso e eles também mostram pra gente muitas coisas, muitos aprendizados que a gente tá podendo. E esse espaço [risadas] é maravilhoso pra gente poder ter essa troca de informação, né? A gente eh poder ensinar e aprender um pouquinho mais também. Muito obrigada. Eu que agradeço. >> A gente que agradece. maravilhosa e maravilhosa também a Fabiana, a nossa profe, né, que trouxe pra gente aí eh bastante informação e ensinamento. Eu quero agradecer sua participação, que seja a primeira de muitas, viu? Gratidão. >> Obrigada. Eu que agradeço, né, por estar aqui. Acho que é exatamente isso. Eh, ouvir outros colegas, né? Acho que ter um espaço também eh, para debater isso com a população, para trazer esses olhares. Então, eh, vamos respeitar o olhar de cada geração e vamos aprender com cada uma delas, né? O que elas têm de melhor aí. >> É isso mesmo. Estamos em constante aprendizado e a gente agradece também a Carola. Obrigada, viu, por disponibilizado o seu tempo para estar com a gente aqui no estúdio Câmara, também trazendo o seu olhar, a sua visão e e muito ensinamento, né, referente a essa conexão de gerações, que a gente possa eh estar juntos e aprendendo sempre. Muito obrigada. Eu quem agradeço pela oportunidade. Eu acredito que a principal reflexão que fica é que nós estamos vivendo uma transformação humana muito profunda, né? Então, talvez o caminho não seja colocar uma geração contra a outra, mas de realmente construir pontes, porque eu acredito que a nossa vida ela é feita de conexões e nenhuma geração ela é completamente certa ou errada, porque todas elas carregam forças e fragilidades, né? Então, não vamos transformar a própria vida em uma corrida contra o tempo, né? Porque nem todo mundo vai descobrir o propósito cedo, nem todo mundo vai ter estabilidade aos 20 anos, nem todo mundo vai estar emocionalmente pronto imediatamente, tá tudo bem, né? O principal é que no fim das contas nenhuma tendência, curtida ou performance vai substituir aquilo que todo ser humano continua procurando, que é o pertencimento, o sentido, a liberdade de existir sendo quem realmente é. E isso só acontece quando nós nos conectamos com pessoas, com lugares, com situações que realmente fazem sentido para nós. Então, muito obrigada por poder dividir esse espaço com vocês e ter trocas tão ricas, >> maravilhosas, Carola, Fabiana e Patrícia, três mulheres incríveis, nos ensinando muito hoje. Quero agradecer você também que esteve presente aqui no programa, você que mandou a sua pergunta, você que compartilhou aí, né, a sua mensagem. Obrigada pelo carinho da audiência. Lembrando que amanhã nós temos Estúdio Câmara novamente a partir das 8 da manhã e a gente vai falar sobre o peso do erro amanhã. Hum. Porque tantas pessoas têm medo de falhar. Você erra, você assume seu erro, você admite ele e depois você pede desculpa e erra de novo. Depois você ai que coisa, né? O erro. como é que você convive com ele, de onde vem a cobrança por perfeição e o sentimento de culpa diante desses erros aí a gente vai discutir como o medo de errar pode afetar autoestima, os relacionamentos, a vida profissional e até a saúde emocional. Você sabe que o erro paralisa, né? Então, qual que é o peso do erro? O que que você tem paralisado na sua vida pelo medo de errar? Vamos conversar sobre isso amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo em mais uma edição do estúdio Câmara. A ÍRa tá chegando aí trazendo informações atualizadas para você. Ao meio-dia Gabriel Castro com Câmara Notícia e a programação da TV Câmara Campinas, sempre muito informativa, produzida com muita responsabilidade e muito carinho de toda a nossa equipe do grupo, mais especialmente para você aí de casa. Grande abraço, fique bem, cuide-se e até amanhã, se Deus quiser, em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Beijo, até lá. [música] เฮ [música] [música] [música] [música] [música] >> [música]