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[Música] Olá pessoal, mais um Saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre trombofilia. Essa condição silenciosa ainda é subdiagnosticada e impacta a vida de mulheres que sonham com a maternidade. Recentemente, a trombofilia ganhou espaço nos noticiários depois de algumas famosas confirmarem o diagnóstico. Quem vai explicar tudo sobre esse assunto é a médica hematologista Ana Clara Nice, coordenadora do Comitê de Hemostasia e Trombose da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Dra. Ana, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde Agora. Obrigada pelo convite. É um prazer tá aqui para falar sobre esse tema. Eh, doutora, vamos começar explicando então, né, pro pessoal que tá em casa de uma forma bem geral, o que que é a trombofilia. A trombofilia, ela ela é uma tendência paraa trombose. Ela é uma situação que predispõe a trombose. Ela pode ser adquirida ou ela até pode ser hereditária. Existem diversas situações clínicas ou até fisiológicas que eh são conhecidas como situações de maior predisposição à trombose, mas existem também doenças ou situações e características genéticas que podem deixar a pessoa mais propensa a ter trombose. E essas trombose, só pra gente esclarecer, eh são, seria essa facilidade paraa formação de coágulos. É isso, é isso. É a trombofilia, né? Que é que é a a trombofilia é a tendência, a facilidade, a maior capacidade de de trombose. A trombose mesmo, ela é um entupimento da veia. Pode até acontecer na artéria, mas em geral, quando a gente fala de trombose, a gente tá falando sobre trombose nas veias. As veias mais comuns em que isso acontece são as veias da perna e no pulmão. E no pulmão pode ser por embolia, né? Então o o trombo da perna que migra pro pulmão, ele se solta, desprende, vai parar e entupir a veia do do pulmão ou até acontecer diretamente no pulmão. A trombose ela pode acontecer em qualquer veia do corpo, mas essas são as regiões mais comuns de acometimento. Eh, doutora, a trombofilia ela pode impactar, né, ela pode ocorrer tanto em homens quanto quanto em mulheres, né? Não é só uma questão aí das mulheres, né? Não. Na mulher eu acho que é mais nós ligamos mais a mulher acho que por conta do uso dos hormônios, que é sempre um facilitador também, né? ele provoca uma tendência, eh, uma maior facilidade paraa formação do trombo. A trombose, ela pode acontecer em qualquer fase da vida, desde criancinhas, recém-nascidas, mas é bastante errado na infância, aumenta bastante com a idade. Então, a partir dos 50, 60 anos, naturalmente o envelhecimento promove essa essa tendência também à formação de tromboses. E ela, apesar de ter uma distribuição mais ou menos igual entre os sexos, ela é mais comum em jovens, em mulheres, muitas vezes por por essa relação com o hormônio e situações ligados provocadoras de trombose, como a gestação, eh, e depois mais tarde é mais comum em homens, mas pode acontecer para todo mundo. É, no caso, você comentou, né, que a trombofilia ela pode ter uma causa hereditária ou adquirida. O que seria essa causa adquirida? Só pra gente explicar também aqui para quem tá acompanhando o quadro. Bom, causas adquiridas. Existem as causas eh que a gente diz eh hã que são mais comuns, né, da vida, digamos. Então, obesidade, a falta de exercício, tabagismo, a presença de varizes na perna, uma situação a que você esteja exposto de mobilização. Então, cirurgias, no momento em que você fica anestesiado, a cirurgia tem várias questões, mas uma delas é o imobilismo do paciente, viagens muito longas. Então, esses são todos fatores predisponentes que podem estar relacionados ao estilo de vida do indivíduo, eh, ou a situações que possam acontecer. Existem medicamentos que podem promover e provocar também de forma adquirida, né, a pessoa passa a ter essa tendência e o uso de hormônios eh eh nos anticoncepcionais orais ou na reposição hormonal são talvez o principal exemplo eh disso. Outras situações do ponto de vista médico, seriam outras intervenções, como uso de catéter, eh eh ter neoplasia, estar em tratamento de alguma doença oncológica, mas principalmente eu preciso comentar de uma que é a síndrome do anticorpo antifosfolípide. Essa síndrome é uma síndrome adquirida. Quer dizer, a pessoa não tinha e passa a ter e não há uma tendência genética. Não é porque uma pessoa é portadora da síndrome do anticorpão de fosfolípide que isso deve ser pesquisado em alguém da família. Essa síndrome que a gente dá o apelido de saf, ela pode estar relacionada a outras doenças ou não. Ela pode aparecer de forma isolada, mas ela aumenta bastante a tendência de aparecimento de trombose. E um outro ponto importante é a de recorrência de trombose. Uma vez que a pessoa já teve, ela tá muito sujeita a que aconteça de novo. Eh, Dra. Ana, quais são os sintomas da trombofilia? Como que a pessoa consegue perceber que tá entrando aí nessa condição? A pessoa não percebe a trombofilia, a pessoa pode perceber a trombose. A trombofilia é um estado subjacente eh que deixa você pronto, né? É quase como ã você saber que você tá se colocando numa situação de risco para um evento ruim. Então, eh, talvez a máxima seja que só cai do cavalo quem sobe no cavalo, né? Então, é como se você tivesse se colocando numa situação. Então, a trombofilia eh ou você eh vão ter essas situações conhecidas, né, de estilo de vida, que eu já comentei, de situações adquiridas por algum tratamento ou uso de medicação, eh viagens, por exemplo, que é uma situação comum, ã, eh, ou a pessoa, eh, deve entender quando ela tem doença que ela precisa fazer isso. Então não tem como você saber que você tá entrando nessa situação. Tem como você imaginar que talvez você esteja tendo uma trombose. Os sinais sugestivos de trombose são, em geral, dor num único membro, então só numa das pernas, ou direita ou esquerda, inchaço nessa perna, eh aparecimento de uma coloração azulada, sensação de cansaço nessa perna e paraa embolia de pulmão é dor no tórax também em geral de um lado só. mas bilateral, dificuldade para respiração e falta de ar. Então, quando isso acontece, o indivíduo deve procurar atendimento médico para confirmar ou não o diagnóstico, correto? E, doutora, a gente lê muito, né, sobre a trombofilia relacionada aí à gestação. Esse quadro pode trazer prejuízos, complicações durante a gravidez pra mulher? Ah, pode, isso precisa ser acompanhado, né, ao longo da gestação. Quando ã a gestação ela é uma situação em que o corpo se prepara para um grande sangramento. Então, a mulher ela ela vai tendo um desvio da coagulação no sentido da trombose. Então, a gestação ela é naturalmente um estado próombótico ou de tendência trombose. Existem alguns eh dados que a gente pode acompanhar ou que o médico pode avaliar na sua paciente para imaginar se ela é de maior ou menor risco paraa trombose. E esses dados seriam, primeiro e mais importante deles, que a paciente já tenha tido algum evento trombótico qualquer. Se ela já teve, ela vai merecer um tratamento preventivo durante e após a gravidez. É importante lembrar que o tratamento ele deve ser estendido por até seis semanas depois do parto, que é um período também de grande risco de trombose nas partentes. Eh, o outro dado é trombose na família. Então, se alguém da família, especialmente um parente próximo de primeiro grau, teve trombose, é preciso ficar atento e avaliar se a gestante também é portadora ou apresenta alguma situação de risco. E outras situações somadas de risco para trombose. Então, são várias, eu já comentei alguma delas, mas o médico consegue avaliar se essa paciente tem eh eh tem ou deve fazer uma prevenção paraa trombose ao longo da gestação ou do porerpéreo. Eh, doutora, você comentou que a trombofilia ela quase não apresenta, né, os sintomas e aí ela é, como eu disse no começo, silenciosa, uma condição silenciosa. Então, como que a gente pode saber, né, diagnosticar essa condição para começar aí um tratamento ou até a mulher que que quer engravidar, deseja engravidar, como que a gente pode conduzir eh nesse sentido? Olha, esses processos todos eles seguem eh devem seguir naturalmente, né? Eh, a gente tá falando de uma pequena proporção de pacientes. Eh, a gente entende que a incidência de trombose tem aumentado mais recentemente e que isso tenha acometido também grupos mais jovens. Eh, isso posto é preciso também não haver um um alarme exagerado para esse tipo de situação. Cabe ao médico avaliar se a paciente tem essa tendência ou não, ou se ela merece uma investigação maior ou não para as questões relacionadas à trombofilia, especialmente as questões hereditárias. o histórico, pessoal e familiar dá muita, muita informação. E apesar desses casos terem surgido, eh, não vale a pena, do ponto de vista populacional sair investigando absoluta, absolutamente todo mundo. Não vale a pena, porque é um número pequeno de pacientes que tem. E em geral a trombose, ela vai acontecer numa somação de fatores. Se você pode até ter alguma eh mutação que que facilite, mas você pode ter todas essas outras condições pessoais. Então vou repetir aqui, sedentarismo, obesidade, varizes, um processo inflamatório ou infeccioso num determinado momento, um motivo de imobilismo, eh, que se some essa tendência e acabe acabe provocando. Então, é importante que o médico esteja sempre atento e o paciente, eu acho que ele deve estar atento se ele teve eh um evento familiar, né? nessa situação, ele deve dizer isso ao médico e provocar essa análise. Para alguns casos, de fato, vai valer a investigação laboratorial específica. Um outro ponto que é importante é que existem alguns dados de exames gerais que podem também auxiliar o médico com hemograma, avaliação da coagulação, alguma disfunção hepático renal, mas isso deve fazer parte da análise médica da paciente, gestante ou não gestante, da paciente que vai precisar usar como prevenção de gestação ou por uma questão médica do uso de hormônios ou até para reposição hormonal. E essa tendência ela pode variar ao longo do tempo. Pode ser que o indivíduo no momento esteja com risco menor e e em outros momentos ela some esses fatores, esteja sob mais risco e até necessite de uma eh prevenção pontual. Certo? Eh, doutora, diante desse quadro, dessa situação, as pessoas devem procurar a orientação de qual especialista, qual médico é o mais indicado. Eu acho que em geral a pessoa deve comunicar o médico mais próximo dela, né? Então, se a paciente é gestante ou pretende eh engravidar, ela deve comunicar o ginecologista e obstetra para fazer uma análise inicial, eh, ou até o clínico geral, mas posteriormente é interessante ser encaminhado ao hematologista para para conclusão final ou para análise final de todos esses dados e da interpretação desses exames. Também é importante a gente frisar que ser portadora de alguma mutação que eh pode ser raro a menor parte da população que é portadora de alguma mutação que provoque trombofilia, é necessário interpretar esse resultado para entender se qual é a intensidade de risco ao qual essa paciente tá submetida e em que situações que vale a pena você fazer a prevenção medicamentosa ou mecânica do evento de trombose? É, até queria entrar nesse assunto, né, do tratamento. Uma vez diagnosticado aí, né, com a com a trombofilia, esses pacientes eles já iniciam algum tipo de tratamento ou ainda não? É só uma questão de prevenção mesmo, Ana? É só uma questão de prevenção. Quando o paciente nunca teve trombose, a gente chama isso de prevenção primária, quando a gente quer evitar o primeiro evento. Então, normalmente, a gente presta mais atenção nessa situação para aqueles pacientes que têm um histórico familiar ou de trombose ou de trombofilia. Pode ser que algum parente próximo tenha feito o diagnóstico de alguma trombofilia hereditária. Então, nessa situação, a gente deve tentar fazer o diagnóstico paraa paciente, se ela também é portadora, e considerar a situação a que ela tá submetida, se vale a pena fazer a prevenção. A prevenção, ela pode ser feita de forma mecânica, que em geral é o uso de meias elásticas ou medicamentosa. E aí existem algumas medicações que em geral são os anticoagulantes que podem ser usados. vai depender dessa decisão a dose e o período de uso do medicamento. E uma outra questão é o que nós chamamos de eh prevenção secundária. Uma vez que o indivíduo já teve a trombose, a gente precisa calcular qual é o risco dele ter um segundo episódio. Normalmente os homens têm um risco maior do que as mulheres de repetirem um episódio de trombose. E a gente precisa conhecer as situações de risco para isso. De novo, o que pode aumentar o risco momentâneo do indivíduo de tá submetido a cirurgia, uso de catéter, viagem prolongada, internação médica, né, para um tratamento clínico ou cirúrgico. Essas são situações que nós entendemos como óbvias, de maior risco de trombose. Nessas situações, quem já teve deve fazer a prevenção, que em geral também vai ser medicamentosa. Para alguns pacientes, o risco de retrombose de um novo episódio é autossuficiente pro paciente manter eh eh ter indicação de manter o tratamento anticoagulado de forma crônica. Isso deve ser avaliado pelo médico, porque você deve pesar o risco de ter um novo evento trombótico com o risco de ter eh sangramento com o tratamento. Isso precisa ser determinado no momento inicial, mas também ao longo da vida do indivíduo, porque esse risco pode mudar. Então, são essas as categorias de tratamento que a gente tem. Dout. Ana, eu gostaria de agradecer muito a sua participação, suas explicações aqui pro nosso público. Muito obrigada. E eu que agradeço mais uma vez a oportunidade da participação. Obrigada também pela sua companhia aí de casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo. Saúde agora. [Música]