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Olá pessoal, mais um Saúde Agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre dependência digital. Quanto tempo você consegue ficar longe do seu celular? Quantas espiadinhas nas redes sociais você dá por dia? Você já esqueceu o celular e se sentiu totalmente perdido? Se você não consegue desligar do mundo virtual, você pode ser um dependente digital. De acordo com uma pesquisa recente, o Brasil é o segundo país onde os usuários passam mais tempo online. São nove horas diárias. Só nas redes sociais, o brasileiro passa, em média, 3 horas e 37 minutos. E quem vai explicar tudo sobre as consequências dessa dependência digital é a psicóloga Amanda Rangel. Amanda, muito obrigada por sua participação aqui no Saúde Agora. Obrigada, eu que agradeço o convite. Amanda, para a gente começar o nosso bate-papo aqui, quando que a dependência digital já passa a ser considerada um transtorno? Quais são as características desse quadro? Geralmente as características é como você até falou Não só o tempo de tela que a pessoa fica ali vagando pelo celular Mas também quando a pessoa se percebe já numa condição de sedentarismo Passa muitas horas no celular, irritabilidade Muitas vezes a conexão falha A pessoa fica sem internet, ela já fica descontrolada já não consegue fazer pequenas tarefas offline, porque a pessoa já se sentia até meio perturbada, porque ficou sem celular ou ficou sem rede. Então, geralmente, a gente já pode considerar que é uma nomofobia. É uma doença cada vez mais comum, que é essa dependência digital, e a gente pode sim comparar ela até como uma dependência química. Não é uma dependência química, mas tem as mesmas características. Ela tem os mesmos efeitos de uma dependência química. Amanda, o que pode estar associado a essa dependência? Geralmente a pessoa tem medo de ficar de fora, ela quer estar por dentro dos assuntos, ela precisa estar nas redes sociais, Então, acaba sendo mais o medo de ficar de fora, também ligado à ansiedade, porque as pessoas tendem a não querer se sentir inadequadas nos ambientes, nos relacionamentos. Então, geralmente é por causa desses motivos. Agora, para a gente fazer aqui um alerta para a população que está acompanhando o nosso quadro. Quais são os perigos de se manter muito tempo conectado, especialmente quando a gente fala de convivência? Então, a convivência ela é hoje uma habilidade do ser humano, ela é fundamental, ela é essencial e essa questão das conexões elas estão se tornando cada vez mais raras no nosso cotidiano por conta desse vínculo com as telas. Então a pessoa não pode receber uma notificação que corre olhar, a pessoa não consegue ficar fora e aí a pessoa vai se isolando, ficando cada vez mais desconecta de pessoas, vai ficando sedentária, como eu falei, vai causando distúrbios no sono, muitas vezes até problemas musculares, dores nas costas, problemas na visão. a gente tem aí aumentado o quadro de pessoas com questões até na visão, de ficar na tela, então tudo isso são as consequências aí do uso excessivo de telas. E Amanda, você como terapeuta percebe também uma dificuldade das pessoas se relacionarem no dia a dia, que a questão dessa convivência, desse social, é bem mais difícil, parece que as pessoas não conseguem mais interagir, é isso? Isso, até eu quando vou almoçar com algumas pessoas Eu falo assim, vamos gente, vamos sair do celular Vamos conversar aqui, estamos aqui, no agora Então eu até sugiro, se você vai tomar um café Mesmo que você não tenha alguém ali de companhia Seja sua própria companhia Se desconecta ali do celular por um momento Tome um café com qualidade, saboreando o alimento Na hora do almoço a mesma coisa Porque isso é você estar no presente, você está no mundo real e não no mundo virtual. Com certeza. Você comentou um pouquinho das consequências físicas, né? Dessa conexão, dessa super conexão para as pessoas. Questão de postura, visão. Agora, Amanda, quais são as consequências, na verdade, para a saúde mental? Então, na saúde mental, a gente tem visto aí um aumento significativo, que é por isso que a gente está chamando de nomofobia, que é uma doença porque a pessoa acaba tendo uma ansiedade generalizada, depressão, então tem aumentado o quadro de pessoas depressivas. A internet nos ajudou em muitas coisas, facilitou nas compras, facilitou na questão do trabalho, facilitou em questão de estudo, De explorar mais sobre o cotidiano Só que em contrapartida acabou muitas vezes gerando as comparações Então no comparar as pessoas acabam adoecendo mentalmente Então vai gerando esse tipo de questão que eu falei Ansiedade generalizada, esse tipo de transtorno, depressão Então tomar um cuidado Porque da mesma forma que facilitou ou também o uso excessivo aí está trazendo muitas consequências. O ideal é saber dosar esse uso, né, Amanda? Fazer o uso consciente de toda essa tecnologia que a gente tem aí a nosso dispor, né? Se você percebeu que você está aí nessa dependência digital, buscar ajuda na psicologia, tem a terapia cognitiva comportamental que vai identificar por que você tem esse tipo de comportamento, qual a emoção que está por detrás, que pensamento você tem para fazer esse uso excessivo, eu sempre falo, substitua telas, coloca ali um tempo de tela para você ficar, determina, pega um livro para ler, eu sou amante de livros, né? Vocês estão vendo aqui também, né? Então, livro físicos que vai aí possibilitar você sair mesmo da tela do celular, antes de dormir, desligar a televisão, desligar o celular, colocar bem longe de você, porque você também tem uma noite de sono tranquila, Então, tudo que a pessoa puder fazer para melhorar a saúde, até sair do sedentarismo, vai fazer uma caminhada, não fica só no celular, vai ajudar bastante. Amanda, essas seriam as dicas que você daria para quem, então, precisa se desapegar um pouquinho das telas. Eu mesma também adoro livros, gosto mesmo de pegar o livro físico, folhear. Acho que isso é muito importante para a gente mesmo, para desenvolver a criatividade até. Isso, e assim, para afirmar mais ainda as dicas que eu acabei de dar, faça tudo com intencionalidade. Às vezes, quando você está na rede social, você nem está com intenção de nada, você só está ali, passando, passando, passando. Diferente de você pegar e fazer o oposto com mais intenção. O que é mais intenção? Então, eu pego um livro, não leio por ler, mas eu leio qual é o aprendizado que esse livro vai me trazer. eu vou fazer uma caminhada, qual é a intenção? Eu quero me conectar com a natureza, eu quero ouvir o barulho do pássaro, eu quero sentir o cheiro ali do ambiente que eu estou, da natureza. Então, você tem uma intenção, ali você faz um momento de gratidão pela vida, pelo seu esforço, não sei. Então, tudo que você for praticar que seja o oposto das telas, seja com intenção, porque aí isso vai fazer mais sentido para você e vai ajudar a aliviar todos os sintomas que a pessoa possa estar tendo aí. Com certeza. E Amanda, para quem trabalha com informação, como a gente, precisa estar todo o tempo conectado no que está acontecendo no mundo, no Brasil, até mesmo para as pessoas que trabalham diretamente com as redes sociais. Como dosar esse uso? Tem alguma orientação também? também determinar prazos tempos porque às vezes fica muito tempo só no conteúdo no trabalho que eu tenho que gerar na pesquisa que eu preciso fazer naquilo que eu preciso explorar e naquele calendário naquele dia não tem nada para sua saúde para o seu emocional um momento sei lá para você fazer alguma atividade física um momento para você só se desconectar um pouquinho também e Conversar com alguém, tomar um café com amigo Fazer uma ligação para alguém que você ama Conversar Nem que você se desligue por 5, 10 minutos já é o suficiente Às vezes fica tão, tão naquilo Eu preciso trabalhar, eu preciso fazer E se esquece também de viver momentos que são únicos nas nossas vidas Que a gente tem o hoje, o amanhã a gente não sabe Então é importante o hoje a gente aproveitar o máximo que a gente puder e conseguir com intencionalidade. Exatamente, dá ali um sentido para o que você está fazendo, fazer uma atividade que você realmente goste, que vai dar prazer. Amanda, para a gente encerrar, como trabalhar esse tema com as crianças e adolescentes? A gente sabe que eles estão muito conectados, principalmente essa geração que está vindo, a geração mais nova. Como fazer com que eles entendam que a tecnologia é importante, mas tudo tem que ser ali, tudo tem um limite. Eu acredito que não adianta só os pais limitarem as telas e não ter tempo de qualidade com seus filhos. Às vezes eu atendo crianças que às vezes o pai vem achando que ou a criança tem TDAH ou a criança está dentro do espectro, quando vê, na verdade, é falta de estímulo, porque às vezes a criança pede um copo d'água, um exemplo. Então ela nem aponta, ela só faz um gesto de que ela quer água. O pai, na hora da correria, está ali na atividade, ou a mãe já pega água e dá para a criança, não esperou ela dizer quero água. Nesse imediatismo e na agilidade das coisas, rapidez, que às vezes eu estou cheio de tarefas, eu acabo na rapidez dando e nem espero meu filho dizer eu quero água. Eu estou dando esse exemplo, mas tem a ver com o tempo, com o estímulo, com essa qualidade, com a criança e com o adolescente. Então, não adianta você limitar a tela e não ter esse olhar, esse aqui e agora, o estar presente, o tempo de qualidade. Então, isso é essencial. E, claro, eu já vejo muitos pais fazendo isso, que é limitar a tela. Ó, meu filho fica X tempo na TV, X tempo no YouTube, X tempo no celular. Tá, mas e o tempo de qualidade com você, ele existe? Então, acho que é essencial os dois caminharem juntos. Amanda, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso quadro. Obrigada, eu que agradeço. Obrigada também pela sua companhia. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. Até o próximo Saúde Agora! Legenda Adriana Zanotto