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[Música] Olá, pessoal. Mais um saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre a dislexia. Você já ouviu falar em dislexia? Sabe o que é isso? Quem tem dislexia pode ter dificuldades em reconhecer palavras e compreender seu significado. É uma condição persistente, mas que não está relacionada com a inteligência da pessoa. E quem vai explicar tudo sobre esse assunto é a Sulene Pirana, otorrinolaringista e foniatra e também secretária do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Doutora Sulene, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso quadro. Obrigada pelo convite. É sempre um prazer a gente trazer esclarecimento sobre essa condição, a dislexia. Certeza. Eh, vamos começar explicando então, Sulene, o que que é dislequia. Ela é uma doença? A dislexia ela não é uma doença, ela é uma alteração neurobiológica em que vai haver uma falha na hora de aprender a ler e escrever. Na verdade, a criança tem inteligência normal, mas ela tem uma disfunção na área cerebral. responsável pela leitura escrita. Ela não é adquirida, é uma condição genética. É claro que ela só vai aparecer se a criança for aprender a ler e escrever. Isso, Lene, quais, né, são os principais sinais que a dislexia apresenta? Olha, a criança vai ter dificuldade na hora de associar aquele símbolo gráfico, a letra, ao som que ela representa. Isso é uma capacidade simbólica. Então, a gente pega os sons que a gente usa para falar, transforma ele em símbolos e a gente tem que associar esses símbolos. Então, uma dificuldade na simbolização, isso já pode aparecer um pouco antes da leitura escrita, um desenho mais pobre, uma dificuldade de interpretar uma história. Então, a gente pode notar ali na pré-escola que a criança tem uma história mais pobre, uma brincadeira menos elaborada, isso já pode indicar que talvez essa criança vai ter alguma dificuldade na leitura escrita. E Sulene, qual que é a faixa etária mais ou menos que essa dislexia ela começa aí dar esses sinais? a partir dos 5 6 anos, quando a criança começa a ser apresentada ao mundo da alfabetização. É claro que a gente tem graus diferentes de dislexia, então quadros mais leves em que há uma troca de letras, omissão, até quadros mais importantes em que realmente a criança não consegue aprender a ler escrever. E isso gera muito sofrimento, porque é uma criança que tem inteligência normal, que escuta bem, que enxerga bem. Então as pessoas não entendem por que ela não consegue ler e escrever. Acho que é importante, né, a gente tocar nesse ponto que a inteligência não tem não tem relação, né, com a dislexia, porque ainda há muito preconceito, há muito há muito estigma em torno desse desse assunto, né, Sulene? Exatamente, né? A primeira coisa que acontece muitas vezes é falar que essa criança é preguiçosa. Poxa, ela é tão esperta, ela é tão inteligente, ela brinca, ela pronta, ela não teve nenhum atraso no desenvolvimento. Por que que ela não consegue ler e escrever? Então eu sempre deixo bem claro, gosto de fazer uma brincadeira que não existe o diagnóstico preguiça. Se alguém descobrir esse diagnóstico em alguma literatura médica, eu já prometi até um prêmio, mas até hoje ninguém conseguiu. Então vamos tirar da cabeça essa ideia de que a criança é preguiçosa. A criança não tem preguiça. Se ela não está conseguindo fazer a leitura escrita, é porque ela tem alguma dificuldade. Toda a dificuldade de leitura escrita é dislexia. Dislexia é um quadro muito específico, muito particular. Então esse diagnóstico ele muitas vezes ele demora um tempo para ser feito. E Sul Lene, quais são os eh quais são as orientações pros pais que têm as crianças diagnosticadas com dislexia? Então, primeiro é procurar o máximo de esclarecimento junto aos profissionais para entender, ter paciência, saber que isso não é uma coisa que depende da vontade da criança, né? Então, a gente tem que ter eh pacientes, estratégias de ensino diferentes, conversar com a escola e com os terapeutas em casa, estimular a leitura, ler para a criança, porque muitas vezes quando alguém lê para ela, ela aprende, ela entende muito bem. Então, utilizar essa via auditiva para que ela possa aprender. Eh, Solene, eu queria que você falasse um pouquinho por que é importante desmistificar a relação entre dislexia e problemas de visão, que isso também é muito comum, né, as pessoas associarem esse essas duas condições. Então, eh, surgiu aí no meio, na mídia, em alguns meios, algumas alguns quadros que seriam atribuíveis a um problema de visão, que poderiam melhorar com lente colorida, com prisma, né? E muitas famílias eh foram atrás desse tratamento, depositaram muita esperança nisso. Porém, os estudos científicos da sociedade de oftalmologia, inclusive internacionais, mostraram que não há um tratamento visual que cure a dislexia. Então a gente precisa realmente não botar esperança em tratamentos milagrosos, porque muitas vezes a família tá angustiada, aquela criança tá sofrendo e é muito fácil a gente acreditar em soluções mágicas, né? Mas não existem tratamentos visuais que comprovadamente curem a dislexia. Doutora, pra gente retomar um pouquinho aqui, então, os principais desafios encontrados por essa criança é principalmente na alfabetização. Exatamente, né? O principal desafio é essa associação que a gente chama do som, que é o fonema, com o símbolo, que é o grafema. Porém, essa criança, ela entende outros tipos de símbolos gráficos. Então, por exemplo, o símbolo de um refrigerante, que é um desenho muito falado, ela consegue reconhecer o nome daquele símbolo, né? O símbolo de uma lanchonete. Então, muitas vezes a gente tem estratégias de ensinar essa criança a ler através de símbolos que representem a palavra inteira. Então, os psicopedagogos, os fonoaudiólogos vão buscar outras estratégias para que essa criança possa desenvolver a leitura escrita. Sulene, como que é feito, né? Explicar um pouquinho pro pessoal que tá em casa acompanhando aqui o quadro como que é feito o diagnóstico da dislexia. A primeira coisa é a gente verificar se essa criança tem todas as condições necessárias para aprender a ler escrever. Quais são essas condições? Enxergar bem, ouvir bem, ter capacidade motora de escrever, ter inteligência normal, o seu emocional estar adequado e a escola não tem um problema pedagógico. Se tudo isso tá adequado, aí é bem provável que o diagnóstico seja dislexia. Então, a gente precisa de várias avaliações, de um acompanhamento. Por quê? Eu só posso fechar o diagnóstico se depois de 6 meses de um acompanhamento terapêutico bem feito, essa criança não conseguiu desenvolver a leitura escrita, porque pode ser só uma dificuldade. E uma dificuldade vai melhorar, vai resolver com a terapia. a dislexia, aquele quadro que não consegue ser sanado com terapia. As terapias vão melhorar, vão buscar estratégias, mas não vão curar. É isso, Lenia. A escola, eu acredito que ela tem um papel muito importante também para ajudar essas crianças, não é? Sim. A informação que a escola dá para o médico e para os terapeutas é muito importante. Então, um relatório pedagógico, ele sempre vai ser solicitado, porque a escola passa um tempo muito grande com essa criança e ela que é capaz de nos mostrar, de alinhar essas dificuldades. Depois de feito o diagnóstico, ah, toda criança com diagnóstico de alguma dificuldade, por exemplo, a dislexia, ela tem direito, precisa ser realizado o PDI. O que que é PDI? É um plano de desenvolvimento individual, de forma que garanta que ela consiga atingir as metas daquela ano escolar. Esse plano é feito em conjunto com a família, os terapeutas e a escola. E doutora, vamos falar um pouquinho também quais são os tratamentos que existem pra dislexia. O tratamento ele é terapia. terapia com fonaludiólogo, especialista em transtor de aprendizagem, psicopedagogo, que vai desenvolver essas estratégias pedagógicas. E em alguns casos, quando o diagnóstico demorou muito, essa criança já tá com muito sofrimento, porque ela foi taxada de preguiçosa, de não ter vontade, ela tá com autoestima baixa, às vezes ela precisa também de uma psicoterapia, tá? Mas não tem uma receita de bolo. Então, cada criança, cada quadro vai ser avaliado e a gente vai indicar melhor terapia naquele momento. E, doutora, essa condição, ela vai acompanhar essa criança ao longo da vida, né? Essa, no caso, a dislexia, ela vai eh melhorando ao longo dos anos. Como que fica esse quadro, né, após a infância? Toda criança ela vai ter um amadurecimento biológico. Então alguns quadros mais levem podem melhorar tanto que passam até despercebidos. Mas uma dislexia muito grave, a pessoa vai sempre ter uma dificuldade, vai precisar de algumas estratégias, né? essas estratégias que foram desenvolvidas no processo terapêutico, mas a disleticia ela não tem cura, ela tem uma melhor, ela tem estratégias terapêuticas. Eh, Sulene, quais são seriam assim as dicas, né, pros pais que têm crianças com dislexia, como que eles podem eh melhorar assim o dia a dia da criança também com relação aos estudos, com relação mesmo ao a à próprias atividades, né, as tarefas que que existem ali no dia a dia. Primeiro, ter realmente certeza do diagnóstico, porque um diagnóstico inadequado vai fazer com que você vá fazer um tratamento que não vai ser o correto. Então, como foi feito esse diagnóstico? Em caso de dúvida, procura um especialista e vamos rever. É realmente dislexia? Por qual canal essa criança aprende melhor? ela é mais auditiva. Então, se eu falar, se eu ler a matéria para ela, hoje em dia a tecnologia ajuda muito, né? A gente tem leitores de texto no próprio computador, ela é mais visual. Se eu colocar mais figuras, ela vai melhorar o aprendizado, ela vai, isso vai agregar informações para ela e muita paciência e compreensão, entender que isso sim, quando a criança vai ficando maior vai pode trazer algum sofrimento. E a criança se ela não tivesse acolhimento, ela pode inclusive não gostar de ir à escola. Porque quem gosta de fazer uma coisa que tem dificuldade, né? Eu brinco que eu sou uma péssima cozinheira, então se você me obrigar a ir pra cozinha todo dia, eu vou arrumar mil desculpas e não vou querer ir. Então é isso que acontece com a criança que tem dificuldade de leitura escrita. Eu acho que é bem interessante esse ponto, né, que a doutora tocou sobre o acolhimento e essa questão da família, tanto a família quanto a escola, estarem dispostas, né, para para acolher, para ajudar essa criança. Sim, a gente não pode eh achar que vai ser fácil. É um caminho, é um processo. No meio do caminho a gente vai ter sucessos e retrocessos. Então, eh, esse apoio da equipe, então, ter pelo menos um terapeuta e um médico especialista, um foniatra bem acompanhando, por o quadro clínico ele vai mudando, essa criança vai crescendo, o seu cérebro vai amadurecendo. Então, uma estratégia que funcionou bem lá no início pode não funcionar bem eh com a o a evolução dos anos de escolaridade. Mas os disléxicos podem sim ser muito bem sucedidos, inclusive no ambiente acadêmico, desde que eles sejam realmente apoiados e eh tratados adequadamente. Doutor, eu gostaria de agradecer muito a sua participação aqui no nosso quadro. Muito obrigada pela oportunidade. É sempre importante a gente trazer esses esclarecimentos. Certeza. Obrigada também pela sua companhia. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo. Saúde [Música] agora. เฮ