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Olá, [música] muito bom dia para você que tá aí ligadinho com a gente na TV Câmara Campinas. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Hoje, terça-feira, dia 19 de maio. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Vamos juntos até às 9 da manhã com muita informação e uma psicoeducação no nosso estúdio Câmara ao vivo. E hoje nós vamos abordar um tema [música] que faz parte da vida de muitas famílias, mas que ainda é pouco discutido com profundidade. A pergunta para você, pra gente iniciar o programa, por será [música] que nós gritamos com quem nós amamos? Uhum. Vivemos uma rotina acelerada. marcada por excessos de estímulos, pressão profissional, insegurança financeira [música] e uma sobrecarga emocional. E muitas vezes todo esse acúmulo não explode no trânsito, no trabalho, mas sim [música] no nosso porto seguro, dentro da nossa casa, no ambiente onde deveríamos encontrar acolhimento e segurança. [música] Já percebeu que muitas vezes somos pacientes com desconhecidos, mas perdemos o controle com quem está ao [música] nosso lado todos os dias? No fundo, muita [música] gente só quer ser ouvida, só quer ser compreendida e acolhida. Mas aí o grito afasta, machuca, cria medo [música] e desgasta relações importantes. Hoje a gente vai conversar sobre isso. Por que nós gritamos com quem amamos? Essa é a pergunta que fica e você pode mandar a sua pergunta pra gente, a sua dúvida ou então a sua experiência. Já aconteceu isso com [música] você? Olha, eu acredito que sim, porque isso acontece. Vamos colocar aí com 99% [música] de nós seres humanos e a gente às vezes nem se dá conta porque agimos no automático [música] e hoje a gente vai discutir sobre isso. WhatsApp na tela 1997829377. Você manda sua mensagem. Os nossos convidados já estão por aqui. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los e enquanto você vai mandando a sua mensagem a gente atualiza algumas informações do legislativo. Bom, vamos lá. Os vereadores da Câmara de Campinas aprovaram ontem, durante a 29ª reunião ordinária, em primeira discussão, dois projetos de lei complementar de autoria do executivo que autorizam a alteração da destinação de áreas públicas para a implantação de um centro de [música] atenção psicossocial Infanto Juvenil Norte lá no Padre Anchieta. E [música] também foi aprovado o projeto de lei complementar de uma nova unidade básica de saúde no Jardim Chapadão. Durante [música] a sessão, também foram aprovados projetos relacionados à homenagem, denominação de via pública e alteração do quadro de pessoal da Câmara de Campinas. Todos os detalhes da reunião ordinária de ontem você confere hoje ao meio-dia no Câmara Notícia com Gabriel Castro. E mais informações, você que tem o seu [música] pet, atenção, porque a partir de hoje moradores de Campinas passam a contar com mais um ponto de atendimento gratuito do consultório veterinário móvel. A unidade foi instalada no Centro de Integração da Cidadania Vida Nova, no conjunto habitacional Vida Nova, a região sudoeste aqui da cidade, onde deve permanecer até o dia 18 de junho. O atendimento é realizado pelo DPBE e oferece serviços veterinários gratuitos para cães e gatos. Outro consultório itinerante segue em funcionamento na região noroeste, no distrito do Campo Grande, no céu, mestre ao seu, com atendimentos [música] previstos até o dia 29. Então, atenção, os atendimentos acontecem de segunda a sábado, das 8 ao meio-dia, depois da 1 da tarde às 5 da tarde, é por ordem de chegada com distribuição de senhas, tá? Para utilizar o serviço é necessário morar em Campinas, ter mais de 18 anos e apresentar documento com foto e comprovante de residência. Apesar das unidades estarem instaladas em regiões específicas, moradores de toda a cidade podem utilizar o atendimento. Vamos cuidar também [música] dos nossos petezinhos. Agora a previsão do tempo chegando. Olha, tempo tá estranho, né? Chove, não chove? Hoje temos aí, ó, sol, pancadas de chuva de manhã e muitas nuvens à tarde. A mínima [música] foi de 15, a máxima de 20º, né? outono brasileiro. Temos aí a previsão de chuvas durante toda a semana e a gente vai atualizando você é no decorrer dos dias. Então, bora viver o hoje, o aqui e o agora. Um ótimo dia para você e vamos com o nosso tema central. Pesquisadores da Universidade de Nova York descobriram que o cérebro humano interpreta o grito como um sinal de ameaça e medo, ativando diretamente áreas ligadas ao instintos de ao instinto de sobrevivência. Ou seja, o grito até chama atenção, mas também cria uma tensão emocional e bloqueios afetivos. Hoje a gente vai tentar entender por que a gente perde o controle dentro de casa e quais impactos isso gera nas relações familiares e emocionais. E como a inteligência emocional e a comunicação não violenta podem ajudar a interromper esse ciclo. Para essa conversa, nós recebemos a psicóloga, psicoterapeuta e educadora parental, Miriam Buglia. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Obrigada. É um prazer estar aqui. Vamos trabalhar juntos e diminuir os gritos e facilitar as conexões. Uau! É isso mesmo, facilitar as conexões. Seja bem-vinda, Miram. E também com a gente o psicólogo, especialista em abordagem fenomenonológico existencial, Daniel Dias Gonçalves. Seja muito bem-vindo. Obrigada mais uma vez pela sua participação, pela sua presença aqui no estúdio Câmara. Bom dia, Ruba. Muito obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui compartilhando informações que podem ser úteis paraa famílias e melhorar o ambiente familiar. Ai gente, verdade. Nós precisamos, né? Vamos falar sobre esse comportamento muito comum nos dias de hoje, em que o estresse acumulado ao longo da rotina acaba sendo descarregado justamente nas pessoas mais próximas, nas pessoas que a gente ama. muitas vezes a pressão do trabalho, né, os problemas financeiros, o cansaço emocional, tudo isso vai se acumulando silenciosamente até transbordar. E esse transbordo, gente, acontece dentro de casa em formas de gritos, irritação, respostas agressivas, sabe? Então, a gente precisa entender como esse ciclo se forma e como que a gente pode construir relações mais saudáveis e equilibradas, né? Então vamos lá, Daniel. Ah, pra gente começar a desenhar um cenário. O que define isso? Então, é gritar com quem a gente ama. Isso pode ser apenas um impulso momentâneo ou também pode realmente sinalizar aí um esgotamento eh da relação e e como que isso se manifesta no nosso dia a dia. Bom, Ruber, eu vou tentar sintetizar porque é um tema muito longo e complexo, mas eh geralmente dentro de casa é o nosso porto seguro, é o lugar onde a gente se sente mais confortável para compartilhar com as pessoas, né, ou para viver de uma maneira mais leve. E aí acontece que a gente absorve muito o mundo da maneira como a gente se sente nele. E às vezes a gente se sente, se cobra muito desse mundo e se sobrecarrega. E aí chega em casa, a gente acaba devolvendo pros parentes ou entregando para eles aquilo que a gente faz com a gente mesmo, entendendo que os parentes talvez sejam uma extensão nossa e acaba se misturando. Então a gente leva para eles o que a gente recebeu da forma como a gente recebeu, [roncando] em vez de distinguir quem é pai, filho, marido, amigo, o que for, e acaba derrubando neles isso. Então, acaba criando um ambiente muito tenso. É um ambiente, um ambiente tenso, desgastante. E aí a Mir traz pra gente o seguinte, por que que a maioria de nós consegue manter o autocontrole? Então, diante do chefe, diante de um cliente, diante de um colega, um amigo, né? A gente engole, segura a onda, mas aí a gente pede a linha completamente com os filhos, com os parceiros, né? Com a família. O que que acontece com esse comportamento estranho? Porque eu não vou explodir com quem de repente precisava que eu fosse transbordar, mas eu guardo tudo aquilo e vou explodir com quem não tem nada a ver com isso. Que comportamento é esse, Miram? Olha, você falou tudo, né? Eh, a gente tem uma tendência a explodir com as pessoas que estão mais próximas. Daniel falou muito bem, é uma questão do do porto seguro, né? Quando você tem a tranquilidade de saber que a outra pessoa vai tolerar o seu rompante, fica mais fácil você agir. Então, por que que você não discute e não grita, por exemplo, com o seu chefe, com o seu cliente, com uma pessoa na rua, porque você não sabe qual vai ser a reação desta pessoa. Então, lá no seu inconsciente, você já se prepara de uma forma de defesa. que eu explodo com essa pessoa, a retaliação pode ser muito grande. Então, eu contenho aquilo, eu guardo e vou acumulando frustrações, tensões, problemas. E com as pessoas mais próximas seria como se essas pessoas pudessem suportar melhor o meu rompante. Então eu aí grito. E o grito não acontece à toa, né? Ele é um acúmulo de situações que vão acontecendo e chega num momento que até por uma questão neurológica cerebral você impede que a sua condição de raciocínio lógico, de saber como agir, de saber consequências seja diminuída e aí você explode. Geralmente as pessoas que vão aguentar a nossa explosão, o nosso grito, são aquelas pessoas mais próximas, são as pessoas que nós amamos, infelizmente, o nosso cônjuge, os nossos pais e, principalmente os nossos filhos. Poxa vida, é impressionante a gente pensar nisso, porque a gente usa a nossa casa, que é nosso porto seguro, e as pessoas que mais nos apoiam, né, como uma espécie de lixeira emocional por tudo que vocês disseram aí, justamente porque a gente sabe que ali é um ambiente seguro, que ali eu não vou ter uma represária por estar gritando, por estar e transbordando, mas o preço disso pode ser alto demais. A gente precisa se atentar. E quando a gente fala em preço alto, tem uma pesquisa recente da Universidade de Nova York que revelou que o cérebro humano não processa o grito como um barulho qualquer. Ele vai diretamente na mídala. Olha isso que é o nosso centro do medo. Amídala. Centro do centro do medo. Que que isso tem a ver, Daniel? O grito é um sinal de poder ou na verdade um atestado de falência emocional? Já não tô aguentando mais fal. Vou gritar, vou transbordar. E quem recebe o grito, que que é esse negócio de centro da amídala? Bom, o centro da amída, o amídalo é o lugar onde a gente eh ocorre os primeiros impulsos emocionais, tá? e o inconsciente também, onde transitam todas essas emoções. Quando você fala, é interessante do transbordo que que se torna o grito, tudo que transborda é que superou aquela camada de segurança. Então, transbordou de si mesmo e foi pros outros, derramou, foi para fora e acabou impactando. Caramba, gente, é tão impressionante porque assim, é consciente ou é inconsciente esse negócio da gente transbordar, a gente gritar? De repente você chegou, você passou pelo trabalho, aí pegou um dia difícil no trânsito, todo mundo pega, é natural. Então você vai se enchendo, vai se enchendo, chega em casa, você transborda, você grita, você discute, você dá uma resposta agressiva, uma comunicação, entre aspas, violenta. Isso é consciente ou inconsciente, porque tem gente que fala assim: "Eu não queria gritar. Quando eu vi, eu já gritei, eu já tinha gritado e eu, né, literalmente transbori." Miram, consciente, inconsciente, a gente faz sem perceber, a gente faz com consciência. Não, vou chegar em casa e vou gritar. É assim? Como que funciona? Então, a gente não grita porque a gente quer. A gente grita porque a gente tem um descontrole. E esse descontrole, como o próprio Daniel falou e você, ele começa lá na amídala. Imagina uma situação, você tem uma middla, o centro das suas emoções, onde você vai receber uma ameaça. Aí você tem o córtex pré-frontal na região aqui da da testa, onde ele é a o setor que vai controlar os impulsos, as emoções, o raciocínio lógico. que acontece neurologicamente, se isso aqui já está desgastado pelo seu dia a dia, pela sua condição de estress e onde você vai acumulando, isso aqui já está mais fragilizado. Então, quando essa amídala ela solta aquela e aquela emoção, tipo, é um perigo, alguma coisa está acontecendo, esse centro diminui e acontece o grito, tá? Então ele tem um aspecto neurológico inconsciente, mas também a gente precisa prestar atenção numa coisa. Eh, a o grito não é intencional. Uhum. Ele é uma reação física de uma emoção represada, tá? Então, se você está cansada, se você está com uma demanda muito grande, se você tem muitas situações, mesmo que financeiras para pensar, você tá acumulando situações e qualquer outro acontecimento pode gerar uma ameaça naquele momento que faz você gritar. Humum. Você entendeu? Então, não é uma questão que você está preparada ou você tem intenção. Acontece, você grita. O problema é que quando você grita, aquela emoção sai e o seu córtex volta ao normal e vem a culpa. Uhum. Tá. E aí, como você vai reparar aquela reação? Porque quem ouve o grito se assusta. As crianças têm medo, os cônjuges ficam estressados com a relação, então toda a a relação familiar fica contaminada. Então é preciso reparar isso. Só que tem outra coisa, a gente grita porque em algum momento a gente aprendeu no nosso passado, com as nossas experiências a gritar. E você falou uma coisa muito importante, eh, será que o grito ele é poder? Uhum. Nós fomos criados na educação tradicional e o grito ele era assim, visto como uma questão de poder. Me obedeça, faça assim. E você coloca as regras. Então o grito era uma forma de você ser obedecido, uma forma de você ter poder sobre o outro e você consecutivamente vivenciando isso, você aprende. Por isso que às vezes você fala: "Eu não queria gritar". Uhum. Mas o seu mapa neurológico está registrado na no momento de grande estress. Eu não me contenho inconsciente. Ai gente, como é bom. Lembra da coisa do iceberg. Aham. Como é bom vocês explicarem [risadas] pra gente. Vai lá Daniel. É aquela questão do do mapa do iceberg, né? Do iceberg só aparece a parte a pontinha. O que tá embaixo é o inconsciente e é muito grande. E ele é gigante. Aquilo que a gente não conhece sobre si mesmo. Vamos passar por Freud, né? aquilo que a gente não sabe sobre si mesmo e aquilo que a gente geralmente aprendeu muito na infância, como a Miram tava colocando, você viveu na família que teve muito estress ou muita gritaria, você viveu, você já tá sobrecarregado, aí o mundo te dá, te traz cobrança, estress, você transborda e aí você chega em casa e continua fazendo isso sem perceber, machucando as pessoas que você ama, porque se sente confortável e acaba criando neles também a a continuidade desse processo. Olha [roncando] só, isso acaba indo longe. É verdade. Você sabe que a a Mira trouxe algo bem interessante. Eh, vamos lá. Vamos lá pra pra vovó, pra casa da vovó, né? Eh, quem aí de vocês aí de aí de casa lembra que de algum comentário na sua família falando: "Nossa, mas a vizinha tava gritando com a criança lá, deu para escutar aqui de casa." Lembra disso? Eu lembro, né? Eh, na rua, às vezes na pracinha lá, a mãe, né? o cuidador dá um grito com a criança paraa criança se atentar, né, eh despertar atenção e voltar. De repente, se tá indo muito longe, então vai gritar e a criança vai voltar. Mas agora a gente pega esse gancho da neurociência que a Mir trouxe pra gente. Se o grito ativa a área do medo do cérebro, né? O que que acontece então com o desenvolvimento emocional de uma criança que cresce em um lar onde as pessoas se comunicam com berros? Porque quem costuma gritar eh mesmo sendo, eh, inconsciente, né, que não é como consciência, você não grita porque você quer, é um inconsciente, mas que o cérebro ele acostuma com essa inconsciência de estar gritando o tempo todo. É ou não é, Daniel? É verdade. A criança vai eh na primeira infância vai refletir, aprender a refletir o que os pais fazem e ela começa a receber grita, ela vai começar a gritar também. Ela vai entender que aquilo é o normal. Até que em algum momento na vida ela vai conflitar tanto. Chega na adolescência, você começa a gritar ou ter problemas com professores, com autoridades, porque a criança às vezes só repete isso. Ela grita também e a autoridade também vai se colocar, né? Que é uma questão aí de de poder, como a a Maria colocou. E aí a a criança passa a ter um conflito que não se resolve. Eu posso te dar um exemplo? Por favor, eh, a gente tá comentando, eu tô visualizando duas situações, né? Aquela criança que, por exemplo, está na escola e tem dificuldade de se colocar, tem dificuldade de falar pra professora que ela tá com alguma dúvida, então ela está acanhada. Isso eu tenho acompanhado. De repente a família chega e fala assim: "Olha, está com problema. Eh, eh, ela tem eh um comportamento difícil, ela não se relaciona com ninguém e você vai investigando e você percebe que aquela criança ela vive num meio onde a família grita por qualquer coisa. Isso. Grita por qualquer coisa, gente, né? Então, aquilo vira um padrão. Uhum. Né? vira um padrão que a criança fica numa condição de não querer se colocar para não provocar uma situação difícil, porque o grito ele amedronta, ele traz pra pessoa que tá ouvindo o grito uma sensação de desconforto muito grande. Uhum. Hum. Pra criança, aquilo é um medo de que o que eu estou fazendo. Então, são situações que você pode trazer para uma criança que tem dificuldade de se colocar, um adulto que não vai saber se defender em determinadas situações com medo do que possa acontecer, o medo constante, né? Então você tá sempre numa situação, mas o oposto, olha que engraçado, o oposto também acontece. Tem algumas situações onde as crianças elas já convivem tanto com o grito que a família fala: "Ele não me obedece, nada dá certo, não sei mais o que eu faço". E a criança diz assim: "Eu tô tão acostumada com o grito que se ela não vier falar direto para mim, eu nem vou prestar atenção. Já pensou que coisa horrível?" Nossa gente. Então o gritar ele causa sim, ele causa um prejuízo para quem está gritando e para quem está ouvindo o grito. Ele abala as estruturas, ele abala a emoção. E como cada um vai reagir com essa emoção, com essa introspecção em relação à aquilo que está fazendo, vai direcionar até o adulto que nós vamos ser. Olha que interessante. Exatamente, né? É o que você trouxe mais ou menos assim. O grito ele gera um estado de alerta, né? A pessoa que recebe o grito, ela, me corrija se eu tiver errada, ela não vai aprender nada com o grito, porque ela vai, o cérebro dela tá no luto ou fuga, ela só tá tentando se defender, de repente ela fica calada. A pessoa que eh de repente você quer ensinar, quer pedir que uma criança, vamos colocar aqui, ela se comporte de determinada maneira, a partir do grito, você consegue uma positividade do comportamento dessa criança, ela vai aprender a partir do grito? Não, jamais. pelo contrário, ela vai se reprimir e vai aprender que tudo que ela fizer vai se transformar num transtorno para ela, numa agressão. Então, ela tende a depois se tornar um adulto que não vai poder e que não tem autoestima, que não tem confiança, que não vai acreditar em si mesmo para falar, porque ela aprendeu que se colocar ou pensar nas próprias ideias ia causar um transtorno para si mesmo. Então, uma criança que não aprendeu a se escutar e aprendeu muitas vezes a gritar porque era a única forma de comunicação dentro de casa, sendo uma das piores, né? Eu diria assim, mas se ela não gritasse, ela não ia nem ser percebida como existente. Olha só. Então ela acaba desenvolvendo esse processo. Pode completar, amiga. E e o interessante a gente pensar, né? Eh, como eu trabalho muito com mães, com famílias, Sim. A gente precisa entender, tem uma pesquisa recente que fala que existe uma faixa de 82 a 85% de mães vivenciando o burnout. Sim, verdade, né? Então o que isso significa? Estress constante, esgotamento físico e mental, falta de paciência, muitas demandas. Hum. Isso [limpando a garganta] facilita com que o meu rompante, o meu desregular Uhum. aconteça. E aí a situação ela ela acaba indo pros nossos filhos, pros pras pessoas que a gente convive de uma forma que a gente não sabe o que fazer, como lidar mais, porque tá tudo desestruturado. E aí algumas pessoas às vezes nem se percebem que tão no limite isso, né? Então, outro dia uma pessoa me perguntou: "Mas como é que eu vou saber se eu tô cansada?" Uhum. Aí eu eu perguntei para ela, ó, se o seu filho derrubar um copo de suco na mesa, qual vai ser a sua atitude? Não, Miram, não dá. Ela precisa entender que ela precisa tomar cuidado. E aí foi me relatando muito bem. E se uma pessoa tivesse na sua casa, uma amiga sua, tivesse derrubado, o que você ia fazer? Aí eu ia dizer que eu ia limpar e tá tudo bem. Hum. Você percebe como com o outro eu consigo ter tolerância. Com as pessoas que estão próximas eu cobro muito mais e o meu limar de tolerância também é muito menor. Por que que eu cobro tanto do quem tá próximo de mim, da minha família? Então, porque é o mesmo que eu faço comigo no dia a dia. Então, quando eu eu me cobro muito, sou uma pessoa muito exigente, provavelmente porque eu já vim de um ambiente que exigia muito de mim, eu acabo como entendendo a família como uma extensão, eu projeto neles também. Então eu chego em casa e começo a cobrar deles tudo aquilo que eu me cobrei. Poxa vida, eu derrumei um pouquinho de água. Ai, o que que eu fiz? Aí vai a criança, que que você fez? Em casa fazer a mesma coisa. Ou seja, eu tô refletindo neles que eu faço comigo o dia inteiro. Esse negócio de gritar, vamos lá. Comunicação não violenta. O grito é uma comunicação violenta, Daniel. Super violenta, violentíssima, porque embora não tenha uma agressão física, é como a colega falou, vai direto aqui, você trouxe também na mídala e já descarrega uma uma energia muito forte de medo. E aí, se você não tem um desenvolvimento aqui, né, dox préfrontal para segurar isso, que se você não tem família estruturada, você não vai ter isso, depois você vai ter um problema mais a longo prazo, por exemplo, atendendo casais. Que que acontece? Os casais vão lá, a primeira coisa que você detecta em 99% dos casos não sabe se comunicar. Exato. E aí eles começam a a os dois lados gritam, um dos lados gritam porque nasceu nesse mundo, eles não se conversam no que precisa. Por quê? Porque daí vieram de uma família estruturada. E a primeira coisa que a gente tem que ensinar eles a se comunicar, a escutar, entender o que tá acontecendo para poder devolver aquilo que aquele adulto tá vivendo na relação que não aprendeu quando criança e vai se refletindo, vai se perpetuando, depois vai pra família. Olha isso, né? Como é que a gente aprende a não ter uma comunicação violenta dentro das nossas casas? Como que a gente aprende a parar de gritar se de repente a gente vem de uma estrutura familiar que teve o grito como uma comunicação? Como é que a gente faz para aprender isso? Eh, o que que precisa, Miriam? Como é que a gente tem que trabalhar com a gente mesmo, né, para aprender a não gritar? Eu vou explodir e aí segura a onda, conta até 10. Tá, isso é fácil. Hum. Desafiador, não é? É desafiador. A gente, o objetivo é quebrar o ciclo. Uhum. Né? Aquilo que você vivenciou, aquilo que você experimenta no dia a dia e como [limpando a garganta] ser diferente. Então, existem algumas formas da gente tentar fazer isso, né? Primeiro, a gente começar a identificar eh [limpando a garganta] sintomas. Tô cansada demais. Não tô dando conta. Preciso de alguém para me auxiliar em algumas situações. Tô me me estressando com poucas eh coisas que acontecem no dia a dia. Então, são situações que você precisa perceber para que você consiga ter o mínimo de controle possível. Então a gente quando a gente começa, ó, tô cansada, vou respirar um pouco, vou sair do foco, porque a gente acha que não, né? A gente quer resolver a coisa e a gente precisa entender que em alguns momentos eu preciso parar, ó, tô por aqui, então eu preciso dar uma trégua para voltar a conversar, para voltar a agir. E a gente tem que tomar conta com uma situação que a gente ainda não falou aqui. O mundo hoje nos cobra demais, muito. A gente tem que ser mãe perfeita, esposa perfeita, melhor no trabalho, melhor nas relações. Tenho que dar conta da casa, tenho que fazer com que tudo seja legal, que tá tudo bonito. E isso é cobrado no dia a dia, isso é cobrado nas redes sociais. A gente vive nas redes sociais, né? Então isso é cobrado o tempo inteiro. Isso vai encindo em você que você precisa ser perfeita, você não pode falhar. Então você vive sob pressão. Então identificar gatilhos é um ponto importante. Olha aí, autoconhecimento, né? identificou. Ó, isso aqui tá me deixando mal, então vamos vamos tentar entender. Ah, mas no vco, vouco do dia a dia você não consegue, [risadas] né? Então é aí que você precisa aprender a ter um tempo para você. Qualquer pessoa neste mundo precisa entender que precisa de um tempo para si, precisa reequilibrar as emoções, precisa ter um mínimo de sossego. Gente, eu não tô falando de meia hora, dois dias, não. Se você tiver 5 minutos para reequilibrar um pouquinho a sua energia, você já se restabelece um pouco. Muito bom. Pode completar, Daniel. Posso completar? Eh, uma coisa que que eu percebo bastante, né, é que as pessoas eh refletem muito o mundo que elas vivem, né, o mundo interno delas. E aí eh o que acontece dentro de casa é que ela vai receber isso, vai se cobrar, vai receber isso da rua e vai devolver isso para as pessoas. Uhum. E como é que você se reequilibra? Começando principalmente a se distinguir do outro. Embora a família seja a sua família, o seu lugar de segurança, o seu filho é uma outra pessoa. Uhum. a sua esposa, seu cônjuge, seu parente, seu pai e mãe, que mora junto também são outras pessoas. Então, quando você chega em casa estressado ou vai eh devolver esse estresse para ele, você tem que entender que aquilo não é dele, não foi nem ele que trouxe. Você trouxe isso de outro lugar, da forma como você se relaciona com as outras coisas ao seu redor e que não são eles que precisam receber aquilo, é você que tem que tratar. Então, quando você não sabe lidar com aquilo que você recebe no dia a dia, você acaba transbordando em pessoas que você acredita que sejam como se fosse você. E não é, a gente tem que ter muito esse cuidado, distinguir você do outro, olha isso. E trabalhar isso em você. Por isso, muitas vezes, a terapia ajuda, porque o autoconhecimento é que vai ajudar a pessoa a entender o que acontece dela, entender como é esse mundo que ela vive, como ela percebe as coisas ao redor para que ela consiga eh lidar com esses momentos de muito estress, de cobrança, de exigência, de ter o seu próprio tempo, como a colega falou, sem que você afete o outro. Quando a pessoa se conhece melhor, ela dilui melhor o que ela está vivendo e não tem que transbordar isso para ninguém, né? Ela mesmo regula a altura do copo dela cheio, ela vai esvaziando aquele copinho e mesmo que suba, né, se você tá sempre no 100% de estresse, qualquer gotinha mais transborda. Se você consegue manter a sua gotinha mais, o seu copo mais para baixo, com atividade física, com um trabalho que seja adequado, amigos e toda aquela diversidade que nós podemos ter na vida, né? A gente quando acontece uma situação, você sobrecarrega, mas não transborda. Não leva para fora, para o outro aquilo que na verdade é seu. Muito bom. Agora quando eu transbordei, quando o grito já ecoou dentro de casa, o pedido de desculpas, hum, o que ele representa? Ele é realmente quando é aceito, mas é aceito de verdade? Desculpa hoje, desculpa amanhã, desculpa depois, Daniel. esse pedido de desculpas que vem carregado de culpa, né? Então, como é que fica as duas pessoas? Quem gritou e quem recebeu grito. Legal você colocar o desculpa e a culpa. Desculpa, tirar a culpa. Uma tentativa de fazer isso. Ou seja, já tem o reconhecimento de que fez algo que a pessoa se culpe, mesmo ela ainda estando naquela parte do alceb, que é o não conhecido. Aham. Hum. O problema é que não sendo conhecido e ela às vezes só falam desculpa para amenizar a situação. Ela não trabalhou a causa, né, que gerou toda aquela explosão. Uhum. Então a desculpa pode ser uma coisa rasa, assim como essa pontinha do iceberg. Agora, se a desculpa vem de uma reflexão e que depois vai vir de uma mudança significativa no comportamento, de um compartilhar, olha, eu tô me pedindo desculpa porque eu reconheço que eu passei por isso no dia, que eu eh quase sofri um acidente, aí tô muito estressado, aí agora tô descontando em vocês, mas eu entendo que isso é meu e não seu, filho, filho, parente. Uhum. E aí sim pode ser que haja uma mudança. Se não vier eh acompanhado de uma efetiva mudança, foi só uma desculpa superficial. É só para acalmar os ânimos. É. E tanto pedido de desculpa acaba gerando descrédito, né, Miri? Com certeza. Porque você faz, pede desculpa, faz, pede desculpa. Você não acredita mais. Toda a relação que é é voltada pro grito, pro descontrole, pede a credibilidade. Uhum. E você eh rompe um pouco dessa relação. Essa relação ela fica discrente, ela fica abalada, né? E ela não precisa ser só uma relação entre casais, por exemplo. Sim, né? Isso também acontece na relação com os filhos. Os filhos não sabem mais como fazer a questão da do desculpa, gente, gritar é é muito passível de acontecer. Uhum. Né? Mas o que o Daniel falou, é verdade. A gente precisa ter noção e fazer essa reparação com o intuito de ser melhor, mas ainda é importante em alguns momentos você pedir desculpas. Uhum. Não é? Agora, se toda hora esse problema acontece, você pode ter certeza que aí os casais vão procurar o Daniel, né? Porque aí essa as relações realmente tão tão muito fragilizadas. O problema maior talvez aí sejam com os filhos, não tem como trocar. Para onde eles vão? Eles vão ter que conviver com isso. Então, ensinar a reparar, a pedir desculpas, a justificar, aprender falar, você falou em comunicação não violenta. Existem formas de você tentar falar de uma maneira mais assertiva e isso faz com que você ensine aos seus filhos também a não entrarem nesse nesse panorama, né, de gritar, de querer as coisas na marra, de ficar num num mundo muito mais agressivo. Então, reparar, pedir desculpa pode ser essencial para que essa relação se reconecte, entende? Muito bem. Agora a criança, né, me [limpando a garganta] você falando aqui, Miram, veio para mim assim, imaginei, nossa, mas eh essa criança, ela quer ganhar tudo no grito. Por quê? Por que que ela quer ganhar tudo no grito? Porque é assim que ela aprendeu. Olha aí, gente, ela só tá reproduzindo. A criança é o espelho da relação que ela vem em casa, seja com pais, com os avós. Tem crianças às vezes que criada com avó, com babá, ela vai refletir aquilo que ela está aprendendo. Ela ainda não tem toda aquela subjetividade formada para poder dizer: "Eu sou essa pessoa e eu assim me coloco". Ela só tá devolvendo. E aí eu vou puxar o gancho da Mira sobre o reparar. Sim. Como é que você repara com uma criança que já aprendeu isso? Então, porque reparar, vamos dar o exemplo de um carro, você vai no carro, pega o seu carro, dê um defeito lá no motor, você leva pro mecânico fazer um reparo, ou seja, ele vai tirar aquilo que está causando o problema para aquilo causar mais. Ou então, se ele não fizer isso, você vai continuar tendo problema. Se os pais não mudam efetivamente, a criança também não vai mudar, porque ela não vai ter esse reflexo. Ou seja, o que tá com defeito não foi tirado, não foi substituído por algo novo, por algo que funcione melhor.Um, né? e os pais elhes não se curam das próprias dores, eles continuam refletindo para os filhos e continuam eh criando neles eh essa dificuldade de se de se dialogar. Uhum. De fazer o diálogo, de de entender o que tá acontecendo para poder devolver. Exatamente. A questão da socialização, né? né? Eu acredito que para as crianças que são criadas dentro de um ambiente onde o grito ecoa, a socialização dessas crianças acaba sendo prejudicada. E aí quando a gente fala em crianças, vamos lá para algo eh um pouquinho mais profundo, crianças neurodivergentes, né, que é algo assim que a gente precisa se atentar muito em relação ao grito com essas crianças. Por quê? Porque se o grito ele dispara em mim uma aquela coisa do meu cérebro de luta e fuga, você imagina uma criança neurodivergente que o cérebro dela trabalha numa velocidade da luz. Como ela recebe esse grito? Qual que é a atenção que a gente precisa colocar relacionado a essas crianças, Miriam? Pois é, é um aprendizado mesmo para essas famílias, né? Uhum. Porque já é difícil educar não é uma questão fácil. Exato, né? A gente tá aí com milhões de coisas acontecendo, as crianças demandam muito e se ela é neurodivergente um pouco mais. Exato, né? Então se você não tiver o autocontrole, se você não tiver a condição de se regular, vai ser muito mais difícil. Essas crianças, elas são extremamente sensitivas, isso, né? Então é a questão do toque, o jeito que você fala, como você posiciona as situações, então elas explodem com mais facilidade, elas têm menos tolerância paraas situações do dia a dia. Então o autocontrole da família é extremamente importante. Então é você tá sempre ciente de se autorregular, se autoconhecer e trabalhar. Por isso estamos aqui para trabalhar com famílias que estão com essas necessidades, né, Daniel? Porque ninguém muda assim, ah, eu quero mudar e vou mudar. Existe uma estruturação, isso está formado neurologicamente registrado. Então você precisa desses auxílios para você poder lidar com essas crianças que vão necessitar de mais cuidados do que as crianças não neurodivergentes, entende? Então eu acho que é por aí. A gente precisa ter essa consciência de que não é fácil e que nós precisamos nos reestruturar. Sim, [limpando a garganta] eu acho que essa questão da ser neurodivergente é super importante, que são realmente crianças muito sensitivas. Então, se por uma criança não neurodivergente, os gritos já são algo que exacerbam muito, imagina para uma criança que o mundo já é um pouco agressivo. Exato. Né? Crianças que tem a questão do do som que perturba muito ou do barulho explosivo, aquilo já causa uma reação pra gente. Imagina para elas. As crianças elas já sabem assim, já é constatado que a criança não aprende só com o que a gente fala, ela aprende muito mais com o exemplo, com a vivência no dia a dia. E aí, se ela não tem um exemplo dentro de casa, é dos pais que ajudam ela a sentir isso, mesmo que seja perturbador, mas respirar, se acalmar para depois responder, eles também agem com impulsividade diante de uma criança já neurodivergente. A criança se torna muito mais impulsiva ainda. O ambiente faz toda a diferença para qualquer criança. e para nós adultos também, né, contra quem a gente convive. E a criança que não teve esse esse não tá tendo esse amparo dos pais conseguirem, apesar de todas essas mudanças, se acalmarem, para dar para ela um ambiente em que ela possa se perceber, se conhecer, se sentir para que ela aprenda a se autorregular um termo que se usa bastante, eh, regular a si mesmo, que a gente regula através do córtex préfrontal, que nessas crianças é menos desenvolvido e aí o trabalho é muito maior para poder desenvolver. Se a gente não dá essa condição, como é que a criança vai desenvolver? Por isso hoje tem tanta clínica trabalhando com essas crianças, por estão despreparados para fazer o trabalho básico de pais que dá um amparo. Tão ocupados com o cotidiano, com a estressa do dia a dia, com as explosões que eles acabam entrega lá e sai correndo muitas vezes. Não, dentro de casa o trabalho é tão importante quanto até maior, porque a criança passa maior tempo onde seria o lugar de conforto dela que não tem todo esse conforto e ela precisa, os pais precisam dar esse conforto para ela se perceber e se desenvolver. Olha, gente, olha só, né? Um uma palavrinha, grito, né? Nós estamos trabalhando com o grito hoje aqui no estúdio Câmara e você viu eh quantas eh a gente foi permeando por tantas situações, né? falamos aqui eh de relacionamentos, né, entre duas pessoas, casais, enfim, com eh o grito as crianças, a criação e fomos até a questão da criança neurodivergente. A gente percebeu que nada se desenvolve dentro de um ambiente onde o grito ecoa. E a gente tem que aprender a desconstruir essa comunicação violenta, né? Você sabia que o grito é uma comunicação violenta? Então, se você grita, de repente é um momento para você parar, fazer uma autoanálise e tentar lembrar, por que será que eu tô gritando? Por que que eu grito? E também não se culpe, porque como os nossos profissionais disseram, é algo que vem do inconsciente, né? Você não grita porque você quer, você não programou chegar em casa e explodir. Mas aí também se aconteceu é um sinal de alerta que você precisa de uma autorregulação e de repente procurar um profissional de saúde mental, ó, seria uma opção nota 10 que vai poder te orientar, tá bom? Agora 8:47. Produção tá me avisando que nós temos perguntas, então vamos a elas. Vamos lá. Vamos ver quem tá com a gente, quem quer falar conosco e o que quer dizer sobre grito. Daniel Souza do Nova Europa. Trabalhar em home office, nossa, faz o cansaço do emprego se misturar com os problemas domésticos no mesmo espaço. Como separar o estress berrar com quem bate na porta? Nossa, Daniel, vamos lá, Daniel. De Daniel para Daniel. De Daniel para Daniel. Vamos tentar responder. Você já pensou? Verdade, eu não tinha parado para pensar nesse home office aí. uma uma coisa muito boa que trouxe muito benefício, mas ao mesmo tempo também é um transtorno se a gente não sabe lidar com isso, né? Exato. Eh, uma das dicas que a gente dá é coloca aquela plaquinha, não perturbe. E se mesmo assim a criança, porque é uma criança, aí a gente entra naquela outra situação. Vamos distinguir nós dessa criança. A criança ainda não sabe o que é um trabalho, a importância, a rigorosidade disso. Então vai ter que acolher. Filho, filha, não pode, não é o momento agora. Uhum. Daqui a pouco papai vai lá, vai te ajudar ou vai conversar com você ou pedir ajuda se tiver mais alguém em casa, mas eh isso vai acontecer fatalmente. Então o o que pode ajudar mais é você conseguir realmente respirar e entender que aquela criança ou aquela pessoa não sabe que aquilo que você tá vivendo já é algo que não pode ser de forma alguma ou não poderia ser interrompido. Mas ao mesmo tempo, hoje as empresas já sabem que quem tá home office está sujeito a uma criança que é um serzinho, que às vezes aparece atrás de uma câmera. Eu já vi [risadas] reunião de diretores já. Ou a criança apareceu ou ele fala: "Ô, pera aí só um pouquinho". Por aquele diretor tava tão tranquilo que estava aceitando que estava no home office que ele pausou a câmera, foi lá, tirou a criança numa boa ou às vezes nem pausa, pede pro filho sair e volta. Isso tem que ser naturalizado, porque eles estarem em home office significa que todo mundo sabe que tem outras pessoas em casa. Exatamente, né? Não dá para sair gritando com todo mundo, né? Porque você tá num ambiente, no conforto da sua casa e a sua casa tem outros seres, né, Miriam? E aí a gente precisa fazer a tal da autorregulação que a gente tanto fala aqui no programa. Po ex e acordos, né, se for possível. Exato. Uhum. Eh, tudo bem que a criança pequena eh vai com certeza atrapalhar em alguns momentos, mas os acordos também podem ser estabelecidos, né? Olha, estou entrando em reunião, dá para segurar a criança, alguém pode não perturbar nesse momento. Não significa que 100% das vezes vai dar certo, mas os acordos para quem trabalha home office são importantes também. Exato. É verdade, né? A gente realmente as pessoas que trabalham já sabem, né? Existe essa condição de que olha, pode ser que a criança passa, a gente tenha que interromper, mas em determinadas situações você pode pedir para quem está na casa te dar uma retaguarda em algumas situações. Acho que isso é viável. Tem uma questão que quando a gente tá num trabalho, dependendo de de como é esse trabalho, tem outras mesas com outros colegas ali e às vezes você é interrompido por al que passa. Ou seja, isso também existe no ambiente do trabalho. A não ser que você tenha uma sala de reunião fechada ou você tem uma sala particular, que isso é muito raro ter. Só muda quem é o tipo de pessoa. É uma pessoinha que tá ali junto com você participando, que faz parte desse contexto. Então ele coexiste junto com o ambiente de trabalho nesse caso. Examente. É isso, né? O negócio é confortar, amparar tudo sem gritar, gente, sem gritar, por favor. 8:51. Eu vi que a produção colocou mais uma pergunta na tela. Pode voltar lá, por gentileza, turma. A Mariana Costa do Jardim Eulina. O vício em ficar olhando o celular o tempo todo deixa as pessoas mais impacientes e distraídas com quem tá do lado. Aham. A tecnologia eh está aumentando os ataques de raiva. Ah, [risadas] vai lá, Miram. A tecnologia está aumentando os ataques de raiva de certa forma, né? Porque você é inundado com informações o tempo todo. Então você tá lá contido no celular e quando você tá lá você realmente não observa quem tá ao seu redor. O cérebro fica 1000, né? Fica. Você fica lá o tempo todo voltado aquelas informações rolando o feed e aí qualquer coisa que aconteça te tira daquela situação que é muito prazerosa. Ah, por isso a raiva é você está lá, aquilo que você está olhando é prazeroso, está te dando dopamina. Tá explicado então alguns eh comportamentos mediante ao rolar fí celular, porque tem gente que tá lá cortando você, mas continua no raciocínio. Tem gente que tá lá no celular da fala: "Fulano, pera aí, eu falou: "Pera espera aí, por favor, né? Eu tô vendo aqui, gente." Daí você falou assim: "Mas o que que aconteceu, né? Aquilo tá tá tão interessante, tá tá tá chamando tanto atenção que eu não quero interromper aquina, maravilhosa e barata, né? [risadas] Então eu não quero interromper aquilo. Isso pro adulto que tá chamando atenção já é complicado. Você imagina pros menores que querem atenção e não conseguem, aliás, nem a gente consegue entender, né? Porque que você não presta atenção no que a gente tá falando e isso vai te deixar com raiva, vai te deixar tá te interrompendo naquilo que tá gostoso, naquilo que tá interessante. Se você tá interrompendo uma situação que lhe é prazerosa, se você não tiver um mínimo de controle, você vai gritar, vai estressar. Ol, até para nós adultos, né? A gente tá fazendo algo que dá muito prazer e aí do nada interrompido na hora dá um malestar, né? É verdade. E a, como a colega colocou ali na pergunta dela, né? Eh, vício, vício parte do pressuposto, como a outra colega puxou aqui, dopamina. O vício libera dopamina. A pessoa que tá num estado de vício, seja qual for, ela fica tão fissorada por aquilo que qualquer coisa que interrompa parece ser um mal-estar e aí realmente causa uma raiva maior, porque ela não quer perder aquilo. E outra, é um vício e uma dopamina sem esforço nenhum. Uhum. Verdade. Isso tá sendo um grande problema nas crianças. Elas estão ficando intolerantes. É verdade. Impacientes. Intolerante. Totalmente. Ela nasce com celular. Tudo fácil. Alexa faz isso, telefone, YouTube, tudo muito. Antigamente a gente sentava na TV e esperava o horário do nosso programa, da novela, seja lá o que for, sção da tarde. Aí hoje em dia ela escolhe o que quer, então é tudo muito na hora dela, rápido e fácil. Aí qualquer coisa que interrompa, ela entende que o mundo tá errado contra ela. Então a tecnologia tem diversas vantagens. adora tecnologia, mas para desenvolvimento infantil, essa ideia de tirar o escol o celular das escolas, eu acho perfeito, porque justamente a amida, o córtex da criança não tá desenvolvido ainda préfrontal, que é onde regula isso. Então, se a gente não deixa, não dá espaço para isso ser desenvolvido, ela vai ser crescer uma criança sem limites, sem saber lidar com a própria frustração e com uma tendência maior a desenvolver outros tipos de visto, que é muito pior e é um outro assunto. Só gente. Ah, eu acho tão lindo quando vocês falam, né? Amídala córtex pré-frontal. É algo assim que a gente vai aprendendo todo dia. E o o cérebro humano, gente, é uma coisa magnífica. Vocês trazem pra gente tanto conhecimento que assim vai dando vontade de aprender mais e mais e mais quando vocês falam e nos norteiam, nos orientam. É maravilhoso demais. E aqui nós estamos falando sobre essa essa questão do grito, né? Você já gritou hoje em casa que eu tô sabendo, né? Hum, [risadas] hum. Verdade. Vamos fazer uma autorregulação aí, né? Quem nunca? Quem nunca? É verdade. E assim, sem julgamento, porque é algo que acontece. Mas o interessante é saber que a gente pode mudar toda essa situação, né? E mudar também, de repente o desenvolver de uma criança que convive com você. Você tá gritando aí, a criança ela vai crescer com essa noção de que gritar é a comunicação que nós temos. E não é assim. Isso pode lá na frente trazer problemas. Então, que legal parar, pensar, autorregular, ã, tentar não gritar, reconhecer o momento em que você tá explodindo, respirar, sair, caminhar, dar um tempo, tomar um café, ó, respira, volta, né, e segue a vida sem grito, por favor. Vamos lá. 8:56. Mais uma pergunta, produção, pode colocar na tela. Vamos lá. Fábio Santos do Chapadão. Há pessoas que cresceram, é isso, ouvindo berros e hoje acham que falar alto é apenas um jeito normal de ser família. Falar alto. Ai ai ai ai ai. Como perceber que esse estilo de comunicação está afastando os amigos? Tem a diferença entre falar alto e berrar? Porque eu falo alto. [risadas] Aí já acendeu uma letra em mim aqui. Ai ai ai. Hein Fábio. Vamos lá os dois. Vai vai Daniel. Depois a Mira. Vamos ver. Olha, falar alto e berrar são diferentes, né? Falar alto às vezes é da família, falam muito dos italianos. E berrar é quando você realmente coloca um impulso muito forte com raiva, com sentimento de uma agressão. Às vezes fala alto num churrasco, numa festa é natural. E outros, existem casos também que as pessoas falam altos porque ela ninguém na família se ouve e aí já vem de uma outra estrutura. Não necessaramente também está gritando com raiva. Não é uma comunicação violenta, mas é uma questão muitas vezes de estrutura. É um padrão. É um padrão. Todo mundo fala alto, você acha que é o normal falar alto? Uhum. Né? Mas tem a diferença de tons aí, né? Do falar alto conversando e do falar alto para ser ouvido, do falar alto para chamar atenção, do falar alto para expressar algo que não está legal. Aí a gente tem que ter um reconhecimento que é um pouquinho difícil. Talvez a gente pudesse colocar assim a nível de de hierarquia, né? o grito. Uhum. O falar alto, né? E e o falar tranquilamente, porque falar alto também assusta. Exato, né? Quando você fala alto com muita intensidade, você também traz pro outro uma sensação não confortável. É. Não é como o grito que envolto de muita raiva isso, né? Mas o falar alto, como você fala em determinadas situações, você também traz um uma relação instável. Então o grito com traz uma uma raiva, algo exacerbado. O falar alto, de repente a gente pode colocar como eh poder ali falar alto para impor alguma coisa, né? Podia sim, pode ser uma forma de poder ou até de raiva meio camuflada que [risadas] também pode pode acontecer. Mas aí puxando o gancho do da pergunta do Fábio, como é que a gente faz para perceber e mudar isso? Então, se a gente, por exemplo, o TDH tem uma tendência a falar super alto, já tá na estrutura genética dele, né? Agora, se você convive com amigos ou pessoas próximas e você percebe que às vezes as pessoas se afastam ou não, pessoas íntimas podem dar um feedback. É, né? Responder: "Vola, você acha que eu falo alto demais?" E que situações, né? Ou perceber falando perto de uma criança, qual é a reação dela? Sim, de um pet, porque o pet também levanta a orelhinha, né? P cachorrinho levanta a orelhinha. Então observar e até ter realmente ter o feedback pode ajudar bastante para poder entender. Às vezes não é em toda situação que a pessoa fala mais alto. Quando receber o feedback também entender, né? Porque se você já fala alto, se você já grita, aí você pergunta, a pessoa te dá um feedback, fala: "Não, você fala alto, você tá gritando o quê?" Exatamente. [risadas] Que faz a pessoa gritar aí eu estou gritando, né? Aí já comprovação. [risadas] Falou: "Tá vendo? Ai gente, olha só quanto ensinamento. Muito bom. Dá tempo para mais uma produção? Fala comigo aqui. Vai. Se der. Isso aí. Ricardo Souza do Cambuí. Muitas discussões começam por conta do eh cansaço físico provocado pela falta de sono na rotina moderna. Sim. Dormir mal deixa o cérebro mais desprotegido contra os impulsos de estresse. Vamos lá, Miriam. Sim. Deixa. Uhum. Né? É, é uma das situações de cansaço, sim, né? Se você não dorme, você não se recupera. Uhum. E aí você entra numa estafa. Quando você está estafado, quando está cansado, você aumenta seu nível de estresse. E com isso, a facilidade de você ter explosões mais constantes vai acontecer. Uhum. Às vezes a gente precisa pensar que a falta de sono não é só pode ser uma questão do seu dia a dia muito caótico, né? Mas pode ser também [limpando a garganta] pelo uso do celular, né, Dan? [risadas] Ah, sim. Porque você fica muito lá até você conseguir desligar o suficiente para você ter um sono reparador pode trazer complicações. O que precis pode falar, desculpa. O que esvazia aquele copo também muitas vezes é o sono. O sono, como a Maria transou, é reparador. Então a gente alivia o estress. Eh, se você tem que parar com o celular bem antes, né, disso para poder entrar num sono que seja realmente desescanso, para que você consiga ter depois mais energia e mais calma para lidar com o dia seguinte. Então não ter um sono equilibrado, um sono que seja, não é importante maior 8 horas, 9 horas, mas um sono que realmente você acorda e fala: [suspirando] "Comecei de novo, tô leve, tô vazio". Isso significa que você dormiu acumulado e no outro dia você vai acumular mais coisas e mais coisas e vai chegar uma hora que você vai explodir até consigo mesmo. Imagina com quem tá à volta. Exatamente. A gente precisa eh se atentar a esses detalhes que são detalhes e às vezes a gente nem percebe no dia a dia. A gente só vai perceber quando o grito já ecoou e você vê pessoas dentro da sua casa quietinhas, com medo. Fala: "Mas o que aconteceu, né? Ah, você gritou." Eu gritei, eu não gritei, [risadas] né? É mais ou menos assim. A gente tá rindo aqui, mas é algo, gente, que é importante a gente parar para analisar, para pensar e ver, né, como é que nós temos nos comportados, como é que tá a nossa comunicação, se ela realmente está violenta. E a gente pode fazer uma modulação, uma regulação e melhorar essa comunicação, porque comunicar é vida, gente. A gente precisa de diálogo, principalmente nesse mundo que a gente vive, todo tecnológico, todo corrido, estressante, né? De repente uma comunicação mais afetiva, um negócio mais gostoso, mais humanizado, faz toda a diferença no dia a dia, principalmente quando a gente fala na volta para casa, dentro de casa, no nosso porto seguro. Agora 9:2 minutinhos. A gente vai encerrando por aqui, agradecendo a sua audiência, a sua companhia, agradecendo imensamente os nossos convidados que nos nos orientaram tanto hoje referente a essa questão do grito que parece tão simples, mas é tão complexo. Daniel, muito obrigada. Gratidão mais uma vez, viu? Considerações finais, por favor. Agradeço o convite. Acho que é super importante essa psicoeducação, transmitir informações de qualidade para que as pessoas possam melhorar seus lares. E aí a gente vai diminuir o estress na rua, no trânsito, em casa, nas famílias e até a necessidade de tanta terapia. Ai, verdade, né? Mas a terapia é bom, viu, gente? Olha, ó. Que maravilha. Uma hora que nós passamos aqui, aprendemos tanto. Maria Buglia, muito obrigada. Miram, é Mir, perdão. Miram Bug, muito obrigada. [risadas] pela sua participação. Acho que é a primeira de muitas. Você nos orientou, nos ensinou tanto. Gratidão, viu, por tanta troca. Muito obrigada. Foi um prazer estar aqui trocando essas informações com vocês. Eu só quero deixar uma dica para quem tá assistindo. Não se culpem Uhum. por gritar. Nós gritamos em determinados momentos porque estamos no limite. Então o que a gente precisa tentar é reparar, ter conhecimento e gostar de nós mesmos e da nossa família. Aí a gente consegue se reestrutar reestruturar melhor e com isso não trazer um grito para dentro da gente mesmo. É isso que eu queria. Maravilhosos. Que dupla, que dupla, né? Mais uma vez aí entregando com louvor o nosso estúdio Câmara por conta do aceite de vocês. Muito obrigada mais uma vez, tá bom? E a gente agradece você de casa que participou, que interagiu conosco. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. E as reflexões de hoje nos mostram que nenhuma emoção, por mais legítima ou intensa que seja, justifica o maltrato [música] para quem nos dá suporte, gente. Tá bom? E olha, se você perderu alguma partezinha desse programa, você pode acessar o YouTube, tá lá. No canal do YouTube da TV Câmara Campinas [música] está o programa inteirinho e você pode assistir e repassar, né, para as pessoas que você ama. De repente é um canal que vai trazer mais entendimento [música] entre vocês, combinado? Amanhã nós temos estúdio Câmara de novo, a partir das 8 da manhã, maravilha ao vivo. Vamos falar sobre um comportamento silencioso. [música] Mais um, olha só, mais que afeta emocionalmente milhares de pessoas. Você aí de [música] casa, costuma colocar as vontades dos outros, as vontades, perdão, dos outros sempre acima das suas? Você tem dificuldade em dizer não, sente culpa de se priorizar ou vive tentando agradar todo mundo? Amanhã a gente fala sobre a autoanulação. Você já se anulou em determinado momento da sua [música] vida? Por quê? O que que aconteceu, né? [música] limites. Você perdeu a sua própria identidade. Muitas vezes é medo de rejeição, abandono, medo de conflito. A gente vai precisar entender como esse comportamento pode gerar um vazio emocional, uma [música] dependência afetiva, uma ansiedade ou até a perda de autoestima. Você acaba [música] se perdendo, você não sabe mais quem você é de tanto se anular por conta do outro. Então, amanhã a gente fala sobre autoanulação aqui no estúdio Câmara a partir das 8 da manhã ao vivo aqui na TV Câmara Campinas. Daqui a pouquinho a Ía chega aí com informações aqui de Campinas atualizadas, tá? Campinas, estado, Brasil e Mundo. Ao meio-dia, Gabriel Castro traz Câmara Notícia com informações de tudo que aconteceu ontem eh na reunião ordinária e mais informações para você também. E a programação da TV Câmara Campinas, sempre feita com [música] muita responsabilidade e também muito carinho, especialmente da nossa equipe do grupo Mais para você que tá em casa acompanhando a TV Câmara. Grande abraço. Autorregula, não grita, se cuida e não se culpa. E até amanhã, gente. Tchau, tchau. Valeu, [música] [música] [música] เฮ [música] [música] [música]