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[Música] Olá, pessoal. Mais um saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre a bactéria quando pensamos no que causa câncer, fatores como genética e estilo de vida, normalmente vem a mente, mas alguns patógenos também podem levar a diagnósticos da doença. É o caso da bactéria, uma das mais comuns no mundo. Segundo um relatório recente da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, mais de 2 milhões de casos de câncer no mundo são atribuídos a infecções bacterianas ou virais. E quem vai explicar tudo sobre esse assunto é o cirurgião geral Ernesto Alarcon. Eh, Dr. Ernesto, muito obrigada, né, pela sua participação aqui no nosso quadro no Saúde Agora. É uma honra, é um prazer estar aqui para para poder esclarecer algumas dúvidas. É, doutor, pra gente começar, então, para quem tá em casa acompanhando aqui o nosso quadro, queria que o senhor falasse um pouquinho o que que é essa bactéria. A bactéria é Hilori, né, a Helicobacterpilor, ela é uma bactéria que coloniza eh a mucosa gástrica. Essa bactéria, ela é amplamente presente na população e e no mundo, né? Estima-se que mais ou menos 50% da população mundial eh esteja contaminado, né, tenha a bactériacterpilóri. Eh, quando não se tem doença eh gástrica, né, ou na na parte digestiva alta, eh a bactériacter pilore pode não ser tão eh nociva, né? Mas quando a gente já tem algum grau de lesão, uma gastrite, uma úlcera, um refluxo crônico, aí nesses casos, a, principalmente nesses casos, né, a presença da bactéria, eh, de forma crônica pode acabar trazendo aí alguns malefícios, né, eh, acentuar a, a, o, os sintomas mesmo, trazer um risco aumentado para alguns tipos de cânceres, né? Então a gente eh tem que estar sempre atento aí a essa essa questão. Exatamente, doutor. E como que essa bactéria ela pode causar aí um câncer eh no estômago ou até mesmo no intestino delgado? Essa pessoa provavelmente não cuidou dessa bactéria e por isso ela desenvolve esse câncer. Que eu queria que o senhor explicasse como que isso acontece. Eh, a gente acredita que eh isso acontece através da presença crônica da bactéria ali, eh, e lesão na mucosa do trato digestivo alto, né? Existem algumas cepas da bactéria que, eh, produzem algumas toxinas, né? E e essas toxinas ali causando lesão de forma crônica pode levar a alguns tipos de eh de cânceres, né, como o adenocarcinoma mesmo, adenocarcinoma gástrico, adenocarcinoma eh de esôfago distal, principalmente eh nos casos de refluxo crônico e esôfago de barret. Eh, e também pode levar a eh uma associação bastante frequente é o linfoma malte, né, que que também pode ocorrer secundária a presença da bactéria aí de forma crônica. Eh, doutora, essa bactéria, ela também tá relacionada aí a outras doenças, né, como a como úlceras, né, no estômago. É isso. Sim. Também tá relacionada eh principalmente, na verdade, a doenças benignas, né? Então, a as gastrites, a úlcera, eh os refluxos mesmo. Entendi. E como que ela é transmitida, né? Qual que é a forma de transmissão da gapilore? Eh, o, então, existe uma uma história por trás da da transmissão e até um mito que às vezes rola na sociedade, né? Eh, antigamente assim a gente tinha de evidência mesmo de que a bactéria só era transmitida de forma atrogênica através do do exame da endoscopia, né? Depois, eh, houve-se também muito eh ensaio sobre a transmissão contato a contato, né, de pessoa para pessoa, contato de saliva. Eh, hoje a gente entende que a transmissão ela é através de alimentos contaminados, né? água ou alimentos contaminados de alguma forma por pessoas que estão que têm a bactéria, eh, que estão colonizados pela bactéria, né? Então, na verdade, é um ciclo, eh, fecal, oral, né? Então, eh, é através desta forma que que ocorre a contaminação, alimentos ou produtos ali mal lavados, contaminados com a bactéria, que de alguma forma eh foi eliminado nas feeses, né, de pessoas contaminadas. Entendi, doutor. Então, é, nesse caso, a gente aqui é um alerta, né, pra população é ver bem o que vai comer aí na rua, né, se alimentar aí de uma forma mais saudável, né, num geralmente essa contaminação é mais frequente, né, quando você come aí pelos estabelecimentos, não sabe ao certo aí a procedência do alimento também. É isso. Exatamente. Exatamente. Eh, a gente pede para que tome muito cuidado, né, com a preparação dos alimentos, o o ambiente, né, o ou como esse alimento é é preparado, né, processado, com a higiene das pessoas que estão ali envolvidas nesses preparos alimentares, né? Eh, a gente tem evidências de que em lugares onde a higiene é melhor, o saneamento é melhor, até mesmo sociedades mais desenvolvidas acabam tendo, eh, um nível de contaminação de Helicobacter Pilore menor do que lugares eh países subdesenvolvidos, né, locais onde eh o saneamento básico não é tão adequado. Então, e aí nesse sentido a gente vai até levar as medidas de prevenção ali, né, que eh a higiene das mãos, eh o saneamento mesmo, eh e esses cuidados acabam minimizando, né, a transmissão da bactéria e a contaminação. É, exatamente. O doutor tocou num ponto que eu acho muito importante, porque apesar da pandemia, né, ter passado, a gente nunca deveria abandonar aqueles hábitos, né, o álcool gel, eh, a lavagem das mãos com mais frequência, né, doutor? Exatamente. Exatamente. E aí, não só pensando em Helicobacter Pilore, né, mas todos os patógenos aí que que a gente adquire através da forma eh através do contato, né, de uma certa forma que não é só eh respiratório, mas sim por por contato as infecções bacterianas de uma forma geral, eh os vírus, né, principalmente os vírus eh que acometem a parte digestiva, né, as enteroviros são eh são todas é dessa forma que se transmitem, né? Quais são os sintomas que as pessoas costumam apresentar eh normalmente, né, num quadro de infecção por essa bactéria, de uma forma geral, nos quadros de gastrite, de esofagite, de úlceras mesmo, né? Eh, as pessoas vão sentir ali dor abdominal, pode ter náusea, enjoo, aquela queimação, né, epigástrica ou que eh sobe um pouco aqui atrás do do peito também. Eh, eu digo isso porque assim, eh, a bactéria, ela pode, eh, estar relacionada a esses sintomas, pode até acentuar esses sintomas numa pessoa que já tenha, né, uma gastrite, uma úcera, um fluxo. Eh, mas existem muitos casos onde o paciente é portador da bactéria, mas também é assintomático, né? Então, acho que a presença desses sintomas de uma forma eh persistente, né, por mais de 30 dias ou de uma forma recorrente eh tem que levar a pessoa a investigar. Eh, doutor, e nesses casos, né, como que é feito o diagnóstico da bactéria? Normalmente a pessoa quando tem esses sintomas, se ela tiver de uma forma persistente, mais prolongada, tiver alguma alteração de exame físico ou algum sinal de risco, algum antecedente familiar mais importante, a gente acaba lançando mão da endoscopia, né? Eh, e na endoscopia a gente pode pesquisar, a gente normalmente pesquisa a bactéria ou através de um do teste da urease, que é um teste respiratório, né, para identificar a a presença da bactéria ou não, ou através de biópsia mesmo, né, a gente colheacinho do material ali do de alguns pontos do estômago, do odeno, e pesquisa se há bactéria ali presente ou não. Mas existem outras formas também de ser pesquisada, né? Se a gente quiser só pesquisar a bactéria, aí a gente pode fazer exame de sangue, né, buscando uma colologia para ver se há presença ou não, se há anticorpos ou não de fase aguda, fase crônica. pode fazer exame de feeses também para ver se há presença da bactéria, né, nas feeses. Eh, doutora, acho que o grande problema aí são as pessoas que não têm sintoma, né, que não apresentam nenhum sinal dessa dessa infecção pela gapilore. Nesse caso, o diagnóstico aí é um achado. Então sim, se o paciente não apresenta sintoma nenhum e por algum motivo ele faz, né, o exame identifica a presença da da bactéria, eh, é um achado. E nesses casos até a gente vai ter que avaliar bem, né, a sintomatologia e o resultado do exame para ver se justifica o tratamento, porque eh a chance de recontaminação, na dependência do caso é muito é muito alta, né? visto que a bactéria tem uma alta prevalência na sociedade. Eh, agora os pacientes sintomáticos ou com lesões eh mais importantes no nos exames, aí a gente tem uma tendência a sempre tratar. Eh, doutora, só para explicar, esclarecer também, a endoscopia é um é um método simples, né, geralmente de de se fazer, leva poucos minutos, o paciente é sedado. É isso, né? Isso. A endoscopia é um é um exame relativamente simples, rápido, né, e de eh não vou dizer baixo risco porque é um exame invasivo, né? E todo exame tem seus riscos até pela sedação, tudo. Então, a gente tem que ser um pouco criterioso ao pedir um exame que seja eh um pouco mais invasivo, como a endoscopia, né? onde a gente passa uma câmera por dentro da boca que desce pelo trato digestivo e vai ver ali até o estômago e o comecinho do intestino. Eh, para fazer isso, a gente precisa eh dar uma analgesia pro paciente ou deixar ele dormindo, sedar um pouco mais para que ele tenha um conforto durante o exame, né? porque senão o paciente vai sentir muito desconforto, vai ter enjoo, vai ter dor mesmo. Então a gente precisa só eh é um exame rápido e simples, mas não isento de complicações, né? Eh e também às vezes não indicado para alguns pacientes. Então pacientes que eh t um quadro respiratório mais importante, né? Que possam ter um eh uma depressão ao sedar. eh pacientes que tenham outras comorbidades, pacientes em vigência de uso de anticoagulantes, eh tudo isso vai aumentando o risco do procedimento. Então a gente precisa ponderar bem, né, o risco benefício em se fazer o exame, né, para que tenha uma indicação precisa, certo? Eh, doutor, e qual que é a forma de tratamento mais indicada para erradicar a bactéria? a bactéria, eh, bactéria a gente trata com antibióticos, né? Eh, existem alguns protocolos de antibióticoterapia. Eh, e aí vai depender se eh se o paciente é alérgico a algum tipo de antibiótico que a gente normalmente prescreve, se o paciente já fez algum tratamento eh da bactéria e há quanto tempo, né, para saber se aquilo se a gente tá diante de uma prima infecção ou se é uma reinfecção, né, que vai ser feito um retratamento, mas basicamente é a combinação de antibióticos durante um determinado período que hoje em dia, eh, a gente tende a tratar por 14 dias, né, com uma combinação de antibióticos que vai variar de de paciente para paciente. E, doutora, acho importante também a gente reforçar que para ter um tratamento aí efetivo, as pessoas precisam seguir, né, essa medicação corretamente, porque pode correr o risco de ter uma resistência depois, né, bacteriana. Isso também, isso se a gente não trata adequadamente ou se a gente fica tratando repetidamente de forma incorreta, a gente acaba não conseguindo matar, né, a bactéria ou a bactéria vai desenvolvendo resistência à aqueles medicamentos. Então, é importante que eh aqueles pacientes que tenham a indicação do tratamento e recebam, né, a prestação do tratamento, façam de maneira correta. Não adianta tomar o remédio um dia, não tomar o outro. eh a gente perde a faixa de atividade terapêutica da medicação, né? E aí diminui muito a chance de eh de um tratamento efetivo, de realmente matar a bactéria, né? Com certeza. Acho que pra gente encerrar então o nosso quadro, deixar aí um recado, né, um alerta para que a população também nunca eh se automedique nesses casos, procure um gastro, né? investigue essas esses sintomas para que também isso não futuramente não se desenvolva aí num câncer de estômago, de intestino também. Exatamente. Acho que aqueles pacientes que eh onde há um antecedente familiar eh mais importante, né, para para doenças da parte digestiva, para cânceres, né, de estômago, intestino delgado, eh ou os os pacientes que têm queixas recorrentes ou persistentes, né, de dor abdominal, enjoo, aia, climação. Eh, eu acho que esses pacientes têm que procurar, né, um cuidado específico, eh, médico, né, acho que tem várias especialidades médicas aí que estão habilitadas e habituadas a esse tipo de de avaliação e tratamento, né? Então, o cirurgião, o gastro, o próprio clínico, eh tem que basta estar atualizado aí, né, sobre o tema para que possa fazer o o tratamento mais adequado, indicar o exame quando necessário, né, e principalmente a gente sempre ter, né, a população ter sempre em mente que os cuidados de higiene saneamento são fundamentais para eh para diminuir e minimizar, né, as as contaminações para diversas doenças, viroses, parasitoses e e contaminação por bactéria, como electoepilório também. Doutor Ernesto, muito obrigada pela sua disposição e pela sua participação aqui no Saúde Agora. Eu que agradeço, foi um prazer e com a disposição. Obrigada também pela sua companhia. Você pode conferir os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. Até o próximo. Saúde agora. [Música] เ