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8ª Reunião da CEE Políticas Públicas Voltadas às Pessoas com Alguma das Neurodivergências
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8ª Reunião da CEE Políticas Públicas Voltadas às Pessoas com Alguma das Neurodivergências

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Evento: 8ª Reunião da Comissão Especial de Estudos Sobre Políticas Públicas Voltadas às Pessoas com Alguma das Neurodivergências

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TV Câmara, Campinas. Bom, pessoal, boa noite todos, a todas. Um prazer tê-los aqui na nossa casa, casa do povo. E eu sou o Wagner Romão, vereador, presido a comissão especial sobre políticas públicas voltadas às pessoas com neurodivergências, né? Estamos aqui na nossa oitava reunião, salvo engano, né? Mas acho que é a oitava reunião de um processo que tava comentando com o meu xará aqui, o Wagner, que a gente, né, começou de uma forma e foi se aproximando dessa questão na nossa sociedade e fomos aí recolhendo aprendizados, né? é algo que a gente tá sempre num processo de de aprender mais, de conhecer mais e de assim, sabendo que a gente não tem talvez assim poucas certezas, né, e muitas dúvidas, sobretudo sobre como o poder público pode eh eh garantir direitos, né, das pessoas com neurodivergências. Acho que esse é o principal aspecto. nossa comissão de estudos até, né, já conversando com a Marina, conversando com a Gabriela, né, ela tem muito esse caráter de pensar no que a gente chama de política integral, né, entendendo que as neurodivergências elas não tão eh relacionadas apenas à área da saúde, elas não são particulares à área da educação, elas compõem todo um um, um, né, um um um cardápio de ações do poder público que envolvem justamente a garantia de direitos a todas as pessoas, né? Eh, isso isso envolve geração de trabalho e renda, isso envolve cultura, isso envolve eh esporte, né? E e são os temas que a gente eh tá buscando eh tratar daqui hoje, né? Eh, então, a a nossa a nossa mesa ela tá com a Dra. Gabriela Andreta Figueiredo, né, que é professora de educação física, docente da Unicamp, da Faculdade de Ciências Aplicadas de Limeira e eh que, enfim, tem toda uma dedicação a à atividade física, esporte para pessoas com neurodivergências. Aí a Gabriela também fica à vontade, tá? Depois, Gabriela, para se apresentar. A Dra. Marina Tramonte, que é procuradora do trabalho do Ministério Público do Trabalho, coordenadora regional da Cor de Igualdade, Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no trabalho. Obrigado, Marina, pela tua disponibilidade, né, nesse já no horário noturno. Então, eh, te agradeço muito. E nós teremos a presença do Gabriel Rapace, que é representante da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Gabriel, atualmente é diretor de eventos da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A gente vai fazer a escuta da fala da Marina, né, algo em torno aí de 15 minutos, tá, Marina? Eh, depois a fala da Gabriela, depois a fala do Gabriel e depois a gente passa aqui pro nosso debate. A ideia é que a gente possa concluir aqui no máximo o quê? Umas no máximo 20:40, 20:45, alguma coisa assim. Tá? É isso. Marina, a palavra é sua. Muito obrigado. Olá, tudo bem? Estão me ouvindo? passar as pessoas parte das pessoas que estão aqui. Eu acho que eu não tô ouvindo, mas vocês estão me ouvindo, né? Agora estamos ouvindo você super bem. Obrigada agora. Ah, então tá bem. Bom, eu fiquei sabendo que vai ser gravado, então eu vou começar fazendo minha audiodescrição. Eh, sou uma mulher branca de cabelos acobreados, meio presos. Estou vestindo uma blusa verde, um blazer preto e estou num ambiente de escritório. Meu nome é Marina, sou procuradora do trabalho lotada aqui em São José do Rio Preto, mas atualmente eu estou na coordenação regional da Cor de Igualdade, que é a nossa coordenadoria que visa igualar as oportunidades dentro do mundo do trabalho, evitar a discriminação. E dentro desse campo estão as pessoas com deficiência. Então assim, eh, fico muito feliz em saber que essas iniciativas estão sendo tomadas, né, do no poder público aí em Campinas e que já oito reuniões, estou oito reuniões atrasada, então não sei do que o que foi conversado, né, nesse período, mas eu trouxe aqui alguma coisa bem breve e fico à disposição depois se surgirem perguntas, queria deixar o meu e-mail E então podem ficar à vontade para encaminhar o que for, tá bom? Bom, nós temos hoje um conceito de pessoa com deficiência que passou a abranger também as pessoas com autismo, eh, em razão da lei Berenice Piana, imagino que seja de conhecimento de todos já, né? Temos a Lei Brasileira de Inclusão e a Lei Periniciana. Então, a gente tem essa eh essa abrangência, porém a verdadeira barreira que enfrentamos no mercado de trabalho ainda é uma barreira de invisibilidade. essas pessoas elas não são vistas e é um conceito que foi sendo ampliado recentemente, né, para eh garantir direitos a essas pessoas que antes nem mesmo eram consideradas pessoas com deficiência. Então, hoje em dia, nós temos ainda muito desconhecimento no mercado de trabalho para verdadeira inclusão e retirada de barreiras dessas pessoas. Eh, além disso, a gente também pensa muito no mercado de trabalho hoje, que é o o que a gente vê mais nas maternidades atípicas, vamos chamar assim, né? que são aquelas pessoas, mães e pais, mas principalmente mães e principalmente mãe solo, que tem os filhos ou dependentes com deficiência, com uma neurodivergência e precisam de adaptações no trabalho, não por conta de uma neurodivergência dela, mas de alguém que ela cuida. Então, nesse sentido, a gente teve até já uma decisão do Supremo Tribunal Federal no tema eh 1097, que a gente discutiu até numa recente conferência, que garantiu o direito de redução de jornada para servidores públicos que tenham dependentes com deficiência, né, que sejam pessoas com deficiência. Então, no âmbito público dos servidores públicos, a gente já tem isso como uma garantia. E então nós acreditamos, né, que no no Ministério Público do Trabalho a gente também tenha que buscar que as empresas promovam no âmbito privado a garantia dessa adaptação razoável que que a gente chama. Então essa adaptação razoável, acessibilidade, ela precisa ser de muitos modos. Um deles pode ser a redução de jornal de trabalho, mas não só isso e não necessariamente isso, né? Então, porque elas não existe uma uniformidade quando a gente vai falar em pessoas com deficiência, em neurodivergências. Então, eh, é necessário uma análise concreta para saber do que é preciso tratar naquele ambiente de trabalho para que essa pessoa seja de fato incluída. Outra questão que a gente vem enfrentando, desde que eh hum ficou mais claro assim, a inclusão de pessoas autistas na cota, né, que é necessária na cota de pessoas com deficiência, é uma preferência muito grande das empresas pelo contrato das pessoas eh nível de suporte um. Então, a gente acredita que a gente precisa ir além disso para que a inclusão seja feita também nesses níveis de suporte dois em três. Então, a empresa ela precisa arcar com essa inclusão produtiva de trabalho apoiado, a gente chama de trabalho apoiado, não só para pessoas de nível suporte um, mas também eh de grau de suporte mais elevado. Então, a gente pode pensar aí em diversos tipos de acessibilidade, eh, por coisas simples como o fornecimento de fones de ouvido paraa diminuição de ruído, eh, ou até mesmo um teletrabalho, se necessário, né? Então, desde que a gente tem essa dinâmica da avaliação ser biopsicossocial e não só médica como era antigamente, então a gente pode aprofundar mais no caso da necessidade daquela pessoa ou daquela mãe e para que ela consiga ter a renda dela e conseguir atuar dentro da família. família. Então, eh, dito tudo isso, eh, eu queria trazer esse ponto para debate, discussão, um pensamento conjunto, né, que seria esse cruzamento de marcadores. Então, a gente não pensar somente na inclusão no trabalho das pessoas neurodivergentes, mas também nessas maternidades atípicas com marcadores de gênero, raça e classe. Então isso é necessário, porque quando eu falo mães é porque a gente tem índices muito altos. Eu já vi alguma divergência, mas girando aí em torno de 80% das mães eh solo, em maternidade solo dessas pessoas com deficiência. Então, é realmente algo muito marcado e que pode ser útil na elaboração das políticas públicas. E também eh nós temos um promo, né, que a gente chama de promo, é um procedimento promocional do Ministério Público do Trabalho que começou em 2024. Nós selecionamos as maiores empresas da nossa regional, que é o interior de São Paulo. Então aqui a gente tem abrangência Campinas e interior. São Paulo é uma uma outra procuradoria. Então aqui na nossa região, nós selecionamos as 10 maiores empresas que eram descumpridoras frequentes, vamos dizer assim, né? Eh, reincidentes de descumprimento da cota de pessoas com deficiência. e passamos a atuar para que eles não só compram essa cota, como também promovam acessibilidade no ambiente de trabalho. acontece que, eh, os dois argumentos mais fortes que sempre são apresentados para nós, primeiro seria um alto custo de fazer as acessibilidades necessárias, mas ao contrário das deficiências, das das pessoas com deficiências físicas, então a gente vai precisar de reformas no prédio, né, que são coisas que geram mais custo. Quando a gente fala de neurodivergências, nós temos geralmente modificações que são custo zero. Então são questões atitudinais, questões comportamentais de capacitação de lideranças, eh, ou, eh, questões materiais, mas que não são caras, como fornecimento de fones, esse tipo de coisa, né? ou teletrabalho. Então esse argumento ele cai. E a outra grande outro grande argumento utilizado é que não se encontram pessoas para cumprir essa cota. Então são empresas que têm eh obrigação de contratar pessoas com deficiência e não contratam nessa alegação de que não encontram, né? Aí vem aquelas notinhas em jornal bem pequenas e coisas que a gente vê que não tem aquela efetividade. Então, a gente trabalha muito com banco de talentos, fica assim também, eu não sei se a Secretaria de Cultura, se ele já chegou aí, seria Secretaria de Assistência Social, talvez, eh, de fazer esse banco de talentos mesmo, que fica muito mais prático até pro órgão público fiscalizatório, que é o Ministério Público, por exemplo, encaminhar, né? Então esse argumento vai passar a não ser sustentável à medida que a gente tem ali um banco de pessoas que precisam obrigatoriamente ser consultadas antes de uma alegação de que não tem ninguém, né? E deixa eu pensar aqui mais acho que é isso porque assim eu fico à disposta, eu vou terminar um pouco antes porque também se tiverem alguma pergunta, alguma coisa, como eu vou precisar sair um pouco antes que eu que eu deixei os filhos pequenos em casa falando de maternidades aí e aí então posso responder algumas perguntas também, tem mais algum tempo, ou então a gente já pode passar o o meu e-mail eu vou passar pelo WhatsApp aqui, tá? Então, podem divulgar aí, tá? Ótimo. Marina, obrigado pela tua fala. Vamos fazer o seguinte, vou passar pra Gabriela e aí a Gabriela deve falar aí também em torno de 15 minutos e aí depois eu a gente aguarda ver se o Gabriel chega ou não. Mesmo se ele chegar, daí eu eu abro aqui para perguntas relacionadas à questão do trabalho e pra gente aproveitar tua tua presença até às 8 da noite, tá bom? Obrigada. Obrigado, Gabriela. Por favor. Isso. Bom, eh, boa noite a todas e todos. Eh, antes de mais nada, deixa eu me fazer minha autodescrição. Eu sou uma mulher sis de 1,60 m, cabelos morenos e brancos. Eh, peso 68 kg. Tô vestindo uma blusa azul e uma camisa branca por baixo, eh, e uma calça preta. Bom, primeiramente é tô bem feliz em estar aqui com vocês. Agradecer o convite do, posso chamar de professor? Acho que é mais legal de professor, professor Wagner, eh, ah, por estar aqui para discutir um tema de tão, um tema tão importante, né, e que faz parte do meu dia a dia. E além de tudo, né, de rever algumas pessoas que faz tempo que eu não revejo, já revi ali o Nicolas, que foi meu aluno num projeto de extensão da Unicamp, o Wagner, professor do Lucas. Então, a gente fica bem feliz aí de estar encontrando eh as pessoas que marcam a vida da gente eh durante a nossa trajetória. Bom, eh antes de eu começar falando, né, queria falar porque que eu estou aqui nesse momento, ã, para falar sobre esporte e atividade física para pessoas com autismo. Eu tenho, né, sou professora de educação física, dou aula na Universidade Estadual de Campinas, na Unicamp, no curso de Ciências do Esporte. Eh, e tem uma temática específica, né, que é o esporte para pessoas com deficiência, que a gente tem, a gente chama na área de esporte adaptado, ah, que é um termo comum na área, principalmente no Brasil, ou esporte para pessoas com deficiência. Eh, e recentemente, né, eu falo recentemente na em termos de de pesquisa, em termos de literatura, nos últimos 5 anos, a área acadêmica, né, tem se interessado bastante eh em entender como a gente pode mediar, principalmente, né, eu tenho me interessado bastante na mediação, principalmente na área pedagógica, eh, para crianças eh aprenderem a se movimentar de maneira proficiente. Quando eu falo proficiente, eu quero dizer que elas consigam, né, da sua, dependendo da sua característica de movimento, executar, né, aquela atividade que é proposta eh com as suas características inerentes a o tipo de movimento que ela consegue fazer. Então, em termos acadêmicos, a gente tem se se debruçado bastante em entender qual é a melhor estratégia ou como a gente pode mediar eh essas ações para que essas, principalmente, né, no meu caso específico, crianças, né, tenham esse maior engajamento em prática de atividade física e esporte. E por que que a gente fala tanto em atividade física e esporte? Se a gente pegar, né, quando a gente pega lá quais são as práticas baseadas em evidências que funcionam para pessoas com autismo, uma dessas práticas, das 28 práticas que a gente tem é a atividade física, tá? Então a atividade física funciona, né, como meio ou como fim. E aí vai depender de como a gente utiliza ela. E a gente tem um outro dado mais alarmante ainda. A gente já tem uma população, né, muito muito imersa no sedentarismo, mas pessoas com deficiência eh correm o risco de serem quatro vezes mais sedentárias do que pessoas sem deficiência. Pessoas neurodivergentes, esse risco sobre para oito vezes mais a chance delas serem sedentárias. E a gente sabe de todos os impactos que o sedentarismo causa, né, para qualquer tipo de pessoa, que não é diferente, né, para uma pessoa na condição da neurodivergência. Então isso implica também na área da saúde, né, no desenvolvimento, eh, e nas implicações públicas que isso tem, eh, como eh os impactos que a gente tem disso daí, tá? Ah, então, né, contextualizando um pouquinho, quando a gente pensa nessa relação do esporte, atividade física, a gente tem que pensar que o esporte ele é como eh norte, né, um direito de todos, né? E se a gente eh não legitima isso como um direito, a gente já tá aferindo ali também a nossa Constituição, tá? Então isso é uma outra um outro caminho que a gente pode tomar, tá? E aí a partir disso, né, a gente pode pensar em alguns aspectos, né, eh, dentro dessa perspectiva, né, que a gente pode falar sobre garantias de acesso. E aí acho que essa é a ideia quando a gente pensa em políticas públicas, como eu garanto acesso e acessibilidade para essas pessoas, porque acesso e acessibilidade são coisas um pouco diferentes, né? acesso, eu deixo a pessoa entrar, né? E tá ali acessibilidade, eu garanto permanência, manutenção, autonomia e também uma outra palavra que a gente gosta muito de falar que é pertencimento, né? Pertencimento àquela ação que tá sendo realizada. H, e eu costumo dizer, né, que dentro dessa perspectiva, eh, a acessibilidade, né, ela não deve ser utilizada como um recurso para essas pessoas, né, ela tem que ser utilizada como um critério. Então, se eu tenho um projeto de, vamos supor aqui, voleibol, eh, que é bastante tradicional na cidade de de Campinas, eu tenho que assegurar que na turma das 2 horas da tarde da idade de 8 a 10 anos, 20% daquelas vagas sejam reservadas paraa população com neurodivergência. Eu não tô utilizando como um recurso, é um critério. Para acontecer aquela aula, aquele critério tem que tá estabelecido. E aí para que isso aconteça, né? Então eu já garanti o acesso. Aí para eu garantir a permanência dessa dessa dessa população, eh eu tenho que pensar em outras ã em outras camadas, né, que são as barreiras pedagógicas para isso, né? Quando a gente pensa em barreiras pedagógicas, a gente entende que pessoas na neurodivergência têm eh uma característica diferente de aprendizado. Então, eh quando eu tenho uma criança, pensar numa criança de 6, 7 anos de idade, ah, a gente tem uma, um professor na Unicamp que ele fala bastante sobre a pedagogia do jogo, professor Alides, e ele costuma falar muito sobre o jogo que se aprende jogando, né? Eu falo assim: "É lindo, professor, acho maravilhoso, mas se eu colocar duas pessoas, duas crianças com autismo só para jogar e aprender jogando, sem nenhum tipo de mediação, a gente não vai ter a pedagogia do jogo acontecendo. Então, para que pessoas com autismo, né, dependente do nível um, dois ou três, eu preciso de estratégias de mediação. E para que eu tenha estratégias de mediação, eu preciso com que esse professor esteja, né, seja formado nessas estratégias. Não adianta eu só garantir 20% das minhas vagas, né, e não garantir que esse professor tenha essas estratégias de mediação dentro da sua prática. Então eu também preciso pensar nessa questão dessas barreiras pedagógicas, né, na formação de tudo isso. H, e obviamente também eu vou ter uma outra característica dentro do espectro da neurodivergência que são que tá relacionado à proficiência, a própria proficiência motora. A gente tem diferentes níveis, né? Vamos pegar no caso do autismo, nível 1, 2 e três de suporte, por exemplo, em que eu vou ter uma barreira efetiva da profeficiência motora. vai ter uma limitação em que em um momento ali aqui aquela limitação ela vai esbarrar que eu não consiga executar, né, o voleibol tradicional daquela forma. Então eu preciso de atividade que seja pensado para aquele nível de proficiência motora da característica daquela minha população. Então eu também preciso pensar nessas diferentes nesses diferentes níveis de suporte. Então eu também preciso garantir o acesso nas turmas regulares, mas eu também preciso criar turmas específicas para onde a onde a limitação da minha proficiência motora e da limitações sensoriais e tudo mais sejam importantes com que aqui a gente tenha turmas reduzidas, né? Turmas reduzidas não no sentido de eh turmas específicas, né? Vamos assim dizer, porque eu costumo dizer, né? Eh, e todo mundo me chama um pouco de louca. Eh, eu tenho uma uma característica de trabalho. A gente na área da saúde, dentro do da perspectiva da neurodivergência, principalmente com crianças, a gente tem um trabalho muito individualizado, né, muito terapêutico e legal, né, acho que é muito legal, mas se a gente pensar em esporte e atividade física, a gente tem que abrir isso para coisas mais coletivas, né? Então, é muito legal eu ter turmas coletivas, né? que eu tenha o emparelhamento dessas crianças juntas, mas que para isso, obviamente eu preciso ter suporte, né? Então a gente, por exemplo, consegue fazer isso muito bem na Unicamp, porque eu tenho eh quase um monitor, né, para duas ou três crianças. Então isso também é uma política, né, que deve ser implementada quando a gente pensa nesses nessas aberturas de específicas, né, de propostas de atividade física específica para aquela característica daquela população. Mas quando a gente tem, por exemplo, nessas turmas mais regulares, se a gente pensar lá na turminha do voleibol, se o professor tiver uma habilidade com essa formação de estratégias de mediação, eh, dependendo da característica ali da das dos seus alunos, ele nem precisa ter um professor junto, né? ele precisa ter somente ferramenta. Se ele não tem essas ferramentas de mediação, ele não consegue. E aí a ideia, né, é que isso se torne um sistema um pouco dinâmico. Eu não consigo, né, prever quem vai se inscrever na minha turminha, né, e quem não vai. Então, a partir do momento que eu faço uma uma observação sobre aquela sobre aquela turma, sobre aquelas aquelas inscrições que são feitão estão sendo feitas sobre o relato daquele professor, eu vou prevendo, né, eu vou me organizando, eh, para que aquelas ações sejam de forma mais consistentes. Mas, né, o que mais a gente tem que quebrar num primeiro momento são algumas barreiras atitudinais, né? a gente já tenha um um préonceito estabelecido de que eh para eu trabalhar com criança com autismo, eu tenho que trabalhar, tenho que fazer um trabalho individualizado, né? E ele eu não posso colocar ele, né, numa prática esportiva eh mais convencional, vamos assim dizer, né? Então a gente tá, né, tem que pensar quando nessas ações, principalmente quando a gente tá pensando, obviamente, né, na na formação, né, crianças e adolescentes. E aí quando a gente pensa, né, em adultos, em situações de neurodivergência, a gente já tem que ter um outro olhar, que é o que a gente tá tentando fazer um pouco na literatura, que é saber o que que essas pessoas querem, porque a gente infere muito sobre o que que elas querem. Ah, isso aqui é bom para você. Mas a gente não escuta, né, uma pessoa com autismo falando sobre as suas experiências em práticas esportivas e as suas experiências em práticas de atividade física. o que que é significativo para elas e o que que não é significativo. E a partir dessa escuta desses dessas pessoas, a gente consegue elaborar uma política pública melhor. Então, já vendendo meu peixe aqui, é um pouco do que a gente tá fazendo lá na Unicamp, né? escutando essas pessoas com autismo, né, mais velhas, para verificar o que que é eh qual que é o que que significou a a a educação física escolar para essas crianças, como foi significativo pra gente identificar quais são as barreiras de acesso, as as barreiras atitudinais, as barreiras pedagógicas e e ouvir deles, né, dar voz ao que eles estão dizendo, tá? Ah, pra gente não supor, né, as coisas, que é muito do que a gente vem fazendo, tá? e também escutar, né, as próprias crianças, né? A gente acha que porque uma criança, né, não tem eh às vezes uma um desenvolvimento verbal, né, que ele não consegue se comunicar. Então isso, né, faz parte, né, dessa quebra dessa barreira pedagógica que é formação, né? Sem formação a gente não consegue fazer isso, tá? Então, quando a gente pensa em propostas possíveis, né, eu entendo que obviamente a gente não consegue mudar o mundo, mas se a gente começa a usar, né, essa questão da acessibilidade como um, não como um recurso, mas como um critério, começar a colocar regrinhas, olha, aqui é obrigatório como a cota foi, né, tipo, aqui é obrigatório acontecer isso, ali é obrigatório acontecer isso dentro do esporte, né, eh, das políticas dentro da secretaria. de de Secretaria de Esportes, eu acho que a coisa começa a ficar um pouco melhor, né? Porque Campinas tem um potencial enorme, né, de desenvolvimento de práticas esportivas, enorme, né? a gente tem uma infinidade de práticas acontecendo aqui de maneira bastante sistematizada, mas a gente precisa, né, regulamentar isso também dentro, né, das características da neurodivergência e colocar isso como uma pauta importante, né, dentro da própria secretaria, porque senão a coisa não acontece, né, eh, ela fica sempre deixada de lado, tá? H, e, e obviamente, né, pensar no esporte como diferentes possibilidades de práticas, né, e de características de envolvimento de cada pessoa, né? Então, quanto mais a gente ter uma diversidade dessas práticas, né, ah, eh, os os estereótipos, né, ah, porque é criança com autismo, ela gosta de natação, porque é aula individual, ela só gosta de atividades individuais, não, ela pode querer jogar futebol, ela pode querer fazer atividades coletivas, né, de fazer judô, não é porque é o judô que tem contato, que, né, então a gente quebrar esses estereótipos também das possibilidades de práticas que a gente coloca essas pessoas, Porque aí, né, voltando lá paraa questão, né, dos das cinco vezes mais chances, né, de ser sedentários do que seus pares, a gente consegue colocar essas pessoas em maior eh expor elas a maior eh eh disponibilidade de práticas esportivas e isso também quebra outras barreiras de acesso sociais, né, quando eu tenho uma melhor proficiência motora, eu consigo também me desenvolver, né, com outros tipos tipos de habilidades sociais, a gente tem uma melhora comprovada, né, como o esporte e atividade física como um fator de regulador, como uma melhora de funções executivas e assim por diante. Então, acho que essa é um pouco, né, da contribuição aí. Não sei se eu falei demais, mas acho que é isso. Obrigado, Gabriela. Obrigado mesmo. O Gabriel chegou. Senta aqui, Gabriel, por favor. Tudo bom? Obrigado. Bom, gente, vamos fazer o seguinte, aquilo que a gente tinha combinado, né? O Gabriel chegou, ainda bem. Que legal, Gabriel. Obrigado pela tua presença. A gente teve aqui o debate sobre a questão do trabalho, né? A fala da Marina sobre a questão do trabalho. A Gabriela falou agora sobre a dimensão do esporte, né? Nós vamos passar algumas questões pra Marina, porque ela tá com o tempo já escasso e é legal que aí você também já fica ambientado aqui com o nosso debate e aí depois a gente abre a fala para você, tá bom? Obrigado. Eh, eu tenho duas questões aqui pra Marina e aí quem tiver questões, tá, relacionadas à fala da Marina, por favor, se preparem aí. Uma delas, Marina, é sobre eh como é que a gente pensa, né, se vocês tem essa essa prática, como é que a gente pensa formação profissional, né, eh, digamos assim, escolas técnicas, talvez pensar formação profissional que envolva a dimensão eh das pessoas com neurodivergências, né, tanto teia como outras. tem algum tipo de de pensamento sobre isso? O que que a gente pode trazer, né, nessa interface entre educação e mundo do trabalho, olhando para as pessoas com neurodivergências? Essa é a primeira pergunta. E a segunda tem a ver com o que você falou dos bancos, do banco de talentos, né, como uma prática de poder público, dos poderes públicos, que, né, assim, acho que me parece uma uma entrada interessante, mas se vocês têm, digamos assim, sugestões de boas práticas realizadas por prefeituras e que a gente possa aqui incorporar como uma proposta de política nossa, né, aqui dessa nossa comissão que deve, né, no seu final. Eh, enfim, a gente aqui ainda tá um pouco pensando como o que que a gente no que que a gente vai chegar, mas sem dúvida nós vamos ter uma proposta de política pública pra cidade, né, integrada, que vai envolver a questão do trabalho, da geração de trabalho e renda, e que pode envolver um projeto de lei, que pode envolver outras propostas mais concretas, né, assim, de política pública mesmo paraa prefeitura. Então, essas são as minhas duas. Não sei se vocês, quem quer comentar aqui alguma, por favor, só é se quiser falar todas as perguntas melhor. É isso. Vamos lá, por favor, se apresenta. Eu sugeria o ali porque a câmera. Boa. Perfeito. Obrigado. Eh, boa noite. Boa noite. Tô anotando aqui para não esquecer. Obrigado. Obrigado aí pela pela oportunidade, vereador. Nós quatro aqui somos do Instituto Jolemente, uma organização que há 65 anos atua tanto com a pessoa com deficiência intelectual com transtorno do espectro autista. Nós vios aqui mais para falar do emprego apoiado, mas acho que nós vamos falar depois. Uhum. Mas uma coisa que eu queria aproveitar o vereador e a e a e a auditora fiscal eh na nova lei de licitação, né? eh que a gente entende que é mais um impulso pro cumprimento da lei de cotas. As eh tá explícito que as empresas para participarem de licitação para trabalhar pro serviço público, elas obrigatoriamente têm que cumprir as a cota de pessoas com deficiência. Elas têm que declarar que cumpre a que cumpre a cota de pessoas com deficiência. Eu não sei se os municípios tão fazendo eh tão atentos a isso, porque é uma forma, né, você pegar, por exemplo, todos os fornecedores do município e como é lei exigir que eles cumpram essa cota e se o Ministério Público do Trabalho também tá de alguma forma tentando monitorar isso, né? Porque a gente sabe que que as coisas só funcionam mediante uma fiscalização, uma cobrança concreta, né? a gente foi eh foi uma um acaso, né? E e não tô dizendo que isso é uma prática, né? Nós tivemos uma pessoa que nós incluímos, né? Nós fazemos hoje uma média de 500 inclusões por ano e uma mãe trouxe eh um uma coisa curiosa que o filho dela que a gente tinha colocado numa empresa, de repente na carteira de trabalho dele apareceu um outro registro e depois a gente foi pesquisar esse outro registro. Era uma outra empresa do grupo que acho que aproveitou os dados dele e meio que fez um registro dele. Ela tava até com medo porque ele podia perder pensão e não sei o quê. Eh, e a gente supõe que essa empresa tava usando os dados dessa pessoa para poder de alguma forma dizer que tá cumprindo essa cota, porque é uma empresa que trabalha principalmente com prestando serviço pro poder público. Então, é só essa questão, né, essa questão da nova lei de licitação. Obrigado. Obrigado. Você é o Flávio. Isso. Obrigado, Flávio. Tem mais alguém? Mais alguém? Não, acho que não, né? surgir também. Tá bom, Marina, por favor. Eh, até vou perguntar pro Flávio. Vocês são do polo de empregabilidade do do programa do meu emprego inclusivo? Não, já tivemos já participamos ele de em registro, né? Mas hoje nós não estamos no po. É que eu não tô ouvindo ele. Ele disse que não, Marina. Ele disse que não. No momento não. Não é. Então, o que acontece? Eh, nós temos dois tipos de atuação dentro do Ministério Público do Trabalho. Eu não sou auditora, né? Os auditores fiscais de trabalho são do Ministério do Trabalho e Emprego, um órgão do executivo, nós somos do Ministério Público. Aí, então, a gente atua em duas frentes, uma dela é a fiscalizatória mesmo, que então a gente abre os inquéritos, asjuizações em face das empresas e e nesse eh nesse ramo, vamos dizer assim, eu vou responder a primeira pergunta do do vereador que é escolas técnicas, né? Sobre essa questão assim da gente pensar, não é? o nosso foco, tá, assim, eh, e essa área, mas o que que eu penso? Quando a gente tem essa abertura de oportunidades com as políticas públicas, com o banco de talentos ou com a viabilização de cursos eh para pessoas com neurodivergências, a gente pode de alguma forma obrigar as empresas a acessar essas políticas públicas quando elas não cumprem a cota. Então elas têm que cumprir uma cota de pessoas com deficiência e aí muitas delas não cumprem e elas alegam que não encontram, então que as pessoas não são capacitadas. Então a gente aí que a gente entra nessa parte aí fiscalizatória, nessa nessa parte mais punitiva, então a gente oferece taxes que são termos de ajuste de conduta e nesses taxes é bem amplo. Então a gente pode inserir cláusulas, por exemplo, de eh em tanto tempo vocês precisam eh capacitar x% das suas lideranças nesse nesse curso. Então assim, precisa haver o curso para que eles consigam, né? Então a nossa parte fica essa parte mesmo, né? De direcionar aquelas empresas que não estão conseguindo cumprir para que elas cumpram. Então eu acho que isso é é muito positivo. A assim, o que eu acredito mesmo é que as empresas, quando isso não exista, ela tem que arcar, porque ela é obrigada a cumprir aquela cota. Então, se não existir nenhum curso de capacitação feito pelo poder público, ela mesma precisaria arcar com essa capacitação dessas pessoas. Eh, nesse sentido, né? Então, isso, essa questão do banco de talentos, a gente vê alguns e aí essa outra parte que a gente atua sem ser a fiscalizatória é a promocional. Então, nessa parte promocional, hoje nós temos dois projetos dentro da Cor de Igualdade. Um deles é o de empregabilidade de pessoas com deficiência e o outro de empregabilidade de pessoas LGBT, que é a mais. Então, no de empregabilidade de pessoas com deficiência, atualmente nós vamos ter uma audiência coletiva no dia 17 de junho com essas empresas, com essas grandes empresas. que estão descumprindo a cota e como uma forma assim não punitiva de mostrar para essas empresas qu para essas empresas quais são o os meios de conseguir contratar essas pessoas com deficiência. Então, a gente chamou o pessoal do INSS que vão fazer uma fala sobre as pessoas reabilitadas, que elas servem, né, também para computar como cota. A gente teve, eu fiz uma, uma reunião prévia aí, ficou aberta também, se tiverem outras ongas, outros parceiros, com o pessoal do meu emprego apoiado, que é, pelo que eu entendi, eles abrangem muitas cidades, uma espécie de e de entidade eh parassocial, alguma coisa assim. Eu não sei exatamente eh como que eles se encaixam, teria que abrir aqui para ver, mas eles atuam com isso, é fazendo essa ponte entre as pessoas e as empresas. Então eles vão no dia 17 de junho apresentar também o trabalho deles. E aí então tá aberto, né? E inclusive se quiserem trazer algum representante para participar nesse dia 17 de junho às 14 horas para assistir, né, a apresentação desse pessoal também, né? E aí a gente vai ter também a participação da Secretaria de Estado do das Pessoas com Deficiência, né, do Estado de São Paulo também vai tá presente e seria muito bacana se a gente tivesse algum representante do município também, né? Inclusive fica aí o convite até ou o pessoal da assistência social, acho que cultura também, né? Seria muito interessante essa essa participação, porque a ideia dessa audiência não é ser nada punitivo, é ser realmente promocional para que essas empresas achem os caminhos aí. Eh, tem uma outra empresa, acho que é Soul Code, que vai participar também e a OAB também vai tá presente. Onde que vai ser, Marina? Vai ser online. Ah, online. Vai ser online, sim. Pois manda o link para nós, tá? Que aí a gente participa também. Sim. Tá combinado? Parabéns aí pela iniciativa. 17 de junho, 14 horas. É isso mesmo. Eu vou mandar sim. Já anotei aqui. E acho que é é isso, né? A pergunta do Flávio. Eu faltou alguma coisa? Ah, lei de licitações. Sim, isso é uma questão que a gente tem visto, mas aqui a gente trabalha muito assim com as denúncias que chegam, né? Então o que a gente faz por conta essa parte promocional. Na fiscalização a gente trabalha com as denúncias e aí a gente abre os inquéritos e tudo mais, né? Ser sincero, até hoje ainda não peguei nenhuma denúncia que que abrange esse a não essa questão da lei de licitações, né, do serviço público contratar. Então essa denúncia ainda não chegou, pelo menos para mim aqui, mas é uma medida muito importante também até como forma de denúncia, né? Então, eh, a empresa precisa, tá regular para participar. Ótimo. Marina, alguém tem mais questões aqui? A, por favor, aqui, Cia. Ah, acho que você vai ter que levantar aí, Lúcio. É. Ah, é? Pode deixar, pode deixar. Agora já foi. Eh, Dra. Marina, eh, você comentou sobre o banco de talentos, né? Eh, eu achei assim um tanto interessante. Eh, eu gostaria de saber se a senhora conhece alguma iniciativa eh nessa área. Se tiver, a gente eh aceita aí as sugestões, né? Foi bastante interessante. Obrigada. É isso. Olha, o que mais tem de banco de talentos que eu conheço é em relação à aprendizagem que a gente tem, né? Então, nós também temos duas cotas principais. a cota de pessoas com deficiência e a cota de aprendizes que as empresas têm que cumprir. E e tem muito banco de talentos dessa questão dos aprendizes, tá, entendeu? Agora, das pessoas com deficiência, o que mais eu vejo são iniciativas do próprio poder público. Então, aqui em São José do Rio Preto, por exemplo, tem na própria secretaria da pessoa com Deficiência e das mulheres aqui é junto, eles fazem feirões de empregabilidade PCD. Então, a cada 3, 4 meses, eh, eles eles juntam, eles convidam, as empresas fazem como se fosse banca, sabe? uma mesa para cada empresa, levam essas pessoas cadastradas até lá e é como se fosse um grande balcão de emprego ali de todas as empresas buscando cumprir a cota e essas pessoas levando currículo de mês em mês ali mesmo nesses feirões que eles fazem. Então, é, eh, é isso. E aí a ideia é trazer esses novos programas que a gente teve acesso, meu emprego inclusivo, que eu vejo aqui agora, que é um programa do estado mesmo, da estadual, né, da secretaria do estado e e também de outras empresas como essa Soul Code que também vai participar. Então eles vão apresentar as propostas deles, mas o que eu vejo mais eh em relação à aprendizagem e iniciativas públicas como esses feirões. Eu não sei se chega a ter a algum aí em Campinas, mas é interessante entrar em contato com a secretaria de de pessoa com deficiência, né? Porque geralmente são eles quem quem fazem. Obrigado, Marina. Marina, então você falou que pega toda essa parte do interior do estado. É isso sim. Aqui é Campinas e todo o interior do estado. Aí São Paulo e litoral. É, São Paulo e litoral é outra procuradoria. Tá bom. Legal. Bom, é isso, pessoal. Com relação à Marina. Marina, então você se você puder ficar mais um pouco, fica, mas senão você tá tá fic. Olha, eu consigo ficar mais uns 10 minutos. Eu vou eh fechar o áudio porque realmente eu tô interessada em ouvir, né? É uma coisa muito importante aqui. Tá ótimo. Para para nós também. E a gente conta contigo aí nos na sequência, porque a gente vai precisar aí depois se debruçar para montar, né, as nossas o nosso relatório final, a nossa proposta legislativa. Tá bom? Com certeza. Obrigado. Então eu vou passar agora pro Gabriel para falar um pouquinho, Gabriel, da de como é que a Secretaria de Cultura e Turismo, né, enxerga essa enxerga essa questão das neurodivergências, né, das pessoas eh do do TEIA, né? Fica à vontade. Obrigado pela tua presença. Muito bem. Então, boa noite a todos e todas. Desculpem pela pelo horário, que eu tava em uma outra reunião, acabou demorando um pouco mais. E aí, mas bom, eu acho importante tá aqui pelo tema eh ser um tema que eh tem muita incidência com a cultura, né? A cultura é é a prima pobre das áreas de políticas públicas, né? a gente sempre tem um orçamento menor que as outras áreas de políticas públicas, né, de de na área social, mas a cultura é uma área que tem uma militância muito forte, né, uma participação da sociedade civil muito importante, né? E dessa forma nós na Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, a gente sempre tem a construção e o desenho das nossas políticas públicas sempre muito em conjunto com a sociedade civil, principalmente através do Conselho Municipal de Política Cultural. Então, a gente eh é uma área que, embora a gente tenha poucos recursos, a gente costuma eh ter um clima de debate muito intenso e, portanto, de construção e de maior permeabilidade do Estado a questões novas da sociedade. Então, na cultura, a gente eh eh boa parte da da da nossa relação com a sociedade civil é por meio de editais, né? Então, a gente apoia as iniciativas de cultura da sociedade civil. A nossa gestão aqui em Campinas tem por como uma dos eixos muito fortes, né, de de uma a nossa visão de gestão, que a Secretaria de Cultura não faz cultura, quem faz é a sociedade civil. E nós, como poder públicos, poder público, temos o papel de criar as condições para que as pessoas expressem suas identidades, suas culturas, né, eh, tenham acesso ao que desejam buscar. Então, nós exercemos um papel de disponibilizar a infraestrutura pública para que as coisas aconteçam e nunca nós como proponentes de conteúdo para o conjunto da sociedade, porque embora pareça uma coisa assim que qual a diferença, né? Mas a questão é que a média e longo prazo, se a o poder público ele é o fazedor de cultura, acaba existindo uma cultura chapa branca, um dirigismo eh político na cultura, o que a gente conhece experiências na história recente da humanidade que não são positivas, né? Então a gente tem muito claro que a gente eh uma uma visão de gestão de que a gente apoia o que as pessoas fazem e não nós fazendo cultura. E a forma de apoiar é sempre por meio de edital, né? Quer dizer, algumas coisas não como disponibilização de um teatro, nem sempre é a necessidade de um edital, mas as principais ferramentas são o edital. Esses editais são construídos com eh em conjunto com o Conselho Municipal e ali a gente tem então a possibilidade de tá aberto a a novas possibilidades. Então, na cultura a gente sempre é pioneiro na implantação de cotas, né? Eh, como as cotas raciais, que sempre estiveram primeiro na cultura e depois em outras áreas de políticas públicas. as cotas de gênero, mais recentemente, as cotas para pessoas trans, que t uma questão específica dentro eh da da pauta de inclusão social. Eh, também a gente aplica aqui cotas territoriais com bonificação para garantir que os recursos públicos cheguem em todas as regiões da cidade, corrigindo disparidades, né? e mais recentemente também as questões ligadas às pessoas com deficiência. Então, a gente tem no Conselho atualmente uma militância muito eh envolvida com as questões. Tem a gente tem pessoas com deficiência dentro do conselho e também pessoas que trabalham especificamente, né? E eu tô falando assim de uma forma eh muito ampla as pessoas com deficiência, sabendo que dentro de pessoas com deficiência a gente tem uma gama enorme de questões e hoje é especificamente sobre eh um dos ramos, né? Mas eh como ainda é uma questão nova, eu acho que a gente ainda consegue enxergar de uma forma mais ampla, né? como as questões relativas às pessoas com deficiências. Então, não só na na no estabelecimento de cotas, mas a gente tem alguns grupos que eh foram contemplados em editais nossos para desenvolver pesquisas em profundidades. Então, a gente teve recentemente no Museu de Arte Contemporânea de Campinas uma residência artísticas e residência artística de um ano com um grupo que recebeu recursos nossos e recursos da política nacional Ord Blanc num edital do governo do estado de São Paulo e que durante um ano inteiro desenvolveram trabalhos tanto para eh reconhecimento do acervo, entender qual que era o o lugar da pessoa com deficiência dentro da história, do museu e do seu acervo na identificação, na na criação de acessibilidade comunicacional, mas também na criação de ativações do museu, ou seja, atividades voltadas à atração de público, sempre desenhado para as pessoas com deficiência, então para pessoas autistas, para pessoas cegas, para pessoas surdas e assim por diante. Então, a gente conseguiu desenvolver em parceria, né? A gente, na verdade, e financiou e acolheu na nossa instituição, mas o protagonismo é é de pessoas aqui, né, da de um grupo de pessoas, né, da a Andreia Mendes, eh, a Paula, me desculpe, agora me falhou o nome, mas eu vou lembrar até por por justiça, eu vou lembrar o nome dela já, né? eh, que desenvolveu durante um ano um programa para que o museu se visse no desafio de ser acessível a todas as pessoas, né? Então, no agendamento de pessoas cegas, de grupos de pessoas cegas e e o museu se dando eh de cara com o desafio de de se ver nessa situação de uma situação em que eh até há pouco tempo atrás não pensava, não tava preparado, mas tendo que se pensar no desafio de ser acolhedor para essas pessoas, né? Então, não só para pessoas cegas, mas para pessoas autistas, para pessoas surdas, para pessoas com dificuldade motora, enfim, né? Então, a gente conseguiu ali e ter um ano e que gerou um relatório. A gente tá para eh ter o lançamento do livro com relatório agora na nas próximas semanas lá no museu. Então, essa é uma forma de não só eh atender aquele conjunto de pessoas que foram numa atividade agendada, mas de transformar a instituição. Eu acho que o momento em que nós estamos agora é de há pouco tempo nós termos percebido essas questões novas, né, do quanto nós somos limitados para receber pessoas que chegam com a cadeira de roda ou que precisam da audiodescrição ou que precisam do do braile ou que precisam de uma sala de descompressão, de um de um local calmo para poder se sentir à vontade num determinado ambiente. Então são questões totalmente novas que eh se a gente atendeu ali, eu não sei, né, 100 pessoas desse segmento ou daquele, pode parecer pouco, mas o momento em que a gente tá é de eh incidir sobre as instituições para que as instituições se sintam provocadas a se transformar. Então, é assim, no Museu de Arte Contemporânea, no Museu da Imagem e do Som, nos demais museus e a gente tem um longo percurso, né? Eh, aqui em Campinas, no campo da pessoa com Deficiência, a gente tem uma trajetória mais antiga nas bibliotecas, porque a gente tem o Edinho, que é um colaborador nosso, né, um funcionário da biblioteca, que há muito tempo desenvolveu pra gente a biblioteca Braile, eh, na biblioteca Zinc, que é a biblioteca central do lado da prefeitura. Então a gente tem décadas ali de aprendizado institucional para receber, né, que a gente precisar saber que olha, não pode ter um carro estacionado na frente da biblioteca porque vai chegar um cegoo. Ou seja, por que que esse carro vai tá aqui? Então a gente tem alguma experiência nas bibliotecas de em qualquer biblioteca que uma pessoa cega chegar, ela pode requisitar e e vai chegar um livro Braile lá ou um livro que ela quer ter acesso vai ser transformado em audiolivro. a gente vai ter algumas tecnologias assistivas à disposição, mas na nas últimas levas de edital, no principalmente depois da pandemia, a gente conseguiu acolher uma série de projetos que são voltados à produção de arte def, que é como o meio se chama, né, a de arte def, que são eh as produções de teatro, de dança, dos diversos eh das diversas linguagens artísticas feitas a partir da condição da pessoa deficiente, então da pessoa cadeirante ou da pessoa com qualquer outro eh eh qualquer outra condição, né? Eh, não como algo feito apesar da pessoa ser cadeirante, mas a a dança da pessoa que é cadeirante como uma expressão artística específica, né? Então, a gente teve um projeto de longo prazo que foi desenvolvido na sala dos toninhos. Então, a gente teve eh mostras de arte def e que também foi provoc foi provocador pra gente, né? Eu acho que o o principal, né, o momento, né, a característica do momento que a gente tá é de provocar as instituições da nossa equipe lá como plateia e vê que fala: "Puxa vida, eu preciso fazer alguma coisa", né? E aí a gente começar a descobrir que na nossa equipe tem pessoas que são mãe de autistas e etc, né? e começar a dar lugar para que essas questões comecem a fazer parte do trabalho. Não é uma funcionária que tem que sair mais cedo por uma questão pessoal, mas é uma condição da da pessoa que a instituição tem que acolher e que essa pessoa eh no caso, né, a gente tem gente em coordenação, né, em posto de coordenação, que tem eh a possibilidade de enriquecer o nosso conhecimento, não só pra área que ela é responsável, mas para trazer, né? Então, de uma forma resumida, eu queria deixar esse essa principal conclusão que a gente tem algumas iniciativas, né, todas elas com eh protagonismo da sociedade civil. Eh, eu acho que isso é importante porque não quer dizer que a gente é genial e que a gente sabe tudo e que a gente vai fazer tudo. A gente tem dificuldade até às vezes cumprir um mínimo obrigatório por lei, porque quando a gente fala, por exemplo, de adaptação de acessibilidade eh de eh de um prédio, a gente tá falando em reforma, a gente não consegue fazer as reformas na velocidade que a gente queria. Eh, tem projeto, o lugar é tombado. Para fazer o projeto você tem que contratar, porque, né, daí depois de contratar o projeto tem que conseguir o recurso. É, eh, obra é sempre uma coisa muito demorada. Então, a gente sabe disso, a gente tem consciência, tem um tem planos de de ir aos poucos fazendo dentro do tamanho da nossa possibilidade. Mas eu acho que o principal é isso, é a gente conseguir dar protagonismo pras pessoas e ser na área de política pública da cultura a área mais permeável do Estado, que é capaz de ouvir as demandas, porque a cultura tem essa característica, né, de a gente poder eh eh ser o lugar onde os signos transitam, né, por excelência, né? Então, a gente eh busca ser o lugar mais permeável em que a gente permita transformar a ação do Estado, né, a partir desse momento que a gente tá, que é de provocação das instituições. Então essa contribuição que eu queria trazer aqui para pra gente, né, participar do debate. Eu acho que a gente tem muito a aprender e aqui trocar também. Obrigado. Obrigado, Gabriel. Muito obrigado mesmo pela tua fala. mostrar um pouquinho do que é a perspectiva da Secretaria de Cultura eh nesse campo, né? Quero abrir, pessoal, para manifestações aqui, já abro pro Frank, depois eu faço também uma algumas questões, por favor. Só para não ficar de que não vou. Obrigado. Vai lá de costas mesmo. Boa noite a todos. O meu nome é Frank. Eh, boa noite a todas. É um prazer estar aqui com todos. E eu gostaria de trazer aqui à luz da questão algo que envolve tanto o trabalho quanto o esporte e a cultura, que envolvendo o trabalho, por exemplo, nada adianta as empresas assim eh terem vagas para pessoas eh deficientes, contratarem pessoas autistas e também não adianta nada a gente ter assim eh profissionais da educação, por exemplo, capacitados para lidar com as crianças autistas, com as pessoas neurodivergentes. E não adianta nada a gente ter, por exemplo, eventos voltados eh para esse público sem que haja basicamente em mente, né, a questão do ambiente. Por exemplo, a empresa ela contrata um um profissional autista, mas o ambiente ele é muito caótico, o ambiente ele tem muito barulho, muitas pessoas falando ao mesmo tempo, muito telefone, assim, eh, o os demais profissionais tm a consciência de que o autista, o neurodivergente, ele não funciona socialmente como os demais, entende? Quando a gente fala da questão da da educação, da educação física, principalmente, a gente tem que levar em consideração que nós autistas somos muito sensíveis ao crime. Então, a gente pode ter assim, a criança pode ter um profissional acompanhando ela, mas aquele profissional ele não vai estar sendo tão efetivo assim se o ambiente tiver muito barulho. A gente sabe que criança grita, né? Isso na mente da da criança autista, do adolescente autista, eu falo por experiência própria, né? sobrecarrega muito um evento cultural, por exemplo, muito barulhento, por mais que seja voltado, né, eh, para pro público neurodivergente, se não tem um espaço, por exemplo, como o senhor citou, sabe, mais silencioso, menos caótico, aquilo vai, sabe, gerar uma crise. Então, a gente precisa sempre trazer, sabe, a adaptação do ambiente. Muitas vezes não é necessário nem uma reforma muito, sabe, muito cara, eh, por parte da empresa. Basta apenas que, por exemplo, troquem a luz, entende? Coloquem uma luz amarela, porque, por incrível que pareça, a luz sobrecarrega gente que é neurodivergente, a luz branca, por exemplo. Eh, tirem, por exemplo, o som dos telefones, né? Coloque em algum outro telefone que seja menos barulhento ou então assim, avise, né, os demais profissionais que o autista ele assim ele ele tem a plena capacidade de se comunicar, mas por exemplo, a gente não vai est sempre olhando nos olhos o tempo todo, a gente não vai, entende subjetivas, como por exemplo, ah, a pessoa neurotípica acontece dela querer algo, mas não falar espiritamente que quer. O autista não vai perceber que a pessoa quer algo se ela falou de maneira implícita, entende? a gente é literal, a gente precisa da informação explícita, porque senão não entenderemos. Então, o meu ponto é, nós precisamos sim de todas essas políticas, mas não não devemos deixar de lado a adaptação do ambiente, porque eu falo por experiência própria, é o que mais causa crise em nós neurodivergentes, adultos, adolescentes, crianças, em todas as faixas etárias, a dificuldade relacionada ao ambiente é a mesma. Então, deve haver a capacitação profissional, a eventos inclusivos, mas a adaptação do ambiente é simplesmente imprescindível. Essa é a é a palavra. E basicamente é isso. Boa noite a todos e eu agradeço imensamente a colaboração de todos vocês e que ajudam tanto a gente que se sente, que cresceu se sentindo invisível na sociedade. Vocês são importantíssimos. Muito obrigado. E é isso. Obrigado você, Frank. O Frank é um dos mais frequentadores aqui da nossa a Cátia, a Jaciara, o Wagner vai falar agora. São assidos frequentadores aqui, colaboradores da nossa aqui, aqui seria o o Wagner, meu xará aqui. Olha, eu tô feliz de ter ficado porque minha rede de apoio diz que as crianças dormiram, que aí então eu trouxe mais alguns dados aqui até que vai complementar a a fala dos colega. Você quer falar, Marina? Quer que quer se quiser passar para para outra pergunta primeiro, passa passa você que aí o o Wagner fala na sequência, tá bom? Eu queria trazer só aqui que eu consegui acessar e nós recebemos denúncias sobre essa questão da da acessibilidade da pessoa com deficiência numa média aí em Campinas. Peguei Campinas de 80 por ano. Então 80 foi 84, 87 e esse ano até agora estamos com 35 só. Isso é bem pouco. Eh, e são pessoas que vocês conseguiram eh eh indicar para trabalho. É isso? Não, isso são as denúncias que nós recebemos de pessoas eh falando que nas empresas elas não estão tendo ou acessibilidade ou um ambiente de trabalho, né, no que ele tava até falando, né, um ambiente de trabalho que não não era propício, mas aí não só neurodivergências, toda e qualquer deficiência. de pessoas com deficiência, né? Tá? Então, a gente tem essa média aí da região de Campinas de 80 ao ano, que é bem pouco. E nós aqui do MPT a gente atua nessa parte de meio ambiente de trabalho, não só com CLT, porque tem algumas decisões aí que restringem a justiça do trabalho só para aqueles que têm vínculo empregatício, excluindo, por exemplo, trabalhadores eh autônomos ou servidores públicos. Mas nessa questão do meio ambiente de trabalho já é bem consolidado que nós atuamos para todo e qualquer tipo de trabalhador, mesmo sendo CLT, servidor. Então eu acho que também é uma forma da gente aumentar essas denúncias que chegam até nós para que a gente possa atuar mais nessa questão ambiental do trabalho mesmo, que é isso, né? Essas tentar retirar essas barreiras. Então é interessante. Ótimo. Obrigado, Marina. Então vamos depois a gente detalha esses dados aí porque é interessante a gente saber também que tipo de empresa, né? Quais são os Quais são qual é a natureza das denúncias, né? Olha, tem um observatório observatório do trabalho aqui, SmartLab, é um um site que foi desenvolvido pelo MPT. e pela OIT, tá? E tem bastante dado lá sobre essa parte. Dá para selecionar a cidade, dá para selecionar o tema, tudo de pessoa com deficiência vai ter lá. Ótimo. Obrigado. Nada. Vamos lá, Wagner. Ah, eu queria fazer uma pergunta pro Gabriel e pra Gabi. Ah, primeiro pro Gabriel. Ah, você fez uma fala primeiro, agradecer a sua a sua presença, a que a a forma de trabalho da Secretaria de Cultura é não propor a cultura, mas a dialogar com a sociedade civil para que algo seja feito em parceria e discussão. Eu acho excelente a ideia, mas eu tenho sempre um más, né? Ah, eu acho que é joia. Mas a pergunta vem na sua equipe ou na composição de time, você tem alguma pessoa neurodivergente na sua equipe de trabalho que ajude a pensar a a essa construção? E a segunda é a fala dele. Qual seu nome mesmo? Frank. Frank. Frank, desculpa, a gente sempre se vê, mas tá sempre rápido, né? É. Eh, eu acho que a fala do Frank foi uma fala que assim ele verbalizou da importância no final da fala dele. Ó, obrigado por vocês abrirem espaço pra gente discutir. Em outras palavras, por mim, ele ele ele eu posso ter pretado assim, eu posso sempre ter pretado assim: "Poxa, Secretaria de Cultura faz algo a partir de vocês, ofereça algo a partir de vocês e não necessariamente a gente só se organizar". Porque ah, eu tenho um filho de 13 anos e depois eu vou falar dele da quando for falar da Gabi. Mas assim, eh eh como que eu me organizo como sociedade civil, como um pai? Eu tenho um grupo de pessoas que eu coordeno do GAFA porque a gente discute e tal, mas assim, seria muito joia ter algo e eh por exemplo, né, que fossem atividades culturais inclusivas com participação de pessoas neurodivergentes, né, para ter espaço um uma uma proposta. Por exemplo, nós passamos o mês de abril, que é o mês de consciência de autismo, né? Ah, eu não sei se houve algo e se houve, me desculpe, mas eu não soube, da Secretaria de Cultura voltada para para o público neurodivergente na cidade. Mas assim, nós temos 12 meses no ano, né? Mês de abril é um só, nós temos os outros 11, né? Eh, eh, não vai. Eh, na verdade não é nenhuma pergunta, é uma, é uma provocação assim, poxa, eu acho que vale discutir e vocês proporem algo. Era, era, era mais nesse sentido, tá joia? Paraa Gabi, se você quiser falar alguma coisa, pode falar também. Tem pra Gabi, a a Gabi citou a Gabi, eu conheço a Gabi lá da Unicamp que meu filho fazia atividade física num projeto chamado Paraanadar nas ondas do mar. E era um projeto da Unicamp, ainda é um projeto da Unicamp deficiências conseguem fazer inscrição, ah, para poder participar das atividades físicas. E a Unicamp consegue proporcionar você ter um aluno de graduação que fica exclusivamente com um aluno. E meu filho ficou conhecido lá o Lucas porque ele fazia o Romão, o Lucas fazia eh atletismo na piscina. Eu vou explicar o porque ele fazia atletismo na piscina. Ele chegou lá e a Gabi, na época a Gabi tava lá. Ele chegou lá e ele não entrava na piscina, ele ficava correndo em volta e correndo em volta e a gente ficava assim: "Ele não gosta de água?" Gosta. E eu falo: "Gosto, ele ama água". E ele correndo em volta, correndo em volta. Meu Deus do céu, o que acontece? Um mês, dois meses, que normalmente dura uns 4 meses, né? Mais ou menos. Do nada assim, eu não lembro se foi a Mari, se foi a Gabi, alguém falou assim: "Ó, ele tá rondando a piscina lá do outro lado que tem os adultos lá do outro lado". Aí ele foi e se aceitou ir lá com os adultos. E aí aquela coisa que eh o Frank, né, no outras conversas, né, assim, o Lucas gosta da água, mas na parte que ele tava do infantil tinha muita criança e criança faz muito barulho, ele se incomoda com barulho e ele preferiu estar com adultos fazendo uma atividade mesmo ele sendo criança. E então assim, o que a Unicamp fez foi maravilhoso. A, a gente foi, não sei se você soube, Romão, a gente nesse projeto da Unicamp, a gente vai pro praia, pro mar, surfar, ou seja, nós vamos ocupar os espaços públicos para pessoas que ah não tinham acesso a chegar lá, né? É a coisa mais linda do mundo. Se você pudesse ver um dia, é lindo demais, né? Super emocionante. Mas a Gabi citou uma coisa aqui muito interessante, que a pessoas neurodivergentes t quatro vezes menor a eh prática de atividade física, né? Foi isso de sedentarismo. De sedentarismo, né? Consequentemente isso afeta com deficiência quatro vezes neurodivergentes, oito vezes. Oito vezes neurodivergente, oito vezes quatro vezes pessoas com com deficiência. É, eh, ou seja, e consequentemente isso afeta na qualidade de vida dessa pessoa. Consequentemente também podemos dizer que afeta na expectativa de vida dessa pessoa a longo prazo, né? Eh, eh, no país. Gabi, e na sua experiência, na sua formação, eh, como você enxerga que a cidade de Campinas tem outros espaços além da Unicamp para ter um projeto parecido com esse que a Unicamp faz? Eh, por exemplo, eu vejo eu vejo o Parque da Quaral com aquela piscina a que abre por 3 horas, fecha e depois abre. Eh, e outras piscinas na cidade. Eh, um projeto desse que a Unicamp faz que é maravilhoso, aqui ajuda demais o Lucas de forma extraordinária. Eh, não teria como isso ser estendido para outros lugares da cidade? Obrigado. Ótimo. Obrigado, Wagner, por favor. Eh, falar rapidamente porque eu tá quase no no horário que o vereador colocou como teto, né? Eh, nós somos então do Instituto Chlemente e nós temos toda uma atuação no campo da empregabilidade, né? Nós somos aqui da área de defesa e garantia de direitos advocos colocamos à disposição, vereador, porque o que acontece? O emprego apoiado, ele é uma metodologia baseada em evidências que no mundo inteiro aumenta a empregabilidade das pessoas com deficiência em geral, inclusive das pessoas com TER, né, muito significativamente, né, em mais de 100%, em muitos casos a gente tem esses estudos para demonstrar. Em vários países é uma política pública, né? No na na Espanha você tem um decreto 870 de 2007, nos Estados Unidos tem a emenda 504 da Rehabilitation Act de 92 que transformou o emprego apoiado numa política pública. Ou seja, eh assim como a pessoa precisa às vezes de outras tecnologias assistivas, às vezes para estar no trabalho a pessoa precisa de alguns suportes, né? E isso é subsidiado pelo poder público. Existe no eh no âmbito federal um projeto de lei 2190 2019 que tenta instituir ainda que embrionariamente, sem dotação orçamentária, o emprego apoiado com política pública no Brasil. tá há 6 anos tramitando. Parece que esse ano talvez tenha alguma chance, né, de ser aprovado, mas isso acho que seria uma uma iniciativa em termos legislativos, né, de de seguindo, né, a experiência de de diversos países que já têm essa política pública, disponibilizar o recurso para que a pessoa eh receba os suportes, né? Não, não, a gente não tem tempo aqui de explicar, mas a metodologia ela tem um, ela é uma tecnologia social, ela ela tem um protocolo, ela tem alguns princípios e valores, enfim, eh nada muito complexo, é uma tecnologia relativamente simples, eh mas que é fundamental paraa inclusão, né? Porque a gente sabe que contratar não é incluir. Tem muitas pessoas que estão excluídas dentro do trabalho e aí elas não ficam, né? E a empresa muitas vezes a pessoa foi embora por causa de R$ 100. A gente ouve muito isso, porque é sempre mais fácil culpar a pessoa, né? Mas na verdade, como você não tem um processo que fomenta a inclusão e a permanência da pessoa no trabalho, eh muitas vezes a inclusão acaba não dando certo, né? Você consegue eh não consegue reter a pessoa porque às vezes até porque existe uma sabotagem de alguns setores, né? Então, uma política de emprego apoiado, ela fomenta a empregabilidade, né, que é um direito também de das pessoas com autismo, né? Então assim, queria realmente nos colocar à disposição, mandar material, outras legislações que a gente conhece que versam sobre isso, porque a gente entende que isso é um pilar, né, paraa inclusão, porque tudo passa pelo trabalho, né, senor, o senhor tava falando da questão da pessoas trans, né? Eh, porque o emprego apoiado ele é usado para divers ele tem eh eu tenho um artigo que fala que para pessoas com autismo as evidências são esmagadoras do quanto ele é efetivo. Em, alguns países usam para inclusão de pessoas trans, pessoas moradoras de rua, porque, por exemplo, no Brasil as pessoas não conseguem emprego, as pessoas trans muitas vezes não conseguem emprego, vão parar na prostituição, isso é dado da antra e acaba tendo uma expectativa de vida de 35 anos, porque o trabalho é um ponto chave, né? E a mesma coisa para as pessoas com autismo, paraas pessoas com deficiência em geral, né? A o não trabalhar ele também diminui a expectativa de vida, né? Então eh a gente entende que é uma política pública fundamental. Desculpa se eu falei muito. Vocês t sede em São Paulo, eu tô vendo aqui sim, Flávio, mas aqui em Campinas tem alguma sede específica? Não. A gente procura. Nós temos alguns projetos, né? Eu tenho tenho é nós temos aqui com uma parceria com com o governo do estado, estamos na delegacia da pessoa com deficiência no centro de apoio técnico. Uhum. Mas nós nos colocamos à disposição para reuniões, para o que for necessário para poder fazer esse trabalho. Ótimo. Obrigado pela presença de vocês aqui, viu? Que acho que vai vai nos ajudar bastante também. Vamos lá. Eu só tenho uma questão aqui pra pra Gabriela que diz respeito a essa questão da do coletivo e do individualizado. Gabriela, tava a gente tava conversando um pouco sobre como é que a gente tá chegando, né, nos temas e tem uma uma questão muito importante que é um pouco como essa questão, como é que a gente vê isso na na saúde, né, que é uma questão muito terapêutica, individualizada. É difícil a gente conversar com profissionais da saúde que t essa perspectiva mais coletiva, né? Eh, porque ela tá muito marcada pela questão do laudo, do diagnóstico, etc., né? E na educação, a gente vai conversar na educação e é uma perspectiva em geral coletiva, né? Entendendo que se trata até de uma dentro da perspectiva de que todos somos pessoas, né? e que a educação tá olhando para as pessoas enquanto pessoas e que todas as pessoas são diversas, né, e tem as suas abtidões, os seus talentos, as suas os seus os seus modos, né, de de conviver e as suas deficiências, enfim. Não tô querendo aqui generalizar, viu, Wagner, mas um pouco dentro dessa percepção de que numa sala com 30 alunos, tendo 25, eh, tendo cinco com deficiências ou com tendo, ou tendo neurodivergências, é importante que todos estejam agregados numa numa sala de 30 alunos para que a gente possa tratar coletivamente, né, e que e a gente vai percebendo que coletivamente a gente dá conta, né, de uma maneira muito mais democrática, plural, diversa, né, eh, de sermos todos, né, estarmos todos juntos, né? Então, eu queria saber um pouco eh eh Gabriela, como é que como é que tá isso assim, né, assim na digamos mais na formação também, né, das não sei se não sei se a gente pensa isso, deixa eu pegar pensa isso em termos das licenciaturas, né, mas como é que tá isso na formação da da do pessoal da da do esporte, né, e um pouco mais da educação física também, eh, e da própria da tua própria experiência, né, com com as pessoas eh com neurodivergências. E a outra coisa, eu fiquei muito curioso, você disse assim, vamos perguntar pros adultos o que que essas pessoas querem, né? E essa questão da escuta, né? Se você pudesse falar um pouquinho também como é que vem isso, né? A parte das tuas perguntas. E eu sei que é um monte de coisa, mas eh quem eu começo? Pode ser. Tá, obrigado. Bom, vou começar primeiro. Obrigado pelas perguntas, pelo Frank, né, falando sobre a questão do ambiente. Eu acho super eh válido, né, a questão do ambiente. Ah, mas a gente também tem que observar que esse ambiente ele ele pode se ajustar a característica daquele indivíduo que tá naquele momento, naquela atividade, porque a gente pode ter pessoas com, né, autistas inclusive que não são sensíveis, por exemplo, que não não tem sensibilidade a barulho, né, e convivem muito bem com o barulho e aquilo não não se torna uma sobrecarga sensorial. Então, avaliar é importante, né? Por isso que eu chamo muito nessa questão de um sistema muito dinâmico, né? Avaliar essa dinâmica, né? Tô falando da minha perspectiva, né? Por exemplo, dentro de uma aula de educação física, né? Ah, eu consigo perceber, né? Qual é o momento que aquele estímulo tá incomodando o Frank, por exemplo, mas não tá incomodando o Joãozinho e que eu consigo, né? E qual é a estratégia? Por isso que eu falo muito de estratégia de ferramenta. Qual que é a estratégia de ferramenta que eu vou conseguir com que o Frank fique na minha aula, com que ele pertença aquele momento, aquela atividade e que eu consiga reduzir o barulho, né, para que ele se sinta incomodado com aquela atividade que a gente fala, que a gente tá fazendo, que é muito um desenho universal, né? Então o menos barulho pro Frank vai ser melhor para ele, mas menos barulho pro Joãozinho, pra Mariazinha, pro Felipe, não vai ser, não vai fazer diferença nenhuma. né? Então eu tô colocando todo mundo ali, né, numa situação menos caótica e que todo mundo se se eh se beneficia dessa situação, né? Então acho que esse conhecimento, quando a gente tem um conhecimento sobre a neurodivergência, isso é muito importante, a gente hoje tem, né, obviamente uma melhor divulgação sobre esse conhecimento, mas a gente ainda tem um negócio que chama tal de rede social, que divulga muita coisa errada também, né? Então, a gente tem que tomar muito cuidado com as vinculações que a gente passa hoje sobre o que é a neurodivergência. Então, parece que fica um negócio que assim, ah, a pessoa é autista, ah, ela tem, né, só uma limitação, né, do barulho, põe lá um fone de ouvido e e não toca nela, tá tudo bem, né? E a gente sabe que não são só essas características, né, principalmente quando a gente pensa, né, num nível de suporte um, por exemplo, que também tem uma invisibilidade maior, né, quando a gente pensa em adaptações que são importantes, né, para essas pessoas, que daí o que acontece é que o Frank muit das vezes acabou fazendo muito que a gente chama de mesking, né, muita muito mascaramento para se conseguir adequar aquelas situações sociais e a hora que ele chega em casa, ele entra num colapso total e no dia seguinte não consegue nem levantar da cama. A gente sabe, né, desses esgotamentos sociais que existem de maneira eh muito fortes. E quando a gente conta isso para uma outra pessoa, a outra pessoa vai falar que é frescura, bá e assim por diante. Então, vincular vincular mensagens, né, sobre como é essa questão, né, do ambiente pro pro pra sociedade é muito importante, né? E na minha prática, eu sempre falo isso, né? Eu tenho um projeto de 10 crianças com autismo lá em Limeira, na faculdade de Ciências Aplicadas. Ah, e nenhuma delas ali tem a questão com o barulho. Então eu falo que é o caos da Gabi ali. Aquilo ali é um local muito barulhento, mas ali naquele momento aquela a criança ali nenhuma delas tinha eh uma uma sensibilidade sensorial. se tivesse, né, a gente teria que fazer algum tipo de adaptação para aquela situação. Então, acho que essa é uma leitura, né, em relação a isso. Eh, quando o Wagner coloca a questão, né, que a gente lá na Unicamp faz, e é isso, a gente tem esses projetos em que a gente tem uma situação, e eu sempre falo, né, que bom que a gente tem essa situação na Unicamp, porque é lá que a gente pode fazer práticas de excelência, né, a gente espera que seja o melhor ambiente para isso, que a gente fala, né, das nossas extensões de excelência. Eh, e a gente tem realmente, né, quase um monitor para cada aluno, né? Obviamente que essa não é a nossa realidade eh do mundo eh real, mas, né, a gente consegue passar a partir dessa formação, desses professores, que eles tragam estratégias para quando eles estiverem no mundo real. H, e acho quando eu falei, né, da questão da gente entender, por exemplo, ah, eu tenho uma a turminha do vôlei lá e eu tenho 20% dessas vagas obrigatórias para pessoas com neurodivergência e eu tenho uma outra turma lembrando da questão das proficiências motoras, né, ah, específicas para algum tipo de nível de suporte ou de característica de proficiência motora para aquelas pessoas, uma atividade específica. Eu acho extremamente importante, né? Então eu tenho, por exemplo, ah, hoje a gente fala muito, né, e aí tem uma briga entre educação física e psicomotricidade, quem que é o dono de quem, né, quem que pode fazer quem. Ã, mas eh se eu posso fazer, por exemplo, uma prática de, né, um projeto de natação só para pessoas com autismo, isso também é importante, porque isso se refere à questão de pertencimento, né, a questão de identidade. Então, é muito isso, a gente faz no dia a dia, né? Eu faço triatlon, eu tenho a identidade de estar em grupos de triatlon. é uma identidade minha, é um pertencimento, assim como se eu quiser fazer, né, estar fazendo uma aula de de natação dentro de um uma um grupo que só é de autistas, também é um pertencimento. A deficiência eh auditiva tem muito essa questão, né, desses pertencimentos e eu também acho que isso não é errado. Então, eh eu acho muito importante ter esses pequenos polos, né, dentro da cidade. Então, lá no Taquaral, por exemplo, ah, tem um projeto específico para crianças com autismo, né, na natação ou de desenvolvimento de habilidades de esportes coletivos, né? E aí eu consigo, obviamente, ter até um público mais especializado em que tá trabalhando com aquelas com aquele tipo de atividade. Isso acho isso super pertinente, né? E aí, já puxando o gancho ali pro que o Romão colocou, né, da questão do coletivo e do individualizado, eh, eu acho que sempre vai existir, né, e aí volto nessa decomotricidade entre psicomotricidade e educação física e esporte. Quando a gente fala em psicomotricidade, não sei se vocês têm um pouco dessa relação, desse conhecimento, desse termo, a psicomotricidade tá muito no termo, na prática terapêutica, né, na na prática clínica e é praticamente, né, não é um campo somente da educação física, do profissional de educação física, né, e de outras de outras áreas também, mas é uma prática bastante individualizada, né? Ah, e quando a gente pega a questão mais coletiva, eu entendo que o esporte, por exemplo, ele tem essa característica mesmo em modalidades individuais, em que eu consigo também trabalhar eh fatores muito importantes pro desenvolvimento, né, da própria neurodivergência ou paraa regulação da neurodivergência, é onde ele consegue, né, principalmente pensando no desenvolvimento da criança, consegue trabalhar a questão ali das suas habilidades de funções executivas e assim por diante. posso ter uma uma habilid, uma um esporte individual com uma natação e ter uma característica coletiva, né? Mas eu preciso entender quem é o meu público, né? Pode ser que eh o Lucas como filho do Wagner prefere ficar, né, com um trabalho individualizado, mas ele está em um ambiente coletivo e ele interagia com esse ambiente coletivo e era importante para ele o ambiente coletivo, né, os afetos, as relações, né, as trocas. Então, acho que isso é é importante ser levado em consideração. E quando a gente pensa em quando eu falo, né, de de dar voz, né, as pessoas com autismo dentro do da prática esportiva, isso é uma coisa que a gente tá fazendo recentemente na na área acadêmica, né, porque a gente fala muito, né, do que que essas pessoas preferem, o que que elas querem e tal, as características, mas a gente não escuta o que que elas querem. Eh, então a gente tá perguntando mesmo para para essas pessoas qual é a sua experiência dentro da sua escola com a prática esportiva, né? E a gente vai em grupos focais eh de pessoas com autismo. Até já vou pegar o contato do Frank ali para ele virar um um sujeito de pesquisa. Eh, a gente tem duas meninas, duas duas mestrandas e uma doutoranda fazendo isso. Eh, para identificar qual que é a barreira que eles, eh, que mais eh eles mais identificam e quais são as estratégias pedagógicas mais importantes para eles vinculadas ao professor. Então, o que a gente já tem escutado é que eles falam assim, né? Ah, quando o professor tem uma organização da sua estrutura de aula, uma aula marcada com começo, meio e fim, quando ele usa dicas verbais, quando ele usa dicas visuais, a minha aprendizagem fica mais fácil. E a gente consegue repetir, né, esses padrões ou identificar esses padrões no discurso de uma criança de 8 anos, no discurso de um adolescente e também estamos identificando isso no discurso do das pessoas adultas. Então aí a gente vai realmente fala assim: "Olha, realmente, né, então o que funciona e o que eles conseguem identificar como práticas, né, de estratégias, principalmente a gente tá muito nessa questão das estratégias, eh, de reconhecer como prática corporal, porque é isso também, né, e é de ter identidade como prática corporal, o que faz sentido para uma pessoa eh neurodivergente em termos de de esporte, em termos de atividade física. A gente tem uma outra característica também em alguns aspectos da neurodivergência, em que o esporte ele é utilizado como um excesso regulador também, né, prática excessiva, né, de alguma atividade física também como algo eh maléfico para algumas pessoas, né? Então, aquela pessoa que entra nos hiperfocos, né, eh aí não consegue sair daquele daquela situação e tudo mais. Então eles conseguem identificar isso e conseguem pontuar quais são as estratégias que os professores utilizavam dentro disso. E aí a gente tem alguns marcadores, marcadores de gênero, marcadores de raça. A gente não sabe, por exemplo, eh sobre o que pessoas negras autistas estão falando. A gente tem uma dificuldade muito grande já do diagnóstico de pessoas negras, né, por uma característica da própria raça. Então, e pessoas comprovadamente crianças negras são diagnosticadas muito mais tarde porque era uma criança o quê? Ah, aquela criança ela é birrenta, ela é brava, ela é estúpida, porque se se vincula isso a uma característica da raça e não uma característica do diagnóstico. Então, a gente também tá tentando escutar, né, essas pessoas negras em relação à prática de atividade física e esporte. É isso. Muito bom, Gabriela. Muito obrigado, viu, pela baita contribuição aqui para para nós. Gabriel, por favor. É, vou então, eh, responder as questões do Wagner, né? Eh, a gente tem na equipe, foi uma das questões que você falou, a gente tem eh lá na Secretaria de Cultura eh que a gente saiba, né, duas pessoas que entraram recentemente por concurso. Então, questões como o barulho no local de trabalho, gente, é muito barulhento lá, porque a Secretaria de Cultura é um lugar um tanto alegre, né? você já teve lá e as pessoas o tempo todo estão tomando café, estão conversando, trabalham conversando e para algumas pessoas isso é um problema, né? Então a gente teve que aprender um pouco com isso e aí alguém questionar, né? Falou assim: "Ué, por que que aquela pessoa fica com fone de ouvido? Ela tá ouvindo música em vez de tá trabalhando, né? E a gente teve que eh eh educar a nossa própria equipe para que o espaço seja acolhedor, né? E por outro lado também a gente aprendeu há cerca de três ou 4 anos a gente foi fazer uma feira do livro e leitura. E aí inclusive foi essa coordenadora que colocou lá, falou assim: "Olha, a gente tem que ter uma sala calma". E aí todo mundo achou esquisito, falou assim: "Não, aqui que é uma sala calma, aqui é um espaço, é um feira do livro, feira do livro." falou: "Não, tem que ter, porque quem trouxer criança aqui que é autista, precisa ter um espaço de descompressão, precisa ter um espaço calmo, com puff, com outro tipo de luz, outra decoração da parede, com, enfim, né? Deu todas as dicas e na hora acho que a maioria da nossa equipe estranhou aquilo, né? Mas era uma contribuição de mais uma pessoa da cultura e a gente é assim mesmo, né? Às vezes chega a gente com contribuição maluca e a gente tá sempre, ah, tá bom, né? você faz o X, a questão é assim, você vai na você faz, né? Deu a ideia, tem que fazer, né? Mas enfim, essa pessoa ajudou a gente a entender a necessidade e na feira do livro foi um espaço muito usado assim, né? Que é algo que a gente nunca tinha mapeado antes. Então eu acho que o principal pra gente é ser aberto, né? É, é porque a gente tá o tempo todo deparando com questões que a gente não fazia conta há pouco tempo atrás, né? E aí a gente é muito cobrado no conselho, né? Porque a a Paula Montei, que eu fiquei devendo o nome dela, ela é uma pessoa assim que eh estuda o assunto, é militante do assunto, trabalha com isso. Então ela tá o tempo todo trazendo muita contribuição e também chamando a gente para fal e aí como que é isso, né? Então, a gente tem eh pessoas, duas pessoas, uma pessoa cega, uma com baixa visão. Tem a Paula Montei, que também é uma no conselho, né? Eh, que que é uma pessoa que trabalha com a acessibilidade, cultura DF. Então, a gente tem ali um ambiente assim de muita cobrança da gente, mas é uma cobrança construtiva, é muito positivo isso, né? E e aí a gente tem procurado a partir da dessa compreensão tornar os nossos eventos o o eh cada vez mais acessíveis do ponto de vista universal, né? Então, a gente não faz uma uma mostra de teatro só paraa pessoa def, mas que a o teatro dentro de uma amostra de arte def ele seja acessível a todos, que ele não seja só paraa bolha de as famílias das pessoas com deficiência, mas que seja considerado arte para que todo mundo queira ver, né? Então é uma possibilidade que a gente tem de criar integração, né? de trazer isso pro centro como uma possibilidade nova de linguagem, né? E no campo da dança, por exemplo, tem gente trabalhando já há muito tempo, né? Há décadas aqui em Campinas, né? Que tem contribuído muito, né? Eu queria aproveitar e falar do livro que eu mencionei agora a pouco. Ele vai ser lançado nesse sábado, dia 23, às 11 da manhã, no MAC, Museu de Arte Contemporânea de Campinas. O livro se chama Repertório Aberto, Arte e educação e o Direito ao Museu no MAC. Então esse é o livro, fruto de um ano de pesquisa e atividades eh lá no no nosso museu, né, com financiamento público, tudo mais, né? E eu volto a insistir nessa nossa aposta de visão de gestão. Eu tenho certeza que se fosse eh depender da iniciativa chapa branca e para quem trabalha no estado, eu fiz a minha carreira a vida inteira no no trabalho do estado, acredito no estado, na importância do estado, sou contra a ideia, qualquer ideia de estado mínimo, né? Mas eu acho que há um risco sempre da gente achar que eh o Estado é onisciente. Então eu acho que o Estado tem que ser sempre permeável, ele garantidor da da da amplificação das vozes da sociedade, porque a gente sempre tem que partir da ideia de que o Estado existe para garantir os direitos da da das pessoas, né, da sociedade. Então, eu acho que a gente não teria capacidade, nós como servidores públicos, de enxergar o conjunto de situações que a gente eh tem o desafio de enfrentar se a gente se supusesse, né, se a gente suposse que somos oniscientes, né, mas a gente sempre vai, né, a nossa visão de gestão, a nossa gestão atual é sempre de que a gente tem que amplificar as as vozes da sociedade. Então, às vezes dá um choque isso, às vezes, opa, será que é isso mesmo, né? Porque as pessoas vêm e falam assim: "Por que que vocês não fazem um festival de dança? Por que que vocês não fazem festival?" Mas a gente não faz, porque a gente entende que quando a gente abre um edital e a gente apoia um produtor cultural que já tem um festival de dança há tantos anos, eh quando a gente eh enxerga ele no diálogo e apoia essa pessoa, eh ao final da nossa gestão, eu já passei por várias gestões aqui na Prefeitura de Campinas, né? Eh, ao final da nossa gestão, ele vai ser um profissional produtor, uma pessoa profissional, produtora de de arte, de cultura, de eh mais eh estruturada, com mais história, mais realizações e mais condições de continuar, mesmo que a gente passe por um período de vacas magras, que é muito comum acontecer na cultura, né, que a gente passe um período de sem financiamento, sem compreensão política na gestão, né, da importância das iniciativas culturais. Se essa pessoa passou por um período de apoio para que ela fizesse e não o poder público, chapa branca, fazendo o seu festival de música, o seu festival de jazz, o seu festival de dança, né, essa pessoa da sociedade civil, ela vai sair mais forte como agente cultural, como agente econômico, com autonomia para que ela tenha seu protagonismo continuado ao longo do tempo, né? Então, é uma aposta que a gente faz e que a gente vira pregador dessa nossa visão, porque eu acho que é muito importante eh quem está no desafio de ser gestor eh ou gestora eh entender e isso não é muito comum na gestão pública, né? Não é como a maioria das pessoas entende quando tá no desafio, né, de de fazer esse serviço público. Obrigado. Muito bom, Gabriel. Obrigado. Também quero de novo agradecer a Marina Tramonte que, né, saiu, vocês viram, mas ficou bastante aqui com a gente, a Gabriela Figueiredo, obrigado Gabriela. E ao Gabriel Rapaz, também a galera do Instituto Jo Clemente que teve aqui conosco, que vai contribuir pro nosso trabalho aqui também. Nós temos marcado a nona reunião da nossa comissão dia 23 de junho, a princípio dia às 10 da manhã, né, que é um horário que o pessoal não gosta, mas é isso. A gente tá com uma dificuldade enorme de conseguir espaço aqui nessa casa. Nós temos só dois espaços, né, dois auditórios. Então nós vamos fazer essa reunião que já é um pouco o encaminhamento para uma, né, um afunilamento aí do nosso trabalho. Estamos colocando como tema realidade e oportunidades propostas para ampliação dos direitos às pessoas neurodivergentes. Quero agradecer aqui as pessoas, né, do nosso mandato, do nosso gabinete, daqui da da Câmara também, os profissionais aqui que tornam possível o nosso trabalho. agradecer de novo a vocês e dar desejar uma boa noite, que todo mundo regresse bem à suas às nossas casas, que a gente se veja em breve novamente, tá bom? Obrigado, pessoal. TV Câmara, Campinas.
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