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Olá, [Música] pessoal. Mais um saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje nós vamos falar sobre a doença do beijo. A doença do beijo, também conhecida como monucleose infecciosa, é causada pelo vírus epistémar e é muito comum atingindo até 90% da população mundial ao longo da vida e frequentemente em crianças e adolescentes. E quem explica tudo sobre esse assunto é o infectologista do Hospital São Lucas, Luís Felipe Visconde. Dr. Luís Felipe, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso quadro no saúde agora. Imagina, agradeço. O que que é esse vírus, né? O EBV, não sei se é assim que se fala. É isso mesmo, é o agente etiológico, ou seja, o agente que causa mononucleose infecciosa, conhecida como doença do beijo, é o Epistenbar. Esse é um vírus bastante comum de ser adquirido logo na primeira infância. Ele é um vírus que tem, de certa forma, um parentesco com a família dos vírus herps, por exemplo, que a gente sabe, conhece outras infecções. E a principal forma de transmissão dele é pela saliva, né, por perd de gotos. É por isso que muito se associa com a ocorrência do beijo, mas não é naturalmente a única forma de transmissão dessa infecção. Falando então, né, já que você abordou essa questão da transmissão, vamos explicar pro pessoal de casa como que a doença é transmitida. A forma de transmissão da doença é principalmente por secreções orais, por gotículas, né? a gente sabe que é uma infecção que tem um poder de transmissibilidade alto, então mesmo contatos próximos ou rápidos são suficientes para que a gente tenha a ocorrência da transmissão. Então a gente vê na grande maioria das vezes a ocorrência da mononucleose na primeira infância. As crianças naturalmente têm o contato próximo, brincando com os colegas e amigos. Com isso, leva a mão à boca. a gente acaba tendo o compartilhamento, mesmo que indireto de secreções e o vírus utiliza desse canal paraar na população. Eh, doutor, então não, eh, essa transmissão, como você disse, ela não ocorre exatamente só pelo beijo. Por exemplo, uma gotícula que sai da boca da pessoa e atinge a outra pessoa ou a pessoa passa a mão numa superfície, ela já pode estar correndo risco. É isso. Existe sim essa possibilidade. Como eu falei, a gente acaba ficando muito com a ideia da doença do beijo por conta de fato da saliva um meio comum de transmissão viral, mas não é a única forma que a gente tem doença ser adquirida. O simples fato da gente ter contato próximo, aglomerações que favoreçam isso, é uma maneira da gente ter também a infecção. E doutor, quais são os principais sintomas dessa doença? A mononucleose, ela é caracterizada principalmente por uma febre, normalmente uma febre bem alta, que acontece de uma maneira súbita associada a uma dor de garganta, uma dor de garganta intensa, com frequência ela é confundida com a dor de garganta bacteriana. E um outro achado muito típico também da mononucleose é a ocorrência de adenomegalia, as ínguas, né, que pessoal chama popularmente, que são na realidade estações do nosso sistema de defesa na região do pescoço, muitas vezes em grande número, em grande quantidade, eh dolorosas a palpação. Esses são sinais clássicos da doença. Alguns pacientes até podem ter uma manifestação não tão típica, apresentando também em alguns casos um aumento de até de órgãos abdominais como o basso, que também é um órgão de defesa, mas o principal achado é febre alta com dor de intensa e às vezes uma dor que parece muito aquela dor bacteriana clássica que é que a gente lembra do dia a dia. E doutor, até gostaria de tirar essa dúvida, né? Como que é feito o diagnóstico? Porque essa doença pode ser confundida com uma gripe, por exemplo, ou até mesmo um resfriado. Tem aí também a dengue que causa febre. Eh, como que os pacientes podem, né, diferenciar uma doença, né, no caso, a doença do beijo de uma outra infecção viral? É uma excelente pergunta, porque o diagnóstico da mononucleose infecciosa, ele passa por um exame específico. Se o médico não pede, o exame chama-se sorologia. O que a gente detecta é a presença de anticorpos, ou seja, um sinal de que aquele vírus entrou no nosso organismo. E a gente tem um tipo específico de anticorpo que é produzido na fase inicial da infecção. Quando o paciente tem esse anticorpo positivo, a gente entende que num contexto em que ele tenha sintomas compatíveis, provavelmente a causa da infecção seja o próprio vírus. Eante dizer porque como você mencionou não é infrequente. A gente vê pessoas que vão num pronto atendimento com quadro de dor de garganta intensa, confundida com uma dor bacteriana, com uma causa bacteriana, recebe antibiótico e não melhora. Esse é o momento em que a gente passa a desconfiar de outras causas. A monodonucleose também dá alguns achados diferentes um hemograma, por exemplo, que podem direcionar o médico para essa suspeita, mas o diagnóstico fechado é com exame específico. Eh, doutor, a taxa de transmissão dela é bem alta, como eu disse ali na abertura, né? 90% da população no mundo todo vai ter contato, né? Então é é um é algo pra gente ficar realmente atento. É isso. Com certeza. a gente sabe que ela é muito disseminada na população, como eu falei, na grande maioria das vezes, ela acontece ainda na primeira infância e acaba passando dentro de todas aquelas viroses que a criança tem na infância, que é normal durante esse processo de amadurecimento do sistema imune. Mas eventualmente existem pessoas que escapam, né, dessa desse primeiro momento de transmissão. E não é incomum a gente pegar adultos jovens ou mesmo pessoas de mé, a gente fala, né, adulto de meia idade, com mais de 40 anos, que eventualmente venham a ter um quadro tardio. E esses pacientes muitas vezes apresentam uma sintomatologia até mais exuberante e é um confundidor para muitos médicos que não tm vivência com a infecção porque como você mencionou, ela tem sobreposição de sintomas com outras doenças, né? E uma vez que a pessoa pega essa infecção, ela pode ter eh ela pode pegar esse vírus novamente ao longo da vida ou não? Pegou uma vez, você tá imune. A imunidade ela tende a ser vitalícia e protetora pro resto da vida, né? A gente sabe que esse vírus, tal como o vírus da família dos herps, né, ele tem uma capacidade de se esconder em algumas células do nosso corpo. Para um indivíduo que tem um sistema imunológico saudável, isso não é o problema. Em algumas situações excepcionais, naqueles indivíduos que têm uma doença oncológica ou fazer um transplante, até a gente pode ter sinais ou consequências da reativação desse vírus, mas no geral, uma vez que a gente pegou, a gente tá imunizado pro resto da vida. E doutor, uma outra dúvida que surge, nem toda pessoa que entra em contato, né, com esse vírus vai desenvolver a doença. É isso também. É, se a pessoa já tem a imunidade, se a pessoa já teve contato prévio no passado, é provável que ela não vai ter nenhum sintoma. E mesmo as pessoas que eventualmente desenvolvem a infecção, alguns grupos específicos podem ter sintomas que são mais discretos, né? Vão passar como uma gripe, como uma dor de garganta ou outra qualquer. E às vezes o diagnóstico é feito num outro momento, num processo de investigação e acaba passando como um quadro de eh menos gravidade ou menos sintomatologia. Eh, doutor, também acho importante a gente falar aqui para quem tá em casa acompanhando eh as pessoas que têm crianças pequenas que estão fazendo essa introdução aí na escola. Tem alguma orientação pros pais nesse sentido para algum tipo de prevenção que pode ser feito? Perfeito. A mais importante nessa primeira infância é a gente garantir que a carteira de vacinação esteja atualizada, né? A gente sabe, isso é normal, isso é comum. O sistema infantil ele tá passando por um processo de maturação. Ele ainda não foi exposto a muitos agentes infecciosos. A gente sabe que a gente não tem vacina para todos os vírus que existem no mundo, mas felizmente aqueles que são mais graves, que podem dar doenças mais graves, a gente consegue proteger pela estratégia vacinal. Todas as medidas de higiene, lógico, são válidas, né? a medida que a criança cresce, orientar todo o processo de higiene de mãos, principalmente antes das refeições. Em situações que a gente vá eh para ambientes de aglomeração, a máscara funciona como excelente mecanismo de barreira e também proteção, mas sem sombra de dúvidas o investimento mais importante em prevenção é nas vacinas. Com certeza. E qual o tipo de tratamento para essa doença? A mononucleose, na grande maioria das vezes, ela vai ter uma cura espontânea. O que a gente faz é tratamento de sintomas, a gente dá suporte pro paciente, medicamentos para melhorar a febre, para melhorar a dor. Felizmente a grande maioria dos pacientes terão uma uma remissão completa dos sintomas dentro de um período de 14 a 21 dias, também dependendo da resposta imunológica de cada pessoa. Ela pode sim ter alguns comemorativos e achados que deixam a gente um pouco mais preocupado. Como eu mencionei, alguns pacientes têm como consequência da infecção um aumento do basso, né? É, o basso cresce como se fosse uma íngua mesmo, como se fosse uma reação imunológica. E esse basto crescido, ele tem um risco de se lesionar e gerar sangramento. Então, para alguns pacientes que desenvolvem essa forma, é importante repouso, é importante todas as orientações para evitar esforço físico que possa cursar com essa complicação que a gente teme. Eh, doutor, acho interessante a gente abordar aqui também outras doenças que podem ser transmitidas pelo contato direto, né, por exemplo, pelo beijo, eh, pela pela por essas gotículas de saliva. É, aqui entram todas as doenças respiratórias que a gente teve recentemente, né, uma vivência com gripe, o COVID, entra aqui o sensicial respiratório. É, aqui a gente tem que lembrar também dos ERPs vírus, principalmente um, herps também é possível, mas o ERPs 1 é mais comum. Eh, são as infecções que do ponto de vista comunitário a gente tem a maior preocupação. Nesses meses ainda, né, o frio passou, mas eh esses meses de inverno a gente sabe que os vírus respiratórios aumentam de forma expressiva, os resfriados e essas são a nossa maior preocupação por essa via de transmissão. E doutor, é um outro ponto que as pessoas confundem bastante e eu acho legal esclarecer é que se a doença do beijo, ela pode ser considerada uma infecção sexualmente transmissível. Não, não, não. A gente tem que entender que as infecções sexualmente transmissíveis são aquelas que utilizam-se da via sexual para a transmissão. E como a gente já falou, a gente não precisa ter necessariamente contatos íntimos. Eu mesmo vejo, a infecção pela pelo epistemar, a mononucleose, ela pode acontecer por outras vias de contaminação, então não é considerada uma infecção sexualmente transmissível. Eh, doutor, e quais seriam essas outras vias de contaminação pra gente deixar aqui claro também, né, pra população entender melhor esse assunto? As principais, como eu falei, é pela quando se partilha secreções orais, né? O beijo entra nesse contexto, mas compartilhar talheres, copos, contato íntimo, quando a pessoa conversa, eventualmente ela gera pequenas gotículas que podem eh ser também via de transmissão. Então, todos esses são cuidados que a gente precisa ter quando a gente fala na prevenção da mononucleose. É, até tocando um pouquinho nesse nessa questão da prevenção, então seriam esses cuidados mesmo, assim, eh, cuidado ao falar, não falar muito próximo, essa questão com os copos, compartilhar. Acho que isso é é muito legal a gente falar, compartilhar talher e copo também, né, doutor? Isso. Os mecanismos de barreira, máscara. Lembrando, como você falou, que por ser uma infecção já muito comum na população e que a grande maioria das pessoas têm imunidade, ela, diferentemente de outras infecções, não tem o poder de se espalhar tão grande, porque a própria imunidade dos pacientes acaba funcionando como uma barreira, né? Quando o indivíduo tem, ele é cercado por outros indivíduos que são imunes e aquilo ali não se espalha. Mas sim, quando a gente fala de prevenção, o mais importante seriam esses mecanismos de barreira, cuidado com higiene de mãos, evitar contato com saliva, compartilhamento de alguns objetos aí de uso íntimo pra gente não ter esse problema. É, essa higienização, mesmo que a pandemia passou ou o COVID passou, a gente tem sempre que manter esses hábitos, né, Dr. Luiz Felipe? Isso aí é uma herança, se é que existe uma herança boa da pandemia, que a gente deveria levar sim para sempre, né? Eh, o uso do álcool gel e não só do álcool gel, de outras estratégias de limpeza, eh, são super importantes enquanto estratégias públicas pra gente evitar a transmissão dessas doenças infecto contagiosas. Com certeza. Eh, e doutor, com relação aos idosos, eles também correm risco de se infectarem com esse vírus? pode ter alguma complicação maior para eles. É raro a gente ver a ocorrência dessa doença em pacientes mais idosos pelo fato, como você mencionou, de ser muito comum. Então, quase sempre a pessoa, em algum momento da vida dela vai ter tido contato com o vírus. Eh, os casos que acontecem em idoso, o que nos preocupa é que podem dar uma manifestação um pouco mais de sintomas. E essas complicações viscerais, como eu falei, esse basso crescido num paciente já frágil, que tem um processo de imunológico mesmo, né, o processo imune um pouco mais senescente, pode fazer com que a infecção tenha uma sintomatologia mais expressiva e o processo de recuperação tem alguns cuidados a mais. No caso, a pessoa se infectou, tá em processo de recuperação, tem algum cuidado específico com relação à alimentação, repouso, atividade física? a gente orienta sim o repouso de forma geral pros pacientes, sobretudo esses que eventualmente t um crescimento do basso. Isso a gente detecta no próprio exame físico quando vai ver o paciente. Eh, e o mais importante é durante o período de convalescência evitar alimentos eh que tenham aí alguns produtos que podem dificultar a resposta imune, sobretudo eh alimentos que tenham grande quantidade de espécie oxidativa, gordura em excesso, álcool, sempre lembrar que ele é um detrator pro nosso sistema imune. Então, a convalescência passa por todas aquelas recomendações que a gente dá também para outras doenças, tá certo? Então, doutor, muito obrigada pela sua participação, por ter aceitado o nosso convite para falar aqui, né, com os nossos telespectadores. Muito obrigada, eu que agradeço aí a oportunidade. O que precisar, a gente tá aqui. Obrigada também pela sua companhia que tá em casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. Até o próximo. Saúde agora. [Música] เ