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[Música] Olá pessoal, mais um saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas e hoje nós vamos falar sobre a síndrome nefrótica. O cantor Júnior Lima e a esposa Mônica Benini revelaram recentemente que sua filha mais nova foi diagnosticada com a síndrome nefrótica, uma condição rara que afeta os rins e pode comprometer a qualidade de vida da criança. E quem esclarece tudo sobre esse tema é a Rebeca Apel, que ela é nefrologista do Hospital Japonês Santa Cruz. Dra. Rebeca, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde agora. Seja bem-vinda. Olá, é um prazer estar aqui conversando com vocês. Doutora, vamos explicar um pouquinho, né, de uma forma bem geral, o que que é essa síndrome nefrótica, certo? A síndrome nefrótica são alguns achados clínicos que eles são caracterizados pela perda maciça de proteína pelo rim, uma grande quantidade de proteína que acaba sendo perdida na urina. Isso aí se dá por alguma alteração no funcionamento de de renal, que o rim ele é um filtro, né? E ele filtra o sangue e aí em algum momento ele acaba perdendo essa proteína e essa perda de proteína no rim pode levar várias consequências. E doutora, quais são as causas dessa condição que é uma condição rara? Bom, eh, a causa ela pode ser genética, a pessoa ela já é propensa a ter aquela aquele aquela doença, aquela malformação renal. Ou então ela pode ser uma causa induzida por alguma outra doença, por exemplo, eh, algum tipo de câncer que pode levar a uma alteração renal ou então, por exemplo, diabetes. O diabetes é uma doença muito comum que faz fazer perder proteína proteína no rim, vai fazer uma uma alterações semelhantes a uma síndrome nefrótica. Eh, então essas são as principais causas. ou uma doença que tá levando o rim a desenvolver essa síndrome, ou então algo que é nato do próprio rim, que a pessoa já nasceu propensa a ter essa doença. E doutora Raquel, quais são as os principais sintomas dessa síndrome, até como forma de alerta aqui pros pais, né, caso a síndrome atinja uma criança, o que que eles precisam ficar atentos, certo? O principal sintoma é o inchaço, é o edema, tá? Eh, é o é o sintoma que mais marca a síndrome, mais característico. Não é comum que o seu filho, a sua criança fique inchada. Se ela tá ficando inchada, tem alguma coisa que tá acontecendo e a gente tem que investigar. Tem outras doenças que podem causar inchaços, como problemas no fígado, problemas no coração, mas o problema renal, ele é uma causa importante de inchaço, tá? Uma outra coisa que pode acontecer, mas é um pouco mais difícil da gente conseguir perceber às vezes, é uma urina que fica mais espumosa. Eh, é quando você faz o xixi, você olha lá no vaso, sempre tem uma outra bolinha, isso é normal, tá? Uma bolhinha em cima ali na água, mas fica cheio de espuma em cima da da urina, isso não é normal, isso é um um demonstrativo que você tá perdendo proteína no rim, tá? E doutora, essa síndrome, ela pode estar também relacionada com algum hábito da pessoa, ou seja, ah, não tá tomando tanta água, tá se alimentando com muitos, né, com com alimentos e produtos que t muito sódio, tem essa relação? Não, não vai ter essa relação. Tirando os casos que você tem perda de proteína por conta de um diabetes que tá mal controlado, mesmo assim não tem uma doença associada, né? em geral, não tem relação com eh um hábito de vida, uma alimentação. É lógico que a alimentação, o hábito de vida, eles vão ajudar no tratamento, no controle do dos dos sintomas, no controle da doença, mas isso não vai desencadear a doença. E com qual idade geralmente as pessoas costumam apresentar essa síndrome? Tanto aqui eu falo tanto adultos, né, quanto crianças também. Aham. Bom, a síndrome nefrótica, ela é muito comum na infância, tá? Crianças aí desde de muito pequenininhos, não tem uma idade assim definida, ah, é 14 anos, não, crianças muito menores de 4, 6 anos, podem apresentar, certo? E também pode acontecer no adulto um pouco menos comum e pode acontecer também numas em idades mais avançadas, tá? Tudo vai depender eh da doença de base que tá levando a síndrome nefrótica, certo? Eh, a síndrome nefródica tem uma doença que é, a gente fala que a doença de lesões mínimas, é uma doença própria do ring, que ela é muito comum de acontecer na infância. Eh, e normalmente quando é uma síndrome nefrótica que abre na infância, a gente sabe que provavelmente é essa doença, certo? Então, a gente sabe que é acaba que a gente vê muito nas crianças por conta desse tipo, dessa doença que leva a síndrome nefrótica. E, doutora, como que a gente faz então o diagnóstico dessa síndrome? Certo? Bom, o diagnóstico ele é feito por exames, tanto exames de sangue quanto exames de urina na suspeita inicial, tá? Eh, com esses exames eu consigo determinar se a pessoa tem a síndrome. Eh, o que que é importante? Quais são os achados mais relevantes? É a perda de proteína no rim, tá? Então, vai ter que fazer aquele exame da urina de 24 horas. Dá para fazer também pelo daurina simples, mas normalmente a gente pede daurina de 24 horas, que é um exame um pouco mais fidedigno, certo? Eh, a gente vai ver o quanto de proteína que a pessoa perde na urina. Esse é o primeiro passo. A gente vai fazer também exames de sangue para procurar outras alterações que estão associadas. Por exemplo, alterações de colesterol podem vir associadas à síndrome nefrótica, proteína no sangue pode ficar baixa associada à síndrome nefrótica. Então, a gente vai acabar fazendo alguns exames de sangue também para ver e que vão ajudar a gente a complementar esse diagnóstico, tá? Eh, e aí a gente tem o diagnóstico da síndrome. Dependendo da idade do paciente, a gente vai eh além na investigação e vai fazer uma biópsia do rim, mas isso tudo depende da idade e do caso. Eh, principalmente em crianças, os exames de sangue eles são suficientes pra gente fechar o diagnóstico e de sangue, de urina, né, pra gente fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento, tá? No adulto, muitas vezes a gente precisa, na maioria dos casos, a gente precisa fazer a biópsia também, mas aí é cada paciente a gente precisa individualizar e avaliar. Geral são exames simples que a gente consegue diagnosticar a síndrome e começar o tratamento. E doutora, você poderia explicar pra gente qualína que é essa que que é detectada, né, nesses exames? Sim, sim. Eh, a gente acaba vou vou vou vou explicar para ficar mais fácil. Churrinha é como se fosse uma peneira. O sangue passa nessa peneira, vai sair água, vai sair impurezas, mas não é para sair células, né? Para sair albumina, que é uma proteína no sangue, não é para sair, por exemplo, anticorpos, que são proteínas maiores que estão no sangue. Essas coisas não passam pelo rim, elas têm que continuar dentro do sangue, certo? E o que vai sair é só a urina, que é água, com ureia, eh, com creatinina, com alguns eletrólitos como fósforo, como cálcio, como sódio. Isso a gente manda para fora. Quando a gente tem uma alteração nessa peneira desse rin, que ela fica mais larga, ela fica mais desgastada, é que a gente começa a perder primeiro proteína, que é a coisa mais comum, que é que que a segunda molécula maior, vamos dizer assim, entendeu? Vai acabar vazando nesses nesses nesses nesse filtro do rim. E aí, eh, essas proteínas podem ser de vários tipos. normalmente é a bombina, que é a proteína que a gente tem mais comum, mais comum no sangue, mas existem outras proteínas que a gente sabe que a gente pode perder, como eu falei, de anticorpos, eh proteínas relacionadas eh a a outras a outras coisas de funcionamento do corpo, como coagulação, tudo. Então assim, eh, uma coisa importante, além da desnutrição, que pode acompanhar a síndrome nefrótica, você pode ter uma alteração da sua imunidade, eh você pode ter uma chance maior de fazer tromboses, então tem várias coisas que podem acontecer associadas a essa perda de proteína pelo rim. E doutora, falando na parte agora dos tratamentos, eles são eh aplicados da mesma maneira para crianças e pros adultos também ou tem alguma diferença quando a gente fala em tratamento e quais são os tratamentos recomendados para essa para para esse quadro? Sim, eles são diferentes, tá? Eh, eles são, em geral, eles são diferentes na criança, como a gente, quando a gente faz o diagnóstico de síndrome nefrótica, o tratamento inicial é com med eh corticóide, que é uma medicação que é imunossopressora e que aí a dose pra gente tem que avaliar caso a caso, né? Mas são doses um pouco maiores, tá? Eh, e aí a gente vê a resposta e vai avaliando. Existem outras alternativas de tratamento, mas normalmente o tratamento inicial é corticoide na criança. No adulto, eh, muitas vezes a síndrome nefrótica secundária, alguma outra doença. Então, o tratamento pode ser diferente dependendo do que do que for diagnóstico. Mas em geral, é só com medicação ou é necessário algum tipo de intervenção cirúrgica futuramente? é um é uma doença que se trata com medicação, tá? Somente com medicação, eh, somente com medicação. E o objetivo da medicação é justamente a gente corrigir essa essa essa alteração do rim que faz com que se perda se perca a proteína na urina, tá? Porque se a gente não parar esse processo, com o tempo isso vai levar perda do funcionamento total do rim, entendeu? E aí isso pode por consequência, né, levar a doença renal crônica, necessidade de hemodiálise e outras complicações, tá? Mas fazendo o diagnóstico precoce, iniciando o tratamento, o tratamento é simples, é medicamentoso. E doutora, esses exames que você comentou, né, um pouquinho antes, eles são oferecidos pelo SUS, ou seja, a população no geral tem condições de acessar esses exames? Sim, esses exames tm na rede pública. É possível fazer o diagnóstico pelo SUS, sim. Tá? Eh, sobre ainda essa linha, né, do tratamento, a pessoa faz o tratamento, chega o momento que ela tem a cura dessa síndrome, isso é possível? A gente tem um controle dessa síndrome, tá? Eh, você tem um controle, você espera que a doença entre em remissão, mas você precisa fazer um acompanhamento porque ela pode retornar futuramente, tá? Mas você consegue sim eh reduzir a a perda de proteína e e controlar a doença. Mesmo se for criança, essa síndrome ela ela tem controle ou ela pode até sumir quando a criança ficar mais adulta? Sim, sim. Ela pode ela pode ela pode regredir, tá? Vai precisar fazer acompanhamento com o nefrologista aí por muitos anos pra gente ter certeza que isso aí tá controlado. Tá bom. Eu até gostaria de tirar essa dúvida. Se os pais identificarem nas crianças esses sinais, a indicação é levar para qual médico imediatamente? Leva pro pediatra, tá? Eh, se seu filho tá ficando inchado, se você olhou o xixi dele tá diferente, como eu falei, ficando com espuma ou se tá ficando numa cor que não é a cor habitual, também é um sinal de alerta, tá? Pode ter outras doenças renais associadas. Eh, leve leve a um pediatra, tá? Eh, o exame inicial que a gente que a gente consegue suspeitar de uma síndrome nefrótica é aquele exame de urina simples, sabe? Que a gente vai fazer ele, a gente vai ver que ele tá alterado e a partir daí a gente vai fazer dos outros para complementar. Mas a suspeita diagnóstico inicial eh o pediatra ele consegue dar e encaminhar pro especialista. E doutora, a caso essa síndrome não seja tratada, né, de início, futuramente, essa criança ou esse adulto também pode apresentar alguma complicação da saúde? Sim. Eh, como eu tava falando antes, se a gente não trata isso, o rim ele vai perdendo o funcionamento e a pessoa vai desenvolver a doença renal crônica, que é quando o rim ele começa a parar de funcionar, ele começa a entrar numa insuficiência. E quando isso eh atinge um certo ponto que você não tá conseguindo mais eh ter um um controle adequado do do do da quantidade de líquido que tem no seu corpo, eh um controle adequado do metabolismo, você pode precisar até de uma hemodiálise. Então é lógico que é um caso muito mais avançado. A gente consegue eh tratar e e e segurar a doença muito antes disso, se a gente fizer o diagnóstico. Doutor, então, pra gente encerrar aqui o nosso quadro, eu gostaria que você pontuasse, né, os principais eh tópicos assim relacionados a esse assunto, para quem tá em casa mesmo acompanhando, se atentar, se tiver alguma criança também, eh, se atentar com relação aos sinais e sempre tá acompanhando eh todo esse processo, se for algo grave, já levar pro médico mesmo. Sim. Bom, então acho que as principais coisas que todo mundo tem que ficar de olho, principalmente com as crianças, é se sua criança tá inchando. Não é comum que uma criança fique inchada. Pode ser o rim, pode ser alguma outra coisa. E às vezes a gente pensa no adulto, a gente pensa que a gente enche o pé no final do dia, a gente acha que a criança vai enchar só o pé, mas às vezes ela enche o rosto, fica com aquele olhinho gordinho, a mão gordinha. Então, se a criança tá inchando qualquer parte do corpo, isso não é normal. É, alguma coisa tá acontecendo e a gente precisa descobrir. Acho que é a primeira coisa que os pais podem observar, tá? Segunda coisa que os pais podem observar é a urina da criança, né? A criança vai no banheiro, você normalmente às vezes o pai vai acompanhar ou vai depois para ajudar a criança a a se limpar. Dá uma olhada, ver como tá. Tá amarelinha como sempre foi, amarelo clarinho, sem espuma, igual tá igual igual é o esperado, né? Não tem do que se preocupar. Mas se você começa a ver que a urina da do da sua criança tá diferente, tem ficado espuma, a cor mudou, é um sinal de alerta, tá? Eh, existem existe uma coisa que é confundidora, que eu acho que é importante falar, que nesse caso a gente tá falando de síndrome nefrótica, mas também existe a síndrome nefrítica, que é um outro tipo de alteração renal que é muito semelhante, que a gente também tem um pouco de perda de proteína na urina, mas é uma doença diferente. Eh, na síndrome nefrítica a gente também vai ter uns um achato semelhante, pode ter inchaço, mas a gente vai ter alteração de pressão. Às vezes a gente vai ter infecção eh associada, amidalite eh perto de desse desse processo, algum uso de algum remédio. Eh, por isso que até é importante falar eh se pode não ser a síndrome nefrótica, pode ser a síndrome nefrítica, ainda mais se sua criança teve alguma infecção de de vias aéreas, uma gripe recente, começou a inchar, é uma coisa de alerta também, não é esse essa doença, não é essa questão, mas é uma doença muito semelhante que também afeta os rins. Já que a gente tá falando disso, acho que vale a pena trazer o alerta, né? Sim, sim, com certeza. Sem dúvida. Doutora, eu quero aqui agradecer então sua participação no nosso quadro no Saúde agora e obrigada por compartilhar aí essas informações. Foi um prazer conversar com vocês. Obrigada também pela sua companhia que tá em casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar também nas redes sociais. Até o próximo. Saúde agora. [Música] เฮ [Música]