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[Música] Olá, pessoal. Mais um saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas e hoje nós vamos falar sobre os implantes dentários para as pessoas diabéticas. Diabetes é uma das doenças crônicas mais prevalentes no Brasil e no mundo, com impactos que vão muito além do controle glicêmico. De acordo com dados recentes da Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 16 milhões de brasileiros vivem com a doença, número que deve ultrapassar os 23 milhões até 2045, segundo projeções da Federação Internacional de Diabetes. Para explicar tudo sobre esse assunto, eu converso com o Fábio Azevedo, cirurgião dentista da SIM. Dr. Fábio, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde Agora. É um prazer tá aqui e falar de um assunto tão relevante, tão importante dentro da saúde e voltado à saúde bucal. Exatamente, doutor. Vamos diretamente, né, no ponto aqui da nossa do nosso tema. Os diabéticos, eles podem fazer implantes dentários? Essa é uma dúvida muito comum no nosso dia a dia de consultório. A gente recebe muito essa pergunta. E sim, os diabéticos podem sim realizar implantes dentários. O diabetes, como tantas outras doenças de metabolismo de base, elas influenciam várias partes do corpo e a boca ela sofre com isso. Desde que o paciente ele tenha esse diabetes controlado, seja um paciente que faça o controle efetivo dessa doença, os parâmetros estando em condições normais, esse paciente é um paciente apto a implante dentário. E doutor, o que que eles precisam saber antes de fazer a cirurgia? Muito bem. Eh, como toda e qualquer cirurgia, ela passa por uma fase muito específica de anamnese. O que é o anamnese? É o histórico de saúde do paciente, atual e regresso. Então, ali vão ser checadas através de algumas perguntas de um questionário, eh, histórias regressas, história atual. E o paciente vai relatar, então olha, eu sou um paciente que tenho diabetes, eu faço já um controle ou eventualmente esse paciente não vai estar diagnosticado e aí através de exames laboratoriais simples, o dentista antes da cirurgia vai solicitar isso ao seu paciente. Então vai ã ter os parâmetros eh necessários ali para fazer o diagnóstico e tratamento dessa doença para tornar então o paciente apto a implante dentário. E doutor, quais são os riscos da pessoa fazer uma cirurgia quando essa diabetes não tá totalmente controlada? Tá? Eh, a gente tem que pensar que o diabetes é o nível de açúcar no sangue, né? eh mais eh popularmente dito assim e e fácil da gente entender. Esses parâmetros eles variam durante o dia. Eh no no nosso dia, eles têm uma faixa entre 70 e 110 aí eh no no parâmetro normal. E lógico, depois que você se alimenta, isso sobe um pouco, isso regulariza. O que que é o paciente diabético? é um paciente que tá com esse parâmetro alterado a maior parte do tempo. E quando esse parâmetro ele fica como se fosse uma montanha russa, uma hora ele tá em 300, outra hora ele tá em 80, eh esse paciente realmente ele tá muito desregulado e esse é o paciente com maior risco para implante dentário. O que que acontece com o paciente diabético? Ele é um paciente que tem um um risco maior de inflamação. Tem uma doença na cavidade bucal que é doença perodontal, que é a doença que afeta a gengiva, que leva sangramento, leva aquela gengiva mais avermelhada. O paciente às vezes sente dor, sangra ao escovar os dentes, ele começa às vezes a notar um dente mais móvel, mais menos ã inserido na na no osso. Então esse ele começa a ter algumas evidências desse problema. Então, o paciente diabético, ele é um paciente de maior risco a essa doença e ela afeta também os implantes, porque o implante, da mesma forma, ele é inserido no tecido ósseo. E o início dessa doença é justamente a gengivite ou periodontite quando já leva a uma perda óssea. Então, o paciente diabético, uma vez diagnosticado, uma vez tratado e mantido esses parâmetros sob controle, a gente tem um exame específico que é simples, é laboratorial, então através da coleta de sangue é feita análise tanto da glicemia, que é o nível de açúcar no sangue, como ã tem uma ã uma um uma ã especificamente um exame de hemoglobina glicada que vai dar um parâmetro dentro dos últimos 6 meses da média da glicemia desse paciente. Então ele é um exame muito mais específico pra gente associar a risco e a controle glicêmico. O paciente tando controlado, ele é um paciente apto a fazer o implante. Descontrolado a gente trata, tá? E o paciente descontrolado, ele vai ter uma cicatrização mais lenta, tanto da parte de tecido mole, de gengiva, quanto da parte de tecido duro, que seria a parte óssea. Esse paciente também ele tem um maior risco de infecção, né? Eh, então essa doença ela acaba comprometendo também a parte imunológica do paciente, levando a complicações às vezes ou deixando o paciente mais suscetível a infecções, eh, como a gendivite, como essa parte que eu já citei. E aí acaba tendo uma falha justamente na cicatrização óssea, que a gente chama de ósseointegração, que nada mais é esse implante que ele é feito na maioria das vezes de titânio, ele se adere ao osso e como se fosse uma solda e aí não tem a formação óssea, esse implante fica mole como um dente e acaba sendo removido do corpo, tá? Hoje a gente já tem implantes de nanotecnologia, que é a superfície do implante, onde a gente estuda a parte nanométrica eh desse dessa superfície para ter uma resposta biológica nesse tipo de paciente mais favorável. Ã, então já tem produtos específicos hoje na saúde e principalmente no desenvolvimento dos implantes, do qual eu faço parte dentro da empresa da SIM. eh, justamente olhando para esse mercado e olhando para esse número de pacientes que tanto necessitam. A gente sabe que o paciente que tem uma perda de dente muitas vezes é um paciente com uma doença perodontal e é um paciente que tem uma diabetes associada. Até ia te perguntar isso mesmo, se tem algum implante dentário que seria mais específico para essas pessoas. Muito bem, eu me adiantei então aqui no assunto, né? Eh, mas respondendo especificamente, existem implantes e superfícies de implantes mais específicos para pacientes que fumam e pacientes diabéticos. Isso é uma uma adição que é feita na superfície do implante, eh, um tratamento na superfície ali. O implante, então, ele é usinado, ele passa por um processo de usinagem e ele passa por um processo de lavagem, desinfecção e passa a ter então eh essa superfície ã a inserida, né, aditiva, ã para que então o implante tenha uma característica de formação óssea, uma característica, ele chama mais a célula, ele é como se ele fosse uma esponja onde ele chama o sangue e a célula ela consegue se depositar com maior facilidade e começa então a ter essa formação óssea. E a falha da da formação óssea, ela se torna mais reduzida, ela se torna uma superfície mais favorável, mais amigável com com o organismo para que então esse paciente que tem essa deficiência possa receber esse tratamento com maior segurança, certo? E o paciente que tem diabetes para ele se preparar para uma cirurgia, um implante dentário, quais são os passos que ele deve seguir, né, além desses exames, né, de sangue, de conferência da glicemia, doutor? Isso. Então, uma vez esse paciente feito esse planejamento, eh, essa anamnese, esses exames laboratoriais, ele estando num parâmetro normal, num parâmetro adequado, ã, o risco desse paciente vai ser reduzido. Esse paciente ele tem aí, ã, os mesmos parâmetros de um paciente normal, de um paciente sadi, e ele é tratado dessa forma. Aí você vai ter eh o planejamento por parte do cirurgião dentista, que às vezes vai no uso de algumas substâncias farmacológicas para evitar uma infecção, para reduzir um pouquinho o edema e um pouquinho a dor, ã, uma dieta pós-cirúrgica um pouco mais leve, um pouco mais fria, e cuidados normais de higiene e cicatrização eh desse paciente. Aí, doutora, após a cirurgia, quais são os cuidados que esses pacientes precisam ter? É, a ida ao dentista, ela precisa ser reforçada? De quanto em quanto tempo é bom fazer essa visita? É, uma coisa bem importante é que a gente tem dois cenários hoje na cirurgia. A gente tem a cirurgia convencional, que é uma cirurgia que geralmente é feito um acesso gengival, um corte e se expõe o tecido ósseo e uma cirurgia que é guiada, que muit das vezes essa cirurgia pode ser fechada, mas não necessariamente essa cirurgia vai ser sem corte. Mas o que essa cirurgia guiada traz? Ela traz um planejamento por computador. Então, a cirurgia é feita num computador e é gerada uma guia onde o implante ele só consegue ser instalado naquela posição prédeterminada. Então, o risco e o trauma cirúrgico é muito menor e a assertividade do tratamento é muito maior. Isso traz segurança e traz eh uma recuperação muito melhor para esse paciente, tanto no trans como no pós-operatório. Esse paciente ele vai ter uma quantidade anestésica menor porque o trauma vai ser menor, o inchaço edema vai ser menor. Então, para um paciente diabético ou qualquer paciente, eh, vai ter uma recuperação muito mais favorável. Os cuidados eles vão desde uma alimentação mais leve no início, uma alimentação mais fria, com pressas de gelo, algumas medicações eh pós-operatórias para reduzir toda essa parte eh de infecção eh e edema e dor do paciente. E um repouso aí nas primeiras 48, 72 horas. Eh, é muito importante que o paciente faça, evite exercícios físicos, evite exposição ao sol, eh, e também esse paciente sempre vai estar intimamente em contato com a equipe, com o cirurgião dentista responsável. Geralmente, após 7 a 14 dias, é feita a remoção de sutura quando se tem os pontos. E conforme a evolução desse caso, o profissional então vai acompanhando esse paciente eh nesse processo de cura e de pós-operatório. Então, resumindo, né, doutora, a pessoa que tem diabetes não precisa ter medo de fazer um implante dentário, porque é bem seguro, né, pelo que você tá explicando, seguindo todos esses passos. Sim, os parâmetros de sucesso são os mesmos de uns de um paciente normal. eles giram em torno aí de 95 a 97%. O que deve ser feito é uma análise criteriosa, né? Às vezes a gente acaba minimizando, ah, é só um dente, não? Eh, esse só um dente ele pode trazer consequências eh maiores se não tomaros cuidados. A partir do momento que você identifica esses parâmetros e você minimiza e customiza o tratamento do seu paciente, realmente esse paciente ele não precisa ter maiores eh medos eh ou eh não querer realizar o tratamento. Hoje a ciência ela tá justamente cercada de todos os lados aí, tanto em pacientes que têm uma exigência maior ou menor. Esse paciente diabético, então, pode ser tratado com segurança, ele tem que fazer uma higiene constante, ele tem talvez que ter retornos mais periódicos ao dentista, principalmente no início eh dessa desse procedimento. E a partir do momento que ele tá sob controle, essas consultas são espaçadas. Eh, da mesma forma que ele controla o diabetes, a gente vai controlar essa placa, esse biofilme e fazer ele ter uma saúde gengival e saúde dos dentes também, dos implantes, e assim vai poder ter longevidade nesse tratamento. Exatamente. Como a gente tá falando, né, de saúde bucal, acho legal a gente e passar aqui, né, doutora, algumas dicas para quem tá assistindo o quadro, quem tá em casa, entender, né, quais são os cuidados necessários aí pra gente manter a saúde bucal em dia. Maravilha. Eh, é muito importante a gente entender que a higiene bucal ela é uma questão mecânica, então e só eventualmente só um bochecho ele não vai ser tão efetivo como a a a como a escova e o fio dental no seu dia a dia. Então, quando você limpa a sua casa ou ou qualquer um carro que seja, você tem que esfregar, você tem que passar um pano, uma bucha e eliminar aquela sujeira daquela superfície. O dente não é diferente. O dente ele tá exposto ao meio externo. Então a gente pode ter eh presença de hábitos parafuncionais como coeunha, coe caneta, eh enfim, é uma porta eh potencial de de ao meio externo. Então usar todas as vezes uma escova macia, eh principalmente porque a gengiva ela tem que ser massageada, eh, e não e traumatizada. eh, uma cabeça de escova pequena que justamente vai acessar áreas específicas e mais difíceis de serem limpas na cavidade bucal. O uso então do fio dental adequado. Então, eh você fazendo isso nas principais refeições, no mínimo aí três vezes ao dia, já é um de grande valia para você ter um controle justamente das duas principais doenças hoje que acometem a cavidade bucal. primeira a care e segundo a parte gengival, a gengivite, a periodontite. Eh, a partir do momento que esse controle é feito, o paciente então ele é saudável. Lógico, é importante consultas periódicas ao seu dentista, ao seu profissional. Ele tem ferramentas para conseguir te mostrar como escovar. Eh, e a prevenção é o nível primário de saúde pública. Ele é barato, ele é efetivo e ele é fácil e rápido de fazer. e às vezes não tem procedimentos complexos envolvidos. Então, eh, essa seria as seriam as principais dicas aí que a gente deixaria. Dr. Fábio, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde agora e pelas dicas compartilhadas aqui conosco também. Imagina, é um prazer. É um prazer levar saúde, é um prazer sorrir. E somos os únicos eh seres na terra vivos que expressam alegria através do sorriso e que podemos espalhar muitos deles aí por todo o mundo. Obrigada também pela sua companhia aí de casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. Até o próximo. Saúde agora. [Música]