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Olá, pessoal. Mais um saúde agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas e hoje nós vamos falar sobre a retenção de receita para as canetas emagrecedoras. Já está valendo a decisão da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que determina a retenção de receita para a venda de canetas emagrecedoras em farmácias. A partir de agora, a prescrição médica deverá ser feita em duas vias, como já acontece com os antibióticos. E quem vai explicar tudo sobre esse assunto é a Andressa Heinischer, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia da Regional São Paulo. Doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde agora. Gente, obrigada pelo convite. Eh, doutora, vamos começar explicando primeiro pro pessoal que tá em casa o que são essas chamadas canetas emagrecedoras. a gente sabe que esse é o nome popular, né, mas tem as substâncias por trás aí dessas canetas. Eu queria que você explicasse um pouquinho. No fundo, no fundo, eu confesso que a gente não gosta desse nome canetas emagrecedoras, né? Eh, são as medicações que se popularizaram muito nos últimos anos, que são os sintéticos de hormônios da saciedade. A primeira delas é a liraglotida. Depois, a gente tem a semaglutida. e mais recentemente a tirepatida, que tem os nomes comerciais delas por aí, né? E aí elas têm essa aplicação feita através de injetáveis, que são as canetas primeiro mais parecidas com a aplicação de insulina e a mais recente que é a tirepatida, tem um dispositivo especial de aplicação, mas também se assemelha aí a uma caneta. Mas existe a versão vioral também da semaglutida. via oral, que também vai entrar nessa regulamentação da receita eh com maior controle. Ah, bacana. Então, eh doutora, qual que é o objetivo dessa nova determinação da Anvisa? Você acredita que a partir disso haverá um controle mais eficaz desses medicamentos? Olha, eu tenho que falar antes que eu sei que as pessoas não estão gostando disso, né? A gente tem que abordar isso, né? que ai, mas as canetas é um tratamento caro ou consulta com o médico é cara, mas da mesma forma que aconteceu com antibiótico que acontece que tem os psicofármacos, né? Então floxetina, certralina que também são receitas mais controladas, a gente teve uma mudança recente também de medicações para induzir o sono também que mudou a forma de prescrição para controle. Gente, ter o controle significa ter segurança de quem tá te prescrevendo. Quando eu bato o meu carimbo num receituário que vai ser agora o branco simples, eu tô colocando a minha assinatura e a minha responsabilidade sob o seu tratamento. Então, apesar de muita gente usar por conta própria, e essa esse é o grande movimento, remédio não deve ser usado por conta própria, né? Então, ter uma receita com uma forma de controle é justamente paraa segurança de todos nesse processo. É até para coibir essa automedicação, né, que o pessoal tava indo paraa farmácia comprando sem qualquer orientação médica, né, doutora? Exato. É da mesma forma que aconteceu com os antibióticos há alguns anos atrás. A automedicação com antibiótico a gente sabe que é muito danosa por conta de bactérias resistentes, né? E a gente sabe que a automedicação com as famosas canetas emagrecedoras, ela também tem seus riscos, como toda a medicação, apesar delas serem extremamente seguras e muito bem estudadas, doses a mais, aplicações erradas, uso prescrito por profissionais não médicos, a gente sabe que também tava acontecendo, infelizmente. Então, tudo isso fazia com que a gente perdesse o controle da segurança. E doutora, quais são esses efeitos, né, alguns efeitos adversos que podem surgir aí se essas canetas forem usadas de forma indiscriminada? Então, vamos lá. Os efeitos adversos principais são relacionados com o intestino, náusea, vômito, diarreia ou obstipação. Esses são os efeitos adversos mais comuns. O que muitas vezes acontecia é que a pessoa por orelhada ouvia às vezes na rede social alguém usando tal dose, porque como é uma pessoa leiga na rede social, ela falava das doses, daí ela fala, as pessoas falam, a gente não dá pra gente esconder isso, né? E aí a ia na farmácia, comprava por conta própria e aí começava a se aplicar. Já tive caso de paciente que depois virou o paciente que aplicou por conta própria uma dose muito alta, foi parar no pronto socorro com diarreia, com obstipação. Teve paciente que teve uma obstipação que ficou eh tinha mais de 4 kg de fezes presas porque usou uma dose exagerada por conta própria. Então, gente, fazer isso é perder a saúde. E o que a gente mais quer no tratamento correto da obesidade? Porque aí o que que a gente tem que só separar um pouquinho aqui, o que é tratamento de obesidade e o que é busca estética. Quando a gente fala das canetas emagrecedoras, por que que a gente não gosta de falar de emagrecer? Porque emagrecer não necessariamente é tratar obesidade. Tratar obesidade do jeito correto é reduzir risco. Reduzir risco de infarto, de derrame, de diabetes. O primeiro passo do controle do diabetes tipo 2 é o controle da obesidade. E a gente tem no Brasil seis em 10 pessoas com sobrepeso e obesidade. Então, a gente sabe que aqui no Brasil é difícil a gente separar, mas é muito importante para nós médicos que fazemos o certo entender que o certo é com receita e o certo é com acompanhamento. Exatamente. E por isso mesmo elas não, essas substâncias elas não são indicadas para todo mundo, só para quem tem o diagnóstico de obesidade mesmo, né, doutora, ou sobrepeso, né? E aí a gente também tem que pontuar que o sobrepeso hoje em bula das medicações é IMC acima de 27 com alguma complicação associada ao ganho de peso. Mas a gente também tem um conceito de obesidade sobrepeso que vem mudando muito recentemente, porque muitas vezes o paciente tem um IMC dito como normal, mas tem uma concentração de gordura muito grande dentro do abdômen e essa concentração de gordura aumenta muito risco de infarto, né, e de derrame. Então, por isso que vale a pena a avaliação médica para dizer: "Poxa vida, será que você é elegível? Será que a caneta é para você? Será que ela vai realmente te fazer bem?" Eh, veio muito à tona nas próprias redes sociais a questão de perda de massa magra, perda de massa óssea, por geralmente são usos dessas substâncias no curto período de tempo, perde-se muito peso, muito rápido. E isso a gente também sabe que não é bom. A gente sabe que existe a possibilidade de fazer reganho quando para sem fazer desmame. E o que a gente quer é que o processo seja corretinho, do começo ao fim, para que a pessoa no final do processo saia com mais saúde do que ela entrou. Exatamente. Eh, doutora, até gostaria que você falasse exatamente assim para quem que essas canetas são recomendadas. Então, quais são os pacientes que precisam realmente faz que precisam, né, fazer uso dessas canetas, dessas substâncias. Vou te falar em bula primeiro, tá? É o índice de massa corporal acima de 30, que é aquele cálculo que a gente faz dividindo o peso pela altura ao quadrado, tá? Ou índice de massa corporal acima de 27 com complicações associadas ao ganho de peso. No entanto, a endocrinologia ela é uma especialidade que eu falo que ela tá em ebulição nos últimos anos, né? Então, no começo desse ano, saiu uma nova resolução publicada num jornal eh científico de impacto mundial chamado Lancet, que mudam-se um pouco as classificações de obesidade. Por exemplo, atletas, como eu brinco, como por exemplo o Anderson Silva, né, que tem o IMC alto, mas tem um índice de gordura baixo. Muitas vezes eles não são classificados como obesidade mais e eles seriam pelo IMC. E pacientes com sobrepeso inicial, às vezes 26 até 25,5, mas que tem uma concentração de gordura dentro do abdômen muito alta, muitas vezes eles passam a ser classificados como obesidade. Então a gente tá mudando, mas por bula é isso que a gente tem no Brasil hoje. E a gente sabe que isso está evoluindo nos próximos anos para que a gente tenha uma decisão individual no consultório. Às vezes a gente vai ter aquele paciente com índice de massa corporal mais baixo, mas que olhando na consulta tá com colesterol altíssimo, triglicérides altíssimo, tem um risco de infarto e derrame na família muito alto. A gente sabe que essas medicações, notadamente a gente tem a semaglutida, eh, mostrando redução de risco cardiovascular, a liraglutida também, a tirisepatida com estudos vindo por aí. A gente sabe que essas medicações têm benefícios cardiovasculares, né? Então, a ideia aqui é colocar o remédio certo paraa pessoa certa. Com certeza, doutora. E queria que você falasse, explicasse um pouquinho como que essas canetas agem eh na questão da da diabetes também e do e no caso do tratamento da obesidade e do sobrepeso. Então, vamos lá. Então, a coisa mais legal da gente falar paraa população em termos de conscientização é que se a gente quiser mudar o panorama do diabetes tipo 2 no futuro, a gente precisa mudar o panorama do tratamento da obesidade agora, porque mais de 90% dos pacientes com diabetes tipo 2 são pacientes com sobrepeso obesidade, né? Então, as medicações, elas são medicações, elas agem no pâncreas, melhorando o funcionamento do pâncreas, fazendo com que eu tenha uma redução de uma de um problema que acontece chamado resistência à insulina. No diabetes tipo 2, o pâncreas do paciente fabrica muita insulina e o corpo inativa essa insulina, enfraquecendo essa insulina. Então gera um ciclo vicioso de mais pâncreas produzindo insulina, mais organismo inativando insulina. E aí com isso a pessoa acumula mais gordura na região do abdômen, até que chega um ponto que o pâncreas como uma fábrica exaure e aí aparece o diabetes tipo 2. No geral é assim, tá? as medicações elas melhoram o funcionamento do pâncreas e claro elas têm o efeito de redução do apetite. E aí com isso mais de saciedade no técnico do que de redução do apetite. Mas quando a gente reduz a quantidade de comida que entra e melhora o funcionamento do pâncreas, a gente consegue fazer com que essas pessoas percam peso e a perda de peso é preventiva também com relação ao desenvolvimento do diabetes. Então, é por isso que colocar a receita é colocar seriedade nesse processo que é muito sério. Ninguém quer ter diabetes tipo dois. E o pior não é isso. O paciente com diabetes tipo 2 é aquele paciente que tem o maior risco imenso de infarto e derrame futuro. Então é olhar para aquele pessoa que não quero que infarte amanhã, não quero que tenha diabetes, tenho que tratar com seriedade e obesidade hoje. E é uma questão também de dar prioridade pros casos que realmente necessitam, né, doutora? Porque se você todo mundo começa a usar, como é que fica a questão do medicamento, né? uma hora vai acabar aí faltando para quem realmente precisa. É, a gente não tem oferta de medicamento para todo mundo e o custo também da medicação é muito alto, né? Então, assim, eh, o que eu acho que tem que ser muito pesado pelo profissional médico é justamente para quem você vai indicar o tratamento, né? Porque muitas vezes tem paciente, a gente sabe, tem um tem dados importantes de semaglutida e tirepatida, mostrando redução da evolução do diabetes, né? Então, o paciente que usa com obesidade, ele não fica com diabetes no futuro. Então, muitas vezes, o paciente ele acaba não conseguindo comprar o remédio e ficando sem o fator de proteção e fazendo o reganho de peso é muito danoso para ele. Então, também garantir que nesse processo ele tem um abastecimento correto durante o tratamento, seja quanto tempo esse tratamento precisar durar, certo? Ô, doutora, a gente vê muita criança e adolescente entrando nessa questão do sobrepeso e da obesidade, né, principalmente eh nas nos últimos anos, né, os estudos estão apontando que esses números estão aumentando cada vez mais. Essas substâncias também são benéficas para as crianças e adolescentes caso sim prescrito, caso seja necessário? Lira glutida eemaglutida tem liberação acima dos 12 anos de idade, tirepatida acima dos 18, mas existem estudos da lira glutida a partir dos 6 anos de idade, mas ainda não tem liberação aqui pela Anvisa e estudos da tir hepatida também para crianças e adolescentes, mas também não tem liberação ainda oficial, né? Então assim, o que a gente entende é que apesar das redes sociais, isso eu preciso deixar muito claro para vocês, apesar das redes sociais terem um movimento às vezes de ai, mas tem tal efeito adverso ou outro efeito adverso, onde isso não é seguro, isso não tem estudo, na verdade, gente, isso não é verdade. Essa linha de medicamentos a gente tem para mais por baixo 30 anos de estudo. A primeira medicação dessa classe se chama exenatida. E se vocês gugarem, né, colocarem aí na internet, vocês vão ver que queatida tinha no Brasil aproximadamente 2004. É a primeira medicação dessa classe. Então, de comercialização, nós estamos falando de 20 anos dessas de medicações, eh, que são da mesma família. E agora a tirepatida é são dois hormônios, né? Então, a gente fala que é parente da primeira família, né? Mas a gente entende, a gente tem esse conhecimento há muitos anos. Então as medicações são seguras. O FDA, por exemplo, e Anviva, que são agências regulatórias, liberarem uma medicação acima dos 12 anos de idade para tratar obesidade infantil, é dizer que as medicações são seguras. E eu reforço para vocês, obesidade mata, né, em curta a vida em média 10 anos. E imagina uma criança que você olha hoje com problema de obesidade infantil, você imagina pra gente endócrino que trabalha com riscos o que dói no coração, às vezes eh os pais ficarem com medo por conta de um posto de rede social. E a gente tá vendo, a gente sabe isso, a gente tem estudos que no futuro mostra que curta vida. Então tratar e entender o jeito certo é fazer todo o processo do jeito certo, né? Com certeza, doutora. Eu gostaria muito de agradecer sua participação e sua disposição, né, para atender aqui toda a nossa equipe. Muito obrigada. Obrigada. Eu obrigada também pela sua companhia aí de casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. Até o próximo. Saúde agora. เฮ