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Reunião da frente parlamentar da educação
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Reunião da frente parlamentar da educação

6 views Publicado 21/01/2026 HD · 1:19:03

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TV Câmara Campinas. Bom, eh, boa noite a todas as pessoas aqui presente. Eh, eu sou a vereadora Guida Calisto, sou presidente da Frente Parlamentar da Educação. Hoje nós vamos debater nessa reunião da Frente Parlamentar da Educação que nós estamos abrindo agora. Eh, o tema sobre a Lei 16.791 791 de 16 de setembro de 2025, que é uma lei municipal aqui da cidade de Campinas, que institui a Lei Municipal de Atenção à gagueira e a pessoa que gagueja no âmbito do município de Campinas. Essa é uma lei que foi apresentada pelo nosso mandato, eh, mas é uma lei que nasce a partir de uma demanda social, né, de militantes e atuantes na pauta da da luta das pessoas que que gaguejam, que entenderam que seria importante que o nosso mandato apresentasse esse projeto de lei que agora virou lei. Eh, não à toa, né, obviamente, porque eu sou uma pessoa que gagueja, né? Eu sou uma pessoa eh que tenho, né, essa dificuldade na fala, não tenho fluência na fala, né? E eu fiquei bastante honrada, lisongeada por ter sido escolhida para apresentar esse projeto de lei. Porque quando nós, quando a gente se propõe a ser um representante, a gente quer representar de fato, né? Então, quando eh a população, o Michel especificamente me viu, falou: "Olha, acho que a Guida poderia ser, eu fiquei bastante feliz com isso." Então, agradecer mais uma vez, Michel não tá aqui agora, mas agradecer o Michel pela oportunidade, pela escolha, pela e pela confiança. Bom, pra gente debater esse tema que fala sobre a Lei Municipal de Atenção à gagueira, né, e as pessoas que gagueja, não, a gente tem duas pessoas aqui. Primeiro a gente tem o Luís Fernando, que é da associação Abraagueira, né, que é uma associação brasileira de Gagueira. é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que procura defender, elevar e manter a qualidade de vida das pessoas que gaguejam em todo o Brasil. Então, Luiz Fernando eh aceitou prontamente o nosso convite. Agradeço a presença, a disponibilidade de estar aqui. Muito obrigada. E também nós temos conosco aqui a Lívia, Amstalden, eh, que é fonodióloga e especialista em influência. a Lívia é uma especialista, né, da área de fonodiologia, eh, e sobretudo que que tem especialidade nessa questão, né, do do tema da nossa reunião de hoje. Então, apareceu ali como audiência pública, né, masna eh a gente vai debater um pouco sobre a lei. O que acontece? Eh, essa reunião da Frente Parlamentar, ela fica gravada, ela é uma uma produção da TV Câmara aqui, né, da do parlamento, uma TV pública, ela fica gravada no YouTube. E é importante, quem tá assistindo agora, se puder compartilhar, quem não tiver assistindo agora, puder assistir depois, compartilhe. E por que que a gente faz questão de fazer reuniões como essa? muitas vezes nem vem muita gente participar, porque é um importante material que a gente tem, que fica armazenado, né, nas redes mundiais de computadores aí na internet e que pode trazer uma boa orientação, a orientação correta, a orientação de especialista, né, divulgar os temas, divulgar as demandas, dar publicidade às pautas. Então pra gente é muito importante realizar uma reunião como essa, tá, pra gente. E aí vocês aproveitam depois para poder fazer, né, os cortes necessários, enfim. Então, quero já agradecer mais uma vez, né, a presença de vocês, de quem tiver, de quem tiver assistindo, se quiser compartilhar também, a gente agradece. E agradecer a presença do do Luiz Fernando e da Lívia. Vou passar então a fala para o Luiz Fernando começar a iniciar, tá Luiz Fernando? E obrigada com você, tá certo? Primeiramente, boa noite a todo o os presentes. Boa, boa noite a minha colega e também amiga, companheira já de muitos anos de Associação Brasileira de Gagueira, Lívia. Boa noite, vereadora, a quem eu aqui agradeço, primeiro fazendo menção a uma pessoa importantíssima nesse momento de hoje, a pessoa que gagueja Michael Douglas, que foi quem começou tudo isso. Ele hoje à tarde falou comigo que não poderia estar presente. muito pesar eu recebi essa notícia, mas a gente sabe que é é que a cabeça dele tá tá assim aqui agora e isso não isso hoje está acontecendo em virtude dele e depois do é trabalho parlamentar excelente dessa casa legislativa de uma das cidades mais importantes do nosso e país, liderado também pela senhora. Então, Associação Brasileira de Gagueira de Antão faz os nossos agradecimentos a você por ter até para uma vivência própria que eu nem sabia, tô sabendo agora, é que por ter no caso, é acreditado na gente, acreditado na nossa seriedade, acreditado na proposta que o Michael Douglas, um cidadão de a Campinas trouxe e ter transformado isso em lei. E por que a importância disso? Aí eu na sequência passo para a apresentação. Política. Eh, a Associação Brasileira de Gagueira acredita que a militância pela pessoa que gagueja, que é uma pessoa, que é uma militância iniciante ainda. Deixa eu melhorar aqui o microfone. Pronto. Assim como em décadas passadas militâncias eh que raciais de no caso é orientação sexual, eh enfim, de diversas pautas importantes estavam iniciando nas décadas de 50, 60, 70. Eu vejo a militância pela pessoa que gagueja começando ainda. E passos como esse são passos importantíssimos. Todas essas militâncias já passaram por isso também. É que para chegarem no ponto hoje estão eh em que é inconcebível uma piada de mau gosto pela forma como a pessoa pensa, como pela forma como a pessoa se sente, quer se portar e por aí vai. E a gente vai chegar nesse ponto com certeza. E só para finalizar, quero também que parabenizar essa audiência ficar gravada. Sou servidor do Arquivo Nacional no Rio de Janeiro e nós aqui estamos produzindo um documento. Documento esse que vai ficar guardado com certeza com conteúdo científico, com falas legislativas, tudo isso que que poderão ser depois consultados é que pela posterior o orelaridade. Então a gente tá com certeza dando um passo importantíssimo nesse sentido, tá certo? Então aqui vou agora fazer, nossa, como como o áudio aqui ficou melhor agora, né? É, vou aqui passar um um suscinto histórico nosso, tá? A Associação Brasileira de Gagueira é a mais antiga associação do país, voltada para a questão da gagueira. é fundada em dezembro de 2024 e 2004, perdão. Enquanto movimento paraa pessoa que gagueja, na verdade já existe já desde por volta de 1999, o que é um o que é muito engraçado, porque eu tava ainda no primário, sequer no ensino médio, ainda tava começando a dar, ainda tava me descobrindo enquanto pessoa aqui em Gaguejo. É, algumas décadas depois, 20 anos depois, tô eu aqui envolvido e com isso. E eu falo muito que esse nosso trabalho ele não é feito necessariamente para mim, por exemplo, porque já passei na minha vida pelo que eu tinha que a passar. É feito pela criança que às vezes nem nasceu ainda, ou pela criança que tá na escola agora, que tá começando a ter os seus primeiros contatos com as palavras, tá começando a descobrir que é que é que ela fala diferente perante os coleguinhas num outro ritmo, de uma outra forma. o que a gente quer que esse nosso trabalho seja futuramente, eh, que se se reverbere em benefícios futuros, a associação mais antiga do EPAs. E a e a nossa missão que tá lá no artigo quto da nossa do nosso eixo eixo atatuto tem por finalidade apoiar e desenvolver ações para a defesa, elevação e manutenção da qualidade de vida da pessoa que gagueja. Próximo slide. Uma rápida informação sobre a nossa diretoria executiva. Tô como presidente. A fonodióloga Mariana Santiago como vice, ela de Belo Horizonte. O secretário Maurício Júnior que é Pessoa que gagueja, é um jornalista de Recife. Martin, pessoa que gagueja o nosso tesoureiro, em Barueri. E o nosso conselho fiscal, Rodrigo Costa, pessoa que ele gagueja, a Lívia que tá aqui com a gente e também a Bianca, que é fondo, audióloga. Vocês notem que é uma associação espalhada por todo o país e com corpo diretivo bem mesclado entre pessoas que gaguejam e fondam audiólogos. Nosso principal trabalho é o grupo de apoio para pessoas que rauejam. Se se a Bragagueira não tiver condições de fazer mais nada, os grupos de apoio têm que continuar, porque é o nosso contato com a nossa base. Já já que a gente está falando aqui de apopolítica, também estamos no numa casa apopolítica, é o que nos dá contato com a base, quando com contato com quem a gente representa, porque associações tendem a crescer e se não tomarem cuidado ficam muito distantes de quem pretende representar. são os grupos de apoio que a gente tem contato com com com o que quem a gente representa pensa e mais do que isso, a gente busca transformar os nossos grupos de apoio em um em um ambiente de acolhimento em que a pessoa que gagueja descubre acima de tudo que ela não está sozinha nesse mundo. Existem outras pessoas que gaguejam, que passam pelas mesmas vitórias, pelas mesmos desafios, pelas mesmas angústias, eh, que vocês notem que é que é que estão espalhados por praticamente todo o país. A gente só não tem nesse momento grupo na região norte. Já tivemos no Acre, já tivemos em Manaus e já tivemos em Belém do EPAR. Um dia voltaremos a ter, quem sabe já no ano que vem até. Eh, podem ser em formato presencial ou virtual. O formato virtual foi uma novidade que do dia paraa noite a pandemia trouxe. A gente teve que se habituar ao virtual em 2020. A pandemia acabou, mas a novidade ficou. Isso facilita que uma pessoa da sua casa participe de um grupo de de apoio. A gente tem de 2022 a 2025, a gente teve em torno de 2.700 participações em 424 reuniões, seja no formato presencial ou no ou ou no formato virtual. E quem lidera essas reuniões, que são os nossos moderadores do grupo de apoio, eles passam por um breve, por um prévio, perdão, curso de formação, exatamente com com o objetivo de assim termos eh moderadores cada vez mais qualificados. Fazemos várias coisas dentre as quais os encontros brasileiros de pessoas que gaguejam. Faremos o nosso 13º encontro agora em Balneário Câmburiu daqui exatamente duas semanas. E já estivemos em Porto Alegre, São Paulo, aqui em Campinas em 2022 na PUC, também coordenado pela Lívia na época, Belo Horizonte, Rio, Vila Velha, Salvador, Recife, Teresina, Brasília. Outras ações que realizamos, lives com pessoas que gaguejam em fonudiólogos, participações em eventos internacionais, presencialmente ou senão online, palestras em escolas, capacitações, apoio à produção de obras bibliográficas e o nosso comitê científico que mais uma vez eu tenho que falar, a Lívia faz parte. [risadas] legislações. Aí eu já vou focar agora aqui no mais importante aqui para a gente. Eh, nos últimos 4 anos, mais ou menos, a gente conseguiu espalhar pelo epaíss legislações de nível municipal e também estadual. Temos projeto de lei tramitando no Congresso Nacional. Ele começa a tramitar por volta de 2022, salvo engano. Eh, foi aprovado ainda no final do ano passado na Câmara de Vereadores, né, perdão, na Câmara Federal, desculpa, na Câmara dos Deputados, tá agora no Senado Federal, enquanto sendo é casa é [roncando] revisor, enfim, aquilo tudo. Mas a níveis estadual e municipal, eu cito só como exemplo Amapá, Pará, cidade de Joí de Fora, Teresópolis, que é que é a minha cidade, devido a uma relação próxima com o vereador de lá, ele emprestou o mandato dele para ser o projeto piloto desse nosso projeto de lei. Tramitou em Teresópolis em 2021, passou e a partir daí a gente está espalhando por todo o país. Rio de Janeiro, a capital, né, que já temos inclusive depois um segundo projeto de lei. Casimiro de Abreu no Rio, Campinas. Agora só quero assumir uma gaf aqui. Esqueci de São Paulo capital. Tem projeto de lei e minto, já tem lei aprovada também. Aprovada por volta de outubro do do ano passado, mais ou menos. Agora temos Campinas somando força a esse grupo que deve estar pelo país em ao todo em torno de 20 25 legislações. Fico feliz que nós estamos perdendo o controle desse número. Tem a gente sabe de projetos de lei e que já viraram até legislações que estão tramitando, que a gente nem sabe quem foi que propôs. Tá ótimo. Que bom. a gente jogou para isso mesmo, eh, Campinas e tem um projeto de lei que foi recentemente aprovado em Salvador na Bahia. Aí agora até pegando um pouco ainda mais o propósito dessa reunião aqui da frente parlamentar, os desafios da pessoa que gaguejam no dia a dia. E aí eu me propus apegar os dois desafios principais, minto os três desafios principais e concatenar com com pontos que a recente legislação aprovada aqui em Campinas tem o é potencial de atuar de maneira benéfica. É aqui um desafio nosso, o respeito ao ao seu tempo de fala e mercado de eh trabalho. Aí eu faço remissão ao artigo 5º, parágrafo eh primeiro eh da lei aqui de Campinas, que que diz que a lei é regida pelo princípio da dignidade da pessoa humana. Quem fez a primeira era minuta ainda lá em 2021 foi eu. Eu trabalhei concatenando a Constituição Federal, o Estatuto da Pessoa com dele deficiência e foi e foi e foi um pouco pelo meu bom senso, conversando com um com o outro por por ser no caso de advogado, acabou que eu eu acho que fazer algo é que não é que não no caso invadisse, né, as assim a competências do ente federativo estado, do ente federativo município, essas questões todas. Eh, e e também outro ponto importante da legislação, artigo 6º, é dever do poder público municipal, da sociedade da família assegurar a pessoa que gagueja a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, a qualidade de vida, a educação acolhedora ao trabalho, a correta informação sobre a gagueira, aos avanços científicos e e tecnológicos relacionados à gagueira, a dignidade ao respeito e à liberdade, e a convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal e das leis e normas que garantam o seu bem-estar pessoal, social e econômico. E daí eu quero falar um pouquinho, vamos lá na Constituição Federal aos direitos sociais, artigo sexto, indo no artigo sétimo, direito ao trabalho. Às vezes tão negligenciado, a pessoa que gagueja é adulta. Os nossos recrutadores de recursos humanos, às vezes coitados, eles não conhecem e fazem muitas confusões, mistificam a pessoa que gagueja. São até assuntos que a Lívia daqui a pouco irá falar. Tenha certeza, vereadora, o acesso ao mercado de trabalho paraa pessoa que gagueja adulta é um drama. É um drama isso. Eh, e a pessoa que gagueja na infância, aí eu faço remissão ao artigo sétimo. O poder executivo deverá viabilizar os instrumentos para o diagnóstico correto e precoce. A Lívia vai falar de diagnóstico precoce. Eh, e o tratamento multiprofissional interdisciplinar voltado à pessoa que gagueja. Artigo inciso 2, fica instituída a Semana Municipal de Atenção à Gagueira, a ser celebrada anualmente durante toda a terceira semana do mês de outubro. E para 2026, Ávora Gagueira já tá se dispondo a fazer algo aqui, tá? No caso em em alusão à data. eh, né, nos seguintes termos para e aí aí na lei tá lá a descrição que eu não pus aqui para não ficar também muito em fadonha a apresentação. Parágrafo único, o estabelecimento da semana municipal de atenção à gagueira não desobriga o poder público municipal ao cumprimento do disposto nos incisos, né, e no caput no decorrer do restante do ano. Sim. E finalmente, artigo 9º. as unidades públicas de educação básica e de saúde do município de de Campinas obrigatoriamente e no restante e o restante da administração pública municipal no que qual deverão adaptar-se para o cumprimento do disposto dessa lei. Então, logo inicia a sua vigência integrar as suas ações em prol do atendimento ao disposto nessa lei. Eu vou agora aqui falar um pouquinho dos objetivos práticos, é, que a gente pretende a partir daí. Eh, plano plurianual, lei de orçamento anual, previsão em concursos públicos, eh, para a questão de de atendimento fonodiológico. Eh, é um dos principais problemas que a pessoa que gague já tem. Eh, a classe da fonodiologia no atendimento privado tem que ter a sua correta e justa remoneração pelos anos de estudo, investimento posterior em capacitação. Estávamos hoje cedo na jornada acadêmica eh da PUC da PUC Campinas, em que aqui eu deixo aqui consignado os nossos agradecimentos ao carinho que a PUC Campinas sempre tem conosco a partir da coordenadora Letícia. Eh, mas são futuros estudantes que estão ali pelo menos 4 anos investindo seu tempo, seu dinheiro e fora depois mestrados, doutorados, cursos de extensão, capacitação, tem mais é que ser é que tem um tem mais é que ter uma justa remuneração pelo pelo atendimento que fazem. Só que só que num país tão carente como o nosso, nem todos podem pagar. Aí, aí, aí batem no serviço público, não tem fonodiólogo, não tem o fonodiólogo para as diversas outras áreas que o profissional atua da fonodiologia, menos ainda para o tratamento da pessoa queueja. E isso conversa com quê? eh lá lá com uma lei de orçamento anual que preveja a dotação orçamentária para você aumentar a quantidade de servidores públicos no município através de o concurso público, inclusive profissionais da fondo audiologia, que o orçamento da Sim Educação preveja também ações de capacitação voltadas para isso, que é que a é que a Secretaria Municipal de Atenção eh de Educação, perdão, tenha essa atenção. que a própria assistência social busque ter também esse olhar. A partir do momento que você tem uma lei municipal que trate especificamente disso, você passa a imputar o poder público a obrigação de ter esse olhar também e ganha uma ferramenta, inclusive para caso esteja disa cumprindo é que buscar as medidas de sanção nesse ressárias. Eu sei que a senhora sabe disso. Eh, porém com uma que eh é um ambiente aberto, é importante falar para certeza para as pessoas que irão nos assistir e que necessariamente e que não necessariamente saibam. E já me encaminhando para falisar as nossas homenagens à senhora e também a todos os vereadores através do eh do do que do presidente Luís Rossini. Eh, uma frase para finalizar, não complete a pessoa que gagueja, seja um bom ouvinte, até porque entre nós, geralmente se completar vai completar errado. Sempre isso. E os nossos agradecimentos. Eu que agradeço. Obrigada, Luiz. A gente tá no período agora de apresentar ação da LOA, né, que é a lei orçamentária. E você já deu uma uma orientação aí importante pra gente, né? eh pensar, a gente tem brigado muito aqui no município porque a a LOA, mas principalmente PPA, que ele é apresentado justamente no primeiro ano de mandato, né, de novo mandato, eles não vêm detalhados, né, os últimos não vieram detalhados, então a gente não sabe direito os programas, o que que vai desenvolver. Eh, é muito genérico, né, a dotação, a determin é muito genérica. Então a gente ficou brigando bastante. Dessa vez eles trouxeram um pouco mais detalhado o PPA, mas agora entrou a LOA, que é a lei orçamentária do ano que vem. Aí já é a hora da gente poder, inclusive, né, discutir isso. Você me me alertou aqui, eu agradeço bastante. Bom, vou passar então pra Lívia. Lívia, obrigada, viu? Ah, agora sim. Deixa eu chegar mais pertinho aqui. Deixa eu virar aqui. Bom, é um prazer estar aqui hoje, eh, representando, de certo modo, a fonudiologia, os especialistas na área da fluência da fala e trazer aqui a importância de se conhecer eh a realidade da gagueira nas questões científicas. H, a gente sabe que hoje a gagueira ainda é erroneamente vista pela população, talvez por uma história que a gagueira traz em séculos aí a respeito de sua manifestação. A gente sabe que quem gagueja não gagueja sempre. A gente sabe que quem gagueja pode gaguejar mais ou menos em algum lugar ou mais ou menos com alguma pessoa ou em alguma situação. Então, se eu não gaguejo às vezes, porque então não posso fazer o mesmo em todos os dias, em todos os momentos. E e por isso também eu acho que se acreditou que a gagueira fosse algo emocional e psicológica. E eu venho falar aqui hoje sobre esse mito principal de que ela não é causada por problema emocional ou psicológico, que na verdade ela não é causada, mas ela é ela sofre esses impactos, né? Acho que a gagueira ela ela impacta a vida. Na verdade, as pessoas que gaguejam sofrem muito os impactos emocionais aí que a sociedade muitas vezes acaba gerando, né? Então, a minha função hoje aqui é justamente falar um pouquinho de como que essa gagueira tá no nível mundial e brasileiro. A gente sabe que saiu agora, né, que uma criança a cada 20 gaguejam no mundo. O que a gente sabe atualmente é que a gente tem 5% de pré-escolares que gaguejam. H, e uma coisa importante é entender que a gente precisa sair daquele discurso de que a gagueira eh acontece na criança porque ela está aprendendo a falar. A gente precisa entender que uma criança que repete sílabas, uma criança que apresenta bloqueios, não consegue falar a palavra, tem tensão no seu corpo, movimentos, isso não faz parte, vamos dizer assim, de um desenvolvimento da nossa fluência. Isso já é um indício de que alguma coisa diferente tá acontecendo. O que acontece é que muitas vezes essas crianças, essas nesses 5% aí de modo geral da população que começam a gaguejar, a gente entende que precisa ter um olhar melhor e não colocar tudo dentro de uma de um de um de do mesmo, né, da mesma condição de que estou aprendendo a falar. E na verdade não. Então você, a gente vai falar um pouquinho sobre isso, mas o que tudo indica é que a gente tem 80 milhões de pessoas gaguejando hoje no mundo. Então é um número bem expressivo. Ã, aqui no Brasil, a cada cinco crianças que gaguejam, quatro delas tem a remissão do quadro, seja espontaneamente ou até mesmo com alguma intervenção ali. No entanto, a gente tem que entender que essa que essas quatro crianças que tem a remissão, porque o cérebro muito plástico ali, né? O cérebro ele consegue fazer um rearranjo, eh, e, e essa fala acaba tendo uma produção com uma afluência desejável, vamos dizer assim. Mas eu tenho uma criança que vai pra persistência na vida adulta. Bom, mas e essas quatro que tem a remissão, o que que a gente faz? Então, a gente vai esperar? Não, a gente nunca pode esperar. E não tem nada que a gente tenha hoje que nos diz que aquela criança, se aquela criança vai ou não ser persistente. Não há nenhum teste, não há nada que diga assim: "Ah, dessas cinco crianças de uma salinha de aula que gaguejam, qual vai ser persistente?" Nós não temos como saber. E muitas vezes a remissão do quadro pode acontecer semanas após o início do transtorno, né? Mas também pode acontecer às vezes anos depois. E o que que a gente faz nesse período, né? o que que essa criança vai vivenciar dentro de casa, na escola, com os colegas, nessa vida em que o quadro está instalado. Então, é muito importante que toda criança que começa a gaguejar tenha então uma atenção, receba uma atenção devida sem pensar se ela vai ou não persistir, porque o momento é o momento. se ela se ela vai se ela vai ter a remissão, mas ela passou por uns meses de preconceito, às vezes de uma família que não consegue lidar, que escolhe uma forma de lidar na tentativa de ajudar, mas que na verdade não seria a melhor forma, essa criança acaba tendo aí eh memórias muitas vezes negativa eh de situações que envolvem a comunicação. Então, o melhor é a gente entender essa essa incidência. Então, a gente tem uma incidência razoável e a prevalência que é 1%. Aí eu acho que a gente precisa ter essa atenção. Ã, quando a, como eu falei, quando a gente fala do idade de da idade de início da gagueira, é muito comum a gagueira começar a se manifestar quando a criança começa a falar em torno de 1 ano e oito, um ano e meio, geralmente entre 2 e 4 anos. Por isso a confusão na sociedade de que, ah, começou a gaguejar porque é pequena, porque está aprendendo a falar, porque justamente a maior parte delas gaguejam, a maior parte delas gagueja nessa situação, nessa idade. Mas a ciência já vem explicando o por que o disparo, o gatilho para essa gagueira acontecer está relacionado ao desenvolvimento do cérebro dessas crianças. e algumas alguns neurotransmissores, algumas substâncias do cérebro da criança que nessa faixa etária, junto com outros fatores ali associados dão o gatilho paraa manifestação dessa gagueira. Ã, mas pode surgir até 12 anos. A gente tem crianças que até 7, 8 anos nunca tiveram nada e de repente aos 8 anos o quadro então se manifesta. Por quê? Porque nós estamos falando da gagueira do neurodesenvolvimento. O que significa isso? É a é quando você tem uma uma fluência sendo alterada por uma modificação no seu cérebro e que essa modificação das áreas da fala, ela é causada por uma base genética em 80% dos casos. Então, a pessoa vai manifestar. Para ela manifestar a gagueira, ela precisa de um de uma base genética, senão toda a população teria gagueira, porque quem é que nunca passou por um problema emocional? Então nós teríamos toda a população em algum momento da vida, né, com gagueira. Então eu acho importante a gente ter essa esse já vou desenvolvendo esse conceito. Então a gagueira do neurodesenvolvimento, ela ocorre na infância porque o cérebro nas áreas da fala sofrem uma modificação cuja base ela é genética. A gente vai voltar a falar disso, mas já para vocês irem construindo o novo raciocínio aí atual da ciência. E como que a gagueira vai se manifestar? Eu acho que aí que tá o X da questão com relação à diminuição do preconceito e a compreensão do que realmente é a gagueira para quem gagueja. Tem estudos que dizem o seguinte: como um adulto define o que é a gagueira? Ninguém define, nenhum adulto define que gagueira é o que a gente vê ali, ó, no Opa, acho que eu tô passando pra frente. Pera aí. Ai, meu Deus. É aqui. Ai, como que eu volto? Hã? Aqui, ó. Hã, o botão menor. Ah, é. Pronto. Eh, vejam, vamos ver esse iceberg da gagueira, né? Eh, o que que a sociedade, o que que todo mundo pensa? Que a gagueira é aquilo que está ali na pontinha do do iceberg, que são as manifestações dela, que o ouvinte muitas vezes ele acaba tendo contato, que é uma fala repeida, que é uma fala bloqueada ou que é uma fala com prolongamentos de sons. Então, e os movimentos de força que muitas vezes a pessoa que gagueja pode, tensão física pode ter. E aí ninguém entende que por trás, abaixo disso, algo que é que é ali dentro da pessoa que gagueja, existe milhares de sentimentos e de emoções que tornam a gagueira algo muito difícil de lidar. Então o que que a população e a sociedade vê? O que tá ali na ponta do iceberg? Então, ah, é engraçado, alguém que repete, é engraçado, alguém que bloqueia, alguém que fala diferente. A população vê que é engraçado, mas considera algo que talvez na vivência dele não é comum encontrar, né? Considera algo OK, algo que possa brincar. E ninguém entende que isso é uma característica da fala da pessoa, que ela é ela, quem tá fazendo toda essa essa arquitetura da fala é o cérebro. Então é um jeito desse cérebro trabalhar igual a cor do nosso cabelo, igual a cor do nosso olho, da nossa pele. Cada um tem uma característica, um modo do nosso corpo trabalhar. Mas infelizmente a gagueira é vista como algo engraçado, algo que pode e ninguém entende o que tá por trás. Quer dizer, a pessoa que gagueja, qual é a definição pela pessoa que gagueja, né? É, eu gaguejo. Gaguejar não é apenas prolongar, repetir ou bloquear palavras. é uma experiência, é uma experiência que envolve emoção, sentimento, medo, eh pavor de perder o controle da sua própria fala. Então, a gente, a sociedade ela precisa entender que quando escuta alguém gaguejar, o correto jamais é dar risada ou tirar sarro, porque aquilo é a característica. você tá zombando de algo que faz parte da personalidade daquela pessoa, que faz parte dela, da forma dela funcionar e por trás ela traz com elas muitas coisas, né? Muitas coisas difíceis de lidar muitas vezes, porque a sociedade também não ajuda, né? Então acho que a gente precisa construir isso, né? A gaguejar é uma experiência, tanto que é uma experiência que quem gagueja tem momentos de fuga, de querer fazer movimentos para tentar fazer com que a palavra saia, movimentos de força, porque é terrível você tá andando, de repente caiu com o pé no seu, num buraco, não é? Você vai querer tirar esse pé do buraco quanto antes. Imagina eu falar e de repente eu sou o sinal do meu cérebro é cortado. É porque é isso, a gagueira, gagueira é uma questão de tempo do som. E aí você fala: "Eu vou ficar parado?" Não, eu quero fazer força, eu quero pôr para fora essa palavra. E aí, se eu tenho uma pessoa na minha frente que tá rindo, que tá olhando para mim com uma expressão de vai logo Uhum. ou que bate nas suas costas pra palavra sair, veja, toda essa situação gera um constrangimento, um desconforto tão grande que isso você pode agravar a gagueira, né? você pode trazer um momento de comunicação nem um pouco fluído para aquela pessoa. E aí nós também temos um momento de esquiva, de evitação. Então as pessoas se gaguejam, principalmente desde as crianças até os adultos, você tem momentos de não querer viver a comunicação em sociedade, em querer se isolar, em querer justamente não eh não ser ativo. E a gagueira não tem nada a ver com inteligência e nem com boa comunicação. Então é muito triste você ver uma pessoa que tem uma comunicação excelente, uma criança que se comunica tão bela, tão assim uma beleza tão grande, deixar de participar, deixar de se expor e mais as pessoas não poderem mais aprender com essas pessoas, né? Que essas pessoas têm muito a contribuir, né? Então é isso é uma coisa importante. Então eu acho muito lindo isso, né? Como é que [limpando a garganta] a gagueira é descrita por quem gagueja, né? Não é somente aquilo que você vê, mas existem emoções, percepções e tudo isso é uma experiência global, é muito mais. Então, para quem tiver assistindo a gente, entenda que não é engraçado e vamos entender que a gagueira é algo que a gente tem que acolher como uma característica, tá? Ã, e o que que causa gagueira? É emocional? Não, não é. Ah, mas eu gaguejei porque meu pai falou que eu levei um susto. Ah, porque eu perdi meu gatinho de estimação. Ah, porque o cachorro morreu. Enfim, tem vários fatores aí que a gente muitas vezes atribui. O que a ciência diz hoje é que a causa da gagueira ela entra numa questão multifatorial. Veja bem, não é que várias coisas causam a gagueira, é a interação entre vários fatores com o genético de base. Então, o meu genético, ele interage com o meu ambiente, interage com o meu corpo e manifesta a gagueira, tá? Então, preciso do orgânico, do gene para desenvolver. Então isso é muito importante. E aí a gente tem aí vários genes. A gente sabe para quem não não estudou a parte genética, os genes eles são eles comandam o nosso corpo. Eh, eles dão o funcionamento de tudo que a gente faz. E já se se foi encontrado muitos genes relacionados à gagueira, não é um único gene. E já foram mapeados, foram feito estudos com gagos, eh, estudo com gêmeos, desculpa, gêmeos que gaguejam e conseguiram ver ali uma bastante e a parte genética da gagueira ali similar, principalmente nos gêmeos idênticos. Então, os gêmeos idênticos, eles realmente tinham mais eh gagueiras aí. E não é pelo convívio não, porque gagueira não pega. Ninguém vai aprender, ninguém vai gaguejar porque convive com alguém que gagueja, né? Ninguém vai gaguejar. É outro mito. Então, o primeiro mito é não é psicológico nem emocional. O segundo mito, né, é, eh, a gente precisa ter essa compreensão. E então isso é é muito importante. Então, a parte genética ela traz essa questão, tá bom? Eh, fundamental aí sem a parte genética. Ah, mas eu não tenho ninguém na família que gagueja. Não precisa encontrar alguém que gagueja. Em algum momento, em alguma geração, isso aconteceu. Tá bom? Ah, mas 80% é genético e outros 20%. Os outros 20% eles são a gagueira, ela é causada por questões, por exemplo, nascimento praturo, uma infecção grave na infância, eh alguns algumas doenças autoimunes. Então é um outro padrão de de alteração, mas o mais comum é ela ter então essa esse neurodesenvolvimento, o cérebro sendo tendo um desenvolvimento diferente aí durante o crescimento, tá bom? Eh, e aí a graças à neurociência, que é o estudo do cérebro e de sua, do seu funcionamento, conseguiu eh foi possível, através de de métodos de neuroimagem descobrir essas bases neurológicas da gagueira, tá? Então, sabe-se que o cérebro de quem gagueja em áreas de da fala, ela se comporta diferente do que as pessoas que não gaguejam. Então, isso já tem é registrado em exames de neuroimagem. E aí, para finalizar, eh, eu queria dizer que quanto aos mitos, um outro mito é não deve, assim, é associar a gagueira com o padrão de inteligência, não tem nada a ver. A gagueira, ela a pessoa que gagueja é tão inteligente quanto qualquer pessoa que não gagueja. E mais, eh, quando a gente vê essa criança dentro da escola, o adolescente na escola e o adulto no mercado de trabalho, a gente precisa entender que aquele indivíduo não é a gagueira. E tanto que a gente nem diz que ele é um gago, porque dizer que é gago é você colocar aquela pessoa, estigmatizar e e defini-la como somente isso, né? A pessoa ela tem uma característica, ela é alguém que gagueja, mas junto com a gagueira ela pode ter tantas características especiais, ser um excelente profissional, eh ter um domínio da sua área de formação e o mercado de trabalho pode perder pessoas tão competentes por entender que a gagueira pode trazer problema. E vou dizer, tem muita gente que não gagueja, que não tem uma comunicação de excelência, como muitos que gaguejam tem. Porque a gagueira, a falar bem não é só falar sem gaguejar. Para uma comunicação boa, você precisa ter um conjunto de características, saber exatamente o que você vai dizer, você precisa encadear bem as suas ideias. Então, gagueira não quer dizer que ele não é um bom comunicador. Então, os RHs de empresas e os professores precisam entender isso, né? E precisa mudar, tá bom? E aí quando a gente pensa na gagueira, na questão dos órgãos de saúde, a gente vê que os órgãos de saúde hoje estão do nosso lado, quando a gente vê que tanto ã a gente vê tanto o DSM5 como o DSM5 como a SID, eh seja a CID 10, que é o que tá vigorando, que é o que está hoje presente no Brasil, ou a CID 11, que talvez, né, inicie aí por volta de 2027, se eu não tô enganada. Já a Cidon já coloca, que é o o código, né, das doenças, já coloca a gagueira como um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, é um transtorno que inicia na infância por alterações nesse sistema cerebral e mais, ela já coloca o impacto da gagueira, que antes na CID 10 não se falava tanto do impacto, então hoje se vê a gagueira como algo muito maior do que simplesmente gaguejar, tá? E a e a CF, né, a classificação aí de funcionalidade ajuda mais ainda quando a gente consegue entender que a gagueira ela, eu posso, cada indivíduo vai ter seu impacto e a CF permite eu olhar cada um na sua individualidade, quais as barreiras daquele ambiente para cada um, quais as quais os facilitadores para aquela pessoa naquele ambiente, o quanto a gagueira impacta ou não essa vida. Então a gente já consegue até individualizar a avaliação e o tratamento até e e dá e até que pensando em lei, né, a gente já consegue entender o quanto isso é necessário conhecer o impacto para quem gagueja. E ã é que eu já falei eh aí eu quero falar então de um ponto, né? Então, quando a gente pensa nos mitos, eh, a questão de que é o psicólogo que trata quem gagueja, isso é um outro mito. Claro que o os profissionais da saúde, o psicólogo, neurologistas, todos os profissionais, psiquiatras, eles têm a sua função do ser humano, do cuidado com o ser humano. Mas toda pessoa que gagueja precisa ser atendido por um fonudiólogo. Hoje é já foi reconhecida oficialmente a especialidade da fonodiologia, especialidade em influência desde 2019. Então é, não é todo fonaludiólogo que entende de gagueira ou sabe atender ou dar o devido acolhimento. Então, eh quanto mais a gente puder eh setorizar isso dentro do Sistema Único de Saúde ou dentro da da, né, de de cada foriólogo é como uma medicina, cada um tem sua especialidade, né? generalista hoje é mais complicado e entender isso. Procura um fonudiólogo e se ele precisar encaminhar para outros profissionais, é lógico que ele vai fazer dentro da necessidade, mas é o fonaldeiólogo que vai cuidar e acolher as pessoas que gaguejam. A terapia, o nosso papel então é cuidar de tudo isso, né, de promover mudanças tanto na programação, estimular esse cérebro, mas principalmente fazer a pessoa que gagueja entender a sua característica e saber conviver bem com ela. Ã, eu acho que eu termino aí, acho que ficou aí terminando. Então, eu acho que é isso. Algum outro mito que você se lembra, ô Luiz, que você queira comentar? Nós temos vários, mas eu acho que o mais importante a desmistificar, eh, são esses que eu pontuei da inteligência, da, né, que a gagueira não é emocional e acho que são esses os mais específicos. Aí acho que é isso que no momento eu consigo passar. Não sei se ficou alguma dúvida e eu agradeço muito a participação e todo esse projeto lindo aí que foi agora a nossa lei aprovada e pro bem, pra qualidade de vida aí de todos que gaguejam. Obrigada. Obrigada. Só apenas uma rápida intervenção nessa pergunta que você acabou de fazer. Aqueles mitos comuns que a gente escuta no dia a dia, o de que dá um susto, melhora a gagueira. Eh, até questões de violência mesmo, bater com uma colher de pau na cabeça da pessoa, enfim, é coisas nesse sentido, entendeu? Que que gagueira pega, não pega. Nenhuma criança vai começar a gaguejar porque está convivendo com um amiguinho que gagueja. Não é, não é confortável o cérebro gaguejar. O cérebro não vai buscar fazer uma coisa que para ele é muito mais complexa. Exatamente. Que não faz parte da fisiologia, do funcionamento daquela pessoa. Aí uma última é a questão eh de que a criança que gagueja, gagueja porque os pais fizeram alguma coisa com essa criança. Isso é importante também. Eh, a gagueira não vem, não é culpa dos pais e isso é muito importante também. Eu acho que tira um pouco do peso aí dessa responsabilidade. Uhum. Né? Bom, Lívia, obrigada. Obrigada, Luiz. Eu tenho umas questões para fazer. [risadas] Eu vou aproveitar. Fade. Fique à vontade. Eu vou aproveitar. Eh, bom, eh, eu depois que eu que esse projeto de lei chegou para mim, aí eu comecei de vez em quando a olhar, né, algumas coisas, né, apesar de eu de eu gaguejar, eu nunca parei para para estudar, nunca parei, fui levando, né? Eh, obviamente que passei por um bom processo da minha vida, assim, muito em sofrimento por conta disso, né? Tive muito sofrimento, mas depois eu comecei a eh a deixar de negar, né? Porque eu não é que eu negava, eu eu negava, na verdade, né? Mas eu não tocava no assunto, que é uma forma de negar também, né? Então, eh, depois eu fui, eu, eu fui, eh, enfrentando mais, né, reafirmando mais que eu sou uma pessoa que gaguejo sem muitos problemas. Mas o que que eu aí eu comecei a ler alguma coisa, aí eu lia e eu não entendia. Eu eu entendia eh eu entendia que não era um fator emocional, até porque eu também acreditava que a turma falava assim para mim: "Ai, você tá nervosa, você tá gaguejando". Eu falava: "Mas eu não tô nervosa, né?" Eh, e aí então eu eu a definição eu entendi melhor agora com você, que é essa junção, né? Da base e física, né? Sim. Perfeito, né? justamente e e nesse processo de desenvolvimento do cérebro a partir de eh intervenções externas, né? Sim, sim, né? Exatamente. Ambiente orgânico da própria pessoa com a base genética. Tá? Então, a agora eu entendi e a definição como aparecia para mim muitas vezes, eu falava: "Mas pera aí, não tô é ou não é?" Confunde, né? Como é que não é emocional? É, é, é. Aí agora eu entendi a a em determinados momentos eu também entendi, porque eu também passo por isso, que é que eh tem períodos que eu tô super fluente. E aí eu descobri que tem outro vereador também aqui que é, eu não sabia e eu nunca percebi que ele ele fala: "Ai, hoje eu tô deflente, hoje eu tô deent para mim". [suspirando] Eh, então aí eu percebi que, por exemplo, tem períodos que eu tô tranquila, mas tem períodos que eu t, né, toda hora. E o meu problema é no TR, né? TR, PR, TR. É como tem grupo é essa galera que CR, essa galera me é me, enfim, me complica. Bom, eh, aí então eh essa parte eu compreendi, então agora eu compreendi com você aí. Então, aí o que que o que que eu queria eh perguntar? São duas coisas. Acho que uma talvez é paraa Lívia e a outra é pro Luiz. A pergunta eh, a a maior base não é a base emocional, mas o emocional obviamente que ele vai interferir, influenciar e você vai sofrer os efeitos dele. Sim, né? [roncando] Então, por que que tem períodos que a gente tá tranquila falando bem assim? Eu posso até estar nervosa. Às vezes o pessoal até fala assim, porque eu sou muito, eu sou uma das vereadoras aqui que vai muito pro enfrentamento, né? E quando eu tô indo pro enfrentamento, muitas vezes eu não gaguejo. Quando eu tomo naquele se eu tiver calma, aí que eu vou gaguejar. Calma, não, se eu tiver falando calmo, aí que eu vou gaguejar. Aí é batata. Bom, aí que eu que eu queria perguntar para você, por que que tem períodos assim que eu tô, né, com uma fluência tranquila, e tem períodos que isso vai me complicar? E essa essa é uma pergunta, tá? A outra pergunta que eu já vou fazer pros dois, que na verdade não é nem uma pergunta, mas é mais um convite mesmo. Enfim. Eh, veja, uma das uma das preocupações nossa é apresentar projetos de lei que não peguem, né? Hoje eu tava até eu participei de uma de uma mesa que falou do transtorno TD TDL. Ah, transtorno do desenvolvimento. Transtorno do desenvolvimento de linguagem. TDL. Exato. Sim. Tá. Aí eu participei de uma mesa porque também logo em seguida depois da nossa, foi aprovado também o projeto de de lei sobre isso. Bom, participei de uma mesa tal e aí o o presidente Rossini, que foi o o que apresentou a do TDL, aí ele ele brincou, falou assim: "Ah, porque foi a questão que eu coloquei". Ele falou assim: "Ah, eh, lei lei aqui nem catapora, né? Tem uns que pega, tem uns que não pegam, né? E e aí veja, eh, essa lei não é uma lei que ela vai pegar eh por osmose. Essa é uma lei que ela só vai pegar se tiver organização, luta social, provocação por trás, né? Uhum. Então, por quê? Porque essa lei é uma lei que ela fala exclusiva exclusivamente de políticas públicas, de, né, de orçamento, de investimento, de Então, é uma coisa que a gente vai precisar. Então veja, eh, eu, eu entendo, Luiz, que acho que a gente precisa, e aí eu já faço esse apelo para você, que aí acho que não é nenhuma pergunta, mas é um apelo mesmo, da gente poder, talvez, em algum momento, né, eh, organizar algo no sentido de que a gente vai eh organizações organizações, exato, para cobrar do executivo para que aconteça. Sim, sim. Porque senão não vai valer a pena, né? Então você leu aí dois artigos, acho que foi o quinto que você leu daquiança, né? Foi o quinto, sétimo non se é você leu e que e eu particularmente, Luiz, eu até eu tava pensando eh eu achava que essa lei eu ia ter problema de aprovar ela, né? Eu ia ter problema porque a educação ela demanda, né? Porque é porque ela demanda e a educação, principalmente educação no aqui em Campinas, é o seguinte, toda lei que versa, que tem que passar em algum momento pela educação, tem que passar pelo Conselho Municipal de Educação. Sim, sim. Eh, eu não sei como que passou de boa. Não sei se foi medo da autora, [risadas] não sei se foi medo, porque se isso é barrado lá, né, ia ter repercussão. A autora poderia denunciar, né, ó, por que que barrou, né? Nós estamos falando de, querendo ou não, ainda tendo imaginário de ser uma pessoa, talvez PCD, né? Pode ser. Tem gente que pode, né? pode imaginar isso. Então, [roncando] cairia numa discriminação. Falou: "Mas por que que vocês estão, né, eh, negando uma política pública para alguém que para pras crianças que muitas vezes passam por esse Então eu fiquei até meio surpresa de ter passado porque a lei ela ficou um tempo, ela votou na primeira discussão, na segunda ela ficou um tempo, mas ela ficou um tempo porque foi por conta de tramitação, não foi por conta de que mandaram segurar, entendeu? Porque tem muitas leis que eles mandam segurar aqui, a base fica fica segurando. Não foi o caso. Até o Michel provocou. Eh, não sei se foi o Michel, se foi você. Foi acho que foi o Michel. Quem fez a provocação foi o Michel o tempo inteiro na na justiça eleitoral, né, na plataforma da justiça eleit. Chegou pra gente que essa lei tinha passado pela primeira discussão e não passou pela segunda e que precisava votar. Aí eu eu falei: "Nossa, aí eu fui atrás", falei: "Realmente, né?" Aí por conta disso, inclusive votou e eu e eu fiquei super feliz, né, por por não ter feito tanto tantos esforços assim para poder aprovar uma lei como essa. Então essa lei ela precisa de fato eh ser cumprida. Ela não pode ser uma lei como a gente brinca aqui, que vota na primeira discussão e coloca no armarião. A gente tem uma brincadeira aqui, né, entre os vereadores. Ah, tem uma pasta, um armarião, coloca lá e deixa lá, morre lá. E ela já é uma lei, né? Sim, ela já é uma lei, ela não é um projeto, ela já é uma lei e ela precisa pegar, precisa ser uma catapora engabetadorista. É, você sabe que eu acho que eu po, eu tenho a minha resposta, a minha assim, a minha, não, não é uma pergunta, né, mas é uma colocação a respeito, como fonudiólogo e o Luís vai ter como, né, agora respondendo a sua primeira pergunta, se quiser falar das duas, pode falar, ó, respondendo a primeira pergunta sobre por a gagueira ela modifica em algumas situações, porque um dia tá gaguejando mais, outro gaguejando menos. uma a característica principal que também todo mundo tem que entender que a característica principal da gagueira é sua intermitência. Ora sim, ora não, e sua variabilidade. Por quê? Porque a gagueira, olha, a gagueira acontece a onde que a gagueira acontece no cérebro. Ela se manifesta na boca, mas vamos pensar que a máquina da fala aqui, ó, existe uma máquina, áreas que a gente chama de máquina da fala. Vamos explicar assim mais didático. Essa máquina da fala, ela tem um funcionamento diferente comparado com quem não gagueja. Veja bem, se ela se essa máquina está no cérebro, o cérebro não sofre influência de várias coisas. Por exemplo, vamos pensar que você não tem gagueiro, você tem uma ansiedade, uma depressão ou uma síndrome do pânico. Toda hora a pessoa vai ter depressão ou toda hora ela vai ter ansiedade. A ansiedade, a depressão acontece aqui também, a forma como o cérebro tá trabalhando, a os as substâncias do cérebro que se alteram, ela vai ter depressão por toda a vida ininterruptamente ou a ansiedade não vai vir um dia, um dia vai, outro dia não vai? Momento sim, momento não. Por quê? Tudo o que acontece no cérebro, tudo que acontece no cérebro, né, nesses exemplos que eu tô dando, não, ela não é uma lesão. Você não tem um machucado, tem uma lesão ali que impede 100% da fala fluída. Desligou. Não. Então o que que a gente tem que pensar pensando que a gagueira acontece aqui quando mando o som pra minha boca? Então, se eu vou falar, por exemplo, oi e eu faço o oi. Por que que foi mais de um o? Porque a minha máquina aqui não mandou como deveria mandar as os sons da fala. Então, se eu durmo mal, se eu tenho uma noite mal dormida, se eu tô numa fase de muito estress, se eu tô cheia de preocupação, como é que esse cérebro vai trabalhar? Alguém trabalha bem quando tá passando por um problema difícil na vida, alguém consegue ter atenção, alguém não tem mais ansiedade do que deveria, a gagueira entra no mesmo no mesmo pacote. Aí então se eu sou uma pessoa que gagueja, eu posso gaguejar muito mais se eu tenho uma noite de sono ruim. [roncando] Eu posso gaguejar muito mais se eu tô muito tensa. Por que que quando tá nervoso e tenso gagueja? Porque veja, como é um cérebro de alguém que tá nervoso e tenso, o que o cérebro não tem que fazer para manter a pessoa em pé, vamos dizer assim, né? Por exemplo, estou falando aqui, aqui seria, se eu gaguejasse, seria uma, um lugar em que eu estaria com muito, o meu cérebro tá fazendo muita força. Ele tem que pensar na frase, no que eu vou falar, eu tenho que pensar no tempo, eu tenho que pensar se você tá me entendendo. Aumenta a demanda, aumenta a gagueira. Ficou claro isso? Nossa, não faz todo sentido. Na hora que eu vou falar de boa, né? Eu eu faço, né? É, mas por quê? Não é porque você tá gaguejando porque você tá nervosa. É que o seu cérebro está trabalhando muito, porque você o seu corpo nessa situação, ele tá prestando atenção em milhares de coisas. Se você vai falar com o chefe, é claro que você vai estar muito mais atento, muito mais preocupado. Como é que o cérebro vai ter uma fluência se ele tem que pensar em tudo que você precisa além de só falar? Não é só falar, ele tem que, se você tiver nervosa, ele tem que segurar sua pressão para você não cair, desmaiar, você tá entendendo? Então eu acho que é uma explicação didática que traz um pouco mais pras pessoas isso, tá? Ficou com alguma dúvida? Deu para entender isso? Então, pelo amor de Deus, não vamos parar de falar pra pessoa: "Ah, mas ontem você tava gaguejando menos, então hoje você consegue ficar sem gaguejar." Não, não é controlável. A gagueira é involuntária, porque se a pessoa que gagueja pudesse controlar, ela não gaguejaria mais. O cérebro que define, é o cérebro que escolhe quando gaguejar, não é a pessoa, né, Lu Fernando? E além disso, outra coisa, né, é o famoso pare, pense e respira. Eu tô, [limpando a garganta] eu tô pensando o tempo inteiro, estou respirando o tempo inteiro. Eh, isso é uma outra fala com É, não é? E as pessoas fazem até de boa vontade, elas querem ajudar. É só que é uma besteira isso, gente. É, é como se a pessoa que gagueja não pensasse e não respirasse, entendeu? É, é, é porque a pessoa que tá escutando alguém gaguejar, eu brinco que a pessoa que tá escutando alguém gaguejar é ela que para de respirar, porque ela tá tão preocupada com a fala do outro, é ela que começa a ficar nervosa. Então, ao invés da gente falar pare, e respire, eu acho que a pessoa que tá escutando a outra gaguejar, que tem que parar e ela tem que se acalmar e respirar, não é quem gagueja, entendeu? E com relação à sua pergunta, a sua explanação referente, [roncando] eu como fonou audióloga, eu acredito que assim, pensando em ações, a gente tem que começar dentro realmente da da educação e da saúde ao mesmo tempo, com eh informação às pessoas, a porta de entrada da criança, que são os médicos dentro de um posto de saúde, entender o que é gagueira, orientar, porque uma orientação família já favorece um ambiente maravilhoso de promover fluência, né? Então, eu acho que a porta de entrada da criança, que é a educação e que são eh os pediatras, os neuropediatras, eh ações dentro de postos de saúde de informação. Eu acho que começar isso através de ações simples que exigem menos no do do, né, o financeiro aí da da do município, vamos pensar assim, eu acho que é capacitação de profissional, levar isso o máximo possível para dentro das escolas, das creches, tá? E aí a gente já vai promover uma mudança no no início desse quadro, tá? Porque muito da muita das atitudes errôneas de professores e pais também formam formam um ambiente desfavorável que agrava, tá? Então se eu tiver um ambiente positivo dentro para essa criança, muita coisa pode ser diferente. Então acho que o primeiro ponto das ações envolve coisas de informação, capacitação, tá? Para esses profissionais que nem sempre sabem porque pediatra fala: "Vai passar, calma, respira, se acalma". Então não pode. Eu acho que a formação de equipe, a preparação dessa equipe é fundamental, né? Porque aí se você melhora isso, claro que vai chegar muito menos dentro do na questão terapêutica, porque eu tô falando de cinco crianças, quatro vão ter remissão, você vai ter uma criança ainda que vai manter mais tempo. Só que quem disse que você não que às vezes essas quatro tão tá gravando porque não tem uma conduta adequada por um profissional que não entende de gagueira, né? Eu acho que isso é fundamental e não só pediatra, o próprio fonodiólogo do sistema público, porque nem sempre sabe sobre gagueira, porque ele é um, ele é mais generalista. Então eu acho que a gente precisa, a primeira coisa é formação de profissionais sobre o assunto. Eh, primeiro falar um pouco da minha experiência pessoal, exatamente que é que é de toda pessoa que gagueja. momentos que você tem uma afluência melhor, momentos que você tem uma afluência não tão boa. Acho que hoje eu até consigo manter uma estabilidade maior de momentos bons. Eh, mas certamente eu tenho aqueles dias que eu tô mais cansado, tô com alguma outra coisa na minha cabeça que acaba que eu percebo o impacto na minha fluência. Eh, tem vezes que a minha fluência de manhã não é a mesma fluência da noite devido a um acúmulo de cansaço no decorrer do dia. Essas essas questões todas. E admito a vocês, como é que a gente tá aqui convivo com muito fone audiólogo, mas a gente tem sempre alguma coisa a aprender. Nunca tinha pensado na explicação científica da questão dessas alternâncias. Eh, acabei de ter uma aula, algumas coisas Cívia falou aqui, eu já sabia já, enfim. Mas isso para mim foi uma novidade mesmo, sabe? Porque tira o peso de que assim você entende um pouco mais da variabilidade, isso traz o conforto. Exatamente. Porque senão você coloca só na sua responsabilidade, você fica assim, será que eu tô assim? Por que que eu tô assim? Que que tá acontecendo? Enquanto, na verdade, é o seu cérebro que tá falando assim: "Olha, eu tô prestando atenção em muita coisa desde as 5 da manhã, vamos dar um desconto aí, né?" Então é, isso é muito celular ficar em tela, criança que fica em tela, vai gaguejar muito mais assim. Porque o pela estimulação, hiperestimulação, o cérebro fica ali numa hiperecitação. Exato. E aqui só eu falando de maneira empírica, sem ter a propriedade de um médico ou de um fonodiólogo, mas o cérebro é talvez o órgão do corpo humano que mais demanda de nós energia o tempo inteiro. É porque tudo depende do funcionamento do nosso cérebro. E quando você tem a sua fala competindo com várias outras atenções que aquele cérebro tá tendo que ter simultaneamente, faz de fato todo sentido. Você tocou num ponto que é verdade. Eh, devido ao seu grau de nervosismo com aquela situação, manter a sua pressão a 12x8 para você se manter em pé passa a ser uma preocupação do seu cérebro. Interessante isso. Não, é, não faz todo sentido. É, exatamente, pô. Eh, eu repito, convivendo com um monte de fonodólogo, eu nunca tinha pensado na na explicação disso, tá? Aí sobre a sua questão, eh, temos aí um desafio. Primeiro, tem câmaras de vereadores pelo país que a gente percebe a dificuldade da tramitação eh ou por considerarem algo menor ou senão pelo medo de você criar obrigação pecuniária à prefeitura. eh, despesa. E a gente sempre pensa enquanto abra que isso é um equilíbrio. Por um lado, não dá para ser mais realista que o rei propor algo que lhe torne a tramitação impossível, ao mesmo tempo que pagamos impostos para ter prestação de de serviço público. E política pública é uma escolha. Municípios fizeram a escolha da tarifa zero do do transporte público. Municípios fazem opção pelo incentivo tributário de área a B ou C. Eh, o gasto, o gasto público é uma, é uma, no caso, é opção política e cabe a nós, sim, fazer com que cada vez mais a gagueira seja uma escolha política que faça com que o município, o estado e a e a união faça ali o investimento, entenda como sendo um gasto público interessante, importante, principalmente e pego emprestado a a a fala da da Lívia. Quais são os dois equipamentos públicos das duas secretarias que tedade em qualquer município, escola municipal e posto de saúde? Eh, o SUS, com todos os problemas que tem, é uma grande conquista da nossa Constituição de 88 e junto com os Correios e na eleição, com a justiça eleitoral, são as três vezes que o poder público está espalhado por literalmente todo o país. Os Correios vão entregar a carta eh nos cantos mais remotos do país. também uma agência do Banco do Brasil tem geralmente, mas o SUS vai tá lá que seja o barco levando a vacina para ser aplicada e no período e eleitoral as urnas eletrônicas chegam também onde tem que chegar. Vamos trazer isso para a realidade de um de um município. Tudo começa com informação e aí sim a Bragagueira se dispõe a estar em Campinas cada vez mais atuando nas escolas, nos postos de saúde, ajudar na elaboração de materiais informativos didáticos com linguagem simples e que passem esse e esse esquema de mitos e verdades que pode aparecer eh até bobinho, mas não é. passa informação para pessoas que não têm informação nenhuma sobre ela. O tema quatro frases dizendo que é mito ou é que é verdade, já tem o poder de transformar a vida de muita criança que gagueja e muito adulto que gagueja também. A gente quer sim ajudar na elaboração de materiais didáticos, foldens, cartazes, materiais virtuais que possam ser distribuídos na rede pública de saúde, ir nas escolas palestrar, eh eh contribuir com informação perante os próprios conselhos municipais de saúde, educação, pessoa com deficiência. É, isso é um debate que eu não vou me atrever a me aprofundar aqui, mas existe gagueira é deficiência ou não é? Eh, e aí isso até se reverbera por outros temas, a própria, eh, sid, impacto biopsicossocial. Repito, não vou me enveredar aqui agora nem esse assunto. É que porém não é necessariamente mais uma verdade que gagueira não seja deficiência, muito pelo contrário. Então são conselhos eh que é que tem que e que tem que ser chamados a essa conversa. Sim. A nossa a nossa é a proposta sim, é o trabalho parlamentar que aí não depende tanto de nós de maneira direta. Aí eu falo de PPA, falo de LOA, falo da depois fiscalização até a partir das comissões temáticas da casa, comissão de saúde, educação, tudo isso. E e também a gente começar um um trabalho pensando principalmente na escola e na rede pública municipal de saúde. A vida começa no município, ninguém quando tá doente bate no Ministério da Saúde lá em Brasília. que eu falo para todo mundo. É a eleição, é que a gente dá muita importância à eleição geral e tem que dar mesmo, com certeza. Mas a eleição municipal é a eleição mais importante, é a que impacta no nosso dia a dia. Eh, você você me fez lembrar isso porque às vezes a gente tá debatendo aqui assuntos, o pessoal fala assim: "Ah, mas isso é um tema nacional". Eu falei: "Mas pessoas estão aonde, né? É um tema nacional, né? Vou vou dar um exemplo, ah, sobre a questão do imposto de renda, né? F, mas onde as pessoas moram? As pessoas moram nos municípios, né? Isso interessa também, é uma pauta para todo mundo, né? Bom, eh, então assim, ó, eu vou me comprometer aqui com algumas coisas com vocês, tá bom? Vamos lá. Primeiro eu acho que a gente precisa fazer um um conjunto de questões, né, requerimentos de informação junto aqui o município, né? Eu já penso, como eu sou da educação infantil, então já penso logo na educação infantil, né? E a melhor entrada que é, né? É, mas eu sei também como o Luiz falou sobre a questão da da própria saúde, né? Mas enfim, a gente já pode talvez fazer alguns eh requerimentos de informação solicitando, né, dados, né, ou seja, quantas crianças, né, de que idade, de que gaguejam, onde que estão, se tem, né, esses dados, esse levantamento. Acho que a gente pode fazer um conjunto aí. Aí eu vou precisar de vocês, obviamente, né? E aí eu acho que em seguida a gente montar mesmo o grupo de trabalho mesmo para pensar. Sei que vocês, a Lívia tá aqui pertinho, você tá um pouquinho mais longe, mas isso a gente pode fazer virtualmente, pode fazer de qualquer outra forma. E aí a gente começa. 7 horas de ônibus ou 45 minutos de avião, resolveem qualquer coisa também. Ah, que bom. animado ele. E aí a gente então depois pode montar talvez, né, uma uma própria eh eh campanha, um próprio, enfim, pensar mesmo uma atuação sistemática, organizada, com compromisso aqui junto ao município, pra gente poder fazer valer a lei e de fato, enfim, poder atender essa essa demanda. Já que aprovaram a nossa lei, a gente vai até o fim, tá bom? Pode ser assim. Vamos lá. Pode ser. Então, eh, assim, assim que der, a gente já vê como organizar essa força tarefa, com quem que eu falo, com quem que a assessoria fala, pra gente poder organizar essas questões e assim que chegar a resposta de todas essas questões, a gente já pensa um plano aí, uma campanha municipal, enfim, a como a gente entrar na escola. aqui em Campinas, eh, recurso tem, né? Secretaria Municipal de Educação, a gente tá com um orçamento importante, uma cidade que tem um orçamento aí que ano a ano ela ela amplia, né, ela cresce. E 25% desse orçamento é paraa educação. Muito do orçamento da da educação está sendo utilizado para outros fins muitas vezes. Então a gente vai disputar aí esse esses recursos para uma política pública que a gente tem que é necessário, importante. E falando até um pouco da interdisciplinaridade entre as pastas, o fonodiólogo na escola. Sim. Eu sei que seria é o tópico cada unidade de saúde ter um fonogiólogo full time, porém que você tenha de de alguma maneira articulação na escola do profissional da Essa essa eh não é uma agenda fácil, né? Porque, por exemplo, eu participei do processo que a gente conseguiu implementar os quadros de psicólogos e assistentes sociais, a gente conseguiu, mas foi uma briga. Então não é não é fácil, mas eu não eh eu sou daquela que a vida, né, não é fácil também. Então a gente, mas assim, a gente pode pensar em algo nesse sentido futuramente, mas primeiro a gente já organiza as questões todas, todas as informações que a gente precisa para poder pensar em algo numa campanha mesmo municipal, né? Numa campanha ampla mesmo e que a gente possa dar resposta para isso. Até eh os próprios, eu não sei como é que tá agora a questão da fonudiologia aqui na rede, né? Não, não sei quantos vocês têm. Como é que é isso? Não tô acompanhando. Então não, não tem, não tem a eh a rede não tem. O que eu acho é eu acho que aí demanda, claro, investimento aí, né? Mas o fon existe uma uma especialidade que é a fonodiologia educacional, então que é também a minha especialidade. Eu eu sou eu sou especialista também em fonodiologia educacional. Ela é uma especialidade pelo conselho. Uhum. E e a fonodologia educacional, ela é preparada para lidar com todos os os transtornos ou o que seja ali do do desenvolvimento da leitura escrita, fala, linguagem da população infantil. Uhum. Então eu acho que são poucas as escolas até mesmo particulares, são pouquíssimas que t mesmo fonudiólogo internamente, alguns tem fazem consultorias, né? Mas na rede pública eu acho que é o profissional que pela precisaria ter demais demais. Eu acho que isso aqui, ó, muito do que tá aí e na questão de promoção de promoção, né? Eh, prevenção primária, promoção de saúde, enfim, fonudiológica, ele daria muito conta disso. Com campanhas simples de de formação e rastreio de crianças, né? e ações que promovem influência dentro da escola, com a família. E porque parece que não, mas não só a terapia fonaldiológica é a mais importante, mas a a família e a escola lidando com com a questão da gagueira. Isso é um diferencial absurdo no desenvolvimento dessa criança. Então o jornal deólogo educacional ele deveria fazer parte com certeza disso, desse processo. E a Lívia pode me corrigir se eu se eu tiver equivocado em gagueira. O investimento primordial é na formação de de profissionais que possam cuidar do tema e tratá-lo, coisa e tal. E também é informação, porque o tratamento em si é um tratamento barato até no que diz respeito a recursos, não exigeamentos, grandes materiais, profissional específico, não recursos equipamentos. Sim, sim. Não, entendeu? Entendi. Bom, é isso então, gente. Obrigada, obrigada muito. Eh, se vocês quiserem fazer alguma consideração final, quer fazer, Luiz? Foi foi não somente a agradecer aqui ao a a oportunidade, eh, mais uma vez parabenizar por todo o trabalho parlamentar, eh, o compromisso firmado aqui da gente tirar uma agenda de trabalho para que não se eh eh pegando até a tua analogia da lei, a ratapora que a ratapora pegue, entendeu? E mais é isso. Parabéns a toda a sociedade de de eh Campinas pelo e carinho com a aprovação do projeto de lei e vamos agora transformar isso aí em reflexos concretos na vida da pessoa que que gagueja aqui em Campinas. Tá bom? Exatamente. Eu também queria agradecer a oportunidade. Eu acho que essa oportunidade, oportunidade de falar pra sociedade, algo, um tema tão grandioso, de informar todos sobre gagueira, é um, foi um grande prazer e trazer a fonudiologia mais presente, mostrar aí as nossas especialidades, uma profissão cada vez mais forte e que colabora muito com a comunicação do ser humano. Muito obrigado. Agradeço muito. Eu que agradeço, gente. Então é isso. A gente acabou de realizar aqui a reunião da Frente Parlamentar da Educação, que debateu o tema da lei 16.791 de setembro, 16 de setembro de 2025, que institui a Lei Municipal de Atenção à gagueira e a pessoa que gagueja. agradecer a disposição do Luiz, que é da Abra Gagueira, e da Lívia, que também é da Abra Gagueira e fonodióloga aqui da cidade de Campinas, que debateu conosco esse tema. E então a gente encerra por hora aqui, declaro encerrada então essa reunião da Frente Parlamentar. Obrigada e uma boa noite, TV Câmara, Campinas.
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