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Olá, está no ar mais um Saúde Agora. Na edição de hoje vamos falar de um tema preocupante que se tornou um problema de saúde pública. Vamos falar sobre intoxicação medicamentosa. Recentemente, a morte do cantor e compositor L. Borges, aos 72 anos, vítima de intoxicação medicamentosa, colocou em pauta os perigos do uso incorreto de remédios e também da automedicação. Para falarmos sobre esse assunto, convidamos a Camila Albuquerque Matos, ela que é farmacêutica clínica intensivista. Seja muito bem-vinda, Camila. Obrigada pela sua participação. Obada, um prazer estar aqui, Camila, pra gente iniciar então, né, para que o pessoal entenda exatamente o que vem a ser essa intoxicação medicamentosa. Ela faz parte de um conjunto, uma combinação de remédios para que aconteça essa intoxicação? Bom, eh, não é necessário haver a combinação de medicamentos, né? Na verdade, a intoxicação medicamentosa nada mais é do que uma dose eh maior do que a dose terapêutica, né? A dose usual, né? Eh, todo medicamento tem uma dose máxima e quando essa dose máxima é ultrapassada, já vem a ser uma intoxicação medicamentosa. E pode ser combinada ou não com outros medicamentos. Certo? E quais são as causas, né, mais comuns dessa intoxicação? Bom, eh, primeira causa, né, a mais comum seria a automedicação, né? Eh, é muito comum assim, eh, no nosso dia a dia, né, de farmacêutico, a gente vê pessoas que se automedicam, né, porém, né, não é recomendado de forma nenhuma a automedicação, né, aquela aquela coisa, né, você toma um o remédio do vizinho que deu certo com o vizinho, que deu certo com alguém da família. Todos esses t orientação médica, né, sem ser passado ou prescrito pelo médico, né? Então assim, esse uso de medicamento sem orientação do médico ou do farmacêutico vem a ser uma automedicação. Então é a causa principal de intoxicação, né? Também tem outras causas, né? Como crianças, né? O acesso que ali uma criança não era para ter, algum idoso que confundiu o medicamento com outro, né? Tem também essas são as causas de intoxicação. Camila, perfeitamente. Você comentou, né, a respeito sobre a causa principal, a automedicação, né, e a gente sabe que muitas pessoas acabam mesmo fazendo, né, o uso assim contínuo de remédios, eh, até para enxaqueca, dor de estômago. Muitas pessoas acabam acostumando com aquele medicamento e faz esse uso excessivo, sem uma prescrição. e até mesmo, como você mencionou, às vezes deu certo um remédio com alguém, acaba também ingerindo essa medicação. Existe algum medicamento, algum remédio que ele é mais perigoso, por exemplo, pra dor de cabeça, tem alguns analgésicos, né, alguns medicamentos que a pessoa às vezes nem espera aquele efeito do remédio acontecer, não passou a dor e já toma outro. Isso pode ocasionar também essa intoxicação. Pode. Eh, na verdade, eh, cada organismo é único, né? Então, assim, o que deu certo para um não obrigatoriamente vai dar certo para outra pessoa, né? Então assim, tem alguns medicamentos que também são calculados de acordo com o peso. Então uma pessoa de eh baixa peso já tem assim um já se ela for tomar o mesmo medicamento, a mesma dose com uma pessoa de um peso maior, já configura uma sobredose, já pode via ser uma intoxicação. Então assim, todo medicamento tem, é possível ter intoxicação dos mais variados tipos, né? E a intoxicação nós identificamos como, por exemplo, algum efeito indesejado e súbito, né? Os mais comuns são náuseas, vômitos, mas também pode ser alguns potencialmente mais graves, né? Como convulsão, coma, enfim, certo? E nesses casos, Camila, quando a pessoa ela identifica, né, que ela fez o uso excessivo desse medicamento, eh, em alguns casos tem então as náuseas, tem os vômitos, tem algo relacionado à parte física mesmo, dor de cabeça excessiva ou alguns outros comportamentos assim no corpo. E o que essa pessoa ela deve fazer, porque às vezes ela pode não eh assimilar que isso é de fato da medicação que ela tomou, né? Uhum. Claro. É assim, na verdade, se o a pessoa sentir algum efeito indesejado ou súbito, ela já deve procurar atendimento médico. E o tempo é um fator essencial na mudança de conduta. Quanto menos tempo ela eh tiver entre o atendimento médico e a intoxicação, mais rápido ela vai reverter ali esse quadro, né? Se passar mais tempo para isso, se demorar mais, aí fica mais complicado, né? Então assim, o tempo e se ela sentir algum fator indesejado e súbito daquele medicamento, se ela passou mal, se ela não está se dando bem, o ideal é que ela já vá no prescritor ali dizer: "Olhe, eh, eu não estou, né, me sentindo bem com esse medicamento, eu queria que ver a possibilidade de troca, né, ou então a suspensão mesmo e ver a troca, a substituição ali da terapia, né? nunca permanecer com esses efeitos, nunca parar sem eh indicação médica, né, nem tomar e nem parar de tomar, né, sempre ali eh procurar o médico ou farmacêutico, né, da sua confiança ou da farmácia mais próxima que você tem. Perfeito. Em qualquer uma das situações, né, Camila, o o correto, né, nesse caso, é realmente ter esse acompanhamento antes mesmo de iniciar uma medicação e até mesmo para parar, porque a gente sabe também, né, em várias pesquisas que parar de tomar uma medicação, de repente isso também pode causar um efeito contrário, né? Isso eh eu não vou nem tão longe porque assim, não precisa haver uma intoxicação para ter algum efeito indesejado, né? Nós também temos outro termo que é chamado reação adversa ou efeito colateral, que é o efeito indesejado naquela dose terapêutica. Então assim, não deixa ficar eh intoxicado para poder ali procurar atendimento médico ou, né, ou ter alguma ação de alguma forma. Se houver algum efeito indesejado, reação adversa, já sim, você não tem que ficar ali sentindo aquela dor, aquele efeito, né? Você já pode sim ir no prescritor e solicitar a troca da terapia, né? Ou ali ver o que que ele faz. Perfeito, Camila, a gente vai voltar o vai voltar um pouquinho e vai falar sobre essa questão, né? Você falou do que deve ser feito em relação dos sintomas, né? Se a pessoa ela começar a sentir um efeito diferente daquilo que ela costuma, um comportamento diferente, né, no organismo, o que ela não deve fazer em hipótese alguma, né, porque a gente lê sobre algumas questões, né, falando sobre isso, que muita gente acaba provocando, né, vômitos, acaba bebendo alguma coisa também que viu na internet, isso jamais pode acontecer. o que essa pessoa ela não deve fazer que de fato pode piorar e intensificar esse quadro, né, que ela está. Perfeito. É bem como você falou, né? Eh, por exemplo, antigamente eh tinha eh uma cultura de se usar leite para poder desintoxicar ou então, né, ali diminuir algum de alguma forma esse essa intoxicação, mas não, o leite é contraindicado, né? Então assim, realmente você tem que procurar atendimento médico e nunca tomar nada sem eh esse atendimento médico, né? por exemplo, o leite ou induzir o vômito. Tem alguns medicamentos que se você induzir o vômito, ele irrita, né, a mucosa aqui. Então não tem como, né, vai piorar aí o efeito, né? Então, sempre procurar o mais rápido possível atendimento médico. Perfeito. Então, Camila, uma outra questão, né, falando um pouquinho sobre eh essa questão dos sinais também e a gente fala agora sobre os tratamentos, né? A pessoa então que ela está sentindo esse mal-estar, que ela pode já ser eh diagnosticada com essa intoxicação, indo até o centro de saúde, o hospital, qual que é o tratamento? Qual é a primeira coisa então que o o profissional de saúde ele vai realizar nesse paciente, né, para fazer essa identificação? E aí ele vai tomar alguma medicação também no hospital ou ele vai passar por um procedimento de uma lavagem estomacal, alguma coisa nesse sentido. Como que funciona? Bom, tem protocolos, né? Por exemplo, o ideal é você eh o acompanhante, né, o familiar, caso você eh Deus o livre, né, tem algum alguém intoxicado na sua família com você e você tiver que levar sempre levar um número maior de informações, por exemplo, o blister vazio de tantos comprimidos que a eh uma pessoa tomou, né, o paciente ali tomou. eh, por exemplo, o frasco vazio, né? Eh, então essas informações já contribuem bastante, né, para dizer ali qual foi o medicamento, qual foi a substância que o paciente ingeriu. E tem alguns protocolos, por exemplo, sim, pode ser alguns casos com lavagem gástrica, né, outros casos tratar o sintoma mesmo, né? por exemplo, se aquele paciente tá vomitando muito, eh, tratar os sintomas, né, a dor de cabeça exacerbadas, tratar a dor de cabeça, né, enfim, alguns casos até hemodiálise, né, quando não é possível fazer a lavagem gástrica, o carvão ativado, enfim, tem várias maneiras, né, isso tudo, então, o tratamento ele vai depender do estado mesmo, né, de gravidade que está esse paciente, da medicação que ele acabou ingerindo. E no caso de uma parte assim mais grave, né, o paciente ele fica com sequelas, qual que é o estágio mais grave dessa intoxicação, por exemplo, Camila? Bom, nós temos os mais variados tipos. Pode ser uma intoxicação leve, assim, sempre frisando a primeira coisa, se possível, né? A primeira coisa sempre suspender aquele medicamento que causou aquela intoxicação, né? Às vezes assim, eh, em pacientes, por exemplo, com um rim comprometido, vai ser uma sobredose para ele, mas para nós vai ser dose usual, né? Então, assim, primeiro a suspensão daquele medicamento, né? Segundo tratar os sintomas e sim pode ter intoxicações graves, né, do paciente precisar de uma unidade de terapia intensiva e até pode vir, infelizmente, a óbito, né? Então assim, tudo vai depender, né, do estado desse paciente. E lembrando, né, eu acho que a mensagem que fica, né, Camila, diante desse nosso bate-papo, é que em hipótese alguma, a pessoa ela deve fazer aí a automedicação, tem que sim procurar um profissional de saúde, independente de qual doença esteja, de qual sintoma esteja sentindo, o importante é não se automedicar. É isso, né? Exato. Essa é, esse é o recado principal. Nunca se automedique. Sempre que você tiver dúvida, procurar o profissional de saúde, o médico ou farmacêutico. Eh, nunca tomar aquele medicamento que deu certo pro vizinho, que deu certo pra amiga, que deu certo pra prima, né? Sempre cada organismo é único. Que deu certo para você, pode não dar certo para outra pessoa. E do mesmo jeito que você não toma o que o seu vizinho toma, também você não deve indicar. né, sem ter aqui, né, sobre o medicamento, sempre só o médico e o farmacêutico. Com certeza. Exatamente. Camila, muito obrigada pela sua participação aqui e ter aceito o nosso convite. Eu que agradeço, eu que agradeço. O saúde agora fica por aqui. A gente conversou com a farmacêutica Camila Albuquerque Matos para você. Obrigada pela companhia e até a próxima edição. Tchau.