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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde Agora começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre a andropausa. Ao contrário da menopausa que atinge o público feminino, a andropausa ainda é pouco conhecida entre os homens. No Brasil, ela atinge até 21,3 milhões de homens com mais de 40 anos. Na região de Campinas, mais de 121.000 homens enfrentam essa condição, que ainda é pouco diagnosticada e enfrenta tabus. E quem vai explicar tudo sobre esse tema é o George Mantese, médico de família e comunidade, doutorando em educação e saúde pela USP e especialista em longevidade anti antiaging e wellness. Eh, doutor, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde. Agora eu que agradeço a disponibilidade de vocês de estarem falando desse tema tão pouco conhecido paraa nossa população. Com certeza, doutora. A gente pode dizer que a andropausa seria a menopausa dos homens? O nome andropausa justamente foi meio criado para que isso se torne um pouco mais fácil de entendimento. É, é, é mais conhecida como a deficiência androgênica do envelhecimento masculino, mas como era nome muito mais complexo e a menopausa é tão bem conhecida, a andropausa se encaixa perfeitamente nessa qualidade, que é justamente isso, podemos dizer que é a menopausa dos homens. E doutor, no caso, a andropausa, não é que o homem fica sem a produção hormonal como as mulheres, é isso. É uma redução da testosterona. Perfeito. A gente tem diversos estudos que falam que a partir dos 30 30 anos os homens acabam diminuindo 1% do nível de testosterona ao ano. Então, a partir do 30 anos, começa a ter uma redução da produção de testosterona. E aí o que acaba acontecendo? Em algumas pessoas, a partir dos 40 anos, mais ou menos, essa produção chega abaixo do que que é fisiológico, abaixo do que seria necessário, causando alguns sintomas, que seria justamente a andropausa. E esses sintomas, claramente com a passar do tempo, que vai reduzindo cada vez mais o nível de testosterona, mais homens são atingidos por esse quadro. Eh, doutora, eu gostaria que você falasse um pouquinho quais são os principais sintomas causados pela andropausa, né, pros homens que estão acompanhando aqui o nosso quadro ficarem ligados, né, e entenderem um pouquinho mais sobre esse assunto. A gente pode dividir, para ficar até mais claro pra nossa audiência em três grandes grupos. São sintomas sexuais, quer dizer o quê? Diminuição da libido, disfunção herétil. Depois nós temos mais psíquicos, são sintomas mais psíquicos. Como quê? fadiga, irritabilidade, humor mais deprimido. E aí nós temos aqueles sintomas físicos que é o quê? Perda de massa muscular, perda de força, o fato de ganho de peso, de gordura abdominal, que a gente é muito comum a gente perceber também é ligado a esse quadro. Doutor, e existe, existem, né, na verdade andropausa precoce? Aí sim, existem casos de hipogonadismo masculino. Quer dizer, o quê? a produção de testosterona adequada, os níveis não são níveis fisiológicos, então acaba tendo sintomas. Tanto que um um outro nome que a gente pode chamar andropausa é hipogonadismo masculino tardil, porque sim, existem quadros que de jovens que tm esse hipogonadismo. É, Dr. Jorge, a gente pode dizer também que a andropausa é uma epidemia ignorada por conta até dos homens terem essa resistência, né, de irem ao médico, de procurar um especialista. Por que que o senhor acredita que os homens são tão resistentes quanto a própria saúde? Excelente pergunta. a gente tem questões culturais bem importantes em relação ao cuidado e saúde dos homens e a andropausa, naturalmente, como são sintomas que podem representar outros quadros que não é dentro do nosso consultório, é super comum virem quadros de homens que estão usando antidepressivo porque foram foram foram receitados antidepressivos porque pensava que era um quadro de depressão. homens que vieram usando questões de estímulos sexuais, a gente pode falar o famoso viagra e tudo para manter relações porque imagina que não seja um quadro que seja de caráter hormonal. Então são sintomas que eles podem enganar muito e serem parecidos com outros quadros. Então é natural que a que a gente tenha um um um paciente que venha sem ter um diagnóstico fechado, venha tratando sintomas específicos. Ah, tá com fraqueza, isso aqui, tá com questões sexuais, isso aqui, tá com humor mais deprimido, isso aqui. E na verdade a gente tem uma causa central. Então, por isso que é sempre importante a gente tá falando isso, que é um que em medicina a gente chama diagnóstico diferencial de diversas situações clínicas que com certeza ainda são negligenciadas por falta de conhecimento e também por uma questão cultural nossa. Exatamente, doutor. Falando um pouquinho do diagnóstico que você comentou, como que é feito o diagnóstico mesmo da andropausa? É super interessante. A gente, eu adoro falar isso assim como até como médico de família e comunidade, nós tratamos pessoas, não tratamos exames. Então, primeira questão é sintomas. São pessoas que têm eh sintomas característicos. São esses sintomas sexuais, psíquicos, físicos. Perfeito. Chegou com esses sintomas, a gente faz, a gente vê o nível de testosterona no sangue em pelo menos duas medições diferentes, porque podem ter variações até durante mesmo o período do dia, pode ter variações de testosterona. Então a gente fazendo isso, a gente faz sintomas e depois a questão diagnóstico mesmo laboratorial. Com isso a gente fecha o diagnóstico que pode partir pro pro tratamento. Então é bem simples o o diagnóstico é extremamente simples. Por isso que ã é algo fácil de ser feito, algo que nós deveríamos estar fazendo até para melhorar a qualidade de saúde da população acima dos 40 anos, que com o tratamento, a qualidade a gente vê melhoras da questão sexual em 60% dos casos. A questão física melhora 70%, a questão psíquica da fadiga, do cansaço, da diminuição de performance cognitiva pode melhorar 80% só com hormonal. Então é muito fácil de ser tratado e muito fácil de ser diagnosticado. Eh, falando ainda eh do diagnóstico, né, esse exame ele é possível ser feito pelo SUS? Sim, esses exame normalmente eles são cobertos, todos os municípios têm já esses exames para serem realizado dentro do do Sistema Único de Saúde. Então o caso é a dica de pessoas acima de 40 anos estão com esse quadro, procurem atendimento médico, o colega vai fazer uma avaliação. Nós temos diversas escalas já validadas. São algumas perguntinhas justamente para para avaliar esses quadros desses pacientes a partir dali com facilidade. Eh, doutor, agora o o homem foi diagnosticado com andropausa, o diagnóstico foi fechado. Qual é o tratamento mais indicado? O tratamento é é terapia de reposição hormonal. Na verdade, o que acontece? Tem queda de testosterona, tem baixo hormônio da testosterona, a gente entra com o hormônio exógeno, a gente chama, que é o hormônio de fora que a gente entra. Como podemos entrar isso? Existem injeções, existem gel, existem implantes hormonais, então existem várias formas de entregar essa testosterona para que os níveis de testosterona subam e sejam os níveis fisiológicos e reduzam, barra, diminuam ou mesmo interrompes sintomas que o paciente pode ter. Tem alguma dica, orientação com relação a a estilo de vida, alimentação, que também pode ajudar no quadro? Assim, ó, prevenção e estilo de vida, assim, todos os quadros em saúde, eu diria que tem muito a ver com estilo de vida, alimentação, todos os quadros, seja doenças crônicas, diabetes, hipertensão, seja o caso da andropausa, nós temos assim exercício físico regular, isso aí vale para cima. Isso é é o nosso basal, é tanto quanto respirar, nós deveríamos estar realizando isso. Isso melhora o monte, a produção e pode reduzir o os quadros de andropausa, reduzir aquela queda de testosterona que nós temos. Uma segunda questão, alimentação equilibrada. Existem alguns trabalhos, principalmente de Harvard, faz alguns trabalhos em relação a isso, que fala algumas vitaminas e minerais que podem parecem ter um efeito muito interessante na produção de testosterona, como zinco e vitamina D. Então, parece que são vitaminas bem interessantes. Então, alimentação saudável, exercício físico, sempre. Depois, controle do peso corporal, a obesidade tá associada à redução da testosterona. Então, tendo esse controle de peso, naturalmente com o exercício físico, a alimentação, fica mais fácil a gente ter o controle de peso. Naturalmente a gente vai ter uma melhora do nível de testosterona. E, por fim, tabagismo e consumo de álcool que parece impactar negativamente na produção hormonal. Eh, doutor, essa reposição hormonal que o senhor comentou, ela é indicada para todos os homens? Porque tem homens que vão ter eh vão ter algumas restrições nesses casos. O que que ele poderia fazer? Perfeito. Existem alguns quadros que a gente tem que tomar um pouco mais de cuidado com com entrada da questão da testosterona. Então a gente faz uma avaliação prévia do desse paciente, vê como é que tão as tão tá todo paciente como um todo. E a partir daí se existem algum alguma questão que inibe a utilização de testosterona ou a gente pode entrar dosagens mais baixas ou a gente pode tentar estimular a produção própria de testosterona com aquilo que a gente falou da obesidade, mudança do estilo de vida, exercício físico e alimentação para tentar chegar o máximo possível ao fisiológico. Agora, Dr. Jorge, se a andropausa ela não for tratada, né, muitos homens nem sabem que tem eh que estão nessa condição, quais problemas ela pode trazer aí pra saúde do homem? Existem alguns trabalhos que mostram que testosterona muito baixa, assim como test no caso de quem faz uso, academias e afins, podem aumentar riscos cardiovasculares, risco de AVC, infarto a a um período de tempo. Então esse aí pode ser um problema maior e mais grave, mas a gente tem aqueles problemas que são mais silenciosos. Um homem com questões sexuais pode ter dificuldade no casamento, nas relações que mantém. Um homem com humor deprimido, fadiga, cansaço, pode ter mais dificuldade no trabalho, na na nas relações interpessoais, não vai querer fazer as coisas com os amigos, não vai trabalhar tanto, o cognitivo vai ficar um pouco pior, a produção vai ficar pior e e fisicamente um homem sem massa muscular, mais pesado e tudo, não vai conseguir também realizar com as coisas que ele realizava. Então tem às vezes aquilenciosas, a gente fala as coisas mais graves, AVC, infarto, mas tem as questões silenciosas que também interfere na qualidade de vida absurda da população acima dos 40 anos masculina. Com certeza, doutor. E por ser ainda um tema tabu, o senhor acredita que faltam campanhas, mais incentivo público para divulgar esse tema? Até campanhas de conscientização mesmo, né? Eu tô dizendo, sem sombra de dúvida. Eu sou, eu sou um defensor que a gente cada vez mais tem que falar sobre isso. Ã, são diversos pacientes que a gente pega fazendo, tratando sintomas e não tratando causa. Isso, isso às vezes assusta um pouco, porque a gente entra com um monte de medicação para um paciente, tratando vários sintomas separados e uma causa é algo simples, fácil de diagnosticar e fácil se eu te tratar, que é justamente a andropausa. Eu sou um defensor, eu acho que a gente precisava trabalhar com mais campanhas, mas existem algumas questões importantes dentro do Brasil que é sempre quando a gente fala de hormônio, às vezes tem uma visão meio negativa da questão hormonal. Isso até de colegas da área da saúde. Pouco a pouco a gente tá se conscientizando porque grandes instituições, como eu falei, da Harvard, estão fazendo diversas pesquisas e estão trazendo mais à tona isso. São são instituições com um peso muito importante, então quando elas falam algo, a gente escuta com mais carinho. Então eu sou um otimista. Eu acho que cada vez mais a gente tá melhorando isso. Justamente eu agradeço aqui o espaço de tá falando isso, porque eh eu acredito que com o tempo a gente tá chegando nesse ponto de tá falando mais sobre isso, de tá alertando e entendendo que, ah, não é porque eu tenho 60 anos que eu estou cansado, que eu tenho diminuição da libido, que eu tenho disfunção herético, que tá tudo bem, que meu cognitivo diminuiu, que é isso é o normal da vida, não é? A gente envelhece, mas a gente pode sim viver bem. Exatamente. Manter ali uma certa qualidade de vida, né, doutor? Como você mesmo disse. Sem dúvida. A qualidade de vida tá diretamente com o viver. As pessoas têm que ter qualidade de vida e com algo tão simples de ser diagnosticado e tratado, não tem por a gente não fazer. Eh, Dr. Jorge, pra gente já encerrando aqui o nosso bate-papo, eu gostaria que você falasse algumas orientações, algumas dicas, né, pros homens que estão acompanhando aqui o quadro, para que eles possam, né, procurar ajuda, procurar um atendimento médico. Qual médico seria mais indicado nesse caso da andropausa? Vamos lá. Primeiramente, novamente, obrigado por esse espaço. É sempre importante você ali que tá nos vendo entendendo, tô com uma diminuição da libido, eu tô com uma disfunção herétil, tô com mais cansado, tô com a performance não é mais a mesma, o cognitivo não é mais a mesma, a memória não é mais a mesma. Tô engordando muito, tô perdendo massa muscular. Não é normal. Não tem por a gente não procurar ajuda de um colega, de um atendimento médico. E isso eu abro as portas para ser médico de família em comunidade, nós temos dentro das unidades básicas de saúde, nós temos clínicos que também dentro do privado ou mesmo de de de dentro do Sistema Único de Saúde, todos esses profissionais, a gente tá preparado para isso. converse com esses profissionais, essa sintomatologia e aí sim a partir daí fazendo exames, coisa rápida, exame de sangue que a gente faz duas medições, deu e a já pode começar iniciar o tratamento e assim em duas semanas a resposta que nós temos vistos diretamente do nossos pacientes é impressionante. São casamentos reestruturados, são pacientes que nos falam que aumentou a produção dele em questão intelectual e ele empresários que falaram que tiveram um faturamento triplicado desde que começaram a fazer a reposição hormonal e questões físicas também, emagrecendo, ganhando massa muscular e se sentindo melhor. Doutor, muito obrigada pela sua disposição e participação aqui no Saúde Agora. Eu que agradeço. Muito obrigado. Obrigada também pela sua companhia em casa. Você pode conferir todos os quadros da nossa programação no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo. Saúde agora. [Música]