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Olá pessoal, mais um Saúde Agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje nós vamos falar sobre como o uso excessivo do celular pode afetar o desenvolvimento cognitivo das crianças. Recentemente, a proibição do uso de celulares nas escolas foi aprovada em diversas regiões do Brasil. A partir disso, um debate foi levantado nas redes sociais e também entre grupos de pais de alunos nos últimos dias. Será que essa restrição pode gerar benefícios para o desenvolvimento do cérebro das crianças? Para responder essa e outras dúvidas, eu converso com o neurologista e psiquiatra Luiz Mário. Doutor Luiz, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde Agora. Obrigado pela oportunidade de esclarecer a população. Doutor, essa restrição, ela pode ser considerada pelos médicos como uma grande vantagem? A inovação tecnológica que deveria integrar as pessoas tem um efeito paradoxal de afastá-las. E isso gera uma série de complicações. Existem muitos estudos hoje já, de ponta, porque é tudo muito novo, que mostram um baixo desempenho acadêmico, escolar, entre as crianças que usam com muita frequência as telas. Diminui a interação social delas e também o aprendizado social. E também influencia em estados de depressão, de ansiedade, de estresse. Então, retirar o celular das crianças é uma medida providencial nesse momento. Doutora, quais são esses efeitos neurológicos para crianças e adolescentes relacionados ao uso excessivo de telas? O celular, ao invés de ser um objeto para chamar você para sair, para você interagir com outras crianças e outros adolescentes, ele se torna uma ferramenta de isolamento, onde os contatos são superficiais e são virtuais, que não é a mesma coisa que o contato real. A nossa espécie desenvolveu N competências, sobretudo sociais e aprendizagens, em contato um com o outro, físico. Olho no olho, pele com pele, caçando juntos, caminhando juntos, procurando abrigos juntos, interagindo emocionalmente uns com os outros, intelectualmente. E os telefones afastam isso das pessoas. Ele gera uma dificuldade, ele produz muita recompensa muito rápido. Então ele gera muito estímulo, muito rapidamente, com tiros de dopamina. Isso gera um hábito, gera compulsão, gera obsessividade, gera um vício, uma adição pelas telas. Então, todo o sistema de recompensa cerebral, onde você tem vários neurotransmissores e áreas cerebrais envolvidas, ficam alteradas pelo uso excessivo das telas. Isso prejudica o cérebro das crianças, Ana. O ser humano, quando nasce, ele é prematuro. mesmo com nove meses, com 42 semanas, todo bebê humano é prematuro. Por quê? Se você observar um outro mamífero, um cachorro, um gato, que deve ser uma experiência comum das pessoas, eles nascem, eles já procuram, em termos motores, a teta da mãe, mamam, interagem uns com os outros, eles de alguma forma têm uma chance maior de sobrevivência. O bebê humano não tem. Nossa espécie investiu tudo no cérebro. E o cérebro humano é muito complexo. E ele leva mais ou menos 20 anos para ficar pronto. Então, existe um fenômeno que a gente chama de neurodesenvolvimento. O seu coração pulsa, bombeia sangue, seus pulmões respiram. E o cérebro, a função essencial dele é a aprendizagem. E as telas produzem uma aprendizagem social e intelectual muito boa. e como o cérebro aprende, e o desenvolvimento dele é de trás para frente, de posterior a anterior, as últimas regiões a ficarem prontas são as regiões frontais, que fazem com que o indivíduo tome decisões, planejamento, execução de tarefas, supervisão das tarefas, para ver se ele chega ao objetivo dele. Então, por isso que as crianças são mais impulsivas, Se o cérebro é um órgão que aprende, se ele aprende errado, aquilo está aprendido, como se fosse certo. Então ele está aprendendo a fazer. Ele aprende tudo. Ele aprende também a ficar doente. Ele aprende a ficar disfuncional. E depois, para você considerar isso, é um problema muito grande. A gente tem que fazer terapia, tem que usar medicamentos e algumas outras técnicas para equalizar o cérebro de novo. Doutor, e além dessas consequências físicas, também existe o impacto do uso das telas no comportamento social das crianças e dos adolescentes? As crianças, ao invés de interagirem fisicamente umas com as outras, em tempo real e numa relação corporal, elas se relacionam com telas e as telas não produzem a mesma resposta do sistema de recompensa no cérebro que uma interação real poderia produzir. Então, os celulares têm que ser proibidos também no recreio, no horário entre as aulas, para que as crianças possam se comunicar, conversar umas com as outras. Então, o sistema de recompensa libera dopamina em determinadas regiões do cérebro, como núcleo acúmbeis, amígdala cerebral, o lobo pré-frontal, e faz com que você tome decisões, iniba comportamentos. E quando o sistema de recompensa fica desregulado por um excesso de estímulo rápido, ele se esgota rápido e a criança ou o adulto, isso acontece com substâncias, acontece com comida, acontece com jogos, inclusive videogame, não só jogos de cassino, mas videogames com crianças, é o sistema de recompensa que vai desregulando. regulando. E ele gera uma compulsão por mais informação, por mais contato, para liberar mais dopamina, porque o cérebro fica excitado. Se deixar a criança livre para usar, ela usará cada vez mais e ela vai interagir cada vez menos de forma real. É muito mais fácil para o cérebro arrumar uma interação virtual, imediata, que dê uma recompensa imediata do que ela estabelecer um contato, intimidade, criar uma amizade, um grupo, e aí envolver toda uma relação complexa que amadurece esse cérebro para uma série de tomadas de decisões maduras, com jogos, com as brincadeiras, que não vai acontecer com o celular, porque ele brinca sozinho, é estimulado, Ele volta ao estímulo E ele entra naquela Num círculo vicioso Que é vicioso mesmo E ele não consegue mais se desgrudar Do celular Gerando um fenômeno que a gente chama Não está no DSM ainda Talvez entre no 6 A nomofobia É um estado de ansiedade De estresse Porque a bateria do celular está acabando Porque não recebeu uma gratificação, um linkzinho, onde alguém agradeceu por uma mensagem, colocou um coraçãozinho, ou esqueceu o celular em casa, tem gente que volta para casa para poder conseguir o celular. Então, imagina o impacto disso, os professores em casa. Por quê? Porque quando chegar no colégio e o colégio tirar o celular para devolver no final da aula, no início elas vão entrar em abstinência. É uma síndrome de abstinência, porque ela está acostumada a ter o impulso. Aí, durante as aulas, o que elas fazem? Elas olham o celular, elas se distraem. Imagina um aluno que é TDAH com acesso ao celular, piorou para ele. A criança que não é TDAH, ela vai ter uma síndrome lá que é TDAH. Ela vai tirar a atenção o tempo todo da aula para poder consultar o celular, para ver se recebeu alguma mensagem, ou para fazer algum jogo. É uma medida sócio-educativa, é uma medida neuropsiquiátrica e educacional retirar os telefones da sala de aula. É muito importante que isso aconteça. E deve ser estimulada essa posição do governo. Doutor Luiz, eu gostaria de agradecer muito a sua participação aqui no nosso quadro. Muito obrigado. Por você, tá? Por todos os ouvintes, tá? Obrigada também pela sua companhia. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar também nas redes sociais. Até o próximo Saúde Agora!