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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde Agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre autismo e ciclo menstrual. Essa é, sem dúvidas, uma combinação que merece atenção. Isso porque o período menstrual pode ser ainda mais desafiador para meninas autistas, mas a boa notícia é que existem formas personalizadas para promover esse cuidado. E quem vai explicar tudo sobre esse assunto é a enfermeira Ana Anunciação, pós-graduanda em saúde da mulher e ginecologia natural. Ana, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde. Agora eu que agradeço pela oportunidade de estar aqui e também a oportunidade de estar trazendo sobre esse assunto que é muito escarso hoje em dia. Quando nós falamos sobre saúde da mulher, eh, tudo é mais dificultoso, tendo em vista que a saúde da mulher é tudo muito recente, né? os programas que eh a gente se encontra eh é tudo muito recente. E quando paramos para pensar também que, eh, a respeito do autismo e tudo que as mulheres vêm enfrentando, porque é normal você encontrar crianças autistas, né, projetos para crianças autistas em escolas, tá? Mas essas meninas e essas mulheres vão crescer, vão virar adultas, eh, e elas precisam ter um um embasamento do que fazer. E a menstruação, ela já é muito difícil para nós, né? Imagina paraas meninas autistas que a maioria delas não consegue haver aquela comunicação verbal, né? Eu falo comunicação verbal porque existem vários meios de se comunicar, eh, não só a verbal. Então, eu criei uma metodologia eh onde eu consigo passar para essas meninas eh a respeito do seu cuidado íntimo, eh o seu cuidado eh com o seu ciclo menstrual de um jeito que não faça aquela mudança de rotina brusca e acarrete ainda mais estresse para esse momento que ela tá passando, por esse ciclo que ela está passando. Queria até que você falasse um pouquinho paraa gente, né, para quem tá acompanhando, quais são os principais desafios que essas meninas, né, que tem a o transtorno do espectro autista, quais são as principa os principais obstáculos que elas acabam enfrentando quando entram aí nesse período de ciclo menstrual? Elas enfrentam ali a questão das alterações de rotinas, porque elas têm aquilo que tem ser feito todos os dias e de repente ela se vê menstruada. Daí são mais banhos que ela tem que tomar, eh, são eh, a questão do uso do absorvente e às vezes até mesmo constrangimento, porque ela não sabe realmente, ela tem aquela dificuldade de ela estar comunicando o que ela tá sentindo, o que ela tá passando, e isso pode eh propiciar para que ela entre num quadro de depressão. Existe a DPM, que é um distúrbio, tá? E a maioria das mulheres que sofrem esse distúrbio são autistas justamente por elas não saberem passar aquilo que elas eh passar de forma verbal, eh transmitir o que elas estão passando ali naquele momento. E sem contar que também ali a confusão de ela não saber como ela está, o que que está acontecendo no corpo dela, porque o que nós vemos é que a maioria dos pais não sabem lidar com isso. É, exatamente entrando nesse assunto dos pais, né, mães, familiares, como que eles podem trabalhar isso junto com essas adolescentes? Quais seriam as orientações? sempre de forma clara, sempre. Eh, eu sempre falo, você vai ensinar sobre o corpo paraa menina, primeiro tudo, coloque o nome correto na parte dos do corpo. Do mesmo jeito que nós olhamos pro nosso rosto e falamos: "Esse aqui é o olho, essa daqui é a boca". Do mesmo jeito tem que ser com as partes íntimas, por quê? Elas entendem aquilo que nós falamos. Se eu fal, se eu colocar outro nome nas minhas partes íntimas, ela pode associar isso a outra coisa depois, né? Eh, então elas são muito visuais também, então tenha sempre objetos visuais a hora que você for mostrar para ela e tudo com muita clareza. Aqui, por exemplo, eu tenho eh essa daqui, que é o que eu uso no meu consultório. Então, tudo com muita clareza, muito visual para que ela entenda a parte do corpo dela, eh, para que ela, eh, lave, por exemplo, saiba lavar. Então assim, na consulta sempre eu tenho o sabonete que ela usa, eh, e eu falo: "Olha, vamos lavar, me mostra como que lava, porque elas são visuais. Isso faz parte também eh da comunicação eh assertiva, né, que alguma das meninas autistas elas eh elas se identificam muito que chama CA, que é uma comunicação alternativa eh aumentativa. Então, às vezes, ela não tem a comunicação ali verbal, existem outros jeitos de você estar comunicando com ela e trazendo essas informações com mais clareza, seja em tudo do nosso cotidiano. Até gostaria, Ana, que você explicasse um pouquinho como que é esse atendimento personalizado que essas meninas recebem, por exemplo, no seu consultório, né? Você desenvolveu uma abordagem eh de conscientização, não é isso? Isso mesmo. Eh, no meu consultório eu tenho a eu tenho a nossa mascotinha, né, para poder gerar realmente identificação, porque elas são muito visuais. Então, quando elas vêm já o símbolo, ela já gera aquela identificação de que é alguém, é uma boneca e é como elas, né? E no meu consultório tudo é muito lúdico, tudo é muito demonstrativo. Além de que eh eu fiz também um planejamento menstrual com elas, onde a mãe leva em forma de imístrual. Para quê? Para que essa menina todos os dias acompanhe o tia dela. E é com íã, né? Tanto o calendário quanto eh os dias são em ímas para ela poder ir mudando até chegar o dia que vai descer. Elas falam sangue, até o dia que vai descer o sangue para elas. Então elas já vão ir preparando durante esses dias para que não aconteça aquela mudança brusca, né? Então ela já sabe o que que vai acontecer com o corpo dela naquele dia. Ana, essas meninas elas podem sentir o os sintomas, né, da da TPM ainda mais acentuado, ter mais sintomas? Como que é isso, né, para elas? O que que elas te relatam? Sim, elas podem sentir todos os sintomas ainda mais acentuados e elas não conseguem, como eu falei assim, a questão verbal, mas elas falam que elas sentem que eh elas falam assim, dá vontade de dormir, dá vontade de ficar quietinha, daí elas fazem a posição que sente dor, mostra onde sente dor. Então, a partir desse momento, a gente vai adaptando ali também em questão de medicamento pra dor, o que que pode estar fazendo antes da menstruação para poder trazer esse alívio para essa menina e que a menstruação não não venha ela, por exemplo, de ir pra escola. Eh, e trazer isso também, eu tô tentando trazer isso também pros alunos da escola, de que a menstruação é algo normal para todas as meninas, inclusive para as autistas. Você abordou um tema interessante eh sobre falar desse assunto também nas escolas. Isso falta ainda, né, Ana? Falta, infelizmente falta. E é por causa disso que a gente eh cresce com muito sabor. Eh, uma paciente minha que é autista, ela morre de vergonha pelo fato de que pode sair o sangue na roupa e ela não saberia lidar com isso, por exemplo. Então, o período menstrual dela, ela não vai dia nenhum pra escola. E isso tem que ser trazido, é um tema muito necessário na escola falar que é normal, é normal. Eh, é, é fisiologia do nosso corpo. Exatamente. No caso, as mães, Ana, elas também recebem orientações, né, quando buscam o seu atendimento. Você acredita que ainda faltam mais especialistas voltados, né, para esse público, voltados aí para esse cuidado com as pessoas com que t autismo? Com certeza. falta muito, muito, porque quando a gente começa a analisar tudo, eh, a tendência é só aumentar o número de autistas e nós profissionais temos que estar preparados para recebê-los, qualificados para recebê-los. A sociedade também precisa estar qualificada e os pais principalmente, eh, porque as crianças vão crescer, elas vão, elas vão fazer parte, elas precisam estar ali inclusas na nossa sociedade, elas precisam também adquirir mais autonomia porque eh elas vão se tornar os adultos de amanhã. Eh, lembrando ainda, né, que a gente tem um mês, né, que é o Abril Azul dedicado só para essa conscientização, né, com relação ao autismo. Exatamente. É, o eles estão até tentando mudar a questão da cor azul, né? Porque antes era mais eh por causa dos meninos que eram mais diagnosticados e as meninas nem tanto, mas hoje já tá ali tendo bastante diagnóstico das meninas também. É, Ana, como qual recado, né, você daria para essas mães que estão com adolescentes autistas e em casa e e elas estão entrando aí justamente nessa fase puberdade, ciclo menstrual, né? Quais seriam, qual é o primeiro passo, né, para essa mãe, para esse pai? É preciso que eles levem já num ginecologista, como orientar também os pais nesse sentido? levar primeiramente num ginecologista, procurar uma pessoa eh especialista que saiba eh comunicar com a sua filha, que saibam passar as informações para sua filha. Às vezes, nem sempre a a melhor opção é você eh cortar, né? Porque algumas pessoas não sabem lidar com, alguns pais não sabem lidar com eh essa menstruação, essa situação e opta por eh dar anticoncepcional de uso contínuo para que essa menina não menstrue. Mas nem sempre é a melhor opção. Deixa eh ter ali o primeiro contato, vê como que vai ser, comunique com ela de forma clara, sem tabu, sem eh piadinha, sem eh colocar nomes engraçadinhos, não. Seja claro com ela, mostre realmente como que é para que essa menina ela conheça o próprio corpo dela. Achei que interessante que você falou que algumas até desenvolvem aí a depressão, né, que é um outro transtorno aí junto, né, com a TPM. E nesses casos, Ana, qual que seria também a orientação, né, para que a adolescente não chegue nesse ponto tão crítico ou chegou também, o que que deve fazer? É tudo, então, então é tudo na base da comunicação. Se a família compreende eh como que é, porque a pessoa, a os pais conhecem os filhos, né? Então, a partir do momento que tem aquela comunicação que ele está vendo para onde está levando, para onde a situação está levando, converse, se for um caso de já está avançado, procure também um profissional para que ela de algum jeito, né, eh, use a comunicação, o CAA, que eu falei, eh, a comunicação para que ela consiga sair dessa situação que ela se encontra, mas tudo é na base da comunicação. O autismo não deve viver numa bolha super protegidos, não é a inclusão. Nós devemos incluí-los na nossa sociedade. E a partir do momento que nós decidimos incluir na nossa sociedade, a sociedade também tem que abraçar essas pessoas, né? Eh, são pessoas como todas nós, que sofre do mesmo jeito, só que às vezes não consegue comunicar do mesmo jeito que nós comunicamos. Ana, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde agora, pela sua disposição em participar aqui do quadro. Eu que agradeço, Ana. Obrigada também pela sua companhia aí de casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo. Saúde [Música] agora. Oh. [Música]